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Lombalgia crônica em pacientes atendidos no ambulatório de

acupuntura do Grupo CBES-POA: prevalência e fatores


associados
Sampaio, C. S.¹; Meneghetti, A.²
1
Aluno Pesquisador
2
Orientador do Trabalho
TCC / Curso de Acupuntura Tradicional Chinesa
Colégio Brasileiro de Estudos Sistêmicos – CBES – Porto Alegre

Resumo - No âmbito das afecções do aparelho locomotor, a dor é o sintoma mais freqüente e uma
das principais causas de procura por assistência médica. Além da alta prevalência, sua importância
decorre por estar presente nas doenças que causam maior impacto negativo na qualidade de vida e
na produtividade dos indivíduos acometidos. A dor lombar representa um dos problemas mais
onerosos de afecções do aparelho locomotor e uma das principais causas de absenteísmo ao
trabalho nos países industrializados. Este estudo tem como por objetivo determinar a prevalência de
lombalgia crônica em pacientes atendidos no ambulatório de acupuntura do Grupo CBES na cidade
de Porto Alegre no Rio Grande do Sul e identificar a sua associação com variáveis demográficas,
sócio-econômicas e comportamentais. Para a realização deste estudo foram entrevistados
aleatoriamente 10 (dez) pacientes, onde a prevalência de dor lombar crônica encontrada foi de 70%.
As variáveis “sexo”, “idade”, “sedentarismo”, “estado civil” e “escolaridade” se comportaram como
fator de risco para a dor lombar.

Palavras-Chave: lombalgia, dor crônica, variáveis, prevalência

Abstract - Under the conditions of the locomotor system, pain is the most common symptom and a
major cause of seeking medical attention. Besides the high prevalence, its importance stems to be
present in diseases that cause major negative impact on quality of life and productivity of affected
individuals. Low back pain represents one of the most costly diseases of the locomotor system and a
major cause of work absenteeism in industrialized countries. This study is aimed at determining the
prevalence of chronic low back pain in patients treated in outpatient acupuncture CBES Group in Porto
Alegre in Rio Grande do Sul and identify its association with demographic, socioeconomic, and
behavioral. For this study were randomly interviewed 10 (ten) patients, where the prevalence of
chronic low back pain found was 70%. The variables "gender", "old age", "inactivity," "marital status"
and "education" behaved as a risk factor for low back.

Keywords: low back pain, chronic pain, variables, prevalence

Introdução negativo na qualidade de vida (MARTINEZ,


1995; ROUX et al, 2005) e na produtividade
A dor se traduz por uma “experiência dos indivíduos acometidos (MAIN, 2002).
sensorial e emocional desagradável associada A dor pode ser aguda e de fácil
ou relacionada à lesão real ou potencial dos resolução, ou pode ser persistente, tornando-
tecidos, ou descrita em tais termos” se crônica. A dor crônica é caracterizada pela
(CROMBIE, 1999). persistência de desconforto doloroso por mais
No âmbito das afecções do aparelho de três meses. Alguns autores caracterizam a
locomotor, a dor é o sintoma mais freqüente e dor crônica como aquela que persiste por um
uma das principais causas de procura por período acima de seis meses e outros, ainda,
assistência médica. Além da alta prevalência, acima de 12 meses (LERESCH, 2000).
sua importância decorre por estar presente A dor aguda ou crônica, de um modo
nas doenças que causam maior impacto geral leva o indivíduo a manifestar sintomas
como alterações nos padrões de sono, apetite métodos complementares, como a
e libido, manifestações de irritabilidade, acupuntura, estão sendo cada vez mais
alterações de energia, diminuição da utilizados para o tratamento da dor (PARRIS &
capacidade de concentração, restrições na SMITH, 2003).
capacidade para as atividades familiares, A Organização Mundial de Saúde
profissionais e sociais (OLIVEIRA & (OMS) reconhece que a acupuntura poderia
OLIVEIRA, 2011). servir como tratamento principal ou
Um dos critérios diagnósticos para complementar para as mais diversas
pesquisa em dor crônica não-oncológica, patologias, por exemplo: enxaquecas,
preconizado pela taxonomia da “International problemas gastrointestinais, alergias e algias
Association for Study Pain” (IASP), é a diversas (SANTOS et al, 2009).
duração de seis meses (MERSKEY & A lombalgia é definida como uma dor
BOGDUK, 1994). regional anatomicamente distribuída entre o
A dor crônica é considerada um último arco costal e a prega glútea,
problema global e complexo que envolve freqüentemente acompanhada por
sofrimento desnecessário, incapacidade exacerbação da dor e limitação de movimento
progressiva e custo socioeconômico relevante. (VILELA, 2006). Segundo Socorro et al.
Ela difere significativamente da dor aguda por (2008), é uma disfunção de etiologia variada,
sua maior duração e tais termos, aplicados na complexa e altamente discutida, podendo ser
prática clínica, nem sempre guardam relação desencadeada por fatores de risco biológicos,
com os conceitos advindos da anatomia mecânicos e cognitivos.
patológica (CAILLIET, 1999). Pode estar Sobrepujada apenas pela cefaléia
associada com a continuidade da doença, ou dentre os distúrbios dolorosos que mais
mesmo persistir após a recuperação da afetam o homem, a dor lombar é causa
doença ou lesão. freqüente de morbidade e incapacidade,
O tratamento e controle da dor têm estando associada à importante impacto social
grande importância devido aos efeitos e econômico (HILDEBRANDT, 1995; DEYO &
deletérios promovidos pelo desencadeamento PHILLIPS, 1996).
fisiológico do processo doloroso, não devendo A dor lombar representa um dos
ser negligenciado. problemas mais onerosos de afecções do
Em estudo, Martinez et al (2008) aparelho locomotor e uma das principais
mostraram que a modalidade terapêutica mais causas de absenteísmo ao trabalho nos
utilizada para o tratamento de dores crônicas países industrializados. Aproximadamente 75
em unidade básica de saúde (UBS) é a -90% dos custos estão vinculados aos doentes
medicamentosa com predomínio de com lombalgia crônica (NACHEMSON, 1992).
analgésicos e anti-inflamatórios não As dores lombares, em especial,
hormonais (AINES). atingem níveis epidêmicos na população
São inúmeras as indicações mundial (DEYO, 1998). As lombalgias são
terapêuticas da acupuntura, destacando-se as comuns na população, sendo que, em países
doenças crônicas e incapacitantes que podem industrializados, sua prevalência é estimada
provocar dor e muito incômodo nas pessoas, em torno de 70% (ANDERSSON, 1981). Em
interferindo na qualidade de suas vidas e alguma época da vida, de 70 a 85% de todas
impedindo que retomem sua vida como no as pessoas sofrerão de dores nas costas
período anterior à doença. O tratamento da (ANDERSSON, 1999). Cerca de 10 milhões
dor com acupuntura está registrado na de brasileiros ficam incapacitados por causa
literatura em diversos estudos (PATRÍCIO, desta morbidade e pelo menos 70% da
2002; SALAZAR & REYES, 2004) e parece população sofrerá um episódio de dor na vida
ser consenso que a acupuntura tem um efeito (TEIXEIRA, 1999). Nos Estados Unidos, a
analgésico. lombalgia é a causa mais comum de limitação
Apesar dos avanços da Medicina, de atividades entre pessoas com menos de 45
protocolos para o controle da dor ainda anos, é a segunda razão mais freqüente para
requerem estudos, especialmente em visitas médicas, a quinta causa de admissão
pacientes pediátricos, geriátricos, oncológicos hospitalar e a terceira causa de procedimentos
e diabéticos, nos quais os fármacos utilizados cirúrgicos (HART, 1995).
podem promover sedação, depressão A lombalgia é considerada como a
respiratória e distúrbios gastrointestinais principal causa de incapacidade em indivíduos
(FANTONI & MASTROCINQUE, 2002; abaixo de 45 anos e a segunda causa mais
PARRIS & SMITH, 2003). Dessa forma, os freqüente de procura por assistência de saúde
em decorrência de doenças crônicas (BIGOS
et al., 1994; ANDERSSON, 1995).
A lombalgia aguda, geralmente Método
relacionada a comprometimento de
ligamentos, músculos e/ou lesões dos discos Este estudo tem por objetivo,
intervertebrais, é caracterizada pela presença determinar a prevalência de lombalgia crônica
de dor de início súbito com duração inferior a em pacientes atendidos no ambulatório de
seis semanas. Na maioria das vezes é auto- acupuntura do Grupo CBES, na cidade de
limitada e dura em média de um a sete dias. Porto Alegre no Rio Grande do Sul e identificar
Cerca de 90% dos pacientes se recuperam a sua associação com variáveis demográficas,
espontaneamente, 60% retornam para as suas sócio-econômicas e comportamentais. Trata-
funções no prazo de um mês e 30% a 60% se de uma pesquisa quantitativa exploratória.
dos pacientes podem apresentar recidiva da A coleta de dados ocorreu em 02 de
dor em um ano a dois anos (ALENCAR, 1999; setembro de 2011, através da aplicação do
MACEDO, 2006; CARAVIELLO et al, 2005). A Questionário Nórdico de Sintomas
lombalgia subaguda tem duração de seis a Osteomusculares – QNSO. Para a realização
doze semanas. Neste caso, o retorno à função deste estudo foram entrevistados
habitual ocorre em até três meses (CHUNG, aleatoriamente 10 (dez) pacientes. A amostra
1996). A lombalgia crônica ocorre em somente pode ser classificada como não-probabilística
cerca de 8% dos casos, ultrapassa 12 e por conveniência — ocorre quando os
semanas, compromete a produtividade e tem participantes são escolhidos por estarem
maior dificuldade de se resolver por completo disponíveis (BABBIE, 2005).
(ANDERSSON, 1999; CHUNG, 1996). A presença de lombalgia crônica foi
As dores lombares crônicas atingem estabelecida através das respostas “com
principalmente a população em idade freqüência possui dor (2)” e “sempre possui
economicamente ativa, podendo ser altamente dor (3)” dadas pelos entrevistados para o
incapacitante e é uma das mais importantes critério que estabelece a identificação da
causas de absenteísmo (FREIRE, 2000). região lombar como o local da dor em uma
Diversos fatores têm sido associados figura de pessoa na posição ereta, supina e
à presença de dor lombar crônica, como a dorsal com as regiões lombar, torácica e
idade, sexo, tabagismo, alcoolismo, peso cervical pintadas em cores diferentes
corporal, classe social, nível de escolaridade, (KUORINKA et al, 1987) nos últimos 12 (doze)
prática de atividade física e atividades laborais meses.
(SILVA et al, 2004). A dor lombar crônica pode O critério de duração da dor como
ser causada por doenças inflamatórias, crônica, foi baseado na “Classification of
degenerativas, neoplásicas, defeitos Chronic Pain” que, apesar de aceitar como dor
congênitos, debilidade muscular, crônica aquela que dura pelo menos três
predisposição reumática, sinais de meses, recomenda para fins de pesquisas
degeneração da coluna ou dos discos populacionais, que se utilize duração maior de
intervertebrais e outras (WHO, 1985). seis meses como critério para caracterizá-la
Entretanto, freqüentemente a dor lombar (MERSKEY & BOGDUK, 1994).
crônica não decorre de doenças específicas, Foram analisadas como possíveis
mas sim de um conjunto de causas, como por fatores associados à lombalgia as variáveis
exemplo fatores sócio-demográficos (idade, demográficas (sexo, idade e estado civil),
sexo, renda e escolaridade), comportamentais sócio-econômicas (escolaridade) e
(fumo e baixa atividade física), exposições comportamentais (atividade física e
ocorridas nas atividades cotidianas (trabalho tabagismo).
físico pesado, vibração, posição viciosa, O banco de dados foi construído no
movimentos repetitivos) e outros (obesidade, programa Microsoft Office Excel 2003.
morbidades psicológicas) (National Institute for
Occupational Safety And Health, 1998;
MARRAS, 2000). No Brasil foram encontrados Resultados e Discussão
poucos estudos sobre o assunto, sendo assim,
não há dados de prevalência de dor lombar, Foram entrevistados 10 (dez)
ou de dor lombar crônica no país (FREIRE, pacientes com uma média de idade de 62,6 ±
2000; KRELING, 2000). 7,8 anos, distribuindo-se entre 54 e 75 anos,
onde a maioria encontrava-se na faixa de 50 à
59 anos. Sendo que 100% dos entrevistados Considerando-se a freqüência de
eram do sexo feminino. respostas “com freqüência possui dor” e
“sempre possui dor” pelos entrevistados, a
Tabela1 - Características demográficas e sócio- prevalência de dor lombar crônica encontrada
econômicas dos pacientes atendidos no ambulatório de
neste estudo foi de 70% (ver Tabela3).
acupuntura
Características demográficas e
N = 10 (%)
sócio-econômicas
Sexo
Feminino 10 100,00
Masculino 0 0,00 Tabela3 – Freqüência da dor na região lombar nos
últimos 12 meses
Idade
50-59 5 50,00
60-69 2 20,00 Frequência da dor na região Nº de Pacientes /
lombar nos últimos 12 meses Percentual
≥70 3 30,00
Estado Civil
Casado(a)/Vive Não 1 (10%)
maritalmente 5 50,00 Raramente 2 (20%)
Solteiro(a)/Viúvo(a) 5 50,00 Com freqüência 3 (30%)
Escolaridade Sempre 4 (40%)
Fundamental incompleto 3 30,00
Fundamental completo 2 20,00 Total= 10 (100%)
Segundo grau incompleto 0 0,00
Segundo grau completo 2 20,00
Superior incompleto 2 20,00
Superior completo 1 10,00
Mestrado 0 0,00
Na análise dos dados obtidos (ver
Doutorado 0 0,00
Tabela1), verificou -se que a dor lombar
prevalece mais no sexo feminino. Observou-se
que conforme aumentava a idade dos
indivíduos, houve uma tendência de aumento
na freqüência da dor lombar crônica (ver
Dos entrevistados, 50% eram casados Tabela4).
(as) ou viviam com o(a) companheiro(a).
Observou-se que 90% dos entrevistados não
fumavam atualmente e que 40% eram
sedentários.
Tabela4 – Dor lombar nos últimos 12 meses e sua relação
com a idade
Dor na região Idade
lombar nos últimos Nº de
12 meses pacientes Desvio
Média Mediana Mínima Máxima
Padrão
Tabela2 - Características do estilo de vida dos pacientes
atendidos no ambulatório de acupuntura
Não 1 57 57 57 57 0
Características
N = 10 (%) Raramente 2 55 55 55 55 0
comportamentais
Com frequência 3 63 59 54 75 10,97
Atividade Física
Sempre 4 68 67,5 61 75 6,4
Pratica 6,00 60,00
Não pratica 4,00 40,00
Total= 10

Tabagismo
Fumante / Ex-fumante 1,00 10,00
Não-fumante 9,00 90,00

Atividade Laborativa Conforme a Tabela4, a prevalência da


Sim 7,00 70,00 dor lombar crônica, em relação a idade,
Não 3,00 30,00 apresentou um aumento significativo, sendo
que a faixa entre 61 e 75 anos apresenta o
maior risco (cerca de 1,5 vezes maior do que
na faixa entre 55 e 57 anos).
A dor lombar crônica aumenta contra a dor lombar concordando com o
conforme a escolaridade diminui, sendo que estudo de SILVA, FASSA & VALLE (2004);
na categoria “de 0 a 9 anos de estudo” onde que associa o estado civil “solteiro(a)” com
os entrevistados apontaram a resposta índices reduzidos desta morbidade.
“sempre possui dor” apresentaram maior Conforme a Tabela8, observou-se que
percentual de risco de dor lombar crônica do o sedentarismo está associado com maior
que a categoria com “13 ou mais anos de risco de pacientes apresentarem lombalgia
estudo” (ver Tabela5). crônica.
Neste estudo, conforme a Tabela6,
foram encontrados mais riscos de
apresentarem dor lombar crônica as pessoas
que não fumam atualmente quando
comparadas aquelas que fumam ou que são Tabela7 – Dor na região lombar nos últimos 12 meses e
sua relação com o estado civil
ex-fumantes, discordando dos estudos de
SCOTT et al, (1999); ERIKSEN et al, (1999);
Dor na região Estado Civil
PALMER et al, (2003); que relacionam as lombar nos
pessoas que fumam como mais suscetíveis a últimos 12 Casado(a)
Solteiro(a) /
Viúvo(a)
esta morbidade. meses

Não 0 (0,00%) 1 (20,00%)


Raramente 2 (40,00%) 0 (0,00%)
Com freqüência 1 (20,00%) 2 (40,00%)
Tabela5 – Dor lombar nos últimos 12 meses e sua Sempre 2 (40,00%) 2 (40,00%)
relação com a escolaridade
Total= 5 (100%) 5 (100%)
Dor na região Escolaridade (em anos de estudo)
lombar nos
últimos 12 10 a 12
0 a 9 anos ≥13 anos
meses anos

Não 1 (20,00%) 0 (0,00%) 0 (0,00%)


Tabela8 – Localização de dor e sua relação com a
Raramente 1 (20,00%) 1 (50,00%) 0 (0,00%) prática de atividade física
Com freqüência 0 (0,00%) 1 (50,00%) 2 (66,67%)
Sempre 3 (60,00%) 0 (0,00%) 1 (33,33%) Dor na região Prática de atividade física
lombar nos
últimos 12 meses Sim Não
Total= 4 (100%) 2 (100%) 3 (100%)

Não 1 (16,66%) 0 (0,00%)


Raramente 1 (16,66%) 1 (25,00%)
Com frequência 2 (33,34%) 1 (25,00%)
Tabela6 – Dor lombar nos últimos 12 meses e sua Sempre 2 (33,34%) 2 (50,00%)
relação com o tabagismo
Total= 6 (100%) 4 (100%)
Dor na região lombar Tabagismo
nos últimos 12 meses Sim Não

Não 0 (0%) 1 (11,11%)


Raramente 1 (100%) 1 (11,11%) As variáveis “sexo feminino”, “idade
Com freqüência 0 (0%) 3 (33,33%) avançada”, “sedentarismo”, “viver com
Sempre 0 (0%) 4 (44,45%) companheiro” e “baixa escolaridade” se
comportaram como fator de risco para a dor
Total= 1 (100%) 9 (100%) lombar neste estudo.
A variável “tabagismo” não se
comportou como fator de risco para a dor
lombar neste estudo.
Neste estudo, somente mulheres
Na Tabela7 pode ser verificado que a apresentaram risco para dor lombar crônica. O
variável estado civil “viver sozinho” (solteiro/a), achado é plausível, uma vez que as mulheres,
se apresentou como um fator de proteção cada vez mais combinam a realização de
tarefas domésticas com o trabalho fora de nível de escolaridade, sexo feminino, atividade
casa onde estão expostas a cargas física, viver com companheiro e idade
ergonômicas, principalmente repetitividade, avançada.
posição viciosa e trabalho em grande Muitos autores concluem que, mesmo
velocidade (DALL’AGNOL, 1995). Além disso, sendo a última escolha entre os tratamentos,
o sexo feminino apresenta algumas em qualquer caso, a acupuntura não apenas
características anátomo-funcionais (menor alivia a dor, mas também harmoniza os
estatura, menor massa muscular, menor distúrbios físicos e psicológicos (LORENZETTI
massa óssea, articulações mais frágeis e et al, 2006).
menos adaptadas ao esforço físico pesado, Sugiro a continuidade do estudo para
maior peso de gordura) que podem colaborar avaliar a eficácia da acupuntura no tratamento
para o surgimento das dores lombares das lombalgias.
crônicas (SILVA, FASSA & VALLE, 2004).
Com a diminuição da escolaridade, Referências Bibliográficas
houve um aumento da prevalência de dor
lombar, o que também se verificou em outro
1. Crombie IK. The potencial of
estudo (BASSOLS, BOSCH, CAMPILLO &
Epidemiology. In: Crombie IK, Croft PR,
BANOS, 2003), o que pode significar que
Linton SJ, LeResche L, Von Korff M,
indivíduos com maior nível de instrução são
editors. Epidemiology of pain: a report
mais capazes de prevenir a lombalgia. Ou
of the Task Force on Epidemiology.
ainda, que exista maior exposição a cargas
Seattle: IASP Press; 1999. cap.1, p. 1-5.
ergonômicas, tanto no domicílio quanto no
2. Martinez JE, Ferraz MB, Sato EI, et al.
trabalho (VOGT, 2000).
Fibromyalgia versus rheumatoid
Neste estudo, com o aumento da
arthritis: a longitudinal comparison of
idade, houve um aumento da prevalência de
quality of life. J Rheumatol. 1995;
dor lombar, o que é sustentado por outras
22(2):270-4.
pesquisas (DEYO, 1998; LINTON, 1990; VAN
3. Roux CH, Guillemin F, Boini S, et al.
DOORN, 1995). As doenças crônicas e
Impact of musculoskeletal disorders on
degenerativas, que comumente se relacionam
quality of life: an inception cohort
com a idade, representam as mais prevalentes
study. Ann Rheum Dis. 2005; 64(4):606-
causas de lombalgia, tais como artrose
11.
interfacetária, espidondiloartrose e
4. Main CJ, Williams AC.
degeneração discal. A relação entre idade e
Musculoskeletal pain. BMJ. 2002;
lombalgia possivelmente seja explicada pela
325(7363):534-7.
presença dessas doenças (CROMBIE, 1999;
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SCOTT et al, 1999).
perspectives on sex differences in pain.
Neste estudo, o nível de atividade
In Fillingim RB, editor. Sex, gender, and
física apresentou associação com a dor
pain. Progress in pain research and
lombar, concordando com alguns estudos que
management, Vol. 17. Seattle:IASP Press;
associam indivíduos mais ativos no lazer a
2000. p. 23349.
índices reduzidos de morbidade (FREIRE,
6. Oliveira AAC, Oliveira LC. A
2000; TAIMELA et al, 2000).
efetividade da acupuntura no
O sedentarismo, associado à
tratamento dos portadores de cefaléia.
deficiência do sistema musculoesquelético e
Revista Hórus. 2011. 5(1):78-92.
sobrecargas na coluna, torna os indivíduos
7. Merskey H, Bogduk N. Classification
mais propensos à dor lombar (MANN et al.,
of chronic pain: descriptions ofchronic
2008).
pain syndromes and definitons of pain
Neste estudo, o hábito de fumar ou a
terms. 2nd ed. Seattle: IASP Press; 1994.
condição de ex-fumante não se apresentou
8. Cailliet R. Dor: mecanismo e
como fator de risco ao aparecimento da dor
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lombar crônica, concordando com o estudo de
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ERIKSEN et al, 1999.
9. Martinez JE, Santos BZC, Fasolin RP,
et al. Perfil de pacientes com queixa de
Conclusões
dor músculo-esquelética em unidade
básica em Sorocaba. Rev Bras Clin Med
Neste estudo obtivemos uma
2008; 6(5):167-71.
prevalência elevada de dor lombar na
amostra, com marcante associação com baixo
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