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Comentário dos capítulos I - VII, obra “O Leviatã” - Thomas Hobbes.

Apresentado à
disciplina de Filosofia da Linguagem, referente à aula ministrada pela Profª. Drª.Maria
Isabel Limongi, do departamento de Filosofia da Universidade Federal do Paraná.

Aluno: Gabriel Domingues


GRR: 20159170
Turno: Noturno

Curitiba 2019
05/12/2019
Capítulo I - Da sensação

Segundo Hobbes, os pensamentos do homem, são representações ou aparencias de


qualidades ou outros acidentes, proeminentes da sensação à qual tem origem da relação do
corpo exterior com os órgãos próprios de cada sentido. Na medida que a representação ou
aparencia distingue-se do corpo exterior, a sensação é neste momento “ilusão originária”

“De tal modo que em todos os casos a sensação nada mais é do que a ilusão originária,
causada (como disse) pela pressão, isto é, pelo movimento das coisas exteriores nos nossos
olhos e outros órgãos a isso determinados” (Hobbes, Thomas. “O Leviatã” p.11 Capítulo I,“Da
sensação”)

Capítulo II – Da imaginação

Hobbes apresenta sua teoria da imaginação a partir de um princípio de movimento dos corpos:

“quando uma coisa está imóvel, permanecerá imóvel para sempre, a menos que algo a agite.
Mas não é tão fácil aceitar esta outra, que quando uma coisa está em movimento,
permanecerá eternamente em movimento, a menos que algo a pare..” (Hobbes, Thomas. “O
Leviatã” p.11 Capítulo II,“Da imaginação”)

Da mesma maneira, propõe Hobbes, as imagens tais como nos aparecem, tendêm a
permanecer agindo nos corpos à medida que nada às interrompe, como no exemplo
hobbesiano do sonho, no qual sonhamos e mesmo após acordarmos ainda conservamos a
imagem sonhada, porém efetivamente obscurecida pelas outras relações de nosso corpo os
demais corpos exteriores. Imaginação no vocabulário latino e fantasia na língua grega, o
mesmo que aparência, e portanto cabível na teoria da imaginação hobbesiana. Se num
primeiro momento a imaginação não é senão uma “reminiscencia” das relações do corpo com
corpos exteriores, entreve-se a lingação íntima da imaginação e da memória; a primeira
formada pela duração das impressões evanescentes que nos são causadas pela exterioridade,
em outras palavras, um pensamento considerado isoladamente, como aponta Hobbes no
começo do capítulo I; a segunda formada pelo encadeamento das impressões de modo a
significar algo, a memória e a imaginação são, nestes termos, uma e a mesma coisa.

“Esta sensação diminuída, quando queremos exprimir a própria coisa (isto é, a própria ilusão),
denomina-se imaginação, como já disse anteriormente; mas, mas quando queremos exprimir a
diminuição e significar que a sensação é evanescente, antiga e passada, denomina-se
memória. Assim a imaginação e a memória são uma e a mesma coisa, que por razões várias,
tem nomes diferentes” (Hobbes, Thomas. “O Leviatã” p.12 Capítulo II,“Da imaginação”)
Das relações (sensação) com os corpos exteriores, cujas impressões perduram no corpo sendo
distintas do objeto que representam (imaginação), segue-se a memória dos homens, qual
encadeia as impressões passadas na medida que às têm representadas no espírito pela
imaginação, mas como encadea-las? Por uma nova representação? Uma representação da
representação? Se o espírito vaga em si, absorto num mundo interno de representações e
ilusões, não seria todo distinto dos sonhos e delírios, estaria envolto por fantasmas, mas ei que
Hobbes apresenta, aquilo que chama de entendimento,

“A imaginação que surge no homem (ou qualquer outra criatura dotada da faculdade de
imaginar) pelas palavras, ou quaisquer outros sinais voluntários, é o que vulgarmente
chamamos entendimento... Aquele entendimento próprio do homem é o entendimento não só
de sua vontade, mas também de suas concepções e pensamentos, pela sequência e contextura
dos nomes das coisas em afimações, negações, e outras formas de discurso.” (Hobbes, Thomas.
“O Leviatã” p.13 Capítulo II,“Da imaginação”).

Capítulo III – Da consequência ou cadeia de imaginações

Segundo Hobbes, quando o homem pensa, a sucessão dos pensamento, aquele que sucede o
prévio e por conseguinte o que o sucederá, acontece na imaginação

“...à maneira da água sobre uma mesa lisa, que, quando se empurra uma parte com o dedo, o
resto segue também.” ” (Hobbes, Thomas. “O Leviatã” p.14 Capítulo III,“Da consequência ou
cadeia de imaginações”).

Como a mente passa daquele pensamento para aquele pensamento? Poder-se-ia dizer que o
pensamento ao qual segue-se um pensamento dado, não tem a menor razão se não a
fortuidade da mente que o pensa? Hobbes nos explica como os vestígios dos movimentos
cujas impressões formaram a sensação, são os produtores da ordem de encadeamento das
imaginações. Para Hobbes a imaginação procede seguindo a ordem na qual foi produzida; um
dado corpo exterior produz vestígios de seu movimento naquele que o padece, como o “resto
da água” que segue o movimento do dedo que a empurra, na imaginação o pensamento que
sucede o prévio têm sua origem nos movimentos internos do corpo, que outrora fizera
movimentos semelhantes para com um corpo exterior que o pressionara de maneira
igualmente semelhante. Esta cadeia de imaginações ou discurso mental Hobbes distingue
entre dois tipos; aquele que procede sem desígnio e aquele que procede por desígnio.

“Esta cadeia de pensamentos, ou discurso mental, é de dois tipos. O primeiro é livre, sem
desígnio, e inconstante.”
“A segunda é mais constante por ser regulada por algum desejo ou desígnio” ” (Hobbes,
Thomas. “O Leviatã” p.14 Capítulo III,“Da consequência ou cadeia de imaginações”).
Cabe aqui, atentarmos para a palavra desígnio, dos pensamentos que lhe são distantes, diz-se
que “vagueiam”, pois não há desejo, fim, meta qual gorverne o encadeamento dos
pensamentos, sendo por isto tomados como impertinentes uns aos outros, inconstantes; dos
que lhe são caros, há algum desejo, ou receio, qual produz algo desejado ou algo do qual
queremos nos afastar e então há uma constancia na produção de meios para obtenção daquilo
que desejamos ou do afastamento daquilo que receamos, esta faz-se de maneira governada.
Da cadeia dos pensamentos regulados, Hobbes distingue entre duas espécies; a que parte do
efeito para a causa, e a que parte da causa para o efeito.

“A cadeia dos pensamentos regulados é de duas espécies: uma, quando, a partir de um efeito
imaginado, procuramos as causas, ou meios que o produziram..; a outra é quando, imaginando
seja o que for, procuramos todos os possíveis efeitos que podem por esse coisa ser produzidos
ou, por outras palavras, imaginamos o que podemos fazer com ela, quando a tivermos.” ”
(Hobbes, Thomas. “O Leviatã” p.14 Capítulo III,“Da consequência ou cadeia de imaginações”).

Dos pensamentos que partem do efeito para a causa, imaginmos alguém que perde as chaves
e repassa obstinado em sua mente, os lugares por onde andou, os momentos em que parou,
quando mexeu nos bolsos absorto em alhures, vezes e vezes procurando as causas de seu
enfaro. Dos pensamentos que partem da causa para o efeito, pensemos em alguém que
pondera sobre as consequências e efeitos de seu discurso para com determinados
interlocutores, este pensa sobre os efeitos de uma determinada causa.

Capítulo IV – Da linguagem

Do que compete ao uso geral da linguagem e suas duas formas descritas por Hobbes; a
primeira, opera por registro das consequências dos pensamentos, que são recordados
pelas palavras atribuídas à eles,

“De maneira que a primeira utilização dos nomes consiste em servirem de marcas, ou notas de
lembrança” (Hobbes, Thomas. “O Leviatã” p.16 Capítulo IV,“Da linguagem”)

A segunda, opera por significação, produz sinais, daquilo que se concebe, das paixões que
sentimos, aquilo que desejamos e tememos. Dos seus usos especias;

“Os usos especias da linguagem são os seguintes: em primeiro lugar, registrar aquilo que por
cogitação descobrimos ser a causa de qualquer coisa, presente ou passada, e aquilo que
achamos que as coisas presentes ou passadas podem produzir, ou causar, o que em suma é
adquirir artes. Em segundo lugar, para mostrar aos outros aquele conhecimento que
atingimos, ou seja, aconselhar e ensinar uns aos outros. Em terceiro lugar, para darmos a
conhecer aos outros nossas vontades e objetivos, a fim de podermos obter sua ajuda. Em
quarto lugar, para agradar e para nos deliciarmos, e aos outros, jogando com as palavras por
prazer e ornamento, de maneira inocente.“ (Hobbes, Thomas. “O Leviatã” p.16 Capítulo
IV,“Da linguagem”)
Na sequência, Hobbes nos explica a função dos nomes no que concerne na adequada
ordenação de nomes em nossas afirmações, inspirado no modelo da geometria, uma
significação dos nomes, como definições, das quais procedem as consequências de
determinada siginificação;

“...um homem que procurar a verdade rigorosa deve lembrar-se que coisa substitui cada
palavra de que se sere, e colocá-la de acordo com isso; de outro modo ver-se-á enredado em
palavras, como uma ave em varas enviscadas: quanto mais lutar, mais se fere. E portanto em
geometria (que é a única ciência que prouve a Deus conceder à humanidade) os homens
começam por estabelecer as significações de suas palavras, e a esse estabelecimento de
significações chamam definições, e colocam-nas no ínicio de seu cálculo” (Hobbes, Thomas. “O
Leviatã” p.18 Capítulo IV,“Da linguagem”)

Capítulo VII – Dos Fins ou resoluções do discurso

Hobbes nos explica sua teoria da linguagem, onde a sensação, produzida pela relação dos
corpos exteriores com os cinco sentidos numa determinada ordem, produz por sua vez, a
imaginação, causada pelas impressões das relações/pressões do movimento dos corpos no
nosso corpo, a imaginação encadeia as impressões de duas maneiras, com desíginio (opera
com fim determinado, movida por desejo ou temor) e sem desíginio (opera sem fim
determinado, pensamento que vagueia sem fim), e ela o faz e só pode fazer por meio dos
nomes, os quais podem recordar encadeamentos e consequências dos pensamentos como
marcas e lembranças, e também podem significar aquilo que concebemos, sentimos e vivemos,
maneira qual é necessário que se proceda por definições precisas das significações dos nomes
usados no discurso, de maneira a calcular como os geometras, porém com nomes, na medida
em que a compreensão¸depende de uma clara disposição dos significados dos nomes, para
então suas consequências serem demonstradas por silogismos derivados da clara e rigorosa
definição das palavras.

“Portanto, quando o discurso é exprimido através da linguagem, começa pela definição das
apalavras e procede mediante a conexão das mesmas em afirmações gerais, e destas por sua
vez em silogismos, o fim ou soma total é chamado conclusão; e o pensamento por esta
significado é aquele conhecimento condicional, ou conhecimento das consequências das
palavras, a que geralmente se chama ciência. Mas se o primeiro terreno desse discurso não
forem as definições, ou se as definições não forem corretamente ligadas em silogismos, nesse
caso o fim ou conclusão volta a ser opinião, acerca da verdade de algo afirmado, embora às
vezes em palavras absurdas e destituídas de sentido, sem possibilidade de serem
compreendidas.” (Hobbes, Thomas. “O Leviatã” p.27 Capítulo VII,“Dos fins ou resoluções do
discurso.”)
Bibliografia;

HOBBES, Thomas,“O Leviatã ou Matéria, Forma e Poder de um Estado


Eclesiástico Civil”. Tradução: Tradução de João Paulo Monteiro e Maria
Beatriz Nizza da Silva.

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