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Tribunal de Justiça de Pernambuco – Poder Judiciário
Seção A da 34ª Vara Cível da Capital
AV DESEMBARGADOR GUERRA BARRETO, S/N, FORUM RODOLFO AURELIANO,
ILHA JOANA BEZERRA, RECIFE - PE - CEP: 50080-800 - F: (81) 31810520

PROCESSO Nº 0035999-21.2016.8.17.2001

SENTENÇA

Vistos etc.
EDMAR SOARES DE PONTES, qualificado nos autos, por intermédio de advogado
legalmente habilitado, ajuizou a presente ação contra BANCO DO BRASIL S/A, igualmente
qualificado.
Aduz o demandante em síntese, que é funcionário público aposentado e, ao se
aposentar, sacou quantia ínfima no seu PASEP de nº 1.072.659.167-7. Informa que procurou
o Banco do Brasil e solicitou extrato detalhado da sua conta, confirmando que uma série de
retiradas foram efetuadas na conta no decorrer dos anos.
Prossegue afirmando que procedeu com atualização dos valores retirados
ilegalmente antes de sua aposentadoria, chegando ao valor de R$ 36.895,33 (trinta e seis mil
oitocentos e noventa e cinco reais e trinta e três centavos).
Diante de todo o narrado, a demandante requer que a empresa ré seja compelida a
arcar com os prejuízos causados, sendo eles de ordem moral e material.
Foi proferido o despacho de id nº 14677649, deferindo o benefício da justiça gratuita
à parte autora e determinando a citação do réu.
Realizada audiência do art. 334, do CPC, sem acordo entre as partes (termo de id nº
15694402).

1
O demandado contestou (id nº 15974644), aduzindo preliminarmente a ilegitimidade
passiva, bem como suscitando prejudicial de prescrição quinquenal. Impugnou, ainda, a
gratuidade judiciária concedida ao autor.
No mérito, insurge-se contra a inversão do ônus da prova e aponta a inexistência de
direito a depósitos após a Constituição de 1988, bem como a ausência de danos morais. Ao
final, pugna pela improcedência dos pedidos.
Réplica de id nº 16064359.
Intimadas as parte para indicar o interesse na produção de novas provas, o
demandado informou não ter mais provas a produzir (petição de id nº 16455267) e o autor
não se manifestou (certidão de id nº 17287668)
Após, vieram-me os autos conclusos.
É o que basta relatar. Passo a decidir.
A questão controvertida nos presentes autos dispensa dilação probatória, uma vez
que os elementos presentes, inclusive a prova documental, já são suficientes para emitir a
sentença antecipadamente, conforme autoriza o art.355, inciso I, do CPC/2015.
Inicialmente, rechaço a impugnação à concessão da gratuidade judiciária
suscitada pela parte ré na contestação, porquanto ela não apresentou qualquer elemento
capaz de infirmar o benefício concedido à parte autora.
Quanto à preliminar de ilegitimidade passiva do Banco do Brasil, tenho que não
merece acolhida.
Na espécie, a causa de pedir deduzida na inicial diz respeito a saques indevidos e
má gestão de recursos do PASEP – de titularidade de servidor público –, e não, à eventual
ausência de recolhimento de tais valores pela União.
Nessa ordem de ideias, a responsabilidade por eventuais saques indevidos ou má
gestão dos valores depositados na conta do PASEP é exclusivamente da instituição gestora,
no caso, do Banco do Brasil, em virtude do art. 5º da Lei Complementar nº 8/1970.
Nesse sentido:
AGRAVO DE INSTRUMENTO. DECLINAÇÃO DA COMPETÊNCIA. AUSÊNCIA
DE ENTE FEDERAL NA RELAÇÃO PROCESSUAL. DESPROVIMENTO.
I - Agravo de instrumento interposto à decisão prolatada nos autos de Ação
Ordinária, que declarou a ilegitimidade passiva da União e declinou da
competência para a Justiça Estadual, para processar e julgar o feito em relação
ao Banco do Brasil S/A, que figura como Réu.
II - A pretensão de indenização por danos morais e materiais diz respeito a
alegados saques indevidos em conta bancária do PASEP, não se cogitando de
questão atinente a recolhimento, razão pela qual a União fora excluída do polo
passivo, conforme a orientação do TRF5 em hipóteses afins. III - Desprovimento
do Agravo de Instrumento.

2
(TRF5, PROCESSO: 08022408820164050000, AG/SE, DESEMBARGADOR
FEDERAL JOÃO BOSCO MEDEIROS DE SOUSA (CONVOCADO), 1º Turma,
JULGAMENTO: 09/05/2017, PUBLICAÇÃO:)

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO RELATIVA À MÁ


GESTÃO E SAQUES INDEVIDOS EM CONTA DO PASEP. ILEGITIMIDADE
PASSIVA DA UNIÃO FEDERAL. RESPONSABILIDADE DO GESTOR: BANCO
DO BRASIL. INCOMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL.
1 - Agravo de Instrumento de decisão que indeferiu a petição inicial de ação
ordinária objetivando pagamento de indenização por danos morais e materiais,
ante a constatação de que houve saque indevido do seu PASEP e o banco réu
não forneceu extrato completo de sua conta do PASEP, para verificação da
fraude ocorrida.
2 - A decisão está amparada no art. 295, II, c/c art. 267, VI, ambos do CPC, ante
o entendimento de existência de carência de ação em relação à União Federal,
sendo esta parte ilegítima para figurar no polo passivo da relação processual, e
restando a demanda a ser proposta unicamente contra o Banco do Brasil, a
competência não é da Justiça Federal, mas da Justiça Estadual Comum, tendo
determinado a remessa dos autos, por mídia CD ROM, para o Fórum da
Comarca do Recife.
3 - Consoante entendimento jurisprudencial, de fato, a decisão que declara a
incompetência da Justiça Federal, remetendo os autos à Justiça Estadual, tem
natureza de decisão interlocutória e não de sentença terminativa, de modo que o
recurso cabível é o agravo de instrumento e não a apelação.
4 - No caso, embora se trate de procedimento judicial eletrônico, o processo
principal foi remetido para a Justiça Estadual, em Pernambuco, em mídia CD
ROM, para redistribuição a uma das varas competentes na Comarca do
Recife/PE, não tendo a decisão caráter terminativo da ação. Tratando-se de
decisão interlocutória, afastada fica a preliminar de erro grosseiro na interposição
do presente recurso, por ser o agravo de instrumento o recurso cabível ao caso.
5 - A causa de pedir deduzida na inicial diz respeito a saques indevidos e má
gestão de recursos do PASEP, e não à eventual ausência de recolhimento de tais
valores.
6 - O pedido exordial não tem qualquer relação com a UNIÃO a justificar a sua
presença no polo passivo da lide, uma vez que a responsabilidade por eventuais
saques indevidos ou má gestão dos valores depositados na conta do PASEP é
da instituição gestora, no caso, do BANCO DO BRASIL, em virtude do art. 5º da
Lei Complementar nº 8/1970. Incompetência absoluta da Justiça Federal
reconhecida.
7 - Agravo de Instrumento improvido.

3
(TRF5, PROCESSO: 08010659320154050000, AG/SE, DESEMBARGADOR
FEDERAL RUBENS DE MENDONÇA CANUTO (CONVOCADO), 1º Turma,
JULGAMENTO: 15/10/2015, PUBLICAÇÃO: DJE null)

Passo a examinar a prejudicial de mérito de prescrição da pretensão deduzida.


Aplica-se ao caso concreto as disposições do Código Civil, pois a lide é pertinente a
enriquecimento sem causa.
Ajuizada a ação sob a égide do Código Civil/2002 e não havendo transcorrido
metade do prazo prescricional de vinte anos previsto no art. 177 do Estatuto Civil de 1916,
aplica-se, de acordo com a regra de transição prevista no artigo 2.028 da novel legislação, o
lapso prescricional de três anos contido no art. 206, § 3º, inciso V, cujo março inicial é a data
da entrada em vigor do Código Civil vigente.
No presente caso concreto, cada suposto saque realizado representou violação a
direito da autora, de modo que teria o prazo de três anos a contar de cada fato gerador para
promover a presente ação, uma vez que detém livre acesso aos extratos de sua conta
PASEP, mediante solicitação em agência do ente administrador do Fundo, qual seja, o Banco
do Brasil (www.bb.com.br/pasep).
Registro, nessa ordem de ideias, que a pretensão atinente relativa a eventuais
saques indevidos, anteriores ao prazo trienal, considerada a data de propositura presente
ação, estará alcançada pela prescrição.
Superadas a preliminar e a prejudicial, passo ao exame do mérito.
A contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor-PASEP foi
instituída pela Lei Complementar nº 8, de 03/12/1970, com o fito de promover o programa de
formação do patrimônio jurídico do servidor. Posteriormente, houve a unificação do PASEP
com o fundo do Programa de Integração Social-PIS, pela Lei Complementar nº 26, de
11/09/1975, passando ao único fundo PIS/PASEP
A partir de 5 de outubro de 1988, o Fundo deixou de contar com os recursos
provenientes de arrecadação de contribuições, porquanto o art. 239 da Constituição Federal
lhes deu outra destinação: passaram a custear o Programa do Seguro-Desemprego e o
Abono de um salário mínimo, previsto em seu § 3º, administrados pelo Conselho Deliberativo
do Fundo de Amparo ao Trabalhador - CODEFAT, vinculado ao Ministério do Trabalho e
Emprego, preservando, todavia, sob a responsabilidade do Ministério da Fazenda, os
patrimônios acumulados do PIS e do PASEP arrecadados até 4 de outubro de 1988.
Convém trazer a lume o texto da Constituição de 1988 que vedou a distribuição da
arrecadação de que trata o art. 239, para depósitos nas contas individuais dos participantes.
Vejamos:
Art. 239. A arrecadação decorrente das contribuições para o Programa de

4
Integração Social, criado pela Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970
e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público, criado pela
Lei Complementar nº 8, de 3 de dezembro de 1970, passa, a partir da
promulgação desta Constituição, a financiar, nos termos que a lei dispuser, o
programa do seguro-desemprego e o abono de que trata o § 3º deste artigo.

Com o advento da Constituição Federal de 1988, só possuem saldo em contas


individuais de PIS/PASEP aqueles que contribuíram para ela até o dia 04 de outubro de 1988
e não tenham procedido saque total dos valores depositados. Sendo, a partir de então,
devidos os abonos, para os que percebem até dois salários mínimos e rendimentos anuais.
No caso vertente, o autor aposentou-se, no ano de 2009, do cargo que ocupava no
serviço público, conforme emana do extrato de id nº 13730020, dando conta do pagamento
do PASEP naquele ano.
Também em conformidade com o referido extrato, a parte autora passou a contar
com depósitos na conta de sua titularidade a partir do ano de 1977.
No momento de se aposentar, teria o autor direito ao saque do saldo existente em
sua conta do fundo PIS/PASEP, sendo sua conta anterior ao advento da Constituição de
1988, conforme teor do artigo 4º, da Lei Complementar nº 26, de 11/09/1975.

Art. 4º - As importâncias creditadas nas contas individuais dos participantes do


PIS-PASEP são inalienáveis, impenhoráveis e, ressalvado o disposto nos
parágrafos deste artigo, indisponíveis por seus titulares.
§ 1º - Ocorrendo casamento, aposentadoria, transferência para a reserva
remunerada, reforma ou invalidez do titular da conta individual, poderá ele
receber o respectivo saldo, o qual, no caso de morte, será pago a seus
dependentes, de acordo com a legislação da Previdência Social e com a
legislação específica de servidores civis e militares ou, na falta daqueles, aos
sucessores do titular, nos termos da lei civil.

O autor afirma que o banco demandado permitiu que fossem realizadas subtrações
de sua conta PASEP.
O demandante juntou planilha de cálculos, no id nª 13729857, na qual, segundo
alega, os valores devidos, corrigidos monetariamente, chegariam ao patamar de R$
36.895,33 (trinta e seis mil oitocentos e noventa e cinco reais e trinta e três centavos), até a
data da propositura desta ação, bem distantes dos R$1.606,08 indicados no extrato PASEP
para 24/04/2009.
Os extratos da conta PASEP anexados pela autora (ids nº 13730020 e 13730047),
demonstram diversos saques efetuados na conta PASEP da parte autora sob os seguintes

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fundamentos históricos:

1009 - Crédito Rendimento - Folha de Pagamento;


1010 - Pagamento anual do abono
1016 - Plano Real.

Ademais, colhem-se as seguintes rubricas:


3434 – PAGTO RENDIMENTO FOPAG 33541368000116;
0007 - PAGTO RENDIMENTO C/C 4357/115159.

Por regra de experiência, tenho ciência de que os históricos 1009 e 1010 dizem
respeito ao pagamento anual do abono e dos rendimentos do PASEP, conforme previsto na
legislação.
Estes pagamentos ordinariamente são creditados em folha de pagamento, o que
pode ser comprovado por meio dos contracheques do servidor público correspondente aos
meses nos quais ocorreram os débitos na conta do PASEP sob os históricos 1009 e 1010.
Observo que os pagamentos efetuados por saque ocorreram na folha de pagamento
da parte autora, pelo que não há como terceira pessoa ter tido acesso ao referido numerário,
a não ser a própria demandante. Competia ao autor ter anexado a contraprova através da
juntada de seu contracheque que pudesse especificar o não recebimento de tais valores.
Quanto à conversão da moeda por força do Plano Real, não se trata de um saque
propriamente dito.
Depreende-se, ainda, do extrato de id n° 13730020, que o indicador de distribuição
em favor da conta PASEP da parte autora durou até o ano de 1989, inexistindo qualquer
ilegalidade comprovada, eventualmente praticada pelo réu.
Na situação em apreço, não há que se falar em inversão do ônus da prova, porque
todos os extratos detalhados da conta PASEP do autor e os seus contracheques com
informação acerca de sua remuneração são documentos facilmente alcançáveis por esta,
competindo a ela comprovar, na forma do art.373, inciso I, do CPC/2015, alegados saques
indevidos ou eventuais incorreções dos valores depositados.
Totalmente desproporcional e sem fundamento a planilha descritiva de cálculo trazida
pelo autor, a qual aponta valor exorbitante como suposto crédito, sem levar em consideração
a desvalorização da própria moeda e os recebimentos havidos em folha de pagamento.
Para além disso, aplica juros de mora de 1% ao mês e correção monetária pela
tabela do Encoge, desde a data de cada evento, ignorando as diretrizes fixadas pela
legislação aplicável ao Fundo para remuneração dos valores que o integram.
Despreza a referida planilha, ainda, o prazo de prescrição da pretensão deduzida e
faz incidir tais consectários (juros e correção) sobre os depósitos existentes na conta PASEP,

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bom como sobre os supostos saques indevidos, num verdadeiro bis in idem. Tais “saques”
nada mais foram, senão, Crédito Rendimento - Folha de Pagamento da própria parte autora.
Convém destacar que anualmente, o Fundo PIS-PASEP promove a atualização
monetária dos saldos das contas individuais, paga juros aos cotistas e distribui rendimentos e
resultados das aplicações dos recursos administrados, na proporção de seus saldos
individuais junto ao Fundo (disponível em: http//www.tesouro.fazenda.gov/fundo-pis-pasep,
acesso em 31.08.2017).
A quantia paga sob forma de juros e distribuição de resultados pode ser sacada
anualmente pelo cotista do PIS-PASEP junto ao Banco do Brasil - agente operador do PASEP
(disponível em: http//www.tesouro.fazenda.gov/fundo-pis-pasep, acesso em 31.08.2017).
Nessa ordem de ideias, tem-se que os rendimentos anuais pagos ao servidor reduzem o
saldo individual havido antes do saque final por ocasião de sua aposentadoria
Outrossim, conforme legislação em vigor, as contas individuais são atualizadas pela
Taxa de Juros de Longo Prazo – TJLP, creditadas de juros anuais de 3% sobre o saldo
atualizado, e creditadas de uma parcela do resultado líquido adicional das operações
realizadas com recursos do Fundo. Esse resultado das operações é distribuído anualmente
aos cotistas do PIS-PASEP.
Portanto, carente que qualquer respaldo legal a pretensão deduzida, mormente por
que os valores apontados – sobretudo em decorrência das distorções de fato gerador e
índices aplicados - não se coadunam com a realidade fática atinente ao saldo médio das
contas individuais junto ao Fundo PASEP.
Por oportuno, ressalto que o Relatório de Gestão do Fundo PIS-PASEP, exercício
2015-2016 esclarece acerca da queda gradual no número de contas ativas e explicita que tal
cenário é esperado, pois decorre da ausência de ingresso de novos participantes no Fundo
PIS-PASEP, bem como da circunstância de que existe o natural desligamento de cotistas do
fundo quando se efetua o resgate integral de cotas, por ocorrência de uma das modalidades
de saque previstas na legislação. Por todos esses fatores, conclui que o saldo médio dessas
contas é baixo, situando-se na faixa de R$ 1.187,00, em 30.06.2016, sem considerar a
atualização monetária de 1,061%, e sem os rendimentos, que podem ser sacados (disponível
em: http//www.tesouro.fazenda.gov/fundo-pis-pasep – página 33, penúltimo parágrafo).
Portanto, o acúmulo na conta individual de valores muito elevados, tais como os R$
36.895,33 (trinta e seis mil oitocentos e noventa e cinco reais e trinta e três centavos),
pleiteados pelo autor, não se revela razoável, na medida em que ressoa incompatível com a
média do saldo médio dos demais integrantes do Fundo.
Destaco o seguinte aresto sobre o tema:

ADMINISTRATIVO. PASEP. ALEGAÇÃO DE DESFALQUE DOS DEPÓSITOS

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PERCEBIDOS PELO TITULAR NA ÉPOCA DO SAQUE DECORRENTE DE
APOSENTADORIA. IMPUTAÇÃO DA RESPONSABILIDADE À UNIÃO E AO
BANCO DO BRASIL. FALTA DE PROVA DOS FATOS ALEGADOS.
PRESCRIÇÃO. PROVIMENTO DO APELO DA UNIÃO E DA REMESSA.
EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM JULGAMENTO DO MÉRITO COM RELAÇÃO
AO BANCO. 1. Ao ensejo de sua aposentadoria, o autor restou indignado com o
valor encontrado em sua conta vinculada ao PASEP. Sem definir os fatos,
procura responsabilizar a União, que possivelmente teria deixado de fazer os
depósitos regulares, e o Banco, porque teria permitido o saque dos valores por
terceiros; 2. A sentença acolheu os pedidos, dado que nenhum dos réus logrou
juntar prova da regularidade dos depósitos fundiários e dos extratos da conta; 3.
Ocorre que o regime do PASEP somente vigorou até 1988. Com a nova
Constituição, os valores do PASEP passaram a financiar a seguridade social,
não havendo depósitos posteriores à nova carta política, daí a normal pequenez
dos valores que estavam nas contas nos idos de 1988. Demais disso, como o
titular recebia periodicamente os rendimentos produzidos pelo saldo fundiário,
consoante se colhe de suas fichas financeiras ajuntadas pela União, não se pode
dizer que somente tenha tido conhecimento do valor do saldo na época do
saque, para com isso afastar a prescrição; 4. É importante frisar que o litígio se
reporta a período iniciado em 1977, há cerca de 40 anos, quando não existia
informática, daí que não se pode exigir que a União disponha dos papéis (físicos)
relativos aos depósitos mensais encerrados há 30 anos; 5. Porque o autor
conhecia o valor do saldo, através das notícias dos rendimentos que produzia
mensalmente, força é reconhecer a prescrição do pretenso direito de exigir da
União a complementação dos depósitos. Demais disso, não restou comprovado,
e os ônus da prova são do autor, que eles tenham sido feitos de maneira
indevida ou faltado; 6. Não é possível a acumulação da ação proposta contra a
União e contra o banco, num único processo, posto que os pedidos são
independentes, tendo causas de pedir própria e exclusiva e são da competência
de juízos distintos; 7. Apelação da União provida para julgar a ação
improcedente quanto a ela. De ofício, extinta a ação sem apreciação do mérito
quanto ao Banco do Brasil. Apelação do Banco do Brasil prejudicada.
(TRF5, AC 00098475920124058300, Desembargador Federal Paulo Roberto de
Oliveira Lima, Segunda Turma, DJE - Data::10/08/2016 - Página::55.)

Nesse diapasão, entendo que não há nos presentes autos prova de dano material
ou moral sofrido pelo autor, tampouco houve ato ilícito comprovadamente praticado pelo réu
em detrimento de sua conta PASEP ou de sua moral, ausente também o nexo causal, mercê
do que afasto as pretensões deduzidas.
Ante o exposto, rejeito a preliminar de ilegitimidade passiva do Banco do Brasil e

8
JULGO IMPROCEDENTES os pedidos constantes da inicial. Extingo o processo com
resolução de mérito, na forma do art.487, inciso I, do CPC/2015.
Condeno a parte autora ao pagamento de custas e honorários advocatícios, estes
arbitrados no valor de 10% sobre o valor da causa, consoante art.85, §2°, do CPC/2015. Fica
suspensa a exigibilidade, por litigar a parte sob os auspícios da justiça gratuita.
Publique-se. Registre-se. Intimem-se.
Nada requerendo as partes, no prazo de cinco dias após o trânsito em julgado,
arquivem-se os autos.
Recife (PE), 31 de agosto de 2017.

Catarina Vila-Nova Alves de Lima


Juíza de Direito Substituta