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SUMÁRIO:

I- INTRODUÇÃO

II - DEFEITOS DAS MADEIRAS

III - CONSERVAÇÃO DAS MADEIRAS

IV - SECAGEM

V- DESENSEIVAMENTO

VI - DESDOBRO

VII - BIBLIOGRAFIA
I – INTRODUÇÃO

A madeira é provavelmente o mais antigo material de construção


utilizado pelo homem. Precedeu a própria pedra, tendo sido usada nas construções
palafíticas. A facilidade de obtenção e a facilidade de adaptação aos fins preventivos
permitiram o seu emprego por populações primitivas.
No Brasil, a madeira é muito usada em virtude da abundância na
natureza. Além desta vantagem, possui elevada resistência mecânica para baixa massa
específica, bem como boa elasticidade e baixa condutibilidade térmica, e também baixo
custo.
A par destas vantagens, tem a desvantagens de ser higroscópica, Ter
estrutura muito heterogênea, ainda que da mesma espécie, ser combustível e ser passível
de apodrecimento.
O apodrecimento da madeira se dá pela destruição progressiva do
material, pela ação dos microorganismos inferiores. Há certas condições que propiciam
este defeito (em particular, as umidades elevadas). É necessário também que haja
oxigênio.
Quanto à combustibilidade da madeira é possível tomar certas medidas
de proteção, a fim de evitar ou retardar incêndios.
A madeira é, então, caracterizada por uma grande variabilidade das
características da resistência mecânica, mesmo se tratando de uma mesma espécie. Essa
variabilidade depende das condições de crescimento e também da presença de diversos
defeitos da madeira. Sendo assim, deve-se conhecer bem as qualidades e os defeitos, de
forma a poderem atenuar seus defeitos e obter o máximo de suas qualidades.
II – DEFEITOS DAS MADEIRAS

São deficiências que se apresentam na madeira, comprometendo a


resistência, durabilidade e trabalhabilidade, reduzindo, assim, sua aplicabilidade.
Os defeitos não são notados antes da extração da árvore podendo vir da
constituição do tronco, ou do processo de preparação das peças.
Os defeitos mais comuns são:

Nós - é o núcleo formado na árvore, no ponto no ponto onde existiam


ramos ou galhos e que na madeira serrada aparecem com coloração diferente. É dito
firme quando é formado por um galho que ainda vivia quando a árvore foi abatida; em
caso contrário, é solto. Nas vizinhanças dos nós, as fibras se desviam e os anéis de
crescimento se deformam, ocasionando redução da resistência, principalmente à tração,
portanto nas peças destinadas a trabalharem na flexão devem-se procurar que os nós se
localizem tanto quanto possível na zona comprimida. Os defeitos causados pelo nó é tão
mais grave quanto maior for o seu número e as suas dimensões. (Fig.1)
Rachadura – são aberturas que aparecem nas peças de madeira,
produzidas por secagem ou choques em geral. No processo de secagem quando este é
muito rápido as camadas superficiais são impedidas de se retraírem pelas camadas
interiores, devido a diferença de umidade, aparecendo então, tensões que provocam
aberturas, em geral, no sentido radial da seção transversal das toras. (Fig.2)
Encruamento – proveniente de uma intensa e rápida secagem superficial
das toras, provocando assim uma contração, comprimindo sob tensão, a parte central.
Ao ser cortada a madeira, há uma expansão da parte comprimida, provocando seu
fendilhamento.
Empenamento - (Fig.3) - é qualquer distorção da peça de madeira em
relação aos planos originais de suas superfícies. Assim, levando-se em conta os planos
em relação aos quais houve alteração, os empenos podem ser encanoados
(abaulamento), longitudinais (arqueamento) e torcidos.
Uma das causas para o abaulamento é a secagem mais rápida de uma das
faces. Essa diferença de umidade ocorre quando a peça está apoiada sobre toda a
extensão de uma das faces, de forma que a evaporação da água seja maior na outra, ou
quando uma das faces recebeu revestimento, enquanto que a outra permanece ao
natural. De uma forma geral, as peças tiradas mais exteriormente da tora tendem a
apresentar mais nitidamente o fenômeno, pela maior retração da face que se situa
próximo a casca.
O empenamento longitudinal é caracterizado pelo afastamento de uma
face em relação a um plano que une uma extremidade a outra da peça. Ocorre como
consequ6encia da irregularidade da grã, ou quando a peça é retirada de forma que a grã
faça um ângulo com a direção do seu comprimento. Pode ocorrer, também, como
consequência de tensões desenvolvidas durante o crescimento da árvore. Nessas
condições, quando as toras são desdobradas, as pranchas racham ao centro com
empenamento longitudinal.
O empenamento torcido caracteriza-se pelo fato de a peça apresentar-se
torcida. É resultante do curvamento das fibras no sentido helicoidal, em relação ao
eixo.
Quina morta ou esmoado – significa falta de madeira em uma das
arestas da peça, por qualquer motivo. É medida pelo comprimento e pela espessura na
parte mais acentuada.

Furos de Larvas – são orifícios produzidos na madeira por larvas de


certos insetos, ou mesmo de insetos adultos, e que podem atravessar a madeira de lado a
lado.
Bolor – Formação fúngica de aspecto esbranquiçado e que se desenvolve
na superfície da madeira sobre a ação do calor e da umidade. É o primeiro período da
desintegração.
Apodrecimento – é a desintegração avançada da matéria que forma a
madeira, causada pela ação destruidora de alguns cogumelos, reconhecida pela
deterioração da madeira que se apresenta fraca, filamentosa, gretada e descorada.
O ataque de predadores, fungos e insetos, causa reduções consideráveis
na seção resistente de peças estruturais. Tem ainda um efeito de reforço e agravamento
dos demais defeitos preexistentes.
A necessidade do tratamento de conservação em peças estruturais, contra
estes ataques torna-se inevitável, na medida em que é irreversível a tendência para
emprego de seções resistentes cada vez mais reduzidas, pela adoção de tensões de
segurança mais elevadas e utilização de ligações mais eficientes.
III – CONSERVAÇÃO DAS MADEIRAS

Ao projetar uma estrutura em madeira, espera-se que algumas qualidades


de fundamental importância, como a alta resistência à tração e compressão e a
durabilidade sejam preservadas. Daí a necessidade de proteger a madeira utilizada em
construções, garantindo assim sua conservação e consequentemente sua qualidade.
A durabilidade da madeira é uma característica muito relativa que
depende, além da sua resistência natural aos agentes de deterioração, das suas condições
de umidade e das condições do ambiente onde é empregada.
As causas de deterioração da madeira são:
 A putrefação ou podridão, pela ação dos fungos e bactérias.
 Ação dos insetos, dos quais se destacam os térmitos e os cupins ou caruncho
(xilófagos).
 A ação dos moluscos e crustáceos da água salgada representados pelos teredos e pelo
gênero Limonoria.
 Outras causas tais como ação mecânica do vento, agentes químicos etc..

Como não podemos controlar as condições de umidade e as condições do


ambiente onde a madeira é empregada, a garanti de durabilidade da madeira é obtida
por processos de preservação, que são os mais variados possíveis sendo
fundamentalmente baseados na impregnação da madeira com substâncias tóxicas que
sejam eficientes para matar os agentes biológicos destruidores de madeira ou inibidores
de seu desenvolvimento.
Dentre os preservativos podemos classifica-los em duas classes:
 Óleos-solúveis: Creosoto e Pentaclorofenol
 Hidrossolúveis: Arseniato de Cobre Cromatado (CCA); Arseniato de Cobre
Amoniacal (ACA); Cobre, Cromo e Boro (CCB)
O preservativo é aplicado de modo que este penetre na madeira e esta o
retenha, sendo estes processos divididos didaticamente em processos com pressão e
processos sem pressão.
No entanto, seja qual for o processo a ser desenvolvido, será sempre mais
eficiente, quando não mais econômico, se precedido de uma preparação prévia das
peças a serem preservadas. O tratamento prévio das peças consiste na remoção das
cascas e cortiças, na secagem prévia e desseivamento. Pode ser considerado como
primeiro processo genérico de preservação.
- A descortização aumenta a permeabilidade da madeira aos preservativos e elimina
o veículo preferencial de muitas espécies de insetos que aí depositam suas larvas e
ovos.
- A secagem visa facilitar a impregnação e evita o fendilhamento que decompondo a
película impregnada da entrada à insetos e esporos de fungos. A secagem quando
realizada em estufas já é um primeiro processo de preservação, pois praticada em
altas temperaturas esteriliza a madeiras dos germes de apodrecimento e parasitas.
- Mesmo a tendência posterior ao apodrecimento é diminuída pela eliminação da
seiva e dos elementos nutritivos da mesma como amidos, albuminoides, etc.. Esta
operação de desseivagem é realizada em estufas de secagem pela injeção de vapor
d’água saturado à temperaturas de 90 - 100ºC.

Processos sem Pressão


Entre os processos sem pressão, o único que oferece alguma importância
industrial é o Banho Quente-Frio. Esse processo classicamente só é aplicado com
preservativos óleos-solúveis.
Consiste em imergir a madeira seca na solução preservativa aquecida até
uma temperatura de 80 a 110º C, manter a temperatura por um determinado tempo e em
seguida transferir a madeira para um outro banho com o preservativo frio e deixar aí por
um tempo específico. O banho quente tem por finalidade expulsar o ar de dentro da
madeira e abrir os seus poros. No banho frio é que realmente ocorre a absorção de
solução preservativa pela madeira.

Processo a Pressão
Os processos a pressão são divididos em processos de célula cheia e
processo de célula vazia.
Para o tratamento da madeira por processos a pressão são construídas
unidades de tratamento denominadas Usinas de Tratamento a Pressão (UTP).
Essas UTP são unidades industriais com grande capacidade de produção
e de custos de produção relativamente baixos quando bem exploradas.
1. Processos de Célula Cheia: consiste das seguintes operações: vácuo inicial,
enchimento do vaso com a solução preservativa, e pressão de tratamento, como
opção o vácuo final.
2. Processos de Célula Vazia: a diferença basicamente entre um processo de célula
cheia e um processo de célula vazia é que neste último não se emprega vácuo inicial.
Numa das versões do processo de célula vazia (Processo Rueping), além de não se
aplicar vácuo inicial, emprega-se uma injeção de ar comprimido antes de injetar a
solução preservativa. O objetivo do emprego de processos de célula vazia é obter
uma boa penetração com uma baixa retenção de solução preservativa.
IV – SECAGEM

 Importância da secagem das madeiras

A madeira proveniente de árvores recém-abatidas, apresenta alto teor de


umidade, que tende a reduzir-se espontâneamente e lentamente à medida que as toras
aguardam o desdobramento inicial. Após o desdobro, a umidade continua a diminuir
com maior ou menor rapidez em função da espécie vegetal, das condições ambientais,
das dimensões das peças e do empilhamento utilizado. Entretanto, o processamento
final só deve ser efetuado quando a umidade atingir níveis inferiores a 30%.
Inicialmente deve-se salientar que a perda de água reduz o peso da
madeira, diminuindo o custo do seu transporte, mas independente deste fator
econômico, a transformação racional da madeira bruta em produtos e bens de consumo
requer a sua secagem prévia pelas razões seguintes:
- aumento da resistência da madeira, após a secagem, contra fungos manchadores e
apodrecedores, e contra a maioria dos insetos xilófagos (fungos);
- melhoria das propriedades mecânicas da madeira, tais como as resistência à flexão,
compressão e a sua dureza;
- a resistência das uniões ou juntas feitas com pregos e parafusos é maior em
madeira seca;
- melhor penetração de preservativos;
- a maioria das deformações, empenamentos e rachaduras ocorrem durante a
secagem (devido à contração). Produtos feitos com madeira seca estarão livres
desses defeitos;
- madeira somente pode receber pintura, verniz ou outros acabamentos se, pelo
menos, for seca ao ar (melhor aderência);
- secagem aumenta a resistência elétrica da madeira, tornando-a isolante e
melhorando suas propriedades de isolamento térmico.

O conceito de madeira seca é relativo. Na maioria das vezes pode-se


considerar como seca a madeira cujo teor de umidade for igual ou inferior a umodade de
equilíbrio correspondente a sua condição de uso. Esse valor dependerá também do tipo
de produto feito com a madeira.
Existem vários métodos ou processos de secagem da madeira, variando
da secagem ao ar livre, na qual os elementos da natureza são os responsáveis, até os
métodos mais ou menos sofisticados, nos quais se utilizam vácuo, alta frequência, altas
temperaturas, produtos químicos, etc.
Não existe um método de secagem que possa ser recomendado para todas
as condições. Há uma série de alternativas disponíveis para cada tipo ou tamanho de
indústria, tipo de madeira e localização da operação.
O método ideal para uma empresa iniciar a prática da secagem de
madeira é ao ar livre. Este também é o método ideal para as pequenas serrarias que,
secam as madeiras para diminuir o peso e deixa-la resistente aos fungos.
A secagem ao ar livre também é recomendada para pré secagem, isto é, a
madeira é seca ao ar livre até alcançar um certo teor de umidade e, depois, completada
por outro método mais rápido.

 Umidade

A umidade da madeira (U) é calculada como a relação da água que ela


contém e a massa de madeira
A umidade é usualmente expressa em percentagem, como na fórmula
abaixo:

U = ( Pu – Ps ) . 100
Ps

Onde: Ps = peso seco


Pu = peso úmido

Teor de umidade final recomendado para certos produtos de madeira


PRODUTOS %
Madeira Serrada Comercial 16-20
Madeira para Construção Externa 12-18
Madeira para Construção Interna 08-11
Painéis 06-08
Pisos 06-11
Móveis para Interiores 06-10
Móveis para Exteriores 12-16
Equipamentos Esportivos 08-12
Brinquedos par Interiores 06-10
Brinquedos par Exteriores 10-15
Equipamentos Elétricos 05-08
Embalagens (caixas) 12-16
Fôrmas para caçados 06-09
Coronhas de Espingarda 07-12
Instrumentos Musicais 05-08
Implementos Agrícolas 12-18
Barcos 12-16
Aviões 06-10
 Secagem da madeira ao ar livre

A maneira mais simples de secar a madeira é através de sua exposição ao


ar livre. Esse processo é bastante rápido no inicio, isto é, quando a madeira apresenta
umidade elevada. Quando a umidade da madeira aproxima-se da umidade de equilibrio,
dependendo da temperatura e umidade relativa do ambiente, a secagem ao ar livre pode
tornar-se bastante lenta.
A secagem ao ar livre é obtida pela exposição ao ar da madeira
empilhada de maneira adequada. A umidade relativa ao ar e intensidade de sua
movimentação são fatores muito importantes na eficiência da secagem da madeira.
A madeira, quando é adequadamente exposta ao ar livre, seca mais
rapidamente quando a temperatura e alta, a umidade relativa do ar é baixa e o
movimento do ar é ativo através das peças. A velocidade de secagem e o menor teor de
umidade que pode ser atingido pela madeira em determinado local, dependem, quase
que exclusivamente das condições do tempo. A secagem ao ar não é um processo
perfeitamente controlável; todavia, é possível, através da adoção de procedimentos
racionais, obter-se o máximo das condições do ambiente.
As práticas racionais deste processo resultam em menores tempos de
secagem, peças de madeira com umidades mais uniformes, e o que é mais importante,
madeira de melhor qualidade, com um mínimo de defeitos.
O tempo entre o início da secagem da madeira verde e a obtenção da
umidade desejada depende de fatores que envolvem as próprias características da
madeira, da pilha, do pátio e das condições climáticas. A perda de umidade do início no
processo é bastante rápida, por exemplo: o tempo necessário para segagem de um lote
ao ar livre de 60 para 40% é muito menor do que o tempo de secagem de 40 para 20%.
Algumas espécies secam rapidamente, outras lentamente. As coníferas e
algumas folhosas de baixa densidade secam rapidamente sob condições favoráveis de
secagem ao ar. Folhosas densas requerem períodos longos de secagem para atingir o
teor de umidade desejado. As madeiras que têm mais alburno secam mais rapidamente
do que aquelas que têm mais cerne.
A espessura da madeira também é muito importante na velocidade da
secagem, por exemplo: em peças com 50 mm de espessura a velocidade de secagem
chega a ser quatro vezes maior do que em peças de 25 mm da mesma espécie, ou seja, o
tempo de secagem das primeiras é da ordem de quatro vezes mais longo do que o das
segundas.
Uma prática muito comum, em algumas regiões, é a produção de peças
espessas, as quais são desdobradas após a secagem, o que não é uma prática
recomendável.
A velocidade de secagem é afetada, também, pelo modo como as peças
são empilhadas, por exemplo: quando são deixados vazios entre as tábuas de uma
mesma espécie, estas secam mais rapidamente do que se colicadas juntas.
A localização das pilhas no pátio também influencia a velocidade de
secagem, por exemplo: pilhas colocadas nas margens do pátio secam mais rapidamente
do que as colocadas no meio.
A distância entre o solo e a base das pilhas deve ser de aproximadamente
30 cm para permitir o livre movimento do ar, e criar condições de renovação de ar sob
as mesmas.
A superfície do pátio também influencia, de certa forma, a velocidade de
secagem ao ar. Um pátio bem plano, drenado, sem vegetação, coberto por materiais
escuros secará a madeira mais rapidamente. Poças de água ou terreno não drenando
aumentam a umidade do ar, e , consequentemente, diminui a velocidade de secagem;
vegetação, detritos e outros obstáculos impedem ou dificultam a circulação do ar entre
as pilhas; materiais escuros na superfície do solo absorvem mais energia solar,
tornando-se mais adequados do que os materiais claros e aumentando a temperatura do
ar, diminui a umidade relativa com o conseqüente aumento na velocidade de secagem.
Outro fator que influi na velocidade de secagem é o clima da área ou
região na qual o pátio está localizado. Talvez, o mais importante seja a temperatura, mas
o índice pluviométrico tem também efeito significativo.
O empilhamento plano com separadores é o mais utilizado, também
conhecido por pilha gradeada ou entabicada. Neste tipo de pilha cada camada de peças
de madeira justapostas é separada de outra por separadores ou tabiques. Cada camada
suporta o peso das outras colocadas sobre si, restringindo, assim, o empenamento.
Outros tipos de empilhamento são usados para que a secagem se processe mais
rapidamente, tais como tesouras ou gaiolas. Nestes sistemas, quando as peças estiverem
quase secas, isto é, com teor de umidade próximo ao ponto de saturação das fibras,
devem ser gradeadas para evitar o empenamento. (Fig.4)
Todo o cuidado desprendido na construção das pilhas será plenamente
compensado, pois a madeira será de melhor qualidade, o estoque será mais fácil de
controlar e haverá menor probabilidade de acidentes.

Fig.4
 Secagem Artificial

A secagem artificial é feita em estufa, a alta temperatura, mediante a


insuflação do ar aquecido. São utilizadas estufas intermitentes e estufas contínuas ou
estufas túnel. As primeiras são indicadas para pequenas instalações e peças de
dimensões variáveis em cada carregamento; são subdivididas em estufas com circulação
de ar natural e estufas de ar forçado. As estufas contínuas são utilizadas em grandes
instalações quando as peças se apresentam sempre com as mesmas dimensões. Uma
estufa de secagem contém essencialmente:
- Uma fonte de calor;
- Dispositivos de umidificação: borrifos, vapor de água
- Dispositivos de circulação de ar.

O tempo de secagem varia com o tamanho da peça, natureza da madeira,


etc. Geralmente pode-se considerar dez dias a um mês o tempo necessário para a
secagem das peças com 25 mm de espessura, partindo da madeira verde. Quando a
madeira foi parcialmente seca ao ar (25% de umidade), esse tempo pode ser reduzido
pela metade.
A secagem artificial apresenta graves inconvenientes quando não for
controlada, razão pela qual deve ser executada por pessoas conhecedora do assunto e
com equipamento adequado.

V – DESENSEIVAMENTO

Para certos usos, nos quais se requer invariabilidade de volume e


resistência aos agentes de deterioração, retira-se a seiva por diluição, natural ou
artificial.
O desenseivamento natural obtém-se conservando a madeira imersa na
água durante algum tempo, cerca de 4 meses, a qual, penetrando nas fibras, dissolve a
seiva. Em seguida é recolhida aos armazéns onde seca lentamente.
O desenseivamento também pode ser feito artificialmente, submetendo a
madeira a ação do vapor d’água. Finda a operação ela é levada aos armazéns para secar.
A madeira perde cerca de 23 % de seu peso e torna-se mais fácil de trabalhar, embora
menos dura e resistente.
Esse processo além de mais rápido, pois dura apenas 24 horas, oferece
também a vantagem de destruir todos os microorganismos, realizando uma verdadeira
esterilização.
A madeira depois de armazenada torna-se seca e adquire maior
durabilidade.
VI – DESDOBRO

A produção das madeiras inicia com o corte ou derrubada das árvores e


prossegue normalmente com a toragem, o falquejamento, o desdobro e o aparelhamento
das peças.
O corte das árvores deve ser realizado em épocas apropriadas, geralmente
no inverno. A época do corte não influi sobre a resistência mecânica da madeira
produzida, mas tem grande importância para sua durabilidade. A madeira cortada
durante o inverno, seca melhor e mais lentamente, evitando o aparecimento de fendas e
rachas que são vias de acesso para os agentes de deterioração. Por outra parte, está
época corresponde a uma paralisação na vida vegetativa das árvores, quando contém
menos seiva elaborada, amido e fosfato que nutrem os fungos e os insetos destruidores
de madeira.
Após a derrubada, faz-se o falquejamento da tora (retirada da casca e do
alburne, e a madeira é transportada para as serrarias, onde é feito o desdobramento por
meio das serras).
O desdobro ou desdobramento é a operação final na obtenção de madeira
bruta. É realizada nas serrarias com serras-fitas contínuas, ou com serras alternativas
que podem ter a lâmina horizontal, vertical ou várias lâminas paralelas.
Do desdobro são obtidas couçodeiras, pranchões ou pranchas com
espessuras de 7cm e largura de 20cm.
Dois são os principais tipos de desdobro:
- desdobro normal, em pranchas paralelas tangenciais aos anéis de crescimento;
- desdobro radial ou em quartos, normal aos anéis de crescimento.

Desdobramento em pranchas
Desdobramento Radial paralelas

O processo radial produz pranchas de melhor qualidade, ou seja: com


menor contração na largura, menores empenos e rachas durante a secagem, maior
homogeneidade de superfície e portanto resistência uniforme ao longo das peças. Não é
no entanto aplicado em larga escala devido ao elevado custo de mão de obra e as perdas
que ocasiona muito maiores. Este processo é indicado para serviços especiais onde o
custo da madeira é pequeno em relação do custo total e quando se requer um
comportamento melhor do material, depois de aplicado.
Quando se quer aproveitar a tora sem efetuar o desdobramento, dois casos
podem ser apresentados; uma peça de maior seção transversal, maior volume; ou então
uma peça de maior momento resistente. A peça de maior seção corresponde ao maior
quadrado inscrito na seção da tora. A peça de maior momento resistente é obtida pelo
retângulo de dimensões: b = 0,57d e h = 0,82d, sendo “d” o diâmetro da tora.

A produção de peças de madeira natural termina com o aparelhamento das


peças. Nesta última operação são obtidas peças nas bitolas comerciais por serragem e
resserragem das pranchas. As peças de madeira serrada podem ser aplainadas em duas
ou quatro faces.
Por exemplo, um desdobramento em pranchas, resultando em pranchões
de até 6m de comprimento e dimensões transversais de 80mm x 300mm, pode resultar
posteriormente em caibros com até 6m de comprimento e dimensões transversais de
80mm x 80mm.

Nomenclatura das Peças de Madeira Serrada


Nome da Peça Espessura em cm Largura em cm
Pranchões > 7,0 > 20,0
Prancha 4,0 – 7,0 > 20,0
Viga 4,0 11,0 – 20,0
Vigota 4,0 – 8,0 8,0 – 11,0
Caibro 4,0 – 8,0 5,0 – 8,0
Tábua 1,0 – 4,0 > 10,0
Sarrafo 2,0 – 4,0 2,0 – 10,0
Ripa < 2,0 < 10,0
VII – BIBLIOGRAFIA

- Manual do Construtor
João Baptista Pianca;

- Materiais de Construção
Moema Ribas Silva;

- Materiais de Construção
Eládio Petrucci.

- Internet