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O QUE É A EDUCAÇÃO BRASILEIRA?

Por Mateus Germano Moreira Frota Tibúrcio

Nos dados da última edição do PISA – Sigla com que ninguém se importa –, o Brasil
aparece entre os vinte piores lugares. Até aqui, nenhuma novidade. O que é novo é que alguém se
espante com isso. Nos últimos anos, em todos os exames internacionais os estudantes brasileiros
tiveram uma péssima performance. Pasmem, isto se aplica mesmo nos testes de QI. Por mais que
esta categoria seja algo questionável, é no mínimo estranhíssimo que sejamos o único país do
mundo cuja pontuação média neste tipo de teste cai em vez de subir. É um emburrecimento que
chega aos limites do surreal.

O leitor inteligente deve se questionar sobre as razões de tal catástrofe, mas o mesmo não
acontece com os culpados. Os burocratas pedagogistas parecem crer que o mau desempenho dos
alunos surge ex nihilo, ou o ignoram em absoluto. Talvez ponham a culpa na desigualdade social, na
ditadura militar, no FHC ou no Bolsonaro. Continuam a dar incontáveis palestras sobre como
melhorar a educação brasileira, subsidiadas por bolsas do governo federal ou de certas ONG’s
nebulosas. Uma pergunta precisa ser feita. Se tudo um dia melhorasse, de que eles viveriam? É
seguro dizer que o fim do problema destruiria uma indústria monstruosa.

Um homem sábio poderia, com razão, alegar vários motivos imanentes para a insanidade
deste sistema: O método de Paulo Freire, as reformas do ministro Passarinho, o
socioconstrutivismo, o pragmatismo de Anísio Teixeira, a ação do Marquês de Pombal, etc. Explicar
a genealogia do desastre pode muito bem durar décadas, mas não precisamos de tanto. Um breve
estudo da educação compulsória já soluciona muito do problema.

John Taylor Gatto foi talvez o professor escolar mais bem-sucedido da história dos EUA.
Recipiente de inúmeros prêmios, passou a ser cobiçado pelas universidades oligárquicas que
queriam conhecer o método pelo qual ele conseguia resultados incríveis dos seus alunos. Em várias
palestras, chegavam a colocá-lo ao lado do Dalai Lama! Em 1991, como Professor do Ano do
Estado de Nova York, este chocou a mídia ao pedir demissão do ensino público sem ter nenhuma
outra fonte de renda. Ao ser indagado sobre esta decisão, sua resposta foi ao mesmo tempo clara e
obscura: “Não quero mais machucar as crianças.”
Esta atitude brusca não pode ser tomada por um capricho irracional. Ao contrário, as
explicações do Prof. Gatto são de uma profundidade superior às de qualquer tipo de pedagogo. A
sua erudição e capacidade de raciocínio são poderosas ao ponto de pôr medo em qualquer nome do
Teachers’ College ou da Radcliffe School de Harvard. Nos seus livros e palestras, vemos
explicações sobre temas muito arcanos – Que nenhum pedagogista brasileiro conhece – estruturadas
de uma forma que permita ao leitor comum entender os grandes mistérios à sua volta. As
conclusões são terrificantes: No seu livro Dumbing Us Down Deliberately, vemos a demonstração
de que o plano da educação compulsória não é educar os alunos, e sim iludi-los e emburrecê-los.

A sua continuação The Underground History of American Education vai além e consti. A
educação compulsória seria uma síntese de várias cosmovisões nas quais a maioria das pessoas seria
inútil, como o Calvinismo, o Spinozismo e o Idealismo Alemão de Fichte e Hegel. O objetivo da
escola moderna é deixar esta massa damnata submissa aos poucos indivíduos dignos, o que foi
instrumentalizado pela elite anglo-americana no seu projeto de separar a raça superior da inferior.

Se foi exposta sem sombra de dúvida a loucura do sistema educacional anglo-americano1,


podemos imaginar qual seria a sua reação se visse o brasileiro. Um aluno seu da escola poderia
muito bem ser aceito por qualquer universidade da Ivy League antes de terminar a high school, o
que aliás é verdade em todos os países sérios. Por algum motivo, o Brasil ignora o precedente
universal: Para ingressar no Ensino Superior, precisa-se concluir o Médio.

Qual a razão? Ninguém sabe. Talvez os grandes deste país pensem que os pobres
adolescentes precisam de uma cota de iluminação providenciada por várias horas de ensino diário
de temas como o ensino de gênero, sem dúvidas ministradas por alguém a parsecs de distância
intelectual do Prof. Gatto. Mas se existe algo de importante na

1 Verdade seja dita, nisto ele estava sob ombros de gigantes. Os centenários Jacques Barzum e Mortimer Adler, entre
tantos outros, já mostraram falhas graves na educação anglo-americana. É válido lembrar que Gatto foi aluno de
ambos

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