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OBRA COMPILADA, ILUSTRADA E REVISADA.

POR
FRANCISCO CARLOS SILVA RAMOS
PSICANALISTA, TEOLÓGO E PARAPSICOLÓGO.

PSICOLOGIA DAS CORES


O Mundo Maravilhoso das Cores e Nós

Caros leitores sou Francisco Carlos Silva Ramos, Psicanalista, Teólogo, Parapsicólogo e
terapeuta.
Não sou o autor principal desta obra, também não conheço seu verdadeiro autor, porque
encontrei o titulo de autor desconhecido.
Quero salientar aqui, que a importancia desta obra é inexplicável, pois se trata de um assunto
que está ativo na vida de cada um de nós, e por isso resove fazer uma nova compilação, onde
ilustrei para que viesse trazer melhor compreensão dos temas aqui abordados, onde mantive
todo seu conteúdo original, apenas acrescentei figuras ilustrativas e fiz correção em erros
ortográficos.
Desejo boa leitura e bom proveito nos exercícios aqui existentes.

Francisco Carlos Silva Ramos


Compilador da Obra
******************

Quando falamos em cores e seus significados, devemos sempre lembrar que existem vários
enfoques que podem ser abordados: ótica, sociologia, antropologia entre outros.
Vou abordar a influência das cores no ser humano.
Um mundo maravilhoso que traduz as emoções da natureza e diferencia tudo que toca.
A natureza que nos passa a mensagem que após a tempestade forte temos um brinde no céu: A
exibição de todas as cores em um leque que conhecemos como arco íris.
Um verdadeiro show de emoção.

CONHECENDO A FORMAÇÃO DO ARCO-IRIS


Levanto aqui um questionamento à emoção é a mesma?
É óbvio que não existem pessoas que nem percebe este show á parte da natureza.
Por isto é importante ressaltar que as cores cada uma com sua singularidade tem um poder
sobre todos nós, porém dependendo da experiência positiva ou negativa relacionada a cada
uma delas canaliza de forma diferente nossas emoções.
As cores tanto servem para acalmar quanto para estimular. As cores quentes (vermelha,
laranja) estimulam e dá aquela pitadinha de ânimo ás pessoas. As cores frias (azul e verde)
acalmam, dão o toque de leveza. As cores: amarela, Roxa pode ser frias ou quentes
dependendo do seu tom.
Gosto de iniciar pela cor verde, pois é a cor do equilíbrio entre a frieza da lógica e a
efervescência das emoções. Se o desejo é paz, equilíbrio esta cor é a mais indicada, integra
emoção e razão de uma forma hábil tão necessária ao equilíbrio de nossa psique. Produz um
ambiente calmo com muita energia ao mesmo tempo.
Já que estamos falando em equilíbrio o azul é cor da razão da lógica, da ponderação. Amplia
nossos horizontes o que resulta em uma visão maior sobre os assuntos que estão a nossa volta,
mas diferente da cor verde esta cor estimula a razão, a verdade, a lógica de forma fria, porém
é poderosa e adequadíssima em locais que pode haver muitos conflitos e de trabalho. O azul é
uma cor que permite uma maior capacidade de raciocínio e de idéias.
A sabedoria é algo desejado, como sempre digo o sábio tem boa saúde porque escolhe
adequadamente sua alimentação. Tem boas amizades pela paciência em compreender as
pessoas e a cor . O lilás e o roxo equivalem a sabedoria ao espiritual assim como um leve toque
do roxo demarca o poder e autoridade. Digo aqui autoridade pela sabedoria pelo
discernimento do conhecimento e aplicação e não simplesmente o poder arbitrário.
O violeta com seu poder de tranqüilidade de aceitação pela vida ajuda em processos de
insônia.
Mente antenada, afiada e ágil é com amarelo abre os espaços do conhecimento. Aqui temos o
amarelo a cor da ambição da liderança, simpatia e alegria. Muito própria para dar
descontração e leveza é o maior vitalizador da sociabilidade e da facilidade da comunicação. É
muito boa para contatos, pois quebra a rigidez do desconhecido. Os que estão de regime é bom
evitá-la é tendenciosa abrir o apetite, por isto atualmente é muito usada em restaurantes.
Arriscar ir a busca do que está lá no horizonte, aventurar a descobrir as novidades é o que
envolve a cor laranja. É a cor ideal para quem precisa criar retirar os medos de ir em frente e
das críticas. É a cor da liberdade da concentração, da ação e da independência.
Vínculo afetivo, profundidade nas relações, efervescência, dinamismo, calor, força e agressão
estão ligados ao vermelho, muitos diziam que era a cor da paixão, mas este sentimento é muito
passageiro para estar ligada a cor vermelha. Esta cor é da eternidade dos afetos, familiaridade,
mas também a exigência do outro. Uma cor imatura em relação às coisas da matéria é o sentir
em toda sua plenitude. Proporciona vitalidade aumenta a pressão sendo excelente para dar
mais ânimo e crédito a si mesmo. É a cor que inseri em si o anima/animus, ou seja, o poder
feminino da sedução e a força e ação do poder masculino é a junção das forças.
Mistério e manter no anonimato suas intenções o preto é esta cor. Instiga a curiosidade das
pessoas, ao mesmo tempo em que pode passar despercebido com ela. Uma cor que camufla as
verdades ao exterior capta o que acontece sem dizer a que veio. Protege das cargas negativas,
mas por outro lado não deixa fluir a energia, ou seja, não renova a carga energética do ser
humano. É a cor ideal a ser usada em casos de lugares desconhecidos onde a observação será a
melhor tática a ser utilizada.
Vibrante e estimulante por ser a união de todas as cores o branco são como se fosse um arco
íris. Como cada uma das pessoas já carrega uma determinada vibração é bom saber dosar
bem o uso desta cor. Transmite higiene, claridade, amplia as situações, produz troca de energia
capta bem a energia solar e mantém a verdade nua e crua além de tornar o ambiente
monótono podendo levar a dispersão.

Como vimos cada cor tem sua função cabe ao ser humano saber dosar e misturar para que
cada uma possa contribuir com a elevação da pessoa.
As cores quentes sempre devem ser usadas em menor escala e misturadas às demais cores frias
estabelecendo assim o equilíbrio entre vitalidade e tranqüilidade.
Em entrevistas pelo que tenho observado a cor azul marinho é aquela que o pessoal tem mais
adotado, esquecendo-se das variações que podem ser utilizadas. O amarelo é uma cor que
estimula a simpatia e pode ser colocado em uma blusa com uma saia de uma cor mais sóbria.
Tom de vermelho misturado ao cinza dá frescor e vitalidade. O importante é que a cor
utilizada seja adequada ao cargo ao qual ira ocupar. Lembre-se que a análise do entrevistador
deve ficar sobre o entrevistado, portanto a dosagem da cor é no limite em que deixe que o
entrevistado seja o protagonista.
Os enfoques básicos de uma organização são a criatividade, a ponderação, a boa comunicação
e o bom trabalho de equipe. A utilização das cores deve ser de acordo com cada negócio. Por
exemplo, o vermelho é a cor da competitividade, mas tira o poder de concentração. Cabe aqui
a ponderação que o carro chefe das organizações é o poder de concentração e comunicação,
portanto a cor “carregada” com amarelo seria o ideal, porém é leviano dar uma extensão a
uma só cor.
Se estiver tudo muito parado sem inovação o amarelo é ótimo, muito individualismo sem
envolvimento de todos em um vermelho é muito bem vindo, caso a criatividade é baixar o
medo de aventurar-se pequeno em um laranja cai muito bem. Controvérsias, discussões,
brigas? A verdade é o remédio. Só o aqui agora sem pesar as conseqüências? O roxo traz a
necessidade de preservação. Lógica, verdade em baixa? O azul é o que tem que aparecer neste
momento
O importante é saber dosar nos ambientes, uniformes e paredes a distribuição das cores.
Jamais devemos esquecer a comunicação de nossos sentimentos que indicaram com perfeição
as necessidades de cada objeto em cada cor para os benefícios de sua influência.

Podemos conhecer agora essas influências nos nas tabelas a seguir


Obs.: marrom: Quando você estiver no papel de ouvinte o tom terroso são ideais. Estimula os
outros a falarem, por emitir a sensação de maturidade e discrição. Cor clássica por pertencer
aos tons mais sóbrios. Ficam harmoniosos com o azul-marinho, o bege, o marfim, o laranja, o
amarelo e o vermelho.
Estas duas cores, dependendo do tom podem ser consideradas, frias ou quentes.
Cores quentes: excitantes: A cor vermelha e amarela, incluindo o rosa, laranja, marrom, é
chamada cores quentes.
As cores quentes lembram o fogo e o calor do sol, com sua vivacidade estimulante e agressiva;
chamam a atenção, atraem o olhar e excitam emoções. Adicionam exuberância, humanizam
deixando ambientes mais acolhedores e aconchegantes.
Cores frias: calmantes: São revigorantes, refrescantes, lembram água, limpeza e gelo. Do
verde ao violeta, incluindo os azuis, os tons de cinza, o branco e às vezes o preto. Convite a paz
interior e a calma. Reduz o metabolismo e tem função calmante passando a mensagem
subliminar de assepsia e limpeza. Deve-se ter o cuidado com excessos, principalmente azul que
pode ocasionar sensação de abandono e frieza.

Cores claras: leveza - As cores claras parecem etéreas, paz e clareza as emoções,

ampliam espaços são o resultado da adição do branco aos matizes saturados.


Cores escuras: pesadas / sobriedade / profundidade: A adição do preto às cores torna
às escuras absorvem a maior parte da luz que incide sobre elas. São pesadas, sólidas e fortes.
Associamos, às vezes, o verde-escuro, azul-escuro, vermelho- escuro, com as cores da nobreza -
veludos, brocados, bibliotecas.
São cores formais, austeras.
Se as cores claras também transmitem sensação de refrescância, as cores escuras associadas às
cores frias podem parecer muito profundas, convidando à introspecção e podem parecer até
assustadoras.
Cores saturadas (puras): vivas
Os matizes (cores saturadas) são aqueles que não sofreram misturas de branco ou preto,
apresentando-se na sua mais intensa qualidade cromática. As cores vivas são tão alegres e
exuberantes que, quando juntas, parecem estar em competição entre si com enfoque de
chamar nossa atenção. As crianças gostam da combinação de cores saturadas e podem
estimular o apetite em restaurantes fast-food. Podem se tornar insuportável em sala de estar.
Cores dessaturadas
Neutralidade / difusão: O cinza é uma cor que suaviza o impacto das cores. Os americanos
as chamam de “dull colors”. Ajuda a diminuir a tensão, e, da mesma forma que as cores
claras, podem dar aos esquemas cromáticos um ar meditativo e sonhador. Apesar de sua
fundamental importância para dar equilíbrio e harmonia às combinações cromáticas, as cores
dessaturadas correm o risco de tornarem-se insípido-tristes/tristes/desmotivantes, se
totalmente isoladas das outras.
As cores: amarelos-claros / beges /areias + brancos são acolhedoras, iluminam e não cansam
Quente (terra) / aconchegante /marrom (tradicional) /acolhedores / esquentam.
Cores Vivas: As cores causam sensações nas pessoas que podem favorecer a nossa imagem.
O vermelho, por exemplo, é uma cor que destaca qualquer pessoa da multidão. Isto porque a
cor vermelha estimula a pressão sanguínea e está ligada a imagem de sucesso e poder.
Assim, ao escolher a cor que vai prevalecer no seu visual, você deve pensar nas mensagens que
esta cor vai transmitir. Aprenda agora a usar a cor a seu favor, conhecendo os efeitos que estas
transmitem.
AS CORES DE SEGURANÇA

Vermelho
Tem a função de distinguir e indicar os equipamentos de proteção e combate a incêndios.
Laranja
Identifica faces externas de polias e engrenagens, peças móveis e perigosas de equipamentos e
máquinas, etc.
Verde folha
Identifica chuveiros de segurança, macas, caixas com equipamentos de socorro de urgência,
etc. Caracteriza segurança.
Azul França
Indica cuidado no uso de fontes de energia ou comandos de partida (elevadores, caldeiras,
caixas de controles elétricos, fornos, etc.). Presente também em avisos que contraindiquem o
uso e a movimentação de equipamentos fora de uso.
Amarelo
Presentes em avisos de advertência, equipamentos suspensos que ofereçam perigo, para-
choques de veículos pesados etc. Indica “atenção”.
Preto
Identifica os coletores de resíduos que estejam em ambientes onde o uso do branco não for
aconselhável.
Branco
Assinala corredores de circulação, áreas próximas a equipamentos de socorro e urgência, de
armazenagem e combate a incêndios e indica a localização dos coletores de resíduos e
bebedouros.

AS CORES PARA CANALIZAÇÃO


Vermelho
Água e equipamentos de combate à incêndio.
Laranja
Para produtos químicos não gasosos em geral.
Amarelo
Para gases não liquefeitos.
Verde Colonial
Para água.
Marrom
Para materiais fragmentados não identificáveis pelas demais cores.
Azul França
Para ar comprimido.
Branco
Para vapor.
Preto
Para inflamáveis e combustíveis de alta viscosidade (EX. piche, asfalto, alcatrão, etc.)
Cinza Escura
Para eletrodutos.
Alumínio
Para gases liquefeitos, inflamáveis e combustíveis de baixa viscosidade (EX óleo diesel,
gasolina, querosene, etc.)
Branco
Para vácuo.
Método Osher
Como as cores podem influenciar e qual a melhor maneira delas serem utilizadas no ato
sexual.
Calor, suor, pupilas dilatadas. A pulsação aumenta, os batimentos cardíacos aceleram. O
sangue, que parece que vai sair pelos poros, corre nas veias até terminar em um único instante
curto de prazer e gozo.
Êxtase total. Os corpos quentes e suados agora permanecem inertes na cama, soltos,
saboreando o momento... E a pele vermelha do calor daquele instante vai retomando sua cor
natural, crua, nua, esperando que mais uma vez seus tons mudem em busca de um novo
momento de prazer.
Desde que a vida existe, as cores estão no universo, traduzindo em seus tons mais variados as
formas de comunicação. Nas folhagens das plantas, nas pétalas das flores, nos pássaros que
inflam seus peitos coloridos em busca das fêmeas, nos animais que mudam pele e cor no ritual
do sexo. Por que seria diferente nos homens?
Não é possível ao homem mudar de plumagem ou inflar um peito colorido, mas alguns sinais
cromáticos podem ser vistos na pele quando está excitado.
É possível também usar as cores como um elemento afrodisíaco de aproximação e
comunicação.
Algumas cores possuem um forte apelo erótico, tanto psicologicamente como fisiologicamente.
As principais são: o vermelho e o violeta (ou roxo) que influenciam sexualmente através de
associações e reações cromáticas e por um conjunto sinestésico, (percepção dos Cinco sentidos
juntos), que pode auxiliar no momento do ato ou na preparação do ritual sexual.
O vermelho é considerado uma cor afrodisíaca feminina, ou seja, possui a capacidade de fazer
com que os homens se sintam estimulados sexualmente. Já o violeta ou roxo, é afrodisíaca
masculina, faz a mulher se sentir estimulado. Essas reações independem da pessoa gostar ou
não de uma cor. Qualquer mulher se estimula com o violeta, mesmo que a odeie. O mesmo
ocorre com os homens em relação ao vermelho. Usar algum detalhe nessas cores pode fazer
com que uma pessoa se sinta atraída por outra ou, no caso de já existir um relacionamento,
que alguns momentos se tornem mais quentes. Já o uso exagerado pode surtir efeito contrário
ou desestimulador.
Na criação de um ambiente erótico e sensual que estimule o casal, devemos usar ambas as
cores em detalhes da decoração e do ambiente como: roupa de cama em um tom pastel como
bege ou cinza claro, com detalhes em vermelho ou violeta. A decoração do ambiente também
pode possuir elementos nessas cores como: um vaso de flores, um quadro, uma luminária. O
importante é saber que o uso de um lençol totalmente vermelho não terá um melhor resultado
somente porque o espaço ocupado pela cor é maior; o que faz a cor ter um efeito mais forte é o
seu uso subliminar, ou seja, elas devem agir e aparecer de maneira quase que imperceptível
conscientemente.
De um modo pessoal, as cores podem aparecer em detalhes da roupa ou das lingeries. Na
mulher, um batom, um esmalte ou um brinco vermelho pequeno funcionam mais do que toda
uma roupa vermelha. Nos homens, uma gravata, um detalhe na blusa, uma listra, um
bordado, um detalhe na cueca também são mais eficientes do que uma camisa toda violeta.
Para completar o clima sensual e erótico, esse conjunto pode ser reforçado pelo uso das
associações sinestésicas dessas cores que são: para o olfato aromas doces e fortes como
qualquer perfume afrodisíaco; na audição, sons com uma forte marcação de fundo,
semelhante aos batimentos cardíacos, como no Bolero de Ravel, ritmos como tangos de Astor
Piazzolla, qualquer som sensual como o de um sax, mas sempre instrumentais; e para o
paladar, sabores fortes e picantes. Com isso, a cor exerce uma influência completa em que
todos os cinco sentidos são afetados.
Algumas outras cores podem ser usadas em um momento de relaxamento entre o casal, como o
verde ou lilás, sempre em tons claros. E se a idéia é uma relação com bom-humor, uma pitada
de laranja ajuda, já que é uma cor que levanta o astral. Mas evite sempre o amarelo, que
tensiona demais o sistema nervoso, o azul, porque relaxa em excesso, e o branco que, por ser a
junção de todas as cores, pode causar inquietação.
Em posse dessas funções e reações cromáticas podemos até camuflar, aumentar ou diminuir
sensações, mas, a tonalidade que nossos corpos apresentam no momento de prazer e gozo total
não pode ser pensada, fingida ou planejada. Portanto, uma pele enrubescendo, uma pupila
dilatando, reforçando suas cores e vasos sangüíneos, os lábios mais rubros e as extremidades
do corpo mais avermelhadas, são sinais de desejo. Observe esses sinais, junte a eles um pouco
mais de cor e obterá momentos inesquecíveis de prazer.

Uso na Decoração e Fen Shui

Branco
Feng Shui: É considerada uma cor neutra e muito usada. Pode ser aplicada em qualquer
ambiente. No Feng Shui, está ligada ao elemento Metal. Deve-se tomar muito cuidado quando
o branco aparece em demasia em um ambiente, pois representa infinito, deixando em uma
pessoa, que passa muito tempo neste ambiente, uma sensação de infinito, frieza, vazia e
hostilidade. Deve-se quebrar o branco com quadros e móveis bem coloridos.
Decoração: A cor branca traz, para algumas pessoas, a sensação de paz, calma,
tranqüilidade e serenidade. Para outras, a sensação é de frieza, tristeza e impessoalidade. O
branco é muito usado para dar uma sensação de amplitude em ambientes pequenos e
apertados. O branco nos passa também uma sensação de limpeza - até exagerada. O branco só
é branco quando recebe uma luz intensa direta. Locais com a cor branca trazem uma sensação
de mais claridade.

Preto
Feng Shui: Pode ser uma cor opressiva e depressiva. Está ligada ao elemento água no Feng
Shui, e, por este motivo, deve-se ter muito cuidado na sua aplicação, pois pode passar a
sensação de angústia. Pode lembrar luto, perdas e tristezas. Em geral, é usado em pequenos
detalhes na casa.

Decoração: Muita atenção e cuidado com o uso desta cor. Ela deve ser usada em pequenos
detalhes na decoração, principalmente para termos um "efeito especial", tanto dentro, como
fora da casa. Ainda na área interna, é usado para fazer contrastes, principalmente com o
branco. Muito usado no teto com pé direito muito alto para dá-la sensação de rebaixo.

Verde
Feng Shui: É uma cor neutra que representa o elemento madeira no Feng Shui. Acalma o
sistema nervoso e as pessoas agitadas. Também significa esperança e satisfação. Muito cuidado
em usar a cor verde em locais onde predomina o vermelho, pois teremos um local muito
quente – verde/madeira alimenta o vermelho/fogo. Deve-se usar nos banheiros para elevar a
energia deste local. Para casas onde existem problemas de saúde, o verde é uma ótima cura.
Decoração: É uma cor muito usada e sempre traz alegria e vida. No piso e detalhes, lembra a
natureza. Não incide muita luz, mantendo a cor original. Em locais abertos, complementa
madeira e jardins.

Lilás/Violeta
Feng Shui: Traz tranqüilidade, sossego e calma. Estimula a espiritualidade e a meditação.
Tem efeito purificador, transforma as energias negativas em positivas. Ótimo para a saúde.
Acalma o coração, a mente e os nervos. Nas casas, os melhor ambientes para uso são em locais
de meditação e oração. Em excesso, pode trazer depressão e ansiedade.
Decoração: Tons mais claros podem ser usados em todos os ambientes em pequenos
detalhes. Se for uma cor monocromática, pode cansar. Evite ter locais com a predominância
desta cor.

Laranja
Feng Shui: Cor do intelecto e mental. Em doses pequenas, estimula os sentidos, a criatividade
e a comunicação. Boa para áreas da casa que quer se estimular o diálogo, como sala de visitas,
de jantar e cozinhas. Em excesso, pode provocar conversas demais, brincadeiras fora de hora e
aumento do apetite.

Decoração: Inconscientemente, lembra sabores agradáveis e nos remete à infância, às


brincadeiras e aos doces. Em geral, é muito usado em cozinhas, pois abre e estimula o apetite.
Pode ser usado na sala de jantar, em uma só parede, em tons bem suaves (cor pêssego).

Em tons mais escuros, sugere estabilidade.

Vermelho
Feng Shui: No Feng Shui, é uma cor que pode estimular as áreas de relacionamento afetivo,
sucesso, autoestima, fama e prosperidade. Está ligada ao elemento fogo e, por este motivo,
deve ser usado com muito cuidado e em pequenas doses, pois é uma cor excitante e
estimulante. No quarto de casal, ativa a sexualidade. Na sala ou cozinha estimula o apetite e a
fala. Em excesso, provoca brigas, confusões e explosões de humor.

Decoração: Todo cuidado é pouco na hora de se aplicar esta cor nos ambientes. É uma cor
muito energética e vibrante, pode provocar excitação e nervosismo quando aparece em
excesso. Em pequenas doses, traz aos ambientes um ar de glamour e ate exótico. Em demasia,
pode ser vulgar.

Azul
Feng Shui: É uma cor que tem um efeito calmante e tranqüilizante para as pessoas quando
aplicado em um ambiente. Cuidado com o excesso de azul, pois irá provocar sono em excesso.
Já, para quem é muito agitado, deve ser usado. Está associado ao elemento água no Feng Shui.
Decoração: Pode ser aplicado em grandes áreas sem tornar-se cansativo, mas deve ser
combinado com outras cores para evitar a monotonia e sono. Mais escuro, transmite
autoridade e poder.

Amarelo
Feng Shui: Outra cor que estimula o intelecto e ajuda muito nos estudos. É a cor da luz, por
este motivo deve ser usado em ambientes escuros. Estimula a comunicação, o mental e abre o
apetite. Em excesso, provoca muita conversa e pensamentos acelerados e confusos, provocando
preocupação.
Decoração: Nos ambientes, é muito usado para esquentar e iluminar áreas escuras e frias. Em
pisos, provoca sensação de avanço. Em grandes áreas e superfícies, pode incomodar por causa
da incidência de luz.

Dia do aniversário - Cores e datas de nascimento

23 de Dezembro => 1 de Janeiro VERDE


VERMELHO

2 de Janeiro => 11 de Janeiro 11 19 de Fevereiro => 28 de Fevereiro


LARANJA CASTANHO

12 de Janeiro => 24 de Janeiro 1 de Março => 10 de Março


AMARELO AQUA

25 de Janeiro => 3 de Fevereiro 11 de Março => 20 de Março


ROSA LIMA

4 de Fevereiro => 8 de Fevereiro 21 de Março


AZUL PRETO

9 de Fevereiro => 18 de Fevereiro 22 de Março => 31 de Março


PÚRPURA VERMELHO

01 de Abril => 10 de Abril 05 de Julho => 14 de Julho


INDIGO LARANJA

15 de Julho => 25 de Julho


11 de Abril => 20 de Abril AMARELO
PRATA
26 de Julho => 4 de Agosto
21 de Abril => 30 de Abril ROSA
BRANCO
05 de Agosto => 13 de Agosto
02 de Maio => 14 de Maio AZUL
AZUL
14 de Agosto => 23 de Agosto
15 de Maio => 24 de Maio VERDE
DOURADO
24 de Agosto => 2 de Setembro
25 de Maio => 3 de Junho CASTANHO
AREIA
03 de Setembro => 12 de Setembro
04 de Junho => 13 de Junho AQUA
CINZA
13 de Setembro => 22 de Setembro
14 de Junho => 23 de Junho LIMA
MARRON
23 de Setembro 23
24 de Junho th AZEITONA
CINZA
24 de Setembro => 3 de Outubro
25 de Junho => 4 de Julho PÚRPURA

04 de Outubro => 13 de Outubro


INDIGO AREIA

14 de Outubro => 23 de Outubro 02 de Dezembro => 11 de Dezembro


PRATA CINZA

24 de Outubro => 11 de Novembro 12 de Dezembro => 21 de Dezembro


BRANCO MARRON

12 de Novembro => 21 de Novembro 22 de Dezembro


DOURADO AZUL PETRÓLEO.

22 de Novembro => 1 de Dezembro

Cores e Seus Significados


VERMELHO: Tem uma maneira de ser gira e afável.
É alegre e despreocupada.
Às vezes gosta de implicar, mas está sempre apaixonada e... Gosta de ser amada.
É simpática com as pessoas e gosta dessa maneira de ser.
Gosta de pessoas com quem consegue falar facilmente e sente-se bem na sua companhia.

LARANJA: É responsável pelas suas ações e sabe como lidar com as pessoas.
Tem sempre objetivo e é competitiva.
No que toca à amizade, tem dificuldade em confiar em alguém, mas assim que trava a amizade
certa se entrega totalmente.

AMARELO: É doce e inocente.


As pessoas confiam em si e lidera as relações.
Consegue ter a decisão certa na melhor altura.
Está sempre a sonhar com uma relação muito romântica.

ROSA: Está sempre a dar o melhor de si e gosta de ajudar as pessoas, preocupando-se com
elas. Contudo, é difícil sentir-se satisfeita.
Tem pensamentos negativos e, tal como nos contos de fadas, aspira por um amor romântico.

AZUL: Tem uma fraca autoestima e é bastante irritável.


Tem um espírito artístico e gosta de sentir-se apaixonada, mas deixa fugir o amor, pois
ama com a cabeça e não com o coração.

VERDE: Tem trato fácil com as pessoas.


Não é propriamente uma pessoa tímida e às vezes magoa os outros com as suas palavras.
Gosta de amar e de ter as atenções das pessoas amada.
Na maioria das vezes está sozinha, à espera da pessoa ideal.

CASTANHO: Gosta de ação e desporto.


As pessoas têm dificuldade em lidar consigo, mas apaixona-se facilmente. Assim que descobre
que não consegue alcançar algo, desiste, mas não fica preocupada.
AQUA: Os seus sentimentos são instáveis e inconstantes.
Está sempre sozinha e gosta de viajar.
É uma pessoa fiável, mas acredita facilmente nas pessoas.
Dificilmente encontra a pessoa certa, mas se tal acontece apaixona-se facilmente. Pode sofrer
com isso.

LIMA: É uma pessoa calma, mas facilmente fica com stress.


É ciumenta e queixa-se de pequenas coisas. Não consegue dedicar-se às coisas de corpo
e alma, mas é uma pessoa capaz e os outros confiam em si.

PRETO: É uma pessoa corajosa e gosta de desafios.


Mas não gosta de mudanças na sua vida.
Assim que toma uma decisão, mantem-na durante muito tempo. A sua vida amorosa é também
estimulante e, de certo modo, original.

PÚRPURA: É uma pessoa misteriosa.


Nunca é egoísta e interessam-se facilmente pelas coisas.
Os seus dias podem ser felizes ou tristes, dependendo do seu estado de espírito. É popular
entre os amigos, mas tem por vezes atitudes impensadas e esquece as coisas com facilidade.

INDIGO: É atraente e ama a sua vida.


Sente a vida com intensidade e facilmente se distrai com isto ou aquilo.
Quando se chateia com alguém, dificilmente esquece esse momento.

PRATA: É uma pessoa imaginativa e tímida, mas gosta de novas experiências.


Gosta também de propor desafios a si próprios.
Aprende com facilidade e gosta de atingir tudo o que é difícil. A sua vida amorosa é
normalmente
difícil e confusa.

BRANCO: Tem sonhos e objetivos concretos na vida.


É ciumenta e não reage às contrariedades com muita leveza. É uma pessoa diferente e, por
vezes, as pessoas têm-na como um ser superior.
DOURADO: Sabe muito bem o que está bem e o que está mal.
É uma pessoa alegre, mas de difícil trato.
É para si difícil encontrar quem procura, mas assim que isso acontece não vai conseguir
apaixonar-se outra vez durante muito tempo.

AREIA: Tem um espírito desportivo e competitivo.


Não gosta de perder, mas está sempre alegre.
É uma pessoal fiável e de trato fácil. Escolhe o amor a dedo e não se apaixona com facilidade.
Mas assim que encontra a pessoa certa, fica em estado de graça durante muito tempo.

CINZA: É uma pessoa atraente e muito ativa.


Nunca esconde os sentimentos e exterioza tudo o que vai dentro de si. Mas às vezes é egoísta.
Quer dar nas vistas e não gosta de ser tratada com desigualdade.
Consegue melhorar os dias dos outros, pois sabe bem o que dizer na altura certa e
tem bom sentido de humor.

MARRON: É inteligente e sabe o que está certo.


Gosta de fazer as coisas à sua maneira, mas por vezes pode causar distúrbios e menosprezar a
identidade dos outros.
Mas, no que toca ao amor, é uma pessoa paciente.
Assim que encontra uma pessoa que gosta é difícil encontrar outra que goste ainda
mais.

AZEITONA: Tem um temperamento quente e despreocupado.


Dá-se bem com familiares e amigos.
Não gosta de violência e sabe o que está certo.
É gentil e alegre.

AZUL PETRÓLEO: Tem muito cuidado com a aparência.


É muito exigente no amor.
Faz projetos e arranja soluções à medida e dificilmente comete um erro.
Gosta de liderar e faz amizades.
CORES E PERSONALIDADES
COMPREENSÃO DO CÉREBRO

Os neurônios fabricantes de cores


O mistério da percepção das cores tem chamado a atenção de filósofos, físicos, biólogos e
escritores há séculos. Não por acaso, o assunto mereceu especial atenção de sábios e
pesquisadores influenciados pelo Iluminismo. O alemão Johann Wolfgang Goethe (1749-1832)
escreveu seu tratado sobre as cores impressionado com a incompatibilidade entre as teorias
clássicas e a realidade. Goethe reconheceu e analisou, no final do século 18, alguns fenômenos
que seriam identificados quase duzentos anos depois.

O escritor cientista notava a persistência mágica de imagens na retina e as ilusões produzidas


pela cor e por outros estímulos visuais. Goethe estava preocupado com a maneira como vemos
a realidade, como a transformamos em registros particulares do mundo externo. Segundo ele,
esses fenômenos não são explicados pela física de Newton, mas pelo funcionamento interno do
cérebro. Para o escritor, "a ilusão de óptica é a verdade óptica".

O escrito de Goethe foi muito criticado na época, tido como uma espécie de exercício
pseudocientífico. Outro alemão, Hermann Von Helmholtz (1821-1894), entretanto, daria novos
subsídios aos adeptos da teoria da ilusão das cores. O cientista demonstrou que, no processo de
percepção, as cores dos objetos são preservadas mesmo com grandes e significativas alterações
no comprimento de onda que os iluminam.

O comprimento de onda da luz que ilumina uma banana, por exemplo, varia de acordo com a
fonte de luz e a posição do observador. No entanto, a fruta permanece sempre amarela. Esse
fenômeno não poderia ser uma simples transformação dos dados do comprimento da onda em
cor. Helmholtz concluiu que deveria haver uma "inferência consciente", um processo de
correção automática dos dados recebidos, uma maneira interna de organizar o caos de
estímulos e dar-lhes um significado.

Em 1957, Edwin Land (1909-1991), o inventor da Polaroid, realizou uma formidável


demonstração teórica da ilusão das cores. Fez duas imagens em preto e branco da mesma
cena, usando dois filtros: um vermelho e outro verde. Depois projetou a primeira imagem com
filtro vermelho e, sobre ela, a segunda, com luz branca comum. Esperava-se uma imagem em
tons caóticos de rosa. Mas, para surpresa geral, brotou na tela uma moça com cabelos loiros,
casaco vermelho e perfeitos tons naturais de pele.
O teatro das células cerebrais - A experiência não pôde ser satisfatoriamente explicada na
ocasião e não rendeu novos conceitos científicos. Para muitos, no entanto, provava a teoria de
Goethe, da ilusão das cores. O azul e o vermelho não estão lá, de fato, mas são impressões
criadas pelo cérebro.

Um dos mais respeitados neurocientistas do mundo, o doutor Rodolfo Llinás, da Escola


Médica da Universidade Nova York, acredita que a consciência é mero resultado de sinais
elétricos coordenados. Usando um magnetoencefalógrafo, que mede correntes elétricas dentro
do cérebro, Llinás mediu a resposta a estímulos musicais. Segundo ele, vários grupos de
células saltam para cima e para baixo, ao mesmo tempo, de acordo com a especificidade do
estímulo externo.

São padrões simultâneos e também coordenados de funcionamento da estrutura cerebral.


Llinás afirma que a máquina de pensar funciona 24 horas por dia na construção de modelos
de percepção do mundo e de recriação da realidade captada. As cores não existem fora de
nosso cérebro. O som nada mais é que a relação entre determinadas vibrações externas e o
cérebro.

"Acordados ou durante o sono, vivemos em um estado de sonho", costuma afirmar. Embora


nossas impressões sejam bastante semelhantes a determinados aspectos da realidade externa,
nada podemos falar sobre uma realidade objetiva.

Criamos nossas cidades com o trabalho das mãos, mas as vemos segundo os caprichos do
cérebro. No grande teatro da vida, vemos apenas as peças que as células do cérebro decidem
representar.

Não é uma cor, mas um efeito óptico Afinal, de que cor é o furta-cor?
Segundo o professor Eduardo Cunha Farias, doutor no Departamento de Histologia e
Embriologia do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo, USP, "furta-
cor não é uma cor, mas sim o efeito óptico de interferência luminosa que resulta numa coleção
de cores metálicas, variáveis de acordo com o ângulo de observação".
Esse efeito óptico, também chamado iridescente, é encontrado nos reinos vegetal, animal e
mineral: "Ele é bem nítido em algumas pedras brutas como a labradorita (conhecida como
pedra-do-sol) e a opala, ou as lapidadas, sejam diamantes ou cristais. O furta-cor, ainda, está
presente nas escamas de certos peixes e serpentes, nas penas de pavões e faisões ou no chão
molhado com poças de gasolina", explica Farias.
A seda pura também tem iridescência e brilho próprio, por isso é mais adequada para receber
o tratamento que confere efeito furta-cor aos tecidos: “Coloca-se um fio vermelho, na
urdirura, e outro amarelo, na trama”. Como resultado, surge a cor laranja.
“Ao contrário do algodão, compacto e uniforme, a seda, ao ser movimentado, vai destacar o
amarelo, o vermelho ou o laranja, sempre dependendo da exposição à luz”, explica a designer
Beth Neves, estudiosa de cores e responsável pelas coleções da Safira Sedas, de SP.
A escolha entre prata, ouro ou cobre depende do gosto e das intenções que se quer trabalhar.
Todos são associados à prosperidade e ao despertar dos sentimentos. Silvana Occhialini,
consultora de Feng Shui (técnica chinesa de harmonização de ambientes) de São Paulo, revela
que o dourados simboliza opulência e costumam atrair dinheiro. Mais: ativam a alegria de
viver e despertam a vontade. Já os prateados devem ser usados para ativar a criatividade.
Além de figurar em objetos, o cobre, que é bom condutor elétrico, serve para movimentar
energias estagnadas. "Basta enrolar pequenos pedaços de fios de cobre e fixar embaixo dos pés
da cama e dos quatro cantos do quarto. Isso ajuda a reenergizar o local. Para plantas que
mostram sinais de fraqueza, o cobre também funciona como elemento revigorante. Coloque
um fio enrolado no caule, desde a base", completa Silvana.
Fugaz e efêmero, o efeito furta-cor captura o olhar. Essa mistura de cores surge graças ao
movimento dos raios solares sobre materiais reflexivos, dando um toque inusitado à
composição dos ambientes.
Numa dança de feixes luminosos, a natureza exibe o efeito furta-cor quando o camaleão muda
de tonalidade, quando uma minúscula gota de orvalho reflete todo o espectro do arco-íris ou
quando um cristal multifacetado decompõe a luz do Sol em brilhos variados. Sempre em
transformação, essas coreografias de movimentos coloridos e transitórios atendem pelo nome
de furta-cor.
A natureza é que inspira a elaboração de objetos e materiais reflexivos para reproduzir em
casa as sensações de bem-estar criadas por essa orquestra de luz em ação. É o caso das conchas
nacaradas que servem para guardar pequenas peças, do papel de presente com brilho
holográfico e das sedas luminosas de tons mutantes usadas na decoração.
O homem reproduz a natureza
"É assim que se cria a ilusão óptica em que duas ou mais cores se roubam, se fundem, se
confundem e se evidenciam", define Beth. Vermelho ou amarelo, verde ou azul, seja qual for a
tonalidade do tecido, ele só será furta-cor se for mutável. Ou, como costuma dizer a designer,
changeant.

Teste de Pele

Sente-se em frente a um espelho e peça que alguém o envolva com panos de diversas cores, um
de cada vez. Vale também fazer o exercício sozinho. Observe a mudança de expressão no seu
rosto.

1. Com que cor seu rosto fica mais bonito, feliz, relaxado?

2. Qual o tom que o entristece e o faz sentir mais desanimado?


3. Algum matiz provoca repulso?
E qual lhe dá sensação de estar mais disposto.

Tons favoritos da casa

1. Observe as cores do espaço onde você se encontra. Feche os olhos e sinta as emoções que elas
provocam. Anote as tonalidades e as emoções correspondentes.

2. Visualize o ambiente preferido da casa e pense nas cores predominantes ali. Observe se há
uma cadeira, uma poltrona ou um canto onde você fica mais. Anote e não se esqueça de
escrever também o tom dos seus objetos preferidos.

Exercício de sensibilização

Busque um lugar calmo e reserve pelo menos meia hora para fazer os exercícios. Alguém pode
ler as perguntas para você ou então leia você mesmo. Relaxe e procure imaginar o que for
pedido, com os olhos fechados. Depois, anote as respostas que vierem a sua cabeça.

Referências da história de vida

1. Qual a sua cor favorita quando você era criança? Como era sua relação com esse tom? Que
lembranças ele evoca?

2. E na adolescência? Qual era a sua primeira opção no arco-íris? Que sentimentos essa cor
provoca?

3. E hoje? Qual é o seu matiz? Ele está presente na sua vida, na casa, nas roupas?

O que você usa?

1. A sua cor de prazer: feche os olhos e sinta-se extraordinariamente leve e muito feliz. Todos
os sentidos estão satisfeitos e você sente um incrível bem-estar. Que tom vem à sua mente?
Qual a cor que lhe dá mais prazer?

2. A sua cor de força: feche os olhos e sinta-se forte, poderoso, como se tudo a seu redor o
apoiasse. Qual a tonalidade que lhe transmite esse sentimento? Que cor lhe dá força e vigor?
3. A sua cor de segurança: feche os olhos e sinta-se inteiramente seguro, protegido, relaxado e
confortável. Nada de ruim pode o atingir. Que tom vem à sua mente? E qual lhe passa mais
segurança?

4. A sua cor de alegria: lembre-se de uma situação que lhe trouxe muita alegria. Ou de uma
música que o faz feliz. Qual o tom associado a essa lembrança? Também pode ser a cor de

uma roupa ou matiz predominante do cenário que você constrói na imaginação.

Agora observe a lista de cores que você anotou. Escolha as que se repetem e despreze aquelas
que lhe trazem emoções desagradáveis. Você pode perceber que, às vezes, as cores que evocam
boas associações estão ausentes em casa ou no guarda-roupa – uma amostra do quanto
podemos estar desconectados do nosso inconsciente. Saiba que as tonalidades escolhidas só
foram selecionadas porque vibram de acordo com você.

O mundo das cores traduzindo as emoções da natureza


*Oleni de Oliveira Lobo

Quando falamos das cores e de seus significados, devemos sempre lembrar que
existem vários enfoques que podem ser abordados: ótica, sociologia,
antropologia, entre outros. Um mundo maravilhoso que traduz as emoções da
natureza e diferencia tudo o que toca.

É importante ressaltar que as cores, cada uma com sua singularidade, têm um
poder sobre todos nós. Porém, dependendo da experiência positiva ou negativa relacionada a
cada uma delas, canalizam de forma diferente nossas emoções. As cores tanto servem para
acalmar, quanto para estimular. Os quentes (vermelha, laranja) estimulam e dão aquela
pitadinha de ânimo às pessoas. Já as frias (azul e verde) acalmam e dão o toque de leveza.

Vou abordar a influência das cores no ser humano.

Verde - É a cor do equilíbrio, entre a frieza da lógica e a efervescência das emoções. Se o


desejo é paz, esta cor é a mais indicada. Integra emoção e razão de uma forma hábil, tão
necessária ao equilíbrio de nossa psique. Produz um ambiente calmo e com muita energia ao
mesmo tempo.

Azul - Precisando de razão, o azul é a opção certa. É a cor da lógica e ponderação. Amplia
nossos horizontes, o que resulta em uma visão maior sobre os assuntos que estão a nossa volta.
Diferente da cor verde, essa estimula a razão, a verdade, a lógica, de forma fria (decidida). A
cor azul é adequadíssima àqueles locais em que os conflitos estão presentes.

Roxo - O lilás e o roxo equivalem à sabedoria, ao espiritual. Um leve toque do roxo demarca o
poder e autoridade. Não no sentido de poder arbitrário, mas autoridade através da sabedoria
e do conhecimento. Quando variado para tons de violeta, oferece seu poder de tranqüilidade e
de aceitação da vida para ajudar nos processos de insônia.

Amarelo - Se em dado momento a mente precisa estar antenada, afiada e ágil, o amarelo
deixa essa situação ao alcance. Ele abre os espaços do conhecimento. É uma cor de

ambição e liderança, simpatia e alegria. Os que estão de regime devem evitá-la, já que

abre o apetite, sendo atualmente muito usada em restaurantes.

Laranja - Arriscar, ir à busca do que está lá no horizonte, aventurar-se a descobrir as


novidades é o que envolve a cor laranja. É ideal para quem precisa criar e também para os
que querem retirar os medos de críticas e de ir em frente. É a cor da liberdade, concentração e
independência.

Vermelho - Vínculo afetivo, profundidade nas relações, efervescência, dinamismo, calor, força
e agressão estão ligados ao vermelho. Muitos diziam que era a cor da paixão, mas este
sentimento é muito passageiro para estar ligado à cor vermelha. Ela pertence à eternidade dos
afetos. Proporciona vitalidade, aumenta a pressão sangüínea sendo excelente para dar mais
ânimo e crédito a si mesmo. É a cor que traz em si o anima/animus, ou seja, o poder feminino
da sedução, com a força e ação do poder masculino.

Preto - A cor preta possibilita o mistério e mantém as intenções no anonimato. Instiga a


curiosidade das pessoas, ao mesmo tempo em que se consegue passar despercebido com ela,
que camufla as verdades ao exterior. Capta o que acontece sem dizer a que veio. Protege das
cargas negativas, mas por outro lado não deixa fluir a energia e, assim, não renova a carga
energética do ser humano.

Branco - Vibrante e estimulante por ser a união de todas as cores, o branco é como se fosse um
arco-íris. Como cada uma das pessoas já carrega uma determinada vibração, é bom saber
dosar o uso dessa cor. Transmite higiene, claridade, amplia as situações. Produz troca de
energia e capta bem a energia solar. O branco favorece a clareza, mantendo a verdade nua e
crua. Pode tornar um ambiente monótono, levando à dispersão.

Cada cor possui a sua função. Cabe ao ser humano saber dosá-las e misturá-las, para que
possam contribuir com a elevação de uma pessoa. As cores quentes sempre devem ser usadas
em menor escala e misturadas às demais cores frias. Assim, o equilíbrio entre a vitalidade e a
tranqüilidade é estabelecido.

Para quem se interessa pelo assunto, duas obras que podem oferecer mais informações são:
Psicodinâmica das cores em comunicação, de Modesto Farina - Ed. Edgard Blucher, e
Conhece-te através das cores, de Marie Louise Lacy, Editora Pensamento.

*Oleni de Oliveira Lobo é psicóloga e profª universitária. Pós-graduada em Gestão da


Qualidade com especialização em psicodrama terapêutico e consultora em recursos humanos

A personalidade e as Cores
Dia do aniversário Cores

23 de Dezembro => 1 de Janeiro VERMELHO

2 de Janeiro => 11 de Janeiro 11 LARANJA

12 de Janeiro => 24 de Janeiro AMARELO

25 de Janeiro => 3 de Fevereiro ROSA

4 de Fevereiro => 8 de Fevereiro AZUL

9 de Fevereiro => 18 de Fevereiro VERDE

19 de Fevereiro => 28 de Fevereiro CASTANHO

1 de Março => 10 de Março AQUA

11 de Março => 20 de Março LIMA

21 de Março PRETO

22 de Março => 31 de Março PÚRPURA

1 de Abril => 10 de Abril INDIGO

11 de Abril => 20 de Abril PRATA

21 de Abril => 30 de Abril BRANCO

2 de Maio => 14 de Maio AZUL

15 de Maio => 24 de Maio DOURADO

25 de Maio => 3 de Junho AREIA


4 de Junho => 13 de Junho CINZA

14 de Junho => 23 de Junho MARRON

24 de Junho th CINZA

25 de Junho => 4 de Julho VERMELHO

5 de Julho => 14 de Julho LARANJA

15 de Julho => 25 de Julho AMARELO

26 de Julho => 4 de Agosto ROSA

5 de Agosto => 13 de Agosto AZUL

14 de Agosto => 23 de Agosto VERDE

24 de Agosto => 2 de Setembro CASTANHO

3 de Setembro => 12 de Setembro AQUA

13 de Setembro => 22 de Setembro LIMA

23 de Setembro 23 AZEITONA

24 de Setembro => 3 de Outubro PÚRPURA

4 de Outubro => 13 de Outubro INDIGO

14 de Outubro => 23 de Outubro PRATA

24 de Outubro => 11 de Novembro BRANCO

12 de Novembro => 21 de Novembro DOURADO

22 de Novembro => 1 de Dezembro AREIA

2 de Dezembro => 11 de Dezembro CINZA

12 de Dezembro => 21 de Dezembro MARRON

22 de Dezembro AZUL PETRÓLEO

Cores Significado

Tem uma maneira de ser gira e afável. É alegre e despreocupada. Às vezes


VERMELHO
gosta de implicar mas está sempre apaixonada e... gosta de ser amada. É
simpática com as pessoas e gosta dessa maneira de ser. Gosta de pessoas com
quem consegue falar facilmente e sente-se bem na sua companhia.

É responsável pelas suas acções e sabe como lidar com as pessoas. Tem sempre
LARANJA objectivos e é competitiva. No que toca à amizade, tem dificuldade em confiar
em alguém, mas assim que trava a amizade certa entrega-se totalmente.

É doce e inocente. As pessoas confiam em si e lidera as relações. Consegue ter


AMARELO a decisão certa na melhor altura. Está sempre a sonhar com uma relação
muito romântica.

Está sempre a dar o melhor de si e gosta de ajudar as pessoas, preocupando-se


ROSA com elas. Contudo, é difícil sentir-se satisfeita. Tem pensamentos negativos e,
tal como nos contos de fadas, aspira por um amor romântico.

Tem uma fraca autoestima e é bastante irritável. Tem um espírito artístico e


AZUL gosta de sentir-se apaixonada, mas deixa fugir o amor, pois ama com a cabeça
e não com o coração.

Tem trato fácil com as pessoas. Não é propriamente uma pessoa tímida e às
vezes magoa os outros com as suas palavras. Gosta de amar e de ter as
VERDE
atenções da pessoas amada. Na maioria das vezes está sozinha, à espera da
pessoa ideal.

Gosta de acção e desporto. As pessoas têm dificuldade em lidar consigo, mas


CASTANHO apaixona-se facilmente. Assim que descobre que não consegue alcançar algo,
desiste mas não fica preocupada.

Os seus sentimentos são instáveis e inconstantes. Está sempre sozinha e gosta


de viajar. É uma pessoa fiável mas acredita facilmente nas pessoas.
AQUA
Dificilmente encontra a pessoa certa, mas se tal acontece apaixona-se
facilmente. Pode sofrer com isso.

É uma pessoa calma, mas facilmente fica com stress. É ciumenta e queixa-se
LIMA de pequenas coisas. Não consegue dedicar-se às coisas de corpo e alma, mas é
uma pessoa capaz e os outros confiam em si.

É uma pessoa corajosa e gosta de desafios. Mas não gosta de mudanças na sua
PRETO
vida. Assim que toma uma decisão, mantem-na durante muito tempo. A sua
vida amorosa é também estimulante e, de certo modo, original.

É uma pessoa misteriosa. Nunca é egoísta e interessa-se facilmente pelas


coisas. Os seus dias podem ser felizes ou tristes, dependendo do seu estado de
PÚRPURA
espírito. É popular entre os amigos, mas tem por vezes atitudes impensadas e
esquece as coisas com facilidade.

É atraente e ama a sua vida. Sente a vida com intensidade e facilmente se


INDIGO distrai com isto ou aquilo. Quando se chateia com alguém, dificilmente
esquece esse momento.

É uma pessoa imaginativa e tímida, mas gosta de novas experiências. Gosta


também de propor desafios a si própria. Aprende com facilidade e gosta de
PRATA
atingir tudo o que é difícil. A sua vida amorosa é normalmente difícil e
confusa.

Tem sonhos e objetivos concretos na vida. É ciumenta e não reage às


BRANCO contrariedades com muita leveza. É uma pessoa diferente e, por vezes, as
pessoas têm-na como um ser superior.

Sabe muito bem o que está bem e o que está mal. É uma pessoa alegre mas de
DOURADO difícil trato. É para si difícil encontrar quem procura, mas assim que isso
acontece não vai conseguir apaixonar-se outra vez durante muito tempo.

Tem um espírito desportivo e competitivo. Não gosta de perder, mas está


sempre alegre. É uma pessoal fiável e de trato fácil. Escolhe o amor a dedo e
AREIA
não se apaixona com facilidade. Mas assim que encontra a pessoa certa, fica
em estado de graça durante muito tempo.

É uma pessoa atraente e muito activa. Nunca esconde os sentimentos e


exterioza tudo o que vai dentro de si. Mas às vezes é egoista. Quer dar nas
CINZA vistas e não gosta de ser tratada com desigualdade. Consegue melhorar os dias
dos outros, pois sabe bem o que dizer na altura certa e tem bom sentido de
humor.

É inteligente e sabe o que está certo. Gosta de fazer as coisas à sua maneira,
MARRON mas por vezes pode causar distúrbios e menosprezar a identidade dos outros.
Mas, no que toca ao amor, é uma pessoa paciente. Assim que encontra uma
pessoa que gosta é difícil encontrar outra que goste ainda mais.

Tem um temperamento quente e despreocupado. Dá-se bem com familiares e


AZEITONA
amigos. Não gosta de violência e sabe o que está certo. É gentil e alegre.

Tem muito cuidado com a aparência. É muito exigente no amor. Faz projectos
AZUL
e arranja soluções à medida e dificilmente comete um erro. Gosta de liderar e
PETRÓLEO
faz amizades com facilidade.

OUVINDO AS CORES, VISUALIZANDO OS SONS.


Lendo o título acima alguém pode perguntar: não estaria este titulo equivocado? Bem, acho
que não como logo verão neste artigo... Quando refletimos acerca dos fenômenos vibratórios e
quais desses são detectados pelos seres humanos vemos que somos dotados de apenas alguns
sentidos que detectam apenas alguns fenômenos que ocorrem na natureza.
Miríades de outros fenômenos vibratórios permanecem desconhecidas por nossos sentidos.
Certamente os sentidos que temos são aqueles mínimos necessários para manutenção, defesa e
continuidade da nossa vida e que a natureza nos dotou.
Tudo o mais que o homem precisa ele constrói. Se não vemos com nossos olhos o esqueleto
humano, o homem constrói máquina para isso. Se não enxergamos os astros a olho nu,
construímos telescópios para isso. Se não vemos com nossos sentidos uma onda sonora ou
eletromagnética que navega pelo espaço podemos visualizá-la através de um osciloscópio e
assim poderíamos enumerar muitos outros dispositivos que funcionam como ferramentas
extras ao corpo do homem. O mínimo do que precisamos está em nosso corpo. Assim a
natureza nos construiu. E nos quedamos extasiados em estado de contemplação com tanta
beleza e engenharia atrás de tudo isso, daí a constante busca do homem para encontrar e
conhecer O Grande Arquiteto, buscar sua intimidade, procurar conhecer as leis pelas quais
são regidos os fenômenos do universo. Homens inspirados têm dedicados suas vidas na busca
de tudo entender, de tudo explicar, ao longo da linha de tempo da humanidade.
Percorrendo o espaço vibratório podemos ver que somos dotados de sentidos que nos
permitem ouvir os sons do meio ambiente que estamos e que cobrem uma faixa média de 20 a
20.000 Hertz ou ciclos por segundo. Podemos sentir o Calor e podemos ver as Cores.
Quando estudamos a física do som, verificamos como os sons são percebidos pelos nossos
ouvidos, com relação as suas freqüências, suas intensidades e o timbre. Por causa das relações
entre as freqüências de áudio, podemos denominá-las em toda a extensão da faixa de áudio
somente por sete nomes diferentes: Do, Re, Mi, Fá, Sol, La, Si.
Ainda em relação às freqüências verificamos que a cada 12 intervalos de sons subsequentes, ou
1 oitava, percebeu uma característica especial cada vez que uma dada freqüência é o dobro da
outra. A maneira como é organizada a escala musical temperada guarda um intervalo entre
cada nota e sua subsequente que é igual em toda a escala. Esse valor é igual a 1,0594631, ou
seja, o quociente entre o valor da freqüência de um som e a freqüência do som imediatamente
inferior tem esse valor.
Vendo todo o espectro organizado matematicamente dessa maneira podemos formular a
pergunta: - qual seria a relação entre as freqüências da faixa auditiva humana e as freqüências
dos sinais eletromagnéticos que correspondem às cores? Assim poderíamos imaginar um
virtuose concertista percorrendo o teclado de um piano e perguntar quais as cores que
corresponderiam a cada nota musical tocada. Vou mostrar como isso realmente funciona e
depois mostrarei os cálculos para chegar a essa conclusão.
As notas musicais relacionadas na tabela acima são as notas que quando tocadas a um piano,
tem suas correspondentes freqüências visíveis no espectro das cores. Assim ao tocar essas notas
ou em outras oitavas que não as especificadas acima, poderíamos associar a um aparelho
eletrônico que relacionasse o som com a cor correspondente e que assim poderiam nos fazer
"OUVIR AS CORES", proposta do nosso título, como já viram uma proposta figurativa.
Ao contemplar o espectro todo vemos como é interessante notar que inicialmente detectamos o
áudio, passa-se uma larga faixa de freqüências que não percebemos e logo bem distante das
freqüências de som, percebemos as cores graças aos três tipos de cones de nosso aparelho da
visão, cada um deles responsável por um comprimento de onda, o vermelho, o verde, e o azul,
cuja intensidade de cada um deles, arranjadas convenientemente, acaba por cobrir todo o
espectro de cores, coadjuvados pelos bastonetes, responsáveis pelo brilho da cor, diga-se de
passagem, método este também utilizado pela televisão, mais um engenho construído pelo
homem observando o que existe na natureza.

CÁLCULOS
Assim, aplicando estas fórmulas foi o meio que utilizamos para determinar quais as
freqüências da faixa de cores correspondem aos 12 intervalos das notas musicais, dados estes
constantes da tabela no topo.

A cor do ouro e as conotações de poder e sedução

Por Harlley Alves

Prosperidade e ambição se misturam quando o ouro e os atributos de sua cor fazem parte de
uma conquista. Há milênios sua força de atração demarca a suposta superioridade dos reis e
rainhas que, diferentemente dos homens comuns, tocam o divino e os céus. Na civilização
egípcia, o ouro sinalizou a supremacia de suas divindades.
Sua cor e textura acompanharam a ascensão, derrocada e posterior culto a essa cultura,
quando as jóias adornaram o corpo de representantes como Cleópatra, a governante que foi
senhora, deusa e rainha do Egito. Sua beleza descrita fulgurantemente foi uma de suas
maiores armas e o dourado de suas vestes intensificou seu poder para conquistar o coração dos
homens e dos impérios.

Cleópatra, que além de rainha, se autoproclamava deusa, tinha no ouro um dos símbolos de
seu poder e das riquezas ilimitadas do Antigo Egito. Durante sua saga, a governante vestiu-se
algumas vezes como a deusa Vênus, mas era como a filha de Rá que a monarca procurou
firmar a imagem de governante incontestável.

Hoje, temos como certo que as pessoas assimilam determinadas características das cores que
estão vestindo. Decerto a ‘deusa’ já acreditava nesse conceito, tanto que não lhe faltaram
enfeites e até roupas feitas com o referido metal.

O ouro tem uma cor que transmite impressões de status, idolatria, nobreza, riqueza e, é claro,
poder. Iluminação espiritual e segurança revestem a simbologia dessa cor e sob a perfeição da
cor do ouro, Cleópatra governou o Egito por 21 anos. Um auxiliar precioso durante sua
astuciosa saga, já que a cor do ouro representa a riqueza interior que o homem comum busca
e que nela já estava.

A tradição de superioridade do dourado freqüentemente o colocou entre a realeza. De 1568 a


1603, o reinado de Elizabeth I foi tão próspero que seus súditos proclamaram sua estada no
poder como a idade do ouro. A distinção decorreu do acúmulo de riquezas e status que ‘a
rainha virgem’ delegou para a nação inglesa enquanto esteve à frente do trono.

É um momento interessante para lembrar que o ouro, sob a influência de sua riqueza, é
sinônimo de cobiça e roubo. Talvez por isso Elizabeth não se privou de atitudes menos
gloriosas ao levar dinheiro, ouro e poder para seu país. A Inglaterra, que não possuía colônias
no continente americano, apoiava piratas e corsários que saqueavam navios espanhóis que
retornavam da América cheios de ouro e prata. A coroa inglesa acobertava os piratas e
mercenários, que, por sua vez, dividiam com os ingleses o ouro roubado.
A última faraó do Egito

Cleópatra foi a última representante da dinastia dos Ptolomeu. Seu manto de linda mulher, de
beleza sem paralelos, foi sustentado ao longo da história por escritores como William
Shakespeare. Pouco se tem de concreto sobre suas formas físicas reais, mas pesquisas do ano
2000 levantam a suspeita de que a soberana não possuía mais de um metro e meio, um nariz
pontudo e não sendo muito bela. Contudo, não há a menor dúvida de sua astúcia ao gerir o
Egito 50 anos antes do nascimento de Cristo.

A mítica beleza de Cleópatra e a majestade de suas entradas e apresentações impressionaram


homens tão poderosos quanto ela. Quando Marco Antonio despontou como provável sucessor
de César, pediu um encontro e ela o recebeu em uma grande festa. Deitada sobre um toldo de
ouro apresentou-se a ele e seus acompanhantes como a deusa Vênus. O ouro e a vasta riqueza
do Egito serviram para atrair Marco Antônio como um aliado. Esse dourado que revestiu o
semblante de Cleópatra por toda sua trajetória também conota imortalidade e longevidade.
São qualidades compartilhadas com os mitos que cercam a monarca, uma mulher que mesmo
sem tê-la foi a faraó de beleza imortal.

*A simbologia da cor dourado foi extraída do workshop de Arte e Ciência da Cor,


desenvolvido pelo pesquisador e estudioso da cor, Nelson Bavaresco.

Os aspectos subjetivos da percepção da cor


Enciclopédia Simpósio

As cores não existem nas coisas, nem nos fótons da luz, mas são maneiras subjetivas de reagir
aos fótons da luz. Este fato compromete seriamente a teoria realista do conhecimento. As cores
devem ser estudadas de maneira objetiva e científica, mesmo porque fazem parte do campo da
física, mas envolvem uma série de subjetividades.

Já na era antiga a subjetividade da cor era mencionada pelo filósofo grego pós-socrático
Epicuro (324-270 a.C.), ainda que não insistisse em todas as conseqüências. Advertindo para a
variação da coloração assumida pelos objetos em função da luz que os iluminava, ele dizia que
os corpos não podiam ter cor em si mesma.

No século 16, o filósofo e cientista Renato Descartes (1596-1650) estabeleceu a subjetividade


generalizada das sensações, porque não temos como provar que sejam mais que sua aparência.
Ainda que possamos admitir a realidade dos corpos, eles são sem cor, sem som, sem calor, sem
frio, sem gosto, sem odor, mesmo sem ser e qualquer das modalizações conceituadas do ser. Se
existem, não sabemos a rigor o que efetivamente são.
Ao incidir sobre a faculdade, o objeto cria nos olhos a reação de cor, nos ouvidos à de som, no
gosto a de saber, no tato a de calor ou frio, no olfato a de perfume ou mau odor. Certamente a
dor não está na coisa que nos pisa, e sim, apenas em nós mesmos. A cor, que agora nos ocupa,
seria nada mais que a resposta psíquica peculiar de uma região nervosa, chamada vista.

Para a arte não importa como se interpretem as cores, cuidando apenas da circunstância
técnica de que elas admitem serem transformadas em expressão. O conhecimento teórico,
ainda que não se confunda com o conhecimento técnico, o ilumina.

Fontes das cores

Para a estética, o que interessa destacar é que a luz é fonte da cor, portanto, não das fontes da
mesma luz, mas da luz enquanto fonte das cores. As cores sofrem alterações conforme os tipos
de fontes luminosas que as originam e cujos três tipos principais são: fontes térmicas (luz com
muito calor), fonte de descargas em gases (lâmpadas fluorescentes) e fontes de arco de grafite,
ou carbono (próximo da luz solar).

Além da fonte luminosa da cor, há a do objeto colorido. Transformando este em pigmentos


líquidos, assume a forma de tinta de passar. Da mistura de todas as cores da luz resulta o
branco; da mistura de todos os pigmentos, o preto. Por isso é que misturar luzes não é o
mesmo que misturar tintas, pigmentos, objetos.

No caso da luz acontece uma soma, com um efeito especial; no caso dos pigmentos se trata das
mesmas ondas luminosas, mas com interferências, que progressivamente se anulam. Os
pigmentos em si mesmos não possuem cor. Ao incidirem sobre eles os diferentes raios de luz,
com todas as suas cores, algumas destas cores são refletidas, determinando em nosso olho a cor
do pigmento. As outras cores são absorvidas, anulando-se, por conseguinte.

Se forem absorvidas todas as cores, o resultado será o preto. Este resultado difere do da
mistura de luzes de todas as cores e onde nenhuma é absorvida; esta mistura de luzes de todas
as cores resulta em sensação de luz branca.

A partir da variação nas fontes de cor se explicam mais fenômenos, que acontecem nas
misturas de tintas. Em função das fontes da cor, criaram-se denominações específicas: cor
natural, cor aparente ou acidental e cor induzida. Cor natural é a que se encontra nos objetos
como eles existem na natureza. São inúmeras, além do branco e do preto. Cor aparente (ou
acidental) é a que, não sendo a natural, apresenta formas variáveis em função das condições de
luz ambiente, ou de outras cores. Conhece-se que uma luz vermelha empresta uma colorida
cor de rosa suave ao que se encontra em torno. Cor induzida é a que se estabelece sob
influência de uma cor dominante.

A teoria e a estética das cores


Uma fonte rica de informações para quem quer se aventurar pelo mundo das cores é a
abordagem sobre a Teoria e a Estética das Cores, disponível na Enciclopédia Simpozio, que
pode ser consultada pela Internet. O trabalho, coordenado pelo professor Evaldo Pauli, é uma
obra aberta, idealizada para um crescimento constante e universal. A enciclopédia destaca
entre outros aspectos a natureza da pintura, o valor da estética, a história e a divisão geral da
estética das cores, além de conceituar a cor como recurso técnico de expressão e comunicação.

A cor está nos objetos, nas plantas, no espectro, no arco-íris, nas latas de tinta expostas nos
armazéns. De acordo com a enciclopédia, para compreender toda a abrangência da cor é
preciso estudá-la em si mesma, a fim de, a partir dela, criar a expressão. Importa situar-nos no
momento antes que a cor se converta em expressão, que ela transcenda a si mesma e se
converta em arte.

Uma ciência da cor (ou teoria da cor) examina esta qualidade nos seus instantes de
determinação absoluta pré-artística, pré-estética. A ciência da cor reúne várias secções, das
quais uma é a física da cor, a outra a gnosiologia da cor, enfim, outra a psicologia da cor
(inclusive psicodinâmica da cor). Antes de ser utilizada como instrumento de expressão de
mensagem, a cor exerce uma importância psicodinâmica considerável. Ela influi na alegria, no
entusiasmo, no prazer, na calma, na sensação de grandeza dos espaços.

Entre as qualidades que servem como instrumento artístico, é a cor a que oferece mais
capacidade de expressão. O mesmo não acontece com o som musical que pouco consegue
expressar em seus instantes mais simples. Os sons falam apenas depois de organizados em
complexas aglutinações, que se sucedem. As cores, já no seu instante estático, oferecem
variada composição e gera uma arte completa, a pintura.

Ao entrarem em movimento, como no cinema, as cores exercem fantástico poder de expressão.


Com poucas cores a pintura expressa os animais e as plantas, as flores e as vestes das pessoas,
os edifícios e as montanhas, os homens e as mulheres, o guarda e o carteiro, os jogadores de
futebol, os bailarinos, os palhaços e os cômicos.
Deve-se a capacidade da cor ao poder da vista, para ver diferenciações. A vista humana não
percebe todas as cores. A pintura seria ainda mais poderosa no seu poder de expressão, se a
vista humana conseguisse desenvolver seu limiar para uma percepção maior de cores,
conforme parece acontecer em alguns animais.

A pintura moderna é algo notoriamente novo, regendo-se por uma conceituação


revolucionária. É assim também as aplicações da cor nos objetos industriais e nos edifícios,
particularmente nos recintos interiores. É algo que não possui precedentes do ponto de vista
da conceituação. Recursos técnicos eletrônicos permitiram o uso das cores fora das telas
tradicionais. Assim, um novo tempo se abriu para a estética das cores. Criou-se uma rica
literatura sobre as cores e suas aplicações na expressão artística.

Na observação superficial parece que a cor está no objeto, não nos apercebendo nós de que se
prende à luz, constituída de corpúsculos. Na ausência de luz, os objetos deixam de manifestar
com cor, ainda que continuem sensíveis ao tato da mão que os toca. Com a luz o objeto se
acende e se apaga. Quer observemos a luz, quer observemos os corpos que a refletem, a cor se
associa ao comportamento da luz. Por isso, não se pode definir a cor como sendo apenas o
elemento visual dos corpos.

Não há verdadeiramente cor nas coisas, mas na luz. Quando um objeto se mostra amarelo,
significa apenas que refletiu as ondas amarelas e absorveram as verdes, azuis, violetas,
alaranjadas, vermelhas.

Sem entender que a cor pertence à luz e não aos objetos que a absorvem e refratam, a
inteligência vulgar não consegue entender a afirmativa de que as coisas ditas coloridas
efetivamente não têm cor alguma. Também não se adverte que, ao desaparecerem na
escuridão, quando a luz se ausenta, as coisas assim ficam exatamente porque a cor não lhes
pertence. O artista age com a cor, como se ela estivesse nas tintas, mas, na verdade, ele faz
uma coisa muito mais complicada.

As pesquisas revelaram que cerca de 90% das preocupações das pessoas se encontram na
vista, 7% no ouvido, 6% nos restantes sentidos. Contudo as artes visuais não dominam até
87% sobre as demais artes. A diminuição desta porcentagem não acontece no consumo das
artes e sim na produção. É que há alguma dificuldade para produzir a cor. Enquanto o som se
produz fácil, despertando por simples vibração do fundo de nossa garganta, ou de um objeto
capaz de agitar convenientemente o ar, as cores dependem do manejamento difícil das tintas e
da criação de luz, bem como da maneira de se fazerem receber as ondas de luz.

No passado o homem conseguia produzir a cor quase só mediante pigmentos como nas tintas;
hoje não só progrediu a indústria das tintas, como também a imagem colorida passou a ser
produzida mediante projeção direta de luz, como no cinema e na televisão. Principalmente foi
resolvido o problema da criação da cor em movimento; a pintura apresentava apenas a cor
estática.
Brincar com as Cores
O conhecimento total da cor é uma exigência para o sucesso no mundo da cor, seja uma
fábrica de tintas, de plásticos ou qualquer outro produto. O conhecimento total da cor inclui
uma familiaridade com a ciência da cor, uma consciência de tendência, controle da tecnologia
relacionada à cor e a experiência com o marketing da cor.

Muitas pessoas se julgam despreparadas para mexer com as cores e utilizam apenas tons
neutros de terra, pastéis ou poucas quantidades de cores brilhantes. A melhor maneira de
superar o medo e expandir a consciência sobre cor é trabalhar diretamente com ela. Fazer
experiências com a cor é um grande divertimento. A mistura de cor é um aprendizado básico
para todo artista ou desenhista, mas pode ser interessante para a maioria das pessoas.
Tratando-se de tintas, para quem pretende ir direto aos resultados, uma idéia é obter a cor
desejada, preparada na hora na máquina tintométrica de sua revenda preferida.

A modificação da cor através da luz

A reprodução de cores de uma lâmpada é medida por uma escala chamada IRC (Índice de
Reprodução de Cores). Quanto mais próximo este índice for ao IRC 100 (dado à luz solar),
mais fielmente as cores serão vistas na decoração. Isto ocorre porque, na verdade, o que
enxergamos é o reflexo da luz que ilumina os objetos, já que no escuro não vemos as cores.
A luz é composta pelas sete cores do arco-íris e os pigmentos contidos nos objetos têm a
capacidade de absorver determinadas cores e refletir outras. Portanto, a qualidade de
reprodução das cores vai influir diretamente nas cores da decoração, alterando ou mantendo
as cores escolhidas.

Assim como as cores, a tonalidade das lâmpadas também pode ser dividida em quente ou fria.
Mas quando falamos nestes termos, não estamos nos referindo ao calor físico da lâmpada, e
sim à Temperatura de Cor que ela dá ao ambiente. Esta Temperatura de Cor é medida em
graus Kelvin (K) e quanto maior for o número, mais fria é a cor da lâmpada. Um exemplo:
uma lâmpada de temperatura de cor de 2700K tem tonalidade quente, uma de 7000K tem
tonalidade muito fria.

Dentro destes parâmetros podemos dizer que lâmpadas incandescentes têm uma Temperatura
de Cor correlata de 2700 K e lâmpadas halógenas por volta de 3000 K. Já as fluorescentes
podem ser escolhidas de 2700 K a 6000 K, conforme a necessidade do projeto.

Como escolher a Temperatura de Cor para cada ambiente?

Para a escolha da Temperatura de Cor em um projeto não existem soluções padronizadas. Em


cada trabalho deverá ser tomada uma decisão após o estudo criterioso do espaço, das funções
que engloba, das cores e texturas predominantes e dos objetos existentes. Esta análise é que
determinará a Temperatura de Cor adequada. Por exemplo: em uma loja que comercializa
jeans sofisticados, lâmpadas com tonalidades frias valorizariam o azul das peças. Em um
ambiente onde predomina o amarelo, as lâmpadas quentes seriam as mais indicadas. Mas não
se esquecendo de escolher produtos com IRC acima de 80%.

Ambientes com cores escuras podem ser modificados pela luz?

A cor é o resultado do reflexo da luz, que não é absorvido por determinado pigmento. Por
exemplo: o amarelo absorve todas as outras cores e reflete somente o amarelo, e assim por
diante. O preto absorve todas as cores e o branco reflete todas elas.
A luz não pode clarear algo que, por natureza, é escuro. Se pintarmos um ambiente de
marrom escuro, a luz apenas revelará esta cor. Portanto, ao projetar algum espaço, leve em
conta este fator e escolha tonalidades adequadas.

I - Em especial da psicologia das cores primárias: amarelo, azul, vermelho.

A certamente muito de relatividade na psicologia de cor para cor. Em vista de serem muitas as
cores, o assunto se embaralha, até mesmo por causas da participação de umas cores na
formação de outras.
Didaticamente, importa cuidar primeiramente das cores primárias, para sair depois para
detalhes das derivadas e para outros detalhes mais.
Psicologia do amarelo. Funda-se a psicologia do amarelo nas feições físicas desta cor
eminentemente luminosa e brilhante, situada acima da intensidade normalmente exercida pela
vista, cor entrante a sair ao encontro de quem a observa.
Além disto, o amarelo pode despertar associações de imagens, que mais uma vez fundam a
psicologia desta cor.
Há, pois a considerar a psicologia do amarelo em dois tempos, - ao aspecto meramente
psicodinâmico, de interesse da pintura em prosa, e depois ao aspecto associativo, que oferece a
possibilidade da pintura em poesia.
A psicodinâmica do amarelo é fortemente determinada pela sua intensidade de luz.

O amarelo pode tornar-se desagradável à medida que se aumenta a sua área. Sua presença
poderá ser chata, como a do indivíduo chato por causa de seu insistente conversar.
Em pequenas áreas o amarelo se apresenta agradável. Esta graduação o torna aceitável como
objeto proporcionado à vista.
Considerando que a decoração é menor que o todo decorado, serve, portanto, o amarelo como
elemento decorativo. Isto ocorre nas construções, em cujas decorações costuma estar presente.
Presta-se como fundo claro para objetos escuros, nas vitrines, por exemplo. A muita
iluminação prejudica o amarelo, retirando-lhe beleza.
A luminosidade provoca a energia e os estados estimulantes. Por isso, em paredes se utiliza um
amarelo não muito luminoso. É impossível em pisos, porque parece sair ao encontro. Mesmo
quando discretamente usado na decoração dos ladrilhos, estes parecem arrogantes, pelo muito
que parecem falar.

Os elementos associativos do amarelo se constituem das imagens capazes de despertar.


Conforme as leis da associação das imagens, umas se dão por semelhança, outras por
contraste, enfim outras por vivência.
O amarelo simboliza o ouro, por causa de sua semelhança com este metal. Nestas condições
pode aparecer como cor nacional.
Associam-se o amarelo facilmente ao Sol. Através deste, que é motivo de excitação, o amarelo
inspira bom humor e alegria.
A raiva, a ira, os impulsos em geral, enquanto são vida, podem ser sugeridos com o amarelo.
Misturado com o preto, o amarelo se torna repulsivo, por causa de sua tonalidade verdosa e
escura. Nestas condições se aproveita para indicar doença, desprezo, dificuldade, ruína,
decadência.
O amarelo claro pode associar a alegria e até ao misticismo, como se observa nos halos dos
santos bizantinos e góticos.
Desperta sensação térmica; por isso, o amarelo se diz cor quente. Dentre as cores quentes, é
todavia a menos quente. Poderá, entretanto, ser a mais leve.
Outros e outros elementos associativos decorrem do amarelo, quando visto no quadro geral da
harmonia das cores.
Psicologia do azul. As condições que determinam a psicologia do azul estão em sua fraca
luminosidade e pouco brilho, que se situam mais ou menos na linha desejável pela vista. Por
esta razão, o azul não cansa e tende a tranquilizar.
Apenas o azul bem carregado, com tonalidades escuras tomadas ao preto, oprime; com
tonalidades claras o azul se alteia no agrado à vista. Com estas tonalidades claras, o azul
admite áreas amplas, sem cansar o apreciador; é o caso do céu vastamente azul por efeito da
camada imensa do ar puro, sem umidade e sem nuvens.

Penetra o azul o plano sobre o qual se encontra. Por isso, alarga os ambientes. Fogem os
fundos, tal como também sucede por efeito do violeta e do verde. Os recintos pintados de azul
parecem grandes.
Apresenta, contudo mais brilho o azul, que o verde e o violeta; por esta razão os efeitos
psicodinâmicos do azul são insistentes na direção das cores quentes, mais do que os efeitos das
cores frias, como o violeta e o verde.
Recomenda-se para as paredes cores com tons azuis ou verde-claros. Desrecomenda-se o
amarelo, sobretudo em climas quentes.

O associativo do azul ocorre amplamente, por causa do céu azul, do mar azul e das
semelhanças psicodinâmicas entre as qualidades desta cor e várias situações humanas.
O azul do céu associa à serenidade, a meditação, a santidade, a perfeição, o infinito, a
eternidade, a oração.
O azul do mar (azul-marinho) associa-se com a vastidão, a profundeza, o mistério, o místico.
A tranquilidade do azul assemelha-se à diversas situações humanas e que por isso são
associadas. Por este lado, o azul se associa com a felicidade (que é tranquila). Na expressão
"tudo azul" ocorre a associação de "tudo bem", "tudo feliz".
De maneira geral, nos resultados estatísticos o azul é a cor preferida, seguida pela vermelha,
verde, branca.
A característica dos olhos azuis, mais frequente entre os nórdicos (germanos e eslavos), é
prestigiosa, não somente pela raridade, mas também pelo apreço geral dado ao azul, bem
como ainda porque se trata de uma cor, o que não acontece com o preto dos demais olhos.
Sangue azul indica os nobres, mais raros. Em nossa era republicana a inutilidade ingênuas,
dos que ainda se consideram nobres, já não prestigia tanto quanto antigamente a cor azul, mas
contribui para a curiosidade dos imbecis.
Psicologia do vermelho. Os elementos objetivos determinadores da psicologia do vermelho são
particularmente a sua luminosidade e brilho, figurando, ao lado do amarelo e do laranja, entre
os cromas desta natureza.
É ainda o vermelho uma entrante, vindo ao nosso encontro. Procede dali sua capacidade para
diminuir ambientes. O resultado final é sua alta pomposidade.
Pela intensidade de luz e brilho, o vermelho desperta na vista uma solicitação acima do estado
desejado desta. Reclamando do apreciador mais vida e ação, o vermelho, o vermelho estimula,
traz vida aos ambientes, desperta alegria, está presente nas diversões, move a ciranda das
festas.
Entre brinquedos, quando em tudo o mais é igual, menos na cor, a criança escolhe o vermelho.

Agradável à vista, o vermelho, cansa depois de muito tempo, exatamente por causa de sua
excitabilidade acima da média desejável para o exercício dos olhos.
Ameniza-se a ação do vermelho, reduzindo-lhe a área. Nas decorações equilibradas ocupa
sempre espaços menores. Não se presta, portanto, para cor de fundos amplos.
Mas é o vermelho a cor certa quando se busca diretamente o efeito excitante, e extraordinário.
Este é o caso dos vermelhos comemorativos de grandes festas, com efeitos em vermelho,
amplas cortinas ou toalhas vermelhas. Ainda é o vermelho a cor dos carros dos bombeiros; é o
vermelho a cor dos quartéis destes soldados do fogo. Enfim a dinâmica e excepcionalidade do
vermelho serve como advertência de perigo, nas estradas e casas de grandes maquinários.
Do ponto de vista terapêutico, a cor vermelha é aproveitada com o fim de estimular os
introspectivos, estimular as mentes oprimidas, soerguer os desânimos, aumentar a tensão
muscular e a pressão arterial.
Se o deprimido colocar um chapéu vermelho brilhante será logo notado pelos que o cercam.
Estes então o estimularão. Já ele mesmo, consciente do que tem sobre a cabeça, se animará por
si só. Mas, se inconscientemente insistir na sua depressão usará preto ou cores sombrias.
Para os maníacos o vermelho age com psicodinâmica excessiva, como a morfina e o
clorofórmio; devem neste particular os maníacos ficar sob controle, metendo-os de preferência
em ambientes azuis. Evita-se, pois, o vermelho para os que precisam de repouso, diminuição
de atividade, descanso mental, meditação.
O vermelho é impróprio para ambientes de estudo, porquanto induz ao movimento e não à
calma contemplação.
A intensidade do croma vermelho excita os elementos viris. Diversamente o aclaramento do
vermelho, para formar a delicada cor de rosa, ameniza o vermelho saturado, encaminhando-o
na direção da índole amorável graciosa do feminino.

O associativo do vermelho é dos mais bem definidos na psicologia das cores.


Apresentando-se o vermelho em menor quantidade na natureza que o amarelo e o verde, ele é
por isso bem marcado, e consegue determinar vivências específicas.
As flores, - tão prestigiadas pela natureza, - não são dominantemente vermelhas; mas as que o
são, por isso mesmo, se destacam enormemente.
Os frutos, na maior parte são verdes numa fase, alaranjada noutra; menos vezes são
vermelhos, como acontece, contudo com o caqui e o tomate, a maçã e a pitanga, que
consequentemente passam a se destacar. Por isso, o vermelho, nas vivências associativas,
consegue feições mui bem determinadas, na natureza.

Ainda ocorre a peculiar situação do vermelho do sangue e da carne a descoberto; eis outro
motivo para a criação de elementos associativos bem determinados. A tudo isto se associa
ainda as impressões térmicas do vermelho, quer no fogo mais vivo, quer no ferro em brasa.
Enfim, por efeito do sangue a circular nas veias capilares da superfície do corpo,
avermelhando-o ligeiramente, este efeito cor de rosa influencia subtilmente a psique humana.
O referido fenômeno associa o vermelho com o sexo e a expressividade geral dos corpos nus
dos amantes.
O rosa delicado das faces femininas é geralmente acentuado na direção do vermelho pela
maquiagem. A paixão violenta e a paixão amigável, outra vez encontram associações como o
vermelho, enquanto este é cor excitante e entrante.
Por isso tudo, o vermelho é apreciado pelas personalidades dinâmicas tanto em negócios como
em atividade sexual. Um teste aplicado em Londres provou que 76% dos homens associa a cor
vermelha ao sexo.
As analogias e vivências associativa do vermelho, cuja psicologia se revela bem definida e que
por isso mesmo é enérgica.

O vermelho do sangue, o vermelho da ação, o vermelho da luta, o vermelho do amor se associa


entre si, e por isso fazem do vermelho um símbolo, que nas bandeiras das batalhas, quer na
cor símbolo da violenta dialética marxista e das esquerdas, quer na cor do anel do advogado
que defende e acusa, quer nas representações de santos e anjos figurados a combater o diabo.
O vermelho, com que se pinta o coração, se deve à cor natural do coração, mas também a
associação que o vermelho exerce com a paixão, o carinho e o amor, mesmo do coração
materno.
A púrpura (vermelho-violeta), que foi o símbolo da realeza romana, parece associar
conjuntamente as qualidades viris do vermelho e a respeitabilidade do azul. Por isso a
púrpura também aparece no vestuário dos chefes das religiões (por exemplo, a católica), com
arremedos de poder, seja espiritual, seja inclusive temporal.
O vermelho é também ativante da sexualidade.

II - Psicologia das cores derivadas.


A difusa presença das mais variadas dosagens de ondas luminosas, provoca uma
correspondente psicodinâmica e associatividade muito diversificada. Este complexo fenômeno
da natureza gera efeitos sobre a psique das pessoas, as quais por sua vez também se
diversificam internamente pela índole temperamental, bem como ainda pela formação do seu
caráter e cultura.
Psicologia do verde. A psicodinâmica da cor verde, constituída por ondas de azul e de amarelo,
ao lado do azul, coparticipa das propriedades de seus componentes, ainda que em escalas
diferenciadas.
O verde, ao lado do azul, é uma dentre as cores que exercem importantes funções psicológicas
moderadoras. Ainda que o amarelo e o vermelho, pela sua grande luminosidade, possuam
forte poder de expressão, esta função a exercem em situações especiais. As cores normais para
o desejo da vista são o verde e o azul.

Dali decorre a psicologia repousante do verde.

Há um evidente esforço do homem inteligente, no sentido de se amparar contra a fadiga,


apelando ao verde, ou seja, ao verde nos interiores dos edifícios, ao verde das mesas de bilhar,
ao verde dos tapetes, ao verde da relva dos jardins, ao verde dos campos, ao verde da natureza
em geral.
Multiplicadas as construções de cimento e ferro, diminui a presença calmante do verde
natural; dali a iniciativa da compensação artificial pelo verde nos recintos, residenciais e
fábricas, nas avenidas largamente arborizadas e praças de muitas árvores.
A associatividade do verde encontra excelentes oportunidades na sua vasta presença na
paisagem e na natureza em geral. A principal associação é a do verde como vida. Confirmam-
no todos os testes.
A circunstância que liga o verde à natureza lhe empresta um caráter evidentemente poético.
Basta a visão do verde, para que ele prontamente estimule o surgir de mais imagens.
Encontram-se na natureza as mais diversas modalidades de sugestões e que ingressam pela cor
verde.
A psicologia, cujo ecossistema é representado principalmente pela vegetação, mais uma vez é
associada pelo verde. E assim o corporativismo político dos ecologistas passou a ser conhecido
como: "Partido Verde". Mas é possível buscar o verde sem corporativismo!
Também a paz é sugerida pelo ramo verde no bico de uma pomba.
Finalmente, a campanha da língua internacional Esperanto coloriu de verde a sua estrela de
cinco pontas.
Movimentos verdes - a ecologia, a paz, o Esperanto - constituem os movimentos dos mais
puros do tempo que vivemos.
Pelas condições psicológicas de que dispõe o verde, passou a se estabelecer como símbolo da
esperança. Através deste simbolismo, sempre novas evocações e associatividades ingressam no
visor da fantasia humana.
Psicologia da cor laranja. Resultante da fusão de vermelho e amarelo, a cor laranja tem sua
psicologia determinada pela sua feição de alta luminosidade e brilho, acima da intensidade
admissível normalmente pelos olhos.
Também é cor entrante, que sai ao encontro de quem a aprecia.
Em todas estas condições, o laranja participa das peculiaridades do amarelo e do vermelho,
ainda que em graduações diferenciadas.
Pela sua intensidade e brilho, a cor laranja estimula e excita, obrigando os seus apreciadores a
maior ação. Por isso, o alaranjado é apenas utilizado como decoração (área menor) nas
superfícies de exposição permanente, a fim de não cansar.
Em situações apenas ocasionais como de um vestido feminino para festa, laranja pode ser de
bom efeito.
É cor que avança ao mesmo tempo em que brilha, de sorte a ser impositiva e eloquente.
Misturado com algum preto o laranja perde a luminosidade e com isso as mencionadas
propriedades dinâmicas. Imprime, então, estabilidade.
Tende o dinamismo do laranja a ser "externo", ao passo que o de vermelho a ser "calor
interno".
O maior brilho do laranja, efetivamente conduz a uma forte dinâmica, que é mais exterior e
mecânica, do que interior.
Por isso, a cor laranja é mais festiva, sem intenções segundas, como o vermelho.
É mais ingênuo e inocente.
Associatividade do laranja. As associações de imagens, além de sua psicodinâmica, enriquecem
a cor laranja.
Muitos objetos da natureza se apresentam alaranjados, e que por isso passam a se associar
como vivência do nosso dia a dia. Quando maduras, associam-se ao laranja as frutas. E entre
elas uma das mais apreciadas leva seu nome.
Laranja; é às vezes a cor do sol.
Também cor laranja é o ouro. Este metal é um amarelo-laranja, que se associa aos valores em
geral. O amarelo-laranja é a cor real, a cor da riqueza, a cor do poder.
O laranja, sobretudo o claro, como o rosa carne, sugere a volúpia. O sentimento vagamente
voluptuoso ocorre quando este alaranjado rosa-carne e usado no forro das vestes festivas, ou
nas peças delicadas das roupas de baixo, porque em tais condições atrai as imagens dos
mesmos corpos. A sensualidade do laranja é suave e se apropria para o exercício normal da
sexualidade.
Outras e outras vivências podem associar o laranja e que enriquecem a sua psicologia e o valor
do seu uso na vida e na arte.
Psicologia do violeta. A situação física da cor violeta explica muitas de suas peculiaridades
psicológicas.
É a mais escura das cores binárias, sendo pois vizinha do preto (ausência de cor e de luz).
Resultante do vermelho e azul caminha para o apagamento. Não excita senão parcialmente a
vista, retendo-se muito aquém do estado normal da luminosidade desejada.
O violeta é, pois, uma cor negativa, embora ainda não como o preto. A presença parca da cor
empresta ao violeta uma significação peculiar de moderação.
Geralmente a cor violeta é solene para as situações sérias. A solenidade lhe advém exatamente
porque apresenta alguma cor, que se oferece com moderação de luminosidade. O preto é
também frio, mas não exerce a solenidade e as significações das cores frias.
Igualmente o azul é frio e solene; mas o violeta, mais frio, é de uma solenidade mais profunda,
que a solenidade um tanto eloquente do azul.
As expressões que o violeta exibe se apresentam mais duras, quando em tom escuro, ou de
cromatismo intenso. Elas são mais delicadas, quando em tonalidades mais claras.
Agora se avalie o uso do violeta no forro das vestimentas. Sempre será frio e negativo, quando
escuro; delicado, quando claro.
Em ambas as hipóteses, - escuro e claro, - violeta se apropria como luto.
Associatividade do violeta. Do ponto de vista associativo, a cor violeta quase não conta com
associações oferecidas pela natureza viva.
É, portanto pequena a criação de imagens associadas ao violeta e que se encontre neste campo.
A pouca luminosidade e o pouco brilho fazem do violeta uma cor fria e pesada, envolvendo
estas e outras conotações.
Há imagens associadas ao violeta, que ocorrem por convenção. Depois de erguido em símbolo,
o violeta começa a associar tudo o que se prende ao novo tema.
Convencionado o violeta como a cor da penitência (quaresma), das comemorações fúnebres,
do luto, passam estas situações a fazer parte, por associação, do violeta. Agora, o violeta
associa tristeza, misticismo, mistério, sofrimento, indecisão.
Também se associa a cor violeta com a saudade. É que algo se similar ocorre entre o fluir do
sentimento da saudade e o violeta sem ação.
Finalmente o violeta se associa com a idade provecta, com a velhice, com o idoso.
III - Psicologia do branco.
Ocorre no branco a presença nele de todas as cores. Esta estrutura cromática do branco dá-lhe
uma incidência brilhante e luminosa, capaz de agir de maneira insistente sobre a vista.
O branco é também uma cor entrante, que vem ao encontro de quem a observa, ao contrário
das cores profundas.

O branco participa desta sorte, à sua maneira, das qualidades das cores de condições
similares, portanto das qualidades do amarelo, vermelho, laranja.
Em tais condições, o branco desperta ação e alegria. Esta propriedade é exercida, sobretudo
em áreas menores.
Ao contrário, em áreas maiores o branco tende para o frio, particularmente quando não muito
iluminado. Exerce então um efeito particularmente suavizante.
É bem notório este efeito em cortinas delicadas e em véus de noiva.
Ocorrem certamente preferências. Alguns de dizem entusiastas do branco e o adotam
amplamente. Mas, na dominância, para uns e outros, o branco tende a diminuir de influência
à medida que sua área cresce.

Nas fábricas recomenda-se o chão claro. O teto em branco refletirá a luz com intensidade. As
paredes, embora claras devam ser tomadas por tons azuis ou verde-claros. Somente as
máquinas terão destaque mediante cores mais vivas, sobretudo nas partes mais perigosas.
Evitando-se os efeitos do preto e das cores escuras, diminuem as ocasiões de acidentes. Objetos
pretos pesados parecerão mais leves se receberem tintas estimulantes.

A associatividade oferece excelentes oportunidades ao branco.


Sua limpidez pode sugerir inocência, pureza, verdade, honestidade, integridade. Por isso, o
branco será sempre o símbolo da virgindade ingênua em que se alimenta o folclore dos
casamentos ricos em véus e babados.
Vagamente, o branco associa o silêncio, a leveza, a paz, a tranquilidade, a calma, a segurança,
a distinção e mesmo o prestígio, a superioridade.
Participam destas associações as tintas, quando tendem para o claro (isto é, misturadas com
branco). Participa o branco na harmonia das cores; mas sobre a harmonia das cores
cuidaremos mais a frente.
IV - Psicologia do preto e cinza
O preto, considerado em absoluto, é sempre negativo. Nas harmonias somente exerce funções
positivas; mas destas trataremos oportunamente; agora perguntamos pelo valor psicológico
em si mesmo, em absoluto, do preto.
Como ausência de toda a luz, o preto não exerce, por definição, nem brilho, nem intensidade,
nem outra qualquer propriedade da luz. Em áreas menores, em função à outras cores, o preto
funciona com agrado, que diminui com o crescimento da área.
A moderação decorrente das áreas pequenas oferece ares de distinção, solenidade. Por isso, as
roupas integralmente pretas, para terem melhor efeito devem ter algumas áreas brancas
(colarinhos, punhos exposição da peça clara).
A falta dos elementos oferecidos pela cor e pela luz faz do preto, por ausência, algo negativo,
opressivo, indesejável. Dali também resulta o medo, a angústia, o pânico. As mulheres e as
crianças, mais sensíveis, poderão chorar e fugir.
A noite escura apavora particularmente as pessoas impressionáveis e de pouca estabilidade
emocional.
O preto é usado como protesto, como contrário da receptividade revelada pelas cores em geral,
sobretudo pelo amarelo. Há quem observe que o preto é sobretudo uma cor do protesto
teimoso.
Os elementos associativos do preto são numerosos e bem definidos. São particularmente
pessoais, de acordo com as vivências de cada um.
As discordâncias raciais entre brancos e pretos podem eventualmente ocorrer por associações
que unem a cor a uma situação cultural diferenciada das duas etnias. Desaparecidas estas
conotações por efeito da miscigenação, também diminuirão as discordâncias de natureza
psicológica. Como se sabe, as diferenciações genéticas ocorreram em consequência do
isolamento dos grupos no passado; uma vez desaparecido este fator, voltará a ocorrer a
unidade do gênero humano, ainda que muito lentamente.
Por associação a "cor" preta lembra a noite.
Como ausência da luz o preto pode associar o vício, o pecado, o luto e a morte, que também
são ausências de algo. Por isso, nas religiões que operam com simbolismos, o uso do preto está
muito presente.
O cinza se coloca numa posição intermédia entre as cores É o meio termo entre as cores
complementares. Exerce uma posição intermédia particularmente entre as qualidades do
branco e do preto.
Comporta-se o cinza como a sombra, entre a luz e a ausência de luz, moderando sempre, mas
nunca fazendo contraste violento.
A qualidade moderadora do cinca se deve ao seu meio brilho, meio preto, meia luz, quase meia
cor.
Na mencionada condição de pouco brilho, o cinza produz a situação psicológica da moderação,
sobriedade, sossego, tranquilidade, distinção (particularmente masculina), modéstia,
humildade.
Nas harmonias com ocres excessivamente fortes a presença do cinza produz alívio e satisfação.
Associatividade do cinza. Por associação, o cinza pode lembrar a tristeza da tarde de chuva, a
cinza da lenha queimada, as superfícies ásperas, a humildade, o frio, a tristeza, o gosto
salgado.

V - Cor e sexo.
Cores específicas, a partir do vermelho, influenciam psicologicamente e associativamente a
sexualidade.
Os sonhos eróticos costumam ser belamente coloridos, neles as cores cooperando para com
uma das satisfações mais peculiares do ser humano.
Insere-se também aqui a questão do nu artístico, gênero deslumbrante, muito apreciado desde
a Renascença.
Os fenômenos mencionados, - que mostram como fato as relações entre cor e sexo, - são,
todavia mui complexos, porque se dão pela via dos reflexos condicionados. Neste processo tem
participação a associatividade das imagens, em que objetos, como por exemplo, as cores,
provocam sensações capazes de ter como resposta, no sistema nervoso central, o desenrolar da
ereção e de seu estado subsequente de satisfação.
Num primeiro tempo atua o reflexo incondicionado da ereção. Este depende apenas do tato,
diretamente exercido sobre os terminais do nervo erótico, que se comunica com a região sacro-
lombar. Desta região central procede necessariamente a resposta eretora com efeito principal
sobre os órgãos sexuais, nos quais ocorre a pressão obstrutora do sangue.
No homem este efeito erotizante é mais localizado, Na mulher tende a atingir mais amplamente
todo o organismo.
Num segundo tempo ocorre a formação do reflexo condicionado, conectando causas e efeitos
em si mesmos não conectados. No primeiro tempo, - o do reflexo incondicionado, - a cor é
indiferente ao sexo, não podendo através da vista excitá-lo. O nu, por ser apenas visual, é, em
princípio, indiferente ao sexo.
Mas o exercício do sexo em circunstâncias em que participam as cores as condiciona. O
exercício do sexo importa em nudez, o qual, em consequência, se pode condicionar ao sexo.
Com o decurso do tempo as cores e o nu de tal maneira se ligam ao sexo, que já podem
despertá-lo, mesmo sem o uso do tato direto sobre os terminais nervosos específicos da
heroicidade.
A educação e os hábitos em geral formam de diversa maneira os reflexos condicionados.
As cores, entrando neste condicionamento, servem depois de estímulo sem que por natureza o
sejam.
Dependendo o reflexo condicionado de uma atitude do próprio indivíduo, chega-se à conclusão
que a sexualidade das cores, neste particular, é também variável.
O nu é altamente sexual, quando ele é visto apenas por ocasião do ato sexual. Assim também as
cores facilmente associadas a ele podem tornar-se muito sexuais.
Mas o nu tornado onipresente, portanto condicionado também a outras motivações, perde
uma parte considerável daquela sexualidade condicionada característica das pessoas
denominadas pundonorosas.
O artista plástico e todo o apreciador da arte plástica têm também outras preocupações no
corpo nu, por exemplo, a esteticidade das formas humanas vistas em sua totalidade e em todo
o seu suave colorido.
Por isso, os condicionamentos neste caso assumem mais direções, quer na visão do nu, quer na
visão das cores. Ainda que incluam a sexualidade, - pois não há porque excluí-la, -
desenvolvem um complexo de sensações psicodinâmicas certamente mais rico.
Os artistas mais fantasiosos se imaginam que o céu dos justos e das virgens será um festival
espetacular de nudez, onde tudo será apreciado como maravilha da criação divina, sem que
ninguém perca a cabeça.
É curioso observar, que, no mundo dos animais brutos, as fêmeas possuem cores menos
incisivas, que de outra parte lhes dá natural proteção dos inimigos da espécie. A função pro
criativa da fêmea e sua menor capacidade de luta a tornariam vulnerável, se fosse
eminentemente colorida. O descolorido da fêmea animal poderá ter ocorrido por efeito da
seleção, e não por finalismo.
Inversamente, os machos animais são geralmente mais coloridos e belos. Atendem por isso
mesmo à sensibilidade feminino animal.
Voltando ao plano dos seres humanos, parece evidente que as mulheres tendem notoriamente
para o perfeito e o belo; aliás, o belo se define como a perfeição em destaque. Tudo isto parece
advertir que os homens mais cuidadosos de sua aparência agradam mais às mulheres.
O vermelho é a cor mais excitante do ponto de vista sexual. A maquiagem das pessoas
sexualmente mais ativas tende para o vermelho, em especial para cor de rosa. Quem quiser
passar por sexy use cores vermelhas e acentue a vermelhidão dos lábios.
A sexualidade do vermelho se começa a perceber na própria pele, cujos tons vermelhos se
acentuam com a presença do sangue. Desde os indivíduos quase pretos da raça negra até os
mais brancos das outras raças todos contém alguns pigmentos de vermelho, que se manifestam
até na fotografia e na pintura perfeita. A rigor não há senão raças vermelhas, isto é, com tons
avermelhados da pele.
Nos condicionamentos colorísticos dos nus, é principalmente o vermelho que impressiona, e
que no corpo despido assume colorações as mais diversas na direção do suave. Testes têm
revelado que mais impressiona o sexo feminino através do colorido rosa.
O vermelho da pele, em qualquer de suas dosagens, costuma ser prejudicado pela melanina,
que a luz solar desenvolve na pele, conduzindo ao bronzeado ou mesmo ao preto.
É sensual principalmente o vermelho dos objetos moventes, como das vestes bandeiras e todas
as espécies de imagens em ação. O vermelho teatral é pois mais sensual que a luxúria de uma
tela estática.
O grau de saturação cromática influencia as modalidades de sensualidade do vermelho.
Ocorrem diferenças entre as estimulações do vermelho frio e do vermelho quente, do vermelho
cromaticamente saturado e do vermelho menos saturado (cor de rosa). São uns mais excitantes
e outros menos, uns mais enérgicos e outros menos.

O masculino e o feminino nas cores. A variação maior de mulher para mulher, que de homem
para homem, resulta em se ter de destacar a diferença da sexualidade das cores num e noutro
sexo.
Mas é preciso não exagerar. É inválida a antiga imagem dos sexos como indivíduos
simplesmente opostos, apenas complementares. Possuem ambos os mesmos órgãos sexuais. As
diferenças se dão apenas como leque que abre para a direita ou para a esquerda, conforme as
inibições e não inibições biológicas que se deram nestes órgãos.
Devemos, contudo aceitar a existência desta margem de diferença, ainda que sob a forma
acidental de diferentes equilíbrios de intensidade. Essencialmente nada há no homem, que
também não haja na mulher, e assim nada há na mulher que essencialmente também não
exista no homem.
São, portanto teoricamente possíveis as reversões, como de fato acontece normalmente em
alguns animais, que numa fase se exercem como masculinos, noutra como femininos;
patologicamente a reversão também pode ocorrer, no todo, ou em parte, nos humanos, -
mulheres que se desenvolvem como homens, e homens, como mulheres.
A psicologia masculina da cor tem contato com a psicologia feminina, e também inversamente.
O mesmo que sensibiliza ao homem, também sensibiliza à mulher, apenas com diversidade de
grau.
O homem e as cores. Em vista de ser geralmente mais raciocinativo e calculista para obter
resultados, o homem se inclina menos para cores. Por isso a preferência masculina pode
manter-se nas cores menos luminosas, inclusive no cinza e no branco.
Não obstante, o homem se afeta pelas cores mais brilhantes e estimulantes, quando as encontra
na mulher, porque assim a identifica sexualmente. Aproveita-se racionalmente desta
identificação feminina para galanteá-la.
E assim ele mesmo, o homem, poderá colorir-se para galantear a mulher. Então a cor está
sendo usada como um expediente calculado para obter um resultado.
É curioso lembrar que a gravata pode assumir o caráter de símbolo fálico sublimado, quando
o homem a usa espontaneamente ao sair para a conquista de uma parceira. Nesta condição a
usará de preferência na cor vermelha, e não preta, nem escura.
A mulher e as cores. É notória a preferência feminina pelas cores fundamentais, ou primárias
(vermelho, azul, amarelo).
Dentre as cores derivadas, prefere as secundárias (laranja, verde, violeta), que mais
imediatamente derivam das primárias, porque são mais luminosas e estimulantes. Mais
dificilmente dá sua preferência às cores terciárias, que resultam da mistura de três, em que os
pigmentos absorvem parte do brilho, deixando mais apagados os tons de vermelho, amarelo,
azul.
A mulher se sensibiliza mais depressa pelas cores que o homem. Onde ela está presente, o
ambiente e mais colorido. Assim acontece, tanto pelo modo como se compõe a si mesma, como
pelos arranjos decorativos que teve o cuidado de providenciar para o seu arredor.
O detalhe da psicologia das cores é mais difícil de ser determinada para o sexo feminino, que
para o masculino.
O homem é mais unitário; o que vale para uns poucos homens, vale geralmente para a maioria
deles. O homem é sexualmente muito ativo, raramente um homem se faz rogado às solicitações
femininas, porque praticamente todos são igualmente muito eróticos e conquistadores.
Diversamente as mulheres se diferenciam bastante entre si, - com já foi advertido.
Um terço das mulheres é sexualmente quente; não são mulheres para se fizer de rogadas, nem
no real, nem na brincadeira. Funcionam com um virtuosismo sexual sem defeito.
Outro terço de mulheres é sexualmente moderada. Precisam elas ser galanteadas, para se
sentirem lisonjeadas.
O último terço das mulheres é de sexo frio, e acha até que a virtude está na rejeição sexual.
São as que em outros tempos enchiam os conventos, em vez de se auto-estimularem na virtude
própria da condição feminina.
Assim sendo, a psicodinâmica da heroicidade feminina das cores é mais difícil de estabelecer.
Também as vivências mudam de mulher para mulher, pois enquanto umas se entregam a um
admirável artesanato de cultivo estético de seu corpo e do ambiente de sua casa, outras se
cobrem vastamente e se dizem esposas místicas de Jesus.
A mulher se ocupa com as cores, em primeiro lugar porque certamente possui uma
sensibilidade estética quase generalizada. Este motivo estético é em todas maior que o motivo
erótico, ou pelo menos tanto quanto..
Mas o referido terço de mulheres quentes, cuja virtude é dar curso eficaz à sua admirável
espontaneidade sexual, usa também a cor como um atrativo sexual subtil.
O belo é o preferido, afirma Aristóteles. As cores são belas e podem atrair aos homens. Sempre
que a mulher procura atrair aos homens, o que mais a preocupa é a cor, porque esta a
identifica. Trata da cor dos cabelos, das faces, dos lábios, das unhas, das vestes, dos sapatos.
Sobretudo apela às cores cuja psicodinâmica mais desperta a heroicidade, com o vermelho e o
cor-de-rosa, além de estar atenta às cores luminosas, quentes, excitantes.
Mas, aquele terço de mulheres, sexualmente frias, não deixa de ser sensível à esteticidade geral
das cores.
É necessário um motivo ideológico muito grande para que uma mulher rejeite as cores em
troca do preto. Isto pode explicar em parte o fenômeno da mulher vestida inteiramente de
preto. É este o caso da monja, que se considera morrida para este mundo. Ou da mulher
casada, morrida para os demais homens.
Cor e ostentação. Acontece haver um número notável de homens e mulheres com tendência à
ostentação. E um dos principais recursos da ostentação é a cor, além da riqueza exteriorizada.
Nesta tendência de ostentação entram sobretudo as mulheres, muito especialmente as
mulheres quentes, e até certo ponto também as sexualmente moderadas.
As ostentações ou exibições contêm um quê de generosidade, porque agradam aos olhos de
quem quer seja.
Acontece por vezes o seguinte: o homem galanteador se dirige à mulher, calculando que tanta
ostentação é feita com vistas a atraí-lo. Mas, na verdade, aquele galanteador tinha diante de si
apenas uma mulher fria, cuja apresentação estética não tinha como móvel senão a exibição
estética.
Há, pois, exibições femininas apenas estéticas, ao lado de outras que são a um tempo estéticas e
eróticas.
Os homens cuidem, - no seu relacionamento com as mulheres, - para, em cada caso, identificar
o que está acontecendo.
Assim evitarão ter decepções pessoais e nem criarão constrangimentos às mulheres,
costumeiramente zelosas, - geralmente mais zelosas que eles, - do belo, do perfeito, do bem
ético.
Conclui-se sobre a psicodinâmica das cores, que elas agem de maneira expressiva e muitas
vidas sobre o pique humanam.
Dado este variado potencial das cores, - tudo isto deve ser considerado na arte da pintura.
As cores, tanto podem agradar esteticamente, como criar repulsa, ainda que cada cor
individualmente apresente alguma beleza.
Os efeitos psicodinâmicos da cor são de grande volume e mui diversificados. E tudo isto
acontece, por causa da predominância da vista sobre todos os demais sentidos.
Notou-se também a dificuldade oferecida pelo estudo da psicodinâmica das cores. E agora o
motivo está em que as cores são em grande número, e cada uma com um leque de
propriedades, quer no campo da luminosidade, quer no da cromaticidade.
E o que foi exposto ainda não é tudo no campo da psicologia, porquanto o fenômeno da
harmonia das cores ainda muito oferece à pesquisa, e que importa ao exercício perfeito da arte
da pintura.

HARMONIA E RITMO DAS CORES


As cores também interagem, gerando harmonias, ora mais felizes, ora menos, como ainda se
movendo substituindo-se, criando então ritmos variados.
Dois são, por conseguinte os temas que agora se apresentam, e que são dos mais significativos
para a estética das cores:
Harmonia das cores;
Ritmo das cores.
No primeiro plano se consideram as cores em sua diversidade específica, as quais interagem
mutuamente do ponto de vista meramente colorístico, podendo harmonizar-se.
No segundo se considera a sucessão material das cores no tempo, de novo podendo ser
subordinadas a certa ordem, que lhes dê um ritmo adequado, para a apreciação do apreciador.

Harmonia das cores.


O questionamento sobre a harmonia das cores importa no seguinte sequencial de tópicos, para
tratamento didático do tema:
Conceito de harmonia, tônica e acorde das cores;
Harmonia tripla;
Harmonia complementar, ou dupla, ou oposta;
Harmonia análoga, ou aparentada.
Harmonia de intensidade de brilho das cores.

I - Conceito de harmonia, tônica e acorde.


Harmonia das cores se diz preferencialmente das cores em estado simultâneo. Como
linguagem, harmonia procede do grego, significando genericamente ordem e proporção.
Melodia das cores se diz, sobretudo do seu em estado sucessivo. Também derivado do grego ,
melodia é linguagem típica da música, significando o relacionamento sequencial agradável dos
sons.. Esta melodia também pode ser imaginada entre as cores quando vistas em sequencial
adequado.
Contraste é um elemento da harmonia, e que indica uma situação de oponência, explorada no
ordenamento de um conjunto. Similar é a expressão realce. Assim há na harmonia das cores
contrastes e realces.
Num todo, cada cor, além de sua ação psicológica individual provoca atitudes diferenciadas
conforme a combinação criada.
Por exemplo, o vermelho determina um comportamento junto ao verde, que é diferente
daquele ocasionado junto ao laranja. Importa, por conseguinte, examinar as propriedades
psicológicas das diferentes cores quando relacionadas entre si.
As relações entre as cores se podem dar entre cores simultâneas, como tratamos aqui, sob o
título de harmonia das cores, e entre cores sucessivas no tempo, isto é, em movimento, como
logo a seguir.
Tônicas e acordes. Tal como nos sons, também nas cores há uma escala, com tônicas e acordes.
Na composição dos sons em uma escala, um dos sons se exerce como tônica, em função ao qual
se dispõem os demais.
Os sons consonantais se agrupam em função à tônica, de tal maneira que elaboram um
conjunto peculiar que recebe a denominação de acorde. O quinto tom se denomina dominante,
o quarto subdominante, o terceiro mediante, o segundo sensível.
As cores admitem uma composição semelhante ao acorde musical em que uma se exerce como
tônica e as demais como posições definíveis em relação à tônica. Ainda que individualmente
todas as cores sejam agradáveis e nenhuma se possa dizer feia, mudam de valor ao serem
combinadas em acorde.
É possível que a maneira de relacionar entre si as cores não seja igual, mas apenas análoga a
dos sons na escala. Parece que sons próximos desagradam, ao passo que cores próximas
apenas não se revelam insistentemente na diferenciação; a pouca diferenciação as empobrece,
todavia.
Na música, as oitavas se desaconselham, porque não trazem quase nada de novo; as quintas
(tônicas dominantes) também são de pouco efeito estético, porque, dividindo ao meio a escala,
poucos oferecem de novidade, mesmo ainda porque a dominante é início do segundo
tetracorde, tal como a tônica é do primeiro tetracorde.
Na simultaneidade das cores há aquelas que ficam entre si como as oitavas na música,
portanto sem um efeito sensível na variação. E há aquelas que se situam como as quintas, não
produzindo efeito considerável. Assim, há também as cores que combinam pela sua variedade,
ao mesmo tempo em que concordam entre si. Os acordes em cor obedecem, tal como os
acordes em música, a complicadas posições, que cumpriria fixar.
O tamanho e a forma da área influencia também a consonância das cores. Áreas maiores ou
menores dão mais ou menos ênfase colorística. E assim também a luminosidade pode
influenciar a tonicidade.
Num "acorde" de cores as tônicas poderão ser determinadas pela cor que possui, ou mais
brilho; ou pela cor que possui mais área; ou por ambas as peculiaridades ao mesmo tempo.
Quanto ao realce das cores, pela combinação de umas com outras, é natural que o contraste
reforça as especificidades de cada uma. Pela inversa, cores semelhantes não realçam umas às
outras; atrás de um sofá de tonalidade verde, uma parede de cor aparentada como que se
funde no mesmo todo. Se o objetivo é destacar, as cores hão de divergir notoriamente; se for o
de integrar, hão de ser, pelo contrário do mesmo matiz.
A moldura de uma tela, ordinariamente deve destacar-se da apresentação artística, e fundir-se
com a parede; nesta arrumação fica destacada a tela. Mas, se eventualmente a cor da parede
coincide com os tons dominantes da pintura, e, se a intenção for destacar o quadro, precisa a
moldura realizar a função por meio de uma cor especificamente distinta.
Um mobiliário laqueado em cores vivas requer um recinto suave, ou pelo menos
consideravelmente diverso. Mas, se as cores do mobiliário não forem vivas, pode-se considerá-
lo em cor neutra (branco, preto, cinzento), e então qualquer cor, quente ou fria, o destaca
suficientemente.
Se o mobiliário em cor uniforme pretender a um só tempo destacar-se e não opor-se vivamente
ao meio, deve a sala receber uma cor complementar. O amarelo, e azul e o verde se relacionam,
porque o verde resulta do amarelo e azul; então poderíamos ter móveis amarelos, cortinas,
paredes verdes, sem considerável conflito, e com suficiente destaque dos elementos.
Em uma sala verde, molduras com um tom verde se fundem com a parede. A representação de
uma tela, para não se opor violentamente, terá que assumir como cores dominantes as
complementares, em que se admitem também as cores neutras. Quem, entretanto, procura
outro efeito, por exemplo, de violenta ação, escolherá logo um quadro de predominância
vermelha, contra uma parede em cor suave.
Ainda entre as cores neutras, as variações se tornam originais. Um abajour claro, em sala com
fundo escuro, realiza um efeito sugestivo e dramático.
Harmonias e tonicidade. As cores se harmonizam perfeitamente, quando uma se exerce como
tônica. Paradoxalmente, cores, com participação igual, conflitam.
Numa composição harmônica de cores valem as leis seguintes:
a). Deve haver uma tônica em qualquer combinação de cores. A partir dela o olhar aprecia as
demais, caminhando da tônica para as restantes. Por isso, no tratamento prático das cores,
fixa-se primeiramente uma principal, fazendo-a dirigir a composição.
b). Também deve haver uma tônica nas variantes internas do brilho (valor).
c). Deve haver uma tônica nas relações entre cores acromática, da cor com o branco, cinza e
preto.

II - A harmonia tripla das cores.


A harmonia tripla se constitui de três cores fundamentais ou de cores compostas equidistantes
no disco das cores.
A esteticidade da harmonia tripla requer uma tônica poderosa, para dominar fortemente duas
cores inteiramente conflitantes.
A segunda cor, por sua vez, poderá ser dominante sobre a terceira.
Esta terceira cor estará, portanto, completamente dominada.
Numa sala a harmonia tripla poderá fazer-se, aplicando-se ao recinto uma cor.
Aos móveis outra.
Os elementos decorativos menores, ainda outra.
A tonicidade se consegue por aumento de área, ou por aumento de brilho.
A harmonia tripla é a mais pictórica e impositiva. Ela manipula com todas as cores
fundamentais, ou com todas as derivadas, de sorte a constituir uma composição rica e
cativante.
Funciona a harmonia tripla com três acordes; maior, médio, menor.
No acorde maior, a tônica fica na mais brilhante das cores da composição. O é amarelo está
como tônica.
Está em segundo lugar o vermelho, e em terceiro o azul.
Ou, inversamente, em segundo lugar o azul, em terceiro o vermelho.
No acorde médio, a tônica se apóia no vermelho.
Em segundo lugar fica o amarelo, e em terceiro o azul.
Ou, inversamente, em segundo, o azul, em terceiro o amarelo.
No acorde em menor está finalmente o azul como tônica.
Em segundo lugar, o vermelho, em terceiro o amarelo.
Ou, inversamente, em segundo o amarelo, em terceiro o vermelho.
Neste quadro cromático houve, pois:
Um acorde amarelo (acorde cromático maior);
Um acorde vermelho (acorde cromático médio);
Um acorde azul (acorde cromático menor).
Os acordes em tripla podem também ser criados por cores compostas, desde que fiquem à
igual distância do disco das cores.
Ainda é possível variar no processo da tonicidade, operando, ora com o aumento de área, ora
com o aumento de brilho; igualmente as subordinações se conseguem, ora com diminuição de
área, ora com o esfriamento do brilho.
Esta maneira de proceder gera as harmonias estreitas e as harmonias largas, como na música.
Tornando o acorde cromático ainda mais complexo, poder-se-á introduzir a subdivisão de cada
cor fundamental em suas complementares, por exemplo, o amarelo em seu amarelo-verde.
Mas, nestas condições, é necessário que não se destrua a sub-unidade, a fim de que as
complementares não se afastem e funcionem isoladamente.
Ainda mais complexa se torna o acorde cromático, quando se nele forem introduzidos os
neutros branco e preto.

III - A harmonia complementar, ou dupla, ou oposta das cores.


Constitui-se a harmonia complementar (ou harmonia dupla, ou oposta), a composição que
opera, tendo de um lado, na tônica, uma cor, que, pelo outro lado, tem as que lhe são opostas,
em virtude de serem de outra natureza.
As duas cores, ao mesmo tempo em que se opõem, se invocam, podendo coexistir sem se
prejudicarem e sem cansarem; deve-se o fato à circunstância biológica de se ocuparem uns
cones da vista com a primeira área e os outros com a segunda, de tal sorte que esta segunda
fica sendo uma cor misturada em virtude da cooperação de duas espécies de cones.
Diz-se também harmonia dupla para a harmonia complementar, por causa de sua divisão em
apenas dois campos. Ainda que um dos campos se subdivida, ele se exerce como um todo
distinto da outra área.
Diz-se ainda harmonia oposta, porque no disco das cores o eixo das oposições se colocam em
oposição exata.
Em tais condições são harmonias complementares (duplas, ou opostas):
1) vermelho, com verde;
2) azul, com laranja;
3) amarelo, com violeta.
Nestas harmonias complementares ocorre sempre uma cor pura; mas se o disco for torcido
levemente, as harmonias complementares terão cores mistas de ambos os lados, diminuindo,
então, a enfaticidade das oposições, mas que não cessam.
Criam-se variantes na harmonia complementar, por subdivisão das áreas opostas. Há, então, a
harmonia complementar de opostas não divididas e harmonia de opostas divididas.
Diversas são as maneiras de dividir as opostas:
1) harmonia complementar com uma das opostas divididas;
2) harmonia complementar com as duas opostas respectivamente.
Semelhante é a harmonia dos 60%, em que uma das opostas se alarga em subdivisões, que,
entretanto não ultrapassam 60% da largura do disco, para não penetrar na região da outra
oposta.
Comparada à harmonia dupla com a harmonia tripla, esta outra brilha mais pelo efeito
colorístico, porquanto manipula com todas as cores.
Mas, poderá a harmonia dupla (mesmo quando uma das duplas se subdivide) ser mais
aceitável, por ajustar-se melhor ao ritmo de apreensão por parte da vista.
Coerentemente, o espírito clássico, obediente ao equilíbrio, não propende para a harmonia
tripla, porém para a dupla. Diferentemente, orientações como o barroco, se inclinam para as
exacerbações colorísticas.
A violência das cores poder-se-á incutir tanto mais fortemente, se não se subordinar a
composição a uma cor que opere como tônica.
A insistência da tônica é mais importante na harmonia tripla, que na harmonia dupla. É que
na tripla ocorre um excesso de variedade, o que contraria a lei do ritmo padrão.
A terceira cor fundamental da harmonia tripla requer ser dominada arrasadoramente, quase
como se fosse reduzida a pequenas áreas decorativas, sem ocupar estruturas gerais. Numa sala
isto representa ocupar situações como frisos, ou apenas algum travesseiro do sofá. Em
vestuários pode reduzir-se a botões, ou coisas do gênero.
IV - A harmonia análoga, ou aparentada das cores.
A harmonia análoga (ou aparentada) é a de cores uma ao lado da outra, como no disco das
cores. Requer uma tônica que dê ordem rítmica às sucessões em apreço.
Mas as cores se opõem suavemente, de sorte a não contrastarem vivamente entre si. Tendem,
por conseguinte a se apagar. Por isso, a tonicidade é importante, com o fim de realçar umas em
relação às outras, quer mediante área, quer por meio de brilho.
São, por exemplo, análogas o amarelo, o amarelo-verde, o verde.
É preciso dar a uma destas a tonicidade; suponhamos que seja fria e de grande área.
As outras poderão ser então, quentes (com mais brilho) e áreas menores, sucessivamente.
Ainda mais complexa se tornará a harmonia aparentada, criada ao se dar a cada uma das
cores uma subdivisão em brilhante e menos brilhante.
Assim, em vez de três se têm seis modalidades de brilho.
Nesta hipótese, cada uma das cores tem um dos seus brilhos dominado por seu respectivo
outro.

V - Harmonia de intensidade de brilho das cores.


A harmonia de valores de intensidade, dentro da mesma cor, por menor e maior brilho,
também requer obediência a uma tônica, a fim de criar o ritmo harmônico que anda de uma
luminosidade para a outra.
Mas, não há violento conflito entre um e outro valor.
Qualquer cor, por conseguinte, combina com os valores de intensidade que se fazem na sua
categoria. As nuances, aliás, são muito apreciadas.
A intensidade maior de brilho tende a se instituir como tônica.
Mas, esta posição poderá ser alterada pelo aumento de área da sua oponente. O vermelho frio,
em vasta área, domina ao cor-de-rosa (mais brilhante) em área menor.
Variadas interferências, sobretudo de luminosidade atmosférica, influenciam os valores de
intensidade da mesma cor. Dificilmente se consegue determinar e descrever essas variações.
“O tom, na perspectiva atmosférica, muda em intensidade”. A cor não só se modifica por
mudanças de tom, senão também por mudança de cor.
Como princípio genérico, todas as cores e, à medida, que se distanciam, tendem a fundir-se em
um gris neutro. Um plano de cor, segundo o afete a luz, oferecerá cambiantes de cor mui
definidas. Uma superfície laranja, à luz viva do sol, apresentará sua própria cor, porém se
aquela luz é mais suave e difusa, mudará até um matiz mais amarelo, e, se esta luz ainda se
atenua, o matiz derivará até o azul-gris.
Ante uma paisagem e em um brevíssimo período de tempo, podemos apreciar mudanças
notáveis, segundo afete a uma área a plena luz do sol, ou esta seja interceptada por nuvens
ligeiras ou densas. As cores, à medida que se distanciam, vão tendendo até a cor atmosférica;
sob um céu claro e azul se fazem mais frias; em um dia triste e gris se fazem mais grises; sob a
neblina, se perdem na atmosfera.
Na perspectiva linear são as dimensões das coisas as que, ao separar-se do ponto de visão,
tendem, a diminuir; na perspectiva aérea são os tons e cores os que diminuem gradualmente
ao distanciar-se e até que se funde em cor uniforme do último plano, perdendo sua evidência.
Se as partículas de umidade são mui numerosas, se forma a neblina; dentro dela os objetos se
vêem mais influenciados e à medida que estão mais distantes pela luz branca, até que ficam
submergidos em uma massa uniforme de luz; as cores não mudam, porém se aclaram
progressivamente até o branco. “A neve, ao cair, determina análogos efeitos” (J. Bamz, Arte
ciência da cor).
Preto, branco e cinza (cores neutras) não conflita com qualquer cor. Fazem harmonias com
todas elas.
Ocorrendo neste quadro ainda uma cor, cabe à esta a posição de tônica. Preferimos ver cor
antes de tudo; por isso, a cor é sempre tônica, com referência ao preto, branco, cinza.
A tonicidade apenas poderá ser modificada por alteração de área e consequentemente do
brilho.
A incidência da tonicidade se deixa influenciar pelo brilho dos oponentes.
Uma cor, à medida que se torna brilhante, é mais efetiva, quando oposta à luz que se esfria em
cinza, até o preto.
Inversamente se manifesta menos efetiva ao ser posta em oposição ao claro. Por exemplo, o
preto realça o vermelho claro; o branco não o realça. A cor, é medida que se esfria, se torna
efetiva com o claro e menos efetiva com o escuro. Por exemplo, o vermelho frio se realça com o
branco; não se realça com o preto.
Na prática, o jogo do brilho dos pretos e brancos, é aproveitável na criação de sombras com
efeitos diversos, ora realçando, ora não. Igualmente, isto vem influenciar a criação do espaço.
O que mais brilha, se aproxima. Por exemplo, sobre parede menos brilhante a moldura
brilhante se faz realçar como um alto relevo. Se também o conteúdo da tela se mostrar menos
brilhante, mais uma a moldura torna a se realçar.
O branco e o preto, quando situados à maneira de frisos separando outras cores, destacam as
diferenças de tais cores. É que, não sendo cores, o preto e o branco facilitam a apreensão das
cores que separam entre si. Facilitam, portanto, em pintura, o destaque do contorno dos
objetos.
Ocorre a particularidade de que o branco destaca as cores frias, o preto as cores quentes. Por
isso, o vermelho frio é realçado pelo branco, o vermelho quente pelo preto.

Movimento e ritmo das cores.

A cor não é apenas um fenômeno estático, mas também dinâmico, cujo movimento e ritmo
importam considerar. Neste sentido se oferecem dois itens:
Movimento e ritmo das cores;
Ritmo da mensagem.
O segundo tema já invade um tanto à área do significado, porquanto à ele se destina a cor,
quando estudada com vistas a ser portadora da expressão artística.

I - Do movimento e ritmo material das cores.


O movimento é a propriedade que os seres possuem de se substituírem, criando a sucessão.
O ordenamento das sucessões, em tempos iguais marcados por tônicas, se chama ritmo.
Alguns movimentos soam mais ou menos espontâneos, como os dos sons que se fazem suceder
com notória facilidade. Outros movimentos, como das formas plásticas variam muito. Move-se
a seu modo a máquina, os líquidos, a pessoa que anda.
Movem-se também as cores. Observa-se a sua constante substituição nas imagens do cinema e
televisão, ainda na sucessão de holofotes e espetáculos pirotécnicos. Também a mensagem
contida na expressão obedece a um ritmo de enunciação.
Mover imagens coloridas é algo difícil, certamente mais difícil que gerar sons sucessivos. Em
princípio, porém, a mobilidade da cor é a maior, porque depende diretamente da luz. Nada
mais veloz conhecemos que a luz, a qual percorre 300 mil quilômetros por segundo.
Só aos poucos o homem venceu os problemas técnicos de movimentar as imagens.
Primeiramente só conhecia a imagem móvel como acontecia no teatro. Depois como no
cinema, finalmente como acontece na televisão.
Com a descoberta do raio lazer dominou até a fonte irradiação, cujos raios, normalmente
difusos em todas as direções, passam a manter uma direção única.
Ritmos objetivos e ritmos subjetivos ou psicológicos. São ritmos objetivos aqueles cujos
elementos em fluxo são efetivamente reais, uns elementos substituindo aos precedentes.
Diferentemente os ritmos subjetivos são aqueles outros que efetivamente não ocorrem nas
coisas, mas por efeito da atenção sucessiva da mente, inclusive da vista, aos elementos que
efetivamente são apenas simultâneos.
O eixo da vista, direcionado sempre para um só ponto definido, não nos permite uma
apreensão perfeita de cores justapostas, apesar da simultaneidade objetiva destas.
Caminhando a vista de uma cor para outra, ainda que com rapidez, resulta um ritmo
subjetivo, ou psicológico peculiar.
Esta sucessão saltitante, de cor para outras cores ao lado, difere da sucessão objetiva de cores,
quando estas são simplesmente substituídas pelo desaparecimento das anteriores que dão
lugar às novas, como no cinema e na televisão.
O ritmo psicológico é aquele que se dá pelo redirecionamento constante do eixo da vista para
novos pontos, para os quais se desloca. Ela supõe várias cores simultâneas, mas atingidas
sucessivamente, e assim criando um movimento psicológico.
Poderá ocorrer passando de uma espécie de cor para outra. E assim também de uma
intensidade de cor para o de outra, ou ainda variando pelos graus mais frios ou mais quentes
da cor.
A psicodinâmica das cores tem paralelismo com as outras qualidades sensíveis, sobretudo com
os sons, que afetam ao ouvido. É evidente a psicodinâmica dos sons. Ninguém é indiferente à
diversidade dos sons, nem pela espécie tonal, nem pela diversidade de intensidade.
Melodias e harmonias, cadências e ritmos geram fenômenos afetivos, que a arte musical leva
em conta. Ainda o mesmo acontece com as formas espaciais, como linhas, áreas e volumes, que
impressionam conforme a dimensão. E assim o mesmo acontece no mundo das cores, cujas
diferentes situações psicodinâmicas a arte aproveita para exercer a expressão.
Leis do ritmo. O espectador assimila os elementos do fluxo das cores dentro de sua capacidade
de atenção aos detalhes principais. Assim acontece haver um limite antropológico e que
determinar as leis do ritmo.
O desenvolvimento dos sons se faz, portanto, dentro de certa escala, a qual é considerada
agradável para o ser humano. Assim também o ritmo das cores em sucessão é comandado por
uma cor dominante. Nestas condições há melodia em sons e melodias em cores, adequadas ao
ouvido e à vista humanas.
Um exame detalhado mostra que o espetáculo das sucessões colorísticas obedece a leis
peculiares. Acordes colorísticos, fazem harmonias, - como já se adverti.
As mesmas cores querem individualmente, quer em grupos, podem mover-se como um
sequencial melódico.
Um espetáculo pirotécnico, manipulando cores que se sucedem, constitui um exemplo de
sucessões colorísticas.
Outro espetáculo colorístico de sucessões é o de holofotes, a fazer combinações sucessivas.
O relâmpago é um impressionante espetáculo da natureza, em vista da sucessão rápida de
cores pela vastidão do espaço.
Também os espetáculos da aurora e do ocaso do sol encantam pela sucessão agradável das
cores.
Variantes fundamentais da velocidade rítmica. No que se refere à velocidade de substituição, o
ritmo oferece três variantes fundamentais.
No primeiro caso a substituição se dá pela sequência de elementos que simplesmente se
repetem igual.
Por isso mesmo é um ritmo fácil, e até mesmo um ritmo monótono, por causa de sua
repetividade sem novidade.
Por exemplo, a vista passa de um ponto vermelho para outro identicamente vermelho; é o caso
da caminhada da vista ao longo da linha reta. No ritmo objetivo acontece quando, por
exemplo, cessa o vermelho e ato contínuo reacende o mesmo vermelho.
No segundo caso, a substituição rítmica se dá por elementos totalmente novos, sem qualquer
renovação do elemento anterior.
Este ritmo enérgico acontece, por exemplo, quando o azul é substituído pelo vermelho, depois
o vermelho pelo amarelo, e assim por diante.
No terceiro caso o ritmo se dá por substituição parcelada dos elementos, os quais, portanto em
parte se repetem e em parte se apresentam novos.
Por exemplo, pode o vermelho reaparecer com diferença de densidade cromática ou diferença
de área ou em posição diferente, enquanto surgem também outras cores.
Do ponto de vista do agrado e da espontaneidade, os ritmos com inteira novidade são ríspidos
e vão além da espontaneidade natural das nossas faculdades de apreensão cognoscitiva.
Os que simplesmente repetem, são monótonos, pela sua falta de novidade, conforme já se
advertiu.
Enfim, as sequências que em parte repetem e em parte renovam, agradam; atendem a um
tempo, à facilidade e à novidade. Sobre o baile das cores há que admitir que ele pode assumir
variadas formas, e em que variam tanto as circunstâncias objetivas como as subjetivas.
As fontes da variação do ritmo das cores são várias, ora variando as espécies cromáticas, ora o
valor do brilho, ora a intensidade cromática, ora o espaço e a forma.
O ritmo das espécies cromáticas (ritmo cromático) faz suceder cores cada vez especificamente
distintas, ou só primárias, ou só secundárias ou só terciárias (isto é, de tons); ou primária
seguida de secundária, terciária; ou de primária seguida de terciária, e assim por diante, ora
com espécies mais diferenciadas, ora menos.
Mas o ritmo pode dar-se com variações de brilho. Então podem suceder-se cores quentes e
cores frias; ou espécies quentes com espécies frias (por exemplo, vermelho quente, com
amarelo frio).
As fórmulas dos ritmos de variação, combinando espécies e brilhos, são muito variados. A
sequência de vermelho-laranja-violeta se processa com cores frias.
Novas e novas modalidades de ritmos colorísticos se criam mediante a introdução de variações
na saturação da grandeza e forma dos espaços coloridos.
Uma tabela sistemática bastante longa é o elenco total dos ritmos colorísticos possíveis. Esta
tabela impossível de ser mentalizada, é, contudo computorizável, com vistas a um desempenho
maior do uso das cores.
Para prevenir contra a monotonia, o movimento de substituição das cores deve atingir uma
velocidade suficiente, de sorte a produzir contínua novidade. De outra parte, se evita a
novidade excessiva, que irritaria pelo esforço de apreensão exigido.
Mudando em parte e conservando ainda em parte, o ritmo temporal das cores obedece, pois, à
lei da meio medida, entre o máximo e o mínimo de velocidade da atenção humana,
subordinada a um limite antropológico.
À tônica de uma cor predominante cabe imprimir a unidade na variedade. Assim, por
exemplo, se o vermelho ingressa como tônica, ele predominará entre as cores que se farão
suceder. Como tônica reaparecerá de espaço em espaço, facilitando a apreensão e gerando
agrado.
Na mudança contínua das modas, há uma tônica nas cores preferidas pelas mulheres mais
brilhantes, outra pelos homens (mais frios).
Ladrilhos e azulejos decorados repetem de espaço em espaço uma tônica, a qual torna
assimilável o quadro geral que formam.
Na sequência de bandeirinhas que se repetem ao longo de um cordel é notável a facilidade do
ritmo, ao mesmo tempo em que se organizam algumas tônicas eventuais, ora pelo
posteamento, ora por outros acidentes.

II - Ritmo da mensagem.
A índole eminentemente diferenciadora da vista, mais que a do ouvido, admitiria que numa
tela se amontoassem um sem número de objetos; num trabalha analítico, uma a uma todas as
particularidades iriam sendo apreciadas e, no final de alguns minutos teríamos apreciado
todos os elementos da composição.
Entretanto, não é este tumulto de temas que o pintor procura, e nem é isto que efetivamente
suporta a vista, sem se cansar.
Uma ordem rítmica haverá no que a expressão apresenta. A câmara fotográfica tudo fixa; mas
uma intervenção do operador dispõe previamente as partes que hão de se destacar na
composição e, depois de retocada a mesma chapa, resulta a verdadeira fotografia, dando
ênfase ao que efetivamente era visado. Assim também o pintor imprime uma disposição em
que os elementos ingressam por sequência rítmica aceitável.
Conforme em parte já se tem anotado a respeito das limitações antropológicas, o ritmo das
apreensões de que nossas faculdades são capazes, obedece ao esquema da variedade sob
medida.
Sempre iguais, as noções enfadam, pois as faculdades aspiram mais e está em condições para
este maior volume do objeto.
Sempre novas, por alterações em parte iguais e em parte apenas renovadas, os as noções, quer
sensíveis e intelectuais, mantêm as faculdades e os sentimentos em constante satisfação, de
acordo com o padrão antropológico do ser humano.
Porém, totalmente substituídas e novas, as sequências nocionais forçam o equipamento
mental, cansam, confundem, finalmente desagradam.
Requer-se a distribuição dos elementos da composição pictórica, para que a exposição do tema
não se veja tumultuada.
Excesso da personagem, por exemplo, dificulta a apreciação da pintura figurativa.
A multiplicação considerável das cores desorganiza o ritmo meramente formal da apreciação
pictórica.
Gioto (1267-1337), um reformulador da pintura, insistiu na redução numérica dos elementos
representados. Ainda que tenha desdobrado a representação para os fundos, mantém o
mínimo de figuras.
A sobriedade se observa também em Masaccio, mesmo no episódio subdividido do pagamento
do Tributo.
Tintoreto (1518-1594) deixou amplos espaços vazios, para organizar o ritmo das variações de
cores e de formas.
Na hipótese de um número considerável de figuras, faz-se senhor reagrupá-las em conjuntos
menores. Por sua vez, os vários conjuntos hão de ser dominados por um ponto convergente.
A Ceia de Leonardo da Vinci distribui os Apóstolos de três em três, ao discutirem sob o
impacto da afirmação de Cristo, de que um haveria de trair o Mestre. Um outro pintor
introduziu variações em um dos grupos de três, e que teve uma aceitação generalizada.
A sequência das partes a se sucederem precisas manifestar-se. O recurso ao geralmente é o dos
planos, o primeiro prevalecendo sobre o segundo, de sorte a se impor o primeiro, por causa de
sua aproximação e maior dimensão das figuras em perspectiva. É evidente que área maior das
figuras rapta mais depressa a atenção:
Outro método para garantir a sequência situa a figura principal como termo de um
movimento. Uma flecha dinamiza o olhar do apreciador, colocando-o em marcha, ainda que
para um plano longínquo. O traçado de um caminho, ou vereda, alcança efeito similar.
Qualquer linha, aliás, obriga ao movimento organizado.
A especificação, que afunila no centro do quadro, dirige também o olhar. Fazendo, pois, espaço
apenas em uma direção determinada, os objetos se organizam. o expediente foi aproveitado
nitidamente por Rafael em sua Escola de Atenas. Para destacar Platão e Aristóteles não fora
preciso colocá-los no primeiro plano; bastou situá-los no centro do espaço que se abria.
Semelhante a esta maneira de afunilar o espaço é a da abertura de uma porta, janela ou outra
saída qualquer. Foi o procedimento adotado por Miguel Ângelo na Virgem das rochas.
Unidade e coesão. Num todo complexo, as partes se hão de comportar como unidade. A ênfase
da unidade se diz coesão. A coesão artística une a diversidade dos elementos que concorrem na
mesma composição. Por causa da coesão há um contexto; no contexto, um elemento conduz
logicamente ao outro.
Expedientes vários se utilizam para promover a coesão; concentração das atenções das
diferentes figuras formando um núcleo, eliminação ou embaciamento das áreas sem
importância, criação de um motivo central eminente do ponto de vista temático.
É claro que, se as figuras revelam atender numa certa direção, que o apreciador tenderá a
concentrar tudo naquele núcleo. Também se compreende porque o sfumato realça e unifica em
torno da área brilhante e nítida.
Enfim, o tema, ao se impor pelo interesse, mais uma vez unifica a composição.
Há diferentes espécies de unidade, de acordo com o ponto de vista que a comanda.
Ocorre a unidade plástica na disposição meramente formal dos elementos da composição.
É relativamente fácil de conseguir esta unidade, ainda que os artistas nem sempre cuidem
disto.
Objetos, que enchem áreas vazias, apenas com o intuito de ornamentar, não devem, contudo
situar-se fora da unidade plástica; entretanto é o que facilmente poderá ocorrer sendo
preferível então eliminar dito enfeite tumultuante.
O Sfumato concorre, como poderoso recurso, para criação da unidade formal, visto que põe
para fora da vista o que não contribui para o todo e não interessa na intenção temática do
artista. Os elementos principais na disposição meramente formal postos em unidade plástica
hão de ser ainda destacadas pelos recursos da cor.
A unidade moral se diz da participação funcional das figuras da composição. Há apenas
unidade moral mecânica, quando os elementos participam em uma só ação. Ocorre também a
unidade psicológica, ambiental atmosférica, quando se revela a mesma intenção das figuras a
se concentrar, por exemplo, todos os olhares na direção do palco, ou todos na direção dos
pratos de comida. É ainda o caso do atirador, que não apenas empunha a arma, porém dela
participa. Os recursos da cor haverão de destacar aqueles elementos nos quais se centraliza a
unidade moral.
A participação moral é diferentemente apreciada por quem observa a obra de arte, uns se
mostram mais sensíveis à situação atmosférica, outros à espécie de cor, outros ainda ao tipo de
objetos.
Artistas há que foram de uma notória unidade moral dos elementos da composição.
Rembrandt é o pintor holandês que talvez melhor a conseguiu. Afirma-se que os demais
holandeses de sua época alcançaram apenas a unidade plástica e por vezes nem tanto.
Os episódios narrativos em várias cenas coordenadas perdem facilmente a coesão.
A cozinha dos Anjos (de Murilo, Louvre 1646) apresenta pouca coesão nas três cenas, quase
justapostas: o santo (Diogo de Acalá) elevado e acima do solo, os três que assistem ao milagre,
a cozinha comandada pelos anjos.
Sobretudo a cozinha se encontra inteiramente dissociada, ao mesmo tempo em que a própria
cozinha internamente é dispersiva.
O que, entretanto atrai pictoricamente para um centro de atenção é a claridade que incide
sobre os anjos, situado perto do santo, ao mesmo tempo em que este se envolve de luz.
Conclui-se que, - uma vez que as cores interagem, gerando harmonias, ora mais felizes, ora
menos, - convém estarmos sabiamente atentos, para tê-las sempre que possível, na melhor
combinação, quer no contexto do nosso dia a dia, quer no da expressão em pintura.
Haja pois harmonias, ora a tripla, ora dupla, ou ainda a harmonia de valores de intensidade, -
tudo coordenado finalmente com tônicas variadamente escolhidas, formando acordes
colorísticos.
E haja também ritmos adequadamente planejados, porque as cores também se movem, ou
materialmente, ou apenas psicologicamente.
ALIANÇA DA ARTE DA COR COM OUTRAS ARTES

Em concreto a cor, - um sensível próprio, - e a forma, um sensível comum, - convive no mesmo


objeto.
Ainda que mais distantes entre si seja também possível aproximar cor, som e palavra.
Em consequência ocorre o concretismo das artes que se juntam.
Didaticamente se oferecem neste campo temático dois itens:
Pintura aliada às demais artes plásticas;
Pintura e música, Pintura e linguagem.
O fenômeno causador da possível união de todas as artes é anterior a elas mesmas, porque já
ocorre-nos mesmos materiais portadores da expressão. Como fenômeno pré-artístico, deve
assim ser primeiramente tratado.
1. Pintura aliada às demais artes plásticas.

Não há como isolar a cor e o espaço que ela ocupa. Ou seja, não há como separar fisicamente
cor e forma.
Dali a importância quase fundamental do desenho na pintura. Linhas e área são partes do
volume, os quais todos constituem a arte das formas, ou seja, da escultura. Cores são
depositadas sobre a linha, sobre a área, em torno do volume; todavia, por serem simplesmente
formas, - nem a linha, nem a área, nem o volume pertencem à pintura especificamente.
A expressão arte visual é mais ampla que arte da pintura, porque a visão atinge a ambos os
campos, ao da cor, como sensível próprio, e ao da forma, como sensível comum. Ainda que
diferenciadamente, - advertimos com insistência, - a vista atinge à cor, como sensível próprio, e
à forma como sensível comum.
A união entre a cor (sensível próprio da vista) e o volume especializado (sensível comum de
todos os sentidos através dos sensíveis próprios), resulta em uma aliança íntima entre a arte da
pintura e às demais artes plásticas.
Usa a expressão arte plástica incluir, sob sua denominação, a pintura. A rigor, porém, a arte
plástica é apenas a arte da escultura, esta essencialmente ligada ao espaço, cujas partes são a
linha, a área, o volume. A extensão da denominação arte plástica, ao ponto de incluir a pintura,
se deve ao fato da íntima aliança existente entre ambas as artes.
Cor e espaço convivem como inseparáveis. Não é possível colocar um espaço sem cor, nem uma
cor sem espaço. A separação é possível por substituição.
Todavia um e outro exprimem com independência seu objeto. Por isso é teoricamente possível
imaginar que um deles fique sem expressar o objeto, e que apenas o outro o expresse.
Um contexto de cores espalhadas poderia expressar a exuberância, sem que a maneira como
elas se espalham no espaço exprima algo.
Inversamente, poderia o desenho expressar um objeto, sem que a cor do desenho (quer preta
ou branca, ou mesmo colorida) também diga algo do mesmo.
Também o apreciador poderá atender em separado, ora à expressão em cor, ora à expressão
em forma espacial. Isto prova tratar-se de expressões distintas, apesar de em concreta cor e
forma serem inseparáveis. Um é efetivamente um sensível comum, outro um sensível próprio.
É um tanto absurdo isolar uma espécie de arte da outra, ao se encontrarem no mesmo suporte
concreto. Não seria apenas perder a oportunidade da aliança, como ainda a de incorrer em
prejuízos, como é fácil de verificar na pintura de mau desenho.
Melhor é fazer ambas funcionarem, ainda que com o predomínio de uma, aquela de
preferência do artista, e que definirá sua arte.
Quando a preponderância for à da expressão mediante cor, o eixo principal da composição
evidentemente deverá situar-se nesta espécie de arte e por ela será principalmente apreciada e
julgada. Inclusive será julgada e apreciada a contribuição dada pela outra, e que será a maior
possível.
Na pintura deveremos, pois, determinar a contribuição da forma plástica, sobretudo do
desenho. Depois ainda a contribuição da forma em volume, como na estátua pintada, no
teatro, no cinema, na televisão, no gesto do orador.
Como é que a forma plástica exprime?

Forma é à disposição das partes no espaço. Certas partes se distribuem ao longo da linha.
Outras em uma área.
Finalmente outros a maneira de volume.
Considerando que a expressão exprime por imitação (ou mimese), um desenho exprime o
objeto ao apresentar parte por parte as linhas do mencionado objeto. Isto se apresenta
especificamente, distinto da expressão pictórica.
Enquanto o desenho exprime imitando linhas, a pintura exprime imitando as cores dos
mesmos referidos objetos.
Há uma anterioridade da expressão em forma plástica sobre a expressão em cor, pelo menos
uma anterioridade de importância.
A anterioridade da expressão em forma é entitativa (ou ontológica). Primeiramente acontece o
espaço, e a seguir a cor do espaço.
Entitativamente constrói, pois o artista o espaço do objeto, para a seguir colori-lo. Ainda que o
faça, como que simultaneamente, não é possível conceber senão a forma como anterior à cor.
Mas é possível defender a anterioridade lógica (ou gnosiológica) da cor. Aquilo que torna os
objetos sensíveis à vista é a luz (ou cor) e não simplesmente o espaço. Então, pelo menos como
apreciação, aquilo que observamos na obra de arte, é em primeiro lugar seu colorido.
É muito difícil discutir as relações entre espaço (ao qual pertence a forma) e cor, porque, no
caso do espaço o sensível é comum (isto é, alcançado por vários sentidos). No caso da cor o
sensível é próprio (isto é, específico) da vista. O comum a todos os sentidos e o específico de um
determinado sentido ocorre ambos ao mesmo tempo.
Como é que a forma exprime ao objeto? Já se percebe, que o expressa imitando a disposição
de suas partes no espaço, todavia sem ao mesmo tempo deixar de percebê-lo através da luz
(branca, ou colorida).
Ocorre uma aparente ilusão de separação quando o desenho se faz em preto, para depois
receber as cores. Mas o próprio desenho em preto é um contraste como o branco não atingido
pelo traço preto. O preenchimento posterior com cores mais definidas, não é nada mais que o
prosseguimento de algo que já começou no mesmo desenho. Pintar a partir de um núcleo não
muda a presença de ambos os elementos. O núcleo tanto é apenas parte da cor, como também
já é parte do desenho... Em três níveis a cor acompanha a forma no espaço: linha colorida,
área colorida, volume colorido.
Ordinariamente o desenho colorido se destaca mais como forma, do que como pintura.
Esta, a pintura, se privilegia na área colorida; ela, sobretudo é a pintura na acepção mais
conhecida. Quando, porém, se trata de volumes coloridos, os destaques costumam ser o das
esculturas.
Quem é escultor, evidentemente prefere esquecer a pintura, atendendo apenas algum tanto aos
materiais, que pela sua cor podem influenciar a expressão.
O vulgo prefere as estátuas coloridas, talvez porque é menos capaz de atender ao aspecto um
tanto abstrato das formas. Por isso, as estátuas religiosas, ou seja, as imagens, usualmente são
pintadas, porque se destinam sobretudo à grande massa, ordinariamente menos desenvolvida.
Teoricamente, porém, a pintura de estátuas é tão possível, quanto a pintura sobre telas. A
questão é apenas um problema do escultor, que ordinariamente não é tão bom pintor. Mas, o
trabalho de um segundo artista poderá complementar a estátua e lhe aplicar uma pintura de
grande efeito.
Artistas há que aproveitam pessoas vivas, aplicando-lhes tintas diretamente sobre o corpo,
principalmente sobre as áreas mais amplas e ostensivas como o dorso e as nádegas. Esta
pintura, entretanto, não oferece praticidade senão em circunstâncias muito específicas, como
no teatro. Ainda poderá ser explorada em grandes exposições e pela televisão.
A pintura em volumes, ainda que não tenha tido maior desenvolvimento, deverá mesmo
desenvolver-se em estátuas, sejam de pedra, sejam de luz. O problema está mesmo no artista,
que ainda não se dedicou seriamente à pintura de volumes, ou não dispõe das técnicas
eletrônicas de volumes luminosos.
A maquilagem estética, a que se dedicam sobretudo as mulheres de bom gosto, não é ainda
uma expressão artística. Mas contribui para acentuar a expressividade preexistente.
Mas a maquilagem dos artistas, que hão de representar outras pessoas, por exemplo, no palco,
no cinema, na televisão, já se encontra dentro da especificidade da expressão. Em virtude do
desenvolvimento destas artes mistas, a maquilagem dos artistas, em que um dos recursos é a
cor, mereceu atenção dos que operam no desenvolvimento destes recursos de expressão.
Por onde começar o exercício da pintura; ou pela cor, ou pelo desenho das formas plásticas?
Certamente o objetivo principal do pintor desde o primeiro instante é a cor.
Mas a insistência inicial tem de estar no desenho.
O motivo desta insistência está na dificuldade com que se exerce o desenho. Ele exige uma
observação à distância das relações quantidade, além de uma percepção muito segura da
perspectiva, em virtude da qual se relativizam as relações de espaço.
Não obstante exigirem as cores acurada observação por parte do artista, muito mais requer o
desenho; além disto, as falhas do desenho repercutem mais sobre o colorido, do que as falhas
do colorido sobre o desenho.
Cópia e modelo ao vivo. A dificuldade do desenho faz com que alguns tenham preferido
começar pela cópia de outros desenhos. Nestes desenhos prontos e colocados para a cópia já se
encontram resolvidos os problemas de perspectiva. A facilidade é tal que até se pode
reproduzi-los com papel cópia. Novo passo se consegue pela cópia livre sobre tela ao lado.
Certamente que neste procedimento da cópia já se desenvolvem algumas habilidades, tanto da
mão, como da capacidade de ver. Mas a demora na prática da cópia poderá retardar
habilidades.
Na cópia não se desenvolve o desenho a partir de seu ponto de vista pessoal de ver as coisas.
Efetivamente, cada pintor vê a seu modo; nisto se tem insistido especialmente a partir dos
pintores impressionistas franceses (1870), contra os acadêmicos. Desenhar conforme o modo
de ver de outros poderá ser uma deformação que se fixa a partir do exercício da cópia.
Sobretudo no caso dos seres vivos, o modelo ao vivo é um método seguro de exercitar a pintura.
Para seu exercício, entretanto, importa desde logo conhecer as práticas de fixar a perspectiva.
É preciso aprender a ver as diferenças e medi-las imaginativamente, ou mesmo com auxílio de
um lápis adequadamente estendido à sua frente.
Neste ver também distinguir-se-á entre áreas mais iluminadas e outra menos. Distinguir-se-á a
sombra de que é produzida sobre o corpo, e da que é produzida pelo corpo sobre outro espaço.
Observar-se-á a partir de que lado o objeto está sendo iluminado. Distinguir-se-á também
entre sombra e reflexo.
Exercitar o desenho, como modelo ao vivo é, pois, aprender a ver, e, a partir do que é visto,
fazer os traços.
Importam exercitar o desenho a partir dos modelos ao vivo mais fáceis. Há modelos ao vivo de
objeto inanimados e modelos ao vivo de objetos efetivamente vivos.
Os modelos mais fáceis são o objeto inanimado e não o objeto vivo (ou modelo vivo). Esta
sequência se deve sempre à dificuldade do desenho. O modelo inanimado, também chamado
de natureza morta, é posto sobre a mesa, se trata de sala de aula, e ali permanece estático.
Pode também ser tomada diretamente na paisagem exterior, como uma casa, portão, árvore,
montanha, paisagem. Importa inicialmente que se possa desenhar o modelo com relativa
facilidade, a fim de exercitar os movimentos fundamentais do desenho.
Os vasos são um modelo, porque constituem objetos relativamente simples, mas com elementos
essenciais para os movimentos fundamentais do desenho; linhas, áreas, volumes, cada
elemento com variações no espaço, e que mudam bastante com a variação dos múltiplos estilos
de vaso: vasos egípcios, vasos gregos, vasos renascentistas, vasos modernos, sempre uns mais
simples e outros mais complexos.
O modelo efetivamente vivo é a etapa seguinte no aprendizado do desenho. Em especial o
corpo humano é o grande objetivo da pintura e da escultura
Até certo nível de desenvolvimento é muito mais fácil desenhar a pessoa vestida, porque as
vestes são uma natureza morta. O difícil mesmo é o nu, em seu estado vivente.
Paradoxalmente, todavia, desenhar bem a pessoa vestida importa em desenhá-la previamente
inteiramente nua, para segui-la desenhar a roupa morta sem prejudicar a expressão do todo.
A veste foi sempre um perigo para a expressividade corporal; as grandes obras artísticas ou a
reduzem ao mínimo, ou a colocam de tal maneira que a expressividade do corpo não fique
prejudicada, com estes dados da natureza morta.
Para desenhar bem o corpo, o artista procura compreender os movimentos a partir de dentro,
como estão os ossos e como estão os músculos. A anatomia oferece estes elementos. Mas eles
poderão ser observados também diretamente sem a dissecação.
Os gregos, que ainda não praticavam a dissecação dos cadáveres, conseguiram um desenho
admiravelmente perfeito do movimento corporal. Cultivando a ginástica nus, tinham diante de
si a oportunidade constante de se aperceberem da expressão corporal.
Na Renascença, particularmente Leonardo da Vinci, autor de Monalisa, praticou desenho
digno de nota, que se refere a face e ao corpo humano. Também é notável o Davi de Miguel
Ângelo, que leva legiões de apreciadores da arte à Florença, onde o santo rei ficou eternizado.
Em termos modernos, o desenho autêntico se desenvolveu a partir dos impressionistas, que
passaram a praticá-lo ao ar livre. Mas é com Braque (cubista) que ele assumiu expressividade.
A expressividade. Vencido o exercício do desenho do corpo em geral, segue o da expressão,
sobretudo fisionômica, representativa dos estados de alma, - alegrias e angústias, hilaridade e
fúria, modéstia e orgulho, calmo e terror, tranquilidade e espanto, sorriso e ciúme, tristeza e
choro, prazer e tédio, inteligência e astúcia, voluntariedade e cólera, horror, repulsa,
perversidade, etc.
Tudo isto importa em atender às contrações faciais, movimentos do olhar, forma dos lábios e
da boca reações gerais do organismo. Desenhar estes afloramentos exteriores do mundo
interior constitui o acabamento último e mais refinado da arte das formas quando se ocupa do
ser humano.
O pensador (1880), de Rodin é uma criação em bronze representativa do ser humano, em sua
função máxima de refletir.
Dominado o desenho de tudo o que for proposto ao exercitando, este atinge a capacidade
própria de desenhar aquilo que ele mesmo se propõe expressar. Começa então o artista
criador, capacitado para o que o se refere às formas plásticas. Encontra-se agora pronto para
a tarefa de se tornar também um pintor das formas traçada. Sobre estas formas plásticas
meterá as cores, que imitam e por isso exprimem aos objetos.
Pintura e música, pintura e linguagem.

As outras alianças da arte da cor, - que não as plásticas, - se processam ordinariamente por
justaposição mais distante. Enquanto a cor exprime, aliam-se à expressão pictórica, outras
expressões, fisicamente distintas, porém capazes de se justaporem. Tais são a música e a
linguagem falada.
O som não está contido na cor e nem na forma, porém na vibração que pode acompanhar as
formas. E assim continuam bastante distintas, mas operando ao mesmo tempo.
Tal se processa na televisão, cinema, teatro, onde o pictórico não se funde com o som e a
linguagem.
Verdadeiramente compulsória é a aliança que une a cor a um desenho. O mesmo não acontece
com a música e a linguagem, quando apensas se lhe justapõem.
Uma parte, a aliança por justaposição fica longe de ser necessária. De outra parte, porém, ela
representa um notável expediente de reforço na arte, porque soma recursos bastante distintos,
cada qual aduzindo importantes conteúdos.
Importa, em uma aliança da pintura com a música e a linguagem, determinar uma
predominância, à qual as outras artes aliadas se subordinam. Seria a representação cênica do
teatro, cinema e televisão, antes de tudo arte de cor, isto é, de imagens para a vista?
Certamente que no teatro, no cinema, na televisão nunca pode desaparecer a imagem para a
vista. Pode faltar, ora a música, ora a linguagem, nunca a imagem. Trata-se, pois, de artes em
cores.
Conclusão sobre a aliança das artes ficou claro que a pintura primeiramente produz seu
rendimento específico, mas imediatamente faz crescer este resultado com o reforço da arte das
formas. A propósito deste incontestável reforço já dissera Aristóteles:
"Se o artista espalhasse as cores, por mais sedutoras que fossem, como ao acaso, não causaria
prazer tão intenso como se apresentasse uma imagem de contornos bem definidos”.
A aliança da pintura com a superfície plana resulta em resultados diversos dos da aliança com
a terceira dimensão.
O poder de síntese é o apanágio da pintura de superfície plana; rompendo com as distâncias
da terceira dimensão, traz para um plano espacial único, as distâncias longínquas do
panorama. A narrativa de um campo de batalha se junta sobre uma tela colada a uma parede
do recinto de uma casa.

O espaço não é real, quando indicado em área plana.


Consequentemente, o exprime a seu modo imaginoso.

A pintura cria, então, sem dificuldades, a extensão do mar, a vastidão do céu, as subtilezas da
luz nas distâncias, o mistério do bosque.
Aliando-se ainda por justaposição à música e à linguagem, a arte das cores se converte num
grande espetáculo.
Concluindo também o capítulo sobre as cores em si mesmo, a impressão que se tem é a de que
o mundo das cores se apresenta efetivamente maravilhoso.
Quanto melhor o conhecermos, mais nos maravilharemos com o que vêem nossos olhos, quer
na vastidão de objetos, quer no espaço distante, quando irrigados pela luz.
E já que foi dado ao homem manipular as cores, utilizando-as para se expressar bom foi
conhecer este recurso de expressão, tanto para nos expressarmos nós mesmos, como para
apreciar as criações dos grandes talentos das pinturas, seja nas telas, seja no teatro, no cinema,
na televisão.

AZUL
Nenhuma cor está tão próxima de nós quanto o azul. Abra a janela, saia de casa e lá está ela,
no imenso céu que nos protege. Vá para a praia e outra vez ela surge, cintilando nas águas
marinhas.
"A Terra é azul", proclamou o russo Yuri Gagarin, o primeiro homem a pisar na Lua e
contemplar o nosso planeta a distância.
Mesmo antes dessa constatação, o azul sempre fez parte de nossa mente, que funciona
basicamente por associação e por meio da visão, que permite perceber o que está a nossa volta.
Por isso, olhar o céu, desde as mais remotas épocas, é sinal de busca espiritual.
Os índios americanos tinham um preceito que estabelecia: "A via azul é a via do espírito".
Realmente, o azul da natureza atrai.
Mesmo as pessoas mais agitadas já se surpreenderam divagando na contemplação do céu ou
no movimento manso do mar.

É essa quietude interior, resultante do simples ato de fixar os olhos nessas imagens, que faz
com que o azul seja sinônimo de alegria, tranqüilidade e bem-estar. "Vesti azul, minha sorte
então mudou", diz a canção de Nonato Buzar, na voz de Wilson Simonal.

Na dose certa
No espectro visível das cores, apenas o violeta consegue ser mais frio que o azul. "Por isso, nos
ambientes, deve ser usado com cautela e sempre combinado com cores quentes. Só azul,
principalmente os tons mais acinzentados, podem estimular depressão", afirma a arquiteta
Helena Gomes, de São Paulo, que aplica em seus projetos conceitos de cromoterapia e de Feng
Shui, a milenar técnica chinesa de harmonização.
Já o azul-esverdeado e o azulão são mais vibrantes, induzindo à hiperatividade - bons para
quem está em fase de novos projetos. Em locais de reflexão, nada melhor do que alguns
toquem de azul-marinho. Estudiosos, como a psicanalista e cromoterapeuta Maria Paula
Tonini, de São Paulo, classificam o azul como uma cor que acalma tranqüiliza e traz
equilíbrio. “É a mais indicada para quartos de crianças agitadas ou para salas de espera”.
Além disso, a cromoterapia utiliza o azul para a restauração do equilíbrio emocional.
Nos casos de insônia e ansiedade, é recomendado deixar uma lâmpada azul acesa no quarto
por algumas horas antes de dormir. Por estar ligado à calma e à introspecção, o azul também
pode ser visto como um tom de lamento. Prova disso é o blues, o choroso e tocante estilo
musical criado pelos negros americanos.

Cor da sabedoria
No ba-guá, figura geométrica de oito lados que orienta a aplicação do Feng Shui, o azul
corresponde à área da sabedoria. “Segundo essa antiga prática chinesa, uma mente calma tem
mais facilidade para receber novos conhecimentos”.
Por “isso, o uso de vários tons de azul nos ambientes é fundamental, pois essa é a cor que
irradia paz”, explica Silvana Occhialini, especialista no assunto. Entretanto, é desaconselhável
na pintura das fachadas, tornando a casa muito vulnerável.

Cura colorida
Para a medicina tradicional chinesa, as cores ajudam a ajustar várias falhas de personalidade,
melhorando o ch'i, a energia vital que está em nós e no planeta. "Usamos muito o azul-claro
para resolver problemas de distração, cardíacos e de pressão sangüínea alta", conta o médico
Liu Chih Ming, diretor do Centro de Estudos da Medicina Tradicional e Cultural, de São
Paulo.

Para atrair amor


Na cultura indiana, cada tipo de pedra corresponde a um planeta do sistema solar. Se
colocadas próximas de nós, as pedras irradiam a poderosa energia dos astros. As azuladas,
como água-marinha e diamante, estão relacionadas a Vênus, o planeta da afetividade. São
indicadas para quem tem dificuldade de expressar emoções ou enfrenta obstáculos amorosos.
"As pedras devem ser lapidadas e estar junto ao corpo. O ideal é usá-las em anel, de
preferência no dedo médio. Quando o brilho desaparecer, é sinal de que ela está precisando ser
purificada. Deixe-a por uma noite em água de mar ou de rio", ensina à astróloga paulista
Vraja Devi, uma das precursoras de astrologia indiana no Brasil.

Você gosta de azul?


A astróloga e artista plástica Vanessa Kitsis, de São Paulo, relaciona o fato de gostar ou não de
azul com certas características da personalidade: “As pessoas que elegem essa cor como
favorita são introspectivas, tranqüilas, com grande imaginação e criativas”.
Preocupam-se com o bem-estar alheio e sentem-se responsáveis pelos outros. Não suportam
lugares e pessoas barulhentos. Já aqueles que evitam o azul carregam o medo de falhar ou
perder posição social. “Além disso, apresentam forte resistência às mudanças”, diz Vanessa.
Esta cor tem o poder de irradiar tranqüilidade e equilíbrio, criando atmosferas pacificadoras
e, ao mesmo tempo, aconchegantes. Em tons suaves ou profundos, predominando na cor das
paredes ou em pequenos detalhes, os azuis invadem a casa e alegram o dia-a-dia.

I. VERMELHO
A cor do fogo, do sangue e da paixão simboliza o princípio da vida e guarda em si uma
ambivalência. O vermelho-claro é diurno, masculino, impulsiona para a ação e é associado a
Marte, deus grego da guerra. Já o vermelho-escuro sugere o poder feminino da sedução, os
mistérios da noite e do que é secreto.
Em qualquer versão, seja na textura compacta do veludo, ou seja, na transparência do vidro, o
vermelho nunca passa despercebido. A ciência explica o porquê de tanta vibração: “A
freqüência eletromagnética do vermelho vibra cerca de 3,4 trilhões de vezes por segundo,
sendo a onda mais comprida do espectro solar. Por isso ‘pega no olho’, como se diz, ou seja,
projeta-se para frente, sendo sempre a primeira cor vista. Você pode nem estar olhando, mas
vê o vermelho”, afirma Nelson Bavaresco, designer gráfico e consultor do Centro de Estudos
da Cor (CECOR), de São Paulo.
Criatividade e alegria, amor e ódio, atração e repulsa, irritação e disputa. São essas as emoções
e reações relacionadas ao vermelho e seus derivados: laranja, amarelo, rosa, salmão, ocre,
açafrão e púrpura. Se não for bem dosado, o calor do vermelho pode queimar tanto os
negócios quanto os romances. Mas utilizado com suas variantes, ou até substituído por elas,
pode levar a encontros calorosos, românticos e ternos, diz o cromoterapeuta gaúcho Vítor
Rocha. Para ele, rosa, salmão ou laranja são ideais para misturar ao vermelho e suavizá-lo.
Segundo a astróloga e terapeuta vibracional Carmen Barros, de Porto Alegre, o vermelho é a
primeira cor do espectro do arco-íris e simboliza a energia que movimenta o universo. “É com
base nele que a vida surge, pois está associado ao chakra básico, o sexual. Ele nos dá a
disposição para correr atrás do sucesso”, explica.
De acordo com os preceitos da Escola da Bússola, utilizada pela consultora de Feng Shui
Letícia Andrade, também de Porto Alegre, as tonalidades quentes devem ser usadas em
pequenas doses em todas as áreas da casa onde a pessoa precise de sua energia: entusiasmo e
arrojo (vermelho), concentração e boa memória (laranja), alegria e comunicação (amarelo) e
romantismo e autoestima (rosa). “Saiba que o uso correto das cores nos pequenos detalhes –
objetos, tecidos – é capaz de promover a harmonia”, ela ensina.
Vermelho, laranja e amarelo despertam o apetite e os bons negócios, portanto são indicados
para lojas, bares, restaurantes, salas de jantar e escritórios, garantem a arquiteta e decoradora
gaúcha Jaqueline Zarpellon Araújo. E adverte: “Evite essas cores na cozinha se estiver
pensando em emagrecer!”.
Usado em excesso ou sozinho em áreas íntimas, como o quarto do casal, o vermelho pode
atrair competição e desencontros. Mas se estiver aliado ao rosa, garante a especialista Letícia,
atenua emoções fortes e proporciona um clima favorável ao carinho e ao romantismo. O
laranja, coadjuvante do vermelho nas áreas regidas pelo fogo, é indicado para o quarto das
crianças juntamente com o amarelo, pois causa uma sensação positiva e contribui para o
desenvolvimento da mente. “Se as classes escolares fossem pintadas de laranja ou amarelo, que
favorecem a concentração, a professora não teria que viver chamando a atenção dos alunos”,
diz Vítor Rocha.
O açafrão, que é o laranja dos budistas, instiga a sabedoria e pode ser utilizado nos quartos de
meditação junto com a cor púrpura, que representa o fogo desenvolvido, a espiritualidade.
Segundo os orientais, ele tem poder de cura e, portanto, não deve ser desperdiçado: use-o só
em pequenos detalhes.
Quente, mexe com os humores.
Com tanta pulsação, os tons encarnados mexem com o sistema nervoso e evocam sensações
sempre estimulantes: “Esses tons aumentam a pulsação, a pressão arterial e o ritmo
respiratório, impulsionando a ação e a sensualidade. Se usado sem exageros, costuma dar mais
ânimo aos preguiçosos, tímidos e deprimidos. Mas se utilizado em excesso provoca cansaço e
irritação”, diz o consultor. Por isso, é bom resistir à tentação de pintar paredes inteiras ou
viver onde predomina o vermelho. Basta contar com a força dessa cor nos detalhes: objetos,
tapetes, molduram já são suficientes para energizar os espaços.
Na dose certa, esquenta a casa.
O rosa, mistura de branco e vermelho, tem efeito harmonizante: “Desmonta a agressividade
da cor pura”, diz Bavaresco. A mistura com preto resulta numa tonalidade mais profunda,
elegante e também harmônica. Para criar uma atmosfera quente, alegre e ao mesmo tempo
aconchegante, o melhor é usar laranja, mistura de vermelho e amarelo. A combinação de
materiais foscos ou brilhantes, transparentes ou opacos também ressalta as qualidades desse
tom e resulta em combinações que, na dose certa, garantem o clima que você deseja para sua
casa. Do muito quente e sensual ao alegre e aconchegante

II. Verde
Visto da Lua, o planeta Terra é azul, mas a verdadeira cor que predomina por aqui é o verde.
Nas imensas florestas, nas nuances das águas oceânicas ou na tenra folha de avenca, o verde
impera. Sem ele, inclusive, seria impossível respirar: as plantas são verdes por causa da
clorofila.
Essa substância, responsável pela coloração, é capaz de transformar o tóxico gás carbônico em
oxigênio puro, para alimentar os pulmões. Por esse poder de restauração do universo, o verde
é associado à purificação, esperança, abundância.
É possível sentir isso na pele.
Depois de uma semana estressante na cidade grande, muita gente viaja para o campo, em
busca da força envolvente e tonificante do verde das montanhas.
Nas florestas e nos mares
No arco-íris, que exibe o espectro solar, o verde fica exatamente no meio, fazendo a transição
entre o calor do amarelo e a frieza do azul. Equilíbrio perfeito entre a introversão e a
extroversão.
"É uma excelente cor para qualquer ambiente, pois cria uma atmosfera calmante e energética
ao mesmo tempo. Especialmente no banheiro, lugar que simboliza purificação e renovação. É
perfeito ter toalhas, louças ou azulejos verdes, em tons vibrantes e primaveris", sugere a
especialista americana Denise Linn, em seu livro Espaço Sagrado, da Editora Bertrand Brasil.

Traz harmonia e paz


A calma de uma caminhada nas montanhas pode ser trazida para dentro de casa. Mesmo sem
estar cercada de plantas, nas paredes ou nos detalhes da decoração essa cor especial inspira
paz, harmonia e é favorável à cura, tanto que nos hospitais os uniformes costumam ser dessa
cor. Curtir o verde nunca é demais.
Azul/laranja. Vermelho/verde. Violeta/amarelo. Para dar um toque estimulante aos ambientes
aposte nessas combinações criadas pela própria natureza.
Esses três pares cromáticos parecem muito ousados, mas são produzidos automaticamente em
nossos olhos sempre que fixamos uma cor forte. Um tom compensa o outro para que a retina
não se canse. "Os cones e os bastonetes localizados na retina captam a vibração luminosa e
enviam para o cérebro. Quando os olhos fixam à cor a retina cansa e, por meio de um processo
químico, cria a cor complementar para que a retina relaxe. Por exemplo, se olharmos
fixamente o vermelho e fecharmos os olhos verão uma mancha verde", explica Elide
Monzeglio, professora-doutora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de
São Paulo, especialista em cores.
Experimente repetir o teste, fixando o olhar em qualquer cor por quarenta segundos. Depois
feche os olhos, ou desvie-os para uma superfície branca, e verá surgir a complementar.

Sem medo de brincar com tons


Nos ambientes, essa é uma chance de combinar cores sem medo de errar. Porém é preciso
harmonizar os tons. E não exagerar. "É melhor usar vermelho/ verde, azul/laranja,
roxo/amarelo nos detalhes e não predominando em paredes, móveis grandes ou ambientes de
descanso. Exagerar nesses tons causa cansaço e irritação", afirma Elide. É importante
misturar tons com a mesma claridade e intensidade: por exemplo, vermelho vivo com verde
vivo ou rosa luminoso com verde-claro-luminoso. Também vale jogar com as transparências,
os efeitos brilhantes ou opacos e a textura dos objetos coloridos.

Texto: Liliane Oraggio.


Nos ambientes, objetos prateados, dourados ou acobreados podem ter efeito estimulante e
também conduzir à introspecção, dois estados de espírito que, bem dosados, resultam em
equilíbrio emocional: "Excesso de metais num mesmo ambiente deixa as pessoas nervosas,
provoca relacionamentos turbulentos e agressivos. Por isso, é preciso evitar exageros e dispor
deles com parcimônia", adverte Sandra Siciliano, cromoterapeuta de São Paulo.
Antes de espalhar móveis e objetos metálicos pela casa, ela recomenda analisar a
personalidade dos moradores. Se predominar energia impulsiva, agitação e euforia, objetos de
prata e revestimentos de aço promovem atmosfera de calma e tranqüilidade. Já para as
pessoas que estão desanimadas e precisam de mais estímulo, o dourados devem entrar em
ação.

Sensações estimulantes
Para proporcionar aconchego e atrair energias positivas, a arquiteta paulista Tânia
Pricladdnizki gosta de projetar ambiente onde uma das paredes receba um tom metálico:
"Acobreados e dourados contêm o calor do amarelo, equilibram os tons de branco e trazem
leveza quando predominam móveis e detalhes de madeira", explica Tânia. "Já ambientes mais
coloridos combinam melhor com a prata."
A escolha entre prata, ouro ou cobre depende do gosto e das intenções que se quer trabalhar.
Todos são associados à prosperidade e ao despertar dos sentimentos. Silvana Occhialini,
consultora de Feng Shui (técnica chinesa de harmonização de ambientes) de São Paulo, revela
que o dourados simboliza opulência e costumam atrair dinheiro. Mais: ativam a alegria de
viver e despertam a vontade. Já os prateados devem ser usados para ativar a criatividade.
Além de figurar em objetos, o cobre, que é bom condutor elétrico, serve para movimentar
energias estagnadas. "Basta enrolar pequenos pedaços de fios de cobre e fixar embaixo dos pés
da cama e dos quatro cantos do quarto. Isso ajuda a reenergizar o local. Para plantas que
mostram sinais de fraqueza, o cobre também funciona como elemento revigorante. Coloque
um fio enrolado no caule, desde a base", completa Silvana.
Fugaz e efêmero, o efeito furta-cor captura o olhar. Essa mistura de cores surge graças ao
movimento dos raios solares sobre materiais reflexivos, dando um toque inusitado à
composição dos ambientes.
Numa dança de feixes luminosos, a natureza exibe o efeito furta-cor quando o camaleão muda
de tonalidade, quando uma minúscula gota de orvalho reflete todo o espectro do arco-íris ou
quando um cristal multifacetado decompõe a luz do Sol em brilhos variados. Sempre em
transformação, essas coreografias de movimentos coloridos e transitórios atendem pelo nome
de furta-cor.
A natureza é que inspira a elaboração de objetos e materiais reflexivos para reproduzir em
casa as sensações de bem-estar criadas por essa orquestra de luz em ação. É o caso das conchas
nacaradas que servem para guardar pequenas peças, do papel de presente com brilho
holográfico e das sedas luminosas de tons mutantes usadas na decoração.

Não é uma cor, mas um efeito óptico Afinal, de que cor é o furta-cor?
Segundo o professor Eduardo Cunha Farias, doutor no Departamento de Histologia e
Embriologia do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo, USP, "furta-
cor não é uma cor, mas sim o efeito óptico de interferência luminosa que resulta numa coleção
de cores metálicas, variáveis de acordo com o ângulo de observação".
Esse efeito óptico, também chamado iridescente, é encontrado nos reinos vegetal, animal e
mineral: "Ele é bem nítido em algumas pedras brutas como a labradorita (conhecida como
pedra-do-sol) e a opala, ou as lapidadas, sejam diamantes ou cristais. O furta-cor, ainda, está
presente nas escamas de certos peixes e serpentes, nas penas de pavões e faisões ou no chão
molhado com poças de gasolina", explica Farias.
A seda pura também tem iridescência e brilho próprio, por isso é mais adequada para receber
o tratamento que confere efeito furta-cor aos tecidos: "Coloca-se um fio vermelho, na
urdirura, e outro amarelo, na trama. Como resultado, surge o laranja. Ao contrário do
algodão, compacto e uniforme, a seda, ao ser movimentada, vai destacar o amarelo, o
vermelho ou o laranja, sempre dependendo da exposição à luz", explica a designer Beth Neves,
estudiosa de cores e responsável pelas coleções da Safira Sedas, de SP.

O homem reproduz a natureza


"É assim que se cria a ilusão óptica em que duas ou mais cores se roubam, se fundem, se
confundem e se evidenciam", define Beth. Vermelho ou amarelo, verde ou azul, seja qual for a
tonalidade do tecido, ele só será furta-cor se for mutável. Ou, como costuma dizer a designer,
changeant.
Vermelho – Excitação Azul - Repouso, calma e vitalidade Verde - Calma e paz
Amarelo - Ação e esforço Branco – Fadiga Roxo - Melancolia, misticismo
Preto – Depressão Laranja - Euforia.
Azul: remete à paz e à tranqüilidade. Estimula a paciência e a concentração. No entanto, é
contraindicado para pessoas com tendências à depressão, pois também está associado à
tristeza.
Branco: altamente estimulante e vibrante. Por causa disso, alguns consultores não o indicam
para quartos. Evoca a sensação de limpeza, frieza e claridade.
Vermelho: provoca inquietação e agitação. Por isso, melhor usá-lo em detalhes ou em paredes
pequenas. Também está ligado à fama, ao sucesso e à força.
Laranja: estimula o apetite, anima e dá vitalidade. Ativa a intuição e o bem-estar.
Amarelo: estimula, ilumina e remete à prosperidade devido à associação com o ouro. Incentiva
o intelecto.
Verde: repousante, tranqüilizante e refrescante. Refere-se ao equilíbrio, à saúde, à cura e ao
relaxamento. Lembra a esperança.
Violeta: acalma, estabiliza e tem ressonâncias espirituais.
As nuances escuras podem parecer lúgubres.
Rosa: relaxa e estimula o amor e o carinho.
Cinza: está associado ao medo e à depressão. Evite usar em paredes.
Preto: forma uma barreira visual que representa a estagnação

Tons quentes (amarelo, laranja, vermelho): torna acolhedor um espaço grande.

Tons frios (verde azul): provocam a sensação de amplitude nos ambientes.

Tons claros: iluminam lugares sombrios.

Na prática, isso significa avaliar as dimensões do ambiente antes de pintá-lo e decidir que
efeito você quer criar. Por exemplo: “Use uma cor escura no final de um longo corredor ou
hall de entrada para ele parecer menor. Se a intenção é alargar o corredor, prefira cores mais
claras nas paredes. As escuras farão com que ele pareça estreito”, exemplifica Marie Louise
Lacy no livro O Poder das Cores no Equilíbrio dos Ambientes (ed. Pensamento). O forro
também pode ter sua altura disfarçada: parecerá mais baixo se receber uma cor escura e mais
alta com uma cor clara. Isso sem contar as percepções subjetivas: “Quando o teto é azul-claro,
nós associamos com o céu, o que dá a impressão de amplidão e liberdade”, lembra a autora.

Mulheres percebem mais cores que os homens


As mulheres têm maior percepção de cores que os homens, indicam o estudo dos geneticistas
Brian Verrelli e Sarah Tishkoff, da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos. Com base
na análise de 236 pessoas de diferentes regiões da Ásia, África e Europa, o trabalho dos dois
pesquisadores, publicado no informativo on line da universidade, sugere que um grande
número de mulheres enxerga mais cor do que os homens, devido a uma transformação no gene
envolvido na percepção da cor vermelha nas células da retina.
Homens e mulheres produzem apenas três pigmentos que são responsáveis pela absorção do
azul, do verde e do vermelho. A combinação da luz absorvida por esses três pigmentos,
chamados genericamente opsinas, proteínas da retina, possibilita a visão colorida em seres
humanos. Os genes que trazem as receitas para produzir as opsinas vermelha e verde estão
alojados no cromossomo X, que caracteriza o sexo feminino quando ocorre em duplicata (o
sexo masculino é definido quando outro cromossomo, o Y, faz par com o X).
Mulheres normais, portanto, têm duas cópias de ambos os genes. O que os pesquisadores
americanos descobriram foi que em alguns casos a segunda cópia - ou "alelo", como é
chamado cientificamente - do gene para o pigmento vermelho foi "convertida" durante a
evolução da espécie.
"Devido ao fato de existirem várias mutações que permitem à opsina vermelha absorver cor
na faixa do vermelho-laranja, algumas mulheres têm tanto um alelo vermelho "normal" em
um cromossomo do par X quanto um alelo "vermelho-laranja" alterado no outro", observa
Verrelli, que hoje é professor da Universidade do Estado do Arizona. "Essas mulheres podem
distinguir melhor as cores na faixa do espectro que vai do vermelho ao laranja", diz o
pesquisador.
Verrelli e Tishkoff afirmam que o gene da opsina vermelha foi transformado por meio de um
mecanismo conhecido como conversão gênica, ainda pouco estudada.
Ele entra em cena quando um pedaço de DNA é quebrado durante a duplicação do
cromossomo e as enzimas encarregadas de repará-lo não conseguem sozinha encaixar as
“letras” A, T, C e G no lugar certo. "Elas podem simplesmente olhar em volta e achar a coisa
mais parecida com o original para encaixar na região danificada", completa Verrelli.
No caso do gene estudado por Verrelli e Tishkoff, essa "coisa mais parecida" foram
provavelmente pedaços do gene da opsina verde, que mora no mesmo cromossomo. Estudos
anteriores mostram que a alteração na seqüência do gene "vermelho" faz o pigmento absorver
luz de uma forma distinta.

Coletoras
O fato de a variação no gene da opsina vermelha - tecnicamente um "defeito" - ter sido
mantida pela evolução nas populações humanas significa que as mulheres portadoras da
versão alterada provavelmente tiravam alguma vantagem dela. Essa vantagem, segundo os
cientistas, estaria relacionada à coleta de frutos, principal atividade das mulheres na pré-
história.
"Se elas fossem melhores em coletar frutas porque essa percepção de cor era benéfica - elas e
seus filhos podiam conseguir frutas mais maduras, por exemplo -, indivíduos com essa
variação na visão em cores seriam os mais bem-sucedidos. Isso poderia explicar por que a caça
e a coleta eram atividades humanas tão comuns", diz Verrelli. "Claro que somente a visão
colorida não faz as mulheres coletarem e os homens caçarem, mas permitiu fazê-lo melhor."
A compreensão da cor pelo homem
Com a apresentação do tema “Como o homem compreende a cor – Nuances psicológicas de
uma visão”, abordado pelo psicólogo e estudioso da cor Paulo Félix, o Grupo da Cor, entidade
criada em São Paulo, deu início à série de palestras programadas para aprofundar o estudo
sobre o assunto.
Félix, que é vice-presidente da entidade, expôs a interação dos diversos fatores que levam à
percepção cromática, apresentando a cor como uma rede de diferentes camadas que,
mescladas, formam a cor como a maioria das pessoas a conhece. "Trata-se de um fenômeno
psicológico e físico, exigindo a interação da luz com o objeto, do pigmento com o olho humano,
da luz com a lâmpada, sucessivamente".
O palestrante iniciou sua apresentação explicando o funcionamento do aparelho óptico e a
interação das células do olho com a luz, além dos fatores subjetivos que interferem na
percepção da cor por cada pessoa em particular. Disse que três fases são percorridas no
momento em que uma cor é vista pelo olho: sensação, evocação e associação.
O psicólogo observa que, na primeira, os órgãos sensoriais captam apenas o estímulo.
Na seqüência, a evocação trabalha o que a cor simboliza na experiência particular do
indivíduo, enquanto a associação identifica e nomeia o estímulo recebido.
Segundo Félix, há, ainda, a atuação de quatro planos que, interligados, formam o
conhecimento sobre as cores e suas sensações. O filogenético mostra o papel da cor na origem
do ser humano. As mudanças que os sentimentos causam à cor da pele ilustram esse caso.
Medo, vergonha e excitação resultam em diferentes colorações da pele, do rubro de amor à
palidez do pavor. Outro exemplo do campo filogenético são os próprios tipos de pele: negra,
branca etc.
O plano sócio genético trata da cor quando inserida nos ritos da sociedade. 'É a cor em seus
sentidos mais simbólicos', comenta o vice-presidente do Grupo da Cor. Nessa etapa a cor tem
sua função social, trazendo a identificação com símbolos religiosos ou com a própria
identidade de um povo.
O terceiro plano chamado ontogenético, traz definições à cor, de acordo com a história do
grupo em que se está participando. 'É o que a cor representa em um grupo familiar ou em
uma comunidade'. Já o plano microgenético é mais subjetivo e explora os significados da cor
na vida de cada um em específico. Aqui, percebe-se a sensibilidade individual de cada pessoa
em relação à determinada cor.
Félix ressaltou que o conhecimento da cor é essencial à própria sobrevivência humana.
Vygotsky* demonstrou isso em suas pesquisas, ao constatar a grande variedade de nomes
dados pelos esquimós à cor do gelo. Isso se dá em função da necessidade de conhecer em qual
tipo de gelo pode se obter a caça, qual gelo serve para produzir água para beber, em qual se
pode ou não pisar. Tudo isso apenas percebendo as nuances de branco existentes quando
comparadas às várias placas de gelo. Indivíduos não acostumados aos ambientes gelados
teriam dificuldades de perceber todas essas variações da cor branca no gelo. O olhar de um
visitante não está treinado para perceber essas nuances, explicou o psicólogo.
Segundo o vice-presidente do Grupo da Cor, em todo o planeta uma mesma língua é falada, no
que tange à cor, mas as vivências pessoais influenciam essa visão e, embora o signo cor seja o
mesmo para todos os significados pode variar de pessoa para pessoa.
*Lev Semyonovich Vygotsky, professor e pesquisador russo, viveu de 1896 a 1934. Ele
acreditava que a aquisição de conhecimento se dá através da interação do sujeito com o meio.
De acordo com suas teorias, o desenvolvimento do ser humano é resultado de um processo
sócio-histórico, no qual a linguagem e a aprendizagem têm grande importância.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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