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SILMARA ALVES DA SILVA

DIAGNÓSTICO DA APTIDÃO FÍSICA E DO CONHECIMENTO TEÓRICO DO EXERCÍCIO COMO MEIO


DE PROMOÇÃO DA SAÚDE E SUAS RELAÇÕES COM OS HÁBITOS DA PRATICA REGULAR ENTRE
ACADÊMICOS DO CURSO DE LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO FÍSICA DA UFPR.

Monografia apresentada como pré-requisi­


to para conclusão do Curso de Licencia­
tura em Educação Física, do Departamento
de Educaçãoj Física, Setor de Ciências Bio­
lógicas da Universidade Federal do Paraná.

CURITIBA
1994
SILMARA ALVES DA SILVA

D IA G NÓ STICO DA A P T ID Ã O FÍSICA E DO C O N H E C IM E N T O TEÓRICO


DO EXERCÍCIO COMO MEIO DE P RO M O ÇÃO DA SAÚD E E SUAS
R E L A Ç Õ E S COM OS H Á B IT O S DA P R Á T IC A R E G U L A R ENTRE
A C A D Ê M IC O S DO CURSO DE L I C E N C I A T U R A EM E DU CAÇÃ O FÍSICA
DA UFPR.

Monografia apresentada como pré-


r e q u i s i t o p a r a c o n c l u s ã o do C u r s o d e
Licenciatura em Educação Física, do
D e p a r t a m e n t o de E d u c a ç ã o F í s i c a , Se t or
de C i ê n c i a s B i o l ó g i c a s da U n i v e r s i d a d e
F e d e r a l do P a r a n á .

O R I E N T A D O R : A D E M I R P IO V E Z A N
Agradeço a colaboração e a
participação dos a c a d ê m ic o s e
p r o f e s s o r e s que f iz e r a m com que
este t r a b a l h o f o s s e p o s s í v e l de ser
r e a li z a d o . Em e s p e c i a l a g r a d e ç o ao
p r o f e s s o r A d e m ir P io v e z a n pela
o r i e n t a ç ã o p r e s t a d a n e s te estu do .
SUMÁRIO

L I S T A DE T A B E L A S ..................................................................................... v

RESUMO .................................................................................. ............. .........vii

1 PROBLEMA .................................................................................................01

1.1 EN U N C IA D O ............................................................................................ 01

1.2 D E L IM IT A Ç Õ E S ..................................................................................... 03

1.2.1 Local .......................................................................................................03

1.2.2 U n iv e r s o ............................................................................................... 03

1.2.3 A m o stra .................................................................................................04

1.2.4 V a r i á v e is ...... ..................................................................................... 04

1.2.5 Época ..................................................................................................... 04

1.3 J U S T I F I C A T I V A ...................................................................................... 05

1.4 O B J ETIVO S ............................................................................................ 06

1.4.1 O b je t iv o s g e r a i s ............................................................................... 06

1.4.2 O b je t iv o s E s p e c í fi c o s .....................................................................06

1.5 HIP Ó TE S E S ............................................................................................ 07

1.6 PREMIS SAS ............................................................................................ 08

2 REVISÃ O DA L I T E R A T U R A ................................................................ 09

2.1 A P T ID Ã O F ÍS IC A -UM ENF OQUE M O DERN O ........................ 09

2.2 APTIDÃO F ÍS IC A R E L A C IO N A D A ÀS H A B IL ID A D E S

M OTO RAS VE R S U S A P T ID Ã O FÍSICA R E L A C IO N A D A

À S A Ú D E ..................................................................................................... 10

iii
2.3 COMPONENTES DA APTIDÃO RELACIONADA A SAÚDE ............... 11

2.3.1 Resistência cardiorrespiratória ............................................................ 11

2.3.1.1 A quantidade e a qualidade de exercício para o desenvol­

vimento e manutenção da aptidão física ........................................ 16

2.3.2 Composição c o r p o r a l ...............................................................................21

2.3.3 Flexibilidade ............................................................................................. 25

2.3.4 Força e resistência ................................................................................. 27

2.4 BENEFÍCIOS GERAIS DO EXERCÍCIO FÍSICO .................................. 29

2.5 DEFINIÇÕES DE TERMOS ..................................................................... 31

3 METODOLOGIA ........................................................................................... 33

3.1 TIPO DE P E S Q U IS A ....................................................................................33

3.2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS .............................................. 33

3.3 DESCRIÇÃO DA COLETA DE DADOS.....................................................34

3.4 DESCRIÇÃO DOS TESTES ......................................................................36

3.5 INSTRUMENTAÇÃO ...................................................................................37

3.6 TRATAMENTO E STATÍS TIC O.................................................................. 38

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES ................................................................. 39

5 CONCLUSÕES / RECOM ENDAÇÕES........................................................ 49

ANEXOS ............................................................................................................ 51

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................. 61


LISTA DE TABELAS

01 V a lo r e s méd ios (x ) e r e s p e c t iv o s d e s v io s - p a d r ã o (Sx)

dos da do s a n t r o p o m é t r i c o s dos a c a d ê m ic o s do 1° e

4° ano de ambos os s e x o s ...................................................................... 39

02 R e s u lta d o s o b t id o s nos testes “ t ” en tre os a c a d ê m i ­

cos do 1° e 4° an o de ambos os sexos e os v a lo r e s

m éd io s (x) e r e s p e c t i v o s d e s v io s - p a d r ã o (Sx) do p e r ­

c e n tu a l de g o r d u r a .................................................................................. 40

03 R e s u l ta d o s o b t id o s no teste “t" en tre os a c a d ê m i ­

cos do 1° e 4° ano de ambos os sexos e os v a lo r e s

m éd io s (x) e r e s p e c t i v o s d e s v io s - p a d r ã o (Sx) do te s te

de f l e x i b i l i d a d e ........................................................................................... 41

04 R e s u lta d o s o b t id o s nos te s te s “ t" en tre os a c a d ê m i ­

cos do 1° e 4° ano de ambos os sexos e os v a lo r e s

m éd io s (x) e r e s p e c t i v o s d e s v io s - p a d r ã o (Sx) do t e s te

de a b d o m in a l .............................................................................................. 42

05 R e s u l ta d o s o b t id o s nos testes “ t ” en tre os a c a d ê m i ­

cos do 1° e 4° an o de ambos os sexos e os v a lo r e s

m édio s (x) e r e s p e c t iv o s d e s v io s - p a d r ã o (Sx) do te s te

de ba rr a fixa ............................................................................................... 43

v
06 R e s u lta d o s ob tid o s nos t e s t e s “ t" entre os a c a d ê m i ­

cos do 1o e 4 o ano de am b o s os sexos e os v a lo r e s

m édio s (x) e r e s p e c t iv o s d e s v io s - p a d r ã o (Sx) do tes te

de C ooper ..................................................................................................... 44

07 R e s u lta d o s o b tid o s nos t e s t e s “ t ” , os v a lo re s m édio s

(x) e d e s v io s - p a d r ã o (Sx) e n tre aca dê m ic o s do 1o e

4 o ano de ambos os s e x o s s ob re o c o n h e c im e n t o t e ó ­

r ic o do e x e r c íc io com o m eio de p r o m oç ã o de s a ú d e ................... 45

08 R e s u lta d o s ob tid o s em p e r c e n t u a l sob re os h á b i to s

da prá tic a r e g u la r ou não; sua c a r a c t e r í s ti c a e o n ú ­

mero de vezes por sem a na dos a c a d ê m ic o s do 1o e

4 o ano ............................................................................................................. 46

09 R e s u lta d o ob tid o no t e s t e “ z ” sobre o há bito da p r á ­

tic a r eg ular en tre os a c a d ê m ic o s do 1o e 4 o an o de

am bos os sexos .......................................................................................... 48

vi
RESUMO

O o b je tiv o de ste e s tu do foi d i a g n o s t i c a r a a p t id ã o f í s i c a e


o c o n h e c i m e n t o t e ó r ic o do e x e r c í c i o como meio de p r o m o ç ã o da
s a ú d e e suas re la ç õ e s com os h á b i to s da p r á t ic a r e g u l a r entre
a c a d ê m ic o s do 1° e 4° ano de am b os os sex os do Curso de
L i c e n c i a t u r a em E d u c a ç ã o F ís ic a da UFPR. Para tal foram
c o n v i d a d o s os a c a d ê m ic o s d e v id a m e n t e m a tr ic u la d o s no 1° e 4°
ano, de am bos os sexos, c o n s t i t u i n d o um to tal de 66 a c a d ê m ic o s .
A p l i c o u - s e uma b a t e r ia de t e s t e s de a p t id ã o f ís i c a r e l a c i o n a d a a
saúde como: c o m p o s iç ã o c o r p o r a l, flexibilidade, fo r ç a e
r e s i s t ê n c i a m u s c u la r e c a p a c i d a d e a e r ó b ic a e no a s p e c t o do
c o n h e c im e n t o e a tit u d e a p l i c o u - s e um q u e s t io n á r io . A t r a v é s da
a n á l i s e dos r e s u lt a d o s foi p o s s í v e l o b s e r v a r que os a c a d ê m ic o s do
1° e 4° ano de ambos os sexos não a p r e s e n t a r a m d ife r e n ç a s
s i g n i f i c a t i v a s nos a s p e c to s de a t it u d e e da a p t id ã o f ís i c a , mas no
a s p e c t o do c o n h e c im e n t o a p r e s e n t a r a m uma d i fe r e n ç a s ig n i f i c a t i v a
de 1% en tre os a c a d ê m ic o s do 4° ano de am bos os sexos
c o m p a r a d o com os a c a d ê m ic o s do 1° ano.
1 PRO BLEMA

1.1 ENUNCIADO

D u ran te a m aior parte dos a p r o x im a d a m e n t e dois m il hõ es

de anos que se supõe a e x i s tê n c i a do homem na terra, este, de

forma geral, viv e u s obre in te n s a a t iv i d a d e f ís ic a . Sua a lim e n t a ç ã o

co m p osta principalm ente por a n im a is e v e g e ta is , sua pro te çã o

con tra in im ig o s n a t u r a is como a n im a is s e lv a g e n s , adversidades

c li m á tic a s, era assegurada g ra ças ao e m p en ho de suas

h a b i lid a d e s f ís i c a s como r e s is tê n c ia , força, v e l o c i d a d e , etc. Em

outras p a la v ras, para sua s o b r e v i v ê n c ia o homem p r im it iv o tin ha

n e c e s s id a d e de se utilizar de suas capacidades ou a p tid õ e s

físicas.

I n f e l iz m e n t e esta s it u a ç ã o não vem mais a c o n t e c e n d o em

f u n ç ã o de uma p r o g r e s s iv a a u to m a ç ã o e m e c a n iz a ç ã o o b s e rv a d a

nos dias de hoje, on de as m áq uina s tem e x e c u t a d o g r a n d e parte

do t r a b a lh o f ís ic o que o homem c o s tu m a v a r e a li z a r m anualm ente.

Na s o c ie d a d e m oderna o in d i v íd u o pa ssa a d e s e m p e n h a r ap enas

ta r e fa s que exige m muito po uco e s f o r ç o f ís ic o . A m a io r ia dele s

u t iliz a m -s e de a u to m ó v e is em seu meio de t r a n s p o r t e , reco rrem a

in úm ero s d i s p o s it iv o s t e c n o ló g i c o s para desempenhar suas

fu n ç õ e s no t r a b a lh o , e aind a optam por a t iv i d a d e s que red uzem ao

mínimo o esfo rço f ís i c o no p r e e n c h i m e n to de seu tem po livre ou


2

d e d ic a d o ao lazer, cultivando hábitos de vida ca d a vez mais

s e d e n t á r io s . Esta red u çã o do esforço f ís i c o tem causado as

c ha m ad as doenças h ip o c in é tic a s , que tem c o n t r ib u í d o para a

d i m in u iç ã o do grau de a p t id ã o f í s i c a nas p o p u la ç õ e s do mundo

i n d u s t r i a l (G UE DE S e GUE DES , 1992).

O e s t il o de v id a in a t iv o , provocado pe la t e c n o lo g i a

m od ern a é c o n t r ib u in t e em p o t e n c ia l para m uita s das e n f e r m id a d e s

d e g e n e r a t iv a s que podem a f e t a r d ir e t a m e n t e a saúde do homem,

tornando-o in c a p a z para determ inadas t a re fa s , ou até mesmo

levando-o à morte de form a prematura (M ONTO YE, c it a d o por

GUEDES e GUEDES, 1992, p . 16).

Segundo BERLIN & C O L D IT Z , c it a d o s por G UEDES e

GUEDES ( 19 93 b, p . 18) a f a lt a de a t i v i d a d e f í s i c a é um dos fa to r e s

de r is c o mais im p o r ta n te s para o d e s e n v o l v im e n t o de do en ç as

d e g e n e r a t iv a s ; como os d i s t ú r b i o s c a r d io v a s c u la r e s , o b e s id a d e ,

h i p e r te n s ã o , dia b e te s, etc., por sua vez, d i m in u in d o o nível de

q u a l id a d e de vida, mesmo q u a n d o m u ito s e s tu d o s e p id e m io ló g i c o s

s ug ere m que as pe s so a s adultas a t iv a s f is i c a m e n t e possam

r e d u z i r pe la met ade o ris c o d e s s a s do en ças.

Uma a t iv i d a d e física regular e m o d e ra d a não ap enas

r e ta rd a a pe rd a da c a p a c i d a d e f u n c i o n a l a s s o c ia d a à id ade e o

de suso, mas fr e q ü e n t e m e n t e r e v e r t e esta pe rd a i n d e p e n d e n te do

momento em que a sua vid a se to r n o u a tiv a (KATCH e McARDLE,

1990, p . 273).
3

É n e c e s s á r io que as p e s s o a s se t orn em mais c o n s c ie n t e s

da im p o r t â n c ia das a tiv i d a d e s f í s i c a s r e g u l a r e s pa ra a s aú de e

que d e s e n v o lv a m o desejo de a p l i c a r tal c o n h e c im e n to .

P o rta nto, o o b je tiv o de ste e s t u d o foi d i a g n o s t i c a r a a p t id ã o

física e o c o n h e c im e n t o t e ó r ic o do e x e r c í c io como meio de

promoção da saú de e suas relações com o h á b i to da p r á t ic a

regular en tre a c a d ê m ic o s do 1o an o e 4 o ano do curso de

L i c e n c ia t u r a em Ed uca ção F ís i c a da UFPR po r sere m estas

p e s s o a s os f u t u r o s p r o f is s io n a is qu e e s t a r ã o d i r e t a m e n t e lig a d o s

com es ta questão.

1.2 D E L IM IT A Ç Õ E S

1.2.1 Local

O p r e s e n te es tudo foi r e a l i z a d o na U n iv e r s id a d e F e d e ra l

do Paraná , no D e p a r ta m e n to de E d u c a ç ã o Fís ic a, na c id a d e de

C u r it ib a , Es tado do Paraná.

1.2.2 U n iv e rs o

A c a d ê m ic o s d e v id a m e n t e m a t r ic u la d o s no 1o e 4 o ano do

C u rso de L i c e n c ia t u r a em E d u c a ç ã o F ís ic a da UFPR, nos p e r í o d o s

m a tu tin o e ve s p e r tin o .
4

1.2.3 A m ostra

A am o s tra d e s te e s tu d o foi c o m p o s ta po r 2 g ru p o s de

a c a dê m ic o s , um do 1o ano e ou tro do 4 o ano, num t o t a i de 66.

Cada grupo foi fo r m a d o por 33 a c a dê m ic o s , d e s te s 18 são do sexo

f e m in in o e 15 do m a s c u lin o , sendo c o n s t it u í d a a t r a v é s de c o n v it e s

a b e r to s aos i n te r e s s a d o s .

1.2.4 V a r i á v e is

• Variável d e p e n d e n te : nível de a p t id ã o física e

c o n h e c im e n t o t e ó r ic o do e x e r c íc io como meio da pro m oç ã o

de saú de .

• Variável Independente: a c a d ê m ic o s do 1o e 4 o anos e

sexo.

1.2.5 Época

O e s tu d o d e s e n v o l v e u - s e no p e r ío d o de m arço a ou tu b ro

de 1994, s en do que a c o le t a de dado s r e f e r e n t e aos t e s t e s de

a p t id ã o f í s i c a foi realizado em maio e o q u e s t i o n á r i o s ob re o

c o n h e c im e n t o t e ó r i c o de a p t id ã o f ís ic a e os h á b ito s da p r á tic a

r e g u la r em j u n h o do mesmo ano.
5

1.3 J U S T I F I C A T I V A

E n qu anto a c a d ê m ic o s , os jo v e n s ten de m a não se

preocupar com a saú de , pois em geral, estes são os anos

c o n s id e r a d o s como a p o g e u da saúde. E n tr e ta n to , é n e c e s s á r io que

se dê mais a te n ç ã o a e s te asp ecto , pois o e s t il o de vid a e os

há b ito s são e s t a b e le c i d o s , em gra n d e parte, nessa fase da vida, e

podem in f l u e n c i a r a s a ú d e na m e i a - id a d e e na velhice.

Se gu ndo NAHAS (1989 , p . 13) a m a io ria dos a c a d ê m ic o s

que deixam as u n i v e r s i d a d e s b r a s il e ir a s p a rece m d e s in f o r m a d o s

ou m a l- in f o rm a d o s s o b r e os e fe ito s a médio e longo p ra zo que a

a t iv i d a d e f ís ic a r e g u l a r e uma n u t r iç ã o a d e q u a d a traze m p a ra a

saúde.

Desse modo o p r e s e n t e e s tu d o se ju s t i f i c a na m e d id a em

que c o n s id e r a que e x is te uma c a r ê n c ia de in fo r m a ç õ e s s o b r e os

b e n e f íc io s que o e x e r c í c io f í s i c o c o n t ín u o p r o p o r c io n a à s a ú d e do

in divíd uo , como m e lh o r ia na c a p a c id a d e cardiorrespiratória,

c a r d io v a s c u la r , m ú s c u lo e s q u e lé t i c o e, p r i n c i p a l m e n te , na

m e lh o ria da q u a l id a d e de vid a.

Os a c a d ê m ic o s do c u r s o de E d uca ção Física são os jo v e n s

que mais d ir e t a m e n t e e s tã o e n v o l v id o s com esta p r o b le m á tic a , por

se e n c o n tr a r e m e n q u a n t o p e s s o a s no ap ogeu de sua s a ú d e e ao

mesmo tempo têm a r e s p o n s a b i l i d a d e de uma c o n s c i e n t i z a ç ã o à

r e s p e ito da a t iv i d a d e f í s i c a como meio de prom oção da s a ú d e e


a q u i s iç ã o de h á b ito s saudáveis de vida quando d e ix a rem os

ba ncos e s c o la re s e a d e n t r a r e m no m erc a do de t r a b a lh o .

Este e s tu d o p r e te n d e u , através de um d ia g n ó s tic o ,

v e r i f i c a r como está o nível de c o n s c i e n t i z a ç ã o dos aca d ê m ic o s

q u a n to às q u e s tõ e s dos b e n e f í c i o s que a a t i v i d a d e f í s i c a r e g u la r

o f e r e c e ao in d iv íd u o .

1.4 OBJ ETIVOS

1.4.1 O b je tiv o geral

D i a g n o s t i c a r a a p t id ã o f í s i c a e o c o n h e c im e n t o t e ó r ic o do

e x e r c í c io como meio de p ro m o ç ã o da saú de e suas r e l a ç õ e s com o

há b ito da p rá tic a r e g u l a r e n tr e a c a d ê m ic o s de 1o ano e 4 o ano de

am bos os sexos do Cu rso de L i c e n c ia t u r a em E d u c a ç ã o F ísica da

UFPR.

1.4.2 O b je tiv o s e s p e c í f ic o s

1.4.2.1 A v a lia r os n ív e is de a p t id ã o f ís i c a dos a c a d ê m ic o s do 1o

ano em re la ç ã o ao 4 o ano, a t r a v é s de t e s t e s de campo, e n v o lv e n d o

v a r i á v e is r e l a c i o n a d a s a a p t id ã o f ís i c a ta is como: c o m p osição

c o r p o r a l, f l e x i b i l i d a d e , r e s i s t ê n c i a m us cu la r, f o r ç a e c a p a c id a d e

a e ró b ic a .
7

1.4 .2.2 I d e n t i f i c a r os níveis de c o n h e c im e n t o dos a c a d ê m ic o s do

1o ano em r e la ç ã o ao 4 o ano, através da a p li c a ç ã o de um

q u e s t io n á r io com p e r g u n ta s abertas e fechadas com conteúdo

r e l a c i o n a d o com a a p t id ã o f ís ic a e saúde .

1.4 .2 .3 Ide ntificar os h á b ito s de uma p r á t ic a regular dos

a c a d ê m ic o s do 1o ano em r e l a ç ã o ao 4 o ano, através de uma

p e r g u n t a c o n t id a no q u e s t io n á r io .

1.5 H IPÓ TES ES

Hi - Os n í v e is de a p t id ã o f í s i c a dos a c a d ê m ic o s do 4 o ano

in d e p e n d e n t e m e n t e do sexo, são m e l h o r e s do que os do 1o ano.

H2 - Os n ív e is de c o n h e c im e n t o dos a c a d ê m ic o s do 4 o ano

i n d e p e n d e n t e m e n t e do sexo, são m a i o r e s do que os do 1o ano.

H3 - q u a n to m aior o n ú m ero de s e s s õ e s p r á t ic a s s e m a n a is

r e a li z a d a s pe lo s a c a d ê m ic o s de e d u c a ç ã o f í s i c a no seu tem p o

livre, m a io re s os n í v e is de a p t id ã o f ís i c a .

H4 - Q u a n to m aior o n ív e l de c o n h e c im e n t o teórico da

a p t id ã o f í s i c a e saúde, m aior o n ú m e ro de p r á t ic a s regulares

sem a na is , c o n s e q ü e n t e m e n t e m e lh o r o nível de a p tid ã o f ís ic a .


8

1.6 P REM ISSAS

P í - Os a c a d ê m ic o s do 4 o ano possuem m aior tem po de

p r á t ic a de a t i v i d a d e f ís i c a r e g u la r, em r e la ç ã o aos a c a d ê m ic o s do

1o ano.

P2- Os a c a d ê m ic o s do 4 o an o cursa ram m a io r nú m ero de

disciplinas relacionadas com o c o n h e c im e n t o teórico sobre a

a p t id ã o f í s i c a e saúde em r e la ç ã o aos a c a d ê m ic o s do 1° ano.

P3 - A a d a p t a ç ã o ao e s f o r ç o exige, além de um li m ia r de

in te n s i d a d e e d u ra ç ã o tam bém uma c e rta f r e q ü ê n c ia sem a na l, e

esta r e l a c i o n a - s e com os n ív e is de m e lh o r ia na a p t id ã o f ís ic a .

P4 - O nível de c o n h e c im e n t o pode rá despertar uma

c o n s c iê n c i a s ob re a i m p o r t â n c ia da p r á t ic a da a t iv i d a d e f ís i c a

re g u la r, le v a n d o a uma a t it u d e po s itiv a .
2 REVIS ÃO DA L IT E R A T U R A

2. 1 AP T ID Ã O FÍSICA - UM ENFOQUE MODERN O

Na dé ca da de 70, m uita s d e f in i ç õ e s de a p t id ã o f ís ic a

e n f a t iz a v a m apen as os c o m p o n e n te s r e l a c i o n a d o s às c a p a c i d a d e s

m o to ra s e s p e c í f ic a s dos e s p o r te s , com o a a g il id a d e , p o tên cia ,

v e l o c i d a d e , etc. No f in a l de s s a mesma época, c o m e ç a ra m a s u r g ir

questões sobre a a u s ê n c ia dos c o m p o n e n te s relacionados a

saúde, e ou tros d e t e r m in a d o s p a r c ia lm e n t e pela h e r e d it a r i e d a d e .

Com isto, o c o n c e ito de a p t id ã o f ís i c a in c o r p o r o u bases

c i e n t í f i c a s , saindo da e s f e r a t r a d i c i o n a l que vis a v a a p e r f o r m a n c e

m oto ra de c a rá te r d e s p o r t iv o e m ilita r.

Em 1980 os e s p e c i a l i s t a s c h e g a r a m a um c o n s e n s o sobre

uma no va d e f in iç ã o de a p t id ã o f í s i c a qu e de ve ria e s t a r de ac ord o

com os s e g u in te s c r it é r i o s : r e f e r i r - s e às c a p a c id a d e s f u n c io n a i s

exigidas para a r e a li z a ç ã o das a t iv i d a d e s diárias; c o n te r

m a n if e s t a ç õ e s e r e s u lt a d o s relacionados a saúde , empregar

li n g u a g e m ac e s sív e l (B A R B A N T I, 1991).

De acordo com e s s e s critérios , a a p t id ã o física fic ou

c a r a c t e r iz a d a por “ uma c a p a c i d a d e de r e a li z a r a t i v i d a d e s d iá r ia s

com v ig o r e en erg ia e tam bém por uma d e m o n s tra ç ã o de tra ç o s e

capacidades que são a s s o c ia d o s com um b a ix o ris c o de


10

desenvolvim ento p re m a tu r o de doenças hip ocin ética s” (PATE,

c it a d o po r BA RB ANT I, 1990, p . 12).

Para CLARK, c ita d o por B A R B A N T I (1986, p . 26) a “ ap tid ã o

física é a capacidade de r e a li z a r t a r e f a s diárias com v ig or e

p r o n t id ã o , sem e x c e s s iv a fa d ig a e com am p la e n e r g ia , para

a p r e c i a r o tem p o liv r e e e n f r e n ta r as e m e r g ê n c i a s i m p r e v i s í v e i s . ”

Segundo KATCH e M cARDLE (1990 , p . 21 3) “ a a p t id ã o

física total requer uma endurance e uma fo r ç a m u s c u la r

satisfatórias, uma razoável fle xibilidade a r t ic u la r , um sistem a

c a r d i o v a s c u l a r e f i c i e n t e com um bom n ív e l de a p t id ã o a e r ó b ic a e

uma c o m p o s i ç ã o c o r p o r a l com um c o n t r o l e de pe so r a z o á v e l . ”

E mbo ra es ta s d e f in i ç õ e s e n f a t iz e m a s p e c t o s d if e r e n t e s da

a p t id ã o , não há d e s a c o rd o fundam ental e n tr e elas. Parece

un â n im e a id éia de que a a p tid ã o f í s i c a e x p r e s s a a c a p a c id a d e de

r e a l i z a r t r a b a lh o , t a n to f ís ic o como in t e l e c t u a l .

2.2 A P T ID Ã O F ÍS IC A R E L A C IO N A D A ÀS H A B IL ID A D E S MOTORAS

V E R S U S A P T ID Ã O F ÍS IC A R E L A C IO N A D A À SAÚDE

Para esclarecer o sig nificad o de a p t id ã o f ís i c a é

i m p o r t a n t e i d e n t i f i c a r seus c o m p o n e n te s que e stã o r e l a c i o n a d o s

ao d e s e m p e n h o a t lé t ic o e a q u e le s que e s tã o a s s o c ia d o s a algum

a s p e c t o da saú de . “ A a p tid ã o f í s i c a r e l a c i o n a d a à saúde ab rig a

a q u e le s a s p e c to s da função fisiológica, que ofe rec e m algu ma


11

p r o t e ç ã o aos d i s t ú r b i o s o r g â n ic o s p r o v o c a d o s por um e s til o de

v ida s e d e n t á r i a ” (CO RBIN, c it a d o por FOX & W H IT E H E A D , em

G UEDES e GUEDES, 1993a, p . 4). Dess e modo, a a p t id ã o física

r e l a c i o n a d a à saúde e n v o lv e c o m p o n e n te s qu e se r e la c io n a m com

o e s t a d o de saúde e que são i n f l u e n c i a d o s pe la a t i v i d a d e motora

r e g u la r. S e gu ndo BARBANTI (1990 , p . 3) e s te s c o m p o n e n te s são

“ r e s i s t ê n c i a c a r d i o r e s p i r a t ó r i a , c o m p o s i ç ã o c o r p o r a l, f le x i b i lid a d e ,

força e resistência m uscular.”

Por ou tro lado, a a p t id ã o relacionada às h a b ilid a d e s

m o to ra s in clu em a q u e la s v a l ê n c ia s f í s i c a s qu e p o s s ib ili t a m uma

p r á t ic a mais e f i c i e n t e dos e s p o rte s. Desse modo, os c o m p on en te s

e s p e c í f ic o s e f u n d a m e n t a is para a p e r f o r m a n c e a t l é t i c a são: “ a

a g il id a d e , o e q u i lí b r io , a coordenação, a p o t ê n c ia e as

velocidades de d e s lo c a m e n t o e reação” . (PATE, c ita d o por

G UEDES e GUEDES, 1993a, p . 5)

2.3 C O M P O N E N T E S DA A P T ID Ã O F ÍS IC A R E L A C I O N A D A À SAÚDE

2.3.1 R e s is t ê n c ia c a r d i o r r e s p i r a t ó r i a

É certo d i z e r que tod o ser hum ano n e c e s s i t a de um mínimo

de a p t id ã o c a r d i o r r e s p i r a t ó r i a para e x e c u t a r sua s t a r e f a s fís ic a s e

m e n ta is que o d i a - a - d i a impõe ao seu o r g a n is m o . Este mínimo

oferece a d a p ta ç õ e s f is i o l ó g i c a s , m o r f o l ó g ic a s e m e t a b ó lic a s ao
12

or g a n is m o . Os s is te m a s cardiovascular e resp ira tó rio são

r e s p o n s á v e is pelo fornecim ento c o n s t a n te de oxigênio, de

n u t r ie n t e s ao o r g a n is m o e tam bém da elim inação do gás

c a r b ô n ic o , do ácido lá c ti c o e do c a lo r LEITE ( 1 9 8 5 ); NAHAS

(1989).

A r e s i s t ê n c i a c a r d i o r r e s p i r a t ó r i a pode ser d e f i n i d a como:

“ a c a p a c i d a d e de c o n t i n u a r ou p e r s i s t i r em t a r e f a s p r o lo n g a d a s

que e n v o lv e m g r a n d e s g r u p o s m u s c u la re s . É uma c a p a c i d a d e dos

s is te m a s c i r c u l a t ó r i o e r e s p i r a t ó r i o para se a j u s t a r e se r e c u p e r a r

dos e s f o r ç o s do c orp o em e x e r c í c i o . ” (BARBANTI, 1990, p . 4)

D u ra n te o t r a b a lh o m u s c u la r de q u a l q u e r n a tu r e z a , para

que a f a d ig a não oc o rra p r e m a tu r a m e n te , é i m p r e s c in d í v e l que os

s is t e m a s r e s p i r a t ó r i o (p u lm õ e s ) e c i r c u l a t ó r i o ( c o r a ç ã o , a r t é ria s

c a p i l a r e s ) f u n c io n e m e f i c i e n t e m e n t e t r a n s p o r t a n d o o x i g ê n i o até os

m ú s c u lo s e n v o l v id o s na a t iv i d a d e . P o rta nto, a e f ic i ê n c ia

cardiorrespiratória é um fator im p o r t a n te tanto em e v e nto s

e s p o r t iv o s como nas a t i v i d a d e s do c o t id ia n o de q u a l q u e r pessoa

(NAHAS, 1989, p . 24).

Segundo HOLL MANN & HETTIN GER , c it a d o s por

BA RBANTI (1991, p . 7) “ a r e s i s t ê n c i a c a r d i o r r e s p i r a t ó r i a também

c o n h e c id a como c a p a c i d a d e a e r ó b ic a ou m u s c u la r g e r a l a e r ó b i c a ” .

F i s i o lo g ic a m e n t e , “a capacidade a e r ó b ic a solicita uma

participação s ig n i f i c a t i v a dos sis te m a s cardiorrespiratório e

m u s c u la r, no s e n t id o de a t e n d e r a d e m an da de o x i g ê n i o a tr a v é s da
13

c o r r e n t e s a n g ü ín e a , com o in tu it o de m a n t e r de fo r m a e f ic ie n te o

esfo rç o f ís ic o a nível m uscular.” ( B A R A N O W S K I, c it ad o por

GUEDES e GUEDES, 1993a, p . 5)

Para melhorar e m an ter a saúde, o in d i v í d u o pre cis a

d e s e n v o l v e r o m ú s c u lo c a r d í a c o e as o u t r a s p a r t e s do sistema

cardiorrespiratório. “ Os e x e r c í c io s que se p r e s ta m a esse

d e s e n v o l v im e n t o são chamados a e r ó b ic o s [c o r r id a , ca m inh ad a,

na tação, c ic l is m o ] e in c lu e m a t iv i d a d e s de média e lo n g a dura ção

(mais de 5 -1 0 m in u t o s ) de caráter din â m ic o , rítm ico e de

in te n s id a d e m o d e r a d a ” (NAHAS, 1989, 24).

O con s um o m áxim o de o x ig ê n io ( V O 2 máx.), ou c a p a c id a d e

a e r ó b ic a de p e n d e e s s e n c i a l m e n t e do d é b i to c a r d í a c o máximo e da

d i fe r e n ç a artério-venosa máxima, sendo V02 máx = dé bito

c a r d í a c o máximo X d i f e r e n ç a a r t é r i o - v e n o s a máxima. O V 0 2 máx e

o d é b ito c a r d í a c o q u a s e sem pre m e lho ram com o e x e r c í c io de

lo ng a du raçã o. A f r e q ü ê n c i a c a r d ía c a p e rm a n e c e c o n s t a n t e depois

do e x e r c í c io ou é r e d u z i d a (POLL OK; W IL M O R E e FOX, 1986).

A e f ic i ê n c i a da c a p a c i d a d e a e r ó b ic a po de s e r a v a lia d a

a tr a v é s de m étodos in d i r e t o s e d i r e t o s qu e pe rm item uma an á lis e

global do s is te m a cardiorrespiratório e m uscula r, procurando

d e t e r m in a r o í nd ic e de V 0 2 máx em am bos os m éto do s , assim, o

“ V 0 2 máx pode ser m e d id o d ir e t a ou in d i r e t a m e n t e atra v é s de

e r g o m e tr o s ( c ic l o e r g o m e t r o s , e s t e ir a r o la n te , b a nc o s ) ou em teste
14

de pista, em p r o t o c o lo s m áx im os ou s u b m á x i m o s ” . (LEITE, 1985,

p . 5)

Q uand o nos p a drõ es s u b m á x im o s de t e s te s o V 0 2 máx e o

d é b i t o c a r d í a c o p e rm an ece m r e l a t i v a m e n t e c o n s t a n te s , ao pa sso

que a f r e q ü ê n c i a c a r d í a c a máxima e a p r e s s ã o a r t e r i a l s i s t ó l ic a se

re d u z e m s ig n i f i c a t iv a m e n t e , e s te s in dic am m e lh o r e f i c i ê n c i a do

s is t e m a cardiorrespiratório. (POLLOK; W IL M O R E e FOX, 1986,

p . 56).

O con s um o de oxigênio V 0 2 máx depende da massa

m u s c u la r ativa. Q ua n d o sua m e d id a se r e la c i o n a com a u n id a d e de

m assa corp o ra l, d im in u i a d i f e r e n ç a e n tre os v a l o r e s a p r e s e n t a d o s

p e lo s homen s e p e la s m u lh e re s como o c o rre com r e la ç ã o a f o r ç a

m u s c u la r. O fa to de a m ulher g e r a l m e n t e a p r e s e n t a r um V 0 2 máx

i n f e r i o r ao do homem deve ser a t r i b u í d o ao s is tem a de t r a n s p o r t e

de o x i g ê n i o ( a p a r e lh o r e s p i r a t ó r i o e c a r d io v a s c u la r ) , seu c o r a ç ã o

e p u lm õ e s são menores. É f á c il c o m p r e e n d e r que d i f e r e n ç a s en tre

v o lu m e s is t ó lic o , a c a p a c i d a d e v it a l en tre homen s e m ulhe res,

c o n t r ib u e m para as diferenças de V02 máx (NADEAU e

PÉ RO NN ET, 1985, p . 16).

A t r a v é s do a c r é s c im o da id a d e p e r c e b e - s e uma r e d u ç ã o da

resistência a e r ó b ic a no in d i v íd u o , que afe ta sua c a p a c id a d e

m áx im a de t r a b a lh o e também lim it a o d e s e m p e n h o nos e x e r c í c io s

a e r ó b ic o s .
15

A redução da capacidade aeróbica com a idade está


documentada com base nos dados em corte transversal, calculou-
se que o declínio no V 0 2 màx é de aproxim adam ente 0 ,4m l.kg'1.
m in '1 p o r ano. Esta estim ativa pode s e r ligeiram ente alta, pois
existe uma nítida diferença no ritmo de declínio no V 0 2 màx, com
o envelhecim ento entre os in d ivíd u o s sedentários versus ativos.
Os indivíduos sedentários apresentam um ritmo de declínio quase
duas vezes mais rápido do V 0 2 máx à medida que envelhecem.
(McARDLE; KATCH e KATCH, 1992, p . 453).

S e g u n d o KATCH e M cA RDLE ( 1 9 9 0 ) e M cA RDLE ; KATCH e

KATCH (19 92 ) a capacidade do coração de bombear sangue

d e c r e s c e c erca de 8% em cada d é c ad a, à p a r t i r da id ade adulta

en tre 20 e 30 anos. Isto se deve em g r a n d e pa rte a involução,

d e v id o à idad e e as v á r ia s fu n ç õ e s r e l a c i o n a d a s ao tr a n s p o r t e e à

u t i l i z a ç ã o do ox igê nio. Uma a l t e r a ç ã o bem c o n h e c id a é a redução

p r o g r e s s i v a da f r e q ü ê n c ia c a r d ía c a m áxim a e, co n s e q ü e n te m e n te ,

o d é b i t o c a r d ía c o máximo po de s o f r e r uma r e d u ç ã o com a idade.

Uma a v a li a ç ã o a p ro x im a d a d e s te d e c l í n i o se po de f a z e r a tra vés da

r e la ç ã o : F C máx ( b a t im e n t o / m in ) = 220 - id a d e (anos).

A a t iv i d a d e f í s i c a reg u la r, entretanto, parece retardar o

declínio da F C máx r e l a c i o n a d a com a idad e, provocado pela

d i m in u iç ã o do d é b ito s is t ó l i c o qu e r e f le t e a l te r a ç õ e s da

c o n t r a t i l i d a d e m io c a r d ía c a (KATCH e M cARD LE, 1990, p . 272)

Em resumo, a resistência cardiorrespiratória é o

c o m p o n e n te mais im p o r t a n te da a p t id ã o f í s i c a e saúde. Por sua


16

vez, quando menos eficientes os sis tem a s cardiovascular e

r e s p ir a t ó r io , tem sido id e n t i f i c a d o como antecedente nas

cardiopatias e ou tras doenças d e g e n e r a t iv a s (B A R A N O W S K I,

c it a d o por GUEDES e GUEDES, 1993a, p . 5).

2.3 .1.1 A q u a n t id a d e e q u a l id a d e de exercício para o

d e s e n v o l v im e n t o e m a n u te n ç ã o da a p t id ã o f ís ic a

A n te s de i n ic ia r q u a l q u e r p ro gra m a de c o n d i c io n a m e n t o

físico que ven ha a m elhorar a a p tid ã o física do in d iv íd u o é

n e c e s s á r io um exame m é d ic o p r e li m i n a r e a o r i e n t a ç ã o de um

p r o f i s s i o n a l da áre a da E d u c a ç ã o F ísica são r e q u i s i t o s bá s ic o s

para o s u c e s s o no program a.

Nunca se deve e s q u e c e r “ as a t iv i d a d e s num pro gra m a de

c o n d i c io n a m e n t o físico de vem ser adequadas ao in divíd uo,

p r o g r e s s iv a s em in te n s i d a d e e du ra ç ã o , além de serem p ra tic a d a s

com r e g u l a r i d a d e ” (NAHAS, 1989, p . 25).

O C o lé g io Americano de M e d ic in a E s p o r t iv a , faz as

s e g u i n t e s re c o m e n d a ç õ e s p a ra o d e s e n v o l v im e n t o e m an ute nç ão

da a p t id ã o c a r d i o r r e s p i r a t ó r i a e c o m p o s iç ã o c o r p o r a l em ad ulto s

s e d e n t á r io s :
17

1. freqüência de treinam ento: 3 a 5 dias p o r semana;


2. intensidade do treinam ento: 60% a 90% da freqüência cardíaca
máxima de reserva ou 50% a 80% do consumo máximo de
oxigênio. ( V 0 2max)
3. duração do treinamento: 15 a 60 m inutos de atividade aeróbica
contínua, a duração depende da in tensidade da atividade; assim
sendo, uma atividade menos intensa deve s e r empreendida p o r
um período de tempo maior. P or causa da im portância do efeito
'aptidão to ta l' e o fato de a mesma ser alcançada mais
prontam ente nos programas com m aior duração , e levando-se
em conta os perigos potenciais e os problem as de obediência
associados à atividade de alta intensidade, a atividade com
intensidade baixa a moderada e duração mais longa é
recomendada para o adulto não atleta.
4. Tipo de atividade: qualquer atividade que utilize grandes
grupos musculares, que possa ser mantida e que seja rítmica por
natureza, exemplo: corrida, caminhada, natação, ciclismo, etc.
(SOUZA, 1989, p .59).

Em r e la ç ã o a estas recomendações as li te r a t u r a s

e s p e c i a l iz a d a s ap re se ntam u n a n im id a d e e c o n c o r d â n c ia em

relaçã o a in te n s id a d e , a du raçã o, a f r e q ü ê n c i a e t ip o de a t iv i d a d e

que po ssa d e s e n v o l v e r ou m an te r os n ív e is de a p t id ã o f ís ic a

s a t is f a tó r io .

Os e x e r c í c io s devem ser e x e c u t a d o s de 3 a 5 dias, sendo

que uma s e s s ã o ao dia. Essa re c o m e n d a ç ã o b a s e ia - s e :


18

Nos achados de que os p a rticip a n te s aprim oram sua aptidão


quando se exercitam dois dias p o r semana, porém obterão um
aprimoramento ainda m aior se exercitarem de 3 a 5 dias p o r
semana. Após essa freqüência observa-se um p la tô com 'retorno
d e s ce n d e n te ' para 6 a 7 dias p o r semana e o risco de lesão p o r
uso excessivo (overuse) aum enta. Os dias alternados são
recomendados para p e rm itir a recuperação após as sessões com
exercícios. (FOX; BOWERS e FOSS, 1991, p. 309).

De ntro de um pro g ra m a de t r e in a m e n t o físico ou tro s

f a t o r e s que devem s e r o b s e r v a d o s são a d u ra ç ã o e a i n te n s i d a d e

do e x e r c í c io . S endo assim um e s t u d o a p r e s e n t a d o po r MILESIS,

c it a d o por LEITE (1 9 84 , p . 78) revela :

O efeito de 15, 30 e 45 m inutos de duração de exercícios


aeróbicos, corridas lentas 5 vezes/semana a 85% FCméX, durante
20 semanas, com homens de 35 anos. 0 estudo m ostrou que os
exercícios de m aior duração apresentam m elhores respostas ao
treinamento, m a io r V 0 2 max e m a io r redução na gordura corporal.
As durações entre 15 e 30 m inutos mostraram pouca diferença
significativa e o mesmo ocorreu com o grupo 30 e 45 minutos, ou
seja, as diferenças de e fe ito de treinam ento foram mais
evidentes entre os grupos de 15 e 45 minutos.

S egundo LE IT E (1984, p . 79) “ os p r o g ra m a s r e g u la r e s de

e x e r c í c io s fís ic o s a e r ó b ic o s r e q u e r e m um mínimo de d u r a ç ã o (por

s e s s ã o ) de 15 m in utos . Os m e lh o r e s r e s u lt a d o s são o b t id o s com

s e s s õ e s « n t r e 30 e 60 min utos em i n t e n s i d a d e s ótim as. Assim que

a c a p a c i d a d e a e r ó b ic a melhora, a d u r a ç ã o po de s e r a u m e n t a d a ” .
19

Por ou tro lado, S O UZA (19 89 , p. 62) afir m a que “ o t r e in a m e n t o

a e r ó b i c o com menos de 2 d ia s por semana, menos qu e 50% do

consumo de oxigênio e menos que 10 m in u to s po r dia é

in a d e q u a d o para o desenvolvim ento e m anutenção da ap tid ã o

f í s i c a para a d u lto s s a u d á v e i s . ”

É i m p r e s c in d í v e l que o p a r t ic ip a n t e de um p r o g r a m a de

t r e in a m e n t o a e r ó b ic o d e s e n v o l v a antes de cad a ses sã o, alguns

e x e r c í c io s de a q u e c im e n t o , ou seja, os e x e r c í c i o s de f l e x i b i l i d a d e

afim de e v ita r d i s t e n s õ e s e /o u co n tu s õ e s nos t e c id o s m u s c u la re s

(M A T H E W S , 1973, p . 16).

Para NAHAS (19 89 , p . 26 ) “ cada s e s s ã o de e x e r c í c io s para

o c o n d i c io n a m e n t o aeróbico de ve ria incluir os s e g uintes:

a q u e c im e n t o (5 a 10 m in u t o s ) ; e x e r c í c io s a e r ó b ic o s (20 a 30

m in u t o s ) ; r e c u p e r a ç ã o (5 m in u to s ) e e x e r c í c io s de a lo n g a m e n to

m u s c u la r e f l e x i b i l i d a d e (±5 m i n u t o s ) . ” So bre este a s s u n t o FOX

(1991, p.312) afirma:

Antes de engajar-se na parte aeróbica do programa de exercícios, o


participante precisará aquecer-se e, após realizar a sessão, terá
que voltar à calma. São recomendadas três tipos de atividade de
aquecimento e de volta à calma: (1) exercícios de alongamento para
flexibilidade e possível proteção contra lesões séricas; (2) calistenia
para desenvolvimento da força e endurance muscular; (3) atividade
formal e rápida do tipo utilizado no programa aeróbico, ou seja,
[atividade específica para o treinamento ]. Sendo as duas primeiras
consideradas de m aior importância para o aquecimento, enquanto a
primeira e a terceira são consideradas mais importantes para a
volta à calma.
20

Quand o o o b je tiv o é a r e d u ç ã o da g o rd u ra c o r p o r a l, os

a u t o r e s como LEITE ( 1 9 8 5 ), PO LLOK; W IL M O R E e FOX (1986 ),

FOX; BO WER S e FOSS ( 1 9 9 1 ) a firm a m que a g o r d u r a c o r p o r a l só

se r ed uz em program as de e x e r c í c i o s fís i c o s a e r ó b ic o s r e a li z a d o s

p e lo men os 5 vezes por se m a n a .

Os in d iv íd u o s s e d e n t á r i o s n e c e s s ita m de um p e r í o d o m aior

de a d a p t a ç ã o in ic ia l ao t r e i n a m e n t o , para que a a q u i s i ç ã o de t o t a l

b e n e f í c i o de um pro g ra m a s e ja a lc a n ç a d a . Essa a d a p t a ç ã o po de

le v a r de 16 a 20 sem anas no m ín im o (SOUZA, 1989, p . 62).

Depois do pe río d o i n i c i a l de c o n d ic io n a m e n t o é n e c e s s á r io

que se promova uma adaptação no pro gra m a v is a n d o a

m a n u te n ç ã o dos níveis de a p t i d ã o a tin g id o s , pois a a p t id ã o f í s i c a

não se arm azena (NAHAS, 1989, p . 26). Sendo assim, q u a n d o um

in d i v í d u o cessa um t r e i n a m e n t o , os b e n e fíc io s o b t id o s d u r a n t e o

p r o g r a m a se red uzem c o n s i d e r a v e l m e n t e a níveis bem m ais ba ix o s

(K ATCH e McARDLE, 1990).

Os participantes de p ro g ra m a s de treinamento aeróbico que


param de treinar, re grid e m para seus níveis de pré-treina m e n to
depois de 10 semanas a oito meses. Uma redução de 50% na
melhora da capacidade aeró b ica tem sido mostrada em apenas
quatro a 12 semanas de cessado o treinamento. Estes dados
mostram que a perda da capacidade aeróbica é rápida mas,
totalmente variável em sua velocidade entre os in d ivíd u o s depois
de cessado o treinam ento. (POLLOK; WILMORE e FOX, 1986,
P .67)
21

Em resumo, a f r e q ü ê n c ia , in t e n s i d a d e e duração do

t r e i n a m e n t o s ão e s tím u lo s e f e tiv o s para a p r o d u ç ã o de um efeito

de t r e in a m e n t o . Em geral, “ q u a n to m en or o e s tím u lo , menor o

e f e it o e q u a n t o m aior o estím ulo, m a io r o e f e i t o ” (S O UZA, 1989,

p . 62).

2 .3 .2 C o m p o s iç ã o co r p o r a l

Os p a r â m e tr o s de c o m p o s iç ã o corporal que in te ressa m

mais d i r e t a m e n t e aos a s p e c to s da s a ú d e f u n c io n a l r e f e re m - s e as

in fo r m a ç õ e s relacionadas com a quantidade de gordura e sua

d i s p o s i ç ã o em t erm os de d i s t r i b u i ç ã o p e la s d i f e r e n t e s r e g iõ e s do

c o r p o (G U E D E S e GUEDES, 1993a). S endo assim, a c o m p o s iç ã o

corporal po de ser d e f in i d a como: “a porcentagem r e l a t iv a de

g o r d u r a e massa m a g r a ” (BARBANTI, 1986, p .28).

O p e so c o r p o r a l to tal é c o n s t i t u í d o por d o is com p on en te s:

gordura e massa magra (m ú s c u lo s , ossos, ág ua). Estes

com ponentes são os que causam as m a io re s variações na

d e t e r m i n a ç ã o da q u a n t id a d e total de peso no o r g a n is m o humano.

D e ss e modo, a lg u m a s pessoas são p e s a d a s p o r q u e tem músculos

m u ito d e s e n v o l v i d o s ou ainda uma o s s a t u r a p e sad a, mas nem por

isso são go rd a s . Por ou tro lado, m u ita s e s tã o no peso id eal mas

p o s s u e m g r a n d e q u a n t id a d e de g o r d u r a e por isso são obesas

(B A R B A N T I, 1990, p . 15).
22

0 e q u i l í b r i o c a l ó r i c o é f u n d a m e n t a l pa ra d e t e r m in a r o peso

e a c o m p o s i ç ã o c o rp o ra l, do q u a l é r e s u lt a n t e da r e l a ç ã o e n tr e a

in g e s tã o c a ló r ic a [ e n e r g ia e q u i v a l e n t e ao a lim e n to i n g e r id o ] e o

g a s to calórico [ e n e r g ia equivalente ao trabalho b i o l ó g ic o

d e s e m p e n h a d o ]. P e rd e-se p e so c o r p o r a lm e n t e quando o gasto

c a l ó r i c o excede a in g e s tã o c a l ó r i c a e se g a n h a pe so q u a n d o o

oposto acontece (ROCHA, 19 87 ).

P o d e -se a f ir m a r com c e r t e z a que o “ e x ce ss o de peso é um

d e s e q u i l í b r i o entre o nú m ero de c a l o r i a s i n g e r id a s e o de c a l o r i a s

c o n s u m i d a s nas a t iv id a d e s d i á r i a s ” (KATCH e M cARDLE , 1990,

p . 151).

A t u a lm e n t e existe evidência que o exc e s so de gordura

c o r p o r a l, isto é, o b e s id a d e , está a s s o c ia d o com v á r ia s

perturbações físicas, que são mais freqüentes e sérias em

p e s s o a s obesas. A o b e s i d a d e é c o n s id e r a d a um f a t o r de ris co

s i g n i f i c a t i v o a s s o cia do ao a p a r e c i m e n t o de do en ç as d e g e n e r a t iv a s

e tam b é m f r e q ü e n t e m e n t e a p r e s e n t a m u d a n ça s na p e r s o n a l i d a d e e

padrões de co m p o r ta m e n to como de p re ss ã o , a u to - e s tim a ,

irrita b ilid a d e e a g r e s s i v id a d e . (G U ED ES e GUEDES, 1993a;

B A R B A N T I, 1991; KATCH e M c A R D L E , 1990 e LEITE, 1985).

O in d iv íd u o obeso a p r e s e n t a uma t a x a de m o r t a l id a d e por

d o e n ç a c a r d io v a s c u la r duas v e z e s m aior do que um in d i v í d u o com

pe s o no rm a l ou a b aix o da m éd ia , com o afirmam, LEITE (19 85 ) e

NAHAS (1 9 8 9 ) e outros.
23

0 grau de o b e s id a d e é m e d id o a t r a v é s do p e r c e n t u a l de

gordura c o r p o r a l, sen do u t il i z a d a s diversas m a n e ira s . Uma

m a n e ira p r á t ic a e sim p le s de se d e t e r m in a r o percentual de

g o r d u r a que um i n d i v íd u o tem no c o r p o é a tr a v é s de m e d id a s de

d o b r a s c u t â n e a s em lo c ais padronizados no c orp o (B AR BA N TI,

1991).

A t r a v é s da l i t e r a t u r a e s p e c i a l i z a d a e n c o n t r a m - s e algu m as

d i v e r g ê n c i a s a r e s p e i t o dos v a lo r e s em p e r c e n t u a l p a ra c o n s id e r a r

o in d i v í d u o obeso. Essas divergências podem s er e x p li c a d a s

a t r a v é s das d i f e r e n ç a s e n tre as p a d r o n i z a ç õ e s de m e d id a para o

e s t u d o da c o m p o s iç ã o c o rp o ra l.

Para NAHAS (19 89 ) o in d i v í d u o é considerado ob eso

quando ex c e d e de 20% (homem ) e 30% ( m u lh e r) de gordura

c o r p o r a l; no e n tan to , para LEITE (1 9 8 5 ) os v a lo r e s são 15%

(homens) e 30% (m u lh e r e s ) e p a ra BARB ANTI (1 9 9 0 ) são

c o n s i d e r a d o s ob e s o s q u an do a p o r c e n t a g e m de g o r d u r a e s t iv e r

a c im a de 25% homem e para m u lh e r e s acim a de 33%.

Entre ho m en s e m u lh e r e s existe m diferenças na

c o m p o s i ç ã o c o r p o r a l, g e ra lm e n te , “ a m u lh e r é mais g o r d a que o

homem. Seu peso médio c o m p r e e n d e 21 a 28% do t e c i d o ad ip os o ,

e n q u a n t o o homem possui a p e n a s de 10 a 16%. Essas d i fe r e n ç a s

são c o n s t a n t e s d u r a n t e tod a a vid a, mesmo se a p o r c e n t a g e m de

t e c id o a d ip o s o aum enta com a idade. Embo ra essa p o rc e n t a g e m


24

este ja li g a d a a um f a t o r h o r m o n a l s e x u a l ” (NAD EAU e PÉ RONNET,

1985, p . 17).

Para que e x is ta uma redução da obesidade de forma

s a u d á v e l, é n e c e s s á r io qu e a d ieta a l i m e n t a r seja a c o m p a n h a d a

de e x e r c í c io s fís ic o s , p o is assim não o c o r r e m g r a n d e s p e rd a s de

peso em c u r t o in t e r v a l o de tempo. A q u e d a rá p id a e in te n s a do

peso c o r p o r a l po de c o l o c a r a saúde em risco, pois n e s te caso,

além da pe rd a de gordura há tam b ém a pe rd a de ou tros

c o m p o n e n te s essenciais ao o r g a n is m o como p ro teína s ,

c a r b o i d r a to s , v it a m in a s e o u t r o s (CED DIA , 1989). S o b re o as sunto,

ZUTTI e GOLDIN, c it a d o s po r LEITE (1985, p . 141) a firm a m que:

A vantagem de se a d ic io n a r program as de exercícios físicos em


indivíduos que se submetem à restrição dietética para fins de
redução do peso corporal. Estes pesquisadores verificam que
houve perda s im ila r de peso nos indivíduos que só se
submeteram à re striçã o dietética e naqueles que se submeteram
a dieta mais exercícios físicos. Mas observou-se que o grupo que
exercitou perdeu mais gordura co rp o ra l e ganhou massa magra;
enquanto no outro grupo houve perda de ' massa m a g ra ' e
gordura corporal.

Além dos f a t o r e s h e r e d it á r i o s , a in g e s tã o e x c e s s iv a de

a lim e n t o s e a in a t i v i d a d e são r e s p o n s á v e is pela m a io r ia dos casos

de e x c e s s o de peso (NAH AS, 1989, p . 4).


25

2 .3 .3 F l e x i b i l i d a d e

0 e s tu d o da q u a l id a d e física flexibilid ad e é de c r u c ia l

i m p o r t â n c ia para a função m uscular no rm al que requer uma

extensão de m ov im en to m a n t id a em todas as a r t ic u la ç õ e s .

P o rt a n t o , a f l e x i b i l i d a d e po de s e r d e f i n i d a como “ a a m p li tu d e de

m o v im e n to p o s s í v e l em uma a r t i c u l a ç ã o ou em um c o n ju n t o de

a r t i c u l a ç õ e s ” (H O LL A M A N N e H E T T IN G E R , c it a d o po r BARBANTI,

1991, p . 8).

Para DANTAS (1991, p . 33) a f l e x i b i l i d a d e é “ a q u a l id a d e

f í s i c a r e s p o n s á v e l pela e x e c u ç ã o v o l u n t á r i a de um m o v im e n to de

a m p l i t u d e a n g u la r máxima, po r uma a r t ic u la ç ã o ou um c o n ju n to de

articulações, dentro dos li m it e s m o r f o ló g ic o s , sem o r is c o de

provocar lesão.”

A t u a lm e n t e é b a s ta n te f r e q ü e n t e as pe s s o a s se q u e ix a re m

de d o r e s lo m b a r e s e/ou articulares, principalm ente nas id ad es

mais a v a n ç a d a s . Essas do res, no e n ta n to , podem d e r iv a r - s e das

deformações p o s t u r a is que se d e s e n v o lv e r a m gradualm ente

durante an os, po r d e s g a s te natural do a p a r e lh o lo c om o to r,

associado a uma fa lt a de atividade f ís i c a a p r o p r ia d a . As

deformações p o s t u r a is e stã o relacionadas com deficiência na

a p t i d ã o f í s i c a d e s s a s pess oa s, ou seja, d e b i lid a d e s dos m ús cu lo s

a b d o m in a is , ju n t a m e n t e com uma r i g i d e z e x c e s s iv a dos m ú s c u lo s

da r e g iã o lo m b a r (GUEDES e G UEDES, 1992).


26

Para BA RBANTI (1990 , p . 6) “o fortalecim ento da

m u s c u la tu r a a b d o m in a l e a m e lh o r a da f l e x i b i l i d a d e da c o lu n a e

do q u a d r il, com o conseqüente a l o n g a m e n t o da m u s c u la tu r a

p o s t e r i o r do tr o n c o e p o s t e r io r das coxas, podem prevenir as

chamadas do re s nas c o s ta s .”

As pe s so a s pouco a tiv a s s ã o em geral menos f le x í v e is ,

quer dizer, tem menor m obilidade articular e elasticidade

m u s c u la r. Po rta nto, essa s p e s s o a s n e c e s s ita m de um p ro gra m a

qu e v en ha desenvolver sua fle xib ilid a d e . “ Os e x e r c í c io s de

alongam ento podem a ju d a r no aumento e na m a n u te n ç ã o e

r e a b i l i t a ç ã o do j o g o a r t i c u l a r ou em s é r ie de a r t ic u la ç õ e s . Esses

e x e r c í c io s podem ser in c lu íd o s no a q u e c im e n t o e/ou no pe río d o

v o l t a à calma [ a n te s e após a f a s e de c o n d ic io n a m e n t o a e r ó b ic o e

uma s e s s ã o de e x e r c í c i o s ] “ (ROCHA, 1987, p . 50).

A a m p litu d e de m o v im e n to s dos seg m en tos em to r n o das

articulações dim in u i consideravelm ente com a idade, est as

m o d if ic a ç õ e s podem ser observadas através dos e s tu d o s que

c o n s id e r a m ap en as a a m p litu d e de m o v im e n to do t r o n c o e das

articulações s e g m e n ta r e s pró x im a s , e n tr e 20 e 60 anos a

fle xibilid ad e so fre u uma r e d u ç ã o de 30 a 50% (N AD EAU e

PÉ R O N N ET, 1985).

No ta -se que a f l e x i b i l i d a d e das m u lh e re s é s u p e r i o r a dos

ho m ens, d e v id o a d i f e r e n ç a s h o r m o n a i s , ou seja, a taxa s u p e r i o r

de e s t r ó g e n o p ro d u z uma r e te n ç ã o de ág ua um pouco s u p e r i o r e
27

uma p e r c e n t a g e m mais e le v a d a de t e c id o a d i p o s o e m enos ele vada

de massa m u s c u la r. A c a p a c id a d e de e s t i r a m e n t o da m u lh e r acha-

se aumentada p e la m enor d e n s id a d e dos t e c id o s (WEINECK,

c it a d o por DANTAS, 1991, p . 37).

2 . 3 .4 F o r ç a m u s c u la r e r e s i s t ê n c i a m u s c u la r

A f o r ç a m u s c u la r r e f e re - s e à “ q u a n t i d a d e m áxim a de força

ou t e n s ã o qu e d e t e r m in a d o m úsculo ou g r u p a m e n t o de músculos

pode gera r. “ (RIBE IRO , 1993, p . 45).

A f o r ç a de certo s g ru po s m u s c u la r e s é n e c e s s á r ia “ para

m a n u t e n ç ã o da p o s tu r a ere ta e para r e a l i z a ç ã o de v á r i a s tarefa s

diárias qu e e n v o lv e m contrações is o m é t r ic a s e is o tô nic as "

( B A R B A N T I, 1991, p . 8).

A r e s i s t ê n c i a m u s c u la r é d e f in i d a como “ a c a p a c i d a d e do

m ú s c u lo repetir m o v im e n to s id ê n ti c o s durante um tempo

p r o l o n g a d o ou de m an ter um grau de t e n s ã o d u r a n t e um longo

p e r í o d o de t e m p o ” (BA R B A N TI, 1991, p . 8).

Os indivíduos n e c e s s ita m de uma eficiên cia m úsculo -

e s q u e l é t i c a , p r i n c i p a l m e n t e , na reg iã o lo m b a r e p o s t e r i o r da coxa,

p a ra qu e possam d e s e n v o l v e r suas t a r e f a s d i á r i a s sem fa d ig a s e

sem do res . As p e s s o a s que levam uma v id a s e d e n t á r ia produzem

m ú s c u lo s a b d o m in a is f l á c i d o s e fr a c o s , po r f a l t a de e x e r c íc io s

( B A R B A N T I , 1991).
28

Se gundo GUEDES e GUEDES (1993a) a m an utenção de

con diçõe s ótimas de força e re s is tê n c ia muscular torna-s e um

im portante mecanismo em termos de saúde fun cion al, notadamente,

no que se refe re a prevenção e te r a p ia de problem as po sturais e

d is tú rb io s músculo -esqueléticos.

Teoricam ente, os músculos fra co s cansam fa c il m e n te e não

podem s u s te ntar a coluna ereta, e os músculos ab dom in ais fraco s e

os músculos posteriores da coxa en c u rta d o s fazem com que a pélvis

se in clin e para frente, causando uma h i p e rlo rd o s e BARBANTI (1990).

Assim os exercícios r e g ulare s e ad equados para

d e s e n v o lv im e n to e resis tê ncia da mus cula tu ra abdo minal são

im port ante s na prevenção e r e a b ilita ç ã o dos problem as de coluna

lombar. Os exe rcício s que se pre stam a este tr ab alh o podem ser

c la s s ific a d o s em: isotônicos e isom étric os (NAHAS, 1989)

A fo rça muscular sofre m od if ic a çõe s que acompanham o

en v elhe cim en to, sendo que “ entre 20 e 30 anos a força reduz

m oderada men te; aos 40-50 anos a dim in uiç ão total é de

a p r o x im ad am en te 10 a 20%. Ac o ntece le ntam ente até os 50 anos

a c e le r a n d o - s e em s e g uida” (NADEAU e PÉRONNET, 1985, p.40).

Os homens possuem maior forç a m uscular que as mulheres.

Esta d ife re n ç a ap resenta-se na pu be rd ade, devid o o aumento da

pro du ção de testosterona (ho rm ôn io masc ulino) que favo rece o

d e s e n v o lv im e n to da massa muscu lar (NADEAU e PÉRONNET, 1985).


29

2.4 B EN E FÍC IO S G ER AIS DO EXER C ÍC IO FÍSICO

Nos ú ltim o s an os a p o p u la ç ã o a d u l t a tem s id o c o n s id e r a d a

com o menor í n d ic e de a p t id ã o física relacionada a saúde

c o m p a r a ti v a m e n t e com g ru p o s de a l g u n s an os a trá s. Por sua vez,

esse m en ore s í n d ic e s estão relacionados com uma m aior

in c id ê n c ia de uma s é r ie de fa t o r e s de r is c o como: a u m en to do

peso c o r p o r a l, ta x a s e l e v a d a s de c o l e s t e r o l , h i p e r t e n s ã o , etc., que

com o a u m en to da idade, d e verá o c a s i o n a r uma d i m in u iç ã o nas

funções c a r d i o v a s c u la r e s , e, conseqüentemente, provocando as

doenças d e g e n e r a t iv a s . Ne ste s e n t id o , fatores como stress,

in g e s tã o de a l im e n t o s com alto te o r de g o rdu ra, fumo, c o n tr ib u e m

d e c is i v a m e n t e para que isto venha a a c o n t e c e r ; e n t r e t a n t o , o f a t o r

de m a io r contribuição é a f a lt a de a t iv i d a d e física en tre as

pe s s o a s nos dias de hoje (GUEDES e GUEDES, 1992). Neste

asp ecto , LEITE (1 9 8 5 ) c o n s id e r a o s e d e n t a r is m o como um dos

f a t o r e s de ris co c o r o n a r i a n o e a p r á t ic a de e x e r c í c io s f ís i c o s como

p r e v e n ç ã o co n tr a os p r o c e s s o s d e g e n e r a t i v o s no o r g a n is m o . Sa be-

se qu e est es processos se in s ta la m mais r a p id a m e n t e em

i n d i v í d u o s de baix a c a p a c i d a d e f u n c i o n a l motora. Uma da provas

mais c o n v in c e n t e s deste f a to é a r a p id e z e a d e t e r io r iz a ç ã o

c a r d i o r r e s p i r a t ó r i a e c ir c u l a t ó r i a que o c o r r e m como r e s u lt a d o de

um p e r í o d o de im o b i l i z a ç ã o p r o lo n g a d a .
30

Em ge ral, p e s s o a s f i s i c a m e n t e a tiv a s tem “ men os s in to m as

c lí n i c o s de c a r d io p a ti a . Q u a n d o o c o r r e um a c i d e n t e c a r d ía c o , as

sua s cha nc e s de s o b r e v i d a são muito m a io re s do que as dos

s e d e n t á r i o s ” (KATCH e M cARD LE, 1990, p . 288). Esse a s p e c t o é

e n f a t iz a d o por M cA R D LE ; KA TCH e KATCH (1992 , p . 4 1 6 ) q u a n d o

a fir m a que:

O risco rela tivo da doença cardíaca coronariana fa ta l entre os


sedentários é cerca de duas vezes m aior que para indivíduos
mais ativos. Tanto para homens como para mulheres, a
manutenção da a p tid ã o física por toda a vida também
proporciona uma prote çã o significativa sobre os fa to re s de risco.

Não o b s ta n te , parece não e x i s ti r d ú v id a s de que a

atividade física praticada de form a adequada [ in t e n s id a d e ,

d u r a ç ã o , f r e q ü ê n c i a ] p o s s a c o n t r i b u i r d e c is i v a m e n t e para a m e n iz a r

os f a t o r e s de r is c o como: h i p e r te n s ã o , o b e s id a d e , s e d e n t a r is m o e

o u tro s , r e d u z in d o de f o r m a sig nificativa o desenvolvim ento de

c e r t a s do en ç as m e d ia n t e a m e lh o r ia da c a p a c i d a d e f u n c i o n a l dos

in d iv íd u o s , a qu al, por sua vez, de verá c o n t r i b u i r p a ra que oc o rra

uma m e lh o r ia no nível de q u a l i d a d e de vid a (G U ED ES e GUEDES,

1992; BARBANTI, 1990; LE IT E, 1985; N A H A S .1 9 8 9 e ou tro s ).


31

2.5 D E F IN IÇ Õ E S DE TERMOS

APTIDÃO: É a c a p a c id a d e que o homem po s sui de d e s e n v o l v e r

su a s t e n d ê n c ia s n a tu r a is ou adquiridas e de a t in g ir , med iante

t r e i n a m e n t o a d e q u a d o e s is t e m a t iz a d o , um d e t e r m in a d o nível de

h a b i l i d a d e o p e r a c io n a l (M E LC H E R T S , 1983, p . 24).

A T IV I D A D E F ÍS IC A : É q u a l q u e r m o v i m e n to c o r p o r a l p r o d u z id o por

m ú s c u lo s e que r e s u lta em m a io r d i s p ê n d io s de e n e rg ia

(M c A R D L E , 1992, p .450).

E X E R C ÍC IO FÍS ICO : É a a t iv i d a d e f í s i c a p la n e ja d a , e s t ru tu ra d a ,

repetitiva e in te n c io n a l (M cAR D LE; KATCH e KATCH, 1992,

p . 45 0).

E X E R C ÍC IO AERÓBICO: É tod o e q u a l q u e r e x e r c í c io qu e util iz a o

s is t e m a a e r ó b ic o p r e d o m in a n te m e n te , ou seja, é um e x e r c í c io cuja

in t e n s i d a d e é submáxim a e de d u r a ç ã o a 3 m in utos, pode nd o ser

l o c a l i z a d o ou g e n e r a liz a d o , e s t á t i c o ou d in â m ic o (LEITE, 1985,

p . 11).

A E R Ó B I C O : via m e ta b ó lic a para r e s s í n t e s e de ATP, d e p e n d e n te

do o x i g ê n i o (NAHAS, 1989, p . 25).

F R E Q Ü Ê N C IA CAR DÍACA MÁXIMA: é o nú m ero máximo de vezes

que o coração se contraí no p e r í o d o de um minuto. Expressa

c o m u m e n te em b a tim e n to s po r m in u t o ou em s í s to le por minuto

(F OX; BO W ER S e FOSS, 1991, p . 178).


32

DÉBITO CARDÍACO : v o lu m e de sa n g u e e je t a d o na ao rta em um

m in uto. É m ed id o pe lo p ro d u to do v olum e sistólico vezes a

f r e q ü ê n c i a c a r d í a c a (LEIT E, 1984, p . 4).

V 0 2max: s i g n i f i c a o c o n s u m o máximo de o x i g ê n i o em um minuto. É

m ed id o em litr o s por m in u to ( v a lo r a b s o l u t o ) ou em m il ili t r o s por

q u il o g r a m a de peso corporal po r m in uto (valor r e la t iv o )

(PO LLO C K; W IL M O R E e FOX 1986, p . 55).

SAÚDE: é um e s t a d o de c o m p le to bem-estar f ís ic o , mental e

s o c ia l. ( O r g a n iz a ç ã o M u n d ia l de Saúde, c it a d o por GUEDES

(1993b, p . 19).

C O N T R A Ç Ã O IS O T Ô N IC A : c o n t r a ç ã o na qual o m ú s c u lo se en c urta

com tensão variável ao le v a n ta r uma carga c o n s t a n te (FOX

BO W E R S e FOSS, 1991, p . 495).

CO N T R A Ç Ã O I S O M É T R IC A (E S T Á T IC A ): contração na qual a

te n s ã o é d e s e n v o l v id a , porém não se o b s e rv a ne n h u m a mud an ça

no c o m p r im e n t o do m ú s c u lo (FOX; BO WERS e FOSS, 1991,

p . 495).
3 M E T O D O L O G IA

3.1 TIPO DE PE SQ UISA

P e s q u is a de cam po do tip o d e s c r it iv a .

3.2 P R O C E D IM E N T O S M E T O D O L Ó G IC O S

S o lic i t a ç ã o de a u t o r iz a ç ã o ju n t o aos p r o f e s s o r e s do Curso

de E d u c a ç ã o F ís ic a da UFPR para u t il i z a ç ã o do h o r á r i o de s tin a d o

as sua s d i s c i p l i n a s para r e a li z a ç ã o dos t e s t e s físicos com os

a c a d ê m ic o s do 1o ano e do 4 o ano. Logo após o p a r e c e r fa v o rá v e l

dos p ro f e s s o re s , foi r e a li z a d o um c o n v it e in fo rm a l aos

a c a d ê m ic o s , a tr a v é s de a p r e s e n t a ç ã o do o b j e t i v o do e s tu do e,

p r i n c i p a l m e n t e , i n f o r m a n d o - o s dos dias e h o r á r i o s m a r c a d o s para

a p l i c a ç ã o dos testes.

Para que fo s s e p o s s ív e l uma n o ta ç ã o i n d i v i d u a l de cada

a c a d ê m ic o nos a s p e c t o s f ís ic o s , foi n e c e s s á r io a c o n f e c ç ã o de

uma f ic h a de a v a li a ç ã o co n te n d o dados p e s s o a is e

a n t r o p o m é t r ic o s e dados d ir e c i o n a d o s aos testes exe cu ta dos,

(v id e an exo 1).

O segundo in s tr u m e n to u t il iz a d o na p e s q u is a foi um

q u e s t i o n á r i o c o n s t i t u í d o com onze p e r g u n ta s a b e r t a s e fechadas,

s e n d o dez sobre o c o n h e c im e n t o te ó r ic o do e x e r c í c io como meio


34

de p r o m oçã o da s aú de e uma s ob re o h á b i t o de uma p r á tic a

re g u la r. O c o n t e ú d o das q u e s t õ e s c o n t id a s n e s te in s tr u m e n to , foi

s u b m e t id o à v a l id a ç ã o por três p r o f e s s o r e s do C u rso de E duc a ç ão

F ís ic a da UFPR, sendo o b t id o o parecer favorável de dois

professores e uma recu sa. M e d ia n t e a aprovação desses

p r o f e s s o r e s foi p o s s ív e l a a p l i c a ç ã o do in s t r u m e n t o de pe s q u is a .

3.3 DE SC RIÇÃO DA C O L E T A DE DADOS

Os a c a d ê m ic o s fo ra m s u b m e t id o s à a v a li a ç õ e s de

características a n t r o p o m é t r ic a s , ne uro m u s c u la r , m e ta b ó lico ,

c o n h e c im e n t o t e ó r ic o e de h á b ito s da p r á t ic a reg u la r. Na es fera

a n t r o p o m é t r ic a fora m d e t e r m in a d o s v a lo r e s p a ra e s ta tu r a , peso

corporal e percentual de g o rd u ra . Na área ne uro m u sc u la r

p r o c u r o u - s e d e t e r m in a r v a l o r e s para as v a r i á v e is , r e s i s t ê n c i a de

força e flexibilidade e na m e ta b ó lic a , foi a v a li a d o o consumo

m áxim o de o x ig ê n io . Nos a s p e c t o s do c o n h e c im e n t o t e ó r i c o e o

h á b i to da p r á tic a re g u la r, p r o c u r o u - s e d e t e r m in a r v a lo r e s atra v és

da a p li c a ç ã o do q u e s t io n á r io .

Os t e s te s f ís i c o s foram r e a li z a d o s no laboratório do

D e p a r ta m e n to de E d u c a ç ã o F ís ic a exceto o t e s t e de C o o p e r que

f o i r e a l i z a d o na p is ta de a t le t is m o da UFPR.

As a v a li a ç õ e s fo ra m f e it a s nos m esmos dias e h o rá rio s

m a r c a d o s para as r e s p e c t iv a s turm as, com a p a r t i c i p a ç ã o de uma


35

equipe de a v a li a d o r e s c o m p o s ta por a c a d ê m ic o s p r e v ia m e n te

t r e in a d o s .

Para a e x e c u ç ã o dos t e s t e s foi o b e d e c id a uma s e q ü ê n c ia

d e t e r m in a d a pe lo responsável pela p e s q u is a ; sendo c o le t a d o s ,

p r im e ir a m e n te , os d a d o s a n t r o p o m é t r ic o s (peso, e s t a t u r a e dobra

cu tâ n e a ) ; d e p o is n e u r o m u s c u la r ( f le x i b i l i d a d e , a b d o m in a l e barra

f ix a ) e po r últim o m e t a b ó l i c o (C o op er).

Os a c a d ê m ic o s receberam uma fic h a de a v a l i a ç ã o e as

d e v id a s in fo r m a ç õ e s do p r e e n c h i m e n t o dos da do s p e s s o a i s e da

s e q ü ê n c i a dos te s te s . Lo go após o e n c e r r a m e n to dos t e s t e s do

la b o r a t ó r i o , os a c a d ê m ic o s entregaram as fichas para o

responsável da p e s q u is a e d e s lo c a r a m - s e para a p is ta de

a t le t is m o on de foi r e a l i z a d o o teste de Coop er, e as in fo r m a ç õ e s

f o r n e c i d a s sob re o te s te , p r i n c i p a l m e n t e como seria p r o c e d i d a as

m a r c a ç õ e s das v o l t a s p e r c o r r i d a s pe lo s a c a d ê m ic o s. O a v a li a d o r

permaneceu no lo c al on de foi da do o ponto de partida para

c o r r i d a , tod as as v e z e s que o a v a li a d o p a s s a ss e p e lo a v a li a d o r

d e v e r i a f a l a r seu no m e para que o a v a l i a d o r m a rc a s s e o número

de v o l t a s p e r c o r r i d a s p e lo s e x e c u t a n t e s (vid e anexo 2).

As in fo r m a ç õ e s s o b re cada te s te foram d e t a lh a d a m e n t e

f o r n e c i d a s e as d ú v id a s sa n a d a s .

Para a a n á l is e do q u e s t i o n á r i o do c o n h e c im e n t o t e ó r i c o do

e x e r c í c i o como meio de p r o m o ç ã o da saú de , foi a t r i b u í d o um ponto


36

pa ra cada qu es tã o , totalizando no máximo dez po nto s. Nas

q u e s t õ e s a b erta s, os v a l o r e s fora m d i v i d i d o s pelo s n ú m e r o s de

alternativas c o r r e ta s e a c e it á v e is , sendo que as alternativas

a s s i n a la d a s e r r o n e a m e n t e fo r a m ig n o r a d a s . Q uanto as q u e s t õ e s

f e c h a d a s , c o m p u t o u - s e o v a l o r de um p o nto para r e s p o s ta c e r t a e

z e r o para r e s p o s t a errada.

No f in a l foram somados os valores o b tid o s em cad a

q u e s tã o , c o n s t i t u i n d o assim, um e s c o r e para cada ac a d ê m ic o .

3.4 D E SC R IÇ ÃO DOS TE S TE S

Os testes u t il i z a d o s para a p e s q u is a foram: a v a li a ç ã o

a n t r o p o m é t r ic a : e s ta tu r a e pe so c o r p o r a l s e g u n d o a o r i e n t a ç ã o de

M A T SU D O (1982 , p .20), e s p e s s u r a das d o bra s cu tâ n e a s (G UE DES

e GUE DES, 1990, p . 20); a v a l i a ç ã o n e u r o - m u s c u la r : f l e x i b i l i d a d e e

b a rra fix a s e g u n d o a o r i e n t a ç ã o de M A T H EW S (1980, p . 96 e 50),

a b d o m in a l segundo a orientação de MAT SUDO (19 82 , p . 59);

a v a l i a ç ã o m e ta b ó lic a : c o r r i d a de 12 m in utos s e g un do a o r i e n t a ç ã o

de C O O P ER (1972 , p . 37), qu e se e n c o n t r a m d e s c r it o s no a n e x o 3

do p r e s e n t e estudo .
37

3.5 INSTRUMENTAÇÃO

Os da d o s c o l e t a d o s u t iliz a r a m os s e g u i n t e s in stru m e n to s :

a) Q u e s t i o n á r i o com p e r g u n ta s a b e r t a s e f e c h a d a s ( v id e an exo 4);

b) T e s te de cam po r e l a c i o n a d o a a p t id ã o f í s i c a e saúde;

b.1) Dado s A n t r o p o m é t r i c o s

1 b a la n ç a f i l i z o l a com p re c is ã o de 100 gr - peso c o r p o r a l.

1 f it a m é tr ic a f i x a d a na parede com g r a d u a ç ã o em c e n t ím e tr o e

d e c í m e t r o de c e n t r í m e t r o e um c u r s o r a n t r o p o m é t r i c o - estatu ra.

1 compasso Ascorf com pre cis ã o m áxim a de 0,2 m il ím e tro s -

m ed id a da e s p e s s u r a das dobras c u tâ n e a s .

b.2) Dado s n e u r o m u s c u la r

1 ba nc o de W e l l s - f le x i b i lid a d e .

2 c o lc h õ e s de g i n á s t i c a ; 1 c r o n ô m e tr o com p r e c is ã o de se gundo -

a b d o m in a l.

1 s u p o r t e p a ra b a r r a fixa; 1 barra; 1 c o rd a - f le x ã o de braço.

b.3) Da dos m e t a b ó lic o s

Pis ta de a t l e t is m o d e m arc a da a ca d a 10 m; 1 c r o n ô m e tr o com

p r e c is ã o de s e g u n d o ; 1 prancheta.
38

3.6 T R A T A M E N T O E S T A T ÍS T IC O

Para te stag em das h i p ó t e s e s f o r m u l a d a s fo ra m u t il iz a d o s

te ste s p a r a m é tr ic o s (“t ” de student) para as v a r i á v e is

in d e p e n d e n te s , tod os a nível m ínim o de s ig n i f i c â n c i a de 1% e 5%

para a c e it a ç ã o ou rejeição da hipótese e, para a variável

d e p e n d e n te foi usado o t e s t e “ z ” a n ív e l mínim o de s ig n i f i c â n c i a

de 1% e 5% para a c e it a ç ã o ou r e j e i ç ã o da h i p ó te s e e c á l c u l o

p e rc e n tu a l.
4 R E S U L T A D O S E DISCUSSÕES

A amostra e n c o n tra - s e caracterizada conforme a ta b e la

ab aix o:

Tabela 01: V a lo r e s m é d io s (x) e respectivos d e s v io s -

p a d r ã o (Sx) dos d a d o s a n t r o p o m é t r ic o s : peso, a l t u r a e idad e dos

a c a d ê m ic o s do 1o e 4 o ano de am b os os sexos.

SÉRIE SEXO N P E S O (Kg) ESTATURA(cm) I D A D E (Anos e meses)

x ± Sx x ± Sx x ± Sx

1« M 15 68,57 5,64 176 4,81 20 e 5 2,65

4° M 15 71,21 13,45 174 8,19 23 e 7 2,01

1o F 18 56,89 8,66 165 6,57 19 e 9 2,46

4o F 18 56,92 6,15 166 5,96 23 e 2 2,05

Os d a d o s a p re s e n t a d o s acim a m ostram os v a l o r e s médios

e seus resp ectivos d e s v io s - p a d r ã o dos dados a n t r o p o m é t r ic o s

a v a li a d o s . Observa-se que os a c a d ê m ic o s do 4° an o po ssuem

m a i o r ín d ic e de pe s o c orp ora l e de id ad e em r e l a ç ã o ao 1o ano,

in d e p e n d e n t e m e n t e do sexo. Na e s t a tu r a os a lu n o s do 4° ano

a p r e s e n t a m m e n o r índic e no sexo m a s c u li n o e o f e m in im o ob teve

m a i o r v a l o r em r e l a ç ã o as a lu n a s do 1o ano.
40

A) APTID Ã O FÍS ICA

T a b e la 02: R e s u l ta d o s o b t id o s nos testes “t ” entre

a c a d ê m ic o s do 1o e 4 o ano de ambos os se x o s e os v a l o r e s médios

(x) e r e s p e c t iv o s d e s v i o s - p a d r ã o (S x) do p e r c e n t u a l de go rdu ra.

SÉRIE SEXO %GORDURA Tcalculado NÍVEL DE

x i Sx SIGNIF.

1o M 14,94 4,24
0,4150 NS
4o M 15,24 5,55

1° F 26,04 3,05
1,8028 NS
4o F 24,87 4,30

A ta b e la 02 m o s tra que na a v a li a ç ã o do p e r c e n t u a l de

gordura não ocorreram d i fe r e n ç a s significativas en tre os

a c a d ê m ic o s do 1o e 4 o ano de ambos os sexos. Como era

e s p e r a d o , as m u l h e r e s a p r e s e n t a r a m ín d ic e s m a io re s de go rdu ra

do que os hom ens d e v id o sua a d ip o s i d a d e , ou seja, a mulhe r

p o s s u i mais t e c id o a d i p o s o NADEAU e P É R O N N E T ( 19 85 ).

Em re la ç ã o os v a l o r e s médios, os a c a d ê m ic o s do 1o ano do

sexo m a s c u lin o a p r e s e n t a r a m menor ín d ic e do qu e os do 4 o ano e

o sexo fe m in in o do 1o an o a p r e s e n to u v a l o r e s s u p e r i o r e s aos do 4 o

ano.
41

Tabela 03: R e s u l ta d o s o b t id o s nos testes “t ” en tre

a c a d ê m ic o s do 1o e 4 o an o de am bos os sexo s e os v a l o r e s m éd ios

(x) e r e s p e c t iv o s d e s v i o s - p a d r ã o (S x) do te s te de f l e x i b i l i d a d e .

SÉRIE SEXO ÍNDICE DE FLEX. T calculado N Í V E L DE

X ± S* SIGNIFICÂNCIA

1° M 30,27 7,31
0,8483 NS
4o M 27,73 6,74

1° F 34,94 6,69
0,4053 NS
4o F 35,40 7,10

Os dados apresentados acim a m ostram que não houve

diferenças sig nificativas no í nd ic e de fle xibilidade en tre os

a c a d ê m ic o s do 1o e 4 o ano de am bos os sexos, mas como era

esperado, as m u lh e re s apresentaram m e lh o r e s í n d ic e s que os

ho m ens, d e v id o o aumento da taxa de estrógeno que produz

r e t e n ç ã o de ág ua e e l e v a d o t e c id o a d ip o s o nas m u l h e r e s (NADEAU

e P É R O N N E T . 1 985).
42

T a b e la 04: R e s u lta d o s o b t id o s nos testes “t ” en tre

ac a d ê m ic o s do 1o e 4 o ano de am b os os sexos e os v a lo r e s m éd ios

(x) e r e s p e c t iv o s d e s v i o s - p a d r ã o ( S x) do teste de a b d o m in a l.

SÉRIE SEXO ÍNDICE DE ABDO M IN A L T calculado NÍVEL DE

x ± Sx SIGNIF.

1° M 41,33 9,62
0,6272 NS
4o M 42,93 4,62

1° F 33,17 4,27
1,5448 NS
4o F 38,11 7,23

A ta b e la 04 mostra que não o c o r r e u d i fe r e n ç a s i g n i f i c a t i v a

na a v a li a ç ã o a b d o m in a l en tre a c a d ê m ic o s do 1o e 4 o ano de ambos

os sexos. Os ho m en s a p r e s e n t a r a m m aior ín d ic e de r e s i s t ê n c i a

m u s c u la r do que as m u lh e re s em decorrência do au m en to da

p r o d u ç ã o de h o rm ô n io m a s c u lin o na f a s e in ic ia l da p u b e rd a d e que

favorecem o d e s e n v o l v im e n t o de m assa m u s c u la r nos homen s

(DAN TAS, 1991).


43

T a b e la 05: R e s u l ta d o s o b t id o s nos testes “t ” entre

a c a d ê m ic o s do 1o e 4 o ano de am bos os se xo s e os v a l o r e s médios

(x) e r e s p e c t iv o s d e s v i o s - p a d r ã o (S x) do te s te de b a r r a fixa.

SÉRIE SEXO ÍNDICE DE BARRA FIXA T CALCULADO NÍVEL DE

x ± Sx SIGNIF.

1o M 11,53 3,20
0,9943 fis
4o M 12,40 3,79

1° F 1,44 2,36
1,5612 NS
4o F 2, 66 3,29

Na tab e la 05 m o s tr a que na a v a li a ç ã o da f o r ç a m usc u la r

(teste de ba rra) não o c o r r e u d i f e r e n ç a s significativa s e n t r e os

a c a d ê m ic o s do 1o e 4 o an o de ambos os sexos. Como era

esperado, os ho m en s apresentaram í nd ic es m a io r e s que as

m u lh e re s . Esta d if e r e n ç a e n tr e os sexos se c a r a c t e r iz a p e lo fator

h o r m o n a l que o c o r r e no i n í c i o do s u rto p u b e r t á r i o com o aum en to

da p r o d u ç ã o de t e s t o s t e r o n a , nos homens, c o n s e q ü e n t e m e n t e um

a u m e n t o de fo r ç a m u s c u la r NADEAU e P É R O N N E T ( 1 9 8 5 ). Que

c o r r e s p o n d e a id ade dos a c a d ê m ic o s estu d a d o s .


44

Tabela 06: R e s u lta d o s o b t id o s nos testes “t” en tre

a c a d ê m ic o s do 1o e 4 o ano de am b o s os sexo s e os v a l o r e s m éd ios

(x) e r e s p e c t iv o s d e s v io s - p a d r ã o ( S x) do te s te de Coop er.

SÉRIE SEXO ÍNDICE DE V 0 2mâx T calculado NÍVEL DE

x ± Sx SIGNIF.

1o M 45,95 7,05
0,6272 NS
4o M 46,34 4,45

1o F 30,35 4,84
1,7840 NS
4o F 34,36 4,41

A t a b e la 06 mostra qu e na a v a li a ç ã o do con s um o de

o x i g ê n i o (te s te de Cooper) não o c o r r e u d i f e r e n ç a s s i g n i f i c a t i v a s

e n tr e os a c a d ê m ic o s do 1o e 4 o an o de ambos os sexos, embora

com r e s u lt a d o s médios d i f e r e n c ia d o s .

O co n s u m o de o x i g ê n i o apresentado p e lo s hom ens são

s u p e r i o r e s aos das m ulheres, d e v id o as d i f e r e n ç a s f u n c i o n a i s e

c o n s t i t u c i o n a i s como: s is te m a de t r a n s p o r t e de o x i g ê n i o , co ra ç ã o

e p u lm õ e s menores e e s t a tu r a m en or (NADEAU e

PÉRONNET.1985).

Tomando como p a r â m e tr o a classificação f e it a por

C O O P E R (1 9 7 2 ) para a v a l i a r o n ív e l de c a p a c i d a d e a e r ó b ic a , é

possível a f ir m a r que o 1°/4° m a s c u li n o apresentam uma boa

a p t i d ã o e 1°/4° fe m in in o d e m o n s t ra m uma r a z o á v e l a p t id ã o fís ic a.


B) C O N H E C IM E N T O T EÓ R IC O DO E X E R C ÍC IO COMO MEIO DE

PRO M O ÇÃO DA SAÚDE.

T a b e l a 07: R e s u lta d o s o b t id o s nos t e s t e s “ t ” , os valores

m é d io s (x) e d e s v i o s - p a d r ã o (Sx) e n t r e a c a d ê m ic o s do 1o e 4 o ano

de am bos os sexo s s obre o c o n h e c im e n t o t e ó r i c o do ex ercício

co m o meio de p ro m o ç ã o de saúde.

SÉRIE SEXO ÍNDICE DE C O N H E C IM E N T O Tcalculado NÍVEL DE

X ± Sx SIGNIF.

1o M 6,30 1,03
4,4381 1%
4o M 7,60 0,89

1o F 6,57 1,02
3,3451 1%
4o F 7,54 1,25

A ta b e la 07 que a p r e s e n ta o desempenho te ó r ic o dos

a c a d ê m ic o s do 1o e 4 o ano de ambos os sexos, o n d e o b s ervo u-s e

uma d i f e r e n ç a s i g n i f i c a t i v a a nível de 1%, sendo que os resultados

o b t i d o s pe lo s a lu n o s do 4 o ano in d i c a r a m melhores índices de

c o n h e c im e n t o t e ó r ic o do que o 1o ano, in d e p e n d e n t e m e n t e do

sexo. Essa d if e r e n ç a s ig n i f i c a t iv a p o d e ser a t r i b u í d a ao número de

disciplinas relacionadas ao c o n h e c im e n t o teórico do exercício

f í s i c o como meio de prom oção da s a ú d e qu e os a c a d ê m ic o s do 4 o

an o já cu rsa ra m em r e la ç ã o aos a lu n o s do 1o ano.


46

C) AT IT U D E

A a n á lis e deste item foi a p o ia d a na q u e s tã o n ú m e r o 11 do

q u e s t i o n á r i o a p lic a d o aos a c a d ê m ic o s , (vide an exo 4)

Tabela 08: Resultados o b t id o s em p e r c e n t u a l sobre os

h á b i to s da p r á tic a r e g u l a r ou não; sua c a r a c t e r í s t i c a e n ú m e r o de

ve ze s por semana dos a c a d ê m ic o s do 1o e 4 o anos.

SERIE S E XO SIM NÃO SISTEM A TI­ ESPORADI­ N° DE V E Z E S


CAMENTE CAMENTE POR SE MANA

1o M 80% 20% 58% 42% (1) - (4) 14%


(2) - (5) -
( 3 ) 7 2 % ( > 5 ) 14%

4o M 87% 13% 77% 23% (1) - (4) -


( 2 ) 1 0 % (5) 20%
(3 )4 0 % (> 5) 30%

1« F 83% 17% 40% 60% (1) - (4) -


( 2 ) 3 4 % (5) 33%
(3)33% (>5) -

4o F 61% 39% 82% 18% (1) - (4) 11%


( 2 ) 3 4 % (5) 33%
( 3 ) 1 1 % ( > 5 ) 11%

A ta b e la 08 r e v e la a p o r c e n t a g e m r e f e re n t e a p r á t ic a de

a t i v i d a d e fís ica, seja s is t e m a t i c a m e n t e ou e s p o r a d i c a m e n t e , mas

p a r a o p e r c e n tu a l r e f e r e n t e as f r e q ü ê n c ia s se m a n a is u t i l i z o u - s e

a p e n a s os dado s da p r á t ic a s is t e m á t ic a .

Os a c a d ê m ic o s do 4 o an o in d e p e n d e n te m e n te do sexo

apresentaram m a iore s ín d ic e s de percentuais na p r á t ic a de


47

a t iv i d a d e f ís i c a s is t e m á t ic a em r e l a ç ã o ao 1o ano. Em r e la ç ã o aos

nú m ero s de sessões s e m a n a is observou-se que o 1o ano

m a s c u li n o o b te v e o maior p e r c e n t u a l de f r e q ü ê n c ia de 3 dias e o

m en or de 4 e +5 dias por se m a n a ; 4 o ano m aior p e r c e n t u a l de

f r e q ü ê n c i a de 3 d ia s e m en or de 2 d ia s por semana. O f e m in in o

a p r e s e n t o u e le v a d o p e r c e n t u a l na f r e q ü ê n c i a de 2 dias em am bas

as s é r ie s e a m enor no 1o ano f i c o u 3 e 5 dias por semana; já o 4 o

ano fic o u 3, 4 e +5 dias por sem ana.

T om an do como base o qu e re la ta m as literaturas

e s p e c i a l iz a d a s , é po ssível concluir que as m enin as p re c is a m

a u m e n t a r sua f r e q ü ê n c ia s e m a n a l para uma boa a p t id ã o f ís ic a .

S e g u n d o NAHAS (1989 ); LEITE ( 1 9 8 5 ) e SOUZ A (19 89 ) a m e lh o r ia

da c a p a c id a d e a e r ó b ic a a n ív e is s i g n i f i c a t i v o s para a saúde o c o r r e

q u a n d o a f r e q ü ê n c ia de e x e r c í c io é de 3 a 5 dias po r semana.
48

T a b e l a 09: R e s u l t a d o o b t id o no t e s te “z ” s ob re o h á b ito da

p r á t ic a r e g u l a r entre os a c a d ê m ic o s do 1o e 4 o ano de ambos os

sexos.

SÉRIE SEXO N %SIM Z cA L C U L A D O NÍVEL DE

SIGNIFICÂNCIA

1° M 15 80%
0,492 NS
4o M 15 87%

1° F 18 83%
1,481 NS
4o F 18 61%

A ta b e la 09 m ostra qu e na a v a li a ç ã o da a t it u d e em relaçã o

a p r á t ic a da a t iv i d a d e f í s i c a r e g u l a r en tre os a c a d ê m ic o s do 1o e

4o an o de ambos os se xo s não apresentaram d ife r e n ç a s

s i g n i f i c a t i v a s en tre si em r e l a ç ã o a a t it u d e das p r á t ic a s r e g ulare s.


5 CONCLUSÕES/RECOM ENDAÇÕ ES

Através do presente e s tu d o , qu e teve com o o b je t i v o

d i a g n o s t i c a r a a p t i d ã o f í s i c a e o c o n h e c i m e n t o t e ó r i c o do e x e r c í c io

como meio de p r o m o ç ã o da s a ú d e e s uas r e l a ç õ e s com o h á b i t o da

p r á t ic a r e g u l a r e n t r e os a c a d ê m i c o s do 1o ano e 4 o an o do c urso

de L i c e n c i a t u r a em Educação Física da UFPR, chegou-se às

s e g u i n t e s c o n c lu s õ e s :

a) Não e x is te m diferenças sig nificativa s e n tr e os

a c a d ê m ic o s do 1o an o e 4 o an o no a s p e c t o a p t i d ã o f ís i c a , em

n e n h u m a das v a r i á v e i s e s t u d a d a s , t a n t o no sexo m a s c u l i n o q u a n to

no f e m in in o , d e v id o a f r e q ü ê n c i a s e m a n a l da p r á t i c a de a t i v i d a d e

f í s i c a e s t a r a s s o c i a d a aos n í v e is de a p t i d ã o f í s i c a .

b) E x is te d i f e r e n ç a sig nificativa a n ív e l de 1% do

conhecim ento teórico do exercício com o meio de promoção da

s a ú d e e n t r e os a c a d ê m i c o s do 4 o ano em r e l a ç ã o ao 1o ano em

am bos os sexos, devido o m a io r número de disciplinas

r e l a c i o n a d a s com o a s s u n t o e s t a r e m c o n c e n t r a d a s a p a r t i r do 2 o

ano em d ia n te .

c) Não e x i s te m diferenças significativas entre os

a c a d ê m ic o s do 1o an o e 4 o ano nos í n d ic e s de a t i t u d e q u a n t o à

p r á t ic a da a t i v i d a d e f í s i c a r e g u l a r , d e v i d o os a c a d ê m ic o s do 4 o

ano tere m a p r e s e n t a d o um c o n h e c i m e n t o s o b r e o a s s u n t o , mas não

e x e r c e r e m tal c o n h e c im e n t o .
50

d) Não existe ne n h u m a relação en tre o c o n h e c im e n t o

t e ó r ic o do e x e r c í c io como meio de p r o m o ç ã o da s aú de e a p r á tic a

da a t i v i d a d e fís ic a. Essa a f ir m a ç ã o tem como base os a c a d ê m ic o s

do 4 o an o qu e a p re s e n ta ra m m a i o r c o n h e c im e n t o s o b re o as su nto ,

mas não o b t iv e r a m uma a t it u d e f a v o r á v e l com r e la ç ã o a a t iv i d a d e

f í s i c a r e g u l a r em com p a ra ç ã o com os a c a d ê m ic o s do 1o ano.

S a b e -s e que d iv e r s o s e s t u d o s na área do c o m p o r t a m e n t o

h u m a n o tem r e v e la d o que o c o n h e c i m e n t o sob re um a s s u n t o está

r e l a c i o n a d o à a titu d e que um in d i v í d u o tem dian te d e s t e assunto.

Sugerindo assim que as atitudes f a v o r á v e is com r e la ç ã o à

atividade f ís i c a r e g u la r p o d e r ia m ser influenciadas pelo

c o n h e c im e n t o s obre a a p t id ã o f í s i c a e s a ú d e e v ic e - v e r s a NAHAS

( 19 89 ). P o rta nto, fa z -se n e c e s s á r i o um e s t u d o mais a p r o f u n d a d o à

r e s p e i t o da a t it u d e e do c o n h e c i m e n t o t e ó r i c o dos a c a d ê m ic o s do

curso de L ic e n c ia tu r a em Educação F ís ic a UFPR, e p o s s í v e is

c r u z a m e n t o s dos dados.
ANEX OS
51

ANEXO 1 - FICHA DE AVALIAÇÃO

NOME: SEXO; ( ) M ( ) F

I DADE: _____________DATA DE N A S C I M E N T O : ____________________________

A N O L E T I V O : _______________________ T U R M A : ---------------------------

P E S O : ___________________ A L T U R A : _____________________________

DOBRA CUTÂNEA: T R I C . : _____________ S U P R A I L I A C A : ---------------------------

A B D O M I N A L : ______________ C O X A : _________________

SUB E S C A P U L A R : _________________________________

F L E X I B I L I D A D E : _______________________ A B D O M I N A L : ---------------------------------------

BA R R A F I X A : __________________________ C O O P E R : ----------------------------------------------

FICHA DE AVALIAÇÃO

NOME: SEXO: < ) M ( ) F

I DADE: DATA DE N A S C I M E N T O : ___________________________

A NO L E T I V O : ______________________ T U R M A : -----------------------------

P E S O : ____________________A L T U R A : ______ _______________________

DOBRA CUTÂNEA: T R I C . : ______________ S U P R A I L I A C A : --------------------------

A B D O M I N A L : ______________ C O X A : _________________

SUB E S C A P U L A R : _________________________________

F L E X I B I L I D A D E : _______________ A B D O M I N AL( 1 m i n ) : --------------------------------------

BARRA F I X A : ----------------------------------------------- C O O P E R : --------------------------------------------


PRO JETO DIAGNÓSTICO DE APTIDÃO FÍSICA.

TESTE DE COOPER.

MUNICÍPIO:___________________________ DATA:____/ ____/____ . SEXO:

FAIXA ETÁRIA:___________________________________ TEMPERATURA:_________

N? NOME NÚMERO DE VOLTAS PERCORRIDAS TOTAL

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22
DE VOLTA

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22
DE MARCAÇÕES

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22
2 - FICHA

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22
ANEXO

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22

Apoio: ________
A A d a k ic c t k d o Secretaria Especial do E sporte e Turismo
53

ANEXO 3 - TES TES FÍSICOS

A V A L IA Ç Ã O A N T R O P O M É T R IC A

Estatura

O ava liado em p o s iç ã o ortostática (em pé), pés u n id o s

procurando por em con ta to com o in s tr u m e n to de m e d id a as

superfícies posteriores do calcanhar, c in tu r a p é lv ic a , c in tu r a

escapular e r e g i ã o o c c i p i ta l. A m ed id a d e v e r á ser d e t e r m in a d a

com o a v a l i a d o em ap néia i n s p i r a t ó r i a , e s ta n d o a c a b e ç a o r i e n t a d a

no p la n o de F r a n k f u r t, p a r a l e l a ao solo. A m edid a c o r r e s p o n d e a

d i s t â n c i a da r e g iã o p la n ta r ao vertex, e x i g i n d o - s e que o a v a li a d o

e s t e ja d e s c a l ç o (M ATSUDO, 1982, p . 20).

Pe so c o r p o r a l

O a v a l i a d o de verá se p o s i c i o n a r em pé de c o s t a s para a

e s c a l a da b a la n ç a , com a f a s t a m e n t o la te r a l dos pés, e s t a n d o a

p l a t a f o r m a e n t r e os mesmos. Em seg u id a , c o l o c a - s e s ob re e no

c e n t r o da p l a t a f o r m a , ere to e com o o lh a r num p o n t o f ix o a sua

f r e n t e . O a v a l i a d o de verá ser p e s a d o o b r i g a t o r i a m e n t e d e s c a lç o .

(M A T S U D O , 1982, p . 20).

E s p e s s u r a das d o b r a s c u tâ n e a s

As mensurações deverão ser r e a li z a d a s no h e m i- c o r p o

direito do a v a l i a d o , sendo que o t e c id o celular subcutâneo é

d e f i n i d o do t e c i d o m u s c u la r com a u x í lio do p o le g a r e do in d ic a d o r .
54

A bo rda superior do compasso deverá ser a p li c a d a a

a p r o x i m a d a m e n t e um c e n t ím e tr o a b a i x o do ponto de reparo, sendo

n e c e s s á r io a g u a r d a r em t o r n o de d o is s e g u n d o s a n tes de e f e tu a r a

l e it u r a para qu e toda p r e s s ã o do c o m p a s s o possa ser exe rcid a.

Realiza-se três m e d id a s s u c e s s iv a s no mesmo local, sendo

c o n s id e r a d a a m edida i n t e r m e d iá r i a com o o v a lo r a d o ta d o para

e f e i t o s de c á lc u lo s . No caso de o c o r r e r d i s c r e p â n c i a s s u p e r io r e s a

5% en tre uma m edid a e as de m ais num mesmo local, uma nova

d e t e r m in a ç ã o d e v e r á ser feit a . Os locais de d e t e r m in a ç ã o das

espessuras de do bra s cu tâ n e a s são: hom ens (tricipital, s u p ra -

il í a c a e a b d o m in a l) , m u lh e r e s ( s u b e s c a p u l a r , sup ra il ía c a e coxa).

A do b ra c u tâ n e a t r i c i p t a l é d e t e r m in a d a p a r a le la m e n t e ao

e ix o l o n g it u d in a l do braço na f a c e p o s t e r io r , sen do que o ponto

e x a t o de re p a r o e a d i s t â n c i a m éd ia e n t r e a bo rda s u p e r o - la t e r a l

do a c rô m io e o o léc ra no .

Q u a n to à m e n s u ra ç ã o da espessura da do bra cutâ ne a

s u p r a - i l í a c a o a v a li a d o a fa s ta l e v e m e n t e o b ra ç o d i r e i t o para trá s

p r o c u r a n d o não in fl u e n c i a r o a v a l i a d o r na o b t e n ç ã o da medida.

E sta do bra é in d i v i d u a l i z a d a no s e n t id o ob lí q u o , a dois

c e n t í m e t r o s acim a da c r is t a ilía c a a n t e r o - s u p e r i o r na altu ra da

l i n h a a x ila r an te r io r .

Na re g iã o a b d o m in a l a dobra c u tâ n e a é d e te r m in a d a

p a r a l e l a m e n t e ao eixo lo n g i t u d i n a l do corpo, em to r n o de d o is

c e n t í m e t r o s à d ir e ita da bo rda l a t e r a l da c i c a t r i z um b il ic al.


55

A do bra c u t â n e a s u b e s c a p u l a r é o b t id a o b li q u a m e n t e ao

eixo lo n g i t u d i n a l s e g u i n d o a o r i e n t a ç ã o dos arc o s co s ta is , s en do

l o c a l i z a d a a a p r o x i m a d a m e n t e do is c e n t ím e tr o s a b a ix o do â n g u lo

i n f e r i o r da escá p u la .

A do bra c u t â n e a da coxa é d e t e r m in a d a p a r a l e la m e n t e ao

eix o l o n g i t u d i n a l da pe rna, s o b r e o m ú s c u lo do reto f e m u ra l a 2/3

da d i s t â n c i a do li g a m e n t o in g u in a l e o bo rd o s u p e r i o r da p a te la

( G U E D E S e GUEDES, 1990, p. 20).

A V A L IA Ç Ã O N E U R O -M U S C U L A R

T e s t e de s e n ta r e a l c a n ç a r de W e ll s ( f l e x i b i l i d a d e )

Na p o s iç ã o i n i c i a l o a v a li a d o d e s c a lç o d e v e r á s e n ta r com

os pés em baix o da c a ix a com os jo e l h o s c o m p le ta m e n te

e s t e n d id o s . Os pés d e v e r ã o ser p r e s s io n a d o s co n tr a a caixa. O

a v a l i a d o r de verá s e g u r a r os jo e l h o s do a v a li a d o para a s s e g u r a r

que os mesmos permanecerão e s t e n d id o s durante o teste. Os

b r a ç o s tamb ém d e v e r ã o e s t a r e s t e n d id o s para a f r e n t e com uma

mão c o l o c a d a s o b r e a o u t r a com as pa lm a s das mãos v o l ta d a s

p a r a baixo. A r e a l i z a ç ã o do te ste c o n s is t e em p r o c u r a r a l c a n ç a r o

m á x im o de d i s tâ n c i a p o s s í v e l ao long o da e s c a la de m edição,

d e t e r m i d a pela li n h a mais d i s ta n t e to c a da pela ponta dos de do s de

a m b a s as mãos. D e v e r á s e r p e r m it id a três t e n ta ti v a s , sen do que a

distância a lc a n ç a d a a cad a tentativa deverá ser m a n tid a por

a p r o x i m a d a m e n t e um s e g u n d o . Se na e v e n t u a li d a d e das mãos dos


56

a v a l i a d o s não e s t iv e r e m uma s o b re a outra, ou se a ponta dos

d e d o s de am bas as mãos não c o i n c i d ir e m , ou a in d a se o c o r r e r

f l e x ã o dos j o e l h o s , o tes te d e v e r á ser a d m i n is t r a d o n o v am e nte

(M A T H E W S , 1980, p. 96).

T e s t e A b d o m in a l

Na p o s iç ã o in ic ia l o a v a l i a d o se c o lo c a em d e c ú b it o d o rs a l

com as p e r n a s f l e x i o n a d a s e as p l a n ta s dos pés no solo. Os

b r a ç o s são c r u z a d o s no p e it o com as maõs nos o m b ros op osto s.

Os pés são s e g u r o s por um c o l a b o r a d o r para m a n t ê - lo s em c o n ta to

p e r m a n e n te com o solo, sendo p e r m it id o uma d i s t â n c i a tal e n tre os

pés em que os m esm o s se a lin h e m d e n t r o da d i s t â n c i a do d iâ m e tr o

bi-trocanteriano.

O a v a l i a d o por c o n t r a ç ã o da m u s c u la tu r a a b d o m in a l c u r v a -

se à p o s iç ã o s e n ta d o , pe lo mesmo até o nível em que o c o r r a o

c o n t a t o da f a c e a n t e r i o r dos a n t e b r a ç o s com as coxa s e o a v a li a d o

r e t o r n a n d o a p o s iç ã o in ic ia l ( d e it a d o em d e c ú b it o d o r s a l ) até que

to q u e o solo pe lo menos a metade a n t e r i o r da e s c á p u la s . O t e s t e é

i n i c i a d o com as p a la v r a s atenção; j á e é t e r m in a d o com a p a la v r a

p are . O nú mero de m o v im e n to s e x e c u t a d o s c o r r e t a m e n t e em 60

s e g u n d o s será o r e s u lt a d o . O c r o n ô m e tr o é a c i o n a d o no j á e

t r a v a d o no pare.

O re p o u s o en tre os m o v im e n to s é p e r m it id o e o a v a li a d o

d e v e r á s ab er d i s s o an tes do in íc io do teste, e n t r e t a n t o , o o b je tiv o


57

do tes te é t e n t a r r e a l i z a r o m aior número de e x e c u ç õ e s po s s ív e is

em 60 s e g u n d o s (M A T S U D O , 1982, p. 59).

T e s t e de Barra Fixa

A ba rra deverá ser i n s ta la d a a uma a ltu r a de

aproximadamente uma p o le g a d a acim a da p o nta dos dedos

e s t a n d o o a v a li a d o em d e c ú b it o d o rsa l e com os b r a ç o s to ta lm e n te

e s t e n d id o s acim a. Na p o s iç ã o in ic ia l o a v a l i a d o d e v e r á m an ter-s e

p e n d u r a d o com os c o t o v e lo s em ex te ns ã o, com a b a r r a na direção

de seus ombros, c o r p o ere to e a p e n a s com os c a l c a n h a r e s em

c o n t a t o com o solo. A p o s iç ã o da pe ga da é p r o v a d a e c o r r e s p o n d e

a d is t â n c i a b i a c r o m ia l . Após a s s u m ir e s ta p o s iç ã o o ava li ad o

t e n t a r á e l e v a r seu c o r p o até que o p e s c o ç o to q u e a linha de

demarcação colocada a do is esp aç o s a b a ix o da b a r r a e então

r e t o r n a r á o c orp o a p o s iç ã o in ic ia l. O m o v im e n to é r e p e t i d o tan tas

v e z e s q u a n to p o s s í v e l, sem li m it e de tem po. Em n e n h u m momento

do t e s te o a v a li a d o p o d e r á c o lo c a r q u a l q u e r pa rte do corpo em

c o n t a t o com o s o lo a nã o ser os c a lc a n h a r e s , nem mesm o r e a liz a r

m o v im e n to s de b a l a n c e i o ou f l e x i o n a r as pe rna s . O r e s u lt a d o será

o n ú m ero de m o v i m e n to s r e a liz a d o s corretam ente (M ATHEWS,

1980, p. 50).
58

A V A L IA Ç Ã O M E T A B Ó L IC A

C o r r id a de 12 m inutos ( C o o p e r )

Na r e a li z a ç ã o do t e s t e o a v a li a d o de verá p e r c o r r e r ( c o r r e r

e/ou andar) a m aior d i s t â n c i a p o s s ív e l em 12 m in utos, s e n d o que

q u a n d o do seu fin a l o a v a l i a d o d e verá pa rar de se lo c o m o v e r e

e s p e r a r pe lo a v a li a d o r p a ra qu e se po ssa r e g i s t r a r a d i s t â n c i a que

fo i p e r c o r r id a . Dura nte o te s te , o a v a l i a d o r d e v e r á se l o c a l i z a r no

p o n to de p a r t id a e a n u n c i a r a cada v o lta o tempo que f a lt a para o

t é r m in o do tes te para que o a v a l i a d o poss a c o n t r o la r seu ritm o de

ex e c uçã o, além do que a c o n s e l h a - s e a u t il iz a ç ã o de p a la v r a s de

m o tiv a ç ã o du ra n te todo o t e s t e com o p r o p ó s it o de e n c o r a ja r os

a v a li a d o s a p r o d u z ir a m e l h o r p e r f o r m a n c e p o s sív e l. (C O O PER,

1972, p. 37).
59

ANEXO 4 - Q UEST IONÁ RIO

1. Na sua o p in iã o qu al das d e f i n i ç õ e s a b a ix o que c o n c e itu a


a p t id ã o fís i c a ?
a. ( ) A c a p a c i d a d e in d i v id u a l de e x e c u t a r p e r f o r m a n c e f ís ic a
c o m p e t it iv a com se u s m úsc u lo s e de m a n t e r o e q u i lí b r io
c a r d i o c i r c u l a t ó r i o em r e la ç ã o a e s f o r ç o s maiores.
b. ( ) A c a p a c i d a d e de e x e c u t a r t a r e f a s d i á r i a s com v ig o r e
v iv a c id a d e , sem f a d i g a e x c e s s iv a e com am pla e n e r g ia para
a p r e c i a r as o c u p a ç õ e s das h o ras de la z e r e p a ra e n f r e n ta r
e m e r g ê n c i a s im p r e v is t a s .
c. ( ) A q u e la que p r o p o r c io n a fo rç a , r e s i s t ê n c i a razo áv e l
f l e x i b i l i d a d e a r t ic u la r , um s is tem a c a r d i o v a s c u l a r de bom níve l de
c a p a c i d a d e a e r ó b ic a e uma c o m p o s i ç ã o c o r p o r a l com peso sob
c o n t r o le .

2. A s a ú d e pode ser d e f in i d a como:


a. ( ) A u s ê n c ia de d o e n ç a s ou e n f e r m id a d e s
b. ( ) Bem e s ta r f í s i c o
c. ( ) Bem e s ta r s o c i a l e mental
d. ( ) Estado de c o m p le to bem e s t a r f ís ic o , mental e s oc ial.
e. ( ) N enhum a das a l t e r n a t i v a s

3. Q u a is os p r i n c i p a i s c o m p o n e n te s f í s i c o s que e s tã o d i r e t a m e n t e
r e l a c i o n a d o s com a p t id ã o f ís i c a e s a ú d e ?
a. ( ) R e s is t ê n c ia a e r ó b ic a
b. ( ) R e s is t ê n c ia a n a e r ó b ic a lá tic a
c. ( ) R e s is t ê n c ia a n a e r ó b ic a a lá t ic a
d. ( ) V e lo c i d a d e
e. ( ) F le x i b i l i d a d e
f. ( ) R e s is t ê n c ia de força
g. ( ) P o tê n cia
h. ( ) F o rç a máxima
i. ( ) C o o r d e n a ç ã o
j. ( ) E q u il í b r io e a g i l i d a d e

4. De modo ge ral o homem m oderno po de ser c l a s s i f i c a d o como:


a. ( ) Um i n d i v íd u o s u p e r a t iv o
b. ( ) Um i n d i v íd u o a t iv o
c. ( ) Um in d i v í d u o p o u c o ativ o
d. ( ) Um in d iv íd u o s e d e n t á r io

5. Em que fas e da v id a seria m ais in d ic a d a para d e s p e r t a r a


c o n s c i ê n c i a s obre a im p o r t â n c ia e os b e n e f íc i o s de uma a t iv id a d e
f í s i c a p e r m a n e n te ?
a. ( ) I n f â n c ia b. ( ) A d o le s c ê n c ia
c. ( ) A d u lt a d. ( ) T e r c e i r a id ad e
60

6. A p r á t ic a da a t iv i d a d e f í s i c a s is t e m á t ic a a lo ngo prazo leva:


a. ( ) Uma m elhoria na q u a l i d a d e de vida
b. ( )P r olon ga o tempo de v id a
c. ( )Amba s estão c o r r e ta s

7. A im p o r tâ n c ia m aior da a t iv i d a d e f ís i c a nas do en ç as
d e g e n e r a t iv a s do s is tem a c a r d i o v a s c u l a r são:
a. ( )P r o f il á t ic a ( p r e v e n ç ã o )
b. ( )T e r a p ê u t ic a ( t r a t a m e n t o )
c. ( )R e s ta b e le c im e n t o da s a ú d e (cura)

8. Das p a to lo g ia s ab aix o a s s i n a l e on de o e x e r c í c io f ís i c o atua de


m a n e i r a mais e f ic i e n te do p o n t o de v is ta p r o f ilá t i c o :
a. ( ) Doen ça a r t e ria l c o r o n a r i a n a
b. ( )D ia b e te m e llitu s
c. ( )O b e s id a d e
d. ( ) H ip e r te n s ã o e s s e n c ia l
e. ( )Stress
f. ( )C o le s te r o l
g. ( )O s te o p o ro s e
h. ( ) Do res lomba res

9. A s s in a l e as p a t o lo g i a s on de o e x e r c í c io f í s i c o atua de m aneira
mais e f ic i e n t e do ponto de v is t a te r a p ê u t ic o :
a. ( )O b e sid a d e f. ( ) D ia b e te m e llitu s
b. ( )Doença a r t e ria l c o r o n a r i a n a g. ( ) O s te o p o r o s e
c. ( ) Stress h. ( ) H ip e r te n s ã o e s s e n c ia l
d. ( )C o le s te r o l i. ( ) Dores lo m ba res
e. ( )T r ig l i c e r í d e o s

10. Das do enças ab aixo, o n d e o e x e r c í c io f í s i c o não e x e rc e ação


s i g n i f i c a t i v a tanto sob o p o n t o de v is ta p r o f i l á t i c o e t e r a p ê u t ic o :
a. ( )H e m o filia e. ( ) Do ença a r t e r i a l c o r o n a r ia n a
b. ( ) E p ile p s ia f. ( ) H e p a tite
c. ( )A r r it m ia s c a r d í a c a s g. ( ) Asma b r ô n q u ic a
d. ( )O b e s id a d e h. ( ) Câncer

11. A lé m das aula s p r á t ic a s do curso, você e x e c uta algum a outra


a t i v i d a d e fís ic a ?
a. ( ) Sim b. ( ) Não

Se, sim:
a. ( ) S is t e m a t ic a m e n t e b. ( ) E s p o r a d ic a m e n te

Se s is t e m a t ic a m e n t e , q u a n t a s v e ze s por s em ana?
a. ( ) Uma d. ( ) Q u a tro
b. ( ) Duas e. ( ) Cinco
c. ( ) Três f. ( ) Mais de cin co
REFE RÊ N CIAS BIB LIOG RÁ FICA S

1. BARBANTI, V a ld ir José. A p tidã o física : um convite à saúde. São

Paulo: Manole, 1990.

2 ._____ . A p tid ã o fís ic a e saúde. R evista da f u n d a ç ã o de e s p o r t e e

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4. CEDDIA, Ro la ndo Bacis. Emagreça, f a z e n d o exercício. Rio de

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6. DANTAS, E stélio H. M. F le x ib ilid a d e : a lo n g a m e n to e

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8. GUEDES, Darta gnam Pinto; GUEDES, Joana E lisab ete Ribeiro

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13. LEITE, Paulo Fernando. F is io lo g ia do exercício e rgo m e tria e

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