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Aula 03

Peças Práticas p/ Delegado Polícia Civil-PE (com videoaulas)

Professor: Vinicius Silva


Peça Prática para Delegado de Polícia - Pernambuco
Prof. Vinícius Silva – Aula 03

AULA 03: Representação pela interceptação das


comunicações telefônicas (Lei 9.296/96).

SUMÁRIO PÁGINA
1. Apresentação 1
2. Aspectos teóricos acerca da interceptação telefônica 2
3. Representação por interceptação telefônica 11
4. Modelo Representação por interceptação telefônica 16
5. Questão de prova 22
6. Questões propostas 28
7. Respostas das questões propostas na aula 02 30

1. Apresentação

Olá futuro Delegado de Polícia,

Estamos evoluindo nos nossos estudos e chegamos a aula 03, onde vamos
estudar uma medida cautelar probatória, veja que as duas primeiras
aulas foram destinadas a cautelares pessoais, a última aula foi a de busca
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domiciliar, que é uma medida de natureza cautelar probatória, que visa à


busca de elementos de informação para a investigação.

Nessa aula vamos verificar outra medida cautelar probatória muito utilizada
no dia a dia das delegacias de polícia, onde a investigação muitas vezes
não tem outra forma de prosseguir, a não ser que seja por meio de uma
interceptação.

Você como delegado de polícia deverá ficar muito atento, pois essa medida
pode aparecer sozinha numa prova, como foi o caso da prova de Delegado
de Polícia de Santa Catarina, em 2014.

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Na aula vou expor alguns conceitos teóricos/doutrinários acerca do tema e


depois vamos comentar a Lei n° 9.296/96, naquilo que diz respeito à
representação pela medida.

Mais uma vez essa medida cautelar está imersa em meio a uma garantia
constitucional, a da inviolabilidade das comunicações, direito à privacidade
de suas comunicações, ou seja, a medida é utilizada para coibir o
cometimento de crimes acobertados pelo manto do direito individual à
intimidade.

A ideia aqui é a mesma da busca domiciliar, ou seja, fazer um juízo de


ponderação, pois não é admissível que sob a guarida de um direito, possam
ser violados outros, tão essenciais quanto a intimidade e a inviolabilidade
das comunicações telefônicas.

2. Aspectos teóricos acerca da interceptação telefônica

A primeira coisa que deve ser esclarecida acerca da interceptação é que ela
é regulada por uma lei específica, diferentemente da busca e apreensão
que está regulada no CPP (art. 240), a interceptação telefônica está
regulamentada em uma lei ordinária, trata-se da Lei n°. 9.296/96.

A lei supramencionada é reflexo de um mandamento constitucional, ou


seja, a própria constituição previu que a regulamentação da interceptação
é matéria de lei. Vejamos.

XII - é inviolável o sigilo da correspondência e


das comunicações telegráficas, de dados e das
comunicações telefônicas, salvo, no último
caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na
forma que a lei estabelecer para fins de
investigação criminal ou instrução processual
penal;
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Essa é a previsão do art. 5°, XII, da CF/88.

Assim, do dispositivo acima, podemos afirmar ao fazer uma primeira


leitura, que o sigilo de correspondência, das comunicações telegráficas e
de dados são absolutamente invioláveis, sendo relativizada apenas as
comunicações telefônicas.

A primeira coisa que deve ficar clara aqui é que você está se preparando
para uma prova discursiva e nesse sentido, deve se pautar por um
aprofundamento em alguns temas e esse é um dos que suscita mais
discussão jurisprudencial e doutrinária.

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Seguindo uma linha mais voltada para a atividade policial, não apenas as
comunicações telefônicas podem ser violadas, mas todos os tipos de
comunicação, uma vez que nenhum tipo de comunicação pode ser utilizado
para acobertar o cometimento de crimes.

Assim, diante de uma prova para delegado de polícia, fundamente a sua


resposta, afirmando que não há direito fundamental absoluto, sendo,
portanto, relativizados, principalmente quando utilizados no mundo do
crime.

Assim, a ideia é que não apenas as comunicações telefônicas podem ser


interceptadas, mas também as comunicações de dados, e até as
correspondências. Basta lembrarmos da lei de execução penal, que prevê
a interceptação das cartas enviadas e recebidas por presos.

Art. 41 - Constituem direitos do preso:

(...)

XV - contato com o mundo exterior por meio


de correspondência escrita, da leitura e de
outros meios de informação que não
comprometam a moral e os bons costumes.

(...)

Parágrafo único. Os direitos previstos nos


incisos V, X e XV poderão ser suspensos ou
restringidos mediante ato motivado do diretor
do estabelecimento.

Ou seja, estamos diante de um direito que pode ser relativizado, diante da


suspeita fundada de cometimento de crimes.
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É o que acontece com os criminosos que comandam o tráfico e as


organizações criminosas mesmo estando encarcerados.

O objetivo é cessar o comando da atividade criminosa.

Mas vamos voltar ao nosso assunto que é a interceptação das


comunicações telefônicas.

O dispositivo constitucional prevê que a violabilidade das comunicações


telefônicas é cabível nas hipóteses que a lei prevê, com a finalidade de
instruir procedimento de investigação criminal ou processo penal.

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Portanto, nos casos de inquérito policial ou qualquer outro instrumento de


investigação, é cabível a interceptação, no entanto, apenas nos casos em
que a lei prevê a possibilidade.

A constituição federal passou a bola para a lei definir em que situações


teremos a possibilidade de interceptação telefônica.

Então a Lei n°. 9.296/96 veio para definir quais as possibilidades de


cabimento e também os requisitos cautelares para o deferimento da
interceptação telefônica.

Professor, e as interceptações
que foram efetuadas antes da
edição da lei, em 1996?

Aderbal, sem entrar em maiores detalhes,


prevalece o entendimento de que essas
interceptações estão eivadas de vício, uma
vez que a não existia lei, conforme a
previsão constitucional.

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A lei então disciplinou a matéria e trouxe inclusive tipificação de crime em


caso de interceptação ilegal ou quebra de segredo de justiça.

Antes de adentrar na lei, vamos verificar ainda alguns conceitos


importantes, que não podem se confundir com o de interceptação
telefônica.

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a) interceptação telefônica em sentido estrito

Essa é interceptação objeto da nossa aula, ela consiste em uma terceira


pessoa interceptar, ou seja, aparecer no meio do caminho da ligação,
sem que os interlocutores saibam da existência dessa pessoa e tampouco
de que essa comunicação está sendo ouvida e, geralmente, gravada por
essa terceira pessoa.

b) sigilo telefônico

Esse é o primeiro conceito que costumamos confundir com interceptação


telefônica. Na verdade a quebra do sigilo telefônico é apenas a publicização
para a autoridade pública das ligações efetuadas pelo investigado, com o
seu tempo de duração, dia e hora em que foi feita, destinatário da
comunicação, etc.

Assim, veja que não se confundem esses conceitos. Geralmente no pedido


de interceptação, o delegado acaba representando também pela quebra de
sigilo de dados telefônicos, de modo a dar mais robustez aos elementos de
informação colhidos.

c) escuta telefônica

Nessa hipótese um terceiro capta a comunicação, assim como ocorre na


interceptação, no entanto, um dos interlocutores é sabedor da escuta. É
muito comum esse tipo de situação nas comunicações entre os familiares
da vítima e os sequestradores dela.

d) gravação telefônica ou gravação clandestina

Ocorre quando um dos interlocutores grava a conversa sem o conhecimento


do outro, por isso ela também é chamada de gravação clandestina.

e) comunicação ambiental 13601418207

A comunicação ambiental é aquela que ocorre no meio ambiente, sem a


necessidade de um meio tecnológico para que isso aconteça, ou seja,
estamos falando de uma conversa falada, sem telefones, ou qualquer outro
tipo de intercomunicador.

f) interceptação ambiental

Entendido do que se trata uma comunicação ambiental, podemos afirmar


que a interceptação ambiental ocorre quando um terceiro capta a
comunicação de duas pessoas que o desconhecem. Um exemplo que pode
ser dado é quando dois traficantes realizam uma comunicação na rua e
policiais gravam a cena por meio de uma câmera ou de um microfone.

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g) escuta ambiental

A escuta ambiental ocorre quando um terceiro efetua a captação de uma


conversa entre duas pessoas e uma delas sabe da existência do terceiro e
da captação da comunicação.

h) gravação ambiental

A gravação ambiental é a captação efetuada por um dos comunicadores,


sem o conhecimento do outro. Geralmente é levada a efeito com o uso de
gravadores minúsculos, que podem ser escondidos até na lapela do paletó.

A doutrina majoritária e moderna entende que a Lei n°. 9.296/96 aplica-


se a interceptação telefônica e à escuta telefônica, não sendo reguladas
pela referida lei as demais espécies acima mencionadas.

Outro ponto teórico importante é que a interceptação telefônica é matéria


reservada a atividade jurisdicional, ou seja, não pode ser determinada de
ofício pelo delegado de polícia, sendo necessária a representação pela
medida ao juiz competente para o processo penal.

Professor, e se a interceptação for


deferida por um juiz de 1° grau e
durante as escutas das
comunicações a autoridade ficar
sabendo do envolvimento de um
deputado federal no crime?

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Excelente pergunta, Aderbal! Nesse caso


não haverá problemas e nem vícios na
interceptação deferida, sendo plenamente
legítima.

2.1 Análise da Lei n° 9.296/96

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Vamos a partir de agora verificar alguns dispositivos interessantes dessa


lei que possam nos ser úteis na produção da peça prática.

Essa representação é bem simples de se perceber, geralmente ela é cabível


quando existe o número da linha telefônica ou do terminal de acesso
de algum aparelho, como um smarthphone ou outro dispositivo
intercomunicador em que se quer efetuar a interceptação.

Portanto, identificar a peça não será uma matéria das mais difíceis, logo se
a identificação não é difícil, a feitura da peça será muito simples também.

Art. 1º A interceptação de comunicações


telefônicas, de qualquer natureza, para prova
em investigação criminal e em instrução
processual penal, observará o disposto nesta
Lei e dependerá de ordem do juiz competente
da ação principal, sob segredo de justiça.

Esse dispositivo é bem autoexplicativo, pois nele pode-se observar que a


interceptação é possível apenas para prova em investigação criminal
e em instrução penal.

Fica apenas uma crítica à técnica legislativa, no que diz respeito à palavra
“prova”, pois na fase de inquérito ou investigatória, não se colhem provas,
mas elementos de informação, isso porque prova deve ser aquela que
em sua produção é respeitado o contraditório. No inquérito, em regra, não
há essa necessidade, portanto, a melhor expressão seria elementos de
informação.

Além disso, esse artigo nos traz a reserva de jurisdição a que fica sujeita a
medida cautelar probatória em estudo, ou seja, apenas o juiz competente
para a ação principal poderá determinar a interceptação.

Parágrafo único. O disposto nesta Lei aplica-


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se à interceptação do fluxo de comunicações


em sistemas de informática e telemática.

Durante muito tempo esse parágrafo foi alvo de ações de


inconstitucionalidade, usando como base o art. 5°, XII, da CF/88, onde se
prevê, em uma interpretação mais literal, que apenas as comunicações
telefônicas estão sujeitas à interceptação, no entanto, o STF já decidiu pela
constitucionalidade do referido dispositivo da lei, ampliando o sentido que
o constituinte quis dar ao dispositivo.

Assim, não apenas as comunicações telefônicas, mas também as


comunicações escritas (e-mail, mensagens de texto, mensagens de

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whatsapp, facebook, etc.) podem ser alvo de interceptações a serem


deferidas pelo poder judiciário.

Hoje em dia inclusive, em algumas hipóteses, as comunicações escritas são


até mais comuns que as comunicações faladas. Por isso a lei teve de prever
essa evolução tecnológica para se fazer valer a pena.

Art. 2° Não será admitida a interceptação de


comunicações telefônicas quando ocorrer
qualquer das seguintes hipóteses:

I - não houver indícios razoáveis da autoria ou


participação em infração penal;

II - a prova puder ser feita por outros meios


disponíveis;

III - o fato investigado constituir infração


penal punida, no máximo, com pena de
detenção.

Excelente dispositivo para a nossa aula, estamos diante das hipóteses de


cabimento e requisitos cautelares da medida, aquilo que você utiliza para
a fundamentação jurídica da sua peça.

Mais uma vez a lei não foi muito feliz na sua redação, pois prevê as
hipóteses em que não é cabível a interceptação, ou seja, vamos ter de
fazer o raciocínio a contrario sensu do dispositivo acima.

Ou seja, será cabível a interceptação das comunicações telefônicas quando:

I – Houver indícios razoáveis da autoria e participação em infração


penal

II – A prova não puder ser feita por outros meios


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III – O fato investigado constituir infração penal punida com


reclusão.

Veja que nos casos acima teremos a hipótese de cabimento e os requisitos


cautelares para a concessão, lembrando que os requisitos acima devem ser
cumulativos, ou seja, devemos ter uma infração punível com reclusão, para
início de conversa. Caso não seja uma infração dessa natureza, não
poderemos vislumbrar a hipótese de interceptação.

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Os requisitos cautelares são dois elementos, que são o fumus boni iuris
e o periculum in mora. Aqui voltamos às expressões do direito processual
civil, uma vez que se trata de uma cautelar probatória.

O requisito do fumus boni iuris se traduz nos indícios de


autoria/participação em crime punido com reclusão.

Ou seja, na sua fundamentação você deverá demonstrar que há fortes


indícios da participação ou da autoria do investigado/indiciado no crime sob
análise.

Por outro lado, o periculum in mora se demonstra quando da necessidade


da medida, ou seja, se não a adotarmos, a investigação não poderá concluir
sua finalidade, que é demonstrar a autoria ou participação e a materialidade
do delito.

Quando no art. 2°, II, a lei menciona que a prova não poderá ser realizada
por outro meio, o sentido do dispositivo é dizer que a interceptação é a
ultima ratio em se tratando de meios investigatórios.

Parágrafo único. Em qualquer hipótese deve


ser descrita com clareza a situação objeto da
investigação, inclusive com a indicação e
qualificação dos investigados, salvo
impossibilidade manifesta, devidamente
justificada.

Nesse dispositivo estamos diante de um requisito que deve constar na sua


peça, ou seja, descrever com clareza quem está sob investigação, qual o
objeto dela, salvo impossibilidade de fazê-lo.

Art. 3° A interceptação das comunicações


telefônicas poderá ser determinada pelo juiz,
de ofício ou a requerimento:
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I - da autoridade policial, na investigação


criminal;

II - do representante do Ministério Público, na


investigação criminal e na instrução
processual penal.

Aqui estamos diante da legitimação que a lei defere ao delegado de


polícia para representar pela medida.

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Mais uma vez uma falha técnica da lei, quando ela menciona que a
autoridade policial poderá requerer ao juiz, quando na verdade a
expressão correta é a representação pela autoridade policial.

Art. 4° O pedido de interceptação de


comunicação telefônica conterá a
demonstração de que a sua realização é
necessária à apuração de infração penal, com
indicação dos meios a serem empregados.

§ 1° Excepcionalmente, o juiz poderá admitir


que o pedido seja formulado verbalmente,
desde que estejam presentes os pressupostos
que autorizem a interceptação, caso em que a
concessão será condicionada à sua redução a
termo.

Aqui estamos diante do modus operandi da medida, ou seja, a autoridade


policial deverá demonstrar em sua peça que a medida é necessária e os
meios pelos quais ela se dará, quais instrumentos serão utilizados.

O § 1° prevê a possibilidade de pedido verbal. Não é a regra, mas pode ser


feito excepcionalmente.

§ 2° O juiz, no prazo máximo de vinte e quatro


horas, decidirá sobre o pedido.

O § 2° nos remete à urgência da medida, pois o juiz terá o prazo de apenas


24 horas para decidir sobre o pedido. Lembrando que se trata de um prazo
impróprio, no qual o juiz poderá extrapolá-lo quando estiver com acumulo
de serviço, o que acontece comumente na prática.

Art. 6° Deferido o pedido, a autoridade policial


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conduzirá os procedimentos de interceptação,


dando ciência ao Ministério Público, que
poderá acompanhar a sua realização.

Aqui fica claro que a autoridade policial é a responsável pela realização da


medida, ou seja, quem conduz a operação de interceptação é sempre a
autoridade policial.

O Ministério Público, na qualidade de fiscal da lei e titular da ação penal,


deverá ser cientificado da execução da medida.
Veja nesse dispositivo como é importante a presença da autoridade policial,
ela é que vai conduzir a operação, efetuar as escutas e degravações e
inclusive processos de identificação de voz quando necessários.

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Art. 7° Para os procedimentos de


interceptação de que trata esta Lei, a
autoridade policial poderá requisitar serviços
e técnicos especializados às concessionárias
de serviço público.

Esse dispositivo é destinado às operadoras de telefonia ou outro serviço


público envolvido na interceptação. Veja que a autoridade policial poderá
oficiar essas instituições no sentido de obter auxílio na execução dessa
cautelar.

3. Representação por busca domiciliar

3.1 Legitimação

A legitimação para representar por essa medida está consubstanciada no


art. 3°, I, da lei 9.296/96. Vejamos:

Art. 3° A interceptação das comunicações


telefônicas poderá ser determinada pelo juiz,
de ofício ou a requerimento:

I - da autoridade policial, na investigação


criminal;

Ou seja, a autoridade policial, na condução das investigações, quando


cabível e necessária, poderá representar pela concessão dessa cautelar.

Lembre-se de que essa previsão legal deverá constar de seu preâmbulo.

3.2 Fundamentos de fato ou Fatos

Aqui é a mesma coisa das aulas anteriores e das seguintes aulas também,
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acostume-se a resumir ou parafrasear um texto. Sugiro a você algumas


técnicas de resumo de textos, que você encontra em um bom livro de
produção textual.

Você vai resumir com suas próprias palavras os fatos ocorridos, sempre
destacando aqueles que vão servir de base para a sua fundamentação
jurídica.

Lembre de que para lhe dar um norte de como narrar os fatos sem ser
repetitivo em relação ao que já foi mencionado no enunciado, vale a pena
utilizar a regrinha da resposta às perguntas abaixo:

O que?

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Quem?

Quando? ACONTECEU

Onde?

Por que?

Se você conseguir responder a essas perguntas com um texto bem


objetivo, sua narrativa dos fatos certamente ficará muito boa e a pontuação
dessa parte estará garantida.

Procure treinar essa parte quando estiver escrevendo um e-mail, ou até


quando estiver contando uma história a algum colega.

3.3 Fundamentos jurídicos

A fundamentação jurídica, como sempre, é a parte que vai lhe dar mais
pontos, nela você vai mostrar todo seu conhecimento jurídico sobre a
medida cautelar pela qual representa.

Nesse ponto você vai dividir sua fundamentação em 3 partes. A primeira


será relativa à prática delituosa, na qual você vai tipificar o crime e
verificar que é punido com reclusão, para que seja cabível. Como a
natureza da pena do crime cometido é de fundamental importância para o
cabimento da medida você pode mesclar esses dois pontos, mas caso
queira fazer uma peça mais redonda, ou seja, sem floreios abra um tópico
para a tipificação e outro para o cabimento.

A medida será cabível quando o crime em questão for punido com reclusão,
nos termos do art. 2°, III:

Art. 2° Não será admitida a interceptação de


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comunicações telefônicas quando ocorrer


qualquer das seguintes hipóteses:

(...)

III - o fato investigado constituir infração


penal punida, no máximo, com pena de
detenção.

Lembrando que deve ser feita uma interpretação a contrário sensu, ou


seja, se não é admissível quando o crime for punido no máximo com
detenção, então o crime deve ser punido no mínimo com reclusão.

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Esse é o cabimento da medida, os outros dois incisos referem-se aos


requisitos cautelares.

Quanto aos requisitos cautelares vamos ter de demonstrar os dois


primeiros incisos do art. 2° da Lei.

Art. 2° Não será admitida a interceptação de


comunicações telefônicas quando ocorrer
qualquer das seguintes hipóteses:

I - não houver indícios razoáveis da autoria ou


participação em infração penal;

II - a prova puder ser feita por outros meios


disponíveis;

Lembrando que aqui o a ideia é raciocinar a contrario sensu, ou seja,


deve haver indícios razoáveis da autoria ou participação em infração penal
cuja pena deve ser a de reclusão.

O segundo requisito é o chamado ultima ratio, ou seja, o candidato aqui


deverá demonstrar que a interceptação é a única forma de prosseguir na
investigação.

Essa informação você vai ter de ter faro de delegado para perceber na
questão onde está sendo mencionado que já foram tentados todos os tipos
de diligência, e está sendo praticamente impossível prosseguir nas
investigações caso não seja deferida a interceptação telefônica.

Mais uma vez aqui a ideia é ter faro de delta, sangue de polícia. Durante o
enunciado você perceberá que as informações do enunciado levarão você
a essa conclusão.
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Ademais, quando a peça for uma interceptação das comunicações


telefônicas, saiba que você estará diante de um número de telefone ou
terminal de acesso a um equipamento como um computador.

Isso já te dará 90% de certeza de que a peça é uma representação dessa


natureza

Entendeu então que se o enunciado


mencionar um número de telefone você
estará com muitas chances de já ter
identificado a peça. Você deverá verificar
os demais requisitos, mas esse já lhe
mostrará o caminho a ser seguido.

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Em resumo a fundamentação jurídica é simples, basta você demonstrar


esses pontos que mencionei com aquela clareza e raciocínio jurídico comum
ao futuro delegado de polícia. Destaco o requisito de ultima ratio, esse
costuma dar trabalho, mas basta você pensar que sem a interceptação será
impossível chegar a autoria do crime sob investigação.

3.4. Pedido

Vamos agora falar um pouco sobre o pedido que deverá estar na sua peça,
você já esta chegando ao final da sua representação.

Assim como na representação pela busca domiciliar, aqui temos um detalhe


importante, que é o número do telefone a ser interceptado. Já falamos
muito dele na parte de identificação da peça e nos fundamentos jurídicos
dela.

Você deverá dar um desfecho a sua peça mencionando objetivamente que


representa pela interceptação no número XXXX-XXXX, uma vez que a
medida não pode ser deferida para qualquer número ou para os números
cadastrados em uma família ou grupo de amigos, a medida deve ser
certeira, portanto, você deve ter bons indícios de que naquele número
teremos conversas sobre o cometimento do delito.

A ideia aqui é parecida com a do endereço na busca domiciliar. Você estará


relativizando um direito fundamental, ou seja, a inviolabilidade das
comunicações telefônicas, portanto, não poderá fazer isso às cegas.
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Vale a pena mencionar a urgência da medida tanto no início quanto no final,


pois a própria lei carrega em seu texto que o juiz deverá decidir o pedido
em 24 horas. Então sugiro que você solicite andamento em caráter de
urgência, tendo em vista o que a própria lei prevê.

Art. 4° O pedido de interceptação de


comunicação telefônica conterá a
demonstração de que a sua realização é
necessária à apuração de infração penal, com
indicação dos meios a serem empregados.

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§ 2° O juiz, no prazo máximo de vinte e quatro


horas, decidirá sobre o pedido.

Assim, você demonstrará que conhece bem todas as particularidades da lei


e sabe como agir amparado por ela.

Por fim, você não pode esquecer que essa medida possui prazo certo para
terminar. Isso ocorre por conta do caráter invasivo da interceptação. A
polícia não pode ficar escutando e degravando as suas comunicações como
se não houvesse fim para tal medida.

O prazo está previsto na própria lei. Vejamos:

Art. 5° A decisão será fundamentada, sob


pena de nulidade, indicando também a forma
de execução da diligência, que não poderá
exceder o prazo de quinze dias, renovável por
igual tempo uma vez comprovada a
indispensabilidade do meio de prova.

Ah, entendi professor, então eu


menciono que que represento
pela concessão da medida por
15 (quinze) dias com
prorrogação por mais 15
(quinze).

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Cuidado Aderbal, você não deve mencionar


qualquer prorrogação nessa representação
inicial. Eventuais pedidos de prorrogação
serão feitos em outras representações,
posteriores a essa, em que você deverá
demonstrar outros requisitos, parecidos, mas
com algumas peculiaridades.
A doutrina e a jurisprudência dos tribunais superiores e do supremo são
uníssonas no sentido de haver a possibilidade de prorrogações sucessivas,
desde que presentes os requisitos de cabimento e cautelaridade.

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Cuidado apenas para não mencionar que você já requer prorrogação, caso
faça isso, além de mostrar que a sua investigação não é eficiente, pois
antes de se iniciar você já estará pedindo prorrogação de prazo, você ainda
estará agindo sem embasamento legal nesse primeiro pedido.

Portanto, no seu pedido é fundamental o número do telefone e o prazo da


medida.

4. Modelo de representação por interceptação das comunicações


telefônicas

Vamos agora estruturar o nosso modelo, que você deve memorizar. Poucas
coisas vão mudar em relação à representação pela busca. O modelo será
até mais simples

4.1 Endereçamento

O endereçamento continua sendo muito importante, no caso de


interceptação telefônica, geralmente ela é endereçada ao juízo de direito
da comarca onde ocorreu o delito. Lembre-se também que se o crime for
de homicídio, teremos que representar ao presidente do tribunal do júri.

Aqui é aquele básico de competência. Recomendo que se você tiver dúvida,


volte para a parte de processo penal, onde se estuda a competência no
CPP, pois lá estarão bem claras as principais regras para identificar o juízo
competente.

Lembrando mais uma vez que você só deve colocar a cidade se for
mencionado isso no enunciado, na dúvida, deixe aquele velho espaço em
branco, para não perder pontos e nem ser prejudicado totalmente com uma
possível identificação de prova.

EXCELENTÍSSIMO SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA ____ª VARA


CRIMINAL DA COMARCA DE __________ ou (JUIZ PRESIDENTE DO
13601418207

TRIBUNAL DO JÚRI DA COMARCA DE ____________).

4.2 Preâmbulo

Após o endereçamento você vai saltar algumas linhas, no máximo 2, e e


vai mencionar que a medida é urgente, vale a pena mencionar esse detalhe
na sua peça, uma vez que mostra que conhece as previsões legais e ainda
valoriza seu pedido, salientando ao juiz que, nos termos da lei ele possui
um prazo específico para decidir sobre a representação.

Importante também mencionar o número do inquérito, caso esse seja


mencionado no enunciado ou apenas referir-se ao inquérito e deixar o velho
espaço em branco.

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O preâmbulo, cujo modelo segue abaixo, possui as mesmas características


dos preâmbulos já vistos nas aulas anteriores, com as modificações
relativas às legislações pertinentes.

“A Polícia Civil do estado do _________, por meio do seu Delegado


de Polícia, ao final assinado, no uso de suas atribuições, que lhe são
conferidas, dentre outros dispositivos, pelo art. 3°, I; art. 2°, §1°,
da Lei 12.830/2013, bem assim pela (citar a lei que regulamenta
as atribuições da polícia civil do estado para o qual está prestando
concurso), vem, mui respeitosamente, a presença de Vossa
Excelência, representar pela interceptação das comunicações
telefônicas do número XX-XXXX-XXXX, pelos fundamentos de fato
e de direito que a seguir passa a expor”.

Veja como é importante mencionar o número do terminal que você quer


interceptar, isso é na verdade um requisito para que você possa interceptar
as comunicações. Lembre-se de que esse tipo de pedido não pode ser
genérico, deve ser certeiro, por entrar na seara particular de um indivíduo.

Um bom preâmbulo já mostra conhecimento. Citar a lei 12.830/2013


comprova que você tem sangue de delegado e que vai procurar valorizar
as suas atribuições quando no exercício delas.

Professor, o preâmbulo é sempre igual, mudando


apenas algumas coisas, nas suas aulas essa parte
parece ser até repetitiva, não tem outros modelos
de preâmbulo não?

Prezado Aderbal, sua pergunta é muito boa, e deve


13601418207

ser a pergunta de muitos dos nossos alunos. A ideia


do nosso curso é condicionar você a memorizar um
modelo cada vez mais enxuto de peça. Aquilo que for
repetitivo é melhor ainda para você memorizar.
Preocupe-se apenas com as diferenças entre as peças.

4.3 Fatos

Mais uma vez não temos muito a acrescentar ao que já foi dito acima, você
vai ser medido pelo poder de síntese que pode apresentar. Não

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negligencie esse ponto, pois o examinador pode já não gostar muito da sua
peça, caso os fatos não sejam corretamente narrados.

Procure parafrasear o enunciado, tentando não ser tão repetitivo.


Responder àquelas perguntas que já mencionei anteriormente pode ser um
bom norte a ser seguido.

Na peça de interceptação, mencione as diligências que já foram


empreendidas e não renderam frutos, ou que tiveram resultados não
esperados. Ou seja, tente mostra ao juiz que a última coisa a ser feita é a
representação pela interceptação. Mencionar nos fatos essas diligências
pode ressaltar o seu conhecimento da peça.

No entanto, você não pode inventar fatos, isso é terminantemente


proibido, sob pena de ter a peça “zerada” pela identificação da prova.

4.4 Fundamentos jurídicos

Na parte dos fundamentos o ideal é você desdobrá-la em 3 pontos, quais


sejam, do crime sob investigação, do cabimento, dos requisitos
cautelares.

No caso da peça que estamos estudando, vale a pena você mencionar,


assim como na busca domiciliar, que a inviolabilidade das comunicações
telefônicas não pode servir de salvaguarda para acobertar o cometimento
de delitos e que em prol do princípio do “in dubio, pro societate”, a medida
se faz necessária à elucidação do crime e à cessação da atividade delituosa.

Aqui, se você mencionar que a medida se subordina à reserva de jurisdição,


vai ficar melhor ainda, pois o juiz vai entender que você, na qualidade de
delegado de polícia reconhece os limites legais e constitucionais de sua
atuação.

No cabimento você deve mencionar que o crime sob investigação possui


13601418207

pena de reclusão, veja que não importa a quantidade de pena, mas a sua
natureza.

Veja ainda que isso está intrinsecamente ligado à tipificação do crime, que
você já vai ter mencionado.

4.5 Do Pedido.

No pedido já foi mencionado que você deve representar pela medida


sempre de forma objetiva, cuidado com o verbo, pois o delegado de
polícia representa e não requer, quem requer é o membro do MP.

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Não se esqueça de mencionar o número do telefone ou do terminal de


acesso que será interceptado, sem essa informação a sua representação
será indeferida, certamente e sua peça terá uma nota reduzida.

Outro ponto importantíssimo é o prazo. Toda medida cautelar que tiver


prazo definido em lei deve ter ele em seu pedido, pois é relevante para o
decorrer das investigações, saber que o prazo se esvai em 15 (quinze) dias,
no que concerne à interceptação das comunicações telefônicas.

“Ante do exposto, com base nos fundamentos de fato e de direito


já expostos, representa, essa autoridade policial, pela
interceptação das comunicações telefônicas no número de telefone
XX-XXXX-XXXX, a ser conduzida por essa autoridade policial ou que
lhe faça as vezes, pelo prazo de 15(quinze) dias, por ser a medida
de direito adequada ao caso conforme se demonstra na
fundamentação exposta, visando a continuidade das investigações
policiais, após a oitiva do ilustre membro do Ministério Público”.

Nestes Termos. Pede Deferimento.

Local, data.

Delegado de Polícia
Matrícula.”

Vamos agora colocar tudo isso em um modelo.

13601418207

EXCELENTÍSSIMO SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA ____ª VARA


CRIMINAL DA COMARCA DE __________ ou (JUIZ PRESIDENTE DO
TRIBUNAL DO JÚRI DA COMARCA DE ____________).

URGENTE – 24 (VINTE E QUATRO) HORAS (art. 4°, §2°, da Lei 9.296).

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DISTRIBUIÇÃO SIGILOSA

Ref. Inquérito policial n°___

“A Polícia Civil do estado do _________, por meio do seu Delegado


de Polícia, ao final assinado, no uso de suas atribuições, que lhe são
conferidas, dentre outros dispositivos, pelo art. 3°, I, da Lei n°
9.296/96; art. 2°, §1°, da Lei 12.830/2013, bem assim pela (citar
a lei que regulamenta as atribuições da polícia civil do estado para
o qual está prestando concurso), vem, mui respeitosamente, a
presença de Vossa Excelência, representar pela interceptação das
comunicações telefônicas do número XX-XXXX-XXXX, pelos
fundamentos de fato e de direito que a seguir passa a expor”.

1. Dos fatos

Narrativa dos fatos, conforme instruções já mencionadas.

2. Dos fundamentos jurídicos

2.1 Da Prática delituosa

Vale a pena demonstrar a tipificação do crime cometido.

2.2 Da reserva de jurisdição

Aqui mencione que a medida se sujeita à reserva de jurisdição,


invocando a proteção constitucional domiciliar, sempre
ressaltando que a constituição não pode servir de manto de
acobertamento da prática delituosa.

2.3 Do cabimento

Mencione que a medida é cabível, pois o crime sob investigação


13601418207

sujeita-se a pena de reclusão, nos termos do art. 2°, III, da Lei


n° 9.296/96.

2.4 Dos requisitos cautelares

Nesse ponto você vai demonstrar os outros dois incisos do art. 2°


da referida lei.

 Inciso I: Prova da existência do crime e indícios suficientes


de autoria ou participação.
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 Inciso II: Necessidade da medida. Ultima ratio. Provar que
essa é a única medida capaz de prosseguir a investigação.
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3. Do pedido

“Ante do exposto, com base nos fundamentos de fato e de direito


já expostos, representa, essa autoridade policial, pela
interceptação das comunicações telefônicas no número de telefone
XX-XXXX-XXXX, a ser conduzida por essa autoridade policial ou que
lhe faça as vezes, pelo prazo de 15(quinze) dias, por ser a medida
de direito adequada ao caso conforme se demonstra na
fundamentação exposta, visando a continuidade das investigações
policiais, após a oitiva do ilustre membro do Ministério Público”.

Nestes Termos. Pede Deferimento.

Local, data.

Delegado de Polícia
Matrícula.”

Vejam que não é muito longa e não requer muitos detalhes a produção da
representação por interceptação das comunicações telefônicas. Ademais, a
sua identificação é muito simples.

Vamos agora ao exercício de prova.

Escolhi para a nossa aula uma questão recente, da última prova da Polícia
Civil de Santa Catarina – PCSC, prova realizada em 2014, o concurso está
em andamento.
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5. Questões comentadas de prova.

Questão 1. (Adaptada pelo Prof. Vinícius Silva)

Delegado de Polícia - Concurso: PCSC - Ano: 2014 - Banca: ACAFE -


Disciplina: Direito Processual Penal - Assunto: Provas.

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Denúncia anônima que chegou à Delegacia de Polícia dá conta de


que Mario Mendes e Ciro Fontes estariam inserindo elementos
inexatos em operações de natureza fiscal relativas ao ICMS,
visando fraudar a fiscalização tributária, das empresas de laticínios
Indústria de Laticínios Companhia do Leite e Leite Bom Indústria
Alimentícia Ltda. Apesar dos indícios apontarem o envolvimento
dos investigados em crime de sonegação fiscal, a investigação
chegou a um impasse, pois não foi possível elucidar, com os
levantamentos de campo e de informações, qual a participação de
cada um dos investigados, acrescido do fato de que o investigado
Ciro Fontes faz constantes viagens internacionais. Dados do
Inquérito: N. 0124/2014; Primeira Delegacia de Polícia da Comarca
de Lages, Rua das Palmeiras, 357, Lages. Do que foi até agora
apurado tem-se: a) - Indústria de Laticínios Companhia do Leite,
com sede na rua das Acácias, 123, Lages - Sócios Mario Mendes e
Ciro Fontes; b) - Leite Bom Indústria Alimentícia Ltda., com sede na
rua das Laranjeiras, 456, Lages - Sócios Ciro Fontes e Mario
Mendes; c) - Mario Mendes – brasileiro, caso, empresário, residente
à rua Pessegueiro, 687, Lages - celular (Claro S/A) (49) – 9112 –
7070, CPF 400 401 402 – 88; d) – Ciro Fontes – brasileiro, casado,
empresário, residente à rua das Videiras, 581, Lages – celular
(Claro S/A) (49) – 9112 – 8080, CPF 500 501 502 – 99; e) - registro
da caminhonete Mitsubishi L200, placas XXX - 0123, utilizada por
Ciro Fontes, em nome da Samira Mendes Lima, CPF 800 801 802 -
83; f) - registro, em nome da Samira Mendes Lima, do veículo
Honda Civic, ano 2013/2014, placas XXX - 0456, que até
21/1/2014 estava registrado em nome da empresa Leite Bom
Indústria Alimentícia Ltda; g) – registro de veículos particulares,
utilizados por Mario Mendes e seus familiares, em nome de
terceiros: - Citroen C4 Palas, placas XXX- 1111- registrado em
nome de Murilo Garcia – CPF 100 101 102 – 76; - BMW, placas XXX
– 2222, registrado em nomes de Cássio Meira, CPF 200 201 202 –
67; - Mitsubishi Pajero Full, placas XXX - 3333, registrado em nome
de Felipe Lima, CPF 300 301 302-57; h) - inexistência de patrimônio
13601418207

nas empresas Indústria de Laticínios Companhia do Leite e Leite


Bom Indústria Alimentícia Ltda. i) - incompatibilidade entre volume
de produção, o constante nos registros de estoque da empresa e o
constante nos registros fiscais de saída de produtos, decorrente das
vendas. Analise o anteriormente relatado e, como Delegado de
Polícia, sem criar novos dados, elabore pedido de interceptação
telefônica.

Comentário e modelo de peça proposto.

Inicialmente, eu vou aproveitar para mostrar meu parecer acerca da


questão acima, apresentando os aspectos teóricos relevantes e o modelo
de peça sugerido por min.

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Essa questão originalmente tinha muitos detalhes técnicos que foram


omitidos por min. Na época da prova ela foi bastante criticada, pois o
espelho de correção mencionou muitos detalhes técnicos que não são
costumeiramente cobrados em prova.

Assim, de modo a deixar a prova mais adequada a realidade, a banca


exagerou na cobrança de detalhes. Acabamos por modificar a questão,
deixando apenas aquilo que de maior brilho a questão possuía.

O crime a ser investigado trata-se de sonegação fiscal, uma vez que o


enunciado nos mostra que há uma série de indícios que demonstram essa
prática delituosa por parte dos sócios das empresas em questão.

O aluno poderia pensar na aplicação da Súmula Vinculante n° 24, pois ela


prevê que não se tipifica crime material contra a ordem tributária antes do
lançamento definitivo.

No entanto, em provas de Delta, o ideal é defender a inaplicabilidade da


referida súmula na investigação policial. Inclusive esse posicionamento foi
cobrado na última prova da Polícia Federal. Assim, acostume-se com essas
posições ligadas ao concurso para o qual você está prestando.

Esse crime possui pena privativa de liberdade de reclusão de 2 a 5 anos


sendo assim cumprido o requisito de cabimento da medida a ser
representada.

Por outro lado, a investigação encontra-se com um impasse, no qual a


autoridade está a definir a conduta de cada um dos investigados, para
assim concluir o inquérito policial.

Ou seja, a questão deixa claro que a ideia é representar pela interceptação,


uma vez que é a única medida de que pode levar a autoridade policial à
individualização das condutas. 13601418207

Assim, a medida cabível é a representação pela interceptação das


comunicações telefônicas. A questão já deu a dica dos números de telefone,
então vamos representar pela interceptação.
Modelo de peça:

EXCELENTÍSSIMO SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA ____ª VARA


CRIMINAL DA COMARCA DE LAGES-SC.

URGENTE – 24 (VINTE E QUATRO) HORAS (art. 4°, §2°, da Lei 9.296).

DISTRIBUIÇÃO SIGILOSA

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Ref. Inquérito policial n°0124/2014

A Polícia Civil do estado de Santa Catarina, por meio do seu Delegado de


Polícia, ao final assinado, no uso de suas atribuições, que lhe são
conferidas, dentre outros dispositivos, pelo art. 3°, I, da lei 9.296/96; art.
2°, §1°, da Lei 12.830/2013, bem assim pela (citar a lei que regulamenta
as atribuições da polícia civil do estado para o qual está prestando
concurso), vem, mui respeitosamente, a presença de Vossa Excelência,
representar pela interceptação das comunicações telefônicas dos números
(49) – 9112 – 7070 e (49) – 9112 – 8080, pelos fundamentos de fato e de
direito que a seguir passa a expor.

1. Dos fatos

Tratam os autos de investigação acerca da prática de crime de sonegação


fiscal.

As diligências até agora perpetradas pela equipe operacional dessa


delegacia dão conta de que os investigados Mario Mendes – brasileiro,
casado, empresário, residente à Rua Pessegueiro, 687, Lages e Ciro Fontes
– brasileiro, casado, empresário, residente à rua das Videiras, 581, Lages,
na qualidade de sócios das empresas Indústria de Laticínios Companhia do
Leite e Leite Bom Indústria Alimentícia Ltda, estariam inserindo dados
falsos nas operações comerciais das empresas, com o fito de fraudar a
fiscalização tributária e por conseguinte o recolhimento de ICMS.

As investigações apontam ainda um patrimônio elevado que os sócios


ostentam por meio de veículos importados e viagens internacionais.

Neste momento a investigação encontra-se parada, aguardando elementos


que possam definir as condutas de cada um dos investigados em meio à
prática delituosa a ser tipificada no próximo item.

2. Dos fundamentos jurídicos


13601418207

2.1 Da Prática delituosa

No caso acima narrado, pode-se perceber que há fortes indícios de que os


investigados estão incursos nos crimes do art. 1°, I e II, da Lei n° 8.137/90.

Os investigados supostamente estão inserindo dados inexatos nos


documentos fiscais com a finalidade de fraudar a fiscalização tributária e o
recolhimento de impostos, notadamente o ICMS.

Assim, a conduta amolda-se perfeitamente no tipo penal previsto no


diploma legal referido.

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2.2 Da reserva de jurisdição

A medida cautelar adequada ao prosseguimento das investigações é sujeita


à reserva de jurisdição, uma vez que envolve um direito
constitucionalmente protegido, que é a inviolabilidade das comunicações
telefônicas.

O juiz deve atuar na proteção da coletividade, não podendo admitir que


uma conduta delituosa seja levada a efeito e acobertada pelo manto da
inviolabilidade de comunicação telefônica, pois isso causaria um
desequilíbrio institucional. O juiz deve usar da ponderação para o
deferimento da medida, mesmo que cause um prejuízo à intimidade do
investigado, prejuízo maior está sendo causado à coletividade por conta da
prática delituosa que frauda o recolhimento de tributos.

2.3 Do cabimento

Conforme a tipificação acima mostrada, o crime sob investigação dessa


delegacia no inquérito epigrafado possui pena privativa de liberdade de
reclusão, portanto, mostra-se cabível a interceptação telefônica, nos
termos do inciso III, do art. 2°, da Lei n° 9.296/96.

2.4 Dos requisitos cautelares

Os requisitos cautelares para o deferimento também se encontram


plenamente satisfeitos, uma vez que no caso concreto há fortes indícios de
que os investigados praticam o crime de sonegação fiscal. Vejamos.

As investigações apontam a inexistência de patrimônio nas empresas


Indústria de Laticínios Companhia do Leite e Leite Bom Indústria
Alimentícia Ltda., bem como a incompatibilidade entre volume de produção,
o constante nos registros de estoque da empresa e o constante nos
registros fiscais de saída de produtos, decorrente das vendas.
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Na mesma toada encontra-se a aquisição de veículos utilizados pelos


investigados em nome de terceiros que estariam participando da ação
delituosa na qualidade de partícipes. Constam nos autos vários elementos
de informação que confirmam a utilização de veículos de luxo pelos Srs.
Ciro Fontes e Mario Mendes, e pelas respectivas famílias.

Ou seja, isso demonstra mais ainda a ocorrência do delito, bem como a


participação dos investigados.

Assim, podemos afirmar que o requisito cautelar do inciso I, do art.2°, da


Lei n° 9.296/96 foi cumprido.

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Noutro giro, a necessidade da medida é manifesta, pois a investigação


chegou a um impasse, não tendo elementos necessários a definir qual a
conduta de cada um dos investigados e qual a real participação de cada um
deles no crime.

Constam ainda informações acerca dos números de telefone de cada um


deles, ou seja, a interceptação das comunicações telefônicas ajudará a
elucidar a participação dos investigados, pois de acordo com as conversas
telefônicas poderemos definir qual o real papel deles na conduta criminosa.

Em relação à aplicação da Súmula Vinculante n° 24, não se pode cogitar a


sua aplicação nesse caso concreto, pois, caso contrário, a investigação
policial em crimes dessa natureza estaria totalmente vinculada à ação da
administração fazendária. Não se pode admitir no estado de direito que
uma Súmula, ainda que vinculante, torne ineficaz ou condicionada a
atividade policial.

A atividade policial não pode ser engessada pelo próprio sistema


constitucional brasileiro. Não existe nenhum direito absoluto, nem aqueles
previstos na Constituição Federal de 1988, quanto mais uma súmula pode
restringir a investigação policial.

Assim, de acordo com a fundamentação acima, mostra-se cabível e


necessária a interceptação das comunicações telefônicas dos investigados.
3. Do pedido

Ante do exposto, com base nos fundamentos de fato e de direito já


expostos, representa, essa autoridade policial, pela interceptação das
comunicações telefônicas dos números de telefone (49) – 9112 – 7070 e
(49) – 9112 – 8080, a ser conduzida por essa autoridade policial ou que
lhe faça as vezes, pelo prazo de 15(quinze) dias, por ser a medida de direito
adequada ao caso conforme se demonstra na fundamentação exposta,
visando a continuidade das investigações policiais, após a oitiva do ilustre
membro do Ministério Público. 13601418207

Nestes Termos. Pede Deferimento.

Local, data.

Delegado de Polícia
Matrícula.”

Agora vou propor a você dois exercícios de peças para você treinar e
qualquer coisa pode me procurar no fórum de dúvidas.

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6. Questões propostas

Questão 1 (adaptada pelo Professor Vinícius Silva):

Delegado de Polícia - Concurso: PCDF - Ano: 2007 - Banca: NCE -


Disciplina: Direito Processual Penal - Assunto: Provas.

Cláudio, Delegado de Polícia do 5º Distrito Policial, instaurou


inquérito policial para apurar crime de extorsão mediante
sequestro. Durante a investigação a autoridade policial e seus
agentes empreenderam diligências no sentido de encontrar a
vítima e depois de 3 dias conseguiram encontrar o cativeiro e diante

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da situação flagrancial adentraram o local e a resgataram, no


entanto nenhum dos sequestradores foi encontrado no local.

Levada ao IML para exame de corpo de delito, a vítima não


apresentou nenhuma lesão.

Ademais, a casa foi totalmente periciada pela equipe da perícia


forense, não tendo esta encontrado nenhum fragmento de digitais
no local.

Durante as investigações para a descoberta do local do cativeiro,


foram feitas algumas ligações para a família da vítima, sempre de
um mesmo número, qual seja, 99-9999-9999.

A descoberta do local do cativeiro foi feita após uma testemunha


ter feito denúncia anônima de que havia sequestradores mantendo
pessoa sob sua custódia. A testemunha morava vizinho ao local e
observou várias vezes pessoas entrando e saindo do local, inclusive
no dia do crime a referida testemunha viu o carro de placas XYZ-
1234 entrando na garagem da casa em alta velocidade e conseguiu
vislumbrar 2 elementos saindo do carro com uma pessoa
encapazuda e com as mão amarradas.

A testemunha disse não conhecer nenhum dos dois supostos


sequestradores, tampouco revelou ser sabedora de suas
identidades. No entanto, conseguiu escutar diversas vezes o
telefone celular com toque sonoro característico soar e os
sequestradores atenderem o aparelho e conversarem sobre o
crime.

No local do cativeiro não foi encontrado nenhum aparelho celular.

A vítima do sequestro informou ainda que escutou diversas vezes


as conversas entre os sequestradores e entre eles e sua família,
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negociando o resgate.

Tudo que foi apurado consta nos autos do inquérito, como os


depoimentos da vítima e da testemunha.

A polícia judiciária ainda não conseguiu identificar os autores do


crime, embora tenha empreendido todas as diligências acima
citadas.

Na qualidade de delegado de polícia que preside o inquérito,


represente pela medida cabível nesse momento da investigação
visando identificar os supostos autores do crime.

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Questão 2:

Adaptada pelo prof. Vinicius Silva

Delegado de Polícia - Concurso: PCAP - Ano: 2010 -


Banca: FGV - Disciplina: Direito Processual Penal -
Assunto: Inquérito Policial.

Instaurado inquérito policial nº 123/10, da Delegacia Especializada


em Entorpecentes, para apuração do crime de tráfico ilícito de
entorpecentes, são identificados e indiciados 3 suspeitos da prática
do crime, os quais seriam intermediários entre o traficante
internacional que traz a droga proveniente do exterior e os
traficantes que vendem a droga diretamente aos usuários. Os
indiciados são José da Silva, João de Souza e Joaquim dos Santos.
Com o avançar das investigações, são inquiridas várias
testemunhas, as quais temem por suas vidas caso os indiciados
tomem conhecimento dos seus depoimentos, bem como reunidas
provas da participação de José, João e Joaquim no crime.

Em seus depoimentos os indiciados revelaram que existe contato


telefônico entre eles e o traficante internacional sendo para isso
utilizado o número 88-8888-8888, por meio do qual são acertados
os locais de entrega da droga.

As testemunhas, bem como os intermediários que foram ouvidos


não identificaram o traficante internacional, pois nunca tiveram
contato físico com ele, apenas telefônico.

Na qualidade de delegado de polícia que preside o inquérito policial


n° 123/10, represente pela medida necessária e adequada ao caso
a fim de prosseguir nas investigações.

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Bom, agora que vimos as nossas duas questões propostas da aula de hoje,
vamos verificar as minhas propostas de peças para os dois casos propostos
na aula 02.

7. Respostas dos exercícios da aula 02.

Questão 1 (adaptada pelo Professor Vinícius Silva):

Delegado de Polícia - Concurso: PCRS - Ano: 2009 - Banca: IBDH -


Disciplina: Peça Prática.

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Peça Prática para Delegado de Polícia - Pernambuco
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A DENARC realizou longa investigação sobre trafico de drogas no


Bairro da Saúde, em Porto Alegre. Foram monitoradas as atividades
de varias pessoas, inclusive com escutas telefônicas autorizadas
pela Justiça. No dia 12.6.2009 a policia prendeu em flagrante Pedro
de Tal, que dirigia um automóvel marca Audi, Placas XXX, de sua
propriedade, sendo encontrados no interior do veiculo cinco
pacotes contendo cocaína (total de 2,5 Kg). Também foi apreendida
uma metralhadora marca Uzi, de 9mm (uso restrito), municiada
com 25 cartuchos completos, que estava debaixo do banco do
caroneiro. A droga foi submetida a perícia e deu resultado positivo
para cocaína. Pedro de Tal ao ser ouvido pela autoridade policial
disse que não trabalha no tráfico sozinho, porém não quis dizer o
nome de seus comparsas. O relatório da seção de investigação
mostrou ainda que as conversas telefônicas eram oriundas sempre
de um mesmo telefone fixo, que está vinculado ao endereço Rua
Dos Remédios, 44, Saúde, Porto Alegre.

Na qualidade de Delegado de Polícia, represente pela medida de


polícia judiciária cabível ao desbaratamento das ações delituosas,
bem como para a conclusão das investigações.

Comentário e proposta de peça:

Trata-se de um caso clássico de busca domiciliar, por meio da qual a


autoridade policial prendeu em flagrante um dos membros de uma suposta
associação para o tráfico.

O conduzido provavelmente estará incurso nos crimes de tráfico de drogas,


porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, e há uma forte suspeita de ser
integrante de uma associação para o tráfico, tipificada nos termos da lei de
drogas.

Veja que existe um relatório da seção de investigações mostrando que há


ligações telefônicas oriundas de um telefone fixo, mas que não foi
13601418207

mencionado o número, ou seja, não seria possível nessa questão


representar por interceptação telefônica, no entanto, com o objetivo de
prender em flagrante os demais componentes da suposta associação, bem
como apreender mais drogas e armas que podem estar em poder da
quadrilha, o ideal seria representar pela busca domiciliar.

O fundamento seria o constante no art. 240, §1°, alíneas “d” e “e”,


especificamente, no entanto, você poderia utilizar a alínea coringa “h”.

Enfim, a identificação da peça parece que é bem tranquila. Quanto a


possibilidade de representar pela temporária, não entendo ser cabível, pois
ao juiz, quando recebe o auto de prisão em flagrante, cabe, entre outras
medidas converter a prisão em flagrante em preventiva, assim não é

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interessante pedir a temporária, pois a materialidade e autoria já estão


comprovadas em relação a ele, uma vez que foi preso em flagrante.

A temporária de outros envolvidos também não é cabível, uma vez que não
sabemos nem quem são os demais envolvidos.

Ademais, há fortes indícios de que no local de onde se originam as ligações


podem ser encontradas drogas, armas e os supostos componentes da
associação para o tráfico.

O juiz é o juízo comum, ou seja, o Juiz de Direito da Comarca de Porto


Alegre.

O endereço foi mencionado e então podemos representar tranquilamente


pela busca.

Vamos à peça.

EXCELENTÍSSIMO SR. DR. JUIZ DE DIREITO da _____ª VARA


CRIMINAL DA COMARCA DE PORTO ALEGRE.

Ref. Inquérito policial n°___

“A Polícia Civil do estado do Rio Grande do Sul, por meio do seu Delegado
de Polícia, ao final assinado, no uso de suas atribuições, que lhe são
conferidas, dentre outros dispositivos, pelo art. 240, § 1°, alíneas “d” e “e”;
art. 2°, §1°, da Lei 12.830/2013, (citar a lei que regulamenta as atribuições
da polícia civil do estado para o qual está prestando concurso), vem, mui
respeitosamente, a presença de Vossa Excelência, representar pela
expedição de mandado de busca domiciliar, a ser efetuada no endereço
citado no pedido desta e em face da pessoa especificada também no
pedido, pelos fundamentos de fato e de direito que a seguir passa a expor”.
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1. Dos fatos

Narram os autos, que no dia 12 de junho de 2009, Pedro de Tal foi preso
em flagrante após operação policial oriunda de investigação desse distrito,
que culminou na apreensão de 2,5 kg (dois quilogramas e meio) de cocaína
(conforme laudo anexo) e uma metralhadora de uso restrito, marca UZI,
com 25 cartuchos completos.

O investigado foi trazido a esta delegacia, onde foram lavrados os


procedimentos de praxe. Ao ser ouvido, Pedro de Tal mencionou que atua
no tráfico juntamente com demais componentes de uma suposta

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associação para o tráfico, contudo não quis declinar o nome dos envolvidos
na atividade criminosa.

As diligências da seção operacional dessa unidade registraram que há


frequentes ligações telefônicas oriundas de uma linha fixa localizada no
endereço da Rua dos Remédios 44, Saúde, Porto Alegre, envolvendo os
investigados.

2. Dos fundamentos jurídicos

2.1 Da Prática delituosa

As investigações da autoridade policial, notadamente o resultado do


flagrante que foi realizado, levam à tipificação de alguns crimes capitulados
na legislação penal extravagante, quais sejam, o de tráfico de substância
entorpecente, tipificado ao teor do art. 33, da Lei n° 11.343/06, bem como
o de porte ilegal de arma de fogo, todas as condutas referentes ao
investigado Pedro de Tal.

Por outro lado, o investigado supramencionado, ao que parece, após as


diligências da equipe operacional, compõe uma associação para o tráfico,
uma vez que citou não atuar no tráfico de drogas sozinho, mas na
companhia de alguns comparsas que não quis declinar o nome, portanto,
estaríamos diante da tipificação do crime de mesmo nome.

2.2 Da reserva de jurisdição e da ponderação

A prática delituosa não pode ser acobertada pelo manto dos direitos
constitucionalmente previstos como individuais e fundamentais. Ou seja,
não se pode invocar a inviolabilidade domiciliar para fins de salvaguarda da
prática delituosa.

Assim, as medidas a serem requeridas no bojo desta representação são


medidas reservadas à atividade jurisdicional, e por isso são medidas que
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afetam diretamente um direito fundamental dos investigados.

No entanto, não se tolera num estado democrático de direito a prática de


crimes e ao mesmo tempo a proteção constitucional eventualmente
invocada.

2.3 Do cabimento

A medida pleiteada nessa representação é plenamente cabível. Vejamos.

A busca domiciliar verifica-se cabível, pois há fortes indícios de que no


endereço a ser violado, em caso de deferimento, funciona a base local da

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associação criminosa de que faz parte o indivíduo preso em flagrante, uma


vez que as ligações telefônicas sempre são originadas daquele local.

Assim, há fortes indícios de que se possam encontrar armas, drogas e até


mesmo os demais componentes da associação para o tráfico que se
configura no caso dos autos.

Demonstra-se necessária a busca domiciliar uma vez que, no caso sob


investigação, é imperioso para o sucesso do inquérito a busca da maior
quantidade de objetos vinculados à prática delituosa, quais sejam armas e
drogas, uma vez que se trata de uma associação para o tráfico, em que um
dos seus componentes já foi preso em flagrante com uma quantidade
considerável de cocaína e uma arma de uso restrito e munições não
deflagradas.

Portanto, deve-se proceder à busca domiciliar com o objetivo de encontrar


demais objetos da prática delituosa.

3. Do pedido

Ante do exposto, com base nos fundamentos de fato e de direito já


expostos, representa, essa autoridade policial, pela expedição de mandado
de busca domiciliar no endereço Rua dos Remédios, 44, Saúde, Porto
Alegre, com a finalidade de apreender armas e drogas, bem como subsidiar
possível prisão em flagrante dos demais componentes da associação para
o tráfico, por ser a medida de direito adequada ao caso conforme se
demonstrada na fundamentação exposta, após a oitiva do ilustre membro
do Ministério Público.

Nestes Termos. Pede Deferimento.

Local, data.

Delegado de Polícia
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Matrícula

Questão 2:

(VINICIUS SILVA) No dia 22/01/2015 o estabelecimento comercial


VIP SHOP COMÉRCIO DE ELETRÔNICOS foi vítima de um suposto
furto, perpetrado por 3 indivíduos (B, C e D), que agiram em
conluio, visando subtrair aparelhos de televisão do referido
estabelecimento.

Na noite do dia 22, por volta das 23:00, os três elementos


adentraram a loja arrombando os cadeados e demais dispositivos
de segurança física do estabelecimento, adentrando em seu recinto

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e subtraindo 12 aparelhos Smart TV de 42 polegadas, da marca XX,


que estavam embalados em caixas de papelão com as logomarcas
características da marca XX.

Ao saírem do estabelecimento, já no dia 23, os indivíduos se


depararam com a ação do vigilante do local que empreendeu
perseguição aos delinquentes, no entanto, eles dispararam contra
o vigilante de modo a assegurar a fuga.

Dias depois a proprietária da loja, a Senhora “A”, compareceu ao


2° Distrito Policial e narrou todos os fatos, levando ao
conhecimento da autoridade policial o fato criminoso.

O vigilante foi ouvido e afirmou que poderia reconhecer os agentes


delituosos, confirmou a versão dos fatos alegados pela proprietária
da loja e disse que conhece os assaltantes e disse que eles
portavam 3 armas de fogo do tipo pistola calibre 380.

O Delegado responsável instaurou inquérito policial para apurar as


condutas e os fatos e o setor operacional enviou relatório afirmando
que na casa de um dos suspeitos, endereço à rua alpha, 12, Belo
Monte, Cidade: Jardim, foi verificada uma intensa entrada e saída
de pessoas sempre carregando caixas de papelão enroladas em
lençóis que eram colocadas em carros após a entrega de dinheiro
aos suspeitos.

Foi juntada aos autos do inquérito a folha de antecedentes dos


suspeitos B, C e D; ocasião em que foi possível comprovar que eles
já haviam sido presos por tráfico de drogas.

Diante dos fatos acima, na qualidade de delegado de polícia que


preside o referido inquérito, represente pela medida cabível ao
prosseguimento das diligências investigativas.
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Comentários e modelo de peça:

Aparentemente, no caso acima, teríamos um caso clássico de crime de furto


qualificado, pelo rompimento de obstáculo, majorado por ter sido
perpetrado durante o repouso noturno.

No entanto, para garantir o furto, os indivíduos dispararam com arma de


fogo contra o vigilante local, o que caracteriza o roubo previsto no art. 157,
§1°, uma vez que foi empregada violência contra a pessoa do vigilante para
assegurar a detenção da coisa para si, circunstanciado ainda pelo uso de
arma de fogo.

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Assim, podemos tipificar a conduta como sendo incursa no dispositivo legal


retromencionado.

Por fim, podemos ainda caracterizar a conduta deles como de formação de


associação criminosa, pois não é a primeira vez que os suspeitos B, C e D
associam-se com o fim de cometer crimes.

Portanto, verifico os requisitos do fumus comissi delicti e do periculum


libertatis plenamente presentes nesse caso concreto, pois há prova da
existência do crime e indícios suficientes de autoria de B, C e D. Quanto ao
segundo requisito, na prisão temporária ele se faz presente quando, por
exemplo, a prisão é imprescindível para o andamento das investigações.

Note que no caso concreto acima, devemos ainda encontrar possíveis


armas, objetos frutos da atividade criminosa, drogas, etc. Portanto, a
prisão dos investigados é imprescindível para o andamento das
investigações.

Além da medida cautelar pessoal, há fortes indícios de que os investigados


estão guardando objetos do roubo perpetrado em face da loja de
eletrônicos na casa de um dos comparsas, haja vista o depoimento da
testemunha que se coaduna com a atividade de comercialização dos
aparelhos de TV.

De acordo com a história narrada, vamos então poder representar pela


prisão temporária dos investigados, bem como pela busca domiciliar,
requerendo a expedição do mandado de busca cumulado com a prisão, na
mesma ordem judicial, uma vez que é provável encontrar além dos objetos,
os investigados no local da busca.

Vamos à peça

EXCELENTÍSSIMO SR. DR. JUIZ DE DIREITO da _____ª VARA


CRIMINAL DA COMARCA DE JARDIM. 13601418207

Ref. Inquérito policial n°___

A Polícia Civil do estado do ____________, por meio do seu Delegado de


Polícia, ao final assinado, no uso de suas atribuições, que lhe são
conferidas, dentre outros dispositivos, pelo art. 240, § 1°, alíneas “a”, “d”
e “e”; art. 2°, §1°, da Lei 12.830/2013, bem assim pela Lei n°. 7.960/89,
(citar a lei que regulamenta as atribuições da polícia civil do estado para o
qual está prestando concurso), vem, mui respeitosamente, a presença de
Vossa Excelência, representar pela expedição de mandado de busca
domiciliar e de prisão temporária, a ser efetuado no endereço citado no

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pedido desta e em face de B, C e D, pelos fundamentos de fato e de direito


que a seguir passa a expor.

1. Dos fatos

Narram os autos, que na noite do dia 22, por volta de 23:00, três indivíduos
adentraram a loja de eletrônicos VIP SHOP, com o intuito de subtrair 12
aparelhos de TV SMARTV, da marca XX, de propriedade da referida loja,
cuja proprietária é a Sr. A.

Durante a fuga, os indivíduos tiveram de efetuar disparos contra a pessoa


do vigilante da loja de modo a assegurar o produto da empreitada
criminosa.

Consta ainda depoimento da vítima e do vigilante, por meio do qual foi


possível obter informação da identidade dos três suspeitos, bem como o
possível endereço, onde o produto do roubo pode estar sendo guardado.

2. Dos fundamentos jurídicos

2.1 Da Prática delituosa

As investigações da autoridade policial mostram que foram cometidos


alguns delitos pelos três agentes.

A primeira conduta que se verifica é a de roubo, aquele previsto no art.


157, §3°, do Código Penal, uma vez que eles tiveram de usar de violência
(disparo de arma de fogo) para assegurar o produto do furto,
transformando-se assim a conduta em roubo circunstanciado pelo uso de
arma de fogo.

A segunda é a de formação de associação criminosa, pois os três indivíduos


associaram-se com a finalidade específica de cometer crimes, o que condiz
com a conduta prevista no art. 288, do Código Penal.
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2.2 Da reserva de jurisdição e da ponderação

A prática delituosa não pode ser acobertada pelo manto dos direitos
constitucionalmente previstos como individuais e fundamentais. Ou seja,
não se pode invocar a inviolabilidade domiciliar, tampouco a liberdade
ambulatorial para fins de salvaguarda da prática delituosa.

Assim, as medidas a serem requeridas no bojo desta representação são


medidas reservadas à atividade jurisdicional, e por isso são medidas que
afetam diretamente um direito fundamental dos investigados.

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No entanto, não se tolera num estado democrático de direito a prática de


crimes e ao mesmo tempo a proteção constitucional eventualmente
invocada.

2.3 Do cabimento

As medidas pleiteadas nessa representação são plenamente cabíveis.


Vejamos.

Quanto à busca domiciliar, verifica-se cabível, pois há fortes indícios de que


no endereço a ser violado, em caso de deferimento, estão sendo guardados
os aparelhos de SMARTV que foram objeto do roubo perpetrado.

Assim, há fortes indícios de que se possam encontrar as TV’s, armas,


drogas e até mesmo os demais componentes da associação criminosa.

Quanto ao cabimento da prisão temporária dos investigados, mostra-se


cabível, pois o crime de associação criminosa e roubo estão previstos no
rol do art. 1°, III, da Lei 7.960/89.

2.4 Dos requisitos Cautelares

Primeiramente, demonstra-se necessária a busca domiciliar uma vez que,


no caso sob investigação, é imperioso para o sucesso do inquérito policial
a busca da maior quantidade de objetos vinculados à prática delituosa,
quais sejam armas e drogas, bem como a recuperação do produto do
roubo, uma vez que há fortes indícios de que os objetos do roubo estejam
sendo guardados no endereço constante do pedido.

Portanto, a busca domiciliar e posterior apreensão dos objetos é necessária


para a investigação do crime em apreço.
Quanto à prisão temporária dos investigados B, C e D, mostra-se adequada,
bem como preenchidos os requisitos cautelares para o deferimento, pois é
imprescindível para o prosseguimento das investigações em crime de roubo
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cumulado com associação criminosa (art. 288, do CP) estando assim


preenchidos os requisitos dos incisos I e III, do art. 1°, da Lei n°. 7.960/89.

3. Do pedido

Ante do exposto, com base nos fundamentos de fato e de direito já


expostos, representa, essa autoridade policial, pela expedição de mandado
de busca domiciliar no endereço Rua Alpha, 12, Belo Monte, Jardim, com a
finalidade de apreender objetos do crime, tais como armas, e também o
produto do roubo (TV’s Smartv, marca XX), bem como subsidiar possível
prisão em flagrante dos demais componentes da associação criminosa.

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Representa também pela prisão temporária dos investigados A, B e C, pelo


prazo de 5(cinco) dias, caso não sejam presos em flagrante em eventual
diligência de busca domiciliar, nos termos da Lei 7.960/89.

Requer-se ainda a oitiva do ilustre membro do Ministério Público.

Nestes Termos. Pede Deferimento.

Local, data.

Delegado de Polícia
Matrícula

Por hoje é só, espero que tenham gostado da aula 03, já são 4 aulas e as
medidas mais importantes já foram vistas, essas quatro medidas são as
que eu suponho que possuem mais probabilidade de cair na sua prova, é
claro que é possível a mescla de duas ou mais representações na mesma
peça, mas as principais peças que podem vir individualmente são essas.

A partir da próxima aula veremos algumas representações menos


frequentes em provas, mas que podem ser cobradas em provas de 2ª fase
de Delta. O exemplo mais forte é o da prova de 2014 da PCPI, pois foi uma
prova bem original e desafiadora, que mediu muito conhecimento do
candidato.

Abraços.

Bons Estudos.

Prof. Vinícius Silva.

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