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Agradecimentos

Ao Professor Doutor José Xavier, orientador e ao Professor Doutor Rui Isidoro, co-
orientador, ambos pessoas fundamentais na elaboração desta dissertação.
Ao meu orientador quero agradecer a forma indirecta através das suas aulas de mestrado
pela forma, como conseguiu transmitir-me a importância das leis no contexto da
segurança no trabalho; assim como a sua disponibilidade e cordialidade, transmitindo seu
vasto conhecimento, não só pela sua longa carreira académica mas também pelos vasto
conhecimento profissional.
Ao Professor Doutor Rui Isidoro, as palavras aqui escritas, são demasiado diminutas, para
descrever não só o excelente académico, mas algo mais grandioso, que é o ser humano
que é, e que tenho a honra de conhecer há longos anos.
Demonstrou sempre, total cooperação, dando sugestões, relativas a temáticas,
esclarecendo-me dúvidas existentes, demonstrando o vasto conhecimento na área de
segurança laboral.
Ao meu colega de mestrado, Eng° Téc. Pedro Alves pelo seu apoio nas horas mais difíceis,
que surgiram no mestrado, estando sempre disponível, dando apoio quando mais
necessitei; ao Eng° Téc. Pedro Machado e Eng° Vitor Silva pela sua amizade, ajuda e
palavras de incentivo.
Quero igualmente agradecer às minhas irmãs pela compreensão que tiveram pelo tempo
ausente, ao meu sobrinho pela sua disponibilidade para me ajudar quando necessitava e
pelas palavras de motivação assim como à minha sobrinha mesmo longe sempre
manifestou igualmente uma palavra de força.

Por fim ...

À melhor mãe e pai do mundo por todos os valores e ensinamentos que me conseguiram
passar, pela compreensão que tiveram durante as minhas inúmeras ausências para realizar
mais esta etapa.

A todos eles minha grata e sincera consideração

1
Resumo

O trabalho, realizado teve, como base de análise, o Decreto-Lei n° 41821 de 11 de Agosto


de 1958, denominado, Regulamento de Segurança no Trabalho da Construção Civil,
Decreto-Lei n.° 307/2009, de 23 de Outubro, Regime Jurídico da Reabilitação Urbana,
DL n.° 555/99, de 16 de Dezembro Regime Jurídico da Urbanização e Edificação.
Pretende-se, demonstrar às entidades legisladoras, que precisa-se efectuar uma alteração
e adaptação; pois, alguma legislação encontra-se em variadíssimos temas, obsoleta, não
indo de encontro ao que, entidades de referência, indicam, como a OIT, Normas
Europeias, ACT e autores de livros.
Os dados estatísticos são bastantes penalizadores; logo, requer-se, para quem trabalha na
coordenação de segurança em obra, a existência de Leis que dê um correcto auxílio aos
técnicos intervenientes. Constatou-se igualmente, um grave problema nesta legislação,
em matéria dos inúmeros termos técnicos aplicados, na qual se irá tentar demonstrar, que,
quando se está criando um determinado regulamento, deve ter-se em conta o “público-
alvo” que posteriormente à sua elaboração o vai consultar diariamente.
Deve o legislador ter noção que apesar de estarmos perante um regulamento afecto à
construção civil, nem todos os técnicos da área de segurança no trabalho, vem de áreas
académicas, como a Engenharia Civil e Arquitectura, em que, os termos atrás
mencionados lhes são mais “familiares”; a legislação deve ser clara e não levantar dúvidas
de interpretação quando é consultada.

Palavra-Chave: Legislação, Medidas de Segurança, Escavações, Andaimes,


Demolições.

2
Abstract

The current study was based on the analysis of the Decree-Law no. 41821 of 11 August
1958, called Regulation of Workplace Safety of Civil Construction, Decree-Law no.
307/2009, of 23 October, the Legal Regime of Urban Rehabilitation, DL no. 555/99 of
16 December, The Legal Regime of Urbanization and Edification.
The aim is to demonstrate to the legislators that we need to make a change and adaptation,
since some legislation, in many subjects, is obsolete and not in line with reference entities
such as ILO, European Standards, ACT and authors..
The statistics are quite debilitating, therefore it is necessary for those who work in the
coordination of safety at work the existence of laws that provide proper assistance to
technicians involved.
It was also found a serious problem in this legislation, in terms of the numerous technical
terms applied, in which we will try to show that when you are creating a specific
regulation, one should take into consideration the "target audience" that afterwards will
consult it on a daily basis.
The legislator should have the notion that although it is regulation regarding civil
construction, not all technicians, in the area of safety at work, come from academic areas
such as Civil Engineering and Architecture. Thus, legislation should be clear and not raise
issues when consulted.

Keywords: Legislation, Security Measures, Excavations, Scaffolding.

3
G lo ssá rio d e term os técnicos

A
Andaime de Conservação
Estrutura utilizada em geral, para trabalhos relacionados com pintura de fachadas, pequenas
reparações ao nível exterior, nas quais se podem englobar, fissuras existentes no reboco que não
afectam a estrutura, reparação de beirais, etc.

Andaime Misto
Andaime que é constituído por diferentes tipos de material, sendo o mais usual o material em
ferro e madeira; podendo em alguns modelos existirem peças constituintes à base de plástico
resistente.

Anilha
Peça metálica ou de plástico, com um orifício ao centro, que se utiliza entre um parafuso e o
elemento aparafusado que permite atenuar os efeitos da pressão exercida, aumentando a área de
contacto.

Argamassa
Massa utilizada em obra para alvenarias e rebocos, constituídos por areias, cimentos e cal
misturados com água.
Mistura feita com cal, areia e água, usada no assentamento de alvenaria, tijolos, ladrilhos e no
revestimento de paredes.

Bailéus
Andaime suspenso, utilizado exteriormente em edificações de grande altura.

Balaustradas
Peças em geral de cariz ornamental, que se utilizam em varandas, escadarias, pequenos muros
de jardins.
Alguns são produzidos em cimento através de moldes, outros podem ser produzidos em pedras
como o granito e mármore.

Barrote
Pequena trave de madeira, de metal, que serve de sustentação de soalhos, telhas, etc.

C
Cobertor de Degraus
Parte superior do degrau de uma escada (zona onde assenta o pé) sempre que subimos ou
descemos a escada de uma habitação.

Cabos-guia
Elemento destinado a limitar a oscilação horizontal da plataforma suspensa; cabo utilizado, na
movimentação de cargas com aparelhos elevatórios, destinado a direcionar a carga. É utilizado
em geral com cargas compridas como varões, tubos, em que se procura que só haja esforças de
compressão.

4
Cadernal
Aparelho para levantar e puxar coisas pesadas, podendo ser utilizado em conjunto com cabo de
aço ou cordas para facilitar a movimentação e divisão de cargas.
Caracteriza-se por ser um equipamento que em geral tem duas roldanas incorporadas por onde
passam os cabos.

Cunha
Peça em ferro ou madeira, com duas faces em ângulo bastante agudo, que pode servir para
rachar lenha, no caso das de ferro e para servir de aperto e sustentação ao assentamento de
portas, portões e janelas.

Cunhais
Faixa vertical saliente nas extremidades de paredes ou muros externos das edificações, em geral
abrangendo da base até ao beiral.
Ângulo externo e saliente formado pelo encontro de duas paredes externas, e serve de protecção
à quina do edifício ou de ornamentação da fachada.
Geralmente vê-se em edifícios mais antigos em que o material aplicado, se relaciona com
cantaria, sendo o material mais utilizado o granito e o mármore.

Cabos de Suspensão
Cabos utilizados para determinados tipos de trabalhos em altura e que sustentam o trabalhador,
usados em trabalhos de pintura, limpeza de fachadas e reparações de pequena a média
dimensão.

Caixilharia
Nome atribuído a trabalhos geralmente afectuados em alumínio, podendo aplicar-se também em
trabalhos de pvc e madeira.
O nome relaciona-se pelo facto de algumas peças constituintes se encaixarem entre si, tais como
portas, janelas e portões.

Caleiras
Espécie de cano, com a forma de uma semicircunferência ou de formato trapezoidal utilizadas
em geral, em material de pvc e metálicos; servindo para escoamento das águas pluviométricas.

Cornijas
É um elemento arquitetónico que consiste em uma faixa horizontal que se destaca da parede ou
conjunto de molduras salientes que servem de arremate superior para obras de arquitectura.

D
Dono de Obra
Entidade responsável pela encomenda das operações e pela celebração do respectivo contrato de
adjudicação, coincidindo, por regra, com a entidade que detém a propriedade do bem ou
infraestrutura ou adquire o serviço financiado.

E
Elementos Suportados
Consideram-se como elementos suportados alguns elementos estruturais existentes numa
habitação familiar, dos quais fazem parte o telhado, vigas, lajes, telhas, etc.

5
Elementos Suportantes
Podem-se considerar como elementos suportantes, pilares, vigotas e paredes.

Empalme
Entalhe ou união de duas peças para que fiquem em prolongamento.

Entivação
Revestimento executado em madeira em poços, galerias e escavações de profundidade média a
grande, destinado a impedir desmoronamento.

Escora
Peça cuja finalidade é amparar e suportar cargas, de forma linear sujeita a esforços de compressão.

Escoramento
Designação da aplicação de escoras, reforço ou sustentação.

Estropo
Laço em cabo de aço ou corda, onde encaixa ou prende em ganchos de guindastes, servindo
para içar cargas pesadas ou puxar cargas.

Estacas-pranchas
Sistema de contenção por cravagem, que usa painéis em aço; para obtenção de uma barreira
metálica contínua de elevada estanquidade.

Estuque
Argamassa feita em gesso; massa branca policromática em cuja composição pode entrar cal,
areia fina, pó de mármore e obrigatoriamente gesso e cola.
É utilizado como revestimento em interiores, principalmente tectos e ornamentos executados em
relevo.

F
Força de Tracção
Força segundo o eixo longitudinal, por exemplo, de uma barra.
A força axial pode ser de tracção ou compressão conforme se esteja a “puxar” os extremos da
barra ou comprimir os extremos da barra.

G
Guarda-cabeça
Peça do andaime com cerca de 0,15 m de altura, cuja finalidade é a de impedir que ferramentas
e outros objectos sejam arremessados para fora do andaime e causem acidentes.

Guarda-costas
Peça do andaime que tem como finalidade, evitar a queda de trabalhadores.

Guinchos
Em geral são equipamentos eléctricos, utilizados em obra para içar cargas, podem ser cargas
ligeiras ou pesadas consoante a capacidade dos mesmos.

6
I
Imbricada
Disposta de modo que as extremidades fiquem sobrepostas.

L
Lingada
Equipamento que se coloca em determinadas cargas, que se pretenda içar, caracterizada por
duas correntes/cabos, podem se for necessário ter um número de elementos consoante o peso da
carga a deslocar/içar.

P
Passadiços
Servem para a passagem de pessoas e bens com segurança quando se realizam obras de
escavação, sobretudo valas.
Podem também ser criados passadiços para passagem de veículos.
Por questões de segurança, estes devem ter guarda-corpos incorporados, de forma a evitar a
ocorrência de quedas.

Polés
Peça utilizada na montagem de andaimes, formada por duas peças na qual uma, tem como função
suportar, tábuas de pé, considerando-se estar a falar de andaimes de madeira.

Porcas
Peças que permitem a fixação de equipamentos, das mais diversas áreas na sua grande maioria de
forma hexagonal.

Pranchada
Rampa provisória para vencer desníveis, utilizada em obra, composta por duas ou mais pranchas
ligadas por travessas.

Pranchas
Peça constituinte da maioria dos andaimes, podendo-se considerar a zona onde se deslocam os
trabalhadores ou onde estão a efectuar trabalhos.
M
Muro de Suporte
Servem para “vencer” um desnível de terreno.
Por outras palavras servem para suster terrenos.

R
Roldana
Tipo de máquina simples, constituída por uma roda, com gola onde passam cordas ou correntes,
de modo a elevar objectos.

S
Sarilho
Peça pertencente a plataformas suspensas, que são utilizadas para trabalhos em altura.

7
T
Tabiques
Tipo de parede leve e amovível, de pequenas dimensões, utilizada normalmente para fixar
argamassas sobre tabiques de madeira com esteirado de vigas de madeira.

Tábuas de Pé
Peça constituinte de andaimes que podem ser de madeira, metal, tem a função de suportar não só
o peso dos trabalhadores mas também as cargas.

Talude
Superfície de terreno inclinado, resultado de uma escavação ou aterro estabilizado. Pode também
ser de origem natural.

Tramo
Termo que define o troço entre dois apoios contíguos, de uma estrutura. Um bom exemplo é por
exemplo uma viga assente nos extremos em pilares, o espaço entre os dois pilares considera-se
tramo.

Travessas
Peça pertencente aos andaimes, de madeira, metálico e misto que serve para dar maior
estabilidade estrutural.

Vigamentos
Conjunto ou disposição das vigas de uma construção.

8
Índice de Matérias

Agradecimentos.............................................................................................................................1
Resumo...........................................................................................................................................2
A bstract.........................................................................................................................................3
Glossário de termos técnicos..........................................................................................................4
Índice de Gráficos........................................................................................................................12
Índice de Tabelas.........................................................................................................................13
Índice de Imagens........................................................................................................................14
Capitulo 1.................................................................................................................................... 15
Legislação e estatística na construção civil..............................................................................15
1. Introdução................................................................................................................................15
1.1. Objectivos do Tema de Estudo...........................................................................................16
1.2. Legislação.........................................................................................................................16
1.3. Análise estatística de acidentes na construção..................................................................17
Capitulo 2....................................................................................................................................22
Regulamentos, normas e evolução técnica dos andaimes...................................................... 22
2. Andaimes.................................................................................................................................22
2.1. Evolução técnica dos andaimes.........................................................................................22
2.2. Apresentação regulamentar e normativa...........................................................................23
2.2.1. Normas EN 12810-1 e EN 12811-1...........................................................................25
Capitulo 3....................................................................................................................................29
Recomendações de segurança segundo OIT para andaimes na construção civil............... 29
3. Segurança e saúde na construção segundo OIT.......................................................................29
3.1. Andaimes segundo a OIT..................................................................................................29
3.2. Indicação dos tipos de materiais segundo a OIT.............................................................. 32
Capitulo 4....................................................................................................................................33
Modelos de andaimes em Portugal...........................................................................................33
4. Andaimes Utilizados em Portugal............................................................................................33
4.1. Andaime modelo FA-48................................................................................................. 33
4.1.1. Aplicação de cargas de acordo com a EN 12810-1.................................................. 34
4.1.2. Funcionalidade, das diagonais estabilidade e grampos de amarração....................... 37

9
4.1.4. Processo de montagem dos andaimes metálicos...................................................... 39
4.1.5. Montagem de andaimes segundo Directiva 2001/45/CE......................................... 43
4.2. Opinião final relativa ao tema andaimes e legislação correspondente..........................45
Capitulo 5....................................................................................................................................46
Legislação de demolição em Portugal....................................................................................... 46
5. Demolição em Portugal............................................................................................................46
5.1. Legislação afecta à Demolição em Portugal................................................................... 46
5.1.1. Demolições segundo Decreto-Lei n° 41821 de 11 de Agosto de 1958.................... 47
5.1.2. Demolições legislação segundo DL n.° 307/2009, de 23 de Outubro; Regime Jurídico
de Reabilitação Urbana........................................................................................................49
5.2. Providências preliminares em trabalhos de demolição de acordo com capítulo II do DL n°
41821 de 11 de agosto..............................................................................................................50
5.3. Omissão dos métodos utilizados para demolição no DL n° 41821 Regulamento de
Segurança no Trabalho da Construção Civil.......................................................................... 53
5.3.1. Métodos de demolição a constar no Decreto-Lei n° 41821...................................... 53
5.3.2. Demolição com equipamento mecânico................................................................... 54
5.3.3. Demolição por Impacto..............................................................................................55
5.3.4. Demolição com recurso a explosivos........................................................................ 55
5.3.5. Demolição por expansão química..............................................................................58
5.4. Considerações finais relativas a legislação de demolição existente em Portugal............... 62
Capitulo 6....................................................................................................................................63
Legislação relativa a obras de escavação................................................................................ 63
6. Escavações em Portugal...........................................................................................................63
6.1. Medidas preliminares em obras de escavação................................................................. 63
6.1.2. Escavações de Valas..................................................................................................65
6.1.3. Informação prévia antes do início das escavações de valas..................................... 66
6.2. Entivação de Valas de acordo com DL n° 41821 de 11 de Agosto................................. 66
6.2.1. Medidas de segurança consoante natureza do solo.................................................. 69
6.2.2. Utilização de escadas de mão, como medida de segurança nas aberturas de valas. .. 70
6.2.3. Medidas de segurança a adoptar em taludes............................................................ 73
6.2.4. Possíveis causas de escorregamentos de taludes...................................................... 74
6.2.5. Medidas de segurança a ser tomadas para evitar escorregamentos de taludes......... 74
6.3. Medidas de segurança a tomar, relativas aos materiais extraídos da escavação............. 75
6.3.1. Medidas de segurança junto de habitações e muros, antes do início de escavações . 76
6.4. Considerações finais relativas ao tema dasescavações.....................................................78

10
Capitulo 7....................................................................................................................................79
Sinalização de Obras segundo Decreto-Lei n° 41821............................................................. 79
7. Sinalização de Segurança.........................................................................................................79
7.1. Sinalização de acordo com o Titulo V, Capitulo IV, Secção I do Decreto-Lei n° 41821 79
7.2. Sinalização temporária de acordo com o Decreto Regulamentar n° 22-A/98 de 1 de
Outubro....................................................................................................................................81
7.2.1. Significado de sinalização de trânsito e tipos de sinais constituintes....................... 81
7.3. Sinalização temporária de obras na via pública.............................................................. 83
7.3.1. Noção de princípios e objectivos em sinalização temporária.................................... 85
7.4. Método de implantação relativa a sinalização temporária............................................... 87
7.5. Circulação alternada, face a implementação de sinalização temporária.......................... 89
7.5.1. Tipo de sinalização para trabalhos fixos................................................................... 91
7.6. Reflexão final relativa a sinalização constante no DL n° 41821 e restante legislação
complementar...........................................................................................................................97
Capitulo 8....................................................................................................................................98
8. Conclusão e comentário final...................................................................................................98
8.1. Linhas futuras de estudo................................................................................................. 99
9. Bibliografia...........................................................................................................................100
9. Anexos...................................................................................................................................102
Imagem; Fonte: http://www.catari.pt/pt/empresa.html?tab=0...................................................102

11
Índice de Gráficos

Gráfico 1. Acidentes mortais por mês entre 2014 e 2016.........................................................18


Gráfico 2. Acidentes de trabalho por sector de actividade entre 2014 e 2016......................... 19
Gráfico 3. Percentagem de acidentes de trabalho por sector de actividade em 2014.20
Gráfico 4. Percentagem de acidentes de trabalho por sector de actividade em 2015.21
Gráfico 5. Percentagem de acidentes de trabalho por sector de actividade em 2016.21

12
Índice de Tabelas

Tabela 1. Sistema de classificação de andaimes......................................................................26


Tabela 2. Plataforma FA.PL320.............................................................................................. 35
Tabela 3. Tabelas de cargas nas plataformas FA.PL e FA.PL320.......................................... 36
Tabela 4. Cargas uniformes e cargas pontuais nas plataformas.............................................. 37
Tabela 5. Sistema de entivação face à natureza de solo.......................................................... 70
Tabela 6. Ângulo de escavação de taludes.............................................................................. 74

13
Índice de Imagens

Imagem 1. Andaime tradicional................................................................................................. 30


Imagem 2. Modelo de andaime FA-48....................................................................................... 34
Imagem 3. Plataforma de andaime FA.PL................................................................................. 35
Imagem 4. Cortes transversais a/b da plataforma...................................................................... 36
Imagem 5. Bases niveladoras de andaimes metálicos................................................................ 39
Imagem 6. Módulo de andaime metálico................................................................................... 40
Imagem 7. Diagonal e tirante metálicos..................................................................................... 41
Imagem 8. Parapeito de andaime metálico................................................................................. 42
Imagem 9. Rodapé de andaime metálico.................................................................................... 43
Imagem 10. Demolição mecânica.............................................................................................. 54
Imagem 11. Mecanismo por colapso progressivo...................................................................... 57
Imagem 12. Reacção química de hidratação.............................................................................. 58
Imagem 13. Rotura com recurso a cimento expansivo............................................................59
Imagem 14.Rotura de betão entre armadura superior e inferior.................................................. 60
Imagem 15. Rotura de betão com necessidade de corte das armaduras..................................... 60
Imagem 16. Rotura transversal com recurso a cimento expansivo............................................ 61
Imagem 17. Tipos de madeiramento em entivações.................................................................. 68
Imagem 18. Elementos constituintes de sistemas de entivação............................................... 69
Imagem 19. Aplicação de escadas em escavações de valas....................................................... 72
Imagem 20. Partes constituintes de um talude........................................................................... 73
Imagem 21. Distância mínima relativa à deposição de materialextraído................................... 76
Imagem 22. Disposição de sinalização temporária.................................................................... 89
Imagem 23. 1a Fase de implementação de sinalização............................................................90
Imagem 24. 2a Fase de implementação de sinalização.......................................................... 90
Imagem 25. 3a Fase de implementação de sinalização.............................................................91
Imagem 26. Trabalhos exteriores à plataforma.......................................................................... 93
Imagem 27. Sinalização para trabalhos nas bermas................................................................... 94
Imagem 28. Sinalização para estreitamento forte das vias......................................................... 95
Imagem 29. Sinalização luminosa para circulação alternada..................................................... 96

14
Capitulo 1

Legislação e estatística na construção civil

1. Introdução

No decorrer do leccionamento da disciplina de Projecto ao longo do semestre, foi-se


adquirindo informação relativa a alguns temas da área da construção civil; verificando,
no decorrer das inúmeras aulas algumas lacunas existentes, e que, com o posterior
levantamento e pesquisa de alguma bibliografia existente, confirmou-se que havia
necessidade de um estudo relativo à legislação existente.
Face ao citado atrás, e da consulta de alguma da legislação, conclui-se que o titulo que
serve de base de apresentação, “Análise critica da legislação de segurança na construção
em Portugal” se enquadrava perfeitamente, por as mais variadíssimas razões, tais como,
por exemplo o Decreto-Lei n°41821 de 11 de Agosto 1958 principal alvo de estudo, e
restante legislação citada ao longo do trabalho; estar adjacente ao sector de actividade que
maiores números de acidentes laborais, apresenta, no qual, alguns deles com perdas de
vidas humanas e que acabam por ter impactos inaceitáveis aos mais variadíssimos níveis.
Tais impactos, traduzem uma imagem negativa; em primeiro do país, seguidamente das
políticas incorrectas que ao nível laboral tem sido adoptadas, para combate a elevadíssima
sinistralidade na construção civil.
Crê-se que para além do que foi descrito, o referido tema, também serviu para demonstrar
o perfeito enquadramento que tem, com o Mestrado de Higiene e Segurança no Trabalho,
tentando-se sensibilizar as pessoas mais directamente ligadas à construção civil; nisto, se
englobam entidades reguladoras, no sentido de que, deve ser feito um maior investimento
em matéria de segurança laboral, apostando-se cada vez mais em quadros superiores
altamente qualificados. Após a leitura do Regulamento de 1958, verificou-se que urge
que venha também, a ser regulada/reconhecida as funções de técnicos de coordenação em
obra, pois, muito do acompanhamento efectuado em matéria de segurança em obra, faz-
se porque, ao abrigo de legislação, a mesma permite, que pessoas das áreas da Engenharia
Civil desempenhem tais funções. Esta chamada de atenção, apenas tenta fazer ver que,
apesar de estas pessoas, ao longo dos seus cursos, terem cadeiras em que se aborda o tema
da segurança em obras, a carga lectiva fica muito aquém dos reais conhecimentos que
devem ser possuidores.

15
1.1. Objectivos do Tema de Estudo

Fazendo parte da componente lectiva de uma das cadeiras do Mestrado de Higiene e


Segurança no Trabalho ministrado no Instituto Politécnico de Beja; ao longo da exposição
de inúmeros assuntos no decorrer do semestre, começou-se a verificar a necessidade de
se efectuar um estudo relativo à legislação.
Assim, após uma consulta conjunta com o coordenador e co-orientador do mestrado, Dr.
Rui Isidoro constatámos a existência de algumas lacunas relativas à legislação afecta, ao
sector da construção civil, demonstrando-se esta, que, necessita de sofrer alterações por
parte das entidades competentes.
Efectuado um levantamento bibliográfico, de inúmera legislação nacional e europeia,
tem-se, neste projecto o objetivo de se fazer uma análise ao Decreto-Lei n° 41821 de 11
de Agosto de 1958 definido como, Regulamento da Segurança no Trabalho da Construção
Civil; na qual, se pretende indicar algumas alterações que futuramente devem ser feitas
em matéria de segurança em alguns dos temas constantes nos capítulos.
Pretende-se demonstrar igualmente que, tais alterações devem ir ao encontro daquilo que
é sugerido por instituições como, Organização Internacional do Trabalho, Autoridade
para Condições do Trabalho, Normas Europeias, Regulamentos, Directiva 2001/45 CE
de carater não vinculativo e manuais de boas práticas e demais entidades.
Estando ao sector da construção civil, atribuídos a maior percentagem anual de acidentes
de trabalho, a comprovar, estão os dados mencionados pelo Instituto Nacional de
Estatística que, demonstram que ainda existe um longo caminho a percorrer no combate
à sinistralidade laboral na construção; este trabalho tem igualmente como objectivo
sensibilizar os construtores civis, e alguns dos futuros técnicos superiores de higiene e
segurança que venham a enveredar pela área de coordenação em obra.

1.2. Legislação

Em relação à legislação, pretende-se fazer uma demonstração evolutiva, que o sector da


construção civil tem sofrido desde os primeiros regulamentos criados em Portugal que
serviam de base regulamentar ao sector.
Da pesquisa realizada em termos bibliográficos, constatou-se que ainda antes do Decreto-
Lei n° 41821 de 11 de Agosto de 1958, denominado Regulamento de Segurança no
Trabalho da Construção Civil, já anteriormente a este, sete anos, era criado o Decreto-Lei
n° 38382 de 7 de Agosto de 1951, como Regulamento Geral das Edificações Urbanas, no
qual constava alguma matéria relacionada com aspectos da segurança afecta aos
trabalhadores, aquando da montagem, utilização e desmontagem dos andaimes, não
esquecendo a segurança relativa à passagem de pessoas nas zonas onde os andaimes
estivessem montados.
Com a criação de Portugal para a CEE, um conjunto de medidas teve de passar a ser
adoptada pelos diversos membros.

16
Passaram a criar-se normas, regulamentos e um conjunto de legislação de forma a tentar-
se em parte uniformizar procedimentos entre os diferentes países.
Surge então em 1988 a norma HD 1000 e em 1992 a norma HD 1004 relacionadas com
andaimes constituídos por elementos pré-fabricados.
A norma HD 1000 foi criada para os andaimes de pés fixos; já a norma HD 1004 referia-
se aos andaimes móveis tipo torre.
Posteriormente em 1989 surge a norma HD 1039, visando aspectos construtivos dos
andaimes como fossem, o seu diâmetro e espessura; o diâmetro 0ext. = 48,3 mm a
espessura, e= 3,2 mm.
No ano de 1999 o Decreto-Lei n° 82/89 de 16 de Março transpõe para a ordem jurídica
interna a Directiva n.° 89/655/CEE, do Conselho, de 30 de Novembro de 1989, alterada
pela Directiva n.° 95/63/CE, do Conselho, de 5 de Dezembro de 1995, relativa às
prescrições mínimas de segurança e de saúde para a utilização pelos trabalhadores de
equipamentos de trabalho.
O Decreto-Lei n.° 50/2005 de 25 de Fevereiro faz menção nos seus artigos 40, 41 e 42 a
aspectos relacionados com os andaimes relativamente à sua utilização, estabilidade e
plataformas. Em 2003 surge a EN 12810-1 que veio substituir a anterior norma HD 1000
de 1998 e visa sobretudo aspectos como andaimes de fachada de componentes pré-
fabricados. Esta norma serve de aplicação a todo o tipo de sistemas de andaime
produzidos totalmente com aço ou ligas de alumínio como material base.
A referida Norma, visa que os equipamentos criados cumpram com os requisitos
estabelecidos oferecendo assim, total segurança aos funcionários evitando-se a ocorrência
de acidentes no sector da construção garantido estabilidade, fiabilidade, facilidade de
montagem e capacidade carga.

1.3. Análise estatística de acidentes na construção

Estando a fazer-se um estudo da legislação em vigor, sobretudo ao Decreto- Lei n° 41821


de 11 de Agosto de 1958, pretende-se com a apresentação de dados estatísticos, tentar
demonstrar às entidades competentes, estabelecimentos de ensino superior, onde, são
ministrados mestrados de segurança e higiene do trabalho e possivelmente algumas
instituições como sejam a OE, OET e OA, além de outras instituições, o quanto é
necessário que a lei atrás referida seja alterada.
Embora ao longo dos anos se note uma pequena diminuição de acidentes de trabalho, é
no sector da construção que se nota que, muito ainda se tem de fazer, para que sejam
diminuídos os números de acidentes de trabalho.
Através de consulta da Autoridade para Condições do Trabalho (ACT), onde esta fornece
no seu portal dados bastantes recentes e fiáveis dos últimos três anos, facilmente se
constata que é no sector da construção civil e na indústria transformadora que os números
são alarmantes; estando associados aos mesmos a perda de vidas humanas; seguidamente
serão apresentados alguns quadros onde é possível ter-se uma melhor compreensão face
ao exposto anteriormente.

17
Acidentes Mortais Mensais

Janeiro Fevereiro Março Junho Agosto Outubro Novembro Dezembro

•2015
•2016

■2015 •2016

Gráfico 1; Fonte: Autoridade para Condições do Trabalho (ACT)

Segundo o Quadro 1, em termos de acidentes, nos diferentes meses ao longo dos três
últimos anos, vê-se que nos primeiros meses, sobretudo, Janeiro, Fevereiro e Março que
o numero de acidentes mortais é sempre mais elevado em comparação ao resto do ano,
ainda que em 2014 se tenham mantido valores bastantes elevados.

18
Sector de Actividade

Comércio por grosso e a


Agricultura, Produção
retalho; Reparação de
Animal, Caça, Floresta e Indústrias Extrativas Indústrias Transformadoras Construção Transportes e Armazenagem
veículos automóveis e
Pesca
motociclos

Gráfico 2; Fonte: Autoridade para Condições do Trabalho (ACT)

Tal como mencionado inicialmente acerca dos números desanimadores que ainda afectam
alguns sectores de actividade em Portugal, em que, se frisaram aqueles em que os valores
associados são bastante alarmantes, no Quadro 2, dá então para confirmar que o sector da
construção civil, é de longe aquele sector em que, se tem de travar uma clara “batalha”
de forma a diminuírem-se tais valores.
Pode-se verificar que face ao ano 2016 os dados facultados pela ACT, aqui apresentados
dizem respeito ao mês de Abril.
Constata-se já que, em relação aos restantes sectores aqui apresentados, foi tido em
consideração, aqueles que, por parte da ACT tinham os valores mais elevados; sendo que,
existiam muitos mais sectores. Ainda que, em relação ao sector da construção os valores
correspondentes não digam respeito ao primeiro semestre; poderemos prever uma vez
mais, valores bastantes desmotivantes, os quais denigrem o país em matéria de segurança
laboral; faz-se muito rapidamente uma referência ao sector das indústrias
transformadoras, ainda que, com um número mais baixo face aos mesmos anos; este
sector fica logo atrás da construção civil.

Nos seguintes quadros a serem apresentados, referentes, aos diferentes sectores de


actividades faz-se uma relação entre o número de acidentes ocorridos e a percentagem
correspondente pelos sectores económicos mais problemáticos.
Estas percentagens poderiam servir como base de estudo, sobre, qual o impacto que tais,
valores tem para a economia do país; assim como para as empresas em que ocorrem.
Pode-se afirmar que a ocorrência de acidentes representam custos anuais que, podem e
devem ser evitados.

19
A aposta na formação dos funcionários assim como actividades de sensibilização pode
ser uma das “chaves” para o combate aos trágicos números.

Gráfico 3; Fonte: Autoridade para Condições do Trabalho (ACT)

20
Sector de Actividade 2015

■ Agricultura, Produção Animal, Caça, Floresta e Pesca

■ Indústrias Extrativas

■ Industrias Transformadoras

■ Construção

■ Comércio por grosso e a retalho; Reparação de veículos automóveis e motociclos

■ Transportese Armazenagem

Gráfico 4; Fonte: Autoridade para Condições do Trabalho (ACT)

S ector de A c tiv id a d e 2016

■ Agricultura, Produção Animal, Caça, Floresta e Pesca

■ Industrias Extrativas

■ Industrias Transformadoras

■ Construção

■ Comércio por grosso e a retalho; Reparação de veículos automóveis e motociclos

■ Transportes e Armazenagem

Gráfico 5; Fonte: Autoridade para Condições do Trabalho (ACT)

21
Capitulo 2

Regulamentos, normas e evolução técnica dos andaimes

2. Andaimes

Os andaimes podemos caracterizá-los como estruturas auxiliadoras para realização de


determinados tipos de trabalhos no sector da construção civil.
Desde obras de pequena envergadura, como sejam construção de pequenas moradias de
rés-de-chão, obras de pinturas de diferentes categorias, construção de obras de arte a
edifícios de variados pisos; os andaimes, desde sempre foram uma estrutura fulcral ao
longo da evolução histórica da construção.
Entretanto, sendo este trabalho, parte onde se demonstrará os conhecimentos adquiridos
relativamente a todas as disciplinas lecionadas no mestrado, não poderia deixar de fazer
uma abordagem em relação à segurança nos andaimes.
No tópico anterior tentou-se meramente fazer uma breve caracterização do sector da
construção civil em Portugal e embora sejam valores relativos aos últimos três anos, estes,
claramente permitem chegar a uma conclusão; que passa por alterar radicalmente tais
números e percentagens trágicos.

Sabe-se que devido ao tipo de andaimes, ao tipo de material dos quais estes são feitos, má
montagem no terreno, muitas das vezes sem cumprirem com procedimentos básicos de
segurança, levando a terem uma utilização incorrecta, são a causa das elevadas
percentagens de acidentes já anteriormente apresentadas.
Quedas de pessoas em altura, materiais como, utensílios de trabalho que caem e provocam
acidentes dos mais variados tipos, a estrutura colapsar e por fim, embora pouco,
electrização de estruturas.

Convém lembrar que os andaimes são constituídos por plataformas horizontais elevadas,
estas, suportadas por estruturas de secção reduzida; podendo utilizar-se para além do que
dito inicialmente, para trabalhos de demolição tanto em altura como em obras com
profundidade.

2.1. Evolução técnica dos andaimes

Embora sejam “peça” importante para a realização dos mais diversos tipos de obra, e
estejam desde sempre ligados ao sector da construção; pode-se afirmar com toda clareza
que nos últimos 42 anos, pós 25 de Abril o mercado viu aos poucos o aparecimento de
novos tipos de andaimes.

22
O DL n°41821 é exemplo claro do tipo de andaimes que se utilizavam, constatando neste,
desenhos anexos na qual permite ver-se e melhor compreender a forma como deviam ser
montados em obra, bem como saber o nome das partes constituintes do andaime.
O Capitulo 1 do Decreto-Lei n° 41821 na Secção II, é exemplo claro do tipo de andaimes
utilizado aquela época, onde entre os seus Artigos 15.° até ao Artigo 25.° todos estes, são
referentes aos andaimes de madeira.
Embora estejam em desuso, por questões até de cariz ambiental, tendo estes impacto
negativos; a madeira em andaimes utilizar-se-á em alguns andaimes denominados mistos.
Como dito, os andaimes de madeira com o passar dos anos foram sendo “excluídos” do
sector da construção passando-se aos poucos para os andaimes mistos e presentemente
em quase todas as obras para andaimes totalmente metálicos.
A introdução no mercado deste tipo de equipamento acabou por comprovar, que trazia
bastantes benefícios para os próprios construtores, ainda que, inicialmente por
desconhecimento tivesse levantado algumas dúvidas.
Facto é que estes são mais leves, o que permite uma maior facilidade de montagem,
desmontagem e transporte de um local para outro, e no que se refere à segurança, estes
quando cumpram com todos os requisitos exigidos de segurança, são totalmente fiáveis,
dando aos trabalhadores total confiança.
Um outro tipo de andaime metálico é aquele em que, a estrutura a si adjacente, é
constituída por tubos metálicos e restantes peças acessórias necessárias à sua montagem,
diga-se que este tipo de estrutura se utiliza muito recentemente, uma vez que em
determinado tipo de obras a sua montagem obriga a que seja efectuada por um(a) técnico
(a) qualificado reconhecido para tal.
Dos andaimes citados, todos eles se adaptam a diferentes tipos de obra e a utilização
destes, por parte das construtoras justifica que sejam previamente efetuados planeamentos
correctos, onde se incluem orçamentações diferentes.

2.2. Apresentação regulamentar e normativa

Em termos dos regulamentos existentes em Portugal, de uma forma algo, sintetizada


pode-se dizer que em comum, todos eles pecam por serem segundo boa parte dos técnicos
ligados à área de Coordenação de Segurança em Obra, técnicos de Fiscalização e
Directores de Obra pouco claros.
O que se pretende dizer é que, como vem sido debatido por inúmeros intervenientes nas
diferentes áreas da construção civil, os regulamentos levam muitas das vezes a querer
que, foram elaborados, não para auxiliarem quem deles necessita, mas, para suscitar
dúvidas de caracter interpretativo.
Vejamos então o RGEU, Regulamento Geral das Edificações Urbanas, que serve de base
regulamentar para os profissionais das diferentes áreas do sector da construção civil,
sejam estes de área da Engenharia Civil e/ou Arquitectura.
Naquilo que diz respeito em matéria de segurança apenas, no Titulo V do Capitulo II,
(Segurança pública e dos operários no decurso das obras), no seu Artigo 137.° este, faz

23
uma pequena menção a aspectos de segurança relativa ao tema dos andaimes que se
transcreve como forma de comprovação do que, desde início do tópico se tem dito.

“Os andaimes, escadas e pontes de serviço, passadiços, aparelhos de elevação de


materiais e, de um modo geral, todas as construções ou instalações acessórias e
dispositivos de trabalho utilizados para execução das obras deverão ser construídos e
conservados em condições de perfeita segurança dos operários e do público e de form a
que constituam o menor embaraço possível para o trânsito.
§ único. A s câmaras municipais poderão exigir disposições especiais, no que se refere à
constituição e modo de utilização dos andaimes e outros dispositivos em instalações
acessórias das obras, tendo em vista a salvaguarda do trânsito nas artérias mais
importantes. ”

Texto Adaptado; Fonte: Regulamento Geral das Edificações Urbanas

Apresentado este texto respeitante ao Artigo 137.° do REGEU, pode-se igualmente


acrescentar que em todo o Capitulo II (Segurança pública e dos operários no decurso das
obras), compreendido entre os seus Artigos 135.° até ao Artigo 139.° claramente permite
afirmar que pouco ou nada se fazia em matéria de segurança no trabalho.
Não se estando a efectuar uma análise exaustiva ao REGEU, a afirmação feita no segundo
parágrafo relativo ao tópico, permite ainda acrescentar que a legislação, seja ela de
caracter regulamentar, por normas ou outro tipo, deve no futuro, passar a ser revista e
alterada profundamente, sendo esta, posta ao serviço dos diversos técnicos do sector da
construção (área da segurança) e até da fiscalização, pois a um acto de fiscalização, por
vezes está-lhe associado uma medida correctiva que pode em determinados casos
representar uma medida de segurança.

O Regulamento de Segurança no Trabalho da Construção Civil pelo Decreto- Lei n°


41821 de 11 de Agosto de 1958, permite após sua leitura dizer que tem de ser revisto.
Em matéria de segurança afecta aos andaimes bem como em outros dos temas constantes,
vê-se que está claramente desactualizado face às actuais exigências de segurança.
Veja-se como forma de comprovação o texto transcrito seguidamente pertencente ao seu
Capitulo I Andaimes seu Artigo 5.° concretamente.

“A construção, desmontagem ou modificação de andaimes serão efectudas por operários


especialmente habilitados, sob a direcção de um técnico responsável legalmente idóneo.
§ 1.° Nas localidades onde não haja técnicos poderão as entidades competentes dispensar
a exigência da sua intervenção, desde que as condições de trabalho garantam a
indespensável segurança e os andaimes não ultrapassem 8 m.
§ 2.° Os andaimes de altura superior a 25 m serão calculados pelo técnico responsável,
qualquer que seja o material nele empregado.”

Texto Adaptado; Fonte: Decreto-lei n° 41821 de 11 de Agosto de 1958

24
Dando-se algum seguimento ao que vinha sendo dito, anteriormente ao texto transcrito,
este Artigo 5.°, constante nas disposições gerais, levanta imensas questões que devem ser
colocadas das quais as seguintes :

- Que tipo de habilitações devem ter os referidos operários mencionados em operações


de desmontagem ou modificação?

- Quem deve ser o técnico legalmente idóneo?

- O risco de ocorrência de um acidente num andaime de 2,5 m de altura, não é igual ao


mesmo de um andaime de 8 m?

- Existindo imensos Técnicos Superiores de Segurança no Trabalho que vem de áreas


diferentes; para andaimes com altura superior a 25 m, não seria aconselhável serem
profissionais da Engf Civil e se possivel com especialização em estruturas?

É comum no nosso pais, para se esclarecer dúvidas existentes, ter-se de andar a “saltar”
de uma legislação para outra.
O que se pretende fazer ver, sobretudo ao legislador, é se, não se pode incluir mais
informação nestes tipos de regulamentos.
Pois estes, como a própria palavra indica, deriva da palavra regular e assim sendo devem
servir de “orientação”; ora, necessitando um Técnico de Segurança diariamente de
consultar a legislação, esta deve desde que possivel, ser posta à disposição dos
interessados o mais aglomeradamente possivel.

Dando continuidade, quanto a alguma da legislação que se julga mais relevante e


relacionada ao sector da construção civil, não poderia deixar-se de mencionar
seguidamente o Decreto-Lei n.° 50/2005, de 25 de Fevereiro, transpondo o mesmo para a
ordem jurídica interna a Directiva n.° 89/655/CEE, do Conselho de 30 de Novembro e
alterada pela Directiva n.° 95/63/CEE do Conselho de 5 de Dezembro sendo esta
novamente alterada pela Directiva 2001/45/CE, de 27 de Junho do Parlamento Europeu
e do Conselho; passando esta última a regulamentar os requisitos mínimos de segurança
dos equipamentos de trabalho entre eles os andaimes. Faz igualmente referência à
formação dos trabalhadores que intervêm nas operações de montagem, desmontagem
assim como aos trabalhadores que os tem de utilizar nas diferentes tarefas incumbidas.

2.2.1. Normas EN 12810-1 e EN 12811-1

Ao nível da existência de normas aplicadas aos vários tipos de andaimes fabricados, para
o sector da construção civil, falar-se-á seguidamente de duas normas que se julgam serem

25
as de caracter mais relevante, ainda que não exista a obrigatoriedade da sua aplicação,
segundo a legislação vigorante em Portugal.
Comecemos pela EN 12810-1; esta norma, disponível em língua espanhola pela
Asociación Espanola Normalización y Certificación (AENOR); especifica os requisitos
relativos ao comportamento bem como, requisitos gerais relativos ao seu desenho
estrutural e avaliação dos sistemas de andaimes para fachadas.
Os andaimes de fachada tal como o próprio nome diz, foram concebidos; dito de outra
forma, para os trabalhos correspondentes à (s) zona (s) exterior (es) do (s) edifício, na
qual, parte da estrutura dos andaimes é fixa com recurso a ancoragens em pontos
estabelecidos, após o seu dimensionamento.
Os sistemas de andaimes são classificados de acordo com seis critérios que se apresentam
na tabela 1 a seguir.

Tabela 1: Classificação dos Sistemas de Andaimes

C r ité r io d e c la sifica ció n CLases

C arga de servicio 2,3,4,5,6. de acu erd o con tab la 3 de la N o rm a E N 12811-1:2003

Plataform as y sus apoyos (D ) disenado con (N ) no d isenado co n ensayo d e caida

A nch ura del sistem a SW 06. SW 09, SW 12, SW 15. SW 18, SW 21, SW 24

A ltu ra libre H l y H 2 de acuerdo con la tab la 2 de la N o m ia E N 12811-1:2003

R evestim iento (B ) con o (A ) sin eq u ip an u en to de revestim iento

M éto d o de acceso vertical (L A ) con escalera de m ano o (S T ) c o n escalera de acceso o (L S) c o n am bas

Tabela 1; Fonte: http://www.burtonsa.com/archivos/UNE-EN%2012810-1.pdf

Convém mencionar que a EN 12810-1 esta limitada ao tipos de andaimes com partes
destes constituídas por aço, alumínio e alguns, com partes constituintes por peças em
madeira, estas, mais relacionadas aos rodapés.

O tipo de designação que deve constar num determinado tipo de andaime que esteja em
conformidade com a norma citada passa-se a descrever.

26
Andaime EN 12810 --- 4D --- SW 09/250 --- H2 --- B --- LS

Classe de carga de serviço: Ver tabela 1 <

Ensaio de carga sobre as plataformas ^ ------------


(D) com ensaio de carga ou
(N) sem ensaio

Classe de largura do sistema: Ver tabela 1

Classe de altura livre: Ver tabela 1

(A) Sem revestimento; (B) com revestimento: Ver a tabela 1

(LA) com escada de mão; (ST) escada de acesso o (LS) ambas: Ver tabela 1

Esquema Adaptado; Fonte: http://www.burtonsa.com/archivos/UNE-EN%2012810-1 .pdf

Em relação à EN 12810-1 não se irá fazer mais nenhuma referência ao que consta nesta,
pois tem-se, como intuito divulgar a existência deste tipo de norma que pode servir de
auxílio aos técnicos de Segurança e Higiene do Trabalho, nomeadamente aos que
desempenham funções de Coordenadores de Segurança em Obra e que, queiram ter um
conhecimento mais aprofundado.

Por fim em relação às normas mencionadas, irá falar-se da EN 12811-1, de uma forma
resumida, tentando-se fazer uma correcta descrição para aquilo que a mesma norma foi
criada; tal como a EN 12811-1 a EN 12810-1 ambas cumprem com determinados
parâmetros definidos pela Asociación Espanola Normalización y Certificación
(AENOR).

Relativamente à EN 12811-1 passar-se-á a descrever o essencial, devendo sempre o


técnico (a) na área da construção civil, procurar apoio técnico, para correcta aplicação.

De acordo com o descrito em espanhol na EN 12811-1, esta, serve para ser aplicada aos
aspectos de comportamento e desenho estrutural dos andaimes de trabalho e de acesso.
Os requisitos mencionados aplicam-se a estruturas de andaimes, da qual a sua estabilidade
depende de estruturas adjacentes.
Pode esta norma ser igualmente utilizada para outros tipos de andaimes para além do
descrito no seu tópico 4 relativo ao tipo de material.
Convém no entanto dizer que a norma não se aplica aos tipos de trabalhos em altura que
seguidamente se descrevem:

27
- Plataformas suspensas por cabos, sejam estas, fixas ou móveis;
- Plataformas móveis horizontais das quais, torres móveis de acesso; MAT (Mobile
Access Towers);
- Plataformas operadas a motor;
- Andaimes que sejam utilizados como protecção em trabalhos realizados nos telhados;
- Telhados provisórios;

Feita referência a estas duas normas, de uma forma muito resumida, o intuito é demonstrar
que estas, existem, embora como citado atrás, não exista sua obrigatoriedade em termos
de aplicabilidade.
Tal como descrito nas duas normas, estas por si só, não dispensam a consulta das que são
mencionadas, para que, a sua aplicação seja feita de uma forma correcta.

28
Capitulo 3

Recomendações de segurança segundo OIT para andaimes na


construção civil

3. Segurança e saúde na construção segundo OIT

Estando o presente trabalho, a debruçar-se sobre o tipo de legislação existente em


Portugal relativamente ao sector da construção civil, sobretudo afecta ao tema dos
andaimes, não se poderia deixar de se demonstrar em matéria de segurança e saúde na
construção o que diz a OIT (Organização Internacional do Trabalho) em relação a tal
tema, uma vez que, sendo esta entidade, um regulador ao nível mundial julga-se que é de
alguma relevância apresentar aspectos que a OIT julga deverem servir de regulador na
construção para que, esta possa contribuir para uma diminuição das elevadas
percentagens de acidentes atrás demonstrados através dos gráficos apresentados.
Salienta-se no entanto que o documento obtido da parte da OIT, está certamente
desenquadrado com a legislação actual, uma vez que diz respeito a uma publicação
editada no ano de 2008.

3.1. Andaimes segundo a OIT

Efectuada uma leitura acerca do que diz a OIT em matéria de andaimes, tentar-se-á
demonstrar alguns aspectos que se julgam merecer uma intervenção da parte dos demais
legisladores sobre aspectos que tal, como já aqui mencionados continuadamente;
verificam-se que os mesmos se mantém, mesmo, pela organização que supostamente em
matéria de segurança do trabalho, deveria ter disponível, informação para os técnicos de
segurança do trabalho, mais explícita e de algum caracter mais técnico.

Estando-se a fazer uma análise ao tipo de legislação existente em matéria de segurança


no sector da construção civil; apresenta-se seguidamente alguns dos tópicos retirados do
documento disponível na página da OIT, concretamente o ponto 4. Andaimes e escadas
de mão, salientado que apenas se pretende focar os andaimes.

“4.1.3. Os andaimes e escadas de mão devem ser construídos e utilizados em


conformidade com a legislação nacional. ”

Texto Adaptado; Fonte: http://www.ilo.org/public/portugue/region/eurpro/lisbon/pdf/pub_segsaude.pdf

29
Ao ler-se este ponto constatam-se alguns aspectos, que demonstram de uma forma
bastante clara que ainda se tem um longo “caminho a percorrer” em termos de higiene e
segurança no trabalho.
Tal como se pode ler, no ponto 4.1.3. diz, que em matéria de andaimes, estes devem estar
de acordo com a legislação nacional.
Então, estando o Decreto-Lei n° 41821 de 11 de Agosto de 1958 definido como,
Regulamento da Segurança no Trabalho da Construção Civil; em vigor, segundo a OIT
este, relativamente à sua Secção II Andaimes de Madeira, Subsecção Materiais
concretamente entre os seus Artigos 15.° e Artigo 16.°; Subsecção II Construção e
Características da qual fazem parte os Artigos 17.° até ao Artigo 25.° e por fim a Secção
III Andaimes Metálicos e Misto da qual unicamente consta o Artigo 26.°; todos estes
devem continuar a ser aplicados em toda a actividade da construção civil.

Dando seguimento ao sugerido pela OIT, e indo ao que consta no DL n° 41821 no seu
Capitulo I Secção I Disposições Gerais, entre os Artigos 1.° e 14.° tal como os
anteriormente descritos com excepção do Artigo 26.°, todos os restantes mencionam a
utilização de andaimes em madeira, e devem, sempre que possível ser construídos
segundo os desenhos em anexo disponibilizado no DL n° 41821.
Por conseguinte, no que diz respeito ao que começou por ser utilizado; acerca de trinta
anos em matéria de andaimes e ainda em uso no mercado da construção; do qual se
apresenta seguidamente um modelo, é sabido, que foram sendo introduzidos na
construção civil os andaimes de metal, embora os primeiros modelos não
disponibilizassem pranchas metálicas, sendo mais tarde por questões de segurança
incluídas como peças constituintes de toda estrutura do andaime.

Imagem 1:Andaime tradicional; Fonte: http://www.catari.pt/pt/andaime-tradicional.html?tab=1

30
Face ao aqui exposto apresenta-se o que diz o Artigo 26.° do DL n° 41821 no intuito de
reforçar neste particular caso; a importância que este tipo de andaime tinha perante o
sector da construção civil, sobretudo em matéria de segurança para os operários que
necessitam de utilizá-los nas suas tarefas diárias.

“Art. 2 6 .°Os andaimes metálicos e mistos, nos elementos que os compõem e na unidade
da instalação, devem satisfazer condições de segurança não inferiores às estabelecidas
para os andaimes de madeira.
§ único. A s tábuas de pé serão solidamente fixadas à estrutura, não podendo utilizar-se
pregos para esse efeito.”

Texto Adaptado; Fonte: Decreto-lei n° 41821 de 11 de 1958

Verifica-se unicamente que o legislador faz menção, em matéria de segurança, ao aspecto


de que os andaimes de metal e mistos devem no mínimo satisfazer as mesmas condições
de estabilidade que os andaimes de madeira.
Por fim menciona-se como já tinha anteriormente citado, que as tábuas de pé (pranchas)
em madeira devem ser fixadas à estrutura.
Perante tais recomendações da parte da OIT, mas, sabendo-se relativamente ao Art. 26.°
que actualmente as chamadas tábuas de pé mencionadas neste Art.°, foram substituídas
por pranchas metálicas as quais tem maior resistência; isto pode levar ao levantamento de
inúmeras situações de interpretação por parte dos Técnicos Superiores de Segurança,
nomeadamente os que estão ligados à área de coordenação de obra, pois se o DL n° 41821
vigora então este à que ser cumprido.

Continuando a fazer uma breve análise ao recomendado pela OIT, apresenta-se o tópico
4.1.6. que se julga ser necessário ser revisto e “discutido” entre as entidades
representativas ao nível europeu e nacional.

“4.1.6. A autoridade competente deve criar e fa zer cumprir leis, regulamentos ou normas
que contenham disposições técnicas detalhadas sobre a concepção, construção,
montagem, utilização, manutenção, desmontagem e inspecção dos vários tipos de
andaimes e escadas de mão utilizados na construção.”

Texto Adaptado; Fonte: http://www.ilo.org/public/portugue/region/eurpro/lisbon/pdf/pub_segsaude.pdf

Como podemos constatar a OIT faz menção a que, a autoridade supostamente de cada
país deve fazer cumprir as leis em vigor, regulamentos e normas.
No entanto face à não obrigatoriedade de aplicação por enquanto das normas EN 12810­
1 e EN 12811-1 surgem algumas questões que se apresentam.

31
- Considera-se o Decreto-lei n° 41821, nomeadamente entre os Artigos 14.° até ao 26.°?

- Considera-se o dito no DL n.° 50/2005, de 25 de Fevereiro, nomeadamente entre os seus


Artigos 40.° e 42.°?

3.2. Indicação dos tipos de materiais segundo a OIT

Quanto ao tipo (s) de material a ser empregue para obras, segundo a OIT numa leitura
entre os tópicos 4.2.1 e 4.2.10. esta, refere dois tipos de material, dando mais enfoque à
utilização da madeira, face à utilização de andaimes em metal, fazendo uma curta
referência à utilização de tubos metálicos nomeadamente no tópico 4.2.8. que se
apresenta.

“4.2.8. Os tubos, acopladores, uniões e acessórios de montagem utilizados nos


andaimes de tubos metálicos devem estar em conformidade com as normas aprovadas
pela autoridade competente. ”

Texto Adaptado; Fonte: http://www.ilo.org/public/portugue/region/eurpro/lisbon/pdf/pub_segsaude.pdf

Retirado este pequeno texto, para demonstrar-se que aqui a OIT faz menção a que devem
ser seguidas normas existentes.
Em pesquisa realizada na página da ACT, não foi encontrado nenhum tipo de informação
que leva-se a querer que as normas EN 12810-1 e EN 12811-1 tenham de ser aplicadas.
O autor Abel Pinto no seu livro Manual de Segurança, Construção, Conservação e
Restauro de Edifícios faz menção a não obrigatoriedade de aplicação das Normas HD-
1000; HD-1039 e HD-1004.

Face ao exposto, por parte da OIT que foca a utilização de madeira, tal como o Decreto-
lei n° 41821 então poderemos dizer que estaremos numa situação de retrocesso e com
causas negativas de impacto ambiental.
Pois a ser seguido o que uma entidade internacional e a lei portuguesa dizem, leva a
sugerir que alguma parte da legislação tem de ser revista e repensada com brevidade.

32
Capitulo 4

Modelos de andaimes em Portugal


4. Andaimes Utilizados em Portugal

O trabalho realizado teve como base, analisar alguma da legislação mais relevante em
matéria de segurança e saúde no sector da construção civil em Portugal.
Verificou-se que parte dessa mesma legislação consultada, faz referência a andaimes de
madeira, enquanto que, relativamente aos andaimes metálicos pouco é mencionado.
No entanto é do conhecimento de todo o (a) futuro (a) Técnico de Superior de Segurança
nomeadamente na área da construção, que cerca de 90% ou mais das obras realizadas,
utilizam andaimes metálicos.
Presentemente podemos afirmar que, em matéria de andaimes, o mercado nacional e
restante europa já tem uma excelente oferta de diferentes tipos de andaimes, sendo
possível escolher qual o tipo que melhor se ajusta ao tipo de obra a realizar.
Não podendo esquecer-se a questão de segurança dos operários, os diferentes tipos de
andaimes oferecem níveis de segurança acima da média.
Seguidamente apresentar-se-ão alguns dos diferentes tipos de andaimes disponíveis no
mercado.

4.1. Andaime modelo FA-48

Durante os próximos tópicos irão ser apresentadas imagens relativas ao modelo FA-48,
sendo que existem mais modelos disponíveis no mercado, cumprindo todos eles com
normas vigentes a nível europeu.
De referir que os modelos seguidamente apresentados são modelos produzidos em
Portugal pela empresa Catari, os quais cumprem com o disposto na Norma Europeia
12810-1 que foi aprovada pelo Comité Europeu para a Normalização (CEN) em 4 de
Setembro de 2003.

Este documento, substitui-o a anterior HD 1000 de 1998, com aplicação directa em


relação aos estados outorgantes, especifica os requisitos de desempenho e gerais para a
concepção estrutural e avaliação de sistemas de andaime de fachada pré-fabricados.
Em relação os modelo FA-48 pode-se dizer que é bastante versátil, adaptando-se este, a
praticamente todo tipo de estruturas, no sector da construção civil, independentemente
qual seja o seu tipo de complexidade.
Para o referido modelo foi desenvolvida uma estrutura externa, a qual contempla uma
escada de patim.
Esta estrutura permite para trabalhos a decorrerem em diferentes pisos; que o acesso de
materiais seja garantido de uma forma mais rápida e segura.

33
Imagem 2: Modelo de Andaime FA-48 da Catari

Fonte: http://www.catari.pt/pt/empresa.html?tab=0

4.1.1. Aplicação de cargas de acordo com a EN 12810-1

Reconhecendo que temos como tema; efectuar uma análise à legislação relativa à
construção civil, julgou-se por bem, uma vez que estamos perante um Mestrado de
Higiene e Segurança no Trabalho, demonstrar como devem ser tido em conta alguns
aspectos mais técnicos relacio n ad o s de acordo com a EN 12810-1 relativa à aplicação
de cargas consoante o tipo de plataformas aplicada.
Através de informação deste caracter disponibilizada pela empresa Catari, ainda que não
esclareça na totalidade, alguns aspectos, pois para isso tem de se ter um correcto domínio
de cálculo das EN 12810- 1 e EN 12811-1, a mesma informação permite que se fique
com uma “ideia” relativa aos que é necessário cumprir para a construção de alguns tipos
de andaimes metálicos.

34
Imagem 3: Plataformas FA.PL

Fonte: http://www.catari.pt/pt/empresa.html?tab=0

Tabela 2: Plataforma FA.PL 320

35
Imagem 4, Cortes Transversais a/b; Fonte: http://www.catari.pt/pt/empresa.html?tab=Q

Tabela 3: Tabelas de cargas


a) TABELA DE CARGASDE PJTAFOFWAS FAPL

d im ensões p e so liq u id o carga repartida


(m m ) (Kg) (kN /m 3)

2070x320 1 1 .3 0 6 .0 0

2570x320 1 3 jS 0 6 .0 0

3070x320 1 6 .2 0 3 .0 0

b) TABELA DE CA3GA3DE FLATAFCFMAS FA.PL320

d im ensões p e so liq u id o carga repartida


Onm) (Kg) (kN /m 3)

2070x320 1 1 .5 0 6 .0 0

2570x320 1 5 .1 0 3 .0 0

3070x320 2 2 .1 0 2 .0 0

Fonte: http://www.catari.pt/pt/empresa.html?tab=Q

36
Tabela 4: Cargas uniformes e cargas pontuais nas plataformas

definição de cargas
01_carga uniformemente dstri buída
02_carga concentrada

c) TABELA DE C AR G AS DE C Á LC U LO PARA PLATAFO RM AS DE TR A B A LH O

c la s s e s c a r g a u n ifo r m e m e n t e c a rg a c o n c e n tra d a e m c a rg a c o n c e n tra d a e m


d is t r ib u íd a s u p e r f íc ie d e 5 0 0 x 5 0 0 m m s u p e r f íc ie d e 2 0 0 x 2 0 0 m m

( k N /m 2) (k N ) (k N )

01 0 .7 5 1 .5 0 1 .0 0

02 1 .5 0 1 .5 0 1 .0 0

03 2 .0 0 1 .5 0 1 .0 0

04 3 .0 0 3 .0 0 1 .0 0

05 4 .5 0 3 .0 0 1 .0 0

06 6 .0 0 3 .0 0 1 .0 0

Fonte: http://www.catari.pt/pt/empresa.html?tab=0

4.1.2. Funcionalidade, das diagonais estabilidade e grampos de amarração

Como se sabe, um andaime independentemente de qual seja o seu modelo, este, tem
diversos componentes (peças constituintes); que tem funcionalidades diferentes entre
elas, mas que, no seu conjunto entre elas tem como objectivo oferecer total garantia de
segurança aos operários que nele trabalham.
Seguidamente iremos descrever algumas das diferentes funções existentes entre as
diagonais e os grampos de amarração do modelo FA-48.

Pode-se então dizer que as diagonais de acordo com a informação disponível pela empresa
Catari têm três funções principais as quais se descrevem:

Estabilidade - Considerando uma estrutura constituída por um conjunto de quatro


plataformas, as diagonais respeitantes à plataforma de iniciação recebem as forças das
três plataformas acima desta através do peso próprio de cada uma destas, mais o peso de
algum tipo de material e operários.

Contravento - Mesmo em dias de ventos fortes as diagonais conseguem garantir a rigidez


da estrutura, não sendo aconselhável em determinados casos manter operários a trabalhar
por medidas de segurança.
Geometria - As diagonais evitam a deformação da configuração em termos geométricos
do andaime.

Salienta-se um aspecto importante em termos de segurança, em relação às diagonais,


que é o facto de não ser aconselhável devendo evitar-se deixar mais de três passos de
andaime sem diagonais.

37
Quanto aos grampos de amarração, estes representam pontos de ligação do andaime à
fachada.
Estes tem como função evitar que o andaime se desloque, mesmo em dias de vento fortes
ou esforços de outra natureza.
Na grande generalidade as amarrações tem como função suportar as cargas horizontais,
paralelas e perpendiculares à fachada.
A aplicação de amarrações, requer no entanto que alguns procedimentos sejam
respeitados nomeadamente, por cada 24 m2 em andaimes descobertos deve ser colocada
uma amarração; ou uma amarração por cada 12 m2 nos andaimes com toldo sobreposto.

4.1.3. Aspectos da montagem do andaime em segurança

a) Verificar se o andaime se adequa para o tipo de obra a realizar, nomeadamente, se este


serve em termos de altura, número de funcionários que irão utilizá-lo e das protecções
exigidas por lei;

b) Antes do início dos trabalhos de montagem, deve verificar-se as características do solo;


devem ser utilizadas bases bastantes resistentes para suportar as cargas que os prumos
transmitem entre si; em determinados casos aconselha-se ser efectuado um
ensoleiramento em betão.

c) Devem-se ler-se e cumprir as instruções de montagem, fornecidas pela empresa que


produz o modelo de andaime a utilizar.
Igualmente deve cumprir-se com o projecto fornecido por exemplo por parte da empresa
afecta a uma empresa de construção ou por parte de empresa especializada de montagem
de andaimes.

d) Utilização que equipamentos de protecção individual de segurança;

e) No processo de montagem deve garantir-se uma correcta amarração do andaime à


estrutura em causa através de grampos.
Devem considerar-se aspectos tais como se o andaime vai ter recobrimento com rede ou
se fica montado sem recurso a rede.
A colocação dos grampos deverá cumprir com as especificações das normas.

f) Entre os pisos do andaime e a parede não devem ser deixados intervalos com mais de
30 cm, quando vão seja superior aconselha-se a aplicação de guardas corpos interiores

g) Devem ser garantidos acessos adequados aos diferentes níveis da toda estrutura do
andaime.

38
4.1.4. Processo de montagem dos andaimes metálicos

Ao longo do trabalho foram fazendo-se referência ao que indica o Decreto-lei n° 41821


em matéria de andaimes e sua montagem, estando em anexos disponíveis imagens que
indicam as diferentes peças constituintes em madeira e como devem ser respeitada a sua
montagem.
No entanto em relação à montagem de andaimes metálicos, unicamente se faz uma curta
referência no seu Artigo 26.° de características de estabilidade em que diz que os
andaimes metálicos e mistos devem satisfazer características de segurança não inferiores
aos de madeira.
Sabendo-se que, presentemente se utilizam em praticamente todas as obras,
independentemente da sua grandeza e aspectos técnicos, andaimes metálicos,
seguidamente faz-se uma demonstração de acordo com a empresa Catari das diferentes
etapas que devem ser cumpridas na montagem de andaimes metálicos.

1° - Devem ser colocadas as bases de niveladoras


A sua aplicação deverá ter em atenção as características do tipo de terreno onde as
mesmas serão aplicadas.
Devido a serem constituídas por elementos roscados, permite adaptar a estrutura do
andaime ao terreno caso existam desníveis.

Imagem 5: Bases niveladoras metálicas

Fonte: http://www.catari.pt/pt/empresa.html?tab=0

39
2° - Colocação das plataformas e encaixe dos módulos do andaime

As plataformas serão encaixadas (assentes) na calha dos suportes de iniciação.


Para montagem dos módulos deve ter-se em conta a sua medida conforme sejam as
necessidades da obra em questão.

Imagem 6: Módulo de andaime metálico

Módulo do andaime

Plataforma

Fonte: http://www.catan.pt/pt/empresa.html?tab=Q

3° - Colocação das diagonais, guarda corpos ou par de travessas e


colocação da plataforma superior.

Após colocar-se os módulos do andaime, começa-se pela colocação uma diagonal


devendo encaixar-se ao nível superior do perno do módulo de andaime e ao nível
inferior do suporte de iniciação, dando garantia de verticalidade e estabilidade à
estrutura.

De seguida pode-se optar pela colocação de um guarda corpos ou de dois tirantes


paralelos; a aplicação destes elementos têm a dupla função de oferecer ao trabalhador
total segurança e simultaneamente estabilidade e resistência ao andaime.

Convém ter-se em conta por questões de segurança que a escada de acesso á plataforma
de alçapão deve ficar do lado do engate da diagonal.

40
Imagem 7: Diagonais e tirantes metálicos

Diagonal

Fonte: http://www.catari.pt/pt/empresa.html?tab=0

4° - Montagem de módulos sequentes e parapeitos

Variando consoante seja a geometria do tipo de obra devem ser utilizados os vãos
existentes, (0,73m; 1,07m; 1,57m; 2,57m; 3,07m).
Os parapeitos acabam por determinar parte do fecho do andaime, ficam colocados
acima da plataforma superior.

41
Imagem 8: Parapeito de andaime metálico

Parapeito

Fonte: http://www.catari.pt/pt/empresa.html?tab=0

5° - Rodapés em andaimes

Os rodapés acabam por ser dos últimos elementos a serem colocados ao longo do segundo
nível do andaime.
Quanto à aplicação dos elementos de amarração, estes serão aplicados
perpendicularmente à plataforma tendo em conta as características do andaime e da obra
existente.

42
Rodapé

Imagem 9: Rodapé; Fonte: http://www.catan.pt/pt/empresa.html?tab=Q

Crê-se que, de uma forma não muito exaustiva, se demonstraram aspectos técnicos
aplicados aos andaimes metálicos, desde cumprimento de normas aplicadas assim como
aspectos ligados a sua montagem por forma a dar garantia de total segurança, permitindo
que, com o cumprimento de tais procedimentos, seja salvaguardado o bem mais
importante que é a vida dos trabalhadores que neles tem de desempenhar a suas funções.
Em anexo disponibiliza-se imagem na qual se descrevem de uma forma mais elaborada
todos os componentes pertencentes a um andaime, assim como imagens relativas a obras
onde andaimes foram aplicados.

4.1.5. Montagem de andaimes segundo Directiva 2001/45/CE

Estando-se a fazer uma análise à legislação de segurança na construção civil, continua-se


neste tópico dando seguimento ao tema de montagem transcrevendo-se do Capitulo I;
Secção III do DL n°41821 o seu Art.° 26.° e posteriormente apresentar-se o que é
aconselhado em matéria de montagem de andaimes metálicos a Directiva 2001/45/CE.

43
“Secção III

Andaimes metálicos e mistos

Art. 2 6.°Os andaimes metálicos e mistos, nos ele­


mentos que os compõem e na unidade da instalação,
devem satisfazer condições de segurança não inferiores
às estabelecidas para os andaimes de madeira.
§ único. As tábuas de p é serão solidamente fixadas
à estrutura, não podendo utilizar-se pregos para esse
efeito. ”

Texto Adaptado; Fonte: Decreto-Lei n°41821 de 11 de Agosto de 1958

Transcrito o referido artigo; o único que fala em andaimes metálicos veja-se o que era
exigido em matéria de resistência do material e segurança para os trabalhadores.
Não sendo vinculativa apresentar-se-á o que é indicado na Directiva 2001/45/CE
concretamente no seu tópico dedicado à montagem de andaime na sua página 31.

“Montagem de andaimes

Sempre que se montar um andaime, devem ser respeitados


o manual e as instruções do construtor.

Além disso, segue-se uma lista não exaustiva das boas práticas a seguir:

• Os prumos e os montantes devem estar aprumados em toda a sua altura;


• As braçadeiras, as longarinas e as plataformas devem ser montadas de acordo
com o manual do fabricante, respeitando as instruções de montagem e
utilização, assim como o binário de aperto;
• As braçadeiras devem estar posicionadas de modo a que os seus parafusos não
fiquem sujeitos a outras forças para além das do aperto;
• A intersecção de dois andaimes no cunhal de um edifício deve ser protegida
contra quedas, e as possíveis interacções entre os dois andaimes devem ser
verificadas;
• As solicitações exercidas por uma pala no andaime (carga permanente, carga
dinâmica e carga do vento) são em geral muito importantes, pelo que devem ser
tidas em conta na escolha do andaime. ”

Texto Adaptado; Fonte: Directiva 2001/45/CE

44
4.2. Opinião final relativa ao tema andaimes e legislação correspondente

Pode-se dizer que face aos diferentes assuntos abordados ao longo de todo capítulo 4,
tentou-se focar alguns dos aspectos, que se julgam merecer mais atenção.
Para uma correcta percepção e reforço de algumas opiniões manifestadas sobre possíveis
alterações que futuramente devem ser efectuadas tentou-se fazer sempre que possível a
comparação entre alguma legislação que foi consultada como seja DL n° 41821; Directiva
2001/45/CE, EN 12810- 1 e EN 12811-1 assim como ACT.
Neste trabalho, ao longo de todos os temas apresentados, tenta-se quase sempre, fazer
referência que o intuito do mesmo, é ter uma humilde contribuição construtiva, admitindo
que as sugestões aqui apresentadas podem e merecem ser alvo de discussão desde que se
tenha como “ponto de chegada” a defesa dos trabalhadores em matéria de segurança no
trabalho.

45
Capitulo 5

Legislação de demolição em Portugal

5. Demolição em Portugal

Pretende-se em relação ao tema das demolições fazer, uma pequena introdução na qual
caracterize aspectos que se julgam ser importantes para compreensão, das diferentes
temáticas a serem apresentadas ao longo do capítulo 5.
Podemos dizer, que desde sempre associado ao sector da construção civil, as obras de
demolição existiram e fizeram parte da evolução das sociedades de então; no entanto,
diga-se, que após a Revolução Industrial, o surgimento de novas técnicas de demolição,
surgiram embora, muito aquém do que se pratica na actualidade.
A inexistência de legislação que salvaguardasse os trabalhadores era pouca e essa, em
matéria de Segurança e Higiene do Trabalho pouco existia.
Com o avançar do tempo as demolições vão adquirindo uma importância crescente,
originando serviços altamente especializados, a que se atribui o nome de Indústria da
Demolição.
Ao longo deste capítulo falar-se-á não só de Decreto-Lei e Regulamentos existentes mas
também, de alguns métodos de demolição utilizados em estruturas, tais como: demolições
com equipamento mecânico, processos térmicos, explosivos, expansões químicas e
processos abrasivos.
Por fim, estando-se a analisar a legislação existente, relativa a demolições, tentar-se-á
igualmente apresentar, e realçar aspectos que se julguam ser necessários ocorrer em
matéria de alteração, pretendendo-se dar um contributo construtivo, em matéria da
Segurança e Higiene no Trabalho.

5.1. Legislação afecta à Demolição em Portugal

Ao longo do presente trabalho, tendo como tema; “Análise Critica da Legislação da


Segurança na Construção em Portugal”, em relação ao tema da demolição irá neste tópico
apresentar-se, o que diz o Decreto-Lei n° 41821 de 11 de Agosto de 1958, denominado
Regulamento de Segurança no Trabalho da Construção Civil assim como, se apresentará
o que diz o DL n.° 307/2009, de 23 de Outubro denominado, como Regime Jurídico da
Reabilitação Urbana; e como, nos artigos relacionados à demolição alguns remetem para
o DL n.° 555/99, de 16 de Dezembro, Regime Jurídico da Edificação e Urbanização
também, se fará uma análise ao referido DL no sentido de apresentar o que este diz em
matéria de segurança laboral na construção civil através de tais actividades laborais.

46
5.1.1. Demolições segundo Decreto-Lei n° 41821 de 11 de Agosto de 1958

Efectuada a leitura dos artigos correspondentes ao título IV do Decreto-Lei n° 41821,


referentes às obras de demolição na diversas intervenções de construção, pode-se dizer
que o referido DL em matéria de segurança e higiene no trabalho pouco o quase nada diz.
Comecemos por analisar o diz no seu Artigo 47.° acerca da existência de um técnico
responsável.

“ Art. 47.° A demolição de qualquer edificação será dirigida por técnico responsável,
legalmente idóneo, que responderá pela aplicação das medidas previstas neste título ou
exigidas pela natureza especial dos trabalhos para protecção e segurança das pessoas e
bens dos trabalhadores e do público.”

Texto Adaptado; Fonte: Decreto-lei n° 41821 de 11 de Agosto de 1958

Ao longo deste trabalho vem-se fazendo referência ao que este DL descreve em todos os
seus diferentes títulos, sobretudo nas disposições gerais; relativo a:

“técnico responsável, legalmente idóneo”

Visto que a consulta da legislação criada, demonstra continuadamente que esta, é feita
por determinada classe profissional, e por vezes parece demonstrar que a mesma é criada
para servir igualmente certas classes profissionais; pretende-se aqui deixar uma pequena
referência ao significado de tais termos utilizados.

Apresenta-se sobretudo, o que quer dizer o adjectivo idóneo, que, na contínua análise do
decreto-lei se pensa levantar dúvidas.

Do latim, idóneo - idoneus, significa que tal técnico tem condições, competências,
habilitações ou conhecimentos necessários para que possa desempenhar determinada
tarefa ou cargo.

No entanto, nos últimos anos em Portugal, face a premissa que a legislação afecta ao
acesso de cursos de Técnicos Superiores de Segurança e Higiene no Trabalho esta
permite, que muitas das pessoas que acedem a estas formações venham de áreas como,
Saúde, Direito e algumas meramente por anos de serviço em determinadas actividades.
Não pretendendo que tal referência seja vista ou interpretada como um gesto
discriminatório, julga-se que, para o desempenho de determinadas funções descritas no
Decreto-Lei n°41821, afecto ao sector da construção civil, o procedimento adequado e
aceitável era que, numa próxima revisão ou alteração a este regulamento em vigor, tais
técnicos fossem descritos; igualmente se julga justo, que tais técnicos mencionados neste
tipo de operações fossem sobretudo técnicos ligados à Engenharia Civil, Engenharia de
Materiais e Arquitectura sobretudo, pois, na sua formação académica tais temas são
leccionados.

47
No intuito de contribuir sempre para uma clara clarificação de possíveis dúvidas que se
levantem relativamente aos actos de engenharia podem ser praticados em consulta na
página da OET apresenta-se o regulamento seguinte:

OET — ORDEM DOS ENGENHEIROS TÉCNICOS


Regulamento n.° 549/2016
Regulamento dos Actos de Engenharia dos Engenheiros Técnicos

“5.2.1.3 — Coordenação de segurança e saúde na fase de projeto e na fa se de obra”

Fonte; página da Ordem dos Engenheiros Técnicos (OET)

No tópico transcrito tendo em consideração a OET, para o que esta considera como actos
de engenharia confirma em parte o que foi mencionado.

Dando seguimento ao que diz o título IV, em matéria de segurança, transcreve-se o que
no seu capítulo II, Providências preliminares Artigo 49.° e o que no seu capitulo IV,
Equipamento Pessoal, Artigo 55.° dizem.

“ Art. 49.° Os elementos_frágeis, como envidraçados, _fasquiados e estuques, serão


retirados dos edifícios antes de começada a demolição.
§único. Os operários empregados na remoção de estuques e tabiques utilizarão
máscaras destinadas a defendê-los das poeiras, a menos que estas sejam eliminadas
por meio de água ou qualquer outro processo adequado.”

Texto Adaptado; Fonte: Decreto-lei n° 41821 de 11 de Agosto de 1958

“Art. 55.° Todo o pessoal empregado em trabalhos de


demolição usará calçado adequado.
§ 1. ° Os trabalhadores expostos ao perigo da queda
de objectos ou materiais usarão capacetes duros.
§ 2.° Os trabalhadores empregados na remoção de
materiais com arestas cortantes devem usar luvas re­
sistentes.

Texto Adaptado; Fonte: Decreto-lei n° 41821 de 11 de Agosto de 1958

Da apresentação destes dois artigos pertencentes ao Decreto-lei n° 41821 de 11 de Agosto


de 1958, pode-se verificar, não só a importância que era dada aos aspectos de segurança
no trabalho, tanto na sua abrangência geral, mas no aspecto mais importante, os
trabalhadores do sector da construção civil.
Repare-se nas contradições existentes entre estes dois artigos atrás transcritos.
No Artigo 49.°, este, refere que os operários devem utilizar máscaras por forma a estes
não estarem expostos a poeiras.

48
Já no Artigo 55.°, em que se refere ao equipamento do pessoal, este não faz nenhuma
referência à utilização de máscaras.

Dos dois artigos apresentados julga-se que muito mais no título IV (Demolições) deve ser
acrescentado numa futura revisão e actualização do referido regulamento, numa altura em
que, a nível nacional estão em curso inúmeras intervenções na área de reabilitação urbana,
sobretudo nos grandes centros urbanos como sejam, Lisboa, Porto, Coimbra; em que, por
vezes tais tipos de intervenção “obrigam” a que os trabalhadores estejam expostos a
determinadas poeiras, com impactos prejudiciais para sua saúde; deveriam ser feitas
muitas mais referências ao nível do tipo de equipamento do pessoal, tais como tipo de
vestuário a ser utilizado, que tipos de procedimentos ter na utilização do mesmo e que
tipos de condições técnicas devem existir em estaleiro.

Para terminar na sua secção II, (Remoção e Descida de Materiais); entre os seus Artigos
56.° até ao Artigo 60.° de uma forma muito resumida, permite dizer que aquilo que é
descrito nos mesmos, para técnicos que venham de área ligadas ao sector da construção
civil, como sejam Arquitectura e Engenharia Civil, os procedimentos de demolição são
do seu conhecimento e vão de encontro ao que lhes é ensinado na generalidade.

Entretanto em relação ao tema demolições, muito mais deve ser feito e adaptado, como
sejam criação de artigos onde fossem descritos quais os diferentes tipos de demolição
existentes e quais as técnicas e procedimentos a serem aplicados para os mesmos.
Adiante far-se-á uma breve descrição dos diferentes tipos existentes de demolição e quais
os procedimentos que devem ser efectuados.

5.1.2. Demolições legislação segundo DL n.° 307/2009, de 23 de Outubro;


Regime Jurídico de Reabilitação Urbana

Mencionando-se no inicio do tópico 5 que iria-se verificar primeiramente o que dizia o


Decreto-Lei n° 41821 de 11 de Agosto de 1958 e de seguida o Decreto - Lei n° 307/2009,
de 23 de Outubro, em matéria de segurança afecta à demolição, pretendendo com isto
demonstrar que importância é dada a ambos por parte das entidades legisladoras, face ao
tema da segurança neste tipo de operações, dentro do sector da construção civil em
Portugal Continental e Ilhas.

Efectuada uma leitura do DL n° 307/2009, de 23 de Outubro; em relação ao tema de


operações de demolição, unicamente na sua SECÇÃO II , (Instrumentos de política
urbanística) no Artigo 57.° Demolição de edifícios, se fala deste tipo de operação o qual
se transcreve, para posteriormente se fazer um breve comentário ao mesmo.

49
“Artigo 57.°
Demolição de edifícios
1 -A entidade gestora pode ordenar a demolição de edifícios aos quais faltem os
requisitos de segurança e salubridade indispensáveis ao fim a que se destinam e cuja
reabilitação seja técnica ou economicamente inviável.
2 - Aplica-se à demolição de edifícios, com as necessárias adaptações, o regime
estabelecido nos artigos 89.° a 92.° do RJUE.
3 - Tratando-se de património cultural imóvel classificado ou em vias de classificação,
não pode ser efetuada a sua demolição total ou parcial sem prévia e expressa
autorização da administração do património cultural competente, aplicando -se, com as
devidas adaptações, as regras constantes do artigo 49.° da Lei n.° 107/2001, de 8 de
setembro.
4 - A aplicação do regime de demolição regulado nos números anteriores não
prejudica, caso se trate de imóvel arrendado, a aplicação do Decreto-Lei n.° 157/2006,
de 8 de agosto, alterado pelo Decreto-Lei n.° 306/2009, de 23 de outubro. ”

Texto Adaptado; Fonte: Decreto-lei n° 307/2009, de 23 de Outubro

Olhando-se para o que dizem as quatro alíneas do Artigo 57.° do Decreto-Lei, e após
leitura dos referidos artigos para o qual remete; pode-se dizer que, em matéria de
segurança com excepção da alínea 1) do referido artigo nada é mencionado em matéria
de segurança que esteja relacionado com a temática da demolição nos seus mais diferentes
métodos existentes, na construção civil.
Isto, permite fazer uma chamada de atenção, ao que no tópico 1.3. Análise estatística de
acidentes na construção, foi apresentado nos diferentes gráficos estatísticos.
Os valores falam por si, demonstrando que ano após ano o sector da construção civil,
pelos piores motivos continua a apresentar as piores percentagens de acidentes laborais;
ao qual estão adjacentes falta de medidas de segurança aplicadas; por culpa da legislação
que ainda vigora e sem se prever para futuro próximo, quanto à existente, que alterações
irão ser implementadas.

5.2. Providências preliminares em trabalhos de demolição de acordo com


capítulo II do DL n° 41821 de 11 de agosto

Em todas as actividades do sector da construção civil, seja, a elaboração de um projecto


de raiz para uma casa, uma obra de arte ou uma estrada; para todas estes trabalhos deve
em primeiro lugar, existir um levantamento “oferecendo” a máxima informação possível
ao projectista, pois quanta mais informação ele tiver ao seu dispor, assim, o mesmo poderá
ajustar o projecto ao local de implantação onde o mesmo será construindo e adaptar
(escolher) não só o método construtivo, mas também os tipos de materiais, verificar em
termos de zona do território onde determinada obra vai ser construída, para ter em
consideração aspectos como dimensionamento para acções do vento, da neve, e da zona
sísmica do pais a que pertence.

50
Para uma operação de demolição, tais aspectos devem ser considerados, a equipa de
trabalho que esteja responsável por um determinado edifício, obra de arte ou qualquer
outra estrutura devem, antes de se dar inicio à demolição, obterem o máximo de
informação possível; em suma, devem fazer um correcto levantamento de dados técnicos,
quer internos à estrutura quer externos sobretudo, quando existirem construções
adjacentes.

De acordo com o capítulo II, (Providências preliminares) da qual fazem parte integrante
deste, o Artigo 48.° e o Artigo 49.° e que se transcreverão seguidamente, após leitura dos
mesmos facilmente podemos constatar que muita mais informação deveria conter, não
fosse este, o Regulamento de Segurança no Trabalho na Construção Civil.

“Art. 48.° Não poderá ter início qualquer trabalho


de demolição sem que previamente o técnico respon­
sável se tenha assegurado de que a água, gás e electri-
cidade fornecidos ao edifício se encontram cortados.
§único. Se para o andamento dos trabalhos forem
necessárias água ou energia, o respectivo fornecimento
será feito em local e de form a a evitar quaisquer in­
convenientes.

Art. 49.° Os elementos frágeis, como envidraçados,


fasquiados e estuques, serão retirados dos edifícios antes
de começada a demolição.
§único. Os operários empregados na remoção de es­
tuques e tabiques utilizarão máscaras destinadas a
defendê-los das poeiras, a menos que estas sejam eli­
minadas por meio de água ou qualquer outro processo
adequado. ”

Textos Adaptados; Fonte: Decreto-lei n° 41821 de 11 de Agosto de 1958

Assim sendo, julga-se que deveria constar neste regulamento, no seu capítulo II alguns
dos procedimentos que se apresentarão, podendo contudo faltarem alguns de igual
relevância para estes tipos de intervenções.

• Aos edifícios existentes, sobretudo nos centros históricos, e todas zonas


urbanizáveis, que estejam em ruina, que aparentem vir a ruir a qualquer instante
ou que tenham ruido inesperadamente, estes, devem ser analisados por técnicos
da área de Engenharia Civil se possível com formação na área de Estruturas ou na
sua impossibilidade que os mesmos no mínimo tenham mais de 5 anos de
experiência nos referidos casos.

51
• Definir correctamente qual a metodologia de intervenção e os meios a serem
utilizados, pretendendo-se com isso garantir a segurança de todos os trabalhadores
e de terceiros; assim como optimizar todo o processo interventivo de forma a
minimizar e/ou eliminar danos nas edificações adjacentes.

• Solicitar as peças escritas e desenhadas dos edifícios em causa, caso existam junto
dos proprietários ou junto das entidades competentes como sejam autarquias para
que sejam analisados os aspectos de arquitectura, estrutural de forma a permitir
uma correcta intervenção.

• Devem os (as) técnicos (as) responsáveis, visitar “in situ” os edifícios ou outro
tipo de estruturas que sejam para demolir por forma a verificar condicionalismos
existentes, quais as correcções necessárias a efectuar face aos tipos de riscos
existentes no local assim como definir as correctas medidas de prevenção a serem
implementadas ao nível de protecção colectiva e individual.

• Instalarem-se sistemas de monitorização como, fissurómetros, inclinómetros,


testemunhos, alvos topográficos, etc; sobretudo quando se esteja na presença de
construções antigas, quando sejam detectadas situações que afectem a estabilidade
através de assentamentos, fendas, deslocamentos, zonas sem travamentos ou
zonas que estejam apodrecidas sobretudo material metálico e madeiras.

• A equipa responsável pela demolição deve elaborar um plano de demolição onde


estejam definidas as características dos (s) edifícios a demolir dos edifícios
confinantes, quais os materiais a utilizar e meios humanos, qual a metodologia,
faseamento da intervenção, quais os tipos de transporte e remoção a utilizarem,
que tipo de comunicação e de sinalização a serem empregues e que tipo de
informação e formação a ter-se.

• Criarem um plano de emergência por parte dos técnicos responsáveis da área de


segurança no trabalho tendo em conta condicionalismos existentes por forma a
permitir acessos de apoio a possíveis vitimas e sua posterior evacuação.

• A equipa responsável assim como empresa responsável pela operação de


demolição antes do inicio de todo processo de demolição deve ter informação
relativa ao meios humanos que vão ser utilizados no que concerne em matéria de
formação adequada ou se necessitam de ter formação e informação por parte da
empresa para o qual estes trabalham.

Ficam então aqui algumas das sugestões que se julgam dever vir a constar numa futura
actualização do Regulamento de Segurança no Trabalho na Construção Civil.

52
5.3. Omissão dos métodos utilizados para demolição no DL n° 41821
Regulamento de Segurança no Trabalho da Construção Civil

Em relação ao tema das demolições, tal como os que o antecederam tem-se verificado
através da leitura da legislação em vigor, a omissão de determinadas matérias que se
julgam ser de extrema importância vincularem na mesma; pois a não existência de
informação, leva a que em matéria de segurança laboral, sobretudo no sector da
construção civil, não sejam criados os planos de demolição da forma apropriada.

Numa futura alteração, ao DL n° 41821 julga-se que relativamente ao título (Demolições)


deveriam ser contemplados os diferentes métodos de demolição que podem ser utilizados
no sector da construção civil.
Começando-se nos últimos 10 anos em Portugal a investir na área da reabilitação, onde
em alguns dos casos, face ao estado de degradação que algum do edificado existente, nos
centros históricos, ser de um estado de degradação bastante avançado; o qual, afecta em
termos de segurança estrutural parte de alguns edifícios existentes; leva a que alguns
tenham de ser demolidos, pois, em inúmeros casos a relação entre projecto e orçamento
final não compensam, justificando-se a demolição e iniciar-se um novo edifício, o qual
pode respeitar a estética ou enquadrar-se o melhor possível com o local de implantação
respeitando toda envolvente.

No entanto quando se opta pela demolição, existem por vezes condicionantes que tem de
ser consideradas, pois, nem sempre uma estrutura a necessitar de ser demolida está
isolada; pelo contrário, na grande maioria estas, tem outras habitações adjacentes e é aqui
que, deve ser escolhido o melhor método.

5.3.1. Métodos de demolição a constar no Decreto-Lei n° 41821

Toda profissão tem diferentes métodos de intervenção; no sector da construção civil o


mesmo acontece, consoante seja o tipo de trabalho a realizar.
Ao longo do título IV (Demolições), não consta qualquer referência aos diferentes
métodos de demolição existentes, nem quais aqueles que devem ser aplicados face ao tipo
de situação, pois se bem se sabe, é extremamente importante que se faça uma correcta
escolha.

Seguidamente apresentar-se-ão alguns dos métodos que deveriam constar no Decreto-


Lei; muito resumidamente far-se-á uma breve descrição relativa a cada um dos métodos
a serem apresentados disponibilizando-se imagens para melhor compreensão:

53
Demolição com equipamento mecânico
• Demolição por Impacto
• Demolição por processos explosivos
• Demolição por expansão química

5.3.2. Demolição com equipamento mecânico

Na demolição com recurso a equipamento mecânico está-se a falar sobretudo em


demolições com recurso a máquinas retroescavadoras, máquinas escavadoras (giratória)
de rastos ou pneumáticas, este tipo de equipamento utiliza-se em demolições de estruturas
de pequena a média dimensão, em que muitas das vezes praticamente o seu peso próprio
é suficiente para efectuar a demolição.

Im agem 10: D em olição com recurso a equipam ento m ecânico

Fonte: Trabalho Cadeira de Processos de Construção ESTIG/ Enga Civil

Este tipo de trabalho é limitado pela altura e alcance da máquina, devendo previamente
realizar-se o derrube da parte do edifício que não esteja dentro desse raio de acção.

54
5.3.3. Demolição por Impacto

Em termos de utilização de maquinaria pesada pode-se dizer que este método é dos mais
antigos; é composto por uma bola de aço que actua pendurada por uma corrente, com
movimentos pendulares ou em queda livre e cujo peso varia entre os 500 e os 5.000 Kg.

Tal como os inúmeros métodos existentes este, este, tem alguns condicionantes que se
descreverão de seguida.

• Não pode ser utilizado em desmontes parciais, em face da imprecisão do seu


controlo, sendo pois aplicado apenas no desmantelamento total das construções.

• A máquina só pode funcionar a partir da zona exterior aos edifícios e necessita de


um raio de acção de cerca de 6 metros livres.

Após alguma pesquisa de legislação existente verificou-se um aspecto que possivelmente


devia servir de reflexão, que é, a existência de artigos em que, fosse feita a referência das
vantagens de desvantagens, quando se pretende adoptar um determinado método.
A sua existência permitiria possivelmente em conjunto com os restantes artigos
constantes num DL e/ou portaria ajustar e tomar decisões mais correctas.

Assim, em relação ao método de demolição por impacto apresentam-se algumas das suas
desvantagens:

• Alta produção de ruído;


• Alta e continuada produção de vibrações incómodas e perturbadoras ao meio
ambiente circundante, durante todo o espaço de tempo em que se verificam os
trabalhos, tempo esse demasiado longo, em face do baixo rendimento do método;
• Processo de desmonte não controlado;
• Produção de fragmentação dos materiais de tamanhos médios a grandes,
necessitando, por isso, de trabalhos complementares posteriores;
• Somente utilizável em trabalhos de grande extensão, pois torna-se oneroso o
transporte da maquinaria pesada.

5.3.4. Demolição com recurso a explosivos

É fundamental neste tipo de demolições aplicar a menor quantidade possível de energia


necessária para provocar a descontinuidade da estrutura e o seu colapso. Assume
particular importância o peso próprio da mesma, que terá papel preponderante na sua
fragmentação durante a queda e no impacto com o solo.
O projecto de um mecanismo de colapso correcto tem como finalidade obter uma
demolição controlada, com o máximo de fragmentação dos componentes da estrutura sem
que estes se espalhem para fora da área desejada.

55
Para proceder à demolição de uma estrutura com recurso aos explosivos, é fundamental
escolher um determinado mecanismo de colapso.

Pode-se considerar a existência de 4 mecanismos de colapso:

• Mecanismo tipo telescópio;


• Mecanismo tipo derrube;
• Mecanismo tipo implosão;
• Mecanismo tipo colapso progressivo

Mecanismo tipo telescópio

Este mecanismo é empregue em estruturas ocas, onde a acção do seu peso próprio
durante a queda e no impacto com o solo não é preponderante, exemplo disso são:

• Torres de refrigeração das centrais termoeléctricas


• Chaminés de alvenaria ou betão.

Provoca-se a demolição, simultânea ou não, de vários troços em altura da estrutura


acabando esta por ruir, numa área semelhante àquela que ocupava. A queda da estrutura
assemelha-se ao fechar de um “telescópio” .

Mecanismo tipo derrube

O mecanismo tipo derrube é empregue em estruturas onde a relação entre a altura e a


base é grande, não havendo perigo se o colapso da estrutura for efectuado para um dos
seus lados, tais como, chaminés, depósitos elevados, bunkers e estruturas de aço como
postes de electricidade de alta tensão.

Permite, quando cuidadosamente planeada, uma grande precisão do local da queda.

Mecanismo tipo implosão

É possivelmente o método mais utilizado; consiste na utilização de uma pequena


quantidade de explosivos, por forma a criar-se uma descontinuidade em certos pontos na
estrutura (normalmente pilares), fazendo com que esta entre em ruína e que, através do
seu peso próprio (com papel preponderante), se fragmente o mais possível durante a
queda e quando atinge o solo.

O colapso da estrutura é provocado centralmente fazendo com que a estrutura ceda sobre
si mesma, como se algo a “puxasse” na direcção do seu centro. O explosivo apenas é
colocado em determinados pisos ao longo da altura da estrutura. Assim, espera-se que a
parte desta onde não foram colocados explosivos se fragmente apenas durante a queda e
no impacto com o solo. É o método mais indicado para estruturas de elevado porte.

56
Mecanismo tipo colapso progressivo

Este mecanismo caracteriza-se por se assemelhar à queda de peças de um jogo de dominó,


em que o derrube da primeira peça vai provocar a queda sequencial das restantes, e é
normalmente empregue em edifícios contíguos ou com grande desenvolvimento em
comprimento.
O início do colapso sequencial, pode ser conseguido por qualquer dos mecanismos
básicos referidos atrás, normalmente a implosão. A queda da estrutura tem assim início
no uso dos explosivos, mas o processo é continuado pela acção do impacto da parte da
estrutura inicialmente derrubada. Poder-se-ão empregar também explosivos no percurso
do colapso sequencial, procurando assim facilitar o mesmo.

A imagem seguinte ilustra a forma como na grande maioria dos casos se dá o colapso
estrutural de edifícios de médio a grande porte.

Im ag em 11: M ecanism o de colapso progressivo

Fonte: Trabalho Cadeira Processos de Construção ESTIG/ Enga Civil

57
5.3.5. Demolição por expansão química

Em meados dos anos 70 do séc. XX, um engenheiro químico italiano de nome, Rossano
Vannetti, começa o estudo e desenvolvimento de uma fórmula relacionada com o cimento
expansivo.
À base de carbonatos de cálcio, este conseguiu desenvolver uma fórmula que lhe permitia
regular o tempo de reacção do produto criado, e à base de catalisadores de reacção,
controlar também os tempos de rotura.

Pode-se colocar a seguinte questão:

Como funciona?
É baseado na tecnologia chamada "Reacção Química da Hidratação." Esta tecnologia,
muito antiga, foi utilizada na construção das pirâmides do Egipto para a extracção e
processamento de grandes blocos de granito.

Colocavam as cunhas de madeira com água. Por efeito da reacção química de hidratação,
gerava-se uma tremenda força expansiva e a consequente rotura.

Im agem 12: R eacção q u ím ica de hidratação

Cunha de Madeira

Fonte: Trabalho Cadeira Processos de Construção ESTIG/ E n g Civil

Cimentos demolidores e expansivos

Pode-se dizer de uma forma algo resumida que, a única diferença entre a produção de
cimento normal e cimento expansivo é que este se dilata, enquanto cimento normal
contrai.

58
Processo de demolição através de cimento expansivo

Este tipo de cimento produz rotura por efeito de reacção de hidratação de grande potência,
2
produzindo uma enorme tensão expansiva, superior às 7000 toneladas por m .
A fragmentação produz-se entre os buracos, previamente enchidos com o cimento, pela
enorme tensão que o cimento exerce, tal como mostra a figura 12.
A letra A actua como força de compressão (A) por sua vez a letra (B) que forma um ângulo
recto actua como força de tracção.
A rotura ocorrerá quando esta força de tracção superar a da resistência a demolir.

Im agem 13: R o tu ra p o r aplicação de cim ento expansivo

Fonte: Trabalho Cadeira Processos de Construção ESTIG/ E n g Civil

Campo de aplicação

Pode-se dizer que o cimento expansivo, serve para, variadíssimas áreas de actividade
estejam elas ligadas directamente ao sector da construção civil ou não, tais campos de
aplicação podem ir até:

• Estruturas de betão armado (pontes, viadutos)


• Blocos de grande dimensão
• Habitação (Interior ou Proximidade)
• Pedreiras
• Obras de Hidráulica, etc.

Demolição em betão armado

Existem armações que não oferecem resistência, como é o caso da figura apresentada a
seguir, onde se produz a rotura de parte a parte.

59
No caso relativo à imagem, não existe necessidade de serem cortadas as armaduras
existentes uma vez que a rotura se dará por entre as duas armaduras superior e inferior
colocadas no elemento de betão.

Imagem 14: Rotura de betão entre armadura superior e inferior.

Fonte: Trabalho Cadeira Processos de Construção ESTIG/ Enga Civil

Demolição de Betão (Corte do Ferro)


Existem no entanto determinadas situações em que, mesmo após de dar a rotura do
betão os elementos mantem-se ligados através da armadura colocada.
Nestes casos tem de se efectuar o corte da respectiva armadura para que ocorra uma
total desintegração e originar-se o colapso.

Imagem 15: Rotura de betão com necessidade de corte das armaduras


Armadura a Cortar

Fonte: Trabalho Cadeira Processos de Construção ESTIG/ Enga Civil

60
Blocos de grande dimensão

Com este tipo de cimento expansivo, pode-se orientar a linha de fragmentação e de rotura,
baseando-se no princípio lógico de esta irá produzir (surgir), entre os buracos mais
próximos.

Im agem 16: R o tu ra transversal

Fonte: Trabalho Cadeira Processos de Construção ESTIG/ Enga Civil

Rotura Transversal

L-1<L-2
L - 1= 0,5 m

Em relação ao tema da demolição poderia ainda falar acerca de demolição por processos
abrasivos, assim como demolição através de processos térmicos, que igualmente
merecem ser tidos em consideração por entidades como ACT e própria OIT para além
das restantes entidades legais em Portugal que elaboram legislação de caracter regulador
para o sector da construção civil e demais actividades a si inerentes.

No entanto para não se “desviar” do tema que, tem como finalidade a Análise Critica da
Legislação de Segurança na Construção em Portugal, julga-se que a referência aos
anteriores quatro métodos de demolição, serviram para demonstrar que talvez devessem
numa futura reformulação da actual legislação, constar na mesma; não necessariamente
de uma forma tão explicativa, mas fazer ver aos técnicos que necessitam de consultar a
legislação que estes métodos existem.

Quanto à descrição e campos de aplicação dos diversos métodos existentes, pois estes
podem ser disponibilizados em manuais criados por exemplo pela ACT enquanto
entidade reguladora para as questões de segurança e higiene no trabalho.

61
Para finalizar, em relação ao cimento expansivo, em anexo disponibilizam-se três
diferentes métodos de rotura sendo eles, rotura longitudinal, rotura em quadrado e por
fim rotura em losango.

5.4. Considerações finais relativas a legislação de demolição existente em


Portugal

Fazendo-se um breve resumo acerca da temática demolição e da legislação afecta a esta;


pode-se dizer que tanto Decreto-Lei n° 41821 de 11 de Agosto, Regulamento de
Segurança no Trabalho da Construção Civil, Decreto-Lei n° 307/2009, de 23 de Outubro,
Regime Jurídico da Reabilitação Urbana e por fim Decreto-Lei n° 555/99, de 16 de
Dezembro, Regime Jurídico da Edificação e Urbanização; todos eles devem ou deveriam
num futuro bastante recente ser alvo de reformulações.
Enquanto alguma da legislação consultada, peca pela sua total desactualização, face às
técnicas que se aplicam presentemente no sector da construção civil, outras, embora sejam
mais recentes, pouca ou nenhuma relevância lhe é dada aquando da sua elaboração.
Por vezes, para quem a consulta, deixa transparecer que, num sector como é o da
construção civil; aos olhos do legislador possivelmente por falta de conhecimento, esta
deixa transparecer que determinadas actividades são mais importantes relativamente a
outras.
Tal como numa sociedade, em que todos necessitamos uns dos outros, quando se está a
criar regulamentos, o legislador deve conseguir obter o máximo de informação possível
de fontes credíveis e posteriormente começar a elaborar a legislação que servirá de apoio
aos técnicos que dela venham a necessitar no desempenho de suas funções laborais na
área de segurança do trabalho designadamente na construção civil.

62
Capitulo 6

Legislação relativa a obras de escavação


6. Escavações em Portugal

A elaboração do tema relativo a escavações no sector da construção civil, julga-se ser de


grande importância pois é uma das actividades onde continuam a ocorrer acidentes de
trabalho, alguns com perda de vidas humanas.
Ao longo do tema tentar-se-á abordar e evidenciar procedimentos, metodologias de
intervenção quando se estão a executar escavações e aberturas de valas, pretendendo com
isto a prevenção, não só dos tipos de acidentes ditos no primeiro parágrafo mas, que
também possam ser evitadas anomalias que surjam em edifícios provocadas pelos
equipamentos utilizados afectando a vida de terceiros.
Pretende-se ao longo do tema ser-se transversal, para que a mensagem consiga chegar,
não só aos “ principais intervenientes” do sector da construção civil mas também à
restante sociedade civil, tentando incutir-lhes uma opinião critica quando decorrem obras
desta natureza para que, quando eles mesmos vejam que, em matéria de cumprimento
com procedimentos de segurança algo não esteja a ser cumprido, estes se possam
manifestar com alguma fundamentação.
Irá fazer-se referência a alguma da legislação sobretudo como vem sendo ao longo deste
trabalho para o Decreto- Lei n° 41821 de 11 de Agosto de 1958 assim como de outra
legislação existente e que se ache necessária aqui ser mencionada.
Pretende-se demonstrar aos técnicos ligados a esta actividade da construção civil,
sobretudo aos técnicos de segurança em obra, directores de obra, coordenadores de
segurança em obra e demais intervenientes, o quanto é importante que seja efectuado um
levantamento prévio, estudos técnicos, para que seja criado um correcto planeamento de
obra e este posteriormente ser exequível em conformidade com o estipulado.

6.1. Medidas preliminares em obras de escavação

Tal como qualquer outra obra de construção civil, em que o projectista deve ter o máximo
de informação possível, para que posteriormente ajuste o projecto ao seu local de
implantação, em obras de escavação; tais procedimentos devem ser adoptados.

O que se pretende aqui realçar é que, deve existir sempre um correcto estudo prévio
relativo ao local de realização de determinada obra em causa.

63
Seguidamente descrevem-se algumas das medidas preliminares que devem ser tidas em
conta antes do arranque com obras de escavação:

• Analisar se existem zonas com aterros;


• Analisar a envolvente da escavação, em termos da existência de edifícios ou outros
elementos, nas proximidades da escavação;
• Analisar o tipo e características do terreno;
• Verificar a zona de implantação das escavações e aferir a existência de
condicionalismos locais;
• Dar informação e formação, aos trabalhadores e restantes intervenientes, que vão estar
envolvidos nas escavações;
• Elaborar o plano de escavações;
• Aferir projectos, cadernos de encargos e legislação em vigor, em especial no que diz
respeito à segurança, higiene e saúde no trabalho;
• Executar o plano de escavações, de acordo com o previsto no plano de segurança e
saúde;
• Actuar e corrigir de imediato, sempre que existam não conformidades, desvios ou
imprevistos aos trabalhos da empreitada. ”

Tópicos Adaptados; Fonte: Guia Prático 28, ACT, Construção Execução de Valas e Escavações

Fazendo-se referencia ao Decreto-Lei n° 41821 de 11 de Agosto, sobre o que este


descreve relativamente às escavações, não sendo licenciado em Direito, após leitura do
seu Titulo V e capítulos afectos ao tema (Escavações), em matéria de medidas
preliminares a serem tomadas unicamente em dois dos seus artigos é feita alguma menção
em matéria de “preocupação” com medidas de segurança de caracter prévio a serem
tomadas.

Transcrevem-se seguidamente do Regulamento os dois artigos que se julgam ir de


encontram ao que é sugerido pela ACT no seu guia prático.
O Art. 66.° do Capitulo I ( Disposições Gerais) e o Art. 81.° Capitulo III relativo a Normas
de Trabalho.

“Art. 66. ° Os trabalhos de escavação serão conduzidos de forma a garantir as indispensáveis


condições de segurança dos trabalhadores e do público e a evitar desmoronamentos.
§ único. Haverá um técnico, legalmente idóneo, responsável pela organização dos
trabalhos e pelo estudo e exame periódico das entivações.”

“Art. 81. °Antes de se executarem escavações próximas de muros ou paredes de edifícios, deve
verificar-se se essas escavações poderão afectar a sua estabilidade. Na hipótese afirmativa,
serão adoptados processos eficazes, como escoramento ou recalçamento, para garantir a
estabilidade.”

Textos Adaptados; Fonte: Decreto-lei n° 41821 de 11 de Agosto de 1958

64
Apresentados os dois artigos, permite dizer que, para um regulamento que embora com
58 anos de existência este ainda vigora e serve de elemento regulador ao sector da
construção civil, o mesmo peca, pela pouca relevância que dá relativamente em matéria
de medidas preliminares que deveriam ser adoptadas antes do início de obras de
escavação.

Uma das graves lacunas que se notam na maioria das obras de escavação é a de que, os
procedimentos de trabalho adoptados são idênticos em todo tipo de zona habitacional.
Isto leva a que essa medida de actuação, não seja a mais correcta, pois uma obra de
escavação numa zona habitacional, em que o método construtivo remonta a 50 anos atrás
certamente terá de ser diferente, face a uma obra de escavação que se realize numa zona
habitacional com 20 anos, onde o método construtivo de então já cumpria com padrões
de qualidade totalmente diferentes, os quais ofereciam em termos de estabilidade
estrutural uma melhor resistência.

6.1.2. Escavações de Valas

A realização de obras de escavação, na qual implique a abertura de valas leva a que sejam
cumpridos determinados procedimentos que visem evitar determinados acidentes alguns
deles comuns neste tipo de operação.
Um correcto planeamento acerca da forma como se realizará a abertura de uma vala,
evitará certamente que ocorram, soterramentos, desmoronamentos e assim oferecer
condições de segurança para os principais intervenientes, neste caso os trabalhadores que
tem de estar dentro das valas e igualmente evitar transtornos a terceiros.

Assim os trabalhos a serem realizados devem cumprir com altos padrões de qualidade;
estes tipos de trabalho a serem realizados devem sempre ser analisados por técnicos
idóneos que tenham competência adequada para que sejam garantidas todas as condições
de segurança.

Tal como referido no tópico anterior o Regulamento de Segurança no Trabalho da


Construção Civil unicamente faz uma breve referência no seu Art. 66.° sobre a
obrigatoriedade de haver um técnico idóneo.

“Art. 66. ° Os trabalhos de escavação serão conduzidos de forma a garantir as indispensáveis


condições de segurança dos trabalhadores e do público e a evitar desmoronamentos.
§ único. Haverá um técnico, legalmente idóneo, responsável pela organização dos
trabalhos e pelo estudo e exame periódico das entivações.”

Textos Adaptado; Fonte: Decreto-lei n° 41821 de 11 de Agosto de 1958

65
Em parte aceita-se esta menção quanto ao dever de existência de um (a) técnico (a) ; por
outro lado julga-se que neste tipo de obra o legislador deveria ser mais claro, podendo ir
ao ponto de mencionar o tipo de formação académica que este deve possuir.

Entende-se por isso que neste tipo de obras deveriam ser considerados técnicos de área
de Geologia, Engf Civil, Enga Geológica e Engenharia de Minas; mas que posteriormente
estes também tivessem formação na área de Higiene e Segurança do Trabalho voltada
para sector da construção civil.

6.1.3. Informação prévia antes do início das escavações de valas

Para que sejam evitados acidentes, que possam por em causa não só trabalhadores, mas
também terceiros e algum tipo de equipamento na envolvente onde este tipo de obras se
realiza, embora a legislação existente não seja clara neste assunto, a Autoridade para as
Condições do Trabalho e por uma questão de lógica; aconselha a que antes de serem
iniciadas as aberturas de valas tanto os técnicos responsáveis, Directores de Obra,
Encarregados e trabalhadores devem ser informados e ter formação, acerca dos possíveis
riscos e medidas preventivas a utilizar caso sejam necessárias, assim como quais os
processos construtivos e meios a utilizar neste tipo de operação.

Pois, como se sabe, face às diferentes características que os tipos de solos apresentam;
assim será tomada a decisão, relativamente, se a vala necessita de ser entivada, se é
necessário cria um talude ou em alguns casos pode ocorrer que, os trabalhos de abertura
de vala (s) não necessitam de protecção adicional em função das características que o solo
apresenta quanto à sua consistência e profundidade.

6.2. Entivação de Valas de acordo com DL n° 41821 de 11 de Agosto

Em relação ao tema das entivações, começa-se imediatamente com uma questão que
mesmo eu, enquanto licenciado em Enga Civil no início deste trabalho tinha sempre, e
que sabendo-se que existem inúmeros técnicos de segurança que vem de áreas académicas
opostas deixo a questão.

O que quer dizer Entivação?

Deixa-se então o significado do termo, antes de se dar continuidade a este tema, e que
comporta vários assuntos que merecem ser abordados.

Entivação
Revestimento executado em madeira em poços, galerias e escavações de profundidade
média a grande, destinado a impedir desmoronamento.

66
Efectuada uma leitura ao Capitulo II na Secção I, do DL mencionado entre o seu Art. 69.°
e o Art. 72.° verifica-se que o legislador deu mais atenção da aplicação de termos técnicos.
Julga-se que este, deveria antes da elaboração destes quatro artigos ter criado um
“subtítulo” ou em ultima análise em anexo fazer referência a alguns dos termos utilizados.

Tal como no tema dedicado de início aos andaimes foi comentado que algumas correcções
deveriam ser realizadas de futuro.
No entanto em relação aos andaimes utilizados entre as décadas de 50 até meados de 80
sobretudo de estrutura em madeira; aqui o legislador demonstrou alguma preocupação
relativamente aos nomes das peças constituintes de um andaime.

Por sua vez em relação aos elementos constituintes de um sistema de entivação, o mesmo
não aplicou o mesmo critério.
Passar-se-á de seguida a expor o que vem mencionado entre o Art. 69.° e Art. 72.° tentar-
se- á sugerir alterações, ainda que, as mesmas possam ser melhoradas, facultando a
consulta e percepção diária dos inúmeros técnicos de segurança em obra.

“Art.69.° A entivação de uma frente de escavação,


como das trincheiras, compreende normalmente, ele­
mentos verticais ou horizontais de pranchões que su­
portem o impulso do terreno.
Estes impulsos podem ser transmitidos directamente
pelos pranchões às escoras ou por intermédio de outro
elementos que os liguem entre si por cruzamento.
§ único. Conforme a natureza do terreno e a pro­
fundidade de escavação, assim os elementos destinados
a suportar directamente os impulsos serão mais ou me­
nos afastados entre si, terão maior ou menor secção e
poderão ser de madeira ou metálicos.
Os desenhos anexos indicam, para três hipóteses, os
madeiramentos mais convenientes. ”
Texto Adaptado; Fonte: Decreto-lei n° 41821 de 11 de Agosto de 1958

Tal como dito atrás, veja-se a terminologia técnica que aqui se utiliza; e a omissão de
informação nos desenhos anexos no DL n° 41821.

Começa então o Art. 66.° no seu primeiro parágrafo por , “...elementos verticais ou
horizontais de pranchões que suportem o impulso do terreno.”

Em primeiro lugar coloca-se a séria duvida que a maioria dos técnicos superiores de
segurança que trabalhem na construção saibam o que quer dizer este termo técnico.
Em segundo imagine-se os custos que isto representa em tempo, pela ocultação na
legislação do seu significado, quando esta deve ser clara quando é necessária ser
consultada.

A imagem seguinte descreve os 3 tipos de madeiramentos citados no Art.66.° em anexo

67
Imagem 17: Tipos de madeiramentos em entivação

F o n te : Decreto-lei n°41821 de 11 de Agosto de 1958

Em uma das imagens mencionou-se um dos elementos que em termos de nome ou seja
pranchões.

Já na imagem que se segue julga-se que numa futura reformulação seria aconselhável tais
de designações serem incluídas e que vão de encontro ao que é citado no DL n° 41821.

68
Imagem18: Elementos constituintes de sistema de entivação

F o n te : http://images.slideplayer.com.br/11/3509904/slides/slide_6.jpg

Por sua vez o que é mencionado no Art. 71.° em termos de designações de elementos e
método de aplicação, neste Art.° julga-se que os desenhos se ajustam ao que neste é
mencionado, agora, tem de se ter em conta os conhecimentos dos diversos técnicos de
segurança em obra; quer-se com isto dizer, as áreas de onde estes veem.
Pois aqui à que dar mérito ao legislador na sua alínea e), pois este soube descrever
correctamente como deve ser efectuado o procedimento de aplicação numa possível
frente de obra, relativamente ao método de montagem, por forma a cumprir com normas
de segurança exigidas, caso estejamos perante um sistema de entivação de madeira.

6.2.1. Medidas de segurança consoante natureza do solo

A realização de obras sempre tem acompanhado a evolução das diferentes sociedades,


estas, de uma forma geral quase sempre são efectuadas, tendo como base a atribuição da
melhoria de vida das populações.

Entretanto, no que diz respeito ao tema das entivações, estas, antes de se começarem a
realizar, segundo o que, as boas práticas indicam devem ser feitos estudos geológicos ao
solo onde se vão realizar escavações.

69
O seu correcto estudo permite também adoptar qual o procedimento mais adequado
consoante seja a característica de um determinado solo.

Reforçando o que se acabou de dizer transcreve-se do Decreto-Lei n°41821 o seu Art.


72.° e tabela relativa as características mínimas de segurança face natureza do solo.

“Art. 72.° Na abertura de trincheiras com profundi­


dades compreendidas entre 1,20 m e 3 m consideram-se
asseguradas as necessárias condições de segurança con­
tra desmoronamentos perigosos quando as entivações
tenham como características mínimas as seguintes:”

Texto Adaptado; Fonte: Decreto-lei n° 41821 de 11 de Agosto de 1958

Tabela 5: Sistema de entivação a adoptar consoante natureza do solo

Prumos Ciutua Estro ucas

Sgcç&O ■Espaçamento Espaçamento


Naturosa do tolo Secção Espaçamento Soeçílo Espaçamento
vertical horizontal
CôntlnietiOS Moiros Centímetros Metros CantíniQtrotf
MGtrOi Metros

5X15 1,80 10X15 1,20 1,80


C onsistência m t d i í ...............................
&X15 0,90 10X95 1.20 10X15 1,20 1.80
Pouca couiistÈ neia ..........................................................
Som coii5Í6tS ncia.............................................................. 5X15 P ra nc h a d a 10X15 1,30 10X15 1,20 1.80
contíoifa.

F o n te : Decreto-lei n° 41821 de 11 de Agosto de 1958

Chama-se no entanto a atenção para a falta de informação dedicada à escavação de


taludes; onde apenas é referida no seu Art. 68.°, de uma forma muito vaga.
Adiante dar-se-á mais detalhes relativos ao tema dos taludes pois tal como nas escavações
de valas a criação de taludes com recurso a maquinaria implica que sejam cumprindo
igualmente procedimentos de segurança que salvaguardem os trabalhadores.

6.2.2. Utilização de escadas de mão, como medida de segurança nas


aberturas de valas.

Inúmeras vezes nos deparamos com obras em ruas dos centros urbanos até mesmo em
povoações mais do interior dos pais.
As suas redes de esgotos e redes pluviais começam a estar obsoletas e existe a necessidade
de serem substituídas, para que a saúde pública da população seja salvaguardada.

70
Estas obras como se pode constatar, implica a existência de escavações nomeadamente
abertura de valas para substituição e posterior colocação de novos equipamentos.
No entanto, como vem sido mencionado tais obras devem cumprir com procedimentos
de segurança que protejam os operários que intervenham.

Da legislação lida, em matéria de segurança para obras de escavação vejamos o que diz
o Regulamento de Segurança no Trabalho da Construção Civil, no seu Capitulo V, Secção
III (Escadas), Art. 74.° e Art. 75.° os quais se transcrevem e será efectuada sua análise.

“Art. 74.° O desnível máximo a vencer por um tramo


único de escadas auxiliares, de qualquer tipo, é de 6m.
no cimo de cada tramo, haverá uma plataforma com
corrimão e guarda-cabeças.
Art.75.° Na abertura de trincheiras haverá, pelo
menos, uma escada de mão em cada troço de 15m,
a qual sairá 0,90 m para fo ra da borda superior. ”

Textos Adaptados; F o n te : Decreto-lei n°41821 de 11 de Agosto de 1958

Constata-se que estamos perante dois artigos, que se referem não só a algum tipo de
equipamento existente nestes procedimentos, mas também, a forma como os mesmos
devem ser aplicados, de forma, a cumprirem com as medidas de segurança exigidas.

Por outro lado os mesmos dois artigos suscitam dúvidas relativamente, a se estes,
conseguirão ser postos em prática, in situ por parte de alguns técnicos de segurança na
construção civil. Imensas vezes um dos problemas que vem sido afirmado, é o passar-se
correctamente para a prática, o que se lê.
Da análise efectuada, vê-se que, da parte de quem legislou existiu uma preocupação face
a esta actividade no sector da construção; contudo nota-se claramente que precisa de ser
reajustada.
Face às dúvidas aqui patentes, aquilo que seria recomendado era, a existência de desenhos
que facultassem uma clara interpretação do que nos artigos é descrito.

Para reforçar o que acabou de ser descrito, sugere-se o que a Autoridade para as
Condições do Trabalho ACT, sugere no seu guia prático n° 28 (Execução de Valas e
Escavações) através de uma imagem a seguir apresentada; e que vai de encontro ao que
é citado sobretudo no Art. 75.° do DL n° 41821.

71
Imagem 19: Aplicação de escadas em escavação de valas

0,15 m

15.00 m

0 ,9 0 m

Fonte: Guia Prático 28, ACT, Construção Execução de Valas e Escavações

Tem-se voltado ao longo deste trabalho, inúmeras vezes, o assunto para o lado da entidade
que “fiscaliza” a aplicação deste tipo de procedimentos sobretudo para técnicos
pertencentes à entidade reguladora em Portugal, ACT e para a fiscalização pertencente ao
Dono de Obra.
No entanto, convém mencionar-se que da parte dos executantes das obras (empreiteiros),
estes, também devem ter conhecimento deste tipo de legislação; e sabendo-se que a vão
necessitar consultar, mais interesse existe, em que esta, seja complementada com bons
desenhos exemplificativos.
A sua existência só vem trazer resultados positivos, pois, cumprindo-se face a uma
correcta interpretação, os acidentes de trabalho com consequências graves para os
operários diminuirão.

72
6.2.3. Medidas de segurança a adoptar em taludes

Embora o tema taludes não seja muito abordado, na generalidade da legislação existente
em matéria de segurança; não quer dizer que em relação ao tema entivações não mereça
igual interesse, pelo contrário, aos olhos da entidade reguladora em matéria de segurança
laboral, Autoridade para Condições do Trabalho (ACT), esta teve-o em total consideração
e mencionou no seu guia prático 28 alguns procedimentos que os intervenientes nestes
tipos de operações devem ter em atenção.

Comecemos então pelo que significa a palavra talude:

> Pode-se considerar como talude, uma determinada superfície inclinada, a qual
limita uma zona ou maciço de solo; estes tipos de solos podem ser, naturais
(encostas), ou então artificiais como sejam taludes de corte ou de aterro.

Tal como é mencionado no seu guia prático, a ACT, fez a relação que deve existir entre
o tipo de solo e o ângulo que deve ser dado ao talude.

De seguida apresentam-se duas figuras, uma que, identifica as diferentes partes


constituintes de um talude e um quadro que relaciona o tipo de terreno face ao ângulo a
ser criado.

Imagem 20: Partes constituintes de um talude

73
TABELA - ÂNGULO a DO TALUDE NATURAL

ROCHA DURA 8 0 2 A 902 5 /1 80a 5 /1

ROCHA BRANDA OU FISSURADA 55° 7 /5 55a 7 /5

ENTULHOS, DETRITOS DE PEDRA 45a 1 /1 40a 4 /5

TERRA FORTE VEGETAL 45° 1 /1 35a 7 /1 0

ARGILA E MARGA 40a 5 /6 35a 7 /1 0

CASCALHO E AREIA 35Q 7 /1 0 20a 1 /3

“O ângulo do talude natural, fornece o ângulo lim ite a partir do qual as escavações, devem ser obrigatoriam ente
escoradas ou contidas, de forma a serem prevenidos eventuais acidentes”.

“A relação V:H, define a inclinação do talude das escavações, transm itindo a relação entre a profundidade da
escavação M, medida na vertical e a distância entre o topo e o fundo da escavação (Hl, medida num plano
horizontal1'.

Tabela 6: Ângulo do talude; Fonte: Guia Prático 28, ACT, Construção Execução de Valas e Escavações

6.2.4. Possíveis causas de escorregamentos de taludes

> Existência de um talude cujo seu ângulo de inclinação seja maior do que o
ângulo do talude natural;
> Ocorrência de infiltrações de águas através do corpo do talude;
> Não serem adoptadas medidas preventivas;
> Aumento de sobrecargas nas zonas confinantes;
> Vibrações provocadas por máquinas, veículos (pesados) e/ou outras fontes

6.2.5. Medidas de segurança a ser tomadas para evitar escorregamentos de


taludes
Não tendo sido um tema aprofundado por parte do legislador, em relação ao DL n°
41821; a Autoridade para Condições do Trabalho, ACT, nesta matéria indica as
seguintes medidas que se apresentam:

> Deve ser alterada a inclinação do talude, diminuindo o ângulo;


> Tentar evitar sempre que possível, que a água se infiltre no talude,
aplicando sistemas de drenagem;
> O talude deve ser protegido, através de mantas ou projecções de
argamassas ou betões;
> Inspecionar regularmente o talude e as zonas a montante;

74
> Criar banquetas, através da escavação na zona superior do talude, com
manutenção do pé do talude e recuo da crista do talude, melhorando
assim as condições de estabilidade do conjunto.

6.3. Medidas de segurança a tomar, relativas aos materiais extraídos da


escavação

É comum no dia-a-dia depararmo-nos com obras dentro das localidades, e verificarmos


que, sobretudo as terras que vão sendo extraídas; serem depositadas a escassos
centímetros do bordo das valas, colocando em perigo possíveis operário (os) que se
encontrem no interior das valas.

No Capitulo III (Normas de Trabalho) do Decreto-Lei n° 41821, no seu Art. 78.° e Art.
79.° está descrito quais os tipos de procedimentos (medidas) que devem ser tomadas no
decurso de aberturas de valas.

Transcreve-se os referidos artigos e posteriormente, será sugerido como vem sido em


alguns dos anteriores temas, uma opinião, no intuito de se dar um contributo, que leve
não só a melhoria da legislação existente, mas também de uma forma indirecta a protecção
da vida dos trabalhadores neste tipo de trabalhos.

“ Art. 78.° Durante as escavações em que sejam utili­


zados pás, picaretas, percutores e outras ferramentas
semelhantes, os operários deverão manter entre si a dis­
tância mínima de 3,6 m , para evitar lesões. ”

“ Art. 79.° Os produtos de escavação não podem ser


depositados a menos de 0,60 m do bordo superior do
talude.
§ único. Ao longo do bordo superior do talude fixar-
s e - á uma prancha de madeira, como resguardo, para
evitar que os materiais rolem para as zonas escavadas.”

Textos Adaptados; F o n te : Decreto-lei n°41821 de 11 de Agosto de 1958

Relativamente aos dois artigos transcritos, em parte, nada à a apontar, pois, da parte do
legislador está bem exposto, os tipos de procedimentos que devem ser tomados em
matéria de segurança que salvaguarde os trabalhadores para possíveis acidentes de
trabalho.

Salienta-se igualmente o tipo de vocabulário aqui aplicado, que, com intenção ou não,
este não é muito técnico, pelo contrário consegue-se perceber claramente o que aplicar
no terreno.

75
Mesmo assim, deixa-se uma chamada de atenção que se julga nunca ser demais; pois
apesar de se julgar que tais artigos pareçam estar perceptíveis para todo público-alvo,
convém ter em consideração quem possa ter alguma dificuldade interpretativa.
Assim sugere-se que fossem facultados desenhos em anexo para consulta e reforço dos
artigos aqui descritos.

Disponibiliza-se uma imagem na página seguinte que poderá dar uma ajuda ao que
sugerem os dois artigos.

Imagem 21: Distancia mínima relativa à deposição do material extraído.

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inferior

Fonte; Pesquisa Google através designação; protecção de valas

6.3.1. Medidas de segurança junto de habitações e muros, antes do início de


escavações

Após uma obra ser adjudicada ao empreiteiro, resultado deste, melhor se enquadrar ao
disposto no caderno de encargos apresentado por parte do dono de obra, não quer com
isto dizer, que todos os detalhes foram tidos em consideração por parte do dono de obra
na sua elaboração; pelo contrário, inúmeras vezes existem omissões que levam a que
tenham de ser detectados erros que não vão de encontro ao estipulado.
No tópico, 6.1. Medidas preliminares em obras de escavação, foram já mencionados
alguns procedimentos preliminares que o projectista deve contemplar antes do início de

76
obras na sua generalidade, pois agora pretende-se evidenciar as habitações e muros e ver
o que nos diz a legislação.

Então do Decreto-Lei n° 41821 de 11 de Agosto, Regulamento de Segurança no Trabalho


da Construção Civil, Decreto-Lei n° 307/2009, de 23 de Outubro, Regime Jurídico da
Reabilitação Urbana e por fim Decreto-Lei n° 555/99, de 16 de Dezembro, Regime
Jurídico da Edificação e Urbanização, onde se faz referência ao tipo de medidas de
segurança mencionadas no tópico é no DL n°41821.

No Capitulo III (Normas de Trabalho) no seu Art. 81.° , do DL n° 41821, veja-se o que
este descreve em termo de medidas a serem aplicadas, mencionando até existência de
uma pessoa competente.

“Art. 81.° Antes de se executarem escavações próximas


de muros ou paredes de edifícios, deve verificar-se se
essas escavações poderão afectar a sua estabilidade. Na
hipótese afirmativa, serão adoptados processos eficazes,
como escoramento ou recalçamento, para garantir a es­
tabilidade.
§ único. Os trabalhos referidos no corpo deste artigo
serão orientados e examinados por pessoa competente.

Texto Adaptado; F o n te : Decreto-lei n° 41821 de 11 de Agosto de 1958

Pretende-se com a apresentação do Art. 81.° colocar as seguintes questões:

> Será que em obras de escavação junto de habitações o dono de obra tem em
consideração as medidas preliminares que devem ser tomadas, neste tipo de
obras?
> No caso do surgimento de anomalias nas habitações, manifestadas por seus
proprietários será que, as obras em decurso são suspensas, e são adoptadas novas
medidas de trabalho no caso de se vir a comprovar que tais anomalias são
provocadas por exemplo, pelas vibrações de maquinaria (Giratórias,
Retroescavadoras, Mini Retroescavadora, Bate Valas Pneumático, Cilindros,
etc)?

Segundo pesquisa de terreno, a informação que foi obtida, é a de que este tipo de medidas
relaciona-se com o local onde determinadas obras de escavação são realizadas.
Se forem realizadas numa cidade onde existam delegações da ACT, em que a qualquer
momento pode um empreiteiro ser alvo de fiscalização, os dois intervenientes, Dono de
Obra e Empreiteiro tenta cumprir com o estipulado na lei.

77
Estando-se a considerar que uma obra está a ser realizada numa aldeia e/ou vila do interior
alentejano junto das habitações, estes aspectos são postos de lado.
Simplesmente se dá início à obra, e não é feito um levantamento do tipo de anomalias
existentes nas habitações, para que seja adoptadas que tipo de equipamento e
procedimentos devem ser cumpridos, não esquecendo a presença de um técnico idóneo
para realizar algum tipo de monitorização.

Apresentam-se algumas medidas que se julgam importantes antes do início de escavações


junto a habitações e muros:

> Levantamento da tipologia das várias habitações onde se irão realizar


escavações;
> Nas habitações mais débeis onde já sejam patentes anomalias, redobrar o
acompanhamento por pessoa competente;
> Junto dos edifícios considerados mais problemáticos, as operações de
trabalho junto destes, devem ser cuidadosas, evitando danos existentes e
possível aumento dos mesmos;
> Ter em consideração junto do fabricante o tipo de vibrações que todo
equipamento emite e verificar se, de acordo com a informação obtida, este
pode causar danos estruturais;
> Sinalizar as anomalias previamente em todos edifícios existentes através
de relatórios, para posteriormente se ajustar um correto plano de segurança
em obra.

Poder-se-ia enumerar mais algumas medidas, no entanto, as aqui apresentadas permitem


demonstrar que a realização de obras de escavação também carecem ser tidas em
consideração em matéria de adopção correctas de medidas de segurança para habitações.

6.4. Considerações finais relativas ao tema das escavações

Crê-se que de uma forma genérica, para um tema como este, que o principal foi abordado,
permitindo descrever não só aspectos negativos patentes na legislação, mas também
elogiando os aspectos positivos e descritos pelo legislador na lei aqui apresentada e
vigorante em Portugal continental.
Julga-se, ter não só identificado determinadas situações inerentes a esta actividade, mas
igualmente ter apresentado sugestões, construtivas para a salvaguarda da segurança dos
trabalhadores que diariamente estão expostos às situações apresentadas.

78
Capitulo 7

Sinalização de Obras segundo Decreto-Lei n° 41821


7. Sinalização de Segurança

É comum verificar-se obras nas vias públicas devido à necessidade de serem efectuadas
reparações motivadas por anomalias que surgem.
Mas nem só, por vezes nas cidades, vilas e até algumas aldeias, vão surgindo projectos
com intuito de promover o seu desenvolvimento e leva a que obras nas suas vias, e
passeios tenham de ser realizadas levando a alguns casos à sua obstrução.
Então, nestes tipos de situações tem de ser arranjadas soluções alternativas que tentem
prejudicar o menos possível a rotina diária da população.

Poderá colocar-se a seguinte questão:

- Que relação existe entre obras nas vias e sinalização de segurança?

Face à questão, pode dizer-se que existe uma interligação entre, obras nas vias e a
necessidade de existir uma correcta aplicação de sinalização de segurança, que vise não
só evitar possíveis acidentes rodoviários, mas evitar igualmente acidentes que possam
envolver peões.

7.1. Sinalização de acordo com o Titulo V, Capitulo IV, Secção I do


Decreto-Lei n° 41821

Em relação à sinalização, começar-se-á por apresentar o que diz no respectivo Decreto-


Lei n° 41821, no seu Titulo V, Capitulo IV e Secção I, concretamente o único artigo
existente e demais alíneas complementares, fala-se então do seu Art. 83.°.

Se no capítulo 6 deste trabalho, relativo a obras de escavação e legislação complementar,


em alguns momentos se reconheceu, com todo mérito, a forma como determinados artigos
foram redigidos; demonstrando estes, que, da parte de quem os criou, houve sensibilidade
face à importância existente em torno de todo um sector como o da construção civil; neste
tema agora a ser desenvolvido o mesmo critério parece não ter sido mantido.

79
Seguidamente transcreve-se o Art.° 83.° e posteriormente tentar-se-á apresentar
sugestões, sendo esta reforçadas através da consulta a entidades de renome nacional em
matéria de sinalização rodoviária.

“ Art. 83.° O trânsito de peões e veículos deverá ser


orientado por meio de sistemas adequados de sinalização
que ofereçam completa segurança.
§ 1.° Em todas as entradas e saídas de camiões haverá
sinais de prevenção, devendo as manobras destes vei-
culos ser dirigidas por um sinaleiro, que , simultânea­
mente, advertirá o público.
§ 2.° Durante a noite, a sinalização far-se-á por meio
de sinais luminosos vermelhos, e os passadiços destina­
dos ao público deverão ser convenientemente iluminados.
§ 3.° Nas trincheiras, os sinais luminosos vermelhos
Serão colocados ao longo das barreiras de protecção. ”

Texto Adaptado; F o n te : Decreto-lei n° 41821 de 11 de Agosto de 1958

Efectuada uma leitura cuidada, pode dizer-se, que, até ao seu primeiro parágrafo encontra-
se um total enquadramento, evidenciando a necessidade de ser garantida total segurança
não só a peões mas também a automobilistas.
No entanto, a partir da sua primeira alínea, do início até ao seu final fica-se com dúvidas
de interpretação; pois, levantam-se imediatamente questões sobre ao que o legislador se
está a referir em contexto de obra.

Veja-se o texto adaptado:

§ 1.° Em todas as entradas e saídas de camiões haverá


sinais de prevenção, devendo as manobras destes vei-
culos ser dirigidas por um sinaleiro, que , simultânea­
mente, advertirá o público.

Texto Adaptado; F o n te : Decreto-lei n° 41821 de 11 de Agosto de 1958

Surge uma questão que merece possivelmente considerar-se:

Quando se refere a “...entrada e saídas de cam iões...” está-se a referir entrar e sair de
um estaleiro de obra ou refere-se à zona interna pertencente a todo perímetro de obra
que esteja a realizar-se; e que, esteja toda ela vedada (delimitada)?

Tentando-se dar uma resposta com alguma ponderação, poder-se- á dizer que este Art.
83.° se adequa às duas situações citadas na questão.

80
No entanto em matéria de sinalização para a existência de um único artigo, sobretudo
pertencente a um regulamento de segurança da construção civil, deve dizer-se que fica
aquém do que deveria no mínimo ser descrito.

Assim, resultado de alguma pesquisa irão ser seguidamente criados alguns tópicos,
todos eles relacionados com sinalização; onde em alguns casos, serão dados exemplos
não só do tipo de sinalização existente e sua função, como também se irão apresentar
aplicações de tipos de sinalização consoante o tipo de obra.

7.2. Sinalização temporária de acordo com o Decreto Regulamentar n° 22-


A/98 de 1 de Outubro

Pretende-se com este Decreto Regulamentar, reforçar a pouca relevância que se deu ao
tema da sinalização no Decreto-Lei n°41821; concretamente no Art. 83.°.

Apresentar-se-ão alguns temas constantes no Decreto Regulamentar n° 22-A/98 de 1 de


Outubro os quais, julgam-se que, após serem aqui descritos deixarão mais claro face a
alguns técnicos de segurança, coordenadores de segurança em obra e que tenham pouco
conhecimento acerca do tema, que na realidade, o tema da sinalização tem imensos
aspectos de segurança que devem ser cumpridos.
Neste tópico apresentaremos mais algumas definições acerca do tipo de designações e
num outro tópico posterior a este, voltar-se-á para aspectos de aplicação de variada
sinalização, face a certos tipos de obra rodoviárias.
De frisar que, embora esses casos se relacionem mais para estradas, digamos de
betuminoso, pode-se considerar para vias dentro de cidades, onde predomina a calçada,
com duas faixas de rodagem.

7.2.1. Significado de sinalização de trânsito e tipos de sinais constituintes

A sinalização que diariamente verificamos ao nos deslocarmos numa estrada, auto­


estrada, rua dentro de um centro histórico, tem diferentes funcionalidades, assim como
diferentes formas e aplicação no terreno.

A sinalização de trânsito considera os seguintes tipos de sinais:

> Sinais luminosos;


> Sinalização luminosa;
> Marcas rodoviárias;
> Sinais verticais;
> Sinais dos condutores;
> Sinalização temporária;
> Sinais dos agentes reguladores de trânsito.

81
Vejamos ao abrigo do Decreto Regulamentar n° 22-A/98 de 1 de Outubro o que para
algumas das designações anteriores o seu significado engloba.

Transcrevem-se alguns artigos constantes no Capitulo II Secção I (Disposições Gerais)


os quais se apresentam:

“Artigo 6.°

Sinais verticais

O sistema de sinalização vertical a colocar nas vias


públicas compreende sinais de perigo, sinais de regu­
lamentação, sinais de indicação, sinalização de mensa­
gem variável sinalização turístico-cultural. ”

“Artigo 7.°

Sinais de perigo

Os sinais de perigo indicam a existência ou p o s­


sibilidade de aparecimento de condições particular-
perigosas para o trânsito que imponham especial
atenção e prudência ao condutor.”

“Artigo 8. °
Sinais de regulamentação

Os sinais de regulamentação destinam-se a transmitir


aos utentes obrigações, restrições ou proibições especiais
e subdividem-se em:
a) Sinais de cedência de passagem — informam os
condutores da existência de um cruzamento,
entroncamento, rotunda ou passagem estreita,
onde lhes é imposto um determinado compor­
tamento ou uma especial atenção;
b) Sinais de proibição — transmitem aos utentes
a interdição de determinados comportamentos;
c) Sinais de obrigação — transmitem aos utentes
a imposição de determinados comportamentos;
d) Sinais de prescrição específica — transmitem
aos utentes a imposição ou proibição de deter­
minados comportamentos e abrangem:
1. ° Sinais de selecção de vias;
2. ° Sinais de afectação de vias;
3. ° Sinais de zona.”

Textos Adaptados; Fonte: D e c r e t o R e g u la m e n t a r n ° 2 2 - A / 9 8 d e 1 d e O u t u b r o

82
Não se pretende com a transcrição destes três artigos, mais do que, sensibilizar que a
sinalização constante no Decreto-Lei n° 41821, está muito aquém do que neste foi
mencionado, não só na altura da sua promulgação e que hoje passados 58 anos ainda
vigora, mas, servindo este como regulador de medidas de segurança no trabalho muitos
mais aspectos deveriam ser tidos em conta.

7.3. Sinalização temporária de obras na via pública

É sabido que alguns dos equipamentos nas cidades, vilas e aldeias, de norte a sul de
Portugal foram colocados à inúmeros anos e estas atingiram o seu máximo de vida útil, e
como normal, vão surgindo anomalias.
Existem no entanto dentro da construção civil, actividades onde é mais comum a
ocorrência de anomalias; se considerarmos a gestão das autarquias, quase se poderia
arriscar dizer que um dos sectores que apresenta mais casos é o sector das águas, logo
seguido da reparação das diversas vias rodoviárias, sejam elas de betuminoso ou em
calçada.

Pode-se então fazer uma divisão entre anomalias e distingui-las:

> Anomalias sem impacto para população;


> Anomalias com impacto para população.

Anomalias sem impacto para população

- Podemos englobar neste tipo, a anomalia de pequena intervenção, em que não requer
muito tempo despendido, por parte dos técnicos que efectuam a sua reparação.
Não são necessárias grandes medidas de segurança, não ignorando os principais aspectos
a serem considerados.
Não é necessário aplicar qualquer tipo de sinalização.

Anomalias com impacto para população

Neste tipo de anomalia poderemos considerar, tipos de intervenção, que implicam


transtorno para a rotina diária de pessoas.
Muitas vezes parte de faixas de rodagem colapsam pelas mais variadíssimas formas,
motivadas por roturas de condutas, aterros mal compactados, etc.
Então nestes casos existe a necessidade de se colocar a chamada sinalização temporária,
e ser criado um plano de segurança ajustado a cada caso e que salvaguarde, não só
condutores, mas os peões que sejam afectados directa ou indirectamente.

83
Vejamos o que dizem os Artigos 78.° e 79.° constantes no Capitulo V (Sinalização
temporária), Secção I do Decreto Regulamentar n° 22-A/98 de 1 de Outubro os quais se
passam a apresentar:

“Artigo 78.°

Domínio de aplicação

1 — A s obras e obstáculos ocasionais na via pública


devem ser convenientemente sinalizados, tendo em vista
prevenir os utentes das condições especiais de circulação
impostas na zona regulada pela sinalização temporária
2 — A sinalização temporária deve ser retirada ime-
diatament após a conclusão da obra ou a remoção do
obstáculo ocasional, restituindo-se a via às normais com-
dições de circulação. ”

“Artigo 79.°

Projecto de sinalização temporária

1 — Sempre que a duração prevista das obras seja


superior a 30 dias ou, independentemente da duração,
a respectiva natureza e extensão o justifiquem, deve ser
elaborado projecto da sinalização temporária a implem­
entar na via.
2 — O projecto referido no número anterior é dis
pensado se a situação a sinalizar estiver prevista em
manual de sinalização aprovado pela entidade compe­
tente para a sinalização da via em causa.
3 — Sempre que o entenda necessário, face à loca­
lização extensão ou natureza das obras, a Direcção-
-Geral de Viação pode solicitar às entidades compe­
tentes que lhe seja remetido o projecto de sinalização
temporária ou, se fo r o caso, o manual de sinalização
previsto no n.o 2. ”

Texto Adaptado; Fonte: D e c r e t o R e g u l a m e n t a r n ° 2 2 - A / 9 8 d e 1 d e O u tu b r o

Após a exposição dos dois artigos, julga-se que face ao existente no DL n°41821; pode-
se dizer que a informação retirada no Art.° 78.° e 79.° do Decreto Regulamentar nos “leva”
para outra noção de sinalização ainda que mínima que deve existir em obras de construção
civil.

84
7.3.1. Noção de princípios e objectivos em sinalização temporária

A aplicação de sinalização temporária não se faz, meramente porque “alguém” criou um


conjunto de artigos constantes no Decreto Regulamentar e que indicam que se tenham de
aplicar porque consta na lei.
Mais do que estarem contemplados e regulados por legislação, convém evidenciar quais
os seus objectivos de aplicabilidade e quais os princípios.

Em termos de objectivo principal:

> Salvaguardar a segurança dos utentes e trabalhadores quando ocorram


anomalias, quer nas estradas, quer em ruas dentro de cidades, vilas e/ou
aldeias.

Já na questão de princípios que a sinalização temporária deve respeitar e ter em


consideração, a antiga JA E1 no seu Manual de Sinalização Temporária apresenta os
seguintes princípios:

> Adaptação
> Coerência
> Valorização
> Leitura e concentração

Descreve-se então o que cada um destes princípios deve ter em conta:

Princípio da adaptação quanto a:

Características da estrada

> Duas, três ou mais vias;


> Com/sem vias de lentos;
> Largura da plataforma;
> Tipo de pavimento;
> Traçado

Natureza e duração da anomalia

> Se a ocorrência é prevista ou inesperada;


> Se a zona de trabalhos é fixa ou móvel (lenta)

J u n ta Autónoma de Estradas actual Infraestruturas de Portugal.

85
A importância

> Importância do trabalho;


> Os meios envolvidos para realização dos trabalhos

A visibilidade

> Se é durante o dia ou noite;


> Se é durante época de chuvas;
> Se é em zona de nevoeiros;

O tráfego

> Controlar a velocidade de circulação na zona de intervenção;


> O volume de tráfego;
> O tipo de tráfego (Ligeiro/Pesado);

A localização

> Zonas rurais ou dentro de localidades;


> Interligação com outras estradas.

Princípio da coerência

> Verificar se a sinalização permanente não contradiz com a sinalização


temporária.

Princípio da valorização

> Verificar se a sinalização existente é credível;


> Verificar se a sinalização se justifica.

Princípio da leitura e concentração

> Verificar se a sinalização é de fácil leitura;


> Verificar se a sinalização existente, não está demasiado concentrada.

Considere-se a ocorrência de uma anomalia numa estrada onde circulem condutores (as)
e peões dentro de uma povoação e o que nos diz o Decreto Regulamentar n.° 33/88 de 12
de Setembro no seu Capitulo IV (Casos especiais), constantes no Art.° 21.° e 23.°.

86
“Artigo 21.°

Circulação de peões

Sempre que exista um obstáculo ocasional ou uma zona de obras que pela
sua natureza possa condicionar o trânsito de peões, deve existir e ser
devidamente sinalizado, através do sinal C T 3, um caminho obrigatório para
peões, cuja largura mínima corresponderá a 0,65 m para cada 30 peões por
minuto. ”

“Artigo 23.°

Paragem e estacionamento

1 - É proibida a paragem e o estacionamento de veículos na zona regulada


pela sinalização de carácter temporário.
2 - Em casos de paragem forçada o veículo deve ser removido o mais
rapidamente possível. Sempre que tal não se verifique, a entidade gestora da
via ou aquela em que esta delegar competência para o efeito promoverá a
remoção do veículo para local adequado.
São da responsabilidade do proprietário do veículo todas as despesas com
vista à remoção, sem prejuízo das sanções legais aplicáveis. ...”

Textos Adaptados; Fonte: Decreto Regulamentar n.° 33/88 de 12 de Setembro

Julga-se que em termos da noção de princípios e objectivos inerentes a sinalização


temporária, a informação apresentada comparativamente ao que consta no DL n° 41821,
em matéria de sinalização em nada se compara.

7.4. Método de implantação relativa a sinalização temporária

Tal como em qualquer outro tipo de actividade, em que se tem de cumprir com “regras” ;
na aplicação de sinalização temporária, igualmente se devem cumprir um conjunto de
procedimentos.

Uma das formas como se deve proceder à colocação da sinalização passar-se-á a


descrever tendo como base de informação, a obtida pela JAE no seu manual de sinalização
temporária.

Apresenta-se então a sequência que deve ser respeitada e complementa-se com uma
imagem para melhor compreensão.

87
Sinalização de aproximação: colocada antes do obstáculo é constituída por:

• Pré-sinalização: A sua função é alertar com bastante antecedência os condutores


que se estão a aproximar de uma zona de perigo.

• Sinalização avançada e intermédia: Utilizam-se sinais de perigo e proibição, tem


como intuito fazer com que os condutores redobrem a sua atenção e
fundamentalmente reduzam a sua velocidade.

• Sinalização de posição: Têm como finalidade fornecer segurança na área


interdita seja ela para realização de trabalhos de manutenção, reparação ou de
prestação de assistência em caso de emergência.

Esta sinalização permite delimitar uma zona de obras ou obstáculos existentes.

• Sinalização final: Serve para informar os condutores (as) que a zona de restrição
terminou e que a partir desse dado local a circulação passa a decorrer com
normalidade.

Apresenta-se uma figura que ilustra a sequência que se descreveu:

88
Imagem 22: Disposição de sinalização temporária

Fonte; JAE, Manual de Sinalização Temporária; Tomo II

7.5. Circulação alternada, face a implementação de sinalização temporária

Inúmeras vezes ocorrem imprevistos dos mais variadíssimos tipos, sejam para se efectuar
uma reparação, para dar assistência face a um possível acidente ocorrido, e que bloqueia
parte de uma das faixas de rodagem.

No entanto para se efectuar a delimitação dessa zona, esta deve ser efectuada não só
cumprindo uma sequência de passos, mas sobretudo por pessoas com formação para este
tipo de tarefas.

89
2Apresentam-se as diferentes fases de im plem entação de sinalização:

1a Fase: Efectua-se a colocação da sinalização no sentido prioritário à circulação do


trânsito com sinalização de informação e final, veja-se:

Imagem23: F Fase de implementação de sinalização

Zona a ser
intervencionada
Fonte; JAE, Manual de Sinalização Temporária; Tomo II

2a Fase: Na zona assinalada pelo rectângulo cinzento, que corresponde à faixa de rodagem
onde se procederá à intervenção é colocada igual sinalização à da P fase com execpção
para a sinalização de posição.

Imagem 24: 2a Fase de implementação de sinalização

Fonte; JAE, Manual de Sinalização Temporária; Tomo II

2 Manual de sinalização temporária-Tomo II (JAE)

90
3a Fase: Seguidamente procede-se a colocação em funcionamento de sinalização
luminosa ou através de raquetes de sinalização, repondo a normal circulação de trânsito
na zona afectada. Após este procedimento coloca-se então a sinalização de posição, como
pode ver-se na imagem.

Imagem 25: 3a Fase de implementação de sinalização

Fonte; JAE, Manual de Sinalização Temporária; Tomo II

7.5.1. Tipo de sinalização para trabalhos fixos

Já se falou acerca de alguns tipos de anomalias existentes, apresenta-se agora uma outra
situação ocorrente nas vias rodoviárias as quais podemos considera-los como trabalhos
fixos, devido ao tipo e grau de complexidade da intervenção a ser efectuada na zona
afectada, leva a que, os trabalhos tenham de estar médio a longo período de tempo com
sinalização adequada.

Relembra-se que se está meramente a tentar dar um contributo positivo e construtivo face
ao que foi exposto no Decreto-Lei n° 41821, Titulo V, Capitulo IV, Secção I
(Sinalização), no seu Art.83.°; o qual estando em vigor, e servindo como regulamento de
segurança no trabalho da construção civil, julga-se que muita pouca importância foi dada
ao tema.

No entanto como é costume ouvir dizer-se:

“Tudo tem uma explicação umas demoram é mais tempo a dar.”

Neste caso se tentarmos retroceder para 58 anos atrás, quando foi elaborado o Decreto-
Lei n° 41821 e verificarmos o contexto político antes do 25 de Abril podemos colocar
uma questão bastante simples:

91
-Quem na nossa rua em 1958 tinha um carro estacionado à porta?

Passando para o assunto em concreto relativo aos trabalhos fixos começaremos por
descrever alguns tipos de imagens que se irão apresentar tentando apresentar os casos que
apresentam mais complexidade.

3Apresenta-se a descrição dos diferentes tipos de trabalhos fixos:

• Sinalização para trabalhos exteriores à plataforma;


• Sinalização de trabalhos na berma;
• Sinalização para trabalhos na via, com estreitamento forte das vias;
• Sinalização devido a trabalhos na totalidade da via, circulação alternada
por sinalização luminosa;

Veja-se as imagens demonstrativas a partir da página seguinte para melhor


compreensão.

3 Manual de sinalização temporária; JAE

92
Sinalização para trabalhos exteriores à plataforma

Imagem26: Trabalhos exteriores à plataforma

Fonte; JAE, Manual de Sinalização Temporária; Tomo II

93
Sinalização para trabalhos nas bermas

Imagem27: Sinalização para trabalhos nas bermas

Fonte; JAE, Manual de Sinalização Temporária; Tomo II

94
Sinalização para trabalhos na via, com estreitamento forte das vias

Imagem 28: Sinalização para situações de estreitamento forte da via

Fonte; JAE, Manual de Sinalização Temporária; Tomo II

95
Sinalização devido a trabalhos na totalidade da via, circulação alternada por
sinalização luminosa
Imagem 29: Sinalização luminosa para circulação alternada

Fonte; JAE, Manual de Sinalização Temporária; Tomo II

96
D a n d o c o n tin u id a d e a o te m a d a s in a liz a ç ã o , e a d m itin d o q u e m u ito m a is e x is te p a r a
r e f o r ç a r e s te te m a ; n a g e n e r a lid a d e c r ê - s e q u e se c o n s e g u iu d e m o n s tr a r q u e é u m a s s u n to
m e r e c e d o r d e r e f le x ã o n u m a f u tu r a a lte ra ç ã o .

N o s a n e x o s f in a is d e s ig n a d o s d is p o n ib iliz a m - s e m a is a lg u n s tip o s d e s in a liz a ç ã o q u e


ju lg a m o s s e r im p o r ta n te té c n ic o s d e s e g u ra n ç a , té c n ic o s s u p e r io r e s d e s e g u ra n ç a ,
c o o r d e n a d o r e s d e s e g u r a n ç a e m o b ra , d ir e c to r e s d e o b ra , e n c a r r e g a d o s d e o b r a e d e m a is
té c n ic o s to m a r e m c o n h e c im e n to c o m o se d e v e p r o c e d e r c a s o a c a so , s a lv a g u a r d a n d o o s
tr a b a lh a d o r e s e x p o s to s .

7.6. Reflexão final relativa a sinalização constante no DL n° 41821 e


restante legislação complementar

T e n ta n d o e f e c tu a r u m a b r e v e a b o r d a g e m fin a l s o b re o c a p ítu lo r e la tiv o à le g is la ç ã o d e


s in a liz a ç ã o ; c o n c r e ta m e n te à s m e d id a s de s e g u r a n ç a n o tra b a lh o , que devem se r
c u m p r id a s d e a c o r d o c o m a le g is la ç ã o , ju lg a - s e p o d e r c h e g a r a d u a s o p in iõ e s d ife re n te s ,
te n d o e m c o n ta o q u e fo i d e m o n s tr a d o , n ã o só d o q u e c o n s ta n o D e c r e to - L e i n° 4 1 8 2 1 d e
11 d e A g o s to d e 1 9 5 8 c o m o ta m b é m n o D e c r e to R e g u la m e n ta r n° 2 2 - A /9 8 d e 1 d e
O u tu b ro .
A p r im e ir a o p in iã o é a d e q u e r e la tiv a m e n te a o D e c r e to - L e i n° 4 1 8 2 1 d e 11 d e A g o s to d e
1 9 5 8 , q u e f u n c io n a c o m o R e g u la m e n to d e S e g u r a n ç a n o T r a b a lh o d a C o n s tr u ç ã o C iv il o
m e s m o d e m o n s tr a t e r c la r a n e c e s s id a d e d e s e r r e v is to e a lte ra d o , p o d e n d o c o m p r e e n d e r-
se e m p a r te o p o r q u e d a s la c u n a s e x is te n te s n o m e s m o , p o is o m e s m o d a ta d e 1 9 5 8 , e a
s o c ie d a d e d e e n tã o e m n a d a se c o m p a r a v a à a c tu a l, p o r e s te fa c to j u l g a - s e c o m p r e e n s iv o
o le g is la d o r à a ltu r a n ã o t e r d a d o m u ita im p o r tâ n c ia a e s te te m a , in c lu in d o n o re g u la m e n to
u m ú n ic o a rtig o .
P o r s e u la d o a s e g u n d a o p in iã o r e la tiv a a o D e c r e to R e g u la m e n ta r n° 2 2 - A /9 8 , e s te j á v a i
d e e n c o n tr o a o q u e d e v e s e r e f e c tu a d o c o m o m e d id a s d e s e g u r a n ç a n a s in a liz a ç ã o ,
p o d e n d o e s te e m a lg u n s a r tig o s ta m b é m s e r s u s c e tív e l d e r e fle x ã o .
N o e n ta n to c o n tin u a a v e r if ic a r - s e q u e e m c o n te x to d e o b ra , p a r a o s d e m a is té c n ic o s
e n v o lv id o s , a in f o r m a ç ã o r e la tiv a à le g is la ç ã o c o n tin u a m u ito d is p e rs a , le v a n d o m u ita s
v e z e s a q u e a f o r m a c o m o c e r ta in f o r m a ç ã o e s tá d is p o n ív e l o s té c n ic o s v in d o s d e á re a s
d if e r e n te s d a d e d ir e ito te n h a m m a is d if ic u ld a d e s n a s u a p e s q u is a , e p o s te r io r a p lic a ç ã o .
L o g o e m m u ito s d o s c a s o s j u l g a - s e q u e a n ã o c o r r e c ta a p lic a ç ã o d e c e rta s m e d id a s se
d e v e p o r f a lta d e c o n c e n tr a ç ã o in f o r m a tiv a d a le g is la ç ã o r e la c io n a d a à c o n s tr u ç ã o c iv il.

97
Capitulo 8
8. Conclusão e comentário final

O p r e s e n te tr a b a lh o , s o b r e o te m a , A n á lis e C r itic a d a L e g is la ç ã o d e S e g u r a n ç a e S a ú d e
n a C o n s tr u ç ã o e m P o r tu g a l, p e r m itiu a o lo n g o d o se u d e s e n v o lv im e n to , v e r if ic a r q u e
a in d a e x is te im e n s o a s e r e f e c tu a d o a v á r io s n ív e is ; p o r u m la d o , n o s e c to r d a c o n s tr u ç ã o
c iv il, p o r o u tro , e m te r m o s d e t u d o o q u e p o s s a e s ta r in te r lig a d o e m m a té r ia d e s e g u ra n ç a
e s a ú d e n o tra b a lh o .
T e n to u - s e d a r e n f o q u e d a le g is la ç ã o c o n s u lta d a , a o s a r tig o s q u e se ju lg a m s u s c ita r
in ú m e r a s d ú v id a s d e in te r p r e ta ç ã o ; p o is , ta l c o m o m e n c io n a d o n o in ic io d e s te tra b a lh o ,
fo i r e f e r id o q u e , n u m f u tu r o p r ó x im o a le g is la ç ã o d e v e r á s e r re p e n s a d a , r e la tiv a m e n te à
f o r m a c o m o e s ta é re d ig id a .
P o is c o n s ta to u - s e a tr a v é s d a c o n s u lta d e in ú m e r o s a rtig o s q u e , e s te s , e m v e z d e d e ix a r e m
p o s s ív e is d ú v id a s c la r if ic a d a s , le v a v a m e x a c ta m e n te a o c o n trá rio .
T a l f a c to l e v a in ú m e r a s v e z e s a c o lo c a r o b e n e f íc io d a d ú v id a , q u a n to à f o r m a c o m o a
le g is la ç ã o é c ria d a , le v a n d o m e s m o a p e n s a r q u e e s ta , é e la b o r a d a c o m in tu ito d e s e rv ir
d e te r m in a d o s g r u p o s s e c to r ia is in s ta la d o s n a s o c ie d a d e .
S e a o n ív e l le g is la tiv o o q u e e x is te d e m o n s tr a q u e e s tá d e s e n q u a d r a d a e a lg o o b s o le ta ; o
m e s m o n ã o se d e v e r ia p a s s a r , e m r e la ç ã o a u m a d a s e n tid a d e s d e a b r a n g ê n c ia g lo b a l,
n e s te c a s o a O IT , q u e e m r e la ç ã o a o c o n te ú d o d is p o n ív e l s o b re o s e c to r d a c o n s tr u ç ã o
c iv il d e m o n s tr a e s ta r m u ito a q u é m d a q u ilo q u e s u p o s ta m e n te ta l ó r g ã o d e v e r ia d a r e m
te r m o s d e r e le v â n c ia , q u e é o s e c to r d a c o n s tr u ç ã o c iv il.
A p ó s le itu r a d o d o c u m e n to , q u e s e r v iu d e c o m p a r a ç ã o c o m a le g is la ç ã o n a c io n a l
a n a lis a d a , a m e s m a , le v a n to u d ú v id a s q u a n to à im p o r tâ n c ia q u e e s ta o r g a n iz a ç ã o d á a o
s e c to r d a c o n s tr u ç ã o c iv il; n o m e a d a m e n te a o s n ú m e r o s e le v a d o s , d e a c id e n te s d e tr a b a lh o
n e s te s e c to r.
P o r f o r m a a te n ta r “ r e f o r ç a r ” q u e é n e c e s s á r io o D e c r e to - le i n° 4 1 8 2 1 s e r a lte r a d o e
a d a p ta d o , p r e te n d e u - s e d e m o n s tr a r q u a is o s tip o s d e e q u ip a m e n to s q u e a c tu a lm e n te se
u tiliz a m n o m e r c a d o , e p r o d u z id o s d e a c o rd o c o m n o r m a s r e g u la m e n ta re s e u ro p e ia s n o
q u e c o n c e r n e à s u a f a b r ic a ç ã o , e q u e , c o m p a r a tiv a m e n te a o q u e é in d ic a d o n o d e c re to
a n te r io r m e n te m e n c io n a d o e m n a d a se a s s e m e lh a m q u e r e m te r m o s d e r e s is tê n c ia d o s
m a te r ia is q u e r a o n ív e l d e s e g u r a n ç a p a r a o s o p e r á r io s q u e n e s te s e q u ip a m e n to s o p e re m
n a s s u a s ta r e f a s d iá ria s .
F ic o u d e m o n s tr a d o q u e e x is tin d o fu tu r a m e n te , u m a r e f o r m u la ç ã o d o q u e e x is te e m
te r m o s de le g is la ç ã o em P o r tu g a l, na qual as p r in c ip a is e n tid a d e s c o la b o re m
c o n ju n ta m e n te , n o s e n tid o d e “ d a r ” f e r r a m e n ta s d e tr a b a lh o q u e se a d e q u e m à r e a lid a d e
d o q u e se p a s s a n o m e r c a d o d e tr a b a lh o d iá rio , e n tã o n e s s a a ltu r a c e rta m e n te se
c o m e ç a r ã o a v e r b a i x a r o s e le v a d o s n ú m e r o s d e a c id e n te s d e tr a b a lh o n a c o n s tr u ç ã o c iv il
e m P o r tu g a l, e a s s im , ta m b é m d e m o n s tr a r p e r a n te o s o u tro s p a ís e s e u r o p e u s q u e a lg o se
fa z n a d e f e s a d o s d ir e ito s d o s tr a b a lh a d o r e s .
S e o lh a r m o s b e m , p a r a a s p e r c e n ta g e n s q u e f o ra m a p re s e n ta d a s , n o s e c to r d a c o n s tr u ç ã o
c iv il, c o m p a r a tiv a m e n te a q u a lq u e r o u tr a a c tiv id a d e , ig u a lm e n te se v e r if ic a q u e o p a ís

98
n e c e s s ita d e f a z e r u m a c la r a a p o s ta n a f o r m a ç ã o d e q u a d r o s s u p e r io r e s n a á r e a d e
s e g u r a n ç a e s a ú d e n o tr a b a lh o .
P o r fim , j u l g a - s e q u e e x is te a n e c e s s id a d e p e r a n te a s e n tid a d e s p a tr o n a is d e a s te n ta r
s e n s ib iliz a r p a r a q u e d e ix e m d e “ v e r ” o s té c n ic o s s u p e rio re s d e s e g u r a n ç a c o m o q u e m
e s tá p a r a a tr a p a lh a r, q u a n d o n a r e a lid a d e a s u a e x is tê n c ia é e v ita r q u e d e te r m in a d a s
s itu a ç õ e s v e n h a m a o c o r r e r e e s ta s p o s s a m t e r r e p e r c u s s õ e s tr á g ic a s , q u e r p a r a o la d o d a
e n tid a d e la b o r a l q u e r p a r a o la d o d o o p e rá rio .

8.1. Linhas futuras de estudo

A r e a liz a ç ã o d o r e s p e c tiv o tr a b a lh o , p a r a a lé m d e te r - s e d e b r u ç a d o p e la a n á lis e d e


le g is la ç ã o a f e c ta a o s e c to r d a c o n s tr u ç ã o c iv il, n ã o ig n o r o u a lg u n s a s p e c to s q u e n u m a
f u tu r a c o n tin u id a d e d e s te tr a b a lh o p o d e r ia m s e r a lv o d e e s tu d o .
V e r if ic o u - s e q u e e m p r a tic a m e n te to d a a le g is la ç ã o n ã o é d a d a e m m a té r ia d e s e g u ra n ç a
m u ita im p o r tâ n c ia a o e q u ip a m e n to u tiliz a d o , s o b re tu d o à e m is s ã o d e v ib r a ç õ e s q u a n d o
e s ta s e s tã o a o p e ra r.
A c tu a lm e n te v e m o s q u e a r e a b ilita ç ã o d o te c id o u r b a n o , o n d e se in c lu í h a b ita ç ã o , v ia s
ro d o v iá r ia s , e s p a ç o s v e r d e s u m p o u c o p o r to d o p a ís , é u m a r e a lid a d e ; n o e n ta n to o s
e q u ip a m e n to s q u e o p e r a m p a r a d e m o lir, e s c a v a r e c o m p a c ta r e n tre o u tr a s ta r e f a s e m ite m
c o m o r e f e r id o a trá s , d if e r e n te s tip o s d e v ib r a ç õ e s , e q u e p o d e m p r o v o c a r a n o m a lia s n a s
h a b ita ç õ e s a d ja c e n te s ; c o m o s e ja o a p a r e c e r d e f is s u r a s n a s p a re d e s ; p o d e n d o e m c a s o s
e x tr e m o s a f e c ta r a p a r te e s tr u tu r a l d e h a b ita ç õ e s .
A s b o a s p r á tic a s c o n s tr u tiv a s in d ic a m q u e a n te s d o in íc io d e o b ra s d e v e m s e r e fe c tu a d o s
le v a n ta m e n to s , à s a n o m a lia s e x is te n te s e se f o r p o s s ív e l, n a s a u ta r q u ia s f a z e r - s e u m
le v a n ta m e n to d o tip o c o n s tr u tiv o e a d a ta d e s s a s m e s m a s c o n s tru ç õ e s .
C o lo c a n d o - s e e s ta s itu a ç ã o c o m o p o s s ív e l; e te n d o - s e in f o r m a ç ã o d a p a rte d o c o n s tr u to r
d o s e q u ip a m e n to s , d e v e r ia s e r r e a liz a d o u m e s tu d o q u e r e la c io n a -s e fa c e a o tip o
c o n s tru tiv o , que tip o de e q u ip a m e n to d e v e r ia ser u tiliz a d o , d a n d o -se p a r tic u la r
im p o r tâ n c ia à s v ib r a ç õ e s m á x im a s q u e e s s e s m e s m o s e q u ip a m e n to s p o d e m e m itir se m
q u e p ro v o q u e m danos.
I g u a lm e n te n e s s e p o s s ív e l e s tu d o , p o d e r ia ta m b é m e fe c tu a r- s e u m a r e la ç ã o d o s e fe ito s
p s ic o s s o c ia is , q u e a r e a liz a ç ã o d e o b ra s p r o v o c a m , n o s p r o p r ie tá r io s d e h a b ita ç õ e s
a fe c ta d a s .

99
9. Bibliografia

D e c r e to - L e i n° 4 1 8 2 1 d e 11 d e A g o s to d e 1 9 5 8 d e f in id o c o m o , R e g u la m e n to d a
S e g u r a n ç a n o T r a b a lh o d a C o n s tr u ç ã o C iv il

N o r m a E N 1 2 8 1 0 -1

N o r m a E N 1 2 8 1 1 -1

A b e l P in to ; M a n u a l d e S e g u ra n ç a ;
C o n s tr u ç ã o , C o n s e r v a ç ã o e R e s ta u r o d e E d if íc io s ; 4 a E d iç ã o

L u ís C o n c e iç ã o F r e ita s
S e g u r a n ç a e s a ú d e d o T r a b a lh o ; 2a E d iç ã o
Guia Prático 28, ACT, Construção Execução de Valas e Escavações

D ir e c tiv a 2 0 0 1 /4 5 /C E

D L n .° 5 5 5 /9 9 , d e 16 d e D e z e m b r o ( v e r s ã o a c tu a liz a d a ) ; R e g im e J u r íd ic o d a
U r b a n iz a ç ã o e E d if ic a ç ã o

D L n .° 3 0 7 /2 0 0 9 , d e 2 3 d e O u tu b ro
R e g im e J u r íd ic o d a R e a b ilita ç ã o U r b a n a

M a n u a l s in a liz a ç ã o te m p o r á r ia ; J A E 1 9 9 7

D e c r e to R e g u la m e n ta r n .° 2 2 - A /9 8 d e 1 d e O u tu b r o

D L n .° 2 7 3 /2 0 0 3 , d e 2 9 d e O u tu b r o ( v e r s ã o a c tu a liz a d a ) ; C o n d iç õ e s d e s e g u r a n ç a e d e
s a ú d e n o tr a b a lh o e m e s ta le ir o s te m p o r á r io s o u m ó v e is

F o n te s M a c h a d o , L u ís : M a n u a l d e S e g u r a n ç a n o E s ta le ir o , I D I C T /A E C O P S , L is b o a 1 9 9 6

A lv e s D ia s , L u ís e F o n s e c a , M a n u e l: P la n o d e S e g u r a n ç a e S a ú d e n a C o n s tr u ç ã o ,
I D I C T /I S T , L is b o a , 1 9 9 6

C a b ra l, F e r n a n d o e R o x o , M a n u e l: S e g u ra n ç a e S a ú d e n o T r a b a lh o d a C o n s tr u ç ã o - O s
N o v o s I n s tr u m e n to s d e P r e v e n ç ã o , ID IC T , L is b o a , 1 9 9 6

O r d e m d o s E n g e n h e ir o s T é c n ic o s
h ttp s ://w w w .o e t.p t/p o r ta l/in d e x .p h p /a to s - d e - e n g e n h a r ia

100
Webgrafia

Site da OIT (Lisboa)

http://www.iIo.org/pubIic/portugue/region/eurpro/Iisbon/pdf/pub segsaude.pdf

L a p r e v e n c ió n d e a c c id e n te s e n la in d u s tr ia d e la c o n s tr u c c ió n : s e g u n d o p u n to d el
o r d e n d e l d ia , e x tr a c to s

Andamios de cremallera

http://www.lineaprevencion.com/uploads/documentotecnico/applications/ficha07.pdf

Andamios tubulares

http://www.lineaprevencion.com/uploads/documentotecnico/applications/ficha09.pdf

Decreto-Lei n° 82/99 de 16 de Março, prescrições mínimas de segurança e de saúde para a


utilização pelos trabalhadores de equipamentos de trabalho.

http://www.oasrn.org/upIoad/apoio/IegisIacao/pdf/industria8299.pdf

Decreto-Lei n.° 50/2005 de 25 de Fevereiro, prescrições mínimas de segurança e de saúde para a


utilização pelos trabalhadores de equipamentos de trabalho.

http://www.oern.pt/documentos/legislacao/d dl dr/DL50 2005.pdf

E N 1 2 8 1 0 -1 D ic ie m b r e 2 0 0 3

http://www.burtonsa.com/archivos/UNE-EN%2012810-1.pdf

A c id e n te s T r a b a lh o G a b in e te d e E s tr a té g ia e E s tu d o s M in is té r io d a E c o n o m ia

f ile :///C :/U s e r s /M a n u e l/D o w n lo a d s /d 0 2 2 1 9 2 .p d f

I n s titu to N a c io n a I d e E s ta tís tic a

h ttp s ://w w w .in e .p t/x p o r ta I /x m a in 2 x p g id M n e m a in & x p id = I N E & x I a n g = p t

http://www.pgdIisboa.pt/Ieis/Iei mostra articuIado.php?nid=844&tabeIa=Ieis

L e i n .° 1 0 7 /2 0 0 1 , d e 0 8 d e S e te m b ro

LEI DE BASES DO PATRIM ÓNIO CULTURAL

IM T T
http://www.imtt.pt/sites/IMTT/Portugues/InfraestruturasRodoviarias/InovacaoNormaIizacao/Di
DivuIg%20Tcnica/ManuaI+sobre+Aspectos+Seguran%C3%A7a+AAFR-SEC.pdf

ManuaI de sinaIização temporária JAE 1997

http://www.afesp.pt/admin/ficheiros/ManuaI%20de%20SinaIizacao%20Temporaria%20JAE%2
20199%20-%20Tomo%20II%20-%20Estrad.pdf

101
9. A nexos

DESCRIÇÃO
DO SISTEMA

21 cu
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03

04

2k

06
1?

a a ra p d to d e locxi 08 a JCJ *J " m dt> açapO o


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a ra is 00 çyafrpo d e ar - g r a t a o
iudo ao :p o c a aarrxta 10 j a r d a o a s b c d e tap o
gjunsa oo^tc 11 ':■ !» v do k n a
‘□ d x ú trxita 12 1axna
TrtdLftyquacto 13 trafTc
tusoto^AM* 14 a j J »J ~iB m e tífc a

Imagem; Fonte: http://www.catari.pt/pt/empresa.html?tab=0

102
A n d a im e d e m a d e ir a s e g u n d o D e c r e to - L e i n° 4 1 8 2 1

Imagem; Fonte: Decreto-Lei n° 41821

103
O b r a d e r e a b ilita ç ã o n a U n iv e r s id a d e d e C o im b r a

Imagem; Fonte: http ://www. catan.pt/pt/empresa.html?tab=0

104
Cimento Expansivo
R o tu r a L o n g itu d in a l
L -1 < L - 2
L - 1 = 0 ,5 m

Fonte: Trabalho Cadeira Processos de Construção ESTIG/ EngaCivil

R o tu r a e m q u a d r a d o

L -1 = L - 2
L - 1 = 0 ,5 m

Fonte: Trabalho Cadeira Processos de Construção ESTIG/ EngaCivil

105
R o tu r a e m L o s a n g o

L - 1< L - 2

L - 1 = 0,5

Fonte: Trabalho Cadeira Processos de Construção ESTIG/ Eng Civil

106
TRABALHOS FIXOS 1x2+VL
Trabalhos na via de lentos com estreitamento forte
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i 1 BT 12 _____ y

* Espaçados 10 rn «oa m !

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1
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1
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Fonte; JAE, Manual de Sinalização Temporária; Tomo II

107
TRABALHOS FIXOS
Trabalhos na totalidade da via direita
com estreitamento das restantes vias

ln LV - ITV 1
e t i±:
V"-I

IQQm
EapúttoiuS 10m

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■ Púlu LUPi
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SiruLZdÇAQdvdnSKld, :_:ii - i : j : h j í : í _ih v

ri iir7ir«--^--«.

F o n te ; J A E , M a n u a l d e S i n a li z a ç ã o T e m p o r á r i a ; T o m o I I

108
TRABALHOS FIXOS 1x2
1x4 F 24
Trabalhos em rotundas - Coroa interior

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hspaçactos tm

^ Ver esquema F 201

Fonte; JAE, Manual de Sinalização Temporária; Tomo II

109
1x2
TRABALHOS FIXOS 1x4 F 25
Trabalhos em rotundas - Coroa exterior sem ocupação
da via de entrada ou de saída

■m

v. r E . errui

Fonte; JAE, Manual de Sinalização Temporária; Tomo II

110
111
112