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Tratados Internacionais

Aula II
TRATADOS INTERNACIONAIS
Os tratados são considerados na atual
comunidade internacional a fonte mais
importante do Direito Internacional:

– devido à sua multiplicidade


– Por regulamentarem os assuntos mais
importantes
– É elaborado de uma forma democrática pela
participação direta dos Estados.
Artigo 2º da
Convenção de Havana:
• “É condição essencial nos tratados a forma
escrita. A confirmação, prorrogação, renovação
ou recondução serão igualmente feitas por
escrito, salvo estipulação em contrario.”

• A Convenção de Havana, ainda vige e aplica-se no que


não contrariar os preceitos da Convenção de Viena.

• É restrita aos países signatários: Brasil, Equador, Haiti,


Honduras, Nicarágua, Panamá, Peru e República
Dominicana.
TERMOS UTILIZADOS
• TRATADO -utilizado para acordos
solenes, matéria política;
• CONVENÇÃO- cria normas gerais e na
maioria das vezes, são tratados
multilaterais, matéria técnica;
• DECLARAÇÃO - acordos que criam
princípios jurídicos ou que denominam
uma atitude política;
• ESTATUTO - estabelece normas para os
tribunais internacionais, usualmente
empregados para os tratados coletivos;

• PROTOCOLO - pode ser a ata de uma


conferência ou um tratado que cria
normas jurídicas;
• ACORDO- possui cunho econômico,
financeiro, comercial e cultural;

• CONCORDATA -ato celebrado pela


Santa Sé sobre assuntos religiosos;

• CARTA - estabelece direitos e deveres.


Quanto a Terceiros
• Outra característica importante dos tratados é
que estes não criam obrigações nem direitos
para um terceiro Estado sem o seu
consentimento, em virtude do preceito “pacta
tertiis nec nocent nec proscent” (“os tratados
não beneficiam nem prejudicam terceiros”); ou
seja, os tratados só produzem efeitos para as
partes contratantes. Contudo, pode ocorrer que
os Estados contratantes dêem privilégios,
benefícios e direitos a terceiros.
Composição de Tratado
• preâmbulo- é composto pelas finalidades
do tratado e a enumeração das partes
contratantes;

• parte dispositiva contém os artigos e os


direitos e deveres das partes contratantes.
Fases de adoção de um
Tratado
• a negociação;
• a assinatura;
• a ratificação;
• a adesão;
• a aceitação;
• a promulgação;
• a publicação;
• registro.
NEGOCIAÇÃO

• Essa fase é de competência do Poder


Executivo do Estado, mais precisamente e
genérica do chefe de Estado.

• Esta fase tem o seu fim com a elaboração


escrita de um texto, que é o tratado.
ASSINATURA
• É importante por vários motivos:

– Aceitação do texto do tratado;


– os dispositivos referentes ao prazo para a troca ou o
depósito dos instrumentos de ratificação e a adesão
são aplicados a partir da assinatura;
– a assinatura pode ter valor político;
RATIFICAÇÃO

• Consiste no ato do chefe de Estado que


declara internacionalmente a aceitação do
que foi convencionado pelo agente
signatário.
ADESÃO E A ACEITAÇÃO

• São utilizadas quando países que não


firmaram o tratado pela ratificação, pois
não eram partes contratantes naquele
momento, resolvem fazer parte dela
posteriormente.
PROMULGAÇÃO

• Ocorre quando um Estado reconhece


internamente a existência de um tratado
por ele celebrado.

• No Brasil, a promulgação é feita pelo


Presidente da República através do Diário
Oficial.
PUBLICAÇÃO

• É a condição para que o tratado seja


aplicado no âmbito interno do Estado.
REGISTRO
• Diz respeito ao depositário que tem
como função registrar o tratado no
Secretariado da ONU; isto é, de
forma mais simples, o registro é a
publicidade no Direito Internacional.
Interpretação dos Tratados

Nos artigos 31 a 33 das Convenções de Viena de 1969 e 1986


estão estipulados como devem ser interpretados os tratados. Dentre
os aspectos mais importantes da interpretação dos tratados estão:

• “1 – Deve ser interpretado com boa-fé de acordo com o sentido


comum a ser dado aos termos do tratado no seu contexto e à luz do
seu objeto e propósito;

• 2 – Deve-se levar em consideração o preâmbulo, anexos, um


tratado feito por todos os contratantes conexo com o tratado a ser
interpretado e qualquer instrumento elaborado por um ou mais
contratantes e aceito pelas outras partes como um instrumento
relativo ao tratado;
Continuação - Interpretação
3 – Deve-se levar ainda em consideração:

– a) qualquer acordo entre as partes relativo à


interpretação;
– b) a prática na aplicação dos tratados que
estabelece o acordo das partes a respeito da
interpretação;
– c) qualquer norma relevante do Direito
Internacional aplicável nas relações entre as
partes;
Continuação - Interpretação

• 4 – Um sentido especial será dado às palavras


do tratado se as partes assim pretenderam;

• 5 – Se a aplicação das normas acima não


conduz a sentido claro e preciso ou conduz a
um resultado manifestamente absurdo, pode-se
recorrer a outros meios de interpretação,
incluindo os trabalhos preparatórios do tratado e
as circunstâncias de sua conclusão. O recurso a
tais meios pode ser feito ainda para confirmar
as normas acima.

• 6 – Num tratado autenticado em duas ou mais
línguas diferentes, estes textos têm a mesma
autenticidade. Presume-se que os termos do
tratado têm o mesmo sentido em cada texto
autêntico. Se o sentido for diferente, deverá ser
adotado o sentido que melhor reconcilia os
textos, levando-se em conta o objeto e a
finalidade do tratado. Ou se dá preferência ao
texto que for menos obscuro ou, ainda, se dá
preferência ao redigido em primeiro lugar.
NULIDADE, EXTINÇÃO E
SUSPENSÃO
• O que diz respeito à nulidade, extinção e
suspensão de aplicação de tratados estão
elencados nos artigos 42 a 72 da
Convenção de Viena.
• A nulidade ocorre se houver erro, dolo,
corrupção do representante do Estado,
coerção exercida sobre o referido
representante e coerção decorrente de
ameaça ou emprego de força.
Extinção quando o fim foi
executado
• As causas que põem fim a um tratado
são:
1 – Execução integral do tratado: o tratado
tem seu fim quando o estipulado pelas
partes contratantes é executado.
Extinção por Consentimento Mútuo
2 – Consentimento mútuo: o tratado pode
ter o seu fim se houver o consentimento
das partes contratantes. O consentimento
pode ser demonstrado através de um
novo tratado que cuide do mesmo objeto
do anterior, havendo uma revogação
tácita; ou pode ele ser manifestado
expressamente em uma declaração, a
qual afirma a revogação do tratado
anterior.
Outras Causas de Extinção
3 – Termo: ocorre quando o tratado é realizado
por um período de tempo estabelecido pelas
partes. Assim sendo, terminado o lapso de
tempo, expira-se o tratado.

4 – Condição resolutória: ocorre quando as


partes convencionarem de maneira expressa
que o tratado se extinguirá no futuro assim que
certo fato acontecer (condição afirmativa) ou
não (condição negativa).
Extinção pela Renúncia
5 – Renúncia do beneficiário: o tratado termina
quando houver a renúncia do benefício, posto
que há tratados que estabelecem vantagens
para uma das partes e obrigações para a outra.

Assim, o tratado extinguirá com a manifestação


de vontade de apenas uma das partes
contratantes, mas esta deve ser a beneficiada,
pois a renúncia não trará prejuízos à outra
parte, mas sim vantagens.
Extinção pela Caducidade
6 – Caducidade: acontece quando o tratado
não é aplicado por um grande espaço de
tempo ou quando se forma um costume
contrário a ele.
Extinção por Motivo de Guerra
7 – Guerra: com o advento de guerra, todos os tratados
bilaterais são finalizados entre os beligerantes, com
exceção dos tratados que se constituíram para serem
aplicados durante a guerra; os tratados que constituem
situações objetivas (como por exemplo, aqueles que
estipulam limites ou cessões territoriais e foram
executados na sua íntegra); e os tratados multilaterais
entre beligerantes e neutros não são extintos: os seus
efeitos é que ficam suspensos entre as partes
beligerantes e mantidos aos Estados neutros, porém
com o fim da guerra, o tratado volta a produzir seus
efeitos normalmente.
8 – Fato de terceiro: as partes contratantes
cedem a um terceiro o poder de terminar o
tratado.
9 – Impossibilidade de execução: diz respeito à
uma impossibilidade física (desaparecimento de
uma das partes contratantes, do objeto do
tratado etc.) ou jurídica (quando o tratado não é
compatível com outro, sendo que este tem
primazia de execução). Se vier a existir também
uma norma imperativa de Direito Internacional
que não seja compatível com o tratado, este
termina.
• 10 – Caso as relações diplomáticas e
consulares sofrerem rupturas e estas
forem imprescindíveis para a execução do
tratado, este termina.
• 11 – Inexecução por uma das partes
contratantes: quando houver a violação
em um tratado bilateral por uma das
partes contratantes, a outra parte pode
suspender ou terminar a execução do
tratado no todo ou em parte.
Denúncia

12 – Denúncia unilateral: acontece


quando uma das partes contratantes
comunica à(s) outra(s) parte(s) a sua
intenção de dar por finalizado o tratado ou
de se retirar do mesmo.
DIREITO
BRASILEIRO
Artigo 84, VIII da Constituição
Federal

Art. 84 - Compete privativamente ao


Presidente da República:
VIII - celebrar tratados, convenções e atos
internacionais, sujeitos a referendo do
Congresso Nacional;
• A internalização dos tratados
internacionais é um ato composto,
conciliando a atuação de dois poderes
distintos, quais sejam eles: o Executivo e
o Legislativo.
Direitos e Garantias
Fundamentais

Art. 5º da CF - Todos são iguais perante a lei, sem distinção de


qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros
residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à
igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

§ 1º - As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais


têm aplicação imediata.
• Art. 5, § 2º - Os direitos e garantias
expressos nesta Constituição não
excluem outros decorrentes do regime e
dos princípios por ela adotados, ou dos
tratados internacionais em que a
República Federativa do Brasil seja parte.
• Art. 5, § 3º Os tratados e convenções
internacionais sobre direitos humanos que
forem aprovados, em cada Casa do
Congresso Nacional, em dois turnos, por
três quintos dos votos dos respectivos
membros, serão equivalentes às emendas
constitucionais.
Direito Brasileiro
• Pode surgir, assim, um impasse: determinados
dispositivos de ordem interna concernente à
uma liberdade individual dispondo de um modo,
e uma norma de direito internacional dispondo
de outro.
• Podemos exemplificar com a questão da prisão
civil por infidelidade depositária: a Constituição
Federal de 1988 (art. 5.º, LXVII), apregoa que
"não haverá prisão civil por dívida, salvo a do
responsável pelo inadimplemento voluntário e
inescusável de obrigação alimentícia e a do
depositário infiel";
• Por outro lado, o Pacto Internacional de
Direitos Civis e Políticos, de outro, dispõe
que "Ninguém poderá ser preso apenas
por não poder cumprir com uma obrigação
contratual, tratado esse que vem, por sua
vez, corroborar o entendimento do art. 7.º,
7, do Pacto de San José da Costa Rica (o
qual o Brasil aderiu sem reservas), que
exclui de seu texto a figura do depositário
infiel.
• Seguindo esse raciocínio, surge a
indagação: com a ratificação, pelo Brasil,
desses dois tratados internacionais, o
disposto na Constituição Federal acerca
da prisão civil do infiel depositário, não
estaria revogado?
Segundo a orientação do STF, NÃO .
• Segundo o entendimento da Suprema
Corte, qualquer tratado internacional que
seja, desde que ratificado pelo Brasil,
passa a fazer parte do nosso direito
interno, no âmbito da legislação
ordinária.
• Esse resultado é obtido interpretando-se o
§ 2.º do art. 5.º da atual Carta Magna, em
conjunto com o art. 4.º, II, do mesmo
diploma, que dispõe sobre o princípio da
prevalência dos direitos humanos ou
princípio da primazia da norma mais
favorável às vítimas.
Formas próprias de os Tratados
Serem Revogados
Os tratados internacionais têm sua forma
própria de revogação, que é a denúncia,
não se podendo mais falar que a
legislação interna, pelo critério
cronológico, tem poder para revogar ou
derrogar tratado internacional. Este só
pode ser alterado ou modificado por outra
norma de categoria igual ou superior, que
seja internacional, jamais por lei interna.
5. Os direito humanos devem ultrapassar
qualquer barreira impeditiva à consecução dos
seus fins, mesmo que esta seja uma imposição
constitucional. Quando um tratado internacional
de proteção a direitos humanos vem ampliar
alguns dos direitos contidos na Constituição, tal
tratado passa a ter, por autorização expressa da
Carta Magna (art. 5.º, § 3.º), força para
modificá-la, a fim de ampliar a ela os direitos
nele contidos.

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