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AULA 1 Cubismo: formas

Cubismo: a arte sob nova perspectiva


geométricas representadas, na maioria das vezes, por
cubos e cilindros que rompem os padrões estéticos. A imagem realista da
natureza dá lugar a esta nova forma de expressão em que um único objeto
pode ser visto no plano por diferentes ângulos ao mesmo tempo.

Pedaços de história retratados em obras de arte cubistas

Guernica (1937), Pablo Picasso.

História & Arte em Guernica

Guernica. A obra de Pablo Picasso reúne história e arte. Em estilo cubista, as imagens repre-
sentam ao mesmo tempo a fragmentação da existência e a absoluta falta de sentido da guerra.
Espanha. A cidade espanhola de Guernica é bombardeada pelos nazistas em 1937. Abalado
pela notícia, Pablo Picasso, crítico do nazismo e defensor da democracia na Espanha, pinta Guerni-
ca, retratando o sofrimento das vítimas.
EUA. 2ª Guerra: Picasso teme que o ditador espanhol Franco, que apoia Hitler, destrua a tela.
Ele cede a obra ao museu MoMA, de Nova York. Pede que ela seja devolvida quando houver demo-
cracia na Espanha.
Espera. A democracia espanhola não vem e Guernica viaja por museus. Passa por São Paulo
em 1953. O Brasil entrava no circuito artístico, com a recente criação da Bienal de arte.
Retorno. Com a morte de Franco, a Espanha tem eleições em 1977. Guernica volta ao país.
Está em Madri, apesar de protestos para que vá para o País Basco, onde fica a cidade de Guernica.

Texto adaptado. Disponível em: http://super.abril.com.br/cultura/a-historia-do-mundo-em-6-obras-de-arte.


Acesso em: 14.09.2015.

Arte 3 - Aula 1 5 Instituto Universal Brasileiro


Cubismo: a arte sob nova perspectiva
Arte cubista Formas Geométricas

As formas geométricas invadem as com-


Contexto histórico
posições cubistas, as formas observadas na
Cubismo, um movimento estético das natureza são retratadas de forma simplifica-
artes plásticas, tem seu surgimento no sécu- da, em cilindros, cubos ou esferas. Por meio
lo XX e é considerado o mais influente deste dessas formas geométricas, a pintura cubista
período. O marco inicial do Cubismo ocorreu representa todas as partes do objeto no plano
em Paris, mas surgiu oficialmente em 1908, frontal.
com o espanhol Pablo Picasso (1881-1973)
e o francês Georges Braque (1882-1963) que
quebraram os padrões artísticos da época,
causando uma reviravolta estética. O Cubis-
mo pode ser considerado um divisor de águas
na história da arte ocidental.
A realidade plástica das composições de
Braque leva à expressão “realidade construída
em cubos” que inspira o nome do movimento.
A obra de Braque Mulher com Violão é um
exemplo quase perfeito de cubismo analíti-
co, nome dado à fase inicial do movimento, no
qual a imagem é representada por uma série
de superfícies planas interconectadas. Le printemps (1956), Pablo Picasso.

O Cubismo baseia-se na destruição da


harmonia clássica e na decomposição da
realidade para retratar os objetos em seus
múltiplos ângulos, utilizando também a frag-
mentação. Cubos, volumes e planos geomé-
tricos entrecortados reconstroem formas que
se apresentam, simultaneamente, em vários
ângulos nas telas. O espaço do quadro rejei-
ta distinções entre forma e fundo ou qualquer
noção de profundidade. Um movimento em
que os objetos já não eram reproduzidos em
função da impressão óptica tradicional, mas
fragmentados.

Estética cubista

Duas etapas principais no desenvol-


vimento do cubismo:
1. Cubismo Analítico: caracteriza-
Mulher com Violão (1913), do pela decomposição das figuras e for-
Georges Braque. mas em diversas partes geométricas, é

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o cubismo em sua forma mais pura e de representavam touradas. A obra do ar-
mais difícil interpretação. tista se desenvolve em três principais
2. Cubismo Sintético: é a livre re- fases: azul, rosa e cubista - a mais repre-
constituição da imagem do objeto decom- sentativa. As telas da fase azul têm como
posto, assim, este objeto não é desmon- característica principal o tom quase mo-
tado em várias partes, mas sua fisionomia nocromático, com cores, que variam em
essencial é resumida. Algo muito impor- tons de azul e tons pastel. A fase rosa é
tante nesta etapa é a introdução da téc- um retorno do artista à alegria, predomi-
nica de colagem, que introduz no quadro nando os tons de vermelho pálido, mais
elementos da vida cotidiana (telas, papéis luminosos.
e objetos variados), o primeiro a praticar
esta técnica foi Braque. Fase cubista

No Cubismo Analítico os artistas tra- Em 1907, Pablo Picasso produziu uma


balhavam com poucas cores, preto, cinza e pintura diferente de tudo que já havia sido
tons de marrom e ocre. O mais importante produzido, um trabalho que influenciaria pro-
era desenvolverem um tema e apresentarem fundamente o sentido da arte no século 20:
de todos os lados simultaneamente, e de tão “Les Demoiselles d’Avignon”, uma obra com
fragmentada a obra, era impossível o reco- características geométricas que rompe com a
nhecimento das figuras expostas. profundidade espacial; e nos traços das figu-
Para recompor a excessiva fragmen- ras, desenhadas em blocos de arestas agu-
tação dos objetos, os cubistas passaram ao das, imprime influências africanas.
Cubismo Sintético, onde passaram a res-
gatar a imagem das figuras. Porém isso não
significou um retorno realista da obra para
recompor a excessiva fragmentação dos ob-
jetos, os cubistas passaram ao Cubismo Sin-
tético, onde passaram a resgatar a imagem
das figuras.

Picasso: a importância do artista

Pablo Picasso po-


de ser considerado um
paradigma do artista
moderno por sua in-
ventividade. As carac-
terísticas da arte de
vanguarda do início do Les Demoiselles d’Avignon (1907), Pablo Picasso.
século XX estão am-
plamente representa- Nas obras do cubismo analítico, Pi-
das na obra do artista, sobretudo no ex- casso deixa marcado o aspecto geométri-
perimentalismo geométrico do Cubismo. co, tornando os objetos e figuras cada vez
Pablo Picasso nasceu em Málaga, Espa- mais segmentados por polígonos, numa
nha. Filho do pintor e professor de dese- pequena gama de cores que variam entre
nho José Ruiz Blasco e de Maria Picasso o verde, o marrom e o ocre. Já no cubismo
y López, logo cedo mostrou seu talento sintético vamos encontrar uma maior varie-
para as artes. Seus primeiros desenhos dade tonal; aqui o artista pinta as texturas
dos materiais.
Arte 3 - Aula 1 7 Instituto Universal Brasileiro
Em 1935, a tela “A dança” representa uma movimento e apresentaram características
virada no estilo de Picasso, realizando uma do cubismo em suas obras. Neste sentido,
síntese de seu repertório estilístico. Estrutu- podemos citar os seguintes artistas: Tarsi-
ralmente a tela apresenta qualificações cubis- la do Amaral (1886-1973), Anita Malfatti
tas; já a anatomia das figuras expressa toda (1889-1964), Rego Monteiro (1899-1970) e
a inventividade do artista. Uma tendência que Di Cavalcanti (1897-1976).
vai continuar a se repetir na obra do artista em
múltiplas formas, incluindo curvas e esferas.

Nu Cubista (1915/16), Mulher diante do espelho


Anita Malfatti. (1922), Rego Monteiro.

A dança (1925), Pablo Picasso. A caipirinha (1923), Tarsila do Amaral.

Em 1937, Picasso pinta a obra inspirada


no bombardeio de Guernica: uma tela enorme
(7 metros e 82 centímetros de largura por 3
metros e 50 centímetros de altura). Uma ver-
dadeira obra de arte que além de ter função
social, se torna um documento histórico. E até
o fim de sua produção artística, Pablo Picasso
continuou a desfazer a rigidez plástica. Com o
Cubismo tentou expandir as possibilidades de
representação da imagem; com a inventivida-
de, tocou os limites do surreal.
Carnaval (1954), Di Cavalcanti.

Cubismo: influências no Brasil


Somente após a Semana de Arte Mo-
derna de 1922 o movimento cubista ganhou
terreno no Brasil. Mesmo assim, não encon-
tramos artistas com características exclu- Importância de Rego Monteiro. Vin-
sivamente cubistas em nosso país. Muitos do da Escola de Paris, sob forte influência
pintores brasileiros foram influenciados pelo
Arte 3 - Aula 1 8 Instituto Universal Brasileiro
Temática tropical
do Cubismo, pode ser considerado um dos
precursores do Modernismo no Brasil, divul- Di Cavalcanti apresenta um estilo mar-
gando os ideais inovadores das vanguardas cado pela influência do expressionismo, do
europeias. Por meio de Rego Monteiro, mui- cubismo e dos muralistas mexicanos. A esté-
tos artistas, que não tinham condições de ir tica de Di Cavalcanti abordava a sensualida-
à Europa, puderam entrar em contato com de tropical do Brasil, enfatizando os diversos
as novas tendências expressas nas obras tipos femininos. Usou as cores do Brasil em
de grandes artistas da época. Sua pintura suas obras, em conjunto com toques de senti-
tem linguagem contemporânea, com desta- mentos e expressões marcantes dos persona-
que para a simetria, em que são utilizadas gens retratados. Abordou temas tipicamente
imagens mitológicas que se misturam com brasileiros como o samba. O cenário geográ-
tradições da arte pernambucana, barroca e fico brasileiro também foi muito retratado em
marajoara. Rego Monteiro diz de sua obra: suas obras, por exemplo, o cotidiano urbano
“minha pintura não poderia existir antes do ou as praias. Também são comuns os temas
Cubismo que me legou as noções de cons- sociais do Brasil: festas populares, operários,
trução, luz e forma”. favelas, protestos sociais etc.

Anita Malfatti (1889-1964)


Di Cavalcanti (1897-1976)
Destacou-se como artista plástica,
Emiliano Augusto Cavalcanti de Albu- pintora e desenhista brasileira. Em 1917,
querque e Melo, mais conhecido como Di Anita Malfatti realizou uma exposição ar-
Cavalcanti, foi um importante pintor, carica- tística muito polêmica, por ser inovadora,
turista e ilustrador brasileiro. Um dos primei- e ao mesmo tempo revolucionária. Em
ros artistas a pintar elementos da realidade 1922, junto com seu amigo Mario de An-
brasileira, como festas populares, favelas, drade, participou da Semana de Arte Mo-
operários, o samba etc. Foi um dos ideali- derna. Ela fazia parte do Grupo dos Cinco,
zadores e participantes da Semana de Arte integrado por Malfatti, Mario de Andrade,
Moderna de 1922, expondo 11 obras de arte Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade e
e elaborando a capa do catálogo. Menotti del Picchia.

Recorte da tela Cinco moças de


Guaratinguetá (1920), Di Cavalcanti. O homem amarelo (1917 ), Anita Malfatti.

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Traços fortes e modernos Rio de Janeiro (1923), São Paulo (1924), e
Palmeiras (1925).
Já em 1917, a artista plástica marcou 2. Fase Antropofágica. Com o Abaporu
o protagonismo feminino no terreno da arte. (1928), inicia-se a segunda fase, em que a ar-
Uma exposição de telas de Anita Malfatti cau- tista rompe a relação tranquila com o mundo
sou espanto e alvoroço por parte do público e real e usa cores telúricas, unindo o onírico e
dos críticos devido às características de seus o fantástico a temas primitivistas e nativistas
traços: fortes e modernos. As obras de Anita, que se confundem com o sonho. Outras obras
que retratavam principalmente os persona- da fase: O Ovo (1928), O Lago (1928) e Antro-
gens marginalizados dos centros urbanos, pofagia (1929).
causaram desaprovação nos integrantes das 3. Fase Social. A terceira fase tem iní-
classes sociais mais conservadoras. A artista cio com o quadro: Operários (1933). Outras
associa a liberdade de compor com a crítica obras desse momento: Segunda Classe (1933),
nacionalista aos modelos importados de re- Crianças - Orfanato (1935), Garimpeiros (1938),
presentação. A mostra tem repercussões de- Terra (1943), Batizado de Macunaíma (1956),
cisivas para o seu trabalho. Religião Brasileira IV (1970).

Tarsila do Amaral (1886-1973)

A negra (1923),
Tarsila do Amaral. São Paulo (1924), Tarsila do Amaral.

Tarsila foi uma das mais importan-


tes pintoras brasileiras do movimento mo-
dernista. Suas obras apresentam como
características: o uso de cores vivas; in-
fluência do cubismo (uso de formas geo-
métricas); abordagem de temas sociais,
cotidianos e paisagens do Brasil; estética
fora do padrão, com influência do surrea-
lismo na fase antropofágica.

Produção subdividida em fases


Abaporu (1928), Tarsila doAmaral.

A obra de Tarsila pode ser dividida em três


fases: Pau-Brasil, Antropofágica e Social. Abaporu, um ícone brasileiro,
1. Fase Pau-Brasil. Nessa primeira foi arrematado em leilão
fase, a artista, influenciada pela construção
geométrica, forte característica do cubis- A tela é tida como o ícone do Movi-
mo, integra à sua pintura temas brasileiros mento Antropofágico deflagrado pelos mo-
que marcam a identidade nacional como as dernistas brasileiros. O nome “abaporu”
cores caipiras, as cidades barrocas minei- significa, em tupi, “homem que come gen-
ras, os subúrbios das grandes cidades e o te”, uma referência à proposta modernista
universo rural. Alguns dos quadros dessa de “digerir” a cultura estrangeira, fazendo
fase: A Negra (1923), A Caipirinha (1923),
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uma releitura, com base na realidade bra- de São Paulo, em um edifício projetado
sileira. A pintora Tarsila do Amaral pre- pela arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bar-
senteou o Abaporu ao então seu marido, di para ser sua sede. Famoso pelo vão-li-
o escritor Oswald de Andrade. Em 1995, vre de mais de 70 metros que se estende
o quadro Abaporu foi arrematado em um sob quatro enormes pilares, concebido
leilão e passou a pertencer à coleção par- pelo engenheiro José Carlos de Figuei-
ticular do argentino Eduardo Constantini. redo Ferraz , o edifício é considerado um
A obra faz parte do acervo permanente do importante exemplar da arquitetura bruta-
Museu de Arte Latino-Americano de Bue- lista brasileira e um dos mais populares
nos Aires (Malba). Em 2011, atendendo a ícones da capital paulista, sendo tomba-
um pedido especial da presidente Dilma do pelas três esferas do poder executivo.
Rousseff, a exposição “Mulheres, Artistas Embora seja um museu especializado na
e Brasileiras” a obra consagrada Abaporu história da arte internacional, o acervo
foi trazida de Buenos Aires especialmente do MASP conserva momentos de gran-
para Brasília. Nessa exposição, em ho- de intensidade das artes no Brasil, des-
menagem às mulheres, foram reunidas de os registros pictóricos de Frans Post
mais de 80 obras produzidas a partir do no século XVII, passando pela estatuária
Movimento Modernista de 1922, feitas ao barroca de Aleijadinho, até as mais re-
longo do século XX por 49 brasileiras. centes manifestações artísticas contem-
Trechos adaptados de reportagem. porâneas. São destaques da Coleção do
Disponível em: http://www.revistaoprofessor.com. MASP as obras de Rafael, Bellini, Andrea
Acesso em: 20.10.2014. Mantegna e Ticiano, na Escola Italiana.
Os retratos das filhas de Luiz XV, pinta-
dos por Nattier, as Alegorias das Quatro
Obras modernistas fazem parte de Estações de Delacroix e as pinturas de
acervos de museus brasileiros Renoir, Monet, Manet , Cézanne, Toulou-
se-Lautrec e também as de Van Gogh,
Museu de Arte de São Paulo – MASP Gauguin e Modigliani registram a impor-
tância da arte produzida na França, pre-
sentes na Coleção. O MASP também pos-
sui a coleção completa de 73 esculturas
de Edgar Degas, além de 3 pinturas do
artista. A Arte Espanhola está represen-
tada por El Greco, Goya, Velázquez, e a
Arte Inglesa por Gainsborough, Reynolds,
Constable e Turner, entre outros. Dentre
Imagem do edifício do MASP, Avenida Paulista.
os flamengos, citamos Rembrandt, Frans
Do período modernista brasileiro, o mu- Hals, Cranach e Memling e o tríptico de
seu conserva importantes registros de gran- autoria de Jan Van Dornicke. Na Arte das
des artistas como Vicente do Rego Monteiro, Américas marcam presença Calder, Tor-
Anita Malfatti (A Estudante), Di Cavalcanti res Garcia, Diego Rivera e Siqueiros, den-
(Cinco Moças de Guaratinguetá). tre os muitos artistas brasileiros, Almeida
O Museu de Arte de São Paulo As- Junior, Cândido Portinari, Anita Malfatti,
sis Chateaubriand, mais conhecido pelo Victor Brecheret e Flávio de Carvalho. Fa-
acrônimo MASP, é uma das mais im- zem parte do acervo também núcleos de:
portantes instituições culturais brasilei- Arqueologia, Esculturas, Desenhos, Gra-
ras. Localiza-se, desde 7 de novembro vuras, Fotografias, Maiólicas (cerâmicas
de 1968, na Avenida Paulista, cidade italianas dos séculos XIV ao XI), além de

Arte 3 - Aula 1 11 Instituto Universal Brasileiro


Tapeçarias, Vestuário e Design. Estão no contexto nacional e internacional e
presentes ainda obras modernistas e um oferece uma experiência significativa do
amplo conjunto da obra de Cândido Por- que foi e é a arte do início do século XX
tinari, além de obras de contemporâneos até os dias de hoje. São mais de oito mil
como Tomie Ohtake, Arcângelo Ianelli e obras – entre pinturas, esculturas, dese-
Manabu Mabe entre outros. nhos, gravuras, fotografias, objetos e tra-
balhos conceituais – de artistas exponen-
ciais, brasileiros e estrangeiros, capazes
Museu de Arte Contemporânea - MAC de ilustrar todos os principais movimentos
artísticos dos últimos cem anos. Além das
obras já citadas, o acervo é composto, en-
tre outras, por obras de Amedeo Modiglia-
ni, Joan Miró, Alexander Calder, Wassily
Kandinsky, Tarsila do Amaral, Alfredo Vol-
pi, Lygia Clark e uma estupenda coleção
de arte italiana do começo do século XX.
O novo museu passa a atender aos princi-
pais objetivos da Universidade: busca do
Imagem do MAC USP Ibirapuera conhecimento e sua disseminação pela
sociedade.
Obras do cubista Pablo Picasso e de
modernistas brasileiros com influências
cubistas como Tarsila do Amaral, Anita
Malfatti, Di Cavalcanti fazem parte do rico
acervo.
O Museu de Arte Contemporânea -
MAC da Universidade de São Paulo (USP)
é uma instituição ligada ao ensino, à pes- Cubismo: a arte sob
quisa e à extensão universitária, voltado à nova perspectiva
produção artística nacional e estrangeira.
O Museu de Arte Contemporânea da Uni- Arte cubista
versidade de São Paulo é instituído em
8 de abril de 1963, com sede na Cidade Contexto histórico
Universitária. Além das obras transferidas
do Museu de Arte Moderna de São Pau- O marco inicial do Cubismo ocor-
lo (MAM), somam-se ao seu acervo as reu em Paris, mas surgiu oficialmente em
obras advindas das coleções particulares 1908, com o espanhol Pablo Picasso
de Ciccillo Matarazzo e de sua esposa, (1881-1973) e o francês Georges Braque
Yolanda Penteado, bem como a doação (1882-1963) que quebraram os padrões
de obras internacionais realizada pela artísticos da época, causando uma revira-
Fundação Nelson Rockfeller e os Prêmios volta estética.
das Bienais Internacionais de São Paulo.
O MAC USP ganhou uma nova casa, no Formas geométricas
dia 28 de janeiro de 2012, no imponente
prédio projetado por Oscar Niemeyer, ex- As formas geométricas invadem as
Detran, em frente ao Parque Ibirapuera, composições cubistas que passam a re-
atualmente MAC USP Ibirapuera. A co- presentar todas as partes do objeto no
leção do MAC é de singular importância plano frontal.

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Estética cubista cubismo em suas obras como Tarsila
do Amaral (1886-1973), Anita Malfatti
Cubismo Analítico: decomposição (1889-1964), Rego Monteiro (1899-1970)
das figuras e formas em diversas partes e Di Cavalcanti (1897-1976).
geométricas, é o cubismo em sua forma
mais pura e de mais difícil interpretação.
Cubismo Sintético: livre reconsti-
tuição da imagem do objeto decomposto,
que passa a não ser desmontado em vá-
rias partes, mas ter fisionomia essencial
resumida.

Picasso: a importância do artista

Pablo Picasso pode ser considera- Nu Cubista (1915/16), Mulher diante do espelho
Anita Malfatti. (1922), Rego Monteiro.
do um paradigma do artista moderno por
sua inventividade. As características da
arte de vanguarda do início do século XX
estão amplamente representadas na obra
do artista, sobretudo no experimentalismo
geométrico do Cubismo.

Fase cubista

A caipirinha (1923), Tarsila do Amaral.

Les Demoiselles d’Avignon (1907), Pablo Picasso. Carnaval (1954), Di Cavalcanti.

Cubismo: influências no Brasil Di Cavalcanti (1897-1976)

Somente após a Semana de Arte Foi um dos primeiros artistas a pintar


Moderna de 1922 o movimento cubista elementos da realidade brasileira, como
ganhou terreno no Brasil. Muitos pintores festas populares, favelas, operários, o
brasileiros foram influenciados pelo movi- samba etc. Foi um dos idealizadores da
mento e apresentaram características do Semana de Arte Moderna de 1922.

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Tarsila do Amaral (1886-1973)

Abaporu (1928), Tarsila doAmaral.

Recorte da tela Cinco moças de


Guaratinguetá (1920), Di Cavalcanti.
Tarsila foi uma das mais importan-
tes pintoras brasileiras do movimento mo-
dernista. Suas obras apresentam como
Anita Malfatti (1889-1964) características: o uso de cores vivas; in-
fluência do cubismo (uso de formas geo-
métricas); abordagem de temas sociais,
cotidianos e paisagens do Brasil; estética
fora do padrão, com influência do surrea-
lismo na fase antropofágica.

Obras modernistas fazem parte de


acervos de museus brasileiros

Museu de Arte de
São Paulo - MASP

Do período modernista brasileiro, o mu-


seu conserva importantes registros de gran-
des artistas como Vicente do Rego Monteiro,
Anita Malfatti (A Estudante), Di Cavalcanti
O homem amarelo (1917 ), Anita Malfatti. (Cinco Moças de Guaratinguetá).

Destacou-se como artista plástica, Museu de Arte


pintora e desenhista brasileira. Em 1917, Contemporânea - MAC
Anita Malfatti realizou uma exposição ar-
tística muito polêmica. Em 1922, junto Obras do cubista Pablo Picasso e de
com seu amigo Mario de Andrade, partici- modernistas brasileiros com influências
pou da Semana de Arte Moderna, com o cubistas como Tarsila do Amaral, Anita Mal-
Grupo dos Cinco. fatti, Di Cavalcanti fazem parte do acervo.

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1. No inicio do século XX, em Paris,
Pablo Picasso e Georges Braque criaram um
novo estilo que mudou a idéia de se fazer arte:
o Cubismo. Assinale a única alternativa que
não se refere às características das obras
cubistas.

a) ( ) fragmentação da imagem num a) ( ) a figura humana apresenta contor-


mesmo plano. nos e detalhes precisos.
b) ( ) fidelidade à aparência real das b) ( ) a forma estética ganha linhas retas
coisas. e valoriza o cotidiano.
c) ( ) uso de formas geométricas. c) ( ) a natureza passa a ser admirada
d) ( ) predomínio de linhas retas. como um espaço utópico.
d) ( ) a imagem privilegia uma ação mo-
2. (Enem. Adaptada) O pintor espanhol derna e industrializada.
Pablo Picasso (1881-1973), um dos mais
valorizados no mundo artístico, criou a obra 4. Na obra “A Negra” (1923), Tarsila es-
Guernica em protesto ao ataque aéreo à pe- tabelece um diálogo entre a influência de uma
quena cidade basca de mesmo nome. Essa tendência artística européia e uma das verten-
obra cubista apresenta elementos plásticos tes do Modernismo brasileiro. São elas, res-
identificados pelo: pectivamente:

a) ( ) painel ideográfico, monocromáti- a) ( ) Cubismo e Movimento Pau-Brasil.


co, que enfoca várias dimensões de um even- b) ( ) Futurismo e Movimento Tropicalista.
to, renunciando à realidade, colocando-se em c) ( ) Cubismo e Movimento Antropofágico.
plano frontal ao espectador. d) ( ) Impressionismo e Movimento Social.
b) ( ) horror da guerra de forma fotográ-
fica, com o uso da perspectiva clássica, envol- 5. Assinale a única alternativa incorreta.
vendo o espectador nesse exemplo brutal de
crueldade do ser humano. a) ( ) As formas geométricas cubistas in-
c) ( ) esfacelamento dos objetos abor- fluenciaram Tarsila do Amaral e Anita Malfatti,
dados na mesma narrativa, minimizando a dor as pioneiras na participação feminina na arte
humana a serviço da objetividade, observada brasileira.
pelo uso do claro-escuro. b) ( ) Di Cavalcanti foi um dos primeiros
d) ( ) uso de vários ícones que repre- artistas a pintar elementos da realidade brasi-
sentam personagens fragmentados bidimen- leira como festas populares, favelas, praias,
sionalmente, de forma fotográfica livre de sen- samba.
timentalismo. c) ( ) Anita Malfatti realizou uma exposi-
ção artística polêmica, inovadora, e ao mes-
3. (Enem. Adaptada) O Modernismo mo tempo revolucionária, antes da Semana
brasileiro teve forte influência das vanguar- de Arte Moderna.
das europeias. Tomando como referência o d) ( ) O quadro “Abaporu” de Tarsila do
quadro de Tarsila do Amaral O mamoeiro Amaral apresenta traços cubistas e pertence
(1925), identifica-se que, nas artes plásti- ao acervo do MASP (Museu de Arte de São
cas: Paulo).
Arte 3 - Aula 1 15 Instituto Universal Brasileiro
fase da arte modernista no Brasil. Essa rela-
ção com o cubismo aparece nas tentativas de
representar os objetos numa superfície plana,
com o predomínio de linhas retas. A valoriza-
ção do cotidiano foi tendência no movimento
1. b) ( x ) fidelidade à aparência real modernista brasileiro. As demais alternativas
das coisas. estão incorretas. No Cubismo, o artista não
apresenta a figura humana com contornos e
Comentário. A alternativa b é a úni- detalhes precisos, apenas sugere a estrutura
ca que não se refere às características das dos corpos ou objetos, estilizados geometrica-
obras cubistas. O Cubismo caracterizou-se mente. A utopia fica mais evidente na segunda
pelo uso de formas geométricas e buscou re- fase do Modernismo, a Antropofágica, com in-
tratar os objetos em seus múltiplos ângulos, fluências surrealistas.
utilizando a fragmentação da imagem tridi-
mensional num mesmo plano, com predomí- 4. a) ( x ) Cubismo e Movimento Pau-
nio das linhas retas. Mas, não havia nenhum -Brasil.
compromisso de fidelidade com a aparência
real das coisas. Comentário. Alternativa correta: a. A
obra “A negra”, tratada nesta aula, aparece na
2. a) ( x ) painel ideográfico, monocro- primeira fase do movimento modernista re-
mático, que enfoca várias dimensões de um conhecida como Pau-Brasil, que reúne inspi-
evento, renunciando à realidade, colocando- ração cubista e traços de brasilidade. A tela
se em plano frontal ao espectador. entrelaça a figura da negra, à frente, repre-
sentante do imaginário nacional, com pano
Comentário. Alternativa correta: a. A de fundo, relacionado à disciplina cubista. De
descrição da obra Guernica é bastante perti- fato, o fundo da tela constitui-se em formas
nente: o espaço de representação é “ideográ- e cores, que se desdobram em linhas retas.
fico”, pois apresenta ideias por meio de ima- Observe que a obra de 1923 mistura valores
gens, e não “realista” como seria o fotográfico; da terra e atualização da linguagem plástica,
por isso a opção do monocromático, com ên- aspectos proclamados pelos modernistas na
fase nos tons de branco e preto; em plano Semana de 22.
frontal e fragmentação das formas, com as
visões de perfil e frontal representadas num 5. d) ( x ) O quadro “Abaporu” de Tar-
mesmo plano. Picasso, realmente, mescla as- sila do Amaral apresenta traços cubistas
pectos cubistas com elementos expressivos, e pertence ao acervo do MASP (Museu de
enfocando mais de uma dimensão do evento, Arte de São Paulo).
sem a preocupação de ser realista. As demais
alternativas estão incorretas. Não há uso de Comentário. As alternativas a, b e c
perspectiva clássica como se afirma na al- trazem informações corretas. A única alterna-
ternativa b, mas sim de formas geométricas. tiva com informação incorreta é a d. O qua-
O artista não minimiza a dor humana c, pelo dro “Abaporu” inicia o Movimento Antropofá-
contrário. E não é possível anular a emoção gico, período em que a geometria cubista é
da obra, como se afirma na alternativa d. abrandada. As formas se aproximam do sur-
realismo. Trata-se de uma das telas mais va-
3. b) ( x ) a forma estética ganha li- lorizadas internacionalmente, e apesar de ser
nhas retas e valoriza o cotidiano. um ícone do movimento modernista brasileiro,
em 1995 foi arrematada em leilão por um co-
Comentário. A alternativa correta é a lecionador argentino, e faz parte do acervo do
b. O Cubismo destaca-se entre as vanguar- MALBA (Museu de Arte Latino-americana de
das europeias que influenciaram a primeira Buenos Aires) e não do MASP.
Arte 3 - Aula 1 16 Instituto Universal Brasileiro