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Teatro

AULA 4 A origem do teatro remonta ao homem primitivo e a todas as suas formas


de rituais associados à caça, colheita, morte; danças; imitações de animais;
culto aos deuses; e práticas lúdicas. A palavra teatro pode significar tanto o
prédio como a obra de arte representada no palco.

Teatro: a obra de arte ganha espaço no palco!

O palco teatral!

Shakespeare escreveu que o mundo é um palco, e os homens não passam de meros atores,
comparando vida e arte. Mas não é só a encenação teatral que é reflexo da história, também os
palcos em que ela acontece contam partes importantes sobre como o homem vê o mundo.
As encenações teatrais surgiram como manifestações ritualísticas de várias culturas. Mas é
no século 5 a.C. na Grécia que o teatro ganha um corpo: os anfiteatros. Espaços circulares rodea-
dos por arquibancadas são o local de encenação das tragédias. Apesar de não estar mais ligado à
religião, o teatro tinha papel fundamental na vida dos gregos: a função da tragédia, segundo Aris-
tóteles, era levar à catarse, ou seja, expulsar as fortes emoções dos espectadores. Os romanos
adotaram o formato de teatro circular, no nível do chão, com espectadores ao redor.
Na Idade Média, o teatro assumiu uma função didática, contando temas religiosos e sendo
encenado até em catedrais. Com o Renascimento, surge o teatro de palco italiano, o formato tra-
dicional ainda bastante difundido em que uma “quarta parede” separa a encenação do público.
Movimentos de vanguarda no século 20 desenvolveram novas formas de interação com o público,
e o palco teatral ganhou vários formatos, para eventos de todos os tamanhos.

Disponível em: http://super.abril.com.br/cultura/teatro-palco. Acesso em: 20.11.2012.

Arte 3 - Aula 4 37 Instituto Universal Brasileiro


Teatro: lugar e obra de arte
Origens e evolução da arte teatral por atores em um palco, atuando e dia-
logando entre si. O texto dramático é
complementado pela atuação dos ato-
res no espetáculo teatral e possui uma
estrutura específica, caracterizada: 1)
pela presença de personagens que de-
vem estar ligados com lógica uns aos
outros e à ação; 2) pela ação dramá-
tica (trama, enredo), que é o conjunto
de atos dramáticos, maneiras de ser e
de agir das personagens encadeadas
à unidade do efeito e segundo uma or-
dem composta de exposição, conflito,
complicação, clímax e desfecho; 3) pela
situação ou ambiente, que é o conjunto
de circunstâncias físicas, sociais, espi-
Acredita-se que a ideia de teatro, tal
rituais em que se situa a ação; 4) pelo
como é conhecido hoje, surgiu na Grécia
tema, ou seja, a ideia que o autor (dra-
Antiga, no século IV a.C. O termo grego
maturgo) deseja expor, ou sua interpre-
“theatron” significa “lugar para ver”. No
tação real por meio da representação.
theatron eram realizadas cerimônias re-
ligiosas em honra a Dionísio, o deus gre- COUTINHO, A. Notas de teoria literária. Rio de Ja-
go do vinho. Na celebração da colheita de neiro: Civilização Brasileira, 1973 (adaptado)
uvas (vindima) havia música, dança e apre-
sentações do ditirambo - hino cantado e re-
presentado por um coro fantasiado.
Portanto, teatro é um termo de origem
grega que designa simultaneamente o con-
junto de peças dramáticas para apresenta-
ção em público e o edifício onde são apre- O que é dramaturgia? Dá-se o
sentadas essas peças. É uma forma de arte nome de dramaturgia à arte de escrever
na qual um ou vários atores apresentam uma peças de teatro, sendo o dramaturgo a
determinada história que desperta na plateia pessoa responsável pela composição dos
sentimentos variados. textos. Existem muitos gêneros de teatro,
dentre os quais se destacam: auto, comé-
dia, drama, fantoche, ópera, musical, re-
vista, tragédia, tragicomédia.

Gênero dramático. Aquele em Teatro Grego


que o artista usa como intermediária O teatro grego surgiu a partir da evolu-
entre si e o público a representação. A ção das artes e cerimônias gregas. O termo
palavra vem do grego e quer dizer ação. teatro passou a designar não só o local fí-
A peça teatral é, pois, uma composi- sico para onde o público se deslocava para
ção literária destinada à apresentação ver as cerimônias como também as próprias
representações, que aos poucos foram ad-
Arte 3 - Aula 4 38 Instituto Universal Brasileiro
quirindo a forma teatral com a introdução de mais para corridas de cavalos e quadrigas;
histórias sobre os grandes heróis gregos. o “anfiteatro” era usado para as lutas entre
Nesta época clássica foram construí- gladiadores; o “teatro romano” para as en-
dos diversos teatros ao ar livre. Eram apro- cenações de peças gregas e romanas.
veitadas montanhas e colinas de pedra para
servirem de suporte para as arquibancadas.
Nestes locais, a acústica (propagação do
som) era perfeita. Os atores representavam
usando máscaras e túnicas de acordo com o
personagem. Muitas vezes, eram montados
cenários bem decorados para dar maior rea-
lismo à encenação.

Renascimento: espetáculos
teatrais populares

O teatro do Epidauro, construído no século


IV a. C., é um dos mais belos e talvez o maior de
toda a Grécia. Causa admiração e perplexidade
tanto pela grandiosidade como pela excelente
acústica. O teatro faz parte da estação arqueo-
lógica da cidade de Epidauro, local classificado
como patrimônio mundial pela UNESCO.

Teatro Romano
Na Itália, no final da Idade Média e início
O teatro romano não é apenas um refle- do Renascimento (século XV), surge a Com-
xo do teatro grego. Eles importaram a cultu- media Dell’Arte, que se baseava em espetá-
ra grega, porém tinham seu próprio estilo. O culos teatrais populares, improvisados, apre-
teatro romano perde o caráter de sagrado e sentados nas ruas, com textos improvisados
visa à diversão e ao prazer; a comédia toma e personagens de destaques como Arlequim,
o lugar da tragédia. Os espetáculos de circo Pierrot, Colombina, Polichinelo, Pantaleão,
romanos eram violentos, se baseavam em Briguela. Esta forma ainda sobrevive através
competições entre os romanos e os cristãos de alguns grupos de teatro.
os quais eram sacrificados publicamente. Na Inglaterra, a rainha Elizabeth I deu
Existem certas semelhanças entre os proteção ao teatro da época, pois aprecia-
circos, teatros e anfiteatros da Roma Antiga. va muito os espetáculos populares. Conta-
Todos eles se construíam com os mesmos va com a ajuda de alguns dramaturgos in-
materiais: pedras e argamassa romana, e gleses para contar a história de seus heróis
tinham a finalidade de atender ao ócio e di- reforçando o sentimento do nacionalismo.
versão dos cidadãos por meio de espetácu- O principal deles era Sheakespeare, que
los. Cada um deles tinha suas funções e for- também idealizou e construiu o mais famo-
mas diferentes: o “circo romano” era usado so teatro inglês: o Globe.
Arte 3 - Aula 4 39 Instituto Universal Brasileiro
Na França, vale destacar Molière, pa- são de suas emoções. Tanto que as óperas
trono dos atores franceses. Sua obra tem mais famosas são as românticas.
forte influência da Commedia Dell’Arte. Mo- Três grandes correntes de ópera flores-
lière foi um comediógrafo, ou seja, se dedi- ceram no século 19, culminando nas obras
cou a escrever comédias e, em suas histó- dramáticas dos compositores da Itália (Ver-
rias, explorava as fraquezas e ridículos do di e Rossini), Alemanha (Wagner) e França
ser humano. (Bizet). Tanto que para designar os últimos
trabalhos de proporções monumentais des-
Romatismo: teatro de ópera ses e outros países europeus foi criado o
amplia a popularidade termo “grande ópera”; apesar de o termo ser
particularmente aplicado a certas produções
Ópera é o plural de opus, que no latim da Ópera de Paris do fim da década de 1820
significa obra de arte. A ópera surgiu no final até 1850.
do Renascimento, início do século 17, na Itá-
lia. Pode ser definido como um gênero tea-
tral dramático, encenado junto com a música
instrumental e o canto, no qual se sobressai
um solista, representado por cantores com
timbres vocais que vão do mais agudo até os
mais graves. O drama é encenado com os
elementos do teatro, como enredo, coreogra-
fia e vestuário característico, em conjunto com
a música instrumental e o canto. Portanto, a
ópera é uma obra dramática em que o teatro,
a música e a poesia se completam.

A ópera “Carmen”

Desde o início, século 17, a ópera Poucas óperas são tão populares
sempre foi muito popular na Itália. Os com- como a “Carmen” de Georges Bizet,
positores clássicos tinham por objetivo atin- mas sua conturbada estreia, ocorrida
gir o equilíbrio entre a estrutura formal e a em março de 1875, em Paris (França),
expressividade. Mas, na Itália do século 19, nos força a refletir sobre a força vigen-
a ópera se impõe como gênero predileto. Os te na época da moral burguesa, marca-
românticos vieram desequilibrar tudo. Bus- da sobretudo por uma forte hipocrisia.
cavam maior liberdade na forma e expres-
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“Carmen” é uma ópera em quatro atos Referências do teatro no Brasil
do compositor francês Georges Bizet,
com libreto de Henri Meilhac e Ludovic
Halévy, baseado na novela homônima
de Prosper Mérimée. Estreou em 1875,
no Opéra-Comique de Paris. Ambienta-
da em Sevilha, na Espanha, a ópera é
baseada no triângulo amoroso do jovem
soldado Don José, que abandona tudo para
viver o amor da cigana Carmen, que, por
sua vez, o esnoba para ir atrás do toureiro
Escamillo. O caráter transgressor da prota-
gonista provocou severas críticas na estreia
da ópera, em março de 1875. A aclamação Se na Grécia antiga o teatro começou
popular só aconteceu em outubro daquele com os rituais para Dionísio, no Brasil, po-
ano, quando foi encenada em Viena, sob os de-se dizer que a história do teatro brasileiro
aplausos de Brahms, Wagner,Tchaikovsky tem sementes nos rituais indígenas e suas
e Nietzsche. Porém, Bizet, que havia morri- celebrações antropofágicas. Na verdade, a
do em julho, não pôde ver o sucesso da sua evolução do teatro no Brasil, coincide com
obra, que teria uma volta triunfal aos palcos sua História. No século 16, as primeiras com-
de Paris em 1883. posições teatrais incipientes foram escritas
pelos padres Jesuítas nas ações de divulga-
ção da fé religiosa entre os índios; seguidas
Do Realismo ao Teatro Contemporâneo
pelas manifestações culturais dos escravos
No final século XIX, o teatro passa a em seus rituais para celebrar divindades.
privilegiar temas do cotidiano social e per- O teatro como concepção artística che-
sonagens comuns, rompendo com o idea- gou, com a Corte e o luxo das óperas estran-
lismo romântico e fazendo surgir o Realis- geiras. Foi só a partir do século 19, com a che-
mo. O Naturalismo Realista chega a propor gada da Família Real e toda a corte portuguesa
um novo espaço para o diretor e o encena- ao Brasil (1808), que a arte de representar co-
dor. Na Alemanha, por volta de 1910, teve meçou a se desenvolver de forma mais inten-
início o Expressionismo, um movimento de sa, abrindo a área para o florescimento da co-
rejeição ao Naturalismo e a encenação que média de costumes e teatro burlesco (sensual
pretendia criar uma ilusão da realidade. O e audacioso). Com a Independência do Brasil
expressionismo inovou radicalmente o ce- (1822), seguida da abolição da escravatura
nário, apresentando uma leitura não realis- e, mais a frente, a Proclamação da República
ta, estilizando e distorcendo os elementos (1889), é que se começa a desenvolver um pú-
da cena. blico para fazer e curtir o teatro brasileiro.
Os fundamentos estéticos vivenciados No século 19, surge o tempo da nossa
no século XIX, entre público e artistas, no comédia de costumes, com destaque para os
âmbito do teatro, foram desafiados e am- textos de Martins Pena (1815-1848). Logo na
pliados no século XX, expandindo-se em sequência apareceria nosso Teatro de Revis-
experiências e inovações teatrais. No início ta. As revistas eram como retrospectivas do
do século XX, novos movimentos e expe- ano, trazendo um resumo dos fatos impor-
rimentações artísticos começaram a surgir tantes, costuradas em enredo provocativo e
em oposição as regras dominantes. Des- brincalhão. O teatro de revista tornou-se um
ses experimentos se destacam o Expres- gênero popular no Brasil no final do século 19.
sionismo alemão, o Teatro Épico, o Teatro Entre os principais escritores de revista esta-
da Crueldade e o Teatro do absurdo. va Arthur Azevedo (1885-1908).
Arte 3 - Aula 4 41 Instituto Universal Brasileiro
No Século 20, com os grupos universitá-
rios, nosso teatro se modernizou. Em 1938, com durante longos anos, de onde acumulou
o surgimento do Teatro do Estudante do Brasil uma vasta experiência para escrever
(TEB), os nossos palcos ganhavam a curiosida- suas peças a respeito da sociedade.
de de quem estuda. A estreia com “Romeu e Ju-
lieta”, de Shakespeare, trazia o corpo de baile do Teatro Brasileiro de Comédia
Teatro Municipal e sua orquestra de cordas.
Nos anos seguintes, várias companhias
Teatro moderno brasileiro de teatro surgiram no eixo Rio-São Paulo, como
Maria Della Costa e Teatro Popular de Arte. O
Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), fundado em
1948 em São Paulo, formou atores como Cacilda
Becker, Walmor Chagas, Fernanda Montenegro,
Tônia Carrero e muitos outros artistas. Nos anos
que antecederam os governos militares, o clima
político do Brasil e os estudantes universitários
agitavam a cena cultural com produções que
marcaram a história do teatro brasileiro.

Teatro de Arena

O Teatro Brasileiro – que perdia terreno Em 1958, em São Paulo, o Teatro de


para o rádio e o cinema - sofreu uma revo- Arena trazia a revolucionária “Eles não usam
lução a partir da década de 1940, principal- Black-tie”, de Gianfrancesco Guarnieri escan-
mente com a estreia da peça Vestido de Noiva carando problemas sociais e políticos. O Tea-
em 1943, de Nelson Rodrigues, que promo- tro de Arena foi fundado na cidade de São Pau-
ve uma verdadeira renovação com relação à lo, em 1953, como o objetivo de se tornar uma
ação, personagens, espaço e tempo. alternativa à cena teatral da época.
Foi com a estreia de “Vestido de Noiva”, de A intenção de seus idealizadores e fun-
Nelson Rodrigues, em 1943, que a crítica apon- dadores era nacionalizar o palco brasileiro em
tou o nascimento do nosso teatro moderno. Com contraposição ao tipo de teatro que se via pra-
direção do polonês Ziembinski, a peça quebra- ticado pelo TBC – Teatro Brasileiro de Comé-
va com todos os padrões da época. “A monta- dia (um repertório exclusivamente internacio-
gem misturava tempos. Não era só do presente nal, com produções “sofisticadas” e que pouco
olhando para o passado, mas uma peça que pela ou nada retratavam a realidade nacional).
primeira vez permitia olhar o futuro”, conta o di- Esse novo tipo de teatro, voltado para dis-
retor Celso Nunes. Ziembinski trouxe de fora, a cussões sobre a realidade do país, chamou a
iluminação nova, o cenário, a interpretação entre atenção de vários segmentos da sociedade (e
o expressionismo e o naturalismo. incomodou outros tantos), já que personagens
como operários em greve e moradores das pe-
Nelson Rodrigues riferias, por exemplo, passaram a ser protago-
(1912-1980). Foi jorna- nistas de uma peça de teatro.
lista e escritor brasileiro,
tido como o mais influen- Eles não usam black-tie. Peça de
te dramaturgo do Bra- cunho sócio-político escrita por Gian-
sil. Nascido no Recife, francesco Guarnieri. A direção da peça
Pernambuco, mudou-se foi realizada por José Renato com mú-
em 1916 para a cidade sicas de Adoniran Barbosa, encenada
do Rio de Janeiro. Foi repórter policial no Teatro de Arena, um pequeno teatro

Arte 3 - Aula 4 42 Instituto Universal Brasileiro


de Oswald ocultava-se uma visão profunda-
de noventa lugares em frente a praça mente esclarecedora da realidade nacional.
da Consolação em São Paulo, adapta- “Ele foi o primeiro teatrólogo brasileiro capaz
do de uma garagem, hoje Teatro Eugê- de captar alguns problemas sociais relevan-
nio Kusnet. A estreia da peça foi a 22 tes e transpô-lo para o palco. Oswald não via
de fevereiro de 1958. Foi a escolhida diferenças entre uma linguagem de criação
no Seminário de Dramaturgia do Teatro e uma linguagem de crítica, entre uma obra
de Arena e tirou-o da falência iminen- esteticamente inovadora e uma obra de parti-
te, dado o sucesso de bilheteria. Ficou cipação política e social que expressasse os
mais de um ano em cartaz em São Pau- erros de um mundo onde reina a injustiça e a
lo, fato inédito no teatro brasileiro. dor”, ressaltou o crítico.

Teatro contemporâneo
Na década de 1980, após a chamada
“abertura política”, o experimentalismo e a
investigação fizeram surgir uma nova onda
de diretores, gerando uma fragmentação es-
tética de múltiplas direções, mas com uma
saudável preocupação com a linguagem teat-
ral dramática e cênica. E não só no eixo Rio-
São Paulo, onde há permanentemente deze-
Em 1965, a encenação de “Morte e nas de espetáculos em cartaz, de autores
Vida Severina”, de João Cabral de Melo Neto brasileiros e estrangeiros, clássicos e moder-
com música de Chico Buarque, estarreceu a nos, dos mais variados gêneros e tendências
crítica brasileira por sua poética pungente e ou linhas de encenação. Em diversos pon-
montagem sensível. “A peça veio com uma tos do Brasil, existem cerca de 5 mil grupos,
encenação primorosa e marcou toda uma que alimentam as produções teatrais locais
época”, lembra Celso Nunes. e os inúmeros festivais de teatro, encontros,
congressos e seminários que se multiplicam
O teatro de ruptura de anualmente pelo país.
Oswald de Andrade
Uma breve história do
Em 1967, José Celso Martinez Correa teatro brasileiro e suas
quebrou tabus com “O Rei da Vela”, de Os- reviravoltas dramáticas
wald de Andrade. Provocativo e cáustico,
ele chegava para estapear a burguesia. Antunes Filho abriu nosso tea-
(Grupo Oficina). Oswald de Andrade escre- tro contemporâneo com seu Centro de
veu O Rei da Vela em 1930, entretanto a Pesquisa Teatral, “Macunaíma”, um es-
peça só foi encenada em 1967, devido ao petáculo com cara nova, diferente. A
seu conteúdo polêmico e, por consequên- década de 1960 inicia-se, assim, com
cia, vetado pela censura. Sendo assim, não importantes peças e um cenário efer-
coube a Oswald o título de criador do teatro vescente de jovens dramaturgos ante-
moderno brasileiro. nados com os temas importantes do
O “Rei da Vela” foi o único texto teatral momento histórico. Em 1960, no Rio de
de Oswald que obteve sucesso. Para Sábato Janeiro, Dias Gomes escreve seu an-
Magaldi, autor do livro Teatro de Ruptura: Os- tológico “O Pagador de Promessas” e
wald de Andrade, a dramaturgia brasileira da Augusto Boal escreve “A Revolução na
década de 30 preocupava-se em trilhar nuan- América do Sul”. Em 1967 o estilo cru de
ces do realismo sem perceber que nos textos
Arte 3 - Aula 4 43 Instituto Universal Brasileiro
Plínio Marcos adentra a cena com força Os estudos de dramaturgia vol-
total com a peça “Dois Perdidos Numa tam a aparecer com mais assiduidade
Noite Suja”. Esse processo sofre um e nos anos 2000 muitos novos autores
drástico corte com o advento do golpe chegam à cena: Newton Moreno, com
militar, em 1964. seu premiado Agreste, Sérgio Roveri e
A década de 1970 apresenta auto- autores jovens que levam seus textos
res lutando para driblar a censura cada à cena como João Fabio Cabral, Fa-
vez mais feroz. Essa década vê nascer bio Torres, Marcos Gomes, Leonardo
uma geração de mulheres como Leilah Cortez, entre tantos outros. Assim, no
Assunção, Consuelo de Castro e Maria atual momento há muitos autores des-
Adelaide Amaral, que ao lado de Zé Vi- pontando no cenário teatral, com a ca-
cente, João das Neves e Antônio Bivar racterística marcante de levar seu texto
farão textos que refletirão o momento à cena, dirigindo e atuando em suas
de censura pelo qual o país passava. próprias criações.
O final da década de 1970 e início dos Atualmente, enquanto temos ato-
anos 1980 vê diminuir o papel do dra- res famosos fazendo um teatro mais
maturgo e dos textos teatrais, reflexo comercial, também temos novo espaço
do movimento de censura. Essa ficará para pequenos grupos e núcleos expe-
conhecida como a década dos encena- rimentais. Diretores como Amir Haddad,
dores e terá as encenações marcantes com o grupo Tá na Rua e os festivais
de diretores como Antunes Filho, em universitários de Norte a Sul mostram
São Paulo e de grupos como “Asdrúbal esse teatro que extrapola as grandes
Trouxe o Trombone” no Rio de Janeiro. companhias, do eixo Rio-São Paulo e
Os anos 1990 iniciam com o surgi- volta para as ruas. Há um novo fôlego
mento de uma geração de autores que para o teatro de grupo e regional.
vêm escrevendo de maneira mais con-
Texto adaptado. Disponível em: http://rede-
tinuada desde a década anterior, como
globo.globo.com/globouniversidade/noticia/2013/06/
Luís Alberto de Abreu e Bosco Brasil. Os breve-historia-do-teatro-brasileiro-e-suas-reviravol-
dramaturgos desse período retomam a tas-dramaticas.html
tradição do início desse processo e par-
tem para a ação, muitas vezes montan-
do e atuando em seus textos, como é
o caso de Mário Bortolotto, dramaturgo,
diretor e ator paranaense que desponta
na cena teatral paulistana com seu gru-
po Cemitério de Automóveis depois de Teatro do Oprimido. Questão do
uma década de trabalho em seu estado Enem ressalta que sua linguagem teatral
de origem. O final dos anos 90 virá surgir pode ser democratizada e apropriada pelo
uma dramaturgia coletivizada, realizada cidadão comum, no sentido de proporcio-
dentro dos grupos de pesquisa teatral, nar-lhe autonomia crítica para compreen-
o que ficará conhecido como Processo são e interpretação do mundo em que
Colaborativo. Grupos como Cia do La- vive. Leia a definição da própria Compa-
tão e Teatro da Vertigem, irão trazer um nhia. “Teatro do Oprimido é um método
novo olhar sobre o texto e sobre a cena teatral que sistematiza exercícios, jogos
teatral. Ao mesmo tempo muitos auto- e técnicas teatrais elaboradas pelo teatró-
res continuam realizando seu trabalho logo brasileiro Augusto Boal, recentemen-
autoral, como Aimar Labaki, Fernando te falecido, que visa à desmecanização
Bonassi, Samir Yazbek, entre outros. física e intelectual de seus praticantes.

Arte 3 - Aula 4 44 Instituto Universal Brasileiro


Partindo do princípio de que a lingua-
gem teatral não deve ser diferenciada da
que é usada cotidianamente pelo cidadão
comum (oprimido), ele propõe condições
práticas para que o oprimido se aproprie
dos meios do fazer teatral e, assim, am-
plie suas possibilidades de expressão.
Nesse sentido, todos podem desenvolver
essa linguagem e, consequentemente, fa-
zer teatro. Trata-se de um teatro em que o
espectador é convidado a substituir o pro-
tagonista e mudar a condução ou mesmo Teatro Romano
o fim da história, conforme o olhar inter-
pretativo e contextualizado do receptor. O teatro romano é uma construção
Companhia Teatro do Oprimido.” típica do Império Romano. O Circo ro-
mano era usado para corridas de cava-
Disponível em: www.ctorio.org.br. Acesso em: 1 los e quadrigas. O anfiteatro era usado
jul. 2009 (adaptado).
para as lutas entre gladiadores. O teatro
romano para as encenações de peças
gregas e romanas.

Teatro: lugar e obra de arte

Origens e evolução
da arte teatral

Acredita-se que a ideia de teatro tal


como conhecemos hoje surgiu na Grécia
Antiga, no século IV a.C. O termo grego
“theatron” significa “lugar para ver”. Renascimento: espetáculos
Teatro é uma forma de arte na qual teatrais populares
um ou vários atores apresentam uma de-
terminada história que desperta na plateia Na Itália, no final da Idade Média e
sentimentos variados. Dramaturgia é a início do Renascimento (século XV), sur-
arte de escrever peças de teatro. Gêne- ge a Commedia Dell’Arte. Na Inglaterra, a
ros de teatro: auto, comédia, drama, fan- rainha Elizabeth I deu proteção ao teatro
toche, ópera, musical, revista, tragédia, da época, pois apreciava muito os espetá-
tragicomédia. culos populares. Na França, vale destacar
Molière, patrono dos atores franceses.
Teatro Grego
Romatismo: teatro de
O teatro grego surgiu a partir da ópera amplia a popularidade
evolução das artes e cerimônias gregas.
Nesta época clássica foram construídos A ópera é um gênero teatral dramá-
diversos teatros ao ar livre. tico, encenado junto com a música instru-

Arte 3 - Aula 4 45 Instituto Universal Brasileiro


mental e o canto, no qual se sobressai um Paulo, como Maria Della Costa e Teatro Po-
solista, representado por cantores com pular de Arte. O Teatro Brasileiro de Comédia
timbres vocais que vão do mais agudo até (TBC) foi fundado em 1948 em São Paulo.
os mais graves. No Romantismo, século
19, amplia sua popularidade. Teatro de Arena

Do Realismo ao Em 1958, em São Paulo, o Teatro


Teatro Contemporâneo de Arena trazia a revolucionária “Eles não
usam Black-tie”, de Gianfrancesco Guar-
No final século XIX, o teatro passa a nieri escancarando problemas sociais e
privilegiar temas do cotidiano social e per- políticos. Antunes Filho abria nosso teatro
sonagens comuns, rompendo com o idea- contemporâneo com “Macunaíma”, um es-
lismo romântico e fazendo surgir o Realis- petáculo com cara nova, diferente.
mo. Os fundamentos estéticos vivenciados
no século XIX, foram ampliados no século Eles não usam black-tie.
XX, expandindo-se em inovações. Peça de cunho sócio-político es-
crita por Gianfrancesco Guarnieri.
Referências do teatro no Brasil A direção da peça foi realizada por
José Renato com músicas de Ado-
No Brasil, o teatro surgiu no século niran Barbosa, encenada no Teatro
XVI, mas cresceu a partir do século XIX. de Arena, um pequeno tetro de no-
Surgiram: a comédia de costumes e o tea- venta lugares em frente a praça da
tro burlesco (sensual e audacioso), após Consolação em São Paulo
a República, o teatro de revista.

Teatro moderno brasileiro

O teatro de ruptura de
Oswald de Andrade

Em 1967, José Celso Martinez Cor-


rea quebrou tabus com “O Rei da Vela”,
de Oswald de Andrade, escrito em 1930
O teatro brasileiro sofreu uma revolução (Grupo Oficina).
a partir da década de 1940, principalmente
com a estreia da peça “Vestido de Noiva” em Teatro contemporâneo
1943, de Nelson Rodrigues, que promoveu
uma verdadeira renovação com relação à Com a década de 1980, após a cha-
ação, personagens, espaço e tempo. mada “abertura política”, o experimenta-
lismo e a investigação fizeram surgir uma
Teatro Brasileiro de Comédia nova onda de diretores, gerando uma frag-
mentação estética de múltiplas direções,
Nos anos seguintes, várias compa- mas com uma saudável preocupação com
nhias de teatro surgiram no eixo Rio-São a linguagem teatral dramática e cênica.

Arte 3 - Aula 4 46 Instituto Universal Brasileiro


4. Ópera é uma obra dramática em
que o teatro, a música e a poesia se com-
pletam. Na Itália, a ópera se impõe como
gênero predileto no período do:
a) ( ) Modernismo.
1. Assinale a alternativa que valida as b) ( ) Romantismo.
afirmativas referentes à origem do teatro. c) ( ) Classicismo.
d) ( ) Renascimento.
I - Acredita-se que a ideia de tea-
tro, tal como é conhecido hoje, surgiu na 5. O teatro chegou ao Brasil tão cedo
Grécia Antiga, no século IV a.C.; o ter- ou tão tarde quanto se desejar. Se por tea-
mo “theatron” significa “lugar para ver”. tro entendermos espetáculos amadores
isolados, de fins religiosos ou comemora-
II - O termo teatro passou a desig- tivos, o seu aparecimento coincide com a
nar não só o local físico como também formação da nacionalidade, tendo surgido
as próprias representações. com a catequese das tribos indígenas fei-
ta pelos missionários da recém-fundada
a) ( ) Todas estão corretas. Companhia de Jesus. Se, no entanto, para
b) ( ) Todas estão incorretas. conferir ao conceito a sua plena expressão,
c) ( ) Apenas I está correta. exigirmos que haja certa continuidade de
d) ( ) Apenas II está correta. palco, com escritores, atores e públicos re-
lativamente estáveis, então o teatro só terá
2. Quanto ao “circo, teatro e anfitea- nascido alguns anos após a Independên-
tro” da Roma Antiga é correto afirmar: cia, na terceira década do século XIX.
a) ( ) não há semelhanças entre “cir-
co, teatro e anfiteatro”. ( Décio de Almeida Prado.
b) ( ) esses espaços tinham as mes- Teatro de Anchieta a Alencar.
mas funções e formas. São Paulo: Perspectiva, 1993, p. 15.)
c) ( ) o “circo” e o “anfiteatro” tam-
bém eram usados como “teatro”. Segundo o texto, no Brasil:
d) ( ) o “teatro romano” era usado a) ( ) o teatro chegou cedo se con-
para as encenações de peças. siderarmos a chegada da Família Real no
Brasil.
3. Que movimento surgiu na Itália, na b) ( ) o teatro chegou mais tarde
época do Renascimento, com espetáculos quando se considera os espetáculos dos
teatrais populares, improvisados, apresen- jesuítas.
tados nas ruas? c) ( ) se considerarmos o conceito
pleno de teatro, este chegou tarde (século
19).
d) ( ) mesmo surgindo no século XIX,
o teatro profissional chegou bem cedo.

6. O Teatro Brasileiro sofreu uma re-


volução a partir da década de 40, principal-
mente com a estreia da peça “Vestido de
Noiva” em 1943, da autoria de:
a) ( ) Commedia Dell’Arte a) ( ) Oswald de Andrade.
b) ( ) Globe b) ( ) Gianfrancesco Guarnieri.
c) ( ) Molière c) ( ) Nelson Rodrigues.
d) ( ) Theatron d) ( ) Antunes Filho.
Arte 3 - Aula 4 47 Instituto Universal Brasileiro
sentar nas suas carroças ou em pequenos pal-
cos improvisados. Os atores seguiam apenas um
roteiro simplificado e tinham total liberdade para
improvisar e interagir com o público.

1. a) ( x ) Todas estão corretas. 4. b) ( x ) Romantismo.


Comentário. De acordo com o conteúdo Comentário. A ópera surgiu na Camerata
apresentado em aula, todas as afirmativas estão Fiorentina, círculo de poetas e músicos, na época
corretas. I – Acredita-se que a ideia de teatro, tal do Renascimento, século 17; e o novo gênero se
como é conhecido hoje, surgiu na Grécia Anti- espalhou com rapidez. Mas foi no período do Ro-
ga, no século IV a.C.; o termo “theatron” signifi- mantismo, século 19, que a ópera se tornou a ex-
ca “lugar para ver”. II – O termo teatro passou a pressão musical predileta na Itália, alcançando alto
designar não só o local físico como também as grau de maturidade com as obras de Giuseppe
próprias representações. III – O teatro do Epidau- Verdi, um dos mais respeitados compositores de
ro, construído no século IV a. C., é um dos mais ópera. Algumas de suas obras: La Traviata (1853);
belos da Grécia, hoje é classificado como patri- Il Trovatore (1853); Rigoletto (1855); Don Carlos
mônio mundial pela UNESCO. (1867); Aída (1871); Otelo (1887) e Falstaff (1893).

2. d) ( x ) o “teatro romano” era usado 5. c) ( x ) se considerarmos o conceito


para as encenações de peças. pleno de teatro, este chegou tarde (século 19).
Comentário. O circo romano, junto com o Comentário. Somente a alternativa (c)
teatro e o anfiteatro, forma a trilogia de instala- está correta. Segundo o texto, no Brasil: se consi-
ções de cultura e divertimentos da Roma Antiga. derarmos o conceito pleno de teatro, este chegou
É bastante comum confundir esses três tipos de tarde (século 19). “Se, no entanto, para conferir ao
edifícios romanos. As diferenças mais marcantes conceito a sua plena expressão, exigirmos que
são o formato e a finalidade de cada um deles: o haja certa continuidade de palco, com escritores,
“circo romano” era usado mais para corridas de atores e públicos relativamente estáveis, então o
cavalos, apresentando formato alongado com teatro só terá nascido alguns anos após a Inde-
espaços laterais em andares para o público; o pendência, na terceira década do século XIX”. As
“anfiteatro” era usado para as lutas entre gladia- demais alternativas estão incorretas. Se por teatro
dores, em formato oval ou redondo tinha a arena entendermos espetáculos amadores isolados, de
embaixo e em toda a volta arquibancadas em fins religiosos ou comemorativos, o seu apareci-
andares para os espectadores; somente o “tea- mento coincide com a catequese dos missionários
tro romano” servia para as encenações de peças da Companhia de Jesus; portanto, cedo.
gregas e romanas, com formato de meia esfera,
subiam as arquibancadas para o público, embai- 6. c) ( x ) Nelson Rodrigues
xo havia espaço para a orquestra ou coro, e em Comentário. Nelson Falcão Rodrigues
linha reta, fechando o semicírculo, se erguia o ce- (1912-1980), jornalista e escritor brasileiro, é con-
nário como espaço de atuação. siderado um dos mais influentes dramaturgos do
Brasil. Sua primeira peça foi A Mulher sem Pecado,
3. a) ( x ) Commedia Dell’Arte que lhe deu os primeiros sinais de prestígio den-
Comentário. Uma forma de teatro popular tro do cenário teatral. Mas, o sucesso veio mes-
que aparece no século XV, na Itália, e se desen- mo com Vestido de Noiva, que trazia, em matéria
volve posteriormente na França, permanecendo de teatro, uma renovação nunca vista nos palcos
até o século XVIII. A “commedia dell’arte” veio se brasileiros. Sendo esteticamente realista em pleno
opor à “comédia erudita”, também sendo chama- Modernismo, Nelson não deixou de inovar. O au-
da de “commedia all’improviso”. Suas apresenta- tor transpôs a tragédia grega para o sociedade ca-
ções eram realizadas nas ruas e praças públicas. rioca do início do século 20, e dessa transposição
As companhias eram itinerantes. Ao chegarem surgiu a “tragédia carioca”, com as mesmas regras
a cada cidade, pediam permissão para se apre- daquela, mas com um tom contemporâneo.
Arte 3 - Aula 4 48 Instituto Universal Brasileiro