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Amperímetro e voltímetro

AULA 7 Trata-se de instrumentos de controle usados para identificar e medir diferen-


tes grandezas elétricas. Amperímetros medem a intensidade da corrente elé-
trica, em amperes. Já os voltímetros medem diferenças de potencial elétrico,
em volts. A resistência interna faz toda diferença: no amperímetro ideal deve
ser nula; e no voltímetro ideal, infinita.

Funções de amperímetro e voltímetro


podem vir incorporadas no multímetro

Medir o Mundo

Em 1820, o físico dinamarquês Hans Christian Ørsted (1777-1851) descobriu que a agu-
lha de uma bússola sofria alteração da posição natural quando uma corrente elétrica passava
por um fio próximo da agulha. Surgia o eletromagnetismo: efeitos elétricos e magnéticos estão
relacionados. Cargas elétricas em movimento produzem campos magnéticos! Onze anos de-
pois, Michael Faraday (1791-1867) descobriu o efeito recíproco, a indução eletromagnética:
campos magnéticos (variáveis) produzem correntes elétricas!
Hoje, os medidores de correntes elétricas são chamados de amperímetros visto que a
corrente elétrica é quantificada em amperes (A). O nome desta unidade física se deve ao físi-
co francês André-Marie Ampère (1775-1836), um dos fundadores do eletromagnetismo. Já o
voltímetro mede diferenças de potencial elétrico em volts (V). A unidade física faz, neste caso,
homenagem ao físico italiano Alessandro Volta (1745-1827).
Há ainda o multímetro ou multiteste (multimeter ou DMM - digital multi meter em inglês)
também destinado a medir e avaliar grandezas elétricas. Existem modelos com mostrador ana-
lógico (de ponteiro) e modelos com mostrador digital. Utilizado na bancada de trabalho do la-
boratório ou em serviços de campo, incorpora diversos instrumentos de medidas elétricas num
único aparelho como voltímetro, amperímetro entre outros; opcionais conforme o fabricante do
instrumento disponibilizar. A definição sobre qual medição deverá ser feita, acontece por uma
chave rotativa que seleciona a função a ser realizada.
Disponível em: http://www.astropt.org/2018/04/03/medir-o-mundo-parte-iv/ Adaptado e Complementado.

Física 3 - Aula 7 71 Instituto Universal Brasileiro


Amperímetro e voltímetro
Voltímetro
Voltímetros são aparelhos utilizados
para medir a diferença de potencial en-
tre dois pontos; por esse motivo deve ser
ligado sempre em paralelo com o trecho
do circuito do qual se deseja obter a tensão
elétrica. A unidade de medida é o Volt (V).
Para não atrapalhar o circuito, sua resistên-
cia interna deve ser muito alta, a maior pos-
sível. Se sua resistência interna for muito
Amperímetro alta, comparada às resistências do circui-
Amperímetros são aparelhos utilizados to, consideramos o aparelho como sendo
para medir a intensidade de corrente elétrica ideal. Os voltímetros podem medir tensões
que passa por um fio. Podem medir tanto corren- contínuas ou alternadas, dependendo da
te contínua como corrente alternada. A unidade qualidade do aparelho.
utilizada é o Ampere (A). O amperímetro deve
ser ligado sempre em série, para aferir a corren-
Voltímetro Ideal →
te que passa por determinada região do circuito.
Resistência interna infinita
Para isso, o amperímetro deve ter sua resistência
interna muito pequena, a menor possível. Se sua
resistência interna for muito pequena, compara- Voltímetro Ideal
da às resistências do circuito, consideramos o r
+ -
amperímetro como sendo ideal.
i
Amperímetro Ideal →
Resistência interna nula R
i1
Amperímetro não Ideal
r i2
+ -
V
i
Voltímetro não Ideal
R Rint
i r
A + -
Amperímetro Ideal i
r
+ -
R
i i1

R rV
i2
i V
A

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Exemplos
1. (UFLA-MG) A ponte de Wheats-
tone mostrada abaixo, estará em equi-
líbrio quando o galvanômetro G indicar
Quando a resistência equivalente zero volt. Para que isso ocorra, R1 deve
de um circuito for igual a zero, temos um ter valor igual a:
caso especial, chamado curto circuito.
A corrente total nesta situação, simboli-
zada por iCC, é teoricamente infinita.
300 Ω 150 Ω
Ponte de Wheatstone
E G
É uma montagem utilizada com o fim
de medir uma resistência elétrica desco- R R
nhecida. Consiste, basicamente, de um cir-
cuito em forma de losango com os resisto- R1
res dispostos nos seus lados.
Quando o galvanômetro indica
zero, a ponte está em equilíbrio — 150
. R = 300 . (R . R1) / (R + R1) — 150 R2 +
A 150 . R . R1 = 300 R . R1 150 R = 150 R1
R1 Rx
R1 = R

+ C V B 2º.) (UFRN-RN) No circuito da figura


-
abaixo, o galvanômetro indica uma cor-
rente nula.
R2 R3
A
D R4 R1

C i1 D
G
Desses resistores, um é desconhecido
R3
(Rx), um é variável, chamado de reostato R2
i2
(R2), e os outros são conhecidos (R 1 e R3).
Os pontos B e C são ligados por um fio sem B
resistência, havendo um amperímetro nes-
se trecho. Procura-se ajustar gradualmente
+ -
o reostato, até que o amperímetro indique
que não há corrente passando pelo trecho Neste caso, pode-se afirmar que:
MN. Dizemos, nesse momento, que a ponte Se a corrente no galvanômetro é
está em equilíbrio. nula, a corrente i1 que passa por R4 é a
Neste caso de equilíbrio, os produtos mesma que passa por R1 e a corrente i2
das resistências opostas são iguais, ou seja: é a mesma em R3 e R4 UCA=UCB R4i1 =
R3i2 UAD=UBD R1i1 = R2i2
Rx . R2 = R1 . R3 . Rx . R2 = R1 . R3
i 1R 4 – i 2R 3 = 0

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3. Com relação às afirmações abaixo: Resolução:
I - O voltímetro é colocado em série Se a tensão é nula no voltímetro, é
no circuito. porque a ponte está em equilíbrio. Nesta
II - O amperímetro é colocado em situação,
paralelo no circuito.
Rx . R2 = R1 . R3
III - A ponte de Wheatstone é usada
na detecção de cargas elétricas. R x . 50 = 100 . 70

R x = 7.000 Rx = 140 Ω
50
R 2R

V
5. (FUVEST) Considere o circuito da
2R R A figura, onde E = 10 V e R = 1.000 Ω.
a) Qual a leitura do amperímetro A?
+ - b) Qual a leitura do voltímetro V?
R/2 E
Resolução:
a) Supondo o amperímetro e o vol-
Resolução: tímetro ideais tirando o voltímetro e
Em relação à afirmação: curto-circuitando o amperímetro figu-
I - O voltímetro deve ser coloca- ra abaixo
do em paralelo com o componente que 1.000 Ω 2.000 Ω
desejamos medir a tensão.
II - O amperímetro deve ser colo-
cado em série.
III - Finalmente, na afirmação III,
a ponte de Wheatstone se destina a 2.000 Ω
medir resistências. 1.000 Ω

+ -
4. Um resistor desconhecido Rx é 500 Ω 10 V
colocado em um braço de uma ponte
de Wheatstone, de forma que o voltí-
metro registra tensão nula. 3.000 Ω
O valor desta resistência é igual a:

3.000 Ω
Rx
R1 + -
500 Ω 10 V

R3 R2
i 2.000 Ω
a) ( ) 5.000 Ω i = 10/2.000
R1 = 100 Ω
b) ( ) 2.500 Ω i + - i = 5 . 10-3A
R2 = 50 Ω
c) ( ) 700 Ω
R3 = 70 Ω 10 V
d) ( x ) 140 Ω

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O amperímetro indica i = 5,0.10-3 A elemento de circuito cuja ddp se quer
b) Tensão que o gerador fornece medir.
ao circuito U = E – r . i = 10 – 500 .
0,005 U = 7,5V observe o es- Voltímetro Ideal → Resistência
quema abaixo interna infinita

Ponte de Wheatstone
1.000 Ω 2.000 Ω
0,0025 A É a associação constituída de qua-
A tro resistores ligados segundo os la-
0,0025 A dos de um losango. Entre dois vértices
0,005 A opostos liga-se um gerador e entre os
2.000 Ω D
1.000 Ω outros dois, um galvanômetro (instru-
7,5 V mento que detecta correntes elétricas
de pequena intensidade).

UAB = VA – VB = 1.000 . 0,0025 VA


– VB = 2,5V VB = VA – 2,5 UAD = VA –
VD = 2.000 . 0,0025 VA – VD = 5V VD =
VA – 5 como o voltímetro está inserido
entre os pontos B e D, interessa UBD UBD
= VB – VD = (VA – 2,5) – (VA – 5) UBD = VA
1. Qual a corrente que o amperímetro
– 2,5 – VA + 5 UBD = 2,5 V o voltímetro
acusará no circuito abaixo, considerando-se
indica 2,5 V
nula a sua resistência interna?
20 Ω 50 Ω


32 V

50 Ω
Amperímetro e voltímetro
a) ( ) 250 mA
Amperímetro b) ( ) 300 mA
c) ( ) 350 mA
É um instrumento destinado a me- d) ( ) 400 mA
dir intensidade de corrente. Ele deve
ser ligado em série com o elemento de 2. Se a resistência interna deste am-
circuito cuja corrente se quer medir. perímetro fosse igual a 5 Ω, qual seria o
valor da corrente no circuito da figura do
Amperímetro Ideal → Resistência exercício um acima?
interna nula a) ( ) 125,7 mA
b) ( ) 208,3 mA
Voltímetro c) ( ) 225,9 mA
d) ( ) 240,6 mA
É um instrumento destinado a me-
dir diferença de potencial elétrico (ddp). 3. Considerando-se infinita a resistên-
Ele deve se ligado em paralelo com o cia interna do voltímetro da figura, sua lei-
tura é:
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R1 R2 Observação: Neste circuito temos uma
única malha e o amperímetro registra a
R3 corrente que a percorre.
32V
R5
R4
2. d) (x) 240,6 mA
R1 = 1 Ω Comentário. Neste caso, teríamos o circuito:
R2 = 2 Ω
R3 = 4 Ω
R4 = 8 Ω 20 Ω 50 Ω
R5 = 16 Ω

a) ( ) 20 V 8Ω
b) ( ) 18,75 V
c) ( ) 16,52 V 32 V
d) ( ) 15 V 50 Ω r com r = 5 Ω

4. (UERJ-RJ) O galvanômetro abaixo tem Aplicando a 2ª lei de Kirchhoff (é uma


resistência interna de 100 Ω e sofre a máxima única malha):
deflexão com a passagem de uma corrente de
1,0.10-4 A. O instrumento é acoplado a um vol- 32 - i (20 + 50 + 8 + 50 + 5) = 0
tímetro de escala múltipla, como indicam os va-
resulta, i = 32
lores que representam as leituras máximas de 133
cada escala no esquema que se segue.

100Ω R1 R2 R3 i = 0,2406 A ou 240,6 mA


G
3. c) (x) 16,52 V
1,0 V 10,0 V 100 V Comentário. Como se trata de uma ma-
lha, pela 2ª lei de Kirchhoff.
Os valores das resistências R1, R2 e R3,
32 - R1 . i - R2 . i - R3 . i - R4 . i - R5 . i = 0
em ohms, devem ser de, respectivamente:
a) ( ) 9,9.102; 9,9.103 e 9,9.104 i= 32 i = 32
b) ( ) 9,0.103; 9,0.104 e 9,0.105 R1 + R2 + R3 + R4 + R5 31
c) ( ) 9,9.103; 9,0.104 e 9,0.105 i = 1,032 A
d) ( ) 9,9.103; 9,9.104 e 9,9.105
Aplicando a lei de Ohm em R5:
U5 = R5 . i U5 = 16 . 1.032

U5 = 16,52 V

1. a) (x) 250 mA 4. c) (x) 9,9.10 3; 9,0.104 e 9,0.105


Comentário. Comentário. U = U G + U M1 1 =
100.10 -4 + R 1.10 -4 (/10 -4) 104 = 100 + R 1
32 - i (20 + 50 + 8 + 50) = 0 R 1=10.000 – 100 R1 = 9.900 Ω R1 =
9,9.10 3 Ω UR2 = 10 – 1 = 9V R2 = UR2/i
resulta, i = 32 i = 0,25 A ou 250 mA = 9/10 -4 R2 = 9.104 Ω UR3 = 100 –
128
10 = 90V R 3 = U R3/i = 90/10 -4 R3 =
9.105 Ω
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