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Força magnética & Ação entre condutores

AULA 9 A força magnética é um tipo de força entre objetos, que atua sempre que há
cargas em movimento. Pode ser atrativa ou repulsiva: dois objetos se mo-
vimentando no mesmo sentido possuem força magnética de atração entre
eles; do mesmo modo, objetos se movimentando em direções opostas têm
força de repulsão.

Maglev (abreviação de “levitação magnética”) usa a força magnética

Sabe como funcionam os maglevs, trens que flutuam sobre trilhos?

Os magalevs conseguem flutuar sobre trilhos graças a poderosos eletroímãs (que geram um campo
magnético a partir de uma corrente elétrica) instalados tanto no veículo quanto nos trilhos. Os maglevs po-
dem superar os 500 km/h, pois não sofrem nenhum atrito com o solo, transitam numa linha elevada sobre o
chão, propulsionados pelas forças atrativas e repulsivas do magnetismo através do uso de supercondutores.
Há diferentes tecnologias aplicadas aos maglevs: uma baseada em ímãs supercondutores (suspen-
são eletrodinâmica - SED); outra baseada na reação controlada de eletroímãs (suspensão eletromagnética
- SEM); e a mais recente e potencialmente mais econômica que usa ímãs permanentes (Inductrack), que
utiliza uma pista (“track” em inglês) formada com circuitos indutivos. A principal vantagem da tecnologia
“Inductrack” sobre as outras é que, por ser um sistema de forças repulsivas ativado por indução, ele é intrin-
secamente estável, sendo desnecessária a utilização de circuitos de controle para alcançar a estabilidade.
O Japão e a Alemanha são os países que mais têm pesquisado estas tecnologias, tendo apresentado
diversos projetos. O trem de Xangai é um projeto importado da Alemanha, o Transrapid Maglev (SEM). Os
engenheiros japoneses estão desenvolvendo uma versão concorrente (SED), com base na força de repul-
são dos ímãs. A principal diferença entre os trens maglev japoneses e os alemães é que os trens japoneses
usam eletroímãs com super-resfriadores e super-condutores.
No Brasil, o Maglev-Cobra é um trem de levitação desenvolvido na linha experimental UFRJ (Universi-
dade Federal do Rio de Janeiro) pela Coppe (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em
Engenharia) e pela Escola Politécnica através do LASUP (Laboratório de Aplicações de Supercondutores).
O trem brasileiro, assim como o maglev alemão, flutua sobre os trilhos, tendo atrito apenas com o ar durante
seu deslocamento. Mas há diferenças entre o Maglev-Cobra e os trens da Ásia. Ele usa uma técnica de levi-
tação estável que dispensa controladores, sensores e atuadores (dispositivos que movimentam uma carga).

Física 3 - Aula 9 89 Instituto Universal Brasileiro


Força magnética
Sobre a carga q atua uma força magnéti-
Na Física, a força magnética, ca F com as seguintes características:
também chamada de Força de Lorentz, 1ª) Direção: A força magnética tem dire-
representa a força de atração e/ou re- ção perpendicular ao plano formado por V e B.
pulsão exercida pelos ímãs ou objetos 2ª) Intensidade: A força magnética tem
magnéticos. A força magnética é uma a intensidade dada por:
grandeza vetorial, portanto, ela possui
direção, intensidade e sentido. F = q . v . B . sen α

onde:
q é a carga, em módulo;
v é a velocidade de q;
B é a indução magnética;
α é o ângulo formado entre V e B;
Lembre-se que a força magnética 3ª) Sentido: Regra da mão esquerda,
(F) é perpendicular ao campo magnético que consiste no seguinte:
(B) e a velocidade (V) da carga magné- O sentido da força magnética (F) sobre a
tica (q). No Sistema Internacional (SI) a carga positiva é dado pelo polegar, o sentido
unidade de medida para a força magné- do campo magnético (B) é representado pelo
tica é o Newton (N). O módulo da car- dedo indicador e o sentido da velocidade (v) é
ga elétrica é Coulomb (C). A velocidade representado pelo dedo médio.
da carga elétrica é dada em metros por
segundo (m/s). A intensidade do campo F
magnético é dado em tesla (T).
B
+
Força magnética sobre
uma partícula
V
Consideremos um campo magnético e
uma carga positiva q, que se move com velo-
cidade v neste campo, e seja a o ângulo for- Quando a carga q é negativa, o sentido
mado por V e a direção do campo magnético da força magnética é oposto ao do que seria,
(B), conforme a figura. se a carga q fosse positiva.

Exemplos
F 1. Uma carga de 6 . 10 -8 C é lança-
da com velocidade de 7,2 . 10 2 m/s num
campo magnético de indução 5 T.
B Calcular a força magnética sobre a
q α partícula, nos seguintes casos:
V a) quando a velocidade é paralela
ao campo magnético;
b) quando a velocidade é perpendi-

Física 3 - Aula 9 90 Instituto Universal Brasileiro


cular ao campo magnético. Fmag = q . v . B . sen Θ
Resolução:
Fmag = 4 . 10-6 . 5 . 103 . 8 . sen 60º
a) Para a velocidade paralela ao
campo magnético, teremos: Fmag = 160 . 10-3 . 3
O ângulo formado entre V e B será 2
Fmag = 8 . 3 . 10-2
nulo; portanto, sen α = 0, quando α = 0º.
Fmag = 1,4 . 10-1N
F = q . v . B . sen α
Como,
sen α = 0
Cargas em trajetórias circulares
temos
F= 0 Consideremos um campo magnético
uniforme. Uma carga positiva q é lançada
neste campo magnético, sendo a direção
b) O ângulo formado entre V e B da velocidade inicial perpendicular ao cam-
será 90º e sen 90º = 1 . A força magné- po. A força magnética é perpendicular à ve-
tica é dada por: locidade da carga e esta vai mover-se com
velocidade constante, descrevendo uma
F = q . v . B . sen α trajetória circular, conforme a figura:
onde:
q = 6 . 10-8 C x x x x x x
x x V +q x
v = 7,2 . 102 m x
s x x
x F x
B=5T x F x x x
x rx x x B
x V x x F V x
sen α = 1, quando α = 90º.
x x x x x x x
Logo:
F = 6 . 10-8 . 7,2 . 102 . 5 . 1 O raio r da circunferência descrita pela
carga q, de massa m, com velocidade inicial
F = 21,6 . 10-5 N v no campo de indução magnética B, é dado
pela fórmula abaixo:
A força magnética sobre a partí-
cula será 21,6 . 10-5 N.
r= m.v
q.B

2. Suponha que uma carga elétri-


ca de 4 μC seja lançada em um cam- Cálculo do raio r da circunferência
po magnético uniforme de 8 T. Sendo descrita pela carga q
de 60º o ângulo formado entre v e B,
determine a força magnética que atua Vimos que a força magnética que
sobre a carga, supondo que a mesma atua sobre uma carga q é dada por:
foi lançada com velocidade igual a 5 x
10 3 m/s. F = q . v . B . sen α
Resolução: Como a direção da velocidade é per-
Calculamos a intensidade da for- pendicular ao campo magnético, temos:
ça magnética que age sobre uma car-
α = 90º
ga, através da seguinte equação:

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Portanto, Thompson usou um tubo de raios ca-
tódicos, isto é, um tubo com alto vácuo, um
sen α = 1 eletrodo negativo e um eletrodo positivo.
Para a força magnética teremos, Elétrons são emitidos pelo cátodo aquecido
então: (eletrodo negativo) e acelerados pelo âno-
do (eletrodo positivo), incidindo na superfície
F= q . v . B (a) do tubo, que é revestida por uma substância
Sempre que a força é perpendi- fluorescente, de forma que o feixe possa ser
cular à velocidade de uma partícula, observado como um ponto luminoso (P).
ela faz o papel de resultante centrípeta cátodo ânodo
s
e a trajetória nestes casos, é circular.
Sabemos que a resultante centrípeta é
E V P
dado por: x
B
P’
F=m. v
2
(b)
r N

Comparando:
(a) = (b) Espectógrafo de massa
Teremos, então:
O espectrógrafo de massa apresenta
q.v.B=m. v
2
uma semelhança com a experiência reali-
r zada por Thomson, para achar a relação
Simplificando: entre a carga e a massa do elétron. Na fi-
gura abaixo, temos o esquema de um es-
q.B=m. v pectrógrafo de massa.
r

+q
E, finalmente: A
B
r= m.v
q.B + -
Placa C D
Onde o raio da circunferência F trajetória do
descrita por uma carga q, que foi lan- r íon positivo
çada num campo magnético uniforme,
com uma velocidade inicial v perpendi- B
cular ao mesmo.
Entre as placas A e B são lançados íons
positivos, os quais são acelerados pela dife-
rença de potencial aí existente.
A seguir, os íons são lançados entre duas
placas, C e D, que constituem o “filtro de ve-
locidade”, isto é, apenas os íons que não são
desviados pelo campo elétrico e magnético aí
O funcionamento dos antigos apare- existente é que chegam até uma fenda estrei-
lhos de televisão baseava-se na experiência ta F. A velocidade destes íons é dada por:
de Thomson, que consistia no desvio sofrido
por um feixe de elétrons, devido a um cam- v= E
po magnético (B) e um campo elétrico (E). B

Física 3 - Aula 9 92 Instituto Universal Brasileiro


pois a força elétrica e a magnética que atu-
am sobre este íon são iguais e de sentidos B
opostos. +q
Finalmente, os íons são lançados num
campo de indução magnética B’, perpendi- v
cular à trajetória dos mesmos e onde irão
descrever uma trajetória circular de raio r,
dada por: Resposta: A direção da força magnéti-
ca que atua sobre a partícula q é perpendicu-
r= m.v lar ao plano da figura, e o sentido é “saindo”
q . B’ do papel. Na figura, a força magnética está
representada por um ponto. Verifique este re-
de onde temos o valor da massa do íon: sultado, utilizando a regra da mão esquerda.

m = r . q . B’ F
v B

Sendo a velocidade v, a carga q e a in-


dução magnética B’ constantes, a massa m v
é diretamente proporcional ao raio r descrito
pelo íon.
Para diferentes massas, temos diferen-
tes raios e, portanto, uma das aplicações do
espectrógrafo de massa é a determinação da 2. Um elétron penetra horizontal-
massa dos isótopos dos elementos químicos. mente, numa região onde há um campo
magnético e um campo elétrico, com ve-
locidade de 62 . 106m/s. Sendo o campo
v e sendo o campo
elétrico igual a 1.240 m
magnético perpendicular ao campo elé-
trico, qual deve ser o valor da indução B
para que o elétron continue movendo-se
Isótopos são átomos de mesmo horizontalmente?
número atômico e diferentes números Resolução: Para que o elétron
de massa. continue em movimento horizontal e
Número atômico é o número de sem desvios, a força elétrica que age
elétrons do átomo, ou de prótons do nú- sobre ele é de mesma intensidade que
cleo do átomo. a força magnética, mas de sentidos
Número de massa é o número de opostos.
prótons mais o número de nêutrons do Portanto:
núcleo do átomo.
Fe = e . E (força elétrica)
Fm = e . v . B (força magnética)
Exemplos e.B=e.v.B
1. Na figura abaixo, temos uma car- E=v.B
ga q positiva movendo-se num campo de
indução B com velocidade v. Os sentidos Dados:
de B e v estão representados na referida
figura. Qual é o sentido da força magnéti- v = 62 . 106 m E = 1,240 v
s m
ca que age sobre a partícula?

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Logo, F
E=v.B
B
1.240 = 62 . 106 . B

1.240
B=
62 . 106
i
B = 2 . 10 T -5

Se considerarmos um condutor de for-


ma retangular (denominado de espira retan-
Força devida à ação de um campo gular), percorrido por uma corrente i e situ-
magnético sobre uma corrente ado no interior de um campo magnético de
indução uniforme B.
Vimos que a intensidade da força mag- Os lados AB e CD da espira são perpen-
nética sobre uma partícula q, que se move diculares ao campo e a força F1 sobre estes
num campo magnético, é dada por: condutores é dada por:

F = q . v . B . sen α F1 = i . ℓ 1 . B

A força sobre o condutor AB tem mesma


Consideremos agora um condutor li- intensidade, mesma linha de ação e sentido
near, de comprimento ℓ; em cujo interior oposto à força que atua sobre o condutor CD;
haja um movimento de elétrons, isto é, uma portanto, elas se anulam.
corrente i. Quando este condutor se encon- As forças F2 sobre o condutor BC e sobre o
trar num campo magnético de indução B, a condutor AD, apesar de serem de mesma inten-
força que atuará sobre esse condutor será sidade, não possuem a mesma linha de ação;
a resultante das forças sobre as partículas por isso, aparece um binário que faz a espira
que se movem em seu interior, e esta força girar, e o momento do binário é dado por:
F será:
M = i . S . B . sen α
a) de intensidade igual a:
onde: i é a corente que percorre a espira;
S é a área da espira;
F = i . ℓ . B . sen α
α é o ângulo de inclinação d espira, a
partir da posição perpendicular ao campo
onde: i é a intensidade de corrente que atra- magnético B.
vessa o condutor de comprimento ℓ. Mesmo quando o condutor tiver forma
α é o ângulo formado pelo condutor e o circular (denominado de espira circular)
campo magnético. ou outra forma, o momento binário é obtido
pela relação acima.
b) o sentido da força é dado pela regra No caso em que temos várias espiras
da mão esquerda, onde: o sentido da corren- superpostas, constituindo a chamada “bobi-
te é indicado pelo dedo médio, o sentido do na”, o momento do binário é dado por:
campo magnético é representado pelo dedo
indicador e o sentido da força sobre o con- M = N . i . S . B . sen α
dutor; é indicado pelo polegar, conforme ilus-
tra a figura abaixo: onde: N é o número de espiras.
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Resposta: A força que atua sobre
o condutor tem o sentido dado pela re-
gra da mão esquerda. Portanto, o senti-
do da força é para cima, conforme mos-
O funcionamento do galvanômetro tra a figura abaixo.
de quadro móvel e dos motores elétri-
cos baseia-se nas forças que atuam so- F
bre uma espira ou uma bobina localiza- x x x x x x
da num campo magnético e percorrida i
por uma corrente elétrica. Nos motores
x x x x x x
elétricos, temos uma chave de reversão
que muda o sentido da corrente que B x x x x x x
atravessa a bobina, a fim de impedir
que se estabeleça uma posição de equi-
líbrio da mesma. Nos galvanômetros, o
conjugado produzido, que faz a bobina
2. Um quadro retangular de 0,20
girar em torno de um eixo, é equilibrado
m² de área é constituído de 200 espiras
pelo conjugado que aparece, devido às
e percorrido por uma corrente de 2,6 A
forças elásticas de um par de molas ou
de intensidade. O quadro encontra-se
de um fio de torção. A mola ou o fio são
imerso num campo magnético de indu-
essenciais ao funcionamento do galva-
ção 2,3 . 10 -5T e a normal ao mesmo
nômetro, pois o momento restaurador
forma um ângulo de 30° com o campo
que aparece é proporcional ao ângulo
magnético. Qual é o momento do biná-
de torção, existindo uma correspondên-
rio resultante?
cia entre este ângulo de torção e a cor-
Resolução:
rente que percorre a espira, de forma
Aplicando a relação:
que é possível conhecer o valor dessa
corrente. M = M . i . S . B . sen α
Onde:
n = 200 espiras
i = 2,6 A
Exemplos S = 0,20 m2
1. Na figura abaixo, temos um B = 2,3 . 10-5 T
condutor percorrido por uma corrente α = 30º; portanto: sen α = 1
2
i, imerso num campo magnético de in-
temos:
dução B. O sentido da corrente i e da
indução B estão representados nessa M = 200 . 2,6 . 0,20 . 2,3 . 10-5 . 1
2
mesma figura. Qual é o sentido da força
que atua sobre o condutor? M = 119,60 . 10-5 N . m

x x x x x x
x x x x x x Ação entre condutores com corrente
i
x x x x x x Cada condutor com corrente cria um
campo magnético que produz forças magné-
x x x x x x ticas sobre outros condutores com corrente.
B
Assim, entre dois condutores com corrente
existem forças magnéticas.
Física 3 - Aula 9 95 Instituto Universal Brasileiro
Ação entre condutores retilíneos paralelos lelos forem iguais, os condutores se atraem.
• quando as correntes tiverem sentidos
O cientista francês Ampère assombrou o opostos, os condutores se repelirão. µ0 . i1
mundo científico da época, ao dizer que uma Lembrando que a corrente i1 gera B1= 2πd .
corrente elétrica, passando por um fio condu- Sendo B1 perpendicular a i2, teremos uma força
tor, criava, ao redor deste condutor, um campo magnética de intensidade F2 = B1 . i2 . ℓ.
magnético circular. Descobriu, ainda, que se Resulta então, a seguinte fórmula:
dois fios paralelos fossem ambos percorridos
por uma corrente elétrica de mesmo sentido, µ0 = 4π . 10-7 Tm/A (vá-
os campos magnéticos destes fios se atrai- cuo)
riam; se os sentidos das correntes que per- i1 = Corrente que circula
correm os fios paralelos fossem opostos, os por um condutor.
campos magnéticos destes fios se repeliriam. i2 = Corrente que circula
Com estas experiências, nascia o ele- F = µ0 . i1 . i2 . ℓ por um condutor.
2πd ℓ = Comprimento do
tromagnetismo. Vamos, agora, estudar estes condutor onde se exerce
fenômenos, iniciando com o caso onde as cor- a força.
rentes elétricas têm o mesmo sentido. d = Distância entre os
condutores.
i1 i2
F1 F2
d Exemplos
1. Dois condutores retilíneos, pa-
B1 B2 ralelos e muito compridos são percor-
ridos por correntes de 4 A e 7 A, res-
Recorde que a corrente i1, cria um campo pectivamente. Os fios encontram-se
magnético ao seu redor, cuja direção e senti- separados por 20 cm. Qual é o campo
do é dada pela regra da mão direita. Na figu- de indução magnética que o fio de 4 A
ra acima, representamos o campo B1, gerado produz num ponto do condutor percorri-
por esta corrente, na região do fio percorrido do pela corrente de 7 A?
pela corrente i2. Analogamente, a corrente i2
gera o campo B2, que está representado na Resolução:
figura acima, na região do fio percorrido pela i1 = 4 A
corrente i1. i2 = 7 A
Recorde, também, que um condutor per- r = 20 cm = 20 . 10-2 m
corrido por uma corrente i, na presença de
um campo magnético, fica sujeito à uma força A indução magnética, à distância r
magnética, cuja direção e sentido é dada pela do fio percorrido pela corrente de 4 A,
regra da mão esquerda (indicador apontando é dada por:
na direção e sentido do campo magnético,
dedo médio na direção e sentido da corrente B = µ0 . i
e, o polegar irá apontar a direção e sentido da 2.π.d
força magnética).
B = 4 . π . 10 . 4-2
-7

Vemos que B 2 exerce em i 1 uma força 2 . π . 20 . 10


que chamaremos de F1. E, da mesma for-
B = 4 . 10-6 T
ma, B 1 exerce em i 2 uma força que chama-
remos de F2. Essa é a indução magnética produ-
Podemos, então, constatar que: zida pela corrente de 4 A, num ponto do
• quando os sentidos das correntes que condutor percorrido pela corrente de 7 A.
percorrem dois condutores retilíneos e para-
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e, também, por um jovem inglês que trabalhava
2. No problema anterior, qual é a como assistente na Royal Institution, Michael Fa-
força por metro que atua sobre o con- raday. Fascinado pelo eletromagnetismo, Fara-
dutor percorrido pela corrente de 7 A? day refez várias experiências e testou suas pró-
Resolução: prias ideias. Quando Faraday tinha 38 anos de
A força que atua sobre um condu- idade, ele começou a pensar: se a eletricidade
tor é dada por: podia produzir magnetismo, não seria possível o
F=B.i. ℓ magnetismo produzir eletricidade? Em 1831, Fa-
Como, B = 4 . 10-6 T raday realizou uma experiência que lhe indicou
i=7A o caminho a seguir. Ele pegou um anel de ferro
ℓ=1m com cerca de 6 polegadas de diâmetro e de es-
pessura igual a 1 polegada. Inicialmente, ele en-
Resulta, F = 4 . 10-6 . 7 . 1 rolou um fio em um lado do anel e, em seguida,
outro fio no outro lado do anel. As extremidades
F = 2,8 . 10-5N
do primeiro fio ele as conectou a uma bateria; as
Para cada metro de fio condutor a extremidades do outro fio foram conectadas a um
força é de 2,8 . 10-5 N medidor sensível para pequenas imensidades de
corrente elétrica. Faraday constatou surpreso
que: ao conectar o primeiro fio à bateria, o pontei-
Fluxo do vetor indução magnética ro do medidor exibia uma deflexão. Faraday re-
petiu a experiência por diversas vezes, obtendo o
mesmo resultado: ao ligar o fio o ponteiro sofria
uma deflexão; ao se desligar, o ponteiro defletia
n α B em sentido contrário. Enquanto o fio permanecia
ligado à bateria, o ponteiro do instrumento per-
manecia no zero da escala. Finalmente, ele con-
cluiu que a corrente que aparecia no fio ligado
ao instrumento era induzida pela corrente do fio
S ligado à bateria. Assim, era produzida eletricida-
de mediante indução magnética.

A figura ilustra uma superfície de área Experiência de Faraday


S, onde há um campo de indução magnéti-
ca e uniforme(B) e n um vetor perpendicu- Na a representação esquemática da
lar à superfície. experiência inicial de Faraday (figura abai-
O fluxo (Ф) é dado por: xo), as indicações da passagem da corren-
te elétrica fornecidas pelo instrumento, só
Ф = B . S . cos α ocorriam por ocasião da abertura ou do fe-
chamento da chave.
No SI, é medido em weber (Wb) [1
Wb = 1 Tm2].
Quando a superfície é perpendicular
+
ao campo, α = 00 e -
S
Ф=B.S

Indução eletromagnética
Os trabalhos de Oersted e Ampère, quando
publicados, foram lidos pelos cientistas da época
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Na figura abaixo, temos uma espira de variações do campo magnético que induz
fio condutor ligada ao instrumento. Quan- esta corrente.
do se aproxima da espira um ímã de barra,
observa-se a indicação do aparelho quan- Lei de Lenz
to à existência de corrente elétrica. Contu-
do, somente há indicação no instrumento “A corrente induzida num cir-
enquanto o ímã se movimentar; se o ímã cuito aparecerá sempre de maneira
permanecer imóvel, em relação à espira, o a contrariar a variação do fenômeno
instrumento nada acusará. que a produziu.”

Na experiência de Faraday, o sentido


S
da corrente induzida na bobina depende do
fato de aproximar ou afastar o ímã. Quan-
N do aproximamos o ímã da bobina, aparece
um campo induzido que se opõe ao campo
magnético do ímã, opõe-se ao aumento do
fluxo magnético.

aproximação
Outras observações que podem ser
obtidas por esta experiência são: N S
• quanto mais rápida a movimentação
do ímã, maior será a corrente;
• se mover o polo norte em direção à i
espira, o instrumento defletirá a sua agu- ou
lha, digamos, para a esquerda;
• se, contudo, o polo sul for em direção
à espira, a agulha do instrumento defletirá aproximação
para a direita.
S N
Força eletromotriz induzida (fem
induzida). Em ambas as experiências,
a corrente que o instrumento registra é
uma corrente induzida; o processo Quando afastamos o ímã da bobina, o
envolvido é a indução. Assim, uma sentido da corrente induzida é oposto ao do
corrente será induzida (e por extensão caso anterior, pois o fluxo original está dimi-
uma ddp) quando se variar a quantida- nuindo e temos, então, um fluxo de indução
de do campo magnético que passa pela de mesmo sentido do original. Devido à va-
espira. Em outras palavras dizemos riação de fluxo através de um circuito é que
que aparecerá uma fem induzida em aparece uma corrente induzida no mesmo.
um circuito quando o fluxo de indução
magnética variar neste circuito.
afastamento
Complementando o trabalho de Fara-
day, Lenz (Heinrich Friedrich) propôs uma S N
regra, que ficou conhecida como a Lei de
Lenz. Segundo ela, uma corrente induzi-
da tem uma direção tal que o campo mag- i
nético, devido a esta corrente, se opõe às
Física 3 - Aula 9 98 Instituto Universal Brasileiro
ou
Cargas Em Trajetórias Circulares
i
afastamento
O raio r da circunferência descrita
pela carga q, de massa m, com velo-
S N
cidade inicial v no campo de indução
magnética B, é dado por:

r= m.v
q.B
Lei de indução de Faraday
Força devida à ação de um cam-
“A força eletromotriz induzida po magnético sobre uma corrente
(fem induzida) em um circuito é igual
à variação do fluxo magnético que F = i . ℓ . B . sen α
atravessa a área encerrada pelo cir-
cuito, por unidade de tempo, com o onde: i é a intensidade de corrente que
sinal trocado.” atravessa o condutor de comprimento ℓ;
α é o ângulo formado pelo condu-
tor e o campo magnético.
O sentido da força é dado pela
ΔФB regra da mão esquerda, onde: o sen-
E=
Δt tido da corrente é indicado pelo dedo
médio, o sentido do campo magnéti-
A unidade da fem é o volt. O apareci- co é representado pelo dedo indicador
mento da fem induzida, devido à variação e o sentido da força sobre o condutor
do fluxo, é chamado de indução eletro- é indicado pelo polegar, conforme ilus-
magnética. tra a figura abaixo:

Força magnética &


Ação entre condutores i
Força Magnética Sobre
Uma Partícula Ação entre condutores com corrente

Ação entre condutores


F = q . v . B . sen α retilíneos paralelos
µ0 = 4π . 10-7 Tm/A(vácuo)
i1 = Corrente que circula por
onde: um condutor.
i2 = Corrente que circula por
q é a carga, em módulo: F = µ0 . i1 . i2 . ℓ um condutor.
2πd ℓ = Comprimento do condu-
v é a velocidade de q; tor onde se exerce a força.
B é a indução magnética; d = Distância entre os con-
α é o ângulo formado entre v e B dutores.

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a) ( ) 0º ou 180º
Lei de Lenz “A corrente induzi- b) ( ) 90º ou 270º
da num circuito aparecerá sempre de c) ( ) 45º ou 135º
maneira a contrariar a variação do fe- d) ( ) 30º ou 210º
nômeno que a produziu.” Quando apro-
ximamos o ímã da bobina, aparece um 3. (PUC - SP) Um ímã em forma de barra
campo induzido que se opõe ao campo cai atravessando uma espira condutora, fixa num
magnético do ímã, opõe-se ao aumento plano horizontal, como mostra a figura. Para um
do fluxo magnético. Quando afastamos observador O, que olha de cima, a corrente indu-
o ímã da bobina, o sentido da corrente zida na espira:
induzida é oposto ao do caso anterior,
pois o fluxo original está diminuindo e O
temos, então, um fluxo de indução de S
mesmo sentido do original.
Lei de Faraday “A força eletro- N
motriz induzida (fem induzida) em um
circuito é igual à variação do fluxo mag-
nético que atravessa a área encerrada
pelo circuito, por unidade de tempo, a) ( ) tem sempre sentido anti-horário.
com o sinal trocado.” b) ( ) tem sempre sentido horário.
c) ( ) tem sentido anti-horário antes que o
Δ ФB ímã atravesse e horário depois.
E=
Δt d) ( ) tem sentido horário antes que o imã
atravesse e anti-horário depois.
A unidade da fem é o volt. O apa-
recimento da fem indutiva, devido à va- 4. (UF - MG) A figura abaixo mostra um imã
riação do fluxo, é chamado de indução próximo a um circuito constituído por uma bobina
eletromagnética. e um medidor sensível de corrente. Colocando-se
a bobina e o imã em determinados movimentos,
o medidor poderá indicar passagem de corrente
na bobina. Não haverá indicação da passagem
de corrente pelo medidor quando:

1. Um condutor retilíneo de 0,25 m de


comprimento, é percorrido por uma corrente N S
elétrica de 1 A e está imerso em um campo
magnético uniforme, de indução B = 4 . 104
T. Se o condutor é disposto paralelamente às a) ( ) o ímã e a bobina movimentam-se,
linhas do campo magnético, o valor da força aproximando-se mutuamente.
magnética sobre este condutor é igual a: b) ( ) a bobina aproxima-se do ímã que per-
a) ( ) 8.10³ N manece parado.
b) ( ) 4.10³ N c) ( ) o ímã desloca-se para a direita e a
c) ( ) 2.10³ N bobina para a esquerda.
d) ( ) 0 d) ( ) o ímã e a bobina deslocam-se ambos
para a direita, com a mesma velocidade.
2. Qual o valor do ângulo que o condutor
deve manter com as linhas de indução do cam- 5. (MED - ITAJUBÁ) Aponte abaixo a op-
po, para que a força seja máxima? ção correta.
Física 3 - Aula 9 100 Instituto Universal Brasileiro
tico total diferente do campo de referência.
I. Uma carga elétrica submetida a um d) ( ) a variação do fluxo do campo mag-
campo magnético sofre sempre a ação de uma nético através do objeto metálico induz nesse ob-
força magnética. jeto uma densidade não-nula de cargas elétricas
II. Uma carga elétrica submetida a um
que gera um campo magnético total diferente do
campo elétrico sofre sempre a ação de uma for-
ça elétrica.
campo de referência.
III. A força magnética que atua sobre uma
carga elétrica em movimento dentro de um cam- 8. (UEL-PR) Uma espira circular está imer-
po magnético é sempre perpendicular à velocida- sa em um campo magnético. O gráfico represen-
de da carga. ta o fluxo magnético através da espira em função
do tempo:
a) ( ) II e III estão corretas.
b) ( ) Somente II está correta. Θ(wb)
c) ( ) Somente III está correta.
d) ( ) Somente I está correta.

6. Suponha que uma espira quadrada de


lado igual a 2 cm seja colocada em um campo 0 1 2 3 t(s)
magnético uniforme cuja intensidade vale 2 T.
Determine o fluxo magnético nessa espira quan- O intervalo de tempo em que aparece na
do ela for colocada perpendicularmente às linhas espira uma corrente elétrica induzida é:
de campo magnético. a) ( ) 0 a 1 s, somente
a) ( ) Ф = 2,0008 Wb b) ( ) 0 a 3 s
b) ( ) Ф = 0,0008 Wb c) ( ) 1 s a 2 s, somente
c) ( ) Ф = 0,0048 Wb d) ( ) 1 s a 3 s, somente
d) ( ) Ф = 0,0028 Wb
9. Imagine que 0,12 N seja a força que
7. (UFRN) Certo detector de metais manual atua sobre uma carga elétrica com carga de
usado em aeroportos consiste de uma bobina e 6 μC e lançada em uma região de campo
de um medidor de campo magnético. Na bobina magnético igual a 5 T. Determine a velocida-
circula uma corrente elétrica que gera um campo de dessa carga supondo que o ângulo forma-
magnético conhecido, chamado campo de refe- do entre v e B seja de 30º.
rência. Quando o detector é aproximado de um a) ( ) v = 8 m/s
objeto metálico, o campo magnético registrado b) ( ) v = 800 m/s
no medidor torna-se diferente do campo de re- c) ( ) v = 8.000 m/s
ferência, acusando, assim, a presença de algum d) ( ) v = 0,8 m/
metal. A explicação para o funcionamento do de-
tector é:
a) ( ) a variação do fluxo do campo magné-
tico através do objeto metálico induz nesse objeto
correntes elétricas que geram um campo magné-
tico total diferente do campo de referência.
b) ( ) a variação do fluxo do campo mag- 1. d) (x) 0
nético através do objeto metálico induz nesse ob- Comentário.
jeto uma densidade não-nula de cargas elétricas
que gera um campo magnético total diferente do ℓ = 0,25 m
campo de referência. Dados i=1A Pedido: FM = ?
c) ( ) a variação do fluxo do campo magné- B = 4 . 10 T
4

tico através do objeto metálico induz nesse objeto FM= B . i . ℓ . sen α


correntes elétricas que geram um campo magné-
Física 3 - Aula 9 101 Instituto Universal Brasileiro
6. b) (x) Ф = 0,0008 Wb
onde α é o ângulo entre o condutor e o Comentário.Como a reta normal à
campo magnético. espira não irá formar ângulo com as linhas
Neste teste, o condutor está paralelo ao de indução magnética, temos que θ = 0, e
campo magnético. como cos 0º = 1, temos:
Então, α = 0, e sen 0° = 0. Assim, FM = 0
Φ = B . A . cosθ
2. b) (x) 90º ou 270º A = 0,02 2 = 0,0004 m 2
Comentário. A força magnética é máxima Φ = 2 .0,0004 .cos 0o
quando sen α é igual a 1 ou -1, que em módulo, Φ = 2 .0,0004 .1 Φ = 0,0008 Wb
são seus valores máximos. O sinal negativo indi-
ca apenas sentido oposto mas, numericamente, 7. a) (x) a variação do fluxo do cam-
tanto o valor 1 ou -1 de sen α, resultará a intensi- po magnético através do objeto metálico
dade máxima de FM. Para sen α = 1 α = induz nesse objeto correntes elétricas
90º e sen α = -1 α = 270º. que geram um campo magnético total
diferente do campo de referência.
3. c) (x) tem sentido anti-horário an- Comentário. Quando o detector é
tes que o ímã atravesse e horário depois. aproximado de um objeto metálico, o flu-
Comentário.Basta lembrar da regra xo do campo magnético por ele gerado cria
de Lenz, ou seja, uma corrente induzida nesse objeto uma fem induzida que, por
tem uma direção tal que o campo magnéti- sua vez, gera uma corrente induzida que
co, devido a esta corrente, se opõe às va- origina um campo magnético total diferente
riações do campo magnético que induz esta do campo de referência.
corrente. Observe que, inicialmente, o polo
norte penetra na espira e, então, o polo sul. 8. d) (x) 1 s a 3 s, somente
Comentário. Para que exista corren-
4. d) (x) o ímã e a bobina deslocam-se te induzida é necessário que exista fem
ambos para a direita, com a mesma veloci- induzida. Pela Lei de Faraday, temos: e =
dade. ∆Φ/∆t, ou seja, é necessária uma variação
Comentário. Não haverá indicação no de fluxo para que exista uma fem induzida.
instrumento quando as linhas de campo do ímã O intervalo de tempo durante o qual há va-
não cruzarem os fios da bobina. Se, como na riação de fluxo é de t = 1 s até t = 3 s.
hipótese da alternativa d, tanto o ímã quanto
a bobina mantêm-se distantes, conservando 9. c) (x) v = 8.000 m/s
sempre a mesma posição relativa, então não Comentário. A equação que nos per-
haverá indução na bobina e, consequentemen- mite determinar a velocidade dessa carga
te, não haverá corrente circulando no circuito. é a equação que também fornece a força
magnética. Sendo assim, temos:
5. a) (x) II e III estão corretas
Comentário.A afirmação I está incorreta Fmag = q . v . B . sen Θ
pelo fato de a carga elétrica nem sempre sofrer
ação de uma força magnética. Para uma car- 0,12 = 6 . 10-6 . v . 5 . sen 30º
ga elétrica lançada paralelamente as linhas de
0,12
campo a força magnética será nula. A afirmação v=
6 . 10-6 . 5 . sen 30º
II está correta, pois cargas elétricas lançadas
em campos elétricos sempre sofrem a ação de 0,12
uma força elétrica. A afirmação III está correta, v=
6 . 10 . 5 . 0,5
-6

pois a força magnética é sempre perpendicular


à velocidade da carga. Essa comprovação pode v = 8.000 m/s
ser realizada através da regra do tapa.
Física 3 - Aula 9 102 Instituto Universal Brasileiro