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AULA 2 Transferência da Corte Portuguesa para o Brasil

Qual o motivo da transferência? Em 1807, sentindo-se ameaçado por Na-


poleão Bonaparte, que já havia destronado outras monarquias vizinhas, o
príncipe regente de Portugal, D. João 6º, reuniu joias, livros, móveis, obras
de arte e sua corte para uma retirada estratégica rumo ao Brasil.

Portugal decidiu mudar a sede de seu reinado


para sua mais rica e exótica colônia

Monumento das Descobertas, Lisboa, Portugal.

Saiba as mudanças que a transferência da Família Real trouxe ao Brasil

Em 2013, para comemorar o bicentenário da chegada da corte lusitana, o Centro Cultural


Banco do Brasil armou a exposição Lusa: A Matriz Portuguesa, na cidade de São Paulo. A mostra
reúne 107 peças, entre esculturas de ouro, cerâmica e mármore, além de quadros, gravuras, mapas
e achados arqueológicos.
Os objetos, mostram a produção cultural de um longo período histórico: vai da pré-história,
passa pelo domínio romano às influências das presenças árabe, judaica e cristã, e culmina na pas-
sagem do século 15 para o 16, quando Portugal dominava os mares e, então, descobre o Brasil.
D. João e sua família só conseguiram atravessar o Atlântico, numa viagem de 52 dias que
terminou em 22 de janeiro de 1808, com o apoio da marinha britânica – responsável pela logística e
escolta de toda a tripulação de aproximadamente 15 mil pessoas divididas em 14 navios.
A transferência da sede do Reino de Portugal trouxe mudanças significativas ao Rio de Janei-
ro, que em 1808 tinha cerca de 60 mil habitantes: pavimentação das ruas do centro da cidade; cria-
ção do Banco do Brasil (1808); início da atividade da Imprensa Régia, (1810); abertura da Academia
Real Militar, (1810); inauguração da primeira biblioteca em solo nacional, a Real Bibliotheca (1811),
atual Biblioteca Nacional.
Adaptado de artigo disponível em:
https://catracalivre.com.br/cidadania/saiba-as-mudancas-que-a-transferencia-da-familia-real-trouxe-ao-brasil/

História 3 - Aula 2 15 Instituto Universal Brasileiro


Transferência da Corte Portuguesa para o Brasil
Contexto Nacional De início, os conflitos tiveram ca-
O Brasil oficialmente teve proclamada ráter nativista, buscando acordos com
a sua independência em 07 de setembro de a coroa; mas os movimentos evoluíram
1822. No entanto, historicamente, afirmamos e ganharam caráter separatista, com o
que o Brasil efetivou a sua independência po- objetivo de romper o pacto lusitano e
lítica a partir da abertura dos portos às nações alcançar independência política.
amigas realizadas por D. João VI, em 1808.
Esse episódio marcou o fim do pacto co-
lonial. O Brasil já não era mais uma colônia. Revoltas Nativistas
Iniciou-se naquele momento a transição rumo
à independência política. O século 18 foi um As rebeliões nativistas buscavam re-
período de grande agitação política no Brasil. formas das exigências coloniais.
Mas, o processo de emancipação do
Brasil foi mais o resultado de conflitos e Principais conflitos nativistas:
interesses econômicos e políticos, entre a
metrópole portuguesa e a elite econômica • Revolta de Beckman, Mara-
brasileira, pois não foi um movimento que nhão, 1984. Aconteceu após a crise
contou com a participação popular. açucareira que atingiu o Brasil em 1680;
• Guerra dos Emboabas, Minas
Revoltas Sociais no Brasil Colonial Gerais, 1707. Avançou até 1709 e cul-
minou na criação da Capitania de São
Portugal até o final do século 17 Paulo;
explorou o Brasil com relativa tranqui- • Guerra dos Mascates, Pernam-
lidade. Existia um certo interesse tan- buco, 1710. Fundamental na separa-
to por parte da elite colonial como do ção de Recife e Olinda.
governo português em explorar a sua • Revolta de Filipe dos Santos,
maior colônia na América. Minas Gerais, 1720. Ou, Revolta de
Nessa época chegavam da Euro- Vila Rica, tentativa de escapar do con-
pa, as ideias de liberdade e de demo- trole da coroa portuguesa sobre o ouro.
cracia que passaram a repercutir no
Brasil, o desejo de independência, em Revoltas Nativistas
relação à metrópole portuguesa.
A consciência nacional começou
a surgir na rivalidade entre os nativos
da terra e os portugueses, assentada
segundo os interesses econômicos de
cada um dos grupos.
Naturalmente, a partir daí se trans-
formou a situação da colônia e a própria
política da metrópole sentiu esse efeito.
Quando a política da metrópole tomava Revolta de Beckman
alguma decisão que contrariava os inte- Guerra dos Mascates
resses da colônia, imediatamente eclo- Guerra dos Emboabas
diam protestos. Revolta de Filipe dos Santos

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• Conjuração Baiana, Salvador,
Bahia, 1798;
• Revolução Pernambucana, Per-
nambuco, 1817.
A onda de conflitos nativistas que du-
rou até o ano de 1720 é sempre citada na Revoltas Separatistas
história como tendo como intenção melho-
rar as relações entre os colonos e a coroa
portuguesa, de uma maneira em que fos-
sem respeitados os interesses dos dois la-
dos. Por exemplo, negociar sobre medidas
restritivas tomadas pela Coroa portugue-
sa, em âmbito local, especialmente na co-
brança de altos impostos que limitavam os
lucros da aristocracia agrária. Muitas das
revoltas que aconteceram nesse período Inconfidência Mineira
visavam continuar mantendo a ordem es- Conjuração Baiana
cravocrata. Em nenhum momento, no iní- Revolução Pernambucana
cio das revoltas nativistas tinha-se o dese-
jo de separar o Brasil de Portugal, essa foi
uma ideia concebida muitos anos depois, Inconfidência ou
com a influência da Revolução Francesa, Conjuração Mineira (1789)
que aconteceu em 1789, e fez crescer nos
brasileiros o desejo de romper com Portu- • Essa revolta começou em Minas
gal, para organizar o ambiente local e me- Gerais porque essa região era a que mais
lhorar a vida dos nativos. duramente sofria a opressão de Portugal.
• Portugal havia perdido o comércio
das Índias para a Holanda, França e Ingla-
Revoltas Separatistas terra. Logo, os portugueses passaram a
depender da exploração da sua única colô-
As rebeliões separatistas visavam nia na América, o Brasil.
ao fim do pacto lusitano. • A política opressora da metrópo-
le portuguesa sobre a exploração do ouro
Por volta do final do século 18, os mo- passou a ser mais intensa sobre o Bra-
vimentos ocorridos no Brasil, indicavam o sil. Intensificou à cobrança do quinto e à
despertar de uma consciência nacional con- ameaça da derrama.
tra a dominação portuguesa e eram a favor • Um grupo de conspiradores, inconfor-
da independência política do Brasil em rela- mados com a política de exploração colonial,
ção a Portugal. No início do século 19, de- começou a se reunir secretamente para tentar
pois da transferência da corte lusitana para conter a política opressora de Portugal.
o Brasil, ainda houve uma rebelião neste • Esse grupo contou com a participa-
sentido, mas todas as tentativas foram in- ção de religiosos, poetas, dos aristocratas
tensamente reprimidas. agrários e demais profissionais liberais:
médicos, advogados etc.
Conflitos separatistas • Dentre eles havia um único ele-
mento que pertencia às classes populares:
• Inconfidência Mineira, Vila Rica, o alferes Joaquim José da Silva Xavier, o
Minas Gerais, 1789; Tiradentes, que se projetou como a maior
figura do movimento.
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• O movimento de conspiração con- carente de melhores condições de vida.
tou com a influência das ideias iluministas • A conspiração ocorreu na Bahia, em
e da independência dos Estados Unidos. 1798 e surgiu com cartazes e panfletos, nas
• Os conspiradores tinham os se- portas das casas e das igrejas, convocando
guintes objetivos: através da fundação de a população para uma revolta geral que de-
fábricas poderiam melhorar as condições fendia atingir um governo livre, democrático e
materiais de vida da população; criar uma independente.
universidade em Vila Rica e uma forma de- • Defendiam a igualdade racial e social
mocrática de governo; proclamação da re- de escravos negros em relação aos senhores
pública, que teria em São João Del Rei a brancos, os portugueses.
sua capital; o símbolo da bandeira seria a • Repetia-se dessa vez, na Bahia, a
frase Libertas quae sera tamen ("Liberda- mesma vontade de atingir a liberdade e a
de ainda que tardia"). igualdade social, a república, que já, outro-
• Os inconfidentes haviam escolhido, ra havia sido, reivindicação dos mineiros,
para o início da revolta armada, o dia em que em 1789.
a derrama fosse posta em execução. Essa • No entanto, os mineiros não defen-
derrama ocorria quando o quinto real recolhi- diam a abolição da escravidão negra.
do não completava as 100 arrobas exigidas. • A articulação do movimento foi vítima
de uma denúncia e uma repressão violenta foi
organizada pelo governador da Bahia.
• Alfaiates, soldado, pedreiros, enfim, o
povo humilde, todos foram presos, com exce-
ção dos intelectuais do movimento. Seguiu-se
O fim do movimento. O movimen- o enforcamento dos principais participantes
to da conspiração foi denunciado ao go- no Largo da Piedade, em 1799.
vernador de Minas Gerais, em 1789, pelo • João de Deus líder da conspiração foi
português Joaquim Silvério dos Reis. A morto, assim como, os demais membros das
derrama foi suspensa e os conjurados camadas populares.
foram presos, a princípio julgados e con- • A conspiração foi totalmente reprimi-
denados à morte. da, mas, a insatisfação geral da colônia em
Tiradentes foi o único que admitiu relação a Portugal permaneceu.
a responsabilidade sobre a conspiração.
Ele foi enforcado e teve seu corpo es- Revolução Pernambucana (1817)
quartejado e exposto na entrada de Vila
Rica, atual cidade de Ouro Preto. O signi- • A transferência da Corte continuou a
ficado da Inconfidência Mineira deve ser gerar insatisfação em muitos colonos. Princi-
compreendido como sendo um movimen- palmente porque D. João 6º passou a distri-
to de elite, pois com exceção da figura de buir cargos e privilégios para aristocratas por-
Tiradentes, os demais participantes do tugueses em detrimento das elites locais.
movimento faziam parte da elite local. • Além disso, para financiar os altos
gastos da Corte portuguesa, o rei impôs uma
Conjuração Baiana (1798) política de aumento de impostos, o que desa-
gradou a muitos na colônia.
• A Conjuração Baiana foi um movimen- • Um dos reflexos diretos desse des-
to também influenciado pelas ideias liberais contentamento manifestou-se em Pernam-
vindas da Europa, especialmente da Revolu- buco, onde as elites locais, insatisfeitas
ção Francesa. com a crise econômica, a alta de impostos,
• Esse movimento uniu membros da eli- a distribuição de privilégios para portugue-
te baiana e das camadas populares, escravos ses e influenciadas pelos ideais iluministas,
e ex-escravos. Gente muito humilde, pobre iniciaram um movimento de caráter separa-
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tista e republicano, que controlou a região Alguns interpretam tal transferência apres-
de março a maio de 1817. sada como “fuga”.
• O movimento pernambucano contou Em 1807, a Corte portuguesa se di-
com a participação do povo em geral, com um rigiu ao Brasil, acompanhado de nobres e
grande número de militares, do clero e mem- dos funcionários reais mais importantes. A
bros da aristocracia agrária. esquadra portuguesa foi acompanhada por
• Os revolucionários anunciaram à con- navios ingleses.
vocação de uma Assembleia Constituinte, A Corte trazia para o Brasil mais de
cujo esboço defendiam: os princípios republi- 80 milhões em ouro e diamante, ou seja, o
canos, a soberania popular, a separação dos equivalente à metade do dinheiro circulante
três poderes, a liberdade de culto religioso e a em Portugal.
igualdade de direitos. Naturalmente, essa “proteção” ofere-
• A Revolução de Pernambuco de cida pelos ingleses não era gratuita, fora
1817 foi um movimento patriótico, separa- realizada em troca de vantagens comer-
tista, de inspiração liberal e republicana, ciais como: a abertura dos portos em 1808
mas, que em nenhum momento pretendeu e a assinatura dos Tratados de 1810.
modificar as estruturas políticas e sociais
da época, pois em nenhum momento ques- Tratados
tionou à escravidão.
• O governo provisório anunciado so- Os Tratados assinados a partir de
freu repressões e seus principais líderes fo- 1808, mudaram o caráter colonial da
ram presos e condenados à morte. economia brasileira.
• Abertura dos portos brasilei-
ros às nações amigas, de 1808. Foi
Contexto político europeu um decreto que permitia a entrada livre
de navios de bandeira estrangeira nos
Bloqueio Continental portos brasileiros para comercializarem
Napoleão Bonaparte, imperador da seus produtos.
França cada vez mais reforçava o seu poder • Tratado de Comércio e Nave-
imperial. Em 1806, em Berlim decretou o Blo- gação, de 1810. Determinava novas
queio Continental contra a Inglaterra. taxas alfandegárias fossem criadas be-
Como não era possível vencê-la através neficiando especialmente à Inglaterra.
de uma invasão, a França esperava arruinar sua
economia fechando o acesso aos seus portos.
Consequentemente, prejudicaria o comércio e a
Período Joanino
Inglaterra que entraria em falência.
Portugal nessa época estava sendo A chegada da Corte portuguesa ao
pressionado tanto por franceses como por Rio de Janeiro contou com uma tripulação
ingleses. Caso, Portugal apoiasse Napo- de aproximadamente, 15 mil pessoas.
leão Bonaparte, os ingleses invadiam suas
colônias. Do contrário, o não apoio aos
franceses, o território português seria inva-
dido por Napoleão.

Transferência ou “Fuga”?
O ministro inglês, Lord Strangford
diante dos acontecimentos conseguiu ven-
cer a resistência de D. João, convencendo-
-o a embarcar imediatamente para o Brasil.
História 3 - Aula 2 19 Instituto Universal Brasileiro
Define-se por período Joanino, a época
em que o Brasil foi administrado diretamente
pela coroa portuguesa (1808 a 1822).

Principais realizações do Em outubro de 1807, D. João assi-


período Joanino nou uma Convenção secreta com a In-
• Elevação do Brasil de Reino Unido a glaterra que estabelecia:
Portugal e Algarves, em 1815. Nesse momen- • A vinda da família real portuguesa,
to o Brasil deixou de ser uma colônia portuguesa caso Portugal fosse invadido pelos fran-
passando a ser sede do governo português, con- ceses. Dessa forma, os ingleses teriam
quistando uma certa autonomia administrativa. assegurado o comércio brasileiro, sem
• Imprensa Régia, no Rio de Janeiro. qualquer intervenção militar.
• Banco do Brasil, criado em 1808. • Proteção ao rei de Portugal em
• Revogação da proibição de indústria sua vinda para o Brasil
no Brasil. • Ocupação da Ilha da Madeira pe-
Missão Artística Francesa. Formada los ingleses, na condição de D. João ser
por escultores, pintores, arquitetos etc. que obrigado a fechar os portos.
vêm ao Brasil.
Política Externa
Revolução do Porto (1820)
Em 1703, a política externa da metrópo-
Com o fim da invasão francesa em Por- le portuguesa estava sob influência inglesa.
tugal, os comerciantes portugueses iniciaram Entre as duas nações foi assinado um Tratado
uma rebelião, no Porto para exigir, o retorno de Comércio.
imediato do rei a Portugal. O Tratado de Methuen assinado em 1703
De certa forma, essa notícia da Revolu- estabeleceu três pontos importantes.
ção Constitucionalista do Porto, repercutiu no • A cláusula principal estabelecia o com-
Brasil. Animaram-se as correntes liberais dian- promisso assumido pela Inglaterra, de comprar
te da perspectiva de uma constituição, que res- o vinho português, dando-lhe a preferência em
tringisse os poderes absolutos do rei. relação a qualquer outro.
• A nova posição de Portugal em relação à
D. João VI volta para Portugal Inglaterra, agora, aliados políticos e econômicos.
e D. Pedro I é coroado no Brasil • Enquanto a Inglaterra daria preferência
aos vinhos portugueses, deveriam estes adqui-
Devido às pressões das Cortes portu- rir a lã inglesa, dando-lhe preferência sobre as
guesas, D. João VI voltou a Portugal e coroou demais.
seu filho, a príncipe regente, D. Pedro I. De Nesse momento havia mais um agravante:
volta a Portugal, as Cortes passaram a exigir para exportar o vinho e importar mercadorias de
o retorno do Brasil à condição de colônia. que necessitava, Portugal se utilizava de navios
ingleses. Tudo isso está em íntima relação com as
Linha do tempo: Síntese condições econômicas da colônia, cujo ouro era
• 1807 Transferência ou “Fuga” da fa- quase todo destinado para a metrópole portugue-
mília real para o Brasil. sa, e dessa forma caía nas mãos dos ingleses.
• 1815 Elevação do Brasil à condição
de Reino Unido.
• 1821 Retorno de D. João VI a Portu- A caminho da Independência
gal.
• 1822 Coroação de D. Pedro I e In- Os comerciantes brasileiros e os gran-
dependência do Brasil. des proprietários agrários, defenderam, a todo
custo, a autonomia econômica conquistada,
História 3 - Aula 2 20 Instituto Universal Brasileiro
desde a vinda de D. João VI ao Brasil. Enquanto, ocorria a nossa indepen-
Políticos influentes da época como: dência, a política dominante na Europa era
José Bonifácio e Gonçalves Lêdo organi- a Santa Aliança, que unia as grandes po-
zaram um abaixo-assinado, solicitando que tências europeias no ideal de preservar o
D. Pedro, não cumprisse as ordens do seu absolutismo, o colonialismo e combater o
pai e permanecesse no Brasil. liberalismo.
Esse documento assinado por várias pes- O primeiro país a reconhecer a inde-
soas registrou o “Dia do Fico”, onde D. Pedro I pendência do Brasil foram os Estados Uni-
manifestou a firme ideia de permanecer no Bra- dos, seguido pela Inglaterra e posteriormen-
sil contrariando às Cortes portuguesas. te por Portugal. Portugal concordou em não
mais intervir no Brasil, aceitando sua inde-
pendência através da assinatura de um tra-
O Grito do Ipiranga tado em 1825.
As pressões portuguesas sobre o Brasil Através desse tratado, Portugal reco-
eram mais intensas. No entanto, a aristocracia nheceu a emancipação política do Brasil, exi-
agrária estava cada vez mais unida a D. Pe- gindo, porém, a indenização de dois milhões
dro I. O príncipe regente foi aclamado: Defen- de libras esterlinas. D. João VI exigiu ainda,
sor perpétuo do Brasil. que lhe fosse concedido o direito de usar o
Retornando de Santos, D. Pedro I rece- título de Imperador do Brasil.
beu a carta de José Bonifácio quando se en-
contrava às margens do rio Ipiranga. Dirigin-
do-se à comitiva que o acompanhava, afirmou
que as Cortes desejavam escravizar o Brasil
e, por isso, chegara o momento da Indepen-
dência, da quebra definitiva de laços com a Transferência da Corte
metrópole portuguesa. Portuguesa para o Brasil
Ainda nesse momento, proferiu as céle-
bres palavras: “.... É tempo! Estamos separa- Contexto Nacional
dos de Portugal! Independência ou Morte!...
Brasileiros, a nossa divisa de hoje em diante O processo de emancipação do Bra-
sil foi mais o resultado de conflitos e in-
será a Independência!...”
teresses econômicos e políticos, entre a
metrópole portuguesa e a elite econômica
brasileira, pois não foi um movimento que
contou com a participação popular.

Revoltas Sociais no
Brasil Colonial

Revoltas Nativistas
As rebeliões nativistas buscavam re-
Monumento à Independência do Brasil formas das exigências coloniais.

Principais conflitos nativistas:


Reconhecimento da Independência
• Revolta de Beckman, Maranhão,
O início do Primeiro Reinado de D. Pedro 1984. Aconteceu após a crise açucareira que
I caracterizou-se pela luta em prol da unidade atingiu o Brasil em 1680;
nacional. Após a Independência, permanece- • Guerra dos Emboabas, Minas Gerais,
ram fiéis a Portugal as províncias da Bahia, 1707. Avançou até 1709 e culminou na criação
Piauí, Maranhão, Grão-Pará e Cisplatina.
História 3 - Aula 2 21 Instituto Universal Brasileiro
da Capitania de São Paulo;
• Guerra dos Mascates, Pernambuco, da economia brasileira.
1710. Fundamental na separação de Recife e • Abertura dos portos brasileiros
Olinda. às nações amigas, de 1808. Foi um decre-
• Revolta de Filipe dos Santos, Minas to que permitia a entrada livre de navios de
Gerais, 1720. Ou, Revolta de Vila Rica, ten- bandeira estrangeira nos portos brasileiros
tativa de escapar do controle da coroa portu- para comercializarem seus produtos.
guesa sobre o ouro. • Tratado de Comércio e Navega-
ção, de 1810. Determinava novas taxas
Revoltas Separatistas alfandegárias fossem criadas benefician-
do especialmente à Inglaterra.
As rebeliões separatistas visavam
ao fim do pacto lusitano.
Política Externa
Por volta do final do século 18, os movi-
Em 1703, a política externa da metrópo-
mentos ocorridos no Brasil, indicavam o des-
le portuguesa estava voltada área de influên-
pertar de uma consciência nacional contra a
cia inglesa. Entre as duas nações foi assinado
dominação portuguesa e eram a favor da in-
um Tratado de Comércio.
dependência política do Brasil em relação a
Portugal.
O Grito do Ipiranga
Conflitos separatistas
• O príncipe regente foi aclamado: De-
• Inconfidência Mineira, Vila Rica, fensor perpétuo do Brasil.
Minas Gerais, 1789; • D. Pedro I recebeu a carta de José Bo-
• Conjuração Baiana, Salvador, nifácio quando se encontrava às margens do
Bahia, 1798; rio Ipiranga.
• Revolução Pernambucana, Per- • D. Pedro I afirmou que as Cortes dese-
nambuco, 1817. javam escravizar o Brasil e, por isso, chegara o
momento da Independência, da quebra definiti-
va de laços com a metrópole portuguesa.
Contexto político europeu
Reconhecimento da Independência
Bloqueio Continental
• O início do Primeiro Reinado de D.
Napoleão Bonaparte, imperador da
Pedro I caracterizou-se pela luta em prol da
França cada vez mais reforçava o seu poder
unidade nacional. Após a independência,
imperial. Em 1806, em Berlim decretou o Blo-
permaneceram fiéis a Portugal as provín-
queio Continental contra a Inglaterra. Portu-
cias da Bahia, Piauí, Maranhão, Grão-Pará
gal não aderiu ao bloqueio e manteve aliança
e Cisplatina.
com a Inglaterra.
• O primeiro país a reconhecer a inde-
pendência do Brasil foram os Estados Uni-
Transferência ou “Fuga”?
dos, seguido pela Inglaterra e posteriormen-
te por Portugal.
O ministro inglês conseguiu vencer a re-
• Portugal, aceitando sua indepen-
sistência de D. João, convencendo-o a embarcar
dência através da assinatura de um tratado
imediatamente para o Brasil. Alguns interpretam
em 1825.
tal transferência apressada como “fuga”.
• Portugal reconheceu a emancipação
política do Brasil, exigindo, porém, a indeni-
Tratados
zação de dois milhões de libras esterlinas.
• D. João VI exigiu ainda, que lhe fos-
Os Tratados assinados a partir
se concedido o direito de usar o título de
de 1808, mudaram o caráter colonial
Imperador do Brasil.

História 3 - Aula 2 22 Instituto Universal Brasileiro


3. A vinda da Família real para o Brasil o
Brasil está diretamente ligada à:

a) ( ) invasão das terras das colônias


portuguesas, anunciada pelos alemães nos
1. A guerra dos Emboabas, a dos Mas- conflitos de Berlin.
cates e a Revolta de Vila Rica, ocorridos no b) ( ) habilidade da realeza portuguesa
século 18 podem ser caracterizados como: em conseguir manter uma posição de neutra-
lidade entre França e Inglaterra.
c) ( ) não adesão de Portugal ao Blo-
queio Continental decretado por Napoleão
Bonaparte, contra a Inglaterra.
d) ( ) quebra por parte de Portugal do
Tratado de Methuen assinado com a França.

4. Após a chegada de D. João VI ao Bra-


sil ocorreu à abertura dos portos às nações
amigas. Esse acontecimento foi o responsá-
vel pela entrada de uma grande quantidade
de mercadorias inglesas no país, que passa-
ram a dominar o mercado brasileiro. Essa si-
tuação ocorreu devido à:
a) ( ) movimentos isolados em defesa
dos ideais liberais, com a intenção de manter a) ( ) assinatura de tratados com a In-
a monarquia. glaterra que permitiram a importação desses
b) ( ) movimentos que defendiam as produtos.
terras brasileiras em nome da independência b) ( ) da montagem de uma rede ferro-
política do Brasil. viária que facilitou a distribuição dos produtos
c) ( ) revoltas sociais que contestavam inglese no mercado brasileiro.
a excessiva cobrança de impostos e as leis c) ( ) do desenvolvimento urbano acen-
rígidas impostas pela Coroa Portuguesa. tuado que promoveu o aumento por produtos
d) ( ) manifestações das camadas po- ingleses sofisticados
pulares envolvidas contra as elites locais ne- d) ( ) da estrutura industrial brasileira
gando a autoridade dos governantes. que se baseava na produção de alimentos e
tecidos.
2. Sobre o período da mineração no Bra-
sil, podemos afirmar que 5. No contexto da independência política
do Brasil de Portugal, é correto afirmar que:
a) ( ) atraídos pelo ouro, vieram para o
Brasil aventureiros de todos os lugares que a) ( ) a Revolução Constitucionalista do
inviabilizaram o ciclo da mineração. Porto (1820) defendeu a ampliação dos pode-
b) ( ) a mineração contribuiu para inter- res do rei.
ligar as várias regiões do Brasil e foi fator de b) ( ) a abertura dos portos e a assina-
diferenciação da sociedade colonial, promo- tura dos tratados de 1810 favoreceram os co-
vendo a urbanização. merciantes portugueses.
c) ( ) o ouro beneficiou apenas a Ingla- c) ( ) o governo de D. Pedro I foi subs-
terra que financiou toda a exploração. tituído por uma junta militar.
d) ( ) a mineração deu origem a uma d) ( ) o regresso de D. João VI a Lisboa
classe média urbana que teve papel decisivo significou a vitória da burguesia liberal portu-
na independência do Brasil. guesa.
História 3 - Aula 2 23 Instituto Universal Brasileiro
europeias parceiras a aderirem o bloqueio que
proibia a realização de qualquer tipo de atividade
econômica com a Inglaterra. Portugal foi pressio-
nado por França e Inglaterra. Assim, D. João VI
teve que optar por aliar-se aos ingleses tendo em
1. c) ( x ) revoltas sociais que contesta- vista os tratados comerciais já firmados. Sendo
vam a excessiva cobrança de impostos e as assim, a Corte portuguesa transferiu-se para o
leis rígidas impostas pela Coroa Portuguesa. Brasil sob custódia inglesa.
Comentário. O período colonial foi um dos
períodos mais agitados da História do Brasil. 4. a) ( x ) assinatura de tratados com a In-
Desde o final do século 17, ocorreram várias re- glaterra que permitiram a importação desses
voltas sociais de caráter nativista, ou seja, mo- produtos.
vimentos que buscavam combater às medidas Comentário. Em 1703, a política externa
restritivas tomadas pela coroa portuguesa, es- da metrópole portuguesa estava sob influência
pecialmente com a cobrança de altos impostos inglesa. Entre as duas nações foi assinado um
e da rigidez das leis impostas pela metrópole Tratado de Comércio. O Tratado de Methuen,
portuguesa que limitavam os lucros da aristo- assinado em 1703, estabeleceu três pontos im-
cracia ou elite agrária. portantes: primeiro, a cláusula principal que esta-
belecia o compromisso assumido pela Inglaterra,
2. b) ( x ) a mineração contribuiu para in- de comprar o vinho português, dando-lhe a pre-
terligar as várias regiões do Brasil e foi fator ferência em relação a qualquer outro; segundo, a
de diferenciação da sociedade colonial, pro- nova posição que Portugal assumia em relação
movendo a urbanização. à Inglaterra, agora, aliados políticos e econômi-
Comentário. O ciclo da mineração teve iní- cos; e terceiro, enquanto a Inglaterra deveria dar
cio no século 17, trazendo inúmeras transforma- preferência aos vinhos portugueses, estes deve-
ções na sociedade brasileira. A atividade extra- riam adquirir a lã inglesa, dando-lhe preferência
tivista era voltada para a exploração do ouro e sobre as demais.
de diamantes e se desenvolveu nas regiões do
centro-sudeste do Brasil, atingindo os estados 5. d. ( x ) o regresso de D. João VI a Lis-
de Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais. Além boa significou a vitória da burguesia liberal
disso, a mineração trouxe um intenso processo portuguesa.
de urbanização para o interior do Brasil, surgindo Comentário. Com a elevação do Brasil a
importantes cidades nesse período. Outro fator categoria de Reino Unido a Portugal e Algarves,
importante foi a diversidade de classes sociais, a transferência da Família Real Portuguesa para
além dos mineradores e dos escravos. Essa so- o Brasil e os acordos comerciais feitos com a In-
ciedade da mineração agregou comerciantes, ar- glaterra, os comerciantes portugueses tiveram
tesãos, profissionais liberais etc. A diversidade de uma grande queda nos negócios. Em 1820, deci-
grupos sociais promoveu um maior crescimento diram se rebelar contra a situação e começaram
da economia no Brasil. a exigir a volta do rei D. João VI a Portugal, a
fim de restaurar a monarquia e a antiga relação
3. c) ( x ) não adesão de Portugal ao Blo- de exclusividade com o Brasil, reinstalando sua
queio Continental decretado por Napoleão condição de colônia. Em 1821, o regresso de
Bonaparte, contra a Inglaterra. D. João VI atendia às exigências da burguesia
Comentário. Em 1806, Napoleão Bonapar- liberal portuguesa. A intenção de deixar D. Pedro
te, o imperador da França era a principal rival como príncipe regente do Brasil era a de manter
econômica da Inglaterra. Era notável e invejável a união dos dois reinos. Mas, as tentativas do go-
a posição que a Inglaterra ocupava: a de potên- verno de Lisboa de reverter o Brasil à condição
cia marítima. Através do decreto do Bloqueio de colônia, só acelerou o processo de indepen-
Continental, a França decidiu impedir o desenvol- dência, proclamada pelo próprio regente, que foi
vimento econômico inglês, forçando as nações aclamado Imperador do Brasil.
História 3 - Aula 2 24 Instituto Universal Brasileiro

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