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Modernismo

AULA 2 Modernismo: conceito que abrange vários movimentos artísticos e literários


surgidos no início do século 20, marcados pela desconstrução estética da arte
tradicional. No Brasil, começou com a Semana de Arte Moderna de 1922, em
busca de arte genuinamente brasileira.

Selo comemorativo estampa obra com símbolos da Antropofagia

Antropofagia & Identidade Cultural brasileira

A obra Urutu, também conhecida como O Ovo, da pintora modernista brasileira Tarsila do
Amaral, concluída em 1928, apresenta a cobra grande (urutu), um animal que assusta e tem po-
der de “deglutição”; e o ovo, uma gênese, o nascimento de algo novo. Símbolos que sintetizam
a proposta da Antropofagia.
A 14ª Bienal (1998), sob curadoria de Paulo Herkenhoff, ficou conhecida como a “Bienal
da Antropofagia”. Um conceito modernista que foi usado como metáfora no sentido de atitude
estético-cultural de ‘devoração’ e assimilação crítica dos valores culturais estrangeiros, realçan-
do elementos e valores culturais originalmente brasileiros que foram reprimidos no processo de
colonização. A ideia dessa Bienal foi colocar em diálogo obras brasileiras contemporâneas com
obras do núcleo histórico do Modernismo.
Leia a opinião de especialistas: “A primeira ideia do crítico Paulo Herkenhoff foi misturar obras
de artistas originalmente distantes no tempo e no espaço por meio da noção (talvez o curador prefe-
risse ‘conceito’) genérica de ‘contaminação’. A partir daí se chegava ao conceito histórico de ‘antro-
pofagia’. Assim, a 14ª Bienal deveria partir do Manifesto Antropófago (1928), de Oswald de Andrade,
para discutir o conceito antropofágico como elemento formador de identidade cultural brasileira,
mas entendendo que a nossa cultura é filiada à cultura ocidental, mas com tensões, diferenças e
singularidades”.
(ALAMBERT, Francisco e CANHÊTE, Polyana. As Bienais de São Paulo
da era do Museu à era dos curadores (1951-2001).
São Paulo: Boitempo Editorial, 2004, p. 206)

Literatura 3 - Aula 2 17 Instituto Universal Brasileiro


Modernismo
Arte moderna e suas vanguardas Cubismo, Dadaísmo e Surrealismo. Carac-
Compreender a arte moderna implica terizam-se pela ruptura com o passado, a
conhecer o formidável mundo de transfor- busca do novo e uma grande integração en-
tre todas as artes.
mações que ocorreram nesse período - de-
senvolvimento científico e tecnológico, in-
venções, primeira guerra mundial etc. – e a Vanguardas Europeias
decorrente forma de ver e sentir o mundo,
que se manifestou numa nova forma de ex-
pressão artística. Na Europa, os anos com-
preendidos entre 1886 e 1914 são conheci-
dos como “belle époque”.

Os detalhes da obra acima, do Museu


de Dali em Figueiras (Catalunha – Espanha),
permitem visualizar a ruptura com as estéticas
precedentes que marcam as vanguardas euro-
peias na Europa no início do século 20. Nesse
A “belle époque” caracteriza-se por período, a Europa experimentava progressos
variadas tendências filosóficas, científicas e industriais, avanços tecnológicos, descober-
literárias. Algumas desaparecem com a Pri- tas científicas e médicas, como: eletricidade,
meira Guerra; outras sobrevivem e originam telefone, rádio, telégrafo, vacina antirrábica,
os movimentos de vanguarda que marcam os tipos sanguíneos, cinema, RX, submarino,
as artes desse século, preocupadas com produção do fósforo. Ao mesmo tempo, havia
uma nova interpretação da realidade. uma disputa pelos mercados financeiros, que
desencadeou a I Guerra Mundial.
O clima estava propício para o surgimen-
to das novas concepções artísticas. Surgiram
inúmeras tendências na arte, principalmente
manifestos advindos do contraste social: de
Chama-se “vanguarda” à tendência ou um lado a burguesia eufórica pela emergente
conjunto de tendências que surgem em deter- economia industrial e, de outro lado, a margi-
minada época em oposição ao estilo vigente,
nalização e descontentamento da classe pro-
principalmente no campo das artes.
letária e a intensificação do desemprego (es-
No início do século 20, houve, na Eu-
ropa, várias manifestações contra a ordem pecialmente após a queda da bolsa de Nova
vigente através de movimentos que ficaram Iorque em 1929). Os movimentos culturais
conhecidos como vanguarda artística euro- desse período, responsáveis por uma série de
peia. Esses movimentos chamados ‘ismos’ em manifestos, são: Futurismo, Expressionismo,
seu conjunto são: Futurismo, Expressionismo, Cubismo, Dadaísmo, Surrealismo, os chama-
dos ‘ismos’ das vanguardas europeias.
Literatura 3 - Aula 2 18 Instituto Universal Brasileiro
Expressionismo

A palavra “vanguarda” vem do francês


avant-garde (termo militar que designa o pelo-
tão que vai à frente). Desde o início do século
20, designa aqueles que, no campo das artes
ou das ideias, está à frente de seu tempo.

Principais movimentos
Surgiu em 1910, na Alemanha, e se
Futurismo desenvolveu mais na pintura, destacando-
se na literatura apenas após a Segunda
Guerra. Caracterizou-se pela expressão do
mundo interior e pelo retrato da realidade
de acordo com a visão do artista. Destaca-
se a valorização de composições abstratas
e de cores fortes, de formas e imagens dis-
torcidas, como na obra O grito de Edvard
Munch. O Expressionismo tem como he-
rança a arte do final do século 19 e valoriza
aquilo que chama de expressão: a mate-
Surgiu na Itália e teve como líder Fi- rialização criativa (na tela ou no papel) de
lippo Tommaso Marinetti. O primeiro ma- imagens geradas no mundo interior do ar-
nifesto futurista, assinado por Marinetti, tista. No Brasil, a principal representante do
foi publicado em 20 de fevereiro de 1912. Expressionismo na pintura é Anita Malfatti,
Foi o primeiro movimento merecedor da que, em 1914, realizou uma primeira expo-
classificação de vanguarda, caracteriza- sição no Brasil e, em 1917, realizou outra,
se pelo interesse ideológico na arte. Sua que gerou muita polêmica.
produção preconiza a subversão radical
da cultura e dos costumes, negando o
passado em sua totalidade e pregando Cubismo
a adesão à pesquisa metódica e à expe-
rimentação estilística e técnica. Houve
cerca de trinta manifestos futuristas, dos
quais destacamos ainda o Manifesto téc-
nico da literatura futurista, de 1912, que
propunha “a destruição da sintaxe”, o uso
de símbolos matemáticos e musicais e o
menosprezo pelo adjetivo, pelo advérbio
e pela pontuação. Na pintura e na escul-
tura, os artistas buscaram apreender o
movimento dos objetos, mudando a forma
de representar a realidade. Temos que Desenvolveu-se inicialmente na pin-
destacar a relação desse movimento com tura, em 1907, e entrou em declínio com
o fascismo, através da apresentação de a Primeira Guerra. Caracterizou-se pelo
elementos da ideologia fascista. uso de formas geométricas e buscou

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retratar os objetos em seus múltiplos ân- Leia o texto proposto pelos poetas
gulos, utilizando também a fragmentação, que integraram o movimento:
como nas obras de Pablo Picasso. Na li-
teratura, o Cubismo iniciou-se em 1913, Receita de poema dadaísta
com um manifesto assinado pelo poeta
francês Guillaume Apollinaire. A literatura Pegue um jornal.
Cubista tem como principais caracterís- Pegue a tesoura.
ticas o humor, o uso de palavras soltas Escolha no jornal um artigo do tamanho
dispostas de forma anárquica, a invenção que você deseja dar a seu poema.
de palavras, a preocupação com a dispo- Recorte o artigo.
sição gráfica do poema (imagens), valo- Recorte em seguida com atenção algu-
rizando o espaço em branco e os tipos mas palavras que formam esse artigo e
usados na composição do texto. meta-as num saco.
Agite suavemente.
Tire em seguida cada pedaço um após
Dadaísmo o outro.
Copie conscienciosamente na ordem
em que elas são tiradas do saco.
O poema se parecerá com você.
E ei-lo um escritor infinitamente original
e de uma sensibilidade graciosa, ainda
que incompreendido do público.

Surrealismo

Iniciou-se na Suíça, em 1916, com


um grupo de refugiados da guerra, um
de seus expoentes é Marcel Duchamp.
É considerado o mais radical dos mo-
vimentos de vanguarda europeus. A
palavra “dada”, da qual deriva o nome
do movimento, não significa nada.
Sua principal característica é a nega- Este é o último movimento da van-
ção. Representa a falta de perspectiva guarda europeia dos anos 20. Iniciou-se
diante da guerra, negando o passado, em 1924, na França, com o Manifesto do
o presente, o futuro e posicionando-se Surrealismo, de André Breton. Caracteri-
contra as teorias e as organizações ló- zou-se pela busca do homem primitivo,
gicas. Defende o absurdo, o caos e a pela proposta de liberação do incons-
desordem e valoriza a sonoridade, o ciente e da imaginação e pela busca
grito e o urro. Um de seus iniciadores da aproximação entre o sonho e a rea-
foi Tristan Tzara, que assinou o Mani- lidade. Propunha o uso da escrita auto-
festo Dada de 1918. mática em que o escritor, deixando-se

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Paulo”. A reação foi enorme: algumas pessoas
levar pelo impulso, registra tudo o que lhe devolveram quadros que haviam comprado du-
vem à mente, sem censura nem organi- rante a exposição; outras saíram em defesa da
zação. O Surrealismo apresenta relação pintora, como Oswald de Andrade.
com os movimentos de vanguarda ante- • Em 1921, Mário de Andrade publicou
riores, como o Futurismo, o Dadaísmo uma série de artigos, intitulada Mestres do pas-
e o Expressionismo. Como o Expressio- sado, em que crítica os poetas parnasianos.
nismo, preocupa-se com a sondagem do Em novembro desse ano, ocorreu a exposição
mundo interior, a liberação do inconscien- de Di Cavalcanti, Fantoches da meia-noite. Du-
te e a valorização do sonho. Esse fascínio rante a exposição, o pintor conheceu o escritor
pelo que transcende a realidade aproxima Graça Aranha e foi então lançada a ideia de se
os surrealistas das ideias do psicanalis- fazer a Semana de Arte Moderna.
ta austríaco Sigmund Freud (1856-1939).
Salvador Dalí, o excêntrico pintor, ficou
conhecido por suas pinturas oníricas que Semana de Arte Moderna
suscitavam a curiosidade e imaginação Em 1922, a Semana de Arte Moderna co-
dos que as viam. locou o Brasil no centro da agitação cultural. A
Semana de 22 ocorreu nos dias 13,15 e 17 de
fevereiro no Teatro Municipal de São Paulo.
Modernismo no Brasil
Sob a influência das vanguardas artísticas
europeias, o Modernismo iniciou-se no Brasil
em 1922, com a realização da Semana de Arte
Moderna. Antes da Semana de Arte Moderna,
também chamada Semana de 22, houve algu-
mas manifestações culturais importantes que se
constituíram em antecedentes do movimento.
• Em 1911, Oswald de Andrade e Emílio
de Menezes fundaram a revista “O Pirralho”, em
que se publicavam poemas de Juó Bananere,
satirizando textos parnasianos e desenhos de A imprensa divulgou o acontecimento e a
Di Cavalcanti. “O Pirralho” circulou até 1917. lista de seus prováveis participantes, criando
• Em 1912, Oswald de Andrade retorna de um clima de expectativa e motivando o com-
uma viagem à Europa e divulga no Brasil ideias parecimento de um grande público à primeira
cubistas e futuristas, entre as quais o verso livre. noite do espetáculo. Foram espalhadas pintu-
• Em 1913, Lasar Segall - pintor russo que ras e esculturas pelo saguão do teatro provo-
se fixara no Brasil - realizou uma exposição de cando espanto e repúdio no público.
pintura expressionista. Anita Malfatti – pintora
brasileira - também fez sua exposição, em 1914.
• Em 1917, Mário de Andrade publica Há
uma gota de sangue em cada poema, em que
há tímidas inovações de linguagem. Publicam-
se também livros de outros autores que virão a
se destacar no Modernismo. O principal aconte-
cimento do ano foi à exposição de obras expres-
sionistas de Anita Malfatti e sua repercussão.
Monteiro Lobato fez uma crítica dura a essa ex-
posição, no artigo intitulado Paranoia ou mistifi-
cação?, publicado no jornal “O Estado de São
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A conferência de abertura, intitulada “A derna só foi adquirir sua real importância ao in-
emoção estética na arte moderna”, foi rea- serir suas ideias ao longo do tempo.
lizada por Graça Aranha na noite de 13 de
fevereiro, ilustrada com música executada
por Ernani Braga e com poemas apresen-
tados por Guilherme de Almeida e Ronald
de Carvalho. Na segunda parte, Ronald de
Carvalho realizou a conferência “A pintura Publicações importantes
e a escultura moderna no Brasil” e houve
números musicais. • Revista “Klaxon” - publicada em
A segunda noite, 15 de fevereiro, foi a São Paulo em 1922.
mais agitada. Iniciou-se com uma palestra • Movimento Pau-brasil - iniciou-se
de Menotti dei Picchia, ilustrada com textos em 1924 com a publicação do “Manifesto
apresentados por Oswald de Andrade, Mário Pau-brasil”, de Oswald de Andrade. De-
de Andrade, Plínio Salgado e outros. Ronald fendia o primitivismo, a redescoberta do
de Carvalho declamou o poema Os sapos, de Brasil e do mundo, valorizando o progres-
Manuel Bandeira (que você lerá mais adiante, so e a língua coloquial.
nesta aula), o qual se constitui numa crítica • Movimento Verde-amarelo - foi
direta ao Parnasianismo. A declamação foi organizado em 1926 para combater o pri-
acompanhada de gritos e vaias. Na sequên- mitivismo do Movimento Pau-brasil. Seus
cia, houve solos de piano por Guiomar No- participantes formaram, em 1927, o Grupo
vaes. No intervalo, Mário de Andrade fez uma da Anta, mais voltado para o indianismo.
palestra sobre as artes plásticas no saguão do • Movimento Antropofágico - ini-
teatro. Na segunda parte, realizaram-se apre- ciou-se em 1928. Defendia o fim da in-
sentações musicais. fluência estrangeira em nossa cultura. O
Na terceira e última noite, 17 de feve- grupo que o constituiu - do qual faziam
reiro, houve apresentações musicais. O tea- parte Oswald de Andrade, Tarsila do Ama-
tro já não estava lotado e a atitude do públi- ral, Alcântara Machado, Raul Bopp e ou-
co era mais respeitosa. Até que Villa-Lobos tros - fundou a “Revista de Antropofagia”,
entrou em cena de casaca e chinelos, usan- na qual se publicou o “Manifesto Antropó-
do um guarda-chuva como bengala. O pú- fago”, de Oswald de Andrade.
blico vaiou-o, interpretando a atitude como
futurista. Mais tarde, Villa-Lobos explicaria
que não se tratava de futurismo, mas de um Frases do Manifesto Antropofágico
problema no pé que o impedia de calçar sa-
patos. Só a Antropofagia nos une. Social-
A realização da Semana de 22 contou mente. Economicamente. Filosoficamente.
com o apoio financeiro dos fazendeiros de Única lei do mundo. Expressão
café. Isto se constitui numa contradição, já que mascarada de todos os individualismos,
os organizadores declaravam ter como objetivo de todos os coletivismos. De todas as re-
“assustar a burguesia que cochila na glória de ligiões. De todos os tratados de paz.
seus lucros”. Com esse evento, consagrou-se Tupy or not tupy that is the question.
a ruptura com a tradição, ressaltando-se a opo- (...)
sição entre o velho e o novo. Pela primeira vez, Foi porque nunca tivemos gramá-
a arte brasileira esteve em consonância com ticas, nem coleções de velhos vegetais.
a arte mundial, influenciada pelos movimentos E nunca soubemos o que era urbano,
de vanguarda que vigoravam na Europa. suburbano, fronteiriço e continental.
A partir desse evento, o Modernismo re- Preguiçosos no mapa-múndi do Brasil.
percutiu em todo o país. Embora tenha sido (...)
alvo de muitas críticas, a Semana de Arte Mo-
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Primeira Geração Modernista (1922 - 1930)
Queremos a Revolução Caraíba.
Maior que a Revolução Francesa. A
unificação de todas as revoltas efica-
zes na direção do homem. Sem nós a
Europa não teria sequer a sua pobre
declaração dos direitos do homem.
(...)
Nunca fomos catequizados. Vive-
mos através de um direito sonâmbulo.
Fizemos Cristo nascer na Bahia. Ou
em Belém do Pará.
Mas nunca admitimos o nascimen-
to da lógica entre nós.
(...)
Nunca fomos catequizados. Fize- A composição O Homem Amarelo, se-
mos foi Carnaval. O índio vestido de Se- gunda versão, da pintora brasileira Anita
nador do Império. Fingindo de Pitt. Ou Malfatti é a sua obra mais conhecida. Ao
figurando nas óperas de Alencar cheio ser apresentada na Semana de Arte Moder-
de bons sentimentos portugueses. na, em 1922, a tela também foi motivo de
(...) polêmica. A primeira fase do Modernismo
Antes dos portugueses descobri- (1922-1930) é a de uma geração revolucio-
rem o Brasil, o Brasil tinha descoberto nária, tanto nas artes como na política: vol-
a felicidade”. ta-se contra toda espécie de “passadismo”
e acredita no progresso e nas possibilida-
OSWALD DE ANDRADE Em “Piratininga Ano 374
da Deglutição do Bispo Sardinha.” (Revista de An-
des de transformação do mundo; é uma ge-
tropofagia, Ano 1, No. 1, maio de 1928.) ração crítica e anarquista; uma geração de
combate. Suas armas: a piada, o ridículo,
o escândalo, a agitação. Manuel Bandeira,
Mário de Andrade e Oswald de Andrade for-
mam o trio de escritores mais importantes
da Primeira Fase Modernista. Esta fase é
responsável pela divulgação e solidificação
Os sapos de Manuel Bandeira desse movimento no Brasil.
causam indignação na plateia
Principais características da 1ª fase
Todo novo movimento artístico é uma
ruptura com os padrões utilizados pelo ante- • Nacionalismo;
rior, isto vale para todas as formas de expres- • Volta à história do Brasil, reava-
sões, sejam elas através da pintura, literatura,
liando-a e relendo os textos dos cronis-
escultura, poesia, etc. Ocorre que nem sempre
tas; Oswald de Andrade escreve poe-
o novo é bem aceito, isto foi bastante eviden-
te no caso do Modernismo, que, a princípio, mas paródicos a partir desses textos;
chocou por fugir completamente da estética • Redescoberta da realidade bra-
europeia tradicional que influenciava os artis- sileira;
tas brasileiros. Durante a leitura do poema Os • Negação do passado, caráter
Sapos, de Manuel Bandeira (leitura feita por destrutivo;
Ronald de Carvalho), o público presente no • Aproximação entre a linguagem
Teatro Municipal se manifesta em coro, com falada e a escrita, valorizando-se o coti-
vaias e gritos de desaprovação. diano e a linguagem coloquial; desejo de

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Poesias completas, reunindo as obras an-
liberdade no uso das estruturas da língua; teriores e mais Lira dos cinquenta anos
• Predominância da poesia sobre a (1940), Mafuá do malungo, Versos de cir-
prosa; abandono das formas fixas e uso cunstância (1948), Obras poéticas (1956),
predominante do verso livre; Alumbramentos (1960), Estrela da tarde
• Ausência de pontuação nos poe- (1960). Prosa: Crônicas da província do
mas, enumeração caótica de ideias; Brasil (1936), Guia de Ouro Preto (1938),
• Referência a aspectos da vida Noções de história das literaturas (1940),
moderna, do progresso e do cotidiano; Autoria das Cartas chilenas, Separata da
• Humor e irreverência nos textos, Revista do Brasil (1940), Apresentação
destacando-se os poemas-piada; da poesia brasileira (1946), Literatura his-
• Uso da metalinguagem, desen- pano-americana (1949), Gonçalves Dias,
volvendo uma reflexão sobre a criação biografia (1952), Itinerário de Pasárgada
poética. (1954), De poetas e de poesia (1954), A
flauta de papel (1957), Prosa, reunindo
obras anteriores, Ensaios literários, Críti-
Principais autores da 1ª Geração ca de Artes e Epistolário (1958), Andori-
nha, andorinha, crônicas (1966), Os reis
Manuel Bandeira (1886-1968) vagabundos e mais 50 crônicas (1966),
Colóquio unilateralmente sentimental, crô-
Natural do Re- nica (1968).
cife dedicou toda a
sua vida ao estudo Leia alguns de seus poemas
e à poesia. Publicou
seu primeiro livro, A
Os Sapos
cinza das horas, em
1917 e, em segui-
da, Carnaval, em Enfunando os papos,
1919. Embora não Saem da penumbra,
tenha participado Aos pulos, os sapos.
da Semana de 22, A luz os deslumbra.
seu poema Os sa-
pos foi lido durante
o evento por Ro- Em ronco que aterra,
nald de Carvalho, Berra o sapo-boi:
provocando muitas reações. Sua obra ca- - “Meu pai foi à guerra!”
racteriza-se pela liberdade formal, sendo - “Não foi!” - “Foi!” - “Não foi!”.
muito valorizada sua habilidade no uso do
verso livre. Sua poesia é simples, fazendo
uso da linguagem coloquial e do humor. O sapo-tanoeiro,
Seus temas são o corriqueiro, o cotidiano, Parnasiano aguado,
a evocação da cidade do Recife, da família, Diz: - “Meu cancioneiro
da infância e um tratamento do amor que É bem martelado.
beira o erotismo. Além de escrever, dedi-
cou-se durante muito tempo ao ensino de
Vede como primo
literatura. Veja algumas de suas principais
obras. Poesia: Poesias, reunindo A cin- Em comer os hiatos!
za das horas, Carnaval, O ritmo dissoluto Que arte! E nunca rimo
(1924), Libertinagem (1930), Estrela da Os termos cognatos.
manhã (1936), Poesias escolhidas (1937),
Literatura 3 - Aula 2 24 Instituto Universal Brasileiro
O meu verso é bom Poética
Frumento sem joio.
Faço rimas com Estou farto do lirismo comedido
Consoantes de apoio. Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro
Vai por cinquenta anos de ponto expediente protocolo e
Que lhes dei a norma: [manifestações de apreço ao Sr. Diretor
Reduzi sem danos Estou farto do lirismo que pára e vai
A fôrmas a forma. averiguar no dicionário o cunho
[vernáculo de um vocábulo
Clame a saparia Abaixo os puristas
Em críticas céticas: Todas as palavras sobretudo os barba-
Não há mais poesia, rismos universais
Mas há artes poéticas...” Todas as construções sobretudo as
sintaxes de exceção
Urra o sapo-boi: Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
- “Meu pai foi rei!”- “Foi!” Estou farto do lirismo namorador
- “Não foi!” - “Foi!” - “Não foi!”. Político
Raquítico
Brada em um assomo Sifilítico
O sapo-tanoeiro: De todo lirismo que capitula ao que
- “A grande arte é como quer que seja fora de si mesmo.
Lavor de joalheiro. De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de cosenos
Ou bem de estatuário. secretário do amante exemplar
Tudo quanto é belo, [com cem modelos de cartas e as dife-
Tudo quanto é vário, rentes maneiras de agradar às
Canta no martelo”. [mulheres etc.
Quero antes o lirismo dos loucos
Outros, sapos-pipas O lirismo dos bêbedos
(Um mal em si cabe), O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
Falam pelas tripas, O lirismo dos clowns de Shakespeare
- “Sei!” - “Não sabe!” - “Sabe!”. - Não quero mais saber do lirismo que
não é libertação.
Longe dessa grita,
Lá onde mais densa
A noite infinita Pneumotórax
Veste a sombra imensa;
Febre, hemoptise, dispneia e suo-
Lá, fugido ao mundo, res noturnos.
Sem glória, sem fé, A vida inteira que podia ter sido e
No perau profundo que não foi.
E solitário, é Tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico:
Que soluças tu, - Diga trinta e três.
Transido de frio, - Trinta e três... trinta e três... trin-
Sapo-cururu ta e três...
Da beira do rio... - Respire.

Literatura 3 - Aula 2 25 Instituto Universal Brasileiro


- O senhor tem uma escavação no E quando estiver cansado
pulmão esquerdo e o pulmão direito in- Deito na beira do rio
filtrado. Mando chamar a mãe-d’água
- Então, doutor, não é possível ten- Pra me contar as histórias
tar o pneumotórax?
Que no tempo de eu menino
- Não. A única coisa a fazer é tocar
Rosa vinha me contar
um tango argentino.
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
No próximo poema, destaca-se a pers-
pectiva da morte: É outra civilização
Tem um processo seguro
Poema tirado de uma De impedir a concepção
noticia de jornal Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
João Gostoso era carregador de Tem prostitutas bonitas
feira-livre e morava no morro da Babilô- Para a gente namorar
nia num barracão sem número E quando eu estiver mais triste
Uma noite ele chegou no bar Vinte Mas triste de não ter jeito
de Novembro
Quando de noite me der
Bebeu
Cantou Vontade de me matar
Dançou - Lá sou amigo do rei -
Depois se atirou na Lagoa Rodrigo Terei a mulher que eu quero
de Freitas e morreu afogado. Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Pasárgada
Mário de Andrade (1893-1945)
Vou-me embora para Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada Nascido em
Lá sou amigo do rei São Paulo, foi pro-
Lá tenho a mulher que eu quero fessor de música,
Na cama que escolherei fez crítica literária
Vou-me embora pra Pasárgada e de outras artes
para vários jor-
Vou-me embora pra Pasárgada
nais e revistas,
Aqui eu não sou feliz
fez pesquisas so-
Lá a existência é uma aventura
bre folclore e foi
De tal modo inconsequente um grande poeta
Que Joana a Louca de Espanha e romancista. Em
Rainha e falsa demente 1917, publicou o
Vem a ser contraparente livro “Há uma gota
Da nora que nunca tive de sangue em cada poema”, em que há
E como farei ginástica referências à Primeira Guerra e não há
Andarei de bicicleta grandes inovações formais. Em 1922, par-
Montarei em burro brabo ticipou da Semana de Arte Moderna e pu-
Subirei no pau-de-sebo blicou o livro de poemas “Paulicéia desvai-
Tomarei banhos de mar! rada”. Nessa obra, destaca-se a exaltação
da cidade, a crítica ao burguês e o uso da
Literatura 3 - Aula 2 26 Instituto Universal Brasileiro
linguagem popular, com uma ortografia
que visava a reproduzir a linguagem oral, que vivem dentro de muros sem pulos;
lançando-se então sua ideia de criar “uma e gemem sangue de alguns mil-réis
língua brasileira”. A cidade de São Paulo, fracos
sua maior paixão, foi retratada no livro em para dizerem que as filhas da se-
sua multiplicidade. Outros elementos de nhora falam o francês
sua poesia são o nacionalismo, a referên- e tocam o “Printemps” com as unhas!
cia a temas regionais, costumes etc., res- Eu insulto o burguês-funesto!
saltando a multiplicidade cultural do Bra- O indigesto feijão com toucinho,
sil, principalmente em Clã do jabuti. Em dono das tradições!
Remate de males, encontramos elementos Fora os que algarismam os amanhãs!
líricos que expressam a interioridade do Olha a vida dos nossos setembros!
poeta. Mário escreveu também contos que Fará Sol? Choverá? Arlequinal!
foram publicados nos livros Belazarte e Mas à chuva dos rosais
Contos novos. Recentemente, foi publica- o êxtase fará sempre Sol!
do o conto Balança, Trombeta e Battleship Morte à gordura!
ou O descobrimento da alma em que Mário Morte às adiposidades cerebrais!
faz uma crítica social paralelamente à nar- Morte ao burguês-mensal!
ração de uma viagem que fez à Amazônia. ao burguês-cinema! ao burguês-tílburi!
Em O turista aprendiz o escritor narra, sob Padaria Suíssa! Morte viva ao
a forma de diário, as impressões sobre os Adriano!
lugares visitados em suas viagens à Ama- “- Ai, filha, que te darei pelos teus anos?
zônia e ao nordeste do Brasil. Os textos
- Um colar... - Conto e quinhentos!!!
foram publicados pela primeira vez no
Mas nós morremos de fome!”
“Diário Nacional”, como crónicas, sendo
Come! Come-te a ti mesmo, oh!
reunidos em livro com este título em 1976.
gelatina pasma!
Seus romances são muito importantes na
Oh! purée de batatas morais!
literatura brasileira. Amar, verbo intransi-
Oh! cabelos nas ventas! oh! care-
tivo, publicado em 1927, faz uma crítica à
cas!
burguesia paulista.
Ódio aos temperamentos regulares!
Leia trechos de seus poemas Ódio aos relógios musculares!
e romances Morte e infâmia!
Ódio à soma! Ódio aos secos e mo-
lhados!
Ode ao burguês
Ódio aos sem desfalecimentos
nem arrependimentos,
Eu insulto o burguês! O burguês- sempiternamente as mesmices
-níquel, convencionais!
o burguês-burguês! De mãos nas costas! Marco eu o
A digestão bem feita de São Paulo! compasso! Eia!
O homem-curva! o homem-nádegas! Dois a dois! Primeira posição! Marcha!
O homem que sendo francês, bra- Todos para a Central do meu ran-
sileiro, italiano, cor inebriante!
é sempre um cauteloso pouco-a- Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e
-pouco! mais ódio!
Eu insulto as aristocracias cautelosas! Morte ao burguês de giolhos,
Os barões lampeões! os condes cheirando religião e que não crê
Joões! os duques zurros! em Deus!

Literatura 3 - Aula 2 27 Instituto Universal Brasileiro


Ódio vermelho! Ódio fecundo! Ódio Saudade.
cíclico! Meus pés enterrem na Rua Aurora,
Ódio fundamento, sem perdão! No Paiçandu deixem meu sexo,
Fora! Fu! Fora o bom burguês!... Na Lopes Chaves a cabeça
Esqueçam.
No Pátio do Colégio afundem
Pauliceia desvairada O meu coração paulistano:
Um coração vivo e um defunto
Inspiração Bem juntos.
São Paulo! Comoção de minha vida... Escondam no Correio o ouvido
Os meus amores são flores feitas Direito, o esquerdo nos Telégrafos,
de original... Quero saber da vida alheia,
Arlequinal!... Traje de losangos... Sereia.
Cinza e ouro. O nariz guardem nos rosais,
Luz e bruma... Forno e inverno morno... A língua no alto do Ipiranga
Elegâncias sutis sem escândalos, Para cantar a liberdade.
sem ciúmes. Saudade...
Perfumes de Paris... Arys! Os olhos lá no Jaraguá
Bofetadas líricas no Trianon... Al- Assistirão ao que há de vir,
godoal!... O joelho na Universidade,
São Paulo! comoção de minha vida... Saudade.
Galicismo a berrar nos desertos da As mãos atirem por aí,
América! Que desvivam como viveram,
As tripas atirem pro Diabo.
Nos dois poemas seguintes, Mário re- Que o espírito será de Deus.
vela sua intensa relação com a cidade, con- Adeus.
tando sua história a partir de ruas e lugares
que lhe são familiares:
Macunaíma
Na rua Aurora eu nasci
Na aurora de minha vida “No fundo do mato-virgem nasceu
E numa aurora cresci. Macunaíma, herói de nossa gente. Era
No largo do Paiçandu preto retinto e filho do medo da noite.
Sonhei, foi luta renhida, Houve um momento em que o si-
Fiquei pobre e me vi nu. lêncio foi tão grande escutando o mur-
Nesta rua Lopes Chaves murejo do Uraricoera, que a índia tapa-
Envelheço, e envergonhado nhumas pariu uma criança feia. Essa
Nem sei quem foi Lopes Chaves. criança é que chamaram de Macunaíma.
Mamãe! me dá essa lua Já na meninice fez coisas de sara-
Ser esquecido e ignorado pantar. De primeiro passou mais de seis
Como esses nomes de rua. anos não falando. Si o incitavam a falar
exclamava:
Quando eu morrer -Ai! que preguiça!...
e não dizia mais nada. Ficava no
Quando eu morrer quero ficar, canto da maloca, trepado no jirau de
Não contem aos meus inimigos, paxiúba, espiando o trabalho dos outros
Sepultado em minha cidade, e principalmente os dois manos que ti-
nha, Maanape já velhinho e Jiguê na

Literatura 3 - Aula 2 28 Instituto Universal Brasileiro


Brasil o Futurismo e o Cubismo. Foi uma
força de homem. O divertimento dele figura fundamental na primeira metade do
era decepar cabeça de saúva. Vivia século 20. Escreveu o “Manifesto Pau-bra-
deitado mas si punha os olhos em di- sil”, em 1923, e o “Manifesto Antropofági-
nheiro, Macunaíma dandava pra ga- co”, em 1928, encabeçando os dois mo-
nhar vintém. vimentos artísticos de mesmo nome. Por
E também espertava quando a fa- seu temperamento irônico e gozador, teve
mília ia tomar banho no rio, todos jun- uma vida atribulada, ganhando e perden-
tos e nus. Passava o tempo do banho do amigos constantemente. Sua vida sen-
dando mergulho, e as mulheres solta- timental também foi bastante instável, ten-
vam gritos gozados por causa dos guai- do se casado várias vezes. Em sua obra,
muns diz-que habitando a água-doce destacam-se o humor, a inovação, a irre-
por lá. No mucambo si alguma cunhatã verência, a paródia e a crítica. No livro de
se aproximava dele para fazer festinha, poemas Pau-brasil, publicado em 1925,
Macunaíma punha a mão nas graças põe em prática as propostas do manifes-
dela, cunhatã se afastava. to de mesmo nome: “A língua sem arcaís-
Nos machos guspia na cara. Po- mos, sem erudição. Natural e neológica. A
rém respeitava os velhos e frequentava contribuição milionária de todos os erros.
com aplicação a murua a poracê o torê Como falamos. Como somos”. Incorpora à
o bacorocô a cucuicogue, todas essas poesia a linguagem cotidiana, o neologis-
danças religiosas da tribo. mo, recupera trechos escritos pelos cro-
Quando era pra dormir trepava no nistas e viajantes, deslocando-os para o
macuru pequeninho sempre se esque- espaço poético. Em Primeiro Caderno do
cendo de mijar. Como a rede da mãe aluno de poesia Oswald de Andrade, pu-
estava por debaixo do berço, o herói blicado em 1927, escreve poemas sobre a
mijava quente na velha, espantando os vida e a cidade servindo-se de um olhar e
mosquitos bem. Então adormecia so- uma linguagem infantil. Ele mesmo ilustra
nhando palavras feias, imoralidades es- os poemas com desenhos também infan-
trambólicas e dava patadas no ar.” tis. Os poemas completam-se no desenho
e vice-versa. Outros livros de poemas do
(...)
autor são O escaravelho de ouro. Cântico
dos cânticos para flauta e violão - poema
Oswald de Andrade (1890-1954) lírico dedicado a Maria Antonieta d’Alk-
min - e O santeiro do mangue, publicado
postumamente. Há dois romances de sua
autoria: Memórias sentimentais de João
Miramar, publicado em 1924, e Serafim
Ponte Grande, publicado em 1927. Esses
textos possuem uma estrutura revolucio-
nária, apresentando capítulos curtíssimos
e semi-independentes, num misto de poe-
sia e prosa. São fragmentos quase cine-
matográficos, superpondo sensações ou
fundindo-as, num procedimento semelhan-
te ao da pintura cubista. Oswald escreveu
ainda ensaios, peças de teatro como O ho-
Nasceu em São Paulo. Em 1912, rea- mem e o cavalo (1934), A morta e O rei da
lizou sua primeira viagem à Europa, en- vela (1937) e um livro de memórias: Um
trando em contato com os movimentos de homem sem profissão - Sob as ordens de
vanguarda. Nos anos 20, introduziu no mamãe.
Literatura 3 - Aula 2 29 Instituto Universal Brasileiro
Leia alguns textos do autor
Do livro Primeiro caderno do aluno
Do livro Pau-brasil de poesia Oswald de Andrade

Escapulário Anacronismo
No Pão de Açúcar
De Cada Dia O português ficou comovido de achar
Dai-nos Senhor Um mundo inesperado nas águas
A Poesia E disse: Estados Unidos do Brasil
De Cada Dia
“História do Brasil” - “Pêro Vaz Caminha”

A descoberta
Seguimos nosso caminho por este mar
de longo
Até a oitava da Páscoa
Topamos aves
E houvemos vista de terra.
“História do Brasil” - J.M.P.S. (da cidade do porto) As quatro gares

Vício na fala Para o Álvaro Moreyra


Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió Infância
Para pior pió
Para telha dizem teia O camisolão
Para telhado dizem teiado
O jarro
E vão fazendo telhados.
Opassarinho
O oceano
A visita na casa da gente
“Poemas da colonização” sentada no sofá

Relicário Ao Alcântara
No baile da Corte
Foi o Conde d’Eu quem disse
Pra Dona Benvinda
Que farinha de Suruí
Pinga de Parati
Fumo de Baependí
É come bebé pita e caí Adolescência
“Postes da light”
Aquele amor
Pronominais
Nem me fale
Dé-me um cigarro
Diz a gramática
Ao Rubens
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro

Literatura 3 - Aula 2 30 Instituto Universal Brasileiro


Maturidade que estava para ser a mãe de Deus.
Vacilava o morrão do azeite bojudo
O Sr. e a Sra. Amadeu em cima do copo. Um manequim esque-
Participam a V. Excia. cido vermelhava.
O feliz nascimento - Senhor convosco, bendita sois
De sua filha entre as mulheres, as mulheres não têm
Gilberta pernas, são como o manequim de ma-
mãe até embaixo. Para que pernas nas
Para Sérgio Buarque mulheres, amém.

2 – Éden
A cidade de São Paulo na América
Velhice do Sul não era um livro que tinha cara de
bichos esquisitos e animais de história.
O netinho jogou os Apenas nas noites dos verões dos
óculos serões de grilos armavam campo aviató-
Na latrina rio com os berros do invencível São Bento
as baratas torvas da sala de jantar.

3 - Gare do infinito
Papai estava doente na cama e
vinha um carro e um homem e o carro
Do livro Cântico dos cânticos ficava esperando no jardim.
para flauta e violão Levaram-me para uma casa ve-
lha que fazia doces e nos mudamos
Relógio para a sala do quintal onde tinha uma
As coisas são figueira na janela.
As coisas vêm No desabar do jantar noturno a voz
As coisas vão toda preta de mamãe ia me buscar para
As coisas a reza do Anjo que carregou meu pai.
Vão e vêm
As horas 4- Gatunos de crianças
Vão e vêm O circo era um balão aceso com
Não em vão música e pastéis na entrada.
E funâmbulos cavalos palhaços
Do livro Memórias sentimentais desfiaram desarticulações risadas para
de João Miramar meu trono de pau com gente em redor.
Gostei muito da terra da Goiabada
1 - O pensieroso e tive inveja da vontade de ter sido rou-
Jardim desencanto bado pelos ciganos.
O dever e procissões com pálios
E cónegos 5 - Perigo das armas
Lá fora Entrei para a escola mista de D.
E um circo vago e sem mistério Matilde.
Urbanos apitando nas noites cheias Ela me deu um livro com cem figu-
Mamãe chamava-me e conduzia-me ras para contar a mamãe a história do
para dentro do oratório de mãos grudadas. rei Carlos Magno.
- O Anjo do Senhor anunciou à Maria Roldão num combate espetou com

Literatura 3 - Aula 2 31 Instituto Universal Brasileiro


(1943); A Academia e a Língua Brasileira
um pau a gengiva aflita do Maneco que (1943); A Poesia na Técnica do Romance
era filho da venda da esquina e mamãe (1953); O Tratado de Petrópolis (1954); O
botou no fogo a minha Durindana.. Homem Cordial (1959); 22 e a Poesia de
Hoje (1962); O Indianismo de Gonçalves
Dias (1964); Poesia, Práxis e 22 (1966);
Cassiano Ricardo (1895-1974) Reflexos sobre a Poética de Vanguarda
(1966).
Foi jornalis-
ta, poeta, histo- Leia um poema de
riador e ensaís- Cassiano Ricardo
ta, além de ter
sido membro da
O Relógio
Academia Brasi-
leira de Letras.
Seu primeiro li- Diante de coisa tão doída
vro Dentro da Noi- Conservemo-nos serenos
te foi publicado Cada minuto de vida
quando ainda Nunca é mais, é sempre menos.
era jovem (16 Ser é apenas uma face
anos). Como jornalista sua participação foi Do não ser, e não do ser
muito ativa: trabalhou no Correio Paulista- Desde o instante em que se nasce
no (1923 a 1930); dirigiu A Manhã (jornal). Já se começa a morrer.
Participou dos grupos modernistas “Verde
Amarelo” e “Anta”, juntamente com Plínio
Salgado, Menotti del Picchia, Raul Bopp, Alcântara Machado (1901-1935)
Cândido Mota Filho e outros; muitos de
seus poemas foram traduzidos para vários
idiomas. Além de ter sido o fundador das
revistas Novíssima (1924), Planalto (1930)
e Invenção (1962). Sua obra passou por di-
versas fases: parnasiana, simbolista e por
fim, a modernista.
Veja algumas de suas principais obras.
Poesia: Dentro da Noite (1915); A Frauta de
Pã (1917); Vamos Caçar Papagaios (1926);
Martim-Cererê (1928); Deixa Estar, Jacaré
(1931); O Sangue das Horas (1943); Um
Dia Depois do Outro (1947); A Face Per-
dida (1950); Poemas Murais (1950); Sone-
tos (1952); João Torto e a Fábula (1956); O
Arranhacéu de Vidro (1956); Poesias Com-
pletas (1957); Montanha Russa (1960); A
Difícil Manhã (1960); Jeremias sem Cho-
rar (1964); Antologia Poética (1964). Pro-
sa: O Brasil no Original (1936); Discurso
na Academia Brasileira (1938); O Negro
na Bandeira (1938); A Academia e a Poe-
sia Moderna (1939); Pedro Luís Visto Pe-
los Modernos (1939); Marcha para o Oeste
Literatura 3 - Aula 2 32 Instituto Universal Brasileiro
Em 1925, viajou à Europa e de lá envia-
va crônicas e reportagens que deram origem Abre a bolsa e espreita o espelhinho
a seu livro de estreia Pathé Baby, publicado quebrado, que reflete a boca reluzente de
em 1926, o qual foi prefaciado por Oswald de carmim primeiro, depois o nariz chumbe-
Andrade. Em 1926, fundou a revista Terra roxa va, depois os fiapos de sobrancelha, por
e outras terras, juntamente com Paulo Prado, último as bolas de metal branco na ponta
Couto de Barros e outros. Colaborou também das orelhas descobertas.Bianca por ser
na “Revista de Antropofagia”, em 1928, e na estrábica e feia é a sentinela da compa-
revista “Nova”. Em 1927, publicou o livro de nheira.
contos Brás, Bexiga e Barra Funda, com o - Olha o automóvel do outro dia.
qual se consagrou. Nesse livro, apresenta a - O caixa-d’óculos?
cidade de São Paulo e seu povo, focalizan- - Com uma bruta luva vermelha.
do principalmente os imigrantes italianos que O caixa-d’óculos pára o Buick de
viviam nos bairros humildes e trabalhavam
propósito na esquina da praça.
como operários. As histórias são contadas
- Pode passar.
num “dialeto” que é uma mistura do português
- Muito obrigada.
com o italiano, chamado “português-macarrô-
nico”. Brás, Bexiga e Barra Funda não é uma Passa na pontinha dos pés. Cabeça
sátira. baixa. Toda nervosa.
Leia um trecho: - Não vira para trás, Bianca. Escan-
dalosa!
Diante de Álvares de Azevedo (ou
Carmela
Fagundes Varela) o Ângelo Cuoco de sa-
Dezoito horas e meia. Nem mais um patos vermelhos de ponta afilada, meias
minuto porque a madama respeita as ho- brancas, gravatinha deste tamanhinho,
ras de trabalho. Carmela sai da oficina. chapéu à Rodolfo Valentino, paletó de um
Bianca vem ao seu lado. botão só, espera há muito com os olhos
A Rua Barão de Itapetininga é um escangalhados de inspecionar a Rua Ba-
depósito sarapintado de automóveis gri- rão de Itapetininga.
tadores. As casas de modas (AO CHIC - O Ângelo!
PARISIENSE, SÃO PAULO-PARIS, PA- - Dê o fora.
RIS ELEGANTE) despejam nas calça- Bianca retarda o passo.
das as costureirinhas que riem, falam
alto, balançam os quadris como gan-
gorras. Gaetaninho
- Espia se ele está na esquina.
- Não está. “Grito materno sim: até filho surdo
- Então está na Praça da República. escuta. Virou o rosto tão feio de sardento,
Aqui tem muita gente mesmo. viu a mãe e viu o chinelo.
- Que fiteiro! - Súbito!
O vestido de Carmela coladinho no
Foi-se chegando devagarinho, de-
corpo é de organdi verde. Braços nus,
vagarinho. Fazendo beicinho. Estudando
colo nu, joelhos de fora. Sapatinhos ver-
o terreno. Diante da mãe e do chinelo pa-
des.
Bago de uva Marengo maduro para rou. Balançou o corpo. Recurso de cam-
os lábios dos amadores. peão de futebol. Fingiu tomar a direita.
- Ai que rico corpinho! Mas deu meia volta instantânea e varou
- Não se enxerga, seu cafajeste? pela esquerda porta adentro.
Português sem educação! Eta salame de mestre!”

Literatura 3 - Aula 2 33 Instituto Universal Brasileiro


Oswald de Andrade e Manuel Bandeira
formam o trio de escritores mais importantes
da Primeira Fase Modernista (1922 – 1930).
Esta fase é responsável pela divulgação e so-
Modernismo lidificação desse movimento no Brasil.

Arte moderna e suas Mário de Andrade


vanguardas
Um dos principais autores da Primei-
Os movimentos de vanguarda emer- ra fase do Modernismo. Em 1922, publicou
giram na Europa nas duas primeiras déca- “Paulicéia desvairada” e, em 1928, publicou
das do século 20 e provocaram ruptura com o romance “Macunaima”.
a tradição cultural do século 19. Foram ex-
tremamente radicais e influenciaram mani- Oswald de Andrade
festações artísticas em todo o mundo.
As cinco principais correntes van- Foi uma figura fundamental na primeira
guardistas foram: metade do século XX. Escreveu o “Manifes-
• Futurismo; to Pau-brasil”, em 1923, e o “Manifesto An-
• Cubismo; tropofágíco”, em 1928. Há dois romances
• Dadaísmo; de sua autoria: “Memórias sentimentais de
• Expressionismo; João Miramar”, publicado em 1924, e “Sera-
• Surrealismo. fim Ponte Grande”, publicado em 1927.

Modernismo no Brasil Manuel Bandeira

O Modernismo iniciou-se no Brasil em O terceiro grande nome da geração do


1922 com a Semana de Arte Moderna. Reu- modernismo brasileiro, teve a vida marcada
niu no Teatro Municipal de São Paulo, nos dias pela doença, uma tuberculose que descobriu
13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, os novos ar- ainda na adolescência. Nos poemas “Os sa-
tistas brasileiros. A arte moderna provocou a pos” e “Poética” faz uma crítica direta à escola
reação irada de muitos na plateia. Literária conhecida como Parnasianismo.
Embora tenha sido alvo de muitas críti-
cas, a Semana de Arte Moderna só foi adqui- Cassiano Ricardo
rir sua real importância ao inserir suas ideias
ao longo do tempo. O movimento modernis- Participou dos grupos modernistas. Sua
ta continuou a expandir-se por divulgações obra poética passou por várias fases culmi-
através da Revista Antropofágica e da Revis- nando na modernista. Últimos poemas em
ta Klaxon, e também pelos seguintes movi- 1966: Poesia, Práxis e Reflexos sobre a Poé-
mentos: Movimento Pau-Brasil, Grupo da tica de Vanguarda.
Anta, Verde-Amarelismo e pelo Movimen-
to Antropofágico. Alcântara Machado

Primeira fase do Modernismo Publicou em 1927, o livro de contos


“Brás, Bexiga e Barra Funda”. Nesse livro,
Também conhecida como fase nacio- apresenta a cidade de São Paulo e seu povo,
nalista, porque se caracteriza pela “redesco- focalizando principalmente os imigrantes ita-
berta” do Brasil e pela valorização dos ele- lianos que viviam nos bairros humildes e tra-
mentos próprios do país. Mário de Andrade, balhavam como operários.

Literatura 3 - Aula 2 34 Instituto Universal Brasileiro


são verdadeiras (V) ou falsas (F) e escolha
a alternativa correta.
Com o modernismo e as vanguardas
artísticas, houve mudanças importantes.
( ) O surrealismo trouxe a exploração
1. Leia e responda: do inconsciente, presente na pintura do es-
panhol Salvador Dali e na obra literária do
Garoa do meu São Paulo, francês André Breton.
-Timbre triste de martírios- ( ) As obras causaram grande impac-
Um negro vem vindo, é branco! to, houve um rompimento frente aos mode-
Só bem perto fica negro,
los clássicos que adotavam regras e limites
Passa e torna a ficar branco.
para a obra de arte.
Meu São Paulo da garoa, a) ( ) V – V
-Londres das neblinas finas- b) ( ) F – F
Um pobre vem vindo, é rico! c) ( ) V – F
Só bem perto fica pobre, d) ( ) F – V
Passa e torna a ficar rico.
4. A poesia modernista da 1ª geração
O autor dos versos acima destacou-se, caracteriza-se, formalmente, pelo predomí-
em sua poesia, por cantar a cidade de São nio de:
Paulo. Seu nome é: a) ( ) versos regulares, metrificados,
a) ( ) Euclides da Cunha. sem rima.
b) ( ) Monteiro Lobato. b) ( ) versos irregulares, com rima e
c) ( ) Alcântara Machado. preferência pelo soneto.
d) ( ) Mário de Andrade. c) ( ) versos livres, sem metrificação
regular, sem rima.
2. Leia o poema: Momento num café d) ( ) versos regulares, metrificados,
com rima.
Quando o enterro passou
Os homens que se achavam no café
Tiraram o chapéu maquinalmente 5. (Unifran. SP) O Modernismo no
Saudavam o morto distraídos Brasil revolucionou as normas literárias,
Estavam todos voltados para a vida perdurando por várias décadas. Assinale a
Absortos na vida alternativa que apresenta declarações con-
Confiantes na vida cernentes a esse movimento.
a) ( ) Na primeira fase do movimento,
a) ( ) O poema acima foi escrito por surgiram grandes poetas, mas destaca-se
Manuel Bandeira e tem como principais ca- especialmente o chamado “romance revolu-
racterísticas a simplicidade e a referência cionário” ou “romance modernista”.
de um fato cotidiano da época. b) ( ) Oswald de Andrade, escritor e poe-
b) ( ) O poema acima, da autoria de ta paulista, foi um dos autores mais marcantes
Augusto dos Anjos tem como principal ca- da segunda fase. Seu texto foi dos mais inova-
racterística a ironia. dores e corrosivos da estética regionalista.
c) ( ) O poema acima apresenta um ca- c) ( ) A primeira fase do movimento foi
racterística romântica, que é a preocupação marcada pela desintegração da linguagem tra-
da morte. dicional devido à busca da expressão regional
d) ( ) Esse poema, escrito por Mário de e à adoção das conquistas de vanguarda.
Andrade, tem como principal característica d) ( ) Apesar das inovações, esse mo-
o estilo formal. vimento prendeu-se à concepção tradicional
de literatura, esquecendo a história da atua-
3. Identifique se as afirmações abaixo lidade e fixando-se em valores do passado.
Literatura 3 - Aula 2 35 Instituto Universal Brasileiro
se torna o espaço de reflexão no qual a doen-
ça e a morte, fantasmas reais da vida do autor,
transformaram-se em experiência lírica e reflexi-
va, ganhando uma dimensão universal.

1. d) ( x ) Mário de Andrade. 3. a) ( x ) V - V

Comentário. Mário de Andrade é um Comentário. As duas afirmações estão


dos principais autores da Primeira fase do Mo- absolutamente corretas. Com o modernismo e as
dernismo. Em 1922, publicou “Paulicéia des- vanguardas artísticas, houve mudanças impor-
vairada”, que contém o poema “Garoa do meu tantes, tanto nas artes plásticas como na literatu-
São Paulo”. Neste poema é possível verificar ra. O surrealismo trouxe a exploração do incons-
algumas das características do Modernismo ciente, presente na pintura do espanhol Salvador
brasileiro, principalmente da primeira geração Dali e na obra literária do francês André Breton.
como a referência a aspectos da vida moder- As obras causaram grande impacto, houve um
na, do progresso e do cotidiano. rompimento frente aos modelos clássicos que
adotavam regras e limites para a obra de arte.
Garoa do meu São Paulo,
-Timbre triste de martírios-
4. c) ( x ) versos livres, sem metrifica-
Um negro vem vindo, é branco!
Só bem perto fica negro, ção regular, sem rima.
Passa e torna a ficar branco.
Comentário. A poesia modernista da 1ª
Meu São Paulo da garoa, geração caracteriza-se, formalmente, pelo pre-
-Londres das neblinas finas- domínio da aproximação entre a linguagem fa-
Um pobre vem vindo, é rico! lada e a escrita, valorizando-se o cotidiano e a
Só bem perto fica pobre, linguagem coloquial, o desejo de liberdade no
Passa e torna a ficar rico. uso das estruturas da língua, a predominância
da poesia sobre a prosa com a substituição das
2. a) ( x ) O poema acima foi escrito por formas fixas pelo verso livre.
Manuel Bandeira e tem como principais ca-
racterísticas a simplicidade e a referência 5. c) ( x ) A primeira fase do movimento
de um fato cotidiano da época. foi marcada pela desintegração da lingua-
gem tradicional devido à busca da expres-
Quando o enterro passou são regional e à adoção das conquistas de
Os homens que se achavam no café vanguarda.
Tiraram o chapéu maquinalmente
Saudavam o morto distraídos Comentário. A negação do passado e o
Estavam todos voltados para a vida caráter destrutivo são características do Modernis-
Absortos na vida mo. Chama-se “vanguarda” à tendência ou con-
Confiantes na vida junto de tendências que surgem em determinada
época em oposição ao estilo vigente, principal-
Comentário. Observe que há variações mente no campo das artes. Todo novo movimento
no tamanho dos versos, o que alterna as mu- artístico é uma ruptura com os padrões utilizados
danças de tom mais descontraído no início (ges- pelo anterior, isto vale para todas as formas de ex-
tos automáticos de saudar um morto) ou mais pressões, sejam elas através da pintura, literatura,
solene no final (refletindo a conclusão de que a escultura, poesia etc. Ocorre que nem sempre o
morte pode chegar a qualquer momento). Entre novo é bem aceito, isto foi bastante evidente no
os temas recorrentes na obra do poeta pernam- caso do Modernismo, que, a princípio, chocou por
bucano, Manuel Bandeira, a morte tem lugar de fugir completamente da estética europeia tradicio-
destaque, como bem atesta o poema, pois ele nal que influenciava os artistas brasileiros.
Literatura 3 - Aula 2 36 Instituto Universal Brasileiro