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Números Complexos

Prof. Dr. Samuel Canevari

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Motivação

Por que precisamos dos números complexos?

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Motivação

Por que precisamos dos números complexos?

Considere o
Problema 1
Encontre um número natural que somado a 2 resulta em 1.

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Motivação

Por que precisamos dos números complexos?

Considere o
Problema 1
Encontre um número natural que somado a 2 resulta em 1.

É fácil ver que o Problema 1 não possui solução.

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Motivação

Por que precisamos dos números complexos?

Considere o
Problema 1
Encontre um número natural que somado a 2 resulta em 1.

É fácil ver que o Problema 1 não possui solução.

Daí surge o conjuntos dos números inteiros Z, que amplia o


conceito dos números naturais.

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Motivação

Por que precisamos dos números complexos?

Considere o
Problema 1
Encontre um número natural que somado a 2 resulta em 1.

É fácil ver que o Problema 1 não possui solução.

Daí surge o conjuntos dos números inteiros Z, que amplia o


conceito dos números naturais.

Note que o Problema 1 tem solução em Z.

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Motivação

Agora, considere o

Problema 2
Encontre um número inteiro cujo dobro seja a unidade.

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Motivação

Agora, considere o

Problema 2
Encontre um número inteiro cujo dobro seja a unidade.

É fácil ver que o Problema 2 não possui solução no conjunto dos


números naturais Z.

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Motivação

Agora, considere o

Problema 2
Encontre um número inteiro cujo dobro seja a unidade.

É fácil ver que o Problema 2 não possui solução no conjunto dos


números naturais Z.

Daí surge o conjuntos dos números racionais Q, que amplia o


conceito dos números inteiros.

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Motivação

Agora, considere o

Problema 2
Encontre um número inteiro cujo dobro seja a unidade.

É fácil ver que o Problema 2 não possui solução no conjunto dos


números naturais Z.

Daí surge o conjuntos dos números racionais Q, que amplia o


conceito dos números inteiros.

Note que o Problema 2 tem solução em Q.

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Motivação

Considere agora o

Problema 3
Encontre um quadrado cuja área seja igual a 2.

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Motivação

Considere agora o

Problema 3
Encontre um quadrado cuja área seja igual a 2.

O Problema 3 não possui solução no conjunto dos números


naturais Q.

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Motivação

Considere agora o

Problema 3
Encontre um quadrado cuja área seja igual a 2.

O Problema 3 não possui solução no conjunto dos números


naturais Q.

Daí surge o conjuntos dos números reais R, que amplia o


conceito dos números racionais.

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Motivação

Considere agora o

Problema 3
Encontre um quadrado cuja área seja igual a 2.

O Problema 3 não possui solução no conjunto dos números


naturais Q.

Daí surge o conjuntos dos números reais R, que amplia o


conceito dos números racionais.

Note que o Problema 3 tem solução em R.

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Finalmente, considere o
Problema 4
Encontre um número cujo quadrado seja igual a −1.

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Finalmente, considere o
Problema 4
Encontre um número cujo quadrado seja igual a −1.

O Problema 4 não possui solução no conjunto dos números


naturais R.

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Finalmente, considere o
Problema 4
Encontre um número cujo quadrado seja igual a −1.

O Problema 4 não possui solução no conjunto dos números


naturais R.

Daí surge a necessidade de estender o conceito dos números


reais.

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Finalmente, considere o
Problema 4
Encontre um número cujo quadrado seja igual a −1.

O Problema 4 não possui solução no conjunto dos números


naturais R.

Daí surge a necessidade de estender o conceito dos números


reais.

Donde surge os números complexos.

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Finalmente, considere o
Problema 4
Encontre um número cujo quadrado seja igual a −1.

O Problema 4 não possui solução no conjunto dos números


naturais R.

Daí surge a necessidade de estender o conceito dos números


reais.

Donde surge os números complexos.

Observação 1
O Problema 4 surge de um fenômeno físico que é o estudo do
movimento de um pêndulo que é descrito pela ED: y 00 + y = 0.
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Números Complexos

Considere em C := R × R, o plano cartesiano, duas operações dadas


por:

1. (x1 , y1 ) +C (x2 , y2 ) := (x1 +R x2 , y1 +R y2 );

2. (x1 , y1 ) ·C (x2 , y2 ) := (x1 ·R x2 −R y1 ·R y2 , x1 ·R y2 +R x2 ·R y1 ).

Defina, também, a multiplicação de um par (x, y ) ∈ C, por um número


real λ, da seguinte forma:

3. λ ·C (x, y ) = (λ ·R x, λ ·R y ).

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Números Complexos

Considere em C := R × R, o plano cartesiano, duas operações dadas


por:

1. (x1 , y1 ) +C (x2 , y2 ) := (x1 +R x2 , y1 +R y2 );

2. (x1 , y1 ) ·C (x2 , y2 ) := (x1 ·R x2 −R y1 ·R y2 , x1 ·R y2 +R x2 ·R y1 ).

Defina, também, a multiplicação de um par (x, y ) ∈ C, por um número


real λ, da seguinte forma:

3. λ ·C (x, y ) = (λ ·R x, λ ·R y ).

Notação: Denotaremos (xi , yi ) ∈ C, por zi , e (x, y ) ∈ C, por z.

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Proposição 1

O conjunto C, munido da adição +C e da multiplicação por escalar, é


um espaço vetorial sobre R, isto é, valem as seguintes propriedades:
1 (Associatividade) z1 + (z2 + z3 ) = (z1 + z2 ) + z3 ;
2 (Comutatividade) z1 + z2 = z2 + z1 ;
3 (Identidade Aditiva) Existe 0C ∈ C, tal que z + 0C = z;
4 (Inverso Aditivo) Dado z ∈ C, existe −z ∈ C tal que z + (−z) = 0C ;
5 λ1 · (z1 + z2 ) = λ1 · z1 + λ1 · z2 ;
6 (λ1 · λ2 ) · z = λ1 · (λ2 · z);
7 1 · z = z.

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Proposição 2
As operação de adição +C e de multiplicação ·C , definidas em C,
satisfazem as seguintes propriedades:
1 (Associatividade) z1 · (z2 · z3 ) = (z1 · z2 ) · z3 ;
2 (Comutatividade) z1 · z2 = z2 · z1 ;
3 (Distributividade) z1 · (z2 + z3 ) = z1 · z2 + z1 · z3 ;
4 (Identidade Multiplicativa) Existe 1C ∈ C, tal que z · 1C = z;
5 (Inverso Multiplicativo) Dado z ∈ C, z 6= 0C , existe w ∈ C tal que
z · w = 1C .

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Proposição 2
As operação de adição +C e de multiplicação ·C , definidas em C,
satisfazem as seguintes propriedades:
1 (Associatividade) z1 · (z2 · z3 ) = (z1 · z2 ) · z3 ;
2 (Comutatividade) z1 · z2 = z2 · z1 ;
3 (Distributividade) z1 · (z2 + z3 ) = z1 · z2 + z1 · z3 ;
4 (Identidade Multiplicativa) Existe 1C ∈ C, tal que z · 1C = z;
5 (Inverso Multiplicativo) Dado z ∈ C, z 6= 0C , existe w ∈ C tal que
z · w = 1C .

Observação 2
O conjunto C, munido das operações de adição +C e multiplicação ·C
é um corpo sobre R.
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Exercício 3
Mostre que o inverso multiplicativo de z 6= 0 é único.

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Exercício 3
Mostre que o inverso multiplicativo de z 6= 0 é único.

Notação: Denotaremos o inverso multiplicartivo de um número


complexo z 6= 0 por z −1 ;

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Exercício 3
Mostre que o inverso multiplicativo de z 6= 0 é único.

Notação: Denotaremos o inverso multiplicartivo de um número


complexo z 6= 0 por z −1 ;
Exercício 4
Sejam z1 , z2 ∈ C tal que z1 · z2 = 0. Mostre que z1 ou z2 é nulo.

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Exercício 3
Mostre que o inverso multiplicativo de z 6= 0 é único.

Notação: Denotaremos o inverso multiplicartivo de um número


complexo z 6= 0 por z −1 ;
Exercício 4
Sejam z1 , z2 ∈ C tal que z1 · z2 = 0. Mostre que z1 ou z2 é nulo.

Definição 5
Dados z, z1 e z2 números complexos, definimos:

(Potência) se n ∈ N, então z n := z · z n−1 , n ≥ 2, z 1 = z e, se m é


−m
um inteiro negativo, z m := z −1 ;

(Diferença) z1 − z2 := z1 + (−z2 );

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Exercício 3
Mostre que o inverso multiplicativo de z 6= 0 é único.

Notação: Denotaremos o inverso multiplicartivo de um número


complexo z 6= 0 por z −1 ;
Exercício 4
Sejam z1 , z2 ∈ C tal que z1 · z2 = 0. Mostre que z1 ou z2 é nulo.

Definição 5
Dados z, z1 e z2 números complexos, definimos:

(Potência) se n ∈ N, então z n := z · z n−1 , n ≥ 2, z 1 = z e, se m é


−m
um inteiro negativo, z m := z −1 ;

(Diferença) z1 − z2 := z1 + (−z2 );
z1
(Quociente) := z1 · z2−1 , quando z2 6= 0.
z2
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Observação 3
1 O subconjunto dos números complexos R = {(x, 0); x ∈ R} é
preservado pela adição e multiplicação. Logo, podemos assumir
que o conjunto dos números reais é um subconjunto dos números
complexos;

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Observação 3
1 O subconjunto dos números complexos R = {(x, 0); x ∈ R} é
preservado pela adição e multiplicação. Logo, podemos assumir
que o conjunto dos números reais é um subconjunto dos números
complexos;
2 Por seus elementos serem pares ordenados, C é um espaço
vetorial bidimensional sobre R. Desta forma, como (1, 0) e (0, 1)
formam uma base, todo par z = (x, y ) ∈ C se escreve de maneira
única como z = x(1, 0) + y (0, 1).

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Observação 3
1 O subconjunto dos números complexos R = {(x, 0); x ∈ R} é
preservado pela adição e multiplicação. Logo, podemos assumir
que o conjunto dos números reais é um subconjunto dos números
complexos;
2 Por seus elementos serem pares ordenados, C é um espaço
vetorial bidimensional sobre R. Desta forma, como (1, 0) e (0, 1)
formam uma base, todo par z = (x, y ) ∈ C se escreve de maneira
única como z = x(1, 0) + y (0, 1).
3 Temos que (1, 0) ∈ R e, portanto, o denotaremos por 1.

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Observação 3
1 O subconjunto dos números complexos R = {(x, 0); x ∈ R} é
preservado pela adição e multiplicação. Logo, podemos assumir
que o conjunto dos números reais é um subconjunto dos números
complexos;
2 Por seus elementos serem pares ordenados, C é um espaço
vetorial bidimensional sobre R. Desta forma, como (1, 0) e (0, 1)
formam uma base, todo par z = (x, y ) ∈ C se escreve de maneira
única como z = x(1, 0) + y (0, 1).
3 Temos que (1, 0) ∈ R e, portanto, o denotaremos por 1.
4 Note que (0, 1)2 = (0, 1) · (0, 1) = −(1, 0). Denotaremos (0, 1) = i.

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Observação 3
1 O subconjunto dos números complexos R = {(x, 0); x ∈ R} é
preservado pela adição e multiplicação. Logo, podemos assumir
que o conjunto dos números reais é um subconjunto dos números
complexos;
2 Por seus elementos serem pares ordenados, C é um espaço
vetorial bidimensional sobre R. Desta forma, como (1, 0) e (0, 1)
formam uma base, todo par z = (x, y ) ∈ C se escreve de maneira
única como z = x(1, 0) + y (0, 1).
3 Temos que (1, 0) ∈ R e, portanto, o denotaremos por 1.
4 Note que (0, 1)2 = (0, 1) · (0, 1) = −(1, 0). Denotaremos (0, 1) = i.
5 Para todo z ∈ C, z = x1 + yi = x + iy . x = <z e y = =z.
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Exercício 6
Reescreva as propriedades dadas nas Proposições 1 e 2, utilizando a
notação z = x + iy .

Exercício 7
Encontre as partes reais e imaginarias dos seguintes números
complexos:
1 z = (1 + i)2 ;
1+i
2 z= .
1−i

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Representação Vetorial e Módulo

Representaremos um número complexo z = x + iy , x, y ∈ R, no plano


complexo como na figura abaixo:

Figura: Representação dos números complexos z = x + iy e −2 + i.

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Quando z1 = x1 + iy1 e z2 = x2 + iy2 , a soma

z1 + z2 = (x1 + x2 ) + i(y1 + y2 )

é representada graficamente por

Figura: Representação z1 + z2 .

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Definição 8
O módulo (ou valor absoluto) de um número complexo z = x + iy é
p
definido como o número real não-negativo x 2 + y 2 e é denotado por
|z|; isto é,
q
|z| = x 2 + y 2.

Observação 4
Geometricamente, o número |z| é a distância entre o ponto (x, y )
e a origem do plano complexo;

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Definição 8
O módulo (ou valor absoluto) de um número complexo z = x + iy é
p
definido como o número real não-negativo x 2 + y 2 e é denotado por
|z|; isto é,
q
|z| = x 2 + y 2.

Observação 4
Geometricamente, o número |z| é a distância entre o ponto (x, y )
e a origem do plano complexo;

Se y = 0, então |z| é o valor absoluto usual de um número real;

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Definição 8
O módulo (ou valor absoluto) de um número complexo z = x + iy é
p
definido como o número real não-negativo x 2 + y 2 e é denotado por
|z|; isto é,
q
|z| = x 2 + y 2.

Observação 4
Geometricamente, o número |z| é a distância entre o ponto (x, y )
e a origem do plano complexo;

Se y = 0, então |z| é o valor absoluto usual de um número real;

A inequação z1 < z2 só faz sentido quando z1 , z2 ∈ R;

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Definição 8
O módulo (ou valor absoluto) de um número complexo z = x + iy é
p
definido como o número real não-negativo x 2 + y 2 e é denotado por
|z|; isto é,
q
|z| = x 2 + y 2.

Observação 4
Geometricamente, o número |z| é a distância entre o ponto (x, y )
e a origem do plano complexo;

Se y = 0, então |z| é o valor absoluto usual de um número real;

A inequação z1 < z2 só faz sentido quando z1 , z2 ∈ R;

A inequação |z1 | < |z2 | significa que o ponto z1 está mais próximo
da origem e o ponto z2 mais longe.
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Definição 9
A distância entre dois pontos (x1 , y1 ) e (x2 , y2 ), do plano complexo, é
|z1 − z2 |.

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Complexo conjugado

Definição 10
O complexo conjugado (ou, simplesmente, conjugado) de um número
complexo z = x + iy é definido como o número complexo x − iy e é
denotado por z, isto é, z = x − iy .

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Proposição 11
Dados z, z1 , z2 ∈ C, valem as seguintes:

1. z + z = 2Re(z); 9. z1 · z2 = z1 · z2 ;
2. z − z = 2i Im(z); 10. λz = λz, se λ ∈ R;
3. z = z; 11. |z| = |z|;
4. z = z ⇔ z ∈ R; 12. |z|2 = z · z;
5. z1 + z2 = z 1 + z 2 ; 13. |z1 · z2 | = |z1 | · |z2 |;
 
z1 z1 z1 |z1 |
6. = ; 14. = , se z2 6= 0;
z2 z2 z 2 |z |
2
7. Re(z) ≤ |Re(z)| ≤ |z|; 15. ||z1 | − |z2 || ≤ |z1 ± z2 | ≤ |z1 | + |z2 |.
8. Im(z) ≤ |Im(z)| ≤ |z|;

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Exercício 12
Determine todos os valores de a ∈ R tal que

a+i
1 + ia

seja real.

Exercício 13
Dados θ ∈ R e z = cos θ + i sin θ, encontre |z|.

Exercício 14
Resolva a equação iz + 2z + 1 − i = 0.

Exercício 15
Determine todos os números complexos cujo quadrado seja igual a
seu conjugado.
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Forma Polar

Sejam r e θ as coordenadas polares do ponto (x, y ) que


corresponde ao número complexo z = x + iy não nulo;

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Forma Polar

Sejam r e θ as coordenadas polares do ponto (x, y ) que


corresponde ao número complexo z = x + iy não nulo;
p
Como x = r cos θ e y = r sin θ, em que r = |z| = x 2 + y 2 e θ é o
ângulo que o vetor representado por z faz com o eixo real medido
no sentido anti-horário em radianos;

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Forma Polar

Sejam r e θ as coordenadas polares do ponto (x, y ) que


corresponde ao número complexo z = x + iy não nulo;
p
Como x = r cos θ e y = r sin θ, em que r = |z| = x 2 + y 2 e θ é o
ângulo que o vetor representado por z faz com o eixo real medido
no sentido anti-horário em radianos;

Podemos escrever o número z em forma polar como

z = r (cos θ + i sin θ).

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Forma Polar

Sejam r e θ as coordenadas polares do ponto (x, y ) que


corresponde ao número complexo z = x + iy não nulo;
p
Como x = r cos θ e y = r sin θ, em que r = |z| = x 2 + y 2 e θ é o
ângulo que o vetor representado por z faz com o eixo real medido
no sentido anti-horário em radianos;

Podemos escrever o número z em forma polar como

z = r (cos θ + i sin θ).

A coordenada θ não está definida se z = 0.

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Observação 5
Devido a periodicidade das funções seno e cosseno, a forma
polar de
z = r (cos θ + i sin θ) (1)

continua válida se substituirmos θ por θ + 2k π, k ∈ Z.

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Observação 5
Devido a periodicidade das funções seno e cosseno, a forma
polar de
z = r (cos θ + i sin θ) (1)

continua válida se substituirmos θ por θ + 2k π, k ∈ Z.

Um ângulo θ que satisfaz (1) é chamado de argumento do


número complexo z e é denotado por arg z;

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Observação 5
Devido a periodicidade das funções seno e cosseno, a forma
polar de
z = r (cos θ + i sin θ) (1)

continua válida se substituirmos θ por θ + 2k π, k ∈ Z.

Um ângulo θ que satisfaz (1) é chamado de argumento do


número complexo z e é denotado por arg z;

Existem infinitos argumentos para um número complexo z, porém


dado um intervalo I = [θ0 , θ0 + 2π), existe apenas um argumento
em I para cada z 6= 0;

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Observação 5
Devido a periodicidade das funções seno e cosseno, a forma
polar de
z = r (cos θ + i sin θ) (1)

continua válida se substituirmos θ por θ + 2k π, k ∈ Z.

Um ângulo θ que satisfaz (1) é chamado de argumento do


número complexo z e é denotado por arg z;

Existem infinitos argumentos para um número complexo z, porém


dado um intervalo I = [θ0 , θ0 + 2π), existe apenas um argumento
em I para cada z 6= 0;

Se <z 6= 0 e =z 6= 0, então θ = arg z fica determinado pela


=z
equação tan θ = .
<z
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Forma Exponencial
O símbolo eiθ é definido, pela fórmula de Euler, como
eiθ = cos θ + i sin θ. Essa fórmula nos permite escrever a forma polar
de um número complexo em sua forma exponencial como z = reiθ .

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Forma Exponencial
O símbolo eiθ é definido, pela fórmula de Euler, como
eiθ = cos θ + i sin θ. Essa fórmula nos permite escrever a forma polar
de um número complexo em sua forma exponencial como z = reiθ .

Exercício 16
Encontre as representações polar e exponencial para z = 1 + i.

Exercício 17
Dado θ ∈ R, determine as formas polar e exponencial dos seguintes
números complexos z1 = cos θ − i sin θ e z2 = sin θ − i cos θ.

Exercício 18
Dado 0 < θ < π, determine as formas polar e exponencial de
z = 1 + cos θ + i sin θ.
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Proposição 19

Dados z, z1 , z2 ∈ C, valem as seguintes propriedades:


1 arg z = − arg z;
2 arg(z1 · z2 ) = arg z1 + arg z2 ;
 
z1
3 arg = arg z1 − arg z2
z2

Observação 6
As equações 2 e 3, dadas na Proposição 19, devem ser interpretadas
como segue: se dois de três argumentos forem especificados dentre
as infinitas possíbilidades, então existe um valor do terceiro
argumento que torna válida a equação.

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Observação 7
Seja z1 = cos θ1 + i sin θ1 , θ1 > 0. Dado z2 ∈ C, temos que z1 · z2 é a
rotação do vetor que representa z2 pelo ângulo θ1 no sentido
anti-horário. Se θ1 < 0, a rotação é no sentido oposto.

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Observação 7
Seja z1 = cos θ1 + i sin θ1 , θ1 > 0. Dado z2 ∈ C, temos que z1 · z2 é a
rotação do vetor que representa z2 pelo ângulo θ1 no sentido
anti-horário. Se θ1 < 0, a rotação é no sentido oposto.

Exercício 20
Encontre o argumento dos números complexos z1 = −i e
−2
z2 = √ .
1 + 3i

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Proposição 21
Dado z ∈ C, z 6= 0, vale que

z n = r n einθ ,

para todo n ∈ Z.

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Proposição 21
Dado z ∈ C, z 6= 0, vale que

z n = r n einθ ,

para todo n ∈ Z.

Corolário 22 (Fórmula de de Moivre)


Vale que
(cos θ + i sin θ)n = cos nθ + i sin nθ,

para todo θ ∈ R e n ∈ Z.

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Exercício 23
Expanda (−1 + i)7 .

Exercício 24
Mostre que sin 2θ = 2 sin θ cos θ e cos 2θ = cos2 θ − sin2 θ, para todo
θ ∈ R.

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Raízes de Números Complexos

Dado um número complexo z0 6= 0, uma raiz n-ésima de z0 é algum


número não nulo z tal que z n = z0 .

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Raízes de Números Complexos

Dado um número complexo z0 6= 0, uma raiz n-ésima de z0 é algum


número não nulo z tal que z n = z0 .

Teorema 25
Dados ω0 = r0 (cos θ0 + i sin θ0 ) 6= 0 e n ∈ N, então a equação

z n = ω0

possui n soluções (raizes) distintas, dadas por


    
n
θ0 + 2k π θ0 + 2k π
zk = r0 cos + i sin ,
n n

para k = 0, 1, · · · , n − 1.
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Observação 8
Note que, se colocarmos


    
n
θ0 θ0
ζ = r0 cos + i sin
n n

e    
2k π 2k π
ζk = cos + i sin , k = 0, 1, · · · n − 1,
n n
obtemos ζ n = ω0 , ζkn = 1 e as soluções, da equação z n = w0 , são
dadas por zk = ζζk , k = 0, 1, · · · , n − 1.

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Observação 8
Note que, se colocarmos


    
n
θ0 θ0
ζ = r0 cos + i sin
n n

e    
2k π 2k π
ζk = cos + i sin , k = 0, 1, · · · n − 1,
n n
obtemos ζ n = ω0 , ζkn = 1 e as soluções, da equação z n = w0 , são
dadas por zk = ζζk , k = 0, 1, · · · , n − 1.

Conhecendo uma raiz de ω0 , as outras raízes são obtidas


multiplicando-se pelas raízes da unidade.

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Raízes da unidade

Segue da Fórmula de De Moivre que ζk = ζ1k , para k = 0, 1, · · · , n − 1.


De onde, ζk = ζ1 ζk −1 , k = 1, · · · , n − 1, que geometricamente nos diz

que ζk é obtido rodando ζk −1 de um ângulo no sentido anti-horário.
n

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Raízes da unidade

Segue da Fórmula de De Moivre que ζk = ζ1k , para k = 0, 1, · · · , n − 1.


De onde, ζk = ζ1 ζk −1 , k = 1, · · · , n − 1, que geometricamente nos diz

que ζk é obtido rodando ζk −1 de um ângulo no sentido anti-horário.
n

As raízes n-ésimas da unidade são


precisamente os vértices do polí-
gono regular, inscrito na circunfe-
rência {z ∈ C; |z| = 1}, tendo
como um dos seus vértices o nú-
mero 1.

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Raízes da unidade

Segue da Fórmula de De Moivre que ζk = ζ1k , para k = 0, 1, · · · , n − 1.


De onde, ζk = ζ1 ζk −1 , k = 1, · · · , n − 1, que geometricamente nos diz

que ζk é obtido rodando ζk −1 de um ângulo no sentido anti-horário.
n

As raízes n-ésimas da unidade são


precisamente os vértices do polí-
gono regular, inscrito na circunfe-
rência {z ∈ C; |z| = 1}, tendo
como um dos seus vértices o nú-
mero 1.

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Exercício 26
Encontre todas as raízes de:
1 z 2 = 1 − i;
2 z 3 = −8i.

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Regiões do Plano Complexo

Definição 27
Um número complexo z corresponde a um ponto pertencente a um
circulo com centro em z0 e raio R se a igualdade |z − z0 | = R é
satisfeita e, reciprocamente.

Exemplo 28
A equação |z − 1 + 3i| = 2 representa um círculo cujo centro é
z0 = (1, −3) e raio R = 2.

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