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Sumário

1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 2
2. PROCEDIMENTO PARA APURAÇÃO DOS CRIMES ELEITORAIS .................... 4
2.1 Crimes eleitorais .................................................................................................... 4
2.2 Natureza dos crimes eleitorais .............................................................................. 4
2.3 Sujeitos dos crimes eleitorais ................................................................................ 6
2.4 Características dos crimes eleitorais ..................................................................... 6
2.5 Dispositivos legais e principais crimes eleitorais .................................................. 7
3. PROCESSO DOS CRIMES ELEITORAIS ............................................................. 9
4. COMENTÁRIOS ACERCA DOS ARTIGOS REFERENTES AO PROCESSO DAS
INFRAÇÕES ............................................................................................................ 14
5. CONCLUSÃO ....................................................................................................... 22
6. REFERÊNCIAS ..................................................................................................... 23
1. INTRODUÇÃO

Em 1946 foi criado o Código Eleitoral, que deu um grande passo para a
consolidação da eleição como um direito a ser respeitado, porém com a
democratização o voto virou moeda de troca para disputa de poder.

O Código Eleitoral, as legislações extravagantes e a doutrina explanam o


que são crimes eleitorais, natureza jurídica, características, dentre outros aspectos,
e principalmente, o trâmite do processo penal eleitoral, que se inicia na denúncia
indo até a interposição de recursos.

Tal tema é de suma importância, pois referido processo visa dar à


sociedade a garantia de que toda ameaça de lesão ao Estado Democrático de
Direito será devidamente averiguada, e, se constatada, devidamente punida com o
respeito aos direitos e garantias fundamentais.

O Código Eleitoral (Lei nº 4.737/65) prevê um procedimento especial para o


processamento dos crimes eleitorais, assim, inicialmente, será analisado o conceito
de crime eleitoral e, em seguida, a previsão do processo penal eleitoral,
classificação, legitimidade, comunicação, recebimento e rejeição da denúncia, como
se realiza o depoimento do acusado, oitiva das testemunhas, alegações finais e
prolação de recurso.

Destarte, nota-se que como o Código Eleitoral é anterior ao texto


constitucional e, embora tenha sido considerado recepcionado pela Constituição
Federal de 1988, deve-se fazer sempre uma interpretação em consonância com os
postulados constitucionais, visando-se um processo penal eleitoral justo e
transparente.

A metodologia utilizada foi a pesquisa documental com base numa revisão


bibliográfica, em especial, nas publicações e livros, mas também, à lei seca ou
comentada, súmulas do STF (Superior Tribunal Federal).

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A justificativa para esta pesquisa é trazer um tema tão relevante e em
debate atual para uma nova discussão, possibilitando a sua compreensão e o
entendimento do processo a ser realizado para apuração dos crimes eleitorais.

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2. Procedimento para apuração dos Crimes Eleitorais

2.1 Crimes eleitorais

Crimes eleitorais, sob o aspecto formal, são condutas tipificadas na


legislação eleitoral, ou seja, aquelas condutas cuja Legislação Eleitoral sanciona
uma pena, sob o aspecto material, os crimes eleitorais podem ser conceituados
como todas as condutas humanas, comissivas ou omissivas, sancionadas
penalmente, que atentem contra os bens jurídicos existentes no exercício dos
direito políticos.

De acordo com Vinicius Cordeiro e Anderson Claudino da Silva, “os crimes


eleitorais são infrações, sancionadas penalmente, às normas jurídicas eleitorais, de
modo a garantir a efetivação de um Estado Democrático de Direto e tutelar o
processo Eleitoral.” (2006, p.91).

Para Suzana de Camargo Gomes, “crimes eleitorais são todas aquelas


condutas consideradas típicas pela legislação eleitoral, ou seja, aquelas descritas
no Código Eleitoral (Lei n° 4.737/65) e em leis eleitorais extravagantes e
sancionadas com a aplicação da pena”. (2008, p. 29).

Não obstante compreensível a preocupação do Egrégio Tribunal Superior


Eleitoral que através da resolução nº 23.393/2012 dispositivos para apuração de
crimes eleitorais em nosso regimento.

Assim, crimes eleitorais são todas as ações proibidas por lei praticadas por
candidatos e eleitores, em qualquer fase de uma eleição, que tem início no
alistamento eleitoral indo até a diplomação dos candidatos, puníveis com detenção,
reclusão e pagamento de multa, conforme prevê no Código Eleitoral e em outras
leis.

2.2 Natureza jurídica dos crimes eleitorais

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Primeiramente necessário se faz uma distinção sobre a natureza do crime,
que pode ser dividida entre comum e especial.

Crime comum é todo aquele que não necessita de requisitos do sujeito,


podendo ser cometido por qualquer pessoa, que seja penalmente responsável, o
qual lesa um bem jurídico de outrem, tutelado pelo Estado, por exemplo, o
homicídio.

Já o crime especial, é aquele que necessita de requisitos do sujeito,


podendo apenas ser cometido por determinada categoria de pessoas, por exemplo,
peculato.

Não existe entendimento majoritário por parte da doutrina sob a natureza


dos crimes eleitorais, alguns defendem serem de natureza comum e outros de
natureza especial.

Para Flávia Ribeiro:

“[...] os crimes eleitorais são crimes políticos, sendo que estes


podem ser subdivididos em crimes eleitorais e militares. Aduz que a
natureza política dos crimes eleitorais não emana apenas de sua
alocação na codificação eleitoral, fora do Código Penal, como
também pela própria natureza dos crimes eleitorais que afetam
diretamente a representatividade do povo e as estruturas básicas da
organização político democrática.” (1998, p.620)

Já para Marcos Ramayana:

“[...] os crimes eleitorais são crimes comuns, e não políticos,


porquanto o crime eleitoral fora da fase delimitada pelo calendário
eleitoral, entre o alistamento e a diplomação, perde o caráter jurídico
eleitoral e passa a atingir bens jurídicos diferenciados, afora que
várias regras e institutos previstos na legislação penal são aplicáveis
a esta espécie de crime.” (2009, p.533-534)

No entanto, apesar de alguns doutrinadores defenderem a tese de se tratar


os crimes eleitorais como crimes especiais, já foi pacificado pelo Superior Tribunal
Federal que tais crimes são de natureza comum.

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2.3 Sujeitos do Crime Eleitoral

O sujeito ativo do crime é aquele que realiza a conduta objeto da norma


penal incriminadora, descrita ou proibida pela lei penal. É a pessoa física que pratica
ação ou omissão típica, antijurídica e culpável que viole ou exponha a perigo bem
jurídico, e sobre o qual recai a pena, conseqüência natural do crime.

Sujeito passivo, por seu turno, é o titular de um determinado bem ou


interesse tutelado ou protegido pela norma penal que é violado ou ameaçado pelo
fato punível. É a pessoa física ou jurídica que sofre a conduta delituosa e que,
portanto, não pode ser simultaneamente agente, podendo ser imediato ou mediato.

Atendendo a classificação ora adotada, passemos, preliminarmente, aos


crimes contra a organização administrativa da Justiça Eleitoral. Os ilícitos penais
cometidos contra os órgãos eleitorais do art. 118, da CF, ofendem a administração
eleitoral, sua organização e serviços, patrimônio e segurança, bem como a
regularidade da votação, a licitude e a moralidade do processo eleitoral. Os agentes
poderão ser qualquer pessoa física (arts. 305, 310, 311 e 340, do CE), os mesários
(arts. 306, 310 e 318, do CE). Os sujeitos passivos imediatos (formais) serão o
Estado, titular do bem jurídico “Administração Eleitoral”; sujeito passivo mediato
(material), a coletividade, turbada no seu interesse de preservação e manutenção da
moralidade eleitoral e da regularidade do processo eleitoral.

2.4 Características dos crimes eleitorais

Os crimes eleitorais possuem seis características, de acordo com Luiz


Carlos dos Santos Gonçalves, quais sejam: dolo, o bem jurídico tutelado, sujeição
ativa e passiva, tipicidade com elementos normativos, normais penais em branco e
os tipos remetidos, consumação e tentativa

a) Dolo: todos os crimes eleitorais, previsto do Código Eleitoral e na legislação


extravagante, tem natureza dolosa, visto que o legislador nada mencionou
sob a conduta culposa.
b) Bem jurídico tutelado: lisura e legitimidade das eleições e do processo
eleitoral, igualdade entre os candidatos e a regularidade da prestação
administrativa da Justiça Eleitoral.
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c) Sujeição ativa e passiva: passivamente é sociedade, uma vez que o bem
jurídico tutelado, o pleito, interessa toda a comunidade, e, ativamente, são os
próprios candidatos.
d) Tipicidade com elementos normativos: os tipos penais são instituídos pelo
próprio Código Eleitoral ou na legislação extravagante.
e) Normas penais em branco e os tipos remetidos: dizem respeito as descrições
típicas incompletas que remetem-se à complementação da descrição da ação
proibida feita a partir do artigo de lei expressamente nominado.
f) Consumação e tentativa: será consumado quando forem reunidos todos os
elementos da definição legal, caso contrário será apenas tentado. Se o
legislador o descrever no tipo, a consumação dependerá de sua produção.
Nesse caso, se houve o comportamento, mas não o evento, ter-se-á tentativa,
art. 14, II, do Código. São os crimes de conduta e resultado, chamados de
“crimes materiais”.

Desta forma, percebe-se que são exigíveis certos requisitos, ou melhor


dizendo, características intrínsecas para a consumação dos crimes eleitorais, seja
tentado ou consumado.

2.5 Dispositivos legais e principais crimes eleitorais

Os crimes eleitorais estão tipificados tanto no Código Eleitoral, quanto em


outras leis eleitorais extravagantes (Lei nº 6.091/76, Lei nº 6.996/82 e Lei nº
7.021/82, Lei nº 9.504/97, e Lei Complementar nº 64/1990.

Com o advento da LC nº 135/2010, popularmente denominada Lei da Ficha


Limpa, a condenação pela prática destes crimes tomou especial relevo, pois
passaram a importar na inelegibilidade prevista no art. 1º, I, “e”, “4” da LC nº 64/90,
caso o delito possua cominação abstrata de pena privativa de liberdade, já tenha
transitado em julgado ou tenha sido proferida por órgão judicial colegiado.

Os principais crimes eleitorais são:

a) Corrupção eleitoral ativa: oferecer dinheiro, presente ou qualquer vantagem


para o eleitor em troca de voto, ainda que a oferta não seja aceita.
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b) Corrupção eleitoral passiva: pedir ou receber dinheiro, ou qualquer vantagem,
em troca do voto;
c) Usar de violência ou grave ameaça para coagir alguém a votar, ou não votar,
em determinado candidato ou partido, ainda que os fins visados não sejam
conseguidos;
d) Fornecer alimentação ou transporte para eleitores, desde o dia anterior até o
posterior à eleição (*somente a Justiça Eleitoral poderá realizar transporte de
eleitores);
e) Promover desordem que prejudique os trabalhos eleitorais;
f) Recusar ou abandonar o serviço eleitoral sem justificativa;
g) Utilizar serviços, veículos ou prédios públicos para beneficiar a campanha de
um candidato ou partido político;
h) Votar ou tentar votar mais de uma vez, ou em lugar de outra pessoa;
i) Violar ou tentar violar os programas ou os lacres da urna eletrônica;
j) Causar propositadamente danos à urna eletrônica, ou violar informações nela
contidas;
k) Destruir ou ocultar urna contendo votos ou documentos relativos à eleição;
l) Fabricar, mandar fabricar e fornecer (ainda que gratuitamente), subtrair ou
guardar urnas, objetos ou papéis de uso exclusivo da Justiça Eleitoral;
m) Alterar, de qualquer forma, os boletins de apuração;
n) Falsificar ou alterar documento público ou particular para fins eleitorais;
o) Fraudar a inscrição eleitoral, tanto no alistamento originário quanto na
transferência do título de eleitor;
p) Reter indevidamente o título eleitoral de outra pessoa.

Os crimes eleitorais estão claramente descritos na lei eleitoral e são sempre


acompanhados das sanções penais correspondentes (como, por exemplo, detenção,
reclusão e multa).

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3 PROCESSO DOS CRIMES ELEITORAIS

O Código Eleitoral traz em seus artigos 365 a 364 o procedimento


processual que envolvam crimes eleitorais, possuindo assim regras próprias.

A ação cabível para os crimes eleitorais são apurados por ação penal
pública por meio de denúncia do Ministério Público Eleitoral, deste modo os crimes
eleitorais recebem penas específicas que podem variar desde a prestação de
serviço para a comunidade até a privação da liberdade.

Nas palavras de José William de Melo Junior:

O primeiro dispositivo (art. 355) determina que todos os crimes


eleitorais serão perseguidos por ação penal pública incondicionada.
Dessa forma, no âmbito do processo penal eleitoral, inexistem as
figuras da ação penal privada autônoma ou de ação pública sujeita a
representação (conforme se verá adiante, trata-se do único
dispositivo efetivamente especial que consta no Código). (p.287)

Ainda de acordo com José William de Melo Junior:

Tal opção legislativa se justifica porquanto o bem jurídico tutelado por


todos os ilícitos eleitorais, em última análise, é a regularidade e
higidez do próprio regime democrático. Em consequência,
independentemente do ilícito eleitoral que tenha sido levado a efeito,
a sociedade será a maior lesada, pois se vê inserida em um pleito
viciado e ilegítimo, seja porque houve inscrição ou transferência
fraudulenta de eleitores, pela violação da honra de outrem na
propaganda eleitoral, seja porque se perpetrou a famigerada
corrupção eleitoral etc. (287)

De acordo com Edson de Resende Castro:

“Quanto ao processo penal eleitoral, importante lembrar que todos os


tipos penais eleitorais são de ação penal pública incondicionada (ar.
355 do CE), ainda que assemelhados àqueles que, na legislação
penal comum, são de ação penal privada, como a injúria, a calúnia e
a difamação, por exemplo. Isto se justifica porque o crime contra a
honra de um candidato acaba atingindo muito mais que a sua
intimidade ou o seu conceito. Fere, na verdade, o princípio
democrático e o processo eleitoral como um todo, na medida em que
influencia na vontade popular, desviando a atenção dos eleitores

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para fatos e circunstâncias que são falsos, ou que digam respeito à
intimidade do ofendido. Por isso, a iniciativa é sempre do Ministério
Público Eleitoral. O que, a toda evidência, não inibe a ação penal
privada, subsidiária da pública (que é garantia constitucional prevista
no art. 5º, LIX, da CF/88), se e quando o Ministério Público não
oferecer a denúncia, não requerer diligências ou não promover o
arquivamento do inquérito (Ac.-TSE nº 21.295/2003).” (2016, p. 497)

Com relação à comunicação dos crimes eleitorais, importante registrar que é


dever de todo cidadão a comunicação da infração penal ao juiz eleitoral, sendo que
se a notificação for verbal, deverá ser reduzida a termo e assinada por duas
testemunhas. Após, será remetida ao Ministério Público.

De acordo com José William de Melo Junior:

Tal norma é de duvidosa constitucionalidade; pois, além de


estabelecer uma obrigatoriedade ao cidadão comum de comunicar a
ocorrência de crime, aparentemente atribui ao juiz eleitoral
competência exclusiva para o recebimento de tal delação,
suprimindo, dessa forma, o papel do Ministério Público como titular
exclusivo da ação penal pública incondicionada, nos termos do art.
129, I, da Constituição. Não se quer aqui dizer que a autoridade
judiciária não pode ser destinatária de delatio criminis; mas conferir-
lhe exclusividade para tal, suprimindo ou não prevendo igual
providência perante o representante do Ministério Público, ou quiçá
para a autoridade policial, é, no mínimo, repise-se, de
constitucionalidade duvidosa. (p.290)

Como regra geral, o prazo para o oferecimento da denúncia é de 5 (cinco)


ou 15 (quinze) dias, conforme esteja o acusado preso ou solto, respectivamente. No
procedimento especial dos crimes eleitorais, o prazo é de 10 (dez) dias, não
havendo distinções em hipóteses de acusado preso ou solto (art. 357, do Código
Eleitoral).

De acordo com Ponte:

[...] tratando-se de indiciado preso, o prazo para o oferecimento da


denúncia não pode ser o ordinário, de 10 (dez) dias, previsto no
Código Eleitoral, mas aquele definido no Estatuto Processual Penal,
que é o diploma que deve ser aplicado no silêncio do primeiro, ou
seja, 5 (cinco) dias.

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Com relação ao juízo de admissibilidade da acusação, não sendo a
denúncia exercida no prazo legal, admite-se, após verificar a conexão dos fatos
narrados, por força de previsão expressa no art. 5º, LIX, da CR/88, o exercício de
queixa crime subsidiária.

De acordo com José William de Melo Junior:

“Sabe-se que vige no processo penal o princípio da obrigatoriedade,


ou seja, diante de elementos suficientes que autorizem a deflagração
de uma persecução penal em juízo, estará o representante
ministerial obrigado a oferecer a respectiva denúncia. Trata-se,
portanto, de dever funcional. Contudo, não se pode imputar
responsabilidade ao órgão ministerial simplesmente porque ele
deixou transcorrer o respectivo prazo, pois, como se sabe, várias
circunstâncias, reconhecidas inclusive pela jurisprudência, autorizam
a extrapolação do prazo para o oferecimento de denúncia sem a
configuração, sequer, de constrangimento ilegal, como, por exemplo,
a complexidade do caso e a grande quantidade de acusados.”
(p.292)

Nas hipóteses em que o órgão do Ministério Público entender pelo


arquivamento das investigações e o juiz discordar das razões invocadas, o art. 357,
§ 1º, do Código Eleitoral, prevê solução análoga àquela disciplinada no art. 28, do
CPP, vale dizer, remessa dos autos ao Procurador Regional da República, que
“oferecerá a denúncia, designará outro Promotor para oferecê-la, ou insistirá no
pedido de arquivamento, ao qual só então estará o juiz obrigado a atender.”

Os requisitos formais da inicial acusatória são, em essência, os mesmos


previstos no art. 41, do CPP, como se pode concluir pela simples comparação com a
regra do art. 357, § 2º, do Código Eleitoral. Não havendo previsão expressa no que
se refere ao número de testemunhas, aplicam-se as regras do procedimento comum
ordinário, podendo-se arrolar o máximo de 8 (oito) testemunhas por acusação e
defesa.

Superada esta etapa, recebida a denúncia pelo juiz eleitoral, serão


designados dia e hora para o depoimento pessoal do acusado, conforme se
depreende do artigo 359, do CE, que foi alterado pela Lei nº 10.732, de 5/9/2003:

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“Recebida a denúncia, o juiz designará dia e hora para o
depoimento pessoal do acusado, ordenando a citação deste e
a notificação do Ministério Público.
Parágrafo único. O réu ou seu defensor terá o prazo de 10
(dez) dias para oferecer alegações escritas e arrolar
testemunhas”.

Ainda controvertida a observância do procedimento fixado no Código


Eleitoral para os crimes eleitorais, face às alterações do processo penal comum, que
agora determina o interrogatório do réu após a instrução, sistemática que é mais
benéfica ao acusado. Não obstante isso, o TSE continua indicando o procedimento
do Código Eleitoral, conforme se vê da Resolução n. 23.404/2014, art. 69, e
Resolução TSE n. 23.457/2015, art. 81. (CASTRO, 2016, p. 501).

Após o depoimento pessoal, o réu ou seu defensor terá o prazo de 10 (dez)


dias para oferecer alegações escritas e arrolar testemunhas. Na sequência,
procede-se à oitiva das testemunhas e, por fim, abre-se o prazo de 05 (cinco) para o
oferecimento de alegações finais. Posteriormente, os autos serão conclusos ao juiz
para prolatar a sentença, no prazo de 10 (dez) dias.Por fim, após a decisão, será
aberto o prazo de 10 (dez) dias para interposição de recurso no Tribunal Regional
Eleitoral.

Sobre esse início do processo penal eleitoral ensina Ney Moura Teles:

Inicia-se pela denúncia, que conterá a exposição do fato, com


todas as suas circunstâncias, a qualificação do acusado, ou
esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo, a
classificação do crime e, se necessário, o rol das testemunhas,
devendo, ser rejeitada quando à toda evidência não houver fato
típico, já estiver extinta a punibilidade ou for manifesta a
ilegitimidade da parte, ou faltar qualquer condição exigida pela
lei para o exercício da ação penal. (1998, p. 207)

Ocorre que nem sempre foi assim, conforme ensina Edson de Resende
Castro:

Na forma do art. 359 do CE, em sua redação original, recebida


a denúncia, o juiz ordenava a citação do denunciado para
contestá-la, querendo, no prazo de dez dias, juntando
documentos que ilidissem a acusação e arrolando as
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testemunhas que tivesse. Então, não havia previsão para o
interrogatório do denunciado. Entretanto, doutrina e
jurisprudência já entendiam não haver irregularidade quando o
Juiz interrogava o réu. Na verdade, a jurisprudência caminhou
no sentido de que o interrogatório é meio de defesa e não de
prova. Nesse contexto, passou ele a ser obrigatório no
processo penal eleitoral, sob pena de nulidade, em face do
princípio constitucional da amplitude de defesa. (2016, p. 500)

Dessa forma, para que seja aplicada a pena de um crime eleitoral é


necessário o processo penal eleitoral, cuja previsão se encontra nos artigos 355 a
364 do Código Eleitoral, e em caso de omissão, subsidiariamente, poderá se aplicar
os artigos previstos no Código de Processo Penal.

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4 COMENTÁRIOS ACERCA DOS ARTIGOS REFERENTES AO PROCESSO DAS
INFRAÇÕES

Art. 355. As infrações penais definidas neste Código são de ação pública.

- Está superado o entendimento doutrinário e jurisprudencial


segundo o qual inexistiria, em matéria de crime eleitoral, ação
penal privada, por ser do Estado o interesse jurídico tutelado. A
ação penal privada subsidiária, hipótese de legitimação
extraordinária que já tinha previsão legal nos artigos 100, § 3º
do Código Penal e 29 do Código de Processo Penal, foi
elevada ao patamar de garantia fundamental pelo artigo 5º,
inciso LIX da Constituição da República. (A respeito: v. acórdão
TSE RESPE 21.295/2003.)
Diante do inegável interesse público que envolve a matéria
eleitoral, todavia, não se admite o condicionamento da ação
penal à representação do ofendido, nos crimes de calúnia,
difamação e injúria previstos nos artigos 324, 325 e 326 do
Código Eleitoral. Nessa hipótese, inexiste o paralelismo com a
lei geral penal de que trata o artigo 287. Enquanto nas figuras
de crime comum o bem jurídico tutelado é a honra individual do
ofendido, nos crimes eleitorais o que se busca proteger é o
interesse social, evitando-se que a propaganda seja usada
abusivamente, alterando a regularidade, a lisura e o equilíbrio
da disputa. Aplicável, por isso, a própria regra geral inserta no
artigo 100 do Código Penal, segundo a qual “a ação penal é
pública, salvo quando a lei expressamente a declara privativa
do ofendido”, portanto, se a lei penal eleitoral, ao tratar do tema
no artigo 355, não estabelece qualquer ressalva a uma
eventual necessidade de representação do ofendido, não há
que se falar em ação privada nesta sede, salvo em caso de
comprovada desídia do Ministério Público.

Art. 356.Todo cidadão que tiver conhecimento de infração penal deste


Código deverá comunicá-la ao juiz eleitoral da zona onde a mesma se verificou.

§ 1º Quando a comunicação for verbal, mandará a autoridade judicial


reduzi-la a termo, assinado pelo apresentante e por duas testemunhas, e a remeterá
ao órgão do Ministério Público local, que procederá na forma deste Código.

§ 2º Se o Ministério Público julgar necessários maiores esclarecimentos e


documentos complementares ou outros elementos de convicção, deverá requisitá-
los diretamente de quaisquer autoridades ou funcionários que possam fornecê-los.

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Embora o caput deste artigo indique o Juiz Eleitoral como
destinatário de comunicações de crimes efetuadas por
cidadãos, e não o Ministério Público, como faz o Código de
Processo Penal (artigo 27), seus dois parágrafos estão em
consonância com o sistema acusatório vigente no direito
processual penal brasileiro, e com o artigo 129, I da Carta
Magna, que atribui exclusivamente ao Parquet a titularidade da
ação penal pública, reservando ao Judiciário apenas a função
de julgar. O caput encerra também regra de competência
territorial, nos moldes do artigo 70 do Código de Processo
Penal.

Art. 357. Verificada a infração penal, o Ministério Público oferecerá a


denúncia dentro do prazo de 10 (dez) dias.

Código Eleitoral Comentado 425 Trata-se de norma especial,


em relação ao Código de Processo Penal, segundo o qual o
prazo para oferecimento de denúncia, no caso de réu preso, é
de cinco dias, e de quinze dias para réu solto (artigo 46). Aqui,
a opção do legislador foi de ficar no meio termo, englobando
ambas as circunstâncias. Quanto ao início da contagem do
prazo, vale a regra subsidiária do CPP, ou seja, a data em que
o órgão do Ministério Público recebe os autos do inquérito.
Inobstante, o entendimento predominante no TSE é de que o
decurso do prazo sem oferecimento de denúncia não é causa
extintiva de punibilidade, na medida em que se trata de prazo
de natureza administrativa e impróprio, em razão do princípio
da obrigatoriedade, razão pela qual pode o Ministério Público
denunciar o indiciado a qualquer tempo, desde que não
ocorrida a prescrição da pretensão punitiva. A respeito: v.
acórdãos TSE 234/94 e 4.692/04. As Leis 9.099/95 e
10.259/01, que versam sobre processos relativos a infrações
penais de menor potencial ofensivo, são aplicáveis ao processo
penal eleitoral, excetuados os tipos penais que extravasem,
sob o ângulo da apenação, a pena da liberdade e a imposição
de multa para alcançarem, relativamente a candidatos, a
cassação do registro. A respeito: v. acórdão TSE RE 25.137.

§ 1º Se o órgão do Ministério Público, ao invés de apresentar a denúncia,


requerer o arquivamento da comunicação, o juiz, no caso de considerar
improcedentes as razões invocadas, fará remessa da comunicação ao Procurador
Regional, e este oferecerá a denúncia, designará outro Promotor para oferecê-la, ou
insistirá no pedido de arquivamento, ao qual só então estará o juiz obrigado a
atender.

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A regra, similar à do artigo 28 do Código de Processo Penal,
tem por escopo o princípio da obrigatoriedade da ação penal
pública, segundo o qual o Ministério Público deve propô-la,
sempre que estiver diante de fato típico, ilícito e culpável,
devidamente comprovado ou com elementos que o autorizem a
iniciar a persecução penal65, todavia, está derrogada pelo
artigo 62, IV, da Lei Complementar nº 75/93, segundo o qual
compete às Câmaras de Coordenação e Revisão do Ministério
Público Federal manifestarse sobre o arquivamento de
inquérito policial, exceto nos casos de competência originária
do Procurador-Geral. (A respeito: v. acórdão TSE Respe
25.030.) 65 RANGEL, Paulo. Direito Processual Penal. Lúmen
Juris: Rio de Janeiro, 2010. 426 Código Eleitoral Comentado
Nesse sentido, o Enunciado nº 29 da 2ª Câmara de
Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal,
especializada em matéria penal, do seguinte teor: Enunciado nº
29. Compete à 2ª Câmara de Coordenação e Revisão do
Ministério Público Federal manifestar-se nas hipóteses em que
o Juiz Eleitoral considerar improcedentes as razões invocadas
pelo Promotor Eleitoral ao requerer o arquivamento de inquérito
policial ou de peças de informação, derrogado o art. 357, § 1º,
do Código Eleitoral pelo art. 62, inc. IV, da Lei Complementar
nº 75/93.

§ 2º A denúncia conterá a exposição do fato criminoso com todas as suas


circunstâncias, a qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa
identificá-lo, a classificação do crime e, quando necessário, o rol das testemunhas.

O dispositivo é idêntico ao artigo 41 do Código de Processo


Penal. As circunstâncias em que os fatos se deram são
resumidas, segundo Paulo Rangel66, nas seguintes
expressões: quem (a pessoa do agente, seus antecedentes e
personalidade); que coisa (os acidentes do evento); com que
(os instrumentos do crime); por que (as razões do crime); como
(forma de execução do crime); e quando (tempo em que o
crime foi cometido). A ausência de qualquer desses elementos
pode implicar na inépcia da petição inicial. Por idêntica razão, a
decisão de recebimento da denúncia deve ser fundamentada
(artigo 93, IX, da Constituição da República), já que se está
diante de um juízo de admissibilidade.

§ 3º Se o órgão do Ministério Público não oferecer a denúncia no prazo legal


representará contra ele a autoridade judiciária, sem prejuízo da apuração da
responsabilidade penal.

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§ 4º Ocorrendo a hipótese prevista no parágrafo anterior o juiz solicitará ao
Procurador Regional a designação de outro promotor, que, no mesmo prazo,
oferecerá a denúncia.

O dispositivo é incompatível com o artigo 127, § 2º, da


Constituição da República, que assegura ao Ministério Público
autonomia funcional e administrativa. O não oferecimento da
denúncia no prazo legal dá azo à ação penal subsidiária da
pública (v. comentá- 66 Op. cit. Código Eleitoral Comentado
427 rios ao art. 355, supra), com o que, como observa Marcos
Ramayana67, fica assegurado o controle popular do princípio
da obrigatoriedade da ação pública. § 5º Qualquer eleitor
poderá provocar a representação contra o órgão do Ministério
Público se o juiz, no prazo de 10 (dez) dias, não agir de ofício.
A norma tem por escopo assegurar o direito de petição, que
tem base no artigo 5º, XXXIV, a, da CRFB. A provocação deve
ser dirigida ao órgão correcional a que estiver vinculado o
promotor omisso.

Art. 358. A denúncia, será rejeitada quando:

I - o fato narrado evidentemente não constituir crime;

II - já estiver extinta a punibilidade, pela prescrição ou outra causa;

III - for manifesta a ilegitimidade da parte ou faltar condição exigida pela lei
para o exercício da ação penal.

Parágrafo único. Nos casos do número III, a rejeição da denúncia não


obstará ao exercício da ação penal, desde que promovida por parte legítima ou
satisfeita a condição.

A Lei 11.719, de 20 de junho de 2008, que alterou


procedimentos previstos no Código de Processo Penal,
repercutiu no processo penal eleitoral, na medida em que,
tacitamente, revogou o artigo 358 do Código Eleitoral. Com
efeito, dispõe o parágrafo 4º, do artigo 394, do CPP, com a
redação determinada pelo novel diploma legal que: “As
disposições dos arts. 395 a 398 deste Código aplicam-se a
todos os procedimentos penais de primeiro grau, ainda que não
regulados neste Código.” Com isso, ficou afastada a regra
jurídica de que a norma geral (no caso, o CPP) não revoga a
especial (o CE), já que se trata de ressalva expressa. O artigo
395 do CPP, com a redação da Lei 11.719/08, trata
17
especificamente da matéria a que alude o artigo 358 do CE:
Art. 395. A denúncia ou queixa será rejeitada quando: I – for
manifestamente inepta; II – faltar pressuposto processual ou
condição para o exercício da ação penal; ou III – faltar justa
causa para o exercício da ação penal. Quanto à inépcia da
inicial acusatória, v. art. 357, § 2º. 67 RAMAYANA, Marcos.
Direito eleitoral – 12ª edição – Impetus: Rio de Janeiro, 2011.
428 Código Eleitoral Comentado Pressupostos processuais,
segundo Tourinho Filho68, são os antecedentes necessários à
existência e validade do processo, tais como órgão jurisdicional
competente, capacidade postulatória das partes (legitimatio ad
processum), inexistência de litispendência ou coisa julgada.
Condições da ação, por seu turno, são a possibilidade jurídica
do pedido, a legitimidade para figurar como parte no processo
(legitimatio ad causam) e o interesse de agir. Justa causa, na
definição clássica da doutrina, é a existência de um conjunto
probatório mínimo a respeito do fato criminoso e de indícios
suficientes de autoria69, vale dizer, a presença de
circunstâncias que confiram seriedade ao pedido acusatório, e
não mera suspeita.

Art. 359. Recebida a denúncia, o juiz designará dia e hora para o


depoimento pessoal do acusado, ordenando a citação deste e a notificação do
Ministério Público.

Caput com redação dada pela Lei 10.732/03, que introduziu no


sistema processual penal eleitoral o interrogatório (rectius:
depoimento pessoal) do acusado. A jurisprudência do TSE é no
sentido de que a não realização do ato configura nulidade
absoluta, porquanto o depoimento pessoal é considerado ato
de defesa do réu. A respeito: v. acórdão TSE RESPE
21.420/2007. Na impossibilidade de localização do réu, e tendo
sido ele citado por edital sem comparecer, serão aplicáveis
subsidiariamente os procedimentos previstos no artigo 366 do
CPP (conforme art. 364 CE), ficando suspensos o processo e o
curso do prazo prescricional, podendo o juiz determinar a
realização das provas consideradas urgentes e, se for o caso,
decretar a prisão preventiva.

Parágrafo único. O réu ou seu defensor terá o prazo de 10 (dez) dias para
oferecer alegações escritas e arrolar testemunhas.

(Incluído pela Lei nº 10.732, de 5.9.2003) Parágrafo acrescido


pelo art. 1º da Lei 10.732/2003. Quanto ao número de
testemunhas, aplica-se subsidiariamente o artigo 401 do CPP,

18
com a redação determinada pela Lei 11.719/08 (até 8
testemunhas arroladas pela acusação e 8 pela defesa).

Art. 360. Ouvidas as testemunhas da acusação e da defesa e praticadas as


diligências requeridas pelo Ministério Público e deferidas ou ordenadas pelo juiz,
abrir-se- á o prazo de 5 (cinco) dias a cada uma das partes - acusação e defesa -
para alegações finais.

A faculdade de requerer diligências se estende também à defesa (art.


402 do CPP, com redação determinada pela Lei 11.719/08), sob
pena de violação ao princípio do tratamento igualitário devido às
partes. O critério para se deferir ou não o pedido, é a necessidade ou
conveniência que se origine de circunstâncias ou de fatos apurados
na instrução. Nas alegações finais, cabe às partes abordarem todas
as questões jurídicas e fáticas atinentes ao processo, visando a
demonstrar o acerto de suas teses, bem como arguir todas as
nulidades sanáveis existentes nos autos, sob pena de preclusão
(arts. 571 e 572 do CPP).

Art. 361. Decorrido esse prazo, e conclusos os autos ao juiz dentro de


quarenta e oito horas, terá o mesmo 10 (dez) dias para proferir a sentença.

O artigo, trás o prazo que o juiz tem para concluir os autos e proferir a
sentença.

V. arts. 35, inciso II, 43, 44 e 48, da Lei Complementar 35/79


(LOMAN). O excesso injustificado do prazo legal dará azo à
reclamação, a ser processada pelo respectivo Tribunal Regional
Eleitoral. A punição cabível é a advertência ou, no caso de reiteração
da conduta negligente, a censura

Art. 362. Das decisões finais de condenação ou absolvição cabe recurso


para o Tribunal Regional, a ser interposto no prazo de 10 (dez) dias.

Trata-se de prazo comum. Cabível, também, a oposição de


embargos de declaração, no prazo de três dias, embora o art. 275 do
CE restrinja esta espécie recursal a obscuridade, dúvida ou
contradição no acórdão (inciso I), ou a omissão de ponto sobre o
qual devia pronunciar-se o Tribunal (inciso II). Embora a questão não
seja pacífica, havendo respeitáveis doutrinadores, como Marcos
Ramayana70 que sustentam a posição restritiva, a posição
majoritária nos tribunais é de aceitar os embargos declaratórios
também em face de decisões monocráticas, em homenagem ao
princípio da ampla defesa. Por outro lado, a jurisprudência do TSE já
assentou o entendimento de que, em sede colegiada, embargos de
declaração voltados contra decisão monocrática do relator podem ser
recebidos como agravo inominado, pelo princípio da fungibilidade
recursal.

19
A respeito: v. acórdãos TRE-RJ MS 665/2009; TSE AgR-Respe
332757.

Já o artigo 362 expõe a decisão final, ou seja, pode ser a condenação ou


absolvição, cabendo recurso ao tribunal regional tendo o prazo a ser interposto de
10 dias.

Art. 363. Se a decisão do Tribunal Regional for condenatória, baixarão


imediatamente os autos à instância inferior para a execução da sentença, que será
feita no prazo de 5 (cinco) dias, contados da data da vista ao Ministério Público.

Não sendo unânime a decisão condenatória, é cabível a interposição


de embargos infringentes e de nulidade, tal como prevê o parágrafo
único do artigo 609 do CPP. A respeito: v. acórdão TSE 4.590.2004.

Ac.-TSE nº 4590/2004: cabimento de embargos infringentes e


de nulidade previstos no CPP, art. 609, parágrafo único. ƒ

Ac.-TSE, de 23.8.2011, no HC nº 412471: impossibilidade de


execução provisória da pena privativa de liberdade ou restritiva
de direitos decorrente de sentença penal condenatória sem
trânsito em julgado, ressalvada a decretação de prisão cautelar
nos termos do art. 312 do CPP, quando presentes
fundamentos idôneos.

Parágrafo único. Se o órgão do Ministério Público deixar de promover a


execução da sentença serão aplicadas as normas constantes dos parágrafos 3º, 4º
e 5º do Art. 357.

O artigo. 363 mostra que após a recurso ao tribunal regional for de


condenatória, o mesmo desce de imediato a instancia inferior para a execução da
sentença, dentre o prazo de 5 dia, contados da data da vista ao Ministério Público.
Porém o parágrafo único, ainda manifesta que se o Ministério Público deixar de
promover a execução da sentença será aplicado os § 3°, 4° e 5° do art.357.

Art. 364. No processo e julgamento dos crimes eleitorais e dos comuns que
lhes forem conexos, assim como nos recursos e na execução, que lhes digam
respeito, aplicar-se-á, como lei subsidiária ou supletiva, o Código de Processo
Penal.

A aplicação da subsidiariedade tem lugar quando este Código não


dispuser de modo diverso.

Ac.-TSE nº 11953/1995: incabível a apresentação de razões


recursais na instância superior; inaplicabilidade do CPP, art.
600, § 4º, devendo ser observados os arts. 266 e 268 deste
código.

O artigo 364 expõe que no processo e julgamento de crimes eleitorais e dos


crimes que lhes forem conexos, como crimes comuns, mesmo sendo como nos
20
recursos e na execução, aplicara a lei subsidiaria ou supletiva, do Código de
Processo Penal.

21
4. Conclusão

Conforme verificado, crimes eleitorais são aqueles tipificados na legislação,


seja no Código Eleitoral ou na legislação extravagante, perfazem-se por condutas
comissivas ou omissivas, sejam essas condutas realizadas por candidatos ou
eleitores a fase de uma eleição, a qual se inicia no alisamento e termina na
diplomação.

Esses crimes possuem natureza comum, conforme já pacificado pelo


Superior Tribunal Federal, a contrário da tese levantada por alguns doutrinadores
que defendem que tais crimes têm natureza especial.

Para a apuração de tais crimes, necessário se faz a comunicação dos


mesmos, que pode ser realizada por qualquer cidadão ao juiz eleitoral, que, após,
remeterá ao Ministério Público Eleitoral para as devidas providências.

Cabe ao Ministério Público Eleitoral a competência para realizar a denúncia,


que será apurada por meio de ação penal pública incondicionada, mas, caso esse
órgão fiscalizador da lei não haja dentro do prazo previsto, existe a possibilidade do
exercício da queixa crime subsidiária, e após o recebimento da denuncia pelo juízo
eleitoral, que prosseguirá com o processo em todas suas fases.

Assim, com fundamento no que fora tratado, conclui-se que o Processo


Penal Eleitoral é fundamental para que uma eventual punição ocorra, como
instrumento para garantir a lisura das eleições.

22
5. Referências:

CASTRO, Edson de Resende. Curso de Direito Eleitoral. 8 ed. Belo Horizonte: Del
Rey, 2016.

CORDEIRO, Vinicius; SILVA, Anderson Claudino da. Crimes Eleitorais e Seu


Processo. 1. Ed., Rio de Janeiro: Forense, 2006.

GOMES, Suzana de Camargo. Crimes Eleitorais. 3ª ed. São Paulo: Revistas do


Tribunais, 2008.

GONÇALVES, Luiz Carlos dos Santos. Crimes Eleitorais e Processo Penal


Eleitoral. 2 Ed., São Paulo: Atlas, 2015.

RAMAYANA, Marcos. Direito Eleitoral. 9. Ed., Niterói: Impetus, 2009.

RIBEIRO, Flávia. Direito Eleitoral. 5. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1998.

TELES, Ney Moura. Direito Eleitoral. São Paulo: Atlas, 1998.

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https://jus.com.br/artigos/72692/processo-penal-eleitoral

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0Penal%20ao%20processo%20criminal%20eleitoral%20(1).pdf

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http://www.tse.jus.br/legislacao/codigo-eleitoral/codigo-eleitoral

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23
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de-investigacao-judicial-eleitoral

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