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AULA 5 Crase

Crase é a junção de duas vogais idênticas (a + a), indicada pelo acento gra-
ve (à). Trata-se de um encontro frequente, incluindo classes gramaticais
diversas, as mais conhecidas: preposição a + artigo a(s). Mas, quando de-
vemos utilizar ou não o acento indicativo de crase?

O uso da crase não envolve mistérios, apenas algumas regras

Como usar a crase sem crise

Ao tentar minimizar o terror que assalta muitos usuários da língua portuguesa quando preci-
sam empregar o acento grave indicativo de crase, o poeta Ferreira Gullar saiu-se com uma justifi-
cativa espirituosa: "A crase não foi feita para humilhar ninguém". O escritor gaúcho Moacyr Scliar
discorda dessa opinião e afirma, numa de suas crônicas, que a crase foi feita, sim, para humilhar as
pessoas. Por causa dela, ainda segundo Scliar, a população brasileira pode ser dividida em duas
classes: uma minoria, que sabe utilizar com propriedade o fenômeno fonético; e a maioria, que tem
medo existencial desse sinal gráfico. Rebelde e provocador, o humorista Millôr Fernandes vai mais
longe e assume, com todas as letras, que é contra a crase, pois "ela não existe. É uma invenção em
português do Brasil". Se a questão provoca declarações apaixonadas desses três autores brasileiros
ilustres, o que dizer do nó que dá na cabeça da população em geral? Nada melhor do que colocar o
tema em pauta e ensinar que a crase não envolve mistérios. Basta conhecer as regras que orientam
seu uso ou não. E praticar.

Disponível em: http://www.gentequeeduca.org.br/planos-de-aula/como-usar-crase-sem-crise.


Acesso em: 13.06.2015. Texto adaptado.

Português 3 - Aula 5 47 Instituto Universal Brasileiro


Crase
Uso ou não da crase Preposição a + pronome
demonstrativo aquele(a)(s)
O uso de crase constitui uma particula-
ridade gramatical de relevante importância, já Existe um segundo tipo de crase, que é
que é frequente na língua portuguesa. O mais a fusão da preposição a com os pronomes de-
importante é conhecer e aplicar as regras que monstrativos aquele(a)(s); aquilo que se ini-
indicam a correta utilização do acento grave ciam com a letra a. Observe o exemplo:
nestes casos. Em se tratando do domínio do
padrão formal que norteia a linguagem escri- Não irei àquele lugar
ta, não há dúvidas que saber usar a crase é (Não irei a aquele lugar)
sinal de competência.
Vamos a mais alguns exemplos?

Conceito de crase • Oferecemos ajuda àquelas pessoas


Para construir o conceito de crase, ob- idosas.
serve como ocorre a fusão (a + a). • Entregamos os brinquedos àquelas
crianças da creche.
Preposição a + artigo a

Observe a frase: Preposição a + pronome relativo


a qual / as quais
Ele vai à sala de reunião.
A crase pode ocorrer, ainda, pela fusão
Nesse exemplo, o verbo “ir” pede a prepo- da preposição a com os pronomes relativos
sição a em seu adjunto adverbial: “Quem vai, vai a qual, as quais.
a algum lugar”. Por sua vez o adjunto adverbial
vem acompanhado do artigo a: “a sala de reu- A cidade à qual você se refere foi
nião”. Temos, então, o seguinte encontro: inundada.

Ele vai a a sala de reunião. você refere a + a qual


à qual você se refere
preposição artigo

Por serem iguais, os sons juntam-se, e,


para indicar essa fusão, usamos o acento gra-
ve (`).

Ele vai à sala de reunião.

a a A palavra crase é de origem grega


preposição artigo e significa junção, fusão, mistura. Na gra-
mática da língua portuguesa, basicamen-
Já é possível formular a definição básica te a crase se refere à junção da preposi-
de crase. ção “a” com o artigo feminino “a(s)” que
Crase é a fusão da preposição a com resulta em “à(s)”. Observe que no caso
o artigo definido feminino a ou as, fusão da fusão da preposição com o pronome
essa indicada pelo acento grave (`). demonstrativo ou com o pronome relativo,

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continua valendo a ideia de: preposição a • Benéfico a
+ letra a que inicia os pronomes (a+a). Em Ex.: Benéfico ao corpo ou à mente.
todos os casos de junção, a presença da
preposição é fundamental. • Contrário a
Ex.: Contrário ao regulamento ou à lei.

• Grato a
Relação entre regência e crase
Ex.: Grato ao senhor ou à vida.
Observe que nos casos de junção apre-
sentados aparece a preposição a. Mas o que • Necessário a
exige a presença da preposição? A regência Ex.: Necessário ao espírito ou à alma.
dos verbos, como no caso de “ir a algum lu-
gar” ou “referir-se a alguma coisa”. Portanto • Próximo a
há uma estreita relação entre regência e cra- Ex.: Próximo ao clube ou à piscina.
se. A regência determina não só quando a
preposição é necessária, mas também qual
é a preposição que deve acompanhar cada Ocorrências obrigatórias de crase
verbo ou nome. Por isso, é sempre bom lem-
brar alguns verbos e nomes que são regidos Construções com a junção de
pela preposição a. Quando acompanhados por preposição “a” + artigo feminino “a(s)”
substantivos e artigos masculinos usa-se ao
(a+o); para femininos, à (a+a). Exemplos: Essa é a regra básica: sempre ocorre
crase em construções em que haja a junção
Verbos de preposição “a” mais artigo feminino “a(s)”a
+ a(s) = à(s). Exemplo:
• Aspirar a (sentido de almejar ou
desejar) Vou à escola.
Ex.: Aspirar ao emprego dos sonhos
ou à vaga tão desejada. O verbo ir rege a preposição a, que se
funde com o artigo exigido pelo substantivo
• Assistir a (sentido de ver ou pre-
feminino escola: Vou à (a+a) escola.
senciar)
Ex.: Assistir ao filme ou à novela.
a+a=à
• Chegar a (sentido de ir e vir)
Ex.: Chegar ao destino ou à cidade. A ocorrência de crase é marcada pelo
acento grave (`). A troca de “escola” pelo
• Ir a (deslocar-se de um lugar para
substantivo masculino equivalente “colé-
outro)
gio” evidencia que quando se trata de pala-
Ex.: Ir ao clube ou à escola.
vra masculina, basta ligar a preposição a e
• Obedecer a (desobedecer a) o artigo o: Vou ao (a+o) colégio.
Ex.: Obedecer ao sinal ou à regra.

• Sentar-se a (tomar assento)


Ex.: Sentar-se ao lado ou à mesa.

Nomes
Uma boa dica para saber se há crase,
• Amor a é trocar a palavra feminina por uma mas-
Ex.: Amor ao pai ou à mãe. culina. Se nessa troca, aparecer "ao(s)",

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Em locuções adverbiais cuja
significa que a crase é necessária “a+a(s)”.
palavra-base é feminina
Exemplo:

Vou à igreja. Vou ao shopping.

Note que a verbo ir (vou) exige


preposição, e igreja é uma palavra fe-
Observe que se trata de uma locução
minina. Quando trocada por "shopping",
adverbial de tempo, formada a partir de subs-
o "a + a" tornou-se "ao". Então existe
tantivo feminino (a noite).
crase.
à noite

palavra-base feminina

À noite, ele costuma contar suas his-


tórias.
Crase só é usada antes de pala- Exemplos de outras locuções:
vra feminina. Não há crase antes de
palavras masculinas. Pelo simples fato Às vezes, à tarde, às pressas, à
de ser formada pela junção de prepo- procura de, à medida que, à espera de,
sição mais artigo "a", a crase só apare- entre outras.
cerá antes de palavras femininas. Por
exemplo: Antes de substantivo, quando
Passeio à moda antiga. X Passeio a cavalo.
estão subentendidas as
expressões à moda, à maneira
O substantivo “cavalo” é masculi-
no, portanto, não exige o artigo femini-
no “a”. Por consequência, não há acen-
to grave, não há crase antes de palavra
masculina. Outros exemplos: andar a pé,
pagamento a prazo, cheirar a suor, ves-
tir-se a caráter.

Em expressões indicativas de hora


Quando a expressão à moda não apa-
rece escrita, mas pode ser deduzida, a crase
permanece.
Usa chapéu à Santos Dumont.

à moda

Exemplos:
Antes de nomes de locais, quando são
• Sairemos às 9 horas. (locução ad- acompanhados do artigo a
verbial de tempo)

• Amanhã, pretendo levantar às 6 e


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Para saber se existe o artigo feminino
construa uma frase em que ocorra a preposi- senhorita e dona. Ex.: Enviamos à senho-
ção “de” antes do nome da localidade: “vol- ra algumas flores.
tar de” corresponde a “ir a”; “voltar da” cor-
responde a “ir à”. Observe: ► Antes do artigo indefinido uma e
seu plural.
• Vá à Bahia - Venho da Bahia. Exemplo: Dirigiu-se a uma região desco-
nhecida.
• Iremos a Santa Catarina - Viemos
de Santa Catarina. Observação. Usa-se crase quando
“uma” estiver designando hora. Ex.: Sairá
à uma hora.

► Antes de pronomes pessoais.


Exemplo: O que trouxeste a mim é um
Exceção. Há crase quando se atri- problema difícil de resolver.
bui uma qualidade à cidade. Exemplo: Re-
feriu-se à bela Lisboa, à Brasília das mor- ► Com palavras no plural, emprega-
domias, à Londres do século passado. das com sentido genérico.
Exemplo: Nunca fomos a exposições.

Casos em que não ocorre a crase ► Antes de pronomes indefinidos e de-


monstrativos, excetuando-se aquele(a)(s),
► Antes de verbo. aquilo.
Exemplo: Passou a ver./ Começou a falar. Exemplos: Peço a qualquer pessoa des-
ta sala que me ajude. / Retornei a esta cidade
► Nas locuções formadas por pala- para estudar.
vras repetidas.
Exemplos: cara a cara, frente a frente, ► Antes de qualquer nome feminino
gota a gota, de ponta a ponta. tomado em sentido genérico ou indetermi-
nado.
► Antes de “ela”, “esta” e “essa”. Exemplo: Não damos ouvidos a recla-
Exemplo: Pediram a ela que saísse./ De- mações./ Não me refiro a mulheres, mas a
dicou o livro a essa moça. meninas.

► Antes de pronomes que não admi- Observação. Não esqueça que se


tem artigo. houver determinação a crase é indispen-
Tais como: ninguém, alguém, toda, cujo, sável. Ex.: Superintendente admite ter ce-
cada, tudo, você, alguma, qual etc. dido à pressão de superiores.
Exemplo: Não entregue isso a ninguém./
Estamos dispostos a tudo. ► Antes de substantivos no plural
que fazem parte de locuções de modo.
► Antes de formas de tratamento. Exemplo: Agrediram-se a bofetadas./ A
Exemplos: Escreverei a Vossa Excelência./ reunião foi a portas fechadas.
Recomendamos a Vossa Senhoria... / Enviamos
a Vossa Senhoria nossos cumprimentos. Observação. Se toda a expressão
for para o plural, o acendo grave aparece.
Observação. Ocorre crase com Ex.: Mandei-os às favas./ Fez tudo às es-
os pronomes de tratamento senhora, condidas.

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► Antes de nomes de mulheres céle- Dúvidas mais frequentes
bres.
Exemplo: Ele a comparou a Maria Anto- Em datas: “Período de 8 a 10 de maio”
nieta.
A dúvida talvez se deva à comparação
► Antes de “dona” e “madame”. com período de horas. Na expressão “das 8h
Exemplo: Deu o dinheiro a Dona Maria./ às 16h” usa-se a crase. Mas em períodos que
Já se acostumou a Madame Angélica. se referem a datas não se utiliza a crase: “de 8
a 10”; “de segunda a sexta”. Vamos analisar as
Exceção. Há crase se o “dona” ou evidências. Na primeira expressão, em “das”
o “madame” estiverem particularizados. há uma junção (preposição de + artigo as que
Ex.: Referia-se à Dona Flor dos dois se refere a horas), portanto em “às” também
maridos. deve haver uma junção (de preposição a + ar-
tigo as). Na segunda expressão aparece ape-
► Antes de numerais. nas a preposição “de”, portanto, é necessária
Exemplo: O número de mortos chegou a apenas a preposição “a”. Se não há a necessi-
dez./ Visitou a cinco hospitais./ Nasceu a 8 de dade de artigo feminino, não pode haver crase.
janeiro. Para simplificar a memorização, sugerimos os
seguintes versinhos: “a com de – crase para
► Antes de “distância”, desde que quê?”; “a com da – crase no à”.
não determinada.
Exemplo: A polícia ficou a distância./ A Em indicações: “Obras a 500 metros”
educação a distância ganha espaço.
Este tipo de indicação não leva crase.
Observação. Mas quando se define Neste caso, a locução adverbial de lugar se
a distância, existe crase. Ex.: A polícia fi- constitui de uma preposição (a) que acompa-
cou à distância de seis metros dos mani- nha um substantivo masculino (metros). O ar-
festantes. tigo (os) não está presente (Obras “aos” 500
metros?). Então, são duas as razões para não
► Antes de “Terra”, quando esta sig- ter mais dúvidas: se o substantivo for mas-
nifica terra firme. culino, como é o caso de metros; se não há
Exemplo: O navio estava chegando a presença de artigo, não pode ocorrer crase.
terra./ Está muito abafado a bordo: vamos a Veja outras variações: Lombada a 100 me-
terra. tros; Pedágio a 1 km; Pesagem obrigatória a
300 metros.
Observação. Nos demais significa-
dos da palavra, usa-se a crase. Ex.: Vol-
Em expressões: “A serviço”,
tou à terra natal./ Os astronautas regres-
“A laser”, “A preço de custo”
saram à Terra.
Em todas essas expressões, a prepo-
► Antes de “casa”, considerada como sição acompanha substantivos masculinos:
lugar onde se mora. (o) serviço; (o raio) laser; (o) preço. Portanto,
Exemplo: Voltou a casa./ Chegou cedo fica claro que se trata de preposição simples-
a casa. mente, sem artigo. Portanto, não pode haver
crase.
Observação. Se a palavra vier
determinada, há a crase. Ex.: Voltou à Na expressão: “Sujeito a alterações”
casa dos pais./ Fez uma visita à Casa
Branca. Não pode haver crase. A palavra “al-
terações” está no plural, se houvesse artigo
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acompanhando, a junção resultaria em: “a +
as = às”. Portanto, é possível deduzir que, artigo), o som /a/ pode representar tam-
neste caso, há apenas preposição “a”. O mes- bém o pronome pessoal feminino (que
mo vale para: sujeito a multas; sujeito a chu- substitui o nome de uma pessoa) ou uma
vas e trovoadas; sujeito a guincho. forma verbal. Na escrita, o artigo, a prepo-
sição e o pronome pessoal apresentam a
mesma grafia: letra “a”; a crase vem mar-
Uso facultativo de crase cada com o acento grave: “à”; já a forma
Quando o emprego do acento grave indi- verbal vem com h e leva acento agudo:
cativo de crase é facultativo (não obrigatório), “há”. Confira a questão da FUVEST em
as duas formas, com e sem crase, são consi- que se pergunta qual a única forma não
deradas corretas. utilizada, no caso, não foi usado o artigo
feminino (a).
► Antes dos pronomes possessivos
femininos. "Maria pediu à psicóloga que a
Exemplo: Dirigiu-se à sua casa. ajudasse a resolver o problema que
Dirigiu-se a sua casa. há muito a afligia."

Observação. Quando o pronome


possessivo traz o substantivo subenten- Confira a ordem das demais cate-
dido, deve-se colocar o acento indicativo, gorias: fusão da preposição a e do artigo
pois a crase se torna obrigatória. Ex.: Diri- feminino a em “pediu à psicóloga” (indi-
giu-se a sua casa e não à nossa. cativa de crase); pronome pessoal femi-
nino que se refere à Maria em “a ajudas-
se”; preposição usada antes de verbo
► Antes da preposição até indicando em “a resolver”; forma do verbo haver,
limite. indicando tempo em “há muito”; e, no-
Ex.: Vá até à sala. vamente, pronome pessoal feminino em
Vá até a sala. “a afligia” – referindo-se a um problema
que afligia Maria. Além das formas apre-
► Antes de nome próprio feminino. sentadas na questão, há ainda o advér-
Ex.: Ofereceram flores à Maria. bio: Ah!
Ofereceram flores a Maria.

Observação. Se o nome pertence


a pessoas célebres, não ocorre crase.
Ex.: O professor referia-se a Clarice Lis-
pector.

Crase

Uso ou não da crase

O uso de crase constitui uma parti-


O som /a/ pode representar cularidade gramatical de relevante impor-
coisas diferentes tância, já que é frequente na língua por-
tuguesa. O mais importante é conhecer
Tudo vai depender do contexto. Além e aplicar as regras que indicam a correta
de artigo, preposição e crase (preposição + utilização do acento grave nestes casos.

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Conceito de crase ► Antes de nomes de locais, quan-
do são acompanhados do artigo a: “Vá à
A palavra crase é de origem gre- Bahia”.
ga e significa junção, fusão, mistura.
Na gramática da língua portuguesa,
basicamente a crase se refere à jun-
ção da preposição “a” com o artigo
feminino “a(s)” que resulta em “à(s)”. Principais casos em que não
Observe que no caso da fusão da pre- devemos utilizar a crase
posição com o pronome demonstrativo
ou com o pronome relativo, continua ►Antes de verbo. Ex.: Passou a
valendo a ideia de: preposição a + le- ver./ Começou a falar.
tra a que inicia os pronomes (a+a). Em ►Antes de expressões com subs-
todos os casos de junção, a presença tantivos repetidos. Ex.: cara a cara, fren-
da preposição é fundamental. te a frente, gota a gota, de ponta a ponta.
►Antes de “ela”, “esta” e “essa”.
Ex.: Pediram a ela que saísse./ Dedicou o
Relação entre regência e crase livro a essa moça.
►Antes de pronomes que não ad-
Há uma estreita relação entre regên- mitem artigo, tais como: ninguém, al-
cia e crase. A regência determina não só guém, toda, cujo, cada, tudo etc. Ex.:
quando a preposição é necessária, mas Não entregue isso a ninguém./ Estamos
também qual é a preposição que deve dispostos a tudo.
acompanhar cada verbo ou nome. ►Antes de formas de tratamento.
Ex.: Escreverei a Vossa Excelência./ Re-
Ocorrências obrigatórias de crase comendamos a Vossa Senhoria. Exceção:
Entregue à senhora.
► Construções com a junção de ► Antes do artigo indefinido uma
preposição “a” + artigo feminino “a(s)”: e seu plural. Ex.: Dirigiu-se a uma região
“obedecer às regras”. desconhecida.
► Em expressões indicativas de ► Antes de pronomes pessoais.
hora: “às 13 h”. Ex.: O que trouxeste a mim é um proble-
ma difícil de resolver.
► Com palavras no plural, empre-
gadas com sentido genérico. Ex.: Nun-
ca fomos a exposições.
► Em locuções adverbiais cuja pala- ► Antes de nomes de mulheres
vra-base é feminina: “à noite” célebres. Ex.: Ele a comparou a Maria
Antonieta.

Uso facultativo
► Antes de substantivo, quando es-
tão subentendidas as expressões à moda, ►Antes do possessivo. Ex.: Levou
à maneira. a encomenda a sua (ou à sua) tia.
► Antes de nomes de mulheres.
Ex.: Declarou-se a Joana (ou à Joana).
► Antes de “até” (limite). Ex.: Foi
até a porta (ou até à).

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c) ( ) Refiro-me àqueles contratos can-
celados.
d) ( ) Não pagou o salário à funcio-
nária.

1. Nas frases abaixo há erro por empre- 4. Assinale a alternativa incorreta quan-
go ou por omissão do acento grave indicativo to ao emprego ou não do acento grave indica-
de crase. Numere as frases de acordo com as tivo de crase.
causas e assinale a alternativa com a sequên-
cia correta. a) ( ) Graças à nossa ajuda, ele sal-
vou-se.
b) ( ) Parecia indiferente à qualquer
( 1 ) Quando o acento foi em-
agrado.
pregado de forma incorreta, por não
c) ( ) Ele começou a reclamar de tudo.
haver crase.
d) ( ) Não cede seus direitos a nin-
( 2 ) Quando o acento foi omi-
guém.
tido (não foi colocado) e a constru-
ção exige crase.
5. Somente uma das alternativas abaixo
está correta quanto à crase. Assinale-a com
( ) Quanto à mim, não sei o que
um (x).
fazer.
( ) Sentou-se a direita da sala.
a) ( ) Não ficou indiferente à ela.
( ) Andei por esta trilha à cavalo.
b) ( ) Ele voltou à sonhar com a pro-
( ) Todos resolveram ir a casa do
moção.
prefeito.
c) ( ) Dirijo-me à Vossa Excelência
( ) Não chegamos à ver o fenô-
para agradecer.
meno.
d) ( ) Não conheço as ruas às quais
você se refere.
a) ( ) 1 – 2 – 2 – 1 – 2
b) ( ) 1 – 2 – 1 – 2 – 1 6. (CESCEM. Adaptada) Complete cor-
c) ( ) 2 – 1 – 1 – 2 – 2 retamente a frase.
d) ( ) 1 – 2 – 2 – 2 – 1

2. Assinale a única alternativa em que o


emprego da crase é facultativo.

a) ( ) Todos foram à conferência entu-


siasmados.
b) ( ) Por esta trilha, chegaremos até
à estrada.
c) ( ) Ele pinta à Portinari.
d) ( ) Às vezes, ele se sente sozinho.
Sentou-se ___ máquina e pôs-se
3. Assinale a única alternativa incor- ___ reescrever uma ___ uma as páginas
reta. do relatório.

a) ( ) O líquido foi transferido gota à a) ( ) a / a / à


gota para o outro frasco. b) ( ) a / à / à
b) ( ) Não se adaptou às crianças do c) ( ) à / a / a
bairro. d) ( ) à / à / à
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Na alternativa d, o verbo “pagar” pede dois
complementos: “pagar alguma coisa” (com-
plemento sem preposição) e “pagar a alguém”
(complemento com preposição a); a crase
ocorre porque esse “alguém” é uma “funcio-
1. b) ( x ) 1 – 2 – 1 – 2 – 1 nária”: palavra feminina (fusão da preposição
Comentário. Lembre-se: (1) para forma a com o artigo definido feminino a = à). “Não
incorreta e (2) para omissão. (1) “Quanto à pagou o salário à funcionária”.
mim não sei o que fazer”. Não ocorre crase
antes de pronomes pessoais. Portanto, o cor- 4. b) ( x ) Parecia indiferente à qual-
reto seria: “Quanto a mim...”. (2) “Sentou-se a quer agrado.
direita da sala”. Em locução prepositiva com Comentário. Somente a alternativa b
palavra feminina deveria ocorrer crase, mas o está incorreta. Não ocorre crase antes do
acento grave foi omitido. Correto: “Sentou-se pronome indefinido qualquer. O correto, por-
à direita...”. (1) “Andei por esta trilha à cavalo”. tanto, seria: “...a qualquer agrado.” Nas de-
O acento foi empregado incorretamente, pois mais alternativas, o uso ou não de crase está
não ocorre crase antes de palavra masculina. de acordo com as regras estudadas. Na alter-
O certo seria: “Andei...a cavalo”. (2) “Todos re- nativa a o uso de crase é facultativo antes de
solveram ir a casa do prefeito”. O acento foi possessivo; portanto, a frase estaria correta
omitido, pois a palavra “casa” veio determina- tanto em “Graças à nossa ajuda...” como em
da; por isso, ocorre crase: “...ir à casa do pre- “Graças a nossa ajuda...”. Para as alternativas
feito”. (1) “Não chegaremos à ver o fenôme- c e d, as regras indicam que não se usa cra-
no”. O acento foi empregado incorretamente, se antes de verbo (“a reclamar”); nem antes
pois não ocorre a crase antes de verbo: “Não de pronome indefinido (“a ninguém).
chegaremos a ver...”.
5. d) ( x ) Não conheço as ruas às
2. b) ( x ) Por esta trilha, chegaremos quais você se refere.
até à estrada. Comentário. A única alternativa corre-
Comentário. O emprego da crase an- ta é a d, pois ocorre a fusão da preposição a
tes da preposição “até” indicando limite, é fa- exigida pelo verbo “referir-se” com o pronome
cultativo, isto é, pode-se usar ou não a crase. relativo “as quais”, portanto, “às quais você
E as duas formas estão corretas. Sem crase: se refere”. As demais alternativas estão incor-
“...chegaremos até a estrada”; ou, com crase: retas, segundo as regras: (a) não ocorre crase
“...chegaremos até à estrada”. As alternativas antes do pronome pessoal “Não ficou indife-
a, c e d estão corretas e, de acordo com as rente a ela”; (b) não ocorre crase antes do ver-
regras, nos três casos é obrigatório o empre- bo “Ele voltou a sonhar com a promoção”; (c)
go da crase. não ocorre crase antes de pronome pessoal
de tratamento “Dirijo-me a Vossa Excelência
3. a) ( x ) O líquido foi transferido gota para agradecer”.
à gota para o outro frasco.
Comentário. A única alternativa in- 6. c) ( x ) à / a / a
correta é a, pois não ocorre crase em ex- Comentário. A alternativa que traz a se-
pressões com palavras repetidas; portanto, o quência correta é a c: “Sentou-se à máquina
correto seria “gota a gota”. As demais alterna- e pôs-se a reescrever uma a uma as páginas
tivas estão corretas. Na b, o verbo “adaptar- do relatório.” De acordo com as regras: o verbo
se” exige preposição “a”: “Não se adaptou às sentar-se exige preposição “a”, portanto, ocor-
crianças...” (preposição a + artigo as = às). Na re a junção da preposição com o artigo “a”, an-
c, a expressão verbal “refiro-me” exige prepo- tes de “à máquina”. Não se usa crase: antes de
sição “a”, por isso, ocorre crase (a + aqueles verbo (“a reescrever”); e em expressões com
= àqueles): “Refiro-me àqueles contratos...”. palavras repetidas (“uma a uma”).
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