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Equilíbrio químico & Deslocamento de equilíbrio

AULA 1 O conceito de equilíbrio químico refere-se ao estado de um sistema em que


não há variações em sua composição. Isto porque as reações diretas e in-
versas ocorrem ao mesmo tempo. Conclusão: a reação fica em equilíbrio. O
sistema é representado por setas com sentidos duplos , indicando que a
reação está em equilíbrio.

Mas atenção: o equilíbrio em uma balança de pratos é estático;


já o equilíbrio químico das reações é dinâmico

Entenda equilíbrio químico e deslocamento de equilíbrio no exemplo do refrigerante

► No caso do equilíbrio químico, imagine as alterações em uma garrafa de refrigerante co-


locada no congelador e esquecida por horas. Mesmo que a garrafa não estoure, logo que for aberta,
pode ocorrer um fenômeno que se chama supercongelamento. Isso acontece pelo fato de as molé-
culas do líquido, neste caso, água, estar em um estado de equilíbrio e sofrer perturbação, ou seja,
diminuição da pressão do sistema (abertura da garrafa). Quando ocorre a perturbação, as moléculas
que se encontram em equilíbrio no estado líquido, passam para o estado sólido de forma instantânea,
aumentando o volume ocupado, já que a água ocupa maior volume no estado sólido, comparado ao
volume ocupado no estado líquido.
► No caso do deslocamento de equilíbrio, considere que dentro de uma garrafa de refrige-
rante, ocorrem várias reações, mas um destaque pode ser dado para o ácido carbônico (H2CO3), que
se decompõe em H2O e CO2. Quando abrimos uma garrafa de refrigerante observamos que ocorre
liberação de gases. O gás carbônico é liberado porque há uma diminuição da pressão no interior do
sistema, ocorrendo um deslocamento do equilíbrio, o que provocará no refrigerante uma modificação
no seu gosto. Isto acontece quando um resto de refrigerante fica muito tempo dentro da geladeira. O
gosto diferente se deve à perda de CO2, gás carbônico que compõe o H2CO3.

Química 3 - Aula 1 5 Instituto Universal Brasileiro


Equilíbrio químico & Deslocamento de Equilíbrio
Equilíbrio químico
Importância da concentração
dos reagentes

Berthollet procurou dar uma expli-


cação ao fato: em laboratório, se ten-
tássemos reagir cloreto de sódio com
carbonato de cálcio, a reação não se
processaria; porém, a reação contrária
(a que está acima) se processa, ou seja,
ocorrendo a precipitação de carbonato
de cálcio. No entanto, nas praias e nos
lagos salgados do Egito, a reação com
formação de carbonato de sódio ocorre.
Por quê? Berthollet afirmou que a reação
com formação de carbonato de sódio
Descobertas de Bertollet ocorreu devido à enorme concentração
A primeira observação sobre o fenô- de cloreto de sódio existente, que ataca-
meno do equilíbrio químico foi feita por va o calcário, forçando a reação no sen-
Berthollet, em 1799. Nesse ano, quando tido contrário ao usualmente verificado.
Napoleão Bonaparte efetuou sua expe-
dição ao Egito, levou consigo Berthollet,
na época uma das maiores sumidades do
mundo científico. Berthollet verificou que,
nas praias daquela região e nos lagos sal-
gados, havia deposição de enorme quanti-
dade de carbonato de sódio. Ora, sabendo
que o mesmo é um sal solúvel em água, Descobertas de Berthollet são des-
quis encontrar uma explicação para a sua consideradas por cerca de 50 anos
formação naqueles locais. Percebeu que
o mesmo só poderia ter sido formado pela Berthollet generalizou dizendo que,
reação do cloreto de sódio com calcário efetivamente, não havia reação que não
(carbonato de cálcio). A reação seria: se processasse nos dois sentidos, de-
pendendo apenas das concentrações
2 Na Cl + Ca CO3 Ca Cl2 + Na2 CO3 dos reagentes (efeito da concentração,
vista há pouco). Ora, isto era uma des-
Mas, acontece que tanto o cloreto de coberta notável para a época, quando
cálcio quanto o carbonato de sódio são sais estava começando a ser conhecida a lei
bastante solúveis, e o carbonato de cálcio é de Lavoisier. Bem, a descoberta poderia
pouco solúvel em água. Ora, então, a rea- ter o vulto esperado se Berthollet não
ção que normalmente deveria ocorrer seria tivesse chegado a algumas conclusões
a inversa, ou seja: incorretas. Empolgado pela verificação
de que uma reação pode ter seu sen-
tido alterado, dependendo das concen-
Na2 CO3 + Ca Cl2 Ca CO3 + 2 Na2 Cl trações dos reagentes, foi mais além e

Química 3 - Aula 1 6 Instituto Universal Brasileiro


Natureza Dinâmica de
afirmou que, “inclusive, dependendo das
Equilíbrio Químico
concentrações dos reagentes, a subs-
tância formada teria determinada cons- Tomemos, como exemplo genérico,
tituição.” Acontece que, Berthollet, por duas substâncias A e B, que, reagindo, for-
infelicidade, escolheu uma série de com- mam C e D, segundo a reação:
postos que, aparentemente, confirmaram
a sua afirmação. Disso resultou tremendo A+B C+D
debate com Proust por mais de 10 anos,
e, quando se verificou que a lei de Proust Consideremos agora que C e D, à medida
era verdadeira, Berthollet perdeu o prestí- que se formam, também reagem, formando A e
gio que tinha. Ora, isso acontecendo, nin- B; então, temos uma situação que tende a um
guém mais quis levar em consideração equilíbrio, ou seja, A e B reagem, formando C
nada do que ele dissesse. Foi por essa e D; à medida que estes se formam, reagem
razão que sua tremenda descoberta so- entre si, formando A e B, e as reações prosse-
bre a influência da concentração dos rea- guem (A + B formando C + D e C + D formando
gentes no processamento de uma reação A + B), até que as concentrações das quatro
foi classificada como uma de suas inven- substâncias permaneçam constantes, não
cionices, e assim, por cerca de 50 anos, se alterando mais. Dizemos que foi atingido o
o fato foi esquecido. estado de equilíbrio químico.

Então, observa-se que, no início,


Equilíbrio químico volta têm-se apenas A e B, e nada há de C e D;
a ser estudado à medida que a reação prossegue, as con-
centrações de A e B diminuem gradativa-
• Somente em 1850, aparece um mente, enquanto as concentrações de C e
trabalho que menciona o fenômeno. D aumentam aos poucos. As reações, em
Nesse ano, Ludwig Wilhelmy verificou ambos os sentidos, continuam a ocorrer,
que a velocidade de hidrólise (reação ou seja, A + B C+DeC+D A + B,
com água) de açúcares em meio ácido até as concentrações dos quatro compo-
dependia da quantidade de açúcar ain- nentes permanecerem constantes, atingin-
da não decomposta. do o estado de equilíbrio químico. Repre-
• Em 1862, Berthollet e Saint Giles sentamos o sistema em equilíbrio químico
publicam um artigo sobre a hidrólise de por duas flechas, nos dois sentidos:
ésteres (função orgânica), no qual salien-
tam a influência das concentrações dos A+B C+D
reagentes sobre a velocidade da reação.
• Em 1863, dois químicos norue-
gueses, C. M. Guldberg (1836-1902) e Equilíbrio dinâmico &
P. Waage (1833-1900), estabeleceram Reações reversíveis
a lei da ação das massas, que pode
assim ser enunciada: “A velocidade Uma vez estabelecidas as condições
de uma reação química é diretamente de equilíbrio químico, as concentrações dos
proporcional às concentrações molares quatro componentes permanecem constan-
dos reagentes”. O termo concentração tes, mas as reações continuam a ocorrer
molar significa moles por litro. A partir em ambos os sentidos, isto é, A + B rea-
da lei de Guldberg-Waage, os equilí- gem e formam C + D, e estes novamente
brios químicos puderam ser estudados reagem, regenerando A + B, mantendo-se
quantitativamente. constantes as concentrações de todos
eles. Por essa razão os equilíbrios quími-
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cos são denominados dinâmicos e não Constante de Proporcionalidade
estáticos. O equilíbrio seria estático se as
concentrações se mantivessem constan-
[A] e [B] = concentrações mola-
tes, mas não houvesse as reações em am-
res de A e B(moles/ℓ).
bos os sentidos. Antigamente, pensava-se
Analogamente, a reação de C
que o equilíbrio fosse estático, mas hoje
com D terá a velocidade v 2:
está comprovado que as reações não ces-
sam jamais, daí o equilíbrio ser dinâmico.
v2 = k2 [C] [D]
As reações que resultam em equilí-
brios químicos são denominadas reações
k2 = constante de proporcionalidade
reversíveis, por se processar em ambos
[C] e [D] = concentrações molares de C e
os sentidos. As reações que se processam
D(moles/ℓ)
num único sentido são denominadas irre-
versíveis. Com relação às irreversíveis, Ora, no estado de equilíbrio químico,
muitos exemplos foram vistos no estudo de como vimos, as velocidades de ambas as
ácidos, bases e sais. Então, como se per- reações são iguais, ou seja, v1 = v2.
cebe, é apenas uma classe de reações que Temos:
pertence à série de reações reversíveis. v1 = k1 [A] [B]
v2 = k2 [C] [D]
v1 = v2
Então:
O que podemos deduzir da Lei de k1 [A] [B] = k2 [C] [D]
Guldberg-Waage e do estudo
de equilíbrios químicos? Podemos passar A e B para o 2º membro
e k2 para o 1º membro, assim:
É o seguinte: como na condição
de equilíbrio químico as concentrações k1 [C] [D]
=
dos componentes permanecem constan- k2 [A] [B]
tes, concluímos que as velocidades de e como k1 e k2 são constantes, a divisão
ambas as reações são iguais, ou seja, de k1 por k2 resultará numa outra cons-
velocidade da reação de A + B é igual à tante, que chamaremos k.
velocidade da reação de C + D. Bem, va- Então:
mos deduzir uma expressão matemática
que nos dê a relação das concentrações [C] [D]
k=
no estado de equilíbrio. [A] [B]
Temos a reação: ou seja, a relação acima é constante, no
estado de equilíbrio.
A+B C+D Bem, a reação vista é um caso par-
A velocidade da reação entre A e B, à ticular, ou seja, temos o coeficiente 1
qual chamaremos de v1, será, de acordo com diante de cada substância. Como faría-
a Lei de Guldberg-Waage, vista há pouco: mos se houvesse, para cada substância,
um coeficiente diferente de 1?
v1 = k1 [A] [B] Imaginemos uma reação reversível
geral:
Ou seja, a velocidade da reação é
diretamente proporcional ao produto das aA + bB + ... cC + dD + ...
concentrações molares dos reagentes.

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ou seja, a moles da substância A Assim, genericamente, no equilíbrio:
reagem com b moles de B e, se hou-
ver, com outras substâncias (+ ....), aA + bB +... cC + dD = ...
formando c moles de C, d moles de D,
e mais outras substâncias (+ ...), se for temos:
o caso; a, b, c, d etc. são coeficientes
v1 = k1 [A]a [B]b
quaisquer.
Como seriam representadas as e, portanto, no estado de equilíbrio, v1 = v2.
velocidades das reações?
Seja v 1 a velocidade da reação k1 [A]a [B]a = k1 [C]c [D]d
que ocorre da esquerda para a direita k1 [C]c [D]d
=
e v2 a velocidade da reação da direita k2 [A]a [B]b
para a esquerda. Temos:
[C]c [D]d
v1 = k1 [A]a [B]b = Kc
[A]a [B]b
v2 = k2 [C]c [D]d

Como vemos, a velocidade de Essa constante é simbolizada por K c,


cada reação é diretamente proporcio- pois se refere às concentrações dos com-
nal aos produtos das concentrações ponentes do equilíbrio moles/ℓ (c seria o sím-
molares dos reagentes considerados. bolo de concentração molar).
A unidade da constante de equilíbrio, Kc,
resulta de (mol/ℓ) Δn, onde: Δn = (c + d) - (a + b),
Constante de Equilíbrio (Kc) que pode ser positivo, negativo ou nulo. Portan-
Por que os expoentes das concentra- to, a unidade de Kc varia entre as reações.
ções são os coeficientes das substâncias
na reação? É simples. Tomemos um exem-
plo numérico, que tornará mais fácil a expli-
cação. Assim, se, por exemplo, a for igual a
3 e b igual a 2, teremos, para v 1:
O valor da constante,para um dado
v1 = k1 [A]3 [B]2 equilíbrio, depende unicamente da tem-
peratura. Portanto, K c depende unica-
O que é facilmente explicável pelo mente da temperatura. Qualquer outro
próprio enunciado da lei, que diz ser a velo- fator (pressão, concentração) que varie
cidade da reação diretamente proporcional não altera K c: somente a temperatura é
ao produto das concentrações molares que consegue fazer K c mudar de valor.
dos reagentes. Assim, se tivermos 3 moles
de A e 2 moles de B, poderemos escrever a
reação acima como:

A + A + A + B + B+... cC + dD + ...

e, portanto, v1 seria igual a: Nunca esqueça de que um cata-


lisador acelera as velocidades v 1 e v2,
v1 = k1 [A] [A] [A] [B] [B]
isto é, com o catalizador, atinge-se em
ou seja, menos tempo o estado de equilíbrio,
aumentando v 1 e v 2, mas Kc permanece
v1 = k1 [A]3 [B]2
o mesmo.

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Vejamos um exemplo
Observe com atenção a Tabela abaixo com dados experimentais da reação:
H2(g) + l2(g) 2 Hl(g).
N° de
N° de N° de
moles
Tempo moles moles
de
de H2(g) de l2(g)
Hl(g)
0s 1 1 Aqui a reação entre H2(g) e I2(g) ainda não
t1s 0,9 0,9 0,2 se iniciou, daí não existir ainda Hl(g).
t2s 0,8 0,8 0,4
t3s 0,7 0,7 0,6 Aqui a reação está se processando;
t4s 0,6 0,6 0,8 portanto o número de moles de H2(g) e de I2(g)
vai diminuindo, enquanto que o número de
t5s 0,5 0,5 1,0
moles de Hl(g) vai aumentando.
t6s 0,4 0,4 1,2
t7s 0,3 0,3 1,4
Aqui a reação entre H2(g) e I2(g), produzindo
t8s 0,2 0,2 1,6 Hl(g), ocorre com a mesma velocidade com que Hl(g)
t9s 0,2 0,2 1,6 se decompõe novamente em H2(g) e l2(g); portanto o
t10s 0,2 0,2 1,6 número de moles não mais se altera. Dizemos en-
t11s 0,2 0,2 1,6 tão que H2(g), L2(g) e Hl(g) estão em equilíbrio químico.
.:.
Perceba, então, que a partir do instante t8s o número de moles de H2(g), l2(g) e Hl(g) é
constante: no entanto as reações continuam ocorrendo, porém com a mesma velocidade.
A indicação deste sistema em equilíbrio é feita da seguinte maneira:

H2(g) + l2(g) 2 Hl(g)

Aplicando a estas reações do equilíbrio a lei de Guldberg-Waage, temos:


Velocidade de formação do Hl(g) v1 = k1 [H2] [l2]
Velocidade de composição Hl(g) v2 = k2 [Hl]2

A variação destas velocidades pode ser representada graficamente.


No instante inicial a ve- v A velocidade v1 diminui com o tempo,
locidade v1 é máxima, pois a pois a concentração de H2(g) e de l2(g) vai di-
concentração de H2(g) e de l2(g) minuindo. Por outro lado a velocidade v2 au-
é máxima. menta, pois a concentração de Hl(g) vai au-
v1
v1 = k1[H2] [l2] mentando.

máxima
v2
No instante inicial a ve-
locidade v2 é nula, pois a con-
centração de Hl2(g) é nula. 0 t1 t2 t3 t4 t5 t6 t7 t8 t9 t10 t11 Tempo (s)
v2 = k2[Hl]2
Aqui atingiu-se o equilíbrio químico. Deste ponto em diante
as velocidades das reações e as concentrações de H2(g), l2 e Hl(g)
0 0 não mais se alteram.

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Considerando o sistema em equilíbrio Este é, portanto, um sistema hetero-
da reação estudada no exemplo e admi- gêneo difásico (duas fases).
tindo-se que o volume seja 1ℓ, poderemos
Ca O(s) + CO2(g) Ca CO3(s)
calcular a constante Kc desse equilíbrio:
Veja:
Neste exemplo temos dois participantes sóli-
H2(g) + l2(g) 2 Hl(g) dos (s), constituindo duas fases e um participante
gasoso (g) que constitui outra fase, portanto é um
0,2 0,2 1,6 sistema heterogêneo trifásico.
número de moles
no equilíbrio Observação: Uma mistura de ga-
Então:
(veja na tabela)
ses é sempre homogênea, mas o mesmo
não ocorre com uma mistura de sólidos
[H2] = 0,2 mol = 0,2 M Kc = [Hl]2 ou líquidos.
1ℓ [H 2] . [l2]
[l2] = 0,2 mol = 0,2 M Kc = [1,6]2 Síntese dos Sistemas
1ℓ 0,2 . 0,2
Sistema homogêneo
[Hl] = 1,6 mol = 1,6 M
Kc = 64 H2(g) + Br2(g) 2 HBr(g)
1ℓ
1 fase

Sistemas Homogêneos e Heterogêneos Sistema heterogêneo difásico


Um sistema em equilíbrio pode ser ho- O2(g) + 2 C(s) 2 CO(g)
mogêneo ou heterogêneo.
1 fase
Sistema homogêneo: quando to- 1 fase
dos os participantes do equilíbrio estão
em uma única fase. Sistema heterogêneo trifásico
Exemplos: CaO(s) + CO2(g) Ca CO3(s)
H2(g) + Br2(g) 2 H Br(g)
1 fase 1 fase 1 fase
Neste sistema todos os constituintes são
gases (g).

NH3(aq) + H2O
+
NH4(aq) + OH- (aq) Constante de Equilíbrio em Termos
de Pressões Parciais (Kp)
Neste sistema todos os componentes estão O cálculo de Kc só pode ser efetuado
na fase líquida (aq). quando o sistema em equilíbrio é formado
apenas de componentes líquidos ou ape-
nas de gases. Isto quer dizer que: se o siste-
Sistema heterogêneo: quando os ma for formado de líquidos e gases, o cálculo
componentes do equilíbrio constituem de Kc não terá sentido, pois como se poderia
mais do que uma fase. imaginar a concentração de um gás num re-
Exemplos: cipiente contendo líquido? Portanto, somente
quando o sistema em equilíbrio químico se
O2(g) + 2 C(s) 2 CO(g) formar apenas de líquidos ou apenas de ga-
ses é que se poderá falar em Kc.
Veja que temos, neste exemplo, dois cons- Bem, e os sólidos? Ora, quando houver
tituintes gasosos (O2 e CO) e um sólido (C).
sólidos, com muito mais razão não terá senti-
do falar-se em Kc, pois como se pode expres-
Química 3 - Aula 1 11 Instituto Universal Brasileiro
sar a concentração de um sólido? Se tivermos Onde: pA, pB, pC, pD são as pressões
10 g de um sólido, esses 10 g ficarão num can- parciais dos gases A, B, C e D; V é o volume
to do recipiente, quer este tenha volume de 10 da mistura (recipiente); T é a temperatura da
ou 100 litros. Surge a questão, agora: “Como mistura. É claro que nA, nB, nc, nD, são os
devemos expressar a constante de equilíbrio, números de moles de cada um dos gases.
quando há gases e líquidos?” Quando num Assim, considerando o gás A, por exemplo:
equilíbrio houver apenas gases, ou gases e
líquidos, ou gases e sólidos, poderemos cal-
pAV = nART
cular a constante de equilíbrio em função das
pressões parciais dos gases do equilíbrio.
Assim, se simbolizarmos por Kp, a constante Podemos escrever:
obtida em função das pressões parciais dos
gases componentes do equilíbrio, poderemos nA
pA = RT
resumir tudo isso do seguinte modo: V
Equilíbrio Constante
Ora, nA é a concentração molar do gás.
Só líquidos..............................Kc
V
Só gases.................................Kc ou Kp
Podemos escrever, portanto:
Líquidos e gases..............................Kp
Sólidos e gases................................Kp
nA
Agora, vejamos como calcular a cons- = [A]
V
tante em função das pressões parciais.
Imaginemos um equilíbrio composto so-
mente de gases: Assim, a expressão da pressão parcial
pode ser escrita:
aA + Bb +... cC + dD
pA = [A] RT
Então, A, B, C, D,... são gases.
A constante Kc é dada pela aplicação
da lei de Guldberg-Waage, como vimos: E daí:

[C]c [D]d pA
Kc = [A] =
[A]a [B]b RT

Bem, como todos são gases, na condi- Analogamente com outros gases:
ção de equilíbrio dinâmico estamos com uma
mistura de gases e, portanto, vale o conceito pB
de pressão parcial de um gás. Assim, apli- [B] =
RT
cando o conceito de pressão parcial (que
vem a ser a pressão que cada gás teria, se pC
[C] =
sozinho ocupasse o volume da mistura na RT
temperatura da mistura), temos: pD
[D] =
pAV = nART RT
pBV = nBRT
pCV = nCRT De acordo com as regras de potencia-
pDV = nDRT ção, substituindo os valores das concentra-
ções molares na expressão de Kc vem:
Química 3 - Aula 1 12 Instituto Universal Brasileiro
Essa expressão tem grande importância,
pC
C
pD
d
pois relaciona Kp e Kc para um dado equilí-
RT RT brio. Assim, num dado equilíbrio, calculamos
Kc = [C] [D] =
c d

a b Kc ou Kp e, através da expressão que acaba-


[A]a [B]b pA pB mos de dar, calculamos a outra constante.
RT RT
ou seja:
(pC)c (pD)d (RT)a (RT)b
Kc = (1)
(pA)a (pB)b (RT)c (RT)d
A expressão: Kp depende apenas da temperatura do
sistema, analogamente a Kc. Se num equilíbrio
pCC pDd houver apenas 1 gás, a constante terá que ser,
pAa pBb necessariamente, apenas Kp e, nessas condi-
ções, as pressões parciais dos componentes
é análoga à expressão: líquidos ou sólidos são desprezíveis.
[C]c [D]d
[A]a [B]b Veja dois exemplos:

e vem a ser a relação que nos fornece 1. Dê a equação da constante de equilí-


Kp isto é: brio, para os seguintes sistemas em equilíbrio:
PCc PDd a) N 2(g) + 3 H2(g) 2 NH3(g)
Kp =
pAa pBb
Resolução:
Assim, na expressão anterior (1), temos: [NH3]2
Kc =
Kc = Kp (RT) (RT)
a b
[N2] . [H2]3
(RT)c (RT)d
b) 2 H 2O(ℓ) 2 H2(g) + O2(g)
e, portanto:
Resolução:
Kp = Kc (RT) (RT)
c d
KC = [H2]2 . [O2]
(RT)a (RT)b
isto é: c) CO(g) + H2O(ℓ) CO2(g) + H2(g)
Kp = Kc . (RT) (C + d) - (a + b) Resolução:
[CO2] . [H2]
No expoente temos a subtração de Kc =
[CO]
dois valores: a soma dos coeficientes
do 2º membro menos a soma dos coefi- d) Mg O(s) + CO2(g) Mg CO3(s)
cientes do 1º membro. Chamemos esse
Resolução:
expoente de Δn:
KC = [CO2]
Δn = (c + d + ...) - (a + b + ...)
e) C2H6O2(s) 5 O2(g) 2 CO2(g) + 3 H2O(ℓ)
Δn = (soma dos coeficientes do 2º 2
membro) - (soma dos coeficientes do 1º 2 C2H6O2(s) + 5 O2(g) 2 CO2(g) + 3 H2O(ℓ)
membro).
Resolução:
Assim, a expressão final fica:
[CO2]4
Kc =
Kp = Kc . (RT) Δn
[O2]5

Química 3 - Aula 1 13 Instituto Universal Brasileiro


são até hoje usados por indústrias, por
exemplo, para aumentar a produção de
determinados produtos com menor custo.
A partir de seus estudos definiu-se o Prin-
Para determinação da constante de cípio de Le Chatelier, que pode ser enun-
equilíbrio (Kc), só podemos utilizar, úni- ciado da seguinte maneira: Quando se
ca e exclusivamente as substâncias e/ou provoca uma perturbação em um sistema
elementos que estiverem no estado ga- de equilíbrio, este se desloca no sentido
soso. As que estiverem nos estados sóli- que tende a anular essa perturbação, pro-
do e líquido devem ser desprezadas. curando se ajustar a um novo equilíbrio.
Os principais fatores que causam esse
deslocamento no equilíbrio químico são:
2. Efetuando-se, num recipiente fe-
pressão, temperatura e concentração dos
chado, a certa temperatura, a reação entre
reagentes ou produtos participantes.
SO2(g) e O 2(g), verifica-se que após esta-
belecido o equilíbrio existem 2 moles de
SO 2 (g), 1,5 moles de O 2 (g) e 4 moles de “Quando uma força age sobre um
SO3 (g). Sabendo que a capacidade do re- sistema em equilíbrio, o sistema se
cipiente é de 500 ml, determine o valor da desloca no sentido de se opor (e mes-
constante de equilíbrio. mo anular) à ação da força aplicada.”
Resolução: Consideramos o deslocamento de equi-
2 SO2(g) + O2(g) 2 SO3(g) líbrio como força capaz de agir sobre um
sistema em equilíbrio, deslocando-o. Veja-
2 moles
[SO2] = = 4 moles/ℓ mos a influência de cada um dos fatores de
0,5ℓ
deslocamento: a pressão total do sistema, a
1,5 moles temperatura do sistema e as concentrações
[O2] = = 3 moles/ℓ
0,5ℓ individuais dos componentes do sistema (rea-
4 moles gentes ou produtos).
[SO3] = = 8 moles/ℓ
0,5ℓ
[SO3]2 (8 moles/ℓ)2 Influência da Pressão
Kc = = =
[SO2]2 [O2] (4 moles/ℓ)2 (3 moles/ℓ) Nos sistemas em equilíbrio, mantendo-
se a temperatura constante, o aumento da
(64 moles/ℓ)2
= Kc = 4 (moles/ℓ)-1 pressão desloca o equilíbrio no sentido da
(16 moles/ℓ)2 . (3 moles/ℓ) 3 reação que se dá com contração de volume.
Resposta: Nessa contração, só consideramos os com-
ponentes gasosos. Assim, consideremos o
K c = 4 (moles/ℓ)-1
3 equilíbrio:

CO(g) + 2 H2 (g) H3C - OH(g)

Deslocamento de Equilíbrio A formação de álcool metílico (2 mem-


bros) é facilitada pela elevação da pressão do
O cientista francês Henry Louis sistema. Note-se que a elevação é da pres-
Le Chatelier (1850-1936) dedicou-se são total do sistema, pois não teria sentido
ao estudo de possíveis maneiras de se falarmos em elevação de pressão de alguns
conseguir deslocar o equilíbrio químico componentes.
e descobriu aspectos importantes que Por que a elevação de pressão favorece
a formação de álcool? É que, no 1º membro,
Química 3 - Aula 1 14 Instituto Universal Brasileiro
temos a soma de volumes de gases igual a 3
(1 de CO e 2 de H2) e, no 2º membro, temos 1 de NH3, a fim de evitar essa elevação de
volume (1 diante da molécula de álcool metí- pressão. Com isto, obtém-se novo es-
lico). Assim, aumentando a pressão do siste- tado de equilíbrio (com o mesmo Kp ou
ma que estamos vendo, este se desloca para Kc), mas com maior quantidade de NH3
a direita, isto é, ocorre formação de maior (e menores quantidades de N2 e H2).
quantidade de álcool metílico, até atingir Note-se:
nova condição de equilíbrio. [NH3]2
Kc =
De acordo com o Princípio de [N2] . [H2]3
Chatelier, quando se eleva a pressão Se a elevação de pressão deslocar
do sistema em questão, ele se opõe à o equilíbrio para a formação de maior
elevação da pressão, deslocando-se quantidade de NH3, as quantidades de
para a direita, e anula, assim, o efeito N2 e H2 diminuirão, até que a relação que
da elevação da pressão. É claro que, nos fornece Kc se mantenha a mesma,
com esses efeitos, obtém-se um ren- pois, se a temperatura do sistema se
dimento maior em álcool metílico, em mantiver constante, o mesmo sucederá
sua síntese. O efeito contrário desloca com Kc fou Kp).
o equilíbrio à esquerda, isto é, o abai- Outro exemplo:
xamento da pressão total do sistema
desloca o equilíbrio à esquerda e for- H2 + 1 O2 H2O(ℓ)
ma-se, por conseguinte mais CO e H2; 2
o sistema se opõe ao abaixamento da Note-se que no 1º membro, temos
pressão, deslocando-se à esquerda. 1,5 volume (1 + 1/2) e, no 2º membro,
zero volume, já que líquidos e sólidos
não sofrem praticamente a influência da
pressão. Então, a elevação da pressão
desloca o equilíbrio no sentido da forma-
ção de água líquida.
Agora, se tivéssemos:
O estudo da influência da pressão pre-
cisa ser efetuado sob temperatura constan-
H2 + 1 O2 H2O(g)
te, pois, às vezes, a temperatura tem efeito 2
contrário ao da pressão, de forma que se
torna impossível avaliar o deslocamento fi- a elevação da pressão sobre o sistema
nal do equilíbrio. iria deslocá-lo para a direita, pois, no 1º
membro, temos 1,5 volume e, no 2º mem-
bro, 1º volume (a água, agora, é gás tam-
Exemplo: bém), mas, entre os dois equilíbrios:
N2 + 3 H2 2 NH3
H2 + 1 O2 H2O(ℓ)
2
O aumento da pressão do sistema
desloca-o à direita, pois tem 4 volumes
H2 + 1 O2 H2O(g)
no 1º membro e 2 volumes no 2° mem- 2
bro (mantendo a temperatura constan-
te). Assim, a elevação da pressão faz Outro exemplo:
com que o sistema se oponha a essa
elevação, deslocando-se à direita, isto COCl2(g) CO(g) + Cl2(g)
é, com formação de maior quantidade

Química 3 - Aula 1 15 Instituto Universal Brasileiro


Influência da Temperatura
O aumento da pressão sobre esse
sistema desloca-o à esquerda, (1 volume), A elevação da temperatura sobre um
já que no 2º membro temos 2 volumes. sistema em equilíbrio desloca-o no sentido
Outro exemplo: de absorver calor, isto é, no sentido da rea-
ção endotérmica. Assim:
CaCO3(g) CaO(g) + CO2(g)

O aumento da pressão sobre esse 1 N + 1 O 2 NO - Qcal (ΔH = +)


2 2 2 2
sistema desloca-o à esquerda pois no 1º
membro temos zero volume (os sólidos e
líquidos não sofrem influência da variação Essa reação é endotérmica no sentido
da pressão) e, no 2º membro, temos 1 vo- à direita, isto é, ΔH é positivo. Se elevarmos
lume (CO2), já que CaO é sólido. Assim, a temperatura do sistema, o equilíbrio se
quanto maior a pressão sobre o sistema deslocará para a direita, absorvendo o ca-
que estamos vendo, maior é a formação lor, opondo-se, assim, à elevação da tempe-
de CaCO3(g). ratura. Com isso, forma-se mais NO. Nesse
Outro exemplo: caso, como se variou a temperatura, o novo
estado de equilíbrio terá outra constante. Se
H2(g) + Cl2(g) 2 HCl(g) diminuirmos a temperatura, o equilíbrio se
deslocará à esquerda (reação exotérmica),
O aumento da pressão sobre esse pois, quando a reação é endotérmica num
sistema não tem influência sobre o seu sentido, ela é exotérmica no outro.
deslocamento, pois no 1º membro temos 2
volumes (1 de H2 e 1 de Cl2) e, no 2º mem- Exemplo:
bro, temos 2 volumes de HCI.
É claro que a diminuição da pressão N2 + 3 H2 2 NH3; ΔH = negativo (Q = +)
do sistema também não terá nenhuma in-
fluência sobre ele. Nesse caso a elevação da temperatu-
Assim, no sistema: ra desloca o equilíbrio à esquerda, já que,
1 N + 1 O se à direita a reação é exotérmica, à es-
NO querda ela é endotérmica. Portanto, nesse
2 2 2 2
caso, a elevação da temperatura desloca o
a pressão não influi sobre ele; podemos
equilíbrio à esquerda e a elevação da pres-
elevar ou abaixar a pressão sobre o siste-
são desloca-o à direita. Daí, em indústria se
ma, que nada ocorrerá.
poderia pensar que as melhores condições
de obtenção de NH3 fossem pressão eleva-
da e baixa temperatura; porém, temos que
manter uma temperatura razoável, para
que a reação se efetue, isto é, para manter-
mos as moléculas de H2 e N2 em agitação,
A elevação da pressão desloca o a fim de que as energias dessas moléculas
equilíbrio no sentido do membro que pos- atinjam um mínimo e, colidindo, efetuem a
sui soma menor de volumes, e o abaixa- reação de síntese. Portanto, quando que-
mento da pressão desloca o equilíbrio no remos combinar os dois fatores, pressão
sentido do membro que possui soma maior e temperatura, temos que considerar esse
de volumes. Só se levam em consideração fato: deve-se manter uma temperatura mí-
volumes de gases, já que líquidos e sólidos nima, para que a reação se inicie. É claro
não sofrem praticamente ação da elevação que assim compensamos com a elevação
ou abaixamento da pressão. da pressão sobre o sistema.

Química 3 - Aula 1 16 Instituto Universal Brasileiro


Resumindo: a elevação da tempe- dizer que, se quisermos obter a decom-
ratura (sob pressão constante) desloca posição do CaCO 3 mais eficazmente,
o equilíbrio no sentido da reação endo- deveremos aumentar a temperatura e
térmica (absorve calor) e é, na quase diminuir a pressão.
totalidade dos casos, o sentido de de-
composição de um composto. Assim,
se tivermos o equilíbrio:
Influência da Concentração
H2O H2 + 1 O2 Se, num sistema em equilíbrio aumen-
2
tarmos a concentração de um dos compo-
E se não se fornecer a indicação
nentes, o sistema se deslocará no sentido da
do sentido no qual a reação é endotér-
transformação desse componente, isto é, o
mica, bastará observarmos o sentido
sistema se deslocará para o membro oposto
de decomposição da substância e,
ao membro em que se encontra esse compo-
nesse sentido, a reação será endotér-
nente. Assim, se no equilíbrio:
mica, pois uma substância absorve ca-
lor, para se decompor. Assim, a água N2 + 3 H2 2 NH3
se decompõe no sentido à direita; ele-
vando-se a temperatura no equilíbrio
Adicionarmos mais nitrogênio ou hidro-
acima, o mesmo se desloca à direita.
gênio, o sistema se deslocará à direita, com
Falamos há pouco que a quase tota-
formação de mais NH3. É como se estivés-
lidade dos equilíbrios obedece a essa
semos colocando uma “força” no 1º membro
regra geral, pois há algumas exceções
(aumento de concentração de um dos ga-
e, entre elas, o equilíbrio já visto:
ses), e essa “força” empurrasse o equilíbrio
O aumento da temperatura deslo-
para a direita. É claro que o nitrogênio pro-
ca o equilíbrio à direita (endotérmico).
duz um efeito maior no sistema em equilíbrio
Por outro lado:
(1 N2 2 NH3 e 3 H2 2 NH3).
H2 + Cl2 2 HCl É evidente que o efeito contrário ocorre,
isto é, se, ao invés de aumentarmos as con-
O aumento da temperatura desloca
centrações de N2 ou H2 no sistema, nós reti-
o equilíbrio à esquerda (decomposição).
rarmos NH3, o equilíbrio se deslocará à direi-
É preciso salientar que ninguém tem
ta. Se, no sistema em equilíbrio, retirarmos N2
obrigação de saber memorizadas as rea-
ou H2, o equilíbrio se deslocará à esquerda.
ções que são endotérmicas e exotérmicas.
Portanto, quando se aumenta a concen-
Assim, se for solicitado o parecer
tração de um dos componentes, o equilíbrio
sobre a influência da temperatura num
se desloca para a transformação desse com-
equilíbrio, o fornecimento do sentido en-
ponente, opondo-se ao aumento dessa con-
dotérmico ou exotérmico da reação se
centração. Assim, no equilíbrio:
fará necessário. Contudo, caso não o
seja, a regra geral deverá ser aplicada. H2 + Cl2 2 HCl

Se aumentarmos a concentração de
Outro exemplo: cloro, o equilíbrio se deslocará no sentido da
CaCO3 CaO + CO2: ΔH = + formação de HCI (direita). Se retirarmos o
HCI do equilíbrio, ele se deslocará à direita.
A elevação da temperatura sobre esse No equilíbrio:
sistema desloca-o à direita (note-se o sen-
tido de decomposição do CaCO3). Isto quer CaCO3 CaO + CO2

Química 3 - Aula 1 17 Instituto Universal Brasileiro


Para deslocá-lo à direita, não tem sen-
tido falarmos em aumento da concentração Resolução:
de CaCO3, pois se trata de um sólido. Por- a) Sob pressão e temperatura cons-
tanto, temos que retirar CO2 do equilíbrio. tantes, a reação se processa com aumento
Assim, em indústria, na preparação de CaO de volume, pois 1 mol de reagente (PCI5)
(cal viva), aquece-se CaCO3 a 600 °C e reti- produz 2 moles de produtos (PCI3 + CI2).
ra-se CO2 com corrente de ar quente. Pelo Princípio de Le Chatelier, o
Poderíamos aquecer a 800 °C; a de- aumento de pressão sempre desloca o
composição, nesse caso, seria mais efi- equilíbrio para o lado de menor volume.
ciente, mas haveria maior gasto de energia. Consequentemente, nesse caso, o
Quando há gases no equilíbrio, ao invés de aumento de pressão irá deslocar o equi-
falarmos em aumentar sua concentração, líbrio para a esquerda (que é o primeiro
podemos falar em aumentar sua pressão membro da equação, onde está o PCI5).
parcial, pois:
b) Como foi dito que a reação é
nA endotérmica (absorve 39,5 Kcal/mol)
pA = = RT concluímos que sua inversa será exo-
V
térmica.
pA = [A] RT Pelo Princípio de Le Chatelier, ha-
vendo decréscimo de temperatura, o
Isto é, a pressão parcial é diretamente deslocamento será mais uma vez para
proporcional à concentração. a esquerda.
Veja este outro caso:
c) Adicionando cloro, o desloca-
mento será no sentido de consumir esse
H3C - COOH + C2H5OH H3C COO C2H5 + H2O
Cloro. (Princípio de Le Chatelier). Con-
ácido álcool acetato
sequentemente, o deslocamento será
acético etílico de etila
mais uma vez para a esquerda.

Nesse equilíbrio, o aumento da con- 2. Considere os seguintes equilí-


centração do ácido (mantendo a temperatu- brios químicos:
ra constante) favorece a formação do ace-
tato de etila (éster). A retirada de água do K1 = 76 (0 ºC)
equilíbrio favorece a formação do acetato de a) 2 NO2(g) 1 N2O4(g)
K2 = 8,8 (25 ºC)
etila. O aumento da concentração do álcool
favorece a formação do acetato de etila. A
diminuição da concentração do álcool des-
Resposta: Exotérmica. Quando a tempe-
loca o equilíbrio à esquerda.
ratura diminui, o valor de Kc aumenta (a
Exemplos: reação se desloca no sentido direito).

1. Dada a reação: PCl5(g) PCl3(g) +


Cl2(g) que absorve 39,5 Kcal/mol quando K1 = 4,1 .10-4(1700 ºC)
decorre da esquerda para a direita, des- b) 1 N2(g) + 102(g) 2 NO(g)
creva e explique o efeito dos seguintes K2 = 3,6 . 10-3(2200 ºC)
fatores:
a) aumento de pressão;
b) decréscimo da temperatura; Resposta: Endotérmica. Quando a tempe-
c) acréscimo de certa quantidade ratura aumenta, o valor de Kc aumenta (a
de cloro. reação se desloca no sentido direto).

Química 3 - Aula 1 18 Instituto Universal Brasileiro


Equilíbrio químico &
Deslocamento de Equilíbrio

Equilíbrio químico

Descobertas de Bertollet

Nas praias e nos lagos sal-


Princípio de Le Chatelier gados do Egito, por que ocorre a
nos óculos fotocromáticos. reação com formação de carbonato
de sódio? Berthollet afirmou que a
São aqueles que possuem lentes que reação com formação de carbona-
mudam de cor, devido à uma reação quí- to de sódio ocorre devido à enorme
mica, conforme a intensidade luminosa, ou concentração de cloreto de sódio
seja, quando uma pessoa que usa este tipo existente.
de óculos está dentro de um local com pou-
ca luminosidade, as lentes são praticamen-
Lei da ação das massas: “A ve-
te incolores, mas quando esta pessoa fica
locidade de uma reação química é di-
exposta à luz, as lentes tendem a ficar com
retamente proporcional às concentra-
uma coloração escura. A reação que ocorre
ções molares dos reagentes”. O termo
nas lentes dos óculos é a seguinte:
concentração molar significa moles por
AgCl + Energia Ag + Cl litro.

Natureza Dinâmica de
O cloreto de prata (AgCl), quando na
Equilíbrio Químico
lente, dá uma aparência clara para a mes-
ma, já a prata metálica (Ag), quando é for-
O equilíbrio seria estático se as
mada na lente dá uma aparência escura à
concentrações se mantivessem cons-
lente. Nesta reação, quando se aumenta a
tantes, mas não houvesse as reações
energia na lente, no caso da claridade, o
em ambos os sentidos. Antigamente,
equilíbrio deslocará para o lado da forma-
pensava-se que o equilíbrio fosse está-
ção do Ag elementar que é escuro. Quando
tico, mas hoje está comprovado que as
se diminui a intensidade luminosa na lente,
reações não cessam jamais, daí o equi-
ocorre o favorecimento da reação inversa,
líbrio ser dinâmico.
ou seja, a diminuição da sensação escura.
Este exemplo é explicado pelo princípio de
Sistemas Homogêneos
Le Chatelier, que diz: “Quando um sistema
e Heterogêneos
está em equilíbrio e sofre alguma perturba-
ção, seja ela por variação de pressão, de
Sistema homogêneo quando todos
concentração de algum dos reagentes ou
os participantes do equilíbrio estão em
dos produtos, ou pela variação da tempera-
uma única fase. Sistema heterogêneo
tura, o sistema tenderá a retornar o estado
quando os componentes do equilíbrio
de equilíbrio, a partir da diminuição do efei-
constituem mais do que uma fase.
to provocado pela perturbação.”

Química 3 - Aula 1 19 Instituto Universal Brasileiro


Constante de Deslocamento
Proporcionalidade de Equilíbrio

v1 = k1 [A]a [B]b... Princípio de


Le Chatelier

v2 = k2 [C]c [D]d.... Quando se provoca uma per-


turbação em um sistema de equilí-
A velocidade de cada reação é brio, este se desloca no sentido que
diretamente proporcional aos pro- tende a anular essa perturbação,
dutos das concentrações molares dos procurando se ajustar a um novo
reagentes considerados. equilíbrio. Os principais fatores que
causam esse deslocamento no equi-
líbrio químico são: pressão, tempe-
Constante de ratura e concentração dos reagen-
Equilíbrio (Kc) tes ou produtos participantes.

Representada por Kc, se refere às Trata-se de uma relação de razão


concentrações dos componentes em entre a concentração molar de produtos
equilíbrio (moles). A letra c seria o sím- (direita da reação) e os reagentes (es-
bolo da concentração molar. O cálculo querda da reação), considerando ape-
de Kc só pode ser efetuado quando o nas os compostos gasosos.
sistema em equilíbrio é formado apenas
de componentes líquidos ou apenas Influência da
de gases. Pressão

Constante de Equilíbrio O aumento da pressão faz com o


em Termos de Pressões equilíbrio se desloque para o lado com
Parciais (Kp) menor volume (número de mols de com-
postos gasosos).
Quando num equilíbrio houver
apenas gases, ou gases e líquidos, ou Influência da
gases e sólidos, poderemos calcular a Temperatura
constante de equilíbrio em função das
pressões parciais dos gases do equilí- O aumento da temperatura faz
brio. Assim, se simbolizarmos por Kp, a com que o equilíbrio se desloque para
constante obtida em função das pres- o lado de absorção de calor endotérmi-
sões parciais dos gases componentes co, se ΔH = negativo se desloca para
do equilíbrio. esquerda, se ΔH = positivo se desloca
para a direita.
Equilíbrio Constante
Influência da
Só líquidos..........................Kc Concentração
Só gases.............................Kc ou Kp
O aumento da concentração faz
Líquidos e g........................ Kp com o equilíbrio se desloque para o lado
Sólidos e gases...................Kp contrário daquele que teve aumento em
sua concentração.

Química 3 - Aula 1 20 Instituto Universal Brasileiro


a) ( ) Kc = [CO2] . [H2O]2 / [CH4] . [O2]2 e
Kc = [CO2]
b) ( ) Kc = [CO2]2.[H2O]2 / [CH4].[O2]2 e
Kc = [CO2] . [CaO]
c) ( ) Kc = [CO2] . [H2O] / [CH4] . [O2]2 e
1. Analise o diagrama a seguir, que mos- Kc = [CO2]
tra as variações de concentração em mol/L de d) ( ) Kc = [CO2] . [H2O]2 / [CH4] . [O2]2 e
NO2 e N2O4 até atingirem o equilíbrio, dado Kc = [CO2]2
pela reação 2 NO2 ↔ N2O4.
4. Num recipiente de 2 litros encontra-se
Diagrama de reação em equilíbrio químico a reação:
Concentração (mol/L)

4
N2(g) + 3 H2 2 NH3(g)
3
NO2
2 Calcule o valor da constante Kc, sabendo que
N2O4 no equilíbrio existem 2 moles de N2(g), 4 moles
1
de H2(g) e 1 mol de NH3(g).
Tempo

Determine a alternativa que indica o va-


lor correto de Kc nessas condições: a) ( ) Kc = 0,03 (mol/L)-1
b) ( ) Kc = 0,002 (mol/L)-2
a) ( ) 0,25 c) ( ) Kc = 0,03 (mol/L)-2
b) ( ) 0,5 d) ( ) Kc = 0,02 (mol/L)-1
c) ( ) 2,5
d) ( ) 2,0 5. Num recipiente com capacidade de 1
litro, encontram-se em equilíbrio 3 moles de
2. Em um recipiente de 5 L, a uma tem- H2(g), 2 moles de Cl2(g) e 4 moles de HCI(g).
peratura T, são misturados 5 mol de CO(g) e 5
mol de H2O(g). Quando o equilíbrio é atingido,
coexistem 3,325 mol de CO2(g) e 3,325 mol de H2 (g) + Cl2(g) 2HCl(g)
H2(g). Calcule o valor de Kc, na temperatura T,
para o seguinte equilíbrio: Com base nos dados fornecidos, calcule
a constante Kc do equilíbrio.
CO(g) + H2O(g) ↔ CO2(g) + H2(g)
a) ( ) Kc = 8/3
b) ( ) Kc = 3/5
a) ( ) 3940 c) ( ) Kc = 5/3
b) ( ) 394 d) ( ) Kc = 3/8
c) ( ) 0,394
d) ( ) 3,94 6. O equilíbrio: H2(g) + Cl2(g) 2 HCl(g)
se estabelece, a 27 ºC, com 4,0 g de H2(g),
3. Dê a equação constante de equilíbrio, 35,5 g de Cl2(g) e 73,0 g de HCl(g), num reci-
para os seguintes sistemas em equilíbrio. piente de capacidade 1. Calcule o valor da
constante Kp:
a) CH4(g) + 2 O2(g) CO2(g) + 2 H2O(g)
a) ( ) Kp = 8 atm
b) CaO(s) + CO2(g) Ca CO3(s) b) ( ) Kp = 3 atm
c) ( ) Kp = 5 atm
d) ( ) Kp = 4 atm
Química 3 - Aula 1 21 Instituto Universal Brasileiro
N2(g) + 3 H2(g) 2 NH3(g)

[N2] = 2 moles = 1 mol/ℓ


2ℓ
[H2] = 4 moles = 2 moles/ℓ
1. a) ( x ) 0,25 2ℓ
Comentário. Visto que o diagrama já nos [NH3] = 1 mol = 0,5 mol/ℓ
fornece as concentrações no equilíbrio, a tabela 2ℓ
pode ser dispensada e já substituímos os valores [NH3]2 (0,5 mol/ℓ)
Kc = Kc =
na expressão da constante de equilíbrio Kc: [N2] [H2]3 (1 mol/ℓ) . (2 moles/ℓ)3

0,25 (mol/ℓ)2
2 NO2 ↔ N2O4 Kc = = 0,25 = Kc = 0,03 (mol/ℓ)-2
1 . (mol/ℓ) . 8 (mol/ℓ)3 8
Kc = [N2O4] Kc = 1 Kc = 1
[NO2] 2 22 4
5. a) ( x ) Kc = 8/3
Kc = 0,25 Comentário. Lembre-se de que a potência será
sempre o coeficiente de cada componente da reação.
Neste exercício como a unidade é a mesma no nume-
2. d) ( x ) 3,94 rador e denominador a constante se torna um número
Comentário. Temos: fracionário sem unidade.
Equação H2(g) + Cl2(g) 2 HCl(g)
química CO(g) + H2O(g) ↔ CO2(g) + H2(g)
balanceada
[H2] = 3 moles = 3 moles/ℓ
Quantidades
5 mol 5 mol zero zero 1ℓ
iniciais:
Quantidades [Cl2] = 2 moles = 2 moles/ℓ
que reagem Gastou Gastou Formou Formou 1ℓ
e que se 3,325 mol 3,325 mol 3,325 mol 3,325 mol
formam: [HCl] = 2 moles = 2 moles/ℓ
1ℓ
Quantidades 5 - 3,325 = 5 - 3,325 =
no equilíbrio: 1,675 mol 1,675 mol
3,325 mol 3,325 mol [HCl]2 (4 moles/ℓ)2
Kc = Kc =
[CO] = 1,675 [H2O] = 1,675 [CO2] = 3,325 [H2] = 3,325 [H2] [Cl2] (3 moles/ℓ) . (2 moles/ℓ)
Concentração
5L 5L 5L 5L
em mol/L no
[CO] = 0,335 [H2O] = 0,335 [CO2] = 0,665 [H2] = 0,665 168 (moles/ℓ)2
equilíbrio:
mol/L mol/L mol/L mol/L Kc = Kc = 8 ou Kc = 8/3
3 (moles/ℓ) . 21(moles/ℓ)3 3
Agora basta substituir os valores encontra-
dos na expressão da constante de equilíbrio Kc
dessa reação: 6. d) ( x ) Kp = 4 atm
Comentário. Na hora de efetuar os cálcu-
[CO2] . [H2] 0,665 . 0,665 los não se esqueça de elevar cada valor numérico
Kc = Kc =
[CO] . [H2O] 0,335 . 0,335 à respectiva potência. A potência será sempre o
coeficiente de cada componente da reação.
0,442225
Kc = Kc = 3,94 H2(g) + Cl2(g) 2 HCl(g)
0,112225
4,0 = 0,2 moles [H2O] = 2,0 = 2,0 moles/ℓ
nH2 =
2 1
3. a) ( x ) Kc = [CO2] . [H2O]2 / [CH4] . [O2]2 0,5
e Kc = [CO2] nCI2 = 35,5 = 0,5 mol [CI2] = = 0,5 mol/ℓ
71,0 1
Comentário. Como visto no desenvolvimento 73,0 = 2,0 moles
nHCI = [H2O] = 2,0 = 2,0 moles/ℓ
da aula que a constante de equilíbrio é a razão entre 36,5 1
os produtos e reagentes de compostos gasosos.
T = 27 + 273 = 300K
PH2 = [H2] RT PH2 = 2,0 . 0,082 . 300 = 49,2 atm
4. c) ( x ) Kc = 0,03 (mol/L)-2
PCl2 = [CI2] RT PCI2 = 0,5 . 0,082 . 300 = 12,3 atm
Comentário. Na hora de efetuar os cálcu-
PHCl = [HCI] RT PHCI = 2,0 . 0,082 . 300 = 49,2 atm
los não se esqueça de elevar cada valor numéri-
p2HCI2 (49,2)2
co à respectiva potência. A potência será sempre KP = = = 4 atm
o coeficiente de cada componente da reação. pH2 . pCI2 (49,2) (12,3)

Química 3 - Aula 1 22 Instituto Universal Brasileiro