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Eletroquímica - Eletrólise

AULA 3 Na eletrólise, temos o processo inverso ao da pilha. A pilha converte ener-


gia química em energia elétrica. A eletrólise converte energia elétrica em
energia química. Na pilha ocorre uma reação de oxirredução espontânea, na
eletrólise há uma reação de oxirredução não espontânea. É necessário que
o sistema em eletrólise receba energia elétrica.

A eletrólise converte energia elétrica em energia


química de modo não espontâneo

Eletrólise pode estar presente nas moedas do seu bolso

A moedas são feitas basicamente de dois materiais: aço inoxidável e aço de baixo carbono.
As de 5 centavos são avermelhadas porque levam um banho de cobre. As de 10 e 25 centavos
são douradas devido a um revestimento de bronze. As de 50 centavos não recebem banho e
por isso têm a cor prateada do seu material: aço inoxidável. A moeda de 1 real foi inicialmente
apresentada com: um anel de alpaca, uma liga de níquel (19%), cobre (61%) e zinco (20%); e um
miolo em cuproníquel, liga metálica formada por cobre (75%) e níquel (25%). A partir de 2002, foi
modificada para: um anel de aço revestido de bronze e miolo de aço inox.
O banho ou revestimento aplicado na indústria de galvanoplastia é um processo eletrolítico
que consiste em revestir superfícies de peças metálicas com outros metais mais nobres. Esse
processo tem por objetivo proteger uma peça de metal da corrosão, bem como conferir melhor
acabamento estético ou decorativo à mesma. Uma tecnologia responsável pela transferência de
íons metálicos de uma dada superfície sólida ou meio líquido denominado eletrólito para outra
superfície, seja ela metálica ou não. Na galvanização de uma peça ocorre reatividade química
quando a peça é submetida ao banho eletrolítico.
Mas como ocorre este processo? Este processo usa a corrente elétrica, por isso chamado
de eletrólise: técnica que transforma energia elétrica em energia química, fazendo passar a cor-
rente elétrica por algum material líquido (fundido) ou em solução aquosa. Nesse caso, a peça
que desejamos revestir precisa ser condutora e ficar no eletrodo negativo (cátodo), enquanto, no
eletrodo positivo (ânodo), deve ficar o metal que queremos usar para revestir a peça. Esses dois
eletrodos ficam mergulhados em uma solução do metal com que a peça será revestida.

Química 3 - Aula 3 35 Instituto Universal Brasileiro


Eletroquímica – Eletrólise
uma cuba eletrolítica, onde devemos co-
Processo de eletrólise
locar uma solução eletrolítica (solução con-
tendo íons) ou um eletrólito fundido (sóli-
Eletrólise é a decomposição de do formado por íons).
uma substância, pela passagem de cor- Observe, com atenção, o esquema
rente elétrica, proveniente de um gera- abaixo que mostra uma cuba eletrolítica li-
dor (pilha, bateria ou rede elétrica). gada a uma pilha de Daniell, ou seja, temos
uma pilha produzindo a corrente elétrica
No campo econômico, a eletrólise é um que está sendo aproveitada para realizar
processo muito importante, pois permite, em uma eletrólise.
inúmeros processos industriais, a obtenção de
e- e-
substâncias que não se encontram facilmente
e-
na natureza. Por exemplo, o hidrogênio, obti- ZnO
e-
do com a eletrólise da água; o alumínio, obtido
Polo - Polo +
pela eletrólise do minério bauxita; a eletrólise ânodo: cátodo:
de solução de cloreto de sódio (NaCl) nos for- Znº / Zn2+ Zn2+ Cu2+
Cuº / Cu2+

nece a soda cáustica e o cloro. SO42- SO42-


e-
e-
e -
e- e -

polo - polo +
cátodo ânodo

e- C+
e-
A-

Cuba Eletrônica

Ao ligarmos o circuito ocorrem as se-


guintes transformações:
1. Os elétrons que saem do eletrodo
de zinco, que é o polo negativo ou ânodo
O que é bauxita? A bauxita é uma da pilha, chegam ao polo negativo ou cáto-
rocha de cor vermelha formada princi- do da eletrólise.
palmente por óxido de alumínio (Al2O3) Observação: Na eletrólise, cátodo é
e outros compostos em menores quan- o polo negativo, pois recebe elétrons da
tidades, como sílica, dióxido de titânio, pilha e atrai os cátions da solução eletrolítica
óxidos de ferro (dão a cor vermelha) e (por isso recebe a designação de cátodo).
silicato de alumínio. 2. Os elétrons que saem do polo po-
sitivo ou ânodo da eletrólise, chegam ao
polo positivo ou cátodo da pilha.
Como realizar eletrólise? Observação: Na eletrólise, ânodo é
o polo positivo, pois doa elétrons para a
Para realizarmos uma eletrólise, pre- pilha e atrai os ânions da solução (por isso
cisamos de uma bateria ou pilha geradora recebe a designação ânodo).
de corrente contínua, dois eletrodos e
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3. Os cátions (íons positivos) da solu- Nas pilhas o processo é espon-
ção eletrolítica se dirigem ao polo negativo tâneo, gerando eletricidade através de
ou cátodo da eletrólise. reações de oxirredução; nas eletrólises
4. Os ânions (íons negativos) da so- o processo não é espontâneo, gerando
lução eletrolítica se dirigem ao polo positi- reações de oxirredução através da ele-
vo ou ânodo da eletrólise. tricidade fornecida.
5. Quimicamente, temos:

Reação no cátodo: Redução do C +


(cátion: íon positivo da solução). Tipos de eletrólise
C+ + e- Co • Ígnea, feita sem água, usando um
metal ou mineral fundido (no estado líquido)
Reação no ânodo: Oxidação do A- a altas temperaturas, como na produção do
(ânion: íon negativo da solução). alumínio a partir da bauxita.
• Aquosa, realizada na presença de
A- Ao + e- água, como na produção do cloro e da soda
Comparando o eletrólise e a pilha , cáustica.
observamos que: • Com eletrodos ativos, como ocorre
- Em ambos os processos, o pólo nos processos de niquelação, por exemplo.
onde ocorre a:
Eletrólise ígnea
- Na eletrólise: polo +
Oxidação é o ânodo: Um composto iônico que, na tempera-
- Na pilha: polo - tura ambiente, é sólido, não conduz corrente
elétrica, mesmo possuindo íons. Entretanto,
- Em ambos os processos, o polo
se fundirmos esse composto ele passará a
onde ocorre a:
conduzir corrente elétrica, pois teremos seus
- Na eletrólise: polo - íons “mais livres”.
Redução é o cátodo:
- Na pilha: polo + Eletrólise ígnea do
cloreto de sódio (NaCl)

Vamos ver primeiro a eletrólise do


cloreto de sódio, que se funde a aproxi-
madamente 800 °C.Na massa fundida, te-
mos íons Na+ e Cl- em movimento desor-
Veja a diferença do processo na eletrólise denado (já vimos que no estado líquido as
partículas estão em movimento desorde-
e-
polo -
nado, enquanto que no estado sólido elas
estão arranjadas ordenadamente).
e-
- + Ao ligarmos uma pilha, ou qualquer
polo +
gerador de corrente contínua, e fornecer-
mos eletricidade ao sistema, íons positivos,
e- no caso o sódio (Na+), vindos da massa
e-
fundida, se dirigirão para o polo negativo
Bateria Cuba eletrolítica
Gerador Receptor
da pilha, enquanto os íons negativos, neste
reação de óxido-redução reação de óxido-redução caso o cloreto (Cl-), se dirigirão para o polo
espontânea não espontânea
positivo da pilha. Durante a eletrólise,

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os íons Cl - perdem elétrons, e os íons
Na + ganham elétrons.
Ânodo Cátodo
(+) (-)
Eletrólise do NaCl fundido Fluxo de e-
Fonte de corrente
contínua Cl2 Naº
Ânodo Cátodo
(+) (-)

Cl- Na+

Clº Na+ Naº


Clº Cl- Naº
2 Cl- Cl2 + 2 e- Na+ + e- Na
Note que a partir do cloreto de sódio
Cl2 formado Na formado
sólido é possível, através da eletrólise, ob-
termos sódio metálico e gás cloro. Este
processo é amplamente utilizado na indús-
Reações da eletrólise do tria química, pois trata-se de um método
cloreto de sódio barato para a obtenção de dois produtos
muito usados industrialmente.
Pólo negativo ou cátodo: Novamente, temos aqui um método de
obtenção de um metal, no caso o magnésio
Na+ + e- redução Nao metálico, e do gás cloro, facilmente, identi-
Pólo positivo ou ânodo: ficado por seu odor forte e característico e
sua cor levemente esverdeada.
Cl oxidação e- + 1 Cl2
2 A ddp na eletrólise do cloreto de sódio
A reação total ou global da célula
eletrolítica será: É importante frisarmos que para reali-
zar a eletrólise ígnea de um sólido qualquer,
1 a ddp, ou seja, a voltagem fornecida pela
Na+ + Cl- Nao + 2 Cl2
pilha, deverá ser maior que a ddp de cada
sódio
metálico gás um dos elementos constituintes do sólido.
cloro Assim, por exemplo, consultando-se a Ta-
bela de potenciais padrão (reveja esta ta-
Podemos também representar esta bela na Aula 2 – Pilhas e Baterias) podemos
reação da seguinte forma: calcular a ddp necessária para realizarmos
a eletrólise do cloreto de sódio.
Cátodo (-) Na+ + e- Nao Temos, portanto:
Ânodo (+) 1 Cl- e- + 1 Cl2
2 2
Na+ + e- Nao Eo = - 2,71 V
Na Cl eletrólise
+ -
Na(s) + 1 Cl2(g)
ígnea 2
1
Cl- Cl2 + e- Eo = - Eoox = - (1,36 V) = - 1,36V
2
Portanto, durante a eletrólise ígnea do
NaCl podemos perceber a formação de só- Para que a eletrólise do NaCl ocorra,
dio metálico no cátodo e a liberação gás é necessário que se forneça ao sistema
cloro no ânodo. Observe, com atenção, o uma voltagem de, no mínimo, 4,07 V que é
esquema seguinte que procura demonstrar a somatória das ddps dos dois elementos
essa reação. (2,71 + 1,36) V = 4,07 V. Isto significa que,
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se a pilha usada no sistema fornecer uma
voltagem de apenas 3,00 V a eletrólise do u H+
cloreto de sódio não ocorrerá. O polo - pode o
descarregar ou Na+
Eletrólise ígnea da bauxita (Al2O3)
OH- ou
O polo + pode
A eletrólise da bauxita para a obten- descarregar
ção do alumínio é feita com a bauxita no Cl- ou
estado líquido, fundida a 2050 °C.
Entretanto, o que sempre vai acontecer
Fusão
2 Al2O3 4 Al3+ + 6 O2- é o polo - descarregar, em primeiro lugar, o
cátion de redução mais fácil, ou aquele que
possui maior potencial de redução.
Com a eletrólise, haverá:
Se consultarmos a tabela de potenciais-
-padrão vamos verificar que o potencial de re-
4 Al3+ + 12 e- 4 Al0 redução no dução do H+ é igual a 0,00V, enquanto que o
cátodo
potencial de redução do Na+ é igual a -2,71V.
oxidação Verificamos que o H+ possui um potencial de
6 O2 3 O2 + 12 e- redução maior que o Na+ e, portanto, ele será
no ânodo
o cátion descarregado pelo polo negativo da
2 Al2O3 4 Al0 + 3 O2 equação eletrólise.
global Do mesmo modo, o polo positivo descar-
rega, também em 1º lugar, o ânion de oxida-
ção mais fácil, neste caso o Cl-.
Daremos, em seguida, uma sequência
Eletrólise aquosa
da ordem de descarga dos princípios ânions.
Nas eletrólises aquosas teremos sem-
pre um eletrólito (sólido ou líquido) dis- Resumindo temos:
solvido em água, no entanto, você já sabe
que a água sofre uma autoionizacão que Cl- É atraído para o polo +
pode ser equacionada por: Na +
OH- Estes íons permanecem em solução
H2O H+ + OH- H+
É atraído
para o polo -
Apesar de extremamente fraca, essa
ionização irá competir com a dissociação do Equacionando as reações ob-
eletrólito usado. servadas, teremos:
Vamos analisar em primeiro lugar a liberado na
eletrólise da solução aquosa de cloreto de eletrólise
sódio (NaCl).
Nesta solução teremos quatro tipos de
íons misturados Dissociação 2 Na Cl 2 Na+ + 2 Cl-
dos íons
Na+ Cl- (na solução) 2 H2O 2 H+ + 2 OH-
Cátions Ânions
H+ OH-
liberado na
Sendo assim, durante a eletrólise, pode- eletrólise
mos ter a seguinte situação:
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portante consultarmos sempre a tabela de po-
(formação do tenciais-padrão já dada, pois verifica-se que
gás hidrogênio) na eletrólise o elemento de maior potencial de
oxidação, ou seja, o mais eletropositivo (aque-
2e- + 2 H+ H2(g) no polo - le que tem maior tendência a perder elétrons)
Na eletrólise
terá maior dificuldade em receber elétrons e
2Cl- Cl2(g) + 2e- no polo +
se descarregar (ou se reduzir). Portanto, en-
tre dois cátions, irá ter prioridade de descarga
(formação do
gás cloro) o elemento de menor potencial de oxidação
(maior potencial de redução).
Reação global: Neste caso, o cátion H+ (E = 0,00) tem
2 Na Cl + 2 H2O 2 Na+ + 2 OH- + H2 + Cl2
prioridade sobre os cátions de metais alcali-
nos, alcalino-terrosos e Al3+ (E < 0).
ou
No caso dos ânions da solução a sofrer
2 Na Cl + 2 H2O 2 Na OH- + H2 + Cl2 uma eletrólise, podemos consultar a sequên-
cia abaixo que mostra a ordem de descarga
hidrogênio gás hidro- gás cloro
dos principais ânions:
de sódio que gênio libe- liberado
permanece rado pelo pelo
na solução cátodo ânodo S2-, l-, Br-, Cl-, OH- , F-, ânions oxigenados

Portanto, ânion OH- tem prioridade so-


bre o ânion F- e os ânions oxigenados (ânions
que possuem oxigênios em sua fórmula, tais
como: NO-3; SO2-4, etc).
Vejamos alguns outros exemplos de ele-
Experimentalmente, é possível ob- trólises aquosas, onde aplicaremos os concei-
servar nesta eletrólise tos estudados.
• A solução que inicialmente era
-Eletrólise aquosa do ácido sulfúrico (H2 SO4)
neutra torna-se nitidamente básica, em
virtude da presença de hidróxido de só- 2 H+ + 2 OH-
dio (NaOH). Um teste com indicador de Formação 2 H2O
base (fenolftaleína) comprova a alcalini- dos íons H SO 2 H+ SO2-4
2 4 +
dade desta solução.
• No cátodo percebe-se visivelmente cátions ânions
a liberação de um gás incolor e inodoro.
• No ânodo é possível observar a Como neste caso o único cátion presente é o
liberação de um gás esverdeado e com H+ é ele que será descarregado pelo cátodo.
forte odor de cloro (cheiro semelhante ao
das águas sanitárias). Polo -
2 H+ + 2 e- H2(g)
(cátodo)
Atualmente esta eletrólise tem grande
importância industrial, pois a partir de uma O ânion OH- tem prioridade sobre os ânions
substância barata e encontrada em grande oxigenados, como o SO-4, portanto é ele que
quantidade na natureza, visto que o cloreto de será descarregado pelo ânodo.
sódio é extraído da água do mar, ela pode pro-
duzir três substâncias de alto valor comercial,
Polo +
ou seja, o hidróxido de sódio(NaOH), o gás 2 OH- H2O + 1 O2 + 2 e-
(ânodo) 2
hidrogênio(H2) e o gás cloro(Cl2).
Antes de iniciarmos uma eletrólise é im-
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Neste caso, portanto, somente a água
sofreu a eletrólise. A solução de ácido sul- No Polo - redução
fúrico concentra-se cada vez mais, à medida 2 H+ + 2 e- H2(g)
(cátodo) formação
que a água se decompõe.
do gás
Veja abaixo, como se dá a decomposi-
hidrogênio
ção da água pela eletrólise.
De acordo com a ordem de descarga dos
ânions o Cl- se descarrega mais facilmente
2 H 2O 2 H2 + O2
que o OH-. Teremos então:
+ No Polo + 2 Cl- oxidação Cl2 + 2 e-
(ânodo) formação
do gás
2 volumes 2 volumes + 1 volume cloro

Reação global: H2 + Cl2


desta eletrólise 2 H Cl gás gás
hidrogênio cloro

Eletrólise da solução aquosa de hidróxido de


sódio (Na OH):
Dissociação 2 H O 2 H+ + 2 OH-
2
dos íons
(na solução) Na OH(s) Na+ (aq) + OH-
H2 O2
cátions ânions
Como os cátions H+ tem prioridade em rela-
ção aos cátions Na+ teremos na eletrólise:
H2O H2 + 1 O2
2
No Polo -
2 H+ + 2 e redução H2 (g)
liberação liberação (cátodo)
formação
de gás hi- de gás do gás
drogênio oxigênio hidrogênio
no cátodo no ânodo
O Ag+ (prata) tem mais tendência a se reduzir
Observação: Na eletrólise de soluções do que o H+, pois seu potencial de redução é
aquosas de ácidos sempre ocorre despren- igual a + 0,80 V (veja tabela dada). Teremos
dimento de H2 junto ao cátodo (-), em função portanto:
da reação: 2 H+ + e- H2(g).
No Polo - redução
-Eletrólise da solução aquosa de ácido clorí- Ag+ + e- Ago
(cátodo)
drico(H Cl): formação
de prata
metálica
Dissociação 2 H O 2 H+ + 2 OH-
2
dos íons O íon OH- tem mais tendência a se oxidar do
(na solução) H Cl H+ + Cl- que o íon NO3 (Veja relação de ânions dada).
No Polo + 1
2OH- oxidação 2e- + H2O + 2 O2
cátions ânions ânodo
formação
Novamente teremos somente cátions H+ em de gás
solução, portanto: oxigênio

Química 3 - Aula 3 41 Instituto Universal Brasileiro


Para montarmos a equação global des- Durante a eletrólise podemos observar
ta eletrólise é necessário multiplicarmos a que se deposita cobre metálico no cátodo, en-
equação do cátodo por 2, para igualar o nú- quanto no ânodo há liberação de gás oxigênio.
mero de elétrons: Este é o processo usado para cobrear
objetos, ou seja, aplicar uma fina camada de
Reação no cátodo: 2 Ag+ + 2 e- 2 Ago cobre sobre objetos metálicos.
Reação no ânodo: 2 OH- 2 e- + H2O + O2

Eletrólise com eletrodos ativos


Reação global: 2 Ag+ + 2 OH- Ago + 2 H2O +1 O2 (que participam das reações)
2
Nem todas as reações precisam da
Portanto, durante esta eletrólise, tere- água. Basicamente, a eletrólise com eletrodos
mos formação de prata metálica no cátodo ativos é aquela em que as substâncias dos
e liberação de gás oxigênio no ânodo. eletrodos provocam reações com o eletrólito
Este processo é muito usado em indús- e interferem na formação dos produtos resul-
trias metalúrgicas para pratear objetos, ou tantes da eletrólise.
seja, cobrir objetos metálicos com uma fina Um exemplo desse tipo de processo, é
camada de prata. o princípio da niquelação de metais, que é
a deposição de uma camada de níquel para
Eletrólise aquosa do proteger a superfície desses metais da corro-
sulfato de cobre: (CuSO4) são, por um processo de eletrodeposição.
O processo industrial (cromeação, ni-
Dissociação 2 H2O H+ + 2 OH-
dos íons quelação etc.) chama-se galvanoplastia.
(na solução) Cu2+ SO42-(s) Cu2+ + SO2-4

cátions ânions

Como o Cu2+ tem maior tendência a se redu-


zir do que o H+ (seu potencial de redução é Exemplos de processos feitos
igual a + 0,35 V). por galvanoplastia:
No Polo -
(cátodo) Cu2+ + 2 e- redução
Cuo(s) Niquelação: recobrimento de um ob-
formação jeto com níquel;
de cobre
metálico
Cobreação: recobrimento de um ob-
jeto com cobre;
O ânion OH+ tem maior tendência a se oxidar Cromação ou cromeação: recobri-
do que os ânios oxigenados, como o SO4-2, mento de um objeto com cromo.
portanto: Durante o processo, íons são transferi-
dos de um metal imerso em um substrato para
No Polo + outra superfície, através da eletrólise.
2 e + H2O - 1 O2(g)
oxidação
(ânodo)
2 OH-
2
formação O uso da corrente elétrica para cro-
de gás mar objetos:
oxigênio
1. As reações na eletrólise não são
Reação no cátodo: Cu2+ + 2 e- Cuo (s)
espontâneas, portanto, é preciso fornecer
1
energia elétrica para que os elétrons se-
Reação no ânodo: 2 OH- 2 e- + H2O + O
2 2 jam depositados.
2. O objeto que recebe o revesti-
1
Reação global: Cu2+ + 2 OH- H2O + Cuo + O
2 2
mento metálico é ligado ao polo nega-
tivo de uma fonte de corrente contínua

Química 3 - Aula 3 42 Instituto Universal Brasileiro


tos de um condutor, uma corrente elétrica
enquanto o metal que dá o revestimento atravessa o referido condutor. Há uma lei que
(neste caso o cromo) é ligado ao polo rege esse fenômeno: trata-se da Lei de Ohm.
positivo. Georg Simeon OHM, realizando expe-
3. A película do metal cromo se liga riências, verificou que existia uma relação
ao objeto e lhe garante brilho caracte- entre a diferença de potencial aplicada num
rístico e maior durabilidade. condutor e a intensidade de corrente que
Este processo é usado para recobrir circulava através do mesmo; essa relação
materiais de acabamento para constru- vem a ser:
ção civil, para carros esportivos e motos,
ferramentas, entre outras aplicações.
R = ΔV
l

Onde:
ΔV = é a diferença de potencial aplica-
da; l representa a intensidade da corrente
obtida;
R = é a resistência do condutor (Re-
sistência de um condutor vem a ser a opo-
sição que o mesmo apresenta à passagem
da corrente elétrica que, como se sabe, é
um fluxo de elétrons; sabendo-se disso, o
Você sabe como esta peça foi cro- conceito de intensidade de corrente fica
mada? A calota neste caso funcionou claro).
como cátodo e foi ligada ao polo nega- I: Intensidade corrente em amperes.
tivo do processo, enquanto que no polo
positivo estava uma barra de cromo. 1 ohm = 1 volt
1 ampere
Dentre as vantagens proporcionadas
pela galvanoplastia ao material, estão:
- maior resistência; Denomina-se quantidade de eletricidade
- proteção à corrosão; o produto da intensidade de corrente pelo
- estética (aparência); tempo que essa corrente passa pelo condu-
- aumento da dureza superficial; tor; a quantidade de eletricidade é representa-
- resistência à temperatura. da pela letra Q, e podemos escrever:

Q=lxt
Leis da eletrólise Onde:
Passemos agora, a abordar o fenôme- l = intensidade de corrente;
no, com relação ao seu aspecto quantitativo, t = tempo.
ou seja, com relação às massas das espé- No sistema MKS a quantidade de ele-
cies que reagem e se formam nos eletrodos; tricidade é dada em coulombs e, sendo o
estudaremos, portanto, as leis que regem a tempo medido em segundos, podemos assim
eletrólise. Antes, porém, vejamos as unida- definir 1 coulomb:
des de medidas mais comumente usadas,
sobre as quais as lições de Física fornece- 1 coulomb = 1 ampere x 1 segundo
rão um estudo mais completo. Por enquanto,
basta-nos ver sumariamente as unidades. Quando se aplica uma diferença de po-
Assim, sabe-se que, quando se aplica tencial a um circuito contendo um recipiente
uma diferença de potencial entre dois pon- no qual se realiza uma eletrólise, é válida a Lei
Química 3 - Aula 3 43 Instituto Universal Brasileiro
de Ohm, pois a solução do eletrólito é um con- estamos sempre supondo comportamento
dutor e, portanto, apresenta uma resistência. e rendimentos ideais, na eletrólise; para
Os aparelhos usados para medir a diferença uma avaliação mais precisa, é necessário
de potencial entre dois pontos de um condutor que consideremos certos fenômenos que
são denominados voltímetros; os aparelhos ocorrem na solução. Porém, admitindo cer-
usados para medir a intensidade de corrente ta margem pequena de erro, podemos apli-
de um circuito são os amperímetros e os gal- car as leis em qualquer processo, o que se
vanômetros. faz em inúmeras indústrias.
Os amperímetros medem correntes até
centésimos de ampere e os galvanômetros Primeira lei de Faraday
medem correntes de intensidade abaixo de
centésimos de ampere, sendo, pois, mais sen- “Durante a eletrólise, a massa de
síveis. Sobre isso, com maiores detalhes, as uma substância libertada em qualquer
lições de Física fornecerão esclarecimentos. um dos eletrodos, assim como a massa
É preciso nunca esquecer que a ele- da substância decomposta, é direta-
trólise é realizada com corrente contínua, ou mente proporcional à quantidade de
seja, com corrente que, atravessando o cir- eletricidade que passa pela solução.”
cuito, por exemplo, manterá um dos eletrodos
sempre positivo e o outro, sempre negativo.
Uma eletrólise não pode ser realizada por
uma corrente alternada (corrente das instala- m = K1Q
ções caseiras), pois, como o próprio nome diz,
os polos dos elétrodos alteram-se, ora sendo
positivos, ora negativos; portanto, se os polos Onde m vem a ser a massa da subs-
estão constantemente trocando seus sinais, a tância que se liberta em qualquer um dos
eletrólise não poderá ocorrer com rendimento eletrodos ou a massa da substância que se
satisfatório. decompõe; Q é a quantidade de eletricidade
e K é a constante de proporcionalidade.
Faraday, o precursor da eletroquímica - A equação é simples e podemos per-
O pai de ânodos e cátodos ceber que a massa que se libertará ou se
decomporá será tanto maior quanto maior
for a quantidade de eletricidade (direta-
mente proporcional). Assim, supondo a
eletrólise de ácido sulfúrico, m se refere à
massa do ácido que se decompõe durante
a passagem da corrente e também se refe-
re às massas de hidrogênio e oxigênio que
se libertam nos eletrodos.

Segunda lei de Faraday

“Quando uma mesma quantidade


de eletricidade atravessa diversos ele-
trólitos, as massas das espécies quí-
micas libertadas nos eletrodos, assim
Michael Faraday, físico-químico in- como as massas das espécies quími-
glês, estabeleceu em 1834 duas leis, que cas decompostas, são diretamente
regem a eletrólise, e até hoje as mesmas proporcionais aos seus equivalentes
são aplicadas. químicos.”
Quando aplicamos as leis de Faraday,
Química 3 - Aula 3 44 Instituto Universal Brasileiro
eletricidade é constante e igual a 96.494
coulombs.
m = K2E Assim, as duas leis de Faraday adqui-
riram uma ampliação enorme no tocante a
Onde m é a massa da substância de- seu campo de aplicação e puderam ser re-
composta ou libertada em cada um dos ele- unidas em uma única equação. Estabele-
trodos (supondo-se o exemplo anterior, m çamos, então, a regra de três simples, que
se referiria à massa do ácido sulfúrico ou à nos vai dar a equação geral da eletrólise.
massa do oxigênio ou à de hidrogênio; E é o Portanto, se para decompor ou libertar 1
equivalente químico referente a cada uma das eq.-g de qualquer substância são neces-
substâncias consideradas e K2 é a constante sários 96.494 coulombs, para um número
de proporcionalidade). de eq.-g qualquer, teremos Q coulombs, ou
Bem, como se nota, a 2ª pode ser escrita seja:
de outra maneira. Assim,
1 eq. - g 96.494
m = K2E nº eq. - g Q
m =K
2 Resolvendo, vem:
E
nº eq. - g x 96.494 = Q
m
Como se sabe, E é o número de equi- nº eq. - g = Q
valentes-g (da substância que se deposita 96.494
num dos eletrodos ou da substância que se
decompõe durante a eletrólise). Como se Então, como se nota, as duas leis de
nota pela segunda expressão acima, o nú- Faraday estão reunidas e a equação assim
mero de eq. -g (equivalentes -g) seria igual obtida, bastante simples, é a que se usa.
a uma constante K 2. Ora, que tipo de cons- Essa equação nos indica que, numa
tante é essa e a que se relaciona? Bem, eletrólise, o número de eq.-g de uma subs-
para afastar dúvidas sobre isso, fizeram-se tância que se decompõe ou se liberta num
experiências com várias substâncias, sub- dos eletrodos é igual à relação da quanti-
metidas a diferentes quantidades de eletri- dade de eletricidade 96.494.
cidade. O valor 96.494 coulomb é denominado
Percebe-se que o número de equiva- 1 faraday e simbolizado por F. Quanto à
lentes-g da substância que se decompunha resolução de problemas, com a finalidade
ou se depositava num dos eletrodos era de facilitar os cálculos, esse valor é tomado
proporcional à quantidade de eletricida- como 96.500 coulombs.
de utilizada no processo e que para uma A equação geral pode, então,
dada quantidade de eletricidade, o núme-
ro de eq.-g da substância decomposta ou nº eq. - g = Q
depositada era constante. Assim, como ao F
aplicar-se uma dada quantidade de eletrici-
dade em várias soluções o número de eq.-g Desenvolvendo-a, podemos escrever:
das espécies depositadas nos eletrodos ou
decompostas era sempre o mesmo, procu- nº eq. - g = m e = Q = l x t
E
rou-se saber a quantidade de eletricidade
necessária para se depositar ou decompor Daí, vem:
1 eq. -g de qualquer substância. Experiên-
cias realizadas mostraram que, para se li- m lt Elt
= m=
bertar os eletrodos ou decompor 1 eq. -g E 96.500 96.500
de qualquer substância, a quantidade de
Química 3 - Aula 3 45 Instituto Universal Brasileiro
Essa equação é a forma desenvolvida da O processo é:
equação geral da eletrólise. Note-se que, co-
locando o valor de 96.500 em lugar de 96.494,
Ag NO3 Ag+ + NO3
não efetuamos erro considerável. É preciso Polo -
frisar que toda vez que empregarmos a equa- Ag+ + 1 e- Ago
ção, teremos que usar as devidas unidades,
para não errar. Assim, a massa m deverá ser Vê-se que a prata é reduzida no cáto-
colocada em gramas, a intensidade de corren- do, de +1 a zero.
te em ampères e o tempo em segundos. Seu equivalente é:
Há outra definição a ser considerada:
equivalente eletroquímico. peso atômico
EAg = = 108 = 108
Esse vem a ser: variação nº oxidação 1

E E A intensidade de corrente é igual a


equivalente eletroquímico = e = =
F 96.500 19,3 amperes (a palavra ampere represen-
ta-se por A); o tempo é 10 minutos, ou seja,
Se considerarmos a definição de equiva- 10 x 60 segundos.
lente eletroquímico, teremos a equação geral:
Portanto, l = 19,3 A; t = 600 seg; E = 108.
m = elt
m = Elt = 108 . 19,3 . 600 = 12,96 g
96.500 96.500
e finalmente,
A massa de prata depositada foi de
m = lt 12,96 g.
e
Observe: Se quiséssemos a massa
m do nitrato de prata que se decompõe nesse
onde E é o número de equivalentes ele- intervalo de tempo, durante a passagem da
troquímicos (analogamente ao número de mesma corrente, simplesmente teríamos que
eq.-g). usar o equivalente do nitrato de prata, man-
tendo os mesmos valores de l e de t.
Veja três exemplos resolvidos
2) Qual o equivalente eletroquímico de
1) Calcular a massa de prata que se um metal, sabendo-se que, após 5 minutos
deposita num processo eletrolítico de uma e 20 segundos de uma eletrólise de um sal
solução de nitrato de prata, sabendo-se seu, depositaram-se 8 g do mesmo no cáto-
que a deposição se efetuou durante 10 do? A intensidade da corrente durante o pro-
minutos, com corrente constante e igual a cesso foi 70 A.
19,3 amperes. Resolução:
Dados: peso atômico da prata: Ag = 108. A equação que reúne as duas leis de
Resolução: Faraday é:
Escrevamos a equação geral da ele-
trólise: nº eq. - g = lt
96.500
m= EQ = Elt nº eq. - g x 96.500 = lt
96.500 96.500
Como vimos, nº eq.- g x 96.500 = nº
O problema pede o cálculo da massa de equivalentes eletroquímicos.
prata que se deposita no eletrodo; então, o equi- Portanto, nº equivalentes eletroquímicos
valente a ser usado é o da prata, logicamente. = It.
Química 3 - Aula 3 46 Instituto Universal Brasileiro
Nota: vimos que equivalente eletroquí- bendo-se que o equivalente eletroquímico
mico é: do cobre é 0,33 mg/C?
Resolução:
e= E A equação que reúne as duas Leis de
96.500 Faraday, é:

e o número de equivalentes eletroquí- nº eq. - g = lt


micos vem a ser: 96.500
ou
nº eq. - g x 96.500 = lt
m = m = m x 96.500 nº equivalentes eletroquímicos = lt
equivalente eletroquímico E E
96.500 m = lt
equivalente eletroquímico
Portanto, nº de equivalentes eletroquí-
micos é: Como o equivalente eletroquímico do
cobre é 0,33 mg/C, temos que transformar
nº eq. - g x 96.500 a unidade mg para g, sempre.
Daí, 0,33 mg/C - 0,00033 g/C.
O problema fornece a intensidade da Portanto, m = 6,6; U 8 A.
corrente e o tempo. Assim,
m = lt
l = 70A equivalente eletroquímico
t = 5 min e 20 seg = 5 x 60 + 20 = 320 seg m
nº equivalentes eletroquímicos = lt = 70 x t=
equivalente eletroquímico x I
320 = 22.400
t= 6,6 = 6,6 = 2.500 seg.
0,00033 x 8 0,00264
Ora, como o nº de equivalentes eletro-
químicos vem a ser: t = 2.500 seg.

m O tempo é 2.500 seg. Podemos veri-


nº eq. eletr. =
eq. eletr. ficar a quantos minutos corresponde; para
m isso, basta dividirmos por 60:
equivalente eletr. =
nº eq. eletr.
2 500 60
Como a massa do metal depositada 100 41
foi 8 g, temos: 40

equivalente eletr. = 8 = 0,00035g/C Então, 2.500 seg correspondem a 41


22.400
min e 40 seg.
O equivalente eletroquímico de metal
é 0,00035 g/C.
Lembre-se de que C = coulomb.
Como em geral o equivalente eletro-
químico é um número pequeno, costuma-se
mencioná-lo em miligramas por coulomb. A eletricidade é usada como
Assim, 0,000 35 g/C = 0,35 mg/C. método para limpar piscinas

3) Qual o tempo necessário para que O tratamento da água de piscinas


uma corrente de 8 A libere 13,2 g de cobre baseia-se em quatro pilares: filtragem,
de uma solução de nitrato de cobre II, sa-
Química 3 - Aula 3 47 Instituto Universal Brasileiro
controle de pH, cloração e tratamentos au- inflamado, ardente.
xiliares (clarificação, estabilização do cloro
residual e controle de algas). Eletrólise aquosa

Ocorre na presença de água, en-


volvendo cátions H+ (H3O+) e ânions OH-.
Nesse caso, fazem parte os íons da subs-
tância dissolvida (soluto) e da água. Na
eletrólise do cloreto de sódio em meio
Um dos métodos usados para lim- aquoso são produzidos a soda cáustica
peza é o ionizador, aparelho que consta (NaOH), o gás hidrogênio (H2) e o gás
de uma cuba com eletrodos de cobre ou cloro (Cl2).
uma liga de cobre e prata, instalada na tu-
bulação de retorno. Uma fonte de corren- Eletrólise com eletrodos ativos
te contínua fornece eletricidade de baixa
tensão aos eletrodos, que, ao receberem Ocorre quando as substâncias dos
energia, desgastam-se e liberam íons de eletrodos provocam reações com o eletró-
cobre na água. Esses íons têm ação al- lito, interferindo na formação dos produtos
gicida e floculante (agrupam partículas). resultantes da eletrólise. Esse processo é
Como não foi comprovado seu poder bac- usado com metais, em galvanoplastia (ni-
tericida, recomenda-se o uso de cloro para quelação, cromeação, cobreação).
a esterilização da água.
Leis da Eletrólise

Primeira lei de Faraday

“A massa de um composto eletroli-


sado é diretamente proporcional à quan-
Eletrólise tidade de eletricidade que passa pelo
sistema”.
Decomposição de um composto
em seus componentes mediante a pas-
sagem de uma corrente elétrica numa m = K1Q
solução. Ela é classificada como uma
reação de oxirredução não espontânea,
causada pela passagem de corrente
elétrica por uma ou mais substâncias Segunda lei de Faraday
ou soluções.
“No processo eletrolítico, a massa de
Eletrólise ígnea uma substância produzida é diretamente
proporcional ao seu potencial de oxirredu-
Ocorre sem a presença de água, ção (ou equivalente-grama E) dessa subs-
com um eletrólito (substância ou solu- tância”.
ção submetida à eletrólise) que esteja
em estado líquido, isto é, fundida, como
é o caso dos metais ou minerais. Daí m = K2E
a origem do nome “ígnea”, uma palavra
que vem do latim, ígneus, que significa

Química 3 - Aula 3 48 Instituto Universal Brasileiro


a) ( ) somente l e II.
b) ( ) somente III e IV.
c) ( ) l, II, III e IV.
d) ( ) somente IV.

1. A eletrólise de um certo líquido re- 5. Uma solução aquosa de NiSO4 é ele-


sultou na formação de hidrogênio no cáto- trolisada durante 10 minutos por uma corrente
do e cloro no ânodo. Assinale, dentre as al- elétrica de 9,65 A (amperes), qual a massa de
ternativas relacionadas a seguir, qual a que níquel depositada?
atende a essa questão: a) ( ) m = 1,77 g
a) ( ) uma solução de cloreto de co- b) ( ) m = 1,86 g
bre em água. c) ( ) m = 2,76 g
b) ( ) uma solução de cloreto de só- d) ( ) m = 2,84 g
dio em água.
c) ( ) uma solução de ácido sulfúrico 6. A deposição eletrolítica de 3,0 g de
em água. um metal de peso atômico 120 requereu
d) ( ) água pura. 9.650 coulombs. Qual o número de oxida-
ção desse metal.
2. No cátodo de uma célula de eletró- a) ( ) +3
lise sempre ocorre: b) ( ) +2
a) ( ) deposição de metais. c) ( ) +5
b) ( ) uma semirreacão de redução. d) ( ) +4
c) ( ) produção de corrente elétrica.
d) ( ) desprendimento de oxigênio. 7. Qual o tempo necessário para se
obter 3,175 g de cobre, a partir de uma
3. Em relação à eletrólise, afirma-se que: solução de CuSO 4, sabendo que a corren-
São corretas as afirmativas: te elétrica é de 100 A? Calcule também o
equivalente eletroquímico. (Dados equiva-
I - Em qualquer eletrólise ocorre uma
lente-grama do cobre = 31,75 g)
redução catódica e uma oxidação anódina.
a) ( ) 82,4 segundos.
II - Fundamentalmente, a eletrólise é
b) ( ) 77,9 segundos
um processo redox.
c) ( ) 96,5 segundos.
III - A eletrólise de sais só é pos-
d) ( ) 44,4 segundos.
sível quando os mesmos são dissolvi-
dos em água.
8. (Enem)- O cobre é um metal de grande
a) ( ) l, II e III rendimento na eletrólise, com recuperação apro-
b) ( ) lI e III ximada de 99,9%. Por ter alto valor comercial e
c) ( ) l e III múltiplas aplicações, sua recuperação torna-se
d) ( ) I e II viável economicamente. Num processo de recu-
peração de cobre puro, eletrolisou-se uma solu-
4. Considere os seguintes sistemas: ção de sulfato de cobre (II) (CuSO4) durante três
horas, com uma corrente elétrica de intensidade
I - Solução aquosa de cloreto de sódio.
igual a 10A. A massa de cobre puro recuperada é
II - Solução aquosa de hidróxido
próxima de:
de sódio.
Dados: constante de Faraday F= 96.500C/
III - Cloreto de sódio no estado líquido.
mol; massa molar em g/mol: Cu = 63,5
IV - Hidróxido de sódio no estado
a) ( ) 0,02 g
líquido.
b) ( ) 0,04 g
Os que poderão fornecer, por eletróli- c) ( ) 2,40 g
se, o elemento sódio serão: d) ( ) 35,5 g
Química 3 - Aula 3 49 Instituto Universal Brasileiro
Como: E = PA , então
nº de oxidação
nº de oxidação = PA = 120 = 4
E 30
1. b) ( x ) uma solução de cloreto de só-
dio em água. 7. c) ( x ) 96,5 segundos
Comentário. A alternativa correta só pode ser Comentário. Confira a resolução.
b, pois nas alternativas c e d não existem íons cloro
nas soluções e na alternativa a temos uma solução m = 3,175 g
que além de possuir os íons cloro possui também cá- Dados do problema E Cu = 31,75 g
tions Cu2+ que, por terem um potencial de redução i = 100 A
maior que o H+(como já vimos anteriormente), irá se
Dissociação do
reduzir primeiro formando, portanto, cobre metálico Cu SO4 Cu2+ + SO42-
sulfato de cobre
no cátodo e gás cloro no ânodo.
Semirreação no cátodo: Cu 2+ + 2e- Cu o
2. b) ( x ) uma semirreação de redução. Como m = 1 .E.i.t
Comentário. No cátodo sempre ocorre 96.500
a semirreação de redução, como podemos temos t = 96.500 . m
constatar pelos exemplos. E.i
Substituindo os valores dados na fórmula:
3. d) ( x ) I e II t = 96.500 . 3,175 t = 96,5 s
Comentário. A alternativa III está errada, 31,75 . 100
pois podemos fazer a eletrólise de sais fundidos. Cálculo do equivalente eletroquímico:
e= E e = 31,75
4. a) ( x ) somente I e II 96.500 96.500
Comentário. Neste caso, é necessário que
os elementos estejam sempre em solução aquo- e = 0,000329 g/C ou
sa para que ocorra a eletrólise. e = 0,329 mg/C
São necessários 96,5 segundos para a
5. a) ( x ) m = 1,77 g
realização dessa eletrólise.
Comentário. Substituindo os valores da fór-
mula, temos:
8. d) ( x ) 35,5 g
m = (9,65 A . 600 s 29,35 / 95.600)
Comentário. Inicialmente, escrevemos a
m = 1,77 g
equação iônica de obtenção do cobre.
Em linhas gerais, os trabalhos de Michael Fa-
raday foram muito importantes para o desenvolvi- Cu 2+ (aq) + 2 e- Cu0
mento da Química e da Física. Além de propor as
2 mol e - ---------------- 1 mol
leis da eletrólise, ele descobriu também a indução
eletromagnética, consolidando as relações entre os 296.500 C -------------- 63,5 g
fenômenos da eletricidade e magnetismo. Q -------------- mCu
A carga Q pode ser calculada por meio
6. d) ( x ) + 4 da relação: Q = i . t, em que o tempo
Comentário. O número de oxidação do me-
deve estar em segundos.
tal vai te dar a quantidade em mol de elétrons
que ele recebe para a deposição. Dados: Q = 10 . 10.800
Q = 108.000 C
m = 3,0 g
PA(peso atômico) = 120 m= 1 . E.Q Substituindo o valor de Q, pode-se en-
a = 9.650 C 96.500
Substituindo: contrar a massa de cobre:
3,0 = 1 . E. 9.650 E = 3,0 x 96.500
96.500 9.650 mCu = 108.000 x 63,5 mCu = 35,5 g
E = 30g 296.500

Química 3 - Aula 3 50 Instituto Universal Brasileiro