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Capítulo 01

Medidas,
Gráficos e Escalas

1.1 - MEDIDAS

1..1 - GRANDEZAS FISICAS

A Física tem a natureza por seu objeto de estudo. Esta Natureza, por sua vez, não é estática, onde
apenas uma análise descritiva seria suficiente. Ela é dinâmica no sentido em que as "coisas" acontecem e se
transformam no espaço e no tempo.
Chamamos de FENÔMENO aos acontecimentos, aos eventos ou transformações ocorridas na
Natureza, tendo como cenário o espaço e o tempo. Um fenômeno físico é uma ocorrência que não
altera a natureza dos corpos. Um fenômeno químico altera a natureza dos corpos.
EXEMPLO 1
Seja uma folha de papel

Folha Folha
Cortada Queimada

Ao analisarmos um fenômeno físico acontecendo na Natureza, isolamos para análise uma parte do
Universo, e observamos o que está ocorrendo com as suas propriedades. Chamemos esta parte isolada de
sistema. Todas as outras partes do Universo que interagem com o sistema durante o fenômeno físico serão
chamadas de vizinhança.
EXEMPLO 2
Seja o fenômeno físico aquecimento de um gás
num recipiente fechado, dotado de um pistão.
Pistão

Gás

FENÔMENO FÍSICO : Aquecimento de um gás

SISTEMA = Gás (composto de muitas


moléculas)
VIZINHANÇA = pistão e calor
FENÔMENO FENÔMENO
FÍSICO QUÍMICO
O papel continua O papel deixa de ser papel; a
sendo papel; a natureza muda
natureza não muda!!!
Bertolo Física I 2

Este sistema possui muitas propriedades:- Volume (tamanho), Temperatura (quente ou frio),
Pressão(dificuldade de empurrar o pistão), Cor, Cheiro, Sabor, etc .
Algumas destas propriedades podem ser medidas. Quando isto acontece damos a elas o nome de
grandezas. Logo, as GRANDEZAS são propriedades quantitativas (que se pode medir) de um sistema.
Quando um determinado fenômeno ocorre com um sistema, algumas de suas grandezas
características se alteram de valor, e às vezes, podem estar relacionadas entre si durante o evento.
No exemplo acima podemos destacar e analisar as grandezas: Volume V (medido com uma régua),
Pressão P (medida com um manômetro) e a Temperatura T (medida com um termômetro).
Durante o fenômeno físico o sistema interage com a vizinhança e muda o seu ESTADO FÍSICO
(isto é, sua configuração, sua imagem, sua face, sua aparência), pois as grandezas mudam de valor.
Portanto, os valores das grandezas caracterizam ou definem o estado do sistema.
Na geometria analítica representamos os pontos do espaço por meio de uma tripla de números (suas
coordenadas). Podemos, por analogia, representar os estados físicos de um sistema por meio dos valores
de algumas grandezas características. Assim, no nosso exemplo de aquecimento de um gás, o estado do
gás pode ser representado por uma tripla de valores (V, p, T)
T
ESTADO
(P,V,T)

Chama-se processo ou transformação à sucessão de estados pelos quais o gás passa durante o
evento.
B

Dessa maneira criamos um modelo geométrico1 para interpretar um fenômeno. Percebam como
estamos introduzindo a linguagem matemática na descrição de um fenômeno físico.
No exemplo do aquecimento do gás, as grandezas V, p, T estão relacionadas entre si durante o
evento, por meio de uma equação (modelo matemático) chamada equação de estado do gás.
f(V, p, T) = 0

Para um gás especial chamado gás ideal, esta equação é a já famosa equação de Clapeyron:
p. V = n. R.T

onde R é a constante universal dos gases ideais, e n o número de mols do gás.


A relação entre as grandezas, obtidas mediante a observação, experimentação e raciocínios, constitui
uma LEI FÍSICA, cuja representação matemática (algébrica) é no caso chamada equação de estado.
1
Este processo se chama MODELAGEM que são analogias muito comumente feitas pelos Físicos para entender e explicar
melhor um determinado fenômeno. Neste caso o modelo é matemático. Outras vezes o modelo pode ser feito comparando um
fenômeno com outro. Por exemplo, comparar o olho humano com uma câmara de vídeo
Bertolo Física I 3

É óbvio, portanto, ao estabelecermos uma lei física, fruto da observação das grandezas físicas, estas
últimas aparecerem, e daí dizermos que são os conceitos fundamentais da física, e devem ser definidas com
clareza e precisão:

DEFINIÇÃO OPERACIONAL DE GRANDEZA FÍSICA


"Um conjunto de operações (matemáticas ou de laboratório) que conduz a um número com uma unidade
de medida"

Este ponto de vista amplamente aceito estabelece que é indispensável ao se definir uma grandeza
física os processos para medi-la. Nesses processos são envolvidas duas fases:
a. A primeira consiste em escolher uma unidade "padrão".
b. A segunda consiste em estabelecer os processos para comparar o padrão com a grandeza a ser medida.

EXEMPLO 3
Medida do volume de água contida num jarro .

OBSERVAÇÃO:- Se a unidade utilizada


fosse uma xícara, o valor numérico da
medida do volume (valor da grandeza)
mudaria.
Após a medição efetuada, podemos escrever:

V = 3,5 . volume de um copo

A partir deste exemplo, podemos escrever:

Medida = número x unidade

Em Física, o valor de uma grandeza só tem sentido quando acompanhado pela unidade
"NUNCA ESCREVA A MEDIDA DE UMA GRANDEZA SEM UNIDADE"
Um padrão ideal tem 2 características principais: deve ser acessível e invariável. Estas duas
exigências são muitas vezes incompatíveis e deve-se encontrar um meio termo entre elas.
A fase b implica na necessidade de instrumentos quando vamos fazer a comparação entre a grandeza
e o padrão para associar valores numéricos a elas.

LEITURA SUPLEMENTAR (OPCIONAL)


Os Físicos estão preocupados com DOIS UNIVERSOS:

a. UNIVERSO REAL (EXTERNO) - É aquele b. UNIVERSO VIRTUAL (INTERNO) - É a imagem do


que os Físicos acreditam que tenha real, da qual o Físico espera ser um modelo
uma realidade objetiva, independente razoável do universo externo. É como o homem vê
da presença do homem. a realidade. Este Universo implica na existência
do homem. Será que os outros animais vêem da
mesma forma o universo real?
Bertolo Física I 4

O Universo Real (externo) se manifesta ao homem por intermédio de "impressões


sensoriais" acumuladas desde o nascimento (e, realmente mesmo antes) quando o cérebro é
bombardeado com dados resultantes da estimulação dos órgãos sensoriais por este mundo
externo (real).
Os computadores digitais são uma imitação deste processo, onde os dados são
impressos através de mecanismos liga - desliga chave de circuitos na sua memória.
Como os dados ficam armazenados no cérebro?
Primeiro, os dados provenientes dos estímulos dos órgãos sensoriais representam uma
confusão irremediável, mas gradativamente o cérebro CORRELACIONA vários dados e começa a
organizar os "modelos básicos de correlação". Lentamente uma estrutura de correlação se
desenvolve.
EXEMPLO
Um homem coloca uma "venda" nos olhos. Para ele um objeto que com base nos dados
provenientes do sentido do tato é REDONDO e LISO é associado com o "modelo", obtido com o
sentido visual, de uma bola.
A repetição de tais modelos de correlação nos dados sensoriais, gradualmente vem a
ser interpretada como prova de um verdadeiro universo externo real. Quando a adolescência é
atingida, a imagem do universo externo(real) tomou uma tal forma "aparentemente" real e
permanente que é difícil acreditar que é de fato apenas uma imagem.
Esta imagem (interna) ou MODELO do universo real pode, é claro, estar tão mais
condicionada pela natureza da mente humana do que pela natureza do mundo exterior(real). É
claramente afetada pelas limitações dos nossos órgãos sensoriais, e pode também ser afetada
pela forma do cérebro, com o seu mecanismo interruptor liga - desliga.
Os sentidos podem ser ludibriados. Podemos citar os exemplos de ilusão de óptica e
a percepção de quente ou frio com as mãos.

As quatro linhas horizontais são


paralelas, mas não parecem ser

Esta linha reta está dividida em seis


partes iguais, embora dê a impressão de
apresentar partes de tamanhos diferentes

1. Quais traços são mais curtos: os


da direita ou os da esquerda ?

2. Qual elipse é maior: a de baixo ou


a interna superior?

3. Qual distância é maior: entre os


pontos AB ou entre os pontos MN?

4. De quantos modos podemos perceber


a figura ao lado? Quais são eles?

Tanto quanto os sentidos, todos os outros instrumentos da Física são falíveis, mesmo
os mais precisos e sensíveis. Todos têm suas limitações.
Testar as indicações de seus instrumentos faz parte do controle que deve ser incluído
em cada conclusão a que o Físico chega, da mesma forma que deve analisar criticamente as
primeiras impressões fornecidas pelos sentidos. Esta verificação cuidadosa dá-lhe, pois
Bertolo Física I 5

confiança em seus instrumentos, do mesmo modo que o nosso sentido de tato pode constituir um
valioso teste de confirmação do que vemos.
Chamamos de Física Clássica a maneira de ver a Física antes de 1900, e de Física
Moderna a maneira atual de ver a Física.
Com relação às MEDIDAS devemos ressaltar um aspecto muito importante e interessante
quando a Física é encarada classicamente ou modernamente.
Uma grandeza também é chamada, na Física Moderna, de OBSERVÁVEL. Por exemplo, no caso
do aquecimento do gás, o volume, a pressão, a temperatura. É um parâmetro mensurável do
sistema.
A diferença fundamental entre o clássico e o moderno é:

a. MODERNO:- "Nem todos os observáveis b. CLÁSSICO:- "Todos os observáveis podem ser


podem ser medidos com precisão medidos com precisão arbitrária ao mesmo tempo.
arbitrária ao mesmo tempo".

O "ato de medir" o valor de qualquer observável perturba o sistema de tal modo que
algum outro observável é alterado no valor. Os efeitos destes distúrbios que acompanham
qualquer medida são inerentemente desconhecidos e inavaliáveis. Já na Física clássica esses
efeitos são avaliáveis e podem serem levados em conta nas predições futuras do sistema. Por
exemplo uma medida da posição de uma partícula introduz uma imprognosticável INCERTEZA na
sua velocidade

QUESTIONÁRIO - 01
1. O que você entende por um SISTEMA FÍSICO? E por um FENÔMENO FÍSICO?
2. Para que criamos o conceito de grandeza? AS QUESTÕES A SEGUIR SÃO OPCIONAIS !!!!!
3. As grandezas físicas podem estar relacionadas entre si durante um fenômeno
físico? Cite um exemplo. 11.Faça uma dissertação a respeito dos
4. Quais as grandezas usualmente selecionadas para análise do EVENTO dois universos: o real e o imaginário.
aquecimento de um gás dentro de um recipiente fechado? (opcional)
5. O que você entende por ESTADO FÍSICO de um sistema? Como caracterizamos 12. Os instrumentos do Físico são
estes estados físicos? infalíveis? Por que?
6. Defina PROCESSO ou TRANSFORMAÇÃO de um gás. 13. O que você entende por um
7. O que você entende por equação de estado de um sistema? observável?
8. Defina Grandeza Física do ponto de vista operacional. 14. Qual a diferença fundamental entre
9. O que significa medir uma grandeza física? as teorias clássicas e quânticas?
10. Quais são os instrumentos mais universais do físico?

1.1.2 O TEMPO E SUA MEDIÇÃO


Como cenário dos fenômenos físicos o tempo merece ser estudado em primeiro lugar.
Deitados na cama, viajando de avião, correndo para o trabalho, ou namorando, estamos sempre
seguros de uma coisa: o tempo está passando!
Não definiremos aqui o tempo, pois não saberíamos fazê-lo, apesar de ser um conceito bastante
familiar e fundamental. A nossa experiência cotidiana nos leva a esta idéia, ou seja, sabemos o que vem a
ser o tempo de maneira intuitiva.
O curioso é que sendo o tempo uma idéia fundamental na Física, não possa ser definido exatamente;
temos de aceitá-lo intuitivamente.
Percebemos que existem intervalos de tempo grandes e intervalos de tempo pequenos. Uma das
maiores tarefas de um Físico é achar um meio de falar claramente sobre todos estes intervalos de tempo. O
Físico precisa comparar, usar, predizer esses intervalos, não importa quão grande ou pequeno eles sejam.
O que precisamos é de um padrão de comparação.
Todos conhecemos o segundo, a hora, o dia, a semana, o mês, o ano, o século. Usamos esses
padrões para comparar (medir) intervalos de tempo. O processo usado para essas medidas é a
CONTAGEM (uma operação matemática) desses intervalos padrões num determinado intervalo de tempo.
Por exemplo, contamos 86 400 segundos no intervalo de tempo de um dia.
Para facilitar o processo de contagem usamos o relógio. estes são baseados em fenômenos
periódicos, isto é, fenômenos que se repetem em intervalos iguais de tempo. Por exemplo, o dia e a noite,
os batimentos cardíacos, um pêndulo simples
Podemos ajustar e contar quantas oscilações foram dadas em um segundo. Se, por exemplo,
contarmos 10 oscilações em um segundo (frequência) e durante um outro intervalo contarmos 100
oscilações, diríamos que neste intervalo foram decorridos 10 segundos.
Bertolo Física I 6

Esse instrumento pode ser aperfeiçoado de modo que a cada oscilação uma engrenagem adiante um
dente. Quando ela adiantar, por exemplo, 10 dentes, o mostrador adiantará 1 segundo.
Foi dessa forma que o jovem estudante de Medicina, Galileu Galilei, em 1581, construiu um método
para se medir intervalos de tempo pequenos. Comparando as oscilações de um candelabro da Catedral de
Pisa com o ritmo de seu pulso, Galileu descobriu o isocronismo das oscilações do pêndulo, ou seja, o
período das oscilações permanecia o mesmo embora a sua amplitude fosse diminuindo. Galileu que
naquela época tinha apenas 17 anos de idade aplicou esse resultado no sentido inverso construindo um
"pulsômetro" (pêndulo com um comprimento padrão) destinado a tomar o pulso de pacientes em hospitais.
Percebendo a importância da matemática mesmo na Medicina e sabendo que no seu curso nada de
matemática era ensinado, abandonou a Medicina.
Em ciências quase todas as contagens de tempo são feitas em segundos. Por que? Não há razão
particular para esta escolha. Qualquer outra unidade poderia ser escolhida. A escolha é completamente
arbitrária. Entretanto, esta não é a questão fundamental.
O importante é que a unidade seja facilmente reproduzível e claramente definida.
DEFINIÇÃO DO SEGUNDO

Até 1956: "É o intervalo de tempo entre os "tiques" de um relógio que dá 86.400 tiques durante o dia
solar médio"
Dia Solar Médio:- a média durante o ano da duração do dia, de meio-dia a meio-dia

Esta definição de segundo apresenta imprecisão em virtude da irregularidade na rotação da Terra,


das diferenças nas velocidades com que o Sol se movimenta no Céu.

"O segundo é 9.162.631.770 períodos de oscilações da radiação característica do


Césio-133 que é empregado no relógio atômico”
ATUALMENTE:

Os relógios atômicos e os eletrônicos marcam o tempo com uma precisão grande. Só que a precisão
é um problema difícil e profundo. É um problema do que é o tempo em si.

1.1.2.1 - NOTAÇÃO CIENTÍFICA


O intervalo de tempo decorrido desde que os primeiros animais começaram a viver em terra seca
abrange algo como
12.000.000.000.000.000 (doze quatrilhões) de segundos. O tempo que leva um raio de luz para atravessar
uma vidraça é de aproximadamente
1/100.000.000.000 (1 bilionésimo) de segundos. Estes números são extremamente difíceis de se manipular.
Desde que no estudo da Física devemos estar preparados para usar números grandes e pequenos, devemos
encontrar um meio de manejá-los. Este meio é a notação científica.
Qualquer número pode ser escrito como o produto de um número entre 1 e 10 (1 x 10) por outro
que é uma potência de 10.
769 = 7,69 . 100 = 7,69 . 102 0,0043 = 4,3 . 10-3 12.000.000.000.000.000 = 1,2 . 10 +16
0,00000000001 = 1,0 .10-11
Os cientistas usam freqüentemente esta notação, pois ela oferece um vantajoso meio de
comunicação.
1.1.2.2 - ORDEM DE GRANDEZA
Para facilitar ainda mais a comunicação, usa - se muitas vezes a ORDEM DE GRANDEZA, que é a
potência de dez mais próxima do número em questão.
137.......102....2 ordens grandezas

A TABELA 02 mostra alguns intervalos de tempo característicos. Observando a tabela constatamos que
um dia é 8 ordens de grandeza maior (isto é, 108 vezes maior) que o tempo empregado por uma mosca
para bater suas asas
Bertolo Física I 7

O menor intervalo de tempo que podemos perceber diretamente é 10 -1 segundos. O tempo de vida é
9
de 10 segundos.
Acima de 1011 segundos precisamos de métodos indiretos especiais para determinar o tempo, como
por exemplo, espécies fósseis encontradas em formações geológicas. Para mais longe é preciso intrincados
instrumentos. A idade da Terra, por exemplo, é avaliada por meio da radioatividade.
Abaixo de 10-1 segundos até 10-5 segundos temos as mudanças rápidas até as explosões.
Usando elétrons como partes de relógios, podemos chegar a tempos de até 10-10 segundos.
Ainda não paramos de medir o tempo. O prêmio Nobel de Física de 1989 a Ramsey, Dehmelt e Paul
foi para prestigiar os cientistas que se dedicam a aprimorar métodos de medida de grande precisão.
Toda a nossa vida gira em função da diferença entre passado e futuro. Lembramos do passado, mas
não lembramos do futuro. Por que? Em relatividade, podemos fazer o futuro vir antes do passado.
Pasmem!!2

QUESTIONÁRIO - 2
1. Como chegamos ao conceito básico de tempo?
2. Qual a maior tarefa dos Físicos com relação ao tempo?
3. Quais os padrões mais comuns de tempo?
4. Qual o tipo de procedimento matemático usado pelos
Físicos para medir intervalos de tempo? Qual o
instrumento usado?
5. Qual a classe de fenômenos físicos que está associada ao
procedimento de medição do tempo empregados nos
relógios? Dê exemplos.
6. A partir de quando começamos a medir intervalos de
tempo de maneira precisa? Quem foi o pioneiro nesta
empreitada? Que recurso foi utilizado?
7. Qual foi o principal estímulo para se construir relógios
precisos?
8. Qual o padrão mais utilizado para a contagem do
tempo?
9. Como era definido o segundo até 1956? E a atual
definição qual é?
10. O que é usado como princípio para a contagem do
tempo nos relógios eletrônicos? E nos atômicos? Esses
relógios são precisos?
12. O que é uma ordem de grandeza?
TABELA 01 - Prefixo das potências de 10

MÚLTIPLO PREFIXO SÍMBOLO


1012 TERA T
109 GIGA G
106 MEGA M
103 KILO K
102 HECTA H
10 DECA D
10-1 DECI d
10-2 CENTI c
10-3 MILI m
10-6 MICRO 
10-9 NANO n
10-12 pico p
10-15 femto f
10-18 atto a

2
Ver os Livros “A Mente Nova do Rei” de Roger Penrose. (Ed. Campus) e Uma breve história do tempo” de Stephen
Hawking (Ed. Rocco)
Bertolo Física I 8

TABELA 02 - Ordens de Grandezas de Tempo


Intervalo de Acontecimento Associado Intervalo de Acontecimento Associado
Tempo Tempo
(em segundos) (em
segundos)
1018 Tempo presumível de vida total do Sol como estrela 10-1 Tempo para uma bala (calibre 0,30) percorrer a
normal extensão de um campo de futebol (100 m)
1017 Idade das rochas mais antigas 10-2 Tempo de uma volta completa de um ventilador
Tempo decorrido desde a vida do primeiro fóssil elétrico
Tempo decorrido desde o início da vida terrestre
1016 Tempo de revolução do Sol ao redor da Galáxia 10-3 Tempo de uma batida de asas de uma mosca
Idade dos Montes Apalaches Tempo gasto por uma bala disparada percorrer o
cano de uma carabina
1015 Tempo decorrido desde os dinossauros até nossos dias 10-4 Tempo de uma vibração do mais alto som audível
1014 Tempo remanescente de existência das Cataratas do 10-5 Tempo gasto durante a explosão de um petardo
Niágara
1013 Tempo decorrido desde os primeiros homens 10-6 Tempo de uma bala de alta velocidade atravessar
uma letra de máquina de escrever
1012 10-7 Tempo empregado por um feixe de elétrons para ir
da fonte à tela no tubo de TV
1011 Tempo decorrido desde os primeiros cultivos 10-8 Tempo que leva a luz para atravessar uma sala
Tempo decorrido desde as primeiras escritas
Tempo decorrido desde o começo dqa Era Cristã
1010 Tempo decorrido desde a descoberta da América 10-9 Tempo durante o qual um átomo emite luz visível
109 Tempo de vida de um homem 10-11 Tempo para luz atravessar uma vidraça
108 Tempo decorrido desde que você começou a ir à escola 10-12 Tempo para uma molécula de ar girar em torno de
si mesma
107 Tempo de revolução da Terra ao redor do Sol (ano) 10-15 Tempo de revolução do elétron em torno do próton
no átomo de hidrogênio
106 Um mês 10-20 Tempo de revolução do elétron mais interno em
torno do núcleo no átomo mais pesado
105 Tempo de rotação da Terra em torno de seu eixo (dia) 10-22 Tempo de uma revolução do próton no núcleo
104 Duração média de um jogo de baseball
103 Tempo que a luz leva para chegar à Terra
102 Um minuto
101
100 Tempo entre duas batidas do coração (1 segundo)

EXERCÍCIOS
1. Quantas vezes por segundo deveria um flash se acender para mostrar, com intervalos de 25 centímetros, imagens de um
projétil que se movimenta a 1000 metros por segundo?
2. Um relógio dá 5 "tiques" cada segundo. Expressando apenas a ordem de grandeza de sua resposta, determine quantas vezes
ele bate:
a. durante um dia b. durante um ano
3. Suponha que existam 1,7 . 10 pessoas vivendo num país, e que 7,5 . 10 6 destas pessoas vivem em uma de suas cidades.
8

Quantas vivem no resto do país?


4. Resolva o seguinte:
a. 102 . 103 = b. 10-2 . 105 = c. 102/104 = d. 105/10-3 =
e. 10-8/102 = f. 103 + 102 = g. (105)3 =

5. Usando notação científica, resolva o seguinte:


a. 0,00418 . 39,7 = b. 6000/0,0012 = c. 0,703 . 0,014/280000 =
6. Expresse somente a ordem de grandeza de sua resposta no seguinte:
a. A luz caminha numa ordem de 105 quilômetros por segundos. Que distância ela percorrerá num ano?
b. Calcule o tempo que a luz do Sol leva para percorrer os 150 milhões de quilômetros que separam o Sol da Terra.
c. Sabendo-se a distância entre a Terra e a Lua é de aproximadamente 384.000 km, quantas vezes esta distância está contida
naquele entre a Terra e o Sol?
7. a. Quantos períodos de vida humana, isto é, vida de um homem transcorreram desde os primeiros entes humanos?
b. Aproximadamente quantas vezes giraria uma molécula de ar em torno de seu eixo enquanto a Terra revoluciona ao redor
do Sol? Veja a tabela 01
8. A velocidade de obturação de uma câmara é 1/25 de segundos. Que distância percorreria uma bala de rifle enquanto um
estudante tenta fotografá-la com exposição de 1/25 de segundo? (A velocidade da bala é de 1050 metros por segundos). Que
velocidade de obturação seria necessária para limitar o movimento da bala a 2,5 milímetros durante a exposição?
9. I. Transforme em segundos os seguintes intervalos de tempo
Bertolo Física I 9

a. 4,2 h b. 420 min c. 0,2 min


d. 5 h 40 min e. 20 min 15 s f. 2 h 10 min 15 s
II. Transforme em horas os seguintes intervalos de tempo:
a. 1800 s b. 420 min c. 50 min 45 s d. 0,5 min
10. A cena de marcação de um gol foi filmada durante 20 segundos com uma máquina que tira 24 fotografias por segundo.
Esta cena foi mostrada com uma máquina que projeta 16 imagens por segundo. Qual o tempo de projeção da cena? Na
projeção a cena se desenvolve a uma velocidade maior ou menor que a do jogo ao vivo? Quantas vezes, na tela, a ação é
maior ou menor que ao vivo?
11. Para filmar um botão de rosa que se desabrocha e se transforma numa rosa aberta, foram tiradas fotografias de 2 em 2
horas. Essas fotos, projetadas à razão de 24 fotos por segundo, mostraram todo o transcurso acima descrito em 2 segundo. Em
quanto tempo ocorreu realmente o desabrochar da rosa?

PRÁTICA DE LABORATÓRIO
Apresentamos a seguir alguns projetos para você realizar em casa.
1. Faça um pêndulo usando um pedaço de barbante e um pequeno peso. Ajuste o comprimento até que o pêndulo leve um
segundo para realizar uma oscilação completa, ida e volta. Qual o erro de seu pêndulo no período de um minuto? Que fração
do tempo total representa este erro
2. Galileu realizou algumas das primeiras experiências importantes com o movimento de corpos que caem, antes da época
dos relógios precisos. Para medir os curtos intervalos de tempo envolvidos em suas experiências, ele usou um relógio simples
que você pode fazer sozinho. Com o auxílio de um prego, faça um pequeno furo no fundo de um vasilhame de lata. Mantenha
o recipiente quase cheio de água, e meça a quantidade de líquido escoado em 10, 20, 30 segundos. Você pode, deste modo,
aprender a ler o relógio em segundos.
3. Galileu, ao observar a oscilação do lustre da Catedral de Pisa, "descobriu que o mesmo número de suas pulsações marcava
cada oscilação, não importando a distância percorrida pelo lustre em cada oscilação". Verifique a exatidão desta proposição,
construindo e marcando o tempo de um pêndulo simples. Se você encontra dificuldade em contar suas pulsações e, ao mesmo
tempo, as oscilações do pêndulo, experimente trabalhar com um companheiro ou usar um relógio (de que Galileu no
dispunha).
Quais são as principais fontes de erro neste dispositivo? Pode você reduzir os erros? Lembre que Galileu usou um
relógio análogo na descoberta de alguns dos mais importantes princípios da Física (Veja "Two New Sciences" de Galileu)

1.1.3 - O ESPAÇO E SUA MEDIÇÃO


A seção anterior descreve o tempo como um dos cenários do palco onde se manifestam os
fenômenos físicos. Você, talvez, tenha observado que fomos incapazes de restringir a discussão somente ao
tempo. Falamos, também, do espaço (posições e distâncias), de movimentos, de matéria. Estas são as
noções básicas da Ciência. Cada uma delas está ligada a todas a outras. É impossível tratar de uma sem
tratar das demais.
Para estudá-las de modo inteligível é necessário tratar uma após a outra, não obstante não apareçam
dessa forma na Natureza. Devemos ir aperfeiçoando nosso conhecimento de cada uma (mesmo sem ter um
ponto de partida), indo e voltando entre elas, registrando os progressos atingidos e usando-os para
obtenção de novos conceitos. Por exemplo, usamos nossas noções incipientes de espaço para aperfeiçoar
nosso conceito de tempo e vice-versa. Mas cuidado!!!. A Física é indivisível, lida com todo o Universo do
qual fazemos parte. No final devemos reunir todo o conhecimento.

1.1.3.1 - MEDIDA DO ESPAÇO


A medida de tempo dá origem ao que parece ser duas perguntas diferentes:
As duas
1. "Qual a duração do fenômeno?” 2."Quando aconteceu o fenômeno?” são
respondidas informando o valor do intervalo de tempo comparando-o com um padrão( segundo, dia, mês,
etc.). O processo de comparação, isto é, a medida, é a operação matemática contagem.
A medida do espaço também se divide em duas questões:
1. "Qual o tamanho dos corpos? 2. "Qual a distância entre os corpos? Estas
duas
também são respondidas informando o valor do intervalo de espaço (tamanho e distância) comparando-o
com um padrão (palmos, pés, polegar, etc.). O processo de comparação é também a operação matemática
CONTAGEM.
Existem intervalos de espaço (distâncias) muito grandes e muito pequenos. Veja as tabelas 03 e 04.
Bertolo Física I 10

O tamanho está relacionado à distância. Por exemplo, o Sol é uma das muitas estrelas que
observamos no Céu, mas parece maior que todas as outras. Uma estrelas pequenina e cintilante talvez seja
maior que o nosso Sol e tão quente quanto ele, mas está muito mais afastada relativamente a nós.
TABELA 03 Ordens de Grandezas de Distâncias
Comprimento Distância associada Comprimento Distância associada
em metros em metros
1018 Maior distância mensurável por paralaxe 104 Largura média do Grand Canyon
1017 Distância à estrela mais próxima 103 Um quilômetro
1013 Distância de Netuno ao Sol 102 Comprimento de um campo de futebol
1012 Distância de Saturno ao Sol 101 Altura de uma árvore frondosa
1011 Distância da Terra ao Sol 100 Um metro
1010 Distância de Mercúrio ao Sol 10-1 Largura de sua mão
109 Comprimento médio da sombra da Terra 10-2 Diâmetro de um lápis
e do Raio do Sol
108 Distância média da Terra à Lua 10-3 Espessura de uma vidraça
Diâmetro de Júpiter
107 Raio da Terra 10-4 Espessura de uma folha de papel
106 Raio da Lua 10-5 Diâmetro de um glóbulo vermelho de sangue
105 Comprimento do Lago Erie

Os padrões usados para medir o intervalo de espaço sofreram alterações através da história. Todos os
povos tiveram uma unidade de comprimento (intervalo de espaço):
PASSO:- adotado por tribos caçadoras VARA-PADRÃO:- Usada na irrigação pelos agricultores antigos.
CÚBITO:- Distância do cotovelo à ponta do dedo usada no antigo Egito.
ESTADIA:- Passos de medidores profissionais.
POLEGADA, PE, JARDA, BRAÇA, MILHA, LEGUA:- usadas na era medieval
A Revolução Francesa acontecida por volta de 1790 foi contra tudo o que era tradicional e antigo.
Reuniu peritos e construiu um conjunto de unidades.
Nesta época se conhecia a distância do Equador ao Polo Norte. Tomaram então a décima
milionésima parte (10-7) desta distância como unidade, que passou a ser chamado de metro (em grego
significa medir).
Era preciso materializar esta distância. Para isso escolheu-se uma barra de platina iridiada onde se
marcou este intervalo de espaço que passou ser conhecida como metro-padrão. Esta barra está
depositada nas condições normais de temperatura e pressão (C.N.T.P.) no museu de Sèvres em Paris e
muitas cópias foram divulgadas.
O metro - padrão apresenta algumas imperfeições:-
a. dilatação que não pode ser eliminada. b. Dificuldade de reprodução c. Ser destrutível
Em 1960 construiu-se um novo padrão para o metro baseado no comprimento de onda  da luz
característica (alaranjada) emitida pelo Criptônio-86 (Kr86). Esse elemento é um gás nobre existente na
atmosfera.
1 METRO = 1.650.763,73 

Quais os métodos para medida do Intervalo de Espaço?


a. Métodos Diretos:- Usando réguas, trenas, paquímetros, micrômetros, medimos intervalos de 10-4m até
10+5m.
i. microscópio ótico baseado num feixe de luz visível permite medirmos até 10-7 m que é o
comprimento deDistância
Comprimentos onde da luz visível.
associada
em metros ii. microscópio eletrônico baseado num feixe de elétrons que tem um comprimento de onda
1025 Distância
muito pequeno permite ao objeto até
medirmos mais10distante
-8
m que é o tamanho de cadeias moleculares grandes =
vírus, por já
exemplo. fotografado (uma galáxia)
1024 Domínio
iii. análise teórica das galáxias
do resultado de raio -X (radiação eletromagnética com = 0,1 A), e
1023 Domínio das galáxias
espalhamento de partículas .
10 22
Distância à Grande Nebulosa de
Essas medidas só podem(galáxia
Andrômeda ser analisada
mais à luz da mecânica quântica que limita o conceito de
"tamanho". próxima)
1021 iv. para medidas de distâncias
Distância grandes
à menor das Nuvensusamos,
de às vezes, o método da triangulação
Magalhães
1020 Distância do Sol ao centro de
nossa galáxia b. Métodos Indiretos:-
Distância ao agrupamento globular
estelar de Hércules
1019 Distância à estrela Polar
Bertolo Física I 11

TABELA 04 Distâncias demasiadamente Grandes TABELA 05 - Distâncias demasiadamente


pequenas
Comprimento Distância associada
LEITURA OPCIONAL:- DIMENSIONALIDADE DO em metros
ESPAÇO 10-6 Distância média entre colisões de
Já sabemos medir o espaço. Vamos entender o moléculas no ar de uma sala
significado de DIMENSIONALIDADE. 10-7 Espessura da mais fina bolha de
PRIMEIRO CAMINHO sabão ainda apresentando cores
Numa sala retangular localizamos qualquer 10-8 Distância média das moléculas de ar
ponto especificando: numa sala
a. sua distância a uma parede (abcissa x) 10-9 Tamanho da molécula de óleo
b. seu afastamento da outra (ordenada y) 10-10 Distância média entre os átomos de
c. sua altura do solo (cota z) um sólido cristalino
10-12 Distância média entre os átomos
Precisamos de 3 medidas distintas para reunidos no centro das estrelas mais
localizar um ponto no espaço. Isto significa que o densas
espaço é tridimensional.
10-14 Tamanho do maior núcleo atômico
A localização de ponto nesse espaço
tridimensional é, geralmente, feita usando um Sistema
10-15 Diâmetro do próton
de Coordenadas Cartesiano.
z
Existe uma correspondência biunívoca entre os pontos do espaço e uma
tripla de números reais (x,y,z). Aqui está uma descrição algébrica da
P Geometria idealizada por DESCARTES e conhecida por Geometria Analítica.

E se a sala fosse circular?


Mesmo assim precisaríamos de 3 números:
Bertolo Física I 12

Coordenadas Cilíndricas de um
r = distância
ponto no espaço da origem à projeção do
ponto no solo
 = ângulo a partir do eixo x( longitude)
h
r =
= cota
distância da origem ao ponto
 = longitude
 = latitude

Podemos fazer ainda uma outra escolha de coordenadas, dependendo da simetria do problema

Coordenadas Esféricas de um ponto no


espaço

SEGUNDO CAMINHO

O movimento de ponto GERA uma linha


Para localizarmos um ponto sobre a linha
basta 1 número s que diz quantos metros
Posição cabem da partida até P. Temos uma dimensão
(unidimensional).
Partida
O movimento de uma linha GERA uma superfície.
Para localizarmos um ponto sobre a superfície bastam 2
números:
a. posição do limpador
b. posição ao longo do limpador. Temos duas dimensões
(bidimensional).

O movimento de uma superfície GERA um volume.

Para localizarmos um ponto sobre o volume bastam 3


números:
a. dois sobre a superfície
b. um indicando a posição da superfície. Temos três
dimensões (tridimensional).

Quando damos o passo seguinte: um volume GERA outro volume. Esgotamos as dimensões!!!

TERCEIRO CAMINHO
LINHA:- podemos nos mover sobre ela sem interrupção de ponto para ponto (sem levantar o
lápis). A remoção de um ponto CORTA a linha.
SUPERFÍCIE:- a remoção de um ponto sobre uma superfície não nos embaraça!!!!. Podemos
contornar a falha. Agora uma linha CORTA uma superfície.
VOLUME:- Uma superfície CORTA um volume.
Um volume corta outro volume indicando que o espaço é TRIDIMENSIONAL .

QUESTIONÁRIO 03
1. Quais são as noções básicas da Ciência? Elas estão desvinculadas entre si?
2. Como devemos agir para irmos adquirindo cada vez maior conhecimento a respeito das noções básicas da Ciência?
3. Quais são as duas grandes divisões ou intervalos de espaço? Elas estão ligadas entre si?
Bertolo Física I 13

4. Qual a distância que separa a Terra do Sol se a luz do Sol viajando a 300.000 Km por segundo leva 8 minutos para nos
atingir?
5. Qual o nome da galáxia a qual pertencemos?
6. Quando comparamos intervalos de espaço, qual o processo matemático utilizado?
7. Cite todas as unidades de comprimento que você já ouviu falar.
8. Como foi definido o padrão de unidade de comprimento logo após a Revolução Francesa? E após 1960?
9. Até quantas ordens de grandezas usamos o processo direto de medição do intervalo de espaço?
10. Dê exemplos de distâncias pequenas e longas e os seus métodos de medição.
11. Por que dizemos que o espaço é tridimensional?
12. O volume é gerado através do quê?
13. Apresente 3 maneiras distintas de encarar a tridimensionalidade do espaço.

EXERCÍCIOS
1. Uma reta de 5,0 cm de comprimento gira em um plano ao redor de um dos seus extremos. Qual é a área varrida por este
movimento?
2. Uma reta de 20 cm de comprimento é movida para uma nova posição paralela, e a 10 cm de sua posição original. Qual é a
área da superfície abrangida na movimentação da reta?
3. Um círculo de 5,0 cm2 se move ao longo do seu eixo até uma nova posição, paralela ao plano original. Se ele foi deslocado
10 cm, qual o volume gerado por este movimento?
4. Um pedaço de cartão, de dimensões 12,0 cm por 8,0 cm, gira de um ângulo de 90º , ao redor do bordo de 8,0 cm. Que
volume foi varrido por este movimento?
5. No corpo humano encontramos medidas extremamente pequenas e também extremamente grandes. O artigo seguinte
mostra isso:
“Um adulto possui de 5 l a 6 l de sangue, ou seja, de 5 a 6 milhões de milímetros cúbicos, que vão dar 25 trilhões de glóbulos vermelhos.
Colocados lado a lado , em seus infinitesimais 0,007 mm de diâmetro, esses glóbulos vermelhos de uma pessoa formariam uma linha de mais de
160.000 km, capaz de dar quatro vezes a volta na Terra. Através de sua superfície, esses glóbulos vermelho absorvem e espalham oxigênio. Por
serem tão pequenos, vão a toda parte no corpo humano ; e por serem tão numerosos, cobrem uma área muito maior do que esse corpo.”
(Barco, Luiz. A magia dos grandes números. Superinteressante, ano 2, nº 1, janeiro/1988. P. 26)
Com base neste artigo:
a. escreva as medidas que representam volume e as que representam comprimento;
b. expresse todas as medidas em notação científica;
c. dê a ordem de grandeza de todos os números que aparecem no texto;
d. explique como uma quantidade tão grande de glóbulos vermelhos pode caber no corpo humano.

PRÁTICA DE LABORATÓRIO
1. Determine a altura de uma árvore, ou de um edifício, em um dia ensolarado. Os dados que você necessita são o
comprimento de sua sombra , a da árvore e sua própria altura. Partindo, destes dados, pode ser encontrada a altura da árvore,
usando-se semelhança de triângulos. A posição do Sol modifica os seus resultados?
2. Supondo que a Lua está a 3,8.10 5 Km da Terra, você pode determinar o seu diâmetro pelo seguinte método. Prenda, numa
vidraça, duas tiras de fita adesiva opaca, distanciadas de 2 cm. Perfure um cartão com um alfinete e, então, observe a Lua
através do orifício e entre as duas tiras. Meça a distância do cartão à janela, afastando-se da mesma, até que a Lua preencha
exatamente o espaço entre as duas tiras. Usando geometria de triângulos semelhantes, calcule o diâmetro da Lua. NAO repita
este procedimento para medir o diâmetro do Sol, pois o seu brilho será prejudicial a sua vista. Pode este método ser utilizado
para determinar o tamanho de uma estrela?
3. Podemos medir facilmente a largura ou o comprimento da folha de um livro ou de um caderno. Entretanto, encontraríamos
dificuldades para medir a sua espessura. Experimente medir usando uma régua milimetrada, a espessura da folha do seu
caderno. Você consegue? Um simples artifício nos permite resolver satisfatoriamente este problema. Meça a espessura de 100
folhas. A partir do valor encontrado calcule a espessura de uma delas.
Com um procedimento semelhante determine a massa de um grão de feijão, e o volume que sai de um conta -gotas.

1.1.4 - A PRECISÃO DAS MEDIDAS E ALGARISMOS SIGNIFICATIVOS

Fundamentamos todas nossas medições num esquema simples. Para medir o tamanho de alguma
grandeza física primeiro escolhemos uma unidade. Então para medir um intervalo maior que a unidade,
apenas "colocamos" a unidade tantas vezes quantas ela couber no intervalo em questão. Isto é o que
fazemos comumente com uma régua ao medirmos um comprimento. Para aquilo que ultrapassa a
contagem, ou para medir uma quantidade menor que a unidade, simplesmente dividimos a unidade em
partes menores e iguais, você pode chamá-las de sub-unidades, e toma-se delas, então, tantas quantas
forem necessárias para inteirar a grandeza dada.
EXEMPLO
Medimos a altura de uma pessoa, e verificamos ser de 170 cm e um pouco mais. Dividindo nossa unidade de centímetro em
décimos, verificamos que a parte que sobrara contém três destas subunidades; dizemos, então, que a pessoa tem 170,3 cm de
comprimento.
Bertolo Física I 14

Não é difícil perceber que este método funcionará para qualquer comprimento que queiramos medir.
Assim, podemos fazer divisões sempre menores até que a irregularidade na aresta da caixa que medimos,
ou nas marcações de nossa régua, limitem a PRECISÃO de nossas medidas.
O Algumas medidas não se prestam ao processo de subdividir sempre mais para aumentar a precisão. A
B contagem do número de pessoas numa sala, por exemplo, tem uma unidade natural: o indivíduo. Neste caso, é
S inaplicável subdividir cada vez mais. Contrariamente ao tempo e ao espaço, a matéria tem unidades naturais
E conhecidas. Por exemplo, o elétron. Esta é a essência real da física moderna. As unidades naturais da matéria
RV são seus blocos fundamentais de construção, os átomos e suas poucas partes que se combinam de tantos
A modos para a construção do conjunto do mundo material - estrelas e mar, lápis e papel, pele e osso. Não
Ç sabemos se o espaço e o tempo tem ou não tais unidades naturais. Sabemos apenas que não as atingimos. Até
à que encontremos tais unidades (se é que o faremos) usaremos livremente qualquer subdivisão de nossa
O unidade arbitrária de medida para representar o tempo e o espaço.

Acabamos de ver os problemas envolvidos no método básico de medir pela contagem. Em muitas medidas reais surge
um segundo tipo de problema. Uma medida feita por um método indireto baseia-se sempre em hipóteses especiais.
Medindo a espessura de uma folha, por exemplo, supusemos que o papel era uniforme. A medida de grandes distâncias
por triangulação envolve, também, uma hipótese - com a qual estamos bem familiarizados na vida diária. Supomos que
C a linha de visão - isto é, a linha percorrida pela luz, do objeto ao olho - é uma reta. Somente se isto for verdadeiro,
U poderá funcionar o nosso método de triangulação visual. Comumente testamos a forma reta de uma tábua olhando ao
I longo dela. PARECE QUE ACEITAMOS SER RETA A TRAJETÓRIA DA LUZ. Naturalmente isto pode nos ludibriar,
D muitas vezes o faz. A aura de calor que você vê sobre um radiador aquecido, ou sobre uma superfície aquecida pelo Sol,
diz-lhe da existência de trajetos da luz que não são retos, e estão variando constantemente. Se desejamos uma resposta
A digna de confiança quando medimos grandes distâncias por triangulação, precisamos evitar olhar através do ar quente
D perturbado. Não podemos medir, por estes meios, a distância a uma estrela numa noite em que ela cintila muito em
O conseqüência das mutáveis correntes de ar vindas da superfície quente da Terra. Desejamos uma noite límpida e calma,
com a estrela bem alta no céu. Outra hipótese envolvida na medida de triangulação é que as leis da geometria são
corretas. Elas não podem ser tomadas com certezas, entretanto. Devem ser testadas todas as suposições que fazemos ao
medir. Os resultados da geometria e a trajetória reta das linhas de visada foram muito bem testadas, principalmente
pelo sucesso da imagem global que podemos construir. Precisamos, entretanto, estar sempre atentos, especialmente ao
usar métodos indiretos para medir coisas afastadas da experiência cotidiana, para ver se as hipóteses tradicionais são
ainda dignas de confiança.
Todos os métodos indiretos de medidas apresentam limitações, e nenhum deles serve para todos os casos.

Na Física existem limitações para a precisão das medidas que por sua vez, limitam o uso dos números
que registram a medida. Assim, quando para o raio da Terra escrevemos 6,37 . 10 6 m e não 6,374 . 106 m
ou 6,370 . 106 m, estamos dizendo que estamos razoavelmente seguros do terceiro algarismo, mas não
fazemos idéia do valor do quarto. O número de algarismos sobre os quais estamos razoavelmente seguros
é chamado número de ALGARISMOS SIGNIFICATIVOS. É claro que quanto maior for a precisão de
nossas medidas, maior é o número de algarismos significativos que podemos usar.
Ao medimos o comprimento l de um lápis utilizando uma régua dividida em milímetros, obtemos a

Essa medida tem 3 algarismos significativos, sendo que o


último (5) é chamado ALGARISMO DUVIDOSO

medida da seguinte forma


l = 4,85
Bertolo Física I 15

Nesta mesma régua, teríamos

EXEMPLOS
1,27 : 3 algarismos significativos
0,002 : 1 algarismo significativo (zeros à esquerda não são significativos)
2 000 : 4 algarismos significativos (zeros à direita são significativos)

OPERAÇÕES COM ALGARISMOS SIGNIFICATIVOS


Os algarismos pequenos são duvidosos. Qualquer operação que envolva um algarismo duvidoso tem
resultado DUVIDOSO.
2,23
+ 1,5
3,73
Observe que o algarismo 7 já é duvidoso; portanto, o algarismo 3 não é significativo. A resposta
correta é 3,7.

Assim devemos também proceder na subtração.


5,40 Observe que a partir do algarismo 4 os algarismos já não fazem mais sentido. A
x 2,7 resposta correta é 14, sendo o 4 algarismo duvidoso
3780
1080
14580

QUESTIONÁRIO 04
1. O que devemos em primeiro lugar escolher para medir uma grandeza física?
2. Como fazemos para medir uma grandeza cujo tamanho é menor que a unidade de medida?
3. Quais são as unidades naturais da matéria? E do tempo? e espaço?
4. Qual o segundo problema que surge no método básico de medir pela contagem?
5. Os métodos indiretos de medidas são universais e ilimitados?
6. Há limitações nos números que registram nossas medidas? Por que?
7. O que é algarismo significativo?

EXERCÍCIOS
1. Resolva:
a. (1,4 . 103)/(2,6 . 105) b. 3,7 . (6,27 . 10-2) c. 46,7 - 10,04 d. (8,34 . 0,659)/12,03

Faça as contas tomando em consideração os algarismos significativos.

2. Um estudante mede um bloco de madeira, e registra os seguintes resultados: o comprimento = 6,3 cm; a largura = 12,1 cm;
altura = 0,84 cm
a. Qual o volume deste bloco?
b. Suponha que as medidas de comprimento e largura sejam corretas; entretanto, você pode ver que a medida de altura pode
apresentar um afastamento de 0,01 cm, para mais ou para menos. Como isto afetaria a resposta? Que fração do volume isto
representa?

1.2 - REPRESENTAÇÃO DAS RELAÇÕES ENTRE AS GRANDEZAS FÍSICAS


Muitas leis Físicas são expressas de modo útil por meio de relações matemáticas, que mostram como
uma grandeza depende de outras, durante um fenômeno físico. Vamos discutir algumas dessas relações.
Bertolo Física I 16

1.2.1 - PROPORÇÃO DIRETA


Uma das relações mais simples entre duas grandezas é chamada PROPORÇÃO DIRETA. Vejamos,
por exemplo, a relação existente entre o volume de um pedaço de ferro e sua massa. Medindo as massas
de blocos de ferro de diversos volumes, encontramos os seguintes resultados:
V1 = 1 cm3 tem massa M1 = 8 g V2 = 2 cm3 tem massa M2 = 16 g
V3 = 3 cm3 tem massa M3 = 24 g V4 = 4 cm3 tem massa M4 = 32 g

e, assim sucessivamente.
Este tipo de relação, na qual, duplicando o volume, a massa duplica, triplicando o volume a massa
triplica, etc., é o que entendemos por PROPORÇÃO DIRETA. Você encontrará muitos casos de
proporção direta em Física, e é bom, portanto, entender as várias maneiras de descrever esta relação.
Podemos dizer que a massa "é proporcional ao" volume do ferro, ou, que a massa "varia diretamente com"
o volume do ferro. Ambos os modos significam a mesma coisa: dobro de volume, massa dupla; dez vezes
o volume, dez vezes a massa, e assim por diante.
Podemos escrever por meio de símbolos a relação na forma mais simples:
MV,

onde M é a massa do pedaço de ferro, V, seu volume, e o símbolo  significa "é proporcional a".
Observando os valores das massas e dos volumes apresentados, verificamos que:
M1 8 g g M 2 16 g g
= 3 =8 = 3 =8
V1 1cm cm3 V 2 2cm cm3 M 3 24 g g
= =8
V3 3cm 3 cm 3

etc.
Portanto, ao variar o volume V do bloco, sua massa M também varia, mas o quociente entre M e
V permanece constante ( igual a 8 g/cm3). Podemos escrever:
M
=k
V

onde k é a constante de proporcionalidade entre M e V e vale k=8 g/cm3 . Assim, quando duas grandezas
são diretamente proporcionais, o quociente entre elas permanece constante e este quociente é denominado
constante de proporcionalidade entre as grandezas.
No exemplo citado, o valor da constante de proporcionalidade era 8 g/cm 3. Evidentemente, em
outros exemplos teremos valores diferentes para k, característico para cada exemplo.
M
Da expressão = k , vem que M = k .V. Chegamos, assim, à conclusão:
V
Se M  V podemos escrever M = k .V

Observe que M = k .V é muito semelhante a M  V. Efetivamente, se não conhecemos o valor numérico


de k, é exatamente o mesmo. Mas quando k é conhecido, M = k .V, nos diz mais; é uma equação que nos
dá a relação numérica entre M e V.
Até agora, representamos a relação entre M e V por meio de equações. Outro modo de analisar a
dependência entre duas grandezas é o método gráfico. Para traçar o gráfico que representa a relação entre
M e V ( ou, como se diz M versus V, M x V), reproduziremos na tabela seguinte, os valores dessas
grandezas já referidas anteriormente.
Bertolo Física I 17

V(cm3) 1 2 3 4
M(g) 8 16 24 32

Tracemos duas retas perpendiculares (o uso de papel quadriculado ou milimetrado facilita o trabalho)
como mostra a figura abaixo. Sobre uma delas representamos os valores tabelados do volume (eixo dos
volumes) e, sobre a outra, os valores da massa (eixo das massas). Para isso devemos escolher escalas
apropriadas, isto é, devemos escolher um determinado comprimento, sobre o eixo, para representar um
dado valor da grandeza. Por exemplo, no eixo dos volumes vamos escolher a seguinte escala: cada 1,5 cm
para representar 1 cm3. Com esta escala, marcamos na figura, as divisões correspondentes a 1 cm 3, 2 cm3,
etc. No eixo das massas usaremos uma escala diferente: cada 1 cm representa 5 gramas. Observe a figura
abaixo, as divisões correspondentes a 5 gramas, 10 gramas, 15 gramas, etc.
O gráfico que representa uma grandeza variando em
Relação entre Massa e Volume de um proporção direta com outra é uma reta passando pela
pedaço de Ferro origem.
35 Após a escolha das escalas dos eixos passaremos a
30 lançar os pontos no gráfico. Cada par de valores da
25
tabela apresentada corresponderá a um ponto do
gráfico. Por exemplo: o ponto A, na figura, foi obtido
M (gramas)

20
com os valores V = 1 cm3 e M = 8g; o ponto B com os
15
valores V = 2 cm3 e M = 16g, etc. Lançados os pontos
10 A,B,C, e D e verificando que eles estão alinhados,
5 podemos uni-los por uma reta obtendo assim o gráfico
0 de M em função de V. Observe que a reta passa pela
0 1 2 3 4 origem O, isto é, quando V=0, temos também M=0.
V (cm3)

Já vimos, na equação M = k .V, que a constante de proporcionalidade k é uma característica


importante da proporção direta. Vejamos como podemos obter o seu valor através do gráfico da relação.
Na figura abaixo
consideremos dois pontos quaisquer como, por exemplo, os
pontos A e C. O ponto A corresponde a um volume VA = 1 cm3
e a massa correspondente MA = 8g. Para o ponto C, temos VC
= 3 cm3 e MC = 24g. Portanto, no gráfico, ao passarmos de A
35
para C, observamos uma variação no volume e uma
30
correspondente variação na massa. A variação no volume será
25
representada por V, onde o símbolo  significa uma variação,
M (gramas)

20
15 isto é, V = VC - VA . Do mesmo modo, M representa a
10 variação da massa, isto é, M = MC - MA. Na figura estão
5 indicadas estas variações do volume e da massa.
0
0 1 2 3 4
V (cm3)

A INCLINAÇÃO DA RETA é definida pela seguinte relação:

inclinação da reta = (M/V)


Verifica-se que, quanto maior for o quociente (M/ V) para uma dada reta, maior será o ângulo
que ela forma com o eixo dos volumes. Justifica-se, assim, a denominação de inclinação para este
quociente. Por exemplo: na figura abaixo, que mostra o gráfico M x V para os elementos químicos ferro
Fe e mercúrio Hg, observamos que o gráfico do Hg apresenta maior inclinação do que o do Fe.
Bertolo Física I 18

M Hg

(M/V)Hg > (M/V)Fe


Fe

V
Voltemos a penúltima figura e calculemos o valor da inclinação da reta. Observando, naquela figura,
que:
V = VC - VA = 3 cm3 - 1 cm3 ou V = 2 cm 3.
M = MC - MA = 24 g - 8 g ou M = 16 g.

temos, a inclinação da reta igual a :

inclinação da reta = (M/V) = (16g/2cm3) = 8 g/cm3.

Como já foi visto, a constante de proporcionalidade k, da equação M = k .V, vale também 8 g/cm3. Isto
acontece todas as vezes que estivermos tratando com uma proporção direta, isto é, a inclinação da reta
fornece o valor da constante de proporcionalidade, ou seja, o k no gráfico é a inclinação da reta.
Embora o nosso estudo se restringiu a relação entre massa e o volume de um pedaço de ferro,
existem muitos outros exemplos de grandezas ligadas por uma proporção direta. Consideremos duas
grandezas quaisquer, que designaremos, de maneira geral, por Y e X (poderiam ser, por exemplo, a massa,
o volume, ou a pressão e a temperatura de um gás, ou a distância percorrida e a velocidade de um carro),
podemos dizer, então que se Y  X temos que o gráfico Y versus X é uma reta, Y = a .X, onde a é a
constante de proporcionalidade, e vem dado pela inclinação da reta.
Resolva os exercícios 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 10 para você fixar melhor os conceitos.
Já vimos que na proporção direta, cuja equação é Y = a .X, quando X = 0 temos Y = 0 e, assim, o
gráfico de Y x X é uma reta que passa pela origem. Entretanto, há casos em que isto não acontece, isto é,
quando X = 0 temos Y 0. Sempre que isto acontecer a reta não irá passar pela origem, e diremos que as
duas variáveis estão relacionadas por uma variação linear.
Para obtermos a relação matemática entre Y e X nestas circunstâncias procedemos do seguinte
modo: desloquemos todos os pontos da reta para baixo de modo que ela passe pela origem. Daí
determinamos a como anteriormente e obtemos a relação intermediária Y = a . X. A seguir adicionamos a
esta equação o valor subtraído anteriormente para baixarmos a reta, b, por exemplo. Temos, então, a
relação final entre Y e X, onde b é o valor inicial de Y, isto é, o seu valor quando X = 0.
Bertolo Física I 19

11. Considere uma mola cujo comprimento na posição de equilíbrio Y = a .Xé + 6 cm.
b Dependurando na extremidade uma massa M, e fixando
a outra extremidade no teto, o comprimento C da mola aumenta.
A tabela abaixo apresenta os valores de C para diversos valores de M, obtidos através de uma experiência:
1. M(g)
Uma pessoa,0 100recolhendo
200 300 a400 água que jorra de uma 5. Considere a tabela do exercício anterior.
C(cm) 6obtém
mangueira, 9 12 15 18 em 5 segundos recolhe 15 litros;
o seguinte: a. Divida cada valor de P pelo correspondente valor de L. O
em 10a. Usando
s recolheesta
30 tabela construa
l; em 30 o gráfico
s recolhe C x M.
90 l, etc. b. Quanto
quocientevale
P/LCvaria
quando
ou M = 0?
é constante?
c. Quando o valor da massa M pendurada
a. Podemos dizer que há uma proporção direta entre o na mola é duplicado, ob. Qual o valor da constantedademola,
valor do comprimento C, duplica?
proporcionalidade k entre P e L?
d. Erecolhido
volume quando oevalor de M
o tempo é triplicado,
empregado na C triplica?
operação? e. Então podemos
c. Como que C matematicamente
dizerexpressar
podemos M? a relação entre P
b. f.Qual
Por oque podemos
valor afirmardeque
da constante C NAO é proporcional
proporcionalidade a M? e L?
entre estas
g. Como se denomina a relação entre C e M?
grandezas? 6. Como você sabe, o volume de um balão de borracha é tanto
c. h.
Designando
Escolha doiso volume
pontos recolhido
quaisquerpordo V e o tempo
gráfico. maior
Determine, para estes quantoosmaior
pontos, forde
valores X raio.
o seu e de Y
Medindo os valores
e calcule de V edoR
a inclinação
correspondente
gráfico. por t, como poderemos expressar a relação para diversos balões, encontramos que:
entrei. estas
Qual grandezas?
o valor da constante a ? e o de b? quando aRrelação
j. Escreva = 10 cm, temos V =entre
matemática 4,2 l Y e X.
2. Abandonando um corpo de uma certa altura obtivemos os quando R = 20 cm, temos V = 33,4 l
seguintes dados para as distâncias percorridas após 1s, 2s, 3s quando R = 30 cm, temos V = 113,0 l
de queda: a. Se o raio do balão é duplicado, o seu volume duplica?
em um tempo t1 = 1s percorreu a distância d1 = 5 m. b. Se o raio do balão é triplicado, o seu volume triplica?
em um tempo t2 = 2s percorreu a distância d2 = 20 m. c. Então, podemos dizer que V  R?
em um tempo t3 = 3s percorreu a distância d3 = 45 m. 7. Faça o gráfico para o exercício 4 considerando a escala 1 cm
Podemos dizer que a distância percorrida d, é diretamente representando 1 m, no outro eixo 1 cm representando 5,00
proporcional ao tempo de queda? cruzeiros.
3. Considerando o exercício 1 acima construa o gráfico V x t, 8. Usando o gráfico que você construiu no exercício anterior,
tomando como escala o seguinte: 1 cm representa 5s e no outro responda:
eixo 1 cm representa 10 litros. a. Qual preço que se deve pagar por 3,5 m do tecido?
Calcule a inclinação do gráfico V x t. b. Você esperava este resultado? Por que?
4. Quando uma pessoa compra um tecido (de largura 9. Assinale dois pontos A e B no gráfico do exercício 7,
constante), ela paga o preço P que depende de seu correspondendo a L = 1m e L = 4m.
comprimento L adquirido. Suponha que 1 m de determinado a. Trace, no gráfico, o segmento L que indica a diferença entre
tecido custe Cr$ 5,00 os comprimentos correspondentes aos pontos A e B.
a. Faça uma tabela com os valores de P correspondentes a b. Trace também o segmento que representa a variação P para
1m, 2m, 3m, 4m. estes pontos.
b. Ao duplicar o valor de L (comprimento), o valor de P c. Quais são estes valores de L e P?
duplicou? d. Compare este valor da inclinação com o valor de k obtido no
c. E ao triplicar o valor de L? exercício 5.
d. Então, que tipo de relação existe entre P e L?

EXERCÍCIOS

1.2.2 - VARIAÇÃO COM A SEGUNDA E TERCEIRA POTÊNCIAS


Você já sabe que a área A de um quadrado é dada por A = L2, onde L é o lado do quadrado. Então,
teremos:
para L = 1m........A = 1 m 2
para L = 2m........A = 4 m 2.
Observe que, ao dobrarmos o lado L do quadrado, sua área A não foi apenas duplicada, tendo-se
tornado 4 vezes maior (não é proporção direta). A figura abaixo ilustra este fato.

Facilmente percebemos que se L é


multiplicado por 2, a área A é multiplicada por
22; se L é multiplicado por 3, a área A é
multiplicada por 32, etc. Isto é, "a área A de um
quadrado é proporcional ao quadrado de seu
lado L". Escrevemos
A  L2

10. Uma pessoa verificou que entre duas grandezas X e Y existe a seguinte relação matemática: Y = 4X.
a. Podemos dizer que Y X?
b. Se o valor de X passar de X = 2 para x = 10, por que fator será multiplicado o valor de Y?
c. Qual o valor da constante de proporcionalidade a entre Y e X?
d. Qual a forma do gráfico Y x X ? e. Qual o valor da inclinação deste gráfico?
Traçamos dois eixos, escolhemos as escalas e, usando os valores
Bertolo Física I tabelados, marcamos os pontos A, B, C e D. Naturalmente, 20 o
gráfico deverá passar pela origem, pois, quando L = 0, temos A
= 0. Como
Como outro exemplo de variação com o quadrado, você deveria
consideremos esperar,
um disco de já queAnão
área se trata
e raio R. de uma
Como é do conhecimento de todos, temos A = proporção
R . Aqui,
2 direta, ao unirmos
também, temos Aospontos
2 nãomostra
R , como vamos aobter uma
figura abaixo: linha reta. O gráfico A x L será uma curva, como está mostrado,
curva esta quer se chama parábola.
Duplicando R temosoAgráfico
Se traçássemos quatroAvezes maior;
x R para o disco, também
triplicando
obteríamosR temos A nove
uma curva vezes maior.
semelhante Esta
a esta, variação
e isto aconteceria
com o quadrado
sempre é observada sempre
que representássemos que estivermos
graficamente uma variação com o
tratando comEm
quadrado. áreas: ao os
todos ampliarmos uma figura,
casos, a curva isto é,sempre uma
obtida seria
aoparábola.
multiplicarmos todas as suas linhas por um fator,
verificamos que a área desta figura fica multiplicada
pelo quadrado deste fator.

Tomemos a tabela seguinte que mostra os


valores já citados de A e L para um quadrado:
L(m) 1 2 3 4
A(m2) 1 4 9 16

Com estes valores podemos traçar o gráfico de A em função de L (gráfico de A x L). Para isto, conforme
mostra a figura abaixo: Esta variação com o cubo é observada sempre que
Traçamos dois
estivermos eixos, escolhemos
tratando as escalas
com volumes: e, usando
ao ampliarmos o os
valores
corpo,tabelados,
isto é, ao marcamos os pontos
multiplicarmos todasA,
as B, C linhas
suas e D.
Naturalmente, o gráfico deverá passar pela origem,
por um certo fator, verificamos que o volume deste pois,
quando L = 0, temos A = 0. Como você deveria
corpo fica multiplicado pelo cubo deste fator. esperar, já
que não se trata de uma proporção direta, ao unirmos os
pontos não vamos obter uma linha reta. O gráfico A x L
será uma curva, como está mostrado, curva esta que se
chama parábola.
Se traçássemos o gráfico A x R para o disco,
também obteríamos uma curva semelhante a esta, e isto
aconteceria sempre que representássemos graficamente
uma variação com o quadrado. Em todos os casos, a curva
obtida seria sempre uma parábola

Aparecem freqüentemente em Física relações nas quais uma grandeza é proporcional a uma potência,
como o quadrado, o cubo, etc., de outras. Elas são chamadas leis de potências.
Além das leis de primeira, segunda e terceiras potências, tais como M = k V; A = kL 2 e V = L3, que
aqui discutimos, encontramos, também, leis de potências inversas, como veremos adiante.
Quando traçamos uma curva contínua ligando os pontos como fizemos anteriormente somos então
capazes de encontrar valores de Y para um X qualquer - não somente para os valores de X que medimos.
O processo de encontrar, por meio deste gráfico, novos valores situados entre os medidos, é chamado
INTERPOLAÇÃO. Tal processo tem significado e é útil quando existem boas razões para crer que a curva

Existem casos em que duas grandezas, X e Y, estão


relacionadas de tal modo que duplicando X, Y torna-se 8 vezes
maior; triplicando X, Y torna-se 27 vezes maior;
quadruplicando X, Y torna-se 64 vezes maior, etc. Isto é, Y está
crescendo com uma proporção maior do que a anterior, ou seja
quando X é multiplicado por um fator, Y é multiplicado pelo
cubo daquele fator. Quando isto acontece, dizemos que "Y é
proporcional ao cubo de X". Observando a figura ao lado vemos
algo feito da maneira anterior
mas devemos observar que o gráfico não é uma parábola, pois
apresenta uma inclinação mais pronunciada, à medida que L
cresce.
Bertolo Física I 21

é válida para valores situados entre os medidos. Obtém-se, pois, uma informação que não é disponível
imediatamente a partir das medidas feitas, principalmente se não conhecemos a fórmula que relaciona Y
com X, e ficamos na dependência de valores experimentais apenas. O traçado de uma curva contínua
expressa, então, nossa crença de que as coisas variam de modo contínuo na natureza. A interpolação
sempre traz consigo algum risco de erro. Mesmo que as coisas variem de forma contínua, precisamos
conseguir valores experimentais muito próximos, se quisermos saber como o gráfico se comporta em
qualquer região de curvatura acentuada. A interpolação de forma alguma pode ser usada para gráficos de
funções que não podem ser representadas por curvas contínuas.
A EXTRAPOLAÇÃO, estendendo o gráfico além do intervalo de dados, é ainda mais arriscada. O
erro pode surgir, então, mais facilmente, mas as descobertas também.
EXERCÍCIOS
1. Construa a tabela com os valores das áreas dos quadrados cujos lados são indicados por L(m) = 1, 2, 3, 4, 5, 6.
a. Duplicando o valor de L, por qual fator fica multiplicada a área?
b. Triplicando o valor de L, por qual fator fica multiplicada a área?
c. Que tipo de relação existe entre A e L?

2. a. Se duplicarmos o raio de um disco, quantas vezes maior torna-se sua área?


b. Então, se a área de um disco é de 30 cm2, qual será a área de outro disco de raio duas vezes maior?

3. A relação matemática entre duas grandezas X e Y é Y = 2X 2.


a. Qual o valor da constante de proporcionalidade a entre Y e X 2.
b. Se o valor de X for multiplicado por 5, quantas vezes maior torna-se o valor de Y?
c. Faça uma tabela considerando para X os valores: 0, 1, 2, 3, 4
d. Faça o gráfico da função considerando a seguinte escala:
abcissa 1 cm : 1 unidade de X
ordenada 1 cm : 5 unidades de Y.
e. Como se denomina a curva que você obteve?

4. Suponha que entre duas grandezas X e Y exista a seguinte relação matemática: Y = 0,1 X 3.
a. Se o valor de X for multiplicado por um certo número, por que valor Y ficará multiplicado?
b. Considerando a equação faça uma tabela para X : 1, 2, 3, 4. , e a seguir construa um gráfico usando a mesma escala nos
eixos ou seja 1 cm representa 1 unidade.
c. A curva que você obteve é uma parábola?

1.2.3 RELAÇÕES INVERSAS


No estudo da proporção direta, da variação com o quadrado e da variação com o cubo, vimos que a
grandeza Y aumenta à medida que X aumenta. Entretanto, há casos de relações entre duas variáveis em
que o aumento de uma acarreta redução de outra. Em outras palavras, quando X aumenta, Y diminui.
Vamos estudar duas situações em que isto ocorre: a proporção inversa e a variação com o inverso do
quadrado
Consideremos duas grandezas, X e Y, tais que duplicando X, Y fica reduzido à metade, isto é,
dividido por 2; triplicando X, Y fica dividido por 3; quadruplicando X, Y fica dividido por 4, etc. Quando
isto ocorre dizemos que "Y É INVERSAMENTE PROPORCIONAL A X". Podemos, portanto, escrever
1
Y e introduzindo a constante de proporcionalidade a , temos:
X
Y Y
= =
a. (
( a
1 X
X )
)
Bertolo Física I 22

O gráfico ao lado é construído com base no exercício 2 é um exemplo de


proporção inversa.

Vejamos agora, uma situação em que, quando X aumenta, Y diminui em uma proporção maior do que
o caso estudado acima. Suponhamos que duplicando X, Y torna-se 4 vezes menor; triplicando X, Y torna-
se 9 vezes menor; quadruplicando X, Y torna-se 16 vezes menor, etc. Quando isto ocorre dizemos que "Y
1
É INVERSAMENTE PROPORCIONAL AO QUADRADO DE X". Podemos escrever Y e,
X2
introduzindo a constante de proporcionalidade a, vem:
Y= Y
a. =(
( a
1 X2
X2 )
)

A figura abaixo mostra uma pequena lâmpada enviando luz em todas as direções.

Interceptando o feixe luminoso, por meio de uma folha de papel,


colocada a uma certa distância d da lâmpada, teremos, sobre a folha de
papel, uma certa intensidade luminosa I. Esta intensidade luminosa pode
ser medida por meio de um instrumento chamado fotômetro. Afastando a
folha da lâmpada, observamos uma diminuição na intensidade luminosa,
que é acusada pelo fotômetro. Em uma experiência, colocando a folha de
papel a diversas distâncias, d , da lâmpada, obtivemos, no fotômetro, para
cada posição, as leituras seguintes:
para d = 10 cm......I = 72 para d = 20 cm......I = 18
para d = 30 cm......I = 8 para d = 40 cm......I = 4,5, etc.

O gráfico desta experiência está mostrado abaixo:


Bertolo Física I 23

Este gráfico é semelhante a uma hipérbole, como o anterior o


é.
Existem muitas outras relações entre duas grandezas, além
destas que apresentamos nesta seção. O que foi visto, entretanto,
será suficiente para que você tenha condições de analisar e entender
praticamente a totalidade dos fenômenos físicos que serão estudados
em nosso curso.

EXERCÍCIOS
1. Em uma experiência, colocando a folha de papel a diversas distâncias d da lâmpada, obtivemos, no fotômetro, para cada
posição, as leituras seguintes:
para d = 10 cm.....I = 72
os demais valores estão mostrados no texto acima. Faça o gráfico você mesmo.
2. Suponhamos que uma pessoa, em um automóvel, faça uma viagem entre duas cidades, distanciadas de 180 Km. Seja X a
velocidade do carro e Y o tempo gasto na viagem. É fácil concluir que:
se X = 30 Km/h temos Y = 6 h se X = 60 km/h temos Y = 3 h se X = 90 Km/h temos Y = 2 h, etc.
a. Construa o gráfico Y x X, para a escala das abcissas como sendo 1 cm representando 20 Km/h e a escala das ordenadas
1 cm representando 1 hora.
b. Como se chama a curva obtida?
c. O que acontece com Y se duplicarmos o valor de X? E se triplicarmos ?
3. Sabe-se que entre duas grandezas X e Y existe a seguinte relação matemática: Y = 144/X 2.
a. Considerando esta relação, faça a tabela dos valores de Y, considerando para X: 2, 4, 6.
b. O que acontece com Y, quando X for duplicado?
c. O que acontece com Y, quando X for triplicado?
d. Que tipo de relação existe entre Y e X?
e. Se construíssemos um gráfico Y x X, obteríamos uma hipérbole?
Bertolo Física I 24

BIBLIOGRAFIA
Penrose, Roger, A Mente Nova do Rei (Computadores , Mentes e Leis Físicas), Editora Campus, Rio de
Janeiro 1993.
Brito Cruz, C. H., Guia para Física Experimental - Caderno de Laboratório, Gráficos e Erros,
IFGW/Unicamp, 1997. Esta é uma apostila eletrônica que pode ser obtida gratuitamente por “dowload” na página da
Biblioteca do IFGW. O endereço é: http://www.ifi.unicamp.br.80/~library
Cameron, J. R., Skofronick, J.G., Medical Physics, John Wiley & Sons, New York, 1978
Cameron, J. M., “Statistics”, in “Fundamental Formulas of Physics,” edited by D.H. Menzel, Vol. 1, ch.
2, Dover, New York, 1960.
Camac, C. N. B., Classics of Medicine and Surgery, Dover, New York, 1959.
Clendening, L. - Source Book of Medical History, Hoeber, New York, 1942
Cromer, A. H., Physics for the Life Sciences, USA,McGraw-Hill, 1977
Fuller, H. Q., Fuller, R. M. & Fuller, R. G., Physics Including Human Applications, Harper & Row, 1978
Schmidt-Nielsen, K., Fisiologia Animal, Brasil, EDUSP, 1972
Schmidt-Nielsen, K., How Animals Work, Great Britain, Cambridge University Press, 1972
Smith, J. M., Mathematical Ideas in Biology, Cambridge University Press, 1972
Stibitz, G. R., Mathematics in Medicine and Life Sciences, Year Book, Chicago, 1966
Thompson, D. W., On Growth and Form, Cambridge, U. P., London, 1961.
Tustin, A., “Feedback”, Sci. Amer., 186-187, 48-55 (1952)

APÊNDICE 1

Quando você sabe Multiplique Para encontrar


Polegadas 25,4 Milímetros
Pés 0,3048 Metros
Jardas 0,9144 Metros
Milhas 1,609 Quilômetros
Libras 0,454 Quilogramas
Quartos 0,946 Litros

Milímetros 0,039 Polegadas


Metros 3,281 Pés
Metros 1,094 Jardas
Quilômetros 0,621 Milhas
Quilogramas 2,205 Libras
Litros 1,056 Quartos