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Discurso de diretor em defesa do ensino artístico na Escola Pública

Ex.mas senhoras, Ex.mos senhores, é com um enorme orgulho que estou perante tão ilustre
audiência para abordar uma questão que me parece ser de máxima importância e máxima exigência
para a nossa sociedade: o ensino artístico na escola pública.

Começaria por destacar a relevância da escola pública na democratização do ensino, na


igualdade de oportunidades que a mesma proporciona, de facto, e não apenas no papel.

Em seguida, mencionaria excelência do ensino nas escolas públicas, formadoras dos seus
alunos não só na área do saber e do saber fazer, mas também, não menos importante, talvez mesmo
a mais importante, na componente do ser, contribuindo para a formação de jovens íntegros, com
uma formação cívica que dignifica o ser humano. Ninguém é recusado, todos são acolhidos, todos são
incluídos. Não creio que alguém coloque em causa estas ideias… Se o fizer, fá-lo-á por, certamente,
desconhecer a realidade escolar do nosso país ou, quem sabe, por má fé…

Após estas palavras, centremo-nos na questão do Ensino Artístico. Somos feitos de passado,
presente e futuro. Um país sem olhar e respeitar o seu passado, a sua cultura, as suas tradições, sem
preservar a sua arte, não poderá sobreviver na sua plenitude. É no presente que devemos cuidar
desse passado, construindo pedra sobre pedra a base para um futuro…E é esse futuro que nos deve
obrigar a refletir sobre a importância dada ao Ensino Artístico, sobre as possibilidades de seguir esse
tipo de ensino, aqui, hoje…amanhã, na nossa cidade, sem ter de se recorrer a instituições privadas,
sem os pais terem de continuar viver com tantas privações, eles que tanto esforço despendem para
dar aos seus as condições que, tantas e tantas vezes, não tiveram, num passado difícil, de trabalho
árduo, sempre com o sonho a comandar…E são exatamente os sonhos de todos os estudantes que,
ora na música, ora nas artes plásticas, ora no teatro, depositam todas as suas expetativas, que nós,
enquanto escola pública, não queremos, não podemos, não temos o direito de defraudar.

Assim, exigimos que à escola pública sejam proporcionados caminhos alternativos, para que
abraçando novos projetos, se possa começar a construção, a formação de futuros músicos de eleição,
pintores e atores que nos façam acreditar cada vez mais de que sem o lado artístico a vida é mais
cinzenta, os dias são menos luminosos e o ser humano é mais pobre. Solicitamos, a quem de direito,
o desenvolvimento de percursos escolares na área do ensino artístico, gratuito, real exemplo do que
serão as igualdades de oportunidades. Desde já, garanto, perante tão ilustre audiência, que o nosso
agrupamento estará na linha da frente, pronto para o combate, pronto para orgulhar todos os que
nele comecem ou continuem a cumprir os seus sonhos artísticos!