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XV COLÓQUIO INTERNACIONAL DE GESTÃO UNIVERSITÁRIA – CIGU

Desafios da Gestão Universitária no Século XXI


Mar del Plata – Argentina
2, 3 e 4 de dezembro de 2015
ISBN: 978-85-68618-01-1

INFLUÊNCIA DAS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO NAS


INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR E ORGANIZAÇÕES

MARCIA DIETRICH
UFSC
marcia.dietrich@ufsc.br

MAGDA CAMARGO LANGE RAMOS


UFSC
Magdaramos2@gmail.com

PAULO MAY
UNISUL
paulo.may@unisul.br

RESUMO

Este estudo tem como objetivo investigar a influência das TIC’s no contexto das IES, e das
organizações em geral, em detrimento das tecnologias disponíveis no século XXI. Os
procedimentos metodológicos adotados para realização deste trabalho foi à pesquisa
sistemática sobre os temas que nortearam o estudo. Esta pesquisa permitiu avaliar e conhecer
a nova visão sobre a comunicação interna nas IES e organizações, mais precisamente no que
tange as tecnologias, tendência pós-moderna e a não utilização da comunicação formal e
mecânica. Verificou-se que as TIC’s tornaram mais ágil a comunicação externa e interna nas
IES e organizações em geral, bem como, a dinâmica no processo dos serviços, possibilitando
uma integração entre os departamentos e, minimizando os gastos com papel através da
utilização de formulários eletrônicos.

Palavras-chave: Tecnologia Informação. Comunicação. IES. Organizações.


1 INTRODUÇÃO
As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC’s) surgiram para melhorar as
formas de transmissão e de recuperação da informação, maximizando a comunicação interna e
externa constituindo uma interação em todas as esferas das IES.
A sociedade se comunica aceleradamente através dos meios eletrônicos favorecendo
questionamentos sobre como isto ocorre, considerando as novas ferramentas que foram
desenvolvidas viabilizando os meios de comunicação nos ambientes internos das Instituições
de Ensino Superior - IES e organizações em geral.
Esse contexto vem convivendo com a transformação das novas formas de
comunicação e informação em meios eletrônicos que permitem rapidez na divulgação e no
acesso da informação.
A comunicação faz parte do cotidiano e da rotina da vida pessoal e das relações
profissionais do ser humano, e as formas de comunicação é que tornam diferente a
transmissão da informação. Portanto, os meios de transmitir ou trocar as informações fazem
parte de um processo, e a diferença está na forma em que nos relacionamos.
Nas IES e organizações a comunicação interna possui subdivisões hierárquicas
dependentes dos níveis, ascendente, descendente e horizontal, seja ela escrita, falada,
gesticulada ou utilizada por meio de símbolos e através de multimídia.
A comunicação contemporânea tem mostrado muitos estudos e teorias voltados para a
comunicação nas organizações com um panorama um tanto crítico, conforme descrição dos
autores a seguir.
Sardá (2012, p.36) esclarece que para uma boa comunicação é imprescindível o saber
ouvir, entender e ser entendido, perguntar e responder com atenção e de forma coerente. Para
que haja sinergia na comunicação deve existir um equilíbrio emocional sem precipitação que
podem levar muitas vezes a desavenças e conflitos.
Segundo Kunsch (2009, p.1),
[...] hoje se procura, cada vez mais, trabalhar a comunicação nas organizações em
uma perspectiva muito mais interpretativa e crítica do que instrumental [...] Busca-se
considerar os aspectos relacionais, os contextos, os condicionamentos internos e
externos, bem como a complexidade que permeia todo o processo comunicativo.

Neste contexto observa-se a grande mudança no panorama e as abordagens que vem


acontecendo sobre a comunicação organizacional e a nova visão, comparada com o as práticas
do passado.
Torquato (2009, p.13) relata que as organizações públicas ou privadas possuem um
conjunto de “comunicações técnicas, instrumentais, burocráticas e normativas”, no entanto,
existem também as comunicações expressivas focadas nas competências e comportamentos
das fontes. A forma de comunicação expressiva é mais agradável humanizadora, divertida,
impactante, e sensibilizadora. Segundo o autor, as comunicações instrumentais são muito
carregadas e deixam o ambiente mais rígido, tedioso, insensível; por outro lado, as
comunicações expressivas informais tornam o ambiente mais cordial, alegre e simpatizante.
Além disso, a comunicação expressiva permite que todos os funcionários possam interagir,
sendo um processo voltado para o ambiente interno e atividades de rotina possibilitando o
equilíbrio interno e maximizando os níveis de motivação (TORQUATO, 2009).
O referido autor destaca ainda, que os fluxos de comunicação como descendente e
ascendente e esclarece sobre a propensão de guardar a informação nos níveis intermediários
nas organizações, que com receio de perder o poder muitas informações não são
compartilhadas. No que tange à rede de rumores neste contexto, ela acontece de maneira
informal e pode promover o desequilíbrio do ambiente interno intervindo também no
ambiente externo. Portanto, a identificação de onde vieram e quem as promoveu, é de extrema
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importância, pois essa pessoa tem o poder de persuadir outros colegas pois mesmo não
possuindo cargo de chefia nem o poder da estrutura hierárquica, tem a liderança sobre as
atitudes do grupo de ser valorizada, tendo condições de tornar o ambiente equilibrado e
agradável (TORQUATO, 2009).
Este estudo limitou-se a investigar a influência das TIC nas formas de comunicação
nas IES e organizações em geral.

2 METODOLOGIA

Os procedimentos metodológicos adotados para realização deste trabalho foi à revisão


sistemática que são desenhadas para serem metódicas explícitas e passíveis de reprodução.
Esse tipo de estudo serve para nortear o desenvolvimento de projetos, indicando novos rumos
para futuras investigações e identificando quais métodos de pesquisa foram utilizados em uma
área. Uma revisão sistemática requer uma pergunta clara, a definição de uma estratégia de
busca, o estabelecimento de critérios de inclusão e exclusão dos artigos e, acima de tudo, uma
análise criteriosa da qualidade da literatura selecionada. O processo de desenvolvimento desse
tipo de estudo de revisão inclui caracterizar cada estudo selecionado, avaliar a qualidade
deles, identificar conceitos importantes, comparar as análises estatísticas apresentadas e
concluir sobre o que a literatura informa em relação à determinada intervenção (SAMPAIO;
MANCINI, 2007).

3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A fundamentação teórica apresentada neste capítulo visa contemplar os objetivos


propostos neste trabalho utilizando-se da pesquisa sistemática sobre os temas que nortearam o
referido estudo.

3.1 Gestão da informação X Comunicação eletrônica

As TIC’s enriqueceram e aprimoraram os meios de comunicação, dentre elas, o


correio eletrônico (e-mail) redes extranet, intranet e a videoconferência, diretamente ligadas
sob todas as formas, na vida da sociedade, das organizações e instituições. Esses avanços
tecnológicos potencializaram as formas de comunicação, estudo e compartilhamento dos
conhecimentos, experiências, tornando visível a ciência (ROBBINS, 2005).
Torna-se relevante comentar também, sobre os outros benefícios advindos das
tecnologias, como por exemplo o ensino a distância, as pesquisas científicas com conteúdo
completo disponível e de forma instantânea, os formulários eletrônicos para solicitação de
serviços internos ou externos com maior rapidez e eficácia, tornando a comunicação sem
fronteiras, bem como, os serviços de perguntas e respostas FAQ, reduzindo o tempo do
cliente ou usuário nas organizações.
As mensagens por meio eletrônico, ou seja, os e-mails revolucionaram as formas de
comunicação para as organizações e instituições, possibilitando que a mensagem chegue a
todos os envolvidos ao mesmo tempo, sem desperdício de papel, por um meio rápido e
eficiente.
Ressalta-se outra forma de comunicação neste mesmo patamar que são as mensagens
instantâneas através dos aparelhos eletrônicos, celular, Ipod, Iphone, Tablets, etc. que de
acordo com o estudo de Robbins (2005), o SMS (Short Message Service) e mensagens de
texto são formas rápidas e baratas para contatos com os funcionários das organizações e
instituições. Outros meios conhecidos hoje são as redes sociais que também contribuem para a

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comunicação entre os funcionários, as organizações e toda a sociedade (ROBBINS; JUDGE;
SOBRAL, 2011).
Na gestão da informação estão incluídos o estudo da administração da informação
propriamente dita, sua identificação, classificação, disseminação, recuperação, e seu
armazenamento.
De acordo com Davenport, Marchand e Dickson (2004, p.16/19) “a maioria dos
administradores não entendem a natureza da relação entre as pessoas e a informação.” E nesse
contexto onde a tecnologia impera, deve-se considerar que no ambiente da informação
prevalecem os meios eletrônicos administrados por programadores, administradores de redes
e analistas de suporte técnico. Os referidos autores também afirmam que as necessidades de
informação são uma incógnita para a maioria dos gestores e colaboradores das organizações e
para a padronização da informação as mesmas devem ser identificadas e planejadas com as
interferências necessárias.
Davenport (1998) explica que o problema está na maioria dos programas de TI quanto
ao aspecto humano na adequação da informação. O desafio atual é gerenciar a informação,
considerando o lado humano, pois a inserção e a transformação dos dados são de
responsabilidade dos humanos que também se beneficiam dessa informação.
“A TI pode auxiliar nas etapas intermediárias do ciclo de vida da informação,
armazenagem, síntese e transmissão, mas não é particularmente útil para a sua criação ou
exploração” (DAVENPORT, 1998, p.20).
Segundo o autor diante do poder da tecnologia considerava-se que a TI teria
competência e domínio por si só de dominar à informação, mas isto não se confirmou, pois a
gestão da informação é fundamentalmente uma tarefa humana.
Robbins (2011, p.339) salienta que a grande preocupação atualmente é quanto à
segurança da informação devido à abundância e vulnerabilidade tanto das informações
privadas quanto das confidenciais bem como, a invasão de hackers. Comenta ainda, que os
acessos instantâneos são constantes e fazem parte do cotidiano da vida organizacional
moderna, “os funcionários passaram a sentir que nunca conseguem estar desconectados”. A
seguir, apresenta-se a comunicação sua importância no contexto organizacional, e, suas redes
formais e informais.

3.2 Comunicação Organizacional

Chiavenato (2010, p.316) explica que “A comunicação é a transmissão de informação


e compreensão mediante o uso dos símbolos comuns” e em uma organização e instituição a
comunicação tem diversas funções, representadas no Quadro 1:

Quadro 1 - Funções da comunicação na organização


Quando as pessoas seguem normas e procedimentos de
trabalho ou quando comunicam qualquer problema de
trabalho ao seu superior imediato. A hierarquia e as
CONTROLE orientações formais precisam ser seguidas, e a
comunicação serve para verificar se isso realmente esta
ocorrendo. Também a comunicação informal controla o
comportamento quando um grupo hostiliza outro.
A comunicação promove a motivação quando estabelece o
MOTIVAÇÃO que uma pessoa deve fazer avaliar seu desempenho e
orientar sobre metas ou resultados.
EXPRESSÃO Expressão emocional: a comunicação dentro de um grupo
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EMOCIONAL constitui uma maneira pela qual as pessoas expressam seus
sentimentos de satisfação ou insatisfação.
A comunicação funciona como facilitadora da tomada de
decisões ao proporcionar informações que pessoas e grupos
INFORMAÇÃO
requerem para tomar decisões, transmitindo dados que
identificam e avaliam alternativas de cursos de ação.
Fonte: Adaptado de Chiavenato (2010)

Andrade e Amboni (2009, p.171) relatam que a comunicação nas organizações possui
várias funções principalmente nas relações interpessoais, compartilhando conhecimentos e
incentivando os mecanismos de controle e coordenação. No ponto de vista dos autores a
comunicação representa o centro das organizações “porque comunicar é mais do que
informar, é atrair, é envolver”.
A comunicação organizacional, portanto, é compreendida por redes formais e
informais, fazendo parte desse contexto, as redes de rumores e os meios eletrônicos utilizados
pelas organizações e instituições. O sistema de comunicação conhecido por rede de rumores é
informal, e conforme o estudo do autor Robbins (2005, p.238) “a rede de rumores é feita boca
a boca entre os funcionários da organização,” não é controlado pela direção da empresa, trata-
se de “uma informação confiável fidedigna e serve para atender os interesses dos
colaboradores”. Observa-se que a rede de rumores é abrangente propagando-se mais
rapidamente do que qualquer outro meio de comunicação entre as pessoas, e, de uma forma
geral, pode-se considerar este meio importante, pois, possibilita canalizar a angústia ou a
opressão dos funcionários atuando ao mesmo tempo como mecanismo de filtragem e
feedback. O referido autor informa que: “As redes formais em pequenos grupos são
consideradas complexas e possuem características diversas por incluir diversos níveis
hierárquicos e centenas de pessoas que são divididas em grupos, redes tipo cadeia, tipo roda e
todos os canais”.
 Cadeia: segue a cadeia formal de comando (é encontrada em organizações que
possuam os três níveis rígidos).
 Roda: depende do líder para agir como conduto central de toda comunicação do grupo
(exige um líder forte).
 Rede de todos os canais: geralmente é encontrada na prática em equipes
autogerenciadas, as quais qualquer membro do grupo pode contribuir e não existe
líder. (ROBBINS, 2005).

3.2.1 Comunicação Interna

A gestão da comunicação interna envolve planejar, desenvolver e implantar estratégias


de comunicação conforme a cultura organizacional da instituição. De acordo com Nogueira
(2001, p.4) recomenda-se que, “a gestão da comunicação interna esteja calcada em elementos
centrais da cultura administrativa que se transformam na percepção de como fazer, com que
métodos, de que modo e sob a orientação de quais valores”.
A referida autora esclarece que:
Considera-se boa gestão aquela que define objetivos claros, busca recursos humanos
adequados às tarefas a serem executadas, empenha se na motivação das pessoas,
sabe buscar e compartilhar as estratégias mais adequadas para atingir os fins visados
e, ainda, avalia e divide resultados (NOGUEIRA, 2001, p. 127).

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Recomenda-se aos gestores observarem o comportamento dos indivíduos, da
sociedade, permitindo se antecipar as novas formas de relacionamento, enfatizando que, “a
autoestima dos trabalhadores, o sentimento de identidade com a organização, a
responsabilidade com o trabalho, a produtividade e a competitividade, entre outros
indicadores, com certeza, não são estimulados por uma comunicação interna que os despreza
ou subestima” (NASSAR, 2004, p.31).

3.2.2 Comunicação Formal

A comunicação formal ocorre por vários canais, ou seja, eletrônicos, impressos,


visuais e auditivos, onde a informação é puramente administrativa. Conforme o relato da
autora Kunsch (2003, p.84) a comunicação formal visa expressar “informes, ordens,
comunicados, medidas, portarias, recomendações, pronunciamentos, discursos, etc.”.

3.2.3 Comunicação Ascendente X Comunicação Descendente

A comunicação ascendente “representa o processo de transmissão das informações


através do qual os funcionários podem fazer chegar às chefias superiores suas opiniões,
atitudes e ações sobre assuntos importantes para o funcionamento da empresa” (REGO, 1986,
p.65).
Presume-se que desta forma a comunicação ascendente funcione como um feedback
para a direção. Robbins (2005, p. 234) afirma que “a comunicação ascendente é a que se
dirige aos escalões mais altos do grupo, da organização ou da instituição”. “[...] os executivos
contam com este tipo de comunicação para obter ideias sobre como as coisas podem ser
melhoradas” e possibilita o recebimento do feedback da direção. Na opinião de Chiavenato
(2012, p.330) refere-se às mensagens que fluem de baixo para cima, sendo consideradas
comunicações comuns, descrevendo problemas e ou relatórios e informações rotineiras bem
como, sugestões para melhoria da organização e/ou instituições.
“Na comunicação descendente, os problemas afloram principalmente porque os
superiores deixam de tornar claro aos subordinados quais são precisamente suas tarefas e o
que se espera deles” (REGO, 1986, p.34).
Robbins (2005) explica que a comunicação é conceituada como descendente dentro de
um grupo ou organização porque flui dos níveis mais altos para os mais baixos, é
normalmente utilizada pelos líderes para atribuir tarefas e fornecer instruções de trabalho e
sobre as políticas da organização aos subordinados.
O autor Chiavenato (2010) reforça a definição, relatando que a comunicação
descendente é de cima para baixo, do tipo comunicação vertical para criar um clima de
empatia no trabalho em busca de soluções de problemas na organização /ou instituição.

3.2.4 Comunicação Horizontal (Lateral)

A comunicação horizontal acontece entre os mesmos níveis hierárquicos na empresa


ou organização. O autor Torquato (1986, p.66) afirma que “O fluxo horizontal é responsável
pela coordenação e combinação das diversas posições e unidades, visando um trabalho em
conjunto; este fluxo usa também com frequência os canais orais e escritos: contatos diretos,
reuniões, conversas, e-mails, relatórios”.
Para Robbins (2005) a comunicação definida horizontal ou lateral ocorre quando as
pessoas do grupo são do mesmo nível organizacional. Este tipo de comunicação agiliza
economizando tempo, porém, ressalta que pode criar conflitos disfuncionais quando os canais

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formais são violados e a comunicação ultrapassa os níveis hierárquicos com tomadas de
decisão sem o conhecimento das chefias.
Chiavenato (2010, p.331) conceitua, comunicação horizontal ou lateral como sendo a
troca de informações entre os funcionários e/ou colegas e informações a respeito de tarefas e
evolução de projetos, bem como, as dificuldades para concretizá-los.
Hamel e Breen (2007, p.106) autores do livro O Futuro da Administração comentam
sobre a comunicação horizontal exemplificando com o Google, onde “as conversas ocorrem
mais de colega para colega do que de gerente para subordinado”, o “Google depende do
feedback franco e loquaz que seus parceiros fornecem uns aos outros nas próprias equipes e
entre as centenas de pequenas, e geralmente autônomas, equipes da empresa”. Além disso, o
fluxo de comunicação horizontal na empresa possibilita o compartilhamento e a troca de
ideias entre os funcionários.

3.2.5 Comunicação Informal X Comunicação Eficaz

“As comunicações informais são todas as livres expressões e manifestações dos


trabalhadores, não controladas pela administração, sem uma estrutura, conhecida por rede de
boatos, sendo mais rápida de disseminar” (ROBBINS; JUDGE; SOBRAL, 2011, p. 340). Os
autores explicam que a comunicação informal é muito comum e se dissemina rapidamente
entre os funcionários sem nenhum tipo de controle da administração e ressaltam que “a
comunicação aberta e eficaz poderia tranquilizar os funcionários e desfazer qualquer rumor
que torne o clima na organização pesado, porém, não é uma prática muito comum nas
organizações” (ROBBINS; JUDGE; SOBRAL, 2011, p.340). “Relevância, credibilidade,
adequação, entendimento, sincronia são algumas características que podem ser analisadas no
estudo da eficácia” (REGO, 1986, p.39).
Observa-se que quando a comunicação das chefias não é eficaz, gera apreensão entre
os funcionários, comentários e fofocas são disseminados rapidamente e normalmente isso
acontece quando existem riscos de demissões e reestruturações nas empresas.
A comunicação eficaz possui algumas barreiras que possibilitam distorções. Segundo
Robbins, Judge e Sobral (2011, p. 342-344) a filtragem, percepção seletiva, o excesso de
informação, as emoções a cultura o gênero o idioma e também o medo da comunicação,
interferem diretamente na forma de decodificação das mensagens e no processo de
discernimento do contexto da mensagem. Os autores argumentam “a barreira final para a
comunicação eficaz é a comunicação politicamente correta, comunicação essa, tão
preocupada em não ser ofensiva que o significado e a simplicidade ficam perdidos ou se
tornam um empecilho à livre expressão” e quando as pessoas não se comunicam por medo de
insultar alguém, bloquea-se a comunicação e geralmente não se fala o que gostaria de falar.
Algumas variáveis indesejadas podem intervir no processo de comunicação, conforme
explica o autor Chiavenato (2010) onde as barreiras pessoais podem limitar ou distorcer a
comunicação com outras pessoas. Portanto, saber ouvir as percepções emocionais, a distração,
excesso de informação, omissão de partes da informação e a filtragem da informação é de
suma importância.
Corrêa (2009) explica que a eficácia na comunicação atribui valor na efetivação do
desempenho empresarial e constitui de forma mais eficiente especificidades dos
procedimentos de conduta emergindo ao sucesso a comunicação digital.
Os autores Migliato e Perussi Filho (2010, p.118) parafraseando Barnard citam “Ao
navegar entre a eficiência e eficácia, Barnard (1971) argumenta que um dos maiores desafios
da gestão está em lidar com o lado irracional e emocional do comportamento humano” e
salientam que a comunicação eficaz é essencial entre as partes, os executivos e as equipes,
para concretizar os objetivos das organizações e instituições.
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Para que os objetivos da organização sejam alcançados é imprescindível à socialização e a
integração das equipes, “a comunicação deve produzir integração e um verdadeiro espírito de
trabalho em equipe” (PIMENTA, 2002, p.119).

3.2.6 Comunicação Interpessoal

A comunicação interpessoal é a troca de informações entre pelo menos duas pessoas,


que podem promover sensações, medos e informações básicas. O autor Moran (2000, p. 41-
42), relata “Pela comunicação interpessoal procuramos o que nos falta, nos encontramos ou
escondemos de nós mesmos, nos realizamos e frustramos, triunfamos e fracassamos”.
Segundo Robbins (2005, p.235-236) a comunicação interpessoal possui três métodos
básicos utilizados essencialmente, que é a comunicação oral, a escrita e a não verbal.
O autor relata ainda, que a vantagem na comunicação oral é a rapidez e o feedback e
sua desvantagem acontece quando existem muitas pessoas envolvidas que não estavam
presentes no momento da conversa e até que a comunicação chegue aos receptores, é provável
que haja uma distorção nas mensagens.
A comunicação escrita envolve memorandos, cartas, e-mails, jornais internos e por ser
tangível normalmente é mais elaborada, mais lógica e clara. Sua desvantagem é o tempo
destinado à escrita e não se tem o feedback no mesmo momento.
A comunicação não verbal inclui os movimentos do corpo, “mostramos nosso estado
de espírito através da linguagem não verbal do corpo”.

4 CONCLUSÃO

A pesquisa realizada apresentou que a comunicação nas organizações possui várias


funções, sobretudo nas relações interpessoais, compartilhando conhecimentos e incentivando
os mecanismos de controle e coordenação. No ponto de vista dos autores a comunicação
representa o centro das organizações e instituições, onde enfatizam que comunicar é mais do
que informar, é atrair, é envolver.
Esta pesquisa permitiu avaliar e conhecer os estudos e a produção científica publicada
sobre as formas de comunicação nas organizações no que tange as tecnologias e observou-se
que a tendência pós-moderna é a não utilização da comunicação formal e mecânica.
Constatou-se que os avanços tecnológicos tornaram a comunicação mais humana e
informal, descontraída e ágil, e a comunicação no contexto pesquisado é organizada conforme
as políticas institucionais de cada organização.
Verificou-se que as TIC’s tornaram mais ágil a comunicação externa e interna das
organizações e instituições, bem como, a dinâmica no processo dos serviços, possibilitando
uma integração entre os departamentos e, minimizando os gastos com papel através da
utilização dos formulários eletrônicos.

REFERÊNCIAS

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