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Não sei se o que eu pratico é Umbanda

Quando vejo médiuns enaltecendo sua suposta mediunidade se


referindo às entidades como se fossem propriedades particulares, se
perdendo entre luxos e vaidades eu me pergunto se o que eu pratico é
Umbanda.

Ao participar de grupos nas redes sociais que deveriam ser voltados


para o estudo, vejo relatos que mais parecem uma salada de frutas, uma
mistura de fantasia e lendas que aprenderam dentro de um terreiro e me
pergunto se o que eu faço é realmente Umbanda.

Ao ver o comportamento de ditos umbandistas xingando e espalhando


ódio, raiva e maledicências em suas palavras, quando não duvidam da
religiosidade do seu terreiro vizinho, do seu irmão de corrente ou até mesmo
de seu sacerdote, me questiono se o que eu pratico é Umbanda.

Ao assistir “lives” de sacerdotes pop-stars que falam: “O que eu estuo


falando é pra machucar mesmo quem pensa diferente de mim!” ou posts
como: “Se você apoia politico X eu faço questão de NÃO te ensinar
Umbanda.” Me pergunto se eu faço parte da mesma religião?

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Ao saber que hoje em dia terreiros mais parecem uma rede de
franquias, onde tudo é padronizado, inclusive os gestos, o caminhar, os
pontos riscados, os nomes das entidades. Tudo segue um menu pronto e
engessado e que primeiro se cria uma escola e “se der certo” abre-se um
terreiro, me pergunto se o que eu pratico é Umbanda.

Aquele preto-velho sentado em seu banquinho, pitando seu cachimbo


e falando palavras doces através de suas histórias e causos, mostrando que
a vida pode e deve ser mais simples está em desuso pois humildade já não
combina tanto assim. O caboclo que riscava apenas sua flecha no chão hoje
é obrigado a riscar mandalas com velas em todos os cantos senão “algo está
errado”. O Exu que não bebe, não fala palavrão, não usa capa e cartola é um
fraco. A casa que não lota não é boa. As oferendas, que mais parecem um
amontoado de lixo, aparentemente têm mais efeito que joelhos no chão uma
vela nas mãos e olhos aos céus. O sacerdote que não tem 15 quilos de guias
no pescoço, 40 diplomas na parede e 150 filhos na casa é considerado um
“atrasado”
Com muita humildade, posso dizer que me enquadro neste texto
repleto de verdades e auto questionamentos, pois, vivo o mesmo, irmãos e
não irmãos de santos que veem o se doar; o seu caboclo baiar diferente e
até mesmo e virar em outra corrente num tambor ou terecô, com o seu poder
evolutivo ser algo errado ou mentira do médium, pois esquecem oi não
sabem que muitos guias percorrem todas as correntes se assim desejarem.
Encontro-me nestas palavras ricas em sinceridade, ao ver que a hierarquia
nos terreiros está nas pessoas que querem ser vistas como melhores que as
outras e não nos guias com sua humildade totalmente evolutiva e cativante.
Me enquanto ainda, por também ver que no nosso humilde Congá, aqui em
Caxias do Maranhão com menos de 3m² e um espaço externo, os guias se
comportam como a raiz umbandista, bebem, fumam, bradam alto se assim
desejarem e/ou necessitarem, e se, forem incorporados nos mesmos

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médiuns para outro local se adaptam ao Terreiro; mas isso infelizmente, por
falta de estudo e pelas "picuinhas", é entendido que o Médium está também
mentindo, porque os guias, para estes devem se comportarem sempre da
mesma forma se acompanham àquele médium, destacando ainda que
muitos médiuns ditos Umbandistas não compreendem que um Preto Velho
com nome João é igual a um João encarnado, há muitos e nem todos são
obrigados a falarem seus nomes. Também irmão, me pergunto se a
umbanda de Fé, Amor e Caridade vai continuar sendo manchada por o ego
dos nomes dos guias, sendo que muitos deles às vezes falam outros nomes
para os que os médiuns sem ego, sejam protegidos pelos sem noção. Axé!

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