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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA _ VARA CÍVEL DA COMARCA

DE CRATO/CE

(Ação Declaratória De Isenção De Tributos Estaduais À Aquisição De Veículo


Automotor C/C Restituição De Indébito)

FULANO DE TAL, brasileiro, aposentado por invalidez, deficiente físico, portador de


DISTROFIA MUSCULAR DE DUCHENE DEGENERATIVA PERMANENTE (CID 10: 6710),
nascido em __________, inscrito sob o CPF nº _______, RG nº _________ emissor SSP/CE,
domiciliado na ________________, Bairro ____________, nesta urbe, vem, respeitosamente, à
presença de vossa excelência, ingressar com a presente AÇÃO DECLARATÓRIA DE
ISENÇÃO DE TRIBUTOS ESTADUAIS À AQUISIÇÃO DE VEÍCULO AUTOMOTOR C/C
RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO em face do ESTADO DO CEARÁ, pessoa jurídica de direito
público interno, inscrita no CNPJ sob o nº ______________, com procuradoria situada na
_____________________, nº, Bairro __________, ________________, CEP _____________pelos fatos e
fundamentos que passo a expor:

I – DOS FATOS

O promovente é deficiente físico, portador de Distrofia Muscular Degenerativa


Permanente, (CID 10: 6710), doença de natureza progressiva e irreversível, tanto que em
razão da doença, conseguiu obter o benefício previdenciário de aposentadoria por
invalidez por não mais conseguir exercer de modo seguro seu antigo emprego de
motorista.
Objetivando a isenção do ICMS, foi orientado a inicialmente dar entrada com requerimento
de isenção do IPI, por ser, um dos requisitos para obtenção da isenção do ICMS, ocorre que
o referido pedido foi negado, impossibilitando que o mesmo pudesse prosseguir com o
pleito no tocante ao ICMS.
A respeito do IPI, ocorrerá o ingresso da pertinente ação declaratória na Justiça Federal,
porém, frise-se que seria irrazoável aguardar o deslinde da ação para que somente após seu
julgamento fosse possível ingressar com a presente demanda.
Já houve o deferimento da isenção do IPVA em razão da deficiência do promovente,
conforme documento anexo a estes autos.
O demandante teve que efetuar a compra do veículo automático, dada a necessidade de
locomoção em virtude de sua grave doença de natureza progressiva, conforme a nota fiscal
anexa o veículo foi adquirido pelo valor de R$ 65.000,85 (sessenta e cinco mil e oitenta e
cinco centavos) sendo 5.904,57 (cinco mil, novecentos e quatro reais e cinquenta e sete
centavos) o valor total do ICMS.

II – DO DIREITO

1.0 DA DESNECESSIDADE DE REQUERIMENTO ADMINISTRATIVO – INTERESSE


PROCESSUAL COMPROVADO.

Não é imprescindível ao ingresso da presente ação a prévia postulação na via


administrativa no tocante a isenção do ICMS, uma vez que o autor fora orientado a
ingressar com o pedido de isenção do mesmo somente após obter isenção do IPI, que
também será objeto de discussão judicial na Justiça Federal ante a reserva de competência
constitucional para julgamento do feito.
É sabido que a regra é pela desnecessidade de requerimento administrativo como
condição de ingresso na via judicial, só se fazendo necessário em algumas situações, como
na justiça desportiva ou a respeito de benefícios previdenciários, por exemplo, e mesmo
nesses casos, o STJ tem entendido que em âmbito de ações previdenciárias, caso ocorra
contestação ficará demonstrado o interesse processual, ainda nesse sentido:
APELAÇÃO. TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRÉVIO REQUERIMENTO
ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. 1. O ajuizamento de ação de repetição de
indébito prescinde de prévio exaurimento administrativo ou prévia postulação
administrativa, em conformidade com o entendimento do Egrégio Superior Tribunal de
Justiça. 2. Apelação provida.
(TRF-3 - Ap: 00040532120124036002 MS, Relator: DESEMBARGADOR FEDERAL WILSON
ZAUHY, Data de Julgamento: 26/03/2019, PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: e-DJF3
Judicial 1 DATA:03/04/2019)

1.1 DO DIREITO A ISENÇÃO DE ICMS – CASO IDÊNTICO JÁ APRECIADO PELO


TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO CEARÁ:
Conforme laudos anexos a estes autos, o autor é portador de distrofia muscular de
duchene, uma doença rara, fazendo jus ao direito de isenção de ICMS e IPVA, nesse sentido
tempos o seguinte julgado:
DIREITO CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. REMESSA NECESSÁRIA E APELAÇÃO CÍVEL
EM AÇÃO DECLARATÓRIA. COMPRA DE VEÍCULO. MENOR IMPÚBERE PORTADOR DE
DOENÇA NEURODEGENERATIVA PROGRESSIVA. ISENÇÃO DE ICMS E IPVA.
POSSIBILIDADE. PRINCÍPIOS DA ISONOMIA E DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA.
PRECEDENTES. 1. Extrai-se dos autos que o autor, ora apelado, menor impúbere,
representado por seu genitor, ajuizou a presente ação com o intuito de alcançar isenção de
ICMS e IPVA na compra de veículo automotor, objetivando facilitar sua locomoção, por ser
portador de distrofia muscular de duchenne, doença neurodegenerativa, com
comprometimento progressivo da força muscular, culminando com a perda da marcha e
progressivamente com insuficiência respiratória restritiva, necessitando, inclusive, do uso
de ventilação não invasiva, conforme relatório médico acostado. 2. A negativa de referidas
isenções, pelo simples fato de não ser o autor da demanda o condutor do veículo,
porquanto menor impúbere, fere não só o princípio constitucional da isonomia (art. 5º da
CF/88) como também a própria dignidade humana, um dos fundamentos da República
Federativa do Brasil consagrados na nossa Carta Maior em seu art. 1º, III. 3. Ao contrário do
defendido no recurso apelatório, não se está diante de uma simples interpretação
ampliativa para concessão de benefício de isenção tributária, o que certamente encontraria
óbice no art. 111 do Código Tributário Nacional, mas, na verdade, está-se diante de uma
interpretação voltada a resguardar preceitos e fundamentos constitucionais, em respeito,
especialmente, aos princípios da força normativa da constituição e da máxima efetividade
de suas normas. 4. Em outra senda, a concessão da isenção tributária pretendida não
implica, necessariamente, em usurpação de poder ou violação à reserva legal, porquanto o
Excelso Pretório já sedimentou o entendimento de que, em situações excepcionais, o Poder
Judiciário pode determinar que a Administração Pública adote medidas assecuratórias de
direitos essenciais, sem que isso configure malferimento à Separação de Poderes. 5.
Precedentes STF e TJCE. REMESSA NECESSÁRIA E APELAÇÃO CÍVEL CONHECIDAS E
DESPROVIDAS. HONORÁRIOS MAJORADOS EM SEDE RECURSAL, NOS TERMOS DO ART. 85,
§ 11, DO CPC. ACÓRDÃO: Vistos, relatados e discutidos estes autos, acorda a 1ª Câmara
Direito Público do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará, por unanimidade, em conhecer
da Remessa Necessária e da Apelação Cível para negar-lhes provimento, nos termos do
voto do e. Relator.
(TJ-CE 00027820420128060038 CE 0002782-04.2012.8.06.0038, Relator: PAULO AIRTON
ALBUQUERQUE FILHO, Data de Julgamento: 04/06/2018, 1ª Câmara Direito Público, Data
de Publicação: 04/06/2018)
Depreendemos da acertada decisao do Tribunal de Justiça do Ceará que ainda que não
fosse o autor que iria conduzir o veículo, ainda faria jus à referida isenção, evidenciando o
direito do autor.
Conforme a lei estadual 12.670/96 o autor preenche os requisitos para deferimento do
pleito de isenção:
Art. 9.º-C. Ficam isentas do ICMS as vendas internas e interestaduais de veículos novos
quando adquiridos por pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou
profunda, ou autistas, diretamente ou por intermédio de seu representante legal.
§ 1º Tal hipótese somente se aplica a veículo novo cujo preço de venda sugerido pelo
fabricante, incluídos os tributos incidentes, não seja superior a R$ 70.000,00 (setenta mil
reais), cujo benefício deverá ser transferido ao adquirente mediante redução no preço de
venda do veículo, conforme Decreto nº 31.206/2013.
2.0 DA JUSTIÇA GRATUITA
O Requerente é aposentado e deficiente, tendo despesas extras, inclusive em razão de sua
deficiência, razão pela qual não poderia arcar com as despesas processuais.
Conforme clara redação do Código de Processo Civil de 2015:
Art. 99. O pedido de gratuidade da justiça pode ser formulado na petição inicial, na
contestação, na petição para ingresso de terceiro no processo ou em recurso.
§ 1o Se superveniente à primeira manifestação da parte na instância, o pedido poderá ser
formulado por petição simples, nos autos do próprio processo, e não suspenderá seu curso.
§ 2o O juiz somente poderá indeferir o pedido se houver nos autos elementos que
evidenciem a falta dos pressupostos legais para a concessão de gratuidade, devendo, antes
de indeferir o pedido, determinar à parte a comprovação do preenchimento dos referidos
pressupostos.
§ 3º Presume-se verdadeira a alegação de insuficiência deduzida exclusivamente por
pessoa natural.
Assim, por simples petição, sem outras provas exigíveis por lei, faz jus o Requerente ao
benefício da gratuidade de justiça:
AGRAVO DE INSTRUMENTO. JUSTIÇA GRATUITA. INDEFERIMENTO DA GRATUIDADE
PROCESSUAL. AUSÊNCIA DE FUNDADAS RAZÕES PARA AFASTAR A BENESSE. CONCESSÃO
DO BENEFÍCIO. CABIMENTO. Presunção relativa que milita em prol da autora que alega
pobreza. Benefício que não pode ser recusado de plano sem fundadas razões.
Ausência de indícios ou provas de que pode a parte arcar com as custas e despesas
sem prejuízo do próprio sustento e o de sua família. Recurso provido. (TJ-SP
22234254820178260000 SP 2223425-48.2017.8.26.0000, Relator: Gilberto Leme, Data de
Julgamento: 17/01/2018, 35ª Câmara de Direito Privado, Data de Publicação: 17/01/2018)
AGRAVO DE INSTRUMENTO. GRATUIDADE DA JUSTIÇA. CONCESSÃO. Presunção de
veracidade da alegação de insuficiência de recursos, deduzida por pessoa natural,
ante a inexistência de elementos que evidenciem a falta dos pressupostos legais para
a concessão da gratuidade da justiça. Recurso provido. (TJ-SP 22259076620178260000
SP 2225907-66.2017.8.26.0000, Relator: Roberto Mac Cracken, 22ª Câmara de Direito
Privado, Data de Publicação: 07/12/2017)
A assistência de advogado particular não pode ser parâmetro ao indeferimento do pedido:
AGRAVO DE INSTRUMENTO. PEDIDO DE GRATUIDADE DE JUSTIÇA. CONCESSÃO DO
BENEFÍCIO. HIPOSSUFICIÊNCIA. COMPROVAÇÃO DA INCAPACIDADE FINANCEIRA.
REQUISITOS PRESENTES. 1. Incumbe ao Magistrado aferir os elementos do caso concreto
para conceder o benefício da gratuidade de justiça aos cidadãos que dele efetivamente
necessitem para acessar o Poder Judiciário, observada a presunção relativa da declaração
de hipossuficiência. 2. Segundo o § 4º do art. 99 do CPC, não há impedimento para a
concessão do benefício de gratuidade de Justiça o fato de as partes estarem sob a
assistência de advogado particular. 3. O pagamento inicial de valor relevante, relativo ao
contrato de compra e venda objeto da demanda, não é, por si só, suficiente para comprovar
que a parte possua remuneração elevada ou situação financeira abastada. 4. No caso dos
autos, extrai-se que há dados capazes de demonstrar que o Agravante, não dispõe, no
momento, de condições de arcar com as despesas do processo sem desfalcar a sua própria
subsistência. 4. Recurso conhecido e provido. (TJ-DF 07139888520178070000 DF
0713988-85.2017.8.07.0000, Relator: GISLENE PINHEIRO, 7ª Turma Cível, Data de
Publicação: Publicado no DJE : 29/01/2018)
Assim, considerando a demonstração inequívoca da necessidade do Requerente, tem-se por
comprovada sua miserabilidade, fazendo jus ao benefício.
Por tais razões, com fulcro no artigo 5º, LXXIV da Constituição Federal e pelo artigo 98 do
CPC, requer seja deferida a gratuidade de justiça ao requerente.
III – DO PEDIDO
Ante o exposto requer: a) O deferimento da justiça gratuita nos termos o art. 99 e
seguintes do CPC; b) A citação do Estado do Ceará, para, querendo, responder a presente
ação; c) A condenação a restituir o valor de 5.904,57 (cinco mil, novecentos e quatro reais e
cinquenta e sete centavos) pagos a titulo de ICMS com incidência de juros moratórios e
correção monetária; d) A condenação da promovida ao pagamento das custas processuais e
honorários advocatícios; e) Seja concedida prioridade de tramitação por se tratar de
pessoa com deficiência. f) protesta provar por todos os meios de prova admitidos ainda
que não especificados.
Deixo de manifestar interesse em audiência de conciliação pela matéria não
comportar tal instituto.
Dar se o valor da causa 65.085 (sessenta e cinco mil reais e oitenta e cinco centavos)
Nesses Termos,
Pede Deferimento.
18 de junho de 2019
Crato/CE
Maryanne Pereira da Silva
ADVOGADA
OAB Nº 00000