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Este livro foi digitalizado por Raimundo do Vale Lucas, com a intenção de dar aos

cegos a oportunidade de apreciarem mais uma manifestação do pensamento humano..


BRECH, BER!L. " alma #oa de $etsuan. tadução de %E&R C"'(!$ e ")*)&! B+LH*E$.
)ota dos tradutores. Rio de aneiro, "ntunes - Cia. Ltda., /0/. 1&& 2 34 2 0 ( is
1 5,0 em #r !#s.6 7tulo da edição alemã6 8er gute 'ensch von $ezuan Cl96 $5:./
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Livreiros e EditAres Rua "lvaro "lvim, , /. 0!5D el.6 ::<0!, r. 5: e 55 R&!
8E ?")E&R! CinelFndia9, 8; BR"$&L Bi#liotecaG"rthur Vianna, sala Haroldo 'aranhão
)!" 8!$ R"8+!RE$
dramaturgo alemão Be"rtolt
" "L'" B!" 8Eue
Brecht, $E$+") 8er gute
a ualificou 'ensch
como Guma von $ezuan9,
fI#ulaG, foi do
a famoso
primeira peça #rechtiana encenada no Brasil por um elenco profis sional, tendo
ca#ido a iniciativa ao eatro (opu lar de "irie, so# a direção de ;lam7nio
BolliniGCerri, com 'aria 8ella Costa no papel principal, inteiJ(retando Chen K e
Chui a, e mais, pela ordem de <entrada em cen a, !sualdo Louzada como ang, o
aguadeiroM EugKnio Nusnet como o (rimeiro 8eus, ?o auim %uimarães como $egundo
8eus, e Ben7amin Cattan conO erceiro 8eusM 8iana 'orel l como a $enhora ChinM
flema dP, Castra como a 'ulherM %eraldo ;erraz como a 'arid oM (aulo Queirs como o
$o#rinhoM 'oSsTs como o Esfarra8adoM "ldo do 'aio como o 'ar c eneiro Lin oM
$SdnTa R,Jssi como a CunhadaM $uzS "rruda como a $enhora 'i suM ). ). como o
'eninoM Anio como o "vAM Elza Rian como a $o#rinhaM (aulo CorrKa como o (o licialM
EuUaris 'oraes como a Velha apeceiraM "ntAnio %anzarolli como lang $unM $ a

di Ca#ral como Chu ;uM 'oSsTs amrozzi como o Velho apeceiroM urema 'agalhães
com o a $enhora &angM 7oão (ontes como o BonzoM "ldo de 'aio tam#Tm como Mo %arção.
(rodttçJão de $ndro
NasIs . ='otivos de (olAnio, cenIrios
ordem tTcnica, de Plio Costa,
entretanto, levaramdireç,Jo musical
o diretor de ?orge
;lam7nio Bolliui
Cerri a co rtar a (eça em cKrca de meia #ora, o ue Kle fKz aliIs com louvIvel
ha#ilidade.
! teWto com X (ieto, da peça, porTm, T o ue ora oferecemos ao #P#lico #rasileiro,
n a (resente tradução, autorizada direlam<enle (elos editAres e pela viPva de
Brecht, graças Y valiom inteiJerKncia do romancista ?orge "mado, amigo do dutor e
dKst es seus tradutores no Brasil. %.C. - ",B. (r!lo go < & )+'" R+" 8" C"(&"L 8E
$E$+") Entardecer. ")%., aguadeiro da cidade, apresenta<se ao pP#lico9. ")% <
Eu sou o aguadeiro, aui na Capital de $etsuan. 8uro of7cio6 uando a Igua T po
uca, tenho ue ir longe #uscI<laM e uando T muita, fico sa,ni meu ganha<pão.
"liIs, de modo geral, a po#reza impera em nossa (rov7nciaM pelo ue dizem, s os
deuses ainda nos podem valer., (ara inefIvel alegria minha, aca#o de sa#er, por um
trope iro muito viaado, ue alguns dos santos deuses a estão a caminho e devem
ser esplamentaç
tantas erados tam#Tm emtrKs
*es. HI $etsuan. !s cTus
dias ue hão
estou de estar
aui, #astante
Y espera, inuietos,
na entrada com
da cidade,
principalmente uando a noite cai, para ser o primeiro a saudI<losM deiWando para
depois eu não teria mais oportunidade, ficarão cercados de gente importante e não
serI fIcil chegar atT Kles. "h, se eu os pudesse reconhecerZ )aturalmente não hão
de vir untos6 talvez che guem um a um, para não dar na <  =vista... "uKles não
podem ser, ue voltam do tra#alho ")% o#serva uns !peranos  ue pas. <Om9 6 tKm
os om#ros arriados de tanto carregar (K.lG!... !outro, lI, tam#Tm T ua se
imposs7vel ue sea um deus6 com os dedos cheios de tinta, hI de ser, u ando
muito, escriturIrio na fI#rica de cimento.. . E Ksses dois senhores, a7 dois se[es
vKm passando9, tampouco me parecem deuses6 tKm cara de gente #ruta ue vive dando p
ancada, e os deuses não precisam disso. ?I auKles trKs... ai a coisa muda de f

igura6 são #em nutridos, não tKm nenhum ar de tra#alhadores, e trazem p nos
sapatos com o uem chega de longe... $ão KlesZ (odeis dispor de mim, $ant7ss7mosZ
")% prosterna<se ante Kles.9 (R&'E&R! 8E+$, satisfeito9 < \ramos esperadosJ ")%
dando<lhes de<#e#er9
(R&'E&R! 8E+$ < HI de
(recisamos muito tempo. 'as
aloamento sesta
para eu tinha certeza
noite. da algumJ
$a#es de vossa vinda.
")% <
"lgumJ &nPmerosZ " cidade estI Ys vossas ordens, $ant7ssimosZ !nde uereis ficarJ
!s deuses entreolham<se significativamente.9 (R&'E&R! 8E+$ < Vai Y casa mais
prWima, filhoZ (rimeiro o ue estI mais pertoZ ")% < Eu s tenho receio de atrair
sA#re mim a ira dos poderosos, dando preferKncia a um em preu7o de outros.. .
(RE&R! 8E+$ < (or isso T ue ns mesmos te ordenamos6 vai ao mais prWimoZ ")%
< "li em frente mora o senhor ;oZ +m niornentinh!Z ")% corre a uma casa, e #ate.
"#re<se a porta, mas ve<se ue Kle não T #em rece#ido6 volta hesitante.9 ")% < Que
tolice6 ! senhor ;o não estI, e os empregados não uerem fazer nada sem
autorização, porue Kle T muito severo. " raiva dKle não vai ser pouca T na volta,
ao sa#er ue vos recusaram, não TJ !$ 8E+$E$ rindo9 < $em dPvidaZ ")% < "inda um
momentoZ " casa ao lado pertence Y viPva $u.. . ela vai delirar de a legriaZ ")%
corre atT lI, mas tam#Tm se perce#e ue o mandaram em#ora.9 ")% < enho ue ir
mais adiante6 ela diz ue s disp*e de um uarto peuen7ssimo, sem arrumação
nenhuma. Sou dar um pulo Y casa do senhor cheng. $E%+)8! 8E+$ < +m uarto, peueno
mesmo, #asta para ns. 8iga Y viPva ue vamos... ") % < $em arrumação nenhumaJ
8eve estar cheio de aranhasZ $E%+)8! 8E+$ < )ão faz mal6 muita aranha, (ouca m]scaZ
=ERCE&R! 8E+$ amigYvelmente a ")%9 (rocura o senhor cheng ou ualuer outro, m
eu filho, ue as aranhas me causam certo noo.. . < 5 =")% aproWima<se de outra
porta, #ate e T rece#ido.9 +'" V!, 8E)R! 8" C"$" < 8eiWem<nos em paz, vocK com os
seus deusesZ emos mais o ue fazerZ ")% volta para perto dos deuses9 !senhor
cheng estI possesso, a casa cheia de parentes, e não se atreve a eWpor<se aos
vossos olhos, $ant7ssimos6 aui entre ns, a cho ue T gente #em ru7m e Kle não vos
uer mostrar. EstI T com mKdo de vsZ ERCE&R! 8E+$ < $eremos assim tem7veisJ ")%
< $ para a gente ru7m, não TJ $a#e<se ue a (rov7ncia de Nuan, por eWemplo, hI
dezenas de anos vem sendo castigada pelas inundaç*es. .. $E%+)8! 8E+$ < $im. E por
ueJ ")% < !ra, porue lI nenhum deus T respeitado. $E%+)8! 8E+$ < "#surdoZ $
porue deiWaram
esperança, desa#ar
meu filhoJ a reprKsa.
")% (R&'E&R! Basta
< Que perguntaZ 8E+$ <
eu(sstZ
ir a a
uma")%9
casa "inda tens
mais adiante e
logo hei de achar aco modação para vsZ odo mundo lam#e os dedos para vos dar
hospedagem... &nfelizmente, h aveis de compreender, a falta de sorte... LI Sou euZ
")% afasta<se indeciso uanto ao caminho a tomar e pPra, vacilante, no meio da r
ua.9 <  $EC,+)8! 8E+$ Que f oi ue eu disseJ ERCE&R! 8E+$ Enfim, pode ser azar...
$ E%+)8! 8E+$ < "zar em Chun, azar em Nuan, azar em $etsuan... )ão hI mais respeito
a deus, essa T a pura verdade ue vocK<s não uerem enfrentarZ )ossa missão
fracassou, tK m ue admitirZ (R&'E&R! 8E+$ < "inda podemos encontrar uma alma #oa,
a ualuer momento. )ão vamos apressar as conclus*esZ ERCE&R! 8E+$ < )osso cdigo
reza6 G!mundo poderI permanecer como estI s nKle se encont rar um nPmero razoIvel
de almas #oas capazes de levar uma eWistKncia condignaG. !u eu muito me engano ou o
prprio aguadeiro T uma dessas almas... "proWiina<se de ")%, ue continua parado
sem se decidir.9 $E%+)8! 8E+$ < EstI redondamente enganado6 enuanto o aguadeiro
nos dava de #e#er, sa#e o ue eu perce#i no copo dKleJ VeaZ 'ostra o copo ao
(R&'E&R! 8E+$.9 (R&'E&R! 8E+$ < ;undo falso... $E%+)8! 8E+$ < 6\ um impostorZ
(R&'E&R!
idoJ Logo8E+$ < Bem.gente
acharemos Elimina<se. 'as
#astante ue
ue importa,
preencha asentre muitos,
condiç*es. um homem
"liIs, corromp
T necessIrio
achar al guTmZ HI dois mil anos ouve<se clamar6 G!mundo não =pode continuar como
estI, ninguTm consegue manter<se #orn,, . E agora, enfim, preci samos citar, nome
por < 0 =nome, as pessoas em condiç*es de o#servar os nos. sos mandamentos.
ERCE&R! 8E+$  a ")%9 < Então T dif7cil, assim, um aloamentoJ ")% < )ão, para
vsZ Que idTiaZ $e ainda não encontrei, a culpa T minha6 procurei mal... ERCE&R!
8E+$ < )ão T #em issoZ Volta Y companhia dos outros.9 ")% < ^les estão
esca#riados. "#orda um passante9 'eu caro senhor, desculpe<me a#o rdI<lo, mas trKs
dos supremos deuses, cua vinda tAda a cidade de $etsuan hI vIrios anos a guardava,
aca#arn de chegar realmenteM precisam de um lugar para dormir. )ão vI passando
assim, verifiue o senhor mesmo6 #asta um simples olharZ "proveite, po r uem T6 T
uma oportunidade PnicaZ $ea o prime7ro a chamI<los, a acolhK<los so# o seu teto
antes ue alguTm os convideM Kles aceitarãoZ ! homem prossegue em seu caminho.9
")% ,dirigindo<se a outro9 < 'eu caro, o s enhor ouviu o ue dizia6 não terI, por
acaso, um uarto livreJ )ada de palacetes6 a intenção T ue valeZ H!'E' < Como T
ue eu Sou sa#er uem são Ksses teus deusesJ " gente nunca sa#e uem va7
pAr em casa... ! homem, entra numa ta#acaria. ")% volta corr[ a<os trKs deuses.9
< 3 ")% < Encontrei um senhor ue certamente aceitarI. ")% vK o copo no chffoM
olho os deuOs, pertur#ado, apanha<o e volta correndo.9 (R&'E&R! 8E+$ < )ão me #ate
a passarinha... ")% ao sair o homem da ta#acaria9 Então, o ue T ue o senhor
decidiu uanto Y hospedagemJ H!'E' < Como sa#es se eu prpri o não moro numa
hospedariaJ (R&'E&R! 8E+$ < ^le não vai achar nada. (odemos riscar tam#Tm $etsuan,
da lista... ")% < rKs dos deuses principais. \ fatoZ "s estItuas dKles, nos
templos, são parecid7ssima s. $e o senhor se apressar em convidI<los, talvez
aceitem. . . H!'E' rindo9 < Vai<se ver, T uma trinca de malandros, procurando
pousada. ! homem sai.9 ")% Wingando<o9 < HipcritaZ )ão tem reli/ã!Z (ois serão
todos cozinhados
v!cKsZ 'as vão seem resina ardente,
arrepender6 atT a por essa
uarta indiferençaZ
gera_ã!, vocKs !s
vãodeuses c agam
responder porpara
istoZ $
tsuan estI co#erta de vergonha. (ausa9 Bem, =falta ainda CHE) i` a prostituta6
ela não pode negar. ")% chanO<a6 GChen KZGG CHE) \ aparecc nu'a anela alta.9 <
4 <

=")% < Estão ali, e não hI meios de achar acomodação. )ão podes rece#K<los, por
uma noiteJ C E) r,, < Eu não sei, ang6 estou esperando um cliente. 'as como6 não
achaste outro lugar para KlesJ ")% < "gora não posso eWplicar. $etsuan. não passa
de um monte de liWoZ CHE) \ < $ se eu me esconder, uando e, cliente vier. "ssim,
talvez desista6 Kle pre tendia sair comigo. ")% < )ão podemos su#ir I, de uma
vezJ C&lE) ^ < 'as sem #arulho. " gente fala a#er tamente com KlesJ ")% < )ãoZ
eu of7cio Kles não devem sa#er6 "cho melhor esperarmos cI em #aiWo. 'as tu não
vais sair com teu cliente, vaisJ CHE) ^ < "s coisas não me correm muito #em. $e
não pagar o aluguel... serei despeada , amanhã de manhã. ")% < )ão vamos fazer
contas numa hora destas... CHE) : < ;Icil dizer... !estAmago reclama, mesmo no dia
da festa
apagar a do imperador.
luz.9 (R&'E&R!'as,
8E+$enfim... estI #em,
< "cho melhor Souas
perder hospedI<los. VK<se
esperanças... !s C&&E)
deuses ^
aproWimam<se de ")%9. ")% so#ressaltafldo<se, a! vK<los perto de si9 o uarto
estI arranado. )% enWuga a testa9. !$ 8E+$E$ < 'esmoJ Então vamos entrarZ ")%
< )ada de pressa. ;iuem Y vontade. \ prec iso, primeiro, pA<lo em ordem. ERCE&R!
8E+$ < Então vamos sentar<nos aui e esperarZ ")% < Receio ue aui haa muito
movimento. E se fAss.amos um pouco mais longeJ.. . $E%+)8! 8E+$ < \ um prazer, para
ns, ver os homens de perto. "liIs, para isso aui estamosZ ")% < 'as... e a
corrente de arJ ERCE&R! 8E+$ < ^ste lugar não te agrada J $entam<se no degrau de
uma porta. ")% $enta<se no chão, a curta distFncia.9 ")% num r<pente9 < ;icareis
em casa de uma m]ça solteira. \ a melhor alma de $etsuan . ERCE&R! 8E+$ < 'uito
#emZ ")% ao pP#lico9 < "inda hI pouco, uando apanhei o copo, Kles me olharam de
um eito esuisitoZ eriam perce#ido alguma coisaJ )ão tenho mais coragem de olhI<
los nos ol hos... ERCE&R! 8E+$ < EstIs #em fatigado... ")% < +m (ouco. 8e tanto
correr. (R&'E&R! 8 E+$ < " gente aui vive em dificuldadeJ