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Escola Superior de Enfermagem do Porto

CLE – 1º Ano (2018/ 2019)


Unidade Curricular: Parentalidade

Intervenção: Acolhimento da puérpera e do recém-nascido


Consiste em receber de modo afável a puérpera e o recém-nascido, na unidade de
puerpério, de forma a facilitar a sua integração no serviço. Pode incluir a avaliação
do estado físico da mãe e do filho/a e, também, do estado emocional no caso da
puérpera, bem como a comparação com os dados recolhidos anteriormente e
registados.

Objetivos:
- Facilitar a integração da puérpera no serviço;
- Efetuar a avaliação inicial do estado físico e emocional da puérpera;
- Efetuar a avaliação inicial do estado físico do recém-nascido;
- Avaliar necessidades em cuidados.

Considerações: o período puerperal decorre nas três a seis semanas pós-parto, durante
o qual ocorre a involução uterina e as modificações locais e gerais que levam à recuperação
do estado não gravídico (Lowdermilk & Perry, 2008). Observa-se na mulher um conjunto de
alterações /adaptações que se manifestam física e psicologicamente, muitas vezes
agravadas pelo cansaço físico e pelos sentimentos de insegurança para assumir o
autocuidado e os cuidados ao recém-nascido. É, igualmente, o período em que a
mulher/casal se confronta/m com a realidade do filho até aí idealizado.

A passagem para o serviço de puerpério confronta a mulher com uma mudança de ambiente
e de profissionais e, aproxima-a mais do exercício efetivo da parentalidade.

Atividades Observações
Consultar o processo clínico da puérpera e do A adequada planificação de cuidados implica a identificação
recém-nascido: de antecedentes pessoais, relevantes, da puérpera, ex:
idade, história obstétrica; história da gravidez atual;
preparação para a parentalidade; história do parto: tipo de
parto, duração, complicações, presença de ferida cirúrgica
(abdominal/perineal lacerações); analgesia/ anestesia; grupo
de sangue; contração do útero pós-parto; hemorragia;
eliminação vesical. Do recém-nascido, ex: hora de
nascimento, sexo, peso, Índice de Apgar, ingestão nutricional
(1ª mamada: hora e características), eliminação vesical /
intestinal.
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Gerir o ambiente Temperatura, privacidade.

Apresentação pessoal Identificação do profissional (condição de aluno).


Confirmar a identificação da puérpera e do A confirmação da identificação (existência de pulseira de
recém-nascido. identificação) é uma norma de segurança e de boa prática
protocolada nas instituições de saúde.
Lavar as mãos. A higienização das mãos diminui o risco de infeção
nosocomial.
Avaliar pele e mucosas (cor, hidratação). As condições físicas e emocionais da puérpera interferem na
Avaliar estado geral da puérpera (sob o ponto sua capacidade de interação com os profissionais e com o
de vista físico e emocional). recém nascido.
Avaliar sinais vitais: pressão arterial, pulso, Pressão arterial: retorna aos valores semelhantes aos
respiração e temperatura. anteriores à gravidez 4 semanas pós-parto;
Pulso: observa-se uma bradicardia transitória (50-70 bat/min)
nas primeiras 24-48 h pós-parto;
Temperatura: pode ocorrer um ligeiro aumento da
temperatura corporal nas primeiras 24 horas, consequente ao
esforço do trabalho de parto e à desidratação.
Avaliar características das mamas e mamilos. A observação das mamas e dos mamilos permite estabelecer
as bases para a orientação da puérpera para a amamentação.
Avaliar eliminação vesical da puérpera. Verificar a presença de globo vesical, 1ª micção pós-parto
(hora e características). A distensão da bexiga, devida à perda
de tónus, pode contribuir para a alteração da posição uterina
e dificultar a manutenção da sua contração. A avaliação de
cada micção determina o grau de esvaziamento da bexiga.
Palpar o útero. Verificar localização, consistência e sensibilidade;
O processo fisiológico da hemóstase uterina é assegurado
pela retração e contração do miométrio. A hemóstase, nas
primeiras horas pós-parto, deve-se principalmente à
compressão dos vasos sanguíneos do miométrio à medida
que o músculo uterino se contrai e, não tanto, à agregação
plaquetária e à formação de coágulos.
A manutenção da contractilidade uterina promoverá a
hemóstase do local da inserção placentar. bem como a
involução uterina.
Ferida cirúrgica abdominal. A presença de ferida abdominal, decorrente da cesariana,
(Palpação do útero, observação do penso) pode dificultar a palpação do útero pela presença de dor.
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O penso cirúrgico deve ser observado (presença de


exsudado, quantidade).
Avaliar lóquios. Tipo de lóquios: cor, quantidade e odor.
Avaliar ferida perineal. Tipo de ferida – por episiotomia ou por laceração. Verificar
presença de dor, equimose ou hematoma, edema.
Edema mínimo, hiperestesia e algumas equimoses podem ser
o resultado do traumatismo perineal. A dor, também pode
resultar desse mesmo traumatismo, e/ou associada à
presença de ferida perineal por episiotomia ou por laceração.
Avaliar hemorroidas. A presença de hemorroidas pode decorrer da gravidez, ou
como uma consequência do esforço de trabalho de parto/
parto.
Aplicar gelo no períneo. Se necessário, na presença de edema, equimose ou dor local.
Avaliar membros inferiores. Possível presença de edema, rubor, dor, calor, varizes.
Identificar sinais de tromboembolismo. A avaliação dos membros inferiores permite o diagnóstico
precoce da disfunção vascular, associada à posição, à
imobilidade e à elevação dos fatores de coagulação.
Avaliar sinais de flebite ou tromboflebite superficial ou
profunda (teste de Homan).
Observar Recém Nascido Coloração da pele e mucosas
Respiração (presença de gemido, adejo nasal)
Temperatura das extremidades
Presença de micção/dejeção
Verificar clampagem do coto umbilical. A verificação da clampagem do coto umbilical visa identificar
precocemente hemorragia, cujo risco é maior nas 1as horas de
vida.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALMEIDA, N. FERNANDES, A. e ARAÚJO, C. Aleitamento materno: uma abordagem


sobre o papel do enfermeiro no pós-parto. Revista Eletrônica de Enfermagem, 2004,
vol.6, nº3, pp.358-367. Disponível em www.fen.ufg.br

CABRAL, I. Enfermagem no cuidado materno e neonatal. Rio de Janeiro: Guanabara


Koogan, 2005.

EMMANUEL E., CREEDY D. e FRASER J. What mothers want: a postnatal survey.


Australian Journal of Midwifery,2001, vol.14, nº4, pp.16-20
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LOWDERMILK, D. e PERRY, S. Enfermagem na maternidade. 7ª ed. Lisboa.


Lusodidacta.2008.cap. 15, 16.

NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CLINICAL EXCELLENCE.Routine


postnatal care of women and their babies. NICE clinical guideline 37. Developed by the
National Collaborating Centre for Primary Care. 2006. www.nice.org.uk

OLDS, S. et al. Maternal-newborn nursing & women`s health care. 7ª ed. New Jersey:
Pearson Education Inc. 2004.

SANTORO, R. OPAZO, M. e STEWART, C. Manual de Atención Personalizada en el


Proceso Reproductivo. Trama Impresores S.A. Chile, 2008 disponível em
http://www.redsalud.gov.cl/portal/url/item/795c63caff4fde9fe04001011f014bf2.pdf

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