Você está na página 1de 25

Introdução a Sistemas de Energia Elétrica

I.2 – O transformador

Os transformadores de força são os equipamentos utilizados para viabilizar a transmissão de energia elétrica
em alta tensão. Desta forma, são instalados nas usinas de geração, para elevar a tensão em níveis de
transmissão (no Brasil de 69 kV a 750 kV), nas subestações dos centros de consumo (subestações de
distribuição ou subestações de grandes consumidores), para rebaixar o nível de tensão em níveis de
distribuição (tipicamente 13,8 e 23 kV) e também nas subestações de interligação para compatibilizar os
diversos níveis de tensão provenientes das diversas linhas de transmissão que aportam.

Para se ter uma noção da importância destes equipamentos no setor elétrico, apresenta-se o Quadro I.3 no
qual a potência instalada em subestações corresponde aos equipamentos de transformação.

Quadro I.3 – Potência instalada em subestações do setor elétrico brasileiro.


POTÊNCIA INSTALADA EM SUBESTAÇÕES - MVA
Em 31.12 2001
1999 2000 2001 Entradas Retiradas
25 kV/outras (1) 74.196,0 75.109,0 75.109,0 0,0 0,0
69 kV/outras 18.777,1 18.902,1 19.094,4 192,3 0,0
88 kV/outras 5.717,2 5.717,2 5.717,2 0,0 0,0
138 kV/outras 46.251,6 46.707,1 47.384,0 676,9 0,0
230 kV/outras 34.732,7 35.928,7 36.779,7 851,0 0,0
345 kV/outras 33.610,4 34.480,4 34.480,4 0,0 0,0
440 kV/outras 15.137,0 15.437,0 15.437,0 0,0 0,0
500 kV/outras 47.636,9 49.538,9 53.510,9 3.972,0 0,0
750 kV/outras 16.200,0 16.750,0 18.250,0 1.500,0 0,0
(1) Apenas transformadores elevadores de usinas
Fonte: Boletim Semestral do SIESE Síntese 2001 (disponível em: http://www.eletrobras.gov.br/mercado/siese/).

O objetivo deste capítulo é a definição do modelo do transformador para estudos de transmissão de potência
elétrica em regime permanente, ou seja, considerando tensões e correntes senoidais em freqüência industrial.
Além disto, considera-se que os transformadores operam em condições equilibradas. Desta forma, os
modelos e resultados apresentados a seguir não se aplicam a estudos de transitórios de alta freqüência, de
curto-circuito ou de harmônicos.

O modelo dos transformadores de força para estudos de fluxo de potência são similares aos transformadores
de menor porte, desconsiderando-se os efeitos da corrente de magnetização.

I.2.1 – Transformador ideal de dois enrolamentos

Em um transformador ideal considera-se que a resistência elétrica dos enrolamentos é nula (logo não existe
queda de tensão na espira em função desta resistência e a tensão induzida pela variação do fluxo é igual à
tensão terminal) e que a permeabilidade do núcleo é infinita (portanto todo o fluxo fica confinado ao
núcleo e enlaça todas as espiras). Levando em conta as polaridades indicadas na Figura I.11, têm-se as
seguintes relações entre as tensões terminais:
v1 (t ) = N1 φ1 (t ) = N1 φ m (t )
d d
dt dt
v2 (t ) = N 2 φ 2 (t ) = N 2 φ m (t )
d d
dt dt
Assim, a relação entre as tensões terminais é dada por:
v1 (t ) N1
= (I.17)
v2 (t ) N 2

Modelos estáticos dos componentes do SEE – Sérgio Haffner Versão: 11/9/2007 Página 16 de 40
Introdução a Sistemas de Energia Elétrica

N1 espiras φm (t )
N2 espiras
i1 (t ) φ () i 2 (t )

+ +

v1 (t ) v 2 (t )

– –

Fluxo em 1: Fluxo em 2:
φ1 (t ) = φ m (t ) φ 2 (t ) = φ m (t )

Figura I.11 – Transformador ideal de dois enrolamentos.

Como o transformador é ideal, a potência instantânea de entrada, p1 (t ) , é igual a potência instantânea de


saída, p2 (t ) pois as perdas são desprezíveis, ou seja:
p1 (t ) = p 2 (t ) ⇒ v1 (t ) ⋅ i1 (t ) = v2 (t ) ⋅ i2 (t )
logo,
i1 (t ) v2 (t ) N 2
= = (I.18)
i2 (t ) v1 (t ) N1
As expressões (I.17) e (I.18) definem o modo de operação dos transformadores ideais.

Os enrolamentos onde se ligam as fontes de energia e as cargas são geralmente denominados primário e
secundário, respectivamente.

De forma alternativa, as relações (I.17) e (I.18) podem ser obtidas levando-se em consideração que um
transformador ideal constitui um caso particular de circuitos magneticamente acoplados no qual o coeficiente
de acoplamento entre os enrolamentos é igual a unidade, ou seja, K = 1 . Para as polaridades indicadas na
Figura I.12, são válidas as seguintes expressões:
v1 (t ) = L1 i1 (t ) − M i2 (t )
d d
(I.19)
dt dt
v2 (t ) = M i1 (t ) − L2 i2 (t )
d d
(I.20)
dt dt
i1 (t ) i 2 (t )
i1 (t ) i 2 (t )
K=1
+ • • +
+ • • +
L1 L2 M = K L1 L2
v1 (t ) v 2 (t ) v1 (t )
+ v 2 (t ) M = L1 L2
– – di (t ) di (t )
N1 : N 2 M 2 M i
dt dt
+
– –

Figura I.12 – Transformador ideal representado por circuito magneticamente acoplado.

i2 (t ) em (I.20) e substituindo em (I.19), tem-se:


d
Isolando
dt
1  d 
i2 (t ) =  M i1 (t ) − v 2 (t )
d
dt L2  dt 
1  d   M2  d
v1 (t ) = L1 i1 (t ) − M  M i1 (t ) − v2 (t ) =  L1 −  i1 (t ) + v2 (t )
d M
 (I.21)
dt L2  dt   L2  dt L2

Modelos estáticos dos componentes do SEE – Sérgio Haffner Versão: 11/9/2007 Página 17 de 40
Introdução a Sistemas de Energia Elétrica

Como K = 1 , pode-se escrever:


M2
M = L1 L2 ⇒ M 2 = L1 L2 ⇒ L1 − =0 (I.22)
L2
L1αN12
L2αN 22
M L1 L2 L1 M N12 M N1
= = ⇒ = ⇒ = (I.23)
L2 L2 L2 L2 N 22 L2 N 2
 N φ (t )
pois as auto-indutâncias são proporcionais ao quadrado do número de espiras  L1 = 1 1 , com
 i1 (t )
N [P N1i1 (t )] 
φ1 (t ) = P N1i1 (t ) , sendo P a permeância do espaço atravessado pelo fluxo, então L1 = 1 = P N12  .
i1 (t ) 
Substituindo (I.22) e (I.23) na expressão (I.21), chega-se a expressão (I.17):
v1 (t ) N1
v1 (t ) = 0 i1 (t ) + 1 v2 (t ) = 1 v 2 (t )
d N N
⇒ =
dt N2 N2 v2 (t ) N 2

I.2.1.1 – Transformador ideal em regime permanente senoidal

A Figura I.13 mostra um transformador ideal, em regime permanente senoidal.


I1 I2
N1 : N 2
+ +
• •
Transformador
Ideal V1 V2

– Ideal –

Figura I.13 – Transformador ideal em regime permanente senoidal.

Considerando as polaridades indicadas na Figura I.13 e as expressões gerais (I.17) e (I.18), o regime
permanente senoidal do transformador ideal pode ser descrito por:
V 1 N1 N2
= ⇒ V2 = V1
V 2 N2 N1
I1 N2 N
= ⇒ I 2 = 1 I1
I 2 N1 N2
N
fazendo a = 2 , a relação de espiras do transformador ideal, pode-se escrever:
N1
1
V 2 = aV 1 ⇒ V1 = V 2
a
1
I 2 = I1 ⇒ I 1 = aI 2
a

Exemplo I.6 – No circuito da Figura I.13, N 1 = 2000 , N 2 = 500 , V 1 = 1200 0o V e I 1 = 5 − 30o A ,


ref
quando uma impedância Z 2 é ligada ao secundário. Determinar V 2 , I 2 , Z 2 e a impedância Z 2 que é
definida como sendo o valor de Z 2 referido ao primário do transformador (impedância refletida).

Modelos estáticos dos componentes do SEE – Sérgio Haffner Versão: 11/9/2007 Página 18 de 40
Introdução a Sistemas de Energia Elétrica

Solução Exemplo I.6: Supondo que o transformador é ideal, tem-se:


N 500 N 2000
V 2 = 2 V1 = 1200 0o = 300 0o V I 2 = 1 I1 = 5 − 30o = 20 − 30o A
N1 2000 N2 500
Pela definição de impedância, tem-se:
V2 300 0o ref V 1 1200 0
o

Z2 = = = 15 30 o
Ω Z 2 = = = 240 30o Ω
I 2 20 − 30 o
I 1 5 − 30 o

N1
V2 2 2 2
ref V 1 N2  N 1  V 2  N1   2000 
ou Z2 = = =   =   Z 2 =   15 30 = 240 30 Ω
o o
N2 N N  500 
I1 I2  2  I 2  2
N1

A expressão obtida no Exemplo anterior


2
ref N 
Z 2 =  1  Z 2
 N2 
é empregada na reflexão de impedâncias, técnica que consiste em colocar no circuito primário uma
impedância que produza o mesmo efeito que a impedância que está colocada no circuito secundário.
Analogamente, é possível realizar a reflexão do primário para o secundário, ou seja,
2
ref N 
Z 1 =  2  Z 1
 N1 
Observar que o efeito produzido pela impedância em qualquer um dos enrolamentos deve ser o mesmo.
Assim, quanto maior a tensão do enrolamento (portanto, maior o número de espiras) maior deverá ser o valor
da impedância em ohms.

I.2.1.2 – Modelo do transformador ideal em pu

Utilizando a magnitude das tensões nominais como base para normalização das tensões terminais, têm-se os
seguintes valores de tensões base para o primário e secundário, respectivamente:
pri
Vbase – Tensão de base do primário [kV]
N 2 pri
– Tensão de base do secundário: Vbase =
sec sec
Vbase Vbase [kV]
N1
Sendo S base a potência de base para ambos enrolamentos (primário e secundário), as correntes de base para o
primário e secundário, respectivamente, são determinadas por:
S S S base N pri
pri
I base = base
pri
sec
I base = base
sec
= = 1 I base
Vbase Vbase N 2 pri N2
Vbase
N1
Desta forma, os valores normalizados em pu (por unidade) das tensões e correntes serão dados por:
N2
V1
V1 V2 N1 V1
V 1 pu = pri V 2 pu = sec = = pri ⇒ V 2 pu = V 1 pu (I.24)
Vbase Vbase N 2 V pri Vbase
base
N1
N1
I1
I1 I2 N2 I1
I 1 pu = pri I 2 pu = sec = = pri ⇒ I 2 pu = I 1 pu (I.25)
I base I base N1 pri I
I base base
N2
Portanto, quando as grandezas estiverem em pu, o transformador ideal com relação nominal pode ser
substituído por um curto-circuito, conforme mostrado na Figura I.14, pois tanto a tensão quanto a corrente
apresentam o mesmo valor em ambos enrolamentos – vide equações (I.24) e (I.25).

Modelos estáticos dos componentes do SEE – Sérgio Haffner Versão: 11/9/2007 Página 19 de 40
Introdução a Sistemas de Energia Elétrica

I 1 pu I 2 pu I 1 pu I 2 pu
+ + + +

Transformador
V 1 pu Ideal V 2 pu V 1 pu V 2 pu
em pu
– – – –

Figura I.14 – Circuito equivalente do transformador ideal de dois enrolamentos em pu.

I.2.2 – Circuito equivalente do transformador real de dois enrolamentos

No transformador real de dois enrolamentos, as resistências dos enrolamentos não são nulas (serão notadas
por r1 e r2 , respectivamente, para o primário e secundário), nem todo o fluxo que enlaça um enrolamento
enlaça o outro pois a permeabilidade do núcleo não é infinita, isto é, existem fluxos dispersos nos
enrolamentos cujos efeitos são representados por intermédio das reatâncias de dispersão x1 e x2 ,
respectivamente, para o primário e secundário. Além disto, ocorrem perdas devido às variações cíclicas do
sentido do fluxo (histerese) e também devido às correntes parasitas induzidas no núcleo. Assim, mesmo
com o secundário em aberto, existe uma pequena corrente circulando no primário quando este é energizado,
denominada corrente de magnetização – o efeito deste fenômeno é representado pela impedância de
magnetização rm e x m , colocada em derivação no primário do transformador (ou no secundário).
Considerando os efeitos anteriormente mencionados, o transformador real de dois enrolamentos pode ser
representado por um circuito composto por transformador ideal de dois enrolamentos e algumas
impedâncias para representar o efeito das perdas ôhmicas, devido ao fluxo disperso e à magnetização,
conforme ilustra a Figura I.15
Fluxo disperso em 1: Fluxo disperso em 2:
φm (t )
φ1disp (t ) φ 21 (t ) φ 2disp (t )
i1 (t ) i 2 (t )

+ +

v1 (t ) v 2 (t )

– –

N1 espiras N2 espiras

(a) Transformador real de dois enrolamentos.

I1 r1 + jx1 r2 + jx 2 I2
N1 : N 2
+ +
• •
Transformador
Real V1 V2
rm jx m

– Ideal –

(b) Transformador real de dois enrolamentos em regime permanente.

Figura I.15 – Transformador real de dois enrolamentos.

Modelos estáticos dos componentes do SEE – Sérgio Haffner Versão: 11/9/2007 Página 20 de 40
Introdução a Sistemas de Energia Elétrica

Quando todos os parâmetros ( r1 , x1 , r2 , x2 , rm e x m ) e grandezas ( V 1 , I 1 , V 2 e I 2 ) estão em pu, o


transformador ideal pode ser omitido (substituído pelo seu circuito equivalente em pu que é um curto-
circuito), resultando no circuito da Figura I.16.
I1 r1 + jx1 r2 + jx 2 I2
+ +
Transformador Im
Real em pu
V1 V2
rm jx m
– –

Figura I.16 – Circuito equivalente em pu do transformador real de dois enrolamentos.

Os parâmetros em série (resistência dos enrolamentos e reatância de dispersão: r1 , x1 , r2 , e x2 ) são


determinados por intermédio do ensaio de curto-circuito no qual os enrolamentos são submetidos à
corrente nominal. Neste ensaio, um dos enrolamentos é curto-circuitado enquanto aplica-se uma tensão
variável em outro enrolamento até que a corrente que circule nestes dois enrolamentos do transformador seja
igual ao seu valor nominal. Neste caso, a impedância de magnetização é desprezada, pois a tensão
empregada neste ensaio é significativamente menor que o valor nominal e a corrente de magnetização
corresponde a uma fração muito pequena do valor nominal. Considerando que o enrolamento secundário
tenha sido curto-circuitado e que a corrente que circula por este é igual ao seu valor nominal I 2 = 1 0 pu , o ( )
circuito equivalente do ensaio de curto-circuito é dado pela Figura I.17. Neste circuito equivalente, a
impedância medida nos terminais do enrolamento energizado é dada por:
V1
Z= = r1 + jx1 + r2 + jx 2
I1
Corrente nominal nos enrolamentos
I 1 ≈ I 2 = 1 0 pu r1 + jx1 r2 + jx 2 I 2 = 1 0 pu

+ +
Im ≈0
V1 Magnetização V2 =0
desprezada rm jx m
– –

Figura I.17 – Ensaio de curto-circuito (circuito equivalente em pu).

A impedância de magnetização é determinada por intermédio do ensaio de circuito aberto no qual os


enrolamentos são submetidos à tensão nominal. No ensaio de circuito aberto é aplicada tensão nominal a um
dos enrolamentos e mede-se a corrente que circula neste enrolamento enquanto o(s) outro(s) enrolamento(s)
permanece(m) em circuito aberto. Considerando que o enrolamento primário tenha sido energizado com
( )
tensão nominal V 1 = 1 0 pu , o circuito equivalente do ensaio em vazio de um transformador é dado pela
Figura I.18. Neste circuito equivalente, a impedância medida nos terminais do enrolamento energizado é
dada por:
V1 r ⋅ jxm
Z= = r1 + jx1 + m
I1 rm + jxm
Tensão nominal nos enrolamentos
I 1 = I m r1 + jx1 r2 + jx 2 I2 =0
+ +
Im
V 1 = 1 0 pu V2
rm jx m
– –

Figura I.18 – Ensaio de circuito aberto (circuito equivalente em pu).

Modelos estáticos dos componentes do SEE – Sérgio Haffner Versão: 11/9/2007 Página 21 de 40
Introdução a Sistemas de Energia Elétrica

Como exemplo das características elétricas dos transformadores em nível de distribuição, têm-se os valores
do Quadro I.4. Em transformadores de maior potência e nível de tensão, as perdas em vazio e as perdas totais
apresentam valores percentuais (em função da potência nominal) menores, sendo inferiores a 0,1 e 0,5%,
respectivamente.

Levando em conta as características reais dos grandes transformadores, as perdas nos enrolamentos1 (devido
a r1 e r2 ) e no núcleo2 (devido a rm e x m ) são muito pequenas quando comparadas com a potência do
transformador sendo, geralmente, desprezadas. Desta forma, o modelo equivalente do transformador fica
bastante simplificado, conforme mostra a Figura I.19.
I1 jx I2
+ +

jx = jx1 + jx2
V1 V2

– –
Figura I.19 – Circuito por fase simplificado em pu do transformador real de dois enrolamentos.

Quadro I.4 – Características de perdas, correntes de excitação e impedâncias.

TRANSFORMADORES TRIFÁSICOS DE TENSÃO MÁXIMA 15 kV


Corrente de
Potência Perdas em vazio Perdas totais Impedância
excitação
[kVA] máximo [W] máximas [W] 75° C [%]
máxima [%]
30 4,1 170 740
45 3,7 220 1.000
75 3,1 330 1.470 3,5
112,5 2,8 440 1.990
150 2,6 540 2.450
225 2,3 765 3.465
4,5
300 2,2 950 4.310
TRANSFORMADORES TRIFÁSICOS DE TENSÕES MÁXIMAS 24,2 e 36,2 kV
Corrente de
Potência Perdas em vazio Perdas totais Impedância
excitação
[kVA] máximo [W] máximas [W] 75° C [%]
máxima [%]
30 4,8 180 825
45 4,3 250 1.120
75 3,6 360 1.635 4,0
112,5 3,2 490 2.215
150 3,0 610 2.755
225 2,7 820 3.730
5,0
300 2,5 1.020 4.620
Fonte: Trafo Equipamentos Elétricos S.A. (disponível em http://www.trafo.com.br/)

1
Cujo valor nominal corresponde à diferença entre as perdas totais e as perdas em vazio.
2
Ou perdas em vazio.

Modelos estáticos dos componentes do SEE – Sérgio Haffner Versão: 11/9/2007 Página 22 de 40
Introdução a Sistemas de Energia Elétrica

Exemplo I.7 – Um transformador monofásico tem 2000 espiras no enrolamento primário e 500 no
secundário. As resistências dos enrolamentos são r1 = 2 Ω e r2 = 0,125 Ω ; as reatâncias de dispersão são
x1 = 8 Ω e x 2 = 0,5 Ω . A carga ligada ao secundário é resistiva e igual a 12 Ω. A tensão aplicada ao
enrolamento primário é de 1200 V. Determinar o fasor tensão secundária e a regulação de tensão do
transformador:
vazio carga
V2 −V2
Regulação% = carga
100%
V2
carga vazio
onde V 2 é a magnitude da tensão no secundário com plena carga e V 2 é a magnitude da tensão no
secundário em vazio.

Solução Exemplo I.7:


Utilizando uma potência de base de 7500 VA e as tensões nominais, tem-se:
S base = 7500 VA
N pri 500
pri
Vbase = 1200 V sec
Vbase = 2 Vbase = 1200 = 300 V
N1 2000

pri
Z base =
(V )
pri 2
1200 2
base
=
= 192 Ω sec
Z base
V sec
= base =
300 2
= 12 Ω 3
( )2

S base 7500 S base 7500


Desta forma, os valores das impedâncias do circuito equivalente em pu são dados por:
r + jx 2 + j 0,125
Z 1 = 1 pri 1 = = (0,0104 + j 0,0417 ) pu
Z base 192
r2 + jx2 0,125 + j 0,5
Z2 = sec
= = (0,0104 + j 0,0417 ) pu
Z base 12
carga 12 12
Z 2 = sec = = 1 pu
Z base 12
e o circuito equivalente em pu desconsiderando a impedância de magnetização é dado pelo circuito a seguir.

I1 Z 1 = r1 + jx1 Z 2 = r2 + jx 2 I2
+ +

carga
V 1 = 1 pu V2 Z2

– –
Valores em pu
Circuito primário Circuito secundário

Com a carga conectada, a tensão nos terminais do secundário do transformador é dada por:
carga
carga Z2 1
V 2 = V1 = 1
Z1 + Z1 +
carga
Z2 0,0104 + j 0,0417 + 0,0104 + j 0,0417 + 1
carga carga
V 2 = 0,9764 − 4,67o pu V2 = 300 × 0,9764 − 4,67o = 292,9 − 4,67 o V

3
Observar que a potência de base foi previamente escolhida para que a impedância da carga fosse igual a 1 pu.

Modelos estáticos dos componentes do SEE – Sérgio Haffner Versão: 11/9/2007 Página 23 de 40
Introdução a Sistemas de Energia Elétrica

Solução Exemplo I.7 (continuação):


Em vazio (sem a carga conectada), como não existe corrente circulando, não existe queda de tensão na
impedância série e a tensão nos terminais do secundário do transformador é igual à tensão primária:
vazio
V2 = V 1 = 1 pu

Daí, a regulação percentual do transformador é:


vazio carga
V2 −V2
1 − 0,9764
Regulação% = carga
100% = 100% Regulação % = 2,42%
V 2
0,9764

Solução alternativa Exemplo I.7:


A mesma solução anterior poderia ter sido obtida sem transformar as grandezas para pu, utilizando reflexão
de impedâncias.
N 2000
A relação nominal do transformador é dada por: a NOM = 1 = =4
N2 500
Refletindo a impedância série do secundário para o circuito primário, tem-se a seguinte impedância série
equivalente do primário e secundário:
R = r1 + r2 (a NOM ) = 2 + 0,125 ⋅ 4 2 = 4 Ω
2

X = x1 + x 2 (a NOM ) = 8 + 0,5 ⋅ 4 2 = 16 Ω
2

Z ref = Z 2 (a NOM ) = 12 ⋅ 4 2 = 192 Ω


carga carga 2

Assim, tem-se o seguinte circuito equivalente do ponto de vista do primário.


I2
I1 R + jX a NOM

+ +

carga
V 1 = 1200 V Z ref a NOM V 2

– –
Com a carga conectada, a tensão nos terminais do secundário do transformador é dada por:
carga
carga Z ref 192
a NOM V 2 = V1 = 1200 = 1171,6 − 4,67o V
Z+
carga
Z ref 4 + j16 + 192
carga 1171,6 − 4,67 o
1171,6 − 4,67 o carga
V2 = = = 292,9 − 4,67 o V V2
a NOM 4
Em vazio (sem a carga conectada), como não existe corrente circulando, não existe queda de tensão na
impedância série e a tensão nos terminais do secundário do transformador é igual à tensão primária:
vazio
a NOM V 2 = V 1 = 1200 V
vazio 1200 1200 vazio
V2 = = V2 = 300 V
a NOM 4
Daí, a regulação percentual do transformador é:
vazio carga
V2 −V2
300 − 292,9
Regulação% = carga
100% = 100% Regulação % = 2,42%
V2 292,9

Modelos estáticos dos componentes do SEE – Sérgio Haffner Versão: 11/9/2007 Página 24 de 40
Introdução a Sistemas de Energia Elétrica

Exemplo I.8 (Provão 2000) – Questão relativa às matérias de Formação Profissional Específica (Ênfase
Eletrotécnica).

Modelos estáticos dos componentes do SEE – Sérgio Haffner Versão: 11/9/2007 Página 25 de 40
Introdução a Sistemas de Energia Elétrica

Média (escala de 0 a 100) % escolha


Brasil Região Sul Instituição Brasil Região Sul Instituição
19,3 19,2 16,4 14,5

I.2.3 – Transformador com relação não-nominal

Com o objetivo de possibilitar um melhor controle da tensão no sistema elétrico, muitas vezes os
transformadores operam com relação de transformação diferentes da nominal N1NOM : N 2NOM . Neste caso, ( )
os transformadores apresentam um enrolamento especial provido de diversas derivações (taps), comutáveis
sob carga ou não. Quando a seleção da derivação é realizada sob carga, o transformador apresenta um
dispositivo denominado comutador de derivações em carga (ou comutador sob carga) que se encarrega de
realizar as conexões necessárias para que seja selecionada a relação de transformação desejada. Para operar
tais comutadores utilizam-se acionamentos motorizados, possibilitando comando local ou à distância,
inclusive com controle automático de tensão. Quando a seleção da derivação é realizada sem carga o
dispositivo é muito mais simples, sendo utilizada apenas uma chave seletora que opera quando o
transformador está desligado.

Por norma, as derivações são numeradas, sendo a derivação “1” a de maior tensão, conforme mostra o
Quadro I.5 no qual encontram-se exemplos de valores de derivações e relações de tensão para
transformadores em nível de distribuição. Neste caso, no interior do tanque o transformador apresenta uma
chave seletora que possibilita o ajuste do tap quando este estiver desligado.

Quadro I.5 – Derivações e relações de tensões.

Tensão [V]
Tensão máxima do
Derivação Primário Secundário
equipamento
N° Trifásicos e
[KV eficaz] Monofásicos (FN) Trifásicos Monofásicos
Monofásicos (FF)
1 13.800 7.967
15,0 2 13.200 7.621 2 terminais
3 12.600 7.275 220 ou 127
1 23.100 13.337 ou
380/220
3 terminais
24,2 2 22.000 12.702 ou
440/220 ou
3 20.900 12.067 220/127
254/127 ou
1 34.500 19.919 240/120 ou
36,2 2 33.000 19.053 230/115
3 31.500 18.187
(FF) - tensão entre fases
(FN) - tensão entre fase e neutro
Fonte: Trafo Equipamentos Elétricos S.A. (disponível em http://www.trafo.com.br/)

Modelos estáticos dos componentes do SEE – Sérgio Haffner Versão: 11/9/2007 Página 26 de 40
Introdução a Sistemas de Energia Elétrica

Em nível transmissão de energia elétrica os transformadores podem possuir dispositivos para comutação sob
carga, apresentando um maior número de derivações, conforme exemplifica a Tabela I.1. Observar que as
derivações são realizadas no enrolamento de maior tensão, visando operar com menores correntes no
comutador sob carga.

Tabela I.1 – Derivações típicas da regulação sob carga.


Tensão primária [kV] Tensão secundária [kV]
138
230 ± 8 × 1,875%
69
69
138 ± 8 × 1,875% 23
13,8
23
69 ± 8 × 1,875%
13,8

Considerando toda a impedância série concentrada em apenas um dos enrolamentos (refletida para o
primário, por exemplo) e desprezando as perdas no núcleo, o circuito equivalente do transformador com
relação não-nominal encontra-se na Figura I.20. Observar, neste caso, que a relação de espiras dos
enrolamentos N1 : N 2 pode ser diferente da relação nominal, dada por N1NOM : N 2NOM .

N1 : N 2
I1 R + jX I2
1: a
+ + + +
• •

V1 E1 E2 V2

– – Ideal – –

Figura I.20 – Circuito equivalente de um transformador com relação não nominal.

Para o transformador da Figura I.20 são válidas as seguintes expressões:


N E2 I2 1
a= 2 =a =
N1 E1 I1 a
Utilizando as magnitudes das tensões nominais do primário e do secundário com tensões de base
 pri N NOM pri  , define-se a relação nominal como sendo:
Vbase e Vbase
sec
= 2NOM Vbase 
 N1 
 
sec
Vbase N 2NOM
a NOM = pri
=
Vbase N1NOM
Considerando a potência de base S base , as correntes de base para o primário e secundário são dadas por:
S
pri
I base = base
pri
Vbase
S base S base 1
sec
I base = sec
= pri
= pri
I base
Vbase a NOMVbase a NOM
Assim, transformando as grandezas para pu, tem-se:
E1
E 1 pu = pri
Vbase
E2 a E1 a E1 a
E 2 pu = sec
= pri
= pri
E 2 pu = E1 pu (I.26)
Vbase a NOMVbase a NOM Vbase a NOM

Modelos estáticos dos componentes do SEE – Sérgio Haffner Versão: 11/9/2007 Página 27 de 40
Introdução a Sistemas de Energia Elétrica

I1
I 1 pu = pri
I base
1
I1
I2 a a I1 a NOM
I 2 pu = sec
= = NOM pri I 2 pu = I 1 pu (I.27)
I base 1 pri a I base a
I base
a NOM
Portanto, mesmo quando as grandezas estão em pu, o transformador com relação não nominal não pode
ser substituído por um curto-circuito pois tanto a tensão quanto a corrente apresentam valores distintos nos
enrolamentos – vide equações (I.26) e (I.27).

I.2.4 – Transformador de três enrolamentos

Em sistemas de energia elétrica é bastante comum a presença de um terceiro enrolamento nos


transformadores de força, além dos enrolamentos primário e secundário. Este enrolamento é denominado
terciário e é empregado para fornecer caminho às correntes de seqüência zero, para a conexão dos
alimentadores de distribuição, para alimentar os serviços auxiliares das subestações de energia ou para
conexão dos equipamentos empregados na compensação de reativos (normalmente bancos de capacitores).

A Figura I.21 mostra um transformador monofásico de três enrolamentos juntamente com o seu circuito
equivalente em pu. Observar que o ponto comum O representado no circuito equivalente, mostrado na Figura
I.21(b), é fictício e não tem qualquer relação com o neutro do sistema.

φm (t ) Fluxo disperso em 2:
Fluxo disperso em 1:
φ 2disp (t )
φ1disp (t ) i2 (t )
i1 (t ) +

+ v2 (t )

v1 (t )
i3 (t )
N2 espiras

– +
N1 espiras v3 (t )

N3 espiras
Fluxo disperso em 3:
φ3disp (t )
(a) Transformador de três enrolamentos.

Z 2 = r2 + jx2 I2
I1 Z 1 = r1 + jx1 +
O
+ Z 3 = r3 + jx3 I 3

+
V2
V1 V3
rm jxm

– – –

(b) Circuito equivalente em pu.

Figura I.21 – Transformador de três enrolamentos.

As impedâncias de qualquer ramo da Figura I.21(b) podem ser determinadas através da impedância de curto-
circuito entre os respectivos pares de enrolamentos, mantendo o enrolamento restante em aberto (ensaio de
curto-circuito). Desta forma, sendo z12 a impedância obtida no ensaio no qual é aplicada tensão no

Modelos estáticos dos componentes do SEE – Sérgio Haffner Versão: 11/9/2007 Página 28 de 40
Introdução a Sistemas de Energia Elétrica

enrolamento primário suficiente para fazer circular a corrente nominal quando o secundário está em curto-
circuito e o terciário aberto (vide Figura I.22), tem-se (desprezando o ramo de magnetização):
Z 12 = Z 1 + Z 2
I 2 = 1 0 pu
Z 2 = r2 + jx2
I 1 ≈ I 2 = 1 0 pu
Z 1 = r1 + jx1 +
O
+ Z 3 = r3 + jx3 I 3
Im ≈ 0 +
V2 = 0
V1
V3
rm jx m

– – –

Figura I.22 – Exemplo de ensaio de curto-circuito em um transformador de três enrolamentos.

Para as demais combinações, tem-se:


Z 23 = Z 2 + Z 3
Z 13 = Z 1 + Z 3
As impedâncias de quaisquer ramos da Figura I.21(b) podem ser determinadas resolvendo-se o sistema
formado pelas três equações anteriores (três ensaios de curto-circuito), cuja solução é dada por:
1
(
Z 1 = Z 12 + Z 13 − Z 23
2
)
(
1
Z 2 = Z 12 + Z 23 − Z 13
2
)
1
(
Z 3 = Z 13 + Z 23 − Z 12
2
)
Notar que este modelo pode apresentar resistências e/ou reatâncias negativas. O significado físico de tais
parâmetros pode parecer contrariar a natureza do equipamento, mas deve-se levar em conta que o circuito
equivalente representa o transformador a partir de seus terminais (portanto, os componentes não precisam
possuir individualmente ligação direta com um enrolamento específico).

Diferentemente dos transformadores de dois enrolamentos, os transformadores de três enrolamentos


geralmente apresentam enrolamentos com potências nominais diferentes.

I.2.5 – Autotransformador

Um autotransformador é um transformador no qual, além do acoplamento magnético entre os enrolamentos,


existe uma conexão elétrica conforme mostra a Figura I.23. São duas as formas possíveis de conexão
elétrica: aditiva ou subtrativa.
I1 N1 : N 2 I2
N2
+ 1: a + a=
• • N1
V1 N1 1
V1 V2 = =
V2 N2 a
I1 N2
– Ideal – = =a
I2 N1

• •
• •
• •
• •
Conexões Aditivas Conexões Subtrativas

Figura I.23 – Transformador ideal conectado como autotransformador.

Modelos estáticos dos componentes do SEE – Sérgio Haffner Versão: 11/9/2007 Página 29 de 40
Introdução a Sistemas de Energia Elétrica

Em geral utiliza-se a conexão aditiva nas duas formas de operação possíveis, ou seja, como
autotransformador elevador ou rebaixador, conforme ilustra a Figura I.24.

I2 Iy Ix
+ • + + + •

V2 V1 I1
Ix Iy
– –
Vy Vx + +
+ +
• •
Vx V1 I1 V2 I2 Vy
– – – – – –

(a) Autotransformador elevador. (b) Autotransformador rebaixador.

Figura I.24 – Autotransformador elevador e rebaixador.

Para o autotransformador elevador da Figura I.24(a), tem-se:


N  1
I x = I 1 + I 2 = I 1 + 1 I 1 = 1 +  I 1
N2  a
N 1 
V y = V 1 + V 2 = 1 V 2 + V 2 =  + 1V 2
N2 a 
Daí, as potências complexas de entrada, S x , e saída, S y , são dadas por:
*
*  1   1 *  1 *
S x = V x I x = V 1 1 +  I 1  = V 1 1 +  I 1 = 1 + V 1 I 1
 a   a  a
 1
S x = 1 +  S 1
 a
*  1 *
S y = V y I y = 1 + V 2 I 2
 a
 1
S y = 1 +  S 2
 a
onde S 1 e S 2 são as potências complexas de entrada e saída obtidas na conexão como transformador ideal.
Assim, como a é sempre positivo, para a ligação aditiva, o autotransformador permite a transformação de
maior quantidade de potência elétrica do que a conexão como transformador. A desvantagem é a perda de
isolação elétrica entre o primário e o secundário.

Exercício I.4: Repetir o equacionamento da potência do autotransformador para a conexão rebaixadora da


Figura I.24(b).

Exercício I.5: Determinar a magnitude da tensão secundária e a potência nominal de um autotransformador


construído a partir de um transformador monofásico de 30 kVA, 120/240 V, conectado conforme a Figura
I.24(a) (autotransformador elevador). Sabe-se que a tensão nominal é aplicada ao enrolamento de baixa
tensão e que a corrente que circula nos enrolamentos é a nominal.

Modelos estáticos dos componentes do SEE – Sérgio Haffner Versão: 11/9/2007 Página 30 de 40
Introdução a Sistemas de Energia Elétrica

I.2.6 – O modelo do transformador em fase

A representação por fase de transformadores em fase, mostrada na Figura I.25, consiste de um transformador
ideal com relação de transformação 1 : akm e uma impedância série Z km . Observar que neste modelo as
perdas no núcleo são desprezadas.
V p = a km V k = a kmV k θ k
V k = Vk θ k V m = Vm θ m
k p Z km = rkm + jx km m
I km I mk

1 : a km I pm

Figura I.25 – Representação por fase de um transformador em fase.

Da relação do transformador ideal em fase4:


Vk 1
= ⇒ V p = a km V k
V p a km
I km
= a km
*
= a km ⇒ I km = a km I pm
I pm
As correntes I pm , I km e I mk são obtidas a partir dos fasores tensão das barras k, p e m ( V k = Vk θ k ,
1
V p = V p θ p = a kmVk θ k e V m = Vm θ m , respectivamente) e do valor da admitância série Y km = :
Z km
( )
I pm = Y km V p − V m = Y km akm V k − V m( )
(
I km = akm I pm = akm Y km akm V k − V m ) I km = akm
2
Y km V k − akm Y km V m (I.28)

(
I mk = − I pm = −Y km akm V k − V m ) I mk = −akm Y km V k + Y km V m (I.29)
Deste modo, o transformador em fase pode ser representado por um circuito equivalente do tipo π, conforme
está ilustrado na Figura I.26.

k m
I km I mk
Vk A Vm

B C
A, B, C admitâncias

Figura I.26 – Circuito equivalente π de um transformador em fase.

Para o modelo π da Figura I.26, onde A, B e C são as admitâncias dos componentes, as correntes I km e I mk
são dadas por:

4
Lembrar que não há dissipação de potência ativa ou reativa no transformador ideal, logo:
* *
* * I km Vp I km  V p 
S km = S pm ⇒ V k I km =V p I pm ⇒ = ⇒ = 
I pm
*
Vk I pm  V k 

Modelos estáticos dos componentes do SEE – Sérgio Haffner Versão: 11/9/2007 Página 31 de 40
Introdução a Sistemas de Energia Elétrica

( )
I km = A V k − V m + BV k = ( A + B )V k − AV m I km = ( A + B )V k + (− A)V m (I.30)

I mk = A(V
m −V k ) + CV
m = − AV k + ( A + C )V m I mk = (− A)V k + ( A + C )V m (I.31)
Comparando as expressões (I.28) com (I.30) e (I.29) com (I.31), tem-se:
A = a km y km
B = a km (akm − 1)Y km
C = (1 − akm )Y km
Observar que o valor de a determina o valor e a natureza dos componentes do modelo π da Figura I.25:
a km = 1 pu, ou seja, a km = a NOM : A = y km , B = C = 0
a km < 1 pu, ou seja, a km < a NOM : B < 0 (capacitivo) e C > 0 (indutivo)
a km > 1 pu, ou seja, a km > a NOM : B > 0 (indutivo) e C < 0 (capacitivo)

NOTA IMPORTANTE: As grandezas de base utilizadas para fazer a conversão da impedância série do
transformador para pu devem ser, obrigatoriamente, relativos ao enrolamento no qual esta impedância está
ligada. Mais especificamente, no modelo de transformador adotado, que é mostrado na Figura I.25, deve-se
utilizar a tensão de base do enrolamento conectado à Barra m.

Exemplo I.9 – Dado um transformador trifásico, 138/13,8 kV, 100 MVA, cuja reatância de dispersão vale
5% (na base do transformador), determinar o circuito equivalente do transformador se as bases do sistema
são:
a) 138/13,8 kV, 100 MVA
b) 169/16,9 kV, 200 MVA
c) 169/15 kV, 250 MVA

Solução Exemplo I.9:


a) Como x = 5 % = 0,05 pu , tem-se que:
Z TR = j 0,05 pu
Y TR = − j 20 pu
e o circuito equivalente é dado por:
I1 − j 20 I2
+ +

V1 V2
Admitância em pu
– –

16,9 13,8 a 0,1


b) Observar que a NOM = =a= = 0,1 , então a pu = = = 1 pu .
169 138 a NOM 0,1
2
 VL pu (base 1)  S 3φ pu (base 2 )
Z pu (base 2 ) = Z pu (base 1)  
 VL pu (base 2 )  S 3φ pu (base 1)
 

2
 138  200
Z TR = j 0,05  = j 0,0667 pu
 169  100

Y TR = − j15 pu

Modelos estáticos dos componentes do SEE – Sérgio Haffner Versão: 11/9/2007 Página 32 de 40
Introdução a Sistemas de Energia Elétrica

Solução Exemplo I.9 (continuação): e o circuito equivalente é dado por:


I1 − j15 I2
+ +

V1 V2
Admitância em pu
– –

15 13,8
c) Neste caso, tem-se a NOM = = 0,0888 e a = = 0,1 . Calculando em pu, tem-se:
169 138
13,8
a
apu = = 15 = 1,1267 pu
a NOM 138
169
2
 VL pu (base 1)  S 3φ pu (base 2 )
Z pu (base 2 ) = Z pu (base 1)  
 VL pu (base 2 )  S 3φ pu (base 1)
 
Para o modelo de transformador adotado, que é mostrado na Figura I.25, deve-se utilizar a tensão de base do
enrolamento conectado à Barra m, ou seja, a tensão do lado de média tensão do transformador, sendo o valor
em pu na base 169/15 kV, 250 MVA dado por:
′ ′
2
 13,8  250
Z TR = j 0,05  = j 0,1058 pu Y TR = − j 9,4518 pu
 15  100
Os parâmetros do circuito equivalente π são dados por:

A = apu Y TR = 1,1267(− j 9,4518) = − j10,65 pu

(
B = apu apu − 1 Y ) TR = 1,1267(1,1267 − 1)(− j 9,4518) = − j1,349 pu

(
C = 1 − apu Y ) TR = (1 − 1,1267 )(− j 9,4518) = j1,198 pu
e o circuito equivalente correspondente é:
I1 − j10,65 I2
+ +

V1 − j1,349 j1,197 V2

Admitâncias em pu
– –

Exemplo I.10 – Considerando que o transformador do Exemplo I.9 alimenta uma carga de 50 MVA, com
fator de potência 0,9 indutivo, no enrolamento de menor tensão e que este é representado pelos três modelos
determinados na solução do Exemplo I.9 (em função das bases adotadas para o sistema pu), determinar o
valor da tensão no lado de alta tensão em pu e em kV quando a tensão na carga é igual a 13,8 kV.

Solução Exemplo I.10:


a) Considerando os dados do problema, têm-se os seguintes valores em pu para a tensão, potência e
corrente secundária, para a base 138/13,8 kV, 100 MVA:
13,8 50 
V2 = = 1 pu S2 =  0,9 + j 1 − 0,9 2  = 0,45 + j 0,2179 = 0,5 25,84o pu
13,8 100  
*
*  S2 
S2 =V 2I2 = ⇔ I2 =  
V 2 
 

Modelos estáticos dos componentes do SEE – Sérgio Haffner Versão: 11/9/2007 Página 33 de 40
Introdução a Sistemas de Energia Elétrica

Solução Exemplo I.10 (continuação):


*
 0,45 + j 0,2179 
I2 =   = 0,45 − j 0,2179 = 0,5 − 25,84 pu
o

 1 
Do circuito equivalente mostrado na solução do Exemplo I.9, a tensão no lado de alta é dada por:
V 1 = V 2 + Z TR I 2 = 1 + j 0,05(0,45 − j 0,2179) = 1,0109 + j 0,0225 = 1,0111 1,28o pu
V 1 = 138 × 1,0111 1,28o = 139,50 + j 3,11 = 139,54 1,28o kV

b) Para a base 169/16,9 kV, 200 MVA, tem-se:


13,8 50 
V2 = = 0,8166 pu S2 =  0,9 + j 1 − 0,9 2  = 0,225 + j 0,1090 = 0,25 25,84o pu
16,9 200  
*
*  S2 
S2 =V 2I2 = ⇔ I2 =  
V 2 
 
*
 0,225 + j 0,1090 
I2 =  = 0,2755 − j 0,1335 = 0,3062 − 25,84o pu
 0,8166 
Do circuito equivalente mostrado na solução do Exemplo I.9, a tensão no lado de alta é dada por:

V 1 = V 2 + Z TR I 2 = 0,8166 + j 0,0667(0,2755 − j 0,1335) = 0,8255 + j 0,0184 = 0,8257 1,28o pu
V 1 = 169 × 0,8257 1,28o = 139,50 + j 3,11 = 139,54 1,28o kV
Observar que o valor obtido em kV é idêntico ao do Item (a), mostrando que o resultado não depende das
bases adotadas.

c) Para a base 169/15 kV, 250 MVA, tem-se:


13,8 50 
V2 = = 0,92 pu S2 =  0,9 + j 1 − 0,9 2  = 0,18 + j 0,0872 = 0,2 25,84o pu
15 250  
*
*  S2 
S2 =V 2I2 = ⇔ I2 =  
V 2 
 
*
 0,18 + j 0,0872 
I 2 =   = 0,1956 − j 0,0948 = 0,2174 − 25,84o pu
 0,92 
Do circuito equivalente obtido na solução do Exemplo I.9, a tensão no lado de alta é dada por:

I1 − j10,65 I2
+ +
SH
I2
V1 − j1,349 j1,197 V2

Admitâncias em pu
– –

V1 = V 2 +
1 1
(
 I 2 + I 2  = V 2 + I 2 + CV 2 = 0,92 +
A
SH

 A
) 1
− j10,65
(0,1956 − j 0,0948 + j1,197 × 0,92)
V 1 = 169 × 0,8257 1,28o = 139,50 + j 3,11 = 139,54 1,28o kV
Observar que o valor obtido em kV é idêntico ao dos Itens anteriores, mostrando que o resultado não
depende das bases adotadas.

Modelos estáticos dos componentes do SEE – Sérgio Haffner Versão: 11/9/2007 Página 34 de 40
Introdução a Sistemas de Energia Elétrica

Exercício I.6 – Dado um transformador trifásico, 230 (+4)(–8)×1,875%/69 kV, 50 MVA, cuja reatância de
dispersão vale 5%, determinar o circuito equivalente do transformador, indicando os valores mínimos e
máximos da relação de transformação em pu (a), se as bases do sistema são 230/69 kV, 100 MVA.

Como para a linha de transmissão, é possível escrever a expressão do fluxo de potência complexa da barra k
para a barra m:
*
S km = V k I km = V k akm 2
[Y km V k − akm Y km V m = ]*

= V k  akm Y km V k − akm Y km V m  = a km


 * * * * * * *
2 2
Vk2 Y km − a km Y km V k V m =
  
= (akmVk ) ( g km − jbkm ) − a km ( g km − jbkm )VkVm θ km
2

= (akmVk ) ( g km − jbkm ) − (akmVk )Vm (g km − jbkm )(cosθ km + j senθ km )


2

Separando as partes real e imaginária, chega-se a:


Pkm = (a kmVk ) g km − (a kmVk )Vm ( g km cosθ km + bkm sen θ km )
2
(I.32)

Qkm = −(a kmVk ) bkm − (a kmVk )Vm (g km sen θ km − bkm cosθ km )


2
(I.33)
O fluxo de potência complexa da barra m para a barra k é dado por:
Pmk = Vm2 g km − (a kmVk )Vm ( g km cosθ mk + bkm sen θ mk ) (I.34)

Qmk = −Vm2 bkm − (a kmVk )Vm ( g km sen θ mk − bkm cosθ mk ) (I.35)

Exercício I.7 – Conhecidos os parâmetros que definem o transformador em fase e os fasores das tensões
terminais, mostrar como é possível determinar as perdas de potência ativa e reativa neste transformador.

I.2.7 – O modelo do transformador defasador

Os transformadores defasadores são equipamentos capazes de controlar, dentro de determinadas limitações, a


relação de fase entre o fasor tensão do primário e do secundário. Para um transformador defasador puro, a
relação de transformação em pu é representada por um número complexo de módulo unitário e ângulo de
fase ϕ , ou seja, é dada por 1 : e jϕ ou 1 : 1 ϕ . A representação por fase de um transformador defasador puro
está mostrada na Figura I.25.
V p = e jϕ km V k = V k θ k + ϕ km
V k = Vk θ k V m = Vm θ m
k p Z km = rkm + jx km m
I km I mk

I pm
1 : e jϕ km
Figura I.25 – Representação por fase de um transformador defasador puro.

Da relação do transformador ideal:


Vk 1 1
= = jϕ ⇒ V p = t km V k = e jϕ km V k = 1 ϕ km ⋅ Vk θ k = Vk θ k + ϕ km
V p t km e km
I km
= t km
*
= e − jϕ km ⇒ I km = t km
*
I pm = e − jϕ km I pm
I pm

Modelos estáticos dos componentes do SEE – Sérgio Haffner Versão: 11/9/2007 Página 35 de 40
Introdução a Sistemas de Energia Elétrica

As correntes I pm , I km e I mk são obtidas a partir dos fasores tensão das barras k, p e m ( V k = Vk θ k ,


1
V p = V p θ p = Vk θ k + ϕ km e V m = Vm θ m , respectivamente) e do valor da admitância série y km = :
z km

( ) (
I pm = Y km V p − V m = Y km t km V k − V m )
I km = t km
*
I pm = t km
*
( )
Y km t km V k − V m = Y kmV k − t km
*
Y kmV m (
I km = Y km V k + − t km
*
)
Y km V m (I.36)

( )
I mk = − I pm = −Y km t km V k − V m = −t km Y km V k + Y km V m ( )
I mk = − t km Y km V k + Y km V m (I.37)

Assim, o transformador defasador não pode ser representado por um circuito equivalente do tipo π,
conforme está ilustrado na Figura I.25, pois o coeficiente de V m da expressão (I.36) é diferente do
coeficiente de V k da expressão (I.37).

Como anteriormente, é possível escrever a expressão do fluxo de potência complexa da barra k para a barra
m:
*
[
S km = V k I km = V k Y km V k − t km
*
Y km V m = ]
*

= V k Y km V k − t km Y km V m  = Vk2 Y km − t km Y km V k V m =
* * * * * * *
 
= Vk2 ( g km − jbkm ) − 1 ϕ km (g km − jbkm )VkVm θ km
= Vk2 ( g km − jbkm ) − Vk Vm ( g km − jbkm )[cos(θ km + ϕ km ) + j sen(θ km + ϕ km )]

Separando as partes real e imaginária, chega-se a:

Pkm = Vk2 g km − Vk Vm [g km cos(θ km + ϕ km ) + bkm sen (θ km + ϕ km )] (I.38)

Qkm = −Vk2 bkm − Vk Vm [g km sen(θ km + ϕ km ) − bkm cos(θ km + ϕ km )] (I.39)

Exercício I.8 – Determinar a expressão do fluxo de potência complexa da barra m para a barra k. Utilizando
esta expressão equacionar as perdas de potência ativa e reativa neste transformador.

I.3 – Expressões gerais dos fluxos de corrente e de potência

As expressões dos fluxos de corrente e potência em linhas de transmissão, transformadores em fase,


defasadores puros e defasadores, podem ser generalizadas de forma tal que seja possível utilizar sempre a
mesma expressão, fazendo algumas considerações para particularizar o equipamento em questão. Assim, os
fluxos de corrente nestes equipamentos obedecem às seguintes expressões gerais:

(
I km = t km
*
t km Y km + jbkm
sh
)
V k + − t km
*
(
Y km V m) (
I km = akm
2
Y km + jbkm
sh
) ( )
V k + − akme − jϕkm Y km V m (I.40)

( ) (
I mk = − t km Y km V k + Y km + jbkm
sh
Vm ) ( ) (
I mk = − akme + jϕ km Y km V k + Y km + jbkm
sh
)
Vm (I.41)

De acordo com o tipo de equipamento, as variáveis a km , ϕ km e bkm


sh
assumem valores particulares, mostradas
na Tabela I.2.

Modelos estáticos dos componentes do SEE – Sérgio Haffner Versão: 11/9/2007 Página 36 de 40
Introdução a Sistemas de Energia Elétrica

Tabela I.2 – Parâmetros para os diferentes equipamentos nas expressões gerais dos fluxos.

Equipamento a km ϕ km sh
bkm
Linha de transmissão 1 0
Transformador em fase 0 0
Transformador defasador puro 1 0
Transformador defasador 0

Os fluxos de potência ativa e reativa em linhas de transmissão, transformadores em fase, defasadores puros e
defasadores, obedecem às seguintes expressões gerais:
Pkm = (a kmVk ) g km − (a kmVk )Vm [g km cos(θ km + ϕ km ) + bkm sen (θ km + ϕ km )]
2
(I.42)
(
Qkm = −(a kmVk ) bkm + bkm
2 sh
)
− (a kmVk )Vm [g km sen (θ km + ϕ km ) − bkm cos(θ km + ϕ km )] (I.43)
Assim, as expressões (I.40) a (I.43) podem ser utilizadas indistintamente para o cálculo dos fluxos de
corrente e de potência em linhas de transmissão, transformadores em fase, defasadores puros e defasadores,
bastando utilizar os parâmetros conforme a Tabela I.2.

I.4 – Gerador, reator, capacitor e carga

O sistema elétrico possui duas classes de componentes, os empregados na conexão entre dois nós elétricos
(elementos série, como as linhas de transmissão e transformadores) e aqueles que são conectados a apenas
um nó elétrico (elementos em derivação). O segundo grupo inclui os geradores e as cargas que constituem a
razão de existir do sistema elétrico. Os demais componentes em derivação (reatores e capacitores) são
empregados no controle da tensão/potência reativa.

Para todos os componentes em derivação é adotada a convenção gerador, ou seja, são consideradas
positivas aa potências ativa e reativa injetadas.

I.4.1 – Gerador

A Figura I.26 mostra o sentido positivo da potência injetada em uma barra que contém um gerador.

V k = Vk θ k V k = Vk θ k
k k

Pk + jQk

G Pk + jQk
Figura I.26 – Convenção da potência para um gerador.

Para um gerador que está injetando potência ativa no sistema, tem-se:


Pk > 0
> 0 , sobrexcitado

Qk 
< 0 , subexcitado

Modelos estáticos dos componentes do SEE – Sérgio Haffner Versão: 11/9/2007 Página 37 de 40
Introdução a Sistemas de Energia Elétrica

I.4.2 – Reator

A Figura I.27 mostra o sentido positivo da potência injetada por um reator em uma barra.

V k = Vk θ k Para um Reator V k = Vk θ k
k xL > 0 k
Ik −1
bL = <0
Z k = jxL Pk + jQk xL
Y k = jbL
jQk
Figura I.27 – Convenção da potência para um reator.

Neste caso, tem-se:

Ik =
0 −V k −V k
Zk
=
jx L
= j
Vk
xL
ou ( )
I k = Y k 0 − V k = − jbL V k

* 2
*
*  0 −V k  −V kV k Vk 2
Sk =V kIk = V k   =
 = − j = jb V k
− jxL
L
 jxL  xL
Portanto, para um reator (como xL > 0 e bL < 0 ), a injeção de potência reativa é negativa, ou seja, Qk < 0 .

I.4.3 – Capacitor

A Figura I.28 mostra o sentido positivo da potência injetada por um capacitor em uma barra.

V k = Vk θ k Para um Capacitor V k = Vk θ k
k xC < 0 k
Ik −1
bC = >0
Z k = jxC Pk + jQk xC
Y k = jbC
jQk
Figura I.28 – Convenção da potência para um capacitor.

Neste caso, tem-se:

Ik =
0 −V k −V k
Zk
=
jxC
= j
Vk
xC
ou ( )
I k = Y k 0 − V k = − jbC V k

* 2
*
*  0 −V k  −V kV k Vk 2
Sk =V kIk= V k   =
 = − j = jb V k
− jxC
C
 jxC  xC
Portanto, para um capacitor (como xC < 0 e bC > 0 ), a injeção de potência reativa é positiva, ou seja,
Qk > 0 .

Modelos estáticos dos componentes do SEE – Sérgio Haffner Versão: 11/9/2007 Página 38 de 40
Introdução a Sistemas de Energia Elétrica

I.4.4 – Carga

A Figura I.29 mostra o sentido positivo da potência injetada por uma carga constituída por uma impedância
em uma barra.

V k = Vk θ k V k = Vk θ k
k k
Ik
Z k = rk + jxk Pk + jQk

Pk + jQk
Figura I.29 – Convenção da potência para uma carga.

Neste caso, tem-se:


0 −V k −V k
Ik = =
Zk Zk
Zk 2 2 2
* ×
−V kV k Zk − V k Z k − V k Z k
*
 −V k  Vk
( )
*
Sk =V kIk = V k   =
 *
= *
= 2
= − rk + jx k 2
 Zk  Zk ZkZk Zk rk2 + xk2
Pk jQk
647 48 64
47 44
8
2 2 2
Vk Vk Vk
S k = −(rk + jxk ) = − rk 2 − jxk 2
rk2 + xk2 rk + xk2 rk + xk2
Portanto, para uma carga constituída por uma impedância (com rk ≥ 0 ), a injeção de potência ativa é
negativa, ou seja, Pk < 0 . Por outro lado, a injeção de potência reativa tem o sinal inverso da reatância, ou
seja, é negativa para um indutor, Qk < 0 , e positiva para um capacitor, Qk > 0 .

No fluxo de carga, as cargas são representadas por injeções constantes de potência ativa e reativa ou por
intermédio de uma expressão mais geral que considera a dependência da carga com relação à magnitude da
tensão, sendo as injeções de potência determinadas por:

(
Pk = a P + bPVk + c PVk2 PkNOM )
Qk = (a Q + bQVk + cQVk2 )Q
NOM
k

sendo a P , bP e c P constantes que definem o tipo de dependência que a potencia ativa tem com a tensão e
aQ , bQ e cQ constantes que definem o tipo de dependência que a potencia reativa tem com a tensão.
Observar que devem ser válidas as seguintes relações para que quando a tensão assuma seu valor nominal
(Vk = 1 pu ) , as injeções correspondam ao valor nominal PkNOM e Q kNOM :( )
a P + bP + cP = 1
aQ + bQ + cQ = 1

Modelos estáticos dos componentes do SEE – Sérgio Haffner Versão: 11/9/2007 Página 39 de 40
Introdução a Sistemas de Energia Elétrica

Exercício I.8 – Determinar as constantes a, b e c de uma injeção composta formada por:


Potência nominal: P NOM + jQ NOM
20% potência constante
30% corrente constante
40% impedância constante

Exemplo I.11 (Provão 2002) – Questão relativa às matérias de Formação profissional Específica (Ênfase
Eletrotécnica).

Média (escala de 0 a 100) % escolha


Brasil Região Sul Instituição Brasil Região Sul Instituição
14,7 20,2 31,3 38,5

Modelos estáticos dos componentes do SEE – Sérgio Haffner Versão: 11/9/2007 Página 40 de 40