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ÍNDICE
Direito Processual Penal 2
Recursos 2
819/STF - EMB. DECL. NO AG. REG. NO ARE N. 824.520-MG 2
845/STF - Inadmissibilidade de RE em matéria penal e prazo recursal 2
857/STF - Interposição de recurso via e-mail 3
879/STF - Novo CPC e prazo de interposição de agravo em matéria penal 3
886/STF - ED e juízo de admissibilidade de RE 3
897/STF - Tempestividade e recurso interposto antes da publicação do acórdão 3
898/STF - Embargos infringentes e pressupostos 3
902/STF - Ministério Público e tempestividade de agravo em processo criminal 5
576/STJ - DIREITO PROCESSUAL PENAL. PROIBIÇÃO DE AGRAVAR A PENA EM
RECURSO EXCLUSIVO DA DEFESA. 5
579/STJ - DIREITO CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL PENAL. INTERPOSIÇÃO DE
Samoel Gonçalves de

RECURSO ORDINÁRIO CONTRA DECISÃO CONCESSIVA DE ORDEM DE HABEAS


CORPUS. CPF: 11335037721 5
579/STJ - DIREITO PROCESSUAL PENAL. SENTENÇA DE ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA E
VEDAÇÃO DE ANÁLISE DO MÉRITO DA AÇÃO PENAL EM APELAÇÃO. 5
580/STJ - DIREITO PROCESSUAL PENAL. EFEITO DEVOLUTIVO DA APELAÇÃO
CRIMINAL INTERPOSTA PELO MINISTÉRIO PÚBLICO. 6
585/STJ - DIREITO PROCESSUAL PENAL. FORMA DE CONTAGEM DE PRAZO PARA
INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO CONTRA DECISÃO MONOCRÁTICA DE MINISTRO
Oliveira

RELATOR DO STJ. 6
589/STJ - DIREITO PROCESSUAL PENAL. TEMA 959. 7
597/STJ - Condenação em segunda instância. Execução provisória da pena. Ausência de
esgotamento da instância ordinária. Ilegalidade. 7
605/STJ - Recurso especial adesivo do Ministério Público Federal. Descabimento. 7
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Direito Processual Penal


Recursos
819/STF - EMB. DECL. NO AG. REG. NO ARE N. 824.520-MG
RELATOR: MIN. TEORI ZAVASCKI
EMENTA: PROCESSUAL PENAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE QUAISQUER
DOS VÍCIOS DO ART. 619 DO CPP. REDISCUSSÃO DE QUESTÕES JÁ DECIDIDAS.
IMPOSSIBILIDADE.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.

845/STF - Inadmissibilidade de RE em matéria penal e prazo recursal


A Primeira Turma, por maioria e em razão da intempestividade, não conheceu de agravo regimental
interposto contra decisão que inadmitiu, na origem, recurso extraordinário sobre matéria penal.
De início, o ministro Edson Fachin (relator) destacou que a decisão de inadmissibilidade foi publicada
em 26.4.2016 (terça-feira), com início do prazo recursal em 27.4.2016 (quarta-feira) e fim em 11.5.2016
Samoel Gonçalves de

(quarta-feira), mas o agravo somente foi interposto em 17.5.2016 (terça-feira), quando já expirado o
prazo de quinze dias corridos. CPF: 11335037721
Observou que o prazo previsto para a interposição de agravo de instrumento contra decisão que
inadmite recurso extraordinário era de cinco dias, conforme o art. 28 da Lei 8.038/1990. Com as
alterações do Código de Processo Civil pela Lei 8.950/1994, a Corte pacificou o entendimento de que o
art. 28 da Lei 8.038/1990 não havia sido revogado em matéria penal, permanecendo o prazo de cinco
dias para interposição do agravo.
Relembrou que o novo Código de Processo Civil (CPC) alterou a sistemática recursal e,
especificamente quanto ao recurso extraordinário, revogou expressamente os arts. 26 a 29 e 38 da Lei
Oliveira

8.038/1990, conforme disposto no art. 1.072 do novo diploma instrumental. Entretanto, foi mantido o art.
39 da Lei 8.038/1990 (“Da decisão do Presidente do Tribunal, de Seção, de Turma ou de Relator que
causar gravame à parte, caberá agravo para o órgão especial, Seção ou Turma, conforme o caso, no
prazo de cinco dias”), que cuida de agravo interno, distinto do agravo cabível para destrancamento de
recurso extraordinário. Por sua vez, o agravo destinado a destrancar recurso extraordinário criminal era
regulamentado pelo art. 28 da Lei 8.038/1990, revogado.
Feitas essas considerações, o ministro verificou que, em razão da alteração da base normativa,
inexistindo previsão específica no Código de Processo Penal (CPP) e no Regimento Interno do
Supremo Tribunal Federal (RISTF), à luz do preconizado no art. 3º do CPP, o prazo a ser observado na
interposição do agravo destinado a impugnar a decisão de inadmissibilidade do recurso extraordinário é
o da regra geral do art. 1.003, § 5º, do novo CPC, ou seja, de 15 dias.
A despeito do que dispõe o art. 219, “caput”, do novo CPC, que determina a contagem do prazo
recursal em dias úteis, o caso concreto trata de agravo em recurso extraordinário em matéria criminal.
Nessa hipótese, as regras do processo civil somente se aplicam subsidiariamente. Dessa forma,
sempre que em conflito regras formalmente expressas em lei, há de ser aplicado o critério da
especialidade. No caso, a contagem dos prazos no processo penal está prevista no art. 798 do CPP
(“Todos os prazos correrão em cartório e serão contínuos e peremptórios, não se interrompendo por
férias, domingo ou dia feriado”). Portanto, o novo CPC não regula o processo penal nesse particular.
Logo, diante da nova sistemática processual, o prazo para interposição do agravo que almeja
destrancar recurso extraordinário criminal inadmitido na origem passou a ser de 15 dias, com a
contagem regida pelo CPP.
A ministra Rosa Weber e os ministros Luiz Fux e Roberto Barroso acompanharam o relator quanto à

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intempestividade do recurso para não o conhecer, uma vez que a interposição se deu 21 dias após o
início do prazo, mas não quanto aos fundamentos.
Vencido o ministro Marco Aurélio, que afastava a intempestividade, por considerar ter havido a
uniformização dos prazos em 15 dias úteis, exceto para embargos declaratórios.
ARE 993407/DF, rel. Min. Edson Fachin, 25.10.2016, Primeira Turma. (ARE-993407)
COMENTÁRIO:
Julgado importante!

857/STF - Interposição de recurso via e-mail


A Primeira Turma denegou “habeas corpus” em que se discutia a possibilidade de manejo de
peça recursal exclusivamente por meio de correio eletrônico.
No caso, foi inadmitido recurso especial em razão da intempestividade, por impossibilidade de
apresentação da peça via “e-mail”.
O Colegiado consignou que a Lei 9.800/1999, ao permitir que as partes utilizem o sistema de
transmissão de dados e imagens do tipo fac-símile ou outro semelhante para a prática de atos
processuais que dependam de petição escrita, não autoriza a adoção do “e-mail”.
Ressaltou, ainda, que a excepcionalidade prevista na lei à interposição direta de recurso não dispensa a
Samoel Gonçalves de

apresentação subsequente do documento original.


CPF: 11335037721
HC 121225/MG, rel. Min. Marco Aurélio, julgamento em 14.3.2017, Primeira Turma.
COMENTÁRIO:
Julgado importante!

879/STF - Novo CPC e prazo de interposição de agravo em matéria penal


A Segunda Turma afetou ao Plenário o julgamento de agravo regimental em recurso extraordinário com
agravo. Discute-se o prazo de interposição de agravo contra decisão do relator em matéria penal, assim
como a sua forma de contagem, de acordo com o novo Código de Processo Civil (CPC) de 2015.
Oliveira

ARE 999675/SP, rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 26.9.2017. (ARE 999675) 2ª Turma.

886/STF - ED e juízo de admissibilidade de RE


Os embargos de declaração opostos contra a decisão de presidente do tribunal que não admite
recurso extraordinário não suspendem ou interrompem o prazo para interposição de agravo, por
serem incabíveis.
Esse é o entendimento da Primeira Turma que, por maioria e em conclusão, converteu embargos
declaratórios em agravos regimentais e a eles negou provimento (vide Informativo 700). Vencidos os
ministros Marco Aurélio e Luiz Fux, que deram provimento aos agravos, por entenderem que todo
pronunciamento com carga decisória desafia embargos declaratórios.
ARE 688776 ED/RS, rel. Min. Dias Toffoli, julgamento em 28.11.2017. (ARE-688776)ARE 685997
ED/RS, rel. Min. Dias Toffoli, julgamento em 28.11.2017. (ARE-685997), Primeira Turma.

897/STF - Tempestividade e recurso interposto antes da publicação do acórdão


Não é extemporâneo recurso interposto antes da publicação do acórdão.
Com base nesse entendimento, a Primeira Turma concedeu, em parte, “habeas corpus” para afastar a
intempestividade de recurso especial e determinar que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) continue a
apreciar o referido recurso.
No caso, o STJ não conheceu do recurso especial por ter sido ele protocolado antes da publicação de
acordão do tribunal de justiça.
HC 113826, Primeira Turma, rel. Min. Marco Aurélio, julgamento em 10.4.2018.

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898/STF - Embargos infringentes e pressupostos


São cabíveis embargos infringentes contra decisão proferida em sede de ação penal de
competência originária das Turmas, sendo requisito de cabimento desse recurso a existência de
dois votos minoritários absolutórios em sentido próprio.
O Plenário reiterou entendimento exarado quando do julgamento da AP 470 AgR-vigésimo sexto/MG
(DJe de 17.2.2014), no sentido de que o art. 333, I (1), do Regimento Interno do Supremo Tribunal
Federal (RI/STF), que prevê o cabimento de embargos infringentes, não foi revogado de modo expresso
pela Lei 8.038/1990, não havendo incompatibilidade entre os dois diplomas normativos. Desse modo,
subsiste no ordenamento jurídico o referido recurso.
Entretanto, ao tempo em que elaborado o RI/STF, as ações penais eram julgadas tão somente pelo
Plenário. Não havia previsão expressa quanto ao cabimento de embargos infringentes contra decisão
das Turmas. Por isso, a Corte deve construir uma solução, levando em conta os precedentes mais
próximos, a analogia e os princípios gerais do Direito.
Nessa linha, considerada a existência de certa lógica processual, os embargos infringentes são cabíveis
quando caracterizada divergência relevante, a ponto de gerar dúvida razoável sobre o acerto de
determinada decisão.
No julgamento da AP 409 EI-AgR-segundo/CE (DJe de 1º.9.2015), o Tribunal decidiu que a oposição de
Samoel Gonçalves de

embargos infringentes depende, quanto à sua admissibilidade, da existência, em favor do réu, de, pelo
menos, quatro votos vencidos de conteúdo absolutório em sentido próprio, não se revelando possível,
CPF: 11335037721
para efeito de compor esse número mínimo, a soma de votos minoritários de conteúdo diverso, como,
por exemplo, o eventual reconhecimento de prescrição.
O art. 333, parágrafo único (2), do RI/STF, prevê a exigência de quatro votos para o cabimento de
embargos infringentes — ao tempo em que só eram cabíveis de decisões do Plenário —, a caracterizar,
assim, a existência de divergência relevante.
No entanto, ante a falta de disposição expressa para o cabimento de embargos infringentes de decisão
das Turmas, há que se estabelecer algum critério para a verificação da existência de divergência
Oliveira

relevante, o ponto de justificar a interposição do recurso.


Àmedida em que, para a oposição de embargos infringentes em face de decisão do Plenário são
necessários quatro votos divergentes no sentido da absolvição em sentido próprio, em relação às
decisões da Turma, há que se verificar a existência de dois votos divergentes, também no sentido da
absolvição própria.
Na espécie, são manifestamente inadmissíveis os embargos infringentes. Isso porque, de um lado, não
se verificou no acórdão embargado a ocorrência de dois votos absolutórios; de outro, o único voto
divergente apresentado não tratou de absolvição em sentido próprio, ou seja, não expressou juízo de
improcedência da pretensão executória, apenas reconheceu a existência de nulidade processual e a
ocorrência de prescrição da pretensão punitiva. Ademais, no mérito, o juízo condenatório foi assentado
à unanimidade pela Turma.
A despeito da insurgência do agravante quanto à decisão monocrática que rejeitou os embargos
infringentes, é necessário registrar que o próprio Plenário, ao julgar a AP 470 QO-décima primeira/MG
(DJe de 30.4.2009), decidiu que cabe ao relator da ação penal originária analisar monocraticamente a
admissibilidade dos embargos infringentes opostos em face de decisões condenatórias. O presente
caso demandou solução idêntica. Assim, a manifesta inadmissibilidade dos embargos, na esteira da
jurisprudência da Corte, revelou o caráter meramente protelatório dos infringentes, razão por que não
impediu o imediato cumprimento da decisão condenatória.
Vencidos os ministros Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes, Marco Aurélio, e, em menor
extensão, o ministro Alexandre de Moraes, que deram provimento ao agravo. Consideraram presentes
os pressupostos dos embargos infringentes e impossível cogitar-se da exigência de dois votos
minoritários absolutórios como requisito de cabimento do recurso. O ministro Alexandre de Moraes, por

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outro lado, entendeu que o reconhecimento da prescrição da pretensão punitiva constitui preliminar de
mérito, configurada, na espécie, a hipótese disciplinada no art. 333, I, do RI/STF.
Por fim, o ministro Edson Fachin (relator) concedeu, de ofício, prisão domiciliar ao agravante, restando
prejudicada a pretensão formulada no HC 152.707/DF.
(1) RI/STF: “Art. 333. Cabem embargos infringentes à decisão não unânime do Plenário ou da Turma. I
– que julgar procedente a ação penal”.(2) RI/STF: “Parágrafo único. O cabimento dos embargos, em
decisão do Plenário, depende da existência, no mínimo, de quatro votos divergentes, salvo nos casos
de julgamento criminal em sessão secreta”.
AP 863 EI-AgR/SP, Plenário, rel. Min. Edson Fachin, julgamento em 18 e 19.4.2018.
HC 152707/DF, Plenário, rel. Min. Dias Toffoli, julgamento em 18 e 19.4.2018.

902/STF - Ministério Público e tempestividade de agravo em processo criminal


A Primeira Turma concedeu a ordem de “habeas corpus”, com base no art. 39 (1) da Lei
8.038/1990, para declarar a intempestividade de agravo regimental interposto pelo Ministério
Público no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e reestabelecer as penas impostas pelo juízo de
segundo grau, que foram aumentadas a partir do acolhimento do recurso.
A Turma afirmou que o prazo para interposição de agravo pelo Estado-acusador em processo criminal é
Samoel Gonçalves de

de cinco dias (RE 94.013/DF). O Ministério Público não possui, em matéria criminal, ao contrário da
Defensoria Pública, a prerrogativa de prazo recursal em dobro. CPF: 11335037721
(1) Lei 8.038/1990: “Art. 39 - Da decisão do Presidente do Tribunal, de Seção, de Turma ou de Relator
que causar gravame à parte, caberá agravo para o órgão especial, Seção ou Turma, conforme o caso,
no prazo de cinco dias.”
HC 120275/PR, Primeira Turma, rel. Min. Marco Aurélio, julgamento em 15.5.2018.

576/STJ - DIREITO PROCESSUAL PENAL. PROIBIÇÃO DE AGRAVAR A PENA EM


RECURSO EXCLUSIVO DA DEFESA.
No âmbito de recurso exclusivo da defesa, o Tribunal não pode agravar a reprimenda imposta ao
Oliveira

condenado, ainda que reconheça equívoco aritmético ocorrido no somatório das penas
aplicadas. Isso porque, não tendo o Ministério Público se insurgido contra o referido erro material, o
Tribunal não pode conhecê-lo de ofício, sob pena de configuração de reformatio in pejus. Precedentes
citados: HC 115.501-MG, Sexta Turma, DJe 3/8/2015; e AgRg no HC 264.579-RS, Sexta Turma, DJe
1º/8/2013. HC 250.455-RJ, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 17/12/2015, DJe 5/2/2016. 6ª Turma.

579/STJ - DIREITO CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL PENAL. INTERPOSIÇÃO DE


RECURSO ORDINÁRIO CONTRA DECISÃO CONCESSIVA DE ORDEM DE HABEAS
CORPUS.
É admissível a interposição de recurso ordinário para impugnar acórdão de Tribunal de Segundo
Grau concessivo de ordem de habeas corpus na hipótese em que se pretenda questionar
eventual excesso de medidas cautelares fixadas por ocasião de deferimento de liberdade
provisória. Ainda que o acórdão recorrido não tenha sido denegatório, como prevê o art. 105, II, "a", da
CF, eventual excesso contido na concessão da ordem do habeas corpus pode ser impugnado. Vale
dizer, ainda que a liberdade provisória tenha sido concedida, caso sejam excessivas as medidas
cautelares diversas da prisão aplicadas, presentes estão o interesse e a adequação do recurso
ordinário. RHC 65.974-SC, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 10/3/2016, DJe
16/3/2016. 5ª Turma.

579/STJ - DIREITO PROCESSUAL PENAL. SENTENÇA DE ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA E


VEDAÇÃO DE ANÁLISE DO MÉRITO DA AÇÃO PENAL EM APELAÇÃO.
No julgamento de apelação interposta pelo Ministério Público contra sentença de absolvição

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sumária, o Tribunal não poderá analisar o mérito da ação penal para condenar o réu, podendo,
entretanto, prover o recurso para determinar o retorno dos autos ao juízo de primeiro grau, a fim
de viabilizar o prosseguimento do processo. O enfrentamento antecipado do mérito da ação penal
pela segunda instância afronta a competência do Juízo de primeiro grau, com clara supressão de
instância, em violação ao princípio do juiz natural - pois ninguém poderá ser processado nem
sentenciado senão pela autoridade competente (art. 5º, LIII, CF) -, violando, ainda, os princípios do
devido processo legal, da ampla defesa e do duplo grau de jurisdição. Mutatis mutandis, o STJ já
entendeu que "Viola os princípios do juiz natural, devido processo legal, ampla defesa e duplo grau de
jurisdição, a decisão do tribunal a quo que condena, analisando o mérito da ação penal em apelação
ministerial interposta ante mera rejeição da denúncia" (HC 299.605-ES, Sexta Turma, DJe 1º/7/2015).
HC 260.188-AC, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 8/3/2016, DJe 15/3/2016. 6ª Turma.

580/STJ - DIREITO PROCESSUAL PENAL. EFEITO DEVOLUTIVO DA APELAÇÃO


CRIMINAL INTERPOSTA PELO MINISTÉRIO PÚBLICO.
A matéria suscitada em apelação criminal interposta pelo Ministério Público deve ser apreciada
quando, embora não tenha sido especificada na petição de interposição, fora explicitamente
delimitada e debatida nas razões recursais. De fato, já firmou a jurisprudência do STF e do STJ
Samoel Gonçalves de

entendimento no sentido de que a extensão da apelação se mede pela petição de sua interposição e
não pelas razões de recurso. No entanto, nas hipóteses em que o referido entendimento foi consignado,
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tratava-se de situação contrária à presente, na qual o MP havia impugnado toda a sentença e, nas
razões recursais, estabeleceu restrições, o que não se admite, porquanto acarretaria ofensa ao art. 576
do CPP, segundo o qual ao MP não se permite desistir de recurso que haja interposto (HC 70.037-RJ,
Primeira Turma do STF, DJ 6/8/1993 e EDcl no HC 109.096-RS, Quinta Turma do STJ, DJe 29/3/2012).
Na espécie, embora no momento da interposição do recurso de apelação o Órgão Ministerial não tenha
especificado a matéria, ela foi explicitamente debatida nas razões de recurso, merecendo, por
conseguinte, conforme entendimento do STJ, ser analisada pelo Tribunal de origem por força do
aspecto da profundidade do efeito devolutivo. Em outros termos, são as razões recursais que
Oliveira

corporificam e delimitam o inconformismo, e não a petição de interposição do recurso, considerando a


função precípua de esta cumprir o requisito formal de apresentação da insurgência recursal.
Precedentes citados: HC 139.335-DF, Quinta Turma, DJe 3/11/2011; e REsp 503.128-SP, Quinta
Turma, DJ 22/9/2003. HC 263.087-SP,Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 17/3/2016, DJe 5/4/2016.
6ª Turma.

585/STJ - DIREITO PROCESSUAL PENAL. FORMA DE CONTAGEM DE PRAZO PARA


INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO CONTRA DECISÃO MONOCRÁTICA DE MINISTRO
RELATOR DO STJ.
No âmbito do STJ, mesmo após a vigência do CPC/2015, em controvérsias que versem sobre
matéria penal ou processual penal, a contagem do prazo para interposição de agravo contra
decisão monocrática de relator continua sendo feita de forma contínua (art. 798 do CPP), e não
somente em dias úteis (art. 219 do CPC/2015). Isso porque, diferentemente do que ocorreu com
outros artigos da Lei n. 8.038/1990 - norma especial que institui normas procedimentais para os
processos que especifica perante o STJ e o STF -, não foi revogado o art. 39, o qual prevê: "Da decisão
do Presidente do Tribunal, de Seção, de Turma ou de Relator que causar gravame à parte, caberá
agravo para o órgão especial, Seção ou Turma, conforme o caso, no prazo de cinco dias."Ademais, tal
previsão legal é secundada pelo disposto no caput do art. 258 do RISTJ, cujo teor prescreve que: "A
parte que se considerar agravada por decisão do Presidente da Corte Especial, de Seção, de Turma ou
de relator, poderá requerer, dentro de cinco dias, a apresentação do feito em mesa, para que a Corte
Especial, a Seção ou a Turma sobre ela se pronuncie, confirmando-a ou reformando-a." Além disso,

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importa lembrar que o art. 798 do CPP, em seu caput e § 1º, determina, respectivamente, que "Todos
os prazos correrão em cartório e serão contínuos e peremptórios, não se interrompendo por férias,
domingo ou dia feriado" e que "Não se computará no prazo o dia do começo, incluindo-se, porém, o do
vencimento". AgRg nos EDcl nos EAREsp 316.129-SC, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca,
julgado em 25/5/2016, DJe 1°/6/2016. 3ª Seção.
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Julgado importante!

589/STJ - DIREITO PROCESSUAL PENAL. TEMA 959.


Recurso Especial afetado à Terceira Seção com representativo da seguinte controvérsia:
"Discute-se se a intimação do Ministério Público, realizada em audiência, determina o início do
cômputo do prazo para recorrer ou se o lapso recursal somente se inicia com a remessa dos
autos com vista à instituição".
REsp 1.349.935-SE, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, DJe 16/9/2016.

597/STJ - Condenação em segunda instância. Execução provisória da pena. Ausência de


esgotamento da instância ordinária. Ilegalidade.
Samoel Gonçalves de

Na hipótese em que ainda não houve a intimação da Defensoria Pública Estadual acerca de
acórdão condenatório, mostra-se ilegal a imediata expedição de mandado de prisão. Insta
destacar, sobre o tema, que a possibilidade de execução provisória da pena foi recentemente
CPF: 11335037721
confirmada pelo Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento das medidas cautelares nas
ADCs 43 e 44. Em outras palavras, está autorizada a execução provisória da pena após o julgamento
em segunda instância, ressalvadas as hipóteses em que seja possível a superação do entendimento
pela existência de flagrante ilegalidade, seja por meio da concessão de habeas corpus ou atribuindo-se
efeito suspensivo a eventual recurso especial ou extraordinário. Contudo, no presente writ, verificou-se
que ainda não se encerrou a jurisdição em segunda instância, haja vista que o processo foi baixado à
primeira instância para intimação da Defensoria Pública Estadual. Diante desse contexto, na hipótese,
Oliveira

não se mostra possível, portanto, a execução provisória da pena, tal como já consignado pelo Supremo
Tribunal Federal, sendo manifestamente ilegal a determinação de imediata expedição de mandado de
prisão pelo Tribunal de origem.

HC 371.870-SP, Rel. Min. Felix Fischer, por unanimidade, julgado em 13/12/2016, DJe 1/2/2017,
Quinta Turma.
COMENTÁRIO:
Julgado importante!

605/STJ - Recurso especial adesivo do Ministério Público Federal. Descabimento.


Em matéria criminal, não deve ser conhecido recurso especial adesivo interposto pelo Ministério
Público veiculando pedido em desfavor do réu.
Cinge-se a discussão, entre outras questões, acerca da possibilidade de conhecimento de recurso
especial adesivo interposto pelo Ministério Público em processo de matéria penal, em razão da
ausência de previsão no Código de Processo Penal e na Lei 8.038/1990. O art. 3º do CPP estabelece
que a lei processual penal admitirá interpretação extensiva e aplicação analógica, bem como o
suplemento dos princípios gerais de direito. Por força do dispositivo, é pacífico o entendimento de que,
no caso de silêncio da lei processual penal, é admitida a sua integração por meio de outros diplomas
legais, inclusive o Código de Processo Civil. Contudo, na realização do aludido processo de integração
das normas, deve se cuidar para que a interpretação dada à regra utilizada para suprir a omissão da lei
processual penal se coadune ou não conflite com preceitos desse mesmo regramento processual penal.
O art. 500, II, do CPC de 1973, vigente quando da interposição do recurso especial analisado,

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estabelecia que o recurso adesivo seria admissível na apelação, nos embargos infringentes, no recurso
extraordinário e no recurso especial. Dessa forma, por não estar em conflito com norma processual
penal, poderia entender-se, em análise inicial, ser possível a interposição de recurso especial criminal
adesivo. Entretanto, tal admissão recursal, veiculando pedido em desfavor do réu, conflita com a regra
do art. 617 do Código de Processo Penal, segundo a qual, não pode ser agravada a pena, quando
somente o réu houver apelado da sentença. Em razão da relação de subordinação, o recurso adesivo
ministerial somente poderia ser conhecido caso fosse conhecido também o recurso da defesa, ou seja,
a admissão do recurso defensivo acarretaria ao réu um efeito negativo, qual seja, o de que o recurso
acusatório adesivo também passaria a ser analisado, caracterizando uma reformatio in pejus indireta.
Outrossim, o recurso adesivo é acessório do recurso principal. Ao aplicar esse conceito ao Processo
Penal, tem-se que o recurso adesivo do Ministério Público, em sentido amplo, passa a integrar
formalmente, de maneira acessória, o recurso principal defensivo. Portanto, qualquer agravamento da
situação do réu, em razão do provimento do recurso adesivo acusatório, dar-se-ia, na verdade, dentro
do âmbito, lato sensu, do recurso defensivo ao qual está subordinado. E, por força do art. 617 do
Código de Processo Penal, não pode haver reformatio in pejus em recurso exclusivo da defesa. Sendo
assim, não deve ser conhecido o recurso especial adesivo ministerial em matéria criminal.
REsp 1.595.636-RN, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, por unanimidade, julgado em 2/5/2017, DJe
Samoel Gonçalves de

30/5/2017. 6ª Turma.
CPF: 11335037721
Oliveira

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