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O novo fundo de emprego - Lazarino Poulson

setembro 08, 2019

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Luanda - A situação do desemprego em Angola está a desenhar contornos verdadeiramente preocupantes.


Depois das manifestações ocorridas em algumas localidades de Angola nas últimas semanas, nesta sexta
feira, 6 de Setembro, formos surpreendidos por um episódio insólito na feira do CCB, cujas repercussões
temos assistido nas redes sociais e na imprensa em geral, através de vídeos e imagens de um drama
conhecido, porém, negligenciado.
Fonte: Club-k.net
Milhares de jovens acorreram ao local da feira em busca de
uma oportunidade de emprego. Tumultos, desmaios, filas
intermináveis, assistimos nos vídeos que se tornaram virais
nas redes sociais.

A angústia cobria o rosto da maioria, tristeza via-se nos


mais resignados, fúria nos impacientes e a eterna e
sagrada esperança acompanhava teimosamente todos que
lá afluíram. Mas há um facto inquestionável: o CCB foi
pequeno para albergar a enorme moldura humana que por
lá se deslocou.

A feira do CCB, descontando as questões ligadas à


organização do evento, veio demostrar que estamos a
atravessar a linha vermelha que separa o dramático da
tragédia, cujas consequências são incalculáveis.

Os índices de desemprego em Angola, segundos os últimos


dados do INE rondam os 28, 8 % da população activa, com
tendências de aumento continuado.

É perante este quadro, que propomos o Novo Fundo de


Emprego. Este instrumento financeiro é mais uma, dentre
várias medidas para abrandar a tendência acentuada de
desemprego, num primeiro momento, e depois, alcançar o
pleno emprego a médio e longo prazo.

Mas o que vem a ser o Novo Fundo de Emprego?

Entende-se por Novo Fundo de Emprego, a pessoa colectiva doptada de autonomia administrativa e
financeira constituída com os activos provenientes de uma percentagem determinada das receitas fiscais em
Angola.

O Estado aprova, por lei, um imposto de fomento ao emprego. Este novo imposto não precisa agravar a
carga fiscal existente, bastando retirar anualmente uma percentagem correspondente a 1% a 2% do PiB.

Esta receita, fica aloucada ao Novo Fundo de Emprego, uma entidade que fica sob superintendência e tutela
do Ministério das Finanças, porém, metodologiacamente sujeito a dupla subordinação dos Ministério da
Administração Pública Trabalho, Emprego e Segurança Social e o da Ministério da Economia. O Novo Fundo
de Emprego funcionava em estrita coordenação com o INAPEM e outras entidades equivalentes noutras
áreas.
O Novo Fundo do Emprego é um instrumento de fomento ao emprego para atender sobretudo as iniciativas
dos particulares.

Sem prejuízo para outras iniciativas, o Novo Fundo de Emprego, persegue os seus objectivos através de
várias iniciativas de carácter provisório, emergencial e sazonal, ou de natureza douradora e estruturais.

Nas actividades provisórias, emergenciais ou sazonais, o Novo Fundo, disponibiliza subsídios aos
participantes, estimulando e proporcionando rendimentos a estes.

As iniciativas de carácter provisórios subsiadas e apoiadas pelo Novo Fundo de Emprego são, dentre outras,
as seguintes:

i) campanhas de limpeza, recolha de materiais recicláveis, e arborização das cidades e vilas.


ii) campanhas de registo oficiais ( documentos pessoais, eleitoral, sensoriais, estatísticos, etc). campanhas
agrícolas, etc.
Sem prejuízo dos valores aloucados as campanhas de registo eleitoral, de documentos pessoais, sensoriais
ou estatísticos e outras, o subsídio do Novo Fundo é uma garantia de rendimento para o pessoal recrutado
nestas actividades. Caso estas actividades não tenham verbas suficientes, o subsídio do Novo Fundo
garante remuneração dos brigadistas.
iii)As medidas que caráter estruturais são:
i) fomento do auto-emprego através da concessão de micro-crédito as micro, pequenas, médias empresas,
bem como as cooperativas e pessoas singulares, em casos muitos especiais. Pode ainda, o Novo Fundo,
constituir com parceiros privados um banco de micro-crédito.

O Novo Fundo torna-se o acionista principal deste banco concedendo micro-créditos com baixa taxa de
juros. O Banco de micro-crédito pode ser do modelo inspirado nas soluções de micro-créditos do
Bangladesh.

ii) financiamento das iniciativas de Startup’s e de outras iniciativas locais individuais ou de organizações
locais ( micro, pequenas e médias empresas ou cooperativas locais).

iii) financiamento de estágios e formações de curta duração objectivando Emprego.


iv) financiamento pontual de micro, pequenas , médias empresas e cooperativas em actividade com
problemas de tesouraria, garantido os postos de trabalho.

Para assegurar o êxito do Novo Fundo de Emprego, o Estado cria um sistema de cadastramento de
desempregados do país, recorrendo aos dados biométricos, provas de vida regulares e um sistema de
controlo apertado da utilização dos recursos públicos, tais como o controlo do Tribunal de Contas, a inspeção
do IGAE e submeter o relatório anual a aprovação da Assembleia Nacional.

O Novo Fundo de Emprego é um instrumento financeiro que estaria sujeito a seguro e resseguro, podendo
fazer aplicações de uma parte dos seus activos nos mercados financeiros para os rentabilizar.

A percentagem destinada a aplicação nunca excederia 30% do activos previsto anualmente.

O Fundo de Emprego, estaria sujeito às regras de complainces aplicadas à banca comercial. Para garantir
utilização cuidada dos recursos públicos, a gestão é corporativa assente, desde o início, nos padrões
mundiais de boa governação.

O Novo Fundo de Emprego pode ser uma realidade já próximo ciclo económico de 2020, desde que haja
vontade política.
O Novo Fundo de Emprego não substitui as políticas actuais para o fomento do emprego, nem é a panaceia
para o desemprego, porém, é um poderoso instrumento que se juntas as políticas, planos e programas em
curso.

O Novo Fundo de Emprego pode contribuir para reduzir e controlar o desemprego.

Espero que o Executivo analise oportunamente esta proposta.


E por agora, mais não digo....
Lazarino Poulson