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Ren ete E a 5 a a Cs a s 3, i ES a7 E} i Sumario Prefacio da 1* Edicio ~ Gilberto Freyre ....., Preficio da 2* Edigio ~ Maria Stella de Azevedo Exu € 0 Primeiro a Comer .., Alimentagio ¢ Identidade . Tudo Come e de Tudo se Come: Em Torno do Conceito de Comer nas Religides Afro-Brasileiras A Mesa dos Deuses Comem os Orixds, Voduns, Inquices Ajeum ... Cozinha. Espago Sagrado dos Quitutes dos Deuses Utensilios do Fazer Culinario .... Os Pratos de Nana: A Comida dos Filhos ¢ a Comida dos Ancestrais Bebidas Rituai Cento € Cingiienta Alimentos dos Terreiros .... Animais do Sacrificio ..., A Comida dos Inquices . O Tabuleiro das Vendedeiras de Rua Caruru dos Ibejis ..... Olubajé ... Comida de Tempo oc... Inhame Novo. Pilio de Oxaguia ... Eb6 de Oxalé . Lorogun eee se A Xangozeira no Mercado do Recife .... Noché Sepazim: Um Ritual Divino Arrambam: A Festa das Frutas No Terreiro de Pai Adio . Culto Doméstico € Alimentagio Ritual Bibliografia Prefdcio / Seguindo * critério da andlise comparacional, situando ° ee pesquisa num conjunto motivacional de tradicionalidade e funcionseang Raul Giovanni da Motta Lody acaba de realizar valiosa pesquisa de « ade", abrangentemente séciocultural \ campo, afro-bra africanolégicos no Brasil. » Sobre "a alimentagao cerimonial ¢ m terreiros ‘leiros". Pesqui Sere fen cf Ati ilciros". Pesquisa que, assim sistematica, estava faltando aos estudc a s 08, E ee que 0 abuso, na apresentagio da Pesquisa, de adjetivos em "al", dé a essa Sta toques de trabalho escrito em antropologés. Esses toques, por¢m, nao se acentuam no decorrer do relato, pelo idénco pesquisador, de quanto colheu sobre assunto tao aliciante. De quanto colheu em diferentes cidades brasileiras marcadas por presengas africanas: Salvador, Rio de Janciro, Aracaju, Maceid, Recife, S40 Luis do Maranhao. De quanto. conseguiu recolher de "cozinheiros de terreiro, vendedores de rua, adeptos dos cultos afro-brasileiros" por meio de uma pesquisa de campo "vivida, sentida ¢ provada, incluindo-se a ingestao de muitos alimentos...". Nem outra caracteristica pode assumir a verdadeira pesquisa de campo senio esta: a de inteira imersio do pesquisador na matéria que aborda. Tratando-se de pesquisa sobre alimentagao ritual de terreiros — alimentagao que, ao cardter sagrado, junta alguma coisa de sensual nos gostos € nos cheiros — a identificagao do pesquisador com o objeto da pesquisa ou ocorre ou o estudo sera simples esforgo abstrato de quem flutuou sobre esse objeto. Flutuagao em vez de imersao. Como observa de inicio Raul Giovanni da Motta Lody, "a unidade ¢ 0 sentido social dos terreiros tém nos alimentos comunitirios verdadeiros prolongamentos das alimentagGes secretas dos pejis, quando os deuses satisfazem seus desejos de dendé, mel, carnes, farinhas, frutas, bejerecum, iru, cozimentos e papas." Mais: "E por meio da alimentagio comum dos deuses € seus crentes que 0 culto tem assegurada sua sobrevivéncia.” Por ai se vé 0 quanto sao profundos os significados sagrados da culinaria ritual dos terreiros afro-brasilciros. Sua importincia mistica. Também a extensa pesquisa de campo, de que agora aparecem os resultados, em livro interessantissimo, mostra que a essa cozinha ritual na¢ falta, no Brasil marcado por presengas africanas, variedade regional dentr< ™ de uma unidade pan-afro-brasileira. Muito se enganaria quem SUPUSE sce que a cozinha afro-baiana ritual monopoliza os pratos ntuais afro-brasileiros Uma das surpreendentes revelagdes da pesquisa realizada por Lody ¢ mostra, nopolio baiano, ser o Maranhio “dete, contra a crenga geral nesse quase mo! de vasto receituario gastrondmico (afro-brasileiro)” ¢, como tal. de “alto significado etnogrifico...". Neste particular, como em varios, a Bahia, pelz muita repercussio de seus valores afro-brasileiros, abafa os de outra; as quais nao faltam artes, mitos, complexos provincias ¢ regides brasileiras, rivais dos afro-baianos. Outro exemplo, além do maranhense, seria, no setor da culindria ritual afro-brasileira, 0 do vulto das “influéncias das ervas ¢ favas” nas casas de Xangé de Pernambuco, Alagoas ¢ Sergipe, estados que, no mesmo setor, parecem vir constituindo um conjunto afro-brasileiro nitidamente diferenciado, no Nordeste do Brasil, tanto do baiano como do. maranhense; ¢ os dois, em certos particulares, diferenciados ao modo de cada um, das origens africanas. Por meio do estudo especifico de cada um desses conjuntos e, também, do constituido pelo Rio de Janeiro, a abrangente pesquisa de Lody chega a nos apresentar um quadro quase completo da gastronomia ritual afro-brasileira. Quase completo por lhe faltar estudo igualmente especifico de 4rea mineira, com a sua impressionante riqueza de simbolos, de tabus e do que o Nicido pesquisador denominaria "injungdes’. E por meio da consideragao do complexo séciocultural afro-brasileiro total, formado no Brasil por esses conjuntos, que o pesquisador Lody conclui da “alimentacio publica ¢ comum nos terreiros" constituir sempre, além do clo "socializante", expressao de “fortes preceitos religiosos". Por conseguinte, pode-se considerar a cozinha “um espago de culto tao significativo como 0 pei". A pesquisa de Lody nao faltam minucias sobre 0 assunto pesquisado que talvez sejam apresentadas em livro pela primeira vez. Os "cento ¢ cingiienta alimentos dos terreiros", por exemplo: cada um deles identiticado € descrito, Tampouco lhe faltam constatagdes sé possiveis 4 base de pesquisa realizada tao em extensdo ¢ tao em profundidade. Exemplo: a grande influéncia iorubana presente nas alimentag6es votivas, todas clas com sentidos Préprios. Mais: a penetragio profana em algumas das tradicionais festas culindrias afro-brasileiras. 10 EES “=~ Atrairam-m¢ Ae © @ atengio de amigo, que fui, do babalorixé Adio, do icadas pel ; ene Lody, destacando-se de Adio ter Pelo pesquisador Raul Giovanni da Motta afobratince de Rent sirigido “importante reduto dos costumes » OU, mais precisamente, "reduto de tradigses adquirindo as divindades nesse terreiro AS cerimOnias € situages proprias". Sugere ¢ naquele famoso babalorixé € meu amigo sempre a a a ea fortemente brasileiro, nacionalmente brasileiro, . Do que sei a respeito, Adio, em vez de considerar- se um inovador ti ji ; ", que tivesse desenvolvido originalidades de culto, tinha-se na conta — & base di ido, j lo ra Lagos, a fim a base de ter ido, quando jovem, do Recife para Lagos, a fim de, durante anos, como que formar-se ou doutora Recife, as paginas a cle dedi voltadas ao culto dos orixés, caracteristicas especificas © muit ter havido em Adio o que n: me impressionou: do se em teologia ou em religiao, uma, 5 numa, para ele, Santa Roma de sua crenga, que era a africana Lagos - do Unico ortodoxo desse culto no Nordeste de sua época. $6 admitia como seu exato confrade o babalorix4 Martiniano, da Bahia. Isto mesmo acentuou na carta em que, por volta do ano 1928, apresentou-se a Martiniano. Um Martiniano que eu verificaria, em nosso encontro em Salvador, ter por Adio © mais fraterno afeto. E certo, entretanto, ter Adio me comunicado, numa das nossas muitas conversas, na sua casa do Fundao, que nao se considerava negro africano, porém, de todo, brasileiro. © contetido diferenciador a contradizer a forma ortodoxa. Nunca — acentuava-me — conseguira, em Lagos, reintegrar-se nos costumes afticanos, ou desabrasileirar-se, embora tivesse aprendido nagé e, no setor teoldgico, se int ado do culto dos orixés na sua completa pureza. E possivel, assim, que sendo tio fiel & sua condicio de brasileiro, tivesse abrasileirado na substincia, dentro dos ritos ligados a esse culto, 0 que Ihe velmente parecesse a parte daquela pureza teoldgica e como que fle: socioldgica, além de susceptivel de abrasileirar-se em sabores ¢ odores equivalentes dos africanos. / Adio era homem nao sé de notavel inteligéncia como admiravel pela sua correcao de atitudes. Tendo adquirido em Pernambuco, ou no Nordeste, um prestigio nem de longe igualado por outro babaloriss, quer uu enterro foi um acontecimento nos seus dias, quer depois de sua morte ~ § se prestigio, para A sombra dele enriquecer-se recifense -, nunca abusou des — como poderia ter enriquecido ~ ou para negocid-lo como poderia ter negociado — em termos eleitorais. LE Se foi o "mantenedor de costumes € priticay cercaday de sigilos, 1 ~ BOS, tabu, e voros de fe" aque se refere Lody, apoiado em informes de seus sucesso, cases sigilos € esses fabus cram parte do seu eseripulo em preservar a pure 2 : al fora sagrado sacerdote em Lagos, Posso testemunhar qu ar Guc asa, Nao admMitia SEHAD pessoas — COMO tive Oo Be 1 Bosto di do culto de qu aos dgapes em sua es ss tornar — de sua inteira amizade, além de confianga absolura, Uma aming € uma contianga que mio estendeu = injustiga de sua parte ~ aquele admire ‘ Ulysses pernambueano a quem se deve 0 inicio, em Pernambuco, de nn, aritude, da parte do governo, para com Xangos. Sei o quanto era objets «, esvelo ortodoxo a “alimentagio votiva de Ol6fin", dia de Natal. B-quianye, seu di escnipulos punt ocasides. Se como a sua m de alimentos a que nao se admitian caracteristica de varias sociedades negras africanay — ha no preparo de alimentos sagrados ligados a essa © a utr, esa — sem me utilizar de garfo ¢ faca = © particis, m estranhos, € que, segundo aque), “escolha de amigo", instituigio estudada por Herskovitz -, cu fora por Adio escolhido para sey especial amigo e, como tal, poder participar de certos alimentos postos 3 sua mesa fora da vista de estranhos: na sua intimidade de patriarca. Um patriarca muito de sua familia. E que, quer como homem de familia, quer como babalorix4, resguardava-se de turistas ¢ de curiosos, até mesmo de reporteres. Tanto que, nas ceriménias de cultos com musica e dangas rituais, ele s6 aparecia j4 de madrugada: quase que sé presentes os iniciados. Dangava, entio, ele préprio, no meio de uma grande reveréncia religiosa de todos. Mas a sua dariga nao era apenas impressionante pela expressao religiosa Também pela sua estética. Alto, grandio, j4 — quando o conheci — sessentio. de repente tornava-se surpreendentemente jovem. Agil. Quase o que deveria ser Nijinski, se africano e babalorixd. Assombroso Adio na danga ritual Pelo que escrevi um pequeno poema sobre o dangarino sacro que mais de uma vez vi dangar como se fosse um elfo. Registra Lody a "vasta ¢ fart culindria desenvolvida no terreiro de pai Adio", pormenorizando ter put dela ja penetrado - dessacralizada, & claro, mas com seus gostos ¢ odores ersten: — em carddpios profanos, O que terd acontecido a outros quitutes — isto é, de outras culindrias afro-brasileiros. Recordarei que ao organizarmos no Recife, em 1934, ° co Congresso Afro-Brasileiro reunido no Brasil, um dos meus cuidados foi este: a culindria. Quer a culindria cerimonial ou religiosa, que‘ * = de ceriménias ou rituais de terreiros por Ariel, outro pelo Editor, brasileiros, até ened ~ constam receitas de quitutes > aS NEO, de todos desconhecidos. U, pea ag . Um mente Nacional me lembro, fornecida pessoal a dessas receitas, se bem que aprendi de coisas eet PO" Ado. Um Adio muito prevente ne : sas ¢ mistérios afro-brasilei ; aprendi que ante istériog -brasilciros. Até mesmo com ele uanto Martiniano do Bonfim — seu amigo b: Ad: 5 go baiano ~ Adio foi, como babalorixé ‘lei *4, um brasileiro de otigem africana, f em Lagos ~ onde adquiri africana, formado em teologia saa cee ea © comando de mais de uma lingua da Africa — y > leixou de sentir. ile: “Se ~ acentue-se sempre brasileiro. De modo algum foi cle — negro brasilei rasilej ; Neero Beasiieie te ro brasileiro. Brasileiro de origem africana, sim. ° ue Nos leva ao problema do abrasileiramento de inspiracées e de ritos religiosos africanos — até mesmo a culindria cerimonial dos terreiros — ¢ do seu afastamento, em suas expresses, de rigidas ortodoxias africanas Fato, alids, reconhecido pelo perspicaz, pesquisador que é Raul Giovanni da Motta Lody quando, quase ao concluir 0 excelente estudo que é Santo também come, observa os cultos domésticos ¢ a alimentagio ritual dos santos afro- brasileiros que desempenham a fungao de "perpetuar a crenga" que cada vez mais estaria se transformando, isto é, se abrasileitando, por meio da adequagao de seus valores africanos a circunstancias brasileiras ¢ a dinamizagao de seus conceitos, em face dessas circunstancias. Dai procurar Lody, em cultos ¢ em ritos ligados & alimentagao tribal, seja funcional ¢ necessitado de tais adequagGes. Nem outro vem sendo o processo de abrasileiramento de valores ¢ de ritos catdlicos a circunstancias ou ecologias brasileiras, sem que, com tais modificagSes, venham sofrendo as ortodoxias origindrias perdas dos scus essenciais. Modificagdes cxistenciais. Lembro-me do babalorix4 Adao — com quem tanto privei — como de um ortodoxo no seu modo essencial de ser religioso que se sentisse com © dircito de abrasileirar ou situacionar 0 que fosse existencial em valores € ens, devessem, no Brasil, adquirir aspectos cle, Adio, jé brasileiro, se tornara um sons, formas de paisagens, vozes, ritos que, desligados de suas orig existencialmente brasileiros, tal como re bores homem afetado por odores, sal ns nntes dos africanos. Tao afetado, modificado, transformado por itia seu regresso permanente a Africa, sentindo-se, como 13 ritmos, difere! eles, que no admi em valores € THES = até MesING vy sacerdoralmente responsive babalorixd, livre para deixar ques | ais ¢ santos pelos qu africanismos que aqui a entagio de P alimentagio brasileirismos. houvesse substituigoes [A ser exata & interpret igaey 4 Adio ter sido transafric r negritude religiosa, por de 5 se sugere, do modo flexiy, lady, de sempre rigide n ano cm vee a t a stig babalorix toca-se EM assunto de nay p one de ou Has! a sociologia _ como Adio, procedendo, antecipado a recente politica da Igreja Cars) vem sendo crescente a adaptagie, dy quando se trata de valores ¢ 4 africanida Hligiao, nicia para da religiao, imports tos. Babalort nesse sector, ccol6gicy ICA ey, situacionalmente, terao Se Jjo-curopeus, nos quais em espagos 1 as praticas catdlicas, a tr essencial, nos cultos € n; de musica, por exemplo. de Raul Giovanni da Motta Lody, € pesquisa « lerar problemas de sociologia d adig6es OU Constantes nj, curopéias. As Santo também come, antropologia cultural que nos leva a consid rcligiio. Uma sociologia que, quase sempre, principalmente, do que se tem estudado, e se continua a estudar, de religiGes de todo eruditas. Sem se atentar em exemplos oferecidos pelas menos vem se desenvolvendo a base eruditas € menos tehiricas. Insisto aqui em que, do meu convivio com o babalorixa Adio, ficou- me a impressio predominante de ter ele representado, no setor religioso afro-brasileiro — até mesmo no seu modo linirgico de valorizar a culinéria ritual, admitindo, entretanto, nela, presengas tropicais brasileiras ~ a superagio da condigao racial (africana negra) pela cultural (africana abrasileirada). Nunca surpreendi nele qualquer veeméncia quanto & primeira condicag) enquanto, mais de uma vez, vi-o revelar-se brasileiro de tal modo ientiticado) com a miscigenacio brasileira que chegou a me confidenciar - repita-se o registro do episddio — que, a certa altura, em sua estada na Afric, nao pudera " i c "EB i pudera "tolerar mais aqueles negros", Era o Brasil a chami-lo a si por ais motivos evide! ; evidentemente culturais a se sobreporem aos puramente rac Uma atitu e: fo i de, a desse tao importante babalorixaé, que talvez explique alteragdes relig : 5 igiosas por ele, ou com a sua béngdo, como que episcopal, OU candi, inv tidas de certo animo ja brasileiramente transafricano. ea ao tio interessante trabalho do eee eee comidas de santos" que 0 assunto foi versado ja ‘aldemir Cordeiro de Jesus Coelho de Aragio, da Universidade F ‘ed leral Rural de Pernambuco, em comunicagio — "A comida ——— de santo na dinamica do ter : " iro" — apresentada a XI Reuniao Brasileira de Antropologia, realizada no Recife, de 7 a 9 de maio de 1978. Consta de dados colhidos, a0 que parece, tio somente no chamado Grande Recife: sem a amplitude do estudo do pesquisador Lody. Destaca 0 professor Coclho da “comida de santo” propriamente dita a sua sacralidade: aspecto da matéria que o estudo do pesquisador Lody esclarece de modo amplo, a base de observagées recolhidas em terreiros dos mais represcntativamente brasileiros, por meio das varias regides em que esto situadas suas sedes. De ingredientes da cultura afro-brasileira ligados a ritos religiosos, ocupa- se magistralmente mestre René Ribeiro em seu Cultos Afro-Brasileiros do Recife, cuja nova edigao — segunda — acaba de ser publicada pelo Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais. Quanto ao que possa haver de sincretismo 4 margem do assunto, ser oportuno ler-se 0 pronunciamento de outro mestre, este ainda jovem ¢ j4 provecto: 0 antropdlogo-socidlogo Roberto Mota no hicido prefacio ao referido Cultos Afro-Brasileiros do Recife. Gilberto Freyre Junho de 1978. Prefacio 2 edicdo A dinamica de comer e beber no Can ee conetin.: ndomblé transce m1 bioldgica ¢ se constitui na princip, domblé transcende a agio al mancira de renov. é orem: 2 ae ens Comer equivale a vi € estabelecer 0 axé. ver, a manter, prese i GS anter, rvar, inicia ca reforgar memOrias individu: ( ere ais € coletivas, Comer é ae iS. r € uma mancira de se comunicar com 0 orixd € de fortalecer a troca de axé. compte age Can sme cin as ae ene on eee as oferendas aos orixis. Logo apos 0 casas, para a cidade. A nd peed banal sala, para o Creren para as a €, portanto, o grande laboratério sagrado onde © saber fazer, a fé, 0 respeito € a beleza plastica se encontram para 0 encanto das divindades. Tudo isto Raul Lody expde em seu livro Santo também come, na sua 28 edigao. Com seu espirito investigador e feliz inspiragao 0 autor fala das caracteristicas de cada orixd. Inquices ¢ voduns do seu ambiente propicio, incluindo também os ancestrais. Relembra os animais consagrados para oferendas, rituais e suas relagdes com as divindades africanas; nos faz compreender 0 simbolismo que reforga 0 panorama mitoldgico € as proprias organizagoes religiosas. Lody considera que a arte de preparar, comer ¢ servir no Candomblé faz parte de um ritual que deve ser respeitado em todas as suas etapas, uma vez que estamos lidando com forga vital. Assim é que todos os participantes para tais misteres sao necessariamente portadores de técnica, respeito ¢ sabedoria. Significativa € a maneira como © autor se dedica a classificagio de alimentos slidos ¢ liquidos, vasilhames adequados para cozinhar ¢ oferecer as entidades e & comunidade em geral. Dai é que, segundo Lody, comer também é um ato socializador. E para nos deliciar encontramos neste livro idadosamente claboradas, mesmo porque foram uma série de receitas, cul ae buscadas na fonte. Nao foi esquecido nem mesmo 0 carurt de Sio Cosme € Santa Barbara. ; / i ‘Vamos ler, nos reciclar, aproveitando a oportunidade que © pesqut Comer € viver. Comer corretamente é ser eterno. Maria Stella de Azevedo 17 sador nos oferece. Exuéo Primeiro a Comer Diz a lenda que Exu foi co; orix: ' cozinheiro dos « i Ogum ¢ Xang6, por se ds, € que principalmente eM muito °C , Xigentes, s6 comiarr i nae +86 comiam con 3 e molhos especialmente ans nenta Preparados pele , “ > Mestre dos temperos cuse Um dia, os orixés estavam f fn ess am com muita fome e See pediam insistentemente que Exu trouxesse a grande pancla que habi 1 abitu: a almente seria 0 repasto. Nisso, ece a , xu esq) Pimenta, porque nao teve tempo de . ir até o mercado para a compra, por iss ce ComPra> POF ISSO recebe reclamacio, especialmente de Xango, dizendo: — Exu, pegue ' ° 5 ; B P meu cavalo e v4 providenciar a pimenta, pois, assim, sem o molho, eu ni i zi fl nao como ~ nisso, Exu sai correndo a busca de pimenta, para atender 4 vontade do seu companheiro Xango. Enquanto Exu saia, preocupado, para buscar o tempero, todos os orixds comegaram a se servir da gostosa comida, entio Xango sugeriu que, apés a alimentagio, a grande panela fosse preenchida com agua e que nada fosse relatado, fazendo com que Exu ficasse pensando que os orixds ainda estavam com fome, aguardando a pimenta. Chega Exu, trazendo a pimenta, e vai até a cozinha para preparar 0 molho tio desejado por Xang6. Volta encontra a grande panela cheia de Agua, € constata que os orixds jd haviam comido. Exu fica indignado, jogando tudo no cho, ¢ sentencia: a partir daquele momento, ele, Exu, seria o primeiro orix4 a comer, ¢ sem a comida de Exu nada poderia acontecer no plano dos deuses € no plano dos homens. Por isso, todas as ceriménias dos Candombkés € Xangés sio iniciadas com 0 padé de Exu, que consta de farofa-de-dendé, farofa com Agua, acag4 ¢ de uma quartinha contendo égua. (Lenda recolhida no terreiro Obs Ogunté - Scita africana Obaoumin, em Recife.) 21 Inegavelmente, é no terreiro, na comunidade religiosa, local dos costumes € preceitos dos deuses africanos, que os processos de mudangas encontram suas defesas, algumas mais rigidas gracas ao sentido de unidade, de culto, elo de fé, congregados pela Nacio, pela unio de tradig6es culturais que hoje ainda sentimos e observamos, significativos momentos de africanidades que preservam identidades ¢ que se adaptam aos diferentes contextos. A variedade de formas das religiGes afro-brasileiras, 0 dinamismo cultural e a oralidade, como vefculos de transmissio dos conhecimentos, levaram a muitas transformagGes também abertas ao subjetivismo dos praticantes, 4 moda, 4 multimidia e a essa mundializagdo da cultura. Fator determinante para a unio e a preservagio das agées dos deuses €a alimentagdo sagrada. Os muitos pratos que constituem © cardipio votivo possibilitam 0 reconhecimento, 0 conhecimento das peculiaridades das Jas, mantendo, assim, a vida religiosa. divindades ¢ de como agrada 23 Os muitos procedimentos artesanais da cozinha sagrada, os detalhes eciais a cada prato, individualidade, forma € a sofisticagio, dio qualidades estética, sabor, sentidos simbolico e nutricional aos alimentos, ‘A unidade e o sentido social dos terreiros tém nos alimentos comunitirios verdadciros prolongamentos das alimentag6es secretas dos pejis, quando os deuses satisfazem seus desejos de dendé, mel, carnes, farinhas, frutas, pejerucum, bejerecum, iru, cozimentos, frituras e papas E por meio da alimentagao comum dos deuses ¢ de seus adeptos que as religides tém assegurada a sua sobrevivéncia. Os terreiros sao dtimos locais de fé, de festa e, principalmente, para se comer. Comem os deuses e, principalmente, comem os homens. Terreiro, bom de comer. Todo axé come. Tudo Come e de Tudo ® se Come: Em Torno do Conceito de Comer nas A boca do homem é um espago culturalmente sacralizado ¢ indicado para receber a comida, Aj se inicia um processamento palatavel, que € precedido pelo visual, pelo olfativo, formando estéticas préprias para a compreensio dos alimentos. O alimentar-se implica um ato bioldgico ¢ também social ¢ cultural. A convencionalidade de comer nasce da necessidade de nutrigao ¢ de sobrevivéncia, 0 que nao retira significados simbdlicos préprios de cada prato, tipos de ingredientes, locais de feitura ¢ de oferecimento. O ritual de comer sinaliza um dos mais marcantes momentos das diferengas étnicas ¢ profundamente antropoldgicas. E amplo 0 conceito de comer, até mesmo com os olhos. Comer com os olhos apresenta o desejo, manifestado por certa voracidade, precedente do comer na atitude mais formal, com a boca. As sensagées do olfato, a emosio € a visio da comida s4o componentes que integram € predispoem o individuo e seu grupo a interpretar € a se inteirar da comida, para, em seguida, comé-la. Assim, 0 corpo inteiro est4 pronto para comer Comer fisicamente ¢ comer 25 ida é, antes de tudo, jaticamente. A com sp comer emblem irirualmente, a cos de uma cultura, re de uma civilizagio, de eh portanres dos mais im, “ le um momento social, Srico, di ento hist6ricoy 2 es nen jo chamados para comer. Todos 0s codigos visuais Todos os § tide Stivos funcionam diant ética, com a moral, com todos 05 cédigos de um momento econdmico, te da relagio homem/comida. Come-se rérmicos ¢ © ciro, com 0 COFPO, com a por int ae : to social de que o individuo faz parte. E, assim, proprios do grupo € do estatul a comida intera-se, estabelece-se nas relacdes mais profundas entre o homem ea cultura. Nos terreiros, especialmente nos de Candomblés, Xangé e Mina, a comida ganha dimensio valorativa, sendo entendido 0 alimento do corpo e também do espirito. Comer, nos terreiros, é estabelecer vinculos € processos de comunicacao entre homens, deuses, antepassados e a natureza. Nao ha gratuidade na elaboragao de uma comida em Ambito sécio- religioso. Cada ingrediente, as combinagGes de ingredientes, os processos do fazer ¢ do servir assumem diferentes significados, todos integrantes do sofisticado sistema de poder e de crenga que faz os principios cognitivos do préprio terreiro — coeréncia com 0 tipo de Nagao, liturgias, morfologias particulares dos estilos, do crer e do representar. As emogées diante de cada comida tém fundamento, geralmente, no conhecimento peculiar de cada Prato, sua intengao, seu uso, seu valor par- ticular e. , . » também, no conjunto de outros pratos do card&pio devocional do terreiro, O dendé €, se Avi i edn 6 sem dtivida, uma das mais imediatas e eficazes marcas la Africa na ileira. Funci eS mesa afro-brasileira. Funciona como uma espécie de sintese de ‘0s Os sabores afri i africanos aqui Preservados, ¢ relembrados nos terreiros € também na ampla e divers: 4. , ei Versa culingria nas Casas, nas feiras, nos mercados arcando Ciclos festive. ‘ ” , Pa ‘€Stvos, entre OUtTOs eventos sociais. ma Aftica pers) vio Se uma Africa Seral € assumid ‘Ano dendé, entio comer dendé é comer gastrondémicas, Comer alé é i m da boca, contudo, é uma ampliagio sobre 0 conceito de comer nas religides afto-brasileiras. Tudo estd na permanente lembranca agao de que tudo come. Come o chao, come o ixé, come a cumeeira, come a do axé, dos principios ancestrais ¢ religiosos do terreiro. E amplo o conceito de comer. Nele esté implicito o de beber: da agua lustral & matanga de determinados animais, folhas, feijdes, milhos, cebolas, camardes defumados, dendé, mel, cachaga, entre outros, fazem os carddpios votivos. Comer é acionar o axé — energia e forga fundamentais 4 vida religiosa do terreiro, 4 vida do homem. A cabega é alimentada no bori. Outras partes do corpo sio também tocadas pelos materiais dessa obrigacio — agua, sal, mel, dendé, obi, orobd, sangue, folhas maceradas. Assim come e se nutre a cabega, que € parte do Corpo, espago dos mais sagrados entre os demais que fazem o préprio terreiro, Os instrumentos musicais também comem, ¢, entre eles, os atabaques. \s ins s pote i s, Ma "Sobre esteiras de fibra natural trangada sio deitados os instrumentos, 27 i atabaque, mum, © Mainr , ordem: rum, rumpi ¢ Ié ¢m seguida, diante do iq) : E 5 ositados uma quartinha contend, portante do trio, sio dep um dinheiro. A cerimonia contir portanto, 0 mais im um prato de lous: abrir um obi (Cola a gum (cargo masculino no terreiro, responsi. ‘ a.com alg Agua lustral ¢ ac Ig i " 3 cuminata), fruto africano que ¢ com 0 ato ritual de prato, O axo} inicia a matanga di sangue da ave pelos trés instrumentos, d,, colocado naquele le um galo sobre os atabaque, ys de animais) pelos sacrific seguindo-se 0 derramamento do Complementando 0 ritual, o axogum irda ¢ far azeite-de-dendé sobre «, nfeitar as bor. maior ao menor. dos couros com algumas penas ¢ borri intrumentos. O galo, entio, ¢ levado 4 cozinha para ser prep: arado, separands. se as visceras, cabega ¢ pés — partes sagradas — que serao cozidas separadamente da carne. Estas partes sagradas sao colocadas em outro prato, sobre a esteira, onde se encontram os atabaques. A carne € dividida entre todos os participantes da ceriménia, que compartilham o mesmo sacrificio. legando assim os atabaques aos deuses e aos homens. E, sem divida, um ritual socializador. Apés um periodo de um a trés dias, as oferendas sao retiradas das esteiras € os atabaques sao levantados, em ceriménia que conclui a sua sacralizacao, ¢ estes poderao, agora, cumprir suas fungdes de cunho publico € privado no terreiro. Nao podem ser percutidos imediatamente, pois terao de permanecer alguns dias descansando, como num verdadciro resguardo ritual. - ; _ €poca das festas, cada atabaque € vestido com uma tira de pano, c ine : i “ ° cae do instrumento, arrematando com um lago. Essa faixa € ada ce ouja ou ojd — tira de qualquer tecido, com aproximadamente 2m de compri primento por 30cm de largura, nas cores votivas de divindades patronas do terreito on dos ataby a 5 aques, E prerrogativa de pesso, ques, E : “SS ato de vestir o ai é IS iniciada: vanes ee uma das raras participacs participacio femini ? Participagdes da mulher no Amb d oe ina, alids (Lody, 1989: 26-27.) ito da mtisica do terreiro," ——_ ff? __ Objetos pessoais e outros coletivos, para manterem suas propriedades, tém de comer. Sao os fios-de-contas, simbolos particulares dos individuos, que também relatam histérias inicidticas e tém, obrigatoriamente, de comer junto com 0 corpo € os implementos sacralizados dos assentamentos nos pejis. Pode-se afirmar que comer, nessa concep¢ao abrangente do conceito litargico do terreiro, equivale a cultuar, zelar, manter os principios que fazem o proprio axé, enquanto a grande unidade, a grande conquista do ser religioso do terreiro. Os espagos da natureza também comem. Mar, rios, matas, estradas, pedreiras e outros, que tém sinalizagdo por monumentos naturals 0 vindos da intervengao do homem, da marca de um orix4, de um vodum, de um inquice, de um caboclo. E preciso alimentar a natureza, os deuses, os antepassados, que representam patronalmente os clementos ou sao expressos nas atividades de transforma 40 do mundo. Sao guerreiros, cagadores, ferreiros, reis, en. tre outros, que desejam a garantia da harmonia entre hoje/vida € histéria/antepassado na temporalidade vigente nos terreiros. Hi uma espécie de boca geral, de grande boca do mundo, simbo- lizada. Tudo ¢ todos comem. Todos querem comer. Comer para existir ¢ manter propriedades. Os atos piiblicos do ajeum nos terreiros de Candombleé sao dos mais significativos momentos da socializagao pela comida. Comida, geralmente, é origindria do cardépio dos deuses, fortalecendo relagGes entre homem/deus patrono. Assim, 0 ajeum é uma festa do comer, do beber, do falar sobre os rituais precedentes — musica, danga, obrigagdes dos santos; é, ainda, um ritual de alimentagao fisica, que geralmente culmina em samba-de-roda. Pode-se dizer que comer é festejar, vivenciar 0 mundo. Compartilhar da comida sagrada, do banquete cerimonial dos deuses, € ato democratico. Todos sao convidados. Todos participam do ajeum publico. Tao dinamico na ago bioldgica e convencional de comer é 0 conceito de comer no ambito das religi6es afro-brasileiras. Comer equivale a viver, a manter, a ter, a preservar, a iniciar, a comunicar, a reforcar memérias individuais e coletivas. Assim, fundada nesse principio, a vida ¢ a grande celebragio realizada entre os homens ¢ seus deuses. Isso se dard preferencialmente por meio da comida. Isso se dar4 na compreensio diversa e complexa do ato de comer, quando tudo come, até o homem. 30 A Mesa dos Deuses Comem os Orixas, Os motivos socializadores de se oferecer comidas rituais aos deuses africanos ajudam no fortalecimento dos lacos religiosos € éticos que unem os adeptos das religides afto-brasileiras, contribuindo para o aumento do contato entre os homens e seus deuses. O costume de oferecer alimentos aos deuses reforga a fé e as identidades. A amplitude da culindria sagrada dos orixds se mostra muito diver- sificada, sendo estabelecida 4 base de carnes, peixes, farinhas, temperos, éleos € muitos outros ingredientes que, ordenados de acordo com os preceitos, resultarao em comidas desejadas do agrado do santo. O gosto € © hébito alimentares nos rituais africanos esto condicionados as suas agoes sagradas ¢ também nutritivas para os homens. _ O Candomblé é, sem divida, o reduto de grande significado para a as atitudes rituais ¢ as manciras de preparar sobrevivéncia da cozinha, onde — ee ae de alimentos esto repletas de significados econdmicos € socials, sendo ‘ coe emi icacdo em linguagem propria — a comida. i Anci: uma comunicagao em alta importancia para 31 {pi CUSes EStho proje Os pratos que constiruem o cardipio dos deu Projctacte Js. prato s ' {ades afro-brasilei . = ¢ comunic + OS Pratos além dos santudrios — barracoe sto nas festas », ¢ 1 ss se revinem para louvar ¢ obsequi 1, onde mul io nas festas de largo, 5 e individualmente crer, As comidas a base de milhg, seus santos de devor “heiro, camardes secos, gengibre € bebidas = refreseos ¢ papas, azcite-de Icodlicas ~ desempenham scus papéis socializantes, mantendo os grupos aleodlicas — des 2 em suas atitudes de divertimento ¢ fé. E grande a interpenetragio dos elementos sociais € sexualizados nos religiosos, quando, em pragas publicas, as festas dos santos catdlicos, unidos no paralelismo e na identificagao com os deuses africanos, juntas promovem os grandes ciclos que vio de janeiro a dezembro, segundo um calendério baiano. Na realidade, a cultura popular € rica em interpretagées locais, de cunho regional, dando a culindria religiosa variagdes que acontecem nas receitas, maneiras de fazer € servir e, principalmente, nas interpretaces ¢ nos usos dos alimentos. E também importante dizer que as especialistas das cozinhas dos deuses, mulheres que conhecem os segredos ¢ rigores dos pratos dos orixas, voduns e inquices, também cozinham nas festas de largo. Sio as id-bassés — cozinheiras dos terreiros que se dedicam, com votos religiosos, ao preparo do cardapio ritual — que tém importante papel nos terreiros, onde os alimentos, pelos seus sentidos funcionais € propiciatérios, 32 funcionam para agra - Pi gradar, aplacar, inovar ou cultuar os deuses afti ses africanos ¢ também provocar 0 Paladar dos homens No vasto 8 anoram: ori Pp a culindrio afro-brasileiro, nado nos podemos condicionar, exclusivamente, 4 cozi amente, & cozinha afro-baiana, que é expressi aiana, que € expressiva, mas nio monopolizadora dos pratos rituais afro-brasileiros. Sio Luis do ) : . lo Maranhio, Por meio dos rituais Nag6 ¢ da Casa das Minas, tradicionais pela manutengao ao culto dos voduns, é detentora de vasto meena 10 gastronomico ¢ de alto significado etnografico, quando as comidas vém ao querebetd, varanda onde as dangantes esto com os seus voduns, ou nos santudrios, onde os ritos secretos sao estabelecidos. As grandes cuias com alud de milho, pao e vinagre sao servidas a0 gosto dos voduns ¢ as pequenas cuias estdo repletas de abobds, milho cozido e pequenos acarajés, que muito se distanciam dos baianos, em especial pela forma. Nas casas do Xang6, em Pernambuco, Alagoas ¢ Sergipe, 0 pa- norama é ampliado pelas influéncias das ervas e favas de uso comum nas praticas do Catimbé, da Jurema, da Umbanda. O colorido, 0 cheiro ¢ a variedade de condimentos comuns as mesas dos orixds dos terreiros de Xangé s4o distintos dos pejis dos santos das casas afro-baianas, onde sentimos a presenga de fortes clos africanistas nos nomes dos pratos, condimentos ¢€ produtos utilizados nessa culindria. Os tabus ¢ as injungoes de género norteiam os procedimentos das cozinha, onde o homem, ivo das iabds, responsiveis pela e¢ das comidas Avei: m muitos terreiros, ¢ proibido responsdveis pela ( Pp de entrar, por se tratar de local exclus preparacao dos axés, partes de animais sacrificados nos pey}s secas que fazem a base da alimentagao dos deuses. 33 pos de fogsies utilizes ri Onn}, ulindrios ¢ es T vais do cozimento der NGr ad Os utensilios € canos manten (hie prineipios tracicion s gui as palavras magicas contri Die rdias do posto © da e: dos deuses 2 fi-basses, verdadei mana ¢ iado pelas arent as das ato sagrado cm su Os momentos, OS di sara o real funcionamento do pr a realidade ccrir Honial » a‘stre de contetido votivo. ente repleta de detalhes ¢ simbolismos a complexa E realm ilcira, onde também 0 poder de sedugao faz ex Z COM « nomia ritual afro-bra o homem i g i n traga muitos desses alimentos ao scu convivio diario ou IU Margy momentos especiais nas festas das casas, nas Testas pul Ss, Compart as festas das ti u Ih a . nas fes blica: ) til! Pp: yand relag6e: i i Ges € sabores, muitos originalmente sagrados fe — chamadas comidas de branco, sao servidas obedecendo a uma seqiiéncia hierarquic: i vari quica. A oferta de alimentos ¢ a variedade de Pratos convidam a todos os adeptos ou visitantes a consumir os assados das carnes dos animais que foram sacrificados em honra aos orixds, as frituras em azeite-de. -dendé ¢ muitas outras comidas. E tradicional que as pessoas do terreiro sejam as tiltimas a se servir, dando preferéncia as visitas, em geral. Depois dessa primeira leva de alimentos, é formada a mesa dos ogas, quando os dirigentes do terreiro, equédes ¢ outras pessoas possuidoras de cargos importantes na hierarquia religiosa do Candomblé ocupam a mesa, que € a mais bem servida tanto em ida como em atengao, havendo certa variedade de bebidas, incluindo comi 0) » 35 cerveja. © uso de bebidas alcodlicas nao é habito € nem esté ligado as origen, iros. Refrescos fermentados de frutas ¢ raizes sempre gastrondmicas dos t iménias privadas ¢ ptiblicas. tiveram lugar nas ceriménias privadas ¢ pitb ‘A cachaca, a cerveja € raramente 0 vinho poderio ser servidos em cachaga, a , festivas, apds as priticas rituais, quando o dia amanhece, © a0 ar ocasides livre, como é de costume. Na grande mesa ¢ sentados em bancos, os ogas € os convidados de alto status nos terreiros poderio consumir bebidas alcodlicas. A louca utilizada para servir os alimentos é separada de acordo com 0s preceitos das pessoas diante dos deuses africanos. Os novigos as iads utilizam-se de vasilhames de Agata, pessoas iniciadas ¢ 0 ptiblico em geral comem em pratos comuns, servindo-se ou nao talheres convencionais. O ato de fazer o ajeum é comum na alimentacao, mesmo quando os Pratos nao sao ligados a culindria sagrada dos deuses africanos. A motivagio Para muitas destas festas puiblicas € 0 ajeum que acontece ao final das dangas rituais. Na grande mesa, certa liberdade em consumir os alimentos ¢ a bebida anima 0 piblico assistente. E evidente a motivagio religiosa, atuando por meio dos cAnticos e das dangas nos momentos em que as divindades vém Participar, no barracdo, com suas presengas histéricas ¢ seus enredos, O ajcum € a comida, é 0 ato da alimentagio voriva estendendo-se 3 festa. Essas expresses ¢ procedimentos sociais estio vincul lados aos terreiros de Candomblé, objeto principal deste trabalho, 36 Contudo, ai ja-se cada ve: , amplia-se cada vez mais o que é servido na alimentagao comunal do ajeum, bem como as manciras de servir, de aproximar 0 homem da comida. Bolos confeitados, ornamentos com requintes de confeitaria, doces variados € mesas arranjadas com critério ¢ estética das festas domésticas ou de outros espagos nao-tradicionais aos terreiros geralmente fazer parte dos rituais publicos do ajeum, unindo dinamicamente os recursos gastrondmicos de diferentes origens com a mesa fundada no dendé ¢ nos preccitos africanos. & crescente a interpenetragao dos cardapios das casas € dos restaurantes nos terreiros. ‘A comida do branco vem ganhando espago cada vez maior com os alimentos tradicionais, aqueles de maior vinculagao na Africa, mesmo sendo uma Africa idealizada ¢ recriada no Brasil A corinha ritualistica é organizada seguindo critérios de uri no preparo de muitos pratos constituintes dos carddpios dos deuses africa Jo dos utensilios ¢ as atitudes das pe As disposigdes dos objetos, a confec que tém o mister de cozinhar para as divindad s nos dio importantes car pos de andlise, quando observamos complexos gastrondmicos que iri atender 4 fome dos deuses ¢ satisfazer e cumprir as necessidades dos adept s que, por mcio do preparo dos alimentos, conseguem criar um momen: erimOnias votivas dos terreiros. importante no conjunto das 2 —— As cozinhciras dos deuses devem atuar no espago sagrado de suas cozinhas ¢ Pestiveses . . .. . ‘as COMO se estivessem no interior dos santuarios, ¢ os alimentos que nao ertencem ao ¢a Api 7 = : P > carddpio ritual deverio sair desses locais, devendo ocupar cozinha prépria, E notada a mi ist ae meer tura da culindria comum com a ritual, motivada pela necessidade de espaco o ~ . Paso OU mesmo pelo natural distanciamento dos valores normativos originais da cozink zinha say) y i elles ade grada. Na realidade, a cozinha artesanal afro- quire suas versées ¢ j é ; € Interpretagdes regionais nos terreiros de Xang6, nos Candomblés e em outras fi i ; an formas de religiées, que orientam ‘os preitos aos orixds, voduns ¢ inquices. O nivel de iénci i consciéncia dos rigores gastronémicos da vasta culinaria dos terreiros é t: éi ird i ambém © aspecto que ir4 determinar o grau de identidade c - 29 7 F igi ou de aculturagao com a série de procedimentos da cozinha de uso religioso. E comum observarmos nessas cozinhas sagradas a presenga do fogio a lenha, ¢, ainda, de muitos fogareiros e outros tipos de fogdes. Os muitos utensilios so colocados nas mesas ou bancas. Panelas de barro, alguidares, travessas, tigelas najé, quartinhas, talhas, pratos de ceramica, gamelas, pildes, pedras de ralar, moinhos, abanos, colheres de pau, penciras, baci em Agata ¢ folha-de-flandres, tachos de cobre, entre outros, sio os objetos que constituem o ferramental do trabalho das id-bassés, mulheres que cozinham para os santos. Noites inteiras sao destinadas ao preparo dos alimentos que fazem parte do ritual, € apés as manhizinhas, quando sacrificam OS caprinos € as , aves no interior dos pejis, as id-bassés Vio preparar, com grande rigor, 0s imai! ii eixara sangue nos simbolos dos deuses, animais que, sacrificados, deixaram 0 g unindo seus elementos de vida ¢ fertilidade ao estimulante contato da seiva, in 39 dos assentamentos, n e nos objetos uses ¢ cumprindo seus sey ras dras, nas escultu eee sdades dos de o axé, revitalizando as propre de dinamismo ¢ forga. ; As carnes ¢ demais partes dos animais que foram sacrifi paragio. Boa parte de: 10 ajeum, onde todos partic ‘ados »: dos ta, sses animais sera consym:s preceitos especificos de pre| mais tarde, ao término da festa publica, ne piiblico em geral € iniciados. Raramente sio preparados doces para 0 ajeum. Os pratos sa ¢ a cerveja constituem os produtos consumidos pelas pessoas. Os deuses alimentados em primeiro lugar, ¢ a retirada dos pratos dos pejis constit ceriménia de grande importancia, como aquelas realizadas para o ofereciment: dos sacrificios e das variadas comidas. 6 —— Nao hd ceriméni: i ceriménia de cunho privado ou publico onde a comida nio esa Presente. A alimentag4o dos deuses e das Pessoas que participam dos core € norteada por tabus e injungées, tais como: as iniciadas de _ mr m net caranguejo ou abdbora; as pessoas que tém Oxum como he nao devem comer peixe sem escama, Principalmente 0 on s., anaes de Omolu nao podem comer siri; os adeptos de Xangé maloria, ndo comem carnciro € carangucjo, € Os inicia nue 1 € OS dos da nagio Jeje-Mahi sao proibid ° 7 Bs ibidos de consumir OCC tam Pp nsumir carne de porco, que també » ambém nao consta consi de nen! Api hum carddpio sagrado dessa Nagio. Essa é uma marca dos ne; i i: gros islamizados, que tanto | zados, egaram p; ara a organizagao d. ae jas ituai: ‘lei Praticas rituais afro-brasileiras, e é evidente a Proibica 1¢I0 da carne de porco para os adeptos dessa Nagio, pois nos preccitos dos rituais Jeje-Mahi grandes sio as identidades com os negros do Iski, na Bahia. Esses preceitos sio notados nao sé nas tradig6es culindrias, mas, também, nos cAnticos melismaticos, nas posturas ¢ em outras atitudes rituais. O espaco da cozinha € de alto significado para a vida dos deuses, sua manutengao € a renovacio do axé, elemento vitalizador das propriedades ¢ dominios da natureza, quando o sagrado aproxima-se pela boca do homem. A cozinha é um espaco que retine nao apenas os saberes culingrios, E um verdadeiro depdsito de utensilios, tradicionalmente artesanais ¢ ceramicos. Formas, tipos e quantidades existem Para apoiar a tarefa de preparar os alimentos. Embora os utens{lios elétricos componham o elenco das pecas de apoio das cozinhas, mesmo daquelas consideradas as mais ortodoxas, verifica-se uma valorizagao das Pegas artesanais. a > —$—$<—$—<_.. 7 —— Pela manipulagao, contato mais direto com os alimentos, Pode-se sentir tratar, certamente, com maior emogao de feijdes, farinhas, carnes, temperos e tudo o mais que integra os carddpios dos homens e dos deuses. Os processos de fazer alimentos rituais religiosos jd implicam compromissos litargicos na Preparagao de cada ingrediente, em uma relagio Permanentemente sagrada. Tudo se relaciona ao Ambito do terreiro, 42 Ha um forte sentido intercon, dle ontmenn plementar entre comida, palavra nusica, danga, indumentiria. pes : 7 hn TED, Gait Gantt, alates lagos ancestrais com a Africa, Com os terreiros . ca ferreiros matrizes, com as formas de comunicagio entre os membros do terreiro, deuses © antepassad: 8 © ANtepassados, A cozinha é um ¢ romisso fi SomPromisso firmado para tudo o que acontece no terreiro. Comida para os rituais mais si Pi rituais mais simples, por exemplo, 0 oferecimento. e obi ¢ Agua ey cme p de um gua, € complementada servindo un mungunza para os integrantes da ceriménia, membros da comunidade ¢ convidados. Os rituais sio regados ¢ celebrados pelas comidas. Por tudo isso, os muitos ¢ diferentes utensilios que proporcionam o fabrico dos pratos assumem valores especiais, ndo apenas pelos scus significados funcionais, mas, também, pelos simbdlicos. HA um valor geral dado a louca da Bahia, aos tipos, cores e texturas, destacando-se os produtos de Maragogipinho. Quartinhas, quartas, alguidares, travessas, entre tantos outros tipos, servem aos trabalhos culindrios, como, também, sio depésitos de alimentos, de 4gua = potes, porrdes, quartinh6es. HA, também, uma estética baiana que seleciona os objetos para fazer ¢ servir alimentos. A louga baiana, geralmente decorada por pintura e, em alguns casos, em relevo, de certa forma aproxima a Bahia dos alimentos afro-brasileiros. Algo nostalgico, ou mesmo ancestral que, para o povo do santo, tem sig- nificado muito especial ¢ € reforgado no imaginario da cozinha. "Maragogipinho (...) situa-se 4 beira dum rio — conhecido como rio de Maragogipinho — que vai afluir no Jaguaripe." (Pereira, 1957:53). ripinho, onde se concent ogipinho, tam » Maragog) a Destaca-se Aratuipe, sede dl fividida em longa grossa © miugalha, d : as olarias. geralmente brunidas c ‘A louga de Maragoy 4 — sfio as pe gipinho é s maiores, ha, a miniatura, regionalmente > Louga gross 7” umas vidradas — € miuga’ ; , : 4mbito lidico e infantil. se fazem com o emprego do taué, decorada conhecida como caxixi ~ de fungio € As decoragées das vasilhas tabatinga e, em alguns casos para as talhas, baixos:relevos: - "Da ceramica utilitéria, s6 a da Bahia apresenta interesse artistico, Suas feiras oferecem assombrosa quantidade de louga lindissima, pratos ¢ potes, quartinhas ¢ jarras de beber dgua, copos ¢ jarrinhos para flores. Em jarras, quartinhas ¢ pticaros, pode aparecer alguma flor pintada a dleo, mas a pintura mais caracteristica € a que se faz com tabatinga branca ou parda. A decoragao da louga de barro baiana, que é, nos Pratos, externa e interna, representa, em finos tragos estilizados, motivos florais, ou encanta- se em mistério abstracionista; nos potes e pticaros, o motivo mais freqiiente € um misto de concha e flor, geralmente aplicado com disciplina, em toques de tabatinga branca." (Meireles, s.d.: 59 € 60). A produgio tradicional de Maragogipinho ocorre junto a uma linha especial de vasilhas de barro, nominada pelos préprios fabricantes como cerdmica turistica, (0 trabalho sistematizado de Maragogipinho, com suas olarias de palha e de telha, é dedicado hoje 4 chamada cerimica turistica. A produgio € canali Sprit i i ‘analizada para o Proprio mercado que o turismo Proporciona, e que encontra na louga vermelha pintada de bra ‘anco a marca da Bahia.” Geisel, 1979:8). marca da Bahia.” (Lody & O escoamento da ceramica turistica © " : da louga grossa de amplo consumo local ocorre, principalmente. " em feiras ¢ mereados na Cidade de Salvador, Bahia, ¢ em outros Pontos na regi an 10 do Recéncavo. Por exemplo, na Feira do Porto — feira ciclica de vasilhas de barro que acontece durante as festas de Si0 Joao, Cachocira, Bahia. “Quem, por exemplo, percorre as barracas circunvizinhas do Mercado Modelo ¢ a Feira de Agua de Meninos encontra uma ceramica de cor morena, com decoragio tipica e padronizada — arabescos em tragos pretos se valorizam, apresentando figuras antropomorfas chamadas bonecas (...)" (Pereira, 1957:35). Hi cerca de 20 anos, a chamada feira do barro integra-se & antiga Feira de Agua de Meninos, atual Feira de Sa Joaquim. No Mercado Modelo sio poucas as lougas oferecidas nas lojas — algumas de Maragogipinho, Ba- hia, principalmente as figuras de barro de Caruaru, Pernambuco. Entre as ofertas das lougas de barro mais tradicionais da regido estio a quartinha, comum como pega de uso individual, enquanto a quarta ¢ 0 quartinhao sao, geralmente, de uso coletivo nas casas. Passando ao Ambito ritual religioso, as relagdes podem reproduzir-se, ampliando, também, as fungdes de hidrocerames que ¢stio formando montagens escultdricas € simbélicas conhecidas como assentamentos. Sio ocorrentes nos terreiros de te Ambito, nas cozinhay Votivas «4, neste § Candomblé ¢ de Xango, ¢ ainda, deu: 4 r AO especili 4 silhas de barro, nao hd uma produgao especitica «, No caso das vasilhas i ) incorporados os objetos de uso comum ¢ jue giosa. Sa inagio ritual reli destinagio ritual re eine x ’ egas caracterizadas Cony I. o amplo consumo. Contudo, outras pegas caracterizadas con, circulam para oa fe de san xara, ibiri. ho de ferramentas, opachord, ¢1, 4 molho ferra: OF ' 1 to, xaxard, I ferramentas de s. Jo de feitura especial para 0 consumo ¢ uso ritual religiose nos outras, sa —— "Os objetos que fazem parte dos rituais, nos seus desempenhos, nao terreiros. apenas representam, s4o, assumem o nivel de utensilios sagrados. Isso ocorre apés a inclusao dos motivos do axé pertinentes ao objeto. O ciclo de feitura do objeto artesanal é conseqiiéncia que obedece rigorosamente a todo um " (Lody, 1988:59), complexo de indicagGes técnicas ¢ religiosas (... Alguns tipos da louca tradicional baiana: Anfora ~ vaso grande de barro, com duas asas simétricas e fundo convexo, Baiana ~ 0 mesmo que boneca. Utensilio antropomorfo que representa uma mulher em traje de baiana. Bilha ~ pequeno vaso bojudo de gargalo estreito de barro ou flandres, O mesmo que botija. Do corpo arredondado nascem dois Sargalos bicos, também chamados de bilhas de dois bicos. Boneca — mori joringa 'ga antropomorfa — caracterizada como uma baiana. Na cabega, uma tampa lembr: pa lembra © tabuliro © as maos na cintura fazem di “s s ra fazem duas Botija — vaso cilindri so cilindric 5 ico, de barro, de boca estreita. gargalo curto ¢ uma pequena asa. Céntaro — vas O grand j grande ¢ bojudo com uma ou duas asas, comporta em torno de 12 litros. Caxixi — louga miug: ini ' ga miugalha, miniatura inspirada em louga grossa. De uso hidico. Jarra — vaso, i 4 , vasilha para dgua. Usada também para 0 ornamento, contendo ou nao folhagens ¢ flores. Antiga medida para liquidos. OY Jarrio — java grande. Especialmente para adorno de saloes. Louga grossa — 0 mesmo que louca para o consumo: panela, moringa, talha, entre outros. Também a decoracio é simplificada ou nao apresenta decoragao. Miugalha — 0 mesmo que caxixi. Moringa - garrafao ou bilha de barro para conter, refrescar e servir agua. Também € chamada de quartinha. Moringa garrafa - construgio da moringa ou quartinha a partir da forma de uma garrafa de vidro. Moringa de prego — moringas decoradas com taud, corantes indus- trializados, entre outros. Mornane — © mesmo que moringa- aso de barro, comumente bojudo ¢ = pore Ou) Vi Porio — pote grande, pore ou de boca estreita. PR por largo boxal. Antiga medida para sels © de barro, vasilha para liquidos. Caracteriza-se anadas (1 canada equivale a 2,622 ¢ — grande licro: Pucaro de pomba — moringa ou quartinha zoomorfa. Pucary de engane — moringa ou quartinha de alga ¢ bico tubular. Quarta — vaso que corresponde a um quarto do quartinhao. A quarta Quartinha — moringa. A quartinha contém em torno de meio litro. é também chamada de cintaro. Quartinha é o nome de maior ocorréncia no Nordeste. Nao contém a mesma quantidade de liquido de uma moringa, embora 0 nome seja usado como sinénimo, Quartinha de festa — vaso ricamente decorado, ocorrendo pigmentos dourados ¢/ou prateados, relevos ¢ motivos florais a tinta a dleo, geralmente apresenta asas torneadas. Como diz o nome, é para ser usada em periodo de festas. isticas da Quarta de festa — quarta apresentando as mesmas caracte quartinha de festa. No Recéncavo da Quartinhio — vaso que corresponde a 16 litros Bahia, 0 quartinhio comporta em torno de 26 litros ¢ os outros vasos que tegram © grupo sio quarta ¢ quartinha. 48 Resfriadetras — louca grossa Para 4 Suardar ¢€ refres. a car agua: porrao, quaranha, moringa, talha, entre outras ot tha — vaso Tai de barro de Brande bajo, No R. 4a Bah ; ' No Reconeave da Bahia é inonimo de filtro d'agua — porrao, quartinhas. ae : Tende av formato da anfora, especial mente Nesta regiao. Serve para gu. ardar, purificar © refrescar a agua Testo — tampa de barro para a louca grossa Vasilha — vaso para liquidos. Qualquer vaso de maior ou menor dimens6es para transportar, guardar ¢ servir liquidos. Vaso — qualquer objeto céncavo para portar substancias liquidas. Pega andloga para plantar. Tudo que é suscetivel de conter alguma coisa. As lougas encontradas nas cozinhas dos terreiros nao sao exclusivas da Bahia ¢ nem especificamente de Maragogipinho. Ha diversas produgoes que abastecem os terreiros ¢ os santudrios, num consumo crescente ¢ sagrade Certamente, € marcante a louga de barro; contudo, outros produtos muitos j4 industrializados ¢ em diferentes materiais, sio integrados a ur elenco diverso de utensilios de cozinha. Em madeira, ainda artesanais, pilées, gamelas, colheres, 0s OUtTos m trangados de fibras naturais, como cestos € abanos, wnhitanos em folh. metilicas, como os fogareiros, bacias, ralos, colheres, vendo-se, ainda, moinho de pedra, tradicional para © trato do ferjio-tradinho, no preparo . massa do acarajé, do abard, entre outros. Os Pratos de Nana: : A Comida dos Filhos € "Nana é a divindade mais velha de todas, a principal ya-mi-opd-ossi (a mie ancestral da esquerda de cada um)." (Ferreira, 1984:57). O personagem mitico dos Fon-Yoruba, Nana, também conhecido por Nana Buruku, a avo, a mais velha das dguas, mae da 4gua, aquela que habita o fundo do mar, os charcos, a lama; vigo permanente de vida e de morte. £ a mae doadora ¢ ¢ a mae que traz para si seus filhos apés a geragio ea propria vida. Nana representa uma civilizagéo que é simbolizada pelos utensilios em madeira e, principalmente, em fibras naturais. Um oriki de Nana bem traduz seu tipo de mie, de rainha, de senhora dona do cajado, como o seu marido mitico, Oxald, é também dono do cajado — 0 apaxoré de Oxalufa. Proprietaria de um cajado salpicado de vermelho, sua roupa parece coberta de sangue. Orix4 que obriga os Fon a falar Nag6. Minha mie foi jniciada no pais Bariba, A a. Agua parada que mata de repente. El: cabra sem usar a faca,” pente, Ela mata uma O simbolo fundamental opa buluku — i -eaimportinca sen men © cajado de Nana - remete a . iy Poder. Este € rememorizado nos Candomblés afro: prasileiros por ibiri, feixe d hed > le dendezeiro, teci Wat , tecido, biizios, cor a ee . contas € palha-da- O Peixe Simbolo: O peixe ident i aes Pp tifica no texto visual dos terreiros as ids deusas, mies las Aguas, sendo i i gu: um dos alimentos votivos mais significativos dos orixas, yoduns e inquic i ; quices que habitam os rios, lagos, cachociras, regatos, mares € pantanos, ampliando-se nas chuvas. Em festas no Terreiro do Gantois dedicadas ao orixa Nana, um peixe plo cortejo emblemdtico é recorrente a todo o imagindrio das ids, inaugura amy cerimonial de filhas do terreiro, portando cada uma um diferente alimento. © peixe preparado, alimento, elembra Nani, 0 niverso das éguas € as origens dos homens ¢ dos outros deuses. os elos imemoriais, ida de branco —, sem dendé, idas comidas dos homens ~ com! Sao ofereci midas de festa, havendo, ainda, a cotidiano € também co! comidas do das industrializadas que se in complementagio de muitas bebi cluem ao cortejo. ados € agregados a0 terreiro. Elas sio trazidas pelos homens inici rdapio yotivo, tem preferéncia pelo anderé — tipo de Nani, no seu cal 51 F tad]! Denn vatapé feito com feijao-fradinho, além de galinha-d'angola, cabra, todos bem, i endé. temperados, contudo sem 0 epd azeite-de-dendé. A festa publica ¢ anual, chamada popularmente como os pratos de Nani, traz as comidas dos homens. Assim sao representadas servidas as comidas em diferentes utensflios: travessas, bandejas, tigelas ¢ pratos, que, até mesmo, dao nome 3 festa. Portados nas cabegas das iniciadas, somente mulheres, elas exibem em desfile solene alimentos como: bolos, pastéis, empadas, assados de carne bovina, de galinha, de peru; batatas fritas, farofas, tortas de camario, maionese de lagosta, doces caramelados, saladas variadas, entre outros. Além da estética e do valor nutritivo de cada alimento, hd, também, a identificagao de diferentes estilos gastronémicos e classes sociais. O cortejo dos pratos de Nani é ampla rememorizagio do que os homens gostam de comer. Homens presentes ¢ homens lembrados enquanto ancestrais do terreiro, ancestrais fundadores da Nagio Ketu, ancestrais remotos africanos. Apés 0 cortejo € as dangas, todas as comidas serio depositadas em uma mesa do lado ocidental, com toalha, sendo o peixe o primeiro prato ai colocado, alimento inaugurador de toda a festa. Diferentes bebidas, como cachaga, vinho tinto, vinho branco, rum, vodca, guaran, cerveja, champanhe, entre outras, sio depositadas sob a mesma mesa onde ficam todos os alimentos. A partilha da comida e da bebida é ato socializador € € pratica espe- s. E ceriménia cial dessa festa onde comem, juntos, os homens ¢ os ancestrai de grande rigor ¢ sigilo ritual, E uma festa que evoca a mie-mitica e todos 52 os outros deuses des cen : Mo tereiro, suas f dentes, os filhos-de-santo do terreiro, os fundadores 2 familias de .. ° ancestrais, todo: 7) s devem comer, tod: a los devem. participar dos pratos de Nani. Ainda Sobre 0 Imagindrio "Nana é um orix4 formado rixd for ma parte ; ado por uma cabaga grande, tend« maior ¢ outra menor, 0 qui i en ‘ 5, © que equivale ao céu ¢ a terra. Ao mesmo tempo, le-se dizer que Nana init Pe hs q ‘4 é a parte feminina de Oxalé (...) sua terra de origem é Mahi-Jeje, antigo D: é é wu: j igo Daomé, onde € conhecido pelo nome de Mawv-Lica (Ferreira, 1984:55.) Outros objetos sagrados € sacralizados identificam Nana nos seus santudrios, pejis. "(...) medalhas brancas, bacia de louga, pratos, terrina com otd ¢ ferramenta (lira pequena imersa no mel), talha, quartinhas brancas." (Magalhaes, 1973:55.) mado enquanto eleme indo para usos diversos nos terreiros. O peixe é retol nto visual presente em diferentes sentagocs funcional O peixe est4 distribufdo nos bordados das roupas, nas grav" ibds, adés, abebés, couragas em diferentes barro, geralmente objetos e repre: ges € recortes de braceletes, copos, idés, folhas metdlicas. Ocorre nas pinturas murais, nas lougas de alizados. O peixe € tabatinga ¢ de pi ranchos de Rei com o uso do taud, da igmentos industri is, blocos afro, afoxés € aderecaria presente 708 maracatus, outros cortejos afro-brasileiros- Con hém TD) Na realidade dos terreiros afro-brasileiros, as bebidas industri- alizadas vém tomando lugar cada vez maior, levando a novos acréscimos ¢ mesmo ja ganhando tradi¢io. A cerveja, 0 vinho ¢ a cachaga estao presentes, penetrando em muitos rituais privados, adquirindo significados especiais das tradigGes negro- africanas e seus rigores religiosos. A utilizagao dessas bebidas acontece, principalmente, no ajeum, onde predomina a cerveja, em seguida, a cachaga e, raramente, o vinho. A substituigao de bebidas preparadas na cozinha artesanal dos terreiros € motivada, talvez, pelo grande trabalho e 0 maior gasto com os ingredientes necessérios ou mesmo pelos fatais fendmenos da moda, Massificagao de produtos e sentidos de consumo. Isso motivou a entrada e 0 uso de bebidas industrializadas, em vez das que, por consumo, possuem vinculos ¢ fungdes no conjunto dos alimentos dos deuses afticanos em seus cultos. 54 A utilizagio i “lat a Cee de bebidas fermentadas em utensilios de barro tem no alua O principal Tepresentante. O al lud, bebida das mais comuns, é preparado pela fermentacio, em gua, de ingredientes como milho alimentos sagrados. °° oe também ocupa lugar no peji como importante bebida de cunho Se Possui variagdes quanto ao seu preparo, podendo ser feito com massa de farinha de arroz fermentada com aguicar e 4gua; milho vermelho torrado, gengibre, rapadura ou acticar em recipiente com dgua; frutos da vinagreira, Agua € agicar, deixando em fermentagio — sendo conhecido o alud de vinagre. Aberém dissolvido em Agua e aguicar, acag4 branco colocado para fermentar em Agua ¢ agticar, bolos de arroz acucarados em Agua. O abacaxi ¢ frutas gerais, utilizando-se as cascas para fermentar com gua e agticar, também aparecem no conjunto das variantes de alud. No entanto, os aluds preparados com abacaxi ¢ outras frutas nio sio de uso comum nos terreiros, constituindo-se em bebidas de uso mais comum nas casas de familia. © alud é também chamado de quimbembé. O mais tradicional € 0 preparado com milho, gengibre e rapadura. E imprescindivel preparar qualquer tipo de alud em utensilio de barro, devendo a ae ficar das = fermentagao, sendo servida a vontade com refresco. O niimero de ds la fermentagaéo tem um sentido simbélico, voltando-se para os numeros cabalisticos, como trés e sete. 55 bém recebe nomes especificos de acordo com as priticas lo de Azoani, em janeiro, bd de arroz, diluido em 4gua com O alud tam! na Casa das Minas, dos terreiros. Em ceriménia do cick oalud € feito de bolo de ful 1 furd. em Sao Luis. agticar ¢ chamado de afurd ou ; Hoje, as mulheres iniciadas na Casa das Minas retiram da gomé duas vasilhas redondas de barro, contendo dois aluds diferentes, € com dois coités servem as pessoas da casa € depois aos assistentes. Essa ceriménia ocorre no segundo dia das festas do Vodum Azoani. O restante das vasilhas contendo as bebidas é depositado nas aguas de um rio. No q consumidos com 0 afura. O afurd uerebeta foram divididos também o abobo € pequenos acaraj pode também receber sucos de frutas que ficam fermentados com a massa de fuba. J re O alud é a bebida de todas as festas, ocupando lugar de destaque naquelas do ciclo junino ou nas ceriménias dedicadas aos Ibejis ¢ a Xango. O alu alcodlico, aquele preparado com milho, recebe uma quantidade de aguardente ¢ € chamado de peru-sem-osso, constituindo-se em bebida estranha ao carddpio do ritual. Bebida dos homens. A gronga é outra bebida que também aparece e recebe 0 nome de gengibrada. E preparada com boa quantidade de gengibre, aguicar ou rapadura diluida em agua, em um recipiente de barro, podendo levar outras raizes. Tudo fermentado, sendo servido como um alua. O xequeté é uma outra bebida de cunho ritual, preparado com engil a ce € muitas a i gengibre, agiicar e sucos de muitas frutas, Procura-se nao misturar duas 56 le la Je yu 0 yas espécies de frutas, para na ri os de xequeté. Os Para nao se realizarem varios tipos queté ingredientes ficam fer minimo d as el mentando dur: ante um mini és di je trés di utensilios de barro, servindo-se & 4 vontade como bebida acompanhante dos pratos votivos. pees Outras bebidas tambx arecem na cot lade dos cardapios de \s ém ap; ip! a complexi Api uso no ritual dos terreiros. Nas ceriménia: crifici wp * tatinte ne sacrificios dos animais, € comum observarmos o s com parte de sangue dos animais imolados, mel de as ¢ vinho. Essa bebida ¢ servida aos participantes das matangas, constituindo-se em significativo elo entre os adeptos ¢ seus deuses. A bebida é também colocada no peji, sendo grande a sua importincia, visto 0 significado do sacrificio dos animais. _—____ Gr _____ Do dendezeiro apareceu também uma bebida em forma de vinho, 0 vinho-de-dendé, que era servido pelas negras de tabulciro, ‘As canecas eram consumidas acompanhando © acarajé, 0 abard ¢ outros quitutes da banca. 9 vinho-de-dendé nao & mais encontrado. Hoje, cado de real importincia para a manutengio dos ‘As bebidas tém signifi valores religiosos. Elas ocupam nos pejis seus potes ou quartinhas, que sio substituidos de acordo com as cerimdnias € OS cardapios. bebidas industrializadas ja el de identidade das 0 ocupando os pejis € © Fatalmente, a5 aridvel pelo niv o dinamico cultural. distanciamento V: raizes tradicionais se inciame! vai alargando no process 57 ‘As bebidas artesanais so trabalhosas ¢ a dedicagao das id-bassés f,, com que cada prato, cada sabor, cumpra um momento quase lirargico do preparar, servir € assim repetir, sempre, tradigoes além-Atlantico ¢ outras criadas no Brasil. Todas importantes. Todas definidoras do cardter sensual, magi 7 agico e nutritivo dos cardépios dos terreiros. Abadé — Pr: ato passado na maquina, que se torna uma espécie de fa- rinha. O milho vermelho é 0 utilizado para a feitura desse alimento ritual. O abadé também € encontrado com outra designagdo para 0 axox6 ou axox6, nio possuindo nenhuma mudanga de preparo culinério (Rio). Abadé de Temanja — Prato feito 4 base de arroz com azeite-de-dendé, milho branco ou de mungunzé (pode substituir 0 arroz), ndo havendo condimento especial para ele. Tainhas ou curimis fritos no dendé sao colo- cados no prato depois de cozido 0 arroz ou o milho, estando pronto © abad6 para ser servido no peji (Pernambuco). “Abard — Massa preparada com feijio-fradinho. O feijao fica de molho até perder a casca, ¢ 0s procedimentos 40 semelhantes aos do acarajé. A massa é cozida em banho-maria, faz-se com ela uns bolinhos, ¢ estes si0 envoltos em folhas de bananeira, levando cada porgiio um camario seco. Os c re-de-dendé € camardes secos sio utilizados temperos como sal, cebola, azcite-de-den para o abard. Quando o abar4 tem fungio profana, o bolinho depois de 59 cozido € aberto, recebendo massa de vatapd adicionada de molho nagg nN abard € também conhecido por abald (Bahia). Aberém — Massa de milho branco preparada como se fosse para ° acagd. Utilizando-se a massa, fazem-se bolinhas, que sao preparadas em banho-maria. As folhas de banancira servem para envolver 0 aberém, Essq comida pode ser servida junto com o amald, com mel de abelhas, e, quando preparada a base de aguicar, € consumida como qualquer doce (Bahia), Abexilé — Alimento ritual preparado com folhas de mostarda ou de bertalha, cozidas com temperos de camario seco, sal, cebola e azeite-de-dendé, Esse prato também é conhecido como abexé ou abexé (Rio). Abunda — Esse alimento € preparado com feijao-fradinho, passando- se o feijio pelo moinho, cozinha-se a massa em panela de barro. Ovos de tartaruga sao cozidos e, depois de tirada a casca, séo colocados na tigela de barro, geralmente uma najé, tendo aspecto semelhante ao omolocum ou omolué. O abuna pode levar temperos de salsa e coentro, além de camardes secos (Rio). Abdbora cozida — ¥ prato delicado e de alto preceito nas praticas dos candomblés-de-caboclo, quando a abdbora-moranga € cozida e preparada com mel de abelha, recebendo, também, uma quantidade de vinho. A abdbora € cozida apenas na gua, sem qualquer condimento; retirando-se o tampo d2 mesma, sao colocados o mel ¢ o vinho, ¢ se completa o alimento colocando tiras de fumo de rolo ¢ folha-da-costa, estando pronto para ocupar lugar 10 assento dos caboclos (Rio). aeeeee sonar r-se azeite-de-dendé sobre ro r G methos prontos e mel de abelha nos acagds brancos (Bahia) Acarajé — Preparado com feijio-fradinho ou fradim. O feijao fica de molho até soltar a casca; depois, o mesmo é passado em pedra ou moinho, resultando em massa que ser4 temperada com cebola ralada ¢ sal. A massa dever4 ser bem misturada, dando a consisténcia desejada, sempre utilizando-se acolher de pau para preparar a liga. O azeite-de-dendé é colocado em grande frigideira, panela rasa ou tacho. Quando estiver fervendo, as porgdes da massa de feijio sao fritas até se tornarem douradas pelo dleo de palma. O cheiro gostoso da fritura atiga qualquer apetite. © acarajé para uso profano pode ser comido com o molho nagé, ©, para as praticas sagradas, apenas frito ja € © bastante. O tamanho e formato do acarajé tém simbolismos proprios ¢ sao enderegados a divindades especificas. O acarajé grande e redondo é de 61 bdés, como Jansa; obds e erés tém em Xang6; os menores servem para as ial . ~araié at seus cardipios votivos Os pequeninos acarajés de formato bem redondo (Bahia). Acarajé de azecite doce — ito em azeite-de-dendé. tilizam o dendé ou fazem pouco uso © alimento € preparado com os mesmos rigores do acarajé fri Esse tipo de acarajé faz parte do cardépio das divindades que nao u dele (Rio). ‘Acuru — Alimento preparado com milho branco (Rio Grande do Sul). ‘Ado — O milho debulhado € torrado, passando pelo moinho e tornando-se farinha. O ado é preparado com azeite-de-dendé, sendo servido em pequenas porgdes em pratos de louga. Nos pejis, observa-se esse alimento de uso restrito, nao sendo tio popular como 0 acarajé (Rio). Agrald — Farofa feita com farinha mais fina, colocando-se um pouco de sal ¢ azeite-de-dendé (Rio). Ajabé — Alimento preparado com quiabos partidos em rodelas pequenas. Apos esse procedimento, utiliza-se mel de abelha em quantidade, tornando-se o principal tempero dessa comida ritual. Também ¢ conhecido como caruru branco, por nao possuir 0 azeite-de-dendé (Rio). Alapats ~ Esse alimento é feito com a massa do acarajé, feijao me _ € temperado no azeite-de-dendé, ¢, quando este ferve colocam-se diversos condimentos: camardes secos, cebolas; feito isto, deita se por cima a massa d " fo acarajé. Abre-se em toda a panela, frita-se ¢ depo com cebola, coentro e sal, col, » Colocando-; (Alagoas). ° Amié - Se, em segui seguida, azeite-de-dendé Alimento ritual pre; arado com fi a de milho, fazendo ‘itu: prep: ym. farinh; il 10, uma espéci 2 ‘a € camarées sei los (Maranhao) Ss 'P 10 de gali es secos moidos ( ie de papa, caldo de galinh; ‘Maranhao). Amori — P: racio starda tém. ara a prepa Preparacao desse prato, as folhas de mo: é que estar bem verdes; " 3 lavadas e fervidas, sio temperadas com cebola, sal, camar6es € azeite-de-dendé loci -dendé. O prato € de si vn ‘0 € de simples realizaca izagao, sendo também conhecido por latipa i 4 a po ipa. O amori, ou latipd, é de uso restrito nas cozinhas dos terreiros afro-brasileiros (Bahia) a Angu — E a papa, 0 cozimento de farinha com 4gua. O angu é prato dos mais populares, ocupando lugar comum nas mesas profanas e nos cardapios votivos de divindades cultuadas nos terreiros afro-brasileiros. Cré- tenha vindo do infundi, de Angola. As comidas & base de se que esse prato alimentos moles, mesmo aqueles mais angu sao comuns, generalizando os eciais ou molhos adiciot prato recebe nomes € adquire elaborados com temperos ¢sP' nais ¢, assim, o angu de farinha simples com 4gua éconsumido. Esse preparo. Angu de farinha é 0 cozime alimento base ou complementar de carnes € 4 de milho, geralmente é servido . nto comum de Variantes quanto a0 ¢ atua como farinha, sal ¢ 4gua, icionado ao fub: peixes, Angu de fubé, cond com molho de carne picada ou moquecada com remperos variados € pimentas, Angu de canjica é feito da farinha de milho branco ou do préprio milho de so de cozimento, adquire a condigao de papa oy mungunzé que, em proce angu. Outro é 0 angu de quitandeiro, este ra servido pelas negras de ganho tutes, hoje restringindo-se a alguns pequenos pratos em suas bancas de quit como 0 vatap4, subsidiario do acarajé e do abar4. O angu acontece em muitos card4pios votivos de divindades, ora constituindo-se em alimento isolado ou complementar de outras comidas, geralmente assados ou fritos 4 base de azeite-de-dendé (Rio, Pernambuco ¢ Bahia). — ‘Angu de arroz. ~ O fabs de arroz € preparado com Ieite de coco, passando pelos temperos comuns de sal. O angu de arroz € preparado com colher de pau, mexendo sempre até chegar A consisténcia desejada. O alimento ¢ complemento do vatapa, caruru, omald e outros que tenham condimentos mais acentuados (Rio). Aéro — Alimento A base de feijao-fradinho, na forma de bolinhos cozidos, ¢ que sao apresentados como uma farofa acrescida de azeite-de- dendé (Rio Grande do Sul). Arroz branco e mel — Arroz branco cozido, adicionando-se mel. Um alimento de Nana (Rio Grande do Sul). Arroz de couve - A incluso de diferentes pratos de tio diferentes procedéncias nos carddpios dos terreiros demonstra um permanente processo de dinamica cultural. Arroz de couve, por exemplo, é um prato lusitano, integrando a mesa festiva da Casa ¢ 28 Minas, tabule, 65 pratos japoneses o¢, como também mai $ Ocorrem nese € eM terre; de Sa0 Paulo (Maranhio), “treiros de Candomblé na cidade —__ Arvoz de haugé ~ © arroz é ra a if tr0z € preparado de maneira tradicional, cozido em agua € sal. O arroz deve f i ' Car em papa, ¢ isso é feito mexendo-se a ela com ui pan ima colher de pau. O arroz, Pronto ¢ endurecido fica esfriando, enquanto a carne-seca € preparada e cortada em tiras, tendo o tempero de sal e cebola. Mistura-se tudo e estd Pronto o primciro tipo de arroz de haug4. Outra maneira de Preparar esse arroz ¢ a seguinte: 0 arroz é preparado normalmente, adicionando-se cebolas, camarGes secos, condimentos & base de pimentas, azeite-de-dendé, sendo os temperos ralados em pedra ou moinho, tornando-se uma massa de cor, que € misturada ao arroz duro, € tiras de carne-seca fritas sio colocadas por cima do prato. O arroz de haug4 também é preparado assim: 0 arroz & cozido com o tempero tinico do ouri levando qualquer outro tipo de tempero nem sal. A massa de m tigela de louga branca (Bahia). O alimento nio ou ort, nao | arroz é bem misturada, servindo-se © Arros de Nand - O mesmo que 0 arroz de Oxalé. IVOZ nen tém os relacionamentos entre Oxala ¢ Nana, casal mani Possui condimentos ¢ : hia e Rio). mitolégico do lendario jorubano (Bal Arvoz de Oxald - Alimento preparado com “ ci locando-os Cozinh dois ovos de galinha de capocira, colocal zinham-se J de abelha (Alagoas). arroz cozido sem tempero. no arroz € Tegando-se com me) Arrumadinho — Prato formado por carne de charque, feij 0 € farinha de mandioca. Cada ingrediente é arrumado especialmente em um mesmo recipiente, dai o nome (Pernambuco). Assados de caboclo - Geralmente, nas grandes festas dos candomblés. de-caboclo, sio imolados caprinos ¢ aves; 0 novilho é especialmente dedicady ao caboclo patrono do terreiro. Os axoguns, seguindo os preccitos, sacrificam © novilho, que € preparado para atender aos muitos pratos do cardépio especifico das festas dos caboclos. A cabeca e as patas s40 colocadas no assento cerimonial. Os ix¢s acompanham os preceitos préprios na cozinha € as carnes do novilho sao assadas na brasa, num conjunto de churrascos, como falam os praticantes: Na festa tem o churrasco do caboclo. As carnes preparadas com os condimentos comuns da éulindcia profana s4o assadas ¢ servidas em grande ajeum, onde todos partilham do churrasco, que geralmente é acompanhado de cerveja e outras bebidas (Rio). Assados de Exu — Os animais sacrificados nas matangas de Exu sio preparados seguindo critérios préprios. Os ixés tem sua feitura especifica, com azeite-de-dendé, e as carnes sio postas na brasa, ficando os assados a0 gosto do cardépio de Exu. As carnes de caprinos € aves so tostadas, depos ocupam o peji, ¢ a maior quantidade € servida em ajeum (Rio). Ati — Bebida ritual de limio ou de outros extratos de frutas com agicar (Rio Grande do Sul). 7 . . i ée me Até — Quiabos cozidos e temperados com azeite-de-dendé ¢ ™ (Maranhao). inha smo rlés- ado pio ‘nto nes lam, nde do sa0 ica, ao ois om. nel Bacalhan & m ‘tela ~ Bacalhau cozido ¢ desfiado ou em pequenos edagos, acrescentando. Ps Se temperos frescos € verdes. Um tipo de salad: 6 : 10 de salada, Alimento tradicional do afoxé d nde car: foxé Filhos de Gandhi, marcando I ' © ciclo car- navalesco, enquanto també; . mbém € um alimento de obrigagées religiosas Exu € outros orixds © antepassados ( a ae Rio de Janeiro). Prato feit © com cabeca de boi temperada com sal e alho. A carne € cozida com azeite- é zeite-de-dendé, camario, cebola, gengibre, bejerecum ¢ lelecum, em massa; mi: ‘a; misturando-se bem todos os condimentos, adicionam- has de lingua-de-y; i se fol ingua-de-vaca e quiabos cortados como se fosse para um caruru. Come-se 0 badofe com angu ou acacé (Bahia). E> FE —— Baguiri de Nana — Alimento feito com trés bagres fritos no azeite- de-dendé, temperados com coentro e cebola. Cozinham-se camardes de égua doce, recebendo os mesmos temperos ¢ azeite-de-dendé (Alagoas). Batata-doce frita — Rodelas de batata-doce fritas no azeite (Rio Grande do Sul). Beinha — ¥ um alimento preparado com raiz de inhame cozido ¢ um pouco amassado, que forma uma papa. Os temperos nesse praro nio acontecem, sendo simples 0 seu preparo (Pernambuco). Bengué - O milho branco comum para o prepar a é colocada em tigelas apa, colocando-se agucat. A massa é cole ig 10 da canjica ¢ cozido até ficar quase uma P: de louga, para esfriar; depois € servi alimentam de bengué, entre outros pratos. També ou dengué (Bahia). dda nos pejis em honra aos orixis que se m & conhecido por dengue 67 Bife de Ogum — Pedagos de carne bovina em azeite-de-dendé. A carne & bem condimentada, passando pelos tempo Jocando-se cebolas adicionais e dendé, ¢ prato de simples execug3 ros de sal e cebola. O bife ¢ servido em utensilio de barro, co » completando as necessidades culindrias des os adeptos das praticas africanistas. Taj mas de alto significado ritual para le Exu, a carne pode ser assada em gum ¢ também a Exu, em cujo como os assados d grelha de carvao, tostando com os temperos em honra a O; carddpio votivo as carnes fritas ¢ chamuscadas tém alta importancia ritual (Rio). y Bobé de inbame — O inhame é cortado em pedagos, cozido e escorrido em peneira. O azeite-de-dendé é fervido com os temperos a base de cebola, camarao seco, sal e gengibre. O tempero é preparado em massas, adicionando-se camarées inteiros. O inhame é pilado, misturando-se os temperos, mexendo sempre com a colher de pau. O bobé de inhame ¢ 0 principal prato no acompanhamento de carnes ou de peixes. Nas Casas das Minas e de Nagé, € chamado e conhecido por abobd, podendo, também, ser feito com feijao-branco, sendo importante elemento da culindria dos voduns. Observamos, também, o bobé preparado com raizes de aipim, substituindo a massa de inhame. Ainda hd 0 bobé de fruta-p4o, sendo de uso mais restrito, mas, no entanto, os mesmos procedimentos culindrios sao mantidos (Maranhio e Rio). Boi de inbame — Alimento ritual preparado com uma raiz de inhame cozida em azeite-de-dendé, sendo que o cozimento nao é demorado. oO até obter a massa temperada ¢, com as maos, sio Preparadas bolas, que servem de ac iS mi Si las bolas, qu s ‘ompanhamento a muitos pratos condimentad s lc inhame oc im -omo bolas d& pam, 10s, como o caruru. As inhi i i destacado lugar na culindtia ritual d oferecdas come ay : ‘ual dos terreiros afro-brasileiros, sendo mento isolado de outros a aan pratos & base de dendé, camardes cor (Bahia), Bolinhos de dendé — tiki ame ~ Utiliza-se fub4 de milho vermelho. Temperando Issa Ce i om sal € pimenta, coloca-se em forma de bolinhos no azeite-de dendé ferven ii i = do. Retiram-se os bolinhos na quantidade especifica da divindade. E alimento caracteristico de Exu (Alagoas). ps Bolinhos de egum — ¥ alimento muito comum, preparado com bolas gua, que nao se Jeva ao fogo para cozinhar. Nao de farinha de mandioca ¢ 4 nas as maos. Os bolinhos entos culinarios, usando-se ape! cam-se pedacinhos de carvio, essitios (Bahia € Rio). manteiga ¢ polvilho. que, em pequeninas se utilizam instrum o-se médios € neles colo do com os preceitos nec 5 stando vao tornand ao Prontos para O ritual, de acor Bolinhos de Iemany' Leite de coco, 40 misturados, formando uma massa ese alimento & outro que surge do vos, agticat, ms Todos os produtos s: 4 grande porgées, ¢ assada em forno. 69 aculturagio ¢, nesse Caso, é uma criagao estranha a culinarja afro-brasileiros (Rio). 5 batidos inteiros, gemas, aguicar, erya. Bolinho de Oid ou Tansit - Ovo! as massa de milho € fari massa desejada, € coloca-se em processo de tradicional dos terreiros 40 adicionad inha de trigo; juntam. ga ¢ banha até formar a vida em pequenas porgdes. Evidentemente, doce € canela, af si se, também, mantei; s. A massa é assada € se forminha’ lo da influéncia de pratos de massas que vio ao esse prato jd € 0 resultad costume afro-brasileiro de se ces comuns nas casas € Os bolos forno, fugindo do utilizar 0 cozimento em em utensilios de ceramica. Os dos lenha ecimento desse alimento no ritual de Tansq tradicionais determinaram © apar (Rio). Bolo de tapioca — Alimento votivo das festas do Divino Espirito Santo no Maranhio e relacionado a Noché Sepazim (Maranhao). S- Bolos do Divino — Bolos ricamente trabalhados com enfeites em papel eoul ‘ai: VI ie te Ao. tros materiais que marcam a festa do Divino Espirito Santo no Maranhi Em desta é le Is we que, as mesas de fé, onde os bolos sao dedicados aos voduns q sao identificado: i épri imagens de sant é s por simbolos prdprios ou imagens de santos catdlicos Camario de anja — O ¢ cel le Tem bola, yi — O camarao fresco é cozido com o sal. y S > relaci or elacionados aos deuses africanos (Maran! leite de M los € cozido coco € o idos : os batidos. Todos os produtos sio misturad idos endo colocados, depois de n fe la c . si > dey 3 i pois de prontos, em tigela de lo ga, propria para as BI > comidas de Iemanj4 F anja. Em seguida, é levado ao Peji desse orixd (Rio € Bahia): Canjeré ~ Ajj. im. nto preparado com camaro seco, castanha € amendoim. Os ingredientes so cori Bredientes sio cozidos, nio havendo nem temperos nem areite-de-dendé. O canje ‘ jere & de fA Cj evo aeennun le facil preparo, podendo ser servido como i panhante de carnes ¢ Papas (Pernambuco), Capitao — Bolo de feijx i ja0, farinha de mandioca e pimer i dos Ibejis (Bahia). € pimenta. Alimento Cariru — Py 4 teparado com fubé de arroz, farinha seca de mandioca, quiabo, camarao defumado e ou salgado, tudo bem pilado artesanalmente, podendo ser servido em forma de bola. Prato tradicional dos Jeje (Maranhio). Caruru — Utilizam-se quiabos cortados em pedagos pequenos, que sao lavados para conter um pouco a baba. O quiabo é temperado com sal, camarao seco, cebola, amendoim, castanha, podendo ainda levar favas afticanas. O caruru tradicional é bem mais complexo em sua feitura, ¢ ha necessidade de ervas, tais como a bertalha, unha-de-gato, capeba, bredo-de- santo-anténio, oid, almeirao, acelga, nabico, mostarda, espinafre ¢ outras folhas. E comum a utilizacdo de peixes, carne-seca, frangos ¢ frangas, que sas carnes 5 de rituais em honra dos Ibejis € erés. Es: sio sacrificados através so temperadas de modo comum e adicionadas, na vasilha, de quiabo, ervas rtura do bom dendé, feito da flor, ¢ assim ¢ condimentos. E importante @ fa | O caruru é servido em lero dos santos gémco: o em forma redonda. Segundo os zarem de talheres. est4 pronto o prato pred ira ou tigela de barr m as miios, sem sc utilis ciais, indo ocupar lugar nos gamela de made preceitos, as criangas comem col jés 8 i orgGes Cs] Em pequenas najés S20 retiradas por¢ pe 7 pejis. E de tradigio colocar trés, sete ou 12 quiabos inteiros no caryry tornando-se uma obrigagio comum, mesmo nos carurus de uso Profan, realizados fora do ciclo de setembro (ver o capitulo "Caruru dos Ibejis"y (Bahia e Rio). Chocolate — Chocolate, leite e ovos batidos em recipientes de barro, especialmente 0 alguidar, constitui-se em uma bebida especial nas festas do Divino Espirito Santo e Voduns cultuados nos mesmos rituais piiblicos ¢ coletivos (Maranhio). Chossum — Alimento preparado com carne de caprino sacrificado em honra aos voduns. A carne é temperada com camarées secos mofdos ¢ azeite- de-dendé, cozinhando-se todas as partes do caprino, menos os miolos, que sao preparados em separado (Maranhao). oY —— Churrasco — Carnes de boi, aves e outros animais sio preparados seguindo procedimentos convencionais do prato, podendo, ainda, integrar farofa de farinha de mandioca (Rio Grande do Sul). Cioba com dendé — Peixe preparado com temperos & base de cebola¢ azeite-de-dendé. Comida do orixt Oxum (Pernambuco). Cocada — Doce a base de coco que recebe agticar ¢ adquire con sisténcia dura e mole. Sao acrescidos sucos de diferentes frutas (Bahia). Coco torrado — Alimento que integra 0 arrambam (Maranhio). Comida de Hangoré - Carne bovina, o lagarto inteiro, temperada com camarao seco, cebola ¢ azcite. O caldo do tempero é utilizado pa cozinhar © feiji0-fradinho que, depois d > € Pronto, é colocado numa travessa ceria ° Parada. Essa com ao inquice Zingalumbombo, Acom de cerimica, cobrindo a carne pre ida também € enderecada Fy ipanha ess terra frita em azcite-de-dende (Rio) © prato sagrado a banana-da- osto dos brasileiros, Q 20 g TOs. O cuscuz de tapioca servido Para os orixds € 0 esmo que costumamos i me q Consumir no café da manhi ou como sobremesa. ite € raspas de coco, u ica s40 misturados form: massa Leite Pas cle COCO, agticar € tapioca sio misturad até formar a massa do doce. Esse alimento nao é Preparado em fogio, levando um bom tempo para ficar pronto (Rio), & e ce Doboru — ¥. a tio conhecida pipoca de milho, preparada da mesma mancira que as pipocas comuns, colocando azeite-de-dendé ou mel de abelha, depois de prontas, no prato ritual do orix4. A pipoca, também chamada de flor, flor-de-Omolu, flor-de-Abaluaié, pode ser preparada ainda com 0 azeite- de-dendé, que colore o milho aberto, através de seu besuntamento. O doboru também pode ser guarnecido de coco em pedagos e raspas, aumentando o sabor das pipocas de azeite, também é chamado de boruboru (Rio € Bahia). Dovré — Alimento preparado com feijio-fradinho cozido ¢ sem pele, m folhas de guarum: ou regado com mel de abelha. Esse alimento 4 com azeite-de-dendé, as porgdes sao colocadas ¢€ Ac deixando cozinhar em banho-maria (Maranhio). Eba — Tipo de angu feito de farinha de mandioca. E66 — Alimento preparado com milho branco que, depois de ficar 72 depositado em vasilha com gua, é pilado ¢ cozido. Ha tipos distintos de ebés, quando se coloca 0 ori como unico produto adicional. O ebé é feito com azeite-de-dendé e a massa pode conter feijao-fradinho torrado, Fervendo os dois produtos até obter a massa desejada, complementa-se com azeite. de-dendé e sal. Coloca-se 0 alimento em prato especial até esfriar, levandg. se ao interior do peji, onde é oferecido ao orixd (Bahia ¢ Rio). Ebé de Iemanja - Eum prato a base de milho branco. Fica na dgua para amolecer, e depois ¢ cozido com camarao seco, cebola, sal € azeite-de. dendé. E alimento predileto de Iemanja, sendo servido em utensilios de louga (Rio). IA —» tt ey Ecurn — E. um alimento preparado com feijio-fradinho, seguindo os mesmos procedimentos para o acarajé. A massa temperada € cozida em porgdes envoltas em folha de bananeira. E preparada com mel de abelha em quantidade, um pouco de sal e um pouco de azeite-de-dendé, tornando-se uma farofa especial, que é servida como prato isolado ou acompanhando outros alimentos rituais dos deuses africanos (Bahia e Rio). Edeum maior de Omolu - Alimento feito com queijo-do-reino, Presunto, doboru sem sal e azeite-de-dendé. No utensilio de Omolu, arrumam-se © queijo € 0 presunto, colocando-se em seguida os doborus ¢ ° azeite-de-dendé em quantidade (Alagoas). Efé - Utilizam-se folhas cozidas de lingua-de-vaca passadas pela peneira. Depois, sio amassadas com os condimentos: azeite-de-dendé, camarao seco, sal € outros produtos comuns. O peixe é preparado ¢™ arado, sem qualquer te: ‘o. A carne misturad as p qualquer tempero. A c € desfiada e mi: ada com, has preparadas de 1f -de-vaca, e todos tos so Ss ao folhas prep: ingua-de-vaca, los os prod jlevados fogio. O ef6 também pode ser preparado com folhas d gubstituicao 4 lingua-de-vaca, mantendo tod ° as de mostarda em : los os rigores do preparo deste prato, consumido com arroz branco comum ou de haugd (Bahia e Rio). Efum aa — A banana tipo Sao Tomé, um pouco verde, em fatias escm ai . posta ao sol para secar. Depois de dias secando, as fatias de banana sao piladas, formando-se uma farinha especial que recebe 0 nome de efum aguede. A farinha é utilizada no preparo de papas e como farinha, acompanhando carnes, especialmente peixes bem temperados com dendé e outros produtos de cor (Bahia e Rio). ee Eguedé — Banana frita em lascas. O eguedé é preparado com azeite- de-dendé, alimento complementar de outros pratos, geralmente os condimentados. E comum o consumo’ de eguedé com farofa-de-dendé (Ba- hia e Rio). Ejd de Temanja — Prato prepar zeite-de-dendé. O peixe € cozido com os ado & base de peixe temperado com cebola, sal, limao, coentro ¢ a produtos, podendo ser acrescidos outros condimento: e ervas especiais. O gja € um peixe de preparo similar aos moquecados consumidos na culinaria profana (Rio). Ecd de Exu - O mesmo que padé de Exu (Pernambuco). -de-dendé (Rio Grande Ecé - Tipo de bebida ritual com s, como favas africanas Agua ¢ azeite do Sul). do com inhame. Tempera-se com, formando uma papa. Ao inhame jre-de-dendé, chama-se cofitnfiry, Prato prepara se as raizes .m_ 0 aZze! ofp ¢ eoonfo — dendé, misturando- azeite-de~ ssado se! cozido € ainda quente, amassad no azeite-de-dendé. A carne ¢ Pernambuco). . Era peteré — Pedagos de carne fres' 1, é mal frita n° azei acompanha outro prato ite bem quente e depois om Sal apenas temperada ¢ i te. cida ao orixd especifico. Geralmente, ofere fa-de-dendé. O era peteré, apds sua feitura, ¢ condimentado ou com faro’ locado em prato especifico, podendo-se adicionar molhos especiais coloca obrigacao ritual (Bahia). conforme o motivo do preceito ou a Farinha de Azogri — Farinha de milho torrado ¢€ aguicar, artesa- nalmente preparado no pildo € pertencente ao ritual do Arrambam (Maranhio). Farinha de cachaga — Farinha de mandioca, 4gua e cachaga, misturada com a mio no préprio utensilio em que serd servida. (Rio). Farinha de cachorro - O mesmo que farinha de Xapana (Rio Grande do Sul). ; Forinha de Xapand — A base é de farinha de mandioca, que se adi- Clona aciicar ¢ amendoim. Um tipo de pagoca (Rio Grande do Sul). Farofn amarela - O mesmo que farofa-de-dendé (Bahia). Farofit de azeite - Farinha de mandioca, agua ¢ azcite, nao recebendo qual-quer tipo de tempero ou condi E a mao, no q ip iP condimentos, E Preparada com me: a smo utensilio em que sera servida (Rio) ‘ej Sa ritual dos deuses afri mesas brasileiras, A 'S africanos nas . Farofa-de-dende & Preparada com farinha de mandi ioca, er c ol we gms contin \ Preparada com cebola, camardes fritos ou m massa condimentada, B conhec; » © conhecida por farofa de azeite, farofa amarela ¢ dendé e sal. Também, Pode 5 fa de azeite-de- é farol le-dendé, complementar de muitos pratos, E chamada de mi-amiami quando é enderegada ao padé de Exu. Além da farinha de ww mandioca comum, podem ser utilizadas a de guerra ou a farinha-de-pau, Adiciona-se um pouco de aguardente, tempera-se com um pouco de sal ¢ mel de abelha, seguindo os Preceitos votivos ligados a Exu, incluindo a maneira de preparar. O padé de Exu é ato que precede qualquer ceriménia de cunho privado ou ptiblico dos terreiros africanistas (Bahia ¢ Rio). Farofa de Egum — O mesmo que farofa branca (Rio ¢ Bahia). Farofit de Exu — Prato que € consumido pelas pessoas que participam dos rituais de matanga dedicados a essa divindade. A farinha de mandioca torrada e condimentada € servida com as carnes das aves sacrificadas. As carnes, bem assadas € temperadas, sao misturadas na farinha preparada, ocupando o mesmo recipiente. Assim é servida a farofa de Exu, cuja porgio é antes colocada em seu peji (Rio). Farofa de mel - Utilizam-se farinha de mandioca ¢ mel de abelha. Misturam-se bem os ingrediente a qualquer condimento § com as mos, scm levar ao fogo. Esse ali | nao lev e é de facil preparo (Bahia ¢ imento ritual nao 1 Rio). -de-dendé (Rio). Faroft: vermela - OQ mesmo que farofa-de-dendé ( ) Feijzo de azeite ou omolocum — Prato preparado com feijao-fradinho vijiio jj0 é bem cozido € passa cozido em 4gua ¢ temperado com sal. O feijao € bem passado ng da uma massa de camarao Seco, 0, tornando-se uma comida de cebola, azeite-de-dendeé ¢ peneira. E prepara sal que é misturada com 0 feijio, que est s atraente sabor. O prato é complementado co’ ranco. Geralmente, o omolocum completa -dendé. E um dos pratos m ovos cozidos. O omolocum também pode ser feito com feijao-br pratos a base de peixe ou € consumido com farofa-de mais populares da culindria ritual afro-brasileira (Bahia ¢ Rio). Feijao de Omolu — Alimento ritual de Omolu, preparado com feijao preto, contendo carne de porco sacrificado em honra a esse orixa. ‘Tempera- se com camario seco, sal e azeite-de-dendé ( Rio). Il vel Feijoada de Ogum - O feijio é preparado com os temperos comuns, como coentro, cebola, sal ¢ outros condimentos; é servido com as carnes da tradicional feijoada, que contém peles, toucinho, lingitiga, partes do porco ¢ carne-seca. O feijio, com fortes condimentos, é preparado geralmente ao ar livre, em grande panelao, ao fogo brando, cozinhando-se lentamente os produtos. A pratica exige que todos os participantes da feijoada consumam a comida sem utilizar talheres, colocando nela boas porgdes de farinha de mandioca, preparando, assim, pequenos bolinhos. As filhas-de-santo, em volta dos pratos arrumados cm cstciras no chao do terreiro, aguardam a vinda dos orixds, ¢ os atabaques tocam em honra de Ogum. Quartinhas com sangue de sacrificio e inhame cozido com azeite-de-dendé centralizam a steira. Apds a vi ¢ POS a Vinda dos otiieoe > OS Pratos ¢ aldo € vao oct s Upar lugar no pej participa, comendo do me: lesmo feijio que foi : : Servi 1 ritual. As quantidades sio repeti rvido, em parte, no inicio do a ne de acordo com a vontade de cada um @ ogas, MuSICOs € demiais iniciados també: i do bang . ° ; ‘™M participam do anquete. A feijoada de Ogum € servida as 12 horas, em data préxima ou no dia 13 da de O; ida 10 dia 13 de junho, dia de Santo Anténi ntOnio. Seu preparo € de alto significado ritual representando a uniao & p ‘ a uniao do trabalho e da fé (Bahia ¢ Rio). Fungi ou fugi de A E ; re: ngola — ¥, 0 tao ido pit conhecido pirao, i ee , presente em muitos pratos de nossa culinér ié : al ia. O figi é complemento de carnes, preparados de has ¢ de outros ali fo é i imentos. Nao é restrito a culinaria profana, sendo de grande freqiiéncia no interior dos pejis (Rio). We Furd — Mingau de farinha de arroz, fermentado, onde se acrescenta gengibre, maracujé e outras frutas (Maranhio). Guisado de tartaruga - Ensopado com a carne da tartaruga, acompa- nhado de farofa de farinha de mandioca. Pode-se servir no prdprio casco do animal (Rio Grande do Sul). Tan - Inhame bem cozido € Thegu de Exu — Comida ritual preparada com fub: m agua ¢ sal, fazendo-se uma papa. Depors de pronta, j dos sacrificios, de cay pilado artesanalmente. 4 de arroz. Cozinha- se a farinha co! ae se farofa-de-dendé ¢ carne crua, jsturados em um u (Pernambuco). prinos ¢ aves. Todos os i ico utensilio, € est4 pronto para ser alimentos ficam mi nico U pronto Pp servido ¢ levado ao peji d¢ Exu 79 rado com raiz de inhame descascada prepal Ipert om pete Amen 1a e sal. O inhame bem cozido é 5 Agu -os e cozida em . pare ag 4o seco, cebola € azeite-de- misturado com os temperos dendé. O ipeté ou peté € alimento de que recebe 0 nome de s de massa de camar: uso restrito, especialmente situado nos eu alimento principal, o preceitos ptiblicos de Oxum, ipeté (Bahia ¢ Rio). Ixé - Alimento ritual preparado com os mitidos e demais érgaos dos animais sacrificados nos rituais de matanga. Os cozimentos ¢ temperos das partes especificas ficarao condicionados as divindades que serao alimentadas, ligando também essa comida ao tipo de ceriménia. O ixé € de grande importancia para as praticas dos terreiros, pois os alimentos retirados dos animais da matanga sao fundamentais para 0 culto, sendo parte integrante do axé. O ixé é guardado no santuario até sua retirada ritual, que é acompanhada dos mesmos preccitos € rigores do seu oferecimento: no Periodo de trés ou sete dias, o ixé é retirado nos assentos das divindades, seguindo-se a limpeza pelo ossé dos objetos do santudrio. O ixé é a unio da divindade aos animais votivos, que funcionam Para Os rituais afro-brasileiros como verdadeiros prolongamentos das atribuig6es migicas dos préprios mitos (Bahia e Rio). Lelé ou lelé — Prato preparado com milho e leite de coco. Utiliza-se o milho miudinho, vindo do chamado milho vermelho, e o tempero é 4 base de canela, cravo, sal e agticar. Todos os ingredientes vao ao fogo, tornando- se uma massa consistente, adicionando-se sempre um pouco de leite de coco, O lelé, depois de esfriar, fica bem durinh 5 0, i i nn » Pronto para ser oferecido (Bahia Levanta saia — Bebida ne « . , vg fee futons Preparada com diferentes ingredientes > ciarias, todos ferme 5 ‘mentados cipier (femambnce), sem recipientes de barro Macaxeira ~ Macaxei ~ Macaxeira (aipim) cozi cozida com ou sem condime: (Rio Grande do Norte). me Manja — Tri i 30 Si i loca iSO OU maisena, leite de coco € aguicar fazem 0 prato que é colocado em f6; pol 7 ¢ rma e€ depois servido para os voduns ¢ os homens (Maranhio). Manjar do céu ~ 3 is yi céu — Prato & base de maisena, acrescentando-se leite de coco, suco de maracujé e canela, enderecado a Iemanj4, Oxum e Ewa, vistas também como Nossa Senhora da Conceicéo (Maranhio). Manué — Preparada com raizes de mandioca ¢ aipim, tem-se a massa conhecida como puba, um pouco fermentada pelo tempo de molho da agua. A puba é peneirada, formando, por isso, uma farinha especial, com a qual 0 ma papa, formando bolinhos com agticar, envoltos manué € preparado, como uw cozinhando-se como se faz no em folha de bananeira ou em palha de milho, preparo da pamonha de milho ¢ coco (Rio). Manteiga de ori — Espécie de manteiga vegetal, procedente do emi, ns medicinais ¢ rituais religiosos. Também arvore africana. B usada para fi conhecida como limo-da-costa (Bahia). Prato preparado com arroz ralado. Apos 0 cozimento, for- — Prato hadas com arro75 Massa mam-se bolas, polvill olocar azeite-de-dendé ou mel de abell cos da culindria sagrada dos deuses arte culindria na Bahia, refere-se A mass: muguimano na Bahia (Bahia). ado de milho branco cozido, leite € agicar, to desejado. O alimento, depois de pode-se dissolvé-las em. gua ¢ agticar has, acompanhando e guarnecendo os africanos. Manuel Querino, outros prat i em seu livro A a como um alimento da predilegao do negro ‘Matete de milbo — Prepat: é a massa chegar ao pon! especial € complement mum no Nordeste. Existe 0 tipo de que se mistura at pronto, € colocado no prato tado com mel de abelha, © matete € 0 mesmo mungunza tao Co centa fubd de arroz, dando a para 0 uso profano. Sao conhecidos cortar, quando se acres massa de milho branco maior liga. Esse tipo é mais comum ainda o de milho branco e 0 de milho yermelho (Rio). Mi-amiami — Tipo de farofa contendo farinha de mandioca e azeite- de-dendé (Rio Grande do Sul). Mitho de Iemanjd - O milho branco € cozido ¢ a 4gua é retirada, deixando o milho bem solto. Adiciona-se pequena porgao de azeite-de-dende, _ colorindo o milho por inteiro, O alimento é colocado em tigel Oo la de louga ¢ esta pronto par i p p Para ser servido ao orix4 em seu peji (Ri s ji io). Milho de Oid ou de Tans - ¥, até que os grios se soltem d. E um prato A base de milho verde, cozide m da espiga, Utili a , * - Utilizand col - gS i locam-se o milho e as espigas cozidas Se uma vasilha de bal ‘Ss com mel onto i + . Pronto esse alimento ritual (Rio) de abelha, estando, assi™ Mitho de Oxumaré — A massa de milho yermelho, depois de ficar em | yasilha com Agua, € preparada com azcite-de-dendé em pedagos de folha 4 a de neira, onde as porgdes si panan Porgées so colocadas. O alimento € posto no prato do odendo receber mai 6 P mais porgdes de azcite-de-dendé, estando pronto orix para ocupar 0 seu lugar no peji do orixé (Rio) Milho toi - Mi i rrado — Milho torrado ¢ dendé, acompanhando batata inglesa (Rio Grande do Sul). Mingau de Egum - Ver mingau de Nana. Mi AR fingau de Nana — Alimento preparado com farinha de arroz cozida em 4gua sem ervas nem temperos. Quando a papa estiver quase endurecida, éretirada do cozimento, colocando-se em utensilios de louga, estando pronta para ser servida 4 divindade (Rio). rado com os condimentos comuns, & Mogueca de peixee— Peixe prepa base de coentro, cebola, sal ¢ limao, além do vinagre. O peixe € colocado para cozinhar com. pimenta malagueta, tomate ¢ azeite-de-dendé, sendo. também comum ¢ de tradigao preparar a moqueca de peixe com dois tipos ou doce, ¢ 0 de cheiro, ou de dendé (Bahia). de azeite, o de oliva, a acompanhar alimentos como © Molho nagé - Molho que se usa par: uitros. O molho ¢ prep’ pimenta malagucta. acarajé, abard, arroz de haugA, entre 0 arado com azeite- de-dendé, cebola, camardes secos © boa quantidade de Assim, adquire uma consisténcia que Jembra uma pasta, exalando cheiro peculiar e tentador. , tual preparado com quiabos em pedagos fe a Aine m bolo de fubd de arroz no mesmo su - 6: azeite-de-dendé, colocando-se ap utensflio (Maranhao)- Munguned tisana - Ba © lo tempo de repouso ento, S40 colocados pe Cozinha-se demoradamente anjica de milho branco, preparada com 6 na dgua. Sao acrescidos leite de elk produto bem mole pe animal e de coco. Durante 0 cozim m cravo, aglicar € canela. dagos de coco, e o prato é temperado cor até tornar-se uma espécie de papa (Rio). — { — Nhélas — Alimento A base de asas ¢ pés das aves sacrificadas que é acompanhado com pirdo de farinha de mandioca (Rio Grande do Sul). Ocasseé — O ajap4, apés o sacrificio em honra a Xang6, é preparado para o ocassed, com carne temperada, utilizando-se coentro, sal e cebola ralada. A carne, depois de algum tempo no tempero, é passada pelo moinho, formando uma espécie de bolinhos que, depois de enrolados, sao postos em folhas de bananeiras € vo ao fogo em banho-maria. Depois de prontos, sio colocados no casco de ajapd ¢ servidos dentro dos preceitos pertinentes ao orixd, em seu peji (Rio). Olelé — Massa preparada com feijio ralado, com a qual se faz um bolo cozido no vapor da 4gua fervente. Sem condimentos ¢ azeite-de-dendé (Pernambuco); 0 mesmo que 0 abard baiano (Rio Grande do Sul), Olubé — Prato preparado com raizes de mandioca descascadas € secas ao sol. A mandioca é pilada e, em seguida, levada ao fogo em Agua, tornando- se um pirao que, depois de frio, é servido as divindades africanas (Bahia) QA Omald — Prato predileto do cardépio ritual do orixé Xango. O omald é preparado com quiabos cortados em todelas bem finas, temperados com cebola, camarao seco € areite-de-dende, E de preceito e tradigao colocar 12 quiabos inteiros na gamela de madeira onde é servido o omald, guarnecendo com acag4, sem folhas de bananeira. £ assim recebido no peji de Xangd o seu prato principal, condicionado as lendas desse orixd guerreiro e justo, forte pelos seus principios vitais de controle dos elementos meteoroldgicos da natureza. O omald também possui outros procedimentos culindrios: pode- se prepard-lo com carne bovina, utilizando-se a carne do peito, temperada e colocada com os quiabos e os ingredientes ja enumerados. O omald é preparado com rabada de boi, cozida e bem temperada, adicionando-se os quiabos ¢ © azeite-de-dendé. O omald de Xang6 € servido com os rigores dos rituais dos terreiros de candomblé. Ao som do alujé, as iabds levam a gamela em entrada solene ao peji, acompanhando os ritmos com palmas e agitando o xeré. O dirigente da ceriménia oferece o omald em honra a Xang6, devendo o alimento ficar no santudrio de seis a 12 dias. Esse alimento ¢ também enderegado a I4 Massé Malé, ou Baianim, figura mitoldgica da familia de Xangé, acontecendo no 12° dia do ciclo festivo do orixd das trovoadas. Por relacionamentos rituais, todas as divindades ligadas ao cicl¢ Mitolégico de Xangé também recebem 0 omald como Se votive Maneira de uniao entre os elementos da mesma familia sagrada. E preceit © oferecimento do omald de Xango em gamelas de madeira, jntamen Com 0 orobé, fruto votivo desse orixd. Xangd come também o obi r ceriménia do aramefii, quando as iabds, ricamente trajadas, dentro dos rigores , . é, ofe ao orixd das indumentérias dos terreitos de Candomblé, oferecem Xangé o obi, cerimdnia tinica € de grande significado religioso. podendo tornar-se designagio gené. O omald também ¢é conhecido popularmente como amald, rica para os alimentos rituais das divindades afro-brasileiras (Bahia € Rio), Onmald de Ogum —¥ preparado com feij 'o-fradinho, que fica de molho até se tornar bem mole para 0 cozimento. S40 adicionados camarées secos, ralados com sal e cebola, colocando-se bastante azeite-de-dendé. A agua do cozimento do feijao ¢ retirada, ficando apenas os graos cozidos ¢ temperados. servido em tigela prdpria desse orixd (Rio). Pronto 0 omald de Ogum, z * ay i Opeté - Bolo preparado com batata inglesa (Rio Grande do Sul). Orufii — Variante do opeté (Rio Grande do Sul). Oxoxd — Esse prato também é conhecido popularmente como axoxd, sendo preparado com milho debulhado e cozido ou canjiquinha de milho vermelho temperada com erva-doce ¢ agticar, O tempero pode também ser a base de sal. Pedagos de coco complementam 0 oxoxé (Bahia ¢ Rio). Padé — ¥ alimento ritual que caracteriza o inicio das ceriménias dos terreiros de Candomble. O padé é enderegado a Exu, servindo de alimento votivo, que condiciona a agio do mensageiro dos deuses, bem como suas propriedades magicas. O padé € feito de farofa-de-dendé, colocada em recipiente especial, farofa branca, quartinha contendo 4gua, podendo, ainda, ter 0 complemento de acagd ¢ mesmo de acarajé. Esse conjunto de alimentos é denominado padé. i Massa de milho ve de Oxdssi (RO Grande do guy Papa de pio vethy _ Tipo de pira Grande do Norte), Po de pirdo dedicado a0 orixa Nand (Rio Pirtio de creme de a . 170% ~ Alimento do orixé Nana (Rio Grande di 0 Grande do Norte). Polenta — Alim ento 3 i “dh dite a base de milho, Certamente pela coloragao amarela, sim 9 i Oxum, relaciona-se o alimento ao orixé (Ri wan orixd (Rio Grande ee ie eZ Pratos de Nand — Conjunto de alimentos rituais dedicado ao orixd Nan, constituindo-se em ceriménia publica dedicada a essa divindade, quando, ao modo do olubajé, as comidas entram no barracdo em cortejo ritual, levando as iniciadas, constituindo-se de carnes dos sacrificios, peixes, acagés, abards, doboru e muitos outros quitutes dos cardapios votivos dos orixés. Os pratos de Nana sao uma cerimOnia realizada no ciclo festivo de Sant'Ana, Os alimentos vém do peji € s40 servidos ao ptblico em geral € inici i a 3 ceitos norteiam: iniciados presentes a essa alimentagao sagrada. Grandes prece! ga0 de Nani, divindade das chuvas, da lama ¢ da as praticas da alimenta' fertilidade (Bahia). Queimados - Doces 4M geralmente qu carentes usos do coco. Coco ¢ apresentam diferentes U cimado, talvez dat yariantes em seu preparo. o nome. em tirinhas, coco ralado € Quibebe - Alimento que ; arne ou quia possui algumas bo, O quibebe é preparado com Pode ser feito com abdbora, © 87 emperos, tudo passado na peneira, abédbora, leite comum ou de coco € tempe! f i in secos ¢ azeite de oliva complementa os imenta ralada com camardes um caldo e também Pode sep ervido como condimentos. Esse quibebe é servido hole, et im cebola, salsa e preparado com carne-de-sol, abdbora, pimenta, ce Outros ros comuns. Todos os ingredientes si0 cozidos até ficar uma massa °, temper : geralmente, com a farinha de mandioca acompanhando. O quibebe Preparado com quiabo e abdbora é temperado com pimenta, cebola, Coentro, toucinho, levando todos os ingredientes um cozimento comum (Bahia), Quibolo — Alimento feito 4 base de quiabos cortados, azeite-de-dende, levando sal e cebola ralada. Apés 0 cozimento, mistura-se uma papa feita de fubé de arroz, adicionando-se também as carnes das matangas que sio devidamente cozidas em separado. Todos os alimentos ocupam um tinico utensilio, servindo, assim, ao santudrio especifico (Alagoas). Quibombo — Prato preparado com quiabo e azeite-de-dendé. Amas- sado, torna-se uma espécie de alimento Pastoso, acompanhando carnes, ou é servido puro (Bahia). Quindim - Alimento dedicado a Oxum, provavelmente por ser um doce amarelo, feito com aglicar, ovos € coco (Rio Grande do Sul). Quitindim de Odé ~ Prato Preparado com amendoim cru, mel e coco Picado. Misturam-se os ingredientes, sem levar ao fogo. A mistura é colocada no prato de Odé e levada ao seu Peji (Alagoas), Ressau ~ Alimento Preparado com os mitidos de caprino (Maranhio). tros 2g ebe tro, dé, de Roletes de cang _ io : rolete, CoM OU SEM Varetas * naa Preparada artesanalmente como bei i que apdiam a f estética peculiar. O alimentg a Tuta, formando conjuntos de jnicidticas da Quitanda de a Salada com mel . _ 5 * nas festas dos Tbejis ow nas ceriménias hia Rio de Janeiro), Salada Preparada com di da com mel. Ali iferentes folh: : rega Alimento do Orixd Ossie ( as verdes e Rio Grande d Saladas — Pratos frescos ¢ verdes. le do Norte). ionai: tomando como convencionais de folhas ¢ condimentos, si base as saladas > i a0 encontrad: rs Jabas (Rio de Janeiro), las nos cardépios das Sarapatel — Alimento preparado a base de mitidos de porco, incluindo- se o sangue. Os mitidos sao preparados com um cozimento especial, levando d4gua ¢ sal. Os temperos moidos, feitos de cebola, coentro, alho ¢ pimenta- do-reino, sio adicionados aos mitidos e ao sangue desfeito na fervura. A massa é bem dilufda, tornando-se uma papa bem mole, podendo-se adicionar pimenta-de-cheiro no fim do cozimento. O sarapatel é complementado com farinha de mandioca, tornando-se uma farofa bem condimentada. E importante assinalar a utilizagio do sarapatel com finalidade religiosa, sem © uso da farinha. E servido em forma de papa, sendo, assim, do agrado de algumas divindades afro-brasileiras (Bahia ¢ Rio). , Pe te Sarrabulho — Similar a0 sarapatel baiano, mitidos ¢ sangue, geralment de Porco, Aci = ola, pimenta, imao, cravo-da- india, entre outros rescenta-se ccb Ja, pt 5 condimentos (Bahia/Rio Grande do Sul). ; um (Maranhao). Sussume — O mesmo que choss pulares da mesa baiana, integra-se 4, Vatapa — Prato dos mais po} i ; camar6es secos, Camarses fires. i errei es, cardépio ritual religioso dos terreiros- Pr ° cebolas ¢ dendé, entre outros ingredientes cos, peixe, amendoim, gengibre, fazem essa papa saborosa ¢ de aspecto dourado ¢ perfume peculiar (Bahia), Vevé — Prato constitufdo por farinha de milho torrado, que se acrescenta azeite-de-dendé ou mel (Maranhio). Xinxim de bofe - Mitidos de boi bem temperados, inclusive com pit mentas, acrescentando-se azeite-de-dendé (Bahia ¢ Rio de Janeiro). Xinxim de folha de mostarda — £ um alimento preparado com a folha de mostarda cozida, temperada com sal € azeite-de-dendé. Depois de pronto, pode-se misturar pipoca sem sal (Rio). Xinxim de galinha — Prato preparado com carne de galinha em pedagos, levando cebola, sal, alho ralado em pedra ou moinho. Apos 0 cozimento, colocam-se camarées secos, cebolas ¢ sementes raladas, tudo com muito azcite-de-dendé. Os mitidos nao entram na Preparagio dessa comida, podendo constituir outro prato (Bahia e Rio). Zoré - E.um alimento Preparado com quiabos cortados em rodelas € camaroes ensopados. O tempero é a base de coentro, cebola sal que, ralados, s4o adicionados com 0 azcite-de-dendé. O cozimento nio € demorado, e 0 quiabo, ainda um pouco duro, é retirado do fogo, sendo, em seguida, temperado com os ingredientes assinalados. Depois, est4 Pronto para ser servido nos santudrios, seguindo os preceitos necessdrios (Rio). O sangue, seiva mégica mantenedora das Propriedades e do sentido dinimico dos deuses, alimenta-os de grande sigilo, por Parte dos que conhecem esses ritos secretos, que sio mantidos com lastro de siléncio ¢ temor. As praticas privadas do oferecimento dos animais aos orixds, inquices €voduns mostram o grande respeito que os adeptos tém diante dos elementos da natureza, que s4o os prdprios deuses. i J apel de Pessoas especialmente treinadas para desempenhar 0 pap i 5 € respeito, procurando seguir 0 Sacrificador realizam tal mister com grande resp P' crificio ¢ imais quadripedes igor que Os rituai lo sacrificio com animais q) q qd jtuais merecem. O ato d 7 C em algumas praticas. aves é funcio masculina, observando-se, no entanto, Igumas p: 5 4 mulher realizando tal tarefa. ficios € para servirem de aliments vara OS sacti cago com a divindade obsequiads, gas com a identidade dos mais escolhidos P ofunda identifi ‘9 situagdes andlo; pliando-se ao nivel da zoolatrig, Os ani para os deuses rém pI Caracteristicas mitolégicas S4 noomorficas, am deuses € suas re] resentagocs s ’ s caracteristicas dos deuses diante do O simbolismo dos animais reforga # a . panorama mitolégico ¢ das préprias organizagoes religiosas. A forte marca do carneiro, animal votivo de Xang6, projeta-se morfologicamente no oxé, machado de gume duplo. Os dois chifes do carneiro podem significar a representagao do dualismo da justiga, marcando assim o principal objeto do orixd. O peixe, situado no panorama das divindades aquaticas, representa a vida nas d4guas, suas implicagdes € situagdes magicas, aparece em muitos objetos rituais das iab4s, por exemplo, nos abebés, nas correntes de ib, entre outras. Aserpente sagrada, que é Oxumaré, ou 0 cachorro de Ogum, imolado em sua honra, constituem representativa marca do sentido de guarda e Protegao que também caracteriza esse orixd bélico. Assim, os animais votivos nao séo apenas alimentos que irao ampliar e reforcar os elos do axé em sua concepgio propiciatéria e invocativa. Os animais dos sacrificios sio emblemas de ordem hierdrquica, de contetido ico, moral ¢ especialmente religioso. Os animais, sacrificados com os rigores Pertinentes as prdticas mais secretas, sao cercados de preceitos, tornando-se 0 climax do contato entre 0 adepto ca divindade. E por meio do alimento, sangue, fonte de vida simbolo da forga renovadora elementar as fungdes dindmicas da aes 5 que a celebragao da fé ocorre. Além de partes especif pecificas dos animai ‘ais, preparadas to to ta s, ~~ Is ecessidades dos terrej : nm erreiros, acordo com os preceitos ¢ as > Constituin ty ndo- yisceras temperadas, ‘©-S€ no chamado ixé, geralment > eas ritos de renovacio, iniciacio, §% AG%0, fitnebres, limpeza mégica € outros, onde os animais tém necessidade de sacrifici nt‘ itual é ificio € sentido de alime: itual Gio ritual. A misica litirgi uturgica at 8! companha as ceriménias das matangas, como sio chamadas as praticas de sacrificios. Os animais, ant is, antes de oc ituaca — ™ ‘uparem a situagao final das matangas, sio yMCtidOs aO Jc} sul Jejum e preparados de acordo com os objetos dos sacrificios. Os quadruipedes sao enfeitados com 0 marid, em palha de dendezeiro € assim so levados para as mos do axogum ¢ do até axogum que, utilizando-se de um obé especial, realizam a matanga, embora outros rituais de sacrificio ocorram sem © uso de objetos metalicos. Todos os presentes deverao cumprir certos preceitos por estarem assistindo a esse tipo de ritual, que éde grande importincia para a preparagio do axé e de sua continuidade. a divindade, ha uma s por exemplo: Para cad érie de animais votivos, Exu — galos ¢ bode preto; . tras COTES, ores variadas, gal los vermelhos ¢ de out Ogun - bodes de ¢ col ém: 5 nquems yariadas, galos, Oxéssi — boi, x tipo de cagas jalme! aca, bodes de cores especialmente a cabeg: conquém, qualque 93 . conquém, pombas de ¢o, Oxum — cabra amarela, galinha, patos, conduc™, Po vss bret sacrificio enderegados a Oxéss; imais de Logum-Edé - os mesmos animai ¢ Oxum; i aves em Iansa — cabra marrom, galinha, pomba, conquém, cores avermelhadas; é rancos; Eud — cabra, galinha, pato, conquem, todos bi Obs ~ cabra, galinha, pato, conquém, cégado; Xangé — c4gado, galo, carneiro, bode, conquém de cor marrom. Nana — cabra, galinha e conquém, animais em cores claras; Oxumaré — bode, galo, conquém em cores claras com base no marrom; Omolu - galo, porco, bode, conquém ~ cores escuras ou malhadas; Jemanja — carneiro, pato, galinha, cabra — branca ou de cores claras; Oxald - em suas qualidades Oxalufi e Oxaguia, cabra, galinha, pombo, nao podendo haver nada de cor, pois o branco é cor tabu e votiva desse orixd; Troco ~ galo, carneiro, bode, conquém malhados ou em cores claras; Ossae — bode, galinhas, galo em cores variadas; Baine ou Baianim — conquém; Ibeji - frangos ¢ frangas em cores variadas. Os quadnipedes so comumente chamados de bichos de quatro pése as aves de bichos de dois pés. HA uma equivaléncia de quatro aves para cada quadrupede, podendo aparecer ainda outros animais nesse conjunto destinado ao sacrificio, chamado iabossé. “iss eralmente, os chifres é peiiss 8 © alguns ossos tém significado especial para o conjunto emblemiatico do assento, entido Atri 4 mui O sentido zoolatrico estd muito presente no entendimento dos deuses africanos. A seqiiéncia que é obedecida na colocagio dos animais votivos ¢ de vindades baseou-se em observagées de terreiros de influéncia Toruba, suas di por me! jo das praticas Ketu. A grande tradicdo das praticas Angola-Congo est situada, espe- cialmente, no Candomblé do Bate-Folha, Salvador, na roga onde as drvores sagradas de Zacaf e Upanzu recebem seus sacrificios e alimentos, além de outras importantes praticas exclusivas dos preceitos dessa Nagao em que se fala linguas Banto. Os pejis internos dedicados aos cultos dos inquices recebem os preceitos dos rituais Angola-Congo e tém na culindria votiva momento de destaque para a manutengao dos valores sagrados ¢ sobrevivéncia de tradigdes especiais € voltadas & Africa. A marcante influéncia iorubana nao deixou de transpirar mesmo nas comunidades tradicionais que seguem outras Praticas, como a Moxicongo e Jeje. A importancia de alimentar os inquices ¢ a fartura das comidas do card4pio ritual a assisténcia caracterizam as festas publicas do terreiro Bate- Folha, em sua sede, em Salvador, € no Rio de Janeiro. 96 O calendério adh m que dedicada a Kajanjg Ketu. nn € 4 assisténcia, FtejO com as muitas comidas acontecem, atuando com i > 10 purificacio mégi . ‘agica e limpeza ritual. _ As festas das iabas, englobando todas as divindades caracterizadas como femininas, tém ceriménias comuns, incluindo-se sacrificios, alimentagio e dangas rituais. Ganga come milho ralado com mel de abelha; Kissimbi, 0 petés Bamburucema, 0 acarajé ¢ © alapata, além do acagé vermelho, ¢ o abari € servido a todas as iabas. Caiala come 0 ebd de Jemanjé, além dos demais alimentos 4 base de milho ¢ camardes com dendé. A festa de Vungi ~ divindade situada ao mesmo nivel dos Tbejis pare S' jo cau, onde sio servidos todos 0s 0s tereiros Kera ~ tem 2 conn : s¢ pobor, vataps, além 4, acaraje, > oleiu S 4 de arroz, aban, : pratos comuns: acag4, bolo . os condimentos site-de-dendé, com das no azeite de carnes das matangas prepara caracteristicos. a dos rituais Angola-Congo a divindade marcante galo e boboru, além porco, cabrito, be, junto a 4rvore sagrada Quitembe — obsequiado, recebendo os sacrificios de item! das bebidas. No assento externo de Qu acontecem as ceriménias. Katendé se alimenta de fei m azeite-de-dendé. Eu idas em seu assento, que geralmente ‘o-fradinho torrado, além dos animais da m inquice ligado as folhas matanga, preparados Co! linirgicas e medicinais, recebendo suas com! é externo ao peji- ie cebola, nao recebendo Lembé tem seus pratos preparados com on é é tabu para os pratos desse inquice, sal ou qualquer tempero de cor, € © dend Acagé branco, ebd, ajabé, cabra, galinha € conquém complementam o carddpio votivo que culmina no ciclo das éguas. \s —— Mukumbe tem na raiz de inhame assado 0 prato de sua predilegio. A raiz é cortada, colocando-se azeite-de-dendé, enfeitando-se com ponteiros de dendezeiro. Acarajé, feijoada, feijio-preto torrado, farofa vermelha e milho vermelho cozido constituem os alimentos do inquice da guerra e dos metais Bombogiro pode receber todos os alimentos, tendo preferéncia pela farofa-de-dendé e pelo feijio-preto torrado e moido. Colocam-se essas comidas em um utensilio, dividindo a metade com a farofa a a ‘a-de-dendé e a outra metade com feijao-preto torrado e mofdo. As carnes on sacrifici a acrificios sao oferecidas assadas, cozidas ou c Ss, ruas, ¢ Bombogi > iro recebe outr: ‘as farofas, além da de aguardente. gt Nas praticas do Bate-Folha, os preceitos Angola-Congo sio ardados com T1g0r, seriedade ¢ respeito avs inquices € ancestrais. As praticas dos terreiros fundamentam as atitudes das vendedeiras de tabuleiro que vemos nas ruas pragas das cidades do Rio e do Salvador, O ato de vender comida na banca ou caixa é de forte vinculo religioso, ligado as Casas de Candomblé. As comidas dos santos, os amuletos que compéem a venda, projetam o rigor da culindria dos templos, incluindo seus simbolismos e sentidos sagrados. Vintém de Xangé, imagem de Santo Ant6nio, figas, galhos de arruda, Pequenos chifres contendo ervas, contas, fitas ¢ Outros objetos magicos constituem o alicerce ritual da banca de vendedeira, também chamada quituteira, baiana de rua, baiana de tabuleiro, baiana do acarajé, ou, simplesmente, baiana. Essas designagdes sio comuns ¢ usadas pelo POV, principalmente os freqiientadores dessas bancas, que consomem as delicias das quituteiras. Famosas ¢ sabedoras dos mistérios dos temperos, das quantidades certas, do agrado dos santos, das horas devidas e dos dias Tespectivos 3 quele 100 tro prato, €8sas quitute;, ou oF quitute; ET sor Pa Fas S40 clos que j; ‘lico, um certo Prolongamento d ome ian . i OS te . Os pontos sa0 os locais de venda. Ni : - Novas jorreraM OU, por i e. que ™ Por idade, que treiros, quituteira ; Pa Ss substituer i 40 vendem mai smmourtas, seguir as tradig6es, como fritar os trés S primeir 08 ac Oe! de massa de feijao- H porgoes ja0-fradinho e des Pachd-los na As novas procuram ae rajés em pequenas Tua, como se abrissem inhos para a venda total das sua 1 xu € Tansa, P: a I das suas comidas, obs ', Obsequiando Exu e I: sa, dona dos acarajés. Muitos procedimentos sao realizaci ‘OS nas casas das quituteiras antes dessas sairem as ruas com suas comidas variavelmente, essas mulheres » Invariavelmer sio iniciadas nos terreiros. Por isso, tém pejis particulares, onde colocam parte das comidas que serio vendidas para o puiblico, sempre obsequiando seus deuses patronos antes de sairem com seus quitutes. O acarajé, axoxd, acaga, abard, lelé ¢ outros tém seus lugares seguros s divindades, que recebem, em primeiro lugar, suas junto aos assentamentos da ado ao deus protetor, tute- comidas rituais, importantes lagos que unem 0 inici lar da vida e do seu destino. indade muito bem ue ird proporciona rofa-de-dendé € acaga, pois, a0 dominar as ruas € a tratada, ro dinheiro da venda. Exu é uma div: comunicacio, por exceléncia, € aquele q mento de Agua, cachaga, fa mum ¢ natural daqueles que O ofereci edimento 60! depositados na rua, € wm Proc gem em todos esses proce dimen, tos i endedeiras cr os. As ve oe ee bess m os terreir 5 ama mdgico do ato de y, mais, 0 panor ig do a =e 5s que fazem 0 cardépio ritual, «alimentos sagrade ‘ io . - gransformagio das vendas. Os pon nstanre transfo! iG: ponte fl segueD a co’ : s cidades do Rio de Janciro ¢ Salvador ‘ io E evidente entre as quituteiras da < no cardapio. Ha o consumo de reccitas centensrig aproximagio muitos, principalment nos grandes centros urbanos. ; - Os doces industrializados concorrem para O desaparecimento dos bolos e manjares casciros, das balas ¢ cocadas-puxas; Os Cremes € as mass, de milho, acticar ¢ leite sio substituidos pelos produtos empacotados, que s limitam no sabor e que convivem com a cozinha artesanal. Tudo ¢ importante para a venda de banca. O traje, os fios de contas, as pulseiras, 0 pano-da-costa e outros detalhes constituem a indumentiria. base da negra baiana. Elas nao podem ser encaradas como camelés que vendem simplesmente artigos de consumo. Elas representam 0 lastro de uma tradicao de décadas de trabalho paciente ¢ calmo, motivado pelos prdprios procedimentos que a cozinha afro-brasileira impoe. Ralar a massa do acarajé na pedra e no moinho, preparar 0 azeite- de-dendé, separar as quantidades dos temperos, respeitar as comidas ¢ 0s dias consagrados aos deuses, nao ofender na sexta-feira com comidas de sem condimentos fortes, Essas vendedeii ici Im. laékiera : Ciras tradicionais das ruas marcam, inegavelmente, 4 Presenca do traby alho das mulheres dedicadas 40 santo e aos seus preccitos. alendario dos terreiros, ci na ‘ 0 havendo problema de se faltar ao ponto de - aa quando da necessidade de atender as obrigacSes dos templos. A atividade da vendedeira de rua juntamente com as profissdes de cunho doméstico formam os Principais trabalhos das mulheres que se dedicam a manter 0 rigor dos cultos, em especial os de Candomblé, nas cidades do Salvador e do Rio de Janeiro. A festa do caruru dos Ibejis €é momento de descontrac3o e alegria farta. O caruru, servido no rigor dos terreiros, é acompanhado de Preceitos que viram agGes propiciatérias das divindades gémeas que, segundo a lenda, sao filhos de Xangé com Iansa ou de Xangé com Oxum. Os Ibejis tem lugar de culto como divindades infantis, recebendo a interpretagao de um lado alegre e comum as criangas, 104 Os Ibejis tém ri Tituais prépri Proprios nos terreiros, ond , onde sio cultuados, a verdadeira familia mitolgo; enas alg itolégica de Ibejis, fami como so aP' > familias do terreiro. Ni . No entanto, uum: ‘AS Poucas casas de cul - 3 cult “gio ‘© que possuem esse fundamento Geralmente, os assentos d Ss dos Ibejis sents ean bejis encontram-se préximos aos sa, relacionay i — . indo. i i i ai mmitolégica. as divindades infantis a essa O caruru dos Ibejis é ejis des jis € preparado com todos os rigores, iniciando-se com as matangas de fran; : : " “ gos ¢ frangas. Na gamela de madeira, as carnes foram preparadas, camar6es secos € outros ingredientes sa i aa “en es so colocados junto com os q s los e dendé, levando ai eed * lo ainda legumes. O grande prato € coberto com farofa de azeite ¢ ovos cozi i dos. O alimento fica guardado no peji junto aos ixés das matangas, ate 0 momento da saida do caruru para 0 barracao. O xiré comum ¢ iniciado cantando-se para Exu, quando € feito 0 padé. A seqiiéncia é mantida até que © dirigente da cerimdnia, de dentro do peji, inicia os cAnticos para 4 retirada do alimento sagrado. Os orix’s S40 il <0 71 ‘A 1 antam invocados a participarem da obrigagao ritual do caruru, € todos cant: quando chega ao barracio a gamela vinda do santudrio com © alimento votivo dos Ibejis. Que min xa” xb f no Beje mir¥. os ritmos, € o caruru é COlocag lo Os atabaques ¢ as palmas fazem ; nas sio convidadas a comer do catury, , sobre a esteira. As criangas pequer hetewe pepeerewerne arbi i tirando com as maos, em lambuzada festiva, Vio todos, ao mesmo tempo, : saborear a mistura que ¢ sagrada — ritual que rememoriza fartura, ancestralidade e vida sagrada. A roda dos orixds continua durante a alimentagao dos Tbejis, As criangas so consultadas se esto fartas. Assim sendo, a gamela € retirada dy barracao pelas préprias criangas que participaram da alimentagio, levando o utensilio ao seu local de origem — 0 peji -, quando todos cantam: No iapajé no tapajé Colold. - Ne Fe A esteira ¢ toda a comida espalhada sao retiradas cuidadosamente, sendo também levadas ao peji, guardando-se até 0 dia dedicado ao ossé dos assentos. A ceriménia do caruru dos Ibejis acontece geralmente num domingo a tarde. A assisténcia também Participa da festa, tendo um ajeum preparado ‘0 no azcite, farofa de azcite, doboru, abarg, acarajé, feijso- com 0 oguedé fi Preto ¢ ourros alimentos, todos servidos no mesmo prato, podendo-se utilizar garfos ou colheres para a degustagio dessas comidas 106 O caruru do; - S Ibejis ¢ ixds sO estard . jos orixds st a mn ‘ Portancia, pois o ciclo de sua preferéncia, relacionandy fs Se CoM © paj my. i mento caracteristic : Pai mistic hn alimen' £0, © quial ‘0 Xango, que, pelo seu bo, & ass; justi » € assim sj fogo € da justia. ™ situado no enredo do orixd do Essa penetracao € natural, condicionando o que é do agrado das criangas com a interpretagao dos adeptos ao sentido infantil dos Ibejis. Geralmente, apds o ritual do caruru, sao distribuidos doces, nao havendo, no entanto, qualquer elo sagrado, seja por meio de cinticos, dangas Nos terreiros de Candomblés mais tradicionais € ou toques de atabaque: de maior ligacao religiosa com 0s rigidos preceitos africanistas, nao é comum observarmos outros alimentos além dos relacionados ao cardapio votivo ¢ de cunho ritual. ruru dos Erés € 0 caruru dos bejis, caruru dos Bejis, cai : agoes. E também Ocaruru dos I outras denomin: ue possui também nculada dos terreiros, cando os calendarios das Mabagos é pratica q' tendo maiores realizado como festa publica desv! ¢ religiosos, mar em setembro, proximo ao dia Significados socializadores do qui : casas de familia. O caruru publico oferecido 10 de encontro, como 5 50, retine em pontos Mereag, de Sao Cosme e Sio Damiao, h as . ome! seu. ¢ feiras, os devotos dos santos gémeos, 8 8 Santo, : ‘dio desse alimento. padrociros por intermédio desse ali 4 a i e) aruru nao esta As festas que recebem as denominag6es de c: St3O apenas . ‘iblicas do situadas no ciclo dos Ibejis, em setembro. As festas public: caruru de Santg ignificado sécio-religioso, A Si Barbara, no més de dezembro, s40 de grande Em Salvador, no mercado da Baixa dos Sapateiros, chamado mercado de Santa Bérbara, no ciclo festivo da Santa, os barraqueiros, por tradicao ¢ fé, ofereciam ao ptiblico um grande caruru preparado com milhares de quiabos contendo todos os ingredientes do preceito. O caruru de Santa Barbara também é enderegado a Iansa, uma das trés mulheres de Xango, mantendo, assim, 0 elo mitoldgico entre os orixds de um mesmo grupo. Xang6 tem no quiabo seu principal alimento votivo, e Iansa, sendo sua mulher, segundo o lendério, se alimenta da comida predileta do marido. 4.4— Todos os adeptos de Iansa, homens e¢ mulheres, vao cultuar a divindade dos ventos e das tempestades oferecendo também o acarajé, alimento principal do orix. A festa de Santa Barbara é das mais populares, tendo a Presenga certae segura dos tradicionais sambas-de-roda e do caruru E a ceriménia publi ida ri Onia publica da comida ritual de Omolu, reunindo varios pratos do cardapio votivo dos orixds. O olubajé possui a parte privada das matangas enderegadas a Omolu e, & noite, ao ar livre, ou em uma cabana espe- cial, feita de folhas de dendezeiros, sio realizadas as praticas de oferecimento das carnes dos sacrificios, feitas em azeite-de-dendé, e de outros alimentos secos, predominando o doboru. ‘Ao som dos atabaques, 0 cortejo ritual entra com a seqiiéncia hierdrquica do terreiro, quando todos levam na cabeca os utensilios contendo abara, acacd, acarajé, axoxd, doboru, feijao-preto, omolocum, ef6 e muitos outros pratos da cozinha dos deuses que, nessa ceriménia, sio obsequiados em alimentagio geral ¢ festiva. nho ritual cobrindo o peji de Omolu O doboru é servido como um ba (0, limpeza atuando como uma purif ¢ de todos os assistentes do olubajé, cerimonial como é chamada pelos praticantes. 109 / | stem trajes ¢ Os iniciados possuidos por Omolu vestem trajes em palha., da, vando © xax; lo centro d la dos orixds, as comidas vq fi F centro da roda dos oj 7 7 evando o xaxard. No cer da N a a locadas peque; sio servidas em folhas de mamona, quando sao col Pequenas Por \ cl uantas ve: de todos os alimentos presentes. Todos podem comer q ‘aS Vezes Wiscren €, enquanto todos vao participando do banquete ritual de Omolu, cantam , ord do olubajé: Aé Ajé ajaumbs Olubajé ajaumbe. Ao término das comidas, recolhendo as folhas de mamona e os alimentos restantes que saem do local no mesmo cortejo ritual, entoa-se o 976 até a saida do tiltimo participante, Apos essa pritica, que é anual ¢ geralmente ocorre em agosto, as dangas rituais tém continuidade, quando Omolu danga no barracio o opanijé e suas cantigas prdéprias, demonstrando has coreografias draméticas suas historias de orixé, © olubajé também ¢ encarado como um ritual de purificagio migica, Por meio dos alimentos enderegadlos a0 orixé das doengas e das curas, As Ceriménias que constituem todo o ciclo do olui bajé Jo repletas de rigores que iados com os tabuleiros de doboru, além do assentamento do orix4, visitando terreiros de Ca geralmente comegam com a saida dos inj ndomblé ¢ casas de pessoas conhecidas e percorrendo locais piiblicos, como manda 0 preceito, culminant q o ponto inante do ciclo éo oferecimento das comid: P comi de caprinos e de aves, idas ¢ a grande matanga O culto especifico a Omolu € reali ¢ treinado . realizado pelo seu sacerdote, espe- cialment para tal mister, Chama-se assob4, sendo cle també . ssobd, 5 Je também vel pel 5 responsdvel pela confeccao das ferramentas emblemdticas desse orixd qrabalha artesanalmente o xaxar4, ibiri de Nana, podendo, também, confeccionar 08 trajes rituais de Omolu, em palha-da-costa € biizios, fios de contas nas cores preta € vermelha, brajas ¢ demais objetos emblematicos necessdrios a0 ritual. O olubajé é também interpretado como uma série de atos litargicos para cultuar a natureza ¢ suas transformagoes, respeitando, crendo ¢ temendoo = — / orix4 Omolu, senhor das curas. Omolu, quando danga em terreiros de Candomblé, mostra seus terra ¢ para o céu. Omolu, conhecido também dominios, apontando para a por Abaluaié, Obaluaié, ‘Arifoma, Zagpa ptos das religioes ta, ‘Azoani € outros nomes, é orixd afro-brasileiras. dos mais respeitados pelos adey Nos Candomblés Angola-Congo, em seu conjunto de divindades, encontramos 0 inquice Tempo ~ Quitembe — que ¢ interpretado pelos adeptos como © responsdvel pelas mudangas climdticas e pelos fenémenos meteoroldgicos. Por isso, seu assentamento e seu culto sto situados no campo da fitolatria, recebendo pratic; s junto ao pé de gameleira, genipapeiro, cajazeira, onde sio colocados os seus objetos simbélicos em metais ¢ utensilios em ceramica. Na roga de Elza de Zaze — terreiro Angola, no Rio de Janeiro -, Tempo vai comer, e todos os Preparativos culminam com 0s sacrificios na arvore votiva — cajazeira —, assento ritual da divindade. As grelhas, as setas e os ganchos de ferro, juntamente com os utensilios em ceramica — alguidares, quartinhas, porrées € naj > aguardam a seqiiéncia do oferecimento dos alimentos rituais que serao colocados nos utensilios dentro dos preccitos necessérios. mais tarde, completando a aliment, ‘agao. frvore ritual é A rvore ritual é Preparada com os oj4 dc jds de 3 comidas secas, Pano branco e estampado, e constando d ea 4: i covido com azeite-de-dende Cagas, acarajés, doborus, axox, inh: nd€, farofa-de-dendé, ebd, feija » inhame » bd, feijao-preto ¢ algumas es sacrificadas a: ave ssadas € colocadas com 0 feijao alguidares junto a arvore do Tempo. me eae oeson ne Os ferros, a grelh: > a is si QI € os demais simbolos esto marcados com sangue los sacrificios € col : c bertos com as penas principais das aves da obrigacio, —— + —— galos brancos, pintados ¢ d'angola. As bebidas nado podem faltar na alimentagao de Tempo, ¢ algumas industrializadas so permissivas: vinho tinto e cachaga. Em muitas priticas de Candomblé de Angola, no Rio de Janeiro, é observada maior permissividade de bebidas alcodlicas. ‘A meladinha de Tempo é uma bebida especial, preparada com todo rigor e servida ao publico participante da festa procurando, por meio dessa bebida sagrada, que é retirada do jugar dos assentamentos junto & cajazeira, no Candomblé. E e canela. Fermentada, @ mistura é servida jo os alimentos da arvore.O H 4 ssa bebida ¢ feita com cachaga, unit todos aqueles que ¢sta0 mel de abelha, erva-doce, gengibre de - i par on com sentido religioso € respeito nO juga’ ae comida, ap65 28 ecidos ¢* > fest ados € estabelec! contato comum e a fé sa0 refor¢ 113 i, 4 jdentificante do inquice J is. No entanto, essa meladinha © ident iq) emp dangas rituais. No en > _ 0 de corda on m -omo O USO fum sing i do, bem com sendo bebida do seu agrago, industrializado. - . . o in ido com palha-da-costa, buzios, saieta, oujds, levando sstido C - is: a grelha, a seta, uma espécie de capacete edominando © branco na Tempo € ve: nas mios as ferramentas ritual xa o rosto livre, Pr franjado em palha que dei vreveiia s rajados de preto ¢ marrom, P oun indumentaria, e fios de contas sa0 os dilogu! |: A entrada de Tempo no barracéo é realizada com a recepgao da assisténcia, que joga sobre a divindade pipocas, € Tempo comega a dangar; entio, junto ao seu assento, recebe os cumprimentos da assisténcia, quando todos satidam: Ela, cumpadre. Nas dangas de Tempo, 0 uso constante da bebida — o que caracteriza © seu comportamento instével - é mencionado em seus enredos, desen- volvidos nas coreografias dramatizadas. Segundo os adeptos, Tempo gosta de beber, ¢ muito, e também de fumar, é agradado com uma simples aguardente ¢ um pouco de fumo de rolo. Entre as cantigas de Tempo, essa é alusiva ao uso da bebida: Tempo estat embriagado Jéinévo conhece mais ninguém Nas praticas Angola, os textos em Portugués tém maior penctraga0 do que nos demais rituais, como o Ketu e 9 Joje. A, miscure marcanre de ortugués Com O quibu: : 5 i p quibundo € observada nas muitas cantigas dos inquices nesses terreiros Angola-Congo ou Moxicongo. A cauae de Tempo nio é manifestagdo das mais comuns nos Candomblés Angola, tornando-se pratica cada vez mais restrita ¢ de pouca popularidade. A divindade Tempo pode ser situada ao nivel mitoldgico de Iroco, nos cultos iorubés, ou Loco, nos terreiros Jeje, possuindo, no entanto, caracteristicas € preceitos Proprios de acordo com cada tipo de Nagio. ‘Todas essas divindades esto situadas nas praticas fitolatricas. E evidente que, com as mudangas rituais ¢ o distanciamento dos motivos originais das obrigag6es, as divindades Zacai, Upanzu, Cajapricu e outras ligadas a fitolatria estao perdendo culto e culindria especificos, desaparecendo um significativo campo gastronémico e de cunho votivo. Nesse terreiro, a assisténcia comeu omolocum, milho de Temanja, um omalé, galo preparado no azeite-de-dendé e arroz branco, que vem acompanhado de cerveja. Tsso acontece com © dia claro, como geralmente ocorre 0 ajeum, apos © blico, no barracao, have esas {ficas dos ogis ¢ do publico. toque publi barrac4o, havendo mesas especi Re que publico, i go, aps as obrigagoes ¥ também comum nos terreiros Angola-Congo, apos * gag o° samba-de-roda, que acontece durante m essa forma de divertimento, socializagao € contato o dia, onde muita alegria € publicas, descontragio caracteriza) com 0 sagrado. wie oe Pe Os sentidos bélico e guerreiro de Oxal4 jovem, Oxaguia, marcam seu culto nos terreiros de Candomblé, nos rituais do pilao ¢ do atori, relacionando os atos de purificagao e¢ fertilidade aos elementos votivos desse orix4. E uma das qualidades de Oxal4, divindade que se apresenta na mitologia afro-brasileira ora como um velho apoiado em seu opachord, sendo entdo chamado por Oxalufi, ora como um jovem guerreiro conhecido por Oxaguia. A ceriménia puiblica do pilio de Oxaguia est incluida no ciclo festivo das éguas de Oxali, que é realizado no inicio da primavera ou, entio, no final de dezembro, estendendo-se até as primeiras semanas de janeiro. A comida do orix4 Oxaguia, incluindo a alimentagdo dos seus utensilios sagrados, dé o fundamento das praticas que ora Passamos a descrever. O pildo, retirado do peji, vem ao barracao no dia da festa, contendo ebé ¢ inhame cozido com ori ou limo-da-costa. Todos trajando o branco, realizam o xiré em torno dos assentos de Oxaguia, entoando seu ords, Em 116 pommento especial, os alimentos contid + * los no pilao sao di cluindo-se a assi pilio sio distribus presen Cn lo-se a assisténcia. uidos entre os aliment O alimento une, congrega e estabelece een 08 contatos com Oxaguia. A recebeu suas atribuicd gure eu ribuigdes magi jiar os sentidos social ¢ religi eee & pa amp € religioso da alimentagio integrada 4 liturgi en iturgia dos O alimento dese: my Se cine ; penha sua fun¢io emblematica, O alimento nao ais o simples mil i era mi: ples milho branco cozido, ebd de Oxald ou inhame temperad rado entro dos preccitos. A A i d Pp s. A congregacio da alimentagao de Oxald é mais ampla, abelece os moti ili épri est jotivos da fertilidade, a propria vida, purifica o homem pela ingestao das comi i ge das. O adepto recebe 0 alimento como se recebesse 0 proprio BR Oxal4, com seus valores ¢ simbolismos, agdes, dominios ¢ patronatos. Oo alimento é a propria divindade projetada nos ingredientes preparados na cozinha sagrada. O ritual do atori é também interpretado como a purificagao ¢ renovagao por Oxald. As festas de Oxald tém tabus do uso do branco, nao podendo os praticantes portar qualquer indumentaria de cor. ‘A alimentagao € também ndo proibida a ingestao de azeite-de-dendé, condimentos ¢ controlada, s¢! bebidas alcodlicas- A preparas: principal ele em que condigdes 40 das obrigagoes rituais, em sua maioria, tem na mento, nao situando apenas © que © ingerido, alimentagao sc ° & feita a alimentagao, quais os mas como é ingerido, 117 F i Jo nao envolve apenas a alimen, _ principios respeitados. O ato da alimenta¢: tag pela alimentagao: a imagem simbélica do . ais importante para manter os Motive, que é alimento, seu Sentido Pa quem vai alimentar-se, € 0 m: Aa i cada ritual, cai wo devocional, propiciatério, invocativo, tendo, para } caracteristcy proprias. . A alimentagao do pilao de Oxaguia € a uniao do adepto com Cs¢ orix4, momento da juventude da imagem de Oxald, enviado de Ol6rum Para fertilizar a terra e o homem. Manuel Querino situa em seu livro Costumes afiicanos no Brasil 4 festa do inhame de Oxaguia: "E 0 tributo prestado a Oxald4, o santo principal do terreiro. Na Primeira sexta-feira de setembro, a mie do terreiro reine as filhas-de-santo € se dirigem todas fonte mais préxima, com o fim de captarem, muito cedo, a dgua necesséria 4 lavagem do santo. Finda esta ceriménia, o santo é Logo em seguida, sacrificam um caprino, que é cozido juntamente recolhido ao peji. com o inhame, nao sendo permitido 0 azcite-de-dendeé, que é substiruido pelo limo-da-costa. Retirada do fogo, a refeigao é distribuida Pelos presentes, que depois se retiram. comegam as fes Decorridos trés s ‘aS, ¢, entre as ceriménias, a seguinte: a mae do terreiro, munida de Pequeno cipé, bate nas costas das pessoas da seita. E a disciplina do rito ¢ tem o efeito de Perdoar as aces més praticadas durante o ano." (Querino, 1988:38-39). ea santo Auto Ito é O ciclo festivo das 4 Aguas de Oxalé obedece a um calendério mutével, que ird variar de acordo com a regio ou de acordo com os terteiros, Nagées. eee i ; A dgua ritual € carregada até 0 assento de Oxalé, colocada no balué ~ cabana feita de palmas de dendezciro, onde ficam 0s utensilios sagrados do orixé Oxald — até o término do ciclo das 4guas, voltando, em seguida, a0 peji original. © ebd é alimento caracteristico de Oxalé. Presente nas priticas ndade, atua também como protesio magica para os enderecadas a essa divi 0 ebé & jogado nas entradas das terreiros, quando, além do padé de Exu, habitagdes ¢ no interior do barracdo de festas ¢ também proximo aos pejis. © culto das Sguas de Oxalé dura, em média, rés semanas, posstiindo ivadas ¢ puiblicas, inclui bos € conquéns, cu} entamentos do orix’, pasando ceriménias pri indo o sacrificio de animais brancos — cabras, galos, galinhas, pom gue ¢ ixé ficario nos m os remperos & b: a carne serg servida para a comunidade ¢ 0 san; dos das id-bassts, CO ¢ de ori ¢ limo-da-costa. pelos cuida 119 do ebd de Oxald € realizada nos ultimos dias do cielo iblica A festa pi ‘onal, cantado ¢ dangado na Seqiténci, A i rixds é 0 tradici das Aguas. O xiré dos orixds € i uma mulher, que, geral barracdo trazido por uma que, ge mente, comum. O ebé entra no .. bre todos os presentes, pratica que ¢ é uma iabé. Esse alimento é jogado so os On cans y A H s Is OF é encarada como um ato de purificagao ¢ limpeza magica. peas vem ¢ te é distribufdo para todos 0s dangam em honra de Oxald ¢ 0 ebé restant é-lo ou passd-lo pelo corpo, jogando-o, em presentes, que poderao com seguida, ao cho. O ebé de Oxald é um alimento caracteristico que identifica essa divindade, como 0 acagé. A festa do ebé nao possui a complexidade ritual do olubajé. No entanto, é ceriménia de grande importancia para os fundamentos dos terreiros, pois Oxald ¢ 0 orixd da fertilidade ¢ da vida. A 4gua é seu clemento Votivo, ¢ representa a presenca da Natureza, que atua e é necesséria aos sentidos, dos elementos revitalizantes da terra e do homem. O balué é 0 local da lavagem, ou banho de Oxald, como falam os adeptos. Essa lavagem representa a Purificagao das pessoas que participam das ceriménias, ¢ sio chamadas de viagens. O assentamento de Oxalé no balué é lavado trés ou sete vezes, indo cada pessoa com uma quartinha ou quarta contendo dgua apanhada em fonte ou bica, a qual derrama sobre os objetos do assentamento até concluir a Ultima viagem, quando deposita junto a Oxald o recipiente contendo Agua lustral e flores brancas. LN af wan Todas as viagens 53 iS SAO acom, i ibt, i: noi w panhadas pelo ritmo do ibd, isso quando is corim sao reali i tais Tealizadas em terreiros de influéncia Iorub4. Nas casas -ola-Congo, Jeje e Sra AR Angi 180, Jeje € em outros rituais haverd ritmos prdprios caracteristicos de cada forma religiosa. O tabu de vesti é estir branco é uma caracteristica desse ciclo festivo. Todos traj i yam a cor do ritual de Oxal4, mantendo seu voto de nao ingerir comidas & i ée pi ingeri idas 4 base de azeite-de-dendé ¢ pimenta, que é respeitado du- co pert 5 c P ay rante o perfodo das 4guas, e nem consumir bebidas alcodlicas, principalmente a cachaga. Os preceitos sao respeitados em fungao de uma boa realizagao religio- sa, pois © conjunto de atitudes dos praticantes em respeitar os tabus, como a abstinéncia de relag6es sexuais, concorre para a aceitagio dos alimentos de Oxald, que sera comprovada por meio da consulta ao If’ pelo opelé Ifa, jogo de biizios. Assim, 0 ciclo das aguas é cumprido dentro do rigor necessario, pois o alimento é aquele significativo elo entre a meméria, © hoje, ¢ o homem. Ocbé écomida obrigatéria em todas as alimentos dos terreiros de Candomblé sempre hd um prato contendo o ebd s cerimOnias, pois nas ofertas de consagrado a Oxald. ¥ um habito, sempre ao ofertar uma comida votiva, dedicar 0 eb6 a 5 Oxald. Quando os deuses vio 4 guerra e levam suas comidas. Apés os ciclos festivos dos terreiros de Candomblé, iniciando o Fens do calendério catdlico da Quaresma, os templos tém suas ceriménias publicas a maioria dos rituais privados sem fung4o, quando o lorogun € realizado, representando, por meio da dramaticidade, as lutas entre as cortes de Xangée Oxald. O lorogun é a ida dos orixds a guerra, e todos levam seus alimentos, em sacolas, além de portarem as folhas rituais ¢ os estandartes vermelho e branco, respectivamente para as cortes de Xangé e¢ Oxalé. Praticas internas no peji culminam com o ossé, oferecimento de algumas comidas secas aos orixds, nao havendo matanga de animais. O lorogun é geralmente um ritual que acontece durante o dia, havendo Participacao ativa de todos, incluindo-se a assisténcia. Evidentemente, existem as variantes que irdo ocorrer de terreir ‘© para terreiro. No entanto, hd normas comuns quanto ao sentido religioso do 122 sem a presenga dos deuses patronos, > muit Seen respeitados. 08 tabus € injungdes deverio ser O lorogun gun comeca com a entrada das cortes de Xangé ¢ Oxala; duas fileiras iniciam com oe {sti Standarte caracteristico de cada orixa, que sao portados por pessoas de alto status na comunidade religiosa. —_—— mut As pessoas que possuem santos homens levam, a tiracolo, um arco de ervas, ¢ as de santos mulheres levam a cabeca o mesmo arco. Os atabaques executam os toques dos orixas, € as fileiras colocam-se em atitude frontal, jniciando-se as representag6es das lutas entre as duas cortes. O estado de possessio dos participantes de um dos grupos determinar4 a vitéria do outro. Assim, com forte interesse, alegria € partidarismo, sao efetuadas as seqiiéncias do lorogun. Os iniciados, possuidos por seus deuses, yisitarao todos os pejis, como se despedindo dos assentos, levando um pouco das comidas neles mantidas. Nas portas dos santuarios, s40 deixadas capangas contendo um pouco ‘as s ha asilhas, ¢ algumas ervas especificas da divindade habitante do que ha nas v > ° 3 D maneira partem para lorogun, voltando apos 0 ciclo da eji. Dessa ; fos ra votiva dos terrciros, invocando a presenga dos Quaresma com 4 abertul i rrando em novos rituais de alimentagao. deuses, impo & tradicional observarmos em terreiros Iorubd as ceriménia, lorogun, que, realizadas, mostram 0 respeito € a presenga do calendéei, catélico atuando nos calenddrios originais das casas de Candombké, No Rio de Janeiro, em terreiro Ketu, 0 lorogun inicia-se com um Titual de purificacio dos iniciados ¢ da assisténcia, seguindo-se os preccitos Ue org Passamos a assinalar. Uma das mais velhas iniciadas do terreiro senta-se no meio do barracao — local onde sao dramatizadas as lutas do lorogun entre as Cortes, Coloca-se ali uma grande vasilha contendo doboru e um pequeno cesto, Obedecendo a ordem hierdrquica, todos vao até 0 centro do barracio, colocando moedas no cesto e apanhando os doborus, sendo esta uma ceriménia de limpeza mdgica, preparando os Participantes para o grande periodo da auséncia de seus deuses, que seguem para as lutas mitolégicas WS Os pejis ficarao sem uso € no barraco nao haver4 toque até a data do lorogun. da Aleluia, quando todo o terreiro retorna para as fungdes normais, iniciando- se com os sacrificios em honra a Exu, seguindo-se a farta alimentagio de todos os deuses habitantes do terreiro. No cardapio votivo do lorogun, é de preceito e costume a oferta de acagd, abard, acarajé, doboru e ebé, aparecendo, ainda, outros pratos que funcionam com as necessidades especificas de cada terreiro, Cada iniciado levard seus alimentos votivos aos assentos dos deuses especificos, havendo uma participagao geral de todas as pessoas que tenham PD rerteiro seus Objetos sagrados, devendo aquele retornar somente apés 0 jclo da guerra. Logo apés, com novas alimentagdes para a volta das a 7 pitagoes dos assentamentos nos pejis, culminando com xiré, no barracdo fl de festas, yetorna-se 0 calendario do terreiro. A Xangozeira no No Mercado Sao José, no Recife, as barracas dedicadas 4 venda de utensilios para os cultos populares tém em seus vendedores importantes informantes das praticas de Xang6 desenvolvidas na cidade, onde os objetos que vendem sao de consumo certo e necessdrios para a grande clientela dos terreiros. culindria é de grande importancia, Procurando Evidentemente, a perpetuar os relacionamentos entre os deuses € os seus adeptos. Os terreiros de Xangé do Recife mantém uma clientela numerosa, que vai procurar os encantados para resolver seus problemas sociais, empreender curas pela medicina popular e estabelecer © culto, oferecendo agrados especificos de cada divindade, respeitando seus gostos ¢ desejos. Em uma das barracas especializadas em artigos de Xang6, Eunice Ferreira Afonso — vendedora e cultuadora dos orixds — vende, orienta e receita para seus fregueses, que buscam nas ages dos orixds suas respostas. 126 es os i de ites tos Jos sa, is, jo a stres © de SURS CSPeCialidades. © tern qulto para 11 orixds, mestres ae divindade: iro de Xangé de Eunice € reduto de 8, proc . s em praticas publica » Procurando situar cada conjunto de ‘Ss semanais, disti ivi » distintas elemento ou divindade, € especificas para cada As seqiiéncias rituai Tituais e a gas i i sorios, de acord gastronomia votiva adquirem sentidos proprios, ‘Ordo com as ceriménias. Nos rituais d ixd i topes los orixds, 0 azcite-de- savel; nas priti i ' praticas de caboclos, muitas frutas irio compor alimentos s: os agrados, e, para os mestres do catimbé, a aguardente € os pratos 4 base de farinha nao podem faltar. A culinaria é desenvolvida geralmente pela dirigente do terreiro, que, conhecendo os pratos e suas receitas, tem condicio de se comunicar com as divindades por meio das comidas especificas de cada uma delas. As comidas variam de terreiro para terreiro, havendo, no entanto, pratos comuns aos Xangés da cidade. alimento feito com quiabos - € temperado com castanha, O beguiri - azeite-de-dendé. Segundo a im, carne fresca de boi, camarao € xangozeira, O beguiri € feito com 50 quiabos, ntimero ritual par: le Xango em Maceid. ém observado no terreiro de reparado com fuba de dinho, comum a0 pry amendoii a esse Prato. O beguiri foi tamb O omolocd de Oxum ép parecendo © feijao-fr: do Rio de Janeiro. angozeit aparecendo com milho, azcite-de- . paro do dendé e camardes, nao aj m nos terreiros da Bahia ¢ egundo infor jo chachi-b idade. omoloc a Eunice, € © feijao-fradinho, s ma aX} nda, ente chamado no Recife de fi popularm ouca expresso no cardapio dos terreiros da ci Pp 127 0 Orixald, no Recife, tem no arroz bangs 4, mais conhecido com: Oxald, mais nto. Segundo a informan,, o seu principal alim: mer s complementam 0 prato que € do ro e cozido sem temperos clara de ovo, mel de abelha ¢ cravo ixd da fertilidade. do orix téria em todas as ceriménias de As frutas tém presenga obriga ‘ 1. racter{sticas do Nordeste so também incorpora clas alimentagao, ¢ aquelas cal ‘dipio, bem tropical e ao gosto aclimatado dos deuses africanos na ao cardapio, realidade nordestina. O orix Xangé recebe maga ¢ melancia em suas obrigagGes rituais; Oxum, o melao; Iemanjd, melio ¢ mamio; Omolu, laranja e abacaxi; Exu, coragao da india; Beguimin e Oxdéssi, todas as frutas; Ogum, manga. Na alimentagao dos caboclos, atendendo a outro elenco de divindades, todas as frutas, sem procedéncia certa, cor € sabor, sao oferecidas nas praticas das matas, quando se organizam as mesas dos caboclos e da jurema. A bebida dos caboclos é chamada e conhecida por jurema, sendo Preparada com ervas cozidas, incluindo a entrecasca da juremeira, cachaga € mel de abelha. A informante situou a bebida sagrada da juremeira como a mais importante no conjunto das bebidas rituais utilizadas nas Praticas dos caboclos. As ervas sao maceradas e colocadas em cachaga, que deve ser de boa qualidade, cantando-se em louvor a Anténio Grande, mestre responsdvel pelo preparo da bebida. E evidente a penetragao do catimbé nos rituais votiados 208 caboclos, mesclando-se nas Proje¢des do catolicismo Popular. Anténio Gran de, mestre de catimbé, é invocad ° lo com os seguintes yersos: Jurema é um pau sagrado onde Jesus descansou, Eu me chamo Antonio Grande, na santa paz do Senhor, ; Esta casa é minha, esta casa é tua, todos os maleficios vito pro meio da rua. E comum, apés o preparo da jurema, a vinda dos caboclos ¢ de alguns mestres, que bebem em cuias dispostas na mesa; esta é realizada nas matas ou no interior dos terreiros. caboclos, incluindo-se a jurema, é Complementar aos alimentos dos de preceito oferecer a mesa de Malunguim em honra ao Exu da Jurema. am-se frutas de todas as qualidades bebidas variadas. omo um conjunto de alimentos Nessa mesa, coloc: tivas aos locais de Observam-se, também, as mesas ¢ especificos a certas divindades, dirigindo suas obrigagoes vo culto — fora do terreiro ou da comunidade religiosa. O calendario obedecido éaqucle pautado nas festas da Igreja Catdlica. 5 dias dos santos € santas populares da imonias dos Xangds seguem o: reiros. As cer! cidade 0U do relacionamento especial para 0S ter 129 ido tém popularidade ampliag. , As festas de Sao Cosme e Damia Bs Pliads " émeos como 4 casas de familia. A informante situou os santos gem: Os Beguins on i como seus ali Beguimins, que recebem frutas ¢ doces variados alimentos sagrados. As ofertas aos Beguimins sao feitas no Alamin, cantando Pata a5 divindades gémeas os seguintes versos: Orumild mamae cadé Beguim Ta no aé Ta no alamin. Todos os alimentos devem ser oferecidos com suas cantigas especi: yy Assim, as divindades receberao suas comidas dentro do preceito e deverao aceita-las para fortalecer seu axé ¢ sentido patronal. Os presentes nos rios e no mar sao oferecidos em julho, dando flores € perfumes, além do abad6 de Iemanjé, Prato do carddpio desse orixd. As bebidas industrializadas tém franquia total nas praticas, e a informante situou pratos da culindria comum da mesa Pernambucana no conjunto de alimentos de uso nos terreiros de Xangd. O padé de Exu adquire conotagao prdpria quando é realizado no término das ceriménias. O uso comum é no inicio das ceriménias Pulblicas ¢ Privadas. A explicagao foi a seguinte: Exu tem de ficar até o fim das obrigagdes porque ira proteger, e quando terminar as obrigagGes € despachado... Realmente, a liberdade para recriar ¢ interpretar as praticas rituais populares dA margem a uma variedade de rituais, que assumem carac- sticas prOprias, dinamicas, novas ¢ que convivem com a tradi¢ao. teri As festas em honra ao Divino Espirito Santo comovem milhares de , envolvendo o Brasil todo em diferentes ¢ contrastantes rituais religiosos, fiéi Tradig6es que chegam por um olhar ibérico, catdlico, j4 8 moda lusitana ao Brasil. O grande emblema é a pomba, pomba branca, consagrada representacao do Divino Espirito Santo. Comum nos altares dos terreiros que relacionam santos da Igreja com deuses africanos, a pomba branca, encimando o local, o santudrio, em uma nitida postura hier4rquica, combina-se, entao, com muitas leituras e compreensoes sobre santos ¢ santas adoradas, Padroeiras de cidades ou entio terreiros, interpretando-se, ainda, pelo entio chamado sincretismo de casas, a valorizar a entre religides, deuses em unides que quase sempre tendem Igreja. E inegavel a presenga de um poder, diria, um superpoder. Muito interessante é quando as rememorizagées dos impérios do Divino atingem outros impérios organizados em Papéis soc! ais/religiosos 132 tio estabelecidos como ocorre no Maranhao, especialmente no tradicional eduto Jeje em Sao Luiz, A Casa das Minas. Hi nessa relagao histérica uma fundamentagio que transcorre por todo 0 ano, seguindo-se impérios, festas, obrigag6es ptiblicas 4 curopéia, com estética jf maranhense, vivenciadas por orientagées dos Voduns. Em diferentes anos, pude estar nos rituais ptiblicos do Divino na Casa das Minas, observando com um olhar mais etnografico a derrubada do mastro, chamando a ateng&o o bolo de tapioca colocado no mastaréu, proximo aos passaros. Pdssaro representando o Divino, passaros que vao comer também do bolo votivo. Passaros que em mitologias africanas relacionam as mulheres, mies-ancestres, princesas, princesa Noché Sepazim. Foi grande a emogao em ver 0 ritual. Ritual festa, alegre, profun- damente devocional. Convivéncias dos Voduns que vém conversar com os visitantes, com os membros da casa. Uma experiéncia onde o sagrado € humano, aproximagao sensivel entre 0 vodum ¢ aqueles que vao ao terrciro dangar, ocializagoes permeadas pelo sagrado. comer, rever pessoas, S O Mastro do Divino Santo (ensaio de etnopoesia) Noché Sepazim Princesa real Filha das terras do Benin Atravessouo mar Chegou nos costados da Ilha de Sao Luis. Herdeira de Dadarro Ficou viva até hoje no Mina Jeje do Maranhao Ela é princesa africana Ela é imperatriz do Divino Espirito Santo. Com roupa de época, coroa e cetro. Lembrada Noché Sepazim Cada ano na festa/obrigacao no Domingo de Pentecostes, Noché Sepazim, Imperatriz menina. Comanda a corte/império do Divino Vém voduns Vém caboclos Ladainhas. Musica de banda. Ambientes de bandeirinhas e flores em Papel. Café Chocolate Bolo Assados Arroz de couve Farofas 134 yinho Refrigerantes Mesas fartas ¢ alegres Convivencias do eu ritual ee na Casa das Minas Reina Noché Sepazim seu marco herdico ¢ herdldico, E 0 marco do mastro ¢ mastaréu O passaro branco coroa a ponta. O passaro ancestre toca 0 céu. Vigilante ¢ dominador sobre as casas Vigilante ¢ dominador sobre as pessoas. E azul e branco. E vermelho e branco. Cores pintadas no mastro mastaréu. Se a festa é em maio Se a festa é em junho. Os passaros vém visitar ¢ comer 0 bolo de tapioca. Comida votiva no cume do mastaréu Sao todos os passaros Sio as Ids, as maes, rainhas, princesas. Mastro erguido. Mastro batizado. colocado 20 chao toca a terra Mastro devocionalmenté Volta a terra O mastro mastarév- Cumpriu-se 0 império Renovam-se os votos para o préximo imperlo Reina Noché Sepazim Convivem os voduns do Benin Reinam todos os voduns Nas terras do Rei Dao Luis de Franga. LL . Certam ituai lente, Os rituais de passagem marcam papéis sociais, compromissos com a cultura, fortalecendo elos de identidades. Nos terreiros, os rituais de passagem acontecem para rememorizar, relembrar mitos fundadores, compromissos ou mesmo revisdes do processo religioso. Outros sao de cunho mais inovador, como das feituras, iniciagdes dos novos membros do terreiro. Mesmo repetindo seqiiéncias pré-elaboradas na tradi¢géo e/ou costume do modelo seguido, véem-se caracteristicas individuais do novigo que, quase sempre, trazem certas mudangas adequadas aquela que se submete a0 rigor inicidtico. festas/rituais de pass No caso das ta maneira, $40 marcados pelo novo momento Tin agem da comunidade/terreito, almente todos, de uma cert 5 ceriménias secretas © publicas. definido pela: Nas minhas prim oradissimos ritual odo, eram_ estranhos, ciras visitas @ So Luis do Maranhio, em 1972, sar elab ig na tio conhecida Casa das Minas. lal pude presenciar ue, de certo m diferentes ¢ que também Rituais q) 137 Sage i riménias j4 presenciadas em tocavam num imagindrio relativo a ce! ‘etteirg, de Candomblé. ; Os grandes ciclos festivos dos terreiros, ritos de Passagem, inva riavelmente, seguem um calendario orientado pela Igreja. Dias de Santo, periodo da Quaresma, por exemplo. A particularidade do ritual Pliblicg arrambam, dos voduns, toca em significado ¢ mesmo em alguns Pontos linirgicos ao loragun, obrigagao anual dos terreiros de Candomblé Kery, Eomomento da passagem do Carnaval e Quaresma, moralmente Vistos como periodo de recolhimento do sagrado. Fortes injungoes de um Poder que, embora integrado, é dominante, o da Igreja. Vale observar crescentes movimentos reetnizadores por parte de alguns terreiros na Bahia, em espe- a africanizagao dos costumes, da ética religiosa, cial, numa tentativa de maior numa descontaminizagao da Igreja. O arrambam, bancada ou quitanda é um momento em que os voduns de certa maneira voltam para a Africa, relembrando © lorogun dos Candomblés. Os voduns retornam na Aleluia, devendo alguns Permanecer para is que sio casos de urgéncia, como alids também acontece com os ori lembrados no loregun. Por exemplo, nos terreiros Angola-Congo, onde nio ha 0 loragun, cerimOnia especial marca 0 periodo da quaresma, Sao realizadas obrigagées para Lembé © Réxi Mucongo, que ficard de guarda até a Aleluia, quando sao reabertos os terreiros com matanga e festa para esse inquice. x Ins os ra Dias de preparaca an saop s40 antecedem a grande obrigacio coletiva d amban. reparados pi: _ ar : Parados pipocas € outros alimentos torrad se 0 a20grHn. ‘ados, destacando- O dia principal desse ci ‘ ‘ Pal desse ciclo tao elaborado de rituais internos oc Quarta-Feira de Cinzas. a Num primeiro P Momento, a estética ritual lembra um grande mercado, Jembra também a obrigaga 7 i rigacio da quitanda de iad ao término da iniciagio no Candomblé. Cestos, tabuleiros, ¢ tas , tabuleiros, loucas repletas de frutas regionais ¢ outras com alimentos torrados so levados 4 grande varanda, a guma. Os voduns sentam-se em banquinhos de madeira ¢ distribuem as frutas que so consumidas no local, na varanda, ou ainda levadas para casa por parte das pessoas vinculadas a0 terreiro e dos visitantes. H4 exuberncia, variedade e fartura. Alias, a fartura é tema predominante nos terreiros afro-brasileiros. Isso ovado na quantidade de comidas feitas para alimentar é freqiientemente compr os deuses e os homens. O arrambam, © olubaé, a husk de ¢ quantidade de alimentos que tem diferent orixds, voduns ¢ caboclos; contudo, hi algo ¢ os ciclos das colheitas, da fertilidade, de lo os barracdes S80 transformados nos territorio: nacionais € importadas buscam. recria wana ¢ as festas de caboclos mostram cs significados para os varieda a respeito das ofertas m comum : cultos & vida. vindas da terra, Nas aldeias, quand: dos donos da terra, 0S caboclos, frutas 13! um ambiente detalhado por folhas verdes e muitas, muitas frutas, idealizando as matas, as florestas brasileiras. Também na maioria dos terreiros que fazem o ritual Publico da festa das iabds, em determinado momento, cestos, tabuleiros, travessas e outras lougas vém ao barracio. Vém cheios de diferentes frutas que, de forma semelhante ao que acontece no arrambam, na aldeia dos caboclos, sio oferecidas a todos. Assim, todos partilham desse momento de alimentagio coletiva e se aproximam desse ideal ritualizado de vida-fartura simbolicamente representado nas frutas pela doadora generosa natureza. ‘A Casa de pai Addo, no Recife, é a casa Nag6 matriz. E casa mantenedora de muitos costumes ¢ praticas cercados de sigilos, tabus ¢ votos de fé. As ceriménias dos orixds acontecem seguindo as linhas da iniciadora do terreiro, tia Inés, ¢ de Ato Tard , outra importante figura na organizagao desse Xango. O atual dirigente, Manuel Nascimento Costa, ou Obé Ogum Dé de Jemanjé, mostrou-me toda a rosa ¢ falamos muito a respeito dos rituais afto- brasileiros, da sua importancia em um amplo processo de valores sécio- culturais, niveis de conhecimento sobre os costumes religiosos ¢, principalmente, do alto significado da alimentagio dos orixis, os principais papéis ¢ fungdes dos atos de manter 0S deuses com seus quitutes de agrado, os procedimentos culindrios € 0S fundamentos dessas praticas gastrondmicas. Entre os muitos orixds cultuados no Xangd, Oldfin foi situado como divindade das mais importantes para oS terreiros, encarado como responsdvel pelos vaticinios € pels comunicagao entre os orix’s € seus adeptos. A 41 dia de Natal, sendo a Cetin. nig alimentagio votiva de Oléfin € realizada no aa e realizam sacrificios specifica , privativa dos homens iniciados, qu jessa divindade. alimentando ¢ mantendo 0 axé d a festa propria, constando do toque dos ius ho Cada orixd tem su; barracio, que é precedido pelos sacrificios no peji € dos demais aliments, eciz um deles. que sido elaborados segundo o gosto especial de cada Oterreiro de pai Adio, além de possuir no seu conjunto mitolégico 05 orixds de cunho mais popular e comum, mantem ainda muitos deuses de culto mais restrito. Dessa forma, possui maior complexidade de rituajs, particularizando o terrciro. Os Oxalds tidos como muito velhos — Oxd Océ e Oxd Lulu, Ob4 Oduba, Xangé Bamboxé, Aganju Xol4, Op4 Ogod6, Xangd Lundé, Obi Dina, Ogum Dé, Ogum Xequé Malé, Ogum Taid, Ogum Amassi — tém nos pejis dessa casa seus preceitos mantidos. Entre os critérios de preservacio dos valores religiosos, a comida desempenha fungiio das mais determinantes s 4 presenga do orixd. O culto aos antepassados - Egum - também é desenvolvido com muita expressao, ocorrendo por meio da fitolatria, quando uma grande gameleira é a morada dos importantes antepassados, que tém alimentacio votiva na festa de Odum, Ard Opé, Aladé, Aité, Alabd, Alapinim, Abaré e Outros que compéem o conjunto dos ancestrais cultuados no terreiro, Os eguns alimentam-se com 05 sacrificios que so realizados na 4rvore ando o sangue correr sagrada, quando aves e caprinos sio imolados, dei sobre as raizes € 0 tronco da gamcleira. Assim, alimenta e mantém 0 contato magico entre os adeptos € os seus antepassados. Essa gameleira também é dedicada a Iansa, servindo de assento ritual comum com os antepassados, Semanalny lente & aEaton , alizada Com 05 ini; re 08 iniciados tea; de Oxalé, oferecem vasity, Nando brane as de lo ug cozido apenas na Agua, nig f > 780 levay indo q No terrej rei I, © arroz de ex la, ceriméni: ‘nia preparado com a massa ral, le lenha e 0% lada na . : Pedra, 0 fogo € de let _ lenha € os utensil -_ s ios rocuram nao sair ou se distanciar dos objetos primitivos confecci d feccionados em ceramica e madeira Os orixds tém seus carddpios assim constituidos: Em p xu — come capote, pinto, galo, bode, figado, bofe e coragio de boi; Ogun — capote, galo, tatu ¢ veado; Oxum - cioba (tipo de peixe), galinha, bode capado ¢ cabra; Odé — porco, capote, tatu ¢ bode; bode, galo, capote € poreos Obaluaié - te ¢ cabra; Nana — galinha, capo Jemanjé — pato, carneiro € capote; beguiri, carnciro € galo; Xang6 — Tansa — cabra, gali Os alimentos riruais 130 S: inha € peru. 0 exclusives dos assentos 10s pejis- Os ilus, 143 ye atuam 10s contatos € invocacdes co q i tos de percussao —_ ee instrumen Pp O ian (maior ilu), merencé (i}y de tm ali s. divindades, sio também alimentado ‘ iménias especiai nor ilu) tém em cert PECiais sya. tamanho médio) ¢ melé (0 me izadas por meio dos sacrificios ¢ de algumas Comidas UZadas propriedades revitali secas feitas 4 base de azeite-de-dendé. ae tia desenvolvida no terreiro de pai Adio também A vasta ¢ farta culindt penetra no cardapio dos homens. Nas festas publi onjunto dos pratos religiosos. Essa cas, Muitas VEZes SAO servidos alimentos que nao estado situados no ¢ culindria € chamada de cozinha brasileira e de cozinha africana para os pratos de uso ritual. Geralmente, explicou-me Obi Ogum Dé, para o ptiblico em geral, aqueles que nao tém votos, feitura ou iniciagéo, apds as dangas € os cAnticos no barracao, s4o servidos apenas alimentos da cozinha brasileira, deixando as comidas da cozinha africana para os iniciados do terreiro e os visitantes ligados as casas de Xangé. Os alimentos rituais, quando sao retirados dos santudrios apds a alimentagio dos orixds, devem seguir normas tao rigidas quanto as do oferecimento. Parte dessas comidas é ingerida Pelos ofertantes e, depois, nos préprios utensilios ou em folha de papel, as comidas tém seu destino nas dguas de um rio, do mar, nas matas ou em um outro local devido e previamente determinado pelo ritual ou pelo tipo de divindade pnetich alimentada. No terreiro de pai Adio, Ob4 Ogum Dé expli nfo 850 tetrad ‘puicou-me que quando os amet los dos pejis, no tempo determinado e dentro dos - trios do ritual, ess ‘1 critbti08 d » Sses devem ficar Junto aos assentos dos orixds até a . essoa que i vinda da p que ofereceu a comida, devendo esta consumir todos os mesmo estando i patos, em adiantado estado de decomposicao. rieda i Anci Ase de € a grande importancia da comida ritual nao podem ser colocadas em outro plano, senao ao de significativo elemento de contato religioso, assumindo, também, situagao emblematica de controle religioso e social. No terreiro de pai Adio, as ceriménias do bori tém suas etapas assim organizadas: todos os alimentos deverio aguardar a hora do oferecimento dentro do peji. Pessoas iniciadas e nao-iniciadas podem assistir, participando da alimentago aquele que oferece comida 4 cabega, objetivando o fortalecimento magico ¢ a melhor fixagio do axé ¢ da presenga do seu orixd patrono. Tnicia-se o bori, oferecendo 4gua e peixe. Todos os alimentos deverio tocar a cabega da pessoa, que fica em uma até — esteira forrada de branco — onde também sao colocadas as comidas do bori. Tudo é€ servido nessa cerimOnia, até mesmo certos alimentos industrializados, como doces. Bebidas, cervejas ¢ vinhos também tém sua presenga assegurada. Tod ri é cantado, ant nciando os alimentos ¢ levando-os ate a : r r lo 0 ritual do bor 5 bs 0 ulti Bee ONCOIEL cal ec. Em seguida, apés © Ultimo prato, todos deverio come! be nte. Em seguida, apos ga do ofertante. 1 iF Pp e Li articipando assim, direramente, do ritual, integrando a sses alimentos, P' a é, oF z do todos os Zo da cabega & ampliagiio do axe, congregando e¢ reunin alimentagao da atos. que no bori comeram dos mesmos pr: bot A om as maos, nao se utilizando Ne i, a alimentacio € feita ¢ > in fo bori, a sncontradas nos mercados do Recife, de a is enc mal esse cardapio. Nessa cerimonia, a ofer,, soas dizerem: Faz parte ie ou colheres. As frutas locai com a época, também fazem parte d s | um as pes: de pimenta e cachaga € tabu, sendo com Pi .m-se, assim, todos os alimentos bori tudo 0 que a boca come. Inclue! indistintamente. _ ; los mais significativos para o ObA Ogum Dé situou como alimento d ado a Oxald. Esse alimento tem sey terreiro o arroz com obi, prato endere: igi i ce lo nosst fundamento religioso num enredo que foi contado pel O obi foi a primeira comida de Oxal4, ¢ 0 prato com arroz branco e obi 0 informante: tornou-se alimento da predilegdo desse orixa. sp. Oxald morava em um lugar onde existiam duas mulheres: uma rica € outra pobre. A mulher rica queria saber do que se alimentava a mulher pobre. Esta comia um fruto desconhecido para a rica, 0 obi. Um dia, um velho passava perto da casa da mulher pobre, ela o acompanhou e sentiu que ele ia cair, Entao, levou-o para casa. Nisso, a mulher rica foi junto; indo 4 cozinha preparar a comida, encontrou arroz nas vasilhas e uma quantidade de obi, o fruto desconhecido. A mulher pobre perguntou ao velho se na sua casa nao havia comida. O velho respondeu: Na sua também nao tem, eu nos alimenta; vocé tem a forga que eu tenho. como 0 que vocé come e i: Entao, a mulher rica passou a conhecer 0 encanto, pois cla desconhecia que aquele fruto poderia curar doengas, pois Oxal4 também foi médico um dia Essa lenda situa 0 obi, fruto africano que tem lugar de destaque nas cerimOnias dos terreiros de Candomblé ¢ Xang6. O obi, juntamente com o orob6, sao necessarios & maioria dos rituais de sacrificio, vaticinios e demais alimentos de fundamentagao religiosa. Inegavelmente, no terreiro de pai Addo, os costumes ¢ as tradigGes afro-brasileiras no Recife so revividas pelo Nagé pernambucano, pelo Xango, Jocal de encontros € reencontros com a fé. ee q\ __ rabelecimentos comerciais, roxima as devogoes 5 casas € 5 mn orixds, PI os santos 12 O ato de alimentar ntificadas CO geralmente ide patronas. igreja Catdlica serem alimentad o orixé com alguns santos da Igreja acionamento, pedir, imagens catolicas imentar divindades um os santos da J lade, o proceso Une ntar para aumentar O rel s crentes ao ato de ofer como do agrado de ali £ com los € servidos de bebidas. Na realidi a, O objetivo de alime ¢ cumprir promessas, nados 4 meméria popular, Catdlic: invocar, aplacar p leva 0 ecer certos alimentos, j4 condicio! especifico daquele santo ou daquela santa. As im i agens dos santos padrociros ocupam, i A , invariavelmente, pequenos altar it osigdes est a S: tia q es que, situados em posi ratégicas em de fa n casa de famili ou em estabelecimento c ci comercial, podem fitar todo o ambient a on protegendo contra os maleficios, d m , deve cl ri i ndo cumprir, necessariamente, toda: , todas as atribuig6 es conferidas. io de Janei No Rio de Janeiro, alguns santos di es : adquirem & ralmente, €S8¢S SANtOS esto nos altares Presence popular ¢ fatal’ i; ° Particul, : c, $40 Cosme € Sao ido sa wes: Si ia fe sm 0 Damifo si0 o« vtintn, 10. Sebastido, Sao nronio ¢ Nossa Senho pas: Out ra da Conceicéo tém m ne Sete “ vos = enor presenga nesse: SSCS O fendmeno d: tran: la Umband: i la scouts spira nesses cultos de alim ; / / jentaca dos comuns desses terreiros tém campo de sob on a " 7 le sol énci ntudrios. ve i vce fa s. Muitos sao verdadeiros prolongamentos d “oiuint ‘os do terreiro ori outros possue A ivaci het P ‘m carater de privacidade, indivi ea » individualizado pela crenga das pessoas ou mesmo da familia. O senti an ett sentido de alimentar é, principalmente, 0 da manutengio, relacio- a s Pee ndo o santo de devogio a vida humana, sendo necessdria a comida, 0 banho ¢ a protegao de chuvas € do sol. Assim, encarando 0 santo patrono como uma divindade préxima pelos clos do dia- reforcada pelo culto doméstico. a-dia € pelos agrados de comida ¢ outros tratos, € a fé ampliada e zelador, invariavelmente, s40 de madeira, Os altares, de acordo com 0 jarrinhas com flores, pos. Sio Jor 1 os doves das eriangas possuindo pequenas toalhas, luz perpétua acesa, imagens € quadros, além dos pratinhos ¢ © 40 Damiao, com gum, Sao Cosme ¢ Si 9 vinho de Oxossi. Evidentemente, todos fundamentos, & mblés no Rio de Janeiro atuando nas devogoes ge € obsequliado com cerveja de O} stiao, com a Umbanda seus ecimentos comerciais. Os Cando — Ibejis -, S40 Sebas ssim continuados esses agrados rituais t¢m 0 asas € estabel nas ¢ maior penetragai tornam-se de 0 ¢ aceitagso popula 149 4 moda, de uma umbanda ctiatiy c i jicismo particulares vindas de um catolic inami dora. dinamicamente adapta As interpretagoes das praticas da Umbanda carioca situam-se nos inter] a ° adomblés Angola e Ketu, que sio os predominantes na regio r sentidos dos Cai a wn mento entre o santo catdlico € © orix4 que B evidente o relaciona’ dade dos cultos domésticos ¢ ¢m suas multiplas pautados na subjetivi : . personalizado a casa, terreirg interpretages, tém campo para adquirir aspecto ou ao praticante. Na realidade, nao é complexa a alimentagao doméstica que € substituida querendo agradar, semanalmente nas datas dos santos, ou, em casos especiai pedir ou aplacar, cumprindo, também, os votos de promessas e pedidos variados. Quando a presenga dos terreiros de Candomblé assume grande importancia nos cultos domésticos, utensilios comuns, como quartinhas ¢ alguns emblemas votivos em metais ¢ fios de contas, tm presenga assegurada. Assim, ampliam-se os rituais de alimentagio. E comum, na entrada da casa ou do estabelecimento comercial, algum simbolo enderegado a Exu, geralmente, uma quartinha ou mesmo um simbolo votivo como os préprios Exus, em ferro batido, tridente ou as imagens em gesso pintadas de vermelho que representam essa divindade ¢ que, segundo a concepgio, é 0 deménio dos Catdlicos. Esses simbolismos ja estao realmente incorporados as praticas Populares, sendo, no entanto, totalmente estranhos aos sentidos originais dos cultos dos Exus. vecte hs man os relacionamentos por meio da alimentagao, Exu > Hormalmente, a cachaga e a farofa-de-dendé. Cada altar doméstico possui uma caracteristica prdpria, e existem normas coy aA pray uns que possibilitam situar as praticas de alimentagao de acordo com os pratos que irdo apresentar com os sentidos locais. Em Salvador, nas festas dos santos gémeos, 0 caruru de Cosme, caruru dos Mabagos, caruru das criangas, caruru dos Ibejis, ou, simplesmente, caruru, écomum, ¢ seu oferecimento € feito em pratinhos a imagem de Sao Cosme ¢ Sao Damifo e distribuido aos presentes. Os alimentos votivos, entao, podem ser exclusivos do altar ou terem lugar junto aos santos e distribufdos entre as pessoas. E muito comum alimentar os santos com objetivo da fartura, nunca devendo faltar o necessario a subsisténcia. Dai, observarmos espigas de milho penduradas nas portas e paredes, saquinhos de pano com alimentos secos pendurados na cozinha ou junto aos altares domésticos; pratos com farinha, feijao e arroz, representando o simples alimento diario, junto as imagens dos santos. Essas imagens geralmente sao bentas na Igreja Catélica, mantendo valor especifico ao ocupar o altar doméstico. A ampliagao do culto é realizada pela inventiva elaboragao do devoto e, assim, as variantes nao podem ser avaliadas por terem condicionamento totalmente pessoal € proprio. Os tabus e as injungGes estado presentes para atuar como controla- dores dessas praticas. ‘As comidas oferecidas ao santo geralmente nio podem ser comidas pelas pessoas. Elas deverao ser colocadas apés 0 periodo de tres a sete, ou mais dias, em lugar determinado que tenha vinculo com 0 santo alimentado. as, comidas salgadas ou preparadas sem critéri0, 6 tabu oferecer piment culindrios, como se fossem Os alimentos tém os mesmos rigor snsilios devem sempre estar transbordando pelas pessoas. Os utensilios devem semp Ba~ 151 consumidos m verdadeiro tabu colocé-las em poy, ea com as comidas, constituindo-s¢ em u quantidade. m niveis urbano rural eviden As interpretagoes ntes nos conjunto do catolicismo ¢ s de cultos domésticos vistos pelas temente estao prese alimentagGes votivas. O santo alimentado aproxima, protege, esta presente na fala devocional pela comida, pelo ato de vivificar os contatos pelos rituais da casa. Bibliografia AS FADAS DO DENDE. ‘iibuna, Sao Paulo, 6 jul., 1958. BRANDAO, Darwin. A Cozinha Baiana. Rio de Janeiro: Letra Artes, 1965. Se CASCUDO, Luis da Camara. Made in Africa. Rio de Janciro: Civ, zagio Brasileira, 1965. 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