Você está na página 1de 1

HILOTISMO E MILITARISMO EM ESPARTA

 Esparta no século VII a.C., conquistou a região da Messênia e escravizou sua população, que a circundava e consolidou seu caráter
essencialmente guerreiro, desenvolvendo-se de maneira peculiar em relação às demais polis.
De maneira geral a sociedade espartana foi: patriarcal, agrária ou rural, aristocrática, estratificada, eugênica e militarista.
 Os esparciatas formavam a aristocracia de Esparta, e monopolizavam as instituições políticas, militares e religiosas. Eram os tradicionais
descendentes dos dórios e os detentores de terras. Eram os únicos que tinham direito à cidadania.
 Os hilotas eram os servos de Esparta. Habitavam as terras conquistadas pelos dórios. Estavam presos à terra, não podiam se transferir, eram
propriedade do Estado e executavam as tarefas braçais nas terras distribuídas aos esparciatas. Como compunham a maioria da população de
Esparta, eram mantidos sob rígida obediência pelo terror, destacadamente a kriptia.
 O medo de uma rebelião de escravos fez com que o militarismo se desenvolvesse em Esparta não com vistas a combater um inimigo externo,
mas o inimigo interno: os hilotas. A massa de servos que deveria ser mantida sob terror e controle constantes, uma vez que se tratava da maioria
da população da cidade e que correspondiam a um mesmo grupo de indivíduos, que falavam a mesma língua e tinham os mesmos costumes e
tradições, fator que facilitava a organização e aliança entre seus membros para uma possível rebelião.
Educação espartana
 A Agogê: isto é, “adestramento”, “treinamento”. Viam-na como um recurso para o adestramento dos seus jovens. O objetivo maior dela era formar
soldados educados no rigor para defender a polis. Assim sendo, temos que entendê-la como um serviço militar estendido à infância e à
adolescência.
 A educação desenvolvida em Esparta estava intimamente ligada ao caráter militarista. Desde tenra idade a formação do indivíduo era
reconhecida como uma função a ser obrigatoriamente assumida pelo próprio Estado. Os espartanos viam cada novo ser como um soldado em
potencial.
 O caráter era eugênico (controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações seja física ou
mentalmente). Ao nascer, a criança era minuciosamente observada por um grupo de anciãos. Caso ela não apresentasse uma boa saúde ou
tivesse algum problema físico, era invariavelmente lançada do cume do monte Taigeto. Se fosse considerada saudável, ela poderia ficar com a
sua mãe até os sete anos de idade. Depois disso, passava a ficar sob a tutela do governo espartano para assim receber todo o conhecimento
necessário à sua vindoura trajetória militar. Entre os sete e os doze anos a criança recebia os conhecimentos fundamentais para que conhecesse
a organização e as tradições de seu povo. Depois disso, era dado início a um rigoroso treinamento militar onde seria colocado em uma série de
provações e testes que deveriam aprimorar as habilidades do jovem. Nessa fase, o aprendiz era solto em um campo onde deveria obter o seu
próprio sustento por meio da coleta, da caça de animais ou, em alguns casos, por meio do furto.
 Quando estavam entre dezesseis e dezessete anos de idade, o jovem recruta espartano era submetido a um importante “teste final”: a kriptia.
Funcionando como uma espécie de jogo de esconde-esconde, os jovens espartanos se escondiam de dia em um campo para, ao anoitecer,
saírem à caça do maior número de hilotas possível. Quem sobrevivesse a esse processo de seleção já estaria formado para integrar as fileiras do
exército e teria direito a um lote de terras.