Você está na página 1de 28

ÍNDICE

MANUAL DO CURSO DE FORMAÇÃO DE TÉCNICOS


EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS Apresentação 3
Escrever bem é escrever certo 3
T.T.I.
A linguagem 5
Língua natural 7
Origem da língua 7
Semântica 9
COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO
Homônimos e parônimos 11
EM LÍNGUA PORTUGUESA Expressões a evitar 21
Ortografia 26
Notações léxicas 27
Minúsculas e maiúsculas 30
Gramática 36
Ortoépia e prosódia 36
Morfologia 37
Sintaxe 37
Concordância 42
Regência 54
Redação Oficial 54
Bibliografia 56

1 2
APRESENTAÇÃO¹ Na verdade, nos dias atuais, a Língua Portuguesa apresenta dois sistemas ortográficos:
o português luso-africano e o brasileiro. Verifica-se, ainda, no Brasil e em Portugal, uma
Escrever bem e escrever certo grande resistência às mudanças que, para os brasileiros, abrangem a acentuação, o
uso do hífen e eliminam o trema.

Nossa civilização é marcada pela linguagem gráfica”, observa a professora Suely Além desse problema, ocorre a interferência da Informática que, embora tenha
Shibao², ressaltando que é “por meio da escrita que acumulamos conhecimentos, proporcionado extrema rapidez à informação, introduziu termos próprios,
transmitimos idéias, preservamos nossa cultura”. especialmente gírias e abreviações. Essa linguagem abreviada e rápida passou a ser
conhecida como “Internetês” - vocabulário restrito aos internautas. Exemplos: (q=que;
O idioma português é o quinto mais falado do mundo, alcançando 200 milhões de bj=beijo, vc=você; pq=porque, blz=beleza, etc.).
pessoas. A comunidade lusófona é constituída por Brasil, Portugal, Angola,
Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe (os cinco últimos na Devemos evitar tais expressões, pois, além de não serem reconhecidas pela norma,
África) e por Macau, Timor Leste e Goa no Oriente, onde também esteve presente a são prejudiciais àqueles ainda em formação, podendo comprometer-lhes a memória
colonização portuguesa. visual.

Durante muitos anos, todavia, somente o texto clássico e o registro formal da linguagem Em paralelo, verifica-se intensa penetração de vocábulos estrangeiros, em decorrência
ganharam espaço nas aulas de Língua Portuguesa; a análise literária e a observação do processo de globalização. Hoje, no Brasil, há boutiques (butiques) e não lojas;
rigorosa das regras gramaticais norteavam a consecução dos objetivos do ensino da multiplicam-se os nomes fantasia em inglês e francês, como Design, Fast Man, Déjà Vu,
língua materna. Começava-se na escola pela caligrafia, como se o sucesso profissional Crazy Machine, Company. As lojas para a classe alta ostentam o seu “pedigree” em
futuro só pudesse ser alcançado por quem soubesse escrever bem. palavras estrangeiras e preços altos. As fachadas dos prédios sofisticados não se
contentam com uma numeração honesta e conforme as posturas municipais. É preciso
Ora, escrever bem é como tocar piano, pintar um bom quadro, lapidar uma jóia: um dom que elas se distingam de outras por inspirações estrangeiras.
que nem todo ser humano recebeu do Criador. O indispensável para quem quiser se
fazer entender é escrever certo, à mão ou no teclado do computador. Também não se pode ignorar a experiência tecnológica e científica, as relações
comerciais, políticas e diplomáticas, que não prescindem de expressões como blue
O Corretor de Imóveis tem de escrever certo para poder atender às necessidades do ship, spread, primerate, bit, software e muitas outras.
universo cultural do Século 21, muito mais abrangente, dominado pelos meios de
comunicação social, no qual aspectos característicos do literário e do não-literário, do Os chamados anglicismos estão, entre nós, nacionalizados e incorporados ao
formal e do não-formal se mesclam em novas formas de texto que envolvem não só a dicionário por transformação semântica ou morfológica: bife, clube, bonde, dólar,
palavra escrita como a exploração do signo visual globalizado pela Internet. deletar, iate, teste, não agridem mais a língua nacional.

Por isso, ressalta ainda Shibao, cumpre ao mediador do processo “O certo”, diz Niskier³,“ é que a Língua Portuguesa cresceu, até mesmo em virtude da
ensino/aprendizagem (que o sistema de educação a distância admite estar até do outro introjeção de termos ligados ao desenvolvimento científico e tecnológico ou de muitos
lado do mundo), “proporcionar a interação entre o educando e o universo cultural que o estrangeirismos. É o caso de palavras como teleducação (educação à distância),
cerca, através do estudo de produções textuais várias (textos publicitários, acessar (entrar), deletar (apagar, anular), decasségui (trabalhador brasileiro no Japão),
administrativos, jurídicos, teóricos, regionais, musicados, não verbais, entre outros), em teleconferência (conferência a distância), lincar (ligar), internet, infovia, intranet, etc.”
que envolvem não só a palavra escrita como a exploração do signo visual.
Na Presidência da Academia Brasileira de Letras, Niskier reconheceu que “não há como
Em 16 de dezembro de 1990, representantes do Brasil, Portugal e dos demais países de conter esse crescimento, mesmo que, por vezes, seja ele fruto do que o crítico Wilson
Língua Portuguesa assinaram em Lisboa um novo Acordo Ortográfico com o objetivo de Martins chama de “desnacionalização” linguística ou, para ser mais forte, de um
criar uma ortografia unificada. lamentável “linguicídio”, palavra que, aliás, consta do nosso Vocabulário”.

A previsão do Ministério da Educação é que até 2012 todos os livros didáticos brasileiros
estejam adaptados às novas regras, que entraram em vigor no Brasil no dia 1º de janeiro
de 2009. Até 31 de dezembro de 2012, as regras antigas também são válidas, mas
passarão a obrigatórias no primeiro dia de 2013, recomendando-se, assim, extremo
cuidado na confecção de contratos, escrituras e outros documentos oficiais, assim ¹ Todos os ensinamentos aqui reunidos aplicam-se, também, na Redação Oficial
como nas provas dos concursos. ² A Professora Doutora Suely Shibao, licenciada em Letras (Português e Inglês) é Mestre em Ciências
(Lingüística Aplicada ao Ensino de Línguas) e detentora da Medalha Marechal Trompowsky e do título de
Colaboradora Emérita do Exército Brasileiro. V.”Língua: Instrumento de Comunicação”. Rio de Janeiro;
Biblioteca do Exército Ed. - 1997
³ Niskier, Arnaldo – “A Língua Portuguesa no Século XXI” -
http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=2454&sid=19 acessado em 10/08/2010

3 4
Lembra, por fim, que “os franceses reagiram de forma veemente a essa agressão ao receptor; Canal - meio pelo qual circula a mensagem.
seu idioma pelos anglicismos que se tornaram universais, em virtude, sobretudo, da Porém, com os estudos recentes dos linguistas, essa teoria sofreu modificação,
força econômica dos Estados Unidos. A globalização só ajuda nessa expansão. Entre admitindo-se um novo formato de locução, ou, interlocução (diálogo interativo), no qual
nós, somos vítimas ou beneficiários desse processo. Vítimas, se considerarmos a temos:
pureza da língua de Machado de Assis, e beneficiários, se pensarmos na inserção do Locutor - quem fala (e responde); Locutário - quem ouve e responde; Interlocução -
país na comunidade das nações desenvolvidas. De toda forma, é preciso evitar os diálogo.
exageros imitativos”.
### As respostas dos "interlocutores" podem ser gestuais, faciais etc. Por isso a mudança
(aprimoração) na teoria.
A LINGUAGEM
Feitas estas observações iniciais, passemos a identificar as funções da linguagem:
Linguagem é qualquer e todo sistema de signos que serve de meio de comunicação de
idéias ou sentimentos através de signos convencionados, sonoros, gráficos, gestuais Função emotiva (ou expressiva) - a mensagem centra-se no "eu" do emissor, é
etc., podendo ser percebida pelos diversos órgãos dos sentidos, o que leva a carregada de subjetividade. Ligada a esta função está, por norma, a poesia lírica.
distinguirem-se várias espécies ou tipos: linguagem visual, corporal, gestual, etc., ou,
ainda, outras mais complexas, constituídas, ao mesmo tempo, de elementos diversos4. Função apelativa (imperativa) - com este tipo de mensagem, o emissor atua sobre o
Os elementos constitutivos da linguagem são, pois, gestos, sinais, sons, símbolos ou receptor, a fim de que este assuma determinado comportamento; há frequente uso do
palavras, usados para representar conceitos de comunicação, ideias, significados e vocativo e do imperativo. Esta função da linguagem é frequentemente usada por
pensamentos. Embora os animais também se comuniquem, a linguagem verbal oradores e agentes de publicidade.
pertence apenas ao Homem5.
Função metalinguística - função usada quando a língua explica a própria linguagem
Não se devem confundir os conceitos de linguagem e de língua. Enquanto aquela (exemplo: quando, na análise de um texto, investigamos os seus aspectos
(linguagem) diz respeito à capacidade ou faculdade de exercitar a comunicação, latente morfossintáticos e/ou semânticos).
ou em ação ou exercício, esta última (língua ou idioma) refere-se a um conjunto de
palavras e expressões usadas por um povo, por uma nação, munido de regras próprias Função informativa (ou referencial) - função usada quando o emissor informa
(sua gramática). objetivamente o receptor de uma realidade, ou acontecimento.

Noutra acepção (anátomo-fisiológica), linguagem é função cerebral que permite a Função fática - pretende conseguir e manter a atenção dos interlocutores, muito usada
qualquer ser humano adquirir e utilizar uma língua. Por extensão, chama-se linguagem em discursos políticos e textos publicitários (centra-se no canal de comunicação).
de programação ao conjunto de códigos usados em computação.
Função poética - embeleza, enriquecendo a mensagem com figuras de estilo, palavras
O estudo da linguagem, que envolve os signos, de uma forma geral, é chamado belas, expressivas, ritmos agradáveis, etc.
semiótica. A linguística é subordinada à semiótica porque seu objeto de estudo é a Também podemos pensar que as primeiras falas conscientes da raça humana
língua6, que é apenas um dos sinais estudados na semiótica. ocorreram quando os sons emitidos evoluíram para o que podemos reconhecer como
“interjeições", as primeiras ferramentas da fala humana.
Origens da linguagem humana

A respeito das origens da linguagem humana, alguns estudiosos defendem a tese de


que a linguagem desenvolveu-se a partir da comunicação gestual com as mãos.
Posteriores alterações no aparelho fonador permitiram os seres humanos produzir uma
variedade de sons muito maior do que a dos demais primatas.

Funções da linguagem7

Antigamente, tinha-se a ideia que o diálogo era desenvolvido de maneira


"sistematizada" (alguém pergunta - alguém espera ouvir a pergunta, daí responde,
enquanto outro escuta em silêncio, etc.). Hoje, estuda-se o Processo da Comunicação, 4
ALMEIDA, Napoleão Mendes de. Gramática metódica da língua portuguesa. São Paulo (SP, Brasil): Saraiva,
que tem os seguintes elementos: 2005 e FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. 'Dicionário da língua portuguesa'. Rio de Janeiro (RJ, Brasil):
Nova Fronteira, 2000.
5
Emissor - emite, codifica a mensagem; Receptor - recebe, decodifica a mensagem; Verónica Bicho, Funcionamento da Língua Portuguesa. Edições Sebenta
6
Ferdinand de Saussure
Mensagem - conteúdo transmitido pelo emissor; Código - conjunto de signos usado na 7
Para melhor compreensão das funções de linguagem, torna-se necessário o estudo dos elementos da
transmissão e recepção da mensagem; Referente - contexto relacionado a emissor e comunicação.

5 6
Língua natural conhecidos possuem línguas, a língua natural deve ter figurado entre os ancestrais de
todos esses grupos.
Línguas naturais são, grosso modo, o contrário de línguas artificiais ou construídas
(como linguagens de programação de computador e o Esperanto), assim como de A Linguagem e o Cérebro
sistemas de comunicação existentes na natureza, como a dança das abelhas. Embora
exista uma grande variedade de línguas naturais, qualquer criança humana normal é No cérebro, as áreas de Wernicke e de Broca possuem, segundo renomados
capaz de aprender qualquer língua natural. cientistas, forte relação com a linguagem humana. Muito pouco se sabe, na realidade,
sobre a relação entre a linguagem (como a percebemos) e o cérebro humano. Embora
O estudo das línguas permite identificar tanto acerca de seu funcionamento (sintaxe, uma grande maioria de estudiosos da neurolinguística afirme que o crescimento do
semântica, fonética, fonologia, etc.), quanto sobre o modo pelo qual a mente e o cérebro (sobretudo do córtex) está relacionado ao surgimento da linguagem, as
cérebro humanos processam a linguagem. informações que temos sobre o assunto ainda são muito limitadas.

Em termos linguísticos, a língua natural é uma expressão que apenas se aplica a uma As línguas faladas variam no tempo e no espaço. O inglês falado por um londrino na
linguagem que evoluiu naturalmente, como a fala nativa (primeira língua) de um época do rei Henrique VIII certamente não é o mesmo que o inglês falado por um
indivíduo. londrino hoje, assim como o inglês falado por um britânico contemporâneo dificilmente
pode ser considerado semelhante ao inglês falado em várias das ex-colônias britânicas
A fala, assim como outros tipos de língua natural, é formada por unidades menores hoje. A forma como as línguas faladas mudam é assunto de particular interesse para os
(palavras) que possuem significados, e essas unidades, por sua vez, são formadas por cientistas.
unidades ainda menores (como vogais e consoantes). É comumente alegado que o Através de um método comparativo, os linguistas entendem o funcionamento da língua
francês, o inglês e o português falados são “línguas”. No entanto, sabemos que o inglês falada, traçando relações entre as línguas atuais, e possíveis origens comuns que elas
americano não é exatamente igual ao inglês antilhano ou britânico e, ainda, que dentro teriam partilhado em um passado distante. É o caso do indo-europeu, uma matriz
dessas regiões (como nos limites da Inglaterra) existem variedades ainda numerosas imaginária que supostamente teria sido precursora de línguas atuais como o russo, o
de inglês, normalmente chamadas de “dialetos”. alemão, o inglês, o francês, o português, etc.
Do ponto de vista estritamente científico, contudo, não existe um limite objetivo entre o
que seriam línguas e o que seriam dialetos; como escreveu o cientista Hermann Paul, A língua de sinais é uma outra variedade conhecida de língua natural. De acordo com o
“com efeito, podemos distinguir tantas línguas quanto indivíduos”. Portanto, quando neurologista Oliver Sacks, “os surdos geram línguas de sinais em qualquer lugar onde
falamos do inglês, do francês e do alemão, estamos tratando de abstrações que não existam comunidades de surdos; é para eles a forma mais fácil e natural de
correspondem exatamente à realidade. comunicação”. Além disso, a língua de sinais é altamente expressiva, tanto quanto a
língua falada. A língua de sinais, assim como as línguas faladas, possui estruturas
Os cientistas aceitam atualmente que línguas são sistemas. Todos os elementos de gramaticais complexas.
uma língua estão ligados entre si a partir de uma variedade de relações. Essa
compreensão das línguas foi, inicialmente, instituída por Ferdinand de Saussure. Ele A função biológica e cerebral da linguagem é aquilo que mais profundamente distingue
falou das línguas como sistemas de signos onde, para cada signo lingüístico, haveria o homem dos outros animais. Podemos considerar que o desenvolvimento desta
um significante e uma referência (significado): seu equivalente na língua (a palavra função cerebral ocorre em estreita ligação com a bipedia e a libertação da mão, que
menina) e um conceito que a língua pretende expressar (o conceito de menina). permitiram o aumento do volume do cérebro, a par do desenvolvimento de órgãos
fonadores e da mímica facial.
A teorização de Noam Chomsky, segundo a qual "língua é um conjunto de sentenças
(finitas ou infinitas), cada uma finita em extensão e construídas a partir de um conjunto Os cientistas agruparam as línguas do mundo por suas semelhanças, formando
finito de elementos", é uma das mais aceitas hoje. Chomsky postulou a existência de famílias. Os maiores grupos são as línguas indo-europeias, afro-asiáticas e as sino-
uma Gramática Universal, comum a todas as línguas, que seria herdada tibetanas, mas também criaram línguas de laboratório, como o Esperanto, de L. L.
geneticamente. Zamenhof, uma compilação de vários elementos de diferentes línguas humanas cuja
intenção é de ser uma língua de fácil aprendizagem, de forma a proporcionar a toda a
Origens da Língua humanidade uma forma mais fácil e democrática de se comunicar. Hoje é uma língua
viva em ascensão, havendo recursos didáticos - gratuitos ou não - na Internet para
Não existe consenso entre os antropólogos acerca de quando e como teria surgido a aprendê-la.
linguagem nos seres humanos (ou em seus ancestrais). As estimativas variam
consideravelmente, sendo que alguns cientistas apontam para a existência de Além disso, existem línguas que resultam de contato com o estrangeiro, por exemplo,
linguagem há 2 milhões de anos entre os Homo habilis, enquanto outros preferem brasileiros que habitam regiões fronteiriças e que, consequentemente, aprendem a
localizá-la há quarenta mil anos apenas, no tempo do homem de Cro-magnon. No falar castelhano (ou ao menos o chamado portunhol ou “portuñol”). Nas fronteiras dos
entanto, evidências recentes indicam que a linguagem humana foi inventada (ou Estados Unidos, similarmente, surge o falar Chicano ou Spanglish.
evoluiu) na África antes da dispersão dos humanos pelo globo a partir dessa região há
cerca de 50 mil anos. Além disso, é lógico supor que, como todos os grupos humanos

7 8
Também vale notar os regionalismos que surgem praticamente em todas as culturas do • Antonímia: É a relação que se estabelece entre duas palavras ou mais que
mundo. No Brasil podemos citar variações distintas da língua nacional que se apresentam significados diferentes, contrários, isto é, os antônimos:
desenvolveram através dos anos, como por exemplo as falas do gaúcho, do carioca, do Exemplos: Economizar - gastar / Bem - mal / Bom - ruim.
nordestino, do capixaba, do baiano, do mineiro, etc.8 • Homonímia: É a relação entre duas ou mais palavras que, apesar de
possuírem significados diferentes, possuem a mesma estrutura fonológica, ou
Existem mais duas categorias distintas de falares frequentemente ignorados quando se seja, os homônimos:
trata das línguas do mundo. A primeira destas classificações envolve as línguas
inventadas por crianças e jovens para se comunicarem entre si em segredo na As homônimas podem ser:
presença de adultos, geralmente de seus pais (play languages). Um exemplo disso é o Homógrafas: palavras iguais na escrita e diferentes na pronúncia. Exemplos:
chamado "pig latin" (Igpay Atinlay) que existe principalmente no mundo cultural anglo- gosto (substantivo) - gosto / (1ª pessoa singular presente indicativo do verbo gostar) /
saxão. No mundo cultural castelhano existe o jargão jeringonzo, também chamado de conserto (substantivo) - conserto (1ª pessoa singular presente indicativo do verbo
jeringonza e jeringôncio. No Brasil existe a chamada Língua do P. A outra envolve as consertar);
linguagens próprias de profissões ou de certos meios que são, muitas vezes, Homófonas: palavras iguais na pronúncia e diferentes na escrita. Exemplos:
considerados de má ou questionável reputação. No mundo teuto (alemão) existe o falar cela (substantivo) - sela (verbo) / cessão (substantivo) - sessão (substantivo) / cerrar
Rotwelsch ou Gaunersprache (o falar da malandragem), sendo que seus equivalentes (verbo) - serrar ( verbo);
na Grã-Bretanha, na França e na Argentina são, respectivamente, o cant, o argot e o Perfeitas: palavras iguais na pronúncia e na escrita. Exemplos: cura (verbo) -
lunfardo. cura (substantivo) / verão (verbo) - verão (substantivo) / cedo (verbo) - cedo (advérbio);

Pesquisas sobre desenvolvimento da linguagem já identificaram entre estudantes de • Paronímia: É a relação que se estabelece entre duas ou mais palavras que
universidades um vocabulário de 80 mil palavras. A língua não se esvaia em apenas possuem significados diferentes, mas são muito parecidas na pronúncia e na
códigos, ela está presente em todo o nosso dia a dia, sendo primordial em todas nossas escrita, isto é, os parônimos: Exemplos: cavaleiro - cavalheiro / absolver -
escolhas. absorver / comprimento - cumprimento/ aura (atmosfera) - áurea (dourada)/
conjectura (suposição) - conjuntura (situação decorrente dos
SEMÂNTICA (do grego semantiké, i. é, téchne semantiké, “arte da significação”) acontecimentos)/ descriminar (desculpabilizar) - discriminar (diferenciar)/
desfolhar (tirar ou perder as folhas) - folhear (passar as folhas de uma
A semântica (derivado de sema, sinal) refere-se ao estudo do significado, em todos os publicação)/ despercebido (não notado) - desapercebido (desacautelado)/
sentidos do termo. A semântica opõe-se com frequência à sintaxe, caso em que a geminada (duplicada) - germinada (que germinou)/ mugir (soltar mugidos) -
primeira se ocupa do que algo significa, enquanto a segunda se debruça sobre as mungir (ordenhar)/ percursor (que percorre) - precursor (que antecipa os
estruturas ou padrões formais do modo como esse algo é expresso (por exemplo, outros)/ sobrescrever (endereçar) - subscrever (aprovar, assinar)/ veicular
escritos ou falados). Dependendo da concepção de significado que se tenha, têm-se (transmitir) - vincular (ligar) / descrição - discrição / onicolor - unicolor.
diferentes semânticas. A semântica formal, a semântica da enunciação ou • Polissemia: É a propriedade que uma mesma palavra tem de apresentar
argumentativa e a semântica cognitiva, por exemplo, estudam o mesmo fenômeno, mas vários significados. Exemplos: Ele ocupa um alto posto na empresa. / Abasteci
com conceitos e enfoques diferentes. meu carro no posto da esquina. / Os convites eram de graça. / Os fiéis
agradecem a graça recebida.
Na língua portuguesa, o significado das palavras leva em consideração:
Significante e significado
• Sinonímia: É a relação que se estabelece entre duas palavras ou mais que
apresentam significados iguais ou semelhantes, ou seja, os sinônimos: Significante é a parte física da palavra (os fonemas e as letras).
Exemplos: Cômico - engraçado / Débil - fraco, frágil / Distante - afastado, Significado é o sentido da palavra que provoca na mente do ouvinte ou do leitor uma
remoto. imagem ou uma idéia.

Conotação e Denotação

8
Em novembro de 1906, foi incluído na Interet o site Corpus do Português (www.corpusdoportugues.org), site Conotação é o uso da palavra com um significado diferente do original, criado pelo
aberto no início de novembro, oferece um meio inédito de esquadrinhar a língua portuguesa. Ele funciona como contexto. Exemplos: Você tem um coração de pedra.
um "quem é quem" do idioma mostrando a popularidade de palavras ou de frases buscadas entre milhares de
textos. Esse grande arquivo forma o corpus da língua, que representa as diversas variedades lingüísticas do
português. O corpus reúne mais de 50 mil textos, de diversas fontes, somando 45 milhões de palavras. O site foi
Denotação é o uso da palavra com o seu sentido original. Exemplos: Pedra é um corpo
desenvolvido por dois pesquisadores norte-americanos, Mark Davies, da Universidade Brigham Young (Utah, duro e sólido, da natureza das rochas.
EUA), e Michael Ferreira, da Universidade de Georgetown (Distrito de Columbia, EUA). O acesso é livre e
gratuito. Depois de algumas consultas, é solicitado um registro simples (nome e e-mail). A utilidade dessa A história da Palavra
ferramenta de busca do idioma é múltipla: para os estudantes, é uma chance de ver a língua exemplificada pelo
uso real; para os lingüistas, renova a descrição da linguagem e possibilita a criação de melhores dicionários e Quando analisamos o sentido das palavras na redação, ressaltam como fundamentais
gramáticas; para os escritores, cria alternativas estilísticas inovadoras e amplia os horizontes da criação literária. a história da palavra e, obviamente, os contextos em que elas ocorrem.

9 10
A história da palavra, em sentido amplo, vem a ser a respectiva origem e as alterações A homonímia é a designação geral para os casos em que palavras de sentidos
sofridas no correr do tempo, ou seja, a maneira como evoluiu desde um sentido original diferentes têm a mesma grafia (os homônimos homógrafos) ou a mesma pronúncia (os
para um sentido mais abrangente ou mais específico. Em sentido restrito, diz respeito à homônimos homófonos).
tradição no uso de determinado vocábulo ou expressão.
Os homógrafos podem coincidir ou não na pronúncia, como nos exemplos: quarto
Sendo a clareza um dos requisitos fundamentais de qualquer texto, deve-se atentar (aposento) e quarto (ordinal), manga (fruta) e manga (de camisa), em que temos
para a tradição no emprego de determinada expressão com determinado sentido. O pronúncia idêntica; e apelo (pedido) e apelo (com e aberto, 1ª pess. do sing. do pres. do
emprego de expressões ditas “de uso consagrado” confere uniformidade e ind. do verbo apelar), consolo (alívio) e consolo (com o aberto, 1ª pess. do sing. do pres.
transparência ao sentido do texto. Mas isto não quer dizer que os textos oficiais devam do ind. do verbo consolar), com pronúncia diferente.
limitar-se à repetição de chavões e clichês.
Os homógrafos de idêntica pronúncia diferenciam-se pelo contexto em que são
Verifique sempre o contexto em que as palavras estão sendo utilizadas. Certifique-se de empregados. Não há dúvida, por exemplo, quanto ao emprego da palavra são nos três
que não há repetições desnecessárias ou redundâncias. Procure sinônimos ou termos sentidos: a) verbo ser, 3ª pess. do pl. do pres., b) saudável e c) santo.
mais precisos para as palavras repetidas; mas se sua substituição for comprometer o
sentido do texto, tornando-o ambíguo ou menos claro, não hesite em deixar o texto Palavras de grafia diferente e de pronúncia igual (homófonos) geram dúvidas
como está. ortográficas. Caso, por exemplo, de acento/assento, coser/cozer, dos prefixos ante-
/anti-, etc. Aqui o contexto não é suficiente para resolver o problema, pois sabemos o
É importante lembrar que o idioma está em constante mutação. A própria evolução dos sentido, a dúvida é de letra(s). Sempre que houver incerteza, consulte a lista adiante,
costumes, das idéias, das ciências, da política, enfim da vida social em geral, impõe a algum dicionário ou manual de ortografia.
criação de novas palavras e formas de dizer. Na definição de Serafim da Silva Neto,9 a
língua: Já o termo paronímia designa o fenômeno que ocorre com palavras semelhantes (mas
“(...) é um produto social, é uma atividade do espírito humano. Não é, assim, não idênticas) quanto à grafia ou à pronúncia. É fonte de muitas dúvidas, como entre
independente da vontade do homem, porque o homem não é uma folha seca descrição ('ato de descrever') e discrição ('qualidade do que é discreto'), retificar
ao sabor dos ventos veementes de uma fatalidade desconhecida e cega. ('corrigir') e ratificar (confirmar).
Não está obrigada a prosseguir na sua trajetória, de acordo com leis
determinadas, porque as línguas seguem o destino dos que as falam, são o Como não interessa aqui aprofundar a discussão teórica da matéria, restringimo-nos a
que delas fazem as sociedades que as empregam.” uma lista de palavras que costumam suscitar dúvidas de grafia ou sentido. Procuramos
incluir palavras que com mais frequência provocam dúvidas na elaboração de textos
Assim, continuamente, novas palavras são criadas (os neologismos) como produto da oficiais, com o cuidado de agregá-las em pares ou pequenos grupos formais.
dinâmica social, e incorporados ao idioma inúmeros vocábulos de origem estrangeira
(os estrangeirismos), que vêm para designar ou exprimir realidades não contempladas Absolver: inocentar, relevar da culpa imputada: O júri absolveu o réu.
no repertório anterior da língua portuguesa. As novidades vocabulares devem sempre Absorver: embeber em si, esgotar: O solo absorveu lentamente a água da chuva.
ser usadas com critério, evitando-se aquelas que podem ser substituídas por vocábulos
já de uso consolidado sem prejuízo do sentido que se lhes quer dar. Acender: atear (fogo), inflamar.
Ascender: subir, elevar-se.
De outro lado, não se concebe que, em nome de suposto purismo, a linguagem das
comunicações fique imune às criações vocabulares ou a empréstimos de outras Acento: sinal gráfico; inflexão vocal: Vocábulo sem acento.
línguas. A rapidez do desenvolvimento tecnológico, por exemplo, impõe a criação de Assento: banco, cadeira: Tomar assento num cargo.
inúmeros novos conceitos e termos, ditando de certa forma a velocidade com que a
língua deve incorporá-los. O importante é usar o estrangeirismo de forma consciente, Acerca de: sobre, a respeito de: No discurso, o Presidente falou acerca de seus planos.
buscar o equivalente português quando houver, ou conformar a palavra estrangeira ao A cerca de: a uma distância aproximada de: O anexo fica a cerca de trinta metros do
espírito da língua portuguesa. prédio principal. Estamos a cerca de um mês ou (ano) das eleições.
Há cerca de: faz aproximadamente (tanto tempo): Há cerca de um ano, tratamos de
O problema do abuso de estrangeirismos inúteis ou empregados em contextos em que caso idêntico; existem aproximadamente: Há cerca de mil títulos no catálogo.
não cabem, é em geral causado ou pelo desconhecimento da riqueza vocabular de
nossa língua, ou pela incorporação acrítica do estrangeirismo. Acidente: acontecimento casual; desastre: A derrota foi um acidente na sua vida
profissional. O súbito temporal provocou terrível acidente no parque.
Homônimos e Parônimos Incidente: episódio; que incide, que ocorre: O incidente da demissão já foi superado.
Muitas vezes temos dúvidas no uso de vocábulos distintos provocadas pela
semelhança ou mesmo pela igualdade de pronúncia ou de grafia entre eles. É o caso
dos fenômenos designados como homonímia e paronímia. 9
NETO, Serafim da Silva. Introdução ao estudo da língua portuguesa no Brasil. 5. ed. Rio de Janeiro: Presença;
Brasília: INL, 1986. p. 18.

11 12
Adotar: escolher, preferir; assumir; pôr em prática. Arrochar: apertar com arrocho, apertar muito.
Dotar: dar em doação, beneficiar. Arroxar: ou arroxear, roxear: tornar roxo.

Afim: que apresenta afinidade, semelhança, relação (de parentesco): Se o assunto era Ás: exímio em sua atividade; carta do baralho.
afim, por que não foi tratado no mesmo parágrafo? Az (p. us.): esquadrão, ala do exército.
A fim de: para, com a finalidade de, com o fito de: O projeto foi encaminhado com quinze
dias de antecedência a fim de permitir a necessária reflexão sobre sua pertinência. Atuar: agir, pôr em ação; pressionar.
Autuar: lavrar um auto; processar.
Alto: de grande extensão vertical; elevado, grande.
Auto: ato público, registro escrito de um ato, peça processual. Auferir: obter, receber: Auferir lucros, vantagens.
Aferir: avaliar, cotejar, medir, conferir: Aferir valores, resultados.
Aleatório: casual, fortuito, acidental.
Alheatório: que alheia, alienante, que desvia ou perturba. Augurar: prognosticar, prever, auspiciar: O Presidente augurou sucesso ao seu par
americano.
Amoral: desprovido de moral, sem senso de moral. Agourar: pressagiar, predizer (geralmente no mau sentido): Os técnicos agouram
Imoral: contrário à moral, aos bons costumes, devasso, indecente. desastre na colheita.

Ante (preposição): diante de, perante: Ante tal situação, não teve alternativa. Avocar: atribuir-se, chamar: Avocou a si competências de outrem.
Ante- (prefixo): expressa anterioridade: antepor, antever, anteprojeto.. Evocar: lembrar, invocar: Evocou no discurso o começo de sua carreira.
Anti- (prefixo): expressa contrariedade; contra: anticientífico, antibiótico, anti-higiênico, Invocar: pedir (a ajuda de); chamar; proferir: Ao final do discurso, invocou a ajuda de
anti-Marx. Deus.

Ao encontro de: para junto de; favorável a: Foi ao encontro dos colegas. O projeto Caçar: perseguir, procurar, apanhar (geralmente animais).
salarial veio ao encontro dos anseios dos trabalhadores. Cassar: tornar nulo ou sem efeito, suspender, invalidar.
De encontro a: contra; em prejuízo de: O carro foi de encontro a um muro. O governo
não apoiou a medida, pois vinha de encontro aos interesses dos menores. Carear: atrair, ganhar, granjear.
Cariar: criar cárie.
Ao invés de: ao contrário de: Ao invés de demitir dez funcionários, a empresa contratou Carrear: conduzir em carro, carregar.
mais vinte. (Inaceitável o cruzamento *ao em vez de.)
Em vez de: em lugar de: Em vez de demitir dez funcionários, a empresa demitiu vinte. Casual: fortuito, aleatório, ocasional.
Causal: causativo, relativo a causa.
A par: informado, ao corrente, ciente: O Ministro está a par (var.: ao par) do assunto; ao
lado, junto; além de. Cavaleiro: que anda a cavalo, cavalariano.
Ao par: de acordo com a convenção legal: Fez a troca de mil dólares ao par. Cavalheiro: indivíduo distinto, gentil, nobre.

Aparte: interrupção, comentário à margem: O deputado concedeu ao colega um aparte Censo: alistamento, recenseamento, contagem.
em seu pronunciamento. Senso: entendimento, juízo, tino.
À parte: em separado, isoladamente, de lado: O anexo ao projeto foi encaminhado por
expediente à parte. Cerrar: fechar, encerrar, unir, juntar.
Serrar: cortar com serra, separar, dividir.
Apreçar: avaliar, pôr preço: O perito apreçou irrisoriamente o imóvel.
Apressar: dar pressa a, acelerar: Se o andamento das obras não for apressado, não Cessão: ato de ceder: A cessão do local pelo município tornou possível a realização da
será cumprido o cronograma. obra.
Seção: setor, subdivisão de um todo, repartição, divisão: Em qual seção do ministério
Área: superfície delimitada, região. ele trabalha?
Ária: canto, melodia. Sessão: espaço de tempo que dura uma reunião, um congresso; reunião; espaço de
tempo durante o qual se realiza uma tarefa: A próxima sessão legislativa será iniciada
Aresto: acórdão, caso jurídico julgado: Neste caso, o aresto é irrecorrível. em 1o de agosto.
Arresto: apreensão judicial, embargo: Os bens do traficante preso foram todos
arrestados. Chá: planta, infusão.
Xá: antigo soberano persa.

13 14
Cheque: ordem de pagamento à vista. Derrogar: revogar parcialmente (uma lei), anular.
Xeque: dirigente árabe; lance de xadrez; (fig.) perigo (pôr em xeque). Derrocar: destruir, arrasar, desmoronar.

Círio: vela de cera. Descrição: ato de descrever, representação, definição.


Sírio: da Síria. Discrição: discernimento, reserva, prudência, recato.

Cível: relativo à jurisdição dos tribunais civis. Descriminar: absolver de crime, tirar a culpa de.
Civil: relativo ao cidadão; cortês, polido (daí civilidade); não militar nem, eclesiástico. Discriminar: diferençar, separar, discernir.

Colidir: trombar, chocar; contrariar: A nova proposta colide frontalmente com o Despensa: local em que se guardam mantimentos, depósito de provisões.
entendimento havido. Dispensa: licença ou permissão para deixar de fazer algo a que se estava obrigado;
Coligir: colecionar, reunir, juntar: As leis foram coligidas pelo Ministério da Justiça. demissão.

Comprimento: medida, tamanho, extensão, altura. Despercebido: que não se notou, para o que não se atentou: Apesar de sua
Cumprimento: ato de cumprir, execução completa; saudação. importância, o projeto passou despercebido.
Desapercebido: desprevenido, desacautelado: Embarcou para a missão na Amazônia
Concelho: circunscrição administrativa ou município (em Portugal). totalmente desapercebido dos desafios que lhe aguardavam.
Conselho: aviso, parecer, órgão colegiado.
Dessecar: secar bem, enxugar, tornar seco.
Concerto: acerto, combinação, composição, harmonização (cp. concertar): O concerto Dissecar: analisar minuciosamente, dividir anatomicamente.
das nações... O concerto de Guarnieri...
Conserto: reparo, remendo, restauração (cp. consertar): Certos problemas crônicos Destratar: insultar, maltratar com palavras.
aparentemente não têm conserto. Distratar: desfazer um trato, anular.

Conje(c)tura: suspeita, hipótese, opinião. Distensão: ato ou efeito de distender, torção violenta dos ligamentos de uma
Conjuntura: acontecimento, situação, ocasião, circunstância. articulação.
Distinção: elegância, nobreza, boa educação: Todos devem portar-se com distinção.
Contravenção: transgressão ou infração a normas estabelecidas. Dissensão: desavença, diferença de opiniões ou interesses: A dissensão sobre a
Contraversão: versão contrária, inversão. matéria impossibilitou o acordo.

Coser: costurar, ligar, unir. Elidir: suprimir, eliminar.


Cozer: cozinhar, preparar. Ilidir: contestar, refutar, desmentir.

Costear: navegar junto à costa, contornar. A fragata costeou inúmeras praias do litoral Emenda: correção de falta ou defeito, regeneração, remendo: Ao torná-lo mais claro e
baiano antes de partir para alto-mar. objetivo, a emenda melhorou o projeto.
Custear: pagar o custo de, prover, subsidiar. Qual a empresa disposta a custear tal Ementa: apontamento, súmula de decisão judicial ou do objeto de uma lei. Procuro uma
projeto? lei cuja ementa é “dispõe sobre a propriedade industrial”.
Custar: valer, necessitar, ser penoso. Quanto custa o projeto? Custa-me crer que
funcionará. Emergir: vir à tona, manifestar-se.
Imergir: mergulhar, afundar (submergir), entrar.
Deferir: consentir, atender, despachar favoravelmente, conceder.
Diferir: ser diferente, discordar; adiar, retardar, dilatar. Emigrar: deixar o país para residir em outro.
Imigrar: entrar em país estrangeiro para nele viver.
Degradar: deteriorar, desgastar, diminuir, rebaixar.
Degredar: impor pena de degredo, desterrar, banir. Eminente (eminência): alto, elevado, sublime.
Iminente (iminência): que está prestes a acontecer, pendente, próximo.
Delatar (delação): denunciar, revelar crime ou delito, acusar: Os traficantes foram
delatados por membro de quadrilha rival. Emitir (emissão): produzir, expedir, publicar.
Dilatar (dilação): alargar, estender; adiar, diferir: A dilação do prazo de entrega das Imitir (imissão): fazer entrar, introduzir, investir.
declarações depende de decisão do Diretor da Receita Federal.
Empoçar: reter em poço ou poça, formar poça.
Empossar: dar posse a, tomar posse, apoderar-se.

15 16
Encrostar: criar crosta. Inflação: ato ou efeito de inflar; emissão exagerada de moeda, aumento persistente de
Incrustar: cobrir de crosta, adornar, revestir, prender-se, arraigar-se. preços.
Infração: ato ou efeito de infringir ou violar uma norma.
Entender: compreender, perceber, deduzir.
Intender: (p. us): exercer vigilância, superintender. Infligir: cominar, aplicar (pena, castigo, repreensão, derrota): ‘‘O juiz infligiu pesada
pena ao réu.’’
Enumerar: numerar, enunciar, narrar, arrolar. Infringir: transgredir, violar, desrespeitar (lei, regulamento, etc.) (cp. infração): ‘‘A
Inúmero: inumerável, sem conta, sem número. condenação decorreu de ter ele infringido um sem número de artigos do Código Penal.’’

Espectador: aquele que assiste qualquer ato ou espetáculo, testemunha. Inquerir: apertar (a carga de animais), encilhar.
Expectador: que tem expectativa, que espera. Inquirir: procurar informações sobre, indagar, investigar, interrogar.

Esperto: inteligente, vivo, ativo. Intercessão: ato de interceder.


Experto: perito, especialista. Interse(c)ção: ação de se(c)cionar, cortar; ponto em que se encontram duas linhas ou
superfícies.
Espiar: espreitar, observar secretamente, olhar.
Expiar: cumprir pena, pagar, purgar. Inter- (prefixo): entre; preposição latina usada em locuções: inter alia (entre outros),
inter pares (entre iguais).
Estada: ato de estar, permanência: Nossa estada em São Paulo foi muito agradável. Intra- (prefixo): interior, dentro de.
Estadia: prazo para carga e descarga de navio ancorado em porto: O “Rio de Janeiro”
foi autorizado a uma estadia de três dias. Judicial: que tem origem no Poder Judiciário ou que perante ele se realiza.
Judiciário: relativo ao direito processual ou à organização da Justiça.
Estância: lugar onde se está, morada, recinto.
Instância: solicitação, pedido, rogo; foro, jurisdição, juízo. Liberação: ato de liberar, quitação de dívida ou obrigação.
Libertação: ato de libertar ou libertar-se.
Estrato: cada camada das rochas estratificadas.
Extrato: coisa que se extraiu de outra; pagamento, resumo, cópia; perfume. Lista: relação, catálogo; var. pop. de listra.
Listra: risca de cor diferente num tecido (var. pop. de lista).
Flagrante: ardente, acalorado; diz-se do ato que a pessoa é surpreendida a praticar
(flagrante delito). Locador: que dá de aluguel, senhorio, arrendador.
Fragrante: que tem fragrância ou perfume; cheiroso. Locatário: alugador, inquilino: O locador reajustou o aluguel sem a concordância do
locatário.
Florescente: que floresce, próspero, viçoso.
Fluorescente: que tem a propriedade da fluorescência. Lustre: brilho, glória, fama; abajur.
Lustro: quinquênio; polimento.
Folhar: produzir folhas, ornar com folhagem, revestir lâminas.
Folhear: percorrer as folhas de um livro, compulsar, consultar. Magistrado: juiz, desembargador, ministro.
Magistral: relativo a mestre (latim: magister); perfeito, completo; exemplar.
Incerto: não certo, indeterminado, duvidoso, variável.
Inserto: introduzido, incluído, inserido. Mandado: garantia constitucional para proteger direito individual líquido e certo; ato de
mandar; ordem escrita expedida por autoridade judicial ou administrativa: um mandado
Incipiente: iniciante, principiante. de segurança, mandado de prisão.
Insipiente: ignorante, insensato. Mandato: autorização que alguém confere a outrem para praticar atos em seu nome;
procuração; delegação: o mandato de um deputado, senador, do Presidente.
Incontinente: imoderado, que não se contém, descontrolado.
Incontinenti: imediatamente, sem demora, logo, sem interrupção. Mandante: que manda; aquele que outorga um mandato.
Mandatário: aquele que recebe um mandato, executor de mandato, representante,
Induzir: causar, sugerir, aconselhar, levar a: ‘‘O réu declarou que havia sido induzido a procurador.
cometer o delito.’’ Mandatório: obrigatório.
Aduzir: expor, apresentar: ‘‘A defesa, então, aduziu novas provas.’’
Obcecação: ato ou efeito de obcecar, teimosia, cegueira.
Obsessão: impertinência, perseguição, ideia fixa.

17 18
Ordinal: numeral que indica ordem ou série (primeiro, segundo, milésimo, etc.). Recrear: proporcionar recreio, divertir, alegrar.
Ordinário: comum, frequente, trivial, vulgar. Recriar: criar de novo.

Original: com caráter próprio; inicial, primordial. Reincidir: tornar a incidir, recair, repetir.
Originário: que provém de, oriundo; inicial, primitivo. Rescindir: dissolver, invalidar, romper, desfazer: Como ele reincidiu no erro, o contrato
de trabalho foi rescindido.
Paço: palácio real ou imperial; a corte.
Passo: ato de avançar ou recuar um pé para andar; caminho, etapa. Remição: ato de remir, resgate, quitação.
Remissão: ato de remitir, intermissão, intervalo; perdão, expiação.
Pleito: questão em juízo, demanda, litígio, discussão: O pleito por mais escolas na
região foi muito bem formulado. Repressão: ato de reprimir, contenção, impedimento, proibição.
Preito: sujeição, respeito, homenagem: Os alunos renderam preito ao antigo reitor. Repreensão: ato de repreender, enérgica admoestação, censura, advertência.

Preceder: ir ou estar adiante de, anteceder, adiantar-se. Ruço: grisalho, desbotado.


Proceder: originar-se, derivar, provir; levar a efeito, executar. Russo: referente à Rússia, nascido naquele país; língua falada na Rússia.

Pós- (prefixo): posterior a, que sucede, atrás de, após: pós-moderno, pós-operatório. Sanção: confirmação, aprovação; pena imposta pela lei ou por contrato para punir sua
Pré- (prefixo): anterior a, que precede, à frente de, antes de: pré-modernista, pré- infração.
primário. Sansão: nome de personagem bíblico; certo tipo de guindaste.
Pró (advérbio): em favor de, em defesa de. A maioria manifestou-se contra, mas dei
meu parecer pró. Sedento: que tem sede; sequioso (var. p. us.: sedente).
Cedente: que cede, que dá.
Preeminente: que ocupa lugar elevado, nobre, distinto.
Proeminente: alto, saliente, que se alteia acima do que o circunda. Sobrescritar: endereçar, destinar, dirigir.
Subscritar: assinar, subscrever.
Preposição: ato de prepor, preferência; palavra invariável que liga constituintes da
frase. Sortir: variar, combinar, misturar.
Proposição: ato de propor, proposta; máxima, sentença; afirmativa, asserção. Surtir: causar, originar, produzir (efeito).

Presar: capturar, agarrar, apresar. Subentender: perceber o que não estava claramente exposto; supor.
Prezar: respeitar, estimar muito, acatar. Subintender: exercer função de subintendente, dirigir.
Subtender: estender por baixo.
Prescrever: fixar limites, ordenar de modo explícito, determinar; ficar sem efeito,
anular-se: O prazo para entrada do processo prescreveu há dois meses. Sustar: interromper, suspender; parar, interromper-se (sustar-se).
Proscrever: abolir, extinguir, proibir, terminar; desterrar. O uso de várias substâncias Suster: sustentar, manter; fazer parar, deter.
psicotrópicas foi proscrito por recente portaria do Ministro.
Tacha: pequeno prego; mancha, defeito, pecha.
Prever: ver antecipadamente, profetizar; calcular: A assessoria previu acertadamente o Taxa: espécie de tributo, tarifa.
desfecho do caso.
Prover: providenciar, dotar, abastecer, nomear para cargo: O chefe do departamento Tachar: censurar, qualificar, acoimar: tachar alguém (tachá-lo) de subversivo.
de pessoal proveu os cargos vacantes. Taxar: fixar a taxa de; regular, regrar: taxar mercadorias.
Provir: originar-se, proceder; resultar: A dúvida provém (Os erros provêm) da falta de
leitura. Tapar: fechar, cobrir, abafar.
Tampar: pôr tampa em.
Prolatar: proferir sentença, promulgar.
Protelar: adiar, prorrogar. Tenção: intenção, plano (deriv.: tencionar); assunto, tema.
Tensão: estado de tenso, rigidez (deriv.: tensionar); diferencial elétrico.
Ratificar: validar, confirmar, comprovar.
Retificar: corrigir, emendar, alterar: A diretoria ratificou a decisão após o texto ter sido Tráfego: trânsito de veículos, percurso, transporte.
retificado em suas passagens ambíguas. Tráfico: negócio ilícito, comércio, negociação.

19 20
Trás: atrás, detrás, em seguida, após (cf. em locuções: de trás, por trás). deve nortear a elaboração de todo texto oficial. Não se trata, pois, de mera preferência
Traz: 3a pessoa do singular do presente do indicativo do verbo trazer. ou gosto por determinada forma.

Vestiário: guarda-roupa; local em que se trocam roupas. A linguagem dos textos oficiais não é ferramenta apenas de servidores públicos.
Vestuário: as roupas que se vestem, traje. Dirigentes sindicais, empresários e mesmo diretores de clubes têm muitas vezes
necessidade de redigir memorandos, ofícios (cartas) e relatórios, e para isto devem
Vultoso: de grande vulto, volumoso. sempre pautar-se pelo padrão culto formal da língua. Não é aceitável, portanto, que
Vultuoso (p. us.): atacado de vultuosidade (congestão da face). desses textos constem coloquialismos ou expressões de uso restrito a determinados
grupos, que comprometeriam sua própria compreensão pelo público. Acrescente-se
Formas variantes que indesejável é também a repetição excessiva de uma mesma palavra quando há
Há palavras que admitem mais de uma forma de grafia, sem que isso lhes altere o outra que pode substituí-la sem prejuízo ou alteração de sentido.
sentido. O emprego dessas formas variantes é indiferente, mas a forma mais usada na
linguagem cotidiana é sempre preferível. Quanto a determinadas expressões que devem ser evitadas, mencionem-se aquelas
que formam cacófatos, ou seja, “o encontro de sílabas em que a malícia descobre um
Exemplos: novo termo com sentido torpe ou ridículo”. Não há necessidade, no entanto, de estender
catorze e quatorze a preocupação de evitar a ocorrência de cacófatos a um sem-número de locuções que
xerox e Xerox produzem terceiro sentido, como por cada, vez passada, etc. Trata-se, sobretudo, de
cociente e quociente uma questão de estilo e da própria sensibilidade do autor do texto. Não faz sentido
matracar e matraquear eliminar da língua inúmeras locuções que só causam espanto ao leitor que está à
assoviar e assobiar procura do duplo sentido.
mobiliar e mobilhar
bêbado e bêbedo Essa recomendação vale também para os casos em que a partição silábica
entretenimento e entretimento (translineação) possa redundar em sentido torpe ou obsceno.
aspecto e aspeto Apresentamos, a seguir, lista de expressões cujo uso ou repetição deve ser evitado,
xeretar e xeretear indicando com que sentido devem ser empregadas e sugerindo alternativas
coisa e cousa vocabulares a palavras que costumam constar com excesso dos expedientes oficiais.
redemoinho e remoinho
malvadeza e malvadez à medida que/na medida em que – quer dizer à proporção que, ao passo que,
chipanzé e chimpanzé conforme: Os preços deveriam diminuir à medida que diminui a procura. Na medida em
espécime e espécimen que (locução causal) – pelo fato de que, uma vez que: Na medida em que se esgotaram
coradouro e quaradouro as possibilidades de negociação, o projeto foi integralmente vetado. Evite os
fleuma e fleugma cruzamentos – bisonhos, canhestros – *à medida em que, *na medida que...
derrubar e derribar
embaralhar e baralhar a partir de - deve ser empregado preferencialmente no sentido temporal: A cobrança do
taverna e taberna imposto entra em vigor a partir do início do próximo ano. Evite repeti-la com o sentido de
diabete e diabetes 'com base em', preferindo considerando, tomando-se por base, fundando-se em,
transpassar, traspassar e trespassar baseando-se em.
seção e secção
verruga e berruga ambos/todos os dois: “ambos” significa 'os dois' ou 'um e outro'. Evite expressões
pleonásticas como ambos dois, ambos os dois, ambos de dois, ambos a dois. Quando
Expressões a Evitar e Expressões de Uso Recomendável for o caso de enfatizar a dualidade, empregue todos os dois: Todos os dois Ministros
assinaram a Portaria.
O sentido das palavras liga-se intimamente à tradição e ao contexto de seu uso. Assim,
temos vocábulos e expressões (locuções) que, por seu continuado emprego com anexo/em anexo – este adjetivo, “anexo”, concorda em gênero e número com o
determinado sentido, passam a ser usados sempre em tal contexto e de tal forma, substantivo ao qual se refere: Encaminho as minutas anexas. Dirigimos os anexos
tornando-se expressões de uso consagrado. Mais do que do sentido das palavras, projetos à Chefia. Use também junto, apenso. A locução adverbial em anexo, como é
trata-se aqui também da regência de determinados verbos e nomes (v.Regência, mais próprio aos advérbios, é invariável: Encaminho as minutas em anexo. Em anexo,
adiante). dirigimos os projetos à Chefia. Empregue também conjuntamente, juntamente com.
O esforço de classificar expressões como de uso a ser evitado ou como de uso
recomendável atende, primordialmente, ao princípio da clareza e da transparência que 10
SAID ALI, Manoel. Gramática secundária da língua portuguesa. 3. ed. Brasília: Ed. Universidade de Brasília. p.
224.

21 22
ao nível de/em nível (de) - A locução ao nível tem o sentido de à mesma altura de: devido a - Evite repetir; utilize igualmente em virtude de, por causa de, em razão de,
Fortaleza localiza-se ao nível do mar. Evite seu uso com o sentido de em nível, com graças a, provocado por.
relação a, no que se refere a. Em nível significa 'nessa instância': A decisão foi tomada
em nível Ministerial; Em nível político, será difícil chegar-se ao consenso. A nível (de) dirigir - Quando empregado com o sentido de encaminhar, alterne com transmitir,
constitui modismo que é melhor evitar. mandar, encaminhar, remeter, enviar, endereçar.

assim - use após a apresentação de alguma situação ou proposta para ligá-la à ideia “disruptivo” - Aportuguesamento do inglês disruptive (de disrupt: 'desorganizar,
seguinte. Alterne com: dessa forma, desse modo, diante do exposto, diante disso, destruir, despedaçar'), a ser evitado dada a existência de inúmeras palavras com o
consequentemente, portanto, por conseguinte, assim sendo, em conseqüência, em mesmo sentido em português (desorganizador, destrutivo, destruidor, e o bastante
vista disso, em face disso. próximo, embora pouco usado, diruptivo). Acrescente-se, ainda, que, por ser de uso
restrito ao jargão de economistas e sociólogos, o uso dessa palavra confunde e não
através de/por intermédio de – quer dizer de lado a lado, por entre: A viagem incluía esclarece em linguagens mais abrangentes.
deslocamentos através de boa parte da floresta. Evite o emprego com o sentido de meio
ou instrumento; nesse caso empregue por intermédio, por, mediante, por meio de, “ele é suposto saber” - Construção tomada de empréstimo ao inglês he is supposed to
segundo, servindo-se de, valendo-se de: O projeto foi apresentado por intermédio do know, sem tradição no português. Evite por ser má tradução. Em português: ele
Departamento. O assunto deve ser regulado por meio de decreto. A comissão foi criada deve(ria) saber, supõe-se que ele saiba.
mediante portaria do Ministro de Estado.
em face de - Sempre que a expressão em face de equivaler a diante de, é preferível a
bem como - Evite repetir; alterne com e, como (também), igualmente, da mesma forma. regência com a preposição de; evite, portanto, face a, frente a.
Evite o uso, polêmico para certos autores, da locução bem assim como equivalente.
enquanto - Conjunção proporcional equivalente a ao passo que, à medida que. Evitar a
cada - Este pronome indefinido deve ser usado em função adjetiva: Quanto às famílias construção coloquial enquanto que.
presentes, foi distribuída uma cesta básica a cada uma. Evite a construção coloquial foi
distribuída uma cesta básica a cada. especialmente - Use também principalmente, mormente, notadamente, sobretudo,
nomeadamente, em especial, em particular.
causar - Evite repetir. Use também originar, motivar, provocar, produzir, gerar, levar a,
criar. Inclusive - Advérbio que indica inclusão; opõe-se a exclusive. Evite-se o seu abuso
com o sentido de 'até'; nesse caso utilize o próprio até ou ainda, igualmente, mesmo,
constatar - Evite repetir. Alterne com atestar, apurar, averiguar, certificar-se, também, ademais.
comprovar, evidenciar, observar, notar, perceber, registrar, verificar.
informar - Alterne com comunicar, avisar, noticiar, participar, inteirar, cientificar, instruir,
dado/visto/haja vista - Os particípios dado e visto têm valor passivo e concordam em
confirmar, levar ao conhecimento, dar conhecimento; ou perguntar, interrogar, inquirir,
gênero e número com o substantivo a que se referem: Dados o interesse e o esforço
indagar.
demonstrados, optou-se pela permanência do servidor em sua função. Dadas as
circunstâncias... Vistas as provas apresentadas, não houve mais hesitação no
nem - Conjunção aditiva que significa 'e não', 'e tampouco', dispensando, portanto, a
encaminhamento do inquérito. Já a expressão haja vista, com o sentido de uma vez que
conjunção e: Não foram feitos reparos à proposta inicial, nem à nova versão do projeto.
ou seja considerado, veja-se, é invariável: O servidor tem qualidades, haja vista o
Evite, ainda, a dupla negação não nem, nem tampouco, etc. *Não pôde encaminhar o
interesse e o esforço demonstrados. Haja visto (com -o) é inovação oral brasileira,
trabalho no prazo, nem não teve tempo para revisá-lo. O correto é ...nem teve tempo
evidentemente descabida em redação oficial ou outra qualquer.
para revisá-lo.
de forma que, de modo que/de forma a, de modo a - De forma (ou maneira, modo) no sentido de - empregue também com vistas a, a fim de, com o fito (objetivo, intuito,
que nas orações desenvolvidas: Deu amplas explicações, de forma que tudo ficou claro. fim) de, com a finalidade de, tendo em vista ou mira, tendo por fim.
De forma (maneira ou modo) a nas orações reduzidas de infinitivo: Deu amplas
explicações, de forma (maneira ou modo) a deixar tudo claro. São descabidas na língua
objetivar/ter por objetivo - Ter por objetivo pode ser alternado com pretender, ter por
escrita as pluralizações orais vulgares *de formas (maneiras ou modos) que...
fim, ter em mira, ter como propósito, no intuito de, com o fito de. Objetivar significa antes
'materializar', 'tornar objetivo' (objetivar ideias, planos, o abstrato), embora possa ser
deste ponto de vista - Evite repetir; empregue também sob este ângulo, sob este empregado também com o sentido de 'ter por objetivo'. Evite-se o emprego abusivo
aspecto, por este prisma, desse prisma, deste modo, assim, destarte. alternando-o com sinônimos como os referidos.

detalhar - Evite repetir; alterne com particularizar, pormenorizar, delinear, minudenciar.

23 24
onde - Como pronome relativo significa em que (lugar): A cidade onde nasceu. O país ORTOGRAFIA
onde viveu. Evite, pois, construções como “a lei onde é fixada a pena” ou “o encontro
onde o assunto foi tratado”. Nesses casos, substitua onde por em que, na qual, no qual, Por ortografia entende-se o conjunto de normas para escrever corretamente as
nas quais, nos quais. O correto é, portanto: a lei na qual é fixada a pena, o encontro no palavras de uma língua, usando adequadamente os sinais de acentuação e pontuação.
qual (em que) o assunto foi tratado.
A correção ortográfica é requisito elementar de qualquer texto. Muitas vezes, uma
operacionalizar - Neologismo verbal de que se tem abusado. Prefira realizar, fazer, simples troca de letras pode alterar não só o sentido da palavra, mas de toda uma frase.
executar, levar a cabo ou a efeito, pôr em obra, praticar, cumprir, desempenhar, O que na correspondência particular seria apenas um lapso datilográfico pode ter
produzir, efetuar, construir, compor, estabelecer. É da mesma família de agilizar, repercussões indesejáveis quando ocorre no texto de uma comunicação oficial ou de
objetivar e outros cujo problema está antes no uso excessivo do que na forma, pois o um ato normativo. Assim, toda revisão que se faça em determinado documento ou
acréscimo dos sufixos -izar e -ar é uma das possibilidades normais de criar novos expediente deve sempre levar em conta a correção ortográfica.
verbos a partir de adjetivos (ágil + izar = agilizar; objetivo + ar = objetivar). Evite, pois, a
repetição, que pode sugerir indigência vocabular ou ignorância dos recursos do idioma. Com relação aos erros de grafia, pode-se dizer que são de dois tipos: os que decorrem
do emprego inadequado de determinada letra por desconhecimento de como escrever
opinião/“opinamento” - Como sinônimo de parecer, prefira opinião a opinamento. uma palavra, e aqueles causados por lapso datilográfico.
Alterne com parecer, juízo, julgamento, voto, entendimento, percepção.

opor veto (e não apor) - Vetar é opor veto. Apor é acrescentar (daí aposto, (o) que vem A NOVA ORTOGRAFIA
junto). O veto, a contrariedade são opostos, nunca apostos.
A unificação ortográfica entrou em vigor no Brasil em janeiro de 2010, tendo sido
estabelecido obrigatoriedade de seu uso a partir de 2013. No Colégio Arnaldo Prieto,
pertinente/pertencer - Pertinente (derivado do verbo latino pertinere) significa
mantido pelo Sindicato dos Corretores de Imóveis do Estado do Rio de Janeiro, o
pertencente ou oportuno. Pertencer se originou do latim pertinescere, derivado sufixal
presidente Antonio Rocha exigiu que todas as apostilas fossem atualizadas em forma e
de pertinere. Esta forma não sobreviveu em português; não empregue, pois, formas
conteúdo no ano de 2011. Deve-se, no entanto, alertar que, embora as editoras estejam
inexistentes como “no que pertine ao projeto”; nesse contexto use no que diz respeito,
lançando seus dicionários renovados, ninguém deve se desfazer de dicionários e obras
no que respeita, no tocante, com relação.
de referência. Não perderam o valor. É preciso conhecer as alterações efetuadas, que
na presente seção apresentamos de maneira simplificada, para que todos possam
posição/posicionamento - Posição pode ser alterado com postura, ponto de vista, adaptar-se às novas normas, que vão por inteiro no site do Sindimóveis Est.RJ na
atitude, maneira, modo. Posicionamento significa 'disposição, arranjo', e não deve ser Internet.
confundido com posição. Para o momento, com a finalidade de eliminar as preocupações generalizadas, abriu-
se um espaço para as dicas mais importantes sobre a supressão de acentos e
relativo a - Empregue também referente a, concernente a, tocante a, atinente a, simplificação do uso do hífen, tracinho diabólico, cuja extinção ninguém lamentaria, a
pertencente a, que diz respeito a, que trata de, que respeita. não ser poucos sábios tristes.
A Academia Brasileira de Letras (ABL) dispõe de um link para quem tiver dúvidas sobre
ressaltar - Varie com destacar, sublinhar, salientar, relevar, distinguir, sobressair. o acordo, é só acessar www.academia.org.br e procurar o serviço “ABL Responde” à
direita na página. No entanto, não há prazo para que as repostas sejam enviadas, já que
pronome “se” - Evite abusar de seu emprego como indeterminador do sujeito. O cada pergunta passará por análise da comissão de lexicografia e lexicologia.
simples emprego da forma infinitiva já confere a almejada impessoalidade: “Para atingir
esse objetivo há que evitar o uso de coloquialismo” (e não: Para atingir-se... Há que se ALFABETO
evitar...). É cacoete em certo registro da língua escrita no Brasil, dispensável porque
inútil. O alfabeto completo passa a ser formado por 26 letras:
AB C D E F G H I J K LM N O P Q R S T U V W X Y Z
tratar (de) - Empregue também contemplar, discutir, debater, discorrer, cuidar, versar, As letras K, W, Y fazem parte do nosso alfabeto e são usadas em siglas, símbolos,
referir-se, ocupar-se de. nomes próprios e seus derivados. Ex: Km, Watt, Byron, byroniano.

viger - Significa vigorar, ter vigor, funcionar. Verbo defectivo, sem forma para a primeira
pessoa do singular do presente do indicativo, nem para qualquer pessoa do presente do
subjuntivo, portanto. O decreto prossegue vigendo. A portaria vige. A lei tributária
vigente naquele ano (...).

25 26
NOTAÇÕES LÉXICAS ` Acento grave
Notação Nome Exemplos
~ Til Sebastião;cão; tão; bonachão; facão
¨ Trema Não se usa mais no Brasil
´ Apóstrofo O apóstrofo assinala a supressão de um ou
mais fonemas na pronúncia de vocábulos: 'Tá
bom! Caixa d'água; A queda d'um anjo Antes de explicitar o uso do acento agudo, vamos
` Acento agudo
Ç Cedilha A cedilha emprega-se sob o “c”, antes de a, o, ratificar duas significações: ditongo e hiato. O
e u, para lhe dar o valor do fonema /s/: O primeiro é o encontro de uma vogal + uma
açúcar não é do muçulmano. semivogal ou vice-versa, sendo estas
pronunciadas na mesma sílaba. Já o segundo é a
^ Acento circunflexo Acento circunflexo - A respeito do acento sequência de vogais pertencentes a sílabas
circunflexo, algumas regras mudaram. Vejamos: diferentes.
1. Não existe mais acento circunflexo nas formas O acento agudo deixou de existir em alguns
verbais paroxítonas que possuem o “e” tônico
poucos casos. Vejamos:
fechado em hiato na 3ª pessoa do plural do
Paroxítonas:
presente do indicativo ou do subjuntivo. Isso
1. Nas palavras paroxítonas, ou seja, nos
ocorre com os verbos: crer, dar, ler, ver e seus
vocábulos cuja tonicidade recai na penúltima
derivados, como: prever, reler, descrer, etc.
sílaba, os ditongos abertos ei e oi que eram
Antes, o certo era: crêem, dêem, lêem, vêem,
acentuados, não são mais. Este fato é justificado
relêem, prevêem. Agora, fica: creem, deem, leem,
na existência de oscilação entre a abertura e
veem, releem, preveem.
fechamento na articulação destas palavras.
Importante: A acentuação dos verbos ter e vir e
Assim, alguns termos que hoje se escreve de um
seus derivados não se modifica: eles têm, eles
vêm. jeito, tomam novos formatos ortográficos, como:
De igual modo, o acento circunflexo deixa de assembleia, ideia, jiboia, proteico, heroico, etc. Já
existir na vogal tônica “o” de palavras paroxítonas, outros, continuam como são: cadeia, cheia,
assim como: enjoo, povoo, voo, abençoo, perdoo. apoio, baleia, dezoito, etc.
O acento circunflexo ou agudo será aceito em O acento agudo permanece, porém, nas
palavras proparoxítonas, cujas vogais tônicas oxítonas (vocábulos cuja tonicidade incide na
sejam “e” ou “o” no final de sílaba e seguidas nas última sílaba) e nos monossílabos tônicos com
consoantes nasais “m” e “n”, conforme a pronúncia ditongos abertos -éi, -éu ou oi, seguidos ou não de
na norma culta. Por exemplo: a palavra -s: papéis, herói, remói, anéis, ilhéus, chapéu, etc.
fenômeno/fenómeno tem a vogal tônica “o” que 2. Nas palavras paroxítonas com hiatos formados
termina a sílaba “no” (fe –no- me- no), a qual é com i e u, sendo que a vogal anterior a estas faz
seguida da consoante nasal “m” (me), assim, este parte de um ditongo, ou seja, quando são
vocábulo poderá vir grafado ou com acento precedidas de ditongo. Dessa forma: feiúra passa
circunflexo ou com agudo, dependendo da língua a ser feiura, baiúca passa a ser baiuca.
culta. Dessa maneira, no Brasil a pronúncia culta é Entretanto, as vogais i e u, oxítonas ou
feita com timbre fechado e, portanto, é mais certo paroxítonas, continuam a ser acentuadas se a
que acentuemos tal palavra com circunflexo: vogal que antecede estas não formar ditongo:
fenômeno. saída, cafeína, egoísmo, baía, ciúme, recaída,
De acordo com a regra acima, também podemos sanduíche, Piauí, etc.
apontar: acadêmico/académico, gênero/género, 3. Nos verbos em que o acento tônico incide na
tônico/tónico, blasfêmia/blasfémia, fêmea/ fémea, raiz, com as consoantes g ou q precedendo a
anatômico/anatómico, gênio/génio, tênue/ténue, vogal tônica u. É o caso de: arguir e redarguir:
cômodo/cómodo, Amazônia/Amazónia. arguo, arguis, argui, arguem, e assim por diante.

27 28
— Hífen Após a reforma, deixou-se de empregar o hífen:
1. Nas formações em que o prefixo ou falso
prefixo termina em vogal e o segundo termo
inicia-se em r ou s. Nesse caso, passa-se a
duplicar estas consoantes: antirreligioso,
contrarregra, infrassom, microssistema,
minissaia, microrradiografia, etc.
2. Nas constituições em que o prefixo ou
pseudoprefixo termina em vogal e o segundo
termo inicia-se com vogal diferente: antiaéreo,
extraescolar, coeducação, autoestrada,
autoaprendizagem, hidroelétrico, plurianual,
autoescola, infraestrutura, etc.
3. Nas formações, em geral, que contêm os
prefixos des- e in- e o segundo elemento perdeu o
h inicial: desumano, inábil, desabilitar, etc.
4. Nas formações com o prefixo co-, mesmo
quando o segundo elemento começar com o:
c o o p e r a ç ã o , c o o b r i g a ç ã o , c o o r d e n a r,
coocupante, coautor, coedição, coexistir, etc.
5. Em certas palavras que com o uso adquiriram
noção de composição: pontapé, girassol,
paraquedas, paraquedista, etc.
6. Em alguns compostos com o advérbio “bem”:
benfeito, benquerer, benquerido, etc.

MAIÚSCULAS E MINÚSCULAS
1º) A letra maiúscula inicial é usada:
a) Nos antropônimos, reais ou fictícios: Pedro Marques; Branca de Neve, D. Quixote.
b) Nos topônimos, reais ou fictícios: Lisboa, Luanda, Maputo, Rio de Janeiro; Atlântida,
Hespéria.
c) Nos nomes de seres antropomorfizados ou mitológicos: Adamastor; Neptuno /
Netuno.
d) Nos nomes que designam instituições: Instituto de Pensões e Aposentadorias da
Previdência Social.
e) Nos nomes de festas e festividades: Natal, Páscoa, Ramadão, Todos os Santos.
f) Nos títulos de periódicos, que retêm o itálico: O Primeiro de Janeiro, O Estado de São
Paulo (ou S. Paulo).
g) Nos pontos cardeais ou equivalentes, quando empregados absolutamente:
Nordeste, por nordeste do Brasil, Norte, por norte de Portugal, Meio-Dia, pelo sul da
França ou de outros países, Ocidente, por ocidente europeu, Oriente, por oriente
asiático.
h) Em siglas, símbolos ou abreviaturas internacionais ou nacionalmente reguladas com
maiúsculas, iniciais ou mediais ou finais ou o todo em maiúsculas: FAO, NATO, ONU;
H2O; Sr., V. Exa.
i) Opcionalmente, em palavras usadas reverencialmente, aulicamente ou
hierarquicamente, em início de versos, em categorizações de logradouros públicos:
(rua ou Rua da Liberdade, largo ou Largo dos Leões), de templos (igreja ou Igreja do
Bonfim, templo ou Templo do Apostolado Positivista), de edifícios (palácio ou Palácio da

29 30
Cultura, edifício ou Edifício Azevedo Cunha). Aqui vão algumas brincadeiras para o estudante entender bem o valor de um sinal de
2º) A letra minúscula inicial é usada: pontuação: a vírgula.
a) Ordinariamente, em todos os vocábulos da língua nos usos correntes.
b) Nos nomes dos dias, meses, estações do ano: segunda-feira; outubro; primavera. A primeira foi utilizada em cartazes na Associação Brasileira de Imprensa, quando a
c) Nos títulos de obras – literárias, pinturas, musicais, esculturas etc. (após o primeiro entidade comemorava 100 anos da sua fundação por Herbert Moses:
elemento, que é com maiúscula, os demais vocábulos, podem ser escritos com
minúscula, salvo nos nomes próprios nele contidos, tudo em grifo): O Senhor do Paço 100 Anos de Vírgula
de Ninães, O senhor do paço de Ninães, Menino de Engenho ou Menino de engenho, Vírgula pode ser uma pausa... ou não.
Árvore e Tambor ou Árvore e tambor. Não, espere.
d) Nos usos de fulano, sicrano, beltrano. Não espere...
Ela pode sumir com seu dinheiro.
e) Nos pontos cardeais (mas não nas suas abreviaturas); norte, sul (mas: SW
23,4.
sudoeste).
2,34.
f) Nos nomes que designam domínios do saber, cursos e disciplinas (opcionalmente, Pode criar heróis..
também com maiúscula): português (ou Português), matemática (ou Matemática); Isso só, ele resolve.
línguas e literaturas modernas (ou Línguas e Literaturas Modernas). Isso só ele resolve.
Obs.: As disposições sobre os usos das minúsculas e maiúsculas não obstam a que Ela pode ser a solução.
obras especializadas observem regras próprias, (como têm feito jornais e revistas, Vamos perder, nada foi resolvido.
devido a equipamentos fabricados no exterior) provindas de códigos ou normalizações Vamos perder nada, foi resolvido.
específicas (terminologias antropológica, geológica, bibliológica, botânica, zoológica, A vírgula muda uma opinião.
etc.), provenientes de entidades científicas ou normalizadoras, reconhecidas Não queremos saber.
internacionalmente. Não, queremos saber.

O “H” A vírgula pode condenar ou salvar.


Muito tem se falado sobre o “h”, que este sumiu definitivamente de algumas palavras. Não tenha clemência!
Mas de acordo com o acordo ortográfico não se sabe que o “h” desapareceu sem deixar Não, tenha clemência!
vestígios. Em Portugal, a palavra “húmido” recebia o “h” que, neste caso, foi suprimido. Uma vírgula muda tudo.
Mas, até então, é o único caso constatado, o qual não afeta diretamente a língua escrita “ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.”
no Brasil.
O h mantém-se por etimologia nos casos que conhecemos: hoje, homem, humor, hora, Segundo exemplo:
haver, hélice, bem como nas adoções convencionais: hã?, hem?, hum!. Da mesma SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO
forma acontece com a supressão já consagrada: erva, ao invés de herva e também das À SUA PROCURA.
interjeições: ah!, oh!.
Nos casos de aglutinação, o “h” é englobado no seu precedente e desaparece: * Se você for mulher, certamente coloca a vírgula depois de MULHER...
desumano, inábil, lobisomem, reabilitar, reaver. * Se você for homem, coloca a vírgula depois de TEM...
Vale lembrar que, nos casos de palavra composta, o hífen é empregado quando o
segundo termo começa com “h”: pré-história, anti-higiênico, contra-haste, etc. Terceiro exemplo:
Pontos de Vista
PONTUAÇÃO (Conto de João Anzanello Carrascoza, ilustrado por Will - Revista Nova Escola - Edição
Muitas pessoas não dão o devido valor à acentuação e à pontuação. Acham que não há Nº 165 - Setembro de 2003)
problemas em se esquecer uma vírgula, um ponto final ou um parênteses ou
simplesmente ignoram os sinais. No entanto, uma vírgula ou ponto pode mudar todo o “Os sinais de pontuação estavam quietos dentro do livro de Português quando estourou
sentido de uma única oração. Observe: Eu ir lá claro que não. a discussão.
Agora veja: Eu, ir lá? Claro que não! — Esta história já começou com um erro — disse a Vírgula.
— Ora, por quê? — perguntou o Ponto de Interrogação.
Como se pode observar na última oração acima, a acentuação acompanha nossa fala, — Deveriam me colocar antes da palavra "quando" — respondeu a Vírgula.
nossa entonação. Dessa forma, fica possível perceber as pausas feitas pelo falante, a — Concordo! — disse o Ponto de Exclamação. — O certo seria:
fim de demonstrar com clareza o que e como quer dizer algo. Por exemplo: você dá "Os sinais de pontuação estavam quietos dentro do livro de Português, quando
parabéns a uma pessoa dessa forma: Parabéns. Desejo felicidades. , com o uso de estourou a discussão".
ponto final na entonação, igual um robô? — Viram como eu sou importante? — disse a Vírgula.
— E eu também — comentou o Travessão. — Eu logo apareci para o leitor saber que
você estava falando.

31 32
— E nós? — protestaram as Aspas. — Somos tão importantes quanto vocês. Tanto que, essa história de que o comércio poderia fluir livremente pelo mundo. Não é justo que
para chamar a atenção, já nos puseram duas vezes neste diálogo. agora, que eles entraram em crise, esqueçam o discurso do livre comércio e passem a
— O mesmo digo eu — comentou o Dois-Pontos. — Apareço sempre antes das Aspas e ser os protecionistas que nos acusavam de ser", disse Lula no Fórum Social Mundial,
do Travessão. em Belém.
— Estamos todos a serviço da boa escrita! — disse o Ponto de Exclamação. — Nossa c) Para assinalar palavras ou expressões irônicas.
missão é dar clareza aos textos. Se não nos colocarem corretamente, vira uma Exemplos: Eles se comportaram “super” bem.
confusão como agora! Sim, porque são uns “anjinhos”.
— Às vezes podemos alterar todo o sentido de uma frase — disseram as Reticências. —
Ou dar margem para outras interpretações... Vírgula
— É verdade — disse o Ponto. — Uma pontuação errada muda tudo.
— Se eu aparecer depois da frase "a guerra começou" — disse o Ponto de Interrogação A vírgula serve para marcar as separações breves de sentido entre termos vizinhos, as
— é apenas uma pergunta, certo? inversões e as intercalações, quer na oração, quer no período. A seguir, indicam-se
— Mas se eu aparecer no seu lugar — disse o Ponto de Exclamação — é uma certeza: alguns casos principais de emprego da vírgula:
"A guerra começou!" a) para separar palavras ou orações paralelas justapostas, i. é, não ligadas por
— Olha nós aí de novo — disseram as Aspas. conjunção:
— Pois eu estou presente desde o comecinho — disse o Travessão. Chegou a Brasília, visitou o Ministério das Relações Exteriores, levou seus
— Tem hora em que, para evitar conflitos, não basta um Ponto, nem uma Vírgula, é documentos ao Palácio do Buriti, voltou ao Ministério e marcou a entrevista.
preciso os dois — disse o Ponto e Vírgula. — E aí entro eu. Simplicidade, clareza, objetividade, concisão são qualidades a serem
— O melhor mesmo é nos chamarem para trazer paz — disse a Vírgula. observadas na redação oficial.
— Então, que nos usem direito! — disse o Ponto Final. E pôs fim à discussão.
b) as intercalações, por cortarem o que está sintaticamente ligado, devem ser
Este foi um recurso de memória que utilizamos para ajudar o estudante a ir se colocadas entre vírgulas:
aperfeiçoando no uso dos sinais de pontuação, recursos gráficos próprios da O processo, creio eu, deverá ir logo a julgamento.
linguagem escrita. A democracia, embora (ou mesmo) imperfeita, ainda é o melhor sistema de
Embora não consigam reproduzir toda a riqueza melódica da linguagem oral, eles governo.
estruturam os textos e procuram estabelecer as pausas e as entonações da fala. Podem c) expressões corretivas, explicativas, escusativas, tais como isto é, ou
ser classificados em dois grupos: os sinais de pausa e os sinais de melodia ou melhor, quer dizer, data venia, ou seja, por exemplo, etc., devem ser colocadas entre
entonação. vírgulas:
O político, a meu ver, deve sempre usar uma linguagem clara, ou seja, de fácil
compreensão.
Finalidades da Pontuação As Nações Unidas decidiram intervir no conflito, ou por outra, iniciaram as
tratativas de paz.
Os sinais de pontuação, ligados à estrutura sintática, têm as seguintes finalidades: d) Conjunções coordenativas intercaladas ou pospostas devem ser colocadas
a) assinalar as pausas e as inflexões da voz (a entoação) na leitura; entre vírgulas:
b) separar palavras, expressões e orações que, segundo o autor, devem Dedicava-se ao trabalho com afinco; não obtinha, contudo, resultados.
merecer destaque; O ano foi difícil; não me queixo, porém.
c) esclarecer o sentido da frase, eliminando ambiguidades. Era mister, pois, levar o projeto às últimas consequências.
e) Vocativos, apostos, orações adjetivas não-restritivas (explicativas) devem
Aspas ser separados por vírgula:
Brasileiros, é chegada a hora de buscar o entendimento.
Usam-se aspas: Aristóteles, o grande filósofo, foi o criador da Lógica.
a) Quando há palavras ou expressões populares, gírias, neologismos, estrangeirismos O homem, que é um ser mortal, deve sempre pensar no amanhã.
ou arcaísmos. f) a vírgula também é empregada para indicar a elipse (ocultação) de verbo ou
Exemplos: Há “trombadinhas” nas cidades grandes “batendo carteira” o tempo todo, outro termo anterior:
mas não há providências. O decreto regulamenta os casos gerais; a portaria, os particulares. (A vírgula indica a
Por favor, antes de sair, faça um “backup”! elipse do verbo regulamenta.)
Ele mora lá nos “cafundó do Judas”! Às vezes procura assistência; outras, toma a iniciativa. (A vírgula indica a elipse da
b) Antes ou depois de citações. palavra vezes.)
Exemplos: Neste sábado, 31/01/09, o ministro do Trabalho disse o seguinte a respeito g) nas datas, separam-se os topônimos:
do aumento no salário mínimo para R$ 460,00: "Esse aumento representa beneficiar São Paulo, 22 de março de 1991.
mais de 45 milhões de pessoas, entre aposentados e pensionistas". Brasília, 15 de agosto de 1991.
"É importante que os países ricos não esqueçam nunca que foram eles que inventaram

33 34
É importante registrar que constitui erro crasso usar a vírgula entre termos que mantêm Não cabe ponto de interrogação em estruturas interrogativas indiretas (em geral em
entre si estreita ligação sintática – p. ex., entre sujeito e verbo, entre verbos ou nomes e títulos): O que é linguagem oficial – Por que a inflação não baixa – Como vencer a crise –
seus complementos. Etc.
Errado: O Presidente da República, indicou, sua posição no assunto.
Certo: O Presidente da República indicou sua posição no assunto. Ponto de Exclamação
Nos casos de o sujeito ser muito extenso, admite-se, no entanto, que a vírgula O ponto de exclamação é utilizado para indicar surpresa, espanto, admiração, súplica,
o separe do predicado para conferir maior clareza ao período. Ex.: etc. Seu uso na redação oficial fica geralmente restrito aos discursos e às peças de
Os Ministros de Estado escolhidos para comporem a Comissão e os retórica:
Secretários de Governo encarregados de supervisionar o andamento das obras, devem Povo deste grande País!
comparecer à reunião do próximo dia 15. Com nosso trabalho chegaremos lá!
O problema que nesses casos o político enfrenta, sugere que os
procedimentos devem ser revistos. GRAMÁTICA12
Ponto e Vírgula A gramática e suas divisões
O ponto e vírgula, em princípio, separa estruturas coordenadas já portadoras de Os assuntos pertinentes à gramática pertencem a estudos específicos. Sempre,
vírgulas internas. É também usado em lugar da vírgula para dar ênfase ao que se quer quando nos referimos à gramática, atribuímos a ela um conjunto de normas que regem
dizer. Ex.: o sistema linguístico. Por tal razão, estamos sempre em contato com os preceitos por
Sem virtude, perece a democracia; o que mantém o governo despótico é o ela determinados, em situações específicas (por exemplo, quando somos conduzidos a
medo. redigir acerca de algo ou mesmo nos ambientes escolares, enquanto aprendizes).
As leis, em qualquer caso, não podem ser infringidas; mesmo em caso de
dúvida, portanto, elas devem ser respeitadas. Contudo, normalmente não nos interessamos em saber se este ou aquele conteúdo
Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só com o qual estabelecemos familiaridade pertence a esta ou aquela parte da gramática.
se dará nos casos de: O fato é que os diversos assuntos por ela retratados pertencem a divisões específicas
I – cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado; de estudo que, indubitavelmente, tornam-se passíveis ao nosso conhecimento. Sendo
II – incapacidade civil absoluta; assim, o presente artigo tem por finalidade apontá-los, a fim de que estejamos a par de
III – condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus todas as características que os norteiam.
efeitos;
IV – recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos FONOLOGIA – Representa a parte cujo objetivo é estudar os menores elementos
termos do art. 5o, VIII; distintos, ora denominados de fonemas, que diferenciam o significado das palavras,
V – improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4o. bem como as sílabas que esses fonemas formam. Integrando a referida parte estão a;
Dois-Pontos ORTOÉPIA E PROSÓDIA
Emprega-se este sinal de pontuação para introduzir citações, marcar A ortoépia trata da pronúncia correta das palavras. Quando as palavras são
enunciados de diálogo e indicar um esclarecimento, um resumo ou uma consequência pronunciadas incorretamente, comete-se cacoépia.
do que se afirmou. Ex.: É comum encontrarmos erros de ortoépia na linguagem popular, mais descuidada e
Como afirmou o Marquês de Maricá em suas “Máximas”: “Todos reclamam com tendência natural para a simplificação.
reformas, mas ninguém se quer reformar.”
Encerrado o discurso, o Ministro perguntou: Podemos citar como exemplos de cacoépia:
– Foi bom o pronunciamento? - “guspe” em vez de cuspe.
– Sem dúvida: todos parecem ter gostado. - “adevogado” em vez de advogado.
Mais que mudanças econômicas, a busca da modernidade impõe sobretudo - “estrupo” em vez de estupro.
profundas alterações dos costumes e das tradições da sociedade; em suma: uma - “cardeneta” em vez de caderneta.
transformação cultural. - “peneu” em vez de pneu.
- “abóbra” em vez de abóbora.
Ponto de Interrogação - “prostar” em vez de prostrar.
O ponto de interrogação, como se depreende de seu nome, é utilizado para marcar o
final de uma frase interrogativa direta:
Até quando aguardaremos uma solução para o caso?
Qual será o sucessor do Secretário? 12
Nesse ínterim, destacamos o estudo das vogais, semivogais, consoantes, dígrafos, encontros vocálicos,
encontros consonantais, classificação das sílabas quanto à tonicidade, quanto ao número apresentado mediante
a divisão silábica, o emprego das letras, tendo em vista suas respectivas situações de uso, entre outros.

35 36
A prosódia trata da correta acentuação tônica das palavras. Cometer erro de prosódia é Podem ser identificados seis padrões básicos para as orações pessoais (i. é, com
transformar uma palavra paroxítona em oxítona, ou uma proparoxítona em paroxítona sujeito) na língua portuguesa (a função que vem entre parênteses é facultativa e pode
etc. Exemplos: ocorrer em ordem diversa):
- “rúbrica” em vez de rubrica.
- “sútil” em vez de sutil. 1. Sujeito - verbo intransitivo - (Adjunto Adverbial)
- “côndor” em vez de condor. O Presidente - regressou - (ontem).
2. Sujeito - verbo transitivo direto - objeto direto - (adjunto adverbial)
O Chefe da Divisão - assinou - o termo de posse - (na manhã de terça-feira).
MORFOLOGIA – Tem por finalidade estudar a estrutura, a formação e os mecanismos 3. Sujeito - verbo transitivo indireto - objeto indireto - (adjunto adverbial).
de flexão das palavras. De acordo com tal intento, podemos dizer que as classes O Brasil - precisa - de gente honesta - (em todos os setores).
gramaticais representam o alvo principal, ou seja, o estudo dos substantivos, adjetivos, 4. Sujeito - verbo transitivo direto e indireto - obj. direto - obj. indireto - (adj. Adv.)
advérbios, pronomes, conjunções, interjeições, verbos, artigos, numerais e Os desempregados - entregaram - suas reivindicações - ao Deputado - (no Congresso).
preposições. 5. Sujeito - verbo transitivo indireto - complemento adverbial - (adjunto adverbial)
A reunião do Grupo de Trabalho - ocorrerá - em Buenos Aires - (na próxima semana).
SINTAXE (do grego syntáxis “arranjo, disposição”) O Presidente - voltou - da Europa - (na sexta-feira)
6. Sujeito - verbo de ligação - predicativo - (adjunto adverbial)
É a parte da Gramática que estuda a palavra, não em si, mas em relação às outras, que O problema - será - resolvido - prontamente.
com ela se unem para exprimir o pensamento. É o capítulo mais importante da
Gramática, porque, ao disciplinar as relações entre as palavras, contribui de modo Esses seriam os padrões básicos para as orações, ou seja as frases que possuem
fundamental para a clareza da exposição e para a ordenação do pensamento. apenas um verbo conjugado. Na construção de períodos, as várias funções podem
É importante destacar que o conhecimento das regras gramaticais é condição ocorrer em ordem inversa à mencionada, misturando-se e confundindo-se. Não
necessária para a boa redação, mas não constitui condição suficiente. A concisão, interessa aqui análise exaustiva de todos os padrões existentes na língua portuguesa.
clareza, formalidade e precisão, elementos essenciais da redação, somente serão
alcançadas mediante a prática da escrita e a leitura de textos escritos em bom O que importa é fixar a ordem normal dos elementos nesses seis padrões básicos.
português. Acrescente-se que períodos mais complexos, compostos por duas ou mais orações, em
Dominar bem o idioma, seja na forma falada, seja na forma escrita, não significa apenas geral podem ser reduzidos aos padrões básicos (de que derivam).
conhecer exceções gramaticais: é imprescindível, isso sim, conhecer em profundidade
as regularidades da língua. O texto completo do Acordo Ortográfico que está entrando Os problemas mais frequentemente encontrados na construção de frases dizem
em prática, incluído na Internet em www.sindimoveisrj.org.br , é da maior utilidade para respeito à má pontuação, à ambiguidade da ideia expressa, à elaboração de falsos
sanar as dúvidas mais atrozes. paralelismos, erros de comparação, etc. Decorrem, em geral, do desconhecimento da
Veremos, a seguir, alguns pontos importantes da sintaxe, relativos à construção de ordem das palavras na frase. Indicam-se, a seguir, alguns desses defeitos mais comuns
frases, concordância, regência, colocação pronominal e pontuação. e recorrentes na construção de frases:

Problemas de Construção de Frases Sujeito


A clareza e a concisão na forma escrita são alcançadas principalmente pela construção Como dito, o sujeito é o ser de quem se fala ou que executa a ação enunciada na oração.
adequada da frase, “a menor unidade autônoma da comunicação”, na definição de Ele pode ter complemento, mas não ser complemento. Devem ser evitadas, portanto,
Celso Pedro Luft. construções como:
Errado: É tempo do Congresso votar a emenda.
A função essencial da frase é desempenhada pelo predicado, que para Adriano da Certo: É tempo de o Congresso votar a emenda.
Gama Kury pode ser entendido como “a enunciação pura de um fato qualquer”. Sempre Errado: Apesar das relações entre os países estarem cortadas, (...).
que a frase possuir pelo menos um verbo, recebe o nome de período, que terá tantas Certo: Apesar de as relações entre os países estarem cortadas, (...).
orações quantos forem os verbos não auxiliares que o constituem. Errado: Não vejo mal no Governo proceder assim.
Outra função relevante é a do sujeito - mas não indispensável, pois há orações sem Certo: Não vejo mal em o Governo proceder assim.
sujeito, ditas impessoais -, de quem se diz algo, cujo núcleo é sempre um substantivo. Errado: Antes destes requisitos serem cumpridos, (...).
Sempre que o verbo o exigir, teremos nas orações substantivos (nomes ou pronomes) Certo: Antes de estes requisitos serem cumpridos, (...).
que desempenham a função de complementos (objetos direto e indireto, predicativo e Errado: Apesar da Assessoria ter informado em tempo, (...).
complemento adverbial). Função acessória desempenham os adjuntos adverbiais, que Certo: Apesar de a Assessoria ter informado em tempo, (...).
vêm geralmente ao final da oração, mas que podem ser ou intercalados aos elementos
que desempenham as outras funções, ou deslocados para o início da oração. Frases Fragmentadas
Temos, assim, a seguinte ordem de colocação dos elementos que compõem uma A fragmentação de frases “consiste em pontuar uma oração subordinada ou uma
oração (os parênteses indicam os elementos que podem não ocorrer): (sujeito) - verbo - simples locução como se fosse uma frase completa”. Decorre da pontuação errada de
(complementos) - (adjunto adverbial). uma frase simples. Embora seja usada como recurso estilístico na literatura, a

37 38
fragmentação de frases deve ser evitada nos textos oficiais, pois muitas vezes dificulta a Certo: No discurso de posse, mostrou ser determinado e seguro, ter inteligência e
compreensão. Exemplos.: ambição.
Atentemos, ainda, para o problema inverso, o falso paralelismo, que ocorre ao se dar
Errado: O programa recebeu a aprovação do Congresso Nacional. Depois de ser forma paralela (equivalente) a ideias de hierarquia diferente ou, ainda, ao se apresentar,
longamente debatido. de forma paralela, estruturas sintáticas distintas:
Certo: O programa recebeu a aprovação do Congresso Nacional, depois de ser
longamente debatido. Errado: O Presidente visitou Paris, Bonn, Roma e o Papa.
Certo: Depois de ser longamente debatido, o programa recebeu a aprovação do Nesta frase, colocou-se em um mesmo nível cidades (Paris, Bonn, Roma) e uma
Congresso Nacional. pessoa (o Papa).
Errado: O projeto de Convenção foi oportunamente submetido ao Presidente da Uma possibilidade de correção é transformá-la em duas frases simples, com o cuidado
República, que o aprovou. Consultadas as áreas envolvidas na elaboração do texto de não repetir o verbo da primeira (visitar):
legal.
Certo: O projeto de Convenção foi oportunamente submetido ao Presidente da Certo: O Presidente visitou Paris, Bonn e Roma. Nesta última capital, encontrou-se com
República, que o aprovou, consultadas as áreas envolvidas na elaboração do texto o Papa.
legal.
Errado: O projeto tem mais de cem páginas e muita complexidade.
Erros de Paralelismo Aqui repete-se a equivalência gramatical indevida: estão em coordenação, no mesmo
Uma das convenções estabelecidas na linguagem escrita “consiste em apresentar nível sintático, o número de páginas do projeto (um dado objetivo, quantificável) e uma
ideias similares numa forma gramatical idêntica”, o que se chama de paralelismo. avaliação sobre ele (subjetiva). Pode-se reescrever a frase de duas formas: ou faz-se
Assim, incorre-se em erro ao conferir forma não paralela a elementos paralelos. nova oração com o acréscimo do verbo ser, rompendo, assim, o desajeitado paralelo:
Vejamos alguns exemplos:
Certo: O projeto tem mais de cem páginas e é muito complexo.
Errado: Pelo aviso circular recomendou-se aos Ministérios economizar energia e que Ou se dá forma paralela harmoniosa transformando a primeira oração também em uma
elaborassem planos de redução de despesas. avaliação subjetiva:
Nesta frase temos, nas duas orações subordinadas que completam o sentido da
principal, duas estruturas diferentes para ideias equivalentes: a primeira oração Certo: O projeto é muito extenso e complexo.
(economizar energia) é reduzida de infinitivo, enquanto a segunda (que elaborassem O emprego de expressões correlativas como não só ... mas (como) também; tanto ...
planos de redução de despesas) é uma oração desenvolvida introduzida pela quanto (ou como); nem ... nem; ou ... ou; etc. costuma apresentar problemas quando
conjunção integrante que. Há mais de uma possibilidade de escrevê-la com clareza e não se mantém o obrigatório paralelismo entre as estruturas apresentadas.
correção; uma seria a de apresentar as duas orações subordinadas como
desenvolvidas, introduzidas pela conjunção integrante que: Nos dois exemplos abaixo, rompe-se o paralelismo pela colocação do primeiro termo da
correlação fora de posição.
Certo: Pelo aviso circular, recomendou-se aos Ministérios que economizassem energia
e (que) elaborassem planos para redução de despesas. Errado: Ou Vossa Senhoria apresenta o projeto, ou uma alternativa.
Outra possibilidade: as duas orações são apresentadas como reduzidas de infinitivo:
Certo: Pelo aviso circular, recomendou-se aos Ministérios economizar energia e Certo: Vossa Senhoria ou apresenta o projeto, ou propõe uma alternativa.
elaborar planos para redução de despesas.
Nas duas correções respeita-se a estrutura paralela na coordenação de orações Errado: O interventor não só tem obrigação de apurar a fraude como também a de punir
subordinadas. os culpados.
Mais um exemplo de frase inaceitável na língua escrita culta:
Certo: O interventor tem obrigação não só de apurar a fraude, como também de punir os
Errado: No discurso de posse, mostrou determinação, não ser inseguro, inteligência e culpados.
ter ambição. Mencionemos, por fim, o falso paralelismo provocado pelo uso inadequado da
O problema aqui decorre de coordenar palavras (substantivos) com orações (reduzidas expressão e que num período que não contém nenhum que anterior.
de infinitivo).
Para tornar a frase clara e correta, pode-se optar ou por transformá-la em frase simples, Errado: O novo procurador é jurista renomado, e que tem sólida formação acadêmica.
substituindo as orações reduzidas por substantivos: Para corrigir a frase, ou suprimimos o pronome relativo:

Certo: No discurso de posse, mostrou determinação, segurança, inteligência e Certo: O novo procurador é jurista renomado e tem sólida formação acadêmica.
ambição. Ou suprimimos a conjunção, que está a coordenar elementos díspares:
Ou empregar a forma oracional reduzida uniformemente:
Certo: O novo procurador é jurista renomado, que tem sólida formação acadêmica.

39 40
Erros de Comparação Se o entendimento é outro, então:
A omissão de certos termos ao fazermos uma comparação, omissão própria da língua Claro: Roubaram a mesa do gabinete na qual eu costumava trabalhar.
falada, deve ser evitada na língua escrita, pois compromete a clareza do texto: nem Há, ainda, outro tipo de ambiguidade, que decorre da dúvida sobre a que se refere a
sempre é possível identificar, pelo contexto, qual o termo omitido. A ausência indevida oração reduzida:
de um termo pode impossibilitar o entendimento do sentido que se quer dar a uma frase: Ambíguo: Sendo indisciplinado, o Chefe admoestou o funcionário.
Para evitar o tipo de ambiguidade do exemplo acima, deve-se deixar claro qual o sujeito
Errado: O salário de um professor é mais baixo do que um médico. da oração reduzida.
A omissão de termos provocou uma comparação indevida: “o salário de um professor” Claro: O Chefe admoestou o funcionário por ser este indisciplinado.
com “um médico”. Ambíguo: Depois de examinar o paciente, uma senhora chamou o médico.
Claro: Depois que o médico examinou o paciente, foi chamado por uma senhora.
Certo: O salário de um professor é mais baixo do que o salário de um médico.
Tipos de Orações e Emprego de Conjunções
Certo: O salário de um professor é mais baixo do que o de um médico. As conjunções são palavras invariáveis que ligam orações, termos da oração ou
Errado: O Ministério da Educação dispõe de mais verbas do que os Ministérios do palavras. Estabelecem relações entre orações e entre os termos sintáticos, que podem
Governo. ser de dois tipos:
No exemplo acima, a omissão da palavra “outros” (ou “demais”) acarretou imprecisão:
a) de coordenação de idéias de mesmo nível, e de elementos de idêntica função
Certo: O Ministério da Educação dispõe de mais verbas do que os outros Ministérios do sintática;
Governo.
b) de subordinação, para estabelecer hierarquia entre as idéias, e permitir que uma
Certo: O Ministério da Educação dispõe de mais verbas do que os demais Ministérios do oração complemente o sentido da outra.
Governo. Por esta razão, o uso apropriado das conjunções é de grande importância: seu emprego
indevido gera imprecisão ou combinações errôneas de idéias
Ambiguidade
Ambígua é a frase ou oração que pode ser tomada em mais de um sentido. Como a GRAMÁTICA
clareza é requisito básico de todo texto oficial (v. 1.4. Concisão e Clareza), deve-se
atentar para as construções que possam gerar equívocos de compreensão. CONCORDÂNCIA
A ambiguidade decorre, em geral, da dificuldade de identificar-se a que palavra se De acordo com Mattoso Câmara, “dá-se em gramática o nome de concordância à
refere um pronome que possui mais de um antecedente na terceira pessoa. Pode circunstância de um adjetivo variar em gênero e número de acordo com o substantivo a
ocorrer com: que se refere (concordância nominal) e a de um verbo variar em número e pessoa de
acordo com o seu sujeito (concordância verbal). Há, não obstante, casos especiais que
a) pronomes pessoais: se prestam a dúvidas”.
Ambíguo: O Ministro comunicou a seu secretariado que ele seria exonerado. Então, observamos e podemos definir da seguinte forma: concordância vem do verbo
Claro: O Ministro comunicou exoneração dele a seu secretariado. concordar, ou seja, é um acordo estabelecido entre termos.
Ou então, caso o entendimento seja outro: O caso da concordância verbal diz respeito ao verbo em relação ao sujeito, o primeiro
Claro: O Ministro comunicou a seu secretariado a exoneração deste. deve concordar em número (singular ou plural) e pessoa (1ª, 2ª, 3ª) com o segundo. Já a
concordância nominal diz respeito ao substantivo e seus termos referentes: adjetivo,
b) pronomes possessivos e pronomes oblíquos: numeral, pronome, artigo. Essa concordância é feita em gênero (masculino ou
Ambíguo: O Deputado saudou o Presidente da República, em seu discurso, e solicitou feminino) e pessoa.
sua intervenção no seu Estado, mas isso não o surpreendeu. Como vimos acima, na definição de Mattoso Câmara, existem regras gerais e alguns
Observe-se a multiplicidade de ambiguidade no exemplo acima, as quais tornam casos especiais que devem ser estudados particularmente, pois geram dúvidas quanto
virtualmente inapreensível o sentido da frase. ao uso. Há muitos casos que a norma não é definida e há resoluções diferentes por
Claro: Em seu discurso o Deputado saudou o Presidente da República. No parte dos autores, escritores ou estudantes da concordância.
pronunciamento, solicitou a intervenção federal em seu Estado, o que não surpreendeu Simplificando, podemos dizer que a concordância é o processo sintático segundo o qual
o Presidente da República. certas palavras se acomodam, na sua forma, às palavras de que dependem. Essa
acomodação formal se chama “flexão” e se dá quanto a gênero e número (nos adjetivos
c) pronome relativo: - nomes ou pronomes), números e pessoa (nos verbos). Daí a divisão: concordância
Ambíguo: Roubaram a mesa do gabinete em que eu costumava trabalhar. nominal e concordância verbal.
Não fica claro se o pronome relativo da segunda oração se refere a mesa ou a gabinete,
essa ambiguidade se deve ao pronome relativo que, sem marca de gênero. A solução é Concordância Verbal
recorrer às formas o qual, a qual, os quais, as quais, que marcam gênero e número. Regra geral: Estudar a concordância verbal é, basicamente, estudar o sujeito, pois é
Claro: Roubaram a mesa do gabinete no qual eu costumava trabalhar. com este que o verbo concorda. Se o sujeito estiver no singular, o verbo também o

41 42
estará; se o sujeito estiver no plural, o mesmo acontece com o verbo. Então, para saber Ex. Mais de uma pessoa agrediram-se.
se o verbo deve ficar no singular ou no plural, deve-se procurar o sujeito, perguntando Mais de um carro se entrechocaram.
ao verbo Que(m) é que pratica ou sofre a ação? ou Que(m) é que possui a qualidade? A Mais de um deputado se xingaram durante a sessão.
resposta indicará como o verbo deverá ficar.
3) Nome próprio no plural: Nos casos em que o artigo se encontrar no plural, o verbo irá
Por exemplo, a frase As instalações da empresa são precárias tem como sujeito “as para o plural.
instalações da empresa”, cujo núcleo é a palavra instalações, pois elas é que são
precárias, e não a empresa; por isso o verbo fica no plural. Ex. Os Lusíadas imortalizaram Camões.
Até aí tudo bem. O problema surge, quando o sujeito é uma expressão complexa, ou Os Estados Unidos se transformaram numa potência mundial.
uma palavra que suscite dúvidas. São os casos especiais, que estudaremos agora:
B) Se for nome de lugar - cidade, estado, país... - o verbo concordará com o artigo; caso
1) Coletivo: Quando o sujeito for um substantivo coletivo, como, por exemplo, bando, não haja artigo, o verbo ficará no singular.
multidão, matilha, arquipélago, trança, cacho, etc., ou uma palavra no singular que
indique diversos elementos, como, por exemplo, maioria, minoria, pequena parte, Ex. Os Estados Unidos comandam o mundo.
grande parte, metade, porção, etc., poderão ocorrer três circunstâncias: Campinas fica em São Paulo.
Os Andes cortam a América do Sul.
A) O coletivo funciona como sujeito, sem acompanhamento de qualquer restritivo:
Nesse caso, o verbo ficará no singular, concordando com o coletivo, que é singular. 4) Qual de nós / Quais de nós: quando o sujeito contiver as expressões ...de nós, ...de
Ex. A multidão invadiu o campo após o jogo. vós ou ...de vocês, deve-se analisar o elemento que surgir antes dessas expressões:
O bando sobrevoou a cidade.
A maioria está contra as medidas do governo. A) Se o elemento que surgir antes das expressões estiver no singular (qual, quem, cada
um, alguém, algum...), o verbo deverá ficar no singular.
B) O coletivo funciona como sujeito, acompanhado de restritivo no plural: Nesse caso, o Ex. Quem de nós irá conseguir o intento?
verbo tanto poderá ficar no singular, quanto no plural. Quem de vós trará o que pedi?
Ex. A multidão de torcedores invadiu / invadiram o campo após o jogo. Cada um de vocês deve ser responsável por seu material.
O bando de pássaros sobrevoou / sobrevoaram a cidade.
B) Se o elemento que surgir antes das expressões estiver no plural (quais, alguns,
A maioria dos cidadãos está / estão contra as medidas do governo. muitos...), o verbo tanto poderá ficar na terceira pessoa do plural, quanto concordar com
o pronome nós ou vós.
C) O coletivo funciona como sujeito, sem acompanhamento de restritivo, e se encontra Ex. Quantos de nós irão / iremos conseguir o intento?
distante do verbo: Nesse caso, o verbo tanto poderá ficar no singular, quanto no plural. Quais de vós trarão / trareis o que pedi?
Ex. A multidão, após o jogo, invadiu / invadiram o campo. Muitos de vocês não se responsabilizam por seu material.
O bando, ontem à noite, sobrevoou / sobrevoaram a cidade.
A maioria, hoje em dia, está / estão contra as medidas do governo. Pronomes Relativos:

Um milhão, um bilhão, um trilhão: Quando o pronome relativo exercer a função de sujeito, deveremos analisar o seguinte:

Com um milhão, um bilhão, um trilhão, o verbo deverá ficar no singular. Caso surja a A) Pronome Relativo que: o verbo concordará com o elemento antecedente.
conjunção e, o verbo ficará no plural. Ex. Fui eu que quebrei a vidraça. (Eu quebrei a vidraça)
Ex. Um milhão de pessoas assistiu ao comício Fomos nós que telefonamos a você. (Nós telefonamos a você)
Um milhão e cem mil pessoas assistiram ao comício. Estes são os garotos que foram expulsos da escola. (Os garotos foram expulsos)

2) Mais de, menos de, cerca de, perto de: quando o sujeito for iniciado por uma dessas B) Pronome Relativo quem: Quando o sujeito é o pronome relativo "quem", utiliza-se o
expressões, o verbo concordará com o numeral que vier imediatamente à frente. verbo na terceira pessoa do singular, ou este concorda com o seu antecedente, ou seja,
é flexionado de acordo com o sujeito.
Ex. Mais de uma criança se machucou no brinquedo. Ex: Fui eu quem trouxe os presentes.
Menos de dez pessoas chegaram na hora marcada. Fomos nós quem respondemos às questões.
Cerca de duzentos mil reais foram surripiados.
Casos especiais de sujeito simples
Quando Mais de um estiver indicando reciprocidade ou com a expressão repetida, o
verbo ficará no plural. A concordância verbal é mais uma dentre as particularidades gramaticais, assim,
devemos nos atentar para a questão de regras e possíveis exceções, e, obviamente,

43 44
colocá-las em prática sempre que necessário. Ex: Fui eu que trouxe a encomenda.
Fomos nós que preparamos o evento.
Além disso, a mesma se faz presente nos conteúdos programáticos pertencentes à
maioria dos concursos e vestibulares. Algo que aparentemente pode parecer # A expressão “um dos que” – De acordo com a linguagem formal:
complicado, torna-se passível de total apreensão mediante a familiaridade com a O verbo permanece no plural.
escrita e aperfeiçoamento de nossos conhecimentos linguísticos.
Ex: Pedro foi um dos alunos que passaram no vestibular.
No intento de aprimorá-los cada vez mais, observaremos a seguir uma relação
composta com casos específicos de sujeito simples: # Porcentagens – No caso de o sujeito ser formado por uma expressão que denote
porcentagem, seguida de substantivo:
# Expressões partitivas – A formação se dá pelo sujeito constituído por uma expressão O verbo concordará com o substantivo.
que denota “parte de algo” (a metade de, a maior parte de, grande parte de, a maioria
de), seguida de um substantivo ou pronome no plural: Ex: 1% da população aprova as medidas tomadas pelo candidato da oposição.
O verbo poderá ser grafado tanto no singular quanto no plural. 50% dos candidatos foram reprovados no concurso federal.

Ex: A maior parte dos funcionários aprovou/aprovaram a decisão. Casos especiais do sujeito composto

# A expressão mais de um – Quando esta vier associada a verbos que retratem Na concordância verbal temos alguns casos que podem gerar dúvidas quanto ao sujeito
reciprocidade: composto e a correta conjugação do verbo.
O verbo necessariamente permanecerá no plural.
Os casos especiais do sujeito composto:
Ex: Mais de um vestibulando se abraçaram durante a comemoração pela vitória.
a) Quando o sujeito composto estiver antes do verbo, esse último ficará no plural.
# Quantidade aproximada – É o caso em que o sujeito é formado por expressões que
indicam quantidade aproximada (cerca de, menos de, mais de, perto de) seguidas de Exemplo: Paola e Pedro gostaram do seu interesse em vender a casa.
numeral e substantivo:
O verbo concordará com o substantivo. b) Quando o sujeito vier depois do verbo, esse último ficará no plural ou com o núcleo do
sujeito que estiver mais próximo ao verbo.
Ex: Mais de um aluno compareceu à entrega dos resultados.
Cerca de aproximadamente mil pessoas participaram da manifestação. Exemplo: Dividiram a comida a mãe, os seus filhos e os amigos de seus filhos.
Dividiu a comida a mãe, os seus filhos e os amigos de seus filhos.
Nomes próprios – a concordância neste caso deverá ser feita levando em consideração
a presença ou ausência do artigo. c) Quando os núcleos do sujeito constituírem uma gradação, o verbo fica no singular.
Com o artigo, o verbo é grafado no plural e sem ele, o verbo é grafado no singular.
Exemplo: O sorriso, a paz, a felicidade fez com que me sentisse muito bem hoje.
Ex: Os Estados Unidos formam a grande potência mundial.
Goiás é um estado bastante acolhedor. d) Quando um pronome indefinido (tudo, nada, ninguém, alguém) resumir os núcleos do
sujeito, o verbo fica no singular.
Pronome interrogativo ou indefinido plural – Quando o sujeito é um pronome
interrogativo ou indefinido plural (quais, quantos, alguns, quaisquer) seguido do Exemplo: As tribulações, o sofrimento, as tristezas, nada nos separa de quem nos ama
pronome pessoal “nós” ou “vós”: e amamos de verdade.
O verbo concordará com o primeiro pronome (na terceira pessoa do plural) ou com o
pronome pessoal. e) Quando o sujeito composto vier ligado por ou:

Ex: Quais de nós são/somos capacitados para realizar esta tarefa? • Ou com sentido de exclusão, o verbo fica no singular.
Alguns de vós tinham/tínheis conhecimento deste caso? Exemplo: Paola ou Pedro virá aqui em casa hoje.

# Pronome relativo “que” – Quando a formação do sujeito se dá pelo pronome relativo • Ou com sentido de adição, o verbo fica no plural.
que: Exemplo: O ingresso ou o ticket são aceitos aqui.
A concordância em número e pessoa se dá com o antecedente do mesmo.
• Ou com sentido de retificação, o verbo concorda com o núcleo mais próximo.

45 46
Exemplo: O professor titular ou os professores concordaram com essa decisão. Exemplo: Paola é a aluna mais aplicada da sala.

f) Quando o sujeito for representado pela expressão “um e outro”, o verbo concorda ou d) Quando o sujeito for uma expressão numérica que dá idéia de conjunto, o verbo ficará
no singular, ou no plural. no singular.
Exemplo: Um e outro aluno fez (fizeram) o trabalho manuscrito.
Exemplo: Quatro horas é pouco tempo para fazer as provas de vestibular.
g) Quando o sujeito for representado por uma das expressões “um ou outro”; “nem um
nem outro”, o verbo fica no singular. e) Quando a oração se iniciar com os pronomes interrogativos (Que, Quem), o verbo
Exemplo: Nem um nem outro fez o trabalho manuscrito. concorda com o sujeito.

h) Quando o sujeito for formado por infinitivos, o verbo fica no singular. Caso os Exemplos: Quem é a pessoa que consegue fazer justiça com as próprias mãos?
infinitivos sejam antônimos, o verbo concorda no plural.
Exemplos: Fumar e beber não traz benefícios ao organismo. f) Quando a oração indicar o dia do mês, o verbo concorda no singular ou no plural,
Subir e descer escadas são ações que todos deveríamos praticar mais. dependerá da intenção.

i) Quando o sujeito composto for ligado por com, o verbo fica ou no singular ou no plural, Exemplos: Hoje é (dia) 11 de setembro. (dia específico)
dependerá da ênfase que se quer dar: ou a algum dos núcleos do sujeito ou aos dois. Hoje são 11 de setembro. (dias decorridos até a data)

Exemplo: O prefeito com seus assessores fizeram uma boa campanha. Os verbos bater, soar e dar
O prefeito, com seus assessores, fez uma boa campanha.
Quando fazem referência às horas do dia, os verbos acima concordam com o número
j) Quando o sujeito apresentar as expressões “nem...nem”, “tanto...como”, de horas.
“assim...como”, “não só...mas também”, o verbo geralmente vai para o plural.
Exemplo: O relógio soou há muito tempo.
Exemplo: Não só o uso de drogas, mas também a companhia errada trazem prejuízos Acabou de dar uma hora, está na hora de irmos.
irreversíveis ao indivíduo.
Os verbos impessoais haver e fazer
k) Quando os núcleos do sujeito são representados por pronomes pessoais do caso
reto, o verbo fica no plural. Os verbos impessoais são aqueles que não admitem sujeito e, portanto, são
flexionados na 3ª pessoa do singular.
1. Eu, tu e ele vamos hoje ao dentista. (nós – plural)
2. Tu e ela ireis ficar bem até o final da manhã. (vós – plural) No sentido de existir ou na idéia de tempo decorrido, o verbo haver é impessoal. Logo, o
3. Ela e ele estudam mais do que o necessário por dia. (eles – plural) verbo ficará no singular.

Casos especiais de alguns verbos Exemplo: Há uma cadeira vaga no refeitório. (sentido de existir)
Há dez dias não faço exercícios físicos. (tempo decorrido)
Há alguns casos de verbos em que a concordância causa dúvidas. Vejamos aqui os Da mesma forma, o verbo fazer no sentido temporal, de tempo decorrido ou de
casos especiais, separadamente: fenômenos atmosféricos é impessoal.

O verbo ser Exemplo: Faz dez dias que não faço exercícios físicos. (tempo decorrido)
Nesta época do ano, faz muito frio.
a) Quando o sujeito é um dos pronomes: o, isto, isso, aquilo, tudo, o verbo ser concorda
com o predicativo: Quando da locução verbal, tanto o verbo haver quanto o verbo fazer exigem que o
auxiliar fique na terceira pessoa do singular.
Exemplo: Tudo era felicidade quando morava na casa do vovô.
Exemplos: Deve haver uma forma de amenizarmos esse problema.
b) Quando o predicativo for um pronome pessoal. Vai fazer dez dias que não faço exercícios físicos.

Exemplo: O presente que comprei hoje é para você. O verbo existir

c) Quando o sujeito for nome de pessoa ou pronome pessoal, o verbo ser concordará Geralmente, o verbo existir concorda com seu sujeito.
com o sujeito.

47 48
Exemplo: Existem muitas pessoas que não gostam de frutos do mar. Primeiro, verificamos qual é o substantivo da oração acima: cavalos. Os termos
modificadores do substantivo “cavalos” são: o numeral “Dois” e o adjetivo “fortes”.
Quando o verbo existir fizer parte de uma locução verbal, o auxiliar concordará com o Esses termos que fazem relação com o substantivo na concordância nominal devem,
sujeito e não com o verbo principal. de acordo com a norma culta, concordar em gênero e número com o mesmo.
Nesse caso, o substantivo “cavalos” está no masculino e no plural e a concordância dos
Exemplo: Devem existir muitas pessoas que não gostam de frutos do mar. modificadores está correta, já que “dois” e “fortes” estão no gênero masculino e no
plural. Observe que o numeral “dois” está no plural porque indica uma quantidade maior
O verbo parecer do que “um”.

Quando o verbo parecer vier seguido de infinitivo, poderá ser flexionado ou no singular Então temos por regra geral da concordância nominal que os termos referentes ao
ou no plural: substantivo são seus modificadores e devem concordar com o mesmo em gênero e
número.
Exemplos: As pesquisas parecem traduzir o que a empresa necessita.
As pesquisas parece traduzirem o que a empresa necessita. Importante: Localize na oração o substantivo primeiramente, como foi feito no último
exemplo. Após a constatação do substantivo, observe o seu gênero e o número. Os
A expressão “haja vista” termos referentes ao substantivo são seus modificadores e devem estar em
concordância de gênero e número com o nome (substantivo).
O verbo haver na expressão “haja vista” pode ser empregado ou no singular ou no plural
(desde que não seja precedido por preposição), contudo, a palavra “vista” permanece Regra geral: adjetivos (nomes ou pronomes), artigos e numerais concordam em gênero
invariável. e número com os substantivos de que dependem:

Exemplos: Haja vista os dados das pesquisas Todos os outros duzentos processos examinados...
Haja vista aos avanços observados pelos pesquisadores.
Todas as outras duzentas causas examinadas...
Hajam vista os dados que observamos.
Alguns casos que suscitam dúvida:
Concordância Nominal
a) anexo, incluso, leso: como adjetivos, concordam com o substantivo em gênero e
Regra Geral: A Concordância Nominal é o acordo entre o nome (substantivo) e seus número:
modificadores (artigo, pronome, numeral, adjetivo) quanto ao gênero (masculino ou Anexa à presente Exposição de Motivos, segue minuta de Decreto.
feminino) e o número (plural ou singular). Vão anexos os pareceres da Consultoria Jurídica.

Exemplo: Eu não sou mais um na multidão capitalista. b) a olhos vistos é locução com função adverbial, invariável, portanto:
Lúcia envelhecia a olhos vistos.
Observe que, de acordo com a análise da oração, o termo “na” é a junção da preposição A situação daquele setor vem melhorando a olhos vistos.
“em” com o artigo “a” e, portanto, concorda com o substantivo feminino multidão, ao
mesmo tempo em que o adjetivo “capitalista” também faz referência ao substantivo e c) possível: em expressões superlativas, este adjetivo ora aparece invariável, ora
concorda em gênero (feminino) e número (singular). flexionado (embora no português, moderno se prefira empregá-lo no plural):
As características do solo são as mais variadas possíveis.
Vejamos mais exemplos: As características do solo são as mais variadas possível.

Minha casa é extraordinária. REGÊNCIA


Regência é, em gramática, sinônimo de dependência, subordinação. Assim, a sintaxe
Temos o substantivo “casa”, o qual é núcleo do sujeito “Minha casa”. O pronome de regência trata das relações de dependência que as palavras mantêm na frase.
possessivo “minha” está no gênero feminino e concorda com o substantivo. O adjetivo Dizemos que um termo rege o outro que o complementa.
“extraordinária”, o qual é predicativo do sujeito (trata-se de uma oração com Numa frase, os termos regentes ou subordinantes (substantivos, adjetivos, verbos)
complemento conectado ao sujeito por um verbo de ligação), também concorda com o regem os termos regidos ou subordinados (substantivos, adjetivos, preposições) que
substantivo “casa” em gênero (feminino) e número (singular). lhes completam o sentido.
Os termos regentes podem ser substantivos e adjetivos (regência nominal) ou verbos
Para finalizar, veremos mais um exemplo, com análise bem detalhada: (regência verbal), e podem reger outros substantivos e adjetivos ou preposições. As
dúvidas mais frequentes quanto à regência dizem respeito à necessidade de
Dois cavalos fortes venceram a competição.

49 50
determinada palavra reger preposição, e qual deve ser essa preposição. Os dicionários Implicar será VTD, quando significar fazer supor, dar a entender; produzir como
são de extrema utilidade para evitarem-se os erros de regência. consequência, acarretar.
Os precedentes daquele juiz implicam grande honestidade.
Regência Verbal Suas palavras implicam denúncia contra o deputado.
A regência estuda a relação existente entre os termos de uma oração ou entre as
orações de um período. Desfrutar e Usufruir são VTD sempre.
Desfrutei os bens deixados por meu pai.
A regência verbal estuda a relação de dependência que se estabelece entre os verbos e Pagam o preço do progresso aqueles que menos o desfrutam.
seus complementos. Na realidade o que estudamos na regência verbal é se o verbo é
transitivo direto, transitivo indireto, transitivo direto e indireto ou intransitivo e qual a Namorar é sempre VTD. Só se usa a preposição com, para iniciar Adjunto Adverbial de
preposição relacionada com ele. Companhia. Esse verbo possui os significados de inspirar amor a, galantear, cortejar,
apaixonar, seduzir, atrair, olhar com insistência e cobiça, cobiçar.
VERBOS TRANSITIVOS DIRETOS Joanilda namorava o filho do delegado.
O mendigo namorava a torta que estava sobre a mesa.
São verbos que indicam que o sujeito pratica a ação, sofrida por outro elemento, Eu estava namorando este cargo há anos.
denominado objeto direto.
Por essa razão, uma das maneiras mais fáceis de se analisar se um verbo é transitivo Compartilhar é sempre VTD.
direto é passar a oração para a voz passiva, pois somente verbo transitivo direto admite Berenice compartilhou o meu sofrimento.
tal transformação, além de obedecer, pagar e perdoar, que, mesmo não sendo VTD,
admitem a passiva. Esquecer e Lembrar serão VTD, quando não forem pronominais, ou seja, caso não
sejam usados com pronome, não serão usados também com preposição.
O objeto direto pode ser representado por um substantivo ou palavra substantivada, Esqueci que havíamos combinado sair.
uma oração (oração subordinada substantiva objetiva direta) ou por um pronome Ela não lembrou o meu nome.
oblíquo.
Os pronomes oblíquos átonos que funcionam como objeto direto são os seguintes: me, VERBOS TRANSITIVOS INDIRETOS
te, se, o, a, nos, vos, os, as.
Os pronomes oblíquos tônicos que funcionam como objeto direto são os seguintes: São verbos que se ligam ao complemento por meio de uma preposição. O complemento
mim, ti, si, ele, ela, nós, vós, eles, elas. Como são pronomes oblíquos tônicos, só são é denominado OBJETO INDIRETO.
usados com preposição, por isso se classificam como objeto direto preposicionado. O objeto indireto pode ser representado por um substantivo, ou palavra substantivada,
uma oração (oração subordinada substantiva objetiva indireta) ou por um pronome
EU PROCURO UM GRANDE AMOR oblíquo.
(VTD) (OD) Os pronomes oblíquos átonos que funcionam como objeto indireto são os seguintes:
me, te, se, lhe, nos, vos, lhes.
Vamos à lista, então, dos mais importantes verbos transitivos diretos: Há verbos que Os pronomes oblíquos tônicos que funcionam como objeto indireto são os seguintes:
surgirão em mais de uma lista, pois têm mais de um significado e mais de uma regência. mim, ti, si, ele, ela, nós, vós, eles, elas.

Aspirar será VTD, quando significar sorver, absorver. EU GOSTO DE BEIJAR


Como é bom aspirar a brisa da tarde. (VTI) (OI)

Visar será VTD, quando significar mirar ou dar visto. Vamos à lista, então, dos mais importantes verbos transitivos indiretos: Há verbos que
O atirador visou o alvo, mas errou o tiro. surgirão em mais de uma lista, pois têm mais de um significado e mais de uma regência.

Agradar será VTD, quando significar acariciar ou contentar. VERBOS TRANSITIVOS INDIRETOS, COM A PREPOSIÇÃO. A:
A garotinha ficou agradando o cachorrinho por horas.
Aspirar será VTI, com a prep. a, quando significar almejar, objetivar..
Querer será VTD, quando significar desejar, ter a intenção ou vontade de, tencionar.. Aspiramos a uma vaga naquela universidade.
Sempre quis seu bem.
Quero que me digam quem é o culpado. Visar será VTI, com a prep. a, quando significar almejar, objetivar.
Sempre visei a uma vida melhor.
Chamar será VTD, quando significar convocar.
Chamei todos os sócios, para participarem da reunião. Agradar será VTI, com a prep. a, quando significar ser agradável; satisfazer
. Para agradar ao pai, estudou com afinco o ano todo.

51 52
Querer será VTI, com a prep. a, quando significar estimar. Regência Nominal
Quero aos meus amigos, como aos meus irmãos. Regência Nominal é o nome da relação entre um substantivo, adjetivo ou advérbio
transitivo e seu respectivo complemento nominal. Essa relação é intermediada por uma
Assistir será VTI, com a prep. a, quando significar ver ou ter direito. preposição.
Gosto de assistir aos jogos do Santos.
Assiste ao trabalhador o descanso semanal remunerado. No estudo da regência nominal, deve-se levar em conta que muitos nomes seguem
exatamente o mesmo regime dos verbos correspondentes.
Custar será VTI, com a prep. a, quando significar ser difícil. Nesse caso o verbo custar
terá como sujeito aquilo que é difícil, nunca a pessoa, que será objeto indireto. Conhecer o regime de um verbo significa, nesses casos, conhecer o regime dos nomes
cognatos.
VERBOS TRANSITIVOS DIRETOS E INDIRETOS
alheio a, de liberal com
São os verbos que possuem os dois complementos - OBJETO DIRETO E OBJETO ambicioso de apto a, para
INDIRETO. análogo a grato a
CHAMEI A ATENÇÃO DO MENINO, POIS ESTAVA CONVERSANDO DURANTE A bacharel em indeciso em
AULA. capacidade de, para natural de
VTDI Objeto Direto Objeto indireto contemporâneo a, de nocivo a
contíguo a paralelo a
Obs.: A expressão Chamar a atenção de alguém não significa repreender, e sim fazer curioso a, de propício a
se notado. Por exemplo: O cartaz chamava a atenção de todos que por ali passavam. falto de sensível a
incompatível com próximo a, de
VERBOS INTRANSITIVOS inepto para satisfeito com, de, em, por
misericordioso com, para com suspeito de
São os verbos que não necessitam de complementação. Sozinhos, indicam a ação ou o preferível a longe de
fato. propenso a, para perto de
hábil em
AS MARGARIDAS MORRERAM.
Exemplos:
Está alheio a tudo.
Está apto ao trabalho.
Gente ávida por dominar.
Contemporâneo da Revolução Francesa.
É coisa curiosa de ver.
Homem inepto para a matemática.
Era propenso ao magistério.

REDAÇÃO OFICIAL

Em uma frase, pode-se dizer que redação oficial é a maneira pela qual o Poder Público
redige atos normativos e comunicações. Para o Corretor de Imóveis, interessa mais
conhecê-la do ponto de vista do Poder Executivo, em função de contatos com
governadores, prefeitos, secretários e outras autoridades que exercem influência no
seu campo de atuação. Mais importante, porém, é valer-se dos ensinamentos aqui
contidos e também recorrer ao “Manual de Redação da Presidência da República”
através do endereço http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/manual/manual.htm

A redação oficial deve se caracterizar pela impessoalidade, uso do padrão culto de


linguagem, clareza, concisão, formalidade e uniformidade. Fundamentalmente esses
atributos decorrem da Constituição, que dispõe, no artigo 37: “A administração pública
direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade,

53 54
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência (...)”. Sendo a publicidade e a Sua característica principal é a agilidade. A tramitação do memorando em qualquer
impessoalidade princípios fundamentais de toda administração pública, claro está que órgão deve pautar-se pela rapidez e pela simplicidade de procedimentos burocráticos.
devem igualmente nortear a elaboração dos atos e comunicações oficiais. Para evitar desnecessário aumento do número de comunicações, os despachos ao
memorando devem ser dados no próprio documento e, no caso de falta de espaço, em
O Manual de Redação da Presidência da República, hoje usado em todas as áreas da folha de continuação. Esse procedimento permite formar uma espécie de processo
administração pública, alerta que as comunicações oficiais são necessariamente simplificado, assegurando maior transparência à tomada de decisões, e permitindo que
uniformes, pois há sempre um único comunicador (o Serviço Público) e o receptor se historie o andamento da matéria tratada no memorando.
dessas comunicações ou é o próprio Serviço Público (no caso de expedientes dirigidos
por um órgão a outro) - ou o conjunto dos cidadãos ou instituições tratados de forma Quanto à sua forma, o memorando segue o modelo do padrão ofício, com a diferença de
homogênea (o público). que o seu destinatário deve ser mencionado pelo cargo que ocupa.

O Ofício BIBLIOGRAFIA
ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS – Dicionário Escolar da Língua Portuguesa –
O ofício é o expediente mais comum em circulação na administração pública e, de 1990 Companhia Editora Nacional, 2008, São Paulo
para cá, estabeleceu-se uma padronização, que se estende ao memorando. Um como BECHARA, Evanildo – Gramática Escolar da Língua Portuguesa – Lucerna, 2003 – Rio
outro contém as seguintes partes: CEREJA, William R. e MAGALHÃES, T.C. – Gramática Reflexiva. Texto, semântica e
interação – Atual, São Paulo, 1999
a) tipo e número do expediente, seguido da sigla do órgão que o expede : NETO, Serafim da Silva. Introdução ao estudo da língua portuguesa no Brasil. 5. ed. Rio
de Janeiro: Presença; Brasília: INL, 1986.
b) local e data em que foi assinado, por extenso, com alinhamento à direita: NISKIER, Arnaldo – “A Língua Portuguesa no Século XXI” -
http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=2454&sid=19
c) assunto: resumo do teor do documento acessado em 10/08/2010
SAID ALI, Manoel. Gramática secundária da língua portuguesa. 3. ed. Brasília: Ed.
d) destinatário: o nome e o cargo da pessoa a quem é dirigida a comunicação. No caso Universidade de Brasília.
do ofício deve ser incluído também o endereço. SHIBAO, Suely - Língua: Instrumento de Comunicação - Biblioteca do Exército Ed. - Rio
1997
e) texto: nos casos em que não for de mero encaminhamento de documentos, o
expediente deve conter a seguinte estrutura:

• introdução, que se confunde com o parágrafo de abertura, na qual é


apresentado o assunto que motiva a comunicação. Evite o uso das formas:
“Tenho a honra de”, “Tenho o prazer de”, “Cumpre-me informar que”,
empregue a forma direta;
• desenvolvimento, no qual o assunto é detalhado; se o texto contiver mais de
uma idéia sobre o assunto, elas devem ser tratadas em parágrafos distintos, o
que confere maior clareza à exposição;
• conclusão, em que é reafirmada ou simplesmente reapresentada a posição
recomendada sobre o assunto.

Os parágrafos do texto devem ser numerados, exceto nos casos em que estes estejam
organizados em itens ou títulos e subtítulos.

Memorando

O memorando é a modalidade de comunicação entre unidades administrativas de um


mesmo órgão, que podem estar hierarquicamente em mesmo nível ou em níveis
diferentes. Trata-se, portanto, de uma forma de comunicação eminentemente interna.
Pode ter caráter meramente administrativo, ou ser empregado para a exposição de
projetos, idéias, diretrizes, etc. a serem adotados por determinado setor do serviço
público.

55 56