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Leitura e Produção de Texto - Nohad Mouhanna Fernandes / Maria Alice de Mello Fernandes- UNIGRAN

Aula
01

A PRÁTICA DE LINGUAGEM
NA VIDA SOCIAL
A linguagem – a fala humana – é uma inesgotável riqueza
de múltiplos valores. A linguagem é inseparável do
homem e segue-o em todos os seus atos. A linguagem
é o instrumento graças ao qual o homem modela o seu
pensamento, seus sentimentos, seus esforços, sua vontade
e seus atos, o instrumento graças ao qual ele influencia e é
influenciado, a base última e mais profunda da sociedade
humana (Louis Hjelmslev)

Caro(a) aluno(a),
A partir de agora, sua curiosidade será despertada para o processo
da construção da comunicação humana. O interesse por esse assunto é muito
importante, pois, no mundo atual, para nos interagirmos em sociedade, nós,
seres humanos, precisamos ter o pleno domínio de diferentes formas de
comunicação. Esse domínio exige que tenhamos conhecimento de como se
processa a comunicação, de quais elementos a estruturam, das diversas formas
de linguagens – verbais e não verbais, das funções da linguagem, enfim, de um
conjunto de conceitos que permitem entender e produzir mensagens que deem
conta de atender às nossas necessidades de comunicação e expressão. Para
esse domínio, portanto, é primordial que você tenha interesse em apreender
a complexidade da linguagem humana, que você esteja disposto a enveredar
pelo universo da linguagem? Então, vamos lá!

Objetivos da aprendizagem

Esperamos que, ao término desta aula, você seja capaz de:

 reconhecer a importância da linguagem e da comunicação nas


atividades humanas, bem como os elementos presentes nesse processo;

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 refletir sobre a linguagem como fenômeno psicológico, educacional,


social, histórico, cultural, político e ideológico.
 reconhecer os diferentes tipos de textos, suas características, elementos,
estrutura, técnicas e as funções de linguagem predominantes;
 ler, analisar, compreender as diferentes linguagens que circulam socialmente.
 entender a língua como um processo de interação que é influenciada
pelas situações comunicativas que cercam sua produção e recepção.
 relacionar o estudo das seis funções da linguagem aos constituintes da
situação comunicativa, aos contextos reais de interação.

Seções de estudo

SEÇÃO 1 – Linguagem e os processos de comunicação


SEÇÃO 2 – A linguagem e suas funções

SEÇÃO 1 - Linguagem e os processos de comunicação

Você já parou para imaginar no que ocorreria se não


possuíssemos linguagem? Já observou que a linguagem é parte
integrante de nossas atividades diárias? Já refletiu sobre o fato de
que uma das diferenças marcantes entre o ser humano e os outros
animais é a faculdade de utilizar uma língua, uma Linguagem?

Talvez você nunca se tenha ques onado a respeito dessas questões, não é
mesmo? O uso da linguagem é visto, pela maioria das pessoas “normais”,
como um fato natural e automá co, como o caminhar, respirar ou o piscar, por
exemplo. No entanto, é primordial que tenhamos consciência da importância da
linguagem na vida social e mental dos indivíduos. Sabe por quê? Porque “tudo o
que o ser humano alcançou de crescimento cultural está ligado à linguagem. Sem
ela, a cultura não exis ria e os conhecimentos não poderiam ser transmi dos de
geração para geração” (CAMPEDELLI, S. Y.; SOUZA. J. B., 1998, p. 10).

Dada a importância do papel desempenhado pela linguagem na vida social,


vamos, a seguir, adentrar nesse maravilhoso mundo da linguagem e da comunicação.

1.1 As formas de comunicação e suas linguagens

Você já se deu conta de quantos são os atos de comunicação que


realizamos durante o nosso dia, desde a hora que levantamos
até a hora de nos deitar? São inúmeros, não é verdade?
Para
RefleƟr

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Você já se deu conta de quantos são os atos de comunicação que


realizamos durante o nosso dia, desde a hora que levantamos até a hora de nos
deitar? São inúmeros, não é verdade?
O ato de comunicar, de estabelecer interação social com outra pessoa
é uma necessidade básica do ser humano. Isso porque somos seres sociais,
vivemos em comunidade. Nas situações sociais de interlocução, contamos
com um instrumento importantíssimo denominado linguagem. A linguagem,
conforme você deve se lembrar, surgiu devido à necessidade do homem de
se comunicar, de viver em sociedade. Seu domínio é relevante tanto para a
aquisição de conhecimentos em qualquer área do saber, como para a participação
dos indivíduos nas mais diversas situações sociais de interlocução.

CONCEITO
A linguagem pode ser definida como todo sistema de sinais
convencionais (sons, letras, cores, imagens, gestos) que nos permite
construir uma interpretação da realidade. Assim, a linguagem é toda
e qualquer forma de expressão utilizada para atender aos nossos
objetivos de comunicação.

Ao longo dos tempos, para expressar pensamentos, sentimentos, ideias,


experiências, visões de mundo, enfim, para atender às diversas situações e intenções
comunicativas o homem foi desenvolvendo diferentes formas de linguagem.
Para exercer atos de comunicação, dispomos de várias possibilidades, ou
seja, de várias linguagens. Vamos conhecê-las?

1.2 Linguagem Verbal


A linguagem verbal está relacionada ao uso das palavras de uma
determinada língua. A LÍNGUA é o código que usa a palavra como sistema
de comunicação, isto é, é um sistema de sons vocais ou um conjunto de signos
e combinações utilizado por um povo (o conceito de signo será visto abaixo).
Ao fazermos uso da língua portuguesa, por exemplo, tanto na forma oral como
na forma escrita, usamos a linguagem verbal. Assim, a linguagem verbal
desenvolve-se por meio de um sistema ou código de comunicação, que é a língua.
É importante que você perceba que formulamos os nossos textos orais ou escritos
por meio de palavras (signos verbais) e estas são organizadas segundo as regras
estabelecidas pelo sistema ou pela língua. De todas as linguagens utilizadas pelo
homem, a linguagem verbal é a forma de comunicação mais importante ou a mais
usual, pois sua potencialidade criativa é imensa. Mediante a palavra falada ou
escrita, externamos as nossas ideias e pensamentos, influenciamos, convencemos,
divertimos, ensinamos, emocionamos, agimos etc. Assim, esse código verbal (a
língua portuguesa) é imprescindível na comunicação entre as pessoas. Ele está

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presente nos textos orais e escritos, tais como nas reportagens de jornais e revistas,
nas obras literárias e científicas, nos vários tipos de discurso, enfim, sempre que
falamos com alguém, quando lemos, quando escrevemos.

Fonte: Griffi, Beth. Português 1. São Paulo: Moderna, 1991, p. 29

Margarida Petter (2003, p. 11) associa a palavra — a


linguagem verbal — ao poder mágico que o homem tem não só de
“nomear/criar/transformar o universo real, mas trocar experiências,
falar sobre o que existiu, poderá vir a existir, e até mesmo imaginar o
que não precisa nem pode existir.”
A comunicação pela língua oral e escrita é uma das características que
diferenciam o ser humano de outros seres do reino animal.

1.3 Linguagem não verbal


Embora a linguagem verbal seja a dominante em nosso cotidiano,
usamos, também, outras linguagens não menos relevantes para a comunicação,
como os desenhos, a dança, os sons, os gestos, a expressão fisionômica, as cores,
a mímica, as imagens, os sinais, a postura etc. Dizemos, então, que estamos
usando a linguagem não verbal.
Veja:

Na figura ao lado, está claro que é proibido fumar em


um determinado local. A linguagem u lizada é a não
verbal, pois não u liza do código "língua portuguesa"
para transmi r que é proibido fumar.

Na figura ao lado, percebemos que o semáforo


nos transmite a ideia de atenção. De acordo com
a cor apresentada no semáforo, podemos saber se
é permi do seguir em frente (verde), se é para ter
atenção (amarelo) ou se é proibido seguir em frente
(vermelho) naquele instante.
Disponível: www.brasilescola.com/redacao/linguagem.php

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Observe que as imagens acima não usam palavras. Ainda assim, nós
temos uma linguagem, a linguagem não verbal, pois fomos capazes de decifrar as
mensagens a partir das imagens.

Tanto a linguagem verbal quanto a não verbal , conforme você


deve ter percebido, expressam sen dos. O que as dis ngue
é que enquanto “na primeira, os signos são cons tuídos dos
sons da língua (por exemplo, mesa, fada, árvore), nas outras
Para exploram-se outros signos, como as formas, a cor, os gestos, os
RefleƟr sons musicais, etc.” (PLATÃO E FIORIN, 2002, p. 371).

(Alfabeto manual dos surdos-mudos – Exemplo de linguagem não verbal)

Você já deve ter ouvido o provérbio chinês “uma imagem vale mais do que mil
palavras”, não é mesmo? Platão e Fiorin (2002, p. 375) dizem que “assim como se
aprende a ler um texto verbal, também se pode aprender a ler um texto não verbal”.

É importante destacar que, nos dias atuais, vários fatores, como a maneira de se
ves r, de sentar, a postura, o comportamento social vêm sendo estudados como
formas não verbais de comunicação entre as pessoas.

1.4 Linguagem mista


É muito comum serem utilizadas,
simultaneamente, as linguagens verbal e não verbal,
como acontece nas histórias em quadrinhos, nos textos
publicitários, no cinema e na televisão. Trata-se aí da
linguagem mista, a que utiliza a imagem e a palavra ao
mesmo tempo. Enquanto a linguagem verbal é linear, ou seja, tanto na fala quanto
na escrita os signos ou palavras não se superpõem, sendo constituídos uns após
os outros, etapa por etapa em uma sequência organizada, a linguagem não verbal,
a imagem, é captada de forma imediata e global por meio de nossos olhos, pela
percepção visual. É o que acontece quando visualizamos um quadro, por exemplo.
Na prática, a linguagem verbal e a não verbal se complementam, e fazem com que
a comunicação humana se torne muito mais rica. Você concorda com isso, não é?

1.5 Signo
Em todo tipo de comunicação, verbal ou não verbal, o elemento utilizado
para representar o objeto referente da mensagem é chamado signo.

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CONCEITO
Existem várias concepções de signo. No entanto, de forma simples,
pode ser definido como um elemento intermediário que substitui
outro, algo que representa algo, podendo ser, assim, qualquer objeto,
som ou palavra que possa ser interpretado ou que signifique algo da
realidade. De acordo com Francis Vanoye (2002, p. 21), “signo é a
menor unidade dotada de sentido num código dado”.

Preste atenção ao que vamos dizer agora: o signo é a unidade formada


por um estímulo físico (sons, letras, imagens, gestos, etc.) e uma ideia ou conceito
mental. O estímulo físico/parte material é o significante e a ideia que vem à
mente é o significado. Significante e significado integram a mesma unidade, que
é o signo. Podemos representá-lo graficamente do seguinte modo:

Significante
SIGNO =
Significado

?
VOCÊ
SABIA No processo de comunicação, várias coisas podem ser signos, mas desde
que sejam resultantes de uma convenção ou aceitação social. Para que
interpretemos esses signos como unidades funcionais que integram
um determinado sistema estruturado, faz-se necessário conhecer o
que eles representam, qual é o seu valor simbólico, e isso pode variar
de acordo com a cultura já que há diferentes visões de mundo e formas
de interpretar a realidade.

Em outros termos, é preciso entender a que determinado signo faz


referência. Por exemplo, relacionar a cor vermelha (significante), nos sinais de
trânsito, à proibição para prosseguir (significado); a abóbora com os olhos, o nariz
e a boca (significante) ao Dia das Bruxas, do Halloween (significado); uma tarja
preta na lapela (significante) ao luto (significado); o desenho de uma caveira nos
fios de alta tensão (significante) ao perigo de vida (significado); a seta cortada por
uma barra oblíqua (significante), na sinalização rodoviária, à “direção proibida”
(significado). O que dissemos pode ser visualizado na ilustração a seguir:

Mensagem Significante
(es mulo sico)
Signo
Significado
(ideia, conceito) Direção proibida

Até agora, falamos de signos que integram a comunicação visual ou a


linguagem não verbal. Você percebeu isso? Acontece que dissemos, anteriormente,

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que a linguagem verbal (oral e escrita) é a forma de comunicação mais presente


em nosso cotidiano, Assim, a língua portuguesa é o código mais utilizado por
nós. Esse código tem como unidade mínima o signo linguístico, que se refere a
uma representação da realidade por meio da palavra.
Veja bem! Quando falamos em signo linguístico/verbal, estamos nos
referindo a uma representação da realidade por meio da palavra.
Na obra fundadora da ciência Linguística, chamada Curso de Linguística
Geral, seu autor, Ferdinand de Saussure (2000, p. 80), descreveu um signo “como
uma combinação de um conceito com uma imagem acústica” /ou imagem sonora.
Segundo esse autor, “o signo linguístico une não uma coisa e uma palavra, mas um
conceito e uma imagem acústica. Esta não é o som material, coisa puramente física,
mas a impressão psíquica desse som.” Esse linguista e filósofo suíço explica que
uma imagem acústica/sonora é algo mental porque podemos falar conosco ou recitar
um poema mentalmente sem ao menos movermos os lábios, ainda que, geralmente,
as imagens sonoras sejam produzidas nos processos interativos de comunicação.
Explicados esses conceitos, podemos dizer que um signo linguístico é um elemento
representativo que apresenta dois aspectos que se unem: um significante e um
significado, inseparáveis, assim como cara e coroa se unem para formar a moeda.

Ao ouvir a palavra caneta, você reconhece os sons que a formam. Esses


sons são o significante do signo caneta. Ao ouvir essa palavra, você logo
mentaliza a ideia de caneta. Esse conceito, utensílio para escrever ou
desenhar à nta, é o significado do signo caneta. A palavra caneta não
é o objeto caneta, que pode estar distante de nós, mas quando ouvimos
ou lemos essa palavra nos vem à mente a imagem desse objeto.

C-a-s-a (letras) Significante


Casa
Significado

O signo é convencional e arbitrário: convencional porque, segundo


Vanoye (2002, p. 22), “entre o significante e o significado não há outro liame
senão o proveniente de um acordo implícito ou explícito entre os usuários de uma
mesma língua”. Arbitrário porque “não há qualquer relação entre a representação
gráfica ou som de uma palavra e o objeto designado”.

Ao empregar os signos que formam a nossa língua, você deve


obedecer a certas regras de organização que a própria língua lhe
oferece. A sequência um caneta bonito contraria uma regra de
organização da língua portuguesa, o que faz com que a rejeitemos,
assim como o enunciado da ra a seguir.

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E então? Com o exemplo acima, você deve ter percebido que, para termos
conhecimento de uma língua, não basta identificarmos os seus signos, precisamos
também conhecer seguramente as suas regras combinatórias, a sua sintaxe, ou
seja, a organização de seus signos.

1.6 O processo de comunicação


Vamos conhecer os elementos que integram os incontáveis atos de
comunicação que realizamos diariamente? São seis os elementos envolvidos no
processo de comunicação, conforme o seguinte esquema:

Contexto

Emissor Mensagem Receptor

Código

Preste atenção! Quando vamos ler ou produzir um texto, devemos levar


em conta: quem, como, quando ou para que (se) faz uso da língua, ou seja, as
interferências comunicativas que cercam sua produção e recepção. O que estamos
querendo dizer é que não podemos desconsiderar as situações concretas de uso
da linguagem e, então, os seis elementos da comunicação precisam ser estudados
nos contextos reais de interação, certo? Isso vale para qualquer gênero textual,
que são os textos produzidos nas inúmeras situações sociais de uso da linguagem.

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Muito bem! Voltemos, então, à explicação do processo de comunicação.


Baseado no esquema ilustrado, é fácil observar como a comunicação acontece:
um remetente, ao querer se relacionar com um destinatário, envia a ele uma
mensagem,que é transmitida por meio de um canal de comunicação. Essa mensagem
possui um referente e é expressa por meio de um código comum a ambos.

O código é um sistema de normas e regras que, delimitando o uso de signos,


organiza-os para que se tornem comuns aos grupos. É um conjunto organizado
(sistema) de sons, signos, sinais ou símbolos, que se destina a representar e
transmitir informações a alguém, permitindo, assim, a construção e a compreensão
de mensagens A língua que falamos, por exemplo, é um código. É nesse código
lingüístico que vamos buscar os signos (palavras e estruturas) com que nos
comunicamos verbalmente. As cores e desenhos das placas de sinalização formam
um código internacional, que diz o que é permitido ou proibido fazer no trânsito.
E o braile, não seria outro exemplo? É claro, trata-se do código dos cegos. (...) Os
códigos não somente verbais, como os idiomas, jargões profissionais, as gírias
dos adolescentes. Há também códigos visuais (como o trânsito), códigos cinéticos
(de movimentos, como a dança), sonoros (música, sinais de trânsito.
(SENAC, DN. Comunicação verbal e não verbal. Lenira Alcure; Maria N.S. Ferraz;
Rosane Carneiro. Rio de Janeiro: Ed. Senac Nacional, 1996, p. 19)

referência a um objeto ou a um contexto, a uma situação a que a mensagem se


refere

a via de circulação das mensagens, o meio de comunicação/o meio físico/o suporte/o


veículo: carta, bilhete, e-mail, telefone, televisão, placas, desenhos, fotografias, língua
oral ou escrita sons diversos.
De acordo com Francis Vanoye (2002, p. 2), de maneira geral, as mensagens circulam
por meio de dois principais meios:
• meios sonoros: voz, ondas sonoras, ouvido (mensagens sonoras, palavras, músicas,).
• meios visuais: excitação luminosa, percepção da retina ( mensagens visuais:
empregam-se as imagens (desenhos, fotografias = mensagens icônicas) ou os
símbolos (a escrita ortográfica: mensagem simbólica).
Além das mensagens sonoras e visuais, temos ainda as mensagens tácteis
(recorrem aos choques, pressões, aperto de mão, trepidações, etc.) e as
mensagens olfativas (utilizam odores, um perfume, por exemplo.). Essas só
constituem mensagens se veicularem, por vontade do destinador, uma ou várias
informações dirigidas a um destinatário.

os signos organizados e estruturados que produzem o sentido da


comunicação, o objeto da comunicação ou o conteúdo das informações
transmitidas com intenção comunicacional.

o receptor dos signos - aquele que recebe e decodifica a mensagem.

o emissor dos signos - um indivíduo, um grupo, uma firma, um órgão de difusão, etc.

Assim, quando você constrói um texto, considerado como qualquer


material organizado que veicula sentidos (portanto, verbal, não verbal ou misto),
precisa ter em mente que escreve com uma determinada finalidade para alguém

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ler. Nesse caso, quem escreve a mensagem (o texto) é o emissor (você) e a quem a
mensagem é direcionada é o receptor (o professor, por exemplo). O elemento que
conduz o discurso ou a mensagem é o canal (nesse caso, o papel). Essa mensagem
pode expor um fato, falar sobre um objeto ou uma situação, expor juízos ou
raciocínios sobre algo, ou seja, possui um referente. Por fim, a língua que você
usa (a língua portuguesa, por exemplo) constitui o código.

Pelo que você viu até aqui, foi possível notar que o ato de se comunicar
é um ato social e, como tal, as diversas manifestações cotidianas e culturais são
realizadas por meio da interação pela linguagem. Sendo assim, o conhecimento
dos elementos da comunicação assegura a eficácia da mensagem. Isso porque

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você, ao emitir a sua mensagem e posicionar-se por meio dela, tem uma intenção
e pretende agir, provocar efeito sobre o outro. Assim, escolherá um assunto, um
código e suas possíveis combinações e o meio pelo qual ela chegará ao interlocutor
para provocar os efeitos desejados.

1.7 Problemas gerais da comunicação


Leia o delicioso texto seguinte:

COMUNICAÇÃO

É importante saber o nome das coisas. Ou, pelo menos, saber comunicar o que você
quer. Imagine-se entrando numa loja para comprar um... um... como é mesmo o
nome?
- Posso ajudá-lo, cavalheiro?
- Pode. Eu quero um daqueles, daqueles...
- Pois não?
- Um... como é mesmo o nome?
- Sim?
- Pomba! Um... um... Que cabeça a minha. A palavra me escapou por completo. É
uma coisa simples, conhecidíssima.
- Sim, senhor.
- Olha, é pontuda, certo?
- O quê, cavalheiro?
- Isso que eu quero. Tem uma ponta assim, entende? Depois vem assim, assim,
faz uma volta, aí vem reto de novo, e na outra ponta tem uma espécie de encaixe,
entende? Na ponta tem outra volta, só que esta é mais fechada. E tem um, um...
Uma espécie de, como é que se diz? De sulco. Um sulco onde encaixa a outra ponta,
a pontuda, de sorte que o, a, o negócio, entende, fica fechado. É isso. Uma coisa
pontuda que fecha. Entende?
- Infelizmente, cavalheiro...
- Ora, você sabe do que eu estou falando.
- Estou me esforçando, mas...
- Escuta. Acho que não podia ser mais claro. Pontudo numa ponta, certo?
- Se o senhor diz, cavalheiro.
- Como, se eu digo? Isso já é má vontade. Eu sei que é pontudo numa ponta. Posso
não saber o nome da coisa, isso é um detalhe. Mas sei exatamente o que eu quero.
- Sim, senhor. Pontudo numa ponta.
- Isso. Eu sabia que você compreenderia. Tem?
- Bom, eu preciso saber mais sobre o, a, essa coisa. Tente descrevê-la outra vez.
Quem sabe o senhor desenha para nós?
- Não. Eu não sei desenhar nem casinha com fumaça saindo da chaminé. Sou uma
negação em desenho.
- Sinto muito.
- Não precisa sen r. Sou técnico em contabilidade, estou muito bem de vida. Não
sou um débil mental. Não sei desenhar, só isso. E hoje, por acaso, me esqueci do
nome desse raio. Mas fora isso, tudo bem. O desenho não me faz falta. Lido com
números. Tenho algum problema com os números mais complicados, claro. O oito,
por exemplo. Tenho que fazer um rascunho antes. Mas não sou um débil mental,
como você está pensando.
- Eu não estou pensando nada, cavalheiro.
- Chame o gerente.

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- Não será preciso, cavalheiro. Tenho certeza de que chegaremos a um acordo. Essa
coisa que o senhor quer, é feita de quê?
- É de, sei lá. De metal.
- Muito bem. De metal. Ela se move?
- Bem... É mais ou menos assim. Presta atenção nas minhas mãos. É assim, assim,
dobra aqui e encaixa na ponta, assim.
- Tem mais de uma peça? Já vem montado?
- É inteiriço. Tenho quase certeza de que é inteiriço.
- Francamente...
- Mas é simples! Uma coisa simples. Olha: assim, assim, uma volta aqui, vem vindo,
vem vindo, outra volta e clique, encaixa.
- Ah, tem clique. É elétrico.
- Não! Clique, que eu digo, é o barulho de encaixar.
- Já sei!
- Ó mo!
- O senhor quer uma antena externa de televisão.
- Não! Escuta aqui. Vamos tentar de novo...
- Tentemos por outro lado. Para o que serve?
- Serve assim para prender. Entende? Uma coisa pontuda que prende. Você enfia a
ponta pontuda por aqui, encaixa a ponta no sulco e prende as duas partes de uma
coisa.
- Certo. Esse instrumento que o senhor procura funciona mais ou menos como um
gigantesco alfinete de segurança e ...
- Mas é isso! É isso! Um alfinete de segurança!
- Mas do jeito que o senhor descrevia parecia uma coisa enorme, cavalheiro!
- É que eu sou meio expansivo. Me vê aí um... um... Como é mesmo o nome?

(VERÍSSIMO, Luís Fernando. Comunicação, In: Amor brasileiro. Rio de Janeiro: José
Olympio, 1977, p. 143-145)

Vamos conversar a respeito do texto lido?


Como você deve ter percebido, ambos os personagens estavam
utilizando o mesmo código linguístico – a língua portuguesa. No entanto, não
houve comunicação perfeita desde o início do diálogo. Por que isso ocorreu?
Ora, pelo fato de o comprador ter se esquecido do nome do objeto que desejava
comprar. O tipo de comunicação apresentada no texto foi a bilateral, já que, por
ser dialógica, houve alternância de papéis entre emissor e receptor. Quanto ao
canal de comunicação utilizado entre o comprador e o vendedor, observamos
que, além da fala, o comprador utilizou-se de gestos para se fazer entender, ou
seja, uniu a fala (linguagem oral) aos gestos (linguagem não verbal), num esforço
de reforçar a sua mensagem. Na situação comunicativa relatada no texto, ocorreu
um ruído (que será estudado logo abaixo), devido ao comprador não ter sido
claro ou eficiente e não ter conseguido transmitir o referente da mensagem – o
alfinete de segurança, o elemento que permitiria aos falantes entenderem-se e,
assim, obterem êxito no contexto de compra e venda.

?
? A esta altura, você já deve ter se convencido de que a comunicação
só se realiza quando todos os seus elementos funcionam
apropriadamente, não é?

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Sendo assim, se o receptor não capta ou não compreende a mensagem,


como ocorreu no texto lido, a comunicação não se realiza. O fato de apenas receber
a mensagem não implica, necessariamente, decodificá-la e compreendê-la: a
comunicação só se realiza efetivamente se a mensagem tiver sido compreendida,
decodificada, interpretada, traduzida em informações significativas. É útil dizer,
também, que a atribuição de significados pelo interlocutor depende de sua competência
de leitura e da relação com os seus conhecimentos prévios, sua ideologia, cultura,
contextualização, etc. O conhecimento do código utilizado, por sua vez, é também de
fundamental importância para se estabelecer uma comunicação eficaz entre emissor e
receptor, pois, caso contrário, a comunicação será apenas parcial ou nula.
Veja este exemplo apresentado por Andrade e Henriques (1999, p. 21):

Uma classe em que os alunos têm por língua materna o português é convidada
para assis r a uma conferência pronunciada em inglês. Ocorre que alguns alunos
dominam perfeitamente o inglês, outros dominam rela vamente e os restantes
não conhecem essa língua. Os que dominam plenamente o inglês (código)
compreenderão as palavras do conferencista; portanto, a comunicação será plena.
Para aqueles que conhecem rela vamente o código, a comunicação será parcial.
Os que não conhecem a língua, obviamente, não par ciparão do processo de
comunicação. Por outro lado, se o referente daquela conferência em inglês for
muito complexo, mesmo com os alunos que dominam perfeitamente o código não
será possível estabelecer comunicação. Da mesma forma, se alunos de um curso de
Administração fossem assis r a uma aula sobre um assunto específico de Medicina,
a comunicação não se realizaria, pois haveria “ruído” em relação ao referente, ao
conteúdo ou assunto da comunicação.

Simples, não acha? Não basta que o código seja comum ao emissor e ao
receptor para que se realize uma comunicação perfeita; por exemplo, dois brasileiros
não possuem necessariamente a mesma riqueza de vocabulário, nem o mesmo
domínio da sintaxe, nem o mesmo repertório. A interação por meio da linguagem só
se realiza quando todos os seus elementos funcionam adequadamente. Só podemos
dizer que houve comunicação quando conseguimos nos fazer entender, quando
nossa mensagem fica clara ao receptor, chegando a ela sem ruídos.
Tenho certeza de que, agora, você já sabe o que significa ruído? É
qualquer fator que perturbe, confunda ou interfira na qualidade da comunicação.
A partir dessas explicações, você deve ter notado que o termo ruído,
numa situação comunicativa, não tem a ver apenas com as perturbações de ordem
sonora; refere-se, também, às interferências de ordem física (dificuldade visual,
letra ilegível, mancha numa folha etc), psicológica (estresse, falta de atenção,
impaciência, aspereza etc.) ou cultural (diferenças de nível social, desconhecimento
do código, erros ortográficos e gramaticais, etc.) (BLIKSTEIN, 2002)

Pelo termo técnico ruído, designa-se tudo o que afeta, em graus diversos, a transmissão da mensagem:
voz muito baixa ou encoberta pela música, falta de atenção do receptor, erros de codificação,
mancha numa tela, etc. O ruído pode provir: do canal de comunicação, do emissor ou do receptor, da
mensagem (insuficientemente clara) ou do código (mal adaptado à mensagem).
VANOYE, F. Usos da linguagem: problemas e técnicas na produção oral e escrita. 11 ed. São Paulo:
Martins Fontes, 2002, p. 8)

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Fonte: Griffi, Beth. Português 1. São Paulo: Moderna, 1991.

Dificilmente a comunicação está isenta de ruídos, por isso, de acordo com


Vanoye (2002), para combatê-los, pode-se utilizar o recurso da redundância.
Considera-se redundante todo elemento da mensagem que não traz nenhuma
informação nova, mas garante sua eficácia, uma vez que compensam as perdas de
informações causadas pelos ruídos (observe que não estamos falando de pleonasmo
vicioso, que é um vício da linguagem, como, por exemplo, o uso da expressão
subir para cima, descer para baixo). Um exemplo de recurso da redundância da
que estamos falando (repetição da informação) seria unir o gesto à palavra para
reforçar as nossas mensagens. Também, “a repetição de um signo visual, como
ocorre em estradas, onde uma placa indicativa de alerta aos motoristas é inserida
várias vezes em intervalos pequenos para que, caso o motorista não tenha visto a
primeira, perceba a segunda e decodifique a mensagem”.

SEÇÃO 2 - A linguagem e suas funções

Você já observou que, quando organizamos os nossos discursos, escolhemos as palavras


e expressões que nos interessam e as combinamos em vista de transmi r certo conteúdo,
de acordo com o contexto e nossa intenção?

Nesse caso, consideramos as características sociais e psicológicas do


receptor a fim de alcançarmos nossas finalidades e obtermos sucesso com nossos
textos. Assim, a linguagem pode desempenhar diversos papéis, ou seja, nossos
discursos podem ter diferentes finalidades, diferentes objetivos, diferentes funções.
Ora, não é difícil verificar isso quando observamos os textos a nossa volta.
Por exemplo: qual o objetivo em uma propaganda comercial? É claro que é convencer
o receptor a consumir determinado produto. E em uma declaração de amor? Expressar
os sentimentos. E em uma notícia de jornal? Informar algo de maneira precisa e
objetiva. E assim por diante... O que podemos concluir, então, é que uma poesia, uma
propaganda, um verbete de dicionário, uma notícia de jornal, uma carta comercial,
enfim, apresentarão características distintas, uma vez que possuem finalidades
diferentes. A essas diferentes finalidades chamamos funções da linguagem.

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Então, quais são as funções fundamentais da linguagem?

Vimos, anteriormente, os seis elementos que participam do processo de


comunicação (emissor, receptor, mensagem, canal, código e referente). O linguista
russo Roman Jakobson distinguiu seis funções da linguagem: referencial,
emotiva, conativa, fática, poética e metalinguística, relacionando cada uma Roman Osipovich
Jakobson
delas a um dos seis elementos básicos do processo comunicativo. Dessa forma, em (11/10/1896 –
18/07/1982) foi um
cada texto, dependendo de sua finalidade, vamos observar que se destaca um dos pensador russo que
se tornou num dos
elementos da comunicação, e, por conseguinte, uma das funções da linguagem. maiores linguistas
do século XX e
pioneiro da análise
estrutural da
E então, caro(a) aluno(a), vamos estudar cada uma das seis funções da linguagem, poesia
e arte. Foi chamado
linguagem propostas por Roman Jakobson? de "o poeta
da linguística"
por Haroldo de
Campos, sendo
o criador das
Tenho certeza de que você irá entender com facilidade. Vamos lá! famosas funções
de linguagem
funções da
linguagem.
2.1 Função Referencial: predomínio da informação Origem: Wikipédia,
a enciclopédia livre.
Leia o seguinte texto:

“Pesquisa realizada pelo setor imobiliário da cidade de Dourados revela o expressivo


aumento de obras na cidade, com diversos prédios novos ou em fase de acabamento.
Esse crescimento repen no, segundo as imobiliárias, deve-se à procura de imóveis,
apartamentos e kitnetes pelos estudantes de outros municípios que se instalam na
cidade e, com isso, incrementam o ramo imobiliário”. (Adaptado do Jornal O Progresso)

Também chamada de Denotativa, Cognitiva ou Informativa, a função


referencial apresenta uma orientação para o contexto, para o referente. O emissor
a utiliza quando tem a intenção de apenas transmitir alguma informação sobre
a realidade, passar alguma notícia, não permitindo mais de uma interpretação.

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Para isso, escolhe uma linguagem clara, objetiva, sem ambiguidades, sem ruídos
de comunicação, sem comentários pessoais e juízos de valor. O uso da função
referencial da linguagem é uma das dominantes no discurso científico, nos
noticiários de rádio e televisão etc. Marca-se, linguisticamente, com o traço da 3ª
pessoa do verbo, ou seja, de quem ou do que se fala. É o que acontece na notícia
lida acima, cujo objetivo é informar aos leitores do jornal sobre o crescimento do
setor imobiliário na cidade de Dourados, informação fornecida de maneira direta,
precisa e denotativa e em terceira pessoa. O texto a seguir, com um conteúdo
essencialmente informativo, é mais um exemplo dessa função:

Cientistas acham que Marte já teve vida


LONDRES – Cientistas que acreditam ter havido vida em Marte disseram ser
possível que haja pequenos organismos na superfície do planeta. “Quanto
mais aprendemos sobre as condições extremas da Terra, mais achamos ser
possível ter havido vida em Marte”, disse Paul Davies, da Universidade de
Adelaide. (O Estado de S. Paulo, 31 jan. 1996.)

Para que você entenda melhor a função referencial, que serve de base
para todos os textos, é necessário distinguir o sentido denotativo do conotativo.
Lembra-se de que quando tratamos de signos linguísticos dissemos que ele é uma
unidade formada por um significante e um significado? Muito bem! Observe,
então, o significante da palavra ferro nas frases seguintes.

a) O portãozinho do jardim é de ferro.


b) João tem uma vontade de ferro.

Certamente você deve ter notado que, embora seja o mesmo significante,
há uma diferença de significados. Na primeira frase, a palavra ferro tem o sentido
literal, ou seja, aquele que corresponde à primeira significação atribuída à palavra nos
dicionários de língua portuguesa (= metal). É o sentido denotativo ou referencial, o
sentido próprio da palavra, ou ainda, o sentido comum, normal, usual, previsível da
palavra, que não necessita de um contexto para ser interpretada como sendo um metal.
Na frase b, a palavra ferro apresenta sentido figurado ou conotativo, pois
seu sentido não é tomado literalmente, mas é ampliado e modificado para obter
um efeito particular, em um contexto específico de interlocução. Como se pode
notar, houve alteração criativa e pessoal do significado cristalizado da palavra
ferro, que passou a apresentar uma relação de sentido entre a firmeza, a rigidez
da vontade de João e a do ferro, portanto, um sentido paralelo, associativo que só
pode ser esclarecido pelo contexto.

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Lembre-se de que o sentido conotativo não deve ser


usado nos textos com função da linguagem referencial
ou informativa, certo?

Perceba o sentido denotativo e conotativo nas frases abaixo:

a) O burro auxilia o homem.


b) Que garoto burro!

2.2 Função emotiva – Expressão centrada no emissor


Observe os dois textos a seguir:

“Felizmente aprendi a ser empreendedor. Foi um trabalho muito árduo: suei,


sofri, chorei, mas consegui e, hoje, sou feliz. Transformo minhas ideias em
negócios lucra vos para minha empresa e não tenho mais medo de inovar. Não
temo os desafios, pois tenho coragem de lutar para alcançar meus obje vos.”

“Não havia mo vo para prolongar a vida daquele feto... E, então, fiz o aborto
com autorização judicial. Oh! Fiquei arrasada e sen uma tristeza tão profunda
que me levou à depressão. O que quero, agora, é voltar a ver os pássaros voando
e não mais chorar.”

A função emotiva, também chamada expressiva está centrada no próprio


emissor e tem como objetivo manifestar as emoções, estado de espírito, sentimentos
e opiniões de quem fala. É isso o que ocorre nos textos acima. A função emotiva ATENÇÃO!
Vários autores
caracteriza-se pelo uso da primeira pessoa do discurso (expressa pela desinência destacam
que textos
do verbo, pelos pronomes), das interjeições, dos sinais de pontuação, tais como aparentemente
referenciais, que
exclamação e reticências, dos adjetivos que mostram o ponto de vista do emissor, de não apresentam
características da
alguns advérbios. Esta função “implica, sempre, uma marca subjetiva de quem fala, função
como
emotiva,
artigos
no modo como fala” (CHALHUB, 1990, p. 18). Por meio da linguagem, o falante críticos, relatórios,
editoriais de
posiciona-se em relação ao tema de que está tratando, manifesta o seu estado de jornais e revistas,
podem ser
alma, as suas emoções, os seus afetos, seus sentimentos e impressões a respeito de caracterizados pela
função emotiva,
um assunto ou pessoa: solidão, medo, triunfo, alegria, dor, ódio, susto, amor, etc. A ao lado da função
informativa do
função emotiva revela, portanto, o estado emocional do falante perante o objeto de texto. Isso devido
à clara posição do
comunicação, ou seja, há indícios naquilo que se fala que expressam o seu mundo emissor perante
o que escreve,
íntimo e emocional. Os depoimentos, as entrevistas, os livros autobiográficos, de devido às marcas
deixadas no texto,
memórias, de poesias líricas, bilhetes e cartas de amor, canções sentimentais, etc. como a escolha
das palavras, por
são mensagens caracterizadas pela função emotiva ou expressiva. exemplo.

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2.3- Função conativa – Persuadir o receptor


Observe estes textos:

“COMPRE AQUI E CONCORRA A ESTE LINDO CARRO."

Quando a mensagem está orientada para o destinatário (receptor), como


ocorre nos textos acima, trata-se aí da função conativa. A função conativa é também
chamada de apelativa. Visa a influenciar o comportamento do interlocutor,
Esta palavra tem
sua origem no
atuando sobre o seu modo de agir ou de pensar, seduzindo-o, convencendo-o
termo
que
conatum,
significa
ou persuadindo-o. Marca-se, gramaticalmente, pela presença de formas verbais
“tentar influenciar
alguém através de
no imperativo (compre, concorra), do vocativo (termo que serve para invocar,
um esforço”. chamar um ouvinte) e pela presença da segunda pessoa (você).
A função conativa é predominante nos textos injuntivos ou instrucionais
(injuntivo é sinônimo de “obrigatório”, “imperativo”): linguagem publicitária
(propaganda), textos argumentativos, discursos religiosos e políticos, horóscopos,
livros de autoajuda, receitas culinárias (modo de fazer), discursivos persuasivos
- aqueles que impõem, que esperam determinados comportamentos do receptor.

“NA HORA DE CONSTRUIR, CONTE COM A FW. SÓ ELA TEM O QUE VOCÊ QUER
NO MOMENTO EM QUE VOCÊ PRECISA.”

2.4 Função fática - O estabelecimento do contato


Observe casos da função fática:

1) Comunicação telefônica...
- Como vai?
- Tudo bem!
- Claro, sem dúvida...

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- Sabe... hum!..., hum!, tá me entendendo?


- Claro! É isso aí.
- Alô, está me ouvindo?
- Ahn?
- Tá me ouvindo?
- Pouco.
- Ligo depois, tchau.

2) Conversa sobre o tempo, dentro de um elevador ou quando não se tem o


que dizer...
- Puxa como está frio, não é?
- É sim, mas talvez faça calor.
- É, é bem possível.
- Isto se não chover.

Quando a mensagem tem em vista simplesmente manter o contato físico


ou psicológico entre o emissor e o receptor ou estabelecer a comunicação, como
você acaba de verificar, a função será fática. A finalidade dessa função é verificar
as condições de comunicabilidade, isto é, testar o canal, prolongar, interromper
ou reafirmar a comunicação, não para informar, mas para assegurar a transmissão
da mensagem, para certificar-se de que a comunicação está sendo realizada de
forma satisfatória. São características dessa função: repetições ritualizadas,
balbucios, gagueiras, cacoetes de comunicação, fórmulas vazias, convenções
sociais, fórmulas habituais de saudação ou de despedida. Quando queremos
nos aproximar de nosso interlocutor, pronunciamos frases do tipo: “Olá, como
vai?”, “Bom dia!”. Ao dizer “como vai?”, não esperamos respostas e informações
detalhadas sobre sua saúde, seu trabalho, etc. E mesmo o “tudo bem”, que poderia
ser a resposta ouvida, não significa que vá tudo bem na vida de nosso interlocutor.
Também, certos tiques linguísticos como “entende?”, “tá?”, “certo?” etc. são
conectivos que reforçam a mensagem, “são conectores entre uma expressão e
outra e dão a ilusão de que emissor e receptor comunicam-se. Na verdade, o
gesto afirmativo que reenvia a mensagem recebida, a repetição redundante dessas
expressões, mantém os interlocutores falantes em contato, sem produzir respostas
a essas perguntas, fixando-os na sintonia do canal” (CHALHUB, 1990, p. 29). É
apenas uma verificação: o interlocutor continua ouvindo? Está prestando atenção?

“Essas são as funções da linguagem. Compreenderam? Vocês concordam


comigo?” Posso continuar, não é? Hum, hum! (Observe que há uso da
função fática aqui.)

2.5 Função Metalinguística -o código em questão


Acompanhe o texto a seguir:

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“Marketing é a área do conhecimento que engloba todas as atividades


concernentes às relações de troca, orientadas para a satisfação dos desejos
e necessidades dos consumidores” (SEBRAE, 2012).

A função metalinguística ocorre quando o discurso focaliza o próprio


código utilizado, ou seja, o código faz referência ou é usado para explicar o
próprio código. A linguagem fala sobre a própria linguagem, procura falar do
próprio código ou verificar se ele é comum ao emissor e ao receptor. Quando
fazemos questionamentos sobre o significado das palavras e dos termos utilizados
(“o que é que você quer dizer com isso?...”, “que é que significa isso?”), quando
damos explicações sobre algo dito ou escrito (“Quero dizer com essa palavra...”,
“Isto é...”, “ou seja”). A função metalinguística tem a finalidade de explicar,
definir, ensinar, como no diálogo a seguir:

“- Hoje em dia, fala-se muito em turismo sexual. O que isso significa?


- Turismo sexual é uma a vidade ilegal que consiste em trazer turistas, geralmente
estrangeiros, oferecendo-lhes relações sexuais com mulheres e até mesmo adolescentes
e crianças da região visitada.”

Observe que o emissor pergunta sobre o significado de um signo


desconhecido para ele - turismo sexual. O receptor, por sua vez, “traduz” esse
signo em outros signos mais conhecidos. Assim, a explicação dada na resposta
é metalinguística. O melhor exemplo dessa função são os dicionários, já que os
verbetes apresentam os significados das palavras, com explicações detalhadas.
Além dos dicionários, as definições de palavras cruzadas, os textos didáticos
(definições e explicações de termos), as enciclopédias, as gramáticas e mesmo
este nosso guia de estudos são metalinguísticos por excelência: usam palavras para
explicar o significado de outras. Dizemos que há metalinguagem quando se utiliza
um código para se falar dele próprio. Assim, um filme que discorre sobre o próprio
cinema, uma peça de teatro que tem por tema o teatro ou uma poesia que fala sobre
o fazer poético, uma legenda (explicação que acompanha foto ou ilustração: um
código verbal traduzindo outro) são exemplos de utilização da metalinguagem.

Você já estudou cinco funções da linguagem; agora, falta apenas a função


poética. Tome fôlego! Vamos lá!

2.6 Função Poética – o arranjo especial de palavras


Observe os textos abaixo:

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Texto 1 Texto 2
“Faz frio nos meus olhos... o relógio da Vozes veladas, veludosas vozes, Volúpias
central pulsa em meu peito marcando dos violões, vozes veladas, Vagam nos
a jornada de operários no inferno das velhos vórƟces vorazes Dos ventos, vivas,
marmitas.” vãs, vulcanizadas...
(Sidnei Cruz) (...) (Cruz e Souza)

Você percebeu que, nos textos acima, o significante (forma de expressão) é


trabalhado na sonoridade, no ritmo poético, na construção de imagens expressivas,
na disposição gráfica das palavras no papel, na repetição, na utilização das figuras
de linguagem? Claro que sim, não é? Então, não é difícil visualizar que a função
poética é aquela em que a mensagem se volta para si mesma (para a própria
mensagem), quer na seleção e combinação de palavras, quer na estrutura da
mensagem. Na função poética, são ressaltados alguns aspectos do trabalho com
a linguagem, evidenciando o lado palpável do signo. Ela é dominante na poesia,
mas é muito frequente aparecer em outros tipos de texto como acessória, tais
como: jogos de linguagem, propaganda, slogans, ditados e provérbios e em textos
em prosa, desde que o autor busque a melhor estruturação possível da mensagem.
A linguagem poética explora o sentido conotativo das palavras.
Veja, agora, um quadro-resumo dos seis fatores do processo de
comunicação verbal com as funções da linguagem que lhes correspondem:

CONTEXTO
(referencial)

EMISSOR MENSAGEM RECEPTOR


(emoƟva) (poéƟca) (conaƟva)

CANAL
(fáƟca)

CÓDIGO
(metalinguísƟca)

ATENÇÃO!!!
Agora que você já conheceu as seis funções da linguagem, é extremamente
importante que você preste atenção aos esclarecimentos a seguir.

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2.7 Simultaneidade e Transitividade das Funções da Linguagem.

Importante: um mesmo texto pode apresentar diversas funções, o que


caracteriza a simultaneidade das funções da linguagem; há, no entanto, uma
que se sobressai, ou seja, uma função predominante, a qual é iden ficada pela
hierarquia das funções. Assim, a noção de hierarquização (dentre as várias
funções, haverá uma principal e outras secundárias) é importante para que você
perceba a finalidade principal da mensagem, como o texto se constrói, quais as
intenções de seu produtor e as várias nuanças de significação do texto.

Lembre-se: quando um texto apresenta simultaneidade


das funções da linguagem, determine a finalidade da
comunicação. Todo emissor, ao produzir um texto, tem
em mente determinado objetivo ou intenção: informar,
entreter, transmitir prazer, convencer, seduzir, vender,
enganar, etc. Você, no papel de receptor, deve ser um
leitor consciente e identificar as marcas que traduzem as intenções ou
finalidades de quem o produziu.

Analisemos os textos abaixo para ver como isso ocorre:

Propaganda de cosméƟco Propaganda políƟca


"As rosas desabrocham "Vote no homem
Com a luz do sol. Que fez sem roubar
E a beleza das mulheres Vote em Juarez
Com o Creme Rugol. Para a vida melhorar."
Creime Rugol."

(ANDRADE & HENRIQUES, 1999, p. 29)

Perceba que os textos publicitários acima utilizam a linguagem poética como


um recurso estratégico para facilitar a memorização. Além disso, a função referencial
também aparece nos textos, já que o ato de informar encontra-se subentendido em
todas as mensagens. No entanto, a função conativa é a predominante no texto.
Outro exemplo: (anúncio de venda de imóvel)

GUARUJÁ!!
Jovem jornalista vende seu apartamento, ninho comprado com muito amor e
carinho. Veja só: per nho do mar, com dois dormitórios, dois banheiros, sala
com terraço. Tem ainda boa cozinha, área de serviço, garagem. Mobiliado!!
Prédio novinho! Com dor no coração vende por 9 milhões a vista. TRATAR no
seguinte endereço: Av. D. Pedro I, 70 ou pelo telefone 22-5927 (ANDRADE &
HENRIQUES, 1999, p. 28).

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Esperto como você é, percebeu que a finalidade desse anúncio é vender o


imóvel, certo? Assim, apresenta a função conativa da linguagem como principal.
Para vender o imóvel, o anunciante passou informações a respeito dele, o que
exigiu o uso da função referencial. Também, ele fez uso das funções emotiva e
poética, pois demonstra seus sentimentos e utiliza a conotação (ninho) e a seleção
de palavras. No entanto, se seu objetivo é influenciar o receptor a comprar o
apartamento, predomina no anúncio a função conativa/apelativa.
Quanto à transitividade das funções da linguagem, de forma bem
simples e objetiva, podemos dizer que ocorre quando outras funções da linguagem
são empregadas no lugar da que deveria aparecer. Procure observar algumas
propagandas e veja, por exemplo, que em vez de apresentarem a função conativa,
utilizam a função referencial, como é o caso de propagandas de novos lançamentos
de carros, que apenas descrevem o novo modelo. A linguagem informativa, na
verdade, retrata o apelo subentendido ao consumidor.

Percebeu a grande uƟlidade da idenƟficação das funções da linguagem para


a análise e produção de textos? Certamente você deve ter aprendido que, ao
idenƟficar qual elemento de comunicação a mensagem está centralizada, você
capta a finalidade da mensagem, e, consequentemente, a principal função da
linguagem, ou seja, você interpreta devidamente o texto.

Para concluir este estudo sobre as funções da linguagem, vale dizer que,
na língua falada, é fundamental que se analise a língua em uso, pois a compreensão
precisa ir além - não pode depender apenas de uma decodificação linear dos
vocábulos utilizados no enunciado. Por exemplo: se alguém está em um ambiente
fechado num dia de muito calor, pode se dirigir a outra pessoa, dizendo: "Ufa,
que calor, hein!". Sua intenção, nessa situação, não é a de estabelecer um contato
(função fática) ou de exprimir uma sensação apenas, mas a de pedir para que o
outro abra a janela, ou ligue o ventilador, ou seja, pode ser um pedido indireto.
Desse modo, a mensagem só será entendida se o interlocutor estiver ligado na
situação, decodificando possíveis gestos e expressões faciais do falante. Pense,
por exemplo, nos textos humorísticos ou nas piadas, os quais exigem inferências
por parte do ouvinte, já que seu conteúdo deve ultrapassar o sentido literal - o
âmbito da mera significação das palavras - para serem entendidos (PEAD, 2012).

Retomando a Conversa Inicial

Chegamos ao fim desta primeira aula. Se você entendeu tudo


o que foi apresentado, não vai ter dificuldade em resolver
as a vidades propostas. Se não entendeu algum tópico, leia
novamente o conteúdo com bastante atenção. Não tenha
pressa de passar à frente. Siga devagar e sempre!
Agora, vamos recapitular alguns conceitos básicos desta aula?

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SEÇÃO 1 - Linguagem e os processos de comunicação


Na Seção 1, foi possível entender que, para exercer atos de comunicação,
dispomos de várias linguagens. Quando usamos as palavras da língua portuguesa,
tanto na forma oral como na forma escrita, usamos a linguagem verbal. Ao usarmos
outros signos diferentes da palavra (desenhos, sons, gestos, etc), dizemos, então, que
estamos usando a linguagem não verbal. Também, simultaneamente, as linguagens
verbal e não verbal podem ser utilizadas, trata-se aí da linguagem mista.
Vimos, também, que, em todo o tipo de comunicação, verbal ou não
verbal, o elemento utilizado para representar o objeto referente da mensagem
é chamado signo, que é “a menor unidade dotada de sentido num código dado”
(VANOYE, 2002, p. 21). Um signo linguístico é um elemento representativo que
apresenta dois aspectos que se unem: um significante e um significado.
Ainda, aprendemos que os seis elementos que integram o processo de
comunicação são: emissor, receptor, código, canal, mensagem e referente. Refletir
sobre eles assegura a eficácia da mensagem, pois a comunicação só se realiza quando
todos os seus elementos funcionam apropriadamente, quando não há ruídos.
SEÇÃO 2 - A Linguagem e suas Funções
 Prosseguindo, na Seção 2, observamos que, em cada texto, dependendo
de sua finalidade, destaca-se um dos elementos da comunicação e, por conseguinte,
uma das funções da linguagem: referencial, emotiva, conativa, fática, poética e
metalinguística. Estudamos que em um mesmo texto pode haver simultaneidade
das funções da linguagem e, para que saibamos qual é a principal, precisamos
determinar a finalidade/o objetivo da comunicação. Também, destacamos que o
estudo das seis funções da linguagem deve estar relacionado aos constituintes da
situação comunicativa, aos contextos reais de interação.

Sugestões de Leituras, Sites e Filmes:

Leituras

BLIKSTEIN, I. Técnicas de Comunicação Escrita. 20. ed. São Paulo: Ática, 2002.
CHALHUB, S. Funções da linguagem. 4 ed. São Paulo: Ática, 1990.
PLATÃO, S. F. & FIORIN, J. L. Para entender o texto: leitura e redação. 16. ed.
São Paulo: Ática, 2002.
VANOYE, F. Usos da linguagem: problemas e técnicas na produção oral e escrita.
11. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2002.

Sites

www.geocities.com/Athens/Atlantis/4403/comunica.htm

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www.gargantadaserpente.com/linguagem/index.shtml - 17k -
www.brasilescola.com/redacao/linguagem.htm
www.artigonal.com/ensino-superior-artigos/lingua-e-linguagem-3201224.html
http://pt.scribd.com/doc/3671916/Portugues-PreVestibular-Impacto-Linguagem-
Verbal-e-Nao-Verbal
http://acd.ufrj.br/~pead/tema01/lingfuncoes.html

Vídeos

YOU TUBE. Linguagem e comunicação. Disponível em: <http://www.youtube.


com/watch?v=CdpVNTUeB_U >. Acesso em: 25 abr. 2012.
YOU TUBE. Linguagem. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=d
kpXyH6UVy8&feature=related>. Acesso em: 25 abr. 2012.
YOU TUBE. Linguagem verbal e não verbal. Disponível em: <http://www.
youtube.com/watch?v=1R8oj5UkaSk>. Acesso em: 25 abr. 2012.
YOU TUBE. Processo de comunicação. Disponível em: <http://www.youtube.
com/watch?v=_C3AmzKpJbQ>. Acesso em: 25 abr. 2012.
YOU TUBE. Funções da linguagem. Disponível em: <http://www.youtube.com/
watch?v=mzq1ax8ZIbI>. Acesso em 25: abr. 2012.

OBS: Não esqueçam! Em caso de dúvidas, acessem as ferramentas “fórum” ou


“quadro de avisos”.

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