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Parousi{i lL'StL.ml`stri` 2000, Vol.

1, No 1, 59-72
Copyright Ü 2000 SALT.

CARISMAS NO SÉCULO XXI?


ANÁLISE DE TRÊS TEORiAS SOBRE A
ExisTÊNciA DE DONS MiRACULOSOS
NA ATUALIDADEi
Mí\RC.os Dii`, Bii`,\'i,Dic-.To
Redaior da Casa Publicadoi.a Bi.asileira

Este artigo analisa o debate atual quanto ja cristã e a composição dos livros do Novo
à vigência dos dons espirituais Testamento; os últimos argumentam que to~
miraculosos na igreja. De um lado, estão dos esses dons prosseguiram através da his~
os pentecostais clamando a possessão do tória da igreja e devem funcionar também
carismático, do miraculoso na igreja na atualidade. Qual posição tem base bíbli-
hoje. Do outro lado, encontrami;e os ca?
"cessacionistas," defendendo que os dons
Definir essa questão é importante não
miraculosos foram outorgados pelo
simplesmente para satisfazer uma curiosida~
Espírito apenas no período do cristianis-
de teológica, ou dirimir qualquer polêmica
mo primitivo. 0 autor defende, no
doutrinária, mas porque ela influi direta-
entanto, uma terceira abordagem, a quaLI
mente no ministério e na missão da igreja,
chama de visão cíclica.
determinando sua opção metodológica e
apc)ntando o papel reservado ao Espírito
Thi§ article analyses the current debate
Santo.
about the validity of the miraculous
spiritual gifts in the church. On one side, Neste artigo, veremos os argumentos de
there are the Pentecostals claiming the ambos os lados e apresentaremos uma "ter-
possession of the charismatic and ceira via." Isso facilitará a tarefa de respoii-
miraculous gifts in the church today. At der à pergunta fundamental que passa pela
the other .side stands the "cessacionists," cabeca de muit(>s cristãos: os dons
defending that these gifts were given by mirac.ulosos estão clisponíveis pam ti gera-
the Spirit only in the carly Christian Ção atl,al?
period. Hi]wever. the aiithor expose`s a
third approach to the question, whic.h i` TEORIAS SOBRF. ()S DONS
called "circlecl" `7ision.
A polêmica sobi`ii `ti continuiclailc` Jt)``
iion`i mii-:iculosos não `ic` rl`s`ime íi ilua`` i`o~
siç`-)cs [iohi.i```. Enti-r`` o "\iim" e o "nã`)," hti
A:,::`:ep[:,':]`:`':LL`>r[`í:t\:`„`:\`,`tt:>'nr`ê|}sLt'.;``TL`lie'c:::|'c`r
numces, cc>mo o "sim, com i-esscil\ras." Um
Mas o mesiiio não ["iie slT dito em relíição
obra mais ou menos recente, Ar€ MircicL4loi6.`
à \'igência dos doiis miraciilosos.: Prot-ecia,
Gif[s /or Tocíczy.', apresenta quatro visões:4 ( 1 )
linguas e ciira eram apems para os tempo`s
cessacionista, segundc] a ciual não há r\e'
bíblicos ou t<ambém para as épocas posteri~
nhum dcmi miracu[iiso do Espírito Santt)
()res.7 Há um ilebate em andamento entre
hoje; (2) aberta, com caiitela (em inglês, opeti
cessacionisttls" e c`cirismáticos.3 0s primei~
bw cc[%ti.oi4.t-), a qual inclui uma grancle píit--
ros defenclem quc tais ilons terminaram m
época iios aiióstt tlo``, i`om a t-unihção ila i\LJr``-
cela de eTangélicos ciue não descartam o`ç

- _59 -
\

diz que o trabalho do Messias iriclui o batis-


\ dons miraculosos para hoje, mas ao mesmo
tempo vêem a possibilidade de abuso na mo "com o EspíTito Santo e com fogo" (IÁ:
\ prática desses dons; (3) pentecostal/ 3:16); (c) pouco antes de Sua ascensão, Je-
carismática,5 que preconiza a validade dos sus faz referência à afirmação/profecia de
\ dons miraculosos hoje; e (4) a Terceira joão e pede que os discípulos permaneçam
Onda,6 que busca equípar os crentes com em Jerusalém a fim de serem "batizados ccim
) os dons espiritua'is e defende que a
o Espírito Santo" e receber "poder" (At 1:4-
\ evangelização, pelo padrão do Novo Testa~ 5, 8). Conclusão: o batismo com o Espírito
mento, deve ser acompanhada de "milagres, e com fogo é a "culminação clo ministério
) sinais e maravilhas," clo Messias; ele serve para autenticar esse
ministério como um toclo, exatamente
\ Analisaremos os argumentos em favorde
como, em comparação, o batismo com água
três p()sições, parcialmente coincídentes
era um indicador [no inglês, md3x] do mi-
) com as quatro mencionadas, as quais cha-
nistério inteii-o de Joã() (Lc 20:4; At
maremos de: (1) fundacional,7 (2)
) carismática e (3) cíclica.S lo:37).y„(`

Elo 2: (a) Pedro diz, em seu discurso de


)

Abordagem Fundacional Atos 2, que ci Pentecostes é cumprimento


da profecia de Joel 2 (At 2:14-21); (b) em
A premissa básica desta posição é que os seguida, focaliza o ministério, a morte e es~
dons miraculosos foram úteis no início da
pecialmente a ressuTreição de Jesus (At 2:22~
igreja cristã, mas, uma vez lançado o funda- 31); (c) e, então, coloca em íntima seqüên-
) mento da igreja e encerrado o cânon, cessa- cia ressurreição-ascensão-recepção do Es-
ram. A palavra-chave é P7.oPósito: os dons
pírito[7 -concessão do Espirito. Conclusão:
) miraculoso's tinham um objetivo e, tendo-o • na perspectiva teológica de Lucas (e Pedro),
ciimprido, deixaram de existir. Entre os de- ressurreição-ascensão-Pentecostes, embc>
fensores deste ponto de vista são alistados ra distintos no tempo, constituem um com-
) os reformadores9 Lutero (1483-1546)!° e plexo de eventos unificados," do tipo "uma-
Calvino (1509-1564)," o puritano John vez-por-todas."
\ Owen (1616-1683)L2 e Benjamin Warfield
(1851~1921)," teólogo da "Escola de
Em resumo, o argumento de Gaffin é
i` Princeton." Cinco dos principais argumen- que o ministério de Cristo deve ser visto em
sua totali.d4de. 0 Pentecostes é o clímax des~
) tos utilizados pelos "cessacionistas" são os se hinistério, um evento escatológico, com
seguintes:
significado "cristológico e eclesiológico-
Argumento 1: 0 Pentecostes é único e missiológico," antes que "antropológico-
irrepetível. 0 dr. Richard Gaffin, do experiencial." Por isso, não serve de
Westminster Theological Seminary, é um
paradigma para a experiência atual do cris-
) def-ensor deste ponto cle vista. !4 Ele faz uma tão,
i+i`çtinção enti-e a "história da salvação"
\ (hí``coTia ``tilt4Íi`s), [st() é, e`'entos clo típo iima~ Argumento 2: A fin{|lidadc dos milagres
era autenticar o Íí-``'ft]j-/z] [J/]/]() dos apóstolos
):':[Z\~,:'f([':i°Li]c:aóc`::;t:o:C:)on[::';ans[:[aamm°orttrec`t:atr':;'~ sobre Jesus. Segunclo estc` :`rgiimei`to, (le~
fcndiclo poi- Petl`r Ma``t`-r`,:`` o Espírít(` ft)i
\`suil-eição, e a "ori`1em da salvctção" (()rclü
`ç({lHf['`ç), ou `çl>j;i` e\entos ligaclos à c(`iitínui ihilo ao\ç cap(`Nolos p:`r:i h:`hilítá,lo` ti ``us~
) cii_`lic`açt~to iio,s l`ciic`t`icios ll<i s{ilvaçi-io à \'iila tciitar publiciimuiti` ii \'t`rí`ticlfille ila ollrti
iniliviclual di)s crenti`s, coino a justific<`ção messiâmca clc Jesu`i` em c``pecial Siia i-essur-
\ pela fé e a santit`icação. Para Gaffin. o Pen~ reição. Não eram testemunhas num senti-
tecostes pertence à "história da salvação," e do geral, c()mo os cristã()s testemiinham hoje
\nãc) à "ordem da salvação."D Evidências?
de Cristo, mas i.\um sentido forte e específi-
\) Note estes dois elos: co, jutiicial mesmo. Vários text()s sãt` utili-
zados para apoiar essa tese. Por exemplo,
•Mess:Í::-b`::|!aoã.:"?.a:,gs:,aa,e(3)p,r.eãcourÉ::,sqt: João 15:26-27 iiiz: "Quandi), porém, vier o

-' 6o _
)
Consolador, [...] esse dará testemunho de Argumento 5: 0§ dons€inais visavam
Mim; e vós também testemunhareis, porque ratificar a nova revelação.Z5 Como testemu~
estais comigo desde o princípio." Em Atos nhas de um novo tempo na história da sal-
1:8, Jesus dá uma incumbência aos discípu~ vação, os apóstolos, inspirados pelo Espíri-
los: "mas recebereis poder, ao descer sobre to Santo, transmitiam conteúdos
vós o Espírito Santo, e sereis Minhas teste~ revelacionais que mais tarde entrariam no
munhas."2l cânon. Os milagres eram selos
autenticadores dessa revela.Ção, como diz
Argumento 3: A igreja primitiva tinha Paulo: "Pois as credenciais do apostc)lado
relativamente poucos milagres. Os foram apresentadas no meio de vÓs, com
carismáticos vêem numerosos milagres em toda a persistência, por sinais, prodígios e
Atos e nas epístolas, talvez numa base diá, dons miraculosos" (1 Co 12:12). Hebreus
ria ou semanal. Masters, um cessacionista 2:34, onde se afirma que Deus deu "teste-
convicto, tenta provar que não é bem as- munho," através de milagres, da "grancle
sim.Z2 Ele argumenta que apenas os apósto~ salvação" anunciada pelo Senhor e confir-
1os e um griipo muito restrito de colabora- mada pelos apóstolos, é outro texto citado
dores, incluindo Estêvão e talvez Barnabé para apoiar este ponto de vista. "Sendo que
(cf. At 6:8; 14:3), possuíam o dom de cura. a palavra de Deus foi escrita em sua perfei-
A hipótese de haver mais alguns ção e tem sido preservada," afirma Lewis
taumaturgos envolvidos não deve ser nega- Chaffer, "não há mais necessidade de si-
da, concede Masters, mas a idéia de que os nais.„26
milagres eram feitos em todo lugar, o tem- Há outros argumentos em defesa da pc>
po todo e por pessoas comuns é uma ilusão sição cessacionista, como a crítica de que os
e deve ser descartada. Uma evidência disso carismáticos partem de textos de caráter nar-
é que, quando Pedro curou Enéias em Lídia rativo (Atos) para construir a sua teologia
e depois ressuscitou Dorcas em Jope, a notí~ continuísta, e a afirmação de Paulo em I
cia foi recebida como novidade, causou Coríntios 13:8-10 ("havendo profecias, de-
maravilhamento e muitas conversões (At saparecerão; havendo línguas, cessarão"),
9:35, 42). Atos 2:43 e 5:12 informam que mas eles parecem menos c.onsistentes -pelo
os sinais e maravilhas eram feitos pelos menos nesses dois casos. Na verdade, I
"apóstolos."
Coríntios 13 pode ser utilizado com mais
Argumento 4: Os milagres anunciavam propriedade para provar o contrário. A in~
tenção, aqui, é dar um panorama da posi~
o fim de uma era e o começo de outra. 0
dom de línguas, que marcou o início do Pen~ ção cessacionista, e não apresentar urna aná-
1ise exaustiva do assunto.
tecostes, era a festa de lançamento de uma
nova comunidade e, ao mesmo tempo, ()
adeus ao velho sistema. Visava mostrar qiie prós e contTas
"a presença divim tinha passado cla
A abordagem fundacional tem pelo me~
teocracía judaíca para a igi`eja internacioml nos seis méritos evidentes. Ela:
do Senhor Jesiis Cri``ro." Pí`iilo iiarece fa,
1. Liga o Pent.ec()stes à missão cle JesLi.s c`
vorecer essa interpi-ct;i``ão, iiii`inilo, citando
acentua o início cle um no\,.o tempo;
lsaías 28:11rl2, ili:: "Na li`i está escritü: Fa-
1arei {i este po\.o |lsmel| [ior homen`s (lÉ c)H~ 2. Val()riza o papel ilos €ipóstc`los iia funil+
tras língutTs c` por lál`ios clii outros po\.os, e Ção ch igrej.a e i`a fi)rmação tlo cânoii;
nem assjm Me oii\'iriio, ili: o Sc`i`hor. Dc'
3. Rci`onhc.ce, coi-re[íimente, iiue os siiiioL`z
sorte que as línguas constituem um sinal, tos dons miraciilosos de hoje não têm
não para os crentes, mas para os incrédu~
produzido milagres na mesma qualidade
los..." ([ Co 14:21~22). A glosso[alia, portan~
e extensão da era apostólica;
to, seria uma demonsti-ação gráfica (primei~
ro aos judeus, depois aos gentios) cle que alí 4. Pro\'ê um critérío lógico para rejeitar as
se iniciava uma nova comunidade - multi- manifestações miraculosas atuais ciue
racial, multilingüística, internacional.2+ fugirem ao padrão bíblico;

_61-
5. Ressalta o amor, a ética e a maturidade Argumento 1: A igreja necessita dos
emocional do cristão, ou seja, aspectos donsfiinais para cumprir sua missão. Um
ligados ao "fruto do Espírito" muito va- dos propósitos dos milagres é ampliar o
lorizaclos no Novo Testamento (cf. I Co poder do anúncio evangélico. Eles atuam
13; Gl 5:22-23); como ot4Cc!ooTs publicitários das boas novas
de salvação (At 5: 12~16). Se os apóstolos pre-
6. Enfatiza um culto organizado e ordeiro,
císar<im de um poder especial para fundar a
em conformidade com o seu modelo de
igreja, ()s crentes subseqüentes não precisa-
pensamentc) sobre os dons.
riam do mesmo poder para manter e ampli,
Mas há também pontos negativos, e os ar as bases da igreja e finalizar sua missão?
mais evidentes são: Assumindo~se a hipótese de qiie a função
básjca dos dons espirituais é "eiiificar" a igre-
1. A tendência cle desconsiderar os textos
ja e avançar a obra do Senh()r (c`f. I Co 12:7;
que sugerem a continuiclade de todos os 14: 12, 26), conclui-se que esses dons são tão
dons;
necessários hoje como no primeiTo século
2. A dívisão rígida dos dons em d.C.
"miraculosos" e "comuns," e a conse-
Um indício de que Jesus via a necessida~
qüente negação dos primeiros, sem con- de de poderes especiais por parte dos futu~
siderar qiie a Fonte deles é a mesma;
ros seguidores é a inclusão destes em Sua
3. A falta de uma explicação convincente agenda. Jesus prometeu estar com os cren~
para o fato de a Bíblia em nenhiim lugar tes até o fim. Disse: "Toda a autoridade Me
afirmar que oã dons iriam cessar (este é foi dada iio Céu e na Terra. [...] E eis.que
um "argumento do silêncio," mas merece estou convosco toclos os dias até à corisu-
atenção); mação do sécult]" (Mt 28:18b, 20b). Essa
promessa, certamente, não se restringia aos
4. A interpretação questionável de ciue os
discípulos, já que "consumação do século"
dons miraculosos não são necessários no
alude ao fim do mundo. A palavra "autori~
cumprimento da missão evangelizadora
dade" (no grego, cxo%sÍc[, "poder para
da igreja;
govemar"), por sua vez, sugere poderes
5. 0 perigo de "aprisionar" o Espírito no miraculosos.
passado, restringindo seu espaço no Outra proniessa diz: "E Eu rogarei ao Pai,
presente, ou mesmo de "apagar," "extin- e Ele vos dará outro Consolador, a fim de
guir" ou minimizar a Sua influência (cf.
que esteja para sempre convosco" Oo 14:16).
At 7:51; Hb 10:29; I Ts 5:19), "esfriando"
A expressão "para sempre" pocle ser enten-
o entusiasmo da igreja;
dida como uma assistência contínua e defi-
6. A neccssidade lógica de consiclerar toclas nitiy:` i`o decorrer il() ministério clos após-
tis mmife`çtacões cle clons miraciilosos na tolos, mas a leicim mc`is mtiiral e í`plicá~h
atu.\liihi]e (i"ot-eci{is, ciiras, glossohlia) a toilo o pi`i-íoclo (iti jLyrej<i. f'ii]-L\ iiiiem i`ré;"
como ftilst``i ou cip{`rentes. mentt` iiue t` pi-c`seni`ii Jo F,s[iíriío mio `sm
rí`ntc` c\utomatíl`c`mi-nrt` poilei-es
mii`tti`iilo`o`, j.'i i[ik` Eli` tíimhcini |>xerl`e ou-
tÀbor{lagem Ccirisinática
trí``` fuii`t~`i`` (`t-|o [6:S-11), iioiii`,çe respon,
A i`rc`mi``sti hásicí` cto`\ itientel`ost[tis e lic`r l|Ul l```t\`` `)uu-tt` rlT.n+`t`\Ct; llc`to Ciimim-ml

i`arismáticos, para dcfc`mlei-Ít continuidaile {\utomttri(`cimc`nti` .` possibilíchde de mil:iJ


clos dons miracult)sos, é a necessidade des~ 8res.
ses dons para o cumprimento da missãc) da
Aini+i mais dirctc> é este testemunho:
igreja hoje. Entre os miiitos defensores des~ "Em veTclade, em verdatle vos digo que aque~
ta posição escão John Wimber,:`q C. Peter
le que crê em Mim, fará tam[iém as obras
Wagner29 e ]ack Deere.}° Cinco argumen~
tiue eii f-aço, e outras maioreç fará, porqiie
tos ciir:`cterísticos nesta abordagem são:
Eu `.ou parti jimto ilo Pai" Oo 14:12). Se o
1`o[`i[t`:\tt)``ii`LJi`ri'ii!`,i{i``[`1ii`ai-:``Í``iiriináriaaos

- 6 )_ -
apóstolos, a expressão qualificadora "aque- ter único da fonte carismática que se torna
le que crê" generaliza o auditório e cleixa um paradoxo causar dissensão por causa dos
aberta a possibilidade de ação miraculosa dons, assim como seria errado superestimar
futura. um ou alguns deles -no caso dos coríntios,
o dom de línguas.
Argumento 2: A diferença entre as lis-
tas de dons sugere um caráter incompleto Argumento 4: A história registra teste-
e instrumental. No total, Paulo cita mais munhos de milagres em fa§es tardias da
de 20 diferentes dons em suas cartas.3` Mas igreja. A interpretação dos relatos de mila~
a maneira como ele os menciona sugere a gres ao longo da história da igreja depende
do modelo de pensamento adotado; mas,
possive] existência de outros. Se fosse hoje,
ele talvez pudesse acrescentar o dom da independente disso, os registros existem.3'
música ou do evangelismo pela TV. Nenhu-
0 Didaquê e o PastoT de Hemas, Llocümen-
tos cristãos provavelmente da primeira me~
n`a lista rei)et.e integralmente as demais. Isso
tade do segundo século d.C., mencionam
indica que, coletivamente, essas li`<tas "não
os dons. Justino Mártir (c. 100~165 cl.C.)
exaurem todos os possiveis dons dc) Espíri-
disse: "Os dons proféticos continuam
to," mas sãc) "ilustrativas dos vários dons conosco> ainda hoje."4 Tertuliano (c. 155~
com os quais Deus tem capacitado a igre- 220 d.C.) e Orígenes (c. 185~254 d.C.) tam~
ja." Além disso, Paulo parece falar de dons bém deram "testemunho quanto a fatos
primariamente num sentido instrumental. miraculosos muito depois dos dias dos após~
A finalidade deles não seria definir scci[%s tolos." Teodoro de Mopsuestia (c. 350-
(dos apóstolos, por exemplo), mas edificar 428), cujos escritos foram anatematizados
a igreja -1ocal e mundial. no Sínodo Geral de Constantinopla em
553, escreveu: "Muitos pagãos entre nós es~
Argumento 3: A analogia da igreja
tão sendo curados pelos cristãos de toda a
como organismo corporativo pressupõe
espécie de enfermidades que possam pade~
que todos os dons são necessários. Paulo cer, tão abundantes são os milagres em nos~
compara o funcionamento dos dons na igre~
so m€io."36
ja à operação do corpo (1 Co 12:12-31). 0
corpo funciona em harmonia. Precisa de Argumento 5: I Corintios 13 sugere que
todos os membros, superiores ou inferiores. os dons~sinais prosseguirão até a
Ele pode sobreviver mesmo com uma per~ "parousia." Paulo afirma: "Quando vier o
na ou um braço amputado. Mas irá funcio- que é perfeito, então o que é em part:e será
nar bem? E se lhe faltassem os olhos e a boca? aniquilado" (1 Co 13:10). A que se refere
Ou o coração? De igual modo, a igreja pre- "em parte"? A chave está no verso 9: "Por~
cisa de todos os dons para funcionar perfei-
que em parte conhecemos, e em parte prcr
tamente. Ela pode sobreviver sem profecias fetizamos." Paulo, provavelmente, tinha em
e curas, ou milagres. Porém, esses dons não vista todos os dons carac€erísticos da histó-
a fortaleceriam? Do ponto cle vistci cla efici~
ria cla igreja, incluindo os cli)ii`s-sinais. E
ência e ila eficácia, parece iiuc [otloú os dons
quando é o "quaniio?" A chave está t`o \'i`r~
si-`o neces``áric)``.
so 12: "Poriiue í\gora vemos c(imii cm esi)e~
Além disso, se{`mnilo Pa`do, c>s iloiis são 1ho, obscuramente, então `'ei-emo`` f-ace a
cli\.ersos i` iiirerentes, imis totlt>s têm a mes~ t-zice; agora conheço em parte, cntãt) i`imhc`-
n`ii proi+]|lêiiciii: Dc`ii`i (1 Co 12:4~6). llá (li- ``t`rc`i como tamhém sou conhcÀcjdo." Piui~
\ ei.`siil{iili` i`í\ tli`trihHi,`tio oii iti`c`i`i,`{í` i`iti` 1i>, pi-o\'i`\i.[met`te, i>`ita`Ta itc`mdmli` iiii nw c\
\`rrillcltlc 11t` `>rl,L7c`1l`. Sc a tontc` dlt` 111>11`` 1]o i-erilídade `a ter lugar no futuro. A pi`hu-a
"perfeito" (em grego, tc!eios) tem o sentido
primeiro século é a mesma de hoje, e se ela
é a fonte única de todos (>s tipos de ilons de "completo ao chegar ao final, ou alcan-
(mii-aculosos e de seTviço), não é se esperar
çar o alvo." Isso indica qi`ie` .para o apóst(+
unidade de ação (leia~se "coii.tinuidade")? A lo, esses dons eram "passageiros," mas não
resposta pode ser "sim" ou "nào," pois Deus
tão temporários como dizem os
é soberano na distribuição dos dons; mas o "cessacionistasí" eles continuam até a >egiin~
"sim" parec`e imis lógico. É de`'ido ao cará~
da vinda de Cristo. 0 verso 10 poderia ser

_63-
\ parafraseado assim: "Quando Cristo vier, 1. A tendência de subestimar a singularida-
i profecia, línguas e outros dons imperfeitos de de Jesus como operador de milagres,
se tornarão inúteis e deixarão de existir." Só e também o s[citws dos apóstolos na
assim faz sentido o contraste sugerido por qualidade de co-fundadores da igreja;
\ Paulo (Quadro l). 2. No caso do§ pentecostais, o ensino sem
Os argumentos aqui enumerados são base bíblica firme de que o "batismo pelo
' apenas representativos da posição
Espírito" 36 uma obra subseqüente à
) carismática. Vários outros pontos, como o conversão;
fato de que os carismas eram vistos em di-
3. Uma -supervalorização da experiência e
; versas cidades e exercidos por cristãos co-
muns (fora dc) grupo apostólico),37 poderi,
1 am ser acrescentados. gso"::bá:t::t:=c:ã,oeo:Jetievtari(lFíàTi:;;4odo
4. A conclusão biblicamente insustentável
)

Prós e Contras de que, pelo fato de Cristo ter tomado


"sobre Si as nossas enfermidades" (Is
' A abordagem carismática, igualmente,
53:4), a cura física está disponível para
) tem vários pontos positivos. Por exemplo: todos aqui e agora;
1. A ênfase na identidade entre a igreja
) apostólica e a atual, ambas com acesso 5. A ênfase exagerada na importância dos

pleno aos dons miraculosos; g:nESs::r:t:P:riá:'éet=ad:oücii=,:ntodoftuto


2. A redescoberta dos dons como instrumen~
) tos úteis na edificação da igreja e na 6. A tendência de atribuir a fatos comuns
uma dimensão excessivamente sobrena~
evangelização;
tural e, às vezes, supersticiosa;
3. A busca dos dons espirituais num con-
7. 0 perigo de considerar de "segunda
catégoria" outros cristãos que não têm os
::::iodaà:;3tsórico de reavIvamento e
mesmos supostos dons;
4. 0 espaço reservado à experiência na
) interpretação teológica dos dons e mila~ 8. A tendência de recusar a medicina con~
vencional e os métodos naturais de cura;
gres;
9. A falta de resultados expressivos no cam-
5. 0 entendimento de que Deus realmente
` atua no mundo, ao contrário do que diz po da cura milagrosa, quando se compara
com a propaganda feita nos templos,
\ o naturalismo disfarçado que permeia rádios e TVs.
parte do cristianismo tradicional;
) 6. A ênfase na oração, a abertura e a dispo~
Abordagem Cíclica
\ gci?`Lt]([,?ade para a atuação do Espírito
Em clefesa deste p()nto de \'ista, que re~
\ Al£`Juiis pontos negativos dcssa abc>rda~ flete de algum m()do o pensamento de John
Stott,+: John Da\'iLi+] e Lo`ii`ç Berkhof,4+ tam~
) gem, principa[mente no que [liz resiicito à bém serão mencioi`acl()s i`inco argumentos
expcJriência, são:
especi'f-icliLi:
\

J)on.i Rei`]idade AtuaE Re alidáid6LJ Futura


Profecias e outros dons rinperfeftos EXÉtrião até a parousm Desaparccerão na parousia
Comunicação com Deus Indheta Drieta ('fice a Íàce')
Amor (dom peffefto e supremo) kte Existriá para sempre

Quadro 1: Os dons no presente e no futuro, segundo I Coríntios 13

-64-
Argumento 1: A profecia de Joel pare- pequena mudança no texto de Joel, "decla,
ce ter dupla aplicação. Joel, que provavel- ra que seus ouvintes agora estão vivendo nos
mente viveu no nono século a.C.,45 previu últimos dias."49 Podei5e dizer que, tecnica~
um derramamento especial do Espírito San- mente, os "últimos dias" se iniciaram com
to no futuro. Diz o texto: "E acontecerá de~ a primeira vinda de Cristo (cf. Hb 1:1~2).
pois que derramarei o Meu Espírito sobre Mas o bom senso não pode negar que não
toda a carne; vossos filhos e vossas filhas há "últimos dias" mais últimos do que os
profetizarão, vossos velhos sonharão, e vos- dias finais. Se o primeiro século podia ser
sos jovens terão visões; até sobre os servos e considerado "últimos dias," muito mais o
sobre as servas derramarei o Meu Espírito século Xxl.
naqueles dias" 01 2:28~29). Essa profecia fa-
vorece a continuidade dos dons miraculosos
Argumento 2: A metáfora das chuvas
"temporã" e "serôdia" sugere dois movi~
em época`s especiais de duas maneiras.
mentos de "refrigério."5° ISTael era uma
PrímtiTo, Pedro aplicou o texto à realida~ nação agricola, e muitos conceitos teológi~
de do Pentecostes e ao futuro. Em Atos 2, cos se baseavam em analogias ligadas à agri~
vemos, em seqüência, a descida do Espírito cultura. A metáfora da chuva é uma delas.
Santo, o falar em línguas, o estranhamento Considerada uma bênção, sinal da aprova-
e a crítica dos opositores, e então a defesa ção de Deus, a chuva geralmente vinha em
do apóstolo. Pedro explicitamente diz que duas etapas: as "primeiras chuvajs" e as "úl-
o fenõmeno era o cumprimento da profe~ timas chuvas" (Dt 11:14). As duas eram es-
cia de Joel (At 2: 16-21). Mas ele não pára aí, senciais. As "primeiras chuvas," ou chuvas
e pouco depois acrescenta que a promessa do outono, em outubro/novembro, rompi~
dc> Espírito Santo (v. 38, "e recebereis o dorri am a seca do verão e preparavam a terra para
do Espírito Santo") era também para os o plantio e a germinação da semente; as
"últimas chuvas," ou chuvas da primavera,
ouvintes (não só para os apóstolos) e "para
todos que ainda estão longe, isto é, para em março/abril, ajudavam no amadureci-
quantos o Senhor nosso Deus chamar" (v. mento da seara e garantia uma boa colhei~
39). Se Joel ``democratizou" a manifestação ta. Impressionados com a importância desr
futura do Espírito, afirmando que todo o sas chuvas, os profetas tomaram~nas como
povo de lsrael (e não só líderes e profetas) símbolos da presença poderosa de Deus (Es~
poderia profetizar,46 Pedro féz a mesma coi~ pírito Santo) entre seu povo. Moisés Oó
sa. Esse elo entre Joel, o Pentecostes e "to- 29:23), Joel (2:23), Oséias (6:3), Jeremias
dos os que ainda estão longe" é muito signi- (3:3; 5:24), Zacarias (10: 1) e Tiago (5:7) fize-
ficativo. Para Pedro, o dom do Espírito não ram referência a essas chuvas, sendo que em
estava restrito à sua categoria (apóstolos), Oséias a metáfora é mais explícita.
nem à sua época (primeiro século d.C.) €
Pois bem, podemos aplicar a chuva
talvez nem ao povo judeu.47
temporã (yórehj` ) à experiência do Pentecos/
Em s€gLmctt) !w`gdr, podemos aplic`a.r o fa~ tes, quando a presença poderosa Jo Espíri~
tor tenipo tle |oi.l a tocio o períilclo iia igre- to na vida ilos discípulos capacitoihls a con,
ja., em espei`ii`l .|o fim dcts tem}ios. Joel (1iz Terter milhtres em im só dia (At 2:41) e a
ciue "cleiitlLs" De`is clermmaria o Seu Espíri, espalhar o e\'angelho por toclo (t mundo
(o (\'. 28); i`m si``LJuíila, menciom "mtiiiieles conheciilo da época (Cl 1:23), e`st.`'i`c`lecem
dias" (\r. 29); i` \-oltci a fahr em "iiMiuele`` do :` base cla igreja cristã; e poclemo¢ ap[[i`ai-
ilia``" tJ "miiiicli` tc-mpo" (3: 1). Si. t` `.J|`pois a |`huva serôdia (rnítlqós) à experiémlci `la
pt)día ser iiim referência temp(ml imedia- última geração de cristãos, que de\.c`rú pre~
ta, ou seja, após Deus abençoar c> pais e aca~ parar o mundo para a colhei[a final (cf. Ap
bar com a pTaga de gafanhotos, as expres- 14: 14-18).
sões "naquelcs dias" e "o grancle e terrível
Certamente, o Espírito Santo atua niim
dia do Senhor" (\'. 31) dão um [om
nível pessoal, operando o "novc> nascimen~
escatológico à profecia e "aponta claramen~
to" na vicla do crente (primeiras chu\'as) e
te para o fim ilos temp()s." Pedro. fazendo

_65_
amadurecendo-o espiritualmente (últimas dc e na qttamíc!cicíe da era de Cristo e dos
chuvas), mas há também uma atuação glo, apóstolos. Isso sugere que Deus interfere nos
bai, num nível escatológico, enchendo a igre~ moment:os críticos da história humana ou
ja de poder para terminar a evangelização da experiência religiosa do Seu povo, quan~
mundial, assim como os apóstolos a inicia~ do está em jogo o plano da salvação. 0 qua~
ram,52 e é neste sentido que a metáfoTa deve dro 2 resume graficamente este argumento.
ser entendida aqui. Que a presença do Es~ Argumento 4: A ocorrência de milagres
pírito traz consigo habilidade, poder e mila~ diabólicos no fim dos tempos pressupõe mi-
gres, a Bíblia deixa claro (ver, por exemplo, lagres divinos. Jesus profetizou que, antes
Zc 4:6; At 1:8; Rm 15:19).
da parousia, surgiriam "falsos cristos e fal-
Vale ressaltar que, nos primórdios do sc>s profetas operando grandes sinais e prc>
pentecostalismo americano (início do sécu~ ilígios para enganar, se possível, os próprios
Io X), alguns reavivamentalistas gostavam eleitos" (Mt 24:24). Nas palavras de Paulo,
"o aparecimento do íniquo é segundo a efi~
de aplicar a metáfora da chuva serôdia ao
seu movimento, chamando-o de "Latter cácia de Satanás, com todo poder, e sinais e
Rain Movement," e que na década de 1940 prodígios da mentira" (11 Ts 2:9). João atri-
outro movimento com esse mesmo nome bui à "besta" que emerge do mar o poder
acabou tendo impacto na renovação de operar "grandes sinais, de maneira que
carismática das décadas de 1960 e |970.53 até fogo faz descer à Terra, diante dos ho~
Entre os adventistas do final do século XIX mens," seduzindo "os que habitam sobre a
e início do século X, essa linguagem tam- Terra por causa dos sinais que lhe foi dado
bém era conhecida e utilizada.54 executar" (Ap 13: 13-14). Os §píritos de de~
mônios que têm papel ativo na guerra do
Argumento 3: Os milagres dos tempos
Armagedom são "operadores de sinais" (Ap
bíblicos aparecem em "ondas." Além de ra-
16: 14). Essa estratégia de engano e sedução
ros, considerando-se o período descrito, os
através de prodígios sugere que Satanás está,
milagres bíblicos não são uniformemente
na verdade, tentando imitar Deus. Satanás
distribuídos. Eles se concentram em cinco
agirá "como" Deus provavelmente estará
periodos:55 criação, Êxodo, apostasia de ls- agindo no fim dos tempos. 0 produto que
rael (IX século a.C.), cativeiro judeu na
Satanás tentará vender não é original, mas
Babilônia (Vl século a.C.) e ministério de
sim uma contrafação.
Jesus e dos apóstolos. Isso pode ser consta-
[a.do até numa leitura superficial de uma lis~ Um exemplo amplo da ação "pirata" de
ta de milagres. Há registro de atividade Satanás é a invenção de um sistema parale-
miraculosa na literatura cristã do segundo e lo de culto, baseado em dois pilares: (1) ido-
cerceiro sécult)s d.C., especialmente profe- latria e (2) au[o-salv`cição. Babilônia é o nome
``ia, cui-a e exorcismo,5" mas não m qtmli.clci, ilaclo no Ailocalipse (14:8; 17:5; 18:2) a esse

Data(apn)xiimda) A8entes/Pmtagonistas
Evento

l crklção `)

iDe"
)+ l\ioi`é` L` Josué
1`. 1+50 a`(`.
i £~{odo (re`tabelecimento cla mição isi.{ii`htí\)

Apos!asia (ciise idó]at[.a de lsrael) 850 a.C. Eli£i` e Eliseu

Ex]1io (cati\'eiro de lsrael na BabiK}nri) 6()0 a.C. Daniel e seus amigo,`

Tenipos iTessiânicos (inft:io do cri`stianisnm) 27-98 d.C. Jeçu`` e os apóstok)s

Chiiva serôdia (témino da evangelização) •)


Rema"=scente

Qu.idro 2: Ciclos de milagres na história do po\'(` de Deus

-66-
sistema, em sua versão mística e escatológica. do um evangelho etemo para pregar aos que
Nc> tempo do antígo lsrael, parece que se assentam sobre a Terra." Ora, a fimção
LÚcifer, identificado por lsaías (14:12-15) de pregar o evangelho é dos seres humanos
como o rei invisível de Babilônia (em (Mt 28:19), embora os anjos possam apoiá~
semítico, Bab-i.ltt, "pt)rtão de Deus" ou "por~ 1a. Portanto, esse anjo deve ser simbólico.
tal dos deuses"), queria transformar 0 mesmo princípio deve se aplicar ao se-
Babilônia no seu centro espiritual, em opo- gundo anjo de Apocalipse 14:8 e também
sição ao templo cie Deiis em Jerusalém. Uma ao anjo de 18: 1. 0 elo en[re eles é cl`c`ro por~
evidência disso é a gr<inde influência dc>s que ambos anunciam a queda de Babilônia,
sacerdotes no reino - influência "que difi- num contexto de julgamento (14:8., 18:2).
i`ilmente podia ser exagerada." Poderoso (pois tem ejco%sjci, "autoridade"),
o anjo de 18: 1 ilumina a Terra, expõe a situ-
Pois bem, assim como Satanás tenta des~ ação de Babilônia e desencadeia o j`iízo. Quc
virtuar a religião verdacleiia, estabelecendo ele aparece antes da segunda vincla, é evi~
i\m sistema paralelo de culto, assim também dente pelo coiwite ao "povo meu" para clei~
c`opia eventos especi`ficos do programa divi~ xar Babilônia (18:4). Conclusão: alguns "an~
no e tenta usá-1c>s para desviar o povo de jos" do Apocalipse representam diferentes
Deus. Os milagres estão entre os "produtos" movimentos e iniciativas, terrestres e celes~
tes, ligados à história da salvaçào; e o anjo
de 18: 1, especificamente, simboliza o clímax
.?,:iee::s,t::f:o:sÍ|r;:p:ora:;`'Ín:::Ênsx:oslá(??::;::c'|ir:;; da proclamação do evangelho, com direito
8:7, 18), e é o que deverá fazer antes da a milagres e manifestações de poder.
parousia." No fim, Deus desmascara o fal~ Outros argumentos poderiam ser utili-
sificador. Portanto, em contraposição aos zados em defesa da abordagem cíclica. Um
milagres diabólicos, previstos por Jesus, Pau~ deles é a previsão de fenômenos astronômi-
lo e João, pode-se dizer qu€ haverá também cos prodigiosos (Mt 24:29~30; Lc 21:25~26).
milagres divinos. Se haverá "sinais no Sol, na Lua e nas estre~
Argumento 5: 0 anjo poderoso de las," é provável que haja também outros
milagres, inclusive curas divinas. Mas, para
Apocalipse 18:1 pode simbolizar um mo
rnanter a simetria de cinco argumentos em
vimento de evangelização. Uma analogia
cada abordagem, fiquemos com esses.
com o ministério de outros anjos do
Apocalipse (por exemplo, os anjos do capi-
tulo 14) indica que esse anjo é simbólico. pTóS e contTas
Ele representa um poderoso movimento de Os pontos negativos desta abordagem
pri.gi`Ção do evangelho, no final dos tem~ são basicamente dois:
i`t)s. Provavelmente tal proclamação envol-
1. Os argumentos c[epenc]em, em parte, cle
\':i miliiízres, já que a "pala\'i.a para `autori-
dedução.,
il:`tli`` é iist`da iio Apocztlipse como sinôiii~
i```` ili` i.oilc`r (9:3,10,1Çl)." 2. Alguns (le seus adepto``, r\..\ prática` iw
dem cissumir uma iiostum clc` espc.i-c`
`\rmt C`niehelein, um tlos editotes origi-
m`siosa ou desleíxíiila ilo no\ro ciclo ile
nm ilH I`)ibh cle Ret-|.rc``ncia de Scofic`lil,
mil{if;yres, esq`ieceutlo-``i` tiiie iiiii`i experi,
u|`lI1`\ l|llc c`,s``e "tm|o [wc]e rcpreselltm` o
ência signiticm\Ía t`om o E``pírito (|iiicm
i`i-`\im i 5|`i`hor."Lt M.`` t` i i`t(±i-prc`üt.`ãt i ``iii`-
sal", cnt'ulTenclo mih,LJi-c`s) i```rá ili``tioní\-el
i `t )i íl`.\ lt[.1i ic`alia ao Crlstiall ismt>, apoi..``it\ Por
no presente.
Lai`He,°° parece corresponcler melhor às evi-
clc`ncias. João inicia cada carta às igrejas, em Mas ela tem virtucles fl>rt.es porque:
Apocalipse 2 e 3, com a expressão "Ao anjo
1. I'etmite um alto concei[o clo Pentecostes
(-lii igreja em..." Será Liiie ele realmente esta~
e do cânon, sem negar a atualidade dos
va escrevendo a iim ser invisível, sobrenatu~
clons miraculc>sos, pois o fato cle cer[os
ral.7 Dificilmente. Em Apocalipse 14:6, João
fenômenos serem funilacionais6Pão
\'ê um "anjo voando pelo meio do céu, ten-
significa ci`ie não rtos`sam `ie repetir;

6r/ .
2. Explica a concentração .de milagres em História -ou pelo`menos na história do
certas épocas e a escassez em outras; povo de Deus.63 0 fator desencadeante de
um ciclo de milagres pode variar:64 na cria-
3. Respeita a soberani-a do Espírito para
distribuir dons ci qt#m e qt4cmdo quiser;
:ã:,nf:;oopfa::i:egraa:i.ovs:sç:reds:rn:rigxeo=.:
4. Leva em conta todos os dados bíblicos. foi o forjamento de um povo especial para
enquanto incentiva a busca de poder divulgar o plano da salvaçao; no tempo de
espiritual; Elias e Eliseu, foi o combate à idolatria ge-
neralizada; durante o exilio de lsrael na
5. Provê uma explicação lógica (ou espe~
Babilônia, foi o conftonto com o paganis~
rança) para o clímax da proclamação do
mo, na capital mística e simbólica do reino
evangelho;
de Satanás; no ministério de Cristo e dos
6. Pressupõe que os milagres, as§im como a apóstolos, foi o sinal dos tempos messiânicos
própria História, caminham em círculos e a fiindação da igreja. 0 fator invariável é a
(no caso, ondas ou ciclos), mas dirigem- soberania de Deus.
se para um fim (eles não são acontecimen-
Se a hipótese cíclica estiver correta, a
tos imprevistos e acidentais).
próxima onda de milagres deverá acontecer
' pouco antes da "parousia," como fenamen-
A lóGICA DOS CICLOS ta no encerramento da proclamação do
evangelho. Aparentemente, o movimento
Em minha opinião, a abordagem cíclica
é a que melhor corresponde aos dados bí~ pentecostal/carismático atual não
corresponde aos ciclos bíblicos.65 0s mila-
. blicos. Ela pode recorrer aos mesmos argu~
) mentos da abordagem carismática, mas não gres bíblicos eram€erenos, majestáticos, ins-
tantâneos,66 indiscutíveis. Os milagres
para neles; considera também os argumen-
tos utilizados pelos defénsores da aborda~ pentecostais, ainda que potencialmente re,
) gem fimdacional. lntegra texto bíblico e his-
tória. àLs:sá::aá:à:::.:7dÃ:veezg::§=paerrgaed¥re:
de milagres parecem especialistas em criar
Um pressuposto da abordagem cíclica é "clima emocional," para ver se, da agitação,
que, nos "intervalos," os dons continuam sai algum milagre. Porém, o movimento
disponíveis, do mesmo modo que a Palesti~ pode ser uma útil quebra do paradigma na-
na recebe alguma chuva entre a "chuva turalista/cético infiltrado no cristianismo,
temporã" e a "chuva serôdia." Milagres ver- numa espécie de preparo psicológico e men-
dadeiros podem acontecer, só que não na tal do planeta para o novo ciclo.
fieqüência e intensidade das fases de "pico."
Ainda no campo hipotético, podei;e di~
A pergunta lógica que vem em seguida zer que, nos intervalos, a tendência é Deus
é: "Por que os ciclos?" Um carismático típi~ usar pessoas piedosas (ou nem tanto) como
co responderia que os milagres dependem agentes de milagres, apesar de sua possível
de fatores humanos (fé, oração, abertura); imaturidade espiritual (comportamental ou
um protestante tradicional defenderia a so- doutrinária); já nos ciclos, por terem cará-
berania divina. Os dois estão meio certos. ter judiciário / soteriológico / escatológico
Pois, se Deus leva a sério o livre-arbítrio / missiológico, a tendência é utilizar pesso~
humano, também exerce plenamente o Seu as ou grupos de pessoas não só piedosas,
\ "papel" de Deus. Ele interage com a
mas também de grande maturidade espiri~
humanidade,6Z percebe a plenitude dos tem- tual. No primeiro caso, temos os exemplos
pos e determina o momento ideal do ciclo de Gideão e Sansão, que não eram, diga~
) miraculoso. Leva erq` conta o contexto his~ mos, santos homens de lsrael, mas presen~
tórico e os Seus prc)pósitos. ciaram ou operaram maravilhas.68 No segun~
' Um conjunto de milagres deve ser con- do caso, temos Moisés, Elias, Jesus e os após~
siderado um ciclo quando tem quantidade tolos, que estão fora de qualquer suspeita.
ou qualidade suficiente para interferir na Assim, se no intervalo entre os tempos apos-
)

_68_
)
tólicos e a época do fim houve milagres geral, é definida como uma capacidade especial dada
protagonizados por agentes incoerentes na por Deus para uso no contexto da igTeja.
doutrina ou imaturos na fé, no ciclo final 3 Essa disputa teológica parece ter se intensificado
os milagres devem ser liderados pelo rema- nos últimos anos. Ver, por exemplo, Gary S. GTeig e
nescente de Deus - um povo consagrado e Kevin N. Springer eds., TT.£ Kingdom 4nd thc Pou€r
(Ventura, CA: Regal, 1993); John F. MacArthur,
fiel à mensagem bíblica. Supostamente, Ch4risi'n4tic Ch4os (Grand Rapids, Ml: Zondervan,
Deus usa o melhor de que dispõe em cada 1992); Wayne Grudem, ll`c Gf[ oÍ Prophccy jn tJw Neu;
época, considerandcrse os Seus propósitos. Testcim€nc and T?da} (Westchester: Crossway, 1988); e
Deus não está restrito aos rótulos Graham Houston, Prophccy: A Gft ft Tjd4}? (Downers
denominacionais;69 Ele é livre para atuar Grove, IL: Intervarsity,1989). .

como e por meio de quem Ele desejar, man~ + Wayne A. Grudem ed., Are MiTacwlot4s Gfts /oT

tendo, no entanto, coerência com a Sua re- Tod4)?, Counterpoints (Grand Rapids, MI:
Zondervan, 1996). No prefácio do livro, Grudem dá
velação anterior.
um panoram das quatro posições, destacando as di-
ferenças e pontos de contato entre elas, e apresenta
RESUMo os aiitores dos ensaios.
5 Há diferenças "cosméticas" entre pentecostais e
Neste artigo, foram focalizadas três teo~
carismáttco§, Os pTimeiros crêem que o batismo no
rias sobre a vigência dos dons miraculosos. Espírito é uina experiência subseqüente à conversão,
Verificamos que um grupo capitaneado por e a glossolalia (falar em línguas), um "sinal" dessa ex-
teólogos protestantes tradicionais argumen- periência; já os últimos não têm um consenso sobre
ta que os dons miraculosos se restringiam à esse§ dois pontos. Ambos enfatizam a atualidade de
todos os dons mencionados no Novo Testamento.
época da fundação da igreja (4bord4gem
6 Esse nome foi dado por C. Peter Wagner. do Fuller
fwnd4ciorLcil); observamos que outro grupo
liderado por pent€costais clássicos e Seminary, em seu livro How to H4Üe a Healíng Mínismi
(Ventura, CA: Regal, 1988), 8, ao movimento de re-
carismáticos defende que esses dons têm um novação surgido nos Estados Unidos na década de
papel importante na missão evangelizadora 1980erepresentadoprincipalmenteporJohnwimber
da igreja e continuam disponiveis (abcmdci, (1934-1998), fundador dos ministérios Vineyard. A
"primeira onda" seria o pentecostalismo, cujas raízes
g€m ccirismáticci); e vimos que uma terceira
abordagem, combinando aspectos das duas estão no reavivamento noi.teiimericano de 1901 ; e a
"segunda onda," o movimento de renovação
anteriores, propõe uma visão cíclica dos mi~ carismática surgido nas décadas de 1960 e 1970.
1agres.
7 0 neologismo "fi]ndacional," em vez de "fundamen-
Este último modelo pressupõe a valida~ tal," foi escolhido para evitar confiJsão sernântica. Ele
de dos dons miraculosos hoje e a ocorrên- não diz respeito ao movimento fi]ndamentalista, mas
cia de milagres em todas as épocas, mas não sim ao papel dos dons miraculosos na fiJndação da
igrej a. Prefiro este nome ao tradicional "ccssacionista"
na mesma quantidade dos períodos de con-
para evitar a idéia de que os adeptos dessa posição
centração. E prevê que, pouco antes da vol~ defendem que codos os dons ou milagres cessaram com
ta de Cristo, acontecerá um novo ciclo de os apóstolos, pois não é o caso. A maioria dos
"cessacionistas" aceita que Deus é soberano para ope~
milagres, como clímax da proclamação do
evangelho. Esta abordagem parece rar milagres hoje em resposta às orações dos crentes.

corresponder melhor aos dados bíblicos. 8 Com essa palavra, quero destacar que os milagres
têm fases ou periodos de concentração.
9 A lgreja Católica "sempre professou o papel dos
REFERÊNCIAS milagres comci testemunhos de sua autoridade única
' Este artigo é um extrato adaptado do capítulo 2 da na qualidade de madre igreja," escreve Alan Pieratt;
assim, os reformaclores precisavam desenvolver uma
dissertação de mestrado "0 toque da fé: paradigmas
teo[ogia que "explicasse por que aquele número de
bíblicos da cura divina," apresentada ao Seminário
testemunhos de milagTes aparentemente infinito du~
Adventista Latino-AmeTicano de Teologia em feverei-
os 1.500 anos anteriores não apresentava
ro de 1999.
nhumaforça. Alan Pieratt, Sin4ís e Matifivílh4s: 0
! Os dons miraculosos, que incluem profecia, línguas à=-bcws ou .o Chifte do Dicibo? (São Paulo: Vida
e curas, entre outros, também costumam ser chama- 1994), 28.
dos de "dons revelatórios" e "donsi;inais." A palavra 1° o pai do protestantismo
"dom" (no grego, charísmci; plural, ch4rismata), em

_69-
cura espiritua[, mas há düvida se ele manteve sua opi~ Z9 Ver, por exemplo, Yowr Spirici+4l G/t5 Ccin Help Yowr
nião até o fim da vida. 0 próprio Lutero teria orado, ChwTch Grou/, ed. rev. e a[ual. (Ventura, CA: Regal,
certa vez, pela saúde de seu amigo Filipe Melâncton, 1994).
sendo bemóucedido.
'° Ver ]ack Deere, Swrpris€d b) the Power of the SpiTtt
" Para o reformador francês, Deus opera milagres
(Grand Rapids. Ml: Zondervan, 1993),
como nos velhos tempos, mas nào através das mãos
'` Rm 12:6i3; I Co 12:4-11, 28; Ef 4:l.
dos apóstolos, porque esse cra um dom temporário e
"logo se extinguiu." João Calvino, As lnsticttt4s (ot4
3Z Mi||ard j. Erickson, ChTtstian Theology {Grand
Trti[cido dci Relígióo CTÍstá) (São Paulo; Casa Editora
Rapids, Ml: Baker, 1991). 876.
Presbiteriana, 1989). 4:436.
" Warfield afirma que praticamente não há indícios
" Ver o "Discourse on Spiritua[ Gifts" de Owen, em "de milagres nos primeiros 50 anos da igreja pós-apos-
The W'orks o/ John Owen, ed. William Gould
tólica;" a evidência aumenta durante o 3° século, "tor-
(Edinburgh: T. and T. Clark, 1862), vol. 4, cap. 4. na~se abundante" no 4" século e crtlsce ainda mais a
`3 Ver Benjamin 8. Warfield, Cotmt€Tfeit Mimcle5 partir do 5`' século. Mas, se a quantidade cresce, a
(Edinburgh: Banner of Truth, 1995; publicado inici- qualidade diminui` Isso indicaria qiie [eiidas pagãs se
almente em 1918). Devese notar que o propósito de infiltraram na igreja, e a igTeja se reciisou a õe liv[ar
Warfield era refutar milagres espúrios ao longo da desse "lixo" na Reforma. Warfield,10, 73. 0 histori-
história da igreja, e não debater a continuidade dos ador Philip Schaff concorda que o periodo anteniceno
dons miraculosos. (antes de 325 d.C.) é mais criteriosc> nos [elatos de
milagres do que a fàse nicena e da ldade Média. Philip
'4 Richard 8. Gaffin jr., "A Cessat:ionist View," em
Schaff, Hístot.)i of thc ChTistian ChwTch (Nova lork:
Are MiTacuk]us Gifts foT T}odaü?, Z5Í)4. Scribner,1910), 2:117-118. Porém, Ronald Kydd che,
„ Ibid., 31. gou a uma conclusão oposta. Segundo ele, as fontes
indicam uma igreja fortemente cari§mática acé 200
16 Ibid.' 3Z.
d.C. A experiência carismática declina nos próximos
" Gaffin explica que, no ]c>rdão, Jesus recebe (foi 60 anos, desaparecendo a partir de 260 e não reapa-
batizado com) "o Espírito para cumprir a obra recendo até pelo menos 320, o ponto final do estu-
do. Ronald A. N. Kydd, Ch4rN)Í`4ctc Gift ín [he EaTl)
messiânica que estava diante dEle (1£ 3:21-22); na
ascensão, Ele 0 recebe como recompensa por ter com- Ch"h (Peabody, MA: Hendrickson, 1997), 4. Eusebius
A. Stephanou também apresenta significativa evidên-
pletadc) a tarefa que està atrás dEle e para batizar ou~
tros com o Espírito" (ibid., 3Z, rodapé). cia de dons miraculosos no cristíanismo primitivo
("The Charismata in the EaTly Church Fathers," TTw
18 Ibid., 3Z.
Gt€ek Chthodo?c ll`£obgicc[l Reutcw 21:2 [verão, 1976],
19 lbid.. 37. 125-146).
34 Di'a[ogttc. 82, em The An[e~Nicene Fa[her5, ed.
Z° Peter Masters, Thc Hc4líng EPídcmic (Londres:
Alexander Roberts, James Donaldson e A. C. Coxe,
Wakeman Trust,1988),116,122.
2" ed. (Buffalo: Christian Literature Publishing
2' Confira também Lc 24:46.48; At 2:32; 5:31-32;
Company, 1885), 1:240.
10:3942; 22:14-15; I Jo 1:1-3, " David S. Clark, Compéndio dc Teologia Sistcmáttca
22 Ver Mascers, 68-74.
(São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, s.cl.),153.
2, Ibicl.. 127_ ió Citado por Clai.k.

" EstiJ cirgiimi>nti) é aprestmtado m perspectiva 37 Lc 10:9,19-20; At 13:1; 19:6; Gl 3:5; [ Ts 5:19,2il.

cessacionisra. Eudentemente, há oi[tras interpri`raçóes


" Don.ild W'. Dayton Tnostrci, eiT\ seii li\.ro Thco[ogiL`(i(
para o fenômeiio cla glosso[ali.`.
Roots oJ-Pemc.cos[tilí`m (Peaboily, M \: Hendrickson.
" Peter M[\stcrs e um ili`fi`i`soi-taml)(`m deste poiito
1994). quc o pentc..costalismo tem r.L`Í:es m trailição
cle \;ista. Ver M`isrers,123~125. t``ológica de Wesley. 0 capitulo 5 é tledícaclo Lio ru(.-
" Lt.w[s Spei-[y Chafti`[` TiJu!ogi.ci }ii>Íc>mÁti(`fi (Daltm vin\t`nto tle ciirz` di\'ími.

GA: Publicaçi->i>s Espanholas,1974),1 :265. " Os carismáticos da Terceirii Oiiila, |`m geral, nri(>
27 0bserve,se, porém, que o fato de Lucas conectar o apóiam essa tese. Mesmo entre os pentecostais clássí-
mir\istérío de Jesus com o Pentecostes não si\gnifica, cos, há quem não a aceite a d()utrina da "seguiida
necessariamcnte, ciiie os dons não pudessem prosse- bênçã()." Um deles é Gordor\ D. Fee, respeitável au-
tor cle Gocl'5 EmpoweTíng PTescnL`e (Peabodv, MA:
guir. Nada indica que Lucas tivesse a incenção de lí-
mitar a manifestação miraculosa do Espírito ao perí~ Hendrii`kson, 1994). Para um tTatamento mais am
odo coberto pelo liv[o de Atos. plo sobTe a doutrina da "subseqüência," ver Henry 1.
Lederle, TTeflst(T€s Okz anJ Ncu/.. lnt€TPT€tcicions o/ `Spm't-
28 Ver john Wimbe[ c Kevín Sprínger, PoW~
Bcip[ism' ín th€ ChflTismcittc Renewcil Mot/em€nc (Peabody,
EÜ4ngelí5m (Sari Francisc`): Harper & Row, 1986).
MA: Heiidrickson, 1988). Paul{>. <it) que parece` de~
fi`iiitia um mi`clelo de \Jida conct'"u iii] Espírittj.

-70-
4° Segundo o teólogo ]. 1. Packer (Nci Di.námícfl do E§-
apóiam a tese pentecostal do batismo no EspíTito
Pi.rito {São Paiilo: Vida Nova, 1991], 187), o "movi- como obra subseqüente.
mento carismático tem sido chamado de `uma expe-
S) Ver Richard M. Riss, "Latter Rain Mc>vement,"
riência procurando uma teologia."
DÍcti.onaryo/P€ntccosúla"]Ch4TismciticMoo€ments,ed.
4' Champlin, após observar qiie "o quadro na igreja Stanley M. Burgess e Gary 8. MCGee (GTand Rapids,
cTistã, hoje em dia, está terrivelmente confiiso", cc> MI: Zondervan, 1996), 532~534.
menta que os dons devem ser buscados "somente `atra~ ç' No documento "Ellen G. White, the Early/Latter
vés' do desenvolvimento espiritual, e não com o dese- Raiii, and the Baptism of the Holy Spirit". nãi+publi-
jo de obter acesso à espjritualidade mediante um ata- cado, Teóf.ilo Ferreira, pesciuisador do White Estate
lho fácíl." R. N. Champlin, 0 Novo Test4m€nfo Jn[er-
(12501 Old Columbia Pike, Silver Spring, Mariland,
Pretado VcTsi'cttlo PoT Versi.cwlo, (São Paulo: Cancleici, 20904, USA), analisa o uso da metáfora por Ellen
1995), 4:187.
White.

'2 john Stott (Bati5mo e Plenitttde do Espiírito Símto, 2" " Alguns preferem falar em apenas três períodos: a

ed. |São Paiilo: Vida Nova,1993|, 72) diz que os mih/ fase do Êxodo, com Moisés e josué; a da apostasia no
reinado de Acabe, com Elias e Eliseu; e a da funda~
gres bíblicos "sl` agrupam como estrelas no céu notur~
no," existindo "quatro constelações principais:" a Ção da igreja cristã, com Jesus e os apóstolos. Preíiro
época de Moisés, o período de Elias e Eliseu, o minis- a fórrnula dos cinco períodos, por ser mais flexível.
tério de Jesus, o ministério dos apóstolos. 0 propósi- 56 j. H. Bernard, "The Miraculous in Early Christian
to dos milagres, segundo ele, é "confirmar cacla novo
Literature", em 17i€ LitcTacwr€ of [h€ Second Ceníw7),
estágio da revelação."
ed. F. R. Wynne, J. H. Bernard e S. Hemphill (Nova
+' John D. Davis, "Milagres," DÍcionárío da Bíblia (Rio York: James Pott & Co, 1891), 147.
de Janeiro: Casa Publicadora Batista, 1960), 395. 57 Geo W. Gilmore, "Babylonia", 77te N€w Sch4#-
44 0 teólogo crê que, além dos "ciclos de milagres HgTzog Encycbped{ci o/ Relígiow5 Knowkdge, ed. Samuel
ligados a periodos especiais da história da redenção," MacauleyJacksoo (GTand Rapids, Ml: Baker,1951),
"no fim dos tempos, haverá outra série de milagres, 1:41Z.

que redundarão na renovação da natiireza, para a gló- 58 George Ladd, Apoc4lipse: Jntrodwçõo e Cbmentário.
ria de Deus." Louis Berkhof, Teobgia Sjscemátíca (Cam-
Cultura Bíblica 20 (São Paulo: Vida Nova/Mundo
pinas, SP: Luz para o Caminho, 1990), 176.
Cristão, 1984), 174.
`' Não há consenso sobre a época do ministério de
ç9 Arno C. Gaebelein, TTie Rct;€L]t[.on: An E]cPositi.o7i
Joel. Gleason L. Archer Jr. situa suas profecias por
volta de 830 a.C., na época da menc>ridade do rei (Nova lorque: Loizeaux Brothers, 1961), 104.
Joás e a regência do §umo sacerdote Joiada (MCTcce 6° john Peter Lange (L4ng€'s Com7ricnt4Ty on thc Ho!}
Con/iança o Antjgo Testamento? {São Paulo: Vida Nova, Scrip[wTcs: Re`^ehtion |Grand Rapids, Ml: Zondervan,
19911, 233). s.d.|, 325) escreve que "o cristianismo, em uma nova,
4ó Es6e era um sonho de Moisés: que lsrael fosse uma gloriosa e, portanto, poderosamente eficaz fase de
nação de profetas (Nm 11:29). desenvolvimento, deve ser entendido pelo anjo."
47 |. Howard Marshall (Atos: Jntrodt4çÕo e Comentório, 6' Um exemplo dessa convivência entre o s[4tu5 dos

Cultura Biblica 5 |São Paulo: Vida Nova/Munclo apósto[os e a continuidade dos dons é fornecido pe-
Cristão,1985|, 8]) comenta que a frase "toiios os que los adventistas do sétimo dia. Eles crêem que Ellen
aii`ila estão longe" (cf. ls 57:19; Eí 2:13,17) ``certa- White tinha o dom de profecia, mas adotam c> prínci'-
men[e incliii tod()s os jiideus espalh:\ilos em tt)clo o pio de sola ScTipttm Essa é uma posição histórica do
miindo e (a{is olhos dc Lucas, mcsmo si. Pedrii não <idven[ismo, segundo LeRoy Edw`n Frciom (Moti€m€nt
chegzm a este enteniliml`ii[o) os gentitt`s miiil`ém.' of Dcs[m) |Washnigton, DC: Review and HeTald,
19711` 91~106).
48 Davicl Allan Hiiblmrd, Joc>l c' Ar)tó`ç htr()clL£çíio e Co-
t`2 Que Deiis mfmge com a humanidade, n Bililia
meritário, Cultui-a Bil`[ica 22 (São P:`iilo. Vitla N`|\'c`.
1996), 82. deixa clai-o (cf. Jr 18:6~10). Deus é soberano, i`ias nãc`

+`' Mm-shz`l[, 7 3.
clitt`ilor. Ele sal]e que, para Se sustentar mor.`lmentJe
ll;cii`ti` ilc iim uiiiverso de seres [ivres, a longo prazo.
" A pcilavi-a "refrigei.itj" e empregaita p(ir Peilrt>, em tem iiLie agii. como é - ou seja, é santo e age c(m
Ato`` 3:20, para iniiícar as bênçãos que acompanha~ santidade, é jiisto e age com jiistiça, é amoroso e age
rão a segunda viiiila (le Jesiis. com aiTiur. lsso sigiiifica que, em certo sentido, Deiis
" Joel (2:Z3) emprcí:a a palavra môTch, em vez ila for, precisa de iima "autorização" moral para agir. Ele a[ua
m "legaLlidade" (em relaçã(), digamos, à Lei Cósmica
ma mais iisuRi )ÓTLP;1. .
do Amt)r). Ele prestaL contas a Si mesmo e aos seres
í! Essa dup[a aplicação da metáfora cta chii\/a paTece criados. Na cruz, Deus mostrou ciiie é "justo e
ser iima tendêi`cia m.`is ou menos geral i`iitre t\s {`uti} iustiíícador" (Rm 3:26); nos atos de ju[gamento e m
res aiiventis[<is do sétjmo dia qiie, no ei`tantt`, nã(> coiicessãt` do Espirito, evidencia que é "livre e liber-

-hil
tador." Paulo parece sugerir que o próprio Deus, jun- (Grand Rapids, Ml: Zondervan, 1979), 143-149. 0 ar-
tamente com o Seu povo, é "avaliado" cosmicamente gumento de MacArthur parece essencialmente corre-
pela maneira como age (Rm 3:4; I Co 4:9). to, mas, como registro, vale lembrar que em pelo me-
nos um caso os discípu[os foram incapazes de curaT (cf.
63 Pau| Touilleux (jntToc!t4çdo 4 twna Tcobgi4 Cr!'Cícci,
Mt 17: 19, Mc 9:28, 1£ 9:40), e Jesus fez diias ciiras em
Revelação e Teologia [São Paulo: Paulinas, 1969], 58) etapas, progressivamente (Mc 8:23-25; Jo 9: 1.7).
6ó Em Marcos 1, a instantaneidade da ciiTa é ressalta-
:net::od:oqsuee r::e:emmalg:eesp:;le,,gàso„ g:oâ:,t,ogsooTuets=as~
poucos fatos que podemos encontrar aqui e ali são da pela palavra gregaL ewthios ("na mesma hora," "ime-
apenas acontecimentos menores, no sentido que não diatamente"), que, como diz Baxter, "encontra,se em
constituem causas determinantes da história." toda parte." J. SidLow Baxter, Excimjnaj a5 Escrímras:
ó4 "A tradição judaica considera que Deus concede Pcri`odo rritei.bíblico e os Eu4ngelho5 (São Paulo: Vida
Nova, 1992), 204.

:is::ieq:apnaà:eoBTraJaersdtaDeump;;rÉP:::ODceuu`sm.:nmanut:: ó7 Num estudo §obre fenômenos pentecc)stais, na dé-


obrigação moral com a Sua criação e, nurna situação cada de 1970, o jornalista Roland R. Hegstad con,
i "sem saída," só Ele pode encontrar a saida. Há um cluiu que "muito poucas curas |e§pirituais] têm sido
paradoxo: "Uma geração inteiramente entregue ao documentadas por competentes autoridades médicas.
pecado não reconhece mais os sinais. Uma geTação Isso não quer dizer que elas sejam falsas; apenas que
inteiramente justa não necessita de sinais." No inte- não são documentadas" (Ratlmg [hc Gc][es |Washing,
i rim, enquanto se espera o ponto crítico, os sinais são ton, DC Review and Herald, 1974]. 188). A opiniáo
dados, então, "sÓ àqueles que são dignos deles" de William Nolen é mais radical. Médico de
i (Sinédrio, 98b). Bernard Dupuy, "0 Milagre na Bí- Minnesota, Nolen resolveu rastrear alguns alegados
blia e no Pensamento Judeu," em Os MihgTes do Eu4n- casos de cura divina. Depois de passar um ano e meio
ge!ho (de vários autores), Cademos Bíblicos 16, 2a ed. nes;a missão, revelou vários casos de fraude e consta-
(São Paulo: Paulinas, 1982), 18, 23. tou que os curadores não apresentavam nenhuma
i 65 Packer considera que Deus está no movimento solução para as doenças orgânicas. Cf. William A.
Nolen, H€almg: A Doctor Ín Se4rch of a Mírack (Nova
carismático, mas ressalta que "os fenôme.nos
York: Random House, 1974). Outro caçador de frau,
cari§ máticos atuais não correspondem plenamente aos
des famoso é o mágico James Randi, que pôs na
mencionados em 1 CoTíntios 12-14." Para ele, "o
lnternet uma proposta milionária para quem cc)nse~
reavivamento que a igreja necessita hoje ainda não
veio, e igualar o fenômeno carismático à plenitude guir provar seus poderes p§íquicos ou sobrenamrais
(http://www.rand i.org/j r/chall.html). Em relação aos
do reavivamento demonstraria alguma ignorância
curandeiros, cf. James Randi, Th€ Fai[h Healers
sobre o que é avivamento" (Packer, 178, 249). Na opi-
(Buffalo, NY: Prometheus, 1989).
nião de Stott, a nossa atitude diante dos milagres não
"deve ser nem uma incredulidade obtusa (`não acori- 68 Gideão teve 70 filhos, porque possuía "muitas
tecem mais milagres'), nem uma credibilidade impen~ mulheres" Uz 8:30). Pode<e argumentar. que isso era
sada (`é claro! MilagTes estão acontecendo o tempo aceitável na época, mas não o torna mais santo. Além
todo'), mas uma atitude de mente aberta, de averi- de receber dois sinais divinos no incidente do novelo
guação" (Stott, 72). de lã Üz 6:3640), Deus deu a Gideão uma vitória
miraculosa contra os midianitas Oz 7:2; cf. 6:34).
John MacArthur é um dos mais ácidos críticos do Sansão conseguiu feitos impressionantes contra os
carismatismo. Segundo ele, o ministério de cura de
filisteus, mas cortejava as moças do povo inimigo,
Jesus e dos apóstolos tinham seis características ciiie o
apesar da advertência dos pais. Siia história está em
dos carismáticos não possui. Jesus e os apóstolos: (1)
Juízes 13-16.
curavam com uma palavra ou tocii`e; (2) curavam ins-
tantaneamente; (3) curavam totalmente; (4) cura\'am " Certa vez, João nijticiou, eufó`rico, c` Jesus que ha~
todo muiido; (5) ciii-avam dc>enças orgânicas; e (6) via prt)ibid(` um hc>mem de exorcizar demónios em
ressuscitavam i`iortos. Além ilisso, segunclo iiome de Je`sus, pois ele não os seguia. Jesus` em \/ez
MacArthur, os mdividu()s qiie possuíam dons os c)pe- de cont-irmar a "resl`rva de mercado," fa[()u para nãt)
ravam m base da vohção, tendo contrt)le sc)bre eles. Os proibir: "porciiie ningiiém há que faça milagre em Meu
carisn}áticos, clíz o teólogo, deixtim os tloentes nome e logo a seguir p()ssa t-alar mal i]e Mim" (Mi`
retornartm liecepcít>nacios para siias cL`s.`s em suas ca- 9.38-39). O[)viamcnte, há teste` 1`íblic``` pam se dc``,
clelras lle rollLli, nrlt> pl-l`cnchem os rcl|llisirt)s c\ sal`em cohrir sc <ilgiiém i-ealmente segue a Ci.isto. Mcis es,se
qi`e não têm o \rerclacleiro il{m de (ura bíblico. Jol-in F. iiii`iiletite mt)stra a tolerância cle ]|`sii`ç.
MacArthur Jr., 1Tic Chdrümcitics. A Docmnal PeTsP€cciu€

-72-