Você está na página 1de 46

CENTRO VOCACIONAL QUADRANGULAR

INSTITUTO TEOLÓGICO QUADRANGULAR – PATO BRANCO

MARCELO GUILHERME KÜHL

DIVÓRCIO: QUAIS SÃO AS ORIENTAÇÕES?

PATO BRANCO
2018
MARCELO GUILHERME KÜHL

DIVÓRCIO: QUAIS SÃO AS ORIENTAÇÕES?

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado


como requisito parcial para conclusão do Curso
Livre em Teologia do Instituto Teológico
Quadrangular – Pato Branco.

Orientador: Profº Rubenir Cadernal

PATO BRANCO
2018
MARCELO GUILHERME KÜHL

DIVÓRCIO: QUAIS SÃO AS ORIENTAÇÕES?

Este Trabalho de Conclusão de Curso foi julgado adequado para a conclusão do


Curso Livre em Teologia do Instituto Teológico Quadrangular – Pato Branco e
aprovado em sua forma final com Conceito: pela comissão examinadora
integrada pelos professores:

Prof.º Rubenir Cadernal


Orientador

Prof.º Rubenir Cadernal


Coordenação do Projeto de Pesquisa

Profª Mara Ione Barbosa Jornooki


Diretor Geral

CONCEITO: _____
AGRADECIMENTOS

A Deus pela vida.


À minha família, principalmente minha esposa Adriana, pelo incentivo em
fazer este Curso.
A todos os professores, em especial, ao orientador Profº. Rubenir Cadernal.
Aos amigos e colegas, e a todos aqueles que contribuíram, de uma forma ou
outra, para que este grande sonho se tornasse realidade.
RESUMO

Em quais casos, se é que pode existir, pode-se indicar o fim de um casamento


através do divórcio? Existe alguma regra ou padrão a ser seguido? Onde encontrar
uma resposta? Esse trabalho visa um estudo sobre as orientações bíblicas,
teológicas, doutrinárias, religiosas sobre o divórcio, obtendo assim embasamento na
orientação a ser dada aos casais ou cônjuges, quando se fizer necessário. A
metodologia neste trabalho, quanto ao tipo será qualitativa; quanto aos objetivos
será descritiva, pois identificará, relatará e comparará dados sem interferir neles.
Quanto ao procedimento técnico da coleta de dados utilizar-se-á da revisão
bibliográfica, em material já publicado sobre o tema como: livros, artigos de
periódicos, teses, monografias, arquivos eletrônicos, digitais e internet, assim como
documental, em documentos oficiais que não receberam tratamento analítico, como:
Código Penal Brasileiro, Estatuto e Regimentos e Doutrinas Religiosas. Após esse
estudo, ter-se-á um material compilado, com embasamento, para poder orientar da
melhor maneira possível, qualquer pessoa que busca uma resposta nesse quesito –
o divórcio.

Palavras-chave: Divórcio. Repúdio. Aconselhamentos.


LISTA DE TABELAS

TABELA 1 – As diferenças de pontos de vista entre as escolas de Shammai e Hillel


e o posicionamento de Jesus com referência ao divórcio ......................................... 19
Tabela 2 – QUATRO POSICIONAMENTOS PRINCIPAIS ACERCA DE DIVÓRCIO
E NOVO CASAMENTO ............................................................................................. 23
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 8
1.1 QUESTÃO DA PESQUISA ................................................................................... 9
1.2 OBJETIVO GERAL ............................................................................................... 9
1.3 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ............................................................................... 10
1.4 JUSTIFICATIVA .................................................................................................. 10
2 REFERENCIAL TEÓRICO ................................................................................... 12
2.1 O DIVÓRCIO E REPÚDIO .................................................................................. 12
2.1.1 Epistemologia ................................................................................................. 12
2.1.2 Citações bíblicas: ............................................................................................ 14
2.1.3 Visões Teológicas ........................................................................................... 18
2.1.3.1 Postura a favor do divórcio e novo casamento em consequência de adultério
ou imoralidade sexual ............................................................................................... 19
2.1.3.2 Postura contrária ao divórcio e novo casamento em consequência de
adultério ou imoralidade sexual ................................................................................. 20
2.1.4 Posturas atuais adotadas por teólogos – pastores internacionais: ................. 21
2.1.5 Algumas posturas adotadas por teólogos e pastores nacionais: .................... 23
2.1.6 Posturas Religiosas - Confissões de Fé: ........................................................ 25
2.1.6.1 Confissão de Fé de Westminster - Presbiteriana: ........................................ 26
2.1.6.2 A Confissão de Fé Batista de Londres de 1689: .......................................... 26
2.1.6.3 Confissão de Fé de Augsburgo de 1530 - Luterana ..................................... 26
2.1.6.4 Confissão de Fé da Assembléia de Deus no Brasil ...................................... 28
2.1.6.5 Confissão de Fé Metodista – Wesleyana ..................................................... 28
2.1.6.6 Confissão de Fé da Igreja do Evangelho Quadrangular - IEQ...................... 28
2.1.6.7 Confissão de Fé do Catolicismo ................................................................... 29
2.1.7 Estatutos – Regimentos .................................................................................. 29
2.1.7.1 Igreja do Evangelho Quadrangular ............................................................... 30
2.1.7.2 Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil ...................................... 31
2.1.7.3 Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil ...................................................... 31
2.1.7.4 Igreja Batista Pedra Viva .............................................................................. 32
2.1.8 Posicionamento Jurídicos ............................................................................... 32
3 ORIENTAÇÕES .................................................................................................... 35
3.1 INADEQUADAS .................................................................................................. 36
3.2 ADEQUADAS ..................................................................................................... 37
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................. 40
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 42
8

1 INTRODUÇÃO

Qual a orientação a ser dada, diante de várias circunstâncias, no


relacionamento matrimonial, que podem levar ao divórcio; existem regras ou
exceções, como o adultério? Até quando alguém pode ficar encarcerado e sofrendo,
perante a muitas formas de manipulação emocional do cônjuge traidor? ―Porque a
lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus
Cristo‖ (BÍBLIA – João 1.17). Essa graça veio para todos, incluindo àqueles que
sofrem tragédias matrimoniais, mas será que predomina a graça naqueles que
tiveram fracasso no matrimônio e consequentemente vieram a divorciar-se?
Diante da complexidade, pouca explanação ou ministração sobre o assunto,
muitas vezes um líder, fica sem muitas opções em orientar alguém que passa por
problemas dessa natureza, ou seja, problemas sérios e delicados que envolvem um
casamento, principalmente quando se tem violência física, abusos emocionais ou
adultério.
Essa pesquisa pretende aprofundar-se sobre o tema divórcio, verificando
interpretações das palavras hebraicas para repúdio e divórcio; citações bíblicas
sobre adultério; interpretações teológicas, as quais divergem nas tendências
favoráveis e desfavoráveis ao divórcio; descrição das Doutrinas e Confissão de fé de
algumas denominações religiosas, bem como seus Estatutos e Regulamentos, suas
posições diante do divórcio; implicações jurídicas, atuais e do Velho Testamento
sobre o divórcio e/ou repúdio.
A metodologia neste trabalho, quanto ao tipo será qualitativa; quanto aos
objetivos será descritiva, pois identificará, relatará e comparará dados sem interferir
neles. Quanto ao procedimento técnico da coleta dos dados, utilizar-se-á da revisão
bibliográfica, em material já publicado sobre o tema como: livros, artigos de
periódicos, teses, monografias, arquivos eletrônicos, digitais e internet, assim como
documental: documentos oficiais que não receberam tratamento analítico, como:
Código Penal Brasileiro, Estatuto e Regimentos e Doutrinas Religiosas. (FONTANIN,
K. A. O; LOURENÇO, R. L, pg. 51-61). Assim, a coleta de dados limitou-se na
literatura (escrita e digital) produzida no âmbito nacional e internacional: na literatura
escrita, além da Bíblia, foram escolhidos autores nacionais e internacionais; no
9

material multimídia (vídeos de congressos e entrevistas) de teólogo internacional e


vídeo com debate nacional, com participação de autoridades eclesiásticas.
Após esse estudo, ter-se-á um material compilado, com embasamento, para
poder orientar da melhor maneira possível, qualquer pessoa que busca uma
resposta nesse quesito – o divórcio, ―pois esse assunto não pode ser tratado com
frivolidade, nem com generalidade, cada caso é um caso‖, como afirmam Medeiros e
Lapa (2015), quando escrevem sobre os divorciados e o novo casamento:

No meio evangélico há posições que vão desde as mais radicais até as


absurdamente liberais, cabe a cada pastor estudar o assunto de forma
clara, bíblica, historicamente contextualizada, teológica, antropológica,
psicológica, e jurídica, e com total conhecimento abstrair e construir com
paz, boa consciência e bem-estar espiritual para si, convicções consistentes
sobre o divórcio e novo casamento, para terem e oferecerem respostas e
posicionamento pessoal à luz da palavra de Deus a pessoas sofredoras,
encarceradas e carentes de uma mensagem e voz justa, libertadora,
imparcial, isenta de qualquer tipo de preconceito e juízo, principalmente
porque este pertence a Deus. (MEDEIROS e LAPA, 2015, p.95).

1.1 QUESTÃO DA PESQUISA

Em quais casos, se é que pode existir, pode-se indicar o fim de um


casamento através do divórcio, no contexto bíblico? Existe alguma regra ou padrão
a ser seguido? Onde encontrar uma resposta?

1.2 OBJETIVO GERAL

Verificar as orientações bíblicas, teológicas, doutrinárias, religiosas sobre o


divórcio, obtendo assim embasamento na orientação a ser dada aos casais ou
cônjuges, quando se fizer necessário.
10

1.3 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Definir:
 Divórcio;
 Repúdio;
Pesquisar:
 Citações bíblicas sobre divórcio e repúdio;
 Qual a interpretação dada por alguns teólogos e suas
posições/opiniões sobre o divórcio;
 A postura de algumas denominações religiosas, baseando-se em sua
Doutrina – Confissão de Fé, Estatuto e Regimento Interno.
 Questões jurídicas atuais e antigas (A.T) sobre o divórcio.

1.4 JUSTIFICATIVA

O tema divórcio sempre traz à tona dúvidas, barreiras e muitas vezes, desvia-
se do assunto, pois além de delicado, é complexo o relacionamento dentro de um
casamento; pois nessa relação podem existir muitas variáveis que pontuam a
condição instável entre os cônjuges, podendo levar ao seu fim – o divórcio.
Pode-se constatar, apesar de se ter um bom material produzido sobre o tema,
em forma de livros, artigos, fóruns e congressos; pouca ênfase ou nenhuma é dada
sobre o divórcio no meio cristão (nas igrejas), tanto em estudos ou ministrações.
Fato que pode ser verificado até mesmo na apostila da disciplina Vivência Cristã,
onde apenas três parágrafos são concedidos ao assunto (SANTOS, p. 85), ou na
apostila da disciplina Aconselhamento e Orientação Familiar, sendo o menor dos
conteúdos de seis capítulos apresentados (MEDEIROS e LAPA, p. 95-100).
Portanto essa pesquisa serve para auxiliar no esclarecimento sobre o
divórcio, mediante orientações bíblicas, interpretações teológicas, posicionamento
das principais denominações religiosas através de suas Doutrinas e Confissões de
Fé, Estatuto ou Regulamento e posicionamentos jurídicos. Não é intuito encerrar na
sua totalidade, o estudo e a pesquisa sobre o tema, mas colaborar com a reflexão e
o estudo sobre o tema.
11

Assim, o estudo almejado possui relevância social, pois membros de uma


liderança religiosa ou aconselhadores de casais, poderão ter mais argumentos em
suas orientações, especificamente sobre o divórcio.
12

2 REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 O DIVÓRCIO E REPÚDIO

Serão vistos alguns conceitos e origem das palavras divórcio e repúdio; o que
Jesus Cristo ensinou sobre a lei judaica e a lei do divórcio; quais são os pontos de
vista religiosos e jurídicos sobre o assunto.

2.1.1 Epistemologia

Para definir as palavras divórcio e repúdio, buscou-se sua etimologia no


hebraico, grego e latim; primeiro porque a maior parte do Antigo Testamento(A.T.)
foi escrito em hebraico – língua falada pelos judeus na Palestina antes do cativeiro;
segundo, o A.T. mais tarde foi traduzido para o grego, idioma este também usado
para escrever o Novo Testamento (que na época dos primeiros cristãos foi a língua
internacional utilizada nas transações comerciais, tratados, escritos internacionais);
terceiro, do império romano, (povo que dominou entre muitas regiões a da Palestina
até os anos de 476 D.C) ficou o legado do idioma latim, o qual originou muitas
línguas, entre elas o português, daí sua importância para entender os conceitos que
aqui serão descritos. (MEDEIROS, 2014 pg. 11,47).
Divórcio no latim divortĭum, significando no âmbito jurídico ―uma dissolução
absoluta do vínculo conjugal, ou distrato da sociedade entre cônjuges, na presença
de um juiz‖; ou ―qualquer desavença, desacordo ou rompimento de relação
estabelecida entre pessoas, grupos, instituições ou entidades abstratas‖, ou ainda
um ―distanciamento ou separação (geralmente física) que envolve pessoas ou
coisas; afastamento, desunião, separação, apartamento‖. (Michaelis, 2018). A
palavra hebraica para divórcio, é keriythuwth, e que significa literalmente ―incisão‖,
―corte do vínculo matrimonial‖, separação. Da tradução do grego, tem-se a palavra
apostasion (diazýgia). (PENA, 2018, p. 18).
Repúdio no latim repudium, significa ―ação ou efeito de repudiar, abandono,
desdém, desprezo ou rejeição‖; no âmbito jurídico ―ato pelo qual o marido expulsa a
esposa do domicílio conjugal; não aceitação, rejeição‖. (Michaelis, 2018). A palavra
13

hebraica shalach significa repúdio ou normalmente traduzida como ―repudiada‖,


despedir ou deixar, já no grego ela é apoluo, (apokirýsso). (PENA, 2018, p. 18). Já
no dicionário Langenscheid Pocket Hebrew Dictionary (McGraw-Hill, 1969), citado
por Carvalho (2000, p. 96) esta palavra é melhor definida na seguinte frase: ―A fé
cristã tomou raízes e floresceu numa atmosfera quase totalmente pagã, onde a
crueldade e a imoralidade sexual eram tomadas como presentes e direitos e onde a
escravidão e a inferioridade da mulher eram quase universais, enquanto que a
superstição e as religiões rivais com toda classe de falsas reivindicações existiam
em todo o mundo.‖
Como base no explicado acima sobre os termos divórcio e repúdio, e segundo
Carvalho (2000, p. 98, apud CALLISON1, 1986), levando-se em conta traduções
bíblicas, como aquelas feita pelo perito em grego Kenneth W. Wues, em sua
tradução expandida do Novo Testamento, sempre vertia ―repudiar‖ ou ―deixar‖,
nunca ―divorciar‖. A tradução Revista e Corrigida de Almeida, a mais antiga em
português, sempre usou ―deixar‖ ou ―repudiar‖, da mesma forma a Revista e
Atualizada.
Ainda segundo Carvalho, encontra-se um equívoco em algumas traduções,
em específico, nestes termos divórcio e repúdio, os equívocos podem ter origem na
Bíblia King James (tradução em inglês e produzida em 1611, encomendada pelo rei
Jaime ou Tiago), os tradutores num trecho grafaram ―divorciada‖ em lugar de
―repudiada‖, ou ―posta de lado‖, ou ―deixada‖. Em Mateus 5:32 escreveram ―e todo
aquele que se casar com uma mulher divorciada comete adultério‖. A palavra não é
o termo grego apostasion (divórcio), mas uma forma da mesma palavra grega
apoluo a qual não inclui a carta de divórcio para a mulher. Ela, tecnicamente, ainda
estaria casada. A Versão Americana Stardard corrigiu o erro em 1901, porém não foi
suficientemente popular para fazer muita diferença, pois quase tudo o que tem saído
do prelo2, tem sido influenciado pela Versão Bíblica King James, e ainda os léxicos
gregos e tradutores mais modernos parecem ter-se deixado influenciar pela
ocorrência da tradução de apoluo como ―divórcio, ainda quando o significado da
palavra não inclui um divórcio escrito que é apostasion.

_______________
1
Walter L. Collison publicou na revista Your Church (mai/jun 1986), um artigo denominado O
Divórcio, A Lei e Jesus
2
Prelo significa em impressão. O livro já passou em todas as aprovações na editora e está no prelo
na gráfica.
14

Portanto, a diferença entre ―repudiar‖ e ―divorciar‖, entre o grego apoluo e


apostasion, é deveras importante, levando a interpretações equivocadas. Enquanto
apoluo indicava que a mulher era escrava, repudiada, sem direitos, sem recursos,
desprovida do direito básico do matrimônio monogâmico; apostasion significava que
o casamento havia terminado, o que permitia um matrimônio legal subsequente.

2.1.2 Citações bíblicas:

Foram extraídos algumas passagens e versículos bíblicos tanto do Velho


como do Novo Testamento, sobre o assunto divórcio e repúdio, dando base a vários
teólogos e escritores, cujas obras (algumas) foram citadas na Bibliografia deste
trabalho.
O assunto acerca do divórcio, de tão polêmico que é, foi usado pelos fariseus
para testar ou se opor a Jesus Cristo, como pode ser verificado em Mateus 19, 3-7
(BIBLIA, 2011 pg. 1212), onde queriam um debate sobre ―o mandamento‖, pois
assim eles entendiam; escrito em Deuteronômio 24.1 (BIBLIA, 2011 pg. 269),
tentando colocá-LO contra Moisés, consequentemente contra Deus e contra o rei
Herodes (que tinha um caso de adultério com Herodias). (LOPES, 2001 pg. 21)
Jesus Cristo respondeu e ensinou, tanto aos fariseus, quanto a todos que o
Lêem nas escrituras, pois Jesus vai além de suas palavras, através de sua vida,
dando novas formas de raciocinar aos seus discípulos, negando o já velho ditado:
―olho por olho, dente por dente‖ e sim priorizando o amor; reconheceu publicamente
a mulher, tirando-a da condição que se encontrava (escrava), ensinou também sobre
casamento e divórcio. Algumas perguntas respondidas por Jesus quando indagado
sobre esse assunto:
As pessoas divorciadas que casam novamente estão vivendo em adultério?
Estão proibidas de servir a Cristo?
Nos registros do Novo Testamento Jesus disse em Marcos 10.11-12:
―Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério contra aquela.
E, se ela repudiar seu marido e se casar com outro, comete adultério‖. (BIBLIA, 2011
pg. 1252).
15

Em 1 Timóteo 3.2 ―É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível,


esposo de uma só mulher‖ (BIBLIA, 2011 pg. 1518). Paulo está falando de uma
pessoa que se divorciou e casou novamente?
No evangelho de Lucas 16.17-18: ―É mais fácil passar o céu e a terra que cair
um til sequer da lei. Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério;
e aquele que casa com a mulher repudiada pelo marido também comete adultério‖
(BIBLIA, 2011 pg. 1300).
No evangelho de Marcos 10.2-4, indagado pelos fariseus: ―É lícito ao marido
repudiar sua mulher?‖; Jesus responde com uma pergunta: ―Que vos ordenou
Moisés?‖ Ao qual eles responderam: ―Moisés permitiu lavrar carta de divórcio e
repudiar‖, assim Jesus enfatizou que ―Existe uma lei !!!‖. (BIBLIA, 2011 pg. 1237).
Essa lei encontra-se no Velho Testamento em Deuteronômio 24. 1-4, a qual o
historiador Josefo referiu-se ―a lei dos judeus‖:

Aquele que por qualquer motivo quiser separar-se da mulher, como


acontece frequentemente, prometer-lhe-á por escrito que jamais a tornará a
pedir de volta, a fim de que ela tenha liberdade de tornar a casar-se — e
não se permitirá o divórcio senão com essa condição. E se, depois de haver
casado com outro, esse segundo marido a tratar mal ou vier a morrer e o
primeiro a quiser receber de novo, não lhe será permitido voltar para junto
dele. (FLÁVIO JOSEFO, 2004, pg. 182)

No Velho Testamento, em Deuteronômio 24. 1-2 a lei é: ―Quando um homem


tomar uma mulher e se casar com ela, e se não for agradável aos seus olhos, por ter
ele achado coisa indecente nela, e se lhe lavrar um termo de divórcio, e lho der na
mão, e a despedir de casa; e se, saindo da sua casa, for e se casar com outro
homem...‖. Pois esta cláusula mosaica estava vigente na época de Jesus e foi a
passagem mais importante, ocupando lugar de destaque na discussão entre os
fariseus e Jesus, pois naquela época as escolas rabínicas baseavam-se em duas
interpretações, sendo elas: a Escola do rabino Shammai e a Escola do rabino Hillel
sobre as referências acima de Deuteronômio, especificamente ―indecente‖,
Shammai interpreta como ―uma questão de nudez‖, ―imoralidade sexual‖ e Hillel
como ―alguma coisa vergonhosa‖, ―não agradável aos seus olhos‖, esse último
afirma que o divórcio era permitido no caso em que a esposa fazia algo que
desagradava o marido. E essa interpretação mais permissiva era o que imperava na
16

época de Jesus - Mateus 19.3 - e entre alguns dos discípulos - Mateus 19.10.
(KÖSTENBERGER, p. 234)
Carvalho (2000, p. 95-98, apud CALLISON, 1986), descreve que no livro de
Jeremias 3. 6-8, Deus lembra a Judá que estava procurando problemas e que Israel
havia sido levado cativo. Deus disse a Jeremias que prevenisse Judá de que havia
testemunhado a infidelidade de sua irmã Israel, e que Deus havia despedido e dado
carta de divórcio a ela, e nem assim se arrependera; nota-se aqui que Deus não
falou em repúdio e sim em divórcio, oficializado em Deuteronômio 24.
Mas, além de repudiar (e não dar carta de divórcio), os homens se casavam
com mais de uma mulher e não se incomodavam em pensar em divórcio, exemplos
tem-se: Salomão, Davi, Abraão e Esaú, tido como servos das revoluções de Deus,
mas também produto de suas culturas.
Se eles não se divorciavam, que faria um homem de sua época com sua
esposa, quando resolvia casar com outra? Deixava-a de lado? Como já explicado no
item 2.1.1 deste trabalho, há uma palavra para isso no Velho Testamento, o termo
hebraico shalach que é diferente da palavra hebraica para divórcio, que é
keriythuwth, e que significa literalmente ―incisão‖, ―corte do vínculo matrimonial‖. O
divórcio legal foi escrito como se pede em Deuteronômio 24, e o novo matrimônio
permitido, shalach, é normalmente traduzido como ―repudiada‖. As mulheres eram
―repudiadas‖ quando seus maridos se casavam com outras mulheres, para estarem
disponíveis se alguém delas necessitassem ou as quisessem. Repudiadas para
serem simples propriedades, como escravas, ou repudiadas em total isolamento.
Aquele foi um tempo cruel para a mulher. Elas eram repudiadas para favorecimento
a outra mulher, mas não lhes era dada carta de divórcio e, consequentemente,
tampouco tinham o direito de se casar novamente. Esta palavra descreve uma
tradição cruel e comum, mas contrária à lei judaica.
Através do profeta Malaquias 2.16, Deus não concorda com o repúdio:
―Porque o Senhor Deus de Israel diz que odeia o repúdio.‖ (BÍBLIA, 2011 pg. 1172),
quando veio Jesus também respondeu em Lucas 16. 17-18, (já citado anteriormente)
que quem repudiasse e casa-se novamente cometia adultério; também citado em
Mateus tanto em 5.32 quanto em 19.9: ―Eu, porém voz digo: Quem repudiar sua
mulher, não sendo por causa de relações sexuais ilícitas, e casar com outra comete
adultério‖. No evangelho de Marcos 10.11-12, Jesus determinou a validade da lei
tanto para homens quanto para mulheres: ―11E ele lhes disse: Quem repudiar sua
17

12
mulher e casar com outra comete adultério contra aquela. E se ela repudiar seu
marido e casar com outro comete adultério.‖ Aqui cabe ressaltar que Mallaquias 2.16
prescreve o ideal de um matrimônio e que o divórcio fica aquém do ideal de Deus,
ao qual Jesus relembra em Mateus 19.4-6 e Marcos 10. 6-9: ―Assim, não são mais
dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu o homem não separe‖. Sendo
assim, Jesus responde que Deuteronômio 24.1-4 foi para reconhecer a realidade da
dureza do coração humano (citado em Mateus 19.7-8, Marcos 10.5; Mateus 5.31-
32) e não para substituir o plano original de Deus (Gênesis 1.27 e 2.24).
Segundo KIVITZ em seu vídeo publicado no canal Youtube, a lei mosaica
sobre o assunto veio para proteger a mulher, como citado abaixo.

Era comum naquela época que um homem abandonasse sua mulher por
qualquer motivo, qualquer mínimo conflito que fizesse com que o homem se
desgostasse de sua mulher, era o costume de que ele a repudiasse. Por
isso que o profeta vai dizer que Deus odeia o repúdio, esse homem
abandona uma mulher, mas não dá a ela uma carta de divórcio. Isso faz
com que legalmente, apesar de abandonada essa mulher ainda pertence a
este homem que a abandonou. Ele mantém a mulher cativa de sua
opressão, apesar de não desejá-la mais. A lei de Moisés vem para regular
isso, e na verdade, para proteger as mulheres; o que Moisés disse foi: se
você quer repudiar a sua mulher, abra mão de qualquer direito de posse e
propriedade (na cultura semita de Israel, a mulher era uma propriedade
masculina e essa transação era quase uma transação econômica). O
homem que se apossasse de uma outra ou de uma mulher repudiada, mas
que não tivesse o documento de divórcio estaria infringindo uma lei
econômica e deveria indenizar o marido que repudiou mas não deu o
documento. Jesus está dizendo: olha isso é imoral, isso é cruel, portanto
devemos observar o que disse a lei de Moisés; repudiou, dê uma carta de
divórcio. Mas Jesus, ele vai além e Ele se associa em seu comentário para
a escola do rabino Shamai, que era uma escola mais conservadora. O
rabino Hillel dizia que qualquer motivo era suficiente para o divórcio. Shamai
diz: não, há imoralidade sexual. Jesus tem uma visão conservadora, uma
visão de preservar essa relação de homem e mulher, até porque, na bíblia
sagrada, a relação entre um homem e uma mulher é uma figura da relação
entre Deus com a nação de Israel, e do próprio Jesus Cristo com a igreja.
(KIVITZ, 2011, 1,07 min – 3,20 min)

No Novo Testamento, o apóstolo Paulo trata da mesma questão, porém de


outra prisma: o abandono do cônjuge não crente, em sua carta de 1 Coríntios 7.12-
16, pois Jesus não se pronunciou sobre o abandono, então Paulo ―e não o Senhor‖,
relata nessa passagem que o casamento misto – onde um cônjuge é cristão e outro
não; e nessas circunstâncias, ele indica que é preferível não abandonar o não
crente, citado em 1 Pedro 3.1-2, proporcionando um ambiente cristão ao filhos em 1
Coríntios 7.14. Porém se o incrédulo insistir em deixar o lar, o cristão não deve detê-
18

lo, mas que se aparte, pois Deus deseja que haja paz e não há garantia nenhuma de
que o incrédulo será salvo. Ainda, que o cônjuge cristão e o não cristão não ficam
sujeitos a servidão um do outro. Neste quesito muitos teólogos deduzem que o
divórcio é legítimo, portanto, o cônjuge cristão tem a liberdade de se casar
novamente. Em contrapartida, nessa mesa passagem, no versículo 11, ―Se, porém,
ela se separar, que não se case, ou que se reconcilie com o marido‖, muitas vezes é
interpretada como uma proibição absoluta de novos casamentos em qualquer
circunstância. (KÖSTENBERGER, p. 249)

2.1.3 Visões Teológicas

Como já vimos, Jesus deixa claro qual é o ideal de Deus para o casamento:
monógamo e vitalício, bem como, por causa da dureza do coração do homem, uma
única exceção para o divórcio, em Mateus 5.32 e 19.9, onde o divórcio é ilegítimo,
exceto no caso de infidelidade, e esse é o ponto da grande controvérsia entre os
intérpretes da Lei, teólogos e religiosos, pois entres essas visões, algumas declaram
que os paralelos sinópticos3 em Marcos 10.11-12 e Lucas 16.18, não mencionam a
exceção, argumentando que a exceção não foi pronunciada por Jesus, mas
acrescentada por Mateus ou outra pessoa. Independente disso, a ―cláusula exceção‖
continua sendo parte da Escritura, que está investida de autoridade, pois foi
inspirada. (KÖSTENBERGER, p. 236). Embora haja consenso sobre o casamento
ideal, entre as visões teológica e religiosas, não há concordância entre elas, quanto
às Escrituras permitirem ou não o divórcio e novo casamento em determinadas
circunstâncias. Tem-se algumas posturas adotadas pelos teólogos, ao longo da
história do cristianismo e aqui será abordado somente com relação ao casamento.

_______________
3
designação que se dá aos três primeiros evangelhos do Novo Testamento (Mateus, Marcos e
Lucas), que apresentam grandes semelhanças quanto aos fatos narrados.
19

2.1.3.1 Postura a favor do divórcio e novo casamento em consequência de adultério


ou imoralidade sexual

Na tabela 1 (KÖSTENBERGER) podem ser vistas as diferenças de pontos de


vista entre as escolas de Shammai e Hillel, apresentam seus argumentos a favor do
divórcio e o posicionamento de Jesus com referência ao divórcio.

TABELA 1 – AS DIFERENÇAS DE PONTOS DE VISTA ENTRE AS ESCOLAS DE SHAMMAI E


HILLEL E O POSICIONAMENTO DE JESUS COM REFERÊNCIA AO DIVÓRCIO
Diferenças de
SHAMMAI HILLEL JESUS
Ponto de Vista
Textos do AT sobre
Deuteronômio 24.1-4 Deuteronômio 24.1-4 Gênesis 1.27; 2,24
o casamento
Comportamento imoral da
Qualquer caso em
Comportamento parte da esposa, incluindo
Significado de que a esposa
indecente ou (mas não se restringindo) ao
pornéia desagradasse o
imoralidade sexual adultério (posicionamento
marido
majoritário)
Divórcio por causa
Exigido Exigido Permitido
de pornéia
Aplicação do padrão
Somente para Somente para
para divórcio e novo Para homens e mulheres
homens homens
casamento
FONTE: KÖSTENBERGER (PG. 256)

Com relação a tabela 1, já abordado em 2.1.2 sobre as 02 principais escolas


teológicas da época de Jesus, segundo KÖSTENBERGER, esclarece o por que da
exceção e o posicionamento de Jesus perante Shammai e Hillel: uma posição que
foi muito mais próximo de Shammai, que restringe o divórcio legítimo (portanto com
a possibilidade de novo casamento) à infidelidade conjugal, porém contrastando que
Jesus tenha permitido em caso de pornéia, enquanto essa escola e o judaísmo do
primeiro século que a seguia, o exigia. Quanto a Hillel, Jesus é muito mais rígido,
pois nessa escola era permitido o divórcio por qualquer motivo (cf. Mateus 19.3).
Assim Jesus vai além das discussões entre as duas escolas rabínicas, pois Ele
20

transfere a fundamentação veterotestamentária4 de uma passagem (Deuteronômio


24, 1-4) para uma verdade anterior (Gênesis 1.27; 2.24), transformando sua
afirmação posterior em exceção e concessão, mas de maneira nenhuma atenuando
o princípio inicial do casamento, ensinando a seus seguidores o significado da união
conjugal, reafirmando o caráter permanente do casamento como instituição divina,
de maneira, que o divórcio contradiz o propósito de Deus na criação. Além disso,
aplica a norma tanto a homens quanto a mulheres, especificamente em Marcos
10.11, assim os direitos conjugais são colocados de forma igualitária; ensinando
também em Mateus 5.28 que o desejo por outras mulheres no coração do homem já
constitui adultério, consequentemente as relações extraconjugais são erradas para
ambos: homem e mulher.
Se a criação original do casamento é ideal, por que da exceção? Uma
possível resposta apontada por KÖSTENBERGER, é que o adultério fere o princípio
de ―uma só carne‖, motivo esse, que no AT a infidelidade era passível da pena de
morte (Levíticos 20.10; Deuteronômio 22.22).

2.1.3.2 Postura contrária ao divórcio e novo casamento em consequência de


adultério ou imoralidade sexual

Os argumentos declarados a seguir são alguns dos apontados no estudo de


KÖSTENBERGER, contra a postura divórcio permitido por causa de adultério ou
imoralidade sexual.
(1) Essa questão enfatiza indevidamente uma passagem considerada ―difícil‖,
no caso Mateus 19, pois poderia ser interpretada de forma mais direta nos outros
Evangelhos Sinópticos, já que a exegese sugere que as passagens mais difíceis
sejam interpretadas à luz das mais claras!
(2) Nos Evangelhos de Marcos, Lucas e João, bem como Paulo não
mencionam nenhuma exceção, assim eles estariam fornecendo uma norma geral,
enquanto somente Mateus uma norma específica.

_______________
4
Relativo ao Velho Testamento
21

(3) Ao abrir uma exceção, a postura a favor, parece dar menos importância à
aliança do casamento, algo difícil de justificar, já que a permanência nelas (alianças)
são valorizadas ao extremo pelas Escrituras, especialmente entre Cristo e a Igreja,
sendo modelo para o casamento.
(4) A julgar pelo espanto dos discípulos em Mateus 19.10, Jesus lhes
apresenta um padrão que parece impossível, por ser mais elevado que a norma,
abrindo a exceção.
(5) Se a exceção de Jesus para o divórcio, está baseada à imoralidade sexual
– adultério, trata-se de um diferencial da lei de Moisés em Deuteronômio 24.1-4,
levantando dúvidas quanto aos Testamentos (AT e NT), parecendo ser conflitantes.
Das objeções colocadas, há réplicas contrapondo, mas em especial essa
última, onde a passagem de Mateus 19.9 parece ser contrária a Deuteronômio 24.1-
4, mas o que existe é uma continuidade com relação ao princípio: da mesma forma
que Moisés concedeu uma exceção devido a dureza do coração do povo (alguma
coisa vergonhosa); Jesus também abre uma concessão (nesse caso pornéia –
imoralidade sexual – adultério), ocorrendo ao mesmo tempo uma alteração no
código mosaico e um aprofundamento, pois na lei de Moisés o adultério era punido
com a morte, então a base válida para o divórcio – o adultério, nem era
questionada. Assim a pergunta o que fazer em caso de adultério, onde a resposta de
Jesus parece indicar que, nesse caso, o divórcio (e não mais a morte) é permissível,
porém não obrigatório.

2.1.4 Posturas atuais adotadas por teólogos – pastores internacionais:

Segundo KÖSTENBERGER (2015 pg. 255-258) existem quatro diferentes


posicionamentos adotados acerca desse assunto, descriminados abaixo e
resumidos na tabela 2:
 Aceitação da legitimidade bíblica do divórcio e novo casamento para a
parte inocente cujo parceiro cometeu adultério / imoralidade sexual e para
o cônjuge cristão abandonado por seu parceiro; portanto divórcio e
casamento permitidos, nesses casos; cuja postura está também presente
na Confissão de Fé de Westminster (cujo tópico ser abordado adiante).
Essa postura representa a maioria dos evangélicos, entre os mais
22

conhecidos estão: John Murray, John MacArthur, John Stott, John


Feinberg e Paul Feinberg, Craig Blomberg, Don Carson, Gordon
Hugenberger, David Clyde Jones, Robert Stein, Willian Hetch.
 Aceitação do divórcio por causa do adultério e abandono pelo cônjuge
incrédulo, mas não o novo casamento; portanto divórcio permitido, novo
casamento proibido. Essa era a postura predominante entre os pais da
igreja, e adotado recentemente por: Gordon Wenham, Robert Gundry,
Andrew Cornes e Jacques Dupont.
 Não aceita o divórcio nem o novo casamento no caso de adultério e aceita
o divórcio, mas não o novo casamento em caso de abandono pelo cônjuge
incrédulo; adotam essa postura: Abel Isaksson, James Montgomery Boice
e Dwight Pentecost e John Piper, esse último declara: ―Então, eu não acho
que exista uma exceção para o adultério (PIPER, 2min 54s).
 Não aceita o divórcio nem o novo casamento no caso de adultério, mas
aceita o divórcio e novo casamento no caso de abandono pelo cônjuge
incrédulo; adota essa postura: Daniel Heimbach.
23

TABELA 2 – QUATRO POSICIONAMENTOS PRINCIPAIS ACERCA DE DIVÓRCIO E NOVO


CASAMENTO

FONTE: KÖSTENBERGER (PG. 257)

2.1.5 Algumas posturas adotadas por teólogos e pastores nacionais:

Com relação as autoridades eclesiásticas (pastores, teólogos e outros), segue


alguns pontos de vista, tomadas de declarações em vídeos:
 Apesar de encorajar a restauração do casamento, mesmo diante da
infidelidade, através do perdão, Lopes (13‘:00‘‘) comenta: ―De tal maneira
se não há infidelidade, nós não podemos partir para essa experiência
amarga do divórcio‖. O mesmo não coloca a situação do abandono,
deixando implícito que poderá haver divórcio em caso de infidelidade.
24

 Em entrevista com os pastores Eduardo Queiroz e Wellington Fernandes


no programa BATE-PAPO, da REDE SUPER (12‘:49‖), ambos os pastores
aceitam e acreditam no divórcio e novo casamento em caso de adultério.
 Já o Pr. Paulo Junior (24‘ – 30‘) é contrário ao novo casamento, mesmo
em caso de adultério e em caso de abandono, pois entende como porneia
os atos sexuais ilícitos durante o noivado. Somente aceita novo
casamento após a morte de um dos cônjuges, citando 1 Coríntios 7:39.
 Na mesma linha de postura anterior, LIMA (pg.21) afirma: ―Com base em
todos os dados levantados por este estudo, concluo com a convicção
inabalável de que a passagem de Mateus 19.9 não permite nem o divórcio
por infidelidade sexual após o matrimônio, nem o segundo casamento de
qualquer uma das partes. A única permissão existente no versículo é para
fornicação ou imoralidade sexual cometida antes da consumação do
vínculo matrimonial. Que o segundo casamento, por qualquer outro motivo
que não a morte de um dos cônjuges, é expressamente proibido pelas
Sagradas Escrituras‖.
 O Pr. Josué Gonçalves (4‘ e 50‖), que trabalha com restauração de
casamentos, faz a seguinte observação: ―sim, é lógico, o divórcio, em caso
de abandono ou infidelidade, é permitido na bíblia.‖
 O Pr. Cláudio Duarte (2011) ao ser questionado se a Bíblia dá permissão
para o divórcio, no caso de traição, responde: ―Não. Para mim, só
aconselho divórcio no caso de risco de morte, quando há uma ameaça do
cônjuge. Mas é claro que se há uma repetição de comportamento de
adultério, a pessoa não quer mudar, tem problema de caráter, já é um
pouco diferente. O indivíduo não precisa ficar tolerando uma pessoa infiel.
No caso de acontecer um deslize e a pessoa for infiel em uma ocasião,
você pode perdoar e levar o relacionamento adiante. Agora, a pessoa não
pode ficar o tempo todo se submetendo, porque antes de amar seu
próximo, deve amar a si mesmo e amar a Deus sobre todas as coisas.
Amar alguém acima de si mesmo é cometer uma infração. No Antigo
Testamento, vemos que Moisés só concedia carta de divórcio pela dureza
dos corações, mas não porque Deus instituiu. O que foi instituído por Deus
foi o perdão por meio de Cristo.‖
25

 Por fim, cita-se algumas falas dos participantes da Mesa Redonda (2017),
num congresso de homens e mulheres promovido pela Pra. Ana Paula
Valadão e seu esposo Pr. Gustavo Basse. Entre os convidados Pra. Larry
Titus e Pr. Devi Titus, Pr. Jânio Sousa e sua esposa Érica Sousa, a Pra.
Titus (2017 - 33'50") comenta: "Você tem uma razão bíblica para se
divorciar, ele cometeu adultério e violou o seu casamento. E nós
dissemos: sim isso é verdade, mas existe um caminho mais difícil, você
não pode fazer com que ele volte.... o padrão mais alto é posicionar-se
para perdoar.‖ Continua ainda em 37'08" 37'44: "Maioria das vezes o
divórcio não é necessário, mas nem todos os casamentos podem ser
salvos, porque a verdade é: cada situação de divórcio tem uma história
individual e não podemos pegar a história de uma pessoa e fazer dela
uma regra para tudo, para todo mundo. Isso resume a conversa da mesa,
sendo todos favoráveis a restauração através do perdão, mas em caso de
abandono e adultério são favoráveis ao divórcio e novo casamento‖.

2.1.6 Posturas Religiosas - Confissões de Fé:

Júnior (2011), define da seguinte maneira o que é Confissão de Fé:

―As confissões e declarações de fé são documentos criados pelas igrejas


para expor sistematicamente as doutrinas defendidas por elas. Essas
declarações de fé por muitos anos foram o texto utilizado para estudos
bíblicos e discipulados dentro das igrejas‖. Um Credo, regra de fé ou
símbolo é uma confissão de fé para uso público, ou uma forma de palavras
colocadas com autoridade… que são consideradas como necessárias para
a salvação, ou, ao menos, para o bem-estar da igreja cristã. (JUNIOR apud
Phip Schaff, 2011)

Não é escopo desse trabalho, tratar sobre as mesmas, porém será retirado de
algumas delas, o artigo ou a referência que insere o procedimento adotado em
casos que podem ou não levar ao divórcio.
26

2.1.6.1 Confissão de Fé de Westminster - Presbiteriana:

A Confissão de Fé de Westminster é a principal declaração doutrinária


adotada oficialmente pela Igreja Presbiteriana do Brasil. Ela foi um dos documentos
aprovados pela Assembléia de Westminster (1643-1649), convocada pelo
Parlamento inglês para elaborar novos padrões doutrinários, litúrgicos e
administrativos para a Igreja da Inglaterra (Matos, 2014). Uma de suas publicações
online (Neto), está afirmado no Capítulo XXIV, Seção V :

O adultério ou fornicação, cometido depois de um contrato, sendo


descoberto antes do casamento, dá à parte inocente justo motivo de
dissolver o contrato; no caso de adultério depois do casamento, à parte
inocente é lícito propor divórcio, e, depois de obter o divórcio, casar com
outrem, como se a parte infiel fosse morta. (NETO, 2018)

2.1.6.2 A Confissão de Fé Batista de Londres de 1689:

No capítulo XXV, seção III, inciso VI, sobre o matrimônio, consta somente: ―A
mulher está ligada enquanto vive o marido; contudo se falecer o marido, fica livre
para casar com quem quiser, mas somente no Senhor‖ com base na passagem de
1Co.7.39. (Neto).

2.1.6.3 Confissão de Fé de Augsburgo de 1530 - Luterana

A Confissão de Fé de Augsburgo teve sua compilação final em 1530, após


estudos feitos por Martim Lutero e Philipp Schwarzert (o sobrenome significa "terra
negra"), professor da língua hebraica e grega na universidade de Wittenberg –
Alemanha; que por seu grande amor à língua grega, "helenisou" o seu sobrenome,
adotando o nome de Melanchthon, conforme a tradução de "terra negra" para o
grego. (Neto). Uma rápida análise nessa confissão e chega-se a conclusão que o
foco daquela época, sobre o casamento em específico, era a proibição pela Igreja
Católica Romana do casamento entre os clérigos; assim a Confissão de Fé de
Augsburgo, entre outros pontos, discorda dessa afirmação.
27

Levando-se em conta que a Igreja Evangélica Luterana no Brasil, além dos


credos Apostólico, Niceno e Atanasiano, possui outras confissões, escritas por
Lutero e seus colaboradores, além da ―A Confissão de Ausburgo‖ (1530), tem-se
ainda: ―A Apologia da Confissão de Augsburgo‖ (1530), ―Os Artigos de Esmalcalde‖
(1537), Os Catecismos Maior e Menor (1529), e ―A Fórmula de Concórdia‖ (1577).
Todas estas confissões foram reunidas num só livro e publicadas em 1580, sob o
nome de ―O Livro de Concórdia‖, que é aceito hoje por muitas igrejas luteranas no
mundo (IELB – 2018).
Em específico, em O Catecismo Maior (LUTERO, 2017), está afirmado, com
relação a Qualificação da Igreja Visível, no tocante aos deveres da Igreja em excluir
o mundanismo, incluindo infidelidade conjugal, adultério e sendo a favor do
casamento:

Por maior que seja a alienação da Igreja visível e mais profundos, seus
desvios, ainda assim é a melhor das corporações sociais e o mais eficaz
mecanismo controlador da devassidão moral dos indivíduos e da sociedade.
Ela tem o dever de excluir o mundanismo, não o mundo; o pecado, não o
pecador; a injustiça, não os injustiçados; a escravidão, não os escravos; a
veiculação do mal, não a mídia; a infidelidade conjugal, não o casamento; a
concupiscência, a lascívia, o adultério e a prostituição, não o sexo.
(LUTERO, 2017, pg. 125)

Seguindo, no mesmo livro (LUTERO, 2017), quanto as observações dos


mandamentos, em especial, o sétimo: ―Não adulterarás‖ (Êxodo 20:14;
Deuteronômio 5:18; Romanos 13:8-10; 1 Corintios 6:9,10) explica o que é adultério e
suas consequências:

Adultério(moichos-moichoi) é, primariamente, um ato de infidelidade


conjugal em que o adúltero macula o tálamo nupcial, corrompe e denigre a
união matrimonial. À relação sexual promíscua entre uma pessoa casada e
outra não dá-se o nome de fornicação(porneia). As Escrituras estabelecem
o princípio da indissolubilidade do casamento, exceto em caso de ―relações
sexuais ilícitas‖. Portanto, a gravidade do adultério é tanta, que justifica a
dissolubilidade do indissolúvel. O adúltero, além de profanar o leito conjugal,
profana-se a si mesmo tanto quanto a consorte matrimonial. (LUTERO,
2017, pg. 220)

Esse documento aceita a cláusula da exceção do adultério para dissolver o


casamento.
28

2.1.6.4 Confissão de Fé da Assembléia de Deus no Brasil

COSTA (2016), presidente da CGADB, apresenta em 2016, uma


reformulação da Declaração de Fé Assembleiana, com relação ao casamento, está
declarado no capítulo XXIV - SOBRE A FAMILIA, inciso 1 - O casamento ou união
matrimonial:

Reconhecemos o casamento civil e o religioso com efeitos civis desde que


não afrontem os princípios bíblicos e, em especial, não seja realizado entre
pessoas divorciadas, em desacordo com o preconizado pelo Senhor Jesus.
A dissolução do casamento é justificada nos seguintes casos: morte,
infidelidade conjugal e deserção por parte do cônjuge descrente. (COSTA,
2016, pg. 113)

2.1.6.5 Confissão de Fé Metodista – Wesleyana

Em seu artigo 21, do casamento dos ministros, nada constando sobre divórcio
ou adultério, somente:

Os ministros de Cristo não são obrigados pela lei de Deus, quer a fazer voto
de celibato, quer a abster-se do casamento; portanto, é tão lícito, a eles
como aos demais cristãos, o casarem-se à sua vontade, segundo julgarem
melhor à prática da piedade. (REILY, p. 15)

2.1.6.6 Confissão de Fé da Igreja do Evangelho Quadrangular - IEQ

Compilada por Aimée Semple McPherson, fundadora da IEQ e traduzida do


original ―Declaration of Faith‖ (Dametto). As referências usadas foram das edições
Revista e Corrigida e Revista e Atualizada. Sobre o casamento, divórcio ou
adultério, consultar ítem 2.1.7.1 (Regimento e Estatuto)
29

2.1.6.7 Confissão de Fé do Catolicismo

Aquino (2018) citando o Código de Direito Canônico promulgado em 1917,


que tinha uma postura rígida com relação aos divorciados e recasados: considerava
tais cristãos como pecadores públicos (cânon 2356, § 1º), privados dos sacramentos
da Penitência e da Eucaristia, pois estes supõem o estado de graça, que a situação
conjugal (divorciados e recassados) desses fiéis os exclui.
Ainda Aquino (2018) ao comentar sobre: ―CARTA AOS BISPOS DA IGREJA
CATÓLICA A RESPEITO DA RECEPÇÃO DA COMUNHÃO EUCARÍSTICA POR
FIÉIS DIVORCIADOS NOVAMENTE CASADOS‖, da Congregação para a Doutrina
da Fé, com a aprovação e ordenação do santo Padre João Paulo II, assinada no dia
14 de setembro de 1994, publicada no dia 15 de outubro do mesmo ano (Esta carta,
como se verifica pelas notas 1-4, desde o início baseia-se sobre documentos
pontifícios: Exortação Apostólica, de João Paulo II, Familiaris Consortio, nn. 79-84;
Carta Encíclica de Paulo VI Humanae Vitae, n.º 29; bem como alguns documentos
do Papa João Paulo II, Catecismo da Igreja católica, n. 1651; Carta às famílias, n. 5;
Exortação Apostólica Reconciliatio et Poenitentia, n. 34; carta Encíclica Veritatis
Splendor, n. 95) – ficando evidente, como sempre o foi, que a Doutrina de Fé, é
contrária ao divórcio em qualquer circunstância, como pode-se verificar no seguinte
trecho:

Se os divorciados se casam civilmente, ficam numa situação objetivamente


contrária à lei de Deus. Por isso, não podem aproximar-se da comunhão
eucarística, enquanto persiste tal situação‖ [Carta, n.º 4, 2. Cf também O
Catecismo da Igreja Católica, nn. 1650 e 1651. (AQUINO, 2016)

2.1.7 Estatutos – Regimentos

Segundo Monello, o reconhecimento efetivo da existência das Organizações


Religiosas se deu através da Lei nº 10.825, de 22 de dezembro de 2003 pela
inclusão do § 1o e do inciso IV do art. 44 do Código Civil Brasileiro; cujo Direito
próprio é protegido e amparado pelo § 1o do inciso IV do art. 44 do Código Civil,
pelo Decreto nº 119-A de 07 de janeiro de 1.890 e ainda no que couber, pelo contido
no Acordo havido entre Santa Sé e o Brasil, promulgado pelo Decreto nº 7.107, de
30

11 de fevereiro de 2010, publicado no Diário Oficial da União de 12 de fevereiro de


2010.
O § 1o do inciso IV do art. 44 do Código Civil deixa explícito que as
Organizações Religiosas podem ser criadas livremente, com plena liberdade em sua
organização, em sua estruturação interna, sendo vedado ao Poder Público negar-
lhes o seu reconhecimento como pessoa jurídica e procedendo ao registro de seus
atos constitutivos, portanto estão sujeitas ao cumprimento das obrigações legais,
previdenciárias, fundiárias, trabalhistas, fiscais e outras atribuídas a qualquer tipo de
pessoa jurídica sem fins econômicos e lucrativos que se enquadrem nas exigências
da lei.
A primeira e fundamental exigência para as Organizações Religiosas é a
legalização como pessoa jurídica de direito privado e consequentemente, no
cumprimento das demais exigências legais e fiscais aplicáveis às pessoas jurídicas.
Entre as exigências legais aplicáveis às pessoas jurídicas de direito privado estão
previstos o registro de suas atas, de seu Estatuto Organizativo, Associativo,
Fundacional, Regimentos, Regulamentos, inscrição no Cadastro Nacional de
Contribuintes do Ministério da Fazenda (CNPJ), na Prefeitura entre outros, bem
como o cumprimento de todas as obrigações acessórias exigidas em lei.
(MONELLO, 2018).
Diante do exposto acima e tendo em vista que as principais denominações
criam um Regimento e Estatuto padrão a ser seguido por suas afiliadas, verificou-se
em alguns dessas, a normativa sobre divórcio e ou casamento (quando
mencionados no documento), a seguir.

2.1.7.1 Igreja do Evangelho Quadrangular

No Estatuto (IEQ), na Seção II – Disposições Gerais e Subseção II – Do


Estado Civil dos Membros do Ministério no artigo 29 consta:
Artigo 29 – A Igreja do Evangelho Quadrangular, com fundamento nos
princípios sagrados da palavra de Deus, não aceita como situação normal para os
membros do Ministério, o divórcio e a separação de fato ou de direito.
31

§1º Aqueles que ingressarem originalmente no Ministério, mesmo tendo


contraído novo matrimonio, podem ser aceitos, observados os requisitos dos artigos
24, 25 e26.
§2º O membro do Ministério que, de fato ou de direito, venha a se separar de
seu cônjuge e contraia novas relações de natureza conjugal, imediatamente seja
suspenso de suas funções até que o fato seja examinado e julgado pelos órgãos de
disciplina eclesiástica que decidem caso a caso, na forma estabelecida neste
Estatuto, no Capítulo ‗‘Da disciplina Eclesiástica‗‘.
§3º Em caso de separação, de fato ou de direito, do membro do Ministério,
em razão de adultério ou outra infidelidade conjugal, a Comissão Julgadora de
Disciplina Eclesiástica somente julga o feito após o exame do processo, cumpridos
os procedimentos e prazos para oitiva de testemunhas e defesa do acusado.

2.1.7.2 Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil

A Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) no seu Estatuto


o Ministério com Denominação, consta na Seção II – Na família, art. 49: ―Em caso de
dificuldades no relacionamento do casal, a ministra ou o ministro deve comunicar o
fato, imediatamente, ao Pastor ou à Pastora Sinodal, que, valendo-se do auxílio dos
demais órgãos da direção da Igreja, fará todo o empenho, visando à busca de
soluções compatíveis com os objetivos da Igreja.

2.1.7.3 Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil

A Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil (IPRB) declara em seu Regimento


Iterno no Capítulo III: DOS DEVERES
Art. 73. São deveres do membro da Igreja Local:
X – Não se divorciar, exceto se o motivo do divórcio for o não cumprimento
dos deveres conjugais.
Parágrafo único. Se o membro da Igreja Local divorciar-se pelo motivo
previsto no inciso X e desejar contrair novas núpcias, deverá requerer ao Conselho
32

que, após analisar e julgar os fatos relativos ao divórcio, emita parecer sobre o novo
casamento.

2.1.7.4 Igreja Batista Pedra Viva

Consta no Regimento Interno Igreja Presbiteriana Pedra Viva (IBPV) no


CAPÍTULO XIV – DAS NORMAS DISCIPLINARES:
Artigo 61º- São passíveis de desligamento do rol de membros ou de demissão
compulsória pela Assembléia, o membro que de qualquer modo:
VIII – pedir o divórcio por questões que não sejam de caráter moral ou de
integridade física;
IX – O crente que namorar/casar com outro sendo que este divorciou por
questões que não foram de caráter moral, integridade física e questões relacionadas
a fé, conforme I Coríntios 7.10-15.

2.1.8 Posicionamento Jurídicos

Antes de analisar as posturas jurídicas atuais, com relação ao divórcio por


adultério, ver-se-á um resumo exposto por Barclay (2016) sobre a lei mais antiga
que se conhece, em seu artigo: Olho por olho e dente por dente, seria esta uma lei
de incentivo à vingança ou à misericórdia? Esta lei é conhecida com o nome latino
Lex Talionis, tendo uma tradução como lei da reciprocidade direta, aparecendo no
Código de Hamurabi, o código de leis mais antigo que se conhece – datando dos
anos 2285 a 2242 a.C., data do reinado daquele soberano em Babilônia. Lei essa
que tem influenciado a ética, mas não sendo toda a ética do Antigo Testamento,
como mencionado nos textos bíblicos:
 ‗Mas, se houver dano grave, então, darás vida por vida, olho por olho,
dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura,
ferimento por ferimento, golpe por golpe‘ (Êxodo 21:23-25).
33

 ‗Se alguém causar defeito em seu próximo, como ele fez, assim lhe será
feito: fratura por fratura, olho por olho, dente por dente; como ele tiver
desfigurado a algum homem, assim se lhe fará.‘ (Levítico 24.19, 20);
 ‗Não o olharás com piedade: vida por vida, olho por olho, dente por dente,
mão por mão, pé por pé.‘ (Deuteronômio 19.21).
A lei de talião limita deliberadamente os alcances da vingança, estabelecendo
que somente deverá ser castigado o responsável pela ferida e que seu castigo não
deve ser maior que a ferida que ele infligiu ao outro ofendido, sendo aplicada por um
juiz mediante um processo legal de caráter público, conforme Êxodo 18.19-22. Esta
lei nunca teve como propósito dar ao indivíduo, como pessoa particular, o direito de
vingar-se pessoalmente, tratando-se de uma norma destinada a guiar um juiz na
avaliação da pena que devia aplicar por qualquer ato violento ou injusto.
Outra ética encontrada no Antigo Testamento é a mais autêntica misericórdia:
 ‗Não te vingarás, nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas
amarás o teu próximo como a ti mesmo.‘ (Levítico 19:18);
 ‗Se o que te aborrece tiver fome, dá-lhe pão para comer; se tiver sede, dá-
lhe água para beber.‘ (Provérbios 25:21);
 ‗Dê a face ao que o fere; farte-se de afronta.‘ (Lamentações 3:30).
(BARCLEY, 2016).

Em caso de adultério, foi oficializado como crime, como já vimos no item


2.1.3.1, onde menciona-se Levíticos 20.10: ―Se um homem adulterar com a mulher
de seu próximo, será morto o adúltero e a adúltera‖ e Deuteronômio 22.22: ―Se um
homem for achado deitado com uma mulher que tem marido, então ambos
morrerão, o homem que se deitou com a mulher e a mulher: assim eliminarás o mal
de Israel‖. Ou seja, no caso de infidelidade a pena seria de morte para ambos. Jesus
em Mateus 5.38, começa citando a Lex Talionis, reinterando Deuteronômio 22.22 e
acrescenta em Mateus 5.39: ―Eu, porém, vos digo: Não resistais ao perverso; mas a
qualquer que ter ferir na face direita, volta-lhe também a outra‖; tampouco condenou
a mulher surpreendida em adultério, quando Jesus replicou: ―Aquele que dentre vós
estiver sem pecado, seja o primeiro que atire a pedra‖ em João 8.3-7.
O Código Penal Brasileiro (CP) que vigorou de 1940 até 2005, em seu art.
240 previa o crime de adultério, cuja pena variava de 15 dias a seis meses de
34

detenção, estava em desuso no meio jurídico. A partir dessa data, foram revogados
(anulados) muitos artigos do CP, inclusive o art. 240. (FILHO, 2005).
A partir de 2005, segundo SANTOS (2018), apesar de não mais ser sido
considerado como crime o fato "adultério", o cônjuge traído pode ser compensado
pelo dano moral sofrido. Não mais com a prisão do cônjuge ofensor, mas com a
diminuição no seu patrimônio (o que pode configurar uma sanção ainda mais eficaz),
já que prisão não surtia efeito algum e nunca se via alguém efetivamente
condenado. A possibilidade de haver indenização deriva de mandamento
constitucional que diz ser inviolável a honra das pessoas, sendo assegurado o
direito à indenização pelo dano moral decorrente de sua violação (art. 5º, X,
Constituição Federal). A traição configura violação dos deveres do casamento (dever
de fidelidade recíproca, dever de respeito e consideração mútuos – art. 1.566,
Código Civil CC) e, como tal, dá fundamento ao pedido de separação judicial por
culpa, desde que a violação desses deveres torne a vida conjugal insuportável (art.
1.572, CC). O pedido de indenização é juridicamente possível: responde pela
indenização o cônjuge responsável exclusivo pela separação, porque viola a honra
do cônjuge inocente quando o trai, este deverá ingressar com ação de separação
judicial litigiosa e, de conformidade com essa, pedir a indenização (pedido cumulado
com o de separação ou pedido posterior de indenização). Não se vislumbra um
pedido de indenização sem a separação! Ora, se o cônjuge ofendido deseja manter
o casamento com o ofensor, isso, por imperativo lógico, não revelaria um dano moral
suscetível de reparação. Nessa hipótese teria havido perdão e, perdoado o ofensor,
não se mostraria adequado o pedido de indenização.
Feito o pedido, o juiz fixará o valor da indenização, levando em conta
extensão do dano, considerado diante do caso concreto. Veja que a indenização por
dano moral tem, além de uma função reparatória, um caráter pedagógico (de
maneira a impedir a prática reiterada do ato socialmente reprovável), e, tal como
entende o Superior Tribunal de Justiça, o valor da indenização por dano moral não
pode contrariar o bom senso, mostrando-se exagerado ou irrisório, distanciando das
finalidades da lei.
35

3 ORIENTAÇÕES

Diante do abordado no capítulo anterior, tanto as autoridades eclesiásticas


referenciadas; bem como as confissões de fé, estatutos e regimentos das principais
denominações; deixam evidente suas orientações, com respeito ao
divórcio/adultério, alinhadas conforme suas interpretações bíblicas.
Como contribuição de ordem prática, valendo-se de estudos sobre condições
matrimoniais conflitantes no quesito traição, adultério, violência física, opressão,
segue algumas possíveis posturas práticas, não servindo como regra ou padrão,
pois cada matrimônio tem suas particularidades:
Martinho Lutero (MORAES, 2017 pg. 379-380) orientando sobre assuntos
matrimoniais, afirma:

―Há dois motivos para o divórcio: o primeiro é o adultério; porém,


primeiramente, os cristãos devem trabalhar e usar diligentemente de
persuasões para reconciliar o casal; de maneira direta, além disso,
reprovando a pessoa errada. A segunda causa é semelhante; é quando
uma pessoa abandona a outra e, após isso, abandona novamente. Esses
tais geralmente têm parceiros em outros lugares e merecerem inteiramente
ser castigados. ... Os ministros deveriam apenas aconselhar e
recomendar consciências a partir da Palavra de Deus, quando o auxílio é
necessário‖. (FABRÍCIO T. de MORAES, 2017, pg.379-380).

O texto acima, segundo Lutero, deixa claro, que diante de dificuldades de


relacionamentos matrimoniais, deve-se apenas aconselhar, com bases bíblicas e
quando apenas for necessário, aqueles que buscam ajuda. Mas o que aconselhar?
Já o Dr. Dobson (1983), cristão, professor clínico em pediatria e psicólogo, em
seu livro o Amor Tem Que Ser Firme, relata vários casos atendidos em seu
consultório, do fenômeno do desrespeito nos relacionamentos conjugais (alcoolismo,
infidelidade ou adultério que está presente na maioria das vezes, espancamento de
mulheres, indiferença emocional, entre outros); que caminham em direção ao
divórcio; fazendo uma análise psicológica/cristã das adversidades encontradas no
matrimônio, pelos clientes atendidos por ele. Eis uma leitura propícia aos que
desejam um aprofundamento nos conflitos e soluções matrimoniais, pois ela oferece
aconselhamentos práticos, naquilo que pode ou não deve ser feito, aplicando o
princípio de firmeza no amor.
36

Diante de muitos casos, escolheu-se um especial, pois ambos, marido e


mulher, se diziam cristão, ou seja, dentro da realidade atual (2018) e um deles
estava adulterando, cabendo o caso tanto para o marido ou a esposa infiel. A seguir
relata-se alguns de muitos aconselhamentos (inadequados) que pioram ainda mais a
convivência dos cônjuges em crise e aqueles que podem auxiliar (adequados),
evitando talvez o divórcio. (DOBSON, 1983 pg. 42-45).

3.1 INADEQUADAS

Um dos exemplos citados por Dobson (1983), que ao ler o relato de uma
esposa cristã (em que o marido, também cristão, está adulterando) ele faz a
seguinte menção, após procurar em livros reais que oferecem conselhos a mulheres
vítimas da infidelidade (aqui ele inclui também para o marido que está sendo traído) ,
inclusive em literatura cristã; considerando uma abordagem complacente e passiva,
que vem sendo a ―receita‖ (errada) por várias décadas, nos conselhos oferecidos por
pastores, parente e amigos cristãos. Na visão dele, esses conselhos deveriam ser
feitos somente depois de ocorrida a reconciliação, mas nunca antes, pois se assim
for e dependendo do temperamento do abusador, são raros os casos em que a
passividade ou permissividade frequentes, salva o casamento; pelo contrário tem o
efeito de romper definitivamente com o mesmo. Algumas recomendações
inadequadas apresentadas são as seguintes, reinterando que as mesmas são
apropriadas sim, porém somente após a reconciliação e não antes:
 Depois de saber da infidelidade de seu marido, aproxime-se dele e repita
quanto o ama. Diga-lhe que não pretende deixar que se vá e que na
verdade pensa em lutar por ele. A sua permissividade mostrará a seu
marido que pode haver uma possibilidade de as coisas melhorarem.
 Diga a seu marido que compreende o que ele fez e mostre saber que
talvez tenha dado razão para seu comportamento. Não rotule a atitude
dele corno pecaminosa ou imoral.
 Peça a Deus que Ihe mostre os defeitos específicos em você que levaram
seu marido a infidelidade. Quando tiver a resposta, leve essa lista de
falhas a seu marido e confira com ele. Diga-lhe especificamente como
37

julga ter contribuído para a sua necessidade de encontrar urna outra


pessoa a quem amar e peca-lhe perdão.
 Não espere uma melhora rápida em seu relacionamento com seu marido.
Seu casamento levou anos para chegar ao ponto em que está e pode
levar também tempo para recuperar-se. Enquanto isso, não peça a seu
marido para deixar de ver a amante.
 5. Continue tratando seu marido como o homem da casa. Lembre a ele
que ainda é seu marido e pai de seus filhos. Se não estiver vivendo com
você, encoraje-o a fazer as refeições em sua companhia e das crianças
sempre que quiser. Deixe que saiba que você está pronta a satisfazer as
suas necessidades sexuais quando ele assim o desejar.

3.2 ADEQUADAS

O Dr. Dobson (1983), faz uma comparação entre a atitude do marido


(adúltero) com relação a uma criança, no sentido que ele está desafiando, testando
e medindo o limite de resistência da esposa, assim como uma criança o faz com os
pais, de modo que suas atitudes implicam nas seguintes perguntas:
 Quão forte você é?
 Quanta coragem você tem, e você me ama o bastante para impedir que
faça esta tolice?
Quando o pai (no caso da criança) desanima diante do desafio, ele perde o
respeito; o mesmo acontecendo com o marido; de modo que o amor genuíno exige
firmeza nos momentos de crise, disciplina amorosa, e de maneira nenhuma ser
permissivo, oferecendo um amor sufocante, o que reforça a irresponsabilidade,
gerando mais desrespeito; sendo que as questões do respeito é o problema conjugal
básico, geralmente geradas em ocasiões de confronto. O respeito é gerado pela
dignidade tranquila, pela autoconfiança e urbanidade, o qual pode ser assassinado
pelo torcer das mãos, pelo rastejar de pó e pelas súplicas melodramáticas.
O que pode ser feito? Forçar uma crise que faça as coisas chegarem a um
auge, impondo novas regras e novas disciplinas, podendo então o caso ser tratado.
Assim, a infidelidade é um vício que pode destruir uma vida tão depressa quanto as
drogas ou álcool, e ao ter uma abordagem das sugeridas como inadequadas, é
38

como comprar bebida para o bêbado e drogas para o viciado, sendo um amor fraco
e desastroso.
Dr. Dobson explica como aplicar uma disciplina ao parceiro adúltero, sem
gritar, sem chorar, sem quebrar os utensílios da casa, sem espalhar a história em
público, pois tais abordagens podem ser firmes, mas sem amor. Das muitas
sugestões adequadas que ele propõe, segue algumas: (DOBSON, 1983 pg. 46)
 Primeiro de tudo, orar, pedindo orientação direta do Espírito Santo, pois
em quase todo casamento conturbado existe uma dimensão espiritual,
onde a fúria do inferno se abate sobre o parceiro mais responsável,
salientando que a vitória sempre vem com a ajuda do Senhor.
 Jamais tentar provocar uma atitude firme, (chamada pelo autor como uma
experiência de crise, um encontro face a face, onde será tido pelo cônjuge
traído, algumas regras e mudanças diante do traidor) sem ajuda de um
profissional cristão (nota: conselheiro com formação cristã e acadêmica,
seja psicólogo, teólogo)
 Na primeira vez em que acontece o adultério, o parceiro inocente já deve
dar uma motivação firme: ―Se insistir no erro, vai voltar para casa e nem
eu e nem as crianças estaremos aqui‖, se o erro continuar, a palavra deve
ser cumprida e a escolha ficará com o infiel, enfrentando a realidade: sem
a família, sentindo todo o impacto de seu pecado. Porém nem sempre o
arrependimento vem, pois a palavra dita (ameaça) não foi cumprida, o
cônjuge fiel blefa diante da mesma.
 Ao entrar numa discussão com o infiel, não procurar ―entrar na cabeça
dele, para tentar compreendê-lo‖, portanto deve-se escolher as palavras
com cuidado, pois o infiel não quer explicar seus sentimentos.
 Ser mais discreto e não revelar os planos que tem em querer salvar o
casamento, portanto manter a confiança, acreditar em si e em Deus.
 Jamais fazer declarações com: ―Chorei a noite inteira. Você não pode ver
como preciso de você.‖
 O infiel sabe, ao longo da convivência, daquilo que aborrece seu parceiro,
todas as frases memorizadas nas conversas, portanto o fiel deve trocar as
frases já ―prontas‖.
39

 O propósito do embate, da atitude firme, é convencer o adúltero(a) que os


eventos estão ficando fora do controle, podendo levá-los em direções que
não foram previstas por eles (os adúlteros), portanto evitar na conversa
firme, os comentário fúteis, as frase e atitudes previsíveis por ele(a),
trabalhar com novas regras e atitudes (por parte do cônjuge fiel), de
maneira alguma, a não ser por causa de negócios, não se deve ligar ao
marido (esposa) que está em adultério.
 Manter uma confiança tranquila, agir com amor, sem ofender, colocando
as claras, para o cônjuge infiel as implicações do erro.
40

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante do aporte bibliográfico, visões teológicas, religiosas, pareceres


favoráveis ou não e em quais circunstância é ou não é permito o divórcio, ficando
notável sua complexidade, pois foi e é tema de discussão em concílios, sínodos,
congressos e tantas outras comissões de homens para entender a palavra de Deus,
ao longo da história cristã. Apesar de tudo, o homem não chega a um acordo
comum, pois cada ser humano é único, tendo que ao longo de sua vida, sendo ou
não cristão, passar pelas suas dificuldades, pelos seus ―vales da sombra da morte‖,
pois é com eles que o homem, se quiser, aprende, amadurece, se volta mais para
Deus. Se cristão o for, fica mais fácil chegar a uma decisão diante das adversidades,
qual seria a correta? Qual a vontade de Deus na vida de cada um? A decisão
correta é aquela que leva a paz no coração, pois a paz é um sinal da direção divina,
entre muitas passagens bíblicas, eis algumas:
 ―Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração, à qual, também, fostes
chamados em um só corpo; e sede agradecidos‖. (Colossenses 3.15)
 ―Porque Deus não é de confusão, e sim de paz‖. (1 Coríntios 14.33)
 ―Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e
súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a
paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os seus
corações e as suas mentes em Cristo Jesus. (Filipenses 4.6-7)
 ―Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus
para convosco. Não extingais o Espírito. Não desprezeis as profecias.
Examinai tudo. Retende o bem. Abstende-vos de toda a aparência do mal.
E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e
alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a
vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.‖ (1 Tessalonicenses 5.18-23)
 Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na
oração. Romanos 12.12
 Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá.
Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize. (João 14.27)
41

Como conseguir a paz? Chegando-se a Deus através de orações, súplicas,


jejum, lendo e vivendo a Palavra de Deus, em 2 Timóteo 3.16-17 está escrito que:

―Toda a Escritura é inspirada por Deus, e útil para ensinar, para repreender,
para corrigir e para formar na justiça. Por ela, o homem de Deus se torna
perfeito, capacitado para toda boa obra.‖ (BÍBBLIA, 2011 pg. 1527)

Doando-se aos demais, pois aquele que passa por uma experiência dolorosa,
vai ter ―bagagem‖ em como ajudar outros em condições semelhantes (com
autoridade pois tem conhecimento de causa). Deus atende, como está escrito em
Mateus 7.9-22:

―Por acaso algum de vocês, que é pai, será capaz de dar uma pedra ao
filho, quando ele pede pão? Ou lhe dará uma cobra, quando pede um
peixe? Vocês, mesmos sendo maus, sabem dar coisas boas aos seus
filhos. Quanto mais o Pai de vocês, que está no céu, dará coisas boas aos
que lhe pedirem!‖. (BÍBBLIA, 2011, pg. 1192)

Porém deve-se ter paciência, pois geralmente é requerido da parte de Deus


uma resposta imediata, assim se busca uma resposta do homem que é mais rápida,
(pois não se quer o ―pagar o preço‖: do jejum, da oração, da leitura), e o tempo de
Deus não é o mesmo homem. Mas se esperar e quando vier a resposta de Deus,
então deve-se aceitá-la (uma separação, um divórcio, uma restauração, enfim aquilo
pelo qual se orou), pois: ―O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta
certa dos lábios vem do SENHOR‖. Provérbios 16:1 e que: ―Sabemos que todas as
coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles
que são chamados segundo o seu propósito‖. Romanos 8:28
Portanto, seja ―você‖ fiel a Deus, como consequência serás ao seu cônjuge !!!
42

REFERÊNCIAS

BIBLIA. Português. Bíblia de Estudos do Expositor. Tradução: Jimmy Swaggart.


Baton Rouge – Luisiana -EUA. Ed. 2011. Ministério de Jimmy Swaggart, 2011.

CARVALHO, Esly Regina. Quando o Vinculo se Rompe; Separação, Divórcio e


Novo Casamento. Viçosa: Ultimato, 1ª Ed. 2000.

CHAVES, Bruno. Divórcio Segundo a Bíblia. Joinvile: Clube de Autores, 1ª Ed.


2017.

DOBSON, James C. O amor tem que ser firme. São Paulo: Mundo Cristão, 1992.

FONTANIN, K. A. O; LOURENÇO, R. L. Metodologia do Trabalho Acadêmico. Ed.


2016. Curitiba: Secretaria Geral de Educação e Cultura da Igreja do Evangelho
Quadrangular – SGEC-IEQ, 2016.

JOSEFO, Flávio. Trad. Vicente Pedroso. História dos Hebreus - De Abraão à


queda de Jerusalém - Ebook. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias
de Deus, 2004.

KÖSTENBERGER, Andreas J.; JONES, David W. Trad. Sussana Klassen. Deus,


Casamento e Família. São Paulo: Vida Nova, 2015.

LOPES, Hernandes Dias. Casamento, Divórcio e Novo Casamento. São Paulo:


Hagnos, 2005.

LUTERO, Martinho. Trad. Fabrício Tavares de Moraes. Conversas à Mesa de


Lutero. Brasília: Monergismo, 2017.

MEDEIROS, E. L.; LAPA, M. A. T. Aconselhamento e Orientação Familiar. Ed.


2015. Curitiba: Secretaria Geral de Educação e Cultura da Igreja do Evangelho
Quadrangular – SGEC-IEQ, 2015.

MEDEIROS, Eduardo Luiz de. História da Igreja. Ed. 2014. Campos Elísios:
Secretaria Geral de Educação e Cultura da Igreja do Evangelho Quadrangular –
SGEC-IEQ, 2014.

SANTOS, Sinésio Carlos dos. Vivência Cristã. Ed. 2015. Curitiba: Secretaria Geral
de Educação e Cultura da Igreja do Evangelho Quadrangular – SGEC-IEQ, 2015.
43

AQUINO, Felipe. Divorciados e Recasados. Disponível em


<https://cleofas.com.br/divorciados-e-recasados-eb-parte-1/> Acesso em 13 de out.
2018.

AQUINO, Felipe. Segunda União (Parte 1). Disponível em


<https://cleofas.com.br/segunda-uniao-parte-1> Acesso em 13 de out. 2018.

BARCLAY, William Felipe. Olho por olho e dente por dente - Seria esta uma lei de
incentivo à vingança ou à misericórdia? Disponível em
<http://biblia.com.br/artigos/olho-por-olho-e-dente-por-dente-incentivo-a-vinganca-
ou-a-misericordia/> Acesso em 14 de out. 2018.

COSTA, José Wellington Bezerra. Declaração de Fé - Convenção Geral das


Assembleias de Deus no Brasil Casa Publicadora das Assembleias de Deus - 2016.
Disponível em <http://assembleia.org.br/wp-content/uploads/2017/07/declaracao-de-
fe-das-assembleias-de-deus.pdf > Acesso em 13 de out. 2018.

DIVÓRCIO. In. DICIONÁRIO Brasileiro da Língua Portuguesa. Disponível em


<http://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/busca/portugues-brasileiro/divorcio>
Acesso em 14 de abr. 2018.

DAMETTO, Anísio S. Declaração de Fé. Disponível em


<http://www.portaligrejaquadrangular.com.br/portal/arquivos/pdf/declaradaodefe_ieq.
pdf> Acesso em 13 de out. 2018.

DUARTE, Cláudio. Portal Mundo Cristão - "Só aconselho divórcio no caso de risco
de morte" diz Pr. Cláudio Duarte. Disponível em <
https://guiame.com.br/gospel/mundo-cristao/so-aconselho-divorcio-no-caso-de-risco-
de-morte-diz-pr-claudio-duarte.html> Acesso em 13 de out. 2018.

FILHO, Clóvis Alberto Volpe. As reformas do Código Penal introduzidas pela Lei Nº
11.106, de 28 de março de 2005. Disponível em
<https://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/1999/As-reformas-do-Codigo-Penal-
introduzidas-pela-Lei-No-11106-de-28-de-marco-de-2005> Acesso em 14 de out.
2018.

GONÇALVES, Josué. VÍDEO – Portal Josué Gonçalves: Reflexão - Pr Josué


Gonçalves – Divórcio. Disponível em
<https://www.youtube.com/watch?v=HhqnevSw8j8 > Acesso em 13 de out. 2018.

IBPV. Regimento Interno da Igreja Batista Pedra Nova. Disponível em


<http://www.ibpv.com.br/regimento/> Acesso em 14 de out. 2018.

IEQ. Estatuto da IEQ – Igreja Do Evangelho Quadrangular. Disponível em


<http://cvq.com.br/site/?s=estatuto> Acesso em 14 de out. 2018.
44

IECLB. Estatuto do Ministério com Ordenação da IECLB. Disponível em


<http://www.luteranos.com.br/conteudo/estatuto-do-ministerio-com-ordenacao-da-
ieclb> Acesso em 14 de out. 2018.

IELB. As Confissões de Fé da Igreja Luterana. Disponível em


<https://www.horaluterana.org.br/as-comissoes-de-fe-da-igreja-luterana> Acesso em
13 de out. 2018.

IPRB. Regimento interno da Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil. Disponível em


<http://www.presbiterianagyn.com.br/regimento.html> Acesso em 14 de out. 2018.

JÚNIOR, Josaías Ribeiro. Confissões de Fé: Credo! Disponível em


<http://reforma21.org/artigos/confissoes-de-fe-credo.html> Acesso em 13 de abr.
2018.

JÚNIOR, Paulo. VÍDEO – Portal Firmeza da Verdade: Quem se Divorciar e Casar


Novamente é Salvo? - Paulo Junior –. Disponível em
<https://www.youtube.com/watch?v=Bj8nnPYrNrs> Acesso em 13 de out. 2018.

KIVITZ, Ed René. VÍDEO: TALMIDIM 055: DIVÓRCIO. Disponível em


<https://www.youtube.com/watch?v=Zf9h2T7Lyjk > Acesso em 08 de set. 2018.

LIMA, Alan Rennê Alexandrino. Divórcio E Novo Casamento Um Estudo Sobre


Mateus 19.9 E A Confissão De Fé De Westminster. Disponível em
<http://www.monergismo.com/textos/familia_casamento/Divorcio-Novo-
Casamento_Alan-Renne.pdf > Acesso em 11 de out. 2018.

LOPES, Pr. Hernandes Dias. VÍDEO: Casamento e Divórcio segundo Yeshúa Jesus
Pr Hernandes Dias Lopes 2018. Disponível em
<https://www.youtube.com/watch?v=vIhXDAMCzvI> Acesso em 13 de out. 2018.

MATOS, Alderi Souza de. História Da Confissão De Fé De Westminster. Disponível


em <https://cpaj.mackenzie.br/historiadaigreja/pagina.php?id=190> Acesso em 13 de
out. 2018.

NETO, Felipe Sabino de Araújo. Confissão de Fé de Westminster. Disponível em


<http://www.monergismo.com/textos/credos/cfw.htm> Acesso em 13 de out. 2018.

NETO, Felipe Sabino de Araújo. A Confissão de Fé Batista de Londres de 1689.


Disponível em < http://www.monergismo.com/textos/credos/1689.htm> Acesso em
13 de out. 2018.

NETO, Felipe Sabino de Araújo. Confissão de Fé de Augsburgo de 1530. Disponível


em <http://www.monergismo.com/textos/credos/confissao_augsburgo.htm > Acesso
em 13 de out. 2018.
45

MONELLO, Sergio. A Organização Religiosa, Seu Estatuto e Suas obrigações


Legais. Disponível em
<http://www.advocaciasergiomonello.com.br/sitesterceiros/adv_sergio_monello2/inde
x.php/noticias/59-a-organizacao-religiosa-seu-estatuto-e-suas-obrigacoes-legais>
Acesso em 14 de out. 2018.

PIPER, John. VÍDEO: Divórcio e Novo Casamento - John Piper. Disponível em


<https://www.youtube.com/watch?v=fHRzkhEYvEA> Acesso em 13 de out. 2018.

PENA, Daniel Alves. Abordagem Bíblica Sobre Repúdio E Divórcio. Disponível em <
http://danielpweb.com/divorcio.pdf > Acesso em 13 de abr. 2018.

Queiroz, Eduardo e Wellington Fernandes. VÍDEO – Portal BATE-PAPO Canal Rede


Super de Televisão: Cristão divorciado pode se casar novamente? Disponível em
<https://www.youtube.com/watch?v=e_nnoxJ6ZhM> Acesso em 13 de out. 2018.

REILY, Duncan Alexander. Fundamentos Doutrinários do Metodismo. Disponível em


<http://www.metodistavilaisabel.org.br/docs/FUNDAMENTOS_DOUTRINARIOS_DO
_METODISMO.pdf> Acesso em 13 de out. 2018.

SANTOS, Simone Moraes dos. Adultério, traição e dano moral. Revista Jus
Navigandi, ISSN 1518-4862, Teresina, ano 11, n. 936, 25 jan. 2006. Disponível em:
<https://jus.com.br/artigos/7871>. Acesso em: 14 out. 2018.

TITUS, Larry, TITUS, Devi, VALADÃO, Ana Paula, BESSA, Gustavo, SOUZA, Jânio,
SOUZA, Érica. VÍDEO – Canal Diante do Trono Oficial: Mesa: Divórcio e Novo
Casamento - Congresso de Homens e Mulheres Diante do Trono. Disponível em
<https://www.youtube.com/watch?v=_Lx9U5PKf4Q > Acesso em 13 de out. 2018.

Você também pode gostar