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SUMÁRIO

1- Introdução...................................................................................................................... 02

2- Dos Direitos e Deveres do Preso.................................................................................... 03


2.1 Da Remição e Outras Garantias........................................................................ 03
2.2 Deveres do Preso - Análise Crítica................................................................... 05

3- Orgãos da Execução Penal............................................................................................. 07


3.1 Introdução......................................................................................................... 07
3.2 Desenvolvimento, tipos e competências........................................................... 07

4- Das Penas........................................................................................................................ 11
4.1 Conceitos........................................................................................................... 11
4.2 Princípios.......................................................................................................... 11
4.3 Função............................................................................................................... 12
4.4 Privativas de Liberdade..................................................................................... 12
4.5 Detração Penal e Cálculo do tempo da pena..................................................... 13
4.6 Restritivas de Direito........................................................................................ 14
4.7 Alternativa Penal............................................................................................... 15
4.8 Penas Alternativas............................................................................................. 16
4.9 Condições restritivas de Direitos...................................................................... 16
4.10 Da Multa......................................................................................................... 17
4.11 Regimes de Cumprimento da Pena Privativa de Liberdade........................... 17

5- Sursis e Livramento Condicional................................................................................... 19


5.1 Distinção entre Sursis e Livramento Condicional............................................ 19
5.2 Conceitos.......................................................................................................... 20
5.3 Requisitos.......................................................................................................... 20
5.4 Espécies de Sursis............................................................................................. 21
5.5 Período de Provas.............................................................................................. 22
5.6 Condições.......................................................................................................... 23
5.7 Revogação......................................................................................................... 24
5.8 Prorrogação e Extinção..................................................................................... 25

6- Conclusão........................................................................................................................26

7- Bibliografia......................................................................................................................27
1. Introdução

O presente trabalho versa sobre tópicos da Lei de Execução Penal (lei 7.210/84). Visa coligir
apontamentos a respeito do cumprimento da pena como corolário do Direito Penal. Nosso foco é
apresentar temas de debates mais acalorados e de conhecimento fundamental, em especial em
crítica análise a respeito dos deveres e direitos do condenado, na exposição acerca do sistema de
penas adotado pelo legislador, em sua rica variedade, passando pelos órgãos da execução penal e,
finalmente, tratando acerca do sursi e do livramento condicional.
2. Direitos e Deveres do Preso

2.1 – Da Remição e Outras Garantias

Os presos também têm direitos. Estaremos comentando direitos assegurados pela própria Lei
de Execução Penal (LEP - Lei nº. 7.210/84), que rege a situação do encarcerado a partir de sua
prisão até o momento em que é extinta sua pena. Alguns dos direitos que veremos a seguir trazem
importantes reflexos em várias discussões atuais. Analisar este tema nos trará consciência para criar
idéias palpáveis para a modificação do sistema penitenciário brasileiro e para não acreditarmos em
bobagens lançadas aos ventos por várias pessoas.

Um dos direito do condenado é o de REMIÇÃO, que é a quitação da pena por meio de uma
clemência do Estado, perdoando dias de pena em troca de trabalho do condenado. Trabalha-se de 6
(seis) a 8 (oito) horas diárias, dentro do estabelecimento fechado ou semi-aberto. Em troca deste
serviço prestado, o condenado tem sua pena diminuída na razão de três dias trabalhados para cada
dia de pena perdoado. Além disso, torna-se obrigatório o requisito subjetivo do merecimento, isto é,
para remir a pena, o preso não pode ter registrado nenhuma falta grave em seu prontuário. Se
houver falta grave, o condenado pode, inclusive, perder os dias remidos já ganhos, (o que é um ato
inconstitucional, pois é um direito adquirido, inclusive já existem jurisprudências nestes casos).

Outro fato também importante é que existem presos que já cumpriram a pena imposta pelo
Estado, e o mesmo fica a mercê do Estado, ou seja, fica "apodrecendo" no presídio até que algum
advogado, ou defensor público peticione ao Juiz de Execução para que o mesmo possa autorizar a
sua soltura.

O preso provisório tem direito à remição? A doutrina é divergente neste aspecto: A LEP
indica que só o condenado pode remir pena, excluindo o preso provisório (que ainda não foi
condenado). O preso provisório tem direito ao benefício da detração, mas não à remição, sob pena
de se descontar duas vezes o mesmo período. Por outro lado, o artigo 31 da LEP indica que o
trabalho é facultativo ao preso provisório, prevendo a possibilidade. Afinal de contas, se existe a
execução provisória da pena (conforme parágrafos anteriores), deveria também haver uma forma de
remição provisória.

Sempre ouvimos a proposta de manter o preso trabalhando, com a finalidade de se auto-


sustentar dentro da prisão. A proposta é boa, e deve ser melhorada, visando uma viabilidade total.
Entretanto, a atual situação de falta de recursos financeiros não permite sequer a remição dentro de
presídios, quanto mais à possibilidade de fornecer condições de laborar e vigilância para manter os
condenados trabalhando, sem permitir fugas.

Além disso, o preso também tem direito à ALIMENTAÇÃO, VESTUÁRIO E


ALOJAMENTO. Este direito, todavia, propicia abusos. O preso tem direito à sua cela e colchão,
embora os queime em rebeliões (com a obrigação do Estado em repor o colchão queimado). Tem
direito à alimentação, o que limita a idéia proferida por vários palpiteiros de plantão, de "manter o
preso trabalhando em plantações, para comer o que plantar!". Mesmo se não plantar, o preso teria
direito de se alimentar!

Comentaremos agora a VISITA ÍNTIMA, ou DIREITO AO SEXO. Embora a Lei de


Execuções Penais seja clara, no artigo 41, inciso X, em permitir a visita do cônjuge, parentes ou
amigos, a possibilidade de sexo não está contemplada no ordenamento jurídico.
Porém, hoje em dia a visita íntima é um "brinde" da diretoria dos presídios, usada muitas vezes
como "moeda de troca" ou forma de "acalmar os ânimos" dos detentos. É estatisticamente
comprovado o efeito benéfico das visitas íntimas no comportamento dos presidiários, que ficam
menos rebeldes. As presidiárias têm garantia constitucional de permanecer com seus filhos durante
o período de amamentação (artigo 5º, inciso L).

O condenado tem direito a ter CONTATO COM ACONTECIMENTOS DO MUNDO


EXTERIOR, PELA LEITURA OU OUTROS MEIOS DE INFORMAÇÃO. Este direito, previsto
no artigo 41, XV da LEP, combinado com o direito de SIGILO DAS COMUNICAÇÕES POR
CORRESPONDÊNCIA OU TELEFONIA nos brinda com uma enorme batalha judicial atual. Não
são raros os presos que utilizam telefones celulares para comunicações com o mundo exterior. O
telefone celular, por si só, não seria proibido ao preso, de acordo com o previsto na Lei, afinal
permitem o tal contato com o mundo exterior. Ocorre que a bandidagem acabou utilizando a
facilidade na comunicação para organizar fugas, rebeliões em massa, comprar armamentos pesados,
e até comandar seus fiéis súditos de dentro do presídio, transformando a pena em férias e o
ambiente de reclusão em colônia de recreação.

Tomando conhecimento desta situação, os Poderes Legislativo e Executivo trataram de


modificar a lei, proibindo a entrada dos famigerados telefones celulares nos presídios, criando
cadastros aos telefones pré-pagos (medida meramente paliativa), embutindo inibidores de sinais nos
presídios (que até agora foram muito falados, mas pouco utilizados, devido à enorme burocracia e
falta de recursos).

Assim chegamos à conclusão de que o preso tem sim direito à informação do mundo
exterior, mas de forma que não possa manter sua atividade criminosa (por exemplo, pelo jornal,
rádio, TV, cartas ou por conversas com familiares). A inviolabilidade de correspondência e telefone
permanece, sendo passível de quebra de sigilo, por meio de ordem judicial, como pode ocorrer a
qualquer brasileiro.

Neste aspecto, indica-se que tanto o direito à visitação quanto ao contato com o mundo
exterior podem ser suspensos ou restringidos pelo diretor do estabelecimento penal. Propostas de
modificação no sistema de execução penal, com a limitação de visitas, ou ainda a proibição da
entrada de alimentos e outros pacotes (muitas vezes escondendo armamentos ou drogas), ou ainda a
proibição total do uso de aparelhos eletrônicos nas prisões poderia (e deve) ser usadas como
penalidades ou forma de limitações ao poder paralelo prisional que se institui atualmente.

Um ponto importante a ser discutido diz respeito ao direito de CUMPRIR PENA NO


LOCAL DE SUA RESIDÊNCIA. Este direito não existe! O condenado cumprirá pena onde o
estado achar conveniente, onde houver vaga e onde houver estabelecimento indicado para presos
que cometeram aquele determinado delito. E pode haver a mudança do estabelecimento durante o
cumprimento da pena, podendo inclusive haver mudança entre Estados-membros da Federação,
com o conseqüente encaminhamento ao juiz da execução competente.

Conhecendo estes direitos, que são apenas alguns poucos no extenso rol de garantias
asseguradas ao preso, podemos ter um entendimento maior sobre as inúmeras propostas
apresentadas para melhorar a Segurança Pública. Aqui, abrimos as duas alternativas: estudar
modificações nos regramentos jurídicos já existentes, ou criarmos novas propostas que se
enquadrem no atual ordenamento jurídico.
Lei de Execução Penal (7.210/84)
No Artigo 41, diz que "Constituem direitos do preso".
I – Alimentação suficiente e vestuário;
II – Atribuição de Trabalho e sua remuneração;
III – Previdência Social;
IV – Constituição de pecúlio;
V – Proporcionalidade na distribuição do tempo para
o trabalho, descanso e recreação;
VI – Exercício das atividades profissionais,
intelectuais, artísticas e desportivas anteriores, desde
que compatíveis com a execução da pena;
VII – Assitência material, à saúde, jurídica,
educacional, social e religiosa;
VIII – proteção contra qualquer forma de
sensacionalismo;
IX – Entrevista pessoal e reservada com seu
advogado;
X – Visita do cônjuge, da companheira, de parentes e
amigos em dias determinados;
XI - Chamamento nominal;
XII – Igualdade de tratamento salvo quanto às
exigências da individualização da pena;
XIII – Audiência especial com o diretor do
estabelecimento;
XIV – representação e petição a qualquer autoridade,
em defesa de direito;
XV – Contato com o mundo exterior por meio de
correspondência escrita, da leitura e de outros meios
de informação que não comprometam a moral e dos
bons costumes.
Parágrafo único – Os direitos previstos nos incisos V,
X e XV poderão ser suspensos ou restringidos
mediante ato motivado do diretor do estabelecimento.

2.2 Deveres dos Presos – Uma análise crítica

Concordamos plenamente o que consta no capítulo IV, seção I, Art. 39 e seus incisos,
embora que alguns de seus só valem na parte teórica, pois para o preso condenado ter todos os seus
direitos, primeiro tem que cumprir todos os seus deveres, ou seja, não participar de rebeliões, o que
a maioria participa.

Há deveres estabelecidos para os presos que são completamente incompatíveis com qualquer
tipo de convivência numa instituição com tais características, como o de lhe impor uma "conduta
oposta aos movimentos individuais ou coletivos de fuga ou de subversão à ordem ou à disciplina"
(art. 39, IV), cujo cumprimento é, praticamente, impossível de se exigir. Pretende assim a lei de
execução, transformar cada preso num vigilante de seu companheiro, o que não só é absurdo, como
também pouco recomendável para a sua futura vida livre de delator.

A falta de infra-estrutura e o total descaso dos nossos governantes têm contribuído de forma
significativa para a transformação das penitenciárias brasileiras em verdadeiras "escolas do crime".
Se por um lado, os maus tratos, as celas lotadas, as condições precárias, a falta de alimentação
adequada e o meio insalubre trazem o arrependimento do preso pelo crime cometido, por outro,
também trazem a revolta.

Além disso, a falta de um acompanhamento psiquiátrico e a não utilização de atividades


intelectuais e esportivas acabam por arruinar a integridade física e moral do apenado, propiciando
dessa forma ao cultivo de pensamentos perversos e banais, não contribuindo de forma alguma a sua
reabilitação, pelo contrário, prejudicando-o ainda mais.

Como se não bastasse, quando o delinqüente readquire a liberdade, depara-se com os


obstáculos impostos por uma sociedade preconceituosa e excludente que não consegue enxergá-lo
como um indivíduo normal (isso no caso de ele ter sido realmente recuperado), aplicando-lhe outras
sanções igualmente severas, que é a falta de oportunidade no mercado de trabalho, o desemprego, a
falta de cidadania básica, etc. Diante do exposto, a única alternativa é voltar a cometer os mesmos
crimes, a fim de que possa sobreviver.

Observa-se, então, que as penas privativas de liberdade, na maioria das vezes, não
contribuem para a adaptação do indivíduo a uma futura vida em sociedade. Reconhece-se que a
prisão não é o melhor lugar para empreender qualquer tentativa de reeducação ou tratamento
terapêutico de problemas de personalidade. Devemos evitar, ao máximo, os efeitos prejudiciais da
pena privativa de liberdade, procurando aplicar, a cada caso, a pena adequada a ressocialização do
delinqüente.

Urge que se faça cumprir o que está escrito na nossa Constituição, no atual Código Penal,
especialmente, no que diz respeito aos direitos e deveres dos presos, bem como, atentar às
disposições presentes no Código de Processo Penal vigente em relação ao processo de execução da
pena, a fim de que a prisão seja um local onde se possa punir reabilitando o detento para a vida
dentro da sociedade.
3. Órgãos da Execução Penal

3.1 Introdução

A Lei de Execução Penal estabelece vários mecanismos com a finalidade de instituir,


executar e monitorar ações ressocializadoras aos presos e internados nos estabelecimentos
prisionais e externamente.

Vários são os mecanismos de monitoramento externo dos estabelecimentos prisionais,


dentre eles pudemos constatar que ao todo, seis grupos são designados às funções de fiscalização e
assistência perante a lei.

Dentre eles podemos apontar:


- O Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária;
- O Juízo da Execução;
- O Ministério Público;
- O Conselho Penitenciário;
- Os Departamentos Penitenciários;
- O Patronato e o Conselho da Comunidade.

Estas instituições citadas anteriormente, compõem o quadro de órgãos da Execução


Penitenciária, previstos dos artigos 61 ao 81 da Lei de Execução Penal, que teremos a satisfação de
explanar com mais detalhes a seguir.

3.2 Desenvolvimento, tipos e competências

Três desses grupos, os Juizes, o Ministério Público e os Conselhos da Comunidade são


incumbidos de inspecionar mensalmente os estabelecimentos prisionais de suas jurisdições,
enquanto que os outros órgãos são incumbidos de tarefas de fiscalização mais flexíveis.

Sabemos que, em nosso país, apesar da aparente abundância de autoridades responsáveis,


muitos dos estabelecimentos penais não recebem a visita de nenhum desses grupos por meses e até
anos.

Em estabelecimentos que haviam recebido a visita ocasional dessas autoridades, quase que
não encontramos tanta irregularidade quanto ao cumprimento da pena e progressão de regime, mas
também são raros os presos que se lembravam ter visto ou falado com um agente de externo de
fiscalização. Em grande parte dos presídios há falta de uma fiscalização eficaz, particularmente por
parte dos juizes e do Ministério Público.

Em parte, o fracasso dos mecanismos de fiscalização externa reflete outras aspirações não
alcançadas pela Lei de Execução Penal. Por exemplo, os Conselhos da Comunidade Locais
previstos por lei concebidos como um método significativo de encorajar o contato com a
comunidade e o envolvimento com os presos quase que inexiste, na maioria dos Estados e quando
existe faltam recursos ou a certo modo são impedidos de atuar pela própria sociedade, ficando no
dilema: "Sociabilizá-lo ou Não". Uma vez que a sociedade restringe a entrada de ex-presidiário no
meio social.

Pelo que se pode vê no Livro de Mirabete, O Conselho Nacional às vezes conduz inspeções
nos presídios e até elabora relatório, assim como outros órgãos de fiscalização, mas, dado o alto
número de estabelecimentos penais do país, essas visitas tem um impacto ínfimo.

E ,a nosso ver, parece até ironia, mas o Juiz da Execução aparenta ser o mecanismo mais
eficaz de fiscalização, não sabemos se por conta deste por fim aos abusos, por serem
especificamente autorizados a interditar, no todo ou em parte dos estabelecimentos penais que
estiver funcionando em condições inadequadas, tentando melhorar as condições carcerárias ou com
infringência aos dispositivos da lei, ressalvando as exceções.

Diante de tal relato e tomando-se por base a LEP(Lei de Execuções Penais), vimos que
muitas vezes as atribuições destes, são confundidas, razão esta que tentamos de forma sintética
relacioná-la abaixo:

O Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária – com sede em Brasília, é


composto por 13(treze) membros designados pelo Ministro da Justiça, sendo estes profissionais
liberais de diferentes setores, tem como principais atribuições:
- propor diretrizes de política criminal de cunho preventivo, administrando e executando as
penas e medidas de segurança, além de estimular e promover pesquisas criminológicas.
- contribui na elaboração de planos nacionais de desenvolvimento, sugerindo metas e
prioridades da política criminal e penitenciária, promovendo avaliação periódica do sistema e
adaptando às necessidades do país. Fiscalizando e inspecionando os estabelecimentos penais,
tomando por leme as informações advindas do Conselho Penitenciário, representando quando se
fizer necessário à autoridade competente.

O Juízo da Execução – a execução cabe ao juiz na lei local e na sua ausência, ao da


sentença. Possui ainda atribuições de caráter administrativo, as chamadas funções judiciárias em
sentido estrito, quando zela pelo correto cumprimento da pena e da medida de segurança,
inspecionando os estabelecimentos penais e promovendo determinações inerentes a matéria, quando
há soma das penas, livramento condicional, detração, progressão, interdição, dentre outras.

O Ministério Público – tem como atribuições fiscalizar a execução da pena e da medida de


segurança, oficiando quando necessárias à autoridade providências ao bom andamento dos trâmites
da execução, visitando mensalmente os estabelecimentos penais, registrando a presença em livro
próprio.

O Conselho Penitenciário – este além de ser um órgão consultivo da execução da pena, é


composto por pessoas indicadas pelo Governador do Estado, dentre estes profissionais liberais com
mandato de duração de 04(quatro) anos, tendo como atribuições primordiais as seguintes:
- Emitir parecer sobre indulto e comutação das penas, além de inspecionar os
estabelecimentos e serviços penais, deve ainda no trimestre de cada ano, apresentar relatório dos
trabalhos realizados ao Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, bem como,
supervisionar os patronatos e as assistências aos egressos.

O Departamento Penitenciário Nacional – é um órgão superior, subordinado ao Ministério


da Justiça, executivo da Política Penitenciária Nacional, de apoio administrativo e de controle,
destinado a viabilizar a aplicação da LEP e das diretrizes da política criminal e penitenciária.

Compete ao presente Conselho:


- Acompanhar a fiel aplicação das normas de execução penal em todo território nacional,
fiscalizando-os e inspecionando-os periodicamente.
Vale ressaltar que essa ação deve ser intensificada quando o Estado não dispuser de um
departamento penitenciário local ou órgão similar, cuja criação é facultada às unidades federativas.

Em caso de irregularidades que afetem a lei federal e os princípios dos direitos


constitucionais dos presos ou internados, este órgão deve determinar ou solicitar providências,
intervir efetivamente, se necessário; tudo isso a fim de que as regras da execução da pena sejam
efetivamente cumpridas.
- colaborar com as unidades federativas para a fiscalização, implantação das atividades
técnicas propostas pela LEP, promover convênios e parcerias a fim de efetivar as atividades de
execução penal.

Considerada uma das formas mais eficazes de ressocializar o preso ou internado. Todavia é
uma das áreas mais deficientes. Um dos graves problemas da execução do nosso país é que aqueles
que lidam diretamente com o preso, o pessoal do penitenciário, não têm nenhuma preparação para a
concretude de tal determinação legal.

O Departamento Penitenciário Local – é um órgão facultativo criado pela LEP que


surpevisiona e coordena os estabelecimentos penais do Estado. É competente para investir nesse
cargo portadores de diploma de nível superior, de cursos específicos prescritos na LEP, ter
experiência na área administrativa, ter idoneidade moral, além de residir no estabelecimento ou nas
suas proximidades a fim de que dedique tempo integral à sua função.Atribui a este órgão:
- A distribuição dos condenados e dos submetidos a medidas de segurança pelos diferentes
estabelecimentos prisionais, promover a regular execução das penas privativas de liberdade e das
medidas de segurança detentivas;
- superintender a organização do trabalho prisional interno, coordenar a administração dos
estabelecimentos e serviços penais, assistir os órgãos e entidades que colaboram na execução penal,
além de atender às requisições, pertinentes à execução das penas, do Ministério Público e do Poder
Judiciário.

Do Patronato – é a parte do tratamento penitenciário ou do processo de reinserção social do


condenado, principalmente na liberdade, que auxilia o egresso (liberado definitivo) e ao albergado
(liberado condicional), a fim de que as dificuldades iniciais de caráter econômico, familiar ou de
trabalho sejam amenizadas ou, se possível, sanadas.
A supervisão do patronato cabe ao Conselho Penitenciário. Compete ao Patronato:
- orientar os condenados à pena restritiva de direitos, que vão desde a prestação de serviços à
limitação de finais de semana, fiscalizando sua aplicação, mas também o cumprimento das
condições de suspensão e do livramento de condicional.
- em caso de qualquer anormalidade, este, deve comunicá-la imediatamente ao juiz da
execução.

Vale ressaltar, que toda fiscalização precisa ser discreta, cautelar e protetora para que não se
impeça ou dificulte, pelo destinatário, a aceitação da assistência necessária ao processo de
reintegração social do condenado.

Do Conselho da Comunidade – órgão que deverá estar presente em cada comarca, composto
de no mínimo um representante de associação comercial ou industrial, um advogado indicado pela
OAB e um assistente social. A comunidade deve estar consciente de que cabe a ela resgatar o débito
criado com a prática do crime pelo preso ou egresso. Faz-se necessário que a comunidade atue
efetivamente e de forma conjunta ao Poder Judiciário e a administração para que sejam
neutralizados os efeitos danosos da marginalização. Cabe ao juiz da execução a criação e a
regulação do funcionamento do conselho. Atribui – se ao Conselho da Comunidade:
- visitar, no mínimo, mensalmente os estabelecimentos penais existentes nas comarcas, entrevistar
os presos e proporcionar efetivo aconchego àqueles presos ou albergados que almejam uma nova
oportunidade a fim de que tenham chances de se reintegrarem no âmbito social.
4. Da Pena

4.1 Conceitos

"Pena é a sanção aflitiva imposta pelo Estado, mediante ação penal, ao autor de uma
infração (penal) como retribuição de seu ato ilícito, consistente na diminuição de um bem jurídico,
cujo fim é evitar novos delitos." (Damásio de Jesus)

"Pena é uma medida de caráter repressivo, consiste na privação de determinado bem


jurídico, aplicada pelo estado ao autor de uma infração penal" (João José Leal)

"Pena é o mal justo que antepõe ao mal injusto que é o crime." (Kant)

"A pena é um imperativo categórico e o crime, sendo a negação do direito, tem sua negação
a pena, que visa o restabelecimento deste último" (Hegel)

4.2. Princípios

Da legalidade: a pena deve estar previamente definida na lei - art. 1° (2° parte do CP + art.
5°, XXXIX da CF.

Da personalidade: Nenhuma pena passará da pessoa do condenado. art. 5° inciso XLV da


CF.
É personalíssima (art. 5° XLV da CF) - não passa para os sucessores do condenado;
A sua aplicação é disciplinada pela lei; ou seja, legalidade (previsão em lei). É inderrogável, no
sentido da certeza de sua aplicação - uma vez transitada em julgado deve ser executada;
É proporcional ao crime.

A pena como instrumento de controle coletivo, tem como fundamentação controlar o


indivíduo dentro da sociedade para que ele não venha a cometer delitos.

Fundamento Místico: "restabelecer a proteção sacral e a de redimir o delinqüente a entidade


divina."

Fundamento Moral : "ela é a pura retribuição pelo mal causado ao grupo social pelo
infrator." Deu origem a teoria absoluta (de retribuição ou retribucionista) têm como fundamento da
sanção penal a exigência da justiça: pune-se o agente porque cometeu o crime.

Fundamento Utilitário: "ela não tem um valor absoluto, mas existe para cumprir
determinadas funções que são úteis à preservação da convivência social." Deu origem a teoria
relativa (utilitária ou utilitarista) dava-se à pena um fim exclusivamente prático, em especial o de
prevenção.

Fundamento misto (teorias ecléticas): "é uma mistura do fundamento moral e utilitário. A
pena guardam inegavelmente seu caracter retribuitivo: por mais branda que seja, continua sendo um
castigo, ema reprimenda aplicável ao infrator da lei positiva. Ao mesmo tempo, busca-se com ela
alcançar mestas utilitaristas, como a de evitar novos crimes e a de recuperação social do
condenado." Adotada pelo nosso CP.
4.3. Função (João José Leal)

Função intimativa ou preventiva: "exerce uma coação psicológica, levando os indivíduos a


se absterem de praticar infrações penais, pelo medo de sofrer a respectiva reprimenda."
Damásio de Jesus reconhece esta como função da pena, e acrescente que a prevenção é subdivida
em:

Prevenção Geral: "o fim intimativo da pena dirige-se a todos os destinatários da norma
penal, visando a impedir que os membros da sociedade pratiquem crimes."

Prevenção Especial : "a pena visa o autor do delito, retirando-o do meio social, impedindo-o
de delinqüir e procurando corrigi-lo."

Função eliminatória : "eliminam o delinqüente perigoso do convívio social."

Função recuperatória : "busca a recuperação, moral e social do condenado"

Função de defesa social : " defende os interesses da sociedade, contra a conduta perigosa do
infrator da lei penal."

Atenção : O nosso CP, adotou a teoria mista: tem função retribuitiva e preventiva (art. 59,
caput)

4.4 Privativas de Liberdade

O texto vigente mantém a distinção adotada pelo código de 1940, que divide em duas as
penas privativas de liberdade: reclusão e detenção, proibindo a sua execução conjunta, o que nunca
foi respeitado. Ainda que o atual Código Penal tenha praticamente suprimido as diferenças entre a
reclusão e a detenção, pois, o art. 33 fixa, unicamente, que a reclusão deve ser cumprida em regime
fechado, semi-aberto, enquanto a detenção só pode ser cumprida em regime semi-aberto e aberta,
"salvo necessidade de transferência a regime fechado". Quanto à execução, não existem diferenças
entre as duas espécies de pena.

O Código Penal fala dos estabelecimentos onde devem ser cumpridas as penas:
estabelecimentos de segurança máxima ou média; colônias agrícolas, industriais e ou similares;
casas de albergado e similar.

Regras do Regime Fechado:

Os estabelecimentos de segurança máxima ou média, são destinados ao regime fechado,


sendo denominados de "penitenciária" pela lei de execução penal, lá alojando-se em cela individual,
com seis metros quadrados de área mínima (art. 88, da lei de execução ). Ficam sujeitos a trabalho
no período diurno e isolamento durante o repouso noturno (art. 33, § 1º), o trabalho dentro do
estabelecimento será e comum com as aptidões e ocupações anteriores do condenado(§2º) e é
admissível o trabalho externo em serviços ou obras publicas(§3º).

Regras do Regime Semi-Aberto:

O regime semi-aberto é cumprido em colônias no período diurno, local onde os apenados


são alojados coletivamente (art. 92, da lei de execução). É admissível o trabalho externo como
cursos suplementares e instrução de segundo grau ou superior.

Regras do Regime Aberto:

O regime aberto baseia-se na autodisciplina e senso de responsabilidade do


condenado(art.36, caput)é cumprido em casas de albergado. O condenado deverá, fora do
estabelecimento e sem vigilância, trabalhar.

Regime especial:
As mulheres cumprem pena em estabelecimentos próprios, observando-se deveres e direitos
inerentes á sua condição pessoal.

Superveniência de doença mental:


O condenado a quem sobrevém doença mental deve ser recolhido a hospital de custódia e
tratamento psiquiátrico ou, à falta, a outro estabelecimento adequado (CP, art. 41). Não está prevista
a hipótese em que a doença sobrevenha durante o tempo de alguma das prisões computáveis no
prazo da pena, mas é de se entender ser o mesmo igualmente computado como pena, porque a
suspensão do processo, de acordo com o art 152 do CPP, não importa em suspensão da medida
cautelar. No caso do condenado permanecer internado até o término da pena, o § 2o do art. 862, do
CPP, dispõe que "o indivíduo terá o destino aconselhado pela sua enfermidade, feita a devida
comunicação ao juiz de incapazes".

4.5 Cálculo do tempo da pena e Detração Penal:

Na pena privativa de liberdade, e também na medida de segurança, ocorre um fenômeno


chamado de "detração penal", de acordo com o qual são computados nos seus prazos "o tempo de
prisão provisória, no Brasil ou no estrangeiro, o de prisão administrativa e o de internação" em
hospital de custódia e tratamento psiquiátrico ou "outro estabelecimento adequado", conforme o
disposto nos arts. 42 e 41 do CP. "Detrair significa" abater o crédito de ".

Detração penal é o cômputo na pena privativa de liberdade e na medida de segurança do


tempo de prisão provisória ou administrativa e o de internação em hospital ou manicômio.

O CP disciplina a detração penal no art. 42:" Computa-se, na pena privativa de liberdade e


na medida de segurança, o tempo de prisão provisória, no Brasil, ou no estrangeiro, o de prisão
administrativa e o tempo de internação em qualquer dos estabelecimentos referidos no artigo
anterior´´(" hospital de custódia e tratamento psiquiátrico ou, à falta, a outro estabelecimento
adequado").

Prisão preventiva é aquela que se decreta em qualquer fase do inquérito policial ou da


instrução criminal, pelo juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público, ou do querelante. O
art. 312 a prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem pública, por conveniência
da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência
do crime e indícios suficientes da autoria.

A prisão provisória é a que, conforme o art. 301, do código de processo penal, decorre da
prisão em flagrante feita por qualquer do povo, ou pelas autoridades policiais, quando alguém é
encontrado em fragrante delito, como também aquela que decorre da sentença de pronúncia, nos
processos cujo julgamento está afeto ao tribunal do Júri. Prisão administrativa é qualquer privação
de liberdade determinada pela autoridade competente, e que, conforme o art. 324, II, do CPP não
admite a fiança.

Têm ocorrido dúvidas, tanto na doutrina como na jurisprudência, acerca do cômputo do


tempo em que a pessoa tenha sido submetida à prisão preventiva ou provisória por outro delito.
Um critério antigo estabelecia que o tempo de prisão provisória computável era tão- só aquele que
decorria do delito em que era condenado. Todavia, este critério, muitas vezes, resulta arbitrário e
injusto.

Para resolvê-lo, o art. do código de 1969 dispunha que se computava "o excesso de tempo,
reconhecido em decisão judicial irreconhecível, no cumprimento da pena por outro crime, desde
que a decisão seja posterior ao crime de que se trata".

O texto vigente nada diz a respeito, mas a lógica indica que quando uma pessoa esta privada
da liberdade, em razão de uma cautelar decorrente de um crime, e ao mesmo tempo sujeita a
processo por outro crime, sem estar neste submetida a uma cautelar, pelo outro sejam coetâneos,
total ou parcialmente, deve-se computar esse tempo na pena privativa de liberdade fixada no
processo em que não estava submetida a cautelar, se absolvido no outro. Isto decorre do fato de que,
em um momento, o sistema penal está exercendo uma ação coetânea sobre a pessoa que, embora
responda por dois delitos diversos, estes não podem ser considerados inteiramente independentes,
porque a pessoa é única.

Progressão: significa a passagem de um regime mais rigoroso para um menos rigoroso.

Regressão: é o contrário da progressão. O indivíduo que por qualquer motivo foi beneficiado
com a progressão e vier a praticar outro crime ou falta grave, volta para o regime mais rigoroso ou
mesmo quando condenado a um regime aberto ou semi-aberto, quando pratica fato definido como
crime doloso.

4.6 Restritivas de Direitos

As Penas Restritivas de Direitos são autônomas e substituem a Pena Privativa de Liberdade


por certas restrições e obrigações. Dessa forma, as Restritivas têm caráter substitutivo, ou seja, não
são previstas em abstrato no tipo penal e, assim, não podem ser aplicadas diretamente. Por isso o
juiz deve aplicar a Pena Privativa de Liberdade e, presentes os requisitos legais, substituí-la pela
Restritiva (Art. 54 do CP).

As penas restritivas de direitos são:

Prestação Pecuniária: que é o caso da multa, a qual só pode ser aplicada em substituição a
pena privativa de liberdade, quando esta não for superior a seis meses.

Perda de bens e valores: como o próprio nome diz é a perda dos bens ou valores, como
forma de pagamento da pena.

Prestação de serviço à comunidade ou a entidades públicas: é a realização de tarefas


gratuitas em hospitais, entidades assistenciais ou programas comunitários. Tais tarefas serão
desempenhadas conforme a aptidão do condenado, que prefere submeter-se a essa sanção a afrontar
a pena privativa de liberdade.
Essa pena alternativa deverá ser cumprida durante oito horas semanais, aos sábados,
domingos e feriados ou em dias úteis, de modo a não prejudicar a jornada normal do trabalho.
Interdição temporária de direitos: constitui uma incapacidade temporária para o exercício de
determinada atividade, podendo ser proibição do exercício do cargo, função ou atividade pública,
bem como de mandato eletivo, proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício que
dependam de habilitação especial, de licença ou autorização do poder público e suspensão de
autorização ou de habilitação para dirigir veículo.
Assim essa pena poderá ser aplicada quando o indivíduo cometer algum crime no exercício da
administração pública, crime este que não pode ser superior a um ano ou quando profissionais que
tenham determinada licença para exercer sua profissão, cometam algum crime por intermédio desta,
como por exemplo, um médico que viola um segredo profissional ou ainda pode ser aplicada esta
pena para aqueles que cometem crimes culposos de trânsito, ficando suspensa a autorização para
dirigir veículo.

Contudo, não poderá a pena privativa de direito substituir a interdição, se no momento do


crime, o indivíduo não tinha autorização para dirigir ou se tiver acabado de habilitar-se. Porém tal
suspensão não afasta a obrigação de realizar novos exames.
Limitação de fim de semana: consiste na obrigação de permanecer, aos sábados e domingos, por
cinco horas diárias, em casa de albergado ou outro estabelecimento adequado, podendo ser
ministrados aos condenados, durante essa permanência cursos e palestras, ou atribuídas a eles
atividades educativas.

As vantagens dessa pena, é a permanência do condenado junto à sua família, ocorrendo o


seu afastamento apenas nos dias dedicados ao repouso semanal, a possibilidade de reflexão sobre o
ato cometido, a permanência do condenado em seu trabalho, não trazendo assim dificuldades
materiais para a sua família, o não contato com condenados mais perigosos, o abrandamento da
rejeição social.

Portanto o nosso Código adotou o sistema das penas substitutivas, assim as penas restritivas
de direitos são autônomas e substituem as penas privativas de liberdade, desde que observadas as
regras previstas no art. 44 do Código Penal.
É necessário que a pena privativa de liberdade imposta na sentença pela prática do crime doloso
seja inferior a um ano.

Se o crime for culposo aplica-se a substituição, observando-se, porém que se a pena


privativa de liberdade aplicada, for igual ou superior a um ano, pode ser substituída por uma pena
restritiva de direitos e multa ou por duas penas restritivas de direitos, exeqüíveis simultaneamente.
O réu não pode ser reincidente (se reincidente não admite a substituição das penas).
Ainda exige-se para a substituição das penas, que a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social
e a personalidade do condenado, bem como os motivos e as circunstâncias da infração indiquem
suficiência da substituição.

4.7 Alternativa Penal

As penas podem ser: institucionais, semi-institucionais e não institucionais.

PENAS INSTITUCIONAIS: penas que se cumprem em estabelecimentos especialmente


destinados a esse fim, como a reclusão, a detenção e a prisão simples.

PENAS SEMI-INSTITUCIONAIS: parcialmente executadas em estabelecimentos


detentivos, como a limitação do fim de semana.

PENAS NÃO INSTITUCIONAIS: executadas em liberdade, sem vinculação com


estabelecimentos prisionais.

4.8 Penas alternativas

Chamadas também de substitutivos penais, são meios de que se vale o legislador visando
impedir que ao autor de uma infração penal venha a ser aplicada medida ou pena privativa de
liberdade.

As penas alternativas são sanções de natureza criminal diversas de prisão, como a multa, a
prestação de serviços a comunidade e as interdições temporárias.

As penas alternativas serão aplicadas hoje, em casos que a pena privativa de liberdade não
ultrapasse 4 anos, não importando se o condenado ágil com dolo ou culpa. Porém é fundamental
que este não seja reincidente em crimes dolosos.

4.9 Condições restritivas de direito

São autônomas e substituem as privativas de liberdade quando:

Aplicada a pena de privativa de liberdade não superior a quatro anos e o crime não for
cometido com violência ou grave ameaça à pessoa, ou a qualquer que seja a pena aplicada, se o
crime for culposo;

O réu não for reincidente em crime doloso; a culpabilidade, os antecedentes, a conduta


social e a personalidade do condenado, bem como os motivos e as circunstâncias indicarem que
essa substituição é suficiente.

Prestação pecuniária

Consiste no pagamento em dinheiro à vítima, a seus dependentes ou a entidade pública ou


privada com destinação social de importância fixada pelo juiz.

Prestação de serviços à comunidade

São tarefas realizadas pelo condenado, gratuitamente, junto a entidades assistenciais,


hospitais, escolas, orfanatos, e outros estabelecimentos congêneres, em programas comunitários ou
estatais art. 46, lei 7209.

Perda de bens e valores

A perda de bens e valores pertencentes aos condenados dar-se-á, ressalvada a legislação


especial, em favor do Fundo Penitenciário Nacional, e seu valor terá como teto – o que for maior –
o montante do prejuízo causado ou do provento obtido pelo agente ou pro terceiro, em conseqüência
da pratica do crime.

Interdição temporária de direitos


Estas penas são: proibição do exercício de cargo, função ou atividade pública, bem como de
mandato eletivo; - proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício que dependam de
habilitação especial, de licença ou autorização do poder público; - suspensão de autorização ou de
habilitação para dirigir veículo.

Limitação de fim de semana

Tem em sua essência, o fracionamento da pena privativa de liberdade de curta duração, de


tal forma que a pena fosse cumprida apenas aos fins de semana.

Multas

A multa pode ser abstratamente imposta no tipo incriminador como pena comum ou
substitutiva. Tratando-se de condenação a pena igual ou inferior a um ano, a substituição pode ser
feita por multa ou por uma pena restritiva de direitos.; se superior a um ano a pena privativa de
liberdade pode ser substituída por uma pena restritiva de direitos e multa ou por duas restritivas de
direito.

4.10 Da Pena de Multa

Os critérios apontados para a cominação da pena de multa pelo Código Penal são:

Parte alíquota do patrimônio do agente: é levado em conta o patrimônio do réu,


estabelecendo uma porcentagem sobre os bens do condenado;
Renda: a multa deve ser proporcional à renda do condenado;
Dia-multa leva em conta o rendimento do condenado durante um mês ou um ano;
Cominação abstrata da multa: deixa ao legislador a fixação do mínimo e do Maximo da pena
pecuniária.
De acordo com CP que adotou o sistema do dia-multa.

Fixação da multa

A quantia da pena de multa é recolhida por um guia ao fundo penitenciário (art.49, caput).
A quantidade dos dias multa não é cominada pela norma penal incriminadora, que só faz referência
a multa, devendo ser fixada pelo juiz.

Pagamento da multa

A legislação anterior diz que a multa deve ser paga dentro de dez dias após o transito em
julgado da sentença condenatória(art.50, caput).

A cobrança da multa pode efetuar-se mediante desconto do vencimento ou salário do


condenado em três casos;
1º)quando aplicado isoladamente;
2º)quando imposta cumulativamente com pena restritiva de direito; e
3º)quando concedido o sursis.
De acordo com a lei n. 9.268/96, fica proibida a conversão da multa em detenção na hipótese
de inadimplemento pelo condenado solvente ou frustrador da execução.

4.11 Regimes de cumprimento da Pena Privativa de Liberdade


Como já vimos anteriormente os tipos de regimes de cumprimento da pena privativa de
liberdade são: reclusão, detenção e prisão simples.

Reclusão
Privação da liberdade do condenado, que é recolhido a prisão fechada, ou na falta desta, a
seção especial de prisão comum, sujeito a trabalho remunerado e a isolamento durante o repouso
noturno.

O tempo da prisão varia de acordo com a infração. A pena de reclusão é a mais grave; o
preso em flagrante por crime que a que é cominada essa pena não pode defender-se solto, poR
serem inafiançáveis esses delitos.

Sendo o réu reincidente e a pena de reclusão, o regime inicial de cumprimento da pena será
sempre o regime fechado, qualquer que seja a quantidade de pena. Se o réu for reincidente de
detenção, o regime será sempre semi-aberto, qualquer que seja a quantidade da pena, porque na
detenção este é o regime mais severo.

Detenção
Prisão para averiguações. Pena privativa de liberdade, mais grave que a prisão simples e
menos severa que a de reclusão. Impõe-se ao condenado o encarceramento temporário com
trabalho, pelo qual recebe remuneração. A lei determina que a multa seja convertida em divida ativa
da Fazenda Pública.

Prisão simples
Cumprida em seção especial de prisão comum, separado dos outros presos. A pena de prisão
simples deve ser cumprida, sem rigor penitenciário, em estabelecimento especial ou seção especial
de prisão comum, em regime semi-aberto ou aberto.
O condenado à pena de prisão simples fica sempre separado dos condenados à pena de
reclusão ou de detenção.
O trabalho é facultativo, se a pena aplicada não excede a 15 (quinze) dias.
5. Sursis e Livramento Condicional

Tendo em vista os malefícios das penas privativas de liberdade de curta duração e levando
em consideração que ao Estado não cabe apenas o papel punir, aqueles que cometem um fato típico,
culpável e antijurídico, tendo como objetivo principal utilizar-se dos mecanismos processuais para
que no decorrer do período punitivo, o delinqüente se reeduque, trazendo-o novamente ao convívio
social, retirando-o do cárcere, evitando a sua permanência entre criminosos de intrincada
recuperação. Entre as propostas para evitar o mal encarceramento, a que contou com o maior
sucesso foi a da instituição do SURSIS (suspensão condicional da pena) que consiste em dar um
crédito de confiança ao criminoso, estimulando-o a que não volte a delinqüir e, além disso, prevê-se
uma medida profilática de saneamento, evitando-se que o individuo que resvalou para o crime fique
no convívio de criminosos irrecuperáveis. O Código Penal Brasileiro, para versar sobre tal medida
ressocializadora, adotou o Sistema Belgo-Frances, inspirado nos moldes da Lei Béranger, de 26 de
maio de 1884, na França, que instituía "sursis à l"exécution de la peine". Assim, o sistema penal
pátrio prevê nos arts. 77 ao 82, a Suspensão Condicional da Pena (SURSIS).
Esta, na reforma penal de 1984, não constitui mais incidente da execução nem direito público
subjetivo de liberdade do condenado; é medida penal de natureza restritiva da liberdade e não um
beneficio; no entender do STJ o Sursis deixou de ser mero incidente da execução para tornar-se
modalidade de execução da condenação; no mesmo sentido entendeu o STJ que a reforma penal
introduzida pela Lei n. 7.209/84 conferiu ao sursis a natureza de pena efetiva, tratando-se de forma
de execução de pena.

A sanção penal é a sanção aflitiva imposta pelo Estado, mediante ação penal, ao autor de
uma infração (penal), como retribuição de seu ato ilícito, consistente na diminuição de um bem
jurídico, e cujo fim é promover a sua readaptação social, puni-lo e prevenir novas transgressões.
Considerando-se que um dos fins dessa sanção é a readaptação do criminoso, o sistema ideal
deveria fundar-se na imposição de penas indeterminadas, desnecessária que é a reprimenda quando
já se operou a recuperação do sentenciado. Um dos institutos que se orienta para essa
indeterminação, por meio da individualização executiva da pena, é o Livramento Condicional,
última etapa do sistema penitenciário progressivo. Nesse substitutivo penal, coloca-se de novo no
convívio social o criminoso que já apresenta índices suficientes de regeneração, permitindo-se que
complete o tempo da pena em liberdade, embora submetido a certas condições.

O livramento condicional surgiu no Brasil em 1890, no Código Penal deste mesmo ano, no
título ´´ Das penas e seus efeitos da sua aplicação e modo de execução`` era elaborada no artigo 50
(´´o condenado à prisão celular por tempo excedente a seis anos e que houver cumprido metade da
pena, mostrando bom comportamento poderá ser transferido para alguma penitenciária agrícola, a
fim de cumprir o restante da pena. Se preservar no bom comportamento, de modo a fazer presumir
emenda, poderá obter livramento condicional, contanto que o restante da pena a cumprir não exceda
a dois anos``). Ainda nesta legislação dizia-se que o livramento seria ato do Poder Federal mediante
proposta do chefe do estabelecimento penitenciário e que o condenado seria obrigado a residir no
local que fosse designado pelo ato da concessão e ficaria sob a vigilância da Polícia. Se o
condenado cometesse algum crime que importasse pena restritiva de liberdade ou não satisfizesse a
condição imposta, o tempo decorrido durante o livramento não seria computado.

5.1 Distinção entre SURSIS e Livramento Condicional

O livramento condicional se difere do sursis, a suspensão condicional da execução da pena,


em diversos pontos.
No Sursis, a execução da pena é suspensa mediante a imposição de certas condições, e o
condenado não chega a iniciar o cumprimento da pena imposta. Neste o período de prova não
corresponde à pena imposta. No Livramento Condicional, o sentenciado inicia o cumprimento da
pena privativa, obtendo, posteriormente, o direito de cumprir o restante em liberdade, sob certas
condições. Neste o período de prova corresponde ao restante da pena imposta. O Sursis suspende e
o livramento pressupõe a execução da pena privativa de liberdade.
Segundo Damásio "no sursis não se exige que o réu inicie o cumprimento da pena, o que não
acontece no livramento condicional". No livramento condicional o apenado obrigatoriamente tem
que cumprir uma parte da pena aplicada. Os não reincidentes em crimes dolosos e com bons
antecedentes deverão cumprir mais de um terço da pena imposta e o reincidente mais da metade. O
sursis, que significa suspensão, deriva de "surscoir", suspender. Assim para Aníbal Bruno, a
"suspensão condicional da pena é o ato pelo qual o juiz, condenando o delinqüente primário, não
perigoso, á pena detentiva de curta duração, suspende a execução da mesma, ficando o sentenciado
em liberdade sob determinadas condições". Não iniciando o réu o cumprimento da pena, ficando
então em liberdade condicional, por um período, denominado período de prova.

O período de prova no "sursis" vária de dois a quatro anos, artigo 77 caput, do Código Penal,
e sendo o condenado maior de setenta anos de idade, o prazo varia de quatro a seis anos, desde que
a pena não seja superior a quatro anos, artigo 77 § 2º do Código Penal. Sendo contravenção, o prazo
varia de um a três anos, Lei de Execução Penal artigo11. No livramento condicional, o período de
prova corresponde ao tempo de pena que resta ao liberado cumprir.
Se durante o período de prova houver revogação do "sursis" o condenado cumprirá a pena total que
se achava com a execução suspensa, como afirma Bitencourt, "a revogação do sursis obriga o
sentenciado a cumprir integralmente a pena suspensa, independentemente do tempo decorrido de
sursis". Revogado o livramento condicional, o liberado deverá cumprir a pena que se encontra
suspensa, correspondente ao período de prova, ou seja, o restante da pena que o liberado deveria
cumprir antes de concebido o livramento condicional, dependendo do caso de revogação desconta
ou não o período de prova.

O réu condenado à pena privativa de liberdade, inferior a dois anos, pode obter o "sursis" e o
réu condenado à pena privativa de liberdade superior a dois anos pode obter o livramento
condicional e o condenado exatamente a dois anos de pena privativa de liberdade pode obter o
"sursis" ou o livramento condicional, exceto o réu que é reincidente em crime doloso, artigo 77, I do
Código Penal, não poderá ser favorecido pelo "sursis" e sim pelo livramento condicional,
cumprindo mais da metade da pena, Código Penal, artigo 83, II.

5.2 Conceitos

A suspensão condicional da pena é um direito público subjetivo do réu de ter suspensa a


execução da pena imposta, durante certo prazo e mediante determinadas condições, desde que
preenchido os requisitos legais (o juiz não pode negar a concessão do SURSIS ao réu quando
aqueles forem preenchidos).

O livramento condicional consiste em uma antecipação provisória da liberdade do


condenado, satisfeitos certos requisitos e mediante determinadas condições, incidente na execução
da pena privativa de liberdade. É, portanto, "a concessão, pelo poder judiciário, da liberdade
antecipada ao condenado, mediante a existência de pressupostos, e condicionada a determinadas
exigências durante o restante da pena que deveria cumprir preso". O beneficio pressupõe,
essencialmente, o reajuste social do criminoso, porque seu comportamento carcerário e suas
condições revelam que os fins reeducativos da pena foram atingidos.

5.3 Requisitos

Para a concessão da Suspensão Condicional da Pena, o sentenciado deverá preencher os


requisitos objetivos impostos pelo caput do art. 77 do Código Penal, ou seja, o sursis só poderá ser
concedido se a pena privativa de liberdade for de até 2 (dois) anos, esta podendo ser suspensa pelo
período de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e ainda, quando não couber substituição por penas restritivas
de direitos, como versa o inciso III do mesmo artigo, visto que, esta substituição consiste numa
medida mais benéfica do que o instituto em questão. Já os requisitos subjetivos estão previstos nos
incisos I e II, que tratam da reincidência, dos antecedentes, da culpabilidade, conduta e
personalidade do agente.

É vedado a suspensão das penas de multa e as restritivas de direito, podendo somente serem
beneficiados os condenados às penas de reclusão, detenção e prisão simples, e mesmo aqueles que
estejam foragidos, ou foram julgados a revelia durante o andamento dos Autos.

Com o advento da Lei 7.209/84, introduziu-se ao texto do art. 77 do Código Penal, através
do § 2º, duas espécies de Suspensão Condicional da Pena: O Sursis Etário, que vem como exceção à
regra, proporcionando aos réus anciãos, maiores de 70 anos, condenados a pena não superior a 4
(quatro) anos, o benefício do sursis, levando em conta a menor periculosidade do agente; e o Sursis
Humanitário, que consiste na concessão do benefício a doentes terminais condenados a pena não
superior a 4 (quatro), atingidos por moléstias fatais, como a AIDS, desde que, estejam devidamente
comprovadas nos Autos.

No que tange a reincidência do agente, para efeito do beneficio do sursis, a Lei 7.209/84,
trouxe a possibilidade da concessão do benefício, ao réu que foi anteriormente condenado, mas que,
a sentença não transitou em julgado, e aos condenados por crimes culposos, desde que preencham
os requisitos legais.

Ainda em relação aos requisitos subjetivos, a análise da periculosidade do agente (art. 77, II
do Código Penal), através das condições pessoais que o acercam, funcionam como indicativo à
propensão do réu a delinqüir novamente durante o período de provas. Assim, o magistrado deverá
negar a concessão se o sentenciado não apresentar uma ocupação, um emprego honesta, e domicílio
certo.

Em relação ao Livramento Condicional os requisitos encontram-se no art. 83: o juiz poderá


conceder livramento condicional ao condenado a pena privativa de liberdade igual ou superior a
dois anos, desde que: a) cumprida mais de 1/3 da pena se o condenado não for reincidente em crime
doloso e tiver bons antecedentes; b) cumprida mais da metade se o condenado for reincidente em
crime doloso; c) comprovado comportamento satisfatório durante a execução da pena, bom
desempenho no trabalho que lhe foi atribuído e aptidão para prover à própria subsistência mediante
trabalho honesto; d) tenha reparado, salvo efetiva impossibilidade de fazê-lo, o dano causado pela
infração; e) cumprido mais de 2/3 da pena, nos casos de condenação por crime hediondo, prática de
tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, e terrorismo, se o apenado não for reincidente
específico em crimes dessa natureza. No caso da lei de Crimes hediondos, há necessidade do
cumprimento de 2/5 da pena para alcançar o benefício.

5.4 Espécies de Sursis


Durante o prazo de suspensão condicional da pena, imposta pelo magistrado, com base no
caput do art. 78 do Código Penal, o condenado ficará em observação, devendo cumprir as
obrigações estabelecidas na sentença. Dentre as condições, diz o § 1º que, o sentenciado prestará
serviços à comunidade (art. 46 do CP) ou recolher-se nos fins de semana ao local adequados ao
cumprimento da pena (art. 48 do CP), no primeiro ano do prazo; facultando ainda, ao juiz a
possibilidade de permutá-las por condições mais apropriadas.

Assim, com as inovações estabelecidas pela lei, a suspensão condicional da pena, se


ramificou por duas espécies: o sursis simples, com prestação de serviços à comunidade ou limitação
de fim de semana, que consiste numa sanção penal obrigatória (art. 78, § 1º do CP), não podendo o
juiz sobrepô-la e sim acrescê-la de outras medidas. Tal espécie concedida é mais rigorosa que as
substituições previstas no art. 77, III, já que na suspensão compreende a restrição de direitos. Já o
sursis especial tem caráter mais benigno, pois cabe ao réu apenas cumprir durante um ano a
exigências do § 2º do art. 78: "Se o condenado houver reparado o dano, salvo impossibilidade de
fazê-lo, e se as circunstâncias do artigo 59 deste Código lhe forem inteiramente favoráveis, o juiz
poderá substituir a exigência do parágrafo anterior pelas seguintes condições:, aplicadas
cumulativamente: (Redação dada ao caput do parágrafo pela Lei n.º 9.268, de 01.04.1996)

a) proibição de freqüentar determinados lugares; (Redação dada à alínea pela Lei n.º 7.209,
de 11.07.1984)
b) proibição de ausentar-se da comarca onde reside, sem autorização do juiz; (Redação dada
à alínea pela Lei n.º 7.209, de 11.07.1984)
c) comparecimento pessoal e obrigatório ao juízo, mensalmente, para informar e justificar
suas atividades. (Redação dada à alínea pela Lei n.º 7.209, de 11.07.1984)

Tal espécie, só é cabível a sentenciados de culpabilidade mínima, sem antecedentes, e que os


motivos e as circunstancias o favoreçam, mesmo se tratando dos condenados maiores de 70 anos,
em que o requisito da quantidade da pena é maior.
Para tanto, o sursis especial é de competência do juiz, sendo ilegal a sua concessão, quando o réu
não reparou o dano antes da condenação.

Além das condições impostas explicitamente no texto legal, o sursis simples poderá ser
acrescido de condições judiciais, ficando a critério do juiz decretá-las através dos arts. 78 e 81 do
CP, bem como no sursis especial, onde se substitui a primeira condição pela imposição do § 2º do
art. 78, proibindo o sentenciado de freqüentar determinados lugares, de ausentar-se da Comarca
onde reside, sem autorização judicial, e obrigando-o a comparecer mensalmente a juízo para
justificar suas atividades.

5.5 Período de Provas

Em relação à Suspensão Condicional da Pena, a nova lei reduziu o período de provas para
um período de 2 (dois) a 4 (quatro), anteriormente estendia-se ao limite máximo de 6 (anos),
fazendo com que o instituto se torna-se mais aplicável, uma vez que o limite máximo anterior era
elevado.

No entanto, a lei trouxe outra diferenciação ao período de provas, estando os maiores de 70


anos condenados a uma pena de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, agraciados com o período de provas de 4
(quatro) a 6 (seis) anos.
Nos casos de contravenções penais, o art. 11 da lei que trata do assunto, o prazo da
suspensão se reduz de 1 (um) a 3 (três) anos.

Ao fixar o período de provas, considera-se a natureza do crime, a quantidade da pena, e a


personalidade do réu, podendo o juiz, somente em casos especialíssimos estabelecer o prazo
máximo, sendo devidamente justificado.

Para dar início ao cumprimento do sursis, o juiz dará conhecimento ao beneficiado do teor
da sentença em audiência de advertência, fazendo assim, coisa julgada material, não podendo cassá-
la, se concedida indevidamente.

Em relação ao Livramento Condicional o período de prova corresponde ao tempo de pena


que resta ao liberado cumprir.

5.6 Condições

Algumas leis especificam minuciosamente as condições a que fica subordinado o beneficio


do Sursis e que, se não obedecidas, podem causar sua revogação. A lei penal brasileira prevê um
sistema em que, além das condições legais, mencionadas expressamente no texto, podem ser
impostas outras, a critério do juiz, e que, por isso, são chamadas de condições judiciais.

Quanto ao Sursis simples, as condições legais são: obrigatoriedade de, durante um ano,
prestar o sentenciado serviços a comunidade ou submeter-se à limitação de fim de semana, penas
substitutivas já examinadas (art. 78, § 1°); não ser condenado em sentença irrecorrível, por crime
doloso (art. 81, inciso I); não frustrar, sendo solvente, a execução da pena de multa (art.81, inciso II,
primeira parte); efetuar, salvo motivo justificado, a reparação do dano (art. 81, inciso II, segunda
parte); e não ser condenado por crime culposo ou por contravenção à pena privativa de liberdade ou
restritiva de direitos (art. 81, § 1°, segunda parte).
Para o Sursis especial substitui-se a primeira condição, ou seja, a de prestar serviços à comunidade
ou submeter-se à limitação de fim de semana, pelas condições estabelecidas pelo art. 78, § 2°. As
limitações referidas nesse dispositivo não são inconstitucionais pois o sursis constitui uma
verdadeira pena restritiva de direitos.

As condições judiciais do sursis são aquelas que podem ser impostas pelo juiz, embora não
previstas expressamente no Código Penal. De acordo com a lei nova as condições devem ser
adequadas ao fato e à situação pessoal do condenado (art. 79). Não se pode impor condições que
viole direito indisponível do condenado. As condições não podem constituir, em si mesmas, penas
não previstas para as hipóteses, nem implicar violação de direitos individuais de ordem
constitucional ou depender de fatos estranhos ao sentenciado. O não cumprimento de uma condição
imposta pelo juiz é causa de revogação facultativa da suspensão condicional da pena (art. 81, §1°).

Em relação ao Livramento condicional temos algumas condições que podem ser obrigatórias
e outras que são facultativas ao juiz.

A lei de Execução Penal impõe estas condições obrigatórias do livramento: obter ocupação
lícita, dentro de prazo razoável se for apto para o trabalho; comunicar periodicamente ao juiz sua
ocupação; não mudar de território da Comarca do Juiz da Execução, sem prévia autorização deste
(art. 132, §1°). Entre as condições facultativas, que podem ser imposta ao liberado, a critério do
juiz, sugere a lei as seguintes: não mudar de residência sem comunicação ao juiz e à autoridade
incumbida de observação cautelar e de proteção; recolher-se à habitação em hora fixada; não
freqüentar determinados lugares ( art. 132, § 2° da LEP).

As condições judiciais podem ser modificadas no transcorrer da execução. Dispõe o art. 144
da LEP: "O juiz, de oficio, a requerimento do Ministério Público, ou mediante representação do
Conselho Penitenciário, e ouvido o liberado, poderá modificar as condições especificadas na
sentença, devendo o respectivo ato decisório ser lido ao liberado por uma das autoridades ou
funcionários indicados no inciso I do art. 137 da LEP, observando o dispostos nos incisos II e III e
§§ 1°e 2° do mesmo art." Permite-se, a critério do juiz, agravar ou atenuar as condições
inicialmente impostas, mas a alteração deve ser justificada pelo magistério.

5.7 Revogação

O condenado deve cumpriras condições durante o período de prova. Se não as cumpre,


revoga-se o sursis, devendo cumprir por inteiro a pena que se encontrava com a execução suspensa.

A revogação do Sursis pode ser facultativa (o juiz pode: advertir novamente o condenado;
exacerbar as condições impostas; prorrogar o período de prova até o máximo; ou revogar o
beneficio) ou obrigatória (é automática, independe de pronunciamento judicial).

As causas de revogação obrigatória são estas: condenação transitada em julgado pela prática
de crime doloso; se frustrar, embora solvente, a execução de pena de multa ou não efetua, sem
motivo justificado, a reparação do dano; ou ainda por descumprimento das condições legais do
sursis simples.

Revogação facultativa ocorre nestes casos: condenação transitada em julgado pela pratica de
crime culposo ou contravenção, salvo se imposta pena de multa; e descumprimento de qualquer
outra condição.

As causas da revogação do Livramento Condicional são tratadas nos artigos 86 "Revoga-se


o livramento, se o liberado vem a ser condenado a pena privativa de liberdade, em sentença
irrecorrível: por crime cometido durante a vigência do benefício; por crime anterior, observado o
disposto no artigo 84 deste código." e 87 " O juiz, poderá, também, revogar o livramento, se o
liberado deixar de cumprir qualquer das obrigações constantes da sentença, de observar proibições
inerentes à pena acessória ou for irrecorrivelmente condenado, por crime ou contravenção, a pena
que não seja privativa de liberdade" do Código Penal.

As causas de revogação do livramento condicional são: judiciais: referem-se às condições


impostas pelo juiz na sentença ou legais: impostas pela lei (artigos 86 e 87, parte final). As causas
de revogação ainda podem ser: obrigatórias (CP, artigo 86, I e II) Neste caso, a revogação decorre
da própria lei, não fica ao arbítrio do juiz . Artigo 86, caput: "Revoga-se o livramento..." ou
facultativas (Código Penal, artigo 87) Aqui, cabe ao juiz, de acordo com seu prudente arbítrio,
revogar a medida ou não. Artigo 87: "O juiz poderá, também, revogar..."
Revogado o livramento condicional, a conseqüência é a de o liberado cumprir a pena que se
encontrava suspensa, correspondente ao período de prova. Os fatos de revogação devem ocorrer
durante o período de prova, que o Código (artigo 86, I) denomina de "vigência do benefício".
Causas de Revogação obrigatória do Livramento Condicional: crime cometido durante a vigência
do Livramento Condicional: se o liberado pratica novo crime, o juiz ou o Tribunal poderá ordenar a
sua prisão, ouvido o Conselho Penitenciário e o Ministério Público, suspendendo-se o curso do
livramento condicional, cuja revogação ficará, entretanto, dependendo da decisão final da nova ação
penal conforme a Lei de Execução Penal, artigo 145 "Praticada pelo liberado outra infração penal, o
juiz poderá ordenar a sua prisão, ouvidos o Conselho Penitenciário e o Ministério Público,
suspendendo o curso do livramento condicional, cuja revogação, entretanto, ficará dependendo da
decisão final". Neste caso, o período de prova será prorrogado até o julgamento definitivo do novo
processo, de acordo com o artigo 89 do Código Penal "O juiz não poderá declarar extinta a pena,
enquanto não passar em julgado a sentença em processo a que responde o liberado, por crime
cometido na vigência do livramento". Crime cometido antes do período de prova: não importa o
momento em que tenha sido cometido o crime, sendo suficiente que sua prática seja anterior à
vigência do período de prova do livramento condicional.
Causas de Revogação facultativa do Livramento Condicional: nos termos do artigo 87do Código
Penal, "o juiz poderá também revogar a medida se o liberado deixa de cumprir qualquer das
obrigações constantes da sentença ou é irrecorrivelmente condenado, por crime ou contravenção, a
pena que não seja privativa de liberdade". As causas são estas: descumprimento das condições
judiciais do livramento condicional; condenação irrecorrível, por crime ou contravenção, a pena de
multa ou restritiva de direitos.

5.8 Prorrogação e Extinção

No tocante à Suspensão Condicional da Pena (SURSIS) podemos elencar que:


Durante o período de provas, se agente estiver sendo processado por outro crime ou contravenção
penal, o prazo de suspensão da pena prorroga-se até o julgamento definitivo (art. 81, §2º). Portanto,
não basta o cometimento de ato infracional, ou até mesmo, a instauração de inquérito, para que se
prorrogue o sursis, necessita-se de uma ação penal.
Tal prorrogação é automática, não precisando de despacho nos autos para configurar o andamento,
podendo o sursis ser revogado mesmo após o seu término do período, quando é verificado que o réu
foi condenado com sentença irrecorrível. Assim a prorrogação se prolonga até o término do
processo.

No que concerne, à extinção da pena, em seu art. 82: "Expirado o prazo sem que tenha
havido revogação, considera-se extinta a pena privativa de liberdade. (Redação dada ao artigo pela
Lei n.º 7.209, de 11.07.1984) .

A pena estará extinta quando decorrido o prazo do sursis (período de provas), e mesmo que
se verifique que o sentenciado não tinha direito ao benefício, não há meios de revogá-lo.
Da mesma forma que no SURSIS, o prazo do livramento condicional será prorrogado enquanto não
passar em julgado a sentença no processo a que responde o liberado por crime cometido durante sua
vigência. É o que se impõe diante do disposto no art. 89: "O juiz não poderá declarar extinta a pena,
enquanto não passar em julgado a sentença em processo a que responde o liberado, por crime
cometido na vigência do livramento." Assim, nessa hipótese, revoga-se o livramento condicional,
ainda que a decisão ocorra após o período de prova inicial. A prorrogação, porém, só vige para o
efeito de aguardar-se a decisão final, não vigorando mais as condições legais ou judiciais do
livramento.

Se até o seu termino o livramento não é revogado, salvo a hipótese anteriormente referida,
considera-se extinta a pena privativa de liberdade (art. 90). A extinção é declarada pelo juiz, de
oficio, a requerimento do interessado, do Ministério Público ou mediante requerimento do Conselho
Penitenciário (art. 146 da LEP).
6. Conclusão

A crescente criminalidade tem empurrado a sociedade à defesa de uma visão neopunitivista


a respeito da pena e do condenado, como se o problema fosse externo e não sequela da própria
estrutura social distorcida, como se não fossemos o carrasco e a vítima dos próprios mecanismos
que criaram.

E exploração sensacionalista do crime pela imprensa cumulada com a total desinformação


sobre o Direito Penal dá azo a cidadãos ressentidos e sedentos de “castigos” contra os “marginais”
para aplacar sua fúria e medo. Some-se a isso meia dúzia de políticos oportunistas e hipócritas e
temos a fórmula mirabolante do chamado Direito Penal do Inimigo. E aí retiram-se do túmulo e
colocam-se em voga idéias soluções obscurantistas de fazer justiça, que não raro coincidem com a
justificação da tortura, sob variadas modalidades – entre elas a noção de que os estabelecimentos
carcerários devem mesmo promover o sofrimento dos detentos a fim de aclarar a sua mente e
castigá-los exemplarmente para que nunca mais voltem a delinquir. Clap, clap, clap!! Brilhante: O
Papa Inocêncio II (aquele que durante a Idade Média sentenciou: “Matem todos! Os que forem
inocente irão para o céu) deve estar sorrindo em qualquer que seja o lugar que esteja!

A campanha de desinformação e ignorância institucionalizada ainda é fértil em produzir


outro efeito: ligar a figura do advogado ao de “advogado do diabo” e confundir, na cabeça do
grande público, sua função de defensor do Direito com a de comparsa do criminoso.

Sabe – se da existência de leis que destinam verbas para os sistemas de execução da pena,
no entanto de 100%(cem por cento), menos de 50%(cinqüenta por cento) chegam aos seus
verdadeiros destinos. Além disso, temos a LEP (Lei de Execução Penal), brilhante norma, bastante
atual, que apresenta diretrizes eficazes à plena ressocialização e integração do preso e internado á
sociedade, que propõe a criação, ou ratifica sua existência, de órgãos de execução da pena altamente
estruturados para dar concretude a suas respectivas finalidades.

Infelizmente, toda estrutura necessária à execução da própria LEP, está desfalcada. Não há
compromisso da União, em alguns casos, na implantação, e na grande maioria, em manter, ativar e
habilitar tais órgãos. Não há acompanhamento e incentivo periódico. Muitas cidades do país
desconhecem, e não comporta em seus territórios algum tipo de conselho ou atividade que beneficie
o encarcerado, albergado ou internado. Os agentes destinados ao auxílio técnico de atividades
educativas, são insuficientes e não tem capacidade para tal.

O que se protesta não é pela impunidade, mas pela adequado cumprimento da pena segundo
a LEP – com todos os seus princípios intrínsecos (devido processo legal, humanidade,
jurisdicionalidade, ampla defesa, igualdade, entre outros). Não há meio termo: ou optamos por
aplicar corretamente a lei penal, mesmo sob o risco de que um ou outro marginal se beneficie das
brechas da lei, ou abdicamos do Estado Democrático de Direito, o que em muitos casos, em se
tratando de execução penal, é uma bela retórica. Mas nada além disso.
7. Bibliografia

HAMMERSCHMIDT, Denise; MARANHÃO, Douglas Bonaldi; COIMBRA, Mário: Processo e


Execução Penal – São Paulo: Revistas dos Tribunais, 2009
JESUS, Damásio de. "Código Penal Anotado" 15ª ed. rev. e atual. – São Paulo: Saraiva, 2004.
JÚNIOR, Oswaldo P. "Fundamentos Jurídicos - Direito Penal, parte geral". editora saraiva, 1998
MIRABETE, Junio Fabbrini. "Manual de Direito Penal, Parte Geral. vol 1. 17ª edição – São Paulo:
Ed. Saraiva, 2002.
MIRABETE, Junio Fabbrini. "Execução Penal". – São Paulo: editora saraiva, 1998.
DA Silva, Jorge – Controle da Criminalidade e Segurança Pública Na Nova Ordem Constitucional,
Rio de Janeiro, Editora Forense 2ª Edição.
Constituição da República Federativa do Brasil.
OLIVEIRA, Edmundo de. Direitos e Deveres do Condenado. São Paulo: Saraiva 1990.
FARRER, Beatriz Ferreira. Direitos Humanos e cidadania. http://www.nossacasa.net