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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA COMARCA ÚNICA DE

AMARANTE - PIAUÍ

Processo nº. 0000841-13.2017.8.18.0037

FRANCISCO DARLAN SILVA DE SOUSA; FRANCISCO DE ASSIS DA SILVA,


devidamente qualificados nos autos do processo em epigrafe, já devidamente qualificados
nos autos do processo em epígrafe, por intermédio do seu advogado legalmente
constituído, consoante instrumento procuratório acostado aos autos, vem à presença de
Vossa Excelência, com fulcro nos artigos 3608; 3633 e seguintes do Código de Processo
Penal oferecer suas ALEGAÇÕES FINAIS, o que faz nos seguintes termos:

Pelos motivos de fato e de Direito a seguir expostos.


FATOS

Segundo a denúncia do Ministério Público, os denunciados encontram-se incurso


nas sanções do crime prescrito no art. 33 da lei nº 11.343/06, posto que na data de
21/10/2017, foi preso em flagrante acusação de estar praticando traficância de substância
conhecida como crack.

Ocorre que, os denunciados são apenas usuários de drogas que estavam no local
tão somente para comprar e consumir a substância entorpecente. Com os denunciados
nada foi encontrado, uma vez que toda a droga foi encontrada em local inacessível para
os denunciados.

Durante audiência de instrução realizada por este Douto Magistrado, através dos
depoimentos dos policiais, foi confirmado que a droga fora encontrada enterrada distante
dos acusados, não sendo possível afirmar se a droga era ou não dos denunciados, além
disso, apesar de apresentar a droga só 40 minutos depois de efetuada a prisão dos
denunciados.

Verifica-se que não há nenhuma prova capaz de imputar ao denunciado a prática


do crime constante na denúncia.

Em síntese, são os fatos.

MÉRITO

DA ABSOLVIÇÃO

Conforme informações dos autos percebem-se a ausência de qualquer prova que


os denunciados tinham a intenção de vender a droga apreendida no local do crime.

Os denunciados afirmam que são usuários habituais e jamais se envolveram na


mercancia de qualquer entorpecente.
Diante da insuficiência das provas, não há como imputar aos denunciados a autoria
pela prática de tráfico de drogas, de forma que, nos termos do art. 386, V e VII do CPP, o
juiz deverá absolvê-los.

As provas trazidas aos autos claramente ratificam o envolvimento dos denunciados


somente como usuários, estando provado que este não concorreu de forma alguma para
a prática do crime constante na denúncia.

Caso não seja este o entendimento do MM. Juízo torna-se incontestável então a
necessidade de aplicação do princípio do in dúbio pro réu, uma vez que certa é a
dúvida acerca da culpa a eles atribuídas com relação à acusação de Tráfico de Drogas,
pois os Réus não foram encontrados em atividade de traficância e muito menos com
qualquer outro elemento que levasse a crer ser os denunciados traficantes.

Destarte, diante da insuficiência probatória, posto que a acusação não conseguiu


demonstrar que os fatos efetivamente ocorreram para que pudessem imputar a prática
delituosa aos denunciados, não conseguindo, consequentemente, demonstrar que fora a
conduta do denunciados que causaram a lesão ao bem juridicamente protegido, que
ressai dos autos, a pretensão punitiva merece ser julgada improcedente.

Nesse sentido, temos o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul:

APELAÇÃO CRIME. TRÁFICO DE ENTORPECENTES.


INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. ABSOLVIÇÃO. IN DUBIO PRO REO.
ART. 386 VI, DO CPP. A condenação do réu exige prova robusta da
autoria do fato delituoso que lhe é imputado. Remanescendo dúvida,
impõe-se a absolvição, com fundamento no art. 386, VI, do CPP.

Sendo assim, os denunciado devem ser ABSOLVIDOS, com fundamento no art.


386, inciso V do Código de Processo Penal, por não haver qualquer prova de que os
acusados tenham concorrido para o tráfico de drogas.
Se este não for o entendimento, que sejam ABSOLVIDOS nos termos do art. 386,
inciso VII, do Código de Processo Penal, devida inexistência de provas suficientes que
ensejem sua condenação pela figura do art. 33, caput, da Lei 11.343/06.

Além do mais, trata-se de dois réus primários e com residência fixa, a sua
primariedade é sim uma coisa que deve ser observada, pois os denunciados não
ostentam atividade criminosa.

DOS POSSÍVEIS CRITÉRIOS DE FIXAÇÃO DA PENA

Embora nítida a tese da absolvição por não estar comprovado o crime de tráfico,
convêm demonstrar outras situações que devem ser observadas por Vossa Excelência.

Verificando a situação dos denunciados, é possível concluir que os réus são


primários e de bons antecedentes e possuem residência fixa.

Nesse sentido entende o Supremo Tribunal Federal, senão vejamos:

EMENTA: HABEAS CORPUS. CONSTITUCIONAL. PENAL.


TRÁFICO DE DROGAS. PENA FIXADA EM PATAMAR INFERIOR A
DOIS ANOS. PEDIDO DE CONCESSÃO DE SURSIS. IMPETRAÇÃO
PREJUDICADA. CONCESSÃO DA ORDEM DE OFÍCIO PARA
RECONHECER A POSSIBILIDADE DE SUBSTITUIÇÃO DA PENA
PRIVATIVA DE LIBERDADE POR RESTRITIVA DE DIREITOS.

1. O Supremo Tribunal Federal assentou serem inconstitucionais os


arts. 33, § 4º, e 44, caput, da Lei n. 11.343/2006, na parte em que
vedavam a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva
de direitos em condenação pelo crime de tráfico de entorpecentes
(HC 97.256, Rel. Min. Ayres Britto, sessão de julgamento de
1º.9.2010, Informativo/STF 598).

(…)

5. Concessão de ofício para reconhecer a possibilidade de se


substituir a pena privativa de liberdade aplicada ao Paciente por
restritiva de direitos, desde que preenchidos os requisitos objetivos e
subjetivos previstos em lei, devendo a análise ser feita pelo juízo do
processo de conhecimento ou, se tiver ocorrido o trânsito em julgado,
pelo juízo da execução da pena.

Ainda no que tange ao entendimento do STF:

EMENTA: HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. ART. 33 DA


LEI 11.343/2006: IMPOSSIBILIDADE DE CONVERSÃO DA PENA
PRIVATIVA DE LIBERDADE EM PENA RESTRITIVA DE DIREITOS.
DECLARAÇÃO INCIDENTAL DE INCONSTITUCIONALIDADE.
OFENSA À GARANTIA CONSTITUCIONAL DA INDIVIDUALIZAÇÃO
DA PENA (INCISO XLVI DO ART. 5º DA CF/88). ORDEM
PARCIALMENTE CONCEDIDA.

(…)

3. As penas restritivas de direitos são, em essência, uma alternativa


aos efeitos certamente traumáticos, estigmatizantes e onerosos do
cárcere. Não é à toa que todas elas são comumente chamadas de
penas alternativas, pois essa é mesmo a sua natureza: constituir-se
num substitutivo ao encarceramento e suas sequelas. E o fato é que
a pena privativa de liberdade corporal não é a única a cumprir a
função retributivo-ressocializadora ou restritivo-preventiva da sanção
penal. As demais penas também são vocacionadas para esse
geminado papel da retribuição-prevenção- ressocialização, e ninguém
melhor do que o juiz natural da causa para saber, no caso concreto,
qual o tipo alternativo de reprimenda é suficiente para castigar e, ao
mesmo tempo, recuperar socialmente o apenado, prevenindo
comportamentos do gênero.

(…)

Assim, aos denunciados deve ser deferida a conversão da pena privativa de


liberdade por restritiva de direitos, conforme garantida pela lei penal; e ainda, que sua
pena seja fixada no mínimo legal pelas circunstâncias já elencadas.
DA POSSIBILIDADE DE APELAR EM LIBERDADE

Na busca do caráter ressocializador da pena, a justiça deve trabalhar para aplicar


aquilo que se coaduna com a realidade social.

Hoje, infelizmente, nosso Sistema Prisional é cercado de incertezas sobre a


verdadeira função de ressocialização dos indivíduos que lá são mantidos, onde em muitos
casos trata-se de verdadeira “escola do crime”.

Com base no princípio da presunção de inocência, previsto na nossa Constituição


Federal em seu art. 5º, inciso LVII, requer o denunciado que responda ao processo em
liberdade, até o trânsito em julgado, pois as circunstâncias do fato e condições pessoais
do acusado (art. 282, inciso II, CPP) lhe são favoráveis pelo fato de não haver
reincidência e sua conduta social não ser em nenhum momento questionada.

DO CRIME DO POSSE DE ARMA

1 - DA PRÁTICA DO CRIME CAPITULADO NO ART. 10, CAPUT, DA LEI 9.437/97

Verifica-se nos autos que os acusados foram indiciados por uso de drogas e porte
ilegal de armas.

Com relação ao porte de armas, os acusados foram detidos por atitude suspeita,
ou seja, no momento não estava cometendo qualquer tipo de ilicitude penal, até mesmo
no momento da abordagem não esboçaram qualquer tipo de reação, nem mesmo pôs-se
em fuga, para assim dificultar a suas prisões ou mesmo pôr em uso as espingardas.
Também os próprios acusados confessam de forma espontânea que estava
portando arma de fogo, que eram utilizados para CAÇAR e não para cometer crime ou
mesmo se sentir mais valentes.

Neste sentido:

Relator: Carlos BrazilTribunal: TACrim./RJ - O simples fato de o


agente portar, fora de casa, arma municiada e apta ao disparo, sem
licença de autoridade competente tipifica a contravenção que é de
mera conduta, e não cogita da intenção do seu portador. Razões de
ordem ético-social são ponderáveis, mas não tem o condão de ilidir a
conduta ilícita segundo o ordenamento jurídico positivo brasileiro.
Apelação a que se nega provimento. (TACrim./RJ - Apelação n.
48719/93 - Comarca do Rio de Janeiro - Ac. unân. - 4a. Câm. - Rel:
Juiz Carlos Brazil - j. em 08.09.93 - Fonte: DOERJ III, 26.10.94, pág.
224).

Assim, não pode o acusado sofrer nenhum tipo de pré-julgamento quanto a sua
conduta de portar arma, pois anteriormente a sua prisão, os acusados jamais praticaram
qualquer tipo de crime, conforme provam as certidões negativas de antecedentes
criminais.

Portanto, os acusados gozam de bons antecedentes criminais e de idoneidades


moral e social, devendo prevalecer a sua absolvição.

2- ATENUANTES DA PENA

A) ARTIGO 65, I DO CÓDIGO PENAL.

Por serem os acusados menores de 21 anos, inegável pela aplicação do benefício


determinado no art. 65, inciso I do Código Penal, a fim de se aplicar as penas mais
brandas na medida do possível.
B) ART. 66 DO CÓDIGO PENAL

Além das atenuantes acima invocadas, é necessário destacar quanto a sua


primariedade, uma vez que nunca praticaram qualquer tipo de crime anteriormente a este,
assim sendo, gozam eles de idoneidade moral perante a sociedade e este juízo.

Presentes as atenuantes, a pena a ser cominada aos acusados devem ser a


mínima legal, sendo assim, fazem jus ao beneficio de que trata o artigo 33, do Código
Penal devendo a pena ser cumprida em regime aberto, bem como os benefícios do art. 44
do Código Penal.

DOS PEDIDOS

Pelo exposto, requer Vossa Excelência digne-se de:

1. Absolver os denunciados FRANCISCO DARLAN SILVA DE SOUSA E


FRANCISCO DE ASSIS DA SILVA, pela ausência de provas de que estes concorreram
para a prática do crime, nos termos do art. 386, V do CPP.

2. Caso não seja este o entendimento, que sejam absolvidos por não existir prova
suficiente para a condenação, com base no art. 386, VII, do CPP

3. Quanto ao porte de arma confiante no discernimento afinado e no justo descortino de


Vossa Excelência, a defesa requer a ABSOLVIÇÃO do réu.

4. Supletivamente, requer a desclassificação do delito inserto no art. 14, para o art.


12, ambos da Lei 10.826/03 e ato contínuo seja declarada a suspensão processual.

Por fim, ultrapassadas as teses supra elencadas, acaso condenado, seja


substituído por penas restritivas de direito, haja vista que o acusado preenche os
requisitos dispostos no artigo 44 e incisos do Código Penal Brasileiro, tendo direito
subjetivo à Substituição da Pena Corporal por ventura aplicada por uma ou mais Penas
Restritivas de Direito.
Ad cautelam, se, na espécie, o acusado é primário, e estar presentes as
circunstâncias atenuantes, a pena imposta contra ele deve ser aplicada no mínimo legal
juntamente com os benefícios do art. 33 e 44 do Código Penal, como ato de justiça.

Nesses Termos,

Pede Deferimento

Amarante, 07 de Janeiro de 2020

José Alberto Rodrigues de Souza Júnior


OAB/PI 9387
Assinado de forma digital por JOSE
JOSE ALBERTO RODRIGUES ALBERTO RODRIGUES DE SOUZA
DE SOUZA JUNIOR JUNIOR
Dados: 2020.01.07 18:05:00 -03'00'