Você está na página 1de 51

DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS

| Prof. Otoni Queiroz


OS: 0014/4/18-Gil

CONCURSO:

PARTE GERAL
1 – Lei Penal...........................................................................................................................01
2 – Teoria Geral do Crime.......................................................................................................11
ÍNDICE: 3 – Concurso de Pessoas........................................................................................................37
4 – Concurso de Crimes..........................................................................................................44
5 – Punibilidade......................................................................................................................47

PARTE GERAL  Territorialidade


Art. 5º - Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de
convenções, tratados e regras de direito internacional, ao
Capítulo 1 crime cometido no território nacional. (Redação dada pela
Lei nº 7.209, de 1984)
Lei Penal § 1º - Para os efeitos penais, consideram-se como extensão
do território nacional as embarcações e aeronaves
brasileiras, de natureza pública ou a serviço do governo
1. Legislação: brasileiro onde quer que se encontrem, bem como as
aeronaves e as embarcações brasileiras, mercantes ou de
 Anterioridade da Lei
propriedade privada, que se achem, respectivamente, no
Art. 1º – Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há espaço aéreo correspondente ou em alto-mar. (Redação
pena sem prévia cominação legal. (Redação dada pela Lei nº dada pela Lei nº 7.209, de 1984)
7.209, de 11.7.1984)
§ 2º - É também aplicável a lei brasileira aos crimes
praticados a bordo de aeronaves ou embarcações
estrangeiras de propriedade privada, achando-se aquelas
 Lei penal no tempo
em pouso no território nacional ou em vôo no espaço aéreo
Art. 2º – Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior correspondente, e estas em porto ou mar territorial do
deixa de considerar crime, cessando em virtude dela a Brasil.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984)
execução e os efeitos penais da sentença condenatória.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
 Lugar do crime (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984)
Parágrafo único - A lei posterior, que de qualquer modo
favorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que Art. 6º - Considera-se praticado o crime no lugar em que
decididos por sentença condenatória transitada em julgado. ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984)

 Lei excepcional ou temporária (Incluído pela Lei nº 7.209,


de 11.7.1984)
Art. 3º - A lei excepcional ou temporária, embora decorrido  Extraterritorialidade (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que 1984)
a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante sua
Art. 7º - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no
vigência. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984)
estrangeiro: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984)
I - os crimes: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República;
 Tempo do crime (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
Art. 4º - Considera-se praticado o crime no momento da b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito
ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do Federal, de Estado, de Território, de Município, de empresa
resultado. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984) pública, sociedade de economia mista, autarquia ou
fundação instituída pelo Poder Público; (Incluído pela Lei nº
7.209, de 1984)

CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
1
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

c) contra a administração pública, por quem está a seu 7.209, de 11.7.1984)


serviço; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
Art. 9º - A sentença estrangeira, quando a aplicação da lei
d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou brasileira produz na espécie as mesmas consequências,
domiciliado no Brasil; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984) pode ser homologada no Brasil para: (Redação dada pela Lei
nº 7.209, de 11.7.1984)
II - os crimes: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - obrigar o condenado à reparação do dano, a restituições e
a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a
a outros efeitos civis; (Incluído pela Lei nº 7.209, de
reprimir; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
11.7.1984)
b) praticados por brasileiro; (Incluído pela Lei nº 7.209, de
II - sujeitá-lo a medida de segurança.(Incluído pela Lei nº
1984)
7.209, de 11.7.1984)
c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras,
Parágrafo único - A homologação depende: (Incluído pela
mercantes ou de propriedade privada, quando em território
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
estrangeiro e aí não sejam julgados. (Incluído pela Lei nº
7.209, de 1984) a) para os efeitos previstos no inciso I, de pedido da parte
interessada; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 1º - Nos casos do inciso I, o agente é punido segundo a lei
brasileira, ainda que absolvido ou condenado no b) para os outros efeitos, da existência de tratado de
estrangeiro.(Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984) extradição com o país de cuja autoridade judiciária emanou
a sentença, ou, na falta de tratado, de requisição do Ministro
§ 2º - Nos casos do inciso II, a aplicação da lei brasileira
da Justiça. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
depende do concurso das seguintes condições: (Incluído
pela Lei nº 7.209, de 1984)
a) entrar o agente no território nacional; (Incluído pela Lei  Contagem de prazo(Redação dada pela Lei nº 7.209, de
nº 7.209, de 1984) 11.7.1984)
b) ser o fato punível também no país em que foi praticado; Art. 10 - O dia do começo inclui-se no cômputo do prazo.
(Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984) Contam-se os dias, os meses e os anos pelo calendário
comum. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei
brasileira autoriza a extradição; (Incluído pela Lei nº 7.209,
de 1984)
 Frações não computáveis da pena(Redação dada pela Lei
d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter nº 7.209, de 11.7.1984)
aí cumprido a pena; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
Art. 11 - Desprezam-se, nas penas privativas de liberdade e
e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por nas restritivas de direitos, as frações de dia, e, na pena de
outro motivo, não estar extinta a punibilidade, segundo a lei multa, as frações de cruzeiro. (Redação dada pela Lei nº
mais favorável. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984) 7.209, de 11.7.1984)
§ 3º - A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido
por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil, se, reunidas
 Legislação especial (Incluída pela Lei nº 7.209, de
as condições previstas no parágrafo anterior: (Incluído pela
11.7.1984)
Lei nº 7.209, de 1984)
Art. 12 - As regras gerais deste Código aplicam-se aos fatos
a) não foi pedida ou foi negada a extradição; (Incluído pela
incriminados por lei especial, se esta não dispuser de modo
Lei nº 7.209, de 1984)
diverso. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
b) houve requisição do Ministro da Justiça. (Incluído pela Lei
nº 7.209, de 1984)
2. Comentários:

 Pena cumprida no estrangeiro (Redação dada pela Lei nº


7.209, de 11.7.1984) I) PRICÍPIO DA LEGALIDADE
Art. 8º - A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena O princípio da legalidade (art. 5º, XXXIX, CRFB/88 e art. 1º,
imposta no Brasil pelo mesmo crime, quando diversas, ou CP) é uma garantia do cidadão contra o arbítrio do Estado.
nela é computada, quando idênticas. (Redação dada pela Lei Sendo assim, conforme ensina Rogério Sanches Cunha, além
nº 7.209, de 11.7.1984) da garantia de que o crime (ou contravenção penal) deve ser
instituído por lei em sentido estrito (reserva legal), a
doutrina desdobra o princípio em exame em outros cinco:
 Eficácia de sentença estrangeira(Redação dada pela Lei nº
CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
2
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

a. não há crime (ou contravenção penal), nem pena especificar os tributos).


(ou medida de segurança) sem lei anterior,
proibindo-se a retroatividade maléfica;
II) LEI PENAL NO TEMPO
b. não há crime (ou contravenção penal), nem pena
(ou medida de segurança) sem lei escrita, A análise do art. 5º, XL, da CRFB/88 e do art. 2º do CP
excluindo-se o direito consuetudinário (costume) permite a conclusão de que, uma vez criada, a eficácia da lei
para fundamentação ou agravação de pena. penal no tempo deve obedecer a uma regra e a várias
Entretanto, o costume pode ser utilizado na exceções.
elucidação do conteúdo dos tipos;
A regra é a da prevalência da lei que se encontrava em vigor
c. não há crime (ou contravenção penal), nem pena quando da prática do fato, ou seja, aplica-se a lei vigente
(ou medida de segurança) sem lei estrita, quando da prática da conduta (tempus regit actum).
proibindo-se a utilização da analogia para criar tipo
As exceções se verificam, por outro lado, na hipótese de
incriminador, fundamentar ou agravar pena.
sucessão de leis penais que disciplinem, total ou
Entretanto, a analogia in bonam partem é
parcialmente, a mesma matéria. Assim, quatro situações
perfeitamente possível;
podem ocorrer:
d. não há crime (ou contravenção penal), nem pena
1. a lei cria nova figura penal (novatio legis
(ou medida de segurança) sem lei certa (princípio
incriminadora): somente pode atingir situações
da taxatividade), princípio dirigido mais
consumadas após sua entrada em vigor, não
diretamente ao legislador, através do qual se exige
podendo retroagir, em hipótese alguma, conforme
dos tipos penais clareza, não devendo deixar
determina o art. 5º, XL, da CRFB/88.
margens a dúvidas;
2. a lei posterior se mostra mais rígida em
e. não há crime (ou contravenção penal), nem pena
comparação com a lei anterior (novatio legis in
(ou medida de segurança) sem lei necessária,
pejus ou lex gravior): a lei terá aplicação apenas a
desdobramento lógico do princípio da intervenção
fatos posteriores à sua entrada em vigor, não
mínima (o direito penal só deve ser aplicado
podendo, também, retroagir, conforme expressa
quando estritamente necessário).
determinação constitucional.
3. a lei posterior extingue o crime (abolitio criminis):
OBSERVAÇÃO: A instituição de norma penal em branco encontra previsão no art. 2º, caput, do CP e tem
(aquela que depende de complemento normativo), mais natureza jurídica de causa de extinção da
precisamente de norma penal em branco heterogênea punibilidade (art. 107, II, CP). A abolitio criminis
(complemento normativo é extraído, por exemplo, de alcança a execução e os efeitos penais da sentença
portaria do Poder Executivo), não ofende o princípio da condenatória (agente beneficiado que voltar a
legalidade porque o legislador já criou o tipo penal delinquir não será considerado reincidente, por
incriminador com todos os seus requisitos básicos, exemplo), mas os efeitos civis sobrevivem (a
limitando-se a autoridade administrativa a explicitar um obrigação de reparar o dano, por exemplo).
desses requisitos. Importante, aqui, lembrar os tipos de
4. a lei posterior é benigna em relação à sanção penal
norma penal em branco:
ou à forma de seu cumprimento (novatio legis in
a. Norma penal em branco própria (heterogênea ou mellius ou lex mitior): prevista no parágrafo único
em sentido estrito): o complemento normativo não do art. 2º do CP, a retroatividade é automática e
emana do legislador alcança inclusive os fatos já definitivamente
julgados.
b. Norma penal em branco imprópria (homogênea ou
em sentido amplo): o conceito normativo emana
do legislador. Assim, podemos ter lei penal
Ainda sobre a eficácia da lei penal no tempo, é importante
complementada por lei penal (chamada de norma
destacar o teor das seguintes súmulas:
penal em branco imprópria homóloga, como no
caso do art. 327 do CP que complementa os tipos Súmula 501 do STJ: É cabível a aplicação retroativa da Lei nº
penais que prescrevem crimes contra a 11.343/2006, desde que o resultado da incidência das suas
Administração Pública praticados por funcionário disposições, na íntegra, seja mais favorável ao réu do que o
público) e lei penal complementada por lei advinda advindo da aplicação da Lei nº 6.368/1976, sendo vedada a
de outro ramo do direito (chamada de lei penal em combinação de leis.
branco imprópria heteróloga, como no caso do
Súmula 711 do STF: A lei penal mais grave aplica-se ao crime
Código Tributário Nacional que complementa os
continuado ou ao crime permanente, se a sua vigência é
tipos penais estabelecidos na lei que prescreve
anterior à cessação da continuidade ou permanência.
crimes contra a ordem tributária, ao conceituar e
CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
3
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

privadas, quando no estrangeiro, e lá não sejam


julgados.
OBSERVAÇÃO: O art. 3º do CP estabelece a ultratividade das
leis temporárias e excepcionais, ou seja, essas leis se aplicam
ao fato praticado durante sua vigência, embora decorrido o
O Brasil utiliza o princípio da territorialidade para os casos
período de sua duração (temporária) ou cessadas as
de crimes praticados no seu território (é uma
circunstâncias que a determinaram (excepcional). Destaque-
territorialidade temperada, relativa ou mitigada, porque
se que lei temporária (temporária em sentido estrito) é
admite exceções), entendendo como território brasileiro o
aquela que tem prefixado no seu texto o tempo de sua
espaço físico ou geográfico e o espaço jurídico (território
duração, ao passo que a lei excepcional (lei temporária em
brasileiro por extensão ou por equiparação, estabelecido no
sentido amplo) é aquela que atende a excepcional situação
§ 1º do art. 5º, CP). Destaque-se, ainda, que a aplicação do
de emergência (calamidade pública, por exemplo),
princípio da territorialidade depende da identificação do
perdurando durante todo o período excepcional.
lugar do crime e, nesse sentido, o Brasil adotou a teoria da
ubiquidade (lugar do crime é tanto aquele em que foi
praticada a conduta, quanto aquele em que se produziu ou
III) TEMPO DO CRIME
deveria produzir-se o resultado, conforme estabelecido no
Três teorias buscam responder a seguinte pergunta: quando art. 6º, CP).
o crime se considera praticado?
Os demais princípios são utilizados nas situações
o Teoria da atividade: o crime se considera excepcionais do art. 7º do CP, nos seguintes termos:
praticado no momento da conduta.
 Art. 7º, I, “a”, “b”, “c”: adotado o princípio da defesa.
o Teoria do resultado: o crime se considera
praticado no momento do resultado.  Art. 7º, I, “d”: adotado o princípio da universalidade
do direito de punir (embora haja doutrina que
o Teoria da ubiquidade (ou mista): o crime defende que foi adotado o princípio da defesa).
se considera praticado no momento da
conduta, bem como do resultado.  Art. 7º, II, “a”: adotado o princípio da
universalidade do direito de punir.
O Brasil adotou a teoria da atividade (art. 4º, CP).
 Art. 7º, II, “b”: adotado o princípio da
personalidade ativa.
IV) LEI PENAL NO ESPAÇO  Art. 7º, II, “c”: adotado o princípio da bandeira.
O Código Penal brasileiro limita o campo de validade da lei  Art. 7º, § 3º: adotado o princípio da defesa.
penal com observância de dois vetores fundamentais: a
territorialidade (art. 5º, CP) e a extraterritorialidade (art. 7º,
CP). Com base neles se estabelecem princípios que buscam OBSERVAÇÃO: Perceba que, como alerta parte da doutrina,
solucionar os conflitos de leis penais no espaço, a saber: em nenhuma situação foi adotado o princípio da
 Princípio da territorialidade: aplica-se a lei do local personalidade passiva.
do crime.
 Princípio da personalidade ativa (nacionalidade A extraterritorialidade (situações excepcionais do art. 7º, CP)
ativa ou apenas personalidade): aplica-se a lei da pode ser incondicionada ou condicionada, senão vejamos:
nacionalidade do sujeito ativo.
 Art. 7º, I, “a”, “b”, “c” e “d”: configurada alguma
 Princípio da personalidade passiva (nacionalidade dessas hipóteses a lei brasileira não depende de
passiva): aplica-se a lei da nacionalidade do agente qualquer requisito ou condição para ser aplicada
somente quando atinge direitos de um patrício. (art. 7º, § 1º, CP). Registre-se que nesses casos de
 Princípio da defesa (real ou proteção): aplica-se a extraterritorialidade incondicionada, a pena
lei da nacionalidade do sujeito passivo ou do bem cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no
jurídico lesado. Brasil pelo mesmo crime, quando diversas, ou nela
é computada, quando idênticas (art. 8º, CP).
 Princípio da universalidade do direito de punir
(justiça penal universal ou universalidade, ou ainda  Art. 7º, II, “a”, “b” e “c”: configurada alguma dessas
cosmopolita): o agente fica sujeito a lei do país hipóteses a lei brasileira somente será aplicada se
onde for encontrado. preenchidas as condições estabelecidas no § 2º do
art. 7º, CP.
 Princípio da bandeira (representação, pavilhão ou
subsidiário): a lei penal nacional aplica-se aos  Art. 7º, § 3º: trata-se de uma extraterritorialidade
crimes praticados em aeronaves ou embarcações hipercondicionada, pois depende das condições do

CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
4
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

§ 2º + § 3º, ambos do art. 7º, CP. 3) Princípio da consunção ou da absorção: aplica-se


quando um crime menos grave é meio necessário, fase
de preparação ou de execução de outro mais nocivo,
OBSERVAÇÃO: Não se admite a aplicação da lei penal respondendo o agente somente pelo último. São casos
brasileira às contravenções penais praticadas no estrangeiro de aplicação do princípio da consunção:
(art. 2º, Decreto-lei nº 3.688/1941 – Lei das Contravenções
(1) Crime complexo: há junção de dois ou mais
Penais).
crimes (furto + constrangimento ilegal = roubo);
(2) Crime progressivo: o agente desde o início já quer
V) CONFLITO APARENTE DE LEIS PENAIS cometer o crime-fim (para praticar homicídio o
agente precisa antes lesionar);
Segundo Cleber Masson, o conflito aparente de leis penais
ocorre “quando a um único fato se revela possível, em tese, (3) Progressão criminosa: o agente muda de ideia
a aplicação de dois ou mais tipos legais, ambos instituídos durante a execução da infração e passa a almejar
por leis de igual hierarquia e originárias da mesma fonte de o crime-fim após a prática do crime-meio
produção e também em vigor ao tempo da prática da (inicialmente o agente quer lesionar e depois
infração penal”. decide matar);
Conclui o referido autor dizendo que o “conflito é aparente, (4) Antefato impunível: ocorre quando o agente
pois desaparece com a correta interpretação da lei penal, pratica um fato e posteriormente realiza outro, no
que se dá com a utilização de princípios adequados”. qual o anterior figura como meio e neste exaure
sua potencialidade lesiva, ou seja, todo o
O conflito aparente de leis penais não tem previsão legal. O
malefício do fato anterior deve se esgotar no fato
Código penal não disciplinou expressamente o assunto.
subsequente (é o caso da súmula 17 do STJ);
A doutrina indica, em geral, quatro princípios para
(5) Pós-fato impunível: ocorre quando, após a
solucionar o conflito aparente de leis penais, senão,
consumação, o agente realiza nova conduta
vejamos:
atingindo o mesmo bem jurídico, do mesmo
titular, sem agravar a potencialidade jurídica, ou
seja, sem piorar a situação (furta um bem e
1) Princípio da especialidade: seguindo ainda a doutrina
depois vende).
de Cleber Masson, “lei especial é a que contém todos
os dados típicos de uma lei geral, também outros,
denominados especializantes. A primeira prevê o crime
4) Princípio da alternatividade: aplicável aos crimes de
genérico, ao passo que a última traz em seu bojo o
conteúdo múltiplo, ou seja, crimes que possuem vários
crime específico”. Exemplo: aquele que importa,
verbos. Pelo princípio da alternatividade, várias
clandestinamente, qualquer produto, incidirá na regra
condutas praticadas no mesmo contexto fático
geral, prevista no art. 334 do Código Penal (crime de
constituem um crime único, porque os verbos são
contrabando), mas se o produto importado for droga, o
alternativos. Por exemplo, quem importa e vende
crime será o tráfico de drogas, tipificado no art. 33,
cocaína pratica um único crime de tráfico de drogas
caput, da Lei nº 11.343/06.
(art. 33, caput, Lei nº 11.343/06).

3. Exercícios
2) Princípio da subsidiariedade: a subsidiariedade indica
que uma norma será aplicada quando uma outra 01. (CESPE-UNB/Auditor Fiscal da Receita Estadual/
norma não for suficiente para regular o caso (lex SEFAZ-ES/2013) Em relação à aplicação da lei penal,
primaria derogat legit subsidiarie, ou seja, a lei assinale a opção correta.
primária tem prevalência sobre a lei subsidiária). A
subsidiariedade pode ser expressa ou explícita (o tipo A) Dados o princípio da territorialidade e a soberania
penal só incide se o fato não for mais grave e isso está do Estado brasileiro, a lei penal brasileira aplica-se
expressamente previsto na descrição típica). Por apenas no território nacional.
exemplo: os crimes dos arts. 132 e 314 do Código B) Na aplicação da lei penal, não se admite o uso da
Penal. A subsidiariedade ainda pode ser tácita ou interpretação analógica, dado o princípio da
implícita (ocorre quando um fato menos grave está legalidade.
contido na descrição típica de um fato mais grave). C) No que se refere à determinação do lugar do
Exemplo: o crime de furto (art. 155, CP) é subsidiário crime, o Código Penal adotou a teoria do
diante do crime de roubo (art. 157, CP). resultado, ou seja, considera-se o lugar do crime o
local onde o crime se consumou.
CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
5
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

D) Quanto ao tempo do crime, o Código Penal


adotou a teoria mista ou da ubiquidade. 151 Ocorrendo a hipótese de novatio legis in mellius
E) A abolitio criminis configura exceção ao princípio em relação a determinado crime praticado por
da irretroatividade da lei penal. uma pessoa definitivamente condenada pelo fato,
caberá ao juízo da execução, e não ao juízo da
02. (CESPE-UnB/Analista Judiciário/Judiciária/STM/2011) condenação, a aplicação da lei mais benigna.
No que se refere a lei penal, julgue os itens a seguir. 152 O princípio da legalidade, que é desdobrado nos
princípios da reserva legal e da anterioridade, não
88 O direito penal brasileiro adotou expressamente a se aplica às medidas de segurança, que não
teoria absoluta de territorialidade quanto à possuem natureza de pena, pois a parte geral do
aplicação da lei penal, adotando a exclusividade Código Penal apenas se refere aos crimes e
da lei brasileira e não reconhecendo a validez da contravenções penais.
lei penal de outro Estado.
89 Além de conduzir à extinção da punibilidade, a 06. (CESPE-UNB/Escrivão de Polícia Substituto/PC-
abolitio criminis faz cessar todos os efeitos penais GO/2016) Considerando os princípios constitucionais e
e cíveis da sentença condenatória. legais informadores da lei penal, assinale a opção
correta.
03. (CESPE-UnB/Agente Penitenciário Federal/ DEPEN/
2013) Acerca dos institutos da territorialidade e A) Por adotar a teoria da ubiquidade, o CP reputa
extraterritorialidade da lei penal, da pena cumprida no praticado o crime tanto no momento da conduta
estrangeiro e da eficácia da sentença estrangeira, quanto no da produção do resultado.
julgue os itens seguintes. B) A lei material penal terá vigência imediata quando
for editada por meio de medida provisória,
91 A homologação de sentença estrangeira no Brasil, impactando diretamente a condenação do réu se
nos casos em que a aplicação da lei brasileira a denúncia já tiver sido recebida.
produza na espécie as mesmas consequências, C) Considerando os princípios informativos da
independe de pedido da parte interessada, a fim retroatividade e ultratividade da lei penal, a lei
de obrigar o condenado a reparar o dano. nova mais benéfica será aplicada mesmo quando
92 A lei penal brasileira será aplicada aos crimes a ação penal tiver sido iniciada antes da sua
cometidos no território nacional ainda que vigência.
praticados a bordo de aeronaves estrangeiras de D) A novatio legis in mellius só poderá ser aplicada
propriedade privada em voo no espaço aéreo ao réu condenado antes do trânsito em julgado da
correspondente, sem prejuízo de convenções, sentença, pois somente o juiz ou tribunal
tratados e regras de direito internacional. processante poderá reconhecê-la e aplicá-la.
93 A lei penal brasileira será aplicada a crime E) Ainda que se trate de crime permanente, a
cometido contra a administração pública por novatio legis in pejus não poderá ser aplicada se
servidor público em serviço, ainda que seja efetivamente agravar a situação do réu.
praticado no estrangeiro.

04. (CESPE-UNB/Escrivão de Polícia/PC-MA/2018) A 07. (CESPE-UnB/Policial Rodoviário Federal/DPRF/2013)


aplicação do princípio da retroatividade benéfica da lei Com relação aos princípios, institutos e dispositivos da
penal ocorre quando, ao tempo da conduta, o fato é parte geral do Código Penal (CP), julgue os itens
seguintes.
A) típico e lei posterior suprime o tipo penal.
B) típico e lei posterior provoca a migração do 65 O princípio da legalidade é parâmetro fixador do
conteúdo criminoso para outro tipo penal. conteúdo das normas penais incriminadoras, ou
C) típico e lei posterior aumenta a pena seja, os tipos penais de tal natureza somente
correspondente ao crime. podem ser criados por meio de lei em sentido
D) típico e lei posterior acrescenta hipótese de estrito.
aumento de pena. 66 A extra-atividade da lei penal constitui exceção à
E) atípico e lei posterior o torna típico. regra geral de aplicação da lei vigente à época dos
fatos.
05. (CESPE-UnB/Advogado da União/AGU/2009) A
respeito da aplicação da lei penal, dos princípios da 08. (CESPE-UnB/Analista Judiciário/Execução de
legalidade e da anterioridade e acerca da lei penal no Mandados/TJDFT/2008) Considerando a aplicação da
tempo e no espaço, julgue os seguintes itens lei penal no tempo e no espaço, à luz do Código Penal,
CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
6
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

julgue os itens a seguir. mista. A circunstância de a conduta ser lícita no


país onde foi praticada ou de se encontrar extinta
91 Considere a seguinte situação hipotética. Entrou a punibilidade será irrelevante para a
em vigor, no dia 1.º/1/2008, lei temporária que responsabilização penal do agente no Brasil.
vigoraria até o dia 1.º/2/2008, na qual se
preceituou que o aborto, em qualquer de suas 12. (CESPE-UNB/Escrivão de Polícia Federal/DPF-MJ/2013)
modalidades, nesse período, não seria crime. Julgue os itens subsequentes, relativos à aplicação da
Nessa situação, se Kátia praticou aborto lei penal e seus princípios.
voluntário no dia 20/1/2008, mas somente veio a
ser denunciada no dia 3/2/2008, não se aplica a 75 Suponha que, no curso de determinado inquérito
lei temporária, mas sim a lei em vigor ao tempo policial, tenha sido editada nova lei que, então,
da denúncia. deixou de tipificar o fato, objeto da investigação,
92 Aplica-se a lei penal brasileira ao crime praticado como criminoso. Nesse caso, o inquérito policial
a bordo de aeronave estrangeira de propriedade deve ser imediatamente encerrado, porquanto se
privada, em voo no espaço aéreo brasileiro. opera a extinção da punibilidade do autor.
76 A contagem do prazo para efeito da decadência,
09. (CESPE-UnB/Fiscalização Tributária/Prefeitura de Vila causa extintiva da punibilidade, obedece aos
Velha-ES/2008) De acordo com os princípios critérios processuais penais, computando-se o dia
constitucionais do direito penal e com as regras de do começo. Todavia, se este recair em domingos
aplicação da lei penal, julgue os itens seguintes ou feriados, o início do prazo será o dia útil
imediatamente subsequente.
106 Segundo o princípio da reserva legal, apenas a lei 77 Uma vez que as medidas de segurança não são
em sentido formal pode criar tipos penais. Dessa consideradas penas, possuindo caráter
maneira, a norma penal em branco, que exige essencialmente preventivo, a elas não se aplicam
complementação de outras fontes normativas, os princípios da reserva legal e da anterioridade.
fere o mencionado princípio e, 78 No que diz respeito ao tema lei penal no tempo, a
consequentemente, é inconstitucional. regra é a aplicação da lei apenas durante o seu
107 Lei posterior que, de qualquer modo, favoreça o período de vigência; a exceção é a extra-atividade
réu aplica-se a fatos anteriores, ainda que tais da lei penal mais benéfica, que comporta duas
fatos já tenham sido julgados por sentença penal espécies: a retroatividade e a ultra-atividade.
condenatória transitada em julgado.
13. (CESPE-UNB/Investigador de Polícia Civil/PC-BA/ 2013)
10. (CESPE-UnB/Defensor Público/DPE-AL/2003) Com Julgue os itens seguintes, com relação ao tempo, à
referência à aplicação da lei penal, julgue os itens territorialidade e à extraterritorialidade da lei penal.
abaixo.
31 A extraterritorialidade da lei penal condicionada e
127 A lei penal mais benéfica é retroativa e ultra-ativa, a da incondicionada têm como elemento comum
enquanto a mais severa não tem extratividade. a necessidade de ingresso do agente no território
128 A lei posterior, que de qualquer modo favoreça o nacional.
agente, aplicar-se-á aos fatos anteriores, 32 Suponha que Leôncio tenha praticado crime de
decididos por sentença condenatória, desde que estelionato na vigência de lei penal na qual fosse
em trâmite recurso interposto pela defesa. prevista, para esse crime, pena mínima de dois
129 A lei penal excepcional ou temporária aplicar-se-á anos. Suponha, ainda, que, no transcorrer do
aos fatos ocorridos durante o período de sua processo, no momento da prolação da sentença,
vigência, desde que não tenha sido revogada. tenha entrado em vigor nova lei penal, mais
130 Pertinentes à eficácia da lei penal no espaço, gravosa, na qual fosse estabelecida a duplicação
destacam-se os princípios da territorialidade, da pena mínima prevista para o referido crime.
personalidade, competência real, justiça universal Nesse caso, é correto afirmar que ocorrerá a
e representação. ultratividade da lei penal.
33 No delito continuado, a lei penal posterior, ainda
11. (CESPE-UNB/Agente de Polícia Federal/DPF-MJ/2012) que mais gravosa, aplica-se aos fatos anteriores à
vigência da nova norma, desde que a cessação da
87 Será submetido ao Código Penal brasileiro o atividade delituosa tenha ocorrido em momento
agente, brasileiro ou não, que cometer, ainda que posterior à entrada em vigor da nova lei.
no estrangeiro, crime contra administração
pública, estando a seu serviço, ou cometer crime 14. (CESPE-UNB/Escrivão de Polícia/PC-MA/2018) O
contra o patrimônio ou a fé pública da União, de princípio da legalidade compreende
empresa pública ou de sociedade de economia
CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
7
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

A) a capacidade mental de entendimento do caráter do princípio da territorialidade, aplicar-se-á a lei


ilícito do fato no momento da ação ou da omissão, penal brasileira.
bem como de ciência desse entendimento.
B) o juízo de censura que incide sobre a formação e 16. (CESPE-UNB/Agente de Polícia/PC-AL/2012) A respeito
a exteriorização da vontade do responsável por de princípios gerais do direito penal, julgue os itens a
um fato típico e ilícito, com o propósito de aferir a seguir.
necessidade de imposição de pena.
C) a oposição entre o ordenamento jurídico vigente 75 Em caso de urgência, a definição do que é crime
e um fato típico praticado por alguém capaz de pode ser realizada por meio de medida provisória.
lesionar ou expor a perigo de lesão bens jurídicos 76 Cessado o estado de guerra, as leis excepcionais
penalmente protegidos. editadas para valer durante o referido período
D) a obediência às formas e aos procedimentos tornam-se ineficazes, devido à abolitio criminis.
exigidos na criação da lei penal e, principalmente, 77 A teoria da atividade, adotada pelo Código Penal
na elaboração de seu conteúdo normativo. Brasileiro, considera praticado o crime no
E) a conformidade da conduta reprovável do agente momento em que ocorre o resultado.
ao modelo descrito na lei penal vigente no 78 As leis penais devem ser interpretadas sem
momento da ação ou da omissão. ampliações por analogia, salvo para beneficiar o
réu.
15. (CESPE-UNB/Escrivão/PC-DF/2013) Julgue os itens 79 A lei penal mais severa aplica-se ao crime
seguintes, relativos à teoria da norma penal, sua continuado ou ao crime permanente iniciados
aplicação temporal e espacial, ao conflito aparente de antes da referida lei, se a continuidade ou a
normas e à pena cumprida no estrangeiro. permanência não tiverem cessado até a data da
entrada em vigor da lex gravior.
81 A lei penal que, de qualquer modo, beneficia o
agente tem, em regra, efeito extra-ativo, ou seja, 17. (CESPE-UnB/Analista Judiciário 2/Execução Penal/TJ-
pode retroagir ou avançar no tempo e, assim, ES/2011)
aplicar-se ao fato praticado antes de sua entrada
em vigor, como também seguir regulando, 83 Considere que um indivíduo pratique dois crimes,
embora revogada, o fato praticado no período em em continuidade delitiva, sob a vigência de uma
que ainda estava vigente. A única exceção a essa lei, e, após a entrada em vigor de outra lei, que
regra é a lei penal excepcional ou temporária que, passe a considerá-los hediondos, ele pratique
sendo favorável ao acusado, terá somente efeito mais três crimes em continuidade delitiva. Nessa
retroativo. situação, de acordo com o Código Penal, aplicar-
82 Considere a seguinte situação hipotética. Jurandir, se-á a toda a sequência de crimes a lei anterior,
cidadão brasileiro, foi processado e condenado no por ser mais benéfica ao agente.
exterior por ter praticado tráfico internacional de
drogas, e ali cumpriu seis anos de pena privativa 18. (CESPE-UNB/Procurador do Estado/PGE-BA/2014)
de liberdade. Pelo mesmo crime, também foi 124 Em se tratando de abolitio criminis, serão
condenado, no Brasil, a pena privativa de atingidas pela lei penal as ações típicas anteriores
liberdade igual a dez anos e dois meses. Nessa à sua vigência, mas não os efeitos civis
situação hipotética, de acordo com o Código decorrentes dessas ações.
Penal, a pena privativa de liberdade a ser 19. (CESPE-UNB/Papiloscopista/Perícia Oficial-AL/2013)
cumprida por Jurandir, no Brasil, não poderá ser
maior que quatro anos e dois meses. 106 Considere que uma pessoa tenha sido denunciada
83 Na definição de lugar do crime, para os efeitos de pela prática de determinado fato definido como
aplicação da lei penal brasileira, a expressão crime, que, em seguida, foi descriminalizado pela
“onde se produziu ou deveria produzir-se o lei A. Posteriormente, foi e ditada a lei B, que
resultado” diz respeito, respectivamente, à revogou a lei A e voltou a criminalizar aquela
consumação e à tentativa. conduta. Nessa situação, a última lei deve ser
84 Considere a seguinte situação hipotética. A bordo aplicada ao caso.
de um avião da Força Aérea Brasileira, em
sobrevoo pelo território argentino, Andrés, 20. (CESPE-UNB/Outorga das Delegações das Notas e
cidadão guatemalteco, disparou dois tiros contra Registro/TJ-RR/2013) No que concerne ao tempo
Daniel, cidadão uruguaio, no decorrer de uma e ao lugar do crime e ao conflito aparente de
discussão. Contudo, em virtude da inabilidade de normas penais, assinale a opção correta.
Andrés no manejo da arma, os tiros atingiram
Hernando, cidadão venezuelano que também A) De acordo com o STF, nas hipóteses de crime
estava a bordo. Nessa situação, em decorrência
CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
8
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

continuado ou de crime permanente, a lei penal empregados os princípios da


mais grave não pode ser aplicada, ainda que
vigente antes da cessação da continuidade ou da A) especialidade e da subsidiariedade.
permanência. B) especialidade e da proporcionalidade.
B) Por se ter adotado, no Código Penal, a teoria da C) proporcionalidade e da subsidiariedade.
atividade, considera-se praticado o crime no lugar D) subsidiariedade e da fragmentariedade.
em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou E) fragmentariedade e da especialidade.
em parte.
C) Aplica-se o princípio da especificidade aos tipos 23. (CESPE-UNB/Agente de Polícia Federal/MJ-DPF/2012)
mistos alternativos, já que, mesmo havendo
várias formas de conduta no mesmo tipo, 88 Conflitos aparentes de normas penais podem ser
somente um único delito será consumado, solucionados com base no princípio da consunção,
independentemente da quantidade de condutas ou absorção. De acordo com esse princípio,
realizadas no mesmo contexto. quando um crime constitui meio necessário ou
D) O princípio da consunção enseja a absorção de fase normal de preparação ou execução de outro
um delito por outro, sendo aplicável aos casos crime, aplica-se a norma mais abrangente. Por
que envolvam crime progressivo, crime complexo, exemplo, no caso de cometimento do crime de
progressão criminosa, fato posterior não punível e falsificação de documento para a prática do crime
fato anterior não punível. de estelionato, sem mais potencialidade lesiva,
E) Na definição do tempo do crime, adota-se, no este absorve aquele.
Código Penal, a teoria do resultado,
considerando-se praticado o crime no momento 24. (VUNESP/Escrivão de Polícia Civil – 1ª Classe/PC-
do resultado, ainda que outro seja o momento da CE/2015) O indivíduo B provocou aborto com o con-
ação ou omissão. sentimento da gestante, em 01 de fevereiro de 2010, e
foi condenado, em 20 de fevereiro de 2013, pela práti-
21. (CESPE-UNB/Outorga das Delegações das Notas e ca de tal crime à pena de oito anos de reclusão. A con-
Registro/TJ-RR/2013) No que concerne ao tempo e ao denação já transitou em julgado. Na hipótese do crime
lugar do crime e ao conflito aparente de normas penais, de aborto, com o consentimento da gestante, deixar
assinale a opção correta. de ser considerado crime por força de uma lei que pas-
se a vigorar a partir de 02 de fevereiro de 2015, assina-
A) De acordo com o STF, nas hipóteses de crime le a alternativa correta no tocante à consequência des-
continuado ou de crime permanente, a lei penal sa nova lei à condenação imposta ao indivíduo B.
mais grave não pode ser aplicada, ainda que
vigente antes da cessação da continuidade ou da A) A nova lei só irá gerar algum efeito sobre a con-
permanência. denação do indivíduo B se prever expressamente
B) Por se ter adotado, no Código Penal, a teoria da que se aplica a fatos anteriores.
atividade, considera-se praticado o crime no lugar B) A nova lei será aplicada para os fatos praticados
em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou pelo indivíduo B, contudo só fará cessar a execu-
em parte. ção persistindo os efeitos penais da sentença
C) Aplica-se o princípio da especificidade aos tipos condenatória, tendo em vista que esta já havia
mistos alternativos, já que, mesmo havendo transitado em julgado.
várias formas de conduta no mesmo tipo, C) Não haverá consequência à condenação imposta
somente um único delito será consumado, ao indivíduo B visto que já houve o trânsito em
independentemente da quantidade de condutas julgado da condenação.
realizadas no mesmo contexto. D) A nova lei só seria aplicada para os fatos pratica-
D) O princípio da consunção enseja a absorção de dos pelo indivíduo B se a sua entrada em vigência
um delito por outro, sendo aplicável aos casos ocorresse antes de 01 de fevereiro de 2015.
que envolvam crime progressivo, crime complexo, E) A nova lei será aplicada para os fatos praticados
progressão criminosa, fato posterior não punível e pelo indivíduo B, cessando em virtude dela a exe-
fato anterior não punível. cução e os efeitos penais da sentença condenató-
E) Na definição do tempo do crime, adota-se, no ria.
Código Penal, a teoria do resultado,
considerando-se praticado o crime no momento 25. (VUNESP/Procurador Jurídico/Câmara de Bragança
do resultado, ainda que outro seja o momento da Paulista-SP/2013) Nos termos do Código Penal, o tem-
ação ou omissão. po e o lugar do crime são definidos, respectivamente,
com base no
22. (CESPE-UNB/Investigador de Polícia/PC-MA/2018)
Para solucionar o conflito aparente de normas, são
CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
9
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

A) momento da ação ou omissão, ainda que outro C) aeronave privada brasileira pousada em aeropor-
seja o momento do resultado; lugar em que ocor- tos estrangeiros, desde que o país respectivo te-
reu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem nha acordo de extradição com o Brasil.
como onde se produziu ou deveria produzir-se o D) sede de embaixada ou unidade consular do Brasil
resultado. no estrangeiro.
B) momento do resultado; lugar em que ocorreu a E) residência do embaixador brasileiro em país es-
ação ou omissão, no todo ou em parte, bem co- trangeiro que faça parte do Mercosul.
mo onde se produziu ou deveria produzir-se o re-
sultado. 29. (VUNESP/Assistente de Promotoria I/Assistente Jurí-
C) momento da ação ou omissão, ainda que outro dico/MP-SP/2015) Sobre a aplicação da lei penal, é
seja o momento do resultado; lugar em que ocor- correto afirmar que
reu a ação ou omissão, no todo ou em parte, in-
dependentemente do lugar em que se produziu A) em relação ao tempo do crime, o Código Penal,
ou deveria produzir-se o resultado. no artigo 4º, adotou a teoria da ubiquidade.
D) momento da ação ou omissão, bem como o mo- B) para os crimes permanentes, aplica-se a lei nova,
mento do resultado; lugar em que ocorreu a ação ainda que mais severa, pois é considerado tempo
ou omissão, no todo ou em parte, bem como on- do crime todo o período em que se desenvolver a
de se produziu ou deveria produzir-se o resultado. atividade criminosa.
E) no dia em que o crime se consumou; lugar em C) em relação ao lugar do crime, o Código Penal, no
que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em artigo 6º, adotou a teoria da atividade.
parte, independentemente do lugar em que se D) a nova lei, que deixa de considerar criminoso de-
produziu ou deveria produzir-se o resultado. terminado fato, cessa, em favor do agente, todos
os efeitos penais e civis.
26. (VUNESP/Analista Judiciário/Direito/TJ-PA/2014) A lei E) o princípio da retroatividade da lei penal mais be-
posterior, que de qualquer modo favorecer o agente néfica é absoluto, previsto constitucionalmente,
sobrepondo- se até mesmo à ultratividade das
A) aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decidi- leis excepcionais ou temporárias.
dos por sentença condenatória transitada em jul-
gado. 30. (VUNESP/Procurador do Estado/PGE-SP/2005) O an-
B) tem efeito retroativo, exceto para crimes graves. tefato e o pós-fato impuníveis são desdobramentos do
C) aplica-se apenas nos processos em que a senten- princípio da
ça não foi proferida.
D) aplica-se imediatamente, sendo preservados os A) ofensividade.
atos condenatórios anteriores à sua vigência. B) consunção.
E) pode ou não ser aplicada, a critério do Juiz. C) especialidade.
D) conexão.
27. (VUNESP/Agente de Promotoria/Assessoria/MP- E) taxatividade.
ES/2013) Nos estritos termos do art. 7º, I do CP, fica
sujeito à lei penal brasileira, mesmo cometido no es-
trangeiro, e ainda que lá absolvido o agente, o crime
A) cometido por qualquer brasileiro.
B) cometido contra qualquer brasileiro.
C) contra a honra do Presidente da República.
D) contra o patrimônio de sociedade de economia GABARITO
mista.
01 02 03 04 05 06 07 08 09 10
E) contra a vida de qualquer funcionário público no
E EE * A CE C CC EC EC *
exercício de sua função.
11 12 13 14 15 16 17 18 19 20
28. (VUNESP/Procurador Jurídico/Câmara de Marília- C * * D * * E C E C
SP/2016) Aplica-se a lei penal brasileira ao crime co- 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30
metido no território nacional. O art. 5º do CP estende a D A C E A A D B A B
aplicação da lei penal brasileira para fato cometido em
03. ECC
A) embarcação privada brasileira atracada em por- 10. CEEC
tos estrangeiros. 12. CEEC
B) embarcação estrangeira de propriedade privada 13. ECC
navegando no mar territorial do Brasil. 15. EECC
16. EEECC
CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
10
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

_______________________________________________
 Superveniência de causa independente(Incluído pela Lei
_________________________________________________
nº 7.209, de 11.7.1984)
_________________________________________________
_________________________________________________ § 1º - A superveniência de causa relativamente
_________________________________________________ independente exclui a imputação quando, por si só,
_________________________________________________ produziu o resultado; os fatos anteriores, entretanto,
_________________________________________________ imputam-se a quem os praticou. (Incluído pela Lei nº 7.209,
_________________________________________________ de 11.7.1984)
_________________________________________________
_________________________________________________
_________________________________________________  Relevância da omissão(Incluído pela Lei nº 7.209, de
_________________________________________________ 11.7.1984)
_________________________________________________
§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente
_________________________________________________
devia e podia agir para evitar o resultado. O dever de agir
_________________________________________________
incumbe a quem:(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
_________________________________________________
_________________________________________________ a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância;
_________________________________________________ (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
_________________________________________________
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o
_________________________________________________
resultado; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
_________________________________________________
_________________________________________________ c) com seu comportamento anterior, criou o risco da
_________________________________________________ ocorrência do resultado. (Incluído pela Lei nº 7.209, de
_________________________________________________ 11.7.1984)
_________________________________________________
Art. 14 - Diz-se o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
_________________________________________________
11.7.1984)
_________________________________________________
_________________________________________________
_________________________________________________
 Crime consumado (Incluído pela Lei nº 7.209, de
_________________________________________________ 11.7.1984)
_________________________________________________
_________________________________________________ I - consumado, quando nele se reúnem todos os elementos
_________________________________________________ de sua definição legal; (Incluído pela Lei nº 7.209, de
_________________________________________________ 11.7.1984)
_________________________________________________
_________________________________________________
_________________________________________________  Tentativa (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
_________________________________________________ II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma
_________________________________________________ por circunstâncias alheias à vontade do agente. (Incluído
_________________________________________________ pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
_________________________________________________
_________________________________________________ Pena de tentativa (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Capítulo 2 Parágrafo único - Salvo disposição em contrário, pune-se a
tentativa com a pena correspondente ao crime consumado,
Teoria Geral do Crime diminuída de um a dois terços. (Incluído pela Lei nº 7.209,
de 11.7.1984)
1. Legislação:
 Desistência voluntária e arrependimento eficaz(Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
 Relação de causalidade (Redação dada pela Lei nº 7.209,
de 11.7.1984) Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de
prosseguir na execução ou impede que o resultado se
Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, produza, só responde pelos atos já praticados. (Redação
somente é imputável a quem lhe deu causa. Considera-se dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria
ocorrido. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
11
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

 Arrependimento posterior(Redação dada pela Lei nº 7.209, pena quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como
de 11.7.1984) crime culposo. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave
ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a coisa, até
o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário
 Erro determinado por terceiro (Incluído pela Lei nº 7.209,
do agente, a pena será reduzida de um a dois terços.
de 11.7.1984)
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 2º - Responde pelo crime o terceiro que determina o erro.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
 Crime impossível (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
 Erro sobre a pessoa(Incluído pela Lei nº 7.209, de
Art. 17 - Não se pune a tentativa quando, por ineficácia
11.7.1984)
absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto,
é impossível consumar-se o crime. (Redação dada pela Lei § 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é
nº 7.209, de 11.7.1984) praticado não isenta de pena. Não se consideram, neste
caso, as condições ou qualidades da vítima, senão as da
Art. 18 - Diz-se o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
pessoa contra quem o agente queria praticar o crime.
11.7.1984)
(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

 Crime doloso(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)


 Erro sobre a ilicitude do fato(Redação dada pela Lei nº
I - doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o 7.209, de 11.7.1984)
risco de produzi-lo; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro
sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se
evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço.
 Crime culposo(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - culposo, quando o agente deu causa ao resultado por
Parágrafo único - Considera-se evitável o erro se o agente
imprudência, negligência ou imperícia. (Incluído pela Lei nº
atua ou se omite sem a consciência da ilicitude do fato,
7.209, de 11.7.1984)
quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou atingir
Parágrafo único - Salvo os casos expressos em lei, ninguém essa consciência. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
pode ser punido por fato previsto como crime, senão 11.7.1984)
quando o pratica dolosamente. (Incluído pela Lei nº 7.209,
de 11.7.1984)
 Coação irresistível e obediência hierárquica (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
 Agravação pelo resultado(Redação dada pela Lei nº 7.209,
Art. 22 - Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em
de 11.7.1984)
estrita obediência a ordem, não manifestamente ilegal, de
Art. 19 - Pelo resultado que agrava especialmente a pena, só superior hierárquico, só é punível o autor da coação ou da
responde o agente que o houver causado ao menos ordem.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
culposamente. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
 Exclusão de ilicitude(Redação dada pela Lei nº 7.209, de
 Erro sobre elementos do tipo(Redação dada pela Lei nº
11.7.1984)
7.209, de 11.7.1984)
Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato:
Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
crime exclui o dolo, mas permite a punição por crime
culposo, se previsto em lei. (Redação dada pela Lei nº 7.209, I - em estado de necessidade; (Incluído pela Lei nº 7.209, de
de 11.7.1984) 11.7.1984)
II - em legítima defesa;(Incluído pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
 Descriminantes putativas(Incluído pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984) III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício
regular de direito.(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente
justificado pelas circunstâncias, supõe situação de fato que,
se existisse, tornaria a ação legítima. Não há isenção de
CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
12
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

 Excesso punível (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)


Parágrafo único - O agente, em qualquer das hipóteses deste  Emoção e paixão
artigo, responderá pelo excesso doloso ou culposo.(Incluído
Art. 28 - Não excluem a imputabilidade penal: (Redação
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - a emoção ou a paixão; (Redação dada pela Lei nº 7.209,
 Estado de necessidade de 11.7.1984)
Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem
pratica o fato para salvar de perigo atual, que não provocou
 Embriaguez
por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito
próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era II - a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou
razoável exigir-se. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de substância de efeitos análogos. (Redação dada pela Lei nº
11.7.1984) 7.209, de 11.7.1984)
§ 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o § 1º - É isento de pena o agente que, por embriaguez
dever legal de enfrentar o perigo. (Redação dada pela Lei nº completa, proveniente de caso fortuito ou força maior, era,
7.209, de 11.7.1984) ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de
entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de
§ 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito
acordo com esse entendimento. (Redação dada pela Lei nº
ameaçado, a pena poderá ser reduzida de um a dois terços.
7.209, de 11.7.1984)
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 2º - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o
agente, por embriaguez, proveniente de caso fortuito ou
 Legítima defesa força maior, não possuía, ao tempo da ação ou da omissão, a
plena capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de
Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando
determinar-se de acordo com esse entendimento. (Redação
moderadamente dos meios necessários, repele injusta
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de
outrem.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
TÍTULO III 2. Comentários:
DA IMPUTABILIDADE PENAL
Inimputáveis
I) NOÇÕES INICIAIS
Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença mental
ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, 1. O Brasil é adepto do critério bipartido (ou dicotômico),
ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de onde infração penal é gênero do qual temos duas
entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de espécies:
acordo com esse entendimento. (Redação dada pela Lei nº a) Crime (ou delito);
7.209, de 11.7.1984)
b) Contravenção penal (ou ainda crime anão, crime
vagabundo, crime liliputiano).
 Redução de pena
Parágrafo único - A pena pode ser reduzida de um a dois OBSERVAÇÃO: Ontologicamente, ou seja, na essência, não
terços, se o agente, em virtude de perturbação de saúde há diferença entre crime e contravenção penal, ambos
mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou são ilícitos penais. Entretanto, há uma diferença
retardado não era inteiramente capaz de entender o caráter estabelecida pela legislação brasileira com base na
ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse pena cominada. Sendo assim, “considera-se crime a
entendimento. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de infração penal a que a lei comina pena de reclusão ou
11.7.1984) de detenção, quer isoladamente, quer alternativa ou
cumulativamente com a pena de multa, contravenção,
a infração penal a que a lei comina, isoladamente, pena
 Menores de dezoito anos de prisão simples ou de multa, ou ambas, alternativa
Art. 27 - Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente ou cumulativamente” (art. 1º, Decreto-lei nº
inimputáveis, ficando sujeitos às normas estabelecidas na 3.914/1941).
legislação especial. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
2. Além da diferença supracitada, a doutrina aponta
CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
13
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

outras, todas relacionadas ao grau, não havendo ilicitude, sendo a culpabilidade um mero pressuposto
distinção quanto ao significado (conforme vimos, a de aplicação de pena. Registre-se que no finalismo
diferença não é ontológica), quais sejam: dissidente o dolo e a culpa também fazem parte da
tipicidade, ou seja, se encontram na conduta, que,
a) Ação penal: o crime pode ser de ação penal pública
como já dito, faz parte da tipicidade.
(incondicionada ou condicionada) ou de ação penal
privada, já a contravenção penal é de ação penal
pública incondicionada (art. 17, Decreto-lei nº
4. Sujeitos do crime:
3.688/1941 – Lei das Contravenções Penais).
a) Sujeito ativo: é o autor da infração penal.
b) Punibilidade da tentativa: a tentativa de crime é
punida (art. 14, II, CP), ao passo que a tentativa de OBSERVAÇÃO: Admite-se a responsabilidade penal da
contravenção penal não é punida (art. 4º, Decreto-lei pessoa jurídica em crimes ambientais (art. 225, § 3º,
nº 3.688/1941 – Lei das Contravenções Penais). da CRFB/88, e art. 3º, da Lei nº 9.605/98).
c) Extraterritorialidade da lei: o crime admite a
extraterritorialidade da lei penal (art. 7º, CP) enquanto
b) Sujeito passivo: pessoa (física ou jurídica) que sofre as
a contravenção penal não admite (art. 2º, Decreto-lei
consequências da infração penal.
nº 3.688/1941 – Lei das Contravenções Penais).
OBSERVAÇÃO: Crime vago é aquele que figura como
d) Competência para o processo e julgamento: o crime
sujeito passivo um ente despersonalizado. Exemplo: no
pode ser julgado na justiça federal ou estadual, já a
crime de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido
contravenção penal apenas na justiça estadual, por
(art. 14, Lei nº 10.826/03) o sujeito passivo é a
expressa vedação constitucional (art. 109, IV, CF).
sociedade.
e) Limite máximo da pena a cumprir: no crime o tempo é
de 30 anos (art. 75, CP) e na contravenção penal é de 5
anos (art. 10, Decreto-lei nº 3.688/1941 – Lei das 5. Objeto material e objeto jurídico:
Contravenções Penais).
O objeto material é a pessoa ou coisa sobre a qual recai a
f) Período de prova da suspensão condicional da pena conduta criminosa (por exemplo, o relógio, no furto). O
(sursis): no crime é de 2 a 4 anos para o sursis comum objeto jurídico é o interesse protegido pela norma penal
(art. 77, CP), havendo exceções, como no caso do sursis (por exemplo, a vida, o patrimônio, a paz pública, a
etário ou humanitário, que é de 4 a 6 anos (art. 77, § 2º, Administração Pública).
CP). Na contravenção penal, o período de prova do
sursis é de 1 a 3 anos (art. 11, Decreto-lei nº
3.688/1941 – Lei das Contravenções Penais). II) FATO TÍPICO
Elementos do fato típico (segundo uma visão finalista):
3. Conceito de crime: a) Conduta dolosa ou culposa, comissiva ou omissiva;
a) Material: crime é a ação ou omissão que contraria os b) Resultado;
valores ou interesses do corpo social, exigindo sua
c) Nexo de causalidade entre a conduta e o resultado;
proibição com a ameaça de pena.
d) Tipicidade (formal e material).
b) Formal: crime é toda a ação ou omissão proibida por
lei, sob ameaça de pena.
c) Analítico: diz respeito aos elementos estruturais do A) CONDUTA: diversas teorias buscam definir a conduta, e
crime, e depende do sistema adotado. Assim é que, a adoção de cada uma delas importa em modificações
apenas para ilustrar (já que existem diversos sistemas), estruturais na forma de encarar o Direito Penal. Ao
no sistema causalista, o crime é composto por três tratar do conceito analítico de crime, foram mostradas
elementos, quais sejam, a tipicidade, a ilicitude e a algumas dessas teorias (sistemas), e, nesse momento,
culpabilidade. É importante destacar que para tal veremos novamente duas das principais delas visando
sistema o dolo e a culpa fazem parte da culpabilidade. apenas ressaltar os aspectos mais importantes dessas
Para o sistema finalista o crime também é composto teorias no que se refere ao elemento “conduta”.
por três elementos, a tipicidade, a ilicitude e a
a) Teoria clássica, naturalística ou causal: conduta é um
culpabilidade, sendo que o dolo e a culpa migraram
movimento humano voluntário que produz
para a tipicidade, mais precisamente para a conduta,
modificação no mundo exterior (resultado). A
que se encontra na tipicidade. Há também o chamado
caracterização da conduta criminosa depende somente
finalismo dissidente, que sustenta que o crime possui
da circunstância de o agente produzir fisicamente um
dois elementos (teoria bipartida), a tipicidade e a
resultado previsto em lei como infração penal,
CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
14
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

independentemente de dolo ou culpa. Para a teoria uma bomba no carro para matar determinada pessoa
clássica, dolo e culpa se encontram na culpabilidade, que anda com seguranças e, ao explodir a bomba,
não na conduta. mata a pessoa e os seguranças).
b) Teoria final ou finalista: conduta é o comportamento
humano voluntário conscientemente dirigido a um fim.
2) Dolo indireto ou indeterminado: ocorre quando o
Assim, como já foi dito acima, o dolo e a culpa, que
agente prevê pluralidade de resultados, não buscando
para a teoria clássica residiam na culpabilidade, foram
realizar evento determinado. Pode ser eventual (o
deslocados para a conduta, e, portanto, para o fato
agente prevê pluralidade de resultados, porém dirige
típico. Para a maioria da doutrina o Código Penal
sua conduta na busca de apenas um, assumindo o risco
brasileiro é finalista.
de produzir o outro) e alternativo (o agente prevê
pluralidade de resultados, dirigindo sua conduta na
busca de um ou outro).
Causas que excluem a conduta:
1) Caso fortuito ou força maior: falta voluntariedade do
comportamento. OBSERVAÇÃO: A doutrina fala ainda em dolo de dano
(quando o agente quer causar uma lesão ao bem
2) Atos reflexos: não há voluntariedade (como no caso de
jurídico protegido, como no crime do art. 121, CP) e
alguém sofrer um choque e matar outrem).
dolo de perigo (quando o agente quer apenas causar
3) Estados de inconsciência: como no caso do um perigo ao bem jurídico protegido, como no crime
sonambulismo e da hipnose. do art. 132, CP). Há também o dolo genérico (o agente
quer provocar o resultado descrito no tipo penal sem
4) Coação física irresistível: falta voluntariedade.
finalidade específica; chamado atualmente apenas de
dolo) e o dolo específico (o agente quer provocar o
resultado descrito no tipo penal com finalidade
A.1) CONDUTA DOLOSA: art. 18, I, CP.
específica; chamado atualmente de elemento
Conceito: o dolo é a vontade consciente dirigida a realizar subjetivo especial do tipo ou elemento subjetivo do
ou aceitar realizar a conduta prevista no tipo penal tipo específico). Assim, com relação às duas últimas
incriminador. Destarte, são elementos do dolo a consciência espécies, pouco importa, por exemplo, a razão pela
(previsão) e a vontade (querer/aceitar). qual “A” mata “B”, pois o homicídio (art. 121, CP)
dispensa qualquer finalidade especial para concretizar-
se (basta o dolo genérico de matar alguém). Entretanto,
Teorias acerca do dolo: só se pode falar em prevaricação (art. 319, CP) caso o
funcionário público deixe de praticar ou retarde o ato
1) Teoria da vontade: dolo é a vontade consciente de
de ofício para satisfazer interesse ou sentimento
querer praticar a infração penal.
pessoal. Aí está o dolo específico, não basta o simples
2) Teoria da representação: ocorre dolo toda vez que o dolo de deixar de praticar ou retardar o ato de ofício.
agente, prevendo o resultado como possível, continua Outra espécie é o dolo geral (ou por erro sucessivo),
com sua conduta. que ocorre quando o agente, supondo já ter alcançado
3) Teoria do consentimento ou assentimento: ocorre dolo determinado resultado visado, pratica nova ação que
toda vez que o agente, prevendo o resultado, decide efetivamente o provoca (agente achou que já havia
continuar sua conduta, assumindo o risco de produzi-lo. matado a vítima e joga o corpo no rio, quando
efetivamente ocorre a morte).
OBSERVAÇÃO: O Código Penal adotou as teorias da vontade
(“quis”) para o dolo direto e do assentimento (“assumiu”) A.2) CONDUTA CULPOSA: art. 18, II, CP.
para o dolo eventual, conforme o art. 18, I, CP. Conceito: a culpa consiste numa conduta voluntária que
realiza um fato ilícito não querido ou aceito pelo agente,
mas que foi por ele previsto (culpa consciente) ou lhe era
Espécies de dolo: previsível (culpa inconsciente) e que poderia, com a devida
1) Dolo direto ou determinado: ocorre quando o agente atenção, ter evitado.
prevê determinado resultado, dirigindo sua conduta no
sentido de realizar esse resultado. O dolo direto pode
ser classificado em: dolo de 1º grau (quando não há a Elementos da culpa:
possibilidade dos chamados efeitos colaterais, como no 1) Conduta (ação ou omissão).
caso em que “A” deseja matar “B” e efetivamente
2) Violação de um dever de cuidado objetivo (o agente
dispara contra ele) e dolo de 2º grau (que tem os
atua em desacordo com o esperado pela lei ou pela
efeitos colaterais, como no caso do agente que coloca
sociedade). Nessa linha, o agente viola um dever de
CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
15
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

cuidado objetivo quando age com imprudência (é a principais do tipo. Pode ser:
prática de uma conduta arriscada ou perigosa e tem
(1.1) Inevitável/escusável: exclui dolo e culpa.
caráter comissivo), negligência (é a displicência no agir,
a falta de precaução, a indiferença do agente, que, (1.2) Evitável/inescusável: exclui o dolo, mas a culpa é
podendo adotar as cautelas necessárias, não o faz) ou punida, se prevista em lei.
imperícia (é a falta de capacidade, de aptidão,
despreparo ou insuficiência de conhecimentos técnicos
para o exercício de arte, profissão ou ofício), que são (2) Erro de tipo acidental: o erro recai sobre dados
modalidades de culpa. periféricos do tipo. Pode ser:
3) Resultado naturalístico. (2.1) Erro sobre o objeto: representação equivocada
do objeto material “coisa” visado pelo agente.
4) Nexo causal.
Não exclui dolo nem culpa (também não isenta o
5) Previsibilidade: possibilidade que tinha o agente de agente de pena). Responde pelo crime
conhecer o perigo advindo da sua conduta (a culpa considerando o objeto efetivamente atingido pela
consciente não possui esse elemento). conduta (não tem previsão legal). Exemplo: quero
subtrair sal, subtraio açúcar.
6) Tipicidade: art. 18, parágrafo único, CP (deve haver
previsão da culpa no tipo penal, caso contrário, o crime (2.2) Erro sobre a pessoa: representação equivocada
é doloso). do objeto material “pessoa” visado pelo agente.
Não exclui dolo nem culpa (também não isenta o
agente de pena). Responde pelo crime
Espécies de culpa: considerando a vítima virtual e não a real
(previsto no § 3º, art. 20, CP). Exemplo: atira
1) Culpa própria: gênero do qual são espécies culpa
numa pessoa pensando que é o irmão, mas é um
consciente e culpa inconsciente.
estranho.
1.1) Culpa consciente: o agente prevê o resultado,
(2.3) Erro sobre a execução (aberratio ictus): mira no
decidindo prosseguir com sua conduta porque
irmão, porém, quando dispara, por erro na
acredita que pode evitá-lo.
execução, atinge outra pessoa (previsto no art. 73,
1.2) Culpa inconsciente: o agente não prevê o CP). Não exclui dolo nem culpa (também não
resultado, entretanto, lhe era previsível. isenta o agente de pena). Responde pelo crime
considerando a vítima virtual e não a real (mesma
2) Culpa imprópria: é aquela em que o agente, por erro,
conseqüência do erro sobre a pessoa).
supõe está acobertado por uma excludente da ilicitude
(descriminante putativa) e, em razão disso, provoca (2.4) Resultado diverso do pretendido (aberratio
intencionalmente o resultado ilícito (chama-se criminis): queria danificar o veículo do vizinho,
imprópria porque propriamente dito é um crime porém, por erro na execução, acabo atingindo a
doloso). Embora a ação seja dolosa, por motivos de pessoa do motorista (previsto no art. 74, CP). Veja
política criminal, o agente responde por crime culposo que aqui o resultado foi diverso: queria ofender
quando o erro é evitável (art. 20, § 1º). patrimônio, ofende pessoa. Na aberratio ictus, o
resultado foi o mesmo (pessoa/pessoa). O agente
responde pelo resultado produzido a título de
culpa (não isente de pena).
(2.5) Erro sobre o nexo causal (aberratio causae): o
agente, querendo determinado resultado
A.3) CRIME PRETERDOLOSO: art. 19 do CP.
mediante certo nexo causal, o produz
Conceito: trata-se de uma espécie de delito qualificado pelo efetivamente, porém, com nexo diverso (não tem
resultado, consistente num misto de dolo (na conduta) e previsão legal). Fala-se em erro sobre o nexo em
culpa (no resultado). Exemplo: art. 129, § 3º, CP. sentido estrito, quando o agente, mediante um
único ato, produz o resultado visado, porém com
nexo diverso (exemplo: “A” empurra “B” para que
A.4) ERRO DE TIPO: art. 20, CP. caia no mar e morra afogada, mas na queda “B”
bate com a cabeça e já cai no mar morto; o
Conceito: é a falsa percepção da realidade (art. 20, CP). O
resultado morte é o mesmo, mas o nexo é outro,
erro de tipo essencial pode afastar o dolo e a culpa,
porque a causa não foi o afogamento, mas o
tornando, portanto, o fato atípico por ausência de conduta
traumatismo craniano). Há também o dolo geral
dolosa e culposa. Vejamos as suas espécies:
como outra espécie do erro sobre o nexo causal,
(1) Erro de tipo essencial: o erro recai sobre dados quando o agente, mediante conduta desenvolvida

CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
16
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

em dois ou mais atos, provoca o resultado uma conduta positiva, um fazer, tal como se dá no
desejado, porém com nexo diverso (agente achou homicídio (art. 121, CP), no roubo (art. 157, CP), no
que já havia matado a vítima e joga o corpo no rio, estelionato (art. 171, CP), etc.
quando efetivamente ocorre a morte). Em ambos
2) Crimes omissivos: são aqueles cometidos por meio de
os casos, responde pelo resultado provocado,
uma conduta negativa, de uma inação. Os delitos
desde que tenha sido igual ao pretendido.
omissivos se subdividem em:
2.1) Crimes omissivos próprios: a omissão está descrita
OBSERVAÇÃO: O CP trata ainda do erro provocado por no tipo penal. Exemplos: os arts. 135 e 320 do CP;
terceiro, previsto no art. 20, § 2º, CP (é o caso da enfermeira arts. 228 e 229 da Lei nº 8.069/90 (Estatuto da
que aplica em um paciente, a pedido do médico, injeção Criança e do Adolescente); e art. 4º, “c” e “d” da
contendo veneno letal, sem saber o seu conteúdo; a Lei nº 4.898/65 (Lei do Abuso de Autoridade).
enfermeira que executou a ação não agiu com dolo ou culpa,
2.2) Crimes omissivos impróprios (ou comissivos por
respondendo pelo resultado, portanto, tão-somente o
omissão): de sua parte, são crimes comissivos
médico que determinou o erro), bem como das
(como o homicídio, o furto, etc.), praticados por
descriminantes putativas, que ocorre quando o agente atua
meio de uma inatividade. Caso, por exemplo, a
supondo encontrar-se numa situação de legítima defesa, de
mãe se recuse a alimentar o recém-nascido,
estado de necessidade, de estrito cumprimento de dever
fazendo com que este, por sua negligência, morra
legal ou de exercício regular de direito (é o caso daquele que,
de inação, deverá responder pelo resultado, isto é,
ao encontrar seu desafeto, e notando que tal pessoa coloca
por homicídio culposo. Se, em vez da culpa, tiver
a mão no bolso, saca de seu revólver e o mata, vindo a
desejado a morte da criança ou aceitado o risco
descobrir, depois, que a vítima tinha colocado a mão no
de ela ocorrer, será responsabilizada por
bolso para pegar um lenço) e responde nos termos do art.
homicídio doloso. É preciso destacar que, nos
20, § 1º, CP.
crimes omissivos impróprios, a punição do agente
Por fim, vejamos abaixo os dispositivos legais que tratam do que nada fez e, com isto, permitiu que o crime se
erro na execução e do resultado diverso do pretendido. consumasse, depende da existência prévia de um
dever jurídico de agir para evitar um resultado. As
hipóteses em que há, nos termos da lei penal,
 Erro na execução dever de agir para evitar resultados encontram-se
estabelecidas no art. 13, § 2º, do CP.
Art. 73 - Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de
execução, o agente, ao invés de atingir a pessoa que
pretendia ofender, atinge pessoa diversa, responde como se
OBSERVAÇÃO: registre-se que há crimes de conduta mista.
tivesse praticado o crime contra aquela, atendendo-se ao
Neste caso, o tipo penal se perfaz com duas condutas, uma
disposto no § 3º do art. 20 deste Código. No caso de ser
ação seguida de uma omissão, como, por exemplo, no delito
também atingida a pessoa que o agente pretendia ofender,
do art. 169, parágrafo único, II, CP.
aplica-se a regra do art. 70 deste Código. (Redação dada
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
B) RESULTADO
 Resultado diverso do pretendido Conceito: é a consequência provocada pela conduta do
agente.
Art. 74 - Fora dos casos do artigo anterior, quando, por
acidente ou erro na execução do crime, sobrevém resultado
diverso do pretendido, o agente responde por culpa, se o
Espécies de resultado:
fato é previsto como crime culposo; se ocorre também o
resultado pretendido, aplica-se a regra do art. 70 deste (1) Resultado jurídico ou normativo: é a lesão ou
Código. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) exposição a perigo de lesão do bem jurídico protegido
pela norma penal. Sob o aspecto jurídico, todo crime
tem resultado.
A.5) CONDUTA COMISSIVA (AÇÃO) E OMISSIVA:
(2) Resultado naturalístico: mudança física no mundo
Considerações gerais: a conduta, além de dolosa ou culposa, exterior. Sob o aspecto naturalístico, nem todo crime
pode representar um fazer (ação) ou um não fazer (omissão). tem resultado. Assim, vejamos uma classificação dos
A ação e a omissão são os meios pelos quais a conduta se crimes quanto ao resultado naturalístico:
exterioriza, se apresenta ao mundo. De acordo com a forma
a) Crime material: o tipo penal descreve conduta e
pela qual é praticada a conduta criminosa temos:
resultado, exigindo este para sua consumação.
1) Crimes comissivos: são aqueles praticados mediante Exemplo: homicídio (art. 121, CP).

CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
17
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

b) Crime formal: o tipo penal descreve conduta e filhos; do salva-vidas em relação aos banhistas; do
resultado, mas não exige o evento para sua médico em relação ao ferido.
consumação. Exemplo: concussão (art. 316, caput,
2) De outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir
CP), onde não é necessária a obtenção da
o resultado. Neste caso, a posição de garantidor não
vantagem para a consumação do crime.
decorre da lei, mas de qualquer outra forma. Exemplo
c) Crime de mera conduta: o tipo penal descreve clássico é o dever de cuidado assumido por meio do
apenas a conduta, bastando esta para o crime se contrato. Exemplo: a babá em relação à criança aos
consumar. Exemplos: desobediência (art.338, CP) seus cuidados; o guia em relação às pessoas a serem
e reingresso de estrangeiro expulso (art. 338, CP). guiadas; o instrutor em relação aos escoteiros.
3) Com seu comportamento anterior, criou o risco da
ocorrência do resultado. No último caso, o legislador
C) NEXO CAUSAL (OU RELAÇÃO DE CAUSALIDADE)
impõe o dever de impedir o resultado, àquele que, por
Teoria da equivalência dos antecedentes causais meio de conduta anterior, criou o risco do resultado.
Exemplo: aquele que acende a fogueira deve agir no
O nexo de causalidade é o vínculo estabelecido entre a
sentido de impedir que do incêndio causado decorra
conduta (causa) e o resultado (efeito). Assim, será causa a
dano.
conduta que levou ao resultado (temos uma relação de
causa e efeito).Exemplo: o envenenamento (causa) levou à
morte (resultado) de Antônio.
Concausas: no estudo da relação de causalidade, podemos
O Código Penal adotou a teoria da equivalência dos nos deparar com concorrência de causas (concausas) na
antecedentes causais ou da “conditio sine qua non”. produção do mesmo resultado. As concausas podem ser
Segundo tal teoria, considera-se causa a ação ou omissão preexistente, concomitante ou superveniente, relativamente
sem a qual o resultado não teria ocorrido. Isso quer dizer ou absolutamente independente à conduta do agente.
que todos os fatos que antecedem o resultado se equivalem,
O resultado não pode ser atribuído ao agente quando a
desde que indispensáveis para sua ocorrência. Verifica-se se
causa do evento é absolutamente independente da conduta
o fato antecedente é causa do resultado a partir de uma
do agente, não importando se preexistente (“A” esfaqueia
eliminação hipotética (chamado processo hipotético de
“B” que antes já havia sido envenenado, morrendo em razão
eliminação). Vejamos o exemplo de Damásio E. de Jesus:
do envenenamento), concomitante (uma pessoa está
“A causou a morte de B e, para isso, alguns antecedentes envenenando a vítima, quando entram bandidos no local e
aconteceram: produção do revólver pela indústria, aquisição matam a vítima com disparos de arma de fogo) ou
da arma pelo comerciante, compra do revólver pelo agente, superveniente (após o envenenamento, cai um lustre na
refeição tomada pelo homicida, emboscada, disparos dos cabeça da vítima, que morre por traumatismo craniano).
projéteis na vítima, resultado morte”.
Se relativamente independente, só exclui a imputação
Dentro dessa cadeia, excluindo-se a refeição, o evento ainda quando, superveniente, por si só produziu o resultado,
assim teria ocorrido. Portanto, a refeição tomada pelo saindo da linha de desdobramento causal normal da
sujeito não é considerada como sendo causa do resultado. É conduta (ambulância transportando vítima de facadas
claro que para que um acontecimento ingresse na relação acidenta-se, matando o paciente). Rompe-se o nexo causal e
de causalidade, não basta a mera dependência física, exige- o agente não responde pelo resultado, mas somente pelos
se a presença do dolo ou da culpa por parte do agente em atos até então praticados.
relação ao resultado (se não fosse assim, até os pais do
Tem-se entendido como causas supervenientes
criminoso seriam culpados, já que o colocaram no mundo!).
relativamente independentes que não produzem por si só o
Relevância causal da omissão resultado o erro médico e a infecção hospitalar no paciente
ferido com disparo de arma de fogo. Nessas hipóteses,
O artigo 13, § 2º do CP trata da questão do nexo de
estando o erro médico e a infecção hospitalar na mesma
causalidade nos denominados crimes omissivos impróprios,
linha de desdobramento causal normal da conduta, o agente
também chamados de comissivos por omissão. Nessa
responde pelo resultado.
modalidade de delito, a simples omissão seria atípica, mas,
como o agente tinha um dever de evitar o resultado e não o Assim, vejamos:
fez, responde pelo resultado delituoso que deveria ter
1. Causa:
evitado. Segundo o dispositivo legal, a omissão é
penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir 1.1. Absolutamente independente (devem ser
para evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem: imputados ao agente somente os atos praticados,
e não o resultado naturalístico, seja a causa
1) Tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou
preexistente, concomitante ou superveniente).
vigilância. Neste caso, o dever de agir é imposto pela
lei. É o caso, por exemplo, da mãe em relação a seus 1.2. Relativamente independente:

CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
18
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

1.2.1.Preexistente (responde pelo resultado


naturalístico).
Elementos objetivos e subjetivos nas causas de exclusão da
1.2.2.Concomitante (responde pelo resultado ilicitude: os de ordem subjetiva são aqueles expressos, ou
naturalístico). implícitos, mas sempre determinados pela lei penal, ao
passo que no requisito de ordem subjetiva o agente deve
1.2.3.Superveniente (desde que produza por si só
saber que atua amparado por uma causa que exclua a
o resultado, o agente só responde pelos atos
ilicitude de sua conduta (além do caráter objetivo da
até então praticados, conforme artigo 13, §
legítima defesa, por exemplo, é necessário que exista, em
1º do CP).
quem reage, a vontade de defender-se).

D) TIPICIDADE
Causa supralegal de exclusão da ilicitude: consentimento do
Conceito: “é a operação pela qual se analisa se o fato ofendido. Cabível para bens juridicamente disponíveis,
praticado pelo agente encontra correspondência em uma tendo que ser expresso, livre (concedido sem coação ou
conduta prevista em lei como crime ou contravenção penal. ameaça), manifestado previamente à consumação da
A conduta de matar alguém tem amparo no art. 121 do infração penal e o ofendido deve ser plenamente capaz para
Código Penal. Há, portanto, tipicidade entre a conduta e a lei consentir.
penal” (Cleber Masson).
Atualmente podemos falar em tipicidade formal quando a
Causas legais de exclusão da ilicitude:
conduta formalmente se encaixa no tipo penal (agente entra
no supermercado e subtrai garrafas de uísque; a conduta se (A) Estado de necessidade:
encaixa perfeitamente no tipo penal do art. 155, CP) e de
- Previsão legal: art. 24, CP
tipicidade material quando a conduta gera uma lesão
relevante ao tipo penal (no caso do agente que subtrai - Conceito: situação de perigo caracterizada pela colisão
chiclete no supermercado, não houve lesão significativa ao entre bens jurídicos pertencentes a pessoas diversas que
tipo penal e, portanto, não há tipicidade material, mas há se soluciona com a autorização conferida pelo
tipicidade formal). O princípio da insignificância é causa ordenamento jurídico para o sacrifício de um deles para
excludente da tipicidade material. a preservação do outro.

OBSERVAÇÃO: A jurisprudência consagrou os seguintes - Requisitos:


requisitos para a aplicação do princípio da insignificância:
1. Perigo atual;
mínima ofensividade da conduta do agente, nenhuma
periculosidade da ação, reduzido grau de reprovabilidade do 2. Perigo não provocado voluntariamente pelo agente;
comportamento, inexpressiva lesão jurídica.
3. Ameaça a direito próprio ou alheio;
4. Ausência de dever legal de enfrentar o perigo (art. 24,
II) ILICITUDE § 1º);
Conceito de ilicitude: “é a contradição entre uma conduta e 5. Inevitabilidade do perigo por outro modo
o ordenamento jurídico” (Julio Fabbrini Mirabete). Boa parte
6. Razoabilidade.
da doutrina equipara ilicitude e antijuridicidade.
Excludentes da ilicitude: presente uma excludente de
ilicitude, estará excluída a infração penal. Crime e infração - Estado de necessidade justificante (excludente de
penal deixam de existir, pois o fato típico não é contrário ao ilicitude) e estado de necessidade exculpante
Direito (art. 23, CP). As causas de exclusão da ilicitude são (excludente de culpabilidade): temos abaixo duas teorias
também denominadas de causas de justificação, para explicar tais conceitos.
justificativas, descriminantes e tipos penais permissivos.
1. Teoria diferenciadora: traça uma distinção entre
estado de necessidade justificante (que afasta a
ilicitude) e estado de necessidade exculpante (que
Previsão legal: causas genéricas estão previstas no art. 23 do
elimina a culpabilidade). Assim, para essa teoria, há
CP e as específicas ou especiais estão previstas pela parte
estado de necessidade justificante quando o bem
especial, com aplicação em alguns crimes (art. 128, aborto /
protegido possui valor superior (vida, por exemplo) ao
art. 142, injúria e difamação / art. 146, § 3º, I,
bem sacrificado (patrimônio, por exemplo) e ocorre
constrangimento ilegal) e também na legislação penal
estado de necessidade exculpante quando o bem
especial (lei nº 9.605/98, art. 37, crimes ambientais).
protegido possui valor igual ou inferior ao bem

CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
19
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

sacrificado. 2. Possibilidade de legítima defesa sucessiva: alguém


reage contra o excesso de legítima defesa.
2. Teoria unitária: o estado de necessidade é sempre
causa excludente da ilicitude (sempre justificante), 3. Legítima defesa e aberratio ictus: “A” se defende de
desde que o bem protegido seja de valor superior ou tiros de “B”, revidando disparos de arma de fogo e
igual ou bem sacrificado (exige, assim, razoabilidade na acerta “C”, que nada tinha a ver com o incidente ou,
conduta do agente). Quando o bem protegido possui ainda, nesse mesmo exemplo, acerta “B” e “C”. Incide a
valor inferior ao bem sacrificado, haverá, segundo a justificativa (art. 73 estabelece que responda como se
legislação, causa de diminuição de pena. Foi a adotada tivesse praticado o crime contra a pessoa visada).
pelo CP no art. 24, caput: “... cujo sacrifício, nas
4. Possibilidade de existência simultânea de estado de
circunstâncias, não era razoável exigir-se” e § 2º do art.
necessidade e de legítima defesa: “A”, para defender-se
24 (autoriza a diminuição da pena, de um a dois terços).
de “B”, que injustamente desejava matá-lo, subtrai uma
arma de fogo pertencente a “C” (estado de
necessidade), utilizando-se para matar o seu agressor
- Observações finais:
(legítima defesa).
1. Estado de necessidade recíproco: é possível que duas
5. Legítima defesa subjetiva, ou excessiva (ou excesso
ou mais pessoas estejam, simultaneamente, em estado
acidental), é aquela em que o indivíduo, por erro
de necessidade, umas contra as outras (ex., tábua de
escusável, excede os limites da legítima defesa.
salvação).
6. Não é possível a legítima defesa real recíproca (legítima
2. Comunicabilidade do estado de necessidade aos
defesa real contra legítima defesa real), nem a legítima
coautores e partícipes: o estado de necessidade
defesa real contra outra excludente real.
justificante exclui a ilicitude do fato típico, afastando,
consequentemente, a infração penal. Logo,
desaparecendo o crime ou a contravenção penal em
OBSERVAÇÃO: É importante destacar algumas diferenças
relação a algum dos envolvidos, o estado de
entre a legítima defesa e o estado de necessidade, quais
necessidade se comunica a todos os coautores e
sejam:
partícipes da infração penal, pois no tocante a eles o
fato também será lícito. 1. Interesse em jogo: no estado de necessidade existem
dois interesses legítimos. Um deles será sacrificado
3. Em regra, não se aplica em crimes permanentes e
para que se preserve o outro. Na legítima defesa há um
habituais.
interesse legítimo e outro ilegítimo, pois um dos
4. Há estado de necessidade defensivo quando o ato requisitos é que uma das agressões seja injusta.
necessário se dirige contra bem jurídico pertencente
2. Modo de realização: no estado de necessidade a defesa
àquele que provocou o perigo (não indeniza), ao passo
do interesse se faz por meio de uma ação que visa
que o estado de necessidade agressivo se verifica
afastar o estado de perigo. Já na legítima defesa, a
quando o ato necessário se dirige contra bem jurídico
conduta se realiza por meio de uma reação que visa
pertencente a terceiro inocente (dever de indenizar e
paralisar uma agressão injusta.
direito de regresso).
3. Origem dos institutos: a legítima defesa só surge de
(B) Legítima defesa:
uma agressão humana, enquanto que o estado de
- Previsão legal: art. 25, CP. necessidade pode surgir de qualquer fator de perigo,
seja humano ou natural.
- Requisitos:
1. Agressão Injusta;
2. Atual ou iminente;
(C) Estrito cumprimento do dever legal:
3. Contra direito próprio ou alheio;
- Previsão legal: art. 23, III, primeira parte, CP.
4. Emprego dos meios necessários;
- Conceito: causa excludente da ilicitude que consiste na
5. Uso moderado de tais meios (proporcionalidade, ou
prática de um fato típico, em razão de cumprir o agente
seja, bem jurídico preservado de valor igual ou superior
uma obrigação imposta por lei, de natureza penal ou não.
ao sacrificado);
OBSERVAÇÃO: não se admite estrito cumprimento de dever
legal nos crimes culposos porque a lei não obriga ninguém,
- Observações finais: funcionário público ou não, a agir com imprudência,
negligência ou imperícia.
1. Não há legítima defesa no duelo.

CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
20
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

(D) Exercício regular do direito: Causas de inimputabilidade:


- Previsão legal: art. 23, III, parte final, CP. (1) Menoridade (art. 27, CP).
- Distinção entre estrito cumprimento de dever legal e o (2) Doença mental (art. 26, caput, CP).
exercício regular do direito: o primeiro é compulsório (o
(3) Desenvolvimento mental incompleto (arts. 26, caput,
agente está obrigado a cumprir o mandamento legal) e o
CP).
segundo facultativo (agente apenas está autorizado a
agir). (4) Desenvolvimento mental retardado (art. 26, caput, CP).
(5) Embriaguez completa proveniente de caso fortuito ou
força maior (art. 28, § 1º, CP).
OBSERVAÇÃO: ofendículos, alguns dizem que é exercício
regular do direito e outros que é legítima defesa
preordenada.
Emoção e paixão (art. 28, I, CP): não excluem a
imputabilidade.
Excesso doloso ou culposo nas causas excludentes de
ilicitude: art. 23, parágrafo único, CP.
Embriaguez (art. 28, II, CP):
III) CULPABILIDADE
(1) Acidental: derivada de caso fortuito ou força maior. A
Conceito: é um juízo de reprovação pessoal diante do fato completa exclui a imputabilidade e a incompleta
típico e ilícito que foi praticada pelo agente. diminui a pena(art. 28, § 2º, CP)
(2) Não acidental: pode ser voluntária (quer embriagar-se)
ou culposa (sem intenção de embriagar-se). Não isenta
Elementos:
de pena.
(1) Imputabilidade
(3) Preordenada: quando o agente se embriaga para
(2) Potencial Consciência da ilicitude praticar o crime. Também não isenta de pena (é
circunstância agravante, conforme o art. 61, II, “l”, CP).
(3) Exigibilidade de conduta diversa

OBSERVAÇÃO: Segundo Fernando Capez, tratando da teoria


A) IMPUTABILIDADE PENAL (arts. 26 a 28, CP)
da actio Libera in causa (usada para justificar a punição no
Critérios para a inimputabilidade (segundo Cleber Masson): caso de embriaguez não acidental e preordenada), a
“embriaguez não acidental jamais exclui a imputabilidade do
(1) Critério biológico: basta, para a inimputabilidade, a
agente, seja voluntária, culposa, completa ou incompleta.
presença de um problema mental, representado por
Isso porque ele, no momento em que ingeria a substância,
doença mental, ou então por desenvolvimento mental
era livre para decidir se devia ou não o fazer. A conduta,
incompleto ou retardado (é irrelevante tenha o sujeito,
mesmo quando praticada em estado de embriaguez
no caso concreto, se mostrado lúcido ao tempo da
completa, originou-se de um ato livre-arbítrio do sujeito,
prática da infração penal).
que optou por ingerir a substância quando tinha
(2) Critério psicológico: será inimputável ao se mostrar possibilidade de não o fazer. A ação foi livre na sua causa,
incapacitado de entender o caráter ilícito do fato ou de devendo o agente, por essa razão, ser responsabilizado”.
determinar-se de acordo com esse entendimento
(pouco importa se o agente apresenta ou não
deficiência mental).
(3) Critério biopsicológico: resulta da fusão dos anteriores, B) POTENCIAL CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE
pois, é inimputável quem, ao tempo da ação, apresenta
Exclui a potencial consciência da ilicitude e, por conseguinte,
um problema mental, e, em razão disso, não possui
a culpabilidade, o erro de proibição (erro sobre a ilicitude
capacidade para entender o caráter ilícito do fato ou de
do fato) é o erro que incide sobre o justo ou injusto, certo
determinar-se de acordo com esse entendimento.
ou errado. Não se confunde com o desconhecimento da lei.
Pode ser:
OBSERVAÇÃO: O CP adotou como regra o critério (1) Evitável (vencível, superável, inescusável) é o erro que
biopsicológico. Excepcionalmente, foi adotado o critério poderia ter sido evitado, já que o agente poderia,
biológico no tocante aos menores de 18 anos (art. 27, CP). diante das circunstâncias, ter consciência da ilicitude
do fato. Subsiste a culpabilidade, mas a pena deve ser
diminuída de um sexto a um terço, em face da menor

CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
21
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

censurabilidade da conduta. não causa nenhuma lesão corporal; erra todos os


disparos feitos e não pode prosseguir diante da
(2) Inevitável (invencível, insuperável, escusável) é o erro
chegada da polícia.
que, nas circunstancias em que o agente se encontrava,
não poderia ser evitado (art. 21, caput, CP). Portanto, (2) Tentativa vermelha ou cruenta: diferentemente da
não tinha ele condição de possuir consciência da tentativa branca, aqui, apesar de, por circunstâncias
ilicitude, mesmo que pretendesse tê-la. Nesse caso, alheias a sua vontade, não poder prosseguir, o agente
exclui-se a culpabilidade. causou lesão. Exemplo: feriu a vítima mortalmente, a
qual não faleceu em decorrência de exitosa
intervenção médica.
C) EXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA
(3) Tentativa perfeita (tentativa acabada ou crime falho): o
Excluem a exigibilidade de conduta diversa: agente exaure todo o processo executório, mas não
consegue o seu objetivo. Exemplo: é o caso daquele
Coação moral irresistível (art. 22, CP).
que dispara todos os projéteis de seu revólver na
Obediência hierárquica (art. 22, CP). vítima (exauriu todo o processo executório) mas, por
ter sido socorrida, a vítima não morreu.
(4) Tentativa imperfeita (tentativa propriamente dita ou
OBSERVAÇÃO: doutrina e jurisprudência reconhecem causa
inacabada): o agente não exaure todo o processo
supralegal de excludente da exigibilidade de conduta diversa,
executório. Este é seccionado (interrupção) diante de
denominada de inexigibilidade de conduta diversa.
circunstância alheia à vontade do agente. Exemplo: é o
caso daquele que possuindo condição de prosseguir,
pois ainda tem projéteis em condição de disparo, não
 ITER CRIMINIS
pode fazê-lo, uma vez surpreendido pela polícia.
O agente, quando pratica um ilícito penal, ultrapassa várias
fases até chegar a sua consumação. O caminho do crime
(iter criminis) inicia-se com a cogitação, oportunidade em  Aplicação da pena na tentativa: Para se estabelecer o
que o agente, internamente, passa a vislumbrar a prática do quantum da diminuição não se leva em conta outra coisa
ilícito (trabalho intelectual em que, por exemplo, estabelece que não seja a extensão percorrida do “iter criminis”. Como
o momento e modo mais adequado para a execução do causa geral de diminuição que é, permite que a pena final
crime). A cogitação não ultrapassa o intelecto do agente. A seja fixada abaixo do mínimo legal.
partir do momento em que a cogitação é exteriorizada,
ingressa-se no terreno dos atos preparatórios. Por meio de
tais atos, o agente se prepara materialmente para a prática  Crimes que não admitem tentativa:
do ilícito (exemplo: o homicida compra a arma de fogo). A
(1) Crimes unissubsistentes: são os crimes em que o “iter
cogitação e a preparação não são puníveis, salvo exceções
criminis” não é fracionável. São os que se aperfeiçoam
legais (como no crime do art. 288 e do art. 291, ambos do
em um só ato, independentemente de serem materiais,
CP). Punível é a conduta que transcende a fase preparatória,
formais ou de mera conduta. (exemplo: desacato
ingressando nos atos de execução. É a partir da fase de
verbal).
execução que a tentativa reside. Na prática, às vezes, não é
fácil distinguir ou visualizar o momento em que o agente (2) Crimes preterdolosos (ou preterintencionais): por
ultrapassa a fase preparatória e ingressa na fase executória. exemplo, não é possível falar-se em tentativa de lesão
Atos executórios são aqueles que, segundo a doutrina, têm corporal seguida de morte (artigo 129, § 3º, CP).
idoneidade (condição, aptidão) para levar à consumação.
(3) Crimes culposos: nos crimes culposos, por sua vez, o
resultado não é previsto pelo agente, apesar de
previsível. Assim, não é possível tentar-se o que não é
 Tentativa: prevista no art. 14, II, CP.
previsto.
Para que o crime seja tentado, necessários dois elementos
(4) Crimes habituais: aqui, a habitualidade é elementar do
essenciais: 1-Início da execução e 2- não consumação por
crime. Exemplo: Curandeirismo. Não há um iter
circunstâncias alheias à vontade do agente.
criminis. Se não houver habitualidade (reiteração de
conduta) não há crime e, se houver habitualidade, o
crime se consumou.
 Espécies de tentativa:
(5) Crimes omissivos puros (ou próprios): nos crimes
(1) Tentativa branca ou incruenta: diz-se tentativa branca,
omissivos puros, a conduta de abster-se (deixar de
quando o agente não consegue causar lesão ao objeto
fazer o que a lei manda) sem a necessidade de
material protegido pela norma penal. Exemplo:
qualquer resultado naturalístico, faz desses crimes,
Homicida que desfere vários disparos contra a vítima e
crimes unissubsistentes, o que, por si só, não permite a
CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
22
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

tentativa. Não há como tentar deixar de fazer. valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de
que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em
(6) Contravenções penais: por expressa disposição legal, é
proveito próprio ou alheio:
impunível a tentativa de contravenção.
Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa.
§ 1º - Aplica-se a mesma pena, se o funcionário público,
 IMPORTANTE: tendo em conta a proximidade do tema
embora não tendo a posse do dinheiro, valor ou bem, o
em relação à tentativa, vamos tratar da desistência
subtrai, ou concorre para que seja subtraído, em proveito
voluntária e do arrependimento eficaz, bem como do
próprio ou alheio, valendo-se de facilidade que lhe
arrependimento posterior e do crime impossível.
proporciona a qualidade de funcionário.

 Desistência voluntária e arrependimento eficaz: previsto


 Peculato culposo
no art. 15, CP.
§ 2º - Se o funcionário concorre culposamente para o crime
Tanto a desistência voluntária, que está prevista na primeira
de outrem:
parte do art. 15 do CP e o arrependimento eficaz,
mencionado na segunda, são conhecidos pela doutrina Pena - detenção, de três meses a um ano.
como tentativa abandonada. Diz-se tentativa abandonada,
§ 3º - No caso do parágrafo anterior, a reparação do dano,
uma vez que o agente, iniciada a execução, desiste ou se
se precede à sentença irrecorrível, extingue a punibilidade;
arrepende e, com isso, inibe a consumação do ilícito. A
se lhe é posterior, reduz de metade a pena imposta.
desistência voluntária e o arrependimento eficaz levam à
mesma consequência jurídica: à atipicidade da conduta No peculato culposo, a lei prevê a extinção da punibilidade
frente o delito inicialmente almejado pelo agente. Este (benefício maior) àquele que repara o dano até a sentença
responderá, ocorrendo qualquer um dos eventos penal irrecorrível. Assim, se a reparação do dano ocorre até
(desistência voluntária ou arrependimento eficaz), pelos o recebimento da denúncia ou queixa, portanto antes da
atos praticados e não pelo crime tentado. sentença irrecorrível, o benefício não é a diminuição da
pena, mas sim a extinção da punibilidade. Extinguindo-se a
punibilidade, o processo deverá ser arquivado e a pena não
 Arrependimento posterior: previsto no art. 16, CP. será aplicada. Logicamente, não se aplicará a regra do
arrependimento posterior (artigo 16 do CP), mas sim o
Tenha sempre presente que o arrependimento posterior não
benefício específico previsto no parágrafo 3º do artigo 312
se trata de causa de atipicidade da conduta, mas sim de
do CP. Já, entretanto, ao peculato doloso, ao qual não há
causa geral de diminuição de pena. Como tal, permite que a
que se falar em extinção da punibilidade, pois será aplicado
pena seja aplicada abaixo do mínimo legal.
o arrependimento posterior, desde que presentes os seus
São requisitos necessários para o arrependimento posterior: requisitos.
1- Crime sem violência ou grave ameaça à pessoa.
2- Restituição da coisa ou a reparação do dano:  Crime impossível: previsto no art. 17, CP (conhecido como
tentativa inidônea, tentativa inadequada ou quase-crime).
2.1- voluntária
Aqui, o legislador, diante de duas hipóteses em que o crime
2.2- antes do recebimento da denúncia ou da queixa
não se consumaria de maneira alguma, despreza o dolo do
crime.
agente, para considerar impunível a sua conduta. Do crime
impossível decorre a atipicidade da conduta, já que tanto o
meio empregado quanto o objeto não permitem a
consumação do ilícito. Assim, de acordo com a letra da lei,
Arrependimento posterior no peculato em duas hipóteses há crime impossível, quais sejam: 1-
ineficácia absoluta do meio; e 2- absoluta impropriedade do
No crime de peculato (art. 312, caput e § 1º, CP) admite-se o
objeto.
arrependimento posterior quando doloso o crime. Já na
modalidade culposa (art. 312, § 2º, CP), a lei prevê benefício
maior àquele que repara o dano ou restitui a coisa (art. 312,
OBSERVAÇÃO: Ainda sobre o crime impossível, é importante
§ 3º, CP).
destacar o teor das seguintes súmulas:
Observe a literalidade da lei acerca do crime de peculato:
 Súmula 145 do STF: Não há crime, quando a
preparação do flagrante pela polícia torna impossível a
 Peculato sua consumação.

Art. 312 - Apropriar-se o funcionário público de dinheiro,  Súmula 567 do STJ: Sistema de vigilância realizado por

CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
23
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

monitoramento eletrônico ou por existência de C) Sujeito passivo do crime é o titular do bem


segurança no interior de estabelecimento comercial, jurídico lesado ou ameaçado pela conduta
por si só, não torna impossível a configuração do crime criminosa.
de furto. D) O conceito de sujeito ativo da infração penal
abrange não só aquele que pratica a ação
principal, mas também quem colabora de alguma
3. Exercícios: forma para a prática do fato criminoso.
E) Parte da doutrina entende que, sob o aspecto
01. (CESPE-UnB/Agente de Polícia Substituto/PCRN/ 2009) formal, o Estado é sempre sujeito passivo do
Em relação à infração penal, assinale a opção correta. crime.

A) Considera-se crime a infração penal a que a lei 04. (CESPE-UNB/Delegado de Polícia/PC-MA/2018) No


comina pena de reclusão, de detenção ou prisão interior de um estabelecimento comercial, João
simples, quer isoladamente, quer alternativa ou colocou em sua mochila diversos equipamentos
cumulativamente com a pena de multa. eletrônicos, com a intenção de subtraí-los para si. Após
B) Considera-se contravenção penal a infração penal conseguir sair do estabelecimento sem pagar pelos
a que a lei comina pena máxima não superior a produtos, João foi detido, ainda nas proximidades do
dois anos de reclusão. local, por agentes de segurança que visualizaram
C) No ordenamento jurídico brasileiro, a diferença trechos de sua ação pelo sistema de câmeras de
entre crime e delito está na gravidade do fato e na vigilância. Os produtos em poder de João foram
pena cominada à infração penal. recuperados e avaliados em R$ 1.200. Nessa situação
D) A infração penal é gênero que abrange como hipotética, caracterizou-se
espécies as contravenções penais e os crimes,
sendo estes últimos também identificados como A) uma tentativa inidônea de crime de furto.
delitos. B) um fato atípico, pela incidência do princípio da
E) Os crimes apenados com reclusão se submetem insignificância.
aos regimes fechado e semi-aberto, enquanto os C) a prática de crime de furto.
apenados com detenção se submetem aos D) uma situação de crime impossível por ineficácia
regimes aberto e prisão simples. absoluta do meio.
E) uma situação de crime impossível por absoluta
02. (CESPE-UnB/Agente de Investigação e Escrivão de impropriedade do objeto.
Polícia/PCPB/2009) A respeito da infração penal no
ordenamento jurídico brasileiro, assinale a opção 05. (CESPE-UNB/Agente de Polícia Civil/PC-DF/2013) Em
correta. relação ao direito penal, julgue os próximos itens.

A) Crimes, delitos e contravenções são termos 91 O crime culposo advém de uma conduta
sinônimos. involuntária.
B) Adotou-se o critério tripartido, existindo diferença 92 A embriaguez completa pode dar causa à exclusão
entre crime, delito e contravenção. da imputabilidade penal, mas não descaracteriza
C) Adotou-se o critério bipartido, segundo o qual as a ilicitude do fato.
condutas puníveis dividem-se em crimes ou
contravenções (como sinônimos) e delitos.
D) O critério distintivo entre crime e contravenção é
dado pela natureza da pena privativa de liberdade
cominada.
E) A expressão infração penal abrange apenas
crimes e delitos. 06. (CESPE-UnB/Policial Rodoviário Federal/DPRF/2013)
Com relação aos princípios, institutos e dispositivos da
03. (CESPE-UnB/Agente de Investigação e Escrivão de parte geral do Código Penal (CP), julgue os itens
Polícia/PCPB/2009) Em relação aos sujeitos ativo e seguintes.
passivo da infração penal no ordenamento jurídico
brasileiro, assinale a opção incorreta. 64 Considere a seguinte situação hipotética. Joaquim,
plenamente capaz, desferiu diversos golpes de
A) A pessoa jurídica não pode ser sujeito ativo de facão contra Manoel, com o intuito de matá-lo,
infração penal. mas este, tendo sido socorrido e levado ao
B) Sujeito ativo do crime é aquele que pratica a hospital, sobreviveu. Nessa situação hipotética,
conduta descrita na lei. Joaquim responderá pela prática de homicídio
tentado, com pena reduzida levando-se em conta
CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
24
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

a sanção prevista para o homicídio consumado. Bruno morreu queimado em decorrência de um


67 Considere que um indivíduo penalmente capaz, incêndio que assolou o nosocômio. Nessa
em total estado de embriaguez, decorrente de situação, ocorreu uma causa relativamente
caso fortuito, atropele um pedestre, causando-lhe independente, de forma que Alberto deve
a morte. Nessa situação, a embriaguez não excluía responder somente pelos atos praticados antes
imputabilidade penal do agente. do desastre ocorrido, ou seja, lesão corporal.
68 O ordenamento jurídico brasileiro prevê a 28 A tentativa incruenta não é punível, pois
possibilidade de ocorrência de tipicidade sem considera-se que o agente não iniciou a fase
antijuridicidade, assim como de antijuridicidade executória do iter criminis.
sem culpabilidade.
11. (CESPE-UNB/Escrivão de Polícia/PC-MA/2018) A
07. (CESPE-UNB/Analista Judiciário/Área Judiciária/STF/ imputabilidade é definida como
2013) Acerca dos princípios gerais que norteiam o A) a capacidade mental, inerente ao ser humano, de,
direito penal, das teorias do crime e dos institutos da ao tempo da ação ou da omissão, entender o
Parte Geral do Código Penal brasileiro, julgue os itens a caráter ilícito do fato e de determinar-se de
seguir. acordo com esse entendimento.
B) a contrariedade entre o fato típico praticado por
76 A teoria finalista adota o conceito clássico de ação, alguém e o ordenamento jurídico, capaz de
entendida como mero impulso mecânico, lesionar ou expor a perigo de lesão bens jurídicos
dissociado de qualquer conteúdo da vontade. penalmente protegidos.
77 Considerando o disposto no Código Penal brasileiro, C) a reprovabilidade ou o juízo de censura que incide
quanto à matéria do erro, é correto afirmar que, em sobre a formação e a exteriorização da vontade
regra, o erro de proibição recai sobre a consciência do responsável pela conduta criminosa.
da ilicitude do fato, ao passo que o erro de tipo D) a obediência às formas e aos procedimentos
incide sobre os elementos constitutivos do tipo exigidos na criação da lei penal e, principalmente,
legal do crime. na elaboração de seu conteúdo normativo.
E) a necessidade de que a conduta reprovável se
08. (CESPE-UNB/Analista Judiciário/Administrativa/TRE- encaixe no modelo descrito na lei penal vigente
BA/2010) Com relação ao crime e aos seus elementos, no momento da ação ou da omissão.
julgue os próximos itens.
12. (CESPE-UnB/Promotor de Justiça Substituto/MPRN/
106 A imputabilidade penal é um dos elementos que 2009) Em uma festividade natalina que ocorria em
constituem a culpabilidade e não integra a determinado restaurante, o garçom, ao estourar um
tipicidade. champanhe, afastou-se do dever de cuidado objetivo a
107 O exaurimento de um crime pressupõe a todos imposto e lesionou levemente o olho de uma
ocorrência de sua consumação. cliente, embora não tivesse a intenção de machucá-la.
108 A coação física irresistível afasta a tipicidade, Levada ao hospital para tratar a lesão, a moça sofreu
excluindo o crime. um acidente automobilístico no trajeto, vindo a falecer
em consequência exclusiva dos ferimentos provocados
09. (CESPE-UnB/Analista Judiciário/Judiciária/TRE-BA/ pelo infortúnio de trânsito. Com referência a essa
2010) Acerca do iter criminis e do crime, julgue os itens situação hipotética e ao instituto do nexo causal no
seguintes. ordenamento jurídico brasileiro, assinale a opção
correta.
96 Os atos de cogitação materialmente não A) O garçom deverá responder pelo delito de
concretizados são impuníveis em quaisquer homicídio culposo.
hipóteses. B) O garçom poderá responder apenas pelo delito de
97 No crime impossível, jamais ocorre consumação, lesão corporal culposa.
enquanto no crime putativo tanto pode ocorrer C) O garçom não deverá responder por nenhum
seu exaurimento quanto sua consumação. delito.
D) Em regra, o CP adotou a teoria da causalidade
10. (CESPE-UnB/Defensor Público-Nível I-Substituto/DPE- adequada para identificar o nexo causal entre a
ES/2009) Com relação a direito penal, julgue os conduta e o resultado.
seguintes itens. E) Segundo a teoria da imputação objetiva, o garçom,
26 Considere a seguinte situação hipotética. Alberto, por ter criado um risco absolutamente proibido
pretendendo matar Bruno, desferiu contra este pela sociedade, deveria responder pelo delito de
um disparo de arma de fogo, atingindo-o em homicídio doloso.
região letal. Bruno foi imediatamente socorrido e
levado ao hospital. No segundo dia de internação, 13. (CESPE-UnB/Juiz de Direito Substituto/TJAC/2007)
CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
25
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

Roberto, com intenção de matar Marcelo, acelerou seu chefe da equipe médica determinado o imediato
veículo automotor em direção à vítima, que, em encaminhamento do paciente para se submeter a
consequência, sofreu traumatismo craniencefálico. procedimento cirúrgico, pois o risco de morte era
Internado em hospital particular, Marcelo, no decurso iminente. Luiz, irmão de Célio, expressamente
do tratamento, veio a falecer em virtude de uma desautorizou a intervenção cirúrgica, uma vez que
broncopneumonia que contraiu nesse período. Com seria necessária a realização de transfusão de
referência a essa situação hipotética, assinale a opção sangue, fato que ia de encontro ao credo religioso
que apresenta, respectivamente, a natureza da causa dos irmãos. Nessa situação, o consentimento de
superveniente da morte de Marcelo e o tipo de Luiz com relação à intervenção cirúrgica seria
homicídio doloso pelo qual Roberto deverá responder. irrelevante, pois os profissionais médicos estariam
A) relativamente independente – consumado. agindo no exercício regular de direito.
B) relativamente independente – tentado.
C) absolutamente independente – consumado. 16. (CESPE-UNB/Escrivão de Polícia/PC-MA/2018) Pune-
D) absolutamente independente – tentado. se a tentativa no crime de

14. (CESPE-UnB/Defensor Público de 1ª Classe/DPE- A) omissão de socorro.


AL/2009) Julgue os itens seguintes, acerca do fato B) injúria cometida verbalmente.
típico e de seus elementos. C) induzimento a suicídio sem resultado lesivo.
D) lesão corporal leve dolosa.
84 A teoria naturalística rege os crimes omissivos E) homicídio culposo.
impróprios no CP brasileiro.
85 Todo crime tem resultado jurídico, porque sempre 17. (CESPE-UnB/Procurador do Banco Central/BACEN/
agride um bem tutelado pela norma. 2009) A respeito de crimes culposo e impossível, da
87 Segundo a teoria da tipicidade conglobante, o obediência hierárquica, do erro de proibição e do
ordenamento jurídico deve ser considerado como arrependimento posterior, assinale a opção correta.
um bloco monolítico, de forma que, quando
algum ramo do direito permitir a prática de uma A) Caso um renomado e habilidoso médico,
conduta formalmente típica, o fato será especializado em cirurgias abdominais, ao realizar
considerado atípico. uma intervenção, esqueça uma pinça no abdome
88 Considere a seguinte situação hipotética. Antônio, do paciente, nesse caso, tal conduta representará
com intenção homicida, envenenou Bruno, seu culpa por imperícia, pois é relativa ao exercício da
desafeto. Minutos após o envenenamento, profissão.
Antônio jogou o que supunha ser o cadáver de B) Se, em um supermercado dotado de sistema
Bruno em um lago. No entanto, a vítima ainda se eletrônico de vigilância, um cliente colocar
encontrava viva, ao contrário do que imaginava diversos objetos do estabelecimento dentro de
Antônio, e veio a falecer por afogamento. Nessa sua bolsa, com intenção de subtraí-los para si, a
situação, Antônio agiu com dolo de segundo grau, simples presença do sistema eletrônico de
devendo responder por homicídio doloso vigilância no supermercado tornará o crime
qualificado pelo emprego de veneno. impossível.
89 Quanto à punição do delito na modalidade C) Caso o fato seja cometido em estrita obediência a
tentada, o CP adotou a teoria subjetiva. ordem, não manifestamente ilegal, de superior
90 São elementos do fato típico culposo: conduta, hierárquico, não serão puníveis o agente que
resultado involuntário, nexo causal, tipicidade, obedeceu nem o autor da coação ou da ordem.
ausência de previsão, quebra do dever de cuidado D) O desconhecimento da lei é inescusável. Desse
objetivo por meio da imprudência, negligência ou modo, o erro sobre a ilicitude do fato, evitável ou
imperícia e previsibilidade subjetiva. inevitável, não elidirá a pena, podendo apenas
15. (CESPE-UnB/Defensor Público de 1ª Classe/DPE- atenuá-la.
AL/2009) Em relação às causas excludentes de ilicitude, E) Em crimes cometidos sem violência ou grave
julgue os itens a seguir. ameaça a pessoa, a pena será reduzida de um a
dois terços se, por ato voluntário do agente, for
91 Quanto ao estado de necessidade, o CP brasileiro reparado o dano ou restituída a coisa até o
adotou a teoria da diferenciação, que só admite a recebimento da denúncia ou da queixa.
incidência da referida excludente de ilicitude
quando o bem sacrificado for de menor valor que 18. (CESPE-UnB/Papiloscopista Policial Federal/MJ-
o protegido. DPF/2004) Acerca do direito penal brasileiro, julgue os
92 Considere a seguinte situação hipotética. Célio seguintes itens.
chegou inconsciente e gravemente ferido à
emergência de um hospital particular, tendo o 119 As causas de exclusão de ilicitude são normas
CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
26
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

penais permissivas, isto é, permitem a prática de


um fato típico, excluindo-lhe a antijuridicidade. A) Considerando que A, para defender-se de injusta
120 A pessoa jurídica pode ser sujeito ativo do crime agressão armada de B, desfira tiros em relação ao
de homicídio, de acordo com a teoria da ficção agressor, mas, por erro, atinja letalmente C,
legal. terceiro inocente, nessa situação, a legítima
121 O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal defesa desnaturar-se-á, devendo A responder
de crime exclui o dolo e a culpa, ainda que haja pelo delito de homicídio culposo pela morte de C.
previsão legal quanto ao tipo culposo. B) No ordenamento jurídico brasileiro, não se admite
122 De acordo com a teoria bipartida, o crime é o fato a hipótese de legítima defesa da honra, uma vez
típico e antijurídico, sendo a culpabilidade que o princípio da dignidade da pessoa humana
pressuposto de aplicação da pena. sobrepõe-se ao sentimento de vingança por parte
do agressor.
19. (CESPE-UnB/Delegado de Polícia Substituto/PCRN/ C) Para que haja estrito cumprimento do dever legal,
2009) Assinale a opção correta no que concerne às a obrigação deve decorrer diretamente de lei
descriminantes. stricto sensu, não se reconhecendo essa
excludente de ilicitude quando a obrigação estiver
A) O agente que, em legítima defesa, disparar contra prevista em decreto, regulamento ou qualquer
seu agressor, mas, por erro, alvejar um terceiro ato administrativo infralegal.
inocente, não responderá por qualquer D) A coação física, quando elimina totalmente a
consequência penal ou civil. vontade do agente, exclui a conduta; na hipótese
B) A atuação em estado de necessidade só é possível de coação moral irresistível, há fato típico e ilícito,
se ocorrer na defesa de direito próprio, não se mas a culpabilidade do agente é excluída; a
admitindo tamanha excludente se a atuação coação moral resistível atua como circunstância
destinar-se a proteger direito alheio. atenuante genérica.
C) Na legítima defesa, toda vez que o agente se E) Verifica-se a situação de obediência hierárquica
utilizar de um meio desnecessário, este será tanto nas relações de direito público quanto nas
também imoderado. de direito privado, uma vez que, nas duas
D) Não é possível a legítima defesa contra estado de hipóteses, é possível se identificar o nexo entre o
necessidade. subordinado e o seu superior.
E) Não é possível legítima defesa real contra quem
está em legítima defesa putativa. 22. (CESPE-UnB/Juiz de Direito Substituto/TJPI/2007) A
respeito da imputabilidade, julgue os itens abaixo.
20. (CESPE-UnB/Delegado de Polícia/PCPB/2009) A
respeito de tipicidade, ilicitude e culpabilidade, I. O Código Penal adotou o critério biológico para
assinale a opção correta. aferição da imputabilidade do agente.
II. A emoção e a paixão, de acordo com o Código
A) A participação, no concurso de pessoas, é Penal, não servem para excluir a imputabilidade
considerada hipótese de tipicidade mediata ou penal nem para aumentar ou diminuir a pena
indireta. aplicada.
B) Elemento subjetivo especial é aquele que III. A embriaguez preordenada não exclui a
depende de uma interpretação jurídica, como culpabilidade do agente, mas pode reduzir a sua
ocorria em relação ao conceito de mulher honesta, pena de um a dois terços.
atualmente não mais previsto na legislação penal. IV. A embriaguez involuntária incompleta do agente
C) No caso de legítima defesa de direito de terceiro, não é causa de exclusão da culpabilidade nem de
é necessária a prévia autorização deste para que a redução de pena.
conduta do agente não seja ilícita.
D) O Código Penal (CP) adota a teoria psicológico- A quantidade de itens certos é igual a
normativa da culpabilidade, para a qual a
culpabilidade não é requisito do crime, mas, sim, A) 0.
pressuposto de aplicação da pena. B) 1.
E) Se o bem jurídico tutelado pela norma penal for C) 2.
disponível, independentemente da capacidade da D) 3.
vítima, o consentimento do ofendido constitui E) 4.
causa supralegal de exclusão da ilicitude.
23. (CESPE-UnB/Analista Judiciário/Judiciária/TSE/2007)
21. (CESPE-UnB/Promotor de Justiça Substituto/MPE- Em relação aos pressupostos teóricos da figura da
RN/2009) Quanto às excludentes de ilicitude e de desistência voluntária, assinale a opção correta.
culpabilidade, assinale a opção correta.
CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
27
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

A) Para que se possa falar em desistência voluntária, estrito cumprimento do dever legal e o exercício
é preciso que o agente já tenha ingressado na regular de direito são excludentes da
fase dos atos de execução do delito, pois, caso o culpabilidade do agente que pratica delito.
agente se encontre praticando atos preparatórios, 87 Considere que Fábio, antes de passar pela porta
sua conduta será considerada um indiferente giratória de segurança, tenha deixado seu
penal. aparelho celular na caixa de vidro ao lado dessa
B) A desistência voluntária, para configurar-se, porta, para entrar em uma agência bancária.
necessita que o ato criminoso não ocorra em Quando foi recolher o seu pertence, por engano,
circunstâncias que dependam diretamente da apoderou-se de um aparelho idêntico ao seu, mas
vontade do autor do delito. que pertencia a outro cliente. Nessa situação,
C) A concretização da desistência exige tanto a trata-se de erro de tipo essencial inescusável,
voluntariedade da conduta do agente quanto a devendo Fábio responder pelo delito de furto
espontaneidade do ato. culposo.
D) Segundo a fórmula de Frank, quando, na análise 88 A pena poderá ser reduzida de um a dois terços,
do fato, se verificar que o agente pode prosseguir se o agente, em virtude de perturbação da saúde
mas não quer, o caso é de crime tentado e mental, não era, no momento do delito,
quando o agente quer prosseguir, mas não pode, inteiramente capaz de entender o caráter ilícito
o caso é de desistência voluntária. do fato ou de determinar-se de acordo com esse
entendimento.
24. (CESPE-UnB/Estagiário de Direito da Defensoria
Pública do Estado de São Paulo/DPE-SP/2009) O 27. (CESPE-UnB/Policial Rodoviário Federal/DPRF/2004)
arrependimento posterior No que é pertinente ao erro de tipo e ao erro de
proibição, julgue o item abaixo.
A) aplica-se ao crime de roubo tentado.
B) tem natureza jurídica de causa obrigatória de 166 Considere a seguinte situação hipotética. Um
diminuição da pena, constituindo um direito agente, por equívoco, pegou um relógio de ouro
subjetivo público do agente do crime. que estava sobre o balcão de uma joalheria,
C) pode não ser reconhecido pelo juiz, caso o agente pensando que era o seu, quando, na realidade,
do crime seja reincidente. pertencia a outro comprador. Nessa situação, o
D) é aplicado na segunda fase do sistema trifásico de agente responderá pelo crime de furto culposo.
cálculo da pena, como circunstância atenuante.
28. (CESPE-UNB/Escrivão de Polícia/PC-MA/2018)
25. (CESPE-UnB/Juiz de Direito Substituto/TJTO/2007) Determinado policial, ao cumprir um mandado de
Quanto ao crime impossível, assinale a opção correta. prisão, teve de usar a força física para conter o acusado.
Após a concretização do ato, o policial continuou a ser
A) A presença de sistema eletrônico de vigilância em fisicamente agressivo, mesmo não havendo a
estabelecimento comercial torna o crime de furto necessidade. Nessa situação hipotética, o policial
impossível, mediante a absoluta ineficácia do
meio, conforme orientação do STJ. A) excedeu o estrito cumprimento do dever legal.
B) A gravação de conversa realizada por um dos B) abusou do exercício regular de direito.
interlocutores e posterior prisão em flagrante C) prevaleceu-se de condição excludente de ilicitude.
configura hipótese do chamado flagrante D) agiu sob o estado de necessidade.
esperado, de forma que o crime confessado na E) manifestou conduta típica de legítima defesa.
conversa gravada é tido por impossível.
C) Considere que Roberto exiba a agente de polícia
carteira de habilitação falsificada, sendo que este,
imediatamente e a olho nu, constata a falsidade. 29. (CESPE-UNB/Investigador de Polícia/PC-MA/2018)
Nessa situação, a conduta de Roberto configura Durante o cumprimento de um mandado de prisão a
crime impossível. determinado indivíduo, este atirou em um investigador
D) Se a ineficácia do meio utilizado para a prática do policial, o qual, revidando, atingiu fatalmente o
crime for relativa, a pena do agente deverá ser agressor. Nessa situação hipotética, a conduta do
diminuída de um sexto a dois terços. investigador configura

26. (CESPE-UnB/Curso de Admissão para Soldado/ A) legítima defesa própria.


PMDF/2009) A respeito dos institutos de direito penal, B) exercício regular de direito.
julgue os itens de 86 a 90. C) estrito cumprimento do dever legal.
D) homicídio doloso.
86 O estado de necessidade, a legítima defesa, o E) homicídio culposo.
CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
28
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

30. (CESPE-UNB/Investigador de Polícia/PC-MA/2018) A 78 Suponha que Antônio, imputável, dono de


prática de crime em decorrência de coação moral mercearia, com a inequívoca intenção de matar
irresistível configura Juarez, tenha induzido a erro Carla, imputável e
empregada doméstica de Juarez, vendendo a ela
A) inexigibilidade de conduta diversa. arsênico em vez de açúcar, que ela ministrou na
B) excludente de antijuridicidade. alimentação de Juarez, provocando a morte deste.
C) inimputabilidade penal. Nessa situação, Antônio deve ser responsável pelo
D) circunstância atenuante de pena. crime como autor mediato, e a empregada
E) atipicidade da conduta. doméstica, Carla, deve ter excluída a ilicitude de
sua conduta, incorrendo em erro de tipo essencial.
31. (CESPE-UnB/Defensor Público de 1ª Classe/DPE- 79 Suponha que um indivíduo penalmente capaz, em
AL/2009) Quanto à culpabilidade e à imputabilidade estado de embriaguez completa, tenha praticado
penal, julgue os próximos itens. determinado crime, sendo, por consequência,
processado criminalmente por sua conduta.
93 Para a teoria limitada da culpabilidade, adotada Nessa situação, esse indivíduo deve ser absolvido,
pelo CP brasileiro, toda espécie de descriminante pois a embriaguez completa no momento do
putativa, seja sobre os limites autorizadores da delito, por si só, é suficiente para excluir a
norma, seja incidente sobre situação fática culpabilidade do agente.
pressuposto de uma causa de justificação, é 81 O incapaz, a exemplo do recém-nascido, pode ser
sempre considerada erro de proibição. sujeito passivo de crimes, porque é titular de
94 Considere a seguinte situação hipotética. Em uma direitos e interesses jurídicos que o delito pode
festividade de calouros de determinada faculdade, lesar ou expor a perigo.
João foi obrigado por vários veteranos, mediante 83 A tipicidade, elemento do fato típico, é a
coação física, a ingerir grande quantidade de correspondência entre o fato praticado pelo
bebida alcoólica, ficando completamente agente e a descrição de cada espécie de infração
embriagado, uma vez que não tinha costume de contida na lei penal incriminadora, de modo que,
tomar bebida com álcool. Nesse estado, João sem tipicidade, não há antijuridicidade penal, pois,
praticou lesões corporais e atentado violento ao comportadas as exclusões legais, todo fato típico
pudor contra uma colega que também estava na é antijurídico.
festa. Nessa situação, trata-se de embriaguez 84 Suponha que um holandês, maior de 18 anos de
acidental decorrente de força maior, devendo ser idade, tenha viajado para o Brasil para estudos e,
excluída a imputabilidade de João, que fica isento por falta de conhecimento da legislação brasileira,
de pena pelos delitos que praticou. tenha acendido, em praça pública, um cigarro de
maconha, acreditando ser permitido o seu
32. (CESPE-UnB/Analista de Controle Externo/TCU/2008) comportamento. Nessa situação, se flagrado pela
Em cada um dos itens a seguir, é apresentada uma polícia, o estrangeiro terá excluída a culpabilidade
situação hipotética, seguida de uma assertiva a ser de sua conduta por erro de proibição.
julgada.
34. (CESPE-UnB/Agente Penitenciário/SEJUS-ES/2007)
106 Durante um espetáculo de circo, Andrey, que é Julgue os itens a seguir, relativos a direito penal.
atirador de facas, obteve a concordância de Nádia,
que estava na plateia, em participar da sua 84 Considere que um médico legista, durante uma
apresentação. Na hipótese de Andrey, embora autópsia, venha a ferir uma pessoa viva,
prevendo que poderia lesionar Nádia, mas acreditando tratar-se de um cadáver. Nesse caso,
acreditando sinceramente que tal resultado não provando-se que o médico, nas condições em que
viesse a ocorrer, atingir Nádia com uma das facas, se viu envolvido, não agiu dolosa ou
ele terá agido com dolo eventual. culposamente, ele será considerado isento de
107 Arnaldo, lutador de boxe, agindo segundo as pena, pois supôs situação de fato que, se existisse,
regras desse esporte, matou Ailton durante uma tornaria sua ação legítima.
luta. Nesse caso, em razão da gravidade do fato, a 85 A menoridade penal constitui causa de exclusão
violência esportiva não será causa de exclusão do da imputabilidade, ficando, todavia, sujeitos às
crime. normas estabelecidas na legislação especial, os
menores de 18 anos de idade, no caso de
33. (CESPE-UnB/Agente Penitenciário e Agente de Escolta praticarem um ilícito penal.
e Vigilância Penitenciário/SEJUS-ES/2009) Acerca dos 86 Considere que uma empregada doméstica
institutos relativos à parte especial do Código Penal, perceba que um conhecido ladrão está rondando
julgue os itens de 78 a 84. a casa em que ela trabalha e que, para se vingar
CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
29
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

do patrão, ela deixe, deliberadamente, a porta da


residência aberta, facilitando a entrada do 52 Na denominada culpa imprópria, o agente supõe,
meliante e a prática do furto. Nesse caso, não por incidir em erro de tipo inescusável, estar
haverá concurso de pessoas, e a empregada diante de causa de exclusão de ilicitude que
doméstica não responderá pelo furto, pois o justificaria a prática de uma conduta típica.
ladrão desconhecia a sua colaboração. 53 Considere a seguinte situação hipotética. Ailton,
87 Suponha que Joaquim, mentalmente são, praticou, visando tirar a vida de Ernesto, agrediu-lhe com
em estado de inconsciência, um homicídio, um facão. Levado ao hospital, Ernesto recebeu
advindo da ingestão excessiva, porém voluntária, atendimento médico, mas veio a falecer, após seu
de bebida alcoólica. Nessa situação, Joaquim quadro ter-se agravado em decorrência de
deverá responder pelo homicídio e poderá ter a infecção dos ferimentos. Nessa situação, Ailton
pena reduzida de um a dois terços. responderá tão-somente pelo crime de tentativa
de homicídio, uma vez que ocorreu causa
35. (CESPE-UnB/Agente de Polícia Federal/MJ-DPF/2009) relativamente independente, que afasta a
Quanto a tipicidade, ilicitude, culpabilidade e responsabilidade desse pela morte de Ernesto.
punibilidade, julgue os itens a seguir.
39. (CESPE-UnB/Juiz do Trabalho Substituto/TRT 1ª
79 São elementos do fato típico: conduta, resultado, R/2010) Acerca dos crimes consumado e tentado,
nexo de causalidade, tipicidade e culpabilidade, assinale a opção correta.
de forma que, ausente qualquer dos elementos, a
conduta será atípica para o direito penal, mas A) A tentativa abandonada pressupõe resultado que
poderá ser valorada pelos outros ramos do direito, o agente pretendia produzir dolosamente, mas de
podendo configurar, por exemplo, ilícito que, posteriormente, desistiu ou se arrependeu,
administrativo. evitando-o; tal instituto é incompatível com os
80 Os crimes comissivos por omissão — também crimes culposos.
chamados de crimes omissivos impróprios — são B) Se um indivíduo desferir cinco tiros em direção a
aqueles para os quais o tipo penal descreve uma seu desafeto, com intenção apenas de o lesionar,
ação, mas o resultado é obtido por inação. e, no entanto, por má pontaria, nenhum projétil
81 Para que se configure a legítima defesa, faz-se atingir a vítima, ocorrerá a denominada tentativa
necessário que a agressão sofrida pelo agente cruenta.
seja antijurídica, contrária ao ordenamento C) Em relação à definição do início da execução de
jurídico, configurando, assim, um crime. uma conduta criminosa, o critério que o
ordenamento jurídico brasileiro adotou foi o
36. (CESPE-UnB/Juiz do Trabalho Substituto/TRT 5º subjetivo, cujo enfoque não é a descrição da
R/2006) O atirador de facas que, em exibição pública, conduta típica, mas o momento interno do autor.
apesar de acreditar sinceramente que o resultado D) Em relação à punição da modalidade tentada de
morte não ocorreria, erra o alvo, consistente em uma crime, a teoria que o Código Penal adotou foi a
maçã apoiada na cabeça da vítima, vindo a matá-la, subjetiva, segundo a qual a tentativa deve ser
responde por punida da mesma forma que o crime consumado,
com redução da pena.
A) homicídio culposo, na modalidade culpa E) Considere a seguinte situação hipotética. Silas,
consciente. com intenção homicida, desferiu cinco tiros de
B) homicídio doloso, na modalidade dolo direto. pistola contra Matias, que ficou gravemente
C) homicídio doloso, na modalidade dolo alternativo. ferido. Por sugestão de Laura, Silas arrependeu-se
D) homicídio doloso, na modalidade dolo eventual. e levou Matias a um hospital, sendo certo que
E) homicídio preterdoloso. essa atitude foi decisiva para salvar-lhe a vida.
37. (CESPE-UnB/Promotor de Justiça Substituto/MPE- Nessa situação, como a desistência não foi
AM/2007) Admite-se tentativa nos crimes espontânea, pois decorreu de sugestão de
terceiro, não há que se falar em desistência
A) de mera conduta. voluntária.
B) culposos puros.
C) unissubsistentes. 40. (CESPE-UnB/Analista Judiciário/Judiciária/STJ/2008)
D) habituais. Quanto a tipicidade, ilicitude, culpabilidade,
E) omissivos próprios. punibilidade e causas de exclusão de ilicitude e
culpabilidade, julgue os seguintes itens.
38. (CESPE-UnB/Defensor Público da União de 2ª
Categoria/DPU/2004) Acerca do fato típico, julgue os 72 De acordo com parte da doutrina, a evolução da
itens a seguir. teoria da culpabilidade fez que, nos dias atuais,
CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
30
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

não se exija mais a consciência da ilicitude, resultado - exclui a culpa, uma vez que é seu
contentando-se o direito com a consciência elemento.
profana do injusto, consubstanciada pelo
conhecimento da anti-sociedade, da imoralidade 42. (CESPE-UnB/Agente de Polícia Civil Substituto/PCRN/
e da lesividade da conduta, conforme normas 2009) Manoel dirigia seu automóvel em velocidade
gerais de conduta e de princípios morais e éticos. compatível com a via pública e utilizando as cautelas
73 Na obediência hierárquica, para que se configure necessárias quando atropelou fatalmente um pedestre
a causa de exclusão de culpabilidade, é necessário que, desejando cometer suicídio, se atirou contra seu
que exista dependência funcional do executor da veículo. Com relação a essa situação hipotética,
ordem dentro do serviço público, de forma que assinale a opção correta.
não há que se falar, para fins de exclusão da
culpabilidade, em relação hierárquica entre A) Manoel praticou homicídio culposo, uma vez que,
particulares. ao dirigir veículo automotor, o condutor assume o
risco de produzir o resultado, nesse caso o
41. (CESPE-UnB/Juiz do Trabalho Substituto/TRT 1ª atropelamento.
R/2010) Com referência ao dolo e à culpa, assinale a B) Manoel praticou lesão corporal seguida de morte,
opção correta. pois, ao dirigir, assumiu o risco de atropelar
alguém, mas, como não tinha intenção de matar,
A) Em relação ao dolo, o Código Penal brasileiro não responde pelo resultado morte.
adotou a teoria da representação, segundo a qual C) Manoel praticou o crime de auxílio ao suicídio,
a conduta dolosa é o comportamento de quem posto que contribuiu para a conduta suicida da
tem consciência do fato e de seu significado, e, ao vítima.
mesmo tempo, a vontade de realizá-lo. D) Manoel não praticou crime, posto que o fato não
B) A teoria naturalista ou causal da conduta adotava é típico, já que não agiu com dolo ou culpa em
a espécie de dolo denominada natural, que, em face da excludente de ilicitude.
vez de constituir elemento da conduta, era E) Manoel não praticou crime, na medida em que
considerado requisito da culpabilidade, com três não houve previsibilidade na conduta da vítima.
elementos: consciência, vontade e consciência da
ilicitude (dolus malus). 43. (CESPE-UnB/Agente de Polícia Civil Substituto/PCRN/
C) Considere a seguinte situação hipotética. Um 2009) Marco e Matias pescavam juntos em alto-mar
jovem desferiu, com intenção homicida, golpes de quando sofreram naufrágio. Como não sabiam nadar
faca em seu vizinho, que caiu desacordado. bem, disputaram a única tábua que restou do barco,
Acreditando ter atingido seu objetivo, enterrou o ficando Matias, por fim, com a tábua, o que permitiu o
que supunha ser o cadáver no meio da mata. A seu resgate com vida após ficar dois dias à deriva. O
perícia constatou, posteriormente, que o homem cadáver de Marco foi encontrado uma semana depois.
falecera em razão de asfixia decorrente da A conduta de Matias, nessa situação, caracteriza
ausência de ar no local em que foi enterrado.
Nessa situação, ocorreu o que a doutrina A) estado de necessidade.
denomina de aberratio causae, devendo o agente B) estrito cumprimento do dever legal.
responder pelo delito de homicídio simples C) legítima defesa própria.
consumado, por ter agido com dolo geral. D) exercício regular de direito.
D) Considere a seguinte situação hipotética. Paulo, E) homicídio culposo.
chefe de família, percebeu que alguém entrou
pelos fundos, à noite, em sua residência, em local
com altos índices de violência. Pensando tratar-se
de assalto, posicionou-se, com a luz apagada, de
forma dissimulada, e desferiu golpes de faca no 44. (CESPE-UnB/Defensor Público de 1ª Categoria/DPE-
suposto meliante, com intenção de matá-lo, certo PI/2009) Em relação à aplicação do princípio da
de praticar ação perfeitamente lícita, amparada insignificância no direito penal, assinale a opção
pela legítima defesa. Verificou-se, posteriormente, correta.
que Paulo ceifou a vida de seu filho de doze anos
de idade. Nessa situação, Paulo agiu com culpa A) Segundo entendimento do STF, tal princípio
inconsciente, devendo responder por homicídio qualifica-se como fator de descaracterização
culposo. material da tipicidade penal. Segundo
E) No ordenamento jurídico brasileiro, de acordo entendimento do STJ, é possível a aplicação de tal
com a doutrina majoritária, a ausência de princípio às condutas regidas pelo ECA.
previsibilidade subjetiva - a possibilidade de o B) Não se aplica tal princípio quando o prejuízo
agente, dadas suas condições peculiares, prever o financeiro provocado pela conduta delituosa tiver
CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
31
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

valor considerável, como, por exemplo, a quantia realidade, avalia de forma equivocada os limites
de R$ 10.000,00, qualquer que seja o crime. da norma autorizadora, respondendo com a pena
C) Para se aferir a insignificância de uma conduta, reduzida, se o erro for inescusável, ou ficando
em tese delituosa, a análise do fato limita-se ao isento de pena, se for escusável.
aspecto patrimonial, sendo vedado ao aplicador 115 Para a teoria unitária, diferentemente do que
do direito a consideração de outros elementos. ocorre com a teoria diferenciadora, todo estado
D) Tratando-se da conduta de posse de substância de necessidade é justificante, inexistindo estado
entorpecente, ainda que em pequena quantidade, de necessidade exculpante.
não se admite aplicação desse princípio, segundo
a jurisprudência do STF. 48. (CESPE-UnB/Analista Judiciário/Execução de
E) O agente que rouba uma nota de dois reais deve- Mandados/TJDFT/2008) Com relação a elementos e
se beneficiar da aplicação de tal princípio. espécies da infração penal, julgue os itens
subsequentes.
45. (CESPE-UnB/Agente de Investigação e Escrivão de
Polícia/PCPB/2009) No ordenamento jurídico brasileiro, 93 Se o sujeito ativo do delito, ao praticar o crime,
a imputabilidade penal não quer diretamente o resultado, mas assume o
A) exclui a ilicitude do fato criminoso pela legítima risco de produzi-lo, o crime será culposo, na
defesa ou pela falta de discernimento. modalidade culpa consciente.
B) é irrelevante para a aplicação da pena, pois não 94 Excetuadas as exceções legais, o autor de fato
impede a condenação do criminoso. previsto como crime só poderá ser punido se o
C) é a capacidade de entender o caráter ilícito do praticar dolosamente.
fato ou de determinar-se de acordo com esse
entendimento. 49. (CESPE-UnB/Analista Judiciário/Execução de
D) equivale à potencial consciência da ilicitude. Mandados/TJDFT/2008) Considerando as causas
E) equivale à exigibilidade de conduta diversa. excludentes da ilicitude e da culpabilidade e acerca da
imputabilidade, julgue os itens seguintes com base no
46. (CESPE-UnB/Agente de Investigação e Escrivão de Código Penal.
Polícia/PCPB/2009) Agentes de um distrito policial
montaram barreira policial rotineira, com o objetivo de 95 São causas que excluem a ilicitude do fato, não
encontrar drogas ilícitas. Um motociclista, ao passar havendo crime em consequência, o estado de
pela barreira, não atendeu ao sinal de parada necessidade, a legítima defesa, o estrito
determinado por um agente, pois estava sem capacete cumprimento do dever legal e o exercício regular
e não possuía licença para conduzir aquele veículo. Ato de direito. Em tais casos, se houver excesso, o
contínuo, três policiais efetuaram disparos de pistola sujeito ativo somente responderá a título de dolo.
contra o motociclista, que faleceu em consequência 96 Considere a seguinte situação hipotética.
das lesões provocadas pelos disparos. Com referência a Raimundo praticou, em outubro de 2007, crime
essa situação hipotética, assinale a opção correta. de furto mediante fraude. Dois meses após a
prática do crime, laudo pericial comprovou que,
A) Por agirem no estrito cumprimento do dever legal, por doença mental, Raimundo passou a ser
os agentes não devem responder pela morte do inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito
motociclista. do fato, embora na data do delito não possuísse
B) Os policiais devem responder pelo crime de tal distúrbio. Nessa situação, é correto afirmar
homicídio consumado. que a doença mental adquirida após a prática do
C) Os policiais só iriam se beneficiar da excludente crime isenta Raimundo de pena.
do estrito cumprimento do dever legal se a
barreira tivesse sido montada em local com altos
índices de violência. 50. (CESPE-UnB/Promotor de Justiça Substituto/MPE-
D) Por serem policiais, os agentes devem responder AM/2001) Com referência ao erro de tipo e às
por tentativa de homicídio. excludentes de antijuridicidade e culpabilidade,
E) Por terem agido em legítima defesa, os agentes assinale a opção correta.
não devem responder pela morte do motociclista.
A) Age em legítima defesa putativa aquele que, já
47. (CESPE-UnB/Juiz Federal Substituto/TRF 5ª R/2007) tendo tido sua casa invadida por ladrões, atira em
Acerca das causas excludentes da ilicitude e um vulto que à noite se movia no quintal,
culpabilidade, julgue os próximos itens. supondo ser um deles, lesionando seu vizinho.
B) Caracteriza erro de proibição a conduta do agente
114 Constitui erro de proibição indireto a situação em que se apossa de coisa alheia móvel, supondo,
que o agente, embora tendo perfeita noção da nas circunstâncias, ter sido abandonada pelo
CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
32
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

proprietário — res delericta. interior, se assuste com o barulho de uma sirene


C) A obediência a ordens de superior hierárquico, policial e deixe a residência em desabalada
como excludente de culpabilidade, refere-se carreira. Nessa situação, o agente deverá
também a subordinações empregatícia, familiar e responder pela tentativa delituosa, visto que
religiosa. somente desistiu de prosseguir na execução do
D) Em crime de roubo cometido em concurso de furto por interferência externa, não se aplicando,
agentes, resta configurada a excludente da coação no caso, o instituto da desistência voluntária.
moral irresistível se o agente, desempregado, age
por aquiescência a mero convite do comparsa. 53. (CESPE-UnB/Juiz de Direito Substituto/TJMT/2004) No
E) Dificuldades financeiras, desemprego, situação de que se refere à imputabilidade penal, assinale a opção
penúria, por si sós, caracterizam a excludente de incorreta.
antijuridicidade do estado de necessidade no
crime de furto. A) A emoção não exclui a imputabilidade penal, mas
pode atuar como circunstância atenuante ou
51. (CESPE-UnB/Defensor Público Federal de 2ª como causa de redução de pena.
Categoria/DPU/2010) Acerca das causas excludentes B) A embriaguez, quando patológica, pode afastar a
da ilicitude, julgue o próximo item. imputabilidade do agente.
C) O Código Penal adotou o sistema biológico para
51 A responsabilidade penal do agente nos casos de se aferir a inimputabilidade, devendo-se verificar
excesso doloso ou culposo aplica-se às hipóteses se o agente, ao tempo da ação ou omissão, era
de estado de necessidade e legítima defesa, mas portador de doença mental ou desenvolvimento
o legislador, expressamente, exclui tal mental incompleto, capaz de lhe retirar a
responsabilidade em casos de excesso decorrente capacidade de compreender o caráter ilícito de
do estrito cumprimento de dever legal ou do seu ato ou de orientar- s e d e acordo com esse
exercício regular de direito. entendimento.
D) A medida de segurança será aplicável aos
52. (CESPE-UnB/Procurador Municipal/Prefeitura de inimputáveis e, excepcionalmente, aos semi-
Vitória-ES/2007) Acerca da parte geral do Código Penal, imputáveis. No último caso, o juiz poderá
julgue os itens seguintes. determinar a execução de pena reduzida ou
promover sua substituição pela medida de
51 Suponha que o motorista de um veículo, por segurança.
negligência, deixe de observar a má conservação
do sistema de freios de seu carro e, ao trafegar 54. (CESPE-UnB/Agente de Polícia Federal/MJ-DPF/2004)
em via pública, atropele e mate um pedestre que Em cada um dos itens seguintes, é apresentada uma
tenha cruzado a pista em local inadequado. Nessa situação hipotética, seguida de uma assertiva a ser
situação, caso se comprove que o evento danoso julgada.
tenha decorrido da falta de freios no veículo
atropelador, responderá culposamente o seu 80 Vítor desferiu duas facadas na mão de Joaquim,
condutor pela morte do pedestre, mesmo diante que, em consequência, passou a ter debilidade
da imprudência da vítima. permanente do membro. Nessa situação, Vítor
52 Considere a seguinte situação hipotética. Um praticou crime de lesão corporal de natureza
alpinista, em situação de extremo perigo, ao grave, classificado como crime instantâneo.
perceber que a corda que o sustentava junto à 81 Raul, funcionário público, cumprindo ordem não
montanha estava prestes a se romper, cortou o manifestamente ilegal de seu superior hierárquico,
sustentáculo, impondo com isso a queda do acabou por praticar crime contra a administração
amigo, também sustentado pela mesma corda. Tal pública. Nessa situação, apenas o superior
conduta provocou a morte imediata do segundo hierárquico de Raul será punível, ficando Raul
alpinista, propiciando o salvamento do primeiro. isento de pena.
Nessa situação, aquele que cortou a corda agiu 83 Marcelo, com intenção de matar, efetuou três
em legítima defesa na busca de proteção da tiros em direção a Rogério. No entanto, acertou
própria vida. apenas um deles. Logo em seguida, um policial
53 O exercício regular de direito e o estrito que passava pelo local levou Rogério ao hospital,
cumprimento de dever legal excluem o caráter salvando-o da morte. Nessa situação, o crime
ilícito do fato, o que implica, por conseqüência, a praticado por Marcelo foi tentado, sendo correto
ausência de tipicidade da conduta amparada por afirmar que houve adequação típica mediata.
tais institutos.
56 Suponha que um indivíduo adentre uma 55. (CESPE-UnB/Procurador do Estado-3ª Categoria/PGE-
residência com o intuito de furtar, mas, já em seu CE/2008) Denis desferiu cinco facadas em Henrique
CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
33
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

com intenção de matar. Socorrido imediatamente e resultado mais grave que o desejado, em virtude
encaminhado ao hospital mais próximo, Henrique foi da inobservância do cuidado objetivo necessário,
submetido a cirurgia de emergência, em razão da qual inclusive na modalidade tentada.
contraiu infecção e, finalmente, faleceu. Acerca dessa C) Em se tratando de crimes materiais, formais e de
situação hipotética, assinale a opção correta, com base mera conduta, é possível a aplicação dos
no entendimento do STF. institutos da desistência voluntária e do
arrependimento posterior.
A) Trata-se de causa absolutamente independente D) Para que fique caracterizado o arrependimento
superveniente, que rompeu o nexo causal, eficaz ou a desistência, a atitude do agente deve
devendo Denis responder por tentativa de ser espontânea, ou seja, natural, sincera e
homicídio. verdadeira.
B) Trata-se de causa relativamente independente e E) O arrependimento posterior só pode ser aplicado
superveniente que rompeu o nexo causal, se crime tiver sido cometido sem violência ou
devendo Denis responder por tentativa de grave ameaça a pessoa, se houver reparação do
homicídio. dano ou restituição do objeto material antes do
C) Não houve rompimento do nexo de causalidade, recebimento da denúncia ou da queixa e se o ato
devendo Denis responder por homicídio doloso do agente for voluntário.
consumado.
D) Trata-se de causa relativamente independente e 58. (CESPE-UNB/Outorga das Delegações das Notas e de
superveniente que rompeu o nexo causal, Registro/TJ-RR/2013) Com relação às causas de
devendo Denis responder por lesão corporal exclusão da ilicitude e da culpabilidade, assinale a
seguida de morte. opção correta.
E) Não houve rompimento do nexo causal, mas
Denis deve responder apenas por tentativa de A) Caracterizada a legítima defesa putativa, que
homicídio. ocorre quando o agente tem conhecimento do
uso do meio desnecessário ou do uso imoderado
56. (CESPE-UNB/Analista do MPU/Jurídico/Direito/2013) do meio necessário, de sorte que deseje o
Acerca dos institutos do direito penal brasileiro, julgue resultado ou assuma o risco de produzi-lo,
os próximos itens. responde o agente pelo resultado a título de dolo.
B) De acordo com a jurisprudência do STJ, age
99 Em relação às excludentes de ilicitude, na amparada pelo estrito cumprimento do dever
hipótese de legítima defesa, o agente deve legal a autoridade policial que dispara tiros de
agir nos limites do que é estritamente revólver ou pistola contra suspeitos da prática
crimes graves em fuga, ainda que dessa ação
necessário para evitar injusta agressão a
decorra o resultado morte.
direito próprio ou de terceiro. C) O fato praticado mediante coação moral
100 Por caracterizar inexigibilidade de conduta diversa, irresistível é típico e antijurídico, excluindo-se,
a coação moral ou física exclui a culpabilidade do entretanto, a culpabilidade do coagido, em
crime. virtude da ausência de conduta diversa, um dos
elementos da culpabilidade.
D) Quando o agente pratica um crime sob o estado
de embriaguez completa, voluntária ou culposa, a
culpabilidade fica excluída, dada a ausência do
elemento subjetivo (dolo ou culpa).
E) Em relação ao estado de necessidade, adota-se,
no Código Penal brasileiro, a teoria diferenciadora,
57. (CESPE-UNB/Outorga das Delegações das Notas e de podendo tal estado ser causa de exclusão da
Registro/TJ-RR/2013) Acerca da desistência voluntária, ilicitude ou da culpabilidade.
do arrependimento eficaz, do arrependimento
posterior, do crime impossível e do crime preterdoloso, 59. (CESPE-UNB/Escrivão/PC-DF/2013) Acerca do direito
assinale a opção correta. penal, julgue os itens subsecutivos.
A) O denominado crime impossível ocorre apenas na 86 Considere a seguinte situação hipotética.
hipótese de absoluta ineficácia, no que se refere à Henrique é dono de um feroz cão de guarda, puro
produção do resultado desejado, do meio de de origem e premiado em vários concursos, que
execução utilizado pelo agente. vive trancado dentro de casa. Em determinado dia,
B) Caracteriza-se crime preterdoloso ou esse cão escapou da coleira, pulou a cerca do
preterintencional caso o agente cause um jardim da casa de Henrique e atacou Lucas, um
CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
34
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

menino que brincava na calçada. Ato contínuo,


José, tio de Lucas, como única forma de salvar a A) arrependimento eficaz.
criança, matou o cão. Nessa situação hipotética, B) arrependimento posterior.
José agiu em legítima defesa de terceiro. C) tentativa.
88 Na teoria penal, o estado de necessidade se D) crime frustrado.
diferencia do estado de necessidade supralegal, E) desistência voluntária.
haja vista, no primeiro, o bem sacrificado ser de
menor valor que o do bem salvaguardado e, no 64. (VUNESP/Auxiliar de Papiloscopista Policial/PC-
segundo, o bem sacrificado ser de valor igual ou SP/2013) Assinale a alternativa que apresenta apenas
superior ao do bem salvaguardado. Na segunda crimes que admitem a modalidade culposa.
hipótese, não estaria excluída a ilicitude da
conduta, mas a culpabilidade. A) Lesão corporal, peculato e homicídio.
B) Homicídio, lesão corporal e aborto.
60. (CESPE-UnB/Juiz de Direito Substituto/TJPI/2007) C) Lesão corporal, aborto e infanticídio.
Acerca dos tipos de crime e contravenções e das D) Homicídio, dano e peculato.
respectivas penas, assinale a opção correta. E) Dano, peculato e aborto.

A) Quanto à punibilidade da tentativa, o Código 65. (VUNESP/Procurador/Prefeitura de Ribeirão Preto-


Penal adotou a teoria objetiva temperada, SP/2004) A ineficácia absoluta do meio escolhido pelo
segundo a qual a pena para a tentativa deve ser, agente para executar o crime torna impossível a sua
salvo expressas exceções, menor que a pena consumação, o que gera
prevista para o crime consumado.
B) Nas contravenções penais, a tentativa é punida A) exclusão da ilicitude.
com a pena da contravenção consumada B) exclusão da tipicidade.
diminuída de um a dois terços. C) exclusão da culpabilidade.
C) A consumação dos crimes formais ocorre com a D) punição somente pelo crime tentado.
prática da conduta descrita no núcleo do tipo, E) causa obrigatória de diminuição da pena.
independentemente do resultado naturalístico,
que, caso ocorra, será causa de aumento de pena. 66. (VUNESP/Agente Fiscal de Rendas/ICMS/ Contencio-
D) Nenhum ato preparatório de crime é punível no so/SEFAZ-SP/2002) São causas de exclusão da ilicitude:
direito penal brasileiro.
E) Nos casos de crimes omissivos próprios, que são A) a legítima defesa, o exercício regular de direito e
aqueles que produzem resultado naturalístico, a coação irresistível.
admite-se a tentativa. B) a obediência hierárquica, a coação irresistível e a
desistência voluntária.
61. (VUNESP/Papiloscopista Policial/PC-SP/2013) Aquele C) o arrependimento eficaz, o arrependimento pos-
que assume o risco de produzir um resultado criminoso terior e o estrito cumprimento do dever legal.
comete crime movido por D) o estado de necessidade, a obediência hierárqui-
ca e a desistência voluntária.
A) culpa. E) o exercício regular de direito, o estrito cumpri-
B) imprudência. mento do dever legal e o estado de necessidade.
C) dolo.
D) imperícia.
E) negligência.
67. (VUNESP/Analista Judiciário/Ciências Contábeis/TJ-
62. (VUNESP/Juiz de Direito Substituto/TJ-SP/2009) Com MT/2008) Se o fato criminoso for cometido em estrita
relação à coação moral irresistível, é correto afirmar obediência a ordem, não manifestamente ilegal, de
que superior hierárquico,

A) exclui a culpabilidade. A) somente é punido o autor do fato criminoso.


B) exclui a tipicidade. B) somente é punido o autor da ordem.
C) exclui a antijuridicidade. C) são punidos o autor do fato criminoso e o autor
D) o coato age sem vontade. da ordem.
D) o autor da ação é punido com a pena do crime
63. (VUNESP/Agente Policial/PC-SP/2013) De acordo com tentado, e o autor da ordem é punido com a pena
o Código Penal, a execução iniciada de um crime, que do crime consumado.
não se consuma por circunstâncias alheias à vontade E) o autor da ação é punido com a mesma pena do
do agente, caracteriza o (a) autor da ordem diminuída de 1 a 2/3.
CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
35
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10
68. (VUNESP/Juiz de Direito Substituto/TJ-SP/2009) O pai D D A C EC * EC * CE EE
que, tendo o filho sequestrado e ameaçado de morte, 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20
é coagido por sequestradores armados e forçado a di- A B A * EC D E * D A
rigir-se a certa agência bancária para efetuar um roubo 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30
a fim de obter a quantia necessária para o pagamento D A A B C * E A A A
do resgate e livrar o filho do cárcere privado em que se 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40
encontra pode, em tese, lograr a absolvição com base EC EE * * * A A CE A CC
na alegação de 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50
C E A A C B CC EC EE A
A) inexigibilidade de conduta diversa.
51 52 53 54 55 56 57 58 59 60
B) legítima defesa.
E * C * C CE E C EC A
C) exercício regular de direito.
61 62 63 64 65 66 67 68 69 70
D) estrito cumprimento de dever legal.
C A C A B E B A A D
69. (VUNESP/Juiz de Direito Substituto/TJ-MS/2015)
Assinale a alternativa correta a respeito do entendi- 06.CEC 08.CCC 14.ECCEEE
mento do crime. 18.CEEC 26.EEC 33.CECCE
34.CCEE 35.ECE 52.CEEC
A) O crime comissivo por omissão é aquele em que o 54.CCC
sujeito, por omissão, permite a produção de um
resultado posterior que lhe é condicionante. _______________________________________________
B) O crime consunto é o delito que absorve o de _________________________________________________
menor gravidade. _________________________________________________
C) Crime de ação múltipla é aquele em que o sujeito _________________________________________________
necessita percorrer várias ações do preceito fun- _________________________________________________
damental para que consiga chegar ao resultado, _________________________________________________
sem a qual não há como se subsumir a conduta _________________________________________________
ao delito. _________________________________________________
D) Crime vago é aquele em que a ação do agente _________________________________________________
causa dúvida sobre a tipificação do fato ao delito _________________________________________________
realizado. _________________________________________________
E) É admissível a forma tentada no crime unisubsis- _________________________________________________
tente. _________________________________________________
_________________________________________________
70. (VUNESP/Advogado Legislativo/Câmara São Carlos- _________________________________________________
SP/2013) Assinale a alternativa correta no tocante às _________________________________________________
previsões relativas aos crimes no Código Penal. _________________________________________________
_________________________________________________
A) Para a omissão ser considerada penalmente rele- _________________________________________________
vante, é suficiente que o omitente possa agir para _________________________________________________
evitar o resultado. _________________________________________________
B) Diz-se o crime tentado, quando, iniciada a prepa-
Capítulo 3
ração, não se consuma por circunstâncias alheias
à vontade do agente. Concurso de Pessoas
C) O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal
de crime exclui a culpabilidade e isenta de pena o
autor do crime.
1. Legislação:
D) O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isen-
ta de pena; se evitável, poderá diminuí-la de um Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime
sexto a um terço. incide nas penas a este cominadas, na medida de sua
E) Se o fato criminoso é cometido em estrita obedi- culpabilidade. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
ência à ordem manifestamente ilegal de superior 11.7.1984)
hierárquico, só é punível o autor da coação ou da
ordem. § 1º - Se a participação for de menor importância, a pena
pode ser diminuída de um sexto a um terço. (Redação dada
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
GABARITO
§ 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime
CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
36
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste; essa pena será não se apura com precisão qual foi a conduta que
aumentada até metade, na hipótese de ter sido previsível o efetivamente produziu o resultado. Os autores respondem
resultado mais grave. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de apenas pelo crime tentado.
11.7.1984)
Circunstâncias incomunicáveis
(4) Identidade de infração
Art. 30 - Não se comunicam as circunstâncias e as condições
OBSERVAÇÃO: o CP adotou como regra a teoria unitária,
de caráter pessoal, salvo quando elementares do crime.
monista ou monística (todos os coautores e partícipes se
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
sujeitam a um único tipo penal: há um único crime com
Casos de impunibilidade diversos agentes). Excepcionalmente, contudo, o CP separa
as condutas, com a criação de tipos penais para os agentes
Art. 31 - O ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio,
que buscam um mesmo resultado. Exemplos: arts. 317 e 333,
salvo disposição expressa em contrário, não são puníveis, se
CP; arts. 342 e 343, CP.
o crime não chega, pelo menos, a ser tentado. (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Teorias acerca da autoria:
2. Comentários: (1) Teoria extensiva: não distingue o autor do partícipe,
admitindo causas de diminuição da pena para
Previsão legal: arts. 29 ao 31 do CP. estabelecer diversos graus de autoria.
(2) Teoria objetiva ou restritiva: distingue autor de
Conceito: é a colaboração empreendida por duas ou mais partícipe. Pode ser:
pessoas para a realização de uma infração penal. (2.1) Teoria objetivo-formal: autor é aquele que realiza
total ou parcialmente a conduta descrita no tipo
penal (o partícipe apenas gravita na zona
Requisitos: periférica do tipo penal).
(1) Pluralidade de agentes (2.2) Teoria objetivo-material: autor é quem presta a
OBSERVAÇÃO: há crimes que devem ser praticados por mais contribuição objetiva mais importante para a
de uma pessoa. Tais crimes são conhecidos como crimes de produção do resultado, ao passo que partícipe é
concurso necessário de pessoas ou crimes plurissubjetivos. quem concorre de forma menos relevante, ainda
Exemplo: crime de quadrilha ou bando (artigo 288 do CP). que mediante a realização do núcleo do tipo.
Há outros crimes (a grande maioria) que podem ser (3) Teoria do domínio do fato: autor é aquele que domina
praticados por uma só pessoa. Estes são os crimes de o curso dos acontecimentos.
concurso eventual de pessoas. É o caso, por exemplo, do
furto (artigo 155 do CP), do homicídio (artigo 121 do CP).
Estes crimes são também conhecidos como unissubjetivos. OBSERVAÇÃO: Segundo parte da doutrina, o CP adotou a
A teoria do concurso de pessoas desenvolveu-se para teoria restritiva, no prisma objetivo-formal (extraem essa
solucionar os problemas envolvendo esses últimos, tendo conclusão da redação do art. 62, IV, CP). Entretanto, o STJ e
em vista que nos primeiros a presença de duas ou mais o STF utilizam a teoria do domínio do fato, inclusive para o
pessoas é garantida pelo próprio tipo penal. caso do mandante do crime e na autoria mediata. Lembre-se
(2) Relevância causal das condutas para a produção do que ocorre autoria mediata quando o sujeito (autor
resultado. mediato) se vale de um instrumento (terceira pessoa
chamada de autora imediata) para a realização da conduta
(3) Vínculo subjetivo típica (Exemplo: utilização de inimputável para a prática
OBSERVAÇÃO: é por ausência de liame subjetivo (ou vínculo delituosa). Na autoria mediata não há concurso de pessoas.
psicológico) entre os agentes que não podemos falar em Apenas o autor mediato responde pelo delito.
concurso de pessoas na autoria colateral e na autoria incerta.
Ocorre autoria colateral quando duas ou mais pessoas
intervêm na execução de um crime, buscando igual Formas de participação:
resultado, embora cada uma delas ignore a conduta alheia. (1) Moral: ocorre através da instigação (reforçar uma ideia já
“A” e “B” atiram em “C”, mas um não sabe do outro. Se a presente na mente do agente) e do induzimento (criar
perícia demonstra que os ferimentos letais foram produzidos uma ideia ainda não existente na mente do agente).
pelos disparos de “B”, “A” responde por tentativa de
homicídio e “B” pelo homicídio consumado. Há autoria (2) Material: ocorre através do auxílio (empresta a arma,
incerta, que surge no campo da autoria colateral, quando leva o autor no carro até o local do crime, etc.).
mais de uma pessoa é indicada como autora do crime, mas
CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
37
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

Art. 30 - Não se comunicam as circunstâncias e as condições


de caráter pessoal, salvo quando elementares do crime.
OBSERVAÇÃO: para a punição do partícipe, é suficiente que
o autor tenha praticado um fato típico e ilícito (teoria da A figura típica é composta de elementares e circunstâncias.
acessoriedade limitada). As teorias da acessoriedade Aquelas são dados essenciais da figura típica, sem a qual ela
mínima (basta que o fato seja típico), acessoriedade máxima não existe (podendo o fato realizado sem ela tornar-se
(o fato deve ser típico, ilícito e culpável) e absolutamente atípico ou configurar algum tipo penal
hiperacessoriedade (o fato deve ser típico, ilícito, culpável e diverso). Estas são os dados acessórios do tipo penal, cuja
punível) não gozam da preferência da doutrina. função consiste em interferir na quantidade da pena,
aumentando-a (caso das qualificadoras, causas de aumento
e agravantes genéricas) ou reduzindo-a (caso dos privilégios,
Participação de menor importância causas de diminuição e atenuantes genéricas).
§ 1º - Se a participação for de menor importância, a pena Da regra contida no art. 30 do Código Penal podem-se
pode ser diminuída de um sexto a um terço. extrair duas conclusões:
Na participação, como o agente não pratica a conduta a) Todas as elementares do crime, objetivas (dizem respeito
descrita no núcleo do tipo penal, poderá, no processo ao tempo, lugar, modo e meios de execução do crime) ou
executório, exercer papel diminuto frente às condutas dos subjetivas (são as que se referem ao agente), comunicam-se
demais delinquentes. a todos os agentes (se por eles forem conhecidas). Assim,
por exemplo, a condição de funcionário público, elementar
Neste caso, o legislador possibilita a aplicação de pena
do crime de peculato (art. 312, CP), estende-se ao coautor
menor, isto é, permite ao juiz que aplique a pena de acordo
ou partícipe que não ostente tal qualidade, fazendo com que
com a tonalidade da participação. Assim, quando o agente
ele, embora particular, responda pelo delito.
teve pequena participação sua pena, obrigatoriamente,
deverá ser aplicada nos moldes do que dispõe o parágrafo b) As circunstâncias da infração penal comunicam-se
1º do artigo 29 do CP. apenas quando objetivas (e forem conhecidas pelos demais
concorrentes). Por esse motivo, o emprego de arma por um
dos agentes no crime de roubo provoca, com relação a todos,
Participação em crime diverso a incidência da causa de aumento de pena daí decorrente
(art. 157, § 2º, I, CP). Se subjetivas, serão incomunicáveis.
§ 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime
Exemplo: o motivo egoístico, que qualifica o crime de dano
menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste; essa pena
(art. 163, parágrafo único, IV, primeira figura, CP), não se
será aumentada até metade, na hipótese de ter sido
comunica aos demais concorrentes que tenham colaborado
previsível o resultado mais grave.
com o fato por outros motivos.
Há hipóteses, todavia, em que o partícipe colabora para um
crime e o autor, no momento da prática do ilícito vai além
do imaginado pelo partícipe. Observe o indivíduo que Participação impunível
pretende colaborar para o crime de furto. Para tanto fica do
Art. 31 - O ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio,
lado de fora da residência esperando que o autor execute o
salvo disposição expressa em contrário, não são puníveis, se
núcleo do tipo, isto é, subtraia coisa alheia móvel. O autor,
o crime não chega, pelo menos, a ser tentado.
todavia, sem que o partícipe tivesse conhecimento, ingressa
na residência portando uma arma de fogo e, com ela A participação só será punível se o crime tenha pelo menos
emprega ameaça para a subtração e, com isso, pratica crime sido tentado. Quando falamos da tentativa, dissemos que
de roubo (artigo 157 do CP) e não furto (artigo 155). ela só existirá quando iniciada a execução.
Aqui, o legislador quebra a regra segundo a qual todos irão A participação, que ocorre com a colaboração de qualquer
responder pelo mesmo delito. Como o partícipe pretendeu modo para a perpetração do ilícito, não será punível se o
praticar crime menos grave, responderá pelo crime autor nem mesmo tentar a prática criminosa. Assim, só se
pretendido, no caso por furto. A pena do furto (crime pune a participação se o autor tenta a realização do crime.
pretendido), caso previsível o resultado mais grave
Nessa linha, veja que mesmo quando iniciada a execução, se
(roubo=não pretendido), será aumentada até a metade.
estivermos diante de hipótese que caracterize a desistência
Assim, se previsível o resultado mais grave (o roubo), ao
voluntária, o arrependimento eficaz ou crime impossível,
partícipe se aplicará a pena do furto (crime menos grave)
não responderá o agente como partícipe, já que nem
acrescida de até a metade. Caso não previsível o resultado
mesmo tentativa houve.
mais grave, aplicar-se-á ao partícipe somente a pena do
furto.
Conceitos importantes:
Comunicabilidade das elementares e circunstâncias (1) Crime comum: pode ser praticado por qualquer pessoa

CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
38
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

(exemplo: art. 121, CP). Admite coautoria e lo até o local onde Fabiano se ocultava, a fim de exigir
participação. dinheiro deste para não dar cumprimento ao mandado
de prisão. No momento em que o agente e seu irmão
(2) Crime próprio: exige uma qualidade especial do sujeito
exigiam o dinheiro de Fabiano, foram abordados por
ativo (exemplos: art. 319-A e art. 123, ambos do CP).
uma equipe de policiais que também recebera
Admite coautoria e participação.
informações sobre o paradeiro de Fabiano e que se
(3) Crime de mão própria: é aquele que exige o emprego deslocara para o cumprimento do mandado. Com base
do próprio corpo do sujeito ativo (exemplo: art. 342, nessa situação hipotética, assinale a opção correta.
CP). Não cabe coautoria, mas cabe participação. Assim,
o advogado que induz testemunha a mentir é partícipe A) Pode ser realizada a prisão em flagrante de Milton
do crime previsto no art. 342 (falso testemunho) e não e Juarez, mas apenas Milton, o agente de polícia,
coautor. Outra observação sobre os crimes de mão será indiciado pelo crime de concussão, uma vez
própria é que não admitem a autoria mediata. que seu irmão não é servidor público, não se
comunicando tal circunstância, por ser de caráter
pessoal.
3. Exercícios: B) Pode ser realizada a prisão em flagrante de Milton
e de Juarez, e ambos serão indiciados por crime
01. (CESPE-UNB/Escrivão/PC-DF/2013) de corrupção passiva, em coautoria.
C) Milton e Juarez poderão ser indiciados pelo crime
89 É possível, do ponto de vista jurídico-penal, de corrupção passiva, na modalidade tentada, já
participação por omissão em crime comissivo. que não chegou a ocorrer a percepção da
vantagem ilícita.
02. (CESPE-UNB/Investigador/PC-BA/2013) D) Milton e Juarez poderão ser indiciados pelo crime
de concussão, sendo admissível que condição de
36 No concurso de pessoas, a caracterização da caráter pessoal referente à ocupação de cargo
coautoria fica condicionada, entre outros público se comunique em relação a Juarez.
requisitos, ao prévio ajuste entre os agentes e à
necessidade da prática de idêntico ato executivo e 05. (CESPE-UNB/Promotor de Justiça Substituto/MP-
crime. TO/2012) À luz do entendimento dos tribunais superio-
res acerca do concurso de pessoas, assinale a opção
03. (CESPE-UnB/Defensor Público-Nível I-Substituto/DPE- correta.
ES/2009) Com relação a direito penal, julgue os
seguintes itens. A) Admite-se a participação nos tipos culposos ante
a existência de vínculo psicológico na cooperação
27 A teoria do domínio do fato, que rege o concurso consciente de alguém na conduta culposa de ou-
de pessoas, não se aplica aos delitos omissivos, trem.
sejam estes próprios ou impróprios, e deve ser B) De acordo com a teoria monista, havendo plurali-
substituída pelo critério da infringência do dever dade de agentes e convergência de vontades para
de agir. a prática da mesma infração penal, é possível o
29 O CP adotou o conceito restritivo de autor, assim reconhecimento de que um agente teria pratica-
considerado aquele que realiza o núcleo do tipo. do o delito na forma tentada e o outro, na forma
O referido código ainda previu circunstância consumada.
agravante da pena, no concurso de pessoas, em C) O agente que, previamente, na divisão de traba-
relação ao agente que executa o crime, ou dele lho de intento criminoso, tenha o domínio funci-
participa, mediante paga ou promessa de onal do fato e fuja do local do crime é considera-
recompensa. do partícipe.
D) A participação de somenos corresponde à mera
04. (CESPE-UnB/Analista Judiciário/Judiciária/TRE-GO/ participação menos importante, uma vez que,
2009) Milton, agente de polícia, estava investigando embora dentro da relação de causalidade, é prati-
uma associação de criminosos que praticava o roubo camente dispensável.
de cargas. Encerradas as investigações, foi apresentada E) Não há obrigatoriedade de redução de pena para
denúncia e, em seguida, foi decretada a prisão o partícipe, em relação à pena do autor, conside-
preventiva de Fabiano, um dos integrantes do grupo, rada a participação em si mesma, como forma de
que estava foragido. O agente de polícia obteve, na concorrência diferente da autoria.
delegacia, informação, por denúncia anônima, do local
onde Fabiano estava escondido. De posse dessa 06. (CESPE-UnB/Delegado de Polícia Civil/PCTO/2008)
informação, convidou seu irmão Juarez a acompanhá- Acerca dos princípios constitucionais que norteiam o
direito penal, da aplicação da lei penal e do concurso
CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
39
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

de pessoas, julgue os itens. vogado que induz o depoente a proclamar falsa


afirmação.
111 Quem, de forma consciente e deliberada, se serve
de pessoa inimputável para a prática de uma 09. (CESPE-UnB/Analista Judiciário/Judiciária/TRE-PA/
conduta ilícita é responsável pelo resultado na 2007) À luz do entendimento doutrinário dominante,
condição de autor mediato. assinale a opção correta no que concerne ao concurso
112 Considere a seguinte situação hipotética. Luiz, de pessoas.
imputável, aderiu deliberadamente à conduta de
Pedro, auxiliando-o no arrombamento de uma A) Não há impedimento jurídico ao reconhecimento
porta para a prática de um furto, vindo a adentrar da coautoria em crime culposo, pois os que de
na residência, onde se limitou, apenas, a observar qualquer modo colaboram para a ocorrência do
Pedro, durante a subtração dos objetos, mais resultado praticam, sempre, ato de execução
tarde repartidos entre ambos. Nessa situação, culposo, incidindo nas mesmas penas ao delito
Luiz responderá apenas como partícipe do delito cominadas.
pois atuou em atos diversos dos executórios B) Para a existência do concurso de pessoas, é
praticados por Pedro, autor direto. necessário o ajuste prévio ou concomitante com o
crime por parte dos agentes. A simples
07. (CESPE-UnB/Promotor de Justiça Substituto/MPE- consciência de estar contribuindo para a ação
AM/2007) A respeito do concurso de pessoas, assinale delituosa não cria o vínculo subjetivo que dá ao
a opção incorreta. delito o caráter único.
C) Considere a seguinte situação hipotética. Abel e
A) É possível haver participação de participação. Bruno, mediante prévio ajuste, adentraram em
B) Não há participação dolosa em crime culposo. uma casa para a prática de um furto, todavia,
C) É possível haver participação culposa em crime após serem surpreendidos pelo dono da casa,
doloso. Abel foi preso em flagrante e Bruno evadiu-se
D) É possível haver participação sucessiva. levando consigo parte dos objetos subtraídos.
E) Admite-se coautoria em crime culposo. Nessa situação, Abel responderá por furto
tentado, enquanto Bruno responderá por furto
08. (CESPE-UNB/Defensor Público/DPE-RN/2015) Acerca consumado.
do concurso de agentes, assinale a opção correta con- D) Na autoria mediata, há concurso de pessoas entre
forme a legislação de regência e a jurisprudência do o autor mediato, responsável pelo crime, e o
STJ. executor material do delito, como no caso do
inimputável por doença mental que é induzido a
A) A ciência da prática do fato delituoso caracteriza cometer um fato descrito em lei como crime.
conivência e, consequentemente, participação, E) O ajuste, a determinação, a instigação ou o auxílio
mesmo que inexistente o dever jurídico de impe- são sempre puníveis sob a forma de participação,
dir o resultado. mesmo que o delito não chegue à fase de
B) Em um crime de roubo praticado com o emprego execução.
de arma de fogo, mesmo que todos os agentes
tenham conhecimento da utilização do artefato
bélico, somente o autor do disparo deve respon-
der pelo resultado morte, visto que não se encon-
trava dentro do desdobramento causal normal da 10. (CESPE-UnB/Curso de Admissão para Soldado/PMDF/
ação delitiva. Nesse caso, não há que se falar em 2009)
coautoria no crime mais gravoso (latrocínio).
C) Não se admite o concurso de agentes no crime de 89 Suponha que Cláudio, servidor lotado em uma
porte ilegal de arma de fogo, haja vista que so- escola pública, tenha convidado o seu vizinho,
mente o agente que efetivamente porta a arma que está desempregado e tem conhecimento do
de fogo incorre nas penas do delito. cargo ocupado por Cláudio, para, à noite,
D) É admissível, segundo o entendimento doutriná- subtraírem dois novos computadores que haviam
rio e jurisprudencial, a possibilidade de concurso chegado àquela unidade de ensino. Nessa
de agentes em crime culposo, que ocorre quando situação, consumado o delito, Cláudio, por ser
há um vínculo psicológico na cooperação consci- servidor público, deverá responder pela prática do
ente de alguém na conduta culposa de outrem. O crime de peculato e seu vizinho, por furto.
que não se admite nos tipos culposos é a partici-
pação. 11. (CESPE-UNB/Analista Judiciário/Analista Processu-
E) O falso testemunho, por ser crime de mão própria, al/TJ-RO/2012) Em relação ao concurso de pessoas,
não admite a coautoria ou a participação do ad- assinale a opção correta.
CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
40
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

imprimir velocidade incompatível com o local,


A) Os requisitos para o concurso de pessoas incluem desejando que algum dos ambulantes fosse
a pluralidade de agentes e de condutas, identida- atropelado e, em consequência, os demais
de da infração penal e a existência de prévio sentissem receio de permanecer no local. Júlio,
acordo entre os agentes. sem observar o cuidado exigido para a condução
B) No concurso de pessoas, comunicam-se as cir- do veículo, seguiu os conselhos de Marcos e, de
cunstâncias e as condições de caráter pessoal, forma imprudente, acelerou exageradamente o
ainda que não sejam elementares do crime. veículo, acabando por atropelar, de fato, um dos
C) Em sede de concurso de pessoas, o simples ajuste, ambulantes que ali trabalhava. Nessa situação,
a instigação ou o auxílio são puníveis a título de houve concurso de agentes entre Júlio e Marcos.
participação, mesmo que o autor não tenha inici-
ado a execução do delito. Estão certos apenas os itens
D) O servidor público somente será processado por
crime funcional próprio se desconhecia, quando A) I e II.
do crime, a condição de servidor público do com- B) I e IV.
parsa. C) II e III.
E) Aquele que se serve de pessoa inimputável ou in- D) III e IV.
consciente para realizar ação delituosa é respon-
sável pelo evento na condição de autor indireto 14. (CESPE-UnB/Procurador Municipal/Prefeitura de
ou mediato. Vitória-ES/2007)

12. (CESPE-UnB/Procurador do Estado-3ª Categoria/PGE- 54 Constituem requisitos caracterizadores do


CE/2008) Com relação ao concurso de pessoas, concurso de pessoas a pluralidade de condutas, o
assinale a opção correta. nexo de causalidade, o vínculo subjetivo e a
identidade de infração.
A) As circunstâncias objetivas se comunicam, desde
que o partícipe tenha conhecimento delas. 15. (CESPE-UnB/Agente Penitenciário e Agente de Escolta
B) As circunstâncias objetivas se comunicam, mesmo e Vigilância Penitenciário/SEJUS-ES/2009)
quando o partícipe não tiver conhecimento delas.
C) As circunstâncias subjetivas nunca se comunicam. 80 Tendo em vista que o peculato constitui crime em
D) As elementares objetivas sempre se comunicam, que a lei penal exige sujeito ativo qualificado, ou
ainda que o partícipe não tenha conhecimento seja, qualidade de funcionário público, não se
delas. admite em tal delito o concurso de pessoas que
E) As elementares subjetivas nunca se comunicam. não detenham a mesma posição jurídica do
agente.
13. (CESPE-UnB/Juiz de Direito Substituto/TJMT/2004)
Julgue os seguintes itens, referentes ao concurso de 16. (CESPE-UNB/Outorga das Delegações das Notas e de
agentes. Registro/TJ-RR/2013) Assinale a opção correta em
relação ao concurso de pessoas.
I. Em relação ao concurso de agentes, o Código
Penal adotou, como regra, a teoria unitária ou A) De acordo com a teoria do domínio do fato, autor
monista, de forma que o partícipe responderá é o agente que realiza um dos elementos do tipo,
pelo mesmo crime praticado pelo autor, em razão sendo considerado partícipe o agente que
da acessoriedade de sua conduta. somente planeja o crime.
II. O mandante de um crime, de acordo com a teoria B) O instituto da participação de menor importância
restritiva, é considerado partícipe, enquanto, aplica-se ao autor, ao coautor ou ao partícipe que
conforme a teoria do domínio do fato, é contribua para a prática delituosa de forma
considerado coautor. minorada, ou seja, que não pratique a conduta
III. O crime de falso testemunho é crime comum, não descrita no tipo penal.
admitindo co autoria nem participação. C) Em se tratando de crime de roubo praticado
IV. Considere a seguinte situação hipotética. Júlio e mediante o emprego de arma de fogo,
Marcos encontravam-se dentro de um veículo nas respondem pelo resultado morte (latrocínio),
proximidades de uma loja comercial de situado evidentemente em pleno desdobramento
propriedade de Marcos. Verificando que a área causal da ação delituosa, todos os agentes que,
encontrava-se tomada por vendedores mesmo não tendo agido diretamente na execução
ambulantes que estavam invadindo a rua e que da morte, tenham contribuído para a execução do
poderiam prejudicar sua freguesia, Marcos tipo fundamental, por terem assumido o risco.
incentivou Júlio, que conduzia o veículo, a D) O ajuste, a determinação, a instigação e o auxílio
CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
41
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

à prática de qualquer crime são puníveis, ainda 20. (CESPE-UNB/Juiz de Direito Substituto/TJ-RN/2013)
que o fato principal não alcance a fase executória. Acerca da autoria e do concurso de pessoas, assinale a
E) Para a configuração do concurso de pessoas, opção correta.
devem estar presentes os seguintes requisitos:
pluralidade de condutas, relevância causal e A) De acordo com a teoria da acessoriedade limitada,
jurídica de cada uma das ações, prévia para a punibilidade da participação basta que a
combinação entre os agentes e identidade de fato. conduta principal constitua fato típico.
B) Considere que Carlos, Mércia e José, empregados
17. (CESPE-UnB/Procurador do Estado de de uma grande empresa em Natal, tenham ofereci-
Pernambuco/2009) Com relação a concurso de do bombons envenenados ao seu chefe, Mário, que
pessoas, assinale a opção correta. morreu após ingerir unicamente os bombons ofe-
recidos por Mércia. Considere, ainda, que os três
A) Ser coautor de um crime significa ter sido um tenham agido de forma independente, sem ter ci-
agente de menor participação na empreitada ência da conduta dos demais. Nessa situação, de
criminosa. acordo com a teoria da causalidade material, resta
B) O partícipe, para ser considerado como tal, não configurada a autoria colateral, devendo Carlos,
pode realizar diretamente ato do procedimento Mércia e José responder pela prática de homicídio
típico, tampouco ter o domínio final da conduta. consumado.
C) A participação maior ou menor do agente no C) Em se tratando de concurso de pessoas, o juiz deve,
crime não influencia na pena. necessariamente, reduzir a pena do partícipe, em
D) Não existe a possibilidade de coautoria em crime relação à pena do autor, em face do reconhecimen-
culposo. to da acessoriedade da participação.
E) O autor intelectual é assim chamado por ter sido D) A doutrina considera plurissubjetivos os crimes que
quem planejou o crime, não é necessariamente podem ser praticados por um ou mais agentes.
aquele que tem controle sobre a consumação do E) Considere que, em uma noite escura, Mel induza a
crime. prima Maria a disparar contra Pedro ao fazê-la
acreditar que atirava em um animal feroz que ron-
18. (CESPE-UnB/Juiz de Direito Substituto/TJPI/2007) No dava a casa de campo em que estavam. Nessa situ-
concurso de pessoas, há quatro teorias que explicam o ação, ficando comprovado que Maria matou Pedro
tratamento da acessoriedade na participação. De em erro de tipo escusável determinado pela prima,
acordo com a teoria da hiperacessoriedade, para se que sabia da realidade dos fatos, Mel responderá
punir a conduta do partícipe, é preciso que o fato como autora mediata do crime de homicídio.
principal seja
I. típico. 21. (VUNESP/Advogado/CRF-SP/2009) O concurso de
II. antijurídico. pessoas
III. culpável.
IV. punível. A) não tem previsão legal no CP, todavia, é ampla-
mente estudado pela doutrina e diz respeito à co-
A quantidade de itens certos é igual a autoria e à cumplicidade.
A) 0. B) tem previsão legal na Constituição Federal, e
B) 1. abrange o estudo da coautoria e da participação.
C) 2. C) está previsto no art. 13 do CP: "o resultado, de que
D) 3. depende a existência do crime, somente é imputá-
E) 4. vel a quem lhe deu causa. Considera-se causa a
ação ou omissão sem a qual o resultado não teria
19. (CESPE-UNB/Analista do MPU/Jurídico/Direito/MPU/ ocorrido".
2013) D) influencia diretamente na tipificação do delito, seja
ele doloso ou culposo.
101 Tratando-se de concurso de agentes, quando E) determina que a pena em razão da prática do delito
comprovada a vontade de um dos autores do fato seja fixada na medida da culpabilidade do agente.
em participar de crime menos grave, a pena será
diminuída até a metade, na hipótese de o 22. (VUNESP/Procurador Jurídico/Prefeitura Porto Ferrei-
resultado mais grave ter sido previsível, não ra-SP/2017) Sobre o concurso de pessoas, assinale a
podendo, contudo, ser inferior ao mínimo da alternativa correta.
pena cominada ao crime efetivamente praticado.
A) Quem, de qualquer modo, concorre para o crime
incide nas penas a este cominadas, na medida de
sua personalidade.
CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
42
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

B) Se a participação for de maior importância, a pe- sória ou ato administrativo normativo que fixem
na pode ser majorada de um sexto a um terço. para o ente a obrigação legal de sua execução por
C) Se algum dos concorrentes quis participar de cri- um período superior a dois exercícios.
me menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste;
essa pena será aumentada até o dobro, na hipó- 25. (VUNESP/Juiz de Direito Substituto/TJ-MT/2009) Para
tese de ter sido previsível o resultado mais grave. solucionar os vários problemas referentes ao concurso
D) Não se comunicam as circunstâncias e as condi- de pessoas, Roxin, jurista alemão, idealizou a teoria do
ções de caráter pessoal, salvo quando elementa- domínio do fato, que
res do crime.
E) O ajuste, a determinação, a sedição ou instigação A) entende como autor quem domina a realização
e o auxílio ou cooperação material não são puní- do fato, quem tem poder sobre ele, bem como
veis, se o crime não chega, pelo menos, a ser exe- quem tem poder sobre a vontade alheia; partícipe
cutado. é quem não domina a realização do fato, mas
contribui de qualquer modo para ele.
23. (VUNESP/Inspetor de Polícia Civil/PC-CE/2015) No B) entende como autores todos aqueles que inter-
que diz respeito ao concurso de pessoas, segundo as venham no processo causal de realização do tipo,
disposições previstas no Código Penal, é correto afir- independentemente da importância que a sua co-
mar que laboração possua dentro da totalidade do fato,
questão que só tem interesse no momento da fi-
A) o ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, xação da pena.
salvo disposição expressa em contrário, não são C) distingue a autoria da participação em função da
puníveis, se o crime, apesar de iniciada a execu- prática dos atos executórios do delito.
ção, não chega a ser consumado. D) é aceita pelos doutrinadores nacionais embora
B) se algum dos concorrentes quis participar de cri- não seja aceita pela jurisprudência.
me menos grave, a pena pode ser diminuída de E) não tem aplicação prática no direito penal brasi-
um sexto a um terço. leiro.
C) não se comunicam as circunstâncias e as condi-
ções de caráter pessoal, mesmo quando elemen- GABARITO
tares do crime.
01 02 03 04 05 06 07 08 09 10
D) quem, de qualquer modo, concorre para o crime
C E CC D E CE C D A E
incide nas penas a este cominadas, independen-
temente se quis participar de crime menos grave. 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20
E) quem, de qualquer modo, concorre para o crime E A A C E C B E E E
incide nas penas a este cominadas, na medida de 21 22 23 24 25
sua culpabilidade. E D E C A

24. (VUNESP/Procurador do Município/Prefeitura Rosa- _______________________________________________


na-SP/2016) Assinale a alternativa correta sobre o _________________________________________________
concurso de pessoas. _________________________________________________
A) Admite-se a participação por omissão em crime _________________________________________________
comissivo, quando o omitente devia e podia agir _________________________________________________
para evitar o resultado, mas não se admite em _________________________________________________
crimes omissivos, por induzimento ou instigação. _________________________________________________
B) Para que se admita a concorrência de culpas no Capítulo 4
crime culposo, é necessário que cada agente atue
com consciência de que está colaborando com a Concurso de Crimes
conduta culposa de outrem.
C) A pena será agravada em relação ao agente que
instiga ou determina a cometer o crime alguém 1. Legislação:
sujeito à sua autoridade ou não punível em virtu-
de de condição ou qualidade pessoal.
D) Se a participação for de menor importância, a pe-  Concurso material
na pode ser diminuída de um sexto a dois terços.
E) As condições e circunstâncias pessoais do agente Art. 69 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou
não se comunicam ao coautor ou partícipe ainda omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não,
que circunstâncias elementares ao crime. Direito aplicam-se cumulativamente as penas privativas de
Financeiro -se obrigatória de caráter continuado liberdade em que haja incorrido. No caso de aplicação
a despesa corrente derivada de lei, medida provi- cumulativa de penas de reclusão e de detenção, executa-se
CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
43
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

primeiro aquela. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 2. Comentários:


11.7.1984)
1. Concurso Material:
§ 1º - Na hipótese deste artigo, quando ao agente tiver sido
aplicada pena privativa de liberdade, não suspensa, por um - Previsão legal: art. 69, CP.
dos crimes, para os demais será incabível a substituição de - Requisitos: (a) pluralidade de condutas e (b) pluralidade
que trata o art. 44 deste Código. (Redação dada pela Lei nº de crimes.
7.209, de 11.7.1984)
- Espécies:
§ 2º - Quando forem aplicadas penas restritivas de direitos,
o condenado cumprirá simultaneamente as que forem a) Homogêneo: quando os crimes são idênticos;
compatíveis entre si e sucessivamente as demais. (Redação b) Heterogêneo: quando os crimes são diferentes.
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
- Regras de fixação da pena: sistema do cúmulo material
(aplica-se ao réu o somatório das penas de cada uma das
 Concurso formal infrações penais pelas quais foi condenado). Assim, o juiz
deve fixar, separadamente, a pena de cada uma das
Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só ação ou infrações penais e, em seguida, na própria sentença,
omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, procede à soma de todas elas.
aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais,
somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de
um sexto até metade. As penas aplicam-se, entretanto, 2. Concurso Formal:
cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes
concorrentes resultam de desígnios autônomos, consoante - Previsão legal: art. 70, CP.
o disposto no artigo anterior.(Redação dada pela Lei nº - Requisitos: (a) unidade de conduta (não impede seu
7.209, de 11.7.1984) fracionamento em vários atos) e (b) pluralidade de
Parágrafo único - Não poderá a pena exceder a que seria crimes.
cabível pela regra do art. 69 deste Código. (Redação dada - Espécies:
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
a) Homogêneo: quando os crimes são idênticos;
b) Heterogêneo: quando os crimes são diferentes;
 Crime continuado
c) Perfeito: unidade de desígnios (uma vontade que não
Art. 71 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou abrange todos os resultados);
omissão, pratica dois ou mais crimes da mesma espécie e,
pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e d) Imperfeito: desígnios autônomos (vontade de realizar
outras semelhantes, devem os subseqüentes ser havidos cada um dos crimes).
como continuação do primeiro, aplica-se-lhe a pena de um - Regras de fixação da pena: em relação ao concurso
só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, formal perfeito, o Código Penal acolheu o sistema da
aumentada, em qualquer caso, de um sexto a dois terços. exasperação. Assim, aplica-se a pena de qualquer dos
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) crimes, se idênticos (concurso homogêneo), ou então a
Parágrafo único - Nos crimes dolosos, contra vítimas mais grave (no concurso heterogêneo), aumentada, em
diferentes, cometidos com violência ou grave ameaça à qualquer caso, de um sexto até a metade. Por outro lado,
pessoa, poderá o juiz, considerando a culpabilidade, os no que diz respeito ao concurso formal imperfeito, o
antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, Código Penal consagrou o sistema do cúmulo material,
bem como os motivos e as circunstâncias, aumentar a pena em que serão somadas as penas de todos os crimes
de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se produzidos pelo agente.
diversas, até o triplo, observadas as regras do parágrafo OBSERVAÇÃO: Concurso material benéfico (art. 70,
único do art. 70 e do art. 75 deste Código.(Redação dada parágrafo único, CP)
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

3. Crime continuado:
 Multas no concurso de crimes
- Previsão legal: art. 71, CP.
Art. 72 - No concurso de crimes, as penas de multa são
aplicadas distinta e integralmente. (Redação dada pela Lei nº - Natureza jurídica: o Brasil adotou a teoria da ficção, em
7.209, de 11.7.1984) que somente para efeito da pena todos os crimes
formam um só delito (a prova é o art. 119, CP).
- Espécies: (a) genérico e (b) específico.
CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
44
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

- Crime continuado genérico (art. 71, caput, CP): cometidos com violência ou grave ameaça à
pessoa, o aumento da pena pelo crime
I) Requisitos: (a) pluralidade de condutas, (b)
continuado encontra fundamento na gravidade
pluralidade de crimes da mesma espécie (do mesmo
do delito.
tipo penal), (c) elo de continuidade, ou seja, crimes
E) O prazo prescricional será regulado pela pena
cometidos nas mesmas condições de tempo, lugar e
imposta na sentença, com o acréscimo decorrente
modo de execução.
da continuidade delitiva.
II) Regras de fixação das penas: foi adotado o sistema da
exasperação. Nesse sentido, sendo as penas idênticas, 03. (CESPE-UNB/Defensor Público/DPE-PE/2015) Com
aplica-se a pena de um só dos crimes, aumentada de relação ao concurso de crimes, julgue os seguintes
1/6 a 2/3. Sendo diferentes, aplica-se a pena do itens.
crime mais grave, exasperada de 1/6 a 2/3.
49 O concurso formal próprio distingue-se do con-
- Crime continuado específico (art. 71, parágrafo único,
curso formal impróprio pelo elemento subjetivo
CP):
do agente, ou seja, pela existência ou não de de-
I) Requisitos: os mesmos do crime continuado genérico sígnios autônomos.
+ crimes dolosos + vítimas diferentes + cometidos 50 O cálculo da prescrição da pretensão punitiva no
com violência ou grave ameaça. concurso de crimes é feito isoladamente para ca-
da um dos crimes praticados, desconsiderando-se
II) Regras de fixação das penas: também foi adotado o
o acréscimo decorrente do concurso formal ou
sistema da exasperação. Assim, aplica-se a pena de
material ou da continuidade delitiva.
qualquer dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se
diversas, aumentada até o triplo.
04. (CESPE-UnB/Defensor Público da União de 2ª
Categoria/DPU/2007)
3. Exercícios:
11 No caso de aberratio ictus com unidade complexa,
aplica-se a regra do concurso formal de crimes,
01. (CESPE-UnB/Defensor Público Federal/DPU/ 2010) No isto é, aplica-se-lhe a mais grave das penas
que concerne ao concurso de crimes e às penas, julgue cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas
os itens que se seguem. aumentada, em qualquer caso, de um sexto até
metade da pena.
62 Segundo precedentes do STJ, o percentual de
aumento decorrente do concurso formal de 05. (CESPE-UnB/Juiz de Direito Substituto/TJ-PI/2007)
crimes deve ser aferido em razão do número de Com relação ao concurso de crimes, a assinale a opção
delitos praticados, e não, à luz das circunstâncias correta.
judiciais analisadas na primeira fase da dosimetria
da pena. A) No concurso formal de crimes, aplica-se ao agente
63 Em caso de concurso formal de crimes, a pena a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais,
privativa de liberdade não pode exceder a que somente uma delas, mas aumentada, em
seria cabível pela regra do concurso material. qualquer caso, de um sexto até metade. As penas
de multa são aplicadas distinta e integralmente.
02. (CESPE-UNB/Delegado de Polícia Substituto/PC- B) Ocorre o concurso formal perfeito quando a ação
MT/2017) A respeito de crimes de mesma espécie, nas ou a omissão é dolosa e os crimes concorrentes
mesmas condições de tempo, lugar e forma de resultam de desígnios autônomos, caso em que as
execução, com vínculo subjetivo entre os eventos, penas são aplicadas cumulativamente.
assinale a opção correta considerando a jurisprudência C) No crime continuado qualificado, o juiz,
dos tribunais superiores. considerando as circunstâncias judiciais, poderá
aumentar a pena de um só dos crimes, se
A) A lei penal mais grave aplicar-se-á ao crime idênticas, ou a mais grave, se diversas, até o
continuado ou ao crime permanente, se a sua quádruplo.
vigência for posterior à cessação da continuidade D) No concurso formal imperfeito, a pena poderá
delitiva ou da permanência. exceder a que seria cabível caso fossem aplicadas
B) Admite-se a continuidade delitiva entre os crimes as regras do concurso material.
de roubo e de latrocínio. E) Não se admite a existência de crime habitual em
C) A continuidade delitiva pode ser reconhecida continuidade delitiva.
quando se tratar de delitos de mesma espécie
ocorridos em comarcas limítrofes ou próximas. 06. (VUNESP/Procurador Judicial/Prefeitura de Louveira-
D) Nos crimes dolosos contra vítimas diferentes SP/2007) Quando o agente, mediante uma só ação ou
CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
45
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, CC C CC C A B A A


aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se
iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qual-
_______________________________________________
quer caso, de um sexto até a metade. Trata-se da des-
_________________________________________________
crição legal e da regra de aplicação de pena do
_________________________________________________
_________________________________________________
A) concurso material de crimes.
_________________________________________________
B) concurso formal de crimes.
_________________________________________________
C) crime continuado.
_________________________________________________
D) concurso imaterial de crimes.
_________________________________________________
E) crime conexo.
_________________________________________________
_________________________________________________
07. (VUNESP/Delegado de Polícia Civil – 1ª Classe/PC-
_________________________________________________
CE/2015) Quando o agente, mediante uma só ação ou
_________________________________________________
omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não,
_________________________________________________
aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se
_________________________________________________
iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qual-
_________________________________________________
quer caso, de um sexto até metade. Trata-se da defini-
_________________________________________________
ção legal do
_________________________________________________
_________________________________________________
A) concurso formal.
_________________________________________________
B) concurso material.
_________________________________________________
C) concurso material benéfico.
_________________________________________________
D) princípio da consunção.
_________________________________________________
E) crime continuado.
_________________________________________________
_________________________________________________
08. (VUNESP/Juiz de Direito Substituto/TJ-SP/2017)
_________________________________________________
Quanto ao concurso de crimes, é correto afirmar:
_________________________________________________
_________________________________________________
A) no crime continuado comum, aplica-se a pena de
_________________________________________________
um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave,
_________________________________________________
se diversas, aumentada, em qualquer caso, de um
_________________________________________________
sexto a dois terços, considerado o número de in-
_________________________________________________
frações cometidas, incidindo a extinção da punibi-
_________________________________________________
lidade sobre a pena de cada uma, isoladamente.
_________________________________________________
B) nos crimes dolosos, cometidos com violência ou
_________________________________________________
grave ameaça contra a mesma vítima, poderá o
_________________________________________________
juiz, considerando a culpabilidade, os anteceden-
_________________________________________________
tes, a conduta social e a personalidade do agente,
_________________________________________________
bem como os motivos e as circunstâncias, aumen-
_________________________________________________
tar a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a
_________________________________________________
mais grave, se diversas, até o triplo.
_________________________________________________
C) há concurso formal impróprio ou imperfeito
quando a ação ou omissão, dolosa ou culposa, re- Capítulo 5
sultar de desígnios autônomos, hipótese em que
a pena será aplicada pela regra do concurso ma- Punibilidade
terial.
D) há concurso formal próprio quando o agente,
mediante uma só ação ou omissão, pratica dois
1. Legislação:
ou mais crimes, idênticos ou não, aplicando-se a
mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, so- Art. 107 - Extingue-se a punibilidade: (Redação dada pela Lei
mente uma delas, mas aumentada, em qualquer nº 7.209, de 11.7.1984)
caso, de um sexto a dois terços, considerado o
I - pela morte do agente;
número de infrações cometidas.
II - pela anistia, graça ou indulto;
GABARITO
III - pela retroatividade de lei que não mais considera o fato
01 02 03 04 05 06 07 08 como criminoso;
CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
46
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

IV - pela prescrição, decadência ou perempção; § 1º A prescrição, depois da sentença condenatória com


trânsito em julgado para a acusação ou depois de improvido
V - pela renúncia do direito de queixa ou pelo perdão aceito,
seu recurso, regula-se pela pena aplicada, não podendo, em
nos crimes de ação privada;
nenhuma hipótese, ter por termo inicial data anterior à da
VI - pela retratação do agente, nos casos em que a lei a denúncia ou queixa. (Redação dada pela Lei nº 12.234, de
admite; 2010).
VII - (Revogado pela Lei nº 11.106, de 2005) § 2º (Revogado pela Lei nº 12.234, de 2010).
VIII - (Revogado pela Lei nº 11.106, de 2005)
IX - pelo perdão judicial, nos casos previstos em lei.  Termo inicial da prescrição antes de transitar em julgado
a sentença final
Art. 108 - A extinção da punibilidade de crime que é
pressuposto, elemento constitutivo ou circunstância Art. 111 - A prescrição, antes de transitar em julgado a
agravante de outro não se estende a este. Nos crimes sentença final, começa a correr: (Redação dada pela Lei nº
conexos, a extinção da punibilidade de um deles não impede, 7.209, de 11.7.1984)
quanto aos outros, a agravação da pena resultante da
I - do dia em que o crime se consumou; (Redação dada pela
conexão. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - no caso de tentativa, do dia em que cessou a atividade
 Prescrição antes de transitar em julgado a sentença criminosa; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Art. 109. A prescrição, antes de transitar em julgado a III - nos crimes permanentes, do dia em que cessou a
sentença final, salvo o disposto no § 1o do art. 110 deste permanência; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
Código, regula-se pelo máximo da pena privativa de 11.7.1984)
liberdade cominada ao crime, verificando-se: (Redação dada IV - nos de bigamia e nos de falsificação ou alteração de
pela Lei nº 12.234, de 2010). assentamento do registro civil, da data em que o fato se
I - em vinte anos, se o máximo da pena é superior a doze; tornou conhecido. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
II - em dezesseis anos, se o máximo da pena é superior a
oito anos e não excede a doze; V - nos crimes contra a dignidade sexual de crianças e
adolescentes, previstos neste Código ou em legislação
III - em doze anos, se o máximo da pena é superior a quatro especial, da data em que a vítima completar 18 (dezoito)
anos e não excede a oito; anos, salvo se a esse tempo já houver sido proposta a ação
IV - em oito anos, se o máximo da pena é superior a dois penal. (Redação dada pela Lei nº 12.650, de 2012)
anos e não excede a quatro;
V - em quatro anos, se o máximo da pena é igual a um ano  Termo inicial da prescrição após a sentença condenatória
ou, sendo superior, não excede a dois; irrecorrível
VI - em 3 (três) anos, se o máximo da pena é inferior a 1 (um) Art. 112 - No caso do art. 110 deste Código, a prescrição
ano. (Redação dada pela Lei nº 12.234, de 2010). começa a correr: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
I - do dia em que transita em julgado a sentença
condenatória, para a acusação, ou a que revoga a suspensão
 Prescrição das penas restritivas de direito condicional da pena ou o livramento condicional; (Redação
Parágrafo único - Aplicam-se às penas restritivas de direito dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
os mesmos prazos previstos para as privativas de II - do dia em que se interrompe a execução, salvo quando o
liberdade. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) tempo da interrupção deva computar-se na pena. (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

 Prescrição depois de transitar em julgado sentença final


condenatória  Prescrição no caso de evasão do condenado ou de
Art. 110 - A prescrição depois de transitar em julgado a revogação do livramento condicional
sentença condenatória regula-se pela pena aplicada e Art. 113 - No caso de evadir-se o condenado ou de revogar-
verifica-se nos prazos fixados no artigo anterior, os quais se se o livramento condicional, a prescrição é regulada pelo
aumentam de um terço, se o condenado é tempo que resta da pena. (Redação dada pela Lei nº 7.209,
reincidente. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) de 11.7.1984)

CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
47
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

§ 1º - Excetuados os casos dos incisos V e VI deste artigo, a


interrupção da prescrição produz efeitos relativamente a
 Prescrição da multa
todos os autores do crime. Nos crimes conexos, que sejam
Art. 114 - A prescrição da pena de multa ocorrerá: (Redação objeto do mesmo processo, estende-se aos demais a
dada pela Lei nº 9.268, de 1º.4.1996) interrupção relativa a qualquer deles. (Redação dada pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - em 2 (dois) anos, quando a multa for a única cominada ou
aplicada; (Incluído pela Lei nº 9.268, de 1º.4.1996) § 2º - Interrompida a prescrição, salvo a hipótese do inciso V
deste artigo, todo o prazo começa a correr, novamente, do
II - no mesmo prazo estabelecido para prescrição da pena
dia da interrupção. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
privativa de liberdade, quando a multa for alternativa ou
11.7.1984)
cumulativamente cominada ou cumulativamente aplicada.
(Incluído pela Lei nº 9.268, de 1º.4.1996) Art. 118 - As penas mais leves prescrevem com as mais
graves. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Art. 119 - No caso de concurso de crimes, a extinção da
 Redução dos prazos de prescrição
punibilidade incidirá sobre a pena de cada um,
Art. 115 - São reduzidos de metade os prazos de prescrição isoladamente. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
quando o criminoso era, ao tempo do crime, menor de 21 11.7.1984)
(vinte e um) anos, ou, na data da sentença, maior de 70
(setenta) anos.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)  Perdão judicial
Art. 120 - A sentença que conceder perdão judicial não será
considerada para efeitos de reincidência. (Redação dada
 Causas impeditivas da prescrição
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Art. 116 - Antes de passar em julgado a sentença final, a
prescrição não corre: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984) 2. Comentários:
I - enquanto não resolvida, em outro processo, questão de Conceito: a punibilidade é a possibilidade jurídica de o
que dependa o reconhecimento da existência do crime; Estado impor uma sanção penal ao responsável (autor,
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) coautor ou partícipe) pela infração penal. O rol do art. 107 é
II - enquanto o agente cumpre pena no estrangeiro.(Redação meramente exemplificativo (o art. 312, § 3º, CP, por exemplo,
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) traz uma causa de extinção da punibilidade).

Parágrafo único - Depois de passada em julgado a sentença


condenatória, a prescrição não corre durante o tempo em OBSERVAÇÕES:
que o condenado está preso por outro motivo. (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 1. A morte do agente como causa extintiva da
punibilidade deve ser provada pela certidão de óbito
(art. 62, CPP). Se a extinção da punibilidade foi
 Causas interruptivas da prescrição declarada com base em certidão de óbito falsa, poderá
haver revogação da decisão judicial, pois a declaração
Art. 117 - O curso da prescrição interrompe-se: (Redação com falso fundamento não constitui ofensa à coisa
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) julgada (STF e STJ).
I - pelo recebimento da denúncia ou da queixa; (Redação 2. A anistia é uma clemência estatal concedida por lei
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) ordinária editada pelo Congresso Nacional (art. 21, XVII
II - pela pronúncia; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de e art. 48, VIII, ambos da CF). A graça é um benefício
11.7.1984) individual, concedida pelo Presidente da República e
depende, em regra, de provocação da parte
III - pela decisão confirmatória da pronúncia; (Redação dada interessada (também chamada de indulto individual).
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) O indulto propriamente dito, ou indulto coletivo, é
IV - pela publicação da sentença ou acórdão condenatórios modalidade de clemência concedida espontaneamente
recorríveis; (Redação dada pela Lei nº 11.596, de 2007). pelo presidente da República a todo o grupo de
condenados que preencherem os requisitos apontados
V - pelo início ou continuação do cumprimento da pena; pelo decreto.
(Redação dada pela Lei nº 9.268, de 1º.4.1996)
3. A abolitio criminis (art. 2º, caput, e art. 107, III, CP) é a
VI - pela reincidência. (Redação dada pela Lei nº 9.268, de nova lei que exclui do âmbito do Direito Penal um fato
1º.4.1996) anteriormente considerado criminoso. O juízo
CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
48
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

competente para aplicar a abolitio criminis é aquele judicial é declaratória da extinção da punibilidade, não
onde tramita a ação penal (se em 1º grau de jurisdição, subsistindo qualquer efeito condenatório.
é o juiz da respectiva vara; se em grau recursal, é o
 Súmula 338 do STJ: A prescrição penal é aplicável nas
Tribunal; se já transitada em julgado a sentença, é o
medidas socioeducativas.
juízo da execução penal).
 Súmula 438 do STJ: É inadmissível a extinção da
4. A retratação do agente tem cabimento como causa de
punibilidade pela prescrição da pretensão punitiva com
extinção da punibilidade apenas nos casos em que a lei
fundamento em pena hipotética, independentemente
a admite, como no art. 143, CP (prevista para os crimes
da existência ou sorte do processo penal.
de calúnia e difamação, não sendo possível para o
crime de injúria, por falta de previsão legal), e no art.
342, § 2º, CP.
3. Exercícios:
5. Nos termos da súmula 18 do STJ, “a sentença
concessiva do perdão judicial é declaratória de 01. (CESPE-UNB/Defensor Público de 1ª Classe/DPE-
extinção da punibilidade, não subsistindo qualquer AL/2017) Assinale a opção que apresenta causa que
efeito condenatório”. O perdão judicial foi estabelecido, acarreta a extinção da punibilidade, extensível aos
por exemplo, no art. 121, § 5º, art. 129, § 8º, art. 140, § coautores e partícipes.
1º, e art. 180, § 5º, todos do CP.
6. Em se tratando de crime permanente, a prescrição só A) morte do agente
começa a correr depois de cessada a permanência (art. B) perempção
111, IV, CP). C) perdão judicial
D) retração do querelado na calúnia
7. A renúncia ocorre antes de iniciada a ação penal E) prescrição ao agente menor de vinte e um anos
privada e o perdão ocorre após o início da ação penal
privada, sendo que o perdão ainda precisa ser aceito (a 02. (CESPE-UNB/Defensor Público-Nível I-Substituto/DPE-
renúncia não precisa de aceitação) e pode ser ES/2009)
concedido até o trânsito em julgado da sentença penal
condenatória (art. 106, § 2º, CP). 33 Considere a seguinte situação hipotética. Carlos
8. A perempção só é possível em casos de ação penal comprou um notebook de Délcio, ciente de que o
privada e ocorre nas seguintes hipóteses: quando, bem tinha sido objeto de furto praticado por
iniciada esta, o querelante deixar de promover o Délcio. Nessa situação, se ocorrer a prescrição da
andamento do processo durante 30 dias seguidos; pretensão punitiva do crime de furto, Carlos não
quando, falecendo o querelante, ou sobrevindo sua poderá ser acusado de receptação, ainda que não
incapacidade, não comparecer em juízo, para prescrito este crime.
prosseguir no processo, dentro do prazo de 60 dias,
qualquer das pessoas a quem couber fazê-lo (cônjuge, 03. (CESPE-UNB/Agente Penitenciário e Agente de Escolta
ascendente, descendente ou irmão do ofendido); e Vigilância Penitenciário/SEJUS-ES/2009)
quando o querelante deixar de comparecer, sem
motivo justificado, a qualquer ato do processo a que 82 A anistia exclui o crime, rescinde a condenação e
deva estar presente, ou deixar de formular o pedido de extingue totalmente a punibilidade, tendo, de
condenação nas alegações finais; quando, sendo o regra, ao contrário da graça, o caráter da
querelante pessoa jurídica, esta se extinguir sem deixar generalidade, ao abranger fatos e não pessoas.
sucessor (art. 60, CPP).
9. A sentença que conceder perdão judicial não será 04. (CESPE-UNB/Agente de Polícia Civil/PCES/2009)
considerada para efeitos de reincidência (art. 120, CP).
10. Em qualquer fase do processo penal, o juiz, se 99 Um cidadão foi vítima de crime que se apura
reconhecer extinta a punibilidade, deverá declará-lo de mediante ação penal privada. Oferecida queixa-
ofício (art. 61, CPP). crime perante a autoridade judiciária competente e
iniciada a ação penal, o querelante deixou de
promover o andamento do processo por mais de 30
SÚMULAS IMPORTANTES: dias seguidos. Nessa situação, o querelante, em
decorrência de sua inércia, perderá o seu direito de
 Súmula 554 do STF: O pagamento de cheque emitido continuar no processo, extinguindo-se, por
sem provisão de fundos, após o recebimento da consequência, a punibilidade do agente.
denúncia, não obsta ao prosseguimento da ação penal.
 Súmula 18 do STJ: A sentença concessiva do perdão 05. (CESPE-UNB/Delegado de Polícia/ PCPB/2009) Não

CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
49
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

leva à extinção da punibilidade do agente sentido estrito, visto que tal decisão é meramente
declaratória, não subsistindo se seu pressuposto
A) a retroatividade de lei que não mais considera o for falso.
fato como criminoso. B) O decreto de indulto coletivo é auto-executável,
B) a prescrição, a decadência ou a perempção. isto é, produz efeitos por si mesmo, prescindindo
C) o casamento do agente com a vítima, nos crimes de avaliação judicial ou oitiva do MP.
contra os costumes. C) No caso de indulto condicional, o condenado deve
D) a retratação do agente, nos casos em que a lei a apresentar bom comportamento durante certo
admite. período, que normalmente é de dois anos, sob
pena de não ser reconhecido o perdão concedido,
06. (CESPE-UNB/Juiz de Direito Substituto/TJTO/2007) situação em que o indulto perde a eficácia e o
Quanto a anistia, graça e indulto, assinale a opção condenado volta a cumprir a pena. No período
incorreta. determinado como condição, a superveniência de
decisão condenatória que imponha pena restritiva
A) A graça, que corresponde a indulto de direitos impede o aperfeiçoamento do indulto.
individualmente concedido, pode ser requerida D) A anistia ocorre apenas após a condenação
pelo próprio condenado e, nesse caso, será definitiva, pode ser condicionada ou não e
posteriormente submetida a parecer do Conselho destina-se a crimes políticos ou comuns, sendo
Penitenciário. vedada para crimes hediondos, tortura, tráfico
B) Uma vez concedido o indulto coletivo pela ilícito de entorpecentes e terrorismo.
autoridade competente, não pode o juiz da
execução penal deixar de julgar extinta a 09. (CESPE-UNB/Delegado de Polícia Civil
punibilidade do beneficiado ou conceder-lhe Substituto/PCRN/2009) A indulgência estatal que
indulto parcial. depende de decreto do presidente da República
C) A anistia é concedida pelo Congresso Nacional, (podendo esse delegar tal competência a ministros de
por intermédio de lei. Caso o agente do delito já Estado, procurador-geral da República ou advogado-
tenha cumprido a pena e seja beneficiado com a geral da União), tem caráter individual e, de regra,
anistia, elimina-se o registro da condenação de depende de requerimento do condenado, do MP, do
sua folha de antecedentes penais. Conselho Penitenciário ou de autoridade
D) O indulto é concedido pelo presidente da administrativa é denominada
República, por intermédio de decreto.
A) anistia.
07. (CESPE-UNB/Juiz de Direito Substituto/TJBA/2004) B) indulto.
Acerca da extinção da punibilidade e de causas de C) graça.
redução de pena, julgue os itens seguintes. D) asilo político.
E) extradição.
122 Considere a seguinte situação hipotética. Cristiano
e Marcos afirmaram falsamente que Germano 10. (CESPE-UNB/Analista de Trânsito/DETRAN-DF/2009)
cometera o crime de extorsão mediante Acerca da extinção da punibilidade e dos efeitos civis
sequestro. Apresentada queixa por Germano, da sentença penal, julgue os itens a seguir.
apenas Cristiano se retratou antes da sentença.
Nessa situação, ocorreu, em relação a Cristiano, 71 A prescrição da pretensão punitiva do Estado
causa de extinção de punibilidade que não se extingue a punibilidade do agente e impede a
comunica a Marcos. propositura de ação civil reparatória dos danos
123 Conforme a jurisprudência do Superior Tribunal de causados pela conduta criminosa.
Justiça (STJ), a sentença que concede perdão 72 A sentença penal absolutória impede a ação civil
judicial é meramente declaratória da extinção da reparatória quando reconhece que o fato
punibilidade, não persistindo quaisquer efeitos imputado não constitui crime ou que não existe
penais. prova suficiente para a condenação.
73 O perdão do ofendido extingue a punibilidade do
08. (CESPE-UNB/Promotor de Justiça Substituto/MPE- agente nos crimes de ação penal privada, ainda
TO/2006) Acerca das causas de extinção da que concedido após o trânsito em julgado da
punibilidade, assinale a opção correta. sentença penal condenatória.
74 A lei penal que deixa de considerar determinado
A) De acordo com o entendimento do STF, é possível fato como criminoso retroage e extingue a
a revogação da decisão que extinguiu a punibilidade do agente, mas permanecem os
punibilidade do réu, com base em certidão de efeitos civis.
óbito falsa, por inexistência de coisa julgada em
CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
50
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
DIREITO PENAL (PARTE GERAL) PARA CONCURSOS
| Prof. Otoni Queiroz
OS: 0014/4/18-Gil

11. (VUNESP/Promotor de Justiça Substituto/MP-ES/2013) D) Pela graça; pela prescrição ou por erro na execu-
No tocante à extinção da punibilidade, assinale a alter- ção.
nativa correta. E) Pelo abolitio criminis; pela inimputabilidade penal
ou por indulto.
A) A retratação é admitida nos crimes de calúnia, in-
júria e difamação. 15. (VUNESP/Procurador do Município/Prefeitura Rosa-
B) O perdão do ofendido é um ato pelo qual o que- na-SP/2016) Sobre as causas extintivas de punibilidade,
relado desiste do prosseguimento da ação penal é correto afirmar que a
privada.
C) Na receptação culposa, sendo o criminoso primá- A) lei posterior que deixa de considerar como infra-
rio, será cabível o perdão judicial. ção um fato que era anteriormente punido (aboli-
D) A renúncia é instituto exclusivo da ação penal pri- tio criminis) exclui os efeitos jurídicos penais e ci-
vada. vis decorrentes da aplicação da lei anterior.
E) A prescrição não incidirá sobre os crimes de ter- B) prescrição, antes de transitar em julgado a sen-
rorismo e tortura. tença final, começa a correr, no caso de tentativa,
do dia em que cessou a atividade criminosa e nos
12. (VUNESP/Agente de Promotoria/Assessoria/MP- casos dos crimes permanentes, do dia em que
Es/2013) É causa de extinção da punibilidade o/a cessou a permanência.
C) perempção pode ser reconhecida na ação privada
A) perdão judicial. exclusiva e na ação privada subsidiária da pública
B) inimputabilidade. e havendo dois ou mais querelantes, sua ocorrên-
C) semi-imputabilidade. cia alcança somente aquele que lhe deu causa,
D) adequação social da conduta. prosseguindo quanto aos demais.
E) inexigibilidade de conduta diversa. D) decadência, perda do direito de ação ou de repre-
sentação do ofendido em face do decurso de
13. (VUNESP/Defensor Público/DPE-MS/2012) São causas tempo, tem prazo sujeito a interrupção ou a sus-
extintivas da punibilidade: pensão.
E) anistia pode ocorrer antes ou depois da sentença,
I. Anistia - é concedida por lei, referindo-se a fatos opera efeito ex nunc e não abrange os efeitos ci-
já realizados, pressupondo condenação transitada vis da decisão.
em julgado.
II. Perempção - na ação penal privada ou pública
condicionada a representação, consistindo na
perda do direito de prosseguir na ação.
III. Renúncia - ato unilateral e extraprocessual, pelo
qual o ofendido abdica do direito de oferecer
GABARITO
queixa.
01 02 03 04 05 06 07 08 09 10
É correto apenas o que se afirma em B E C C D B CC A C *
11 12 13 14 15 16 17 18 19 20
A) III. C A A B B
B) I e III. 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30
C) II e III.
D) I.
10. EEEC
14. (VUNESP/Oficial de Justiça Avaliador/TJ-PA/2014)
Assinale a alternativa que contém somente causas de
extinção da punibilidade, de acordo com o artigo 107
do Código Penal.

A) Por erro sobre a pessoa; pela decadência ou pela


retratação do agente, nos casos em que a lei ad-
mite.
B) Pela morte do agente; por anistia ou por renúncia
do direito de queixa nos crimes de ação privada.
C) Pelo perdão judicial nos casos previstos em lei;
pela perempção ou por legítima defesa.

CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
51
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220