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Sucessão de leis penais

Art. 213 ESTUPRO

Antigamente na redação do Código Penal, o tipo penal que falava a respeito do


estupro tinha uma tendência machista, pois tinha algumas características que
indicavam que o legislador tinha uma mente voltada a essa tendência. Além do
mais vemos que o titulo era muito subjetivo, sendo muito difícil a tipificação de
algumas práticas que eram praticadas, pois algumas práticas não eram
tipificadas, não sendo passíveis de uma pena mais severa. Titulo este, ‘’Crimes
contra os costumes’’. Essa expressão em face da mudança da sociedade,
valores e princípios precisava ser revista. Somente a ‘’mulher honesta’’ tinha
algumas tutelas do Estado. A sociedade muda e o Direito acompanha essa
mudança, logo já era tempo de uma mudança, a sociedade clamava por uma
mudança. Isso ficou muito mais claro com um episódio que aconteceu, onde
um homem ejaculou sobre uma mulher e o Estado não pode agir através do
Jus Puniendi, ou seja, como esse ato, não era tipificado como um ‘’crime’’, logo
esse fato foi um divisor de águas para a mudança que ocorreu após o advento
da Lei 12.015/2009. Importante destacar que a mulher sempre foi vista como
um objeto na sociedade, sem muitos dos direitos que o homem já tinha há
séculos. Mas com o passar dos tempos, a mulher, pouco a pouco, foi
conquistando seu espaço e hoje em dia, com uma bravura inigualável, ela está
em todos os setores da sociedade, mostrando com isso um avanço
significativo.

Redação antiga do artigo 213

‘’Constranger mulher á conjunção carnal, mediante violência ou grave ameaça:

Pena – reclusão, de três a oito anos.’’

Vamos analisar algumas coisas nesse artigo, que merecem nosso destaque:

1 – ‘mulher’

O termo usado era ‘mulher’, levando o leitor a crer que somente a mulher
poderia ser vitima de estupro. Mas nós sabemos que qualquer pessoa, pode
ser sim vitima de estupro, seja homem ou mulher, logo na nossa visão não
fazia sentido, esse termo ser usado nesse artigo. Com a nova Lei, vemos que o
legislador, trocou essa palavra por uma mais abrangente que alcança mais o
verdadeiro sentido daquilo que a sociedade precisava, que é a palavra
‘alguém’, pois como foi dito antes, qualquer pessoa pode ser vitima desse
crime. Ou seja, qualquer pessoa pode ser sujeito passivo desse crime, por isso
a escolha dessa palavra.

Revogação do antigo artigo 214(ATENTADO VIOLENTO AO PUDOR)


Com o advento da Lei 12.015/2009, veio a unificação do artigo 214 ao 213, ou
seja, o ‘atentado violento ao pudor’ foi revogado e se juntou ao novo artigo 213
da nova Lei:

‘Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção


carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso:

Pena – reclusão, de 6 a 10 anos’.

Com a revogação do art. 214, qualquer outro ato libidinoso, como foi o caso do
homem que ejaculou na mulher, agora podia ser enquadrado com estupro,
sendo um fato punível de sanção penal. Também qualquer outro ato que não
seja, propriamente o coito vaginal, agora pode ser considerado estupro.

Um grande avanço foi dado nessa questão, pois antigamente muitos atos que
doravante não eram considerado estupro, e não podiam ser fatos puníveis pelo
Estado, agora com o advento da Lei 12015/2009 passaram a ser considerado
estupro, sendo passiveis de punição por parte do Estado.
Tipo Misto Alternativo e Continuidade Deletiva

1. TIPO MISTO ALTERNATIVO: Tipo misto é um tipo que descreve mais


de uma conduta. Ou seja, um crime, mas mais de uma conduta. Um
exemplo clássico é o crime de corrupção ativa, art. 333 do CP. Nesse
tipo penal, são descritos duas condutas, onde o agente pode oferecer ou
prometer vantagem indevida ao funcionário público, podendo, pois, o
agente, cometê-lo mediante o oferecimento de dinheiro ou a promessa
de um emprego para a filha do servidor corrompido. O tipo misto pode
ser dividido em alternativo e cumulativo.

a) ALTERNATIVO: No tipo misto alternativo, pode haver mais de uma


conduta, não importando o cometimento de uma ou outra conduta,
ambas atingem o mesmo bem jurídico. E o importante destacar o
agente só responde por um tipo penal, e não por dois, pois o mesmo
estará cometendo um único crime. Ex: Além do art. 333, existe o art.
122, do CP.

b) CUMULATIVO: No tipo misto cumulativo, as condutas atingem bens


jurídicos distintos em sua titularidade. Poderiam estar descritas em
tipos diferentes, compondo cada qual um delito, mas, por critério
legislativo, são reunidas em um único tipo, pelo que haverá tantos
crimes quantas forem as condutas realizadas. Ex: art. 135 do CP.

CONTINUIDADE DELETIVA

Conceito

Caracteriza-se a continuidade delitiva quando o agente, através de


mais de uma ação ou omissão, faz dois ou mais crimes da mesma
espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e
outras semelhantes, devem os subseqüentes ser havidos como
continuação do primeiro.

No caso do crime de estupro a continuidade deletiva se aplica


quando o agente pratica vários atos libidinosos com a vitima,
inclusive o coito vaginal, e por todas as condições de tempo, lugar,
maneira de execução e outros semelhante devem todos esse atos
devem ser considerados como estupro, uma continuação do
primeiro.

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