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PEDIDOS QUE CRISTO FEZ AO PAI PELA IGREJA

TEXTO: Jo. 17. 15, 17, 21-24


PROPOSIÇÃO: Levar os ouvintes refletir sobre aquilo que Cristo deseja para sua Igreja
INTRODUÇÃO:
Este texto fala da oração que Jesus fez ao Pai momentos antes de ser levado preso para
ser crucificado. Esta oração chamada por alguns de “oração sacerdotal”, mostra Cristo
dirigindo intercessão ao Pai inicialmente por si próprio, depois, pelos seus seguidores. Ela
conclui um momento de tensão que já duravam horas no cenáculo. Aquilo que
inicialmente parecia um jantar em que juntos comemoraria a Páscoa, tornar-se-ia um
momento de fortes declarações. O grupo estava junto a um tempo suficiente em que se
desenvolveu afinidade, companheirismo, havia um ambiente de família, incluindo as
discussões, as incompatibilidades. Algo muito forte unia aqueles homens, um sentimento
em comum fortalecia o elo que os vinculava uns aos outros que era: seguir Jesus e vê-lo
reinar em Israel.
No entanto, aquela noite significaria para aqueles fiéis seguidores uma noite de impacto e
surpresas desagradáveis. Jesus fez pelo menos três fortes declarações que estremeceu
as emoções de todos os presentes. Primeiro, no meio daquele grupo tinha um traidor –
alguém trairia o Mestre. Segundo, o Mestre os deixaria. Terceiro, Pedro o negaria.
Após aqueles momentos paira no ar uma tensão, expectativas desagradáveis tomam
conta do ambiente e Jesus percebe a insegurança, a melancolia daqueles homens que,
inclusive, por um momento o deixariam. Mas, eram aqueles os seus escolhidos. Ele os
amava. Ele sabia que em pouco tempo sairia do convívio deles, e seria necessário um
fortalecimento espiritual para que eles sobrevivessem. Jesus dirige uma oração ao Pai
pelos seus seguidores. Nela estão contidos alguns pedidos especiais que significam
vontades que o Mestre desejou para sua Igreja. Nessa manhã vale refletir no que Jesus
próximo à morte pediu ao Pai para mim e você – sua Igreja.

1- NÃO PEÇO QUE OS TIRE DO MUNDO, MAS QUE OS LIVRES DO MAL


Interpretação: Interessante notarmos que nos versículos antecedentes a leitura, Jesus
menciona que a adesão daqueles homens ao seu senhorio os dava uma nova cidadania.
“Eles não são daqui, como eu não sou”, no entanto, o Mestre pede: “Eles serão odiados
Pai, mas não os tire daqui”. Por que esse pedido?
Jesus sabia muito bem que tempos depois aqueles homens sofreriam aflições a ponto de
desejarem intensamente serem retirados da terra para morar com o Senhor, também a
Igreja que se iniciava ali sofreria pressões mundanas e apostasias a ponto de alguns
preferirem o ascetismo. Entretanto, esse pedido é justificado pelo menos por duas razões:
1.1 Eles seriam agentes do Reino de Deus e o mundo seria o campo de atuação
Vejamos que no v. 18 Jesus fala: “Pai assim como tu me enviaste ao mundo, também eu
os enviei ao mundo”. Isso mostra que a missão iniciada por Jesus seria continuada pelos
seus seguidores aqui no mundo. O Mestre tinha deixado a lição. Olhando para Cristo o
que aqueles homens veriam?
1.1.1 Um Santo que chegou perto dos pecadores
1.1.2 Um homem que enfrentou a hostilidade de uma geração ingrata, porém, mesmo
assim, não se omitiu de transitar entre eles. (Ver Herodes).
1.2 O mundo seria o ambiente de desenvolvimento espiritual para aqueles homens
Seria no mundo que aqueles homens provariam à presença Majestosa do Espírito Santo,
seria no mundo que aqueles homens aprenderiam abnegação, seria no mundo que
aqueles homens experimentariam a doçura de perdoar mesmo caluniados, odiados,
provariam da nobre oportunidade de sofrer pelo Evangelho.
Nesse ponto podemos observar Jesus reprovando duas atitudes dos cristãos frente a
sociedade. Certamente o Mestre previa esse comportamento por parte dos cristãos 200
anos depois.
1.2.1 Mundanismo – Eles não são do mundo (Ver a constantinização da Igreja)
1.2.2 Isolacionismo – Não os tires do mundo (Ver reação monástica)
Interpretação:
Meus irmãos precisamos revisitar esse propósito original e refletir nossas atitudes como
agentes do Reino de Cristo. A Igreja não tem a função de criar um reduto na terra e ficar
ilhada. Esse invólucro ascético que se esconde na idéia de “homem de Deus”, não
inquieta, não muda, não transforma nada. Ao invés de lastimarmos as mazelas dessa
nação e ficarmos procurando culpados, tomemos uma postura de agentes do Reino de
Cristo e sejamos instrumentos de Deus para benção do nosso país. Esteve conosco um
pastor e professor da UMESP e falou acerca de algo que é vigente nos nossos dias: a
espiritualidade transcendente que desconsidera a espiritualidade imanente. Cuidado com
a idéia de espiritualidade que se nega enxergar o homem na sua plenificação. Não somos
desse mundo, como Cristo falou na oração, mas é nesse mundo que precisamos atuar.
Isso significa olharmos as pessoas, ouvi-las, compartilharmos dos seus dramas, dos seus
temores. Que valorizemos a importância de nos recolhermos e subirmos ao monte
quando necessário, no entanto, lembremos que nos vale existe uma multidão nos
esperando.

2- SANTIFICA-OS NA VERDADE
Interpretação: “Santificar” nesse texto tem o sentido de “separar”, “consagrar para o
serviço sagrado”, “dedicar ao serviço de Deus”. Jesus aponta dois detalhes importantes:
Primeiro que a ação de santificar é de Deus, segundo, que o instrumento de santificação
é a palavra. Esse pedido do Mestre indica uma necessidade indispensável para aqueles
homens que seriam inseridos num contexto desafiador. De um lado nos gentios a
depravação, o paganismo (os romanos no poder eram exemplos disso), do outro lado em
Israel à falsa religiosidade. Cristo sabia que a hipocrisia e ganância dos líderes espirituais
provocaram uma degradação moral e espiritual na nação de Israel. Jesus chegou ao
ponto de chamá-los de sepulcros caiados (lindos por fora, mas estragados por dentro). A
história nos mostra que do exílio originou as sinagogas, e com isso o povo teve acesso à
lei. Há quem diga que naqueles tempos, a lei estava na boca do povo, no entanto, não
estava no coração.
Aplicação: Uma leitura acurada no nosso tempo nos fará ver uma geração confusa pelas
indefinições, a falta de referenciais. Vivemos dias em que as instituições estão sendo
questionadas, o número excessivo de escândalos mina o pouco de esperança que ainda
resta naqueles que acreditam há um luz brilhando e indica-nos a possibilidade de dias
melhores. Meus amigos somente por meio da santidade nós conseguiremos ser exemplos
dos fiéis. Eu tenho pensado e percebido que um teólogo a mais nessa geração não vai
mudar muita coisa. Depois de experiências inesquecíveis da semana teológica, eu
chegou a conclusão que os problemas já foram detectados, já podemos olhar e enxergar
nossos desafios, só nos resta elevarmos uma clamor ao Deus que santifica, e por meio da
obediência à sua palavra sejamos consagrados para brilharmos não como show-mens,
mas como astros e luzeiros num mundo corrompido pelo pecado. Que nosso
conhecimento de Deus não por meio de frases de efeitos que são friamente pensadas
numa escala fria, mas que seja por uma experiência real de conversão. Que o hino da
Eyshila seja nossa oração: “Deus”! Toca em minha vida, toca em minhas mãos, toca em
meus lábios Senhor, toca em minha casa com a tua brasa de fogo purificador, toca em
meus olhos, toca em meus ouvidos, toca em cada sentido meu, para que as famílias
troquem o pecado pela santidade de Deus.
3- PARA QUE TODOS SEJA UM
Interpretação: Nesse momento Jesus ora ao Pai pela unidade daquele grupo. Por muitas
vezes o Mestre acompanhou discussões tensas de quem seria o maior, chegou ao ponto
da mãe de dois tomar iniciativa e pedir dois lugares de privilégios para seus filhos.
Naquele momento formava-se um corpo, e no corpo todos os membros tem importância.
A unidade naquele momento seria indispensável e teria como base a unidade de Cristo
com o Pai. Observemos a importância da unidade naquele momento:

3.1 Aquele grupo seria desafiado com perseguições e apostasias e falta de unidade
faria com que alguns caíssem e voltassem
Haveria momentos que eles seriam cercados e veriam inimigos por todos os lados.
Somente a unidade preservaria a força daquele grupo. Nesses momentos de apertos não
haveria espaço para debates de quem seria o mais preparado para ser líder, ou a mente
mais brilhante para ser o pregador do próximo culto. Inimigos externos e ferozes queriam
o fim daquela comunidade a qualquer custo, mas a força da unidade resistiria tudo.
3.2 A unidade naquele grupo seria a expressão real do Amor de Deus
O v. 23 nos mostra “Pai eu rogo para que eles sejam perfeitos em unidade, para que o
mundo conheça que tu me enviaste e tens amado a eles como tens amado a mim”. Em
outro discurso o Mestre já tinha advertido a necessidade do amor. “O mundo saberá que
vós sois meus discípulos que vos amardes”. Nos primeiros versículos de Atos vemos que
na comunidade cristã existia a mais linda expressão desse amor: ajudar o necessitado.
Isso foi tão marcante que Lucas narra dizendo que a Igreja crescia e caía na graça do
povo.
Aplicação:
Estou interessado num tema para pesquisa que tem me trazido algumas inquietações e
tem sido debatido no circulo acadêmico: “a competitividade ministerial como influência do
mercado”. É incrível como sem perceber nos deixamos ser contagiados por males tão
perniciosos que imperam nos nossos dias. Essa sociedade de consumo que dignifica as
pessoas pela sua capacidade de consumir, que avalia pelo “ter”, que marginaliza os
desfavorecidos e exclui os que não tiveram uma oportunidade. Não alimento a idéia de
um socialismo idealizado, nem sonho com o império do comunismo que se escondendo
num discurso em prol da igualdade validou a tirania e o autoritarismo de ditadores que
passaram e alguns que ainda existem. O que eu acredito de fato é que igreja é um corpo
de membros unidos na cabeça que é Cristo, e o que nos faz cristãos e amor de Deus que
reside em nós. Somos companheiros. Aliás, essa palavra vem de cum panis, aquele que
come pão junto. Isso fala de comunhão. Um mesmo sentimento. Quando Paulo soube dos
problemas de divisão de Corintios foi firme: “Quem é Cefas, Paulo, Apolo?”. “Algum
desses morreu por vocês?”. Eu só fiz plantar, Apolo regou, mas é Deus quem dá o
crescimento.

CONCLUSÃO:
Quero concluir e falando de um último pedido de Jesus: “Pai eu quero que aqueles que tu
me destes esteja comigo para que veja a minha glória”.
Ele deseja a nossa companhia no céu. Meus amigos, irmãos, precisamos resgatar a
mensagem da volta de Cristo aos nossos púlpitos. A igreja precisa lembrar que o noivo
está voltando. Que dera se fosse hoje!!!
Que o Senhor nos ajude a cumprirmos nossa missão nessa terra, que sejamos
santificados pela palavra, que o mundo nos conheça pelo amor de Deus que habita em
nós.