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PRÉ ENEM

2019
HISTÓRIA
História

De Vargas ao golpe de 64 – Feijão com Arroz

Resumo

Era Vargas (1930-45)


O Governo Provisório e a Revolta Constitucionalista.
Em 1930, após a eleição de Júlio Prestes como presidente e a morte do político João Pessoa, iniciou-se
um processo conhecido como “Revolução de 1930”, que marcou o começo da chamada “Era Vargas”. Ainda no
governo provisório, temos como um dos principais acontecimentos a anulação da Constituição de 1891, a
dissolução do Congresso Nacional e das Assembleias Legislativas e a nomeação de interventores estaduais
(tenentes);
Essa política e os atrasos na elaboração de uma nova Constituição incomodaram profundamente as
elites locais que antes de Vargas dominavam o mecanismo político-eleitoral, sobretudo de São Paulo. Devido a
isso, em 1932, ocorreu a Revolta Constitucionalista em São Paulo que exigia, entre outras coisas, a convocação
de uma constituinte. Apesar de reprimir a revolta, Getúlio de fato convocou a Assembleia que daria origem a
Constituição de 1934.

Governo Constitucional
A Constituição foi guiada por princípios mais progressistas, como a instituição do voto secreto e o direito
ao voto feminino. Além disso, a Constituição nacionalizou as riquezas do subsolo, estatizou também bancos e
empresas de seguro, determinou que as empresas estrangeiras deveriam ter dois terços de funcionários
brasileiros e proibiu diferenças de salário na mesma função, entre outras coisas.
Em 1934, parcela dos opositores de Getúlio Vargas se reuniram sob a sigla da ANL – Aliança Nacional
Libertadora. A ANL reunia intelectuais como Caio Prado Junior e João Saldanha que tinham inspiração marxista.
A Aliança foi oficialmente lançada nos fins de 1934 no Congresso Nacional, seu manifesto defendia a reforma
agrária, o não pagamento da dívida externa, a nacionalização das empresas estrangeiras, a proteção dos
pequenos e médios empresários, garantias democráticas amplas e a instalação de um governo popular.
Nesse contexto crescia também a popularidade de grupos de inspiração fascista, como a Ação
Integralista Brasileira (AIB), liderada por Plínio Salgado. Em 1935, a ANL tentou (sem sucesso) tomar o poder e
derrubar o governo de Getúlio Vargas, episódio que ficou conhecido como “Intentona Comunista”.

O Plano Cohen e Estado Novo


Em 30 de setembro de 1937, o General Góes Monteiro noticiou no programa de rádio “Hora do Brasil” que
o exército havia descoberto um plano de uma insurreição comunista no Brasil. A leitura da carta virou a principal
manchete dos jornais, que reproduziam trechos do chamado Plano Cohen, que anunciava uma grande revolta
que eliminaria líderes políticos opositores, queimaria casas e prédios, incentivaria protestos, saques e

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depredações para garantir a instalação de um Governo Socialista no Brasil. O documento, no entanto, era falso
e fora forjado para legitimar o golpe que deu início ao Estado Novo, ditadura no qual Vargas concentrava
poderes.

O DIP
O Departamento de Imprensa e Propaganda foi criado em 1939, durante o Estado Novo, com o objetivo
de construir a imagem do novo Estado brasileiro e de Getúlio Vargas como líder nacional. Para alcançar estes
objetivos, o DIP atuou de forma intensa na censura de eventos culturais, como peças, filmes e músicas, no
controle da informação divulgada na imprensa e também na produção de propagandas do regime, como a
organização de manifestações cívicas, a produção de filmes e conteúdos educativos e a elaboração de jornais
e programas de rádio.

CLT e Sindicalismo
Desde o Governo Provisório, um dos maiores objetivos de Vargas foi a construção de uma estrutura que
desmembrasse as possíveis lutas de classes, unificando a nação em prol do desenvolvimento nacional e com
a valorização do trabalhador urbano. Logo, a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), em 1º de maio de 1943,
introduziu novos direitos aos trabalhadores, regulamentando férias remuneradas, horários de trabalho,
condições de segurança, salário mínimo e a relação entre patrões e empregados.
Outras medidas tomadas no período também se referem a organização sindical no país. A pluralidade
sindical já era proibida desde 1931, com a criação do Ministério do Trabalho e foi reafirmada na Constituição
de 1934 e ainda reforçada no Estado Novo. Também foi proibido a possibilidade de alianças entre sindicatos,
dificultando, assim, a organização independente e autônoma dos trabalhadores e o engajamento em greves.

A Economia
Após a crise de 1929, as críticas ao modelo liberal e os problemas causados pela dependência do café,
contribuíram para mudanças nas diretrizes econômicas nacionais. Com o Estado Novo, há a consolidação de
um modelo visava uma maior intervenção do Estado na economia, a valorização da produção nacional, a
criação de órgãos de administração pública e o desenvolvimento da indústria de base. Dentre algumas das
principais indústrias públicas criadas durante o Estado Novo estiveram a Companhia Siderúrgica Nacional
(1941) e Companhia Vale do Rio Doce (1942).

O fim do Estado Novo


Com a entrada do Brasil na 2º Guerra Mundial, mandando a Força Expedicionária Brasileira para o
combate ao lado dos países democráticos, contra os regimes fascistas e autoritários, o governo Vargas passou
a ser questionado. Afinal, o posicionamento do país pela democracia colocava em questão o próprio modelo
autoritário que vigorava no Brasil, o que contribuiu para que a imagem de Vargas se desgastasse. Foi neste
contexto de redefinições que o Estado Novo entrou em crise e caiu em outubro de 1945.

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Enrico Gaspar Dutra (1946-51)


O primeiro ato de destaque do governo de Eurico Gaspar Dutra foi a formação de uma Constituinte que
trabalhou na elaboração de uma nova Constituição para o Brasil. A Constituição foi promulgada no dia 18 de
setembro de 1946, após meses de elaboração, e foi responsável por trazer de volta – parcialmente – direitos
políticos e democráticos aos cidadãos brasileiros.
A primeira constituição brasileira após o Estado Novo, a Carta de 1946, refletia tanto o desejo nacional
de restabelecer um governo livre quanto a tendência global de suplantar movimentos de caráter fascista. A
própria queda de Getúlio Vargas foi motivada pela contradição de seu governo entrar em guerra contra os
regimes fascistas na Segunda Guerra Mundial. Assim, a Constituição de 1946 buscou reinstituir os preceitos
democráticos da Carta de 1934 que precedeu o Estado Novo.
As principais ações tomadas por Dutra, durante o seu governo, estavam diretamente relacionadas com
o contexto da Guerra Fria. Com a bipolarização do mundo em dois blocos hegemônicos, o governo brasileiro
alinhou-se incondicionalmente como aliado dos Estados Unidos e do bloco capitalista. Assim, internamente,
iniciou-se uma forte repressão contra organizações políticas e de trabalhadores que se alinhavam com a
esquerda e o comunismo.
Assim, as ações de Dutra nesse sentido levaram ao rompimento das relações diplomáticas entre Brasil
e União Soviética em 1947. Posteriormente, o governo brasileiro colocou o Partido Comunista do Brasil na
ilegalidade a partir de um dispositivo da Constituição contra partidos “antidemocráticos”. Por fim, no começo
de 1948, os políticos eleitos pelo PCB tiveram seus mandatos políticos cassados. A política de perseguição aos
comunistas também foi utilizada pelo governo como justificativa para intervenções nos sindicatos e repressão
aos movimentos trabalhistas. Ao todo, o governo Dutra interveio em 143 sindicatos e estipulou condições
extremamente rígidas para a realização de greves. Isso gerou fortes críticas ao governo na época, sobretudo
na limitação do direito à greve.

Segundo Governo Vargas (1951-54)


Em 1951, Getúlio Vargas retornou ao posto de Presidente da República, agora eleito democraticamente.
O debate político durante o segundo governo de Getúlio Vargas concentrou-se, principalmente, na questão do
desenvolvimento econômico do Brasil. Esse debate gerou uma divisão política e social fundamental para
compreendermos este período: de um lado, aqueles que defendiam o desenvolvimento através do
nacionalismo; de outro, aqueles que defendiam o desenvolvimento do Brasil sob a influência do capital
internacional.
Essa oposição de ideias pôde ser percebida principalmente nas questões da exploração do Petróleo
brasileiro. A Campanha do Petróleo mobilizou diferentes grupos da sociedade brasileira que defendiam que a
exploração do petróleo era uma questão de soberania nacional. Sob o lema de “O petróleo é nosso”, a campanha
do governo pela criação de uma empresa estatal para exploração do petróleo deu resultado e, assim, em 1953,
nasceu a Petrobras. O Estado criou ainda o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), em 1952,
com o objetivo de garantir os investimentos necessários aos projetos econômicos. No entanto, o projeto
nacionalista que propunha maior intervenção do Estado como regulador da economia desagradou a grupos

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que não viam com bons olhos a intervenção estatal e que tinham interesses econômicos alinhados com o
capital internacional.
No que diz respeito a sociedade, o aumento do custo de vida causado pela crescente inflação ampliava
as dificuldades vivenciadas pela população. Contra a piora nas condições de vida, os trabalhadores passaram
a realizar grandes greves nas principais cidades do país. Em 1953, cerca de 300 mil trabalhadores paralisaram
as atividades em São Paulo e Rio de Janeiro. A pressão popular levou Getúlio Vargas a nomear como ministro
do trabalho João Goulart, o Jango, um político ligado aos meios sindicais. A principal medida tomada por Vargas
no âmbito trabalhista foi o aumento de 100% do salário-mínimo, em 1954. A medida gerou oposição dos setores
empresariais. Assim, a oposição a Vargas crescia, principalmente entre os setores conservadores da sociedade.
O principal porta-voz da insatisfação era o jornalista Carlos Lacerda, da União Democrática Nacional (UDN).
Em 5 de agosto de 1954, Carlos Lacerda sofreu um atentando. O jornalista foi ferido na perna, mas seu
guarda-costas, Rubens Florentino Vaz, foi morto. As suspeitas recaíram sobre chefe da guarda pessoal de
Vargas, Gregório Fortunato, o que levou os opositores a apontarem Vargas como mandante do atentado. A UDN
e alguns setores do exército pressionavam pela saída de Vargas do poder. Essa crise política culminaria no
suicídio do então presidente

Juscelino Kubitschek (1956-61)


Juscelino Kubitschek foi eleito nas eleições presidenciais de 1955, após o suicídio de Getúlio Vargas,
tendo João Goulart como vice. Para aqueles que lutavam contra o Governo de Vargas, JK significava a
continuidade do getulismo. A Escola Superior de Guerra, por exemplo, vetou a candidatura de JK e rumores de
um golpe, começaram a circular. Uma vez concluídas as eleições, JK foi vitorioso com 36% dos votos, no
entanto, a oposição tentou impugnar as eleições, sob a justificava de que o novo presidente eleito não havia
obtido maioria absoluta, ou seja, pelo menos 51% dos votos. Com o crescimento de rumores de um possível
golpe, o general Henrique Teixeira Lott precisou intervir para garantir a posse de JK, em um movimento que
ficou conhecido como “golpe preventivo”.

O Plano de Metas
O Governo de JK ficou conhecido como um período de desenvolvimento econômico, cujo principal
instrumento foi o Plano ou Programa de Metas. Sob o slogan “50 anos em 5”, que sintetizava a promessa de
obter cinquenta anos de progresso em cinco anos do governo, esta foi a principal diretriz econômica do governo
de JK. O Programa estabelecia 31 metas distribuídas em cinco grandes grupos: energia, transportes,
alimentação, educação e indústrias de base. A construção de Brasília, nova capital, foi apresentada como a
síntese de todas as metas. Para atingir tal objetivo, JK buscou reorganizar a distribuição de incentivos fiscais,
tecnologias e financiamentos, através de “grupos de trabalho” ligados diretamente à presidência.
Para ampliar o desenvolvimentismo econômico brasileiro, JK considerava impossível o progresso da
economia sem a participação do capital estrangeiro. Para alcançar os objetivos do Plano de Metas era
necessária uma intervenção maior do Estado na economia, priorizando, então, a entrada de capitais
estrangeiros no país, principalmente pela indústria automobilística. Deste modo, abrindo a economia para o

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capital internacional, atraiu o investimento de grandes empresas. Foi no governo JK que entraram no país
grandes montadoras de automóveis como, por exemplo, Ford, Volkswagen, Willys e GM (General Motors).
De 1955 a 1961, o Brasil recebeu mais de 2 bilhões de dólares destinados ao Programa de Metas e o
valor da produção industrial cresceu 80%. Nesse mesmo período, o país cresceu ao timo de 7,9% ao ano, o que
representava uma alta taxa de crescimento. No entanto, com os elevados gastos públicos o Programa começou
a entrar em déficit, promovendo o endividamento do Estado.

A Construção de Brasília
Um dos grandes objetivos do governo de JK, a construção de Brasília tinha como o objetivo a maior
integração do território nacional e o desenvolvimento de seu interior. Com um projeto de Óscar Niemeyer, a
construção de Brasília se deu a partir da mão de obra de trabalhadores imigrantes vindo sobretudo da região
nordeste, estes ficaram conhecidos como candangos.

Jânio Quadros (1961)


Jânio da Silva Quadros foi eleito presidente do Brasil, através do voto direito, nas eleições presidenciais
de 1960, apoiado pela União Democrática Nacional (UDN). Apesar da aparência excêntrica, Jânio Quadros foi
um político conservador. Desde o início, não hesitou em reprimir os protestos camponeses, controlar os
sindicados e mandar prender estudantes em manifestação. No âmbito da política interna, também levantava a
bandeira do combate a corrupção. Durante a campanha eleitoral usou a vassoura como o símbolo do seu
governo, pois prometia varrer do país a corrupção nos meios políticos e administrativos.
No que diz respeito a economia, Jânio se deparou com o endividamento do Estado, herança dos tempos
do governo JK. Para tentar contornar essa situação, adotou medidas impopulares, como o congelamento dos
salários e a restrição ao crédito. Internamente, Jânio buscou se afastar das tradicionais forças políticas do país.
Acreditava que assim teria mais liberdade para governar, pois não teria compromissos com partidos políticos.
Desta forma, as negociações com o Congresso Nacional ficaram difíceis e, muitas vezes, conflituosas.
O então presidente tomou, ainda, medidas polêmicas, tanto no âmbito interno quanto no externo:

● Proibição das brigas de galo.


● Proibição do uso de biquínis nas praias.
● Proibição do lança-perfume.
● Enviou o vice-presidente, João Goulart, em missão oficial para a China (país que seguia o socialismo).
● Criticou a política dos Estados Unidos com relação a Cuba.
● Condecorou, com a ordem do Cruzeiro do Sul, Che Guevara (uma das principais figuras
revolucionárias comunistas do período).

Quanto às relações internacionais, Jânio Quadros se declarou favorável a uma política externa
independente. Relatou relações diplomáticas com o bloco comunista, o que desagradou profundamente ao
governo norte americano.

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Renúncia
Com baixa popularidade, enfrentando uma crise econômica, sem apoio de grande parte do legislativo e
com o descontentamento dos militares, o governo Jânio Quadros entrou em colapso sete meses após seu
início. Em 25 de agosto de 1961, Jânio enviou uma carta ao Congresso Nacional comunicando sua renúncia.
Deu poucas explicações dos motivos, falando apenas que havia “forças terríveis” contra ele.

João Goulart e o Golpe Militar (1961-64)


Com a renúncia de Jânio Quadros, em 1961, a presidência da República deveria ser assumida por João
Goulart. Porém, ao longo de sua vida política esteve ligado a forças getulistas e era visto pelas camadas
conservadoras como inclinado ao comunismo. Para o agravamento das suspeitas, quando Jânio renunciou,
Jango se encontrava em visita a China comunista, o que motivou os setores conservadores a conspirarem
contra a sua posse. Leonel Brizola, governador do Rio Grande do Sul, liderou a Campanha da Legalidade para
garantir que o então vice-presidente ocupasse o cargo. Como solução para o impasse político, adotou-se, então,
o sistema de governo parlamentarista, por meio do qual o poder do presidente estaria limitado.
Em janeiro de 1963, um plebiscito decidiu pela volta do presidencialismo. Com seus plenos poderes
restituídos, Goulart esteve atento às reivindicações sociais, o que desagradava os grandes proprietários de terra
e empresários. No âmbito econômico, Jango procurou diminuir a participação de empresas estrangeiras em
importantes setores e instituiu um limite para a remessa de lucros internacionais. Goulart defendia ainda as
chamadas reformas de base, que incluíam reforma agrária, tributária, administrativa, bancária e educacional.
Em março de 1964, durante um comício na Central do Brasil, no Rio de Janeiro, no qual havia mais de 300 mil
pessoas, Jango anunciou o início às reformas de base.

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Última Hora, 1964


A reação da oposição foi imediata: dias depois ocorreu a Marcha da Família com Deus pela Liberdade,
reunindo setores da população contrários às reformas de base, como empresários, grandes emissores de
televisão e até mesmo setores da Igreja Católica. Em 31 de março de 1964, os militares, com o apoio dos
Estados Unidos, deram início a um golpe de Estado. O presidente se refugiou no Rio Grande do Sul, de onde
seguiu para o exílio no Uruguai e Argentina.

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Exercícios

1. A respeito do contexto em que foi concebida a Constituição de 1934, o historiador Marco Antônio Villa
fez as seguintes considerações:

O culto do Estado forte é típico do período. Os Estados Unidos não eram mais o modelo. A inspiração
vinha da Europa, do totalitarismo. Todos atacavam as ideias liberais, consideradas anacrônicas. O
escritor e ex-deputado Afonso Arinos, que anos depois seria um dos mais importantes líderes da União
Democrática Nacional (UDN) e um dos mais enfáticos defensores do liberalismo, escreveu, em carta a
Getúlio Vargas, que o “Brasil precisa de um Estado forte. E esse só os moços, que o sentem necessário,
poderá criar”. Ainda antes da instalação dos trabalhos, e criticando o líder mineiro Antônio Carlos, que foi
eleito presidente da Constituinte, disse o que o velho político representava a “rala água com açúcar do
liberalismo flor de laranja”.
(VILLA, Marco Antônio. História das Constituições Brasileiras. São Paulo: Editora LEYA, 2011.).

Partindo das considerações de Villa, é possível afirmar que:


a) o “culto do Estado forte”, nessa época, era uma característica restrita à América Latina, portanto, o
autor erra ao dizer que os modelos europeus eram totalitários.
b) o “culto do Estado forte” e a rejeição das ideias liberais foram abandonados em 1937, na ocasião da
instituição do Estado Novo.
c) a referência aos Estados Unidos, de não serem mais “o modelo”, remete à constituição de 1891, a
primeira da República.
d) o governo constitucional de Vargas caracterizou-se pelo pluralismo político e pela política de
descentralização do poder na esfera do executivo.
e) as ideias liberais triunfaram no governo constitucional de Vargas, tendo prosseguido em franco
desenvolvimento durante o Estado Novo, a partir de 1937

2. A política industrial da Era Vargas caracterizou-se por promover:


a) a internacionalização da economia, com ênfase na produção de bens de consumo.
b) as bases para a expansão industrial, por meio de uma política econômica intervencionista,
pragmática e nacionalista
c) a introdução de capitais estrangeiros e a prática econômica liberal.
d) a redução do papel do Estado no desenvolvimento econômico.
e) a reintegração do país no sistema econômico mundial, por meio da monocultura cafeeira.

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3. Vejam só!
A minha vida como está mudada
Não sou mais aquele
que entrava em casa alta madrugada
Faça o que eu fiz
Porque a vida é do trabalhador
Tenho um doce lar
E sou feliz com meu amor
O Estado Novo
Veio para nos orientar
No Brasil não falta nada
Mas precisa trabalhar
Tem café, petróleo e ouro
Ninguém pode duvidar
E quem for pai de quatro filhos
O presidente manda premiar
É negócio casar!
(Citado por SALIBA, Elias Thomé. A dimensão cômica da vida privada na República. In: SEVCENKO, Nicolau (org.). "História da
Vida Privada no Brasil". São Paulo: Companhia das Letras, 1998. v. 3. p. 355.)

Os versos acima são de um samba composto por Ataulfo Alves e Felisberto Martins, em 1941. Nele se
encontra expressa, de forma irreverente, a ideologia do Estado Novo, conhecida como:
a) Trabalhismo.
b) Tenentismo.
c) Queremismo.
d) Paternalismo.
e) Totalitarismo.

4. A Segunda Guerra Mundial e as transformações subsequentes abalaram profundamente o equilíbrio de


poderes até então existente, abrindo caminho para uma nova ordem político-econômica e militar, com
evidentes implicações no Terceiro Mundo. Neste contexto, a política externa do Governo Eurico Gaspar
Dutra expressava:
a) favorecimento ao bloco socialista.
b) alinhamento à política norte-americana.
c) postura neutralista.
d) visão terceiro-mundista de resistência ao imperialismo.
e) posição de defesa da autodeterminação latino-americana

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5. O segundo Governo Vargas (1951-1954) caracterizou-se por forte orientação nacionalista. Entre as
iniciativas que marcaram esse período, destaca-se a criação da Petróleo Brasileiro S.A., a Petrobras,
mediante a Lei n. 2.004, aprovada pelo Congresso em 3 de outubro de 1953. É CORRETO afirmar que
essa Lei
a) deu origem à campanha "O petróleo é nosso", o que reforçou o sentimento nacionalista entre os
brasileiros e fez crescer o apoio a Vargas
b) foi o estopim da crise política que levou ao suicídio de Vargas, pois a Lei deixou a distribuição do
petróleo nas mãos de empresas estrangeiras.
c) motivou a crítica, por parte do escritor paulista Monteiro Lobato, à criação da empresa estatal de
petróleo.
d) teve como eixo a imposição do monopólio estatal sobre a produção de petróleo, considerado
condição necessária para a soberania nacional.
e) regulamentou a exploração de petróleo por empresas estrangeiras em terras brasileiras.

6. Leia o trecho da música abaixo:

“Bossa nova é ser presidente


desta terra descoberta por Cabral.
Para tanto basta ser tão simplesmente:
simpático, risonho, original.
Depois desfrutar da maravilha
de ser o presidente do Brasil,
voar da Velhacap pra Brasília,
ver Alvorada e voar de volta ao Rio.
Voar, voar, voar.[...]
(Juca Chaves Apud Isabel Lustosa. Histórias de presidentes, 2008.)

A canção Presidente bossa-nova, escrita no final dos anos 1950, brinca com a figura do presidente
Juscelino Kubitschek. Ela pode ser interpretada como a:
a) representação de um Brasil moderno, manifestado na construção da nova capital e na busca de
novos valores e formas de expressão cultural.
b) celebração dos novos meios de transporte, pois Kubitschek foi o primeiro presidente do Brasil a
utilizar aviões nos seus deslocamentos internos.
c) rejeição à transferência da capital para o Planalto Central, pois o Rio de Janeiro continuava a ser o
centro financeiro do país.
d) crítica violenta ao populismo que caracterizou a política brasileira durante todo o período republicano.
e) recusa da atuação política de Kubitschek, que permitia participação popular direta nas principais
decisões governamentais.

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7. Sob a presidência de Juscelino Kubitschek (1955-1961), a nação brasileira assistiu à criação de Brasília,
– considerada, pela UNESCO, patrimônio cultural da humanidade – e vivenciou:
a) momentos de euforia resultantes, em boa parte, da política desenvolvimentista de incremento à
indústria nacional e aumento do poder aquisitivo da classe média.
b) importante papel político para a aproximação dos países da América Latina com os Estados Unidos,
em vista da estratégica posição do Brasil no Atlântico Sul.
c) época de forte repressão política ao operariado e descaso para com a interiorização do
desenvolvimento econômico.
d) um período predominantemente liberal, em termos econômicos, o que pode ser exemplificado pelo
início da construção da Companhia Siderúrgica Nacional.
e) uma forte recessão econômica em que a indústria nacional não deu sinais de crescimento e o poder
aquisitivo da classe média caiu.

8. A renúncia do presidente Jânio Quadros, em 1961, pode ser associada a um conjunto de problemas,
dentre os quais se destaca a(o):
a) resistência do presidente em adotar uma forma autoritária de governo, defendida pela oposição e
pelos militares.
b) reação dos setores conservadores contra a política externa independente, principalmente após a
condecoração do líder revolucionário cubano Che Guevara.
c) crescente oposição popular, liderada pelo PTB, contrária ao controle da UDN e, em especial, à
ascendência de Carlos Lacerda no governo.
d) rompimento com o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o lançamento de uma política de
integração americana, a OPA (Operação Pan-Americana), em contraponto à Aliança para o
Progresso.
e) apoio de Jânio Quadros ao projeto do vice-presidente João Goulart de conferir aos sindicatos
crescente papel no governo.

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9. “Sapatos furados, roupas surradas, capote puído, cabelos em desalinho, colarinho aberto, gravata torta,
barba por fazer, figura caricata rictus nervoso (...) tinha tudo para chamar a atenção (...) muitos o
achavam demagogo, outros procuravam ridicularizá-lo."
(Revista Histórica, Ed. Três, no. 22)

O personagem acima descrito foi um dos mais controvertidos presidentes do Brasil. Em função do
exposto, assinale a opção correta:
a) O texto refere-se ao presidente-general Artur da Costa e Silva, que se tornou popular pelas "gafes"
cometidas quando em visitas oficiais a outros países.
b) O texto acima refere-se ao presidente Jânio da Silva Quadros, que ficou no poder apenas 7 meses,
iniciando o processo político que levaria os militares ao poder, em 1964.
c) O texto refere-se ao presidente Fernando Collor de Mello, eleito pelo voto popular, por seu combate
aos "marajás", e deposto após manifestação popular e um processo político tumultuado.
d) O texto faz referência ao presidente Jânio da Silva Quadros que governou de 1961 a 1964, sendo um
dos poucos presidentes a entregar o governo ao seu sucessor, Juscelino Kubitschek de Oliveira.
e) O personagem descrito no texto acima não é real, foi criado pelo escritor Guimarães Rosa, em seu
livro "Grande Sertão: Veredas".

10. Observe a foto a seguir. Ela ilustra um acontecimento que levou às ruas 300 mil pessoas e ficou
conhecida como “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”.

Fonte: Arquivo O Globo

A “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, realizada em março de 1964 na cidade de São Paulo,
foi:
a) uma demonstração de forças conservadoras de direita contra o que chamavam de esquerdismo e
comunismo do governo João Goulart.
b) uma manifestação de apoio das famílias de trabalhadores brasileiros ao governo do presidente
Goulart.
c) uma resposta das massas populares, apoiando as Reformas de Base, após o Comício na Central do
Brasil em 13 de março de 1964.
d) um movimento das classes trabalhadoras em de repúdio as propostas do atual presidente João
Goulart.
e) as “marchas" foram organizadas principalmente por setores do clero e por entidades femininas e
trabalhadores Urbanos descontentes com o governo.

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História

Gabarito

1. C
A primeira constituição da República do Brasil foi promulgada em 1891 e tinha como modelo principal a
constituição dos Estados Unidos da América, como acentua Marco Antônio Villa.

2. B
A partir de 1930 a industrialização passa a ser uma preocupação governamental, incentivada e
sistematizada, em seu primeiro momento, pelo Estado.

3. A
O samba destaca a política trabalhista consolidada durante o Estado Novo, representando o plano do novo
governo de destruir o mito do “malandro das ruas”, e construir a ideia do trabalhador urbano forte e
nacionalista.

4. B
No contexto da Guerra Fria, Dutra se alinha ao bloco capitalista, representado pelos Estados Unidos. Ele
chega, inclusive, a colocar o Partido Comunista (PCB) na ilegalidade

5. D
A criação da PETROBRÁS foi um marco deste período, levando a frente o projeto de estatização da
produção do petróleo.

6. A
O moderno que é expresso na canção diz respeito tanto à novidade da criação artística do período, com a
bossa-nova, quanto às modernizações que JK se propunha a realizar, como a possibilidade de encurtar as
distâncias, através da utilização de novos meios de transporte.

7. A
O desenvolvimentismo, uma das características do governo de JK, proporcionou o crescimento da
produção industrial de bens de consumo, como eletrodomésticos e automóveis. Os principais beneficiados
com essa medida foram as camadas urbanas de rendimento médio e os capitalistas industriais, que viram
suas indústrias crescerem.

8. B
O posicionamento de suposta neutralidade de Jânio Quadros, em um contexto de Guerra Fria, incomodava
diversos grupos, no entanto, a aproximação do presidente com a URSS, a condecoração de Che Guevara
e a viagem de Jango à China provocaram uma insatisfação geral nestas camadas, que aumentaram a
pressão sobre Jânio. Dessa forma, os setores mais conservadores retiraram o apoio político anteriormente
oferecido.

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História

9. B
Jânio Quadros inicialmente se popularizou como uma figura caricata, que conquistava o povo pela sua
aparência humilde e comum, vestindo roupas desalinhadas, óculos torto e cabelo bagunçado. No entanto,
apesar da popularidade inicial, durou apenas 7 meses na presidência.

10. A
A marcha se opunha as “reformas de base” propostas por Jango, acusando-o de uma aproximação ao
comunismo.

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História

De Vargas ao golpe de 64 - Gourmet


Resumo

Era Vargas (1930-45)


O Governo Provisório e a Revolta Constitucionalista.
Em 1930, após a eleição de Júlio Prestes como presidente e a morte do político João Pessoa, iniciou-se
um processo conhecido como “Revolução de 1930”, que marcou o começo da chamada “Era Vargas”. Ainda no
governo provisório, temos como um dos principais acontecimentos a anulação da Constituição de 1891, a
dissolução do Congresso Nacional e das Assembleias Legislativas e a nomeação de interventores estaduais
(tenentes);
Essa política e os atrasos na elaboração de uma nova Constituição incomodaram profundamente as
elites locais que antes de Vargas dominavam o mecanismo político-eleitoral, sobretudo de São Paulo. Devido a
isso, em 1932, ocorreu a Revolta Constitucionalista em São Paulo que exigia, entre outras coisas, a convocação
de uma constituinte. Apesar de reprimir a revolta, Getúlio de fato convocou a Assembleia que daria origem a
Constituição de 1934.

Governo Constitucional
A Constituição foi guiada por princípios mais progressistas, como a instituição do voto secreto e o direito
ao voto feminino. Além disso, a Constituição nacionalizou as riquezas do subsolo, estatizou também bancos e
empresas de seguro, determinou que as empresas estrangeiras deveriam ter dois terços de funcionários
brasileiros e proibiu diferenças de salário na mesma função, entre outras coisas.
Em 1934, parcela dos opositores de Getúlio Vargas se reuniram sob a sigla da ANL – Aliança Nacional
Libertadora. A ANL reunia intelectuais como Caio Prado Junior e João Saldanha, que tinham inspiração
marxista. A Aliança foi oficialmente lançada em fins de 1934 no Congresso Nacional e seu manifesto defendia
a reforma agrária, o não pagamento da dívida externa, a nacionalização das empresas estrangeiras, a proteção
dos pequenos e médios empresários, garantias democráticas amplas e a instalação de um governo popular.
Nesse contexto, crescia também a popularidade de grupos de inspiração fascista, como a Ação
Integralista Brasileira (AIB), liderada por Plínio Salgado. Em 1935, a ANL tentou (sem sucesso) tomar o poder e
derrubar o governo de Getúlio Vargas, episódio que ficou conhecido como “Intentona Comunista”.

O Plano Cohen e Estado Novo


Em 30 de setembro de 1937, o General Góes Monteiro noticiou no programa de rádio “Hora do Brasil” que
o exército havia descoberto um plano de uma insurreição comunista no Brasil. A leitura da carta virou a principal
manchete dos jornais, que reproduziam trechos do chamado Plano Cohen, que anunciava uma grande revolta
que eliminaria líderes políticos opositores, queimaria casas e prédios, incentivaria protestos, saques e
depredações para garantir a instalação de um Governo Socialista no Brasil. O documento, no entanto, era falso

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História

e fora forjado para legitimar o golpe que deu início ao Estado Novo, ditadura no qual Vargas concentrava
poderes.

O DIP
O Departamento de Imprensa e Propaganda foi criado em 1939, durante o Estado Novo, com o objetivo
de construir a imagem do novo Estado brasileiro e de Getúlio Vargas como líder nacional. Para alcançar estes
objetivos, o DIP atuou de forma intensa na censura de eventos culturais, como peças, filmes e músicas, no
controle da informação divulgada na imprensa e também na produção de propagandas do regime, como a
organização de manifestações cívicas, a produção de filmes e conteúdos educativos e a elaboração de jornais
e programas de rádio.

CLT e Sindicalismo
Desde o Governo Provisório, um dos maiores objetivos de Vargas foi a construção de uma estrutura que
desmembrasse as possíveis lutas de classes, unificando a nação em prol do desenvolvimento nacional e com
a valorização do trabalhador urbano. Logo, a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), em 1º de maio de 1943,
introduziu novos direitos aos trabalhadores, regulamentando férias remuneradas, horários de trabalho,
condições de segurança, salário mínimo e a relação entre patrões e empregados.
Outras medidas tomadas no período também se referem a organização sindical no país. A pluralidade
sindical já era proibida desde 1931, com a criação do Ministério do Trabalho e foi reafirmada na Constituição
de 1934 e ainda reforçada no Estado Novo. Também foi proibido a possibilidade de alianças entre sindicatos,
dificultando, assim, a organização independente e autônoma dos trabalhadores e o engajamento em greves.

A Economia
Após a crise de 1929, as críticas ao modelo liberal e os problemas causados pela dependência do café,
contribuíram para mudanças nas diretrizes econômicas nacionais. Com o Estado Novo, há a consolidação de
um modelo visava uma maior intervenção do Estado na economia, a valorização da produção nacional, a
criação de órgãos de administração pública e o desenvolvimento da indústria de base. Dentre algumas das
principais indústrias públicas criadas durante o Estado Novo estiveram a Companhia Siderúrgica Nacional
(1941) e Companhia Vale do Rio Doce (1942).

O fim do Estado Novo


Com a entrada do Brasil na 2º Guerra Mundial, mandando a Força Expedicionária Brasileira para o
combate ao lado dos países democráticos, contra os regimes fascistas e autoritários, o governo Vargas passou
a ser questionado. Afinal, o posicionamento do país pela democracia colocava em questão o próprio modelo
autoritário que vigorava no Brasil, o que contribuiu para que a imagem de Vargas se desgastasse. Foi neste
contexto de redefinições que o Estado Novo entrou em crise e caiu em outubro de 1945.

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História

Enrico Gaspar Dutra (1946-51)


O primeiro ato de destaque do governo de Eurico Gaspar Dutra foi a formação de uma Constituinte que
trabalhou na elaboração de uma nova Constituição para o Brasil. A Constituição foi promulgada no dia 18 de
setembro de 1946, após meses de elaboração, e foi responsável por trazer de volta – parcialmente – direitos
políticos e democráticos aos cidadãos brasileiros.
A primeira constituição brasileira após o Estado Novo, a Carta de 1946, refletia tanto o desejo nacional de
restabelecer um governo livre quanto a tendência global de suplantar movimentos de caráter fascista. A própria
queda de Getúlio Vargas foi motivada pela contradição de seu governo entrar em guerra contra os regimes
fascistas na Segunda Guerra Mundial. Assim, a Constituição de 1946 buscou reinstituir os preceitos
democráticos da Carta de 1934 que precedeu o Estado Novo.
As principais ações tomadas por Dutra, durante o seu governo, estavam diretamente relacionadas com o
contexto da Guerra Fria. Com a bipolarização do mundo em dois blocos hegemônicos, o governo brasileiro
alinhou-se incondicionalmente como aliado dos Estados Unidos e do bloco capitalista. Assim, internamente,
iniciou-se uma forte repressão contra organizações políticas e de trabalhadores que se alinhavam com a
esquerda e o comunismo.
Assim, as ações de Dutra nesse sentido levaram ao rompimento das relações diplomáticas entre Brasil e União
Soviética em 1947. Posteriormente, o governo brasileiro colocou o Partido Comunista do Brasil na ilegalidade a
partir de um dispositivo da Constituição contra partidos “antidemocráticos”. Por fim, no começo de 1948, os
políticos eleitos pelo PCB tiveram seus mandatos políticos cassados. A política de perseguição aos comunistas
também foi utilizada pelo governo como justificativa para intervenções nos sindicatos e repressão aos
movimentos trabalhistas. Ao todo, o governo Dutra interveio em 143 sindicatos e estipulou condições
extremamente rígidas para a realização de greves. Isso gerou fortes críticas ao governo na época, sobretudo
na limitação do direito à greve.

Segundo Governo Vargas (1951-54)


Em 1951, Getúlio Vargas retornou ao posto de Presidente da República, agora eleito democraticamente.
O debate político durante o segundo governo de Getúlio Vargas concentrou-se, principalmente, na questão do
desenvolvimento econômico do Brasil. Esse debate gerou uma divisão política e social fundamental para
compreendermos este período: de um lado, aqueles que defendiam o desenvolvimento através do
nacionalismo; de outro, aqueles que defendiam o desenvolvimento do Brasil sob a influência do capital
internacional.
Essa oposição de ideias pôde ser percebida principalmente nas questões da exploração do Petróleo
brasileiro. A Campanha do Petróleo mobilizou diferentes grupos da sociedade brasileira que defendiam que a
exploração do petróleo era uma questão de soberania nacional. Sob o lema de “O petróleo é nosso”, a campanha
do governo pela criação de uma empresa estatal para exploração do petróleo deu resultado e, assim, em 1953,
nasceu a Petrobras. O Estado criou ainda o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), em 1952,
com o objetivo de garantir os investimentos necessários aos projetos econômicos. No entanto, o projeto
nacionalista que propunha maior intervenção do Estado como regulador da economia desagradou a grupos
que não viam com bons olhos a intervenção estatal e que tinham interesses econômicos alinhados com o
capital internacional.
No que diz respeito a sociedade, o aumento do custo de vida causado pela crescente inflação ampliava
as dificuldades vivenciadas pela população. Contra a piora nas condições de vida, os trabalhadores passaram
a realizar grandes greves nas principais cidades do país. Em 1953, cerca de 300 mil trabalhadores paralisaram

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História

as atividades em São Paulo e Rio de Janeiro. A pressão popular levou Getúlio Vargas a nomear como ministro
do trabalho João Goulart, o Jango, um político ligado aos meios sindicais. A principal medida tomada por Vargas
no âmbito trabalhista foi o aumento de 100% do salário-mínimo, em 1954. A medida gerou oposição dos setores
empresariais. Assim, a oposição a Vargas crescia, principalmente entre os setores conservadores da sociedade.
O principal porta-voz da insatisfação era o jornalista Carlos Lacerda, da União Democrática Nacional (UDN).
Em 5 de agosto de 1954, Carlos Lacerda sofreu um atentando. O jornalista foi ferido na perna, mas seu
guarda-costas, Rubens Florentino Vaz, foi morto. As suspeitas recaíram sobre chefe da guarda pessoal de
Vargas, Gregório Fortunato, o que levou os opositores a apontarem Vargas como mandante do atentado. A UDN
e alguns setores do exército pressionavam pela saída de Vargas do poder. Essa crise política culminaria no
suicídio do então presidente

Juscelino Kubitschek (1956-61)

Juscelino Kubitschek foi eleito nas eleições presidenciais de 1955, após o suicídio de Getúlio Vargas, tendo
João Goulart como vice. Para aqueles que lutavam contra o Governo de Vargas, JK significava a continuidade
do getulismo. A Escola Superior de Guerra, por exemplo, vetou a candidatura de JK e rumores de um golpe,
começaram a circular. Uma vez concluídas as eleições, JK foi vitorioso com 36% dos votos, no entanto, a
oposição tentou impugnar as eleições, sob a justificava de que o novo presidente eleito não havia obtido maioria
absoluta, ou seja, pelo menos 51% dos votos. Com o crescimento de rumores de um possível golpe, o general
Henrique Teixeira Lott precisou intervir para garantir a posse de JK, em um movimento que ficou conhecido
como “golpe preventivo”.

O Plano de Metas
O Governo de JK ficou conhecido como um período de desenvolvimento econômico, cujo principal
instrumento foi o Plano ou Programa de Metas. Sob o slogan “50 anos em 5”, que sintetizava a promessa de
obter cinquenta anos de progresso em cinco anos do governo, esta foi a principal diretriz econômica do governo
de JK. O Programa estabelecia 31 metas distribuídas em cinco grandes grupos: energia, transportes,
alimentação, educação e indústrias de base. A construção de Brasília, nova capital, foi apresentada como a
síntese de todas as metas. Para atingir tal objetivo, JK buscou reorganizar a distribuição de incentivos fiscais,
tecnologias e financiamentos, através de “grupos de trabalho” ligados diretamente à presidência.
Para ampliar o desenvolvimentismo econômico brasileiro, JK considerava impossível o progresso da
economia sem a participação do capital estrangeiro. Para alcançar os objetivos do Plano de Metas era
necessária uma intervenção maior do Estado na economia, priorizando, então, a entrada de capitais
estrangeiros no país, principalmente pela indústria automobilística. Deste modo, abrindo a economia para o
capital internacional, atraiu o investimento de grandes empresas. Foi no governo JK que entraram no país
grandes montadoras de automóveis como, por exemplo, Ford, Volkswagen, Willys e GM (General Motors).
De 1955 a 1961, o Brasil recebeu mais de 2 bilhões de dólares destinados ao Programa de Metas e o
valor da produção industrial cresceu 80%. Nesse mesmo período, o país cresceu ao timo de 7,9% ao ano, o que
representava uma alta taxa de crescimento. No entanto, com os elevados gastos públicos o Programa começou
a entrar em déficit, promovendo o endividamento do Estado.

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História

A Construção de Brasília
Um dos grandes objetivos do governo de JK, a construção de Brasília tinha como o objetivo a maior
integração do território nacional e o desenvolvimento de seu interior. Com um projeto de Óscar Niemeyer, a
construção de Brasília se deu a partir da mão de obra de trabalhadores imigrantes vindo sobretudo da região
nordeste, estes ficaram conhecidos como candangos.

Jânio Quadros (1961)


Jânio da Silva Quadros foi eleito presidente do Brasil, através do voto direito, nas eleições presidenciais
de 1960, apoiado pela União Democrática Nacional (UDN). Apesar da aparência excêntrica, Jânio Quadros foi
um político conservador. Desde o início, não hesitou em reprimir os protestos camponeses, controlar os
sindicados e mandar prender estudantes em manifestação. No âmbito da política interna, também levantava a
bandeira do combate a corrupção. Durante a campanha eleitoral usou a vassoura como o símbolo do seu
governo, pois prometia varrer do país a corrupção nos meios políticos e administrativos.
No que diz respeito a economia, Jânio se deparou com o endividamento do Estado, herança dos tempos
do governo JK. Para tentar contornar essa situação, adotou medidas impopulares, como o congelamento dos
salários e a restrição ao crédito. Internamente, Jânio buscou se afastar das tradicionais forças políticas do país.
Acreditava que assim teria mais liberdade para governar, pois não teria compromissos com partidos políticos.
Desta forma, as negociações com o Congresso Nacional ficaram difíceis e, muitas vezes, conflituosas.
O então presidente tomou, ainda, medidas polêmicas, tanto no âmbito interno quanto no externo:
● Proibição das brigas de galo.
● Proibição do uso de biquínis nas praias.
● Proibição do lança-perfume.
● Enviou o vice-presidente, João Goulart, em missão oficial para a China (país que seguia o
socialismo).
● Criticou a política dos Estados Unidos com relação a Cuba.
● Condecorou, com a ordem do Cruzeiro do Sul, Che Guevara (uma das principais figuras
revolucionárias comunistas do período).

Quanto às relações internacionais, Jânio Quadros se declarou favorável a uma política externa
independente. Relatou relações diplomáticas com o bloco comunista, o que desagradou profundamente ao
governo norte americano.

Renúncia
Com baixa popularidade, enfrentando uma crise econômica, sem apoio de grande parte do legislativo e
com o descontentamento dos militares, o governo Jânio Quadros entrou em colapso sete meses após seu
início. Em 25 de agosto de 1961, Jânio enviou uma carta ao Congresso Nacional comunicando sua renúncia.
Deu poucas explicações dos motivos, falando apenas que havia “forças terríveis” contra ele.

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História

João Goulart e o Golpe Militar (1961-64)


Com a renúncia de Jânio Quadros, em 1961, a presidência da República deveria ser assumida por João
Goulart. Porém, ao longo de sua vida política esteve ligado a forças getulistas e era visto pelas camadas
conservadoras como inclinado ao comunismo. Para o agravamento das suspeitas, quando Jânio renunciou,
Jango se encontrava em visita a China comunista, o que motivou os setores conservadores a conspirarem
contra a sua posse. Leonel Brizola, governador do Rio Grande do Sul, liderou a Campanha da Legalidade para
garantir que o então vice-presidente ocupasse o cargo. Como solução para o impasse político, adotou-se, então,
o sistema de governo parlamentarista, por meio do qual o poder do presidente estaria limitado.
Em janeiro de 1963, um plebiscito decidiu pela volta do presidencialismo. Com seus plenos poderes
restituídos, Goulart esteve atento às reivindicações sociais, o que desagradava os grandes proprietários de terra
e empresários. No âmbito econômico, Jango procurou diminuir a participação de empresas estrangeiras em
importantes setores e instituiu um limite para a remessa de lucros internacionais. Goulart defendia ainda as
chamadas reformas de base, que incluíam reforma agrária, tributária, administrativa, bancária e educacional.
Em março de 1964, durante um comício na Central do Brasil, no Rio de Janeiro, no qual havia mais de 300 mil
pessoas, Jango anunciou o início às reformas de base.

Última Hora, 1964

A reação da oposição foi imediata: dias depois ocorreu a Marcha da Família com Deus pela Liberdade,
reunindo setores da população contrários às reformas de base, como empresários, grandes emissores de
televisão e até mesmo setores da Igreja Católica. Em 31 de março de 1964, os militares, com o apoio dos
Estados Unidos, deram início a um golpe de Estado. O presidente se refugiou no Rio Grande do Sul, de onde
seguiu para o exílio no Uruguai e Argentina.

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História

Exercícios

1. Nas “Disposições Transitórias” da Constituição de 1934, pode-se ler o seguinte, em seu primeiro artigo:

Art 1º - Promulgada esta Constituição a Assembleia Nacional Constituinte elegerá, no dia imediato, o
Presidente da República para o primeiro quadriênio constitucional.
§ 1º - Essa eleição far-se-á por escrutínio secreto e será em primeira votação, por maioria absoluta de
votos, e, se nenhum dos votados a obtiver, por maioria relativa, no segundo turno.
[...]
§ 3º - O Presidente eleito prestará compromisso perante a Assembleia, dentro de quinze dias da eleição
e exercerá o mandato até 3 de maio de 1938.

Considerando que Vargas estava à frente do poder executivo desde 1930, quando houve o golpe contra
a República Oligárquica, é possível dizer que o artigo 1º das “Disposições Transitórias” da Constituição
de 1934:
a) não favoreceu Vargas, haja vista que ele precisava, nessa época, do voto popular para permanecer à
frente da presidência da República.
b) favoreceu os antigos oligarcas de antes da Revolução de 1930.
c) deflagrou uma nova insurreição armada no Estado de São Paulo.
d) beneficiou o legado da Revolução de 1930 e o poder centralizador de Vargas ao não convocar
eleições diretas para presidente.
e) não favoreceu Vargas, pois Carlos Lacerda, com o apoio da UDN, foi eleito presidente em 1934

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História

2. Foi a ascensão das classes sociais urbanas, com a deposição do governo Washington Luís, em 1930,
que criou novas condições sociais e políticas para a conversão do Estado Oligárquico em Estado
Burguês. Esse foi o contexto em que o Governo Getúlio Vargas, nos anos 1930-1945, passou a pôr em
prática novas diretrizes políticas quanto às relações entre assalariados e empregadores".
(Ianni, Octávio - ESTADO E PLANEJAMENTO ECONÔMICO NO BRASIL (1930 - 1970). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,
1977, p. 34).

Conforme o texto, novas diretrizes políticas passaram a nortear o governo Vargas, especialmente após
1937, quando foi decretado o Estado Novo, que intensificou a regulamentação das relações entre as
classes patronais e os trabalhadores, no processo de industrialização vivido pelo Brasil no período
posterior a 1930. O espírito dessa intervenção estatal se expressa na
a) negação de práticas valorizadas pelo fascismo, como o corporativismo e a máquina de propaganda.
b) tentativa de aproximar a política trabalhista, cada vez mais, dos integralistas, com vistas a aliciar
Plínio Salgado para a chefia do PTB.
c) busca da harmonia social caracterizada pelo fortalecimento do Estado, que passa a tutelar as
divergências e conflitos baseados em interesses particularistas.
d) valorização exclusiva dos trabalhadores nacionais, objetivando dar-lhes oportunidade de alcançar o
poder e assim fazer prevalecer sua ideologia, conforme legislação que previa expulsão dos judeus e
outros estrangeiros, residentes no Brasil.
e) concessão do direito de greve aos trabalhadores e do de "lockout" aos empresários, com o fim de
dirimir conflitos trabalhistas.

3. O terceiro dos veículos de massa era inteiramente novo: rádio. [...] O rádio transformava a vida dos pobres,
e sobretudo das mulheres pobres presas ao lar, como nada fizera antes. Trazia o mundo à sua sala. Daí
em diante, os mais solitários não precisavam mais ficar inteiramente a sós. E toda a gama do que podia
ser dito, cantado, trocado ou de outro modo expresso em som estava agora ao alcance deles. [...] sua
capacidade de falar simultaneamente a incontáveis milhões, cada um deles sentindo-se abordado como
indivíduo, transformava-o numa ferramenta inconcebivelmente poderosa de informação de massa, como
governantes e vendedores logo perceberam...
(Eric Hobsbawn. As artes (1914-1945), in "Era dos extremos. O breve século XX (1914-1991)")

A veiculação de propaganda política através do rádio foi um recurso amplamente usado pelos governos
populistas de Vargas e Perón na América Latina. A transmissão de discursos presidenciais
especialmente direcionados aos ouvintes tinha por objetivo principal
a) ampliar a participação popular nas esferas do poder político do Estado.
b) informar a população da situação econômica do país e das medidas aprovadas pelo Congresso.
c) promover a identificação do cidadão com o líder político, autointitulado protetor dos pobres.
d) assegurar a não realização de greves e reivindicações trabalhistas que prejudicassem a estabilidade
nacional.
e) veicular campanhas sociais contra o analfabetismo, a fome e as mazelas que atingiam a população
humilde.

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História

4. "(...) Todos ainda se lembram dos discursos megalomaníacos de Carlos Prestes (...) nos quais (...) previa
que as hostes da U.D.N. se desagregariam, (...). Quanto ao P.S.D. era uma colcha de retalhos costurados
uns aos outros pelo fio precário da ditadura, e se dissolveria a uma simples ordem do "Chefe" nacional.
Vê agora, o pobre ex-cavaleiro, (...) que nada saiu como previra, (...) Em lugar dos grupos burgueses se
desintegrarem, foi Prestes quem se isolou, quem ficou sozinho com Getúlio, e agora é obrigado a seguir,
direitinho, a reboque, seja de Eduardo Gomes, seja de Dutra; ou levantar um dr. Jacarandá qualquer para
"seu" candidato. A saída forçada de Getúlio obriga os grupos a se consolidarem definindo-se melhor e,
finalmente, a disputarem as eleições como adversários. (...) Pode-se dizer que a verdadeira campanha de
"sucessão presidencial" só iniciou-se a partir de 30 de outubro."
(Jornal Vanguarda Socialista (16/11/1945) citado de CARONE, Edgard. "Movimento Operário no Brasil" (1945/1964). São Paulo,
Difel, 1998. p.258-9. v.2.)

A conjuntura política brasileira do segundo semestre de 1945 é analisada neste artigo a partir de uma
ótica crítica à ação desenvolvida pelo Partido Comunista do Brasil (PCB) e seu líder Luís Carlos Prestes.
Abriam-se, na época, novos horizontes para o país com a derrubada da ditadura getulista e de eleições
constituintes e presidenciais. Nestas, saiu vitorioso:
a) o grupo de oposição à ditadura getulista representado pela UDN, que apresentou como candidato o
antigo "tenente" Eduardo Gomes, à frente de um projeto liberal-conservador.
b) o candidato do PCB, Eurico Gaspar Dutra, apoiado por setores do getulismo voltados a levar adiante
as conquistas da legislação trabalhista.
c) o PSD, que acabou por apresentar a candidatura de Getúlio Vargas, seu fundador, o qual derrubado
pouco antes do poder, acabou a ele voltando pelo voto popular.
d) o ex-ministro da Guerra do governo Vargas, Eurico Dutra, com uma política conservadora que incluiu
a perseguição aos comunistas e a movimentos populares.
e) o projeto, articulado por Vargas, de manter o controle do poder a partir do presidente eleito, Eurico
Dutra, apoiado pelos getulistas do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).

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História

5. Depois de decênios de domínios e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-
me chefe de uma revolução e venci. [...] A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à
dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários
foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário-mínimo se desencadearam os ódios. Quis
criar a liberdade individual na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás, mal começa
esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não
querem que o trabalhador seja livre. Não querem que o povo seja independente. Assumi o Governo dentro
da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras
alcançavam até 500% ao ano. [...] Lutei contra a exploração do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo.
[...] Eu vos dei a minha vida. Agora ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro
passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História."
"Carta Testamento de Getúlio Vargas" - 24/08/1954.

O documento expressa uma política de

a) liberalismo econômico e nacionalismo, características do período em que governou


provisoriamente.
b) estatização, restrição ao capital externo e financeiro, que corresponde ao período no qual foi eleito
diretamente pelo povo.
c) abertura ao capital externo, criação de empresas estatais, como a Eletrobrás e a Petrobrás,
representando o período do Estado Novo.
d) protecionismo estatal e populismo, sintetizando a ditadura legalizada pela constituição "Polaca",
momento político no qual a Carta foi redigida.
e) assistência aos trabalhadores e liberalismo, que ensejava o "Estado mínimo", durante o seu Governo
Constitucional".

6. Em um de seus discursos, o presidente Juscelino Kubitschek afirmou: "O puro, o nobre e inteligente
nacionalismo não se confunde com xenofobia. Da mesma maneira que a independência política de uma
nação não significa animosidade contra os estrangeiros, nem a recusa aos intercâmbios econômicos ou
relações financeiras com os países mais ricos ou mais favorecidos em valores econômicos".
(In: CARDOSO, Miriam Limoeiro. "Ideologia do Desenvolvimento". Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977. p. 158.)

Com base no texto e nos conhecimentos sobre o período JK, é correto afirmar:
a) O discurso nacionalista sob a ótica desenvolvimentista de JK possuía conteúdo semelhante àquele
estabelecido na Era Vargas: ambos minimizaram a importância do capital externo.
b) A ideologia do "desenvolvimentismo" no período JK assumiu a entrada de capitais estrangeiros no
país como um recurso legítimo que expressava o verdadeiro patriotismo.
c) O "desenvolvimentismo" do período JK objetivou a consolidação da vocação agrícola da economia
brasileira, promovendo a "Marcha para Oeste", política que alavancou a agricultura de exportação.
d) Para a indústria brasileira, que passava por uma fase de retração, o"desenvolvimentismo" de JK foi
pernicioso, pois propunha um nacionalismo xenófobo.
e) O "Plano de Metas", programa de governo do então candidato JK, colocado em prática logo após
sua eleição, visava primordialmente ao desenvolvimento da agricultura de exportação, instituindo,
para esse fim, o "confisco cambial"

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História

7. Existem dois países, entre os quais é difícil distinguir o verdadeiro; na fazenda do interior, o homem do
campo trabalha de enxada e transporta uma colheita insignificante em carroças rangentes (...); na cidade
de São Paulo, a cada hora termina-se um prédio.
(LAMBERT, Jacques. Os dois Brasis. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1984.)

META DE FAMINTO JK - Você agora tem automóvel brasileiro, para correr em estradas pavimentadas
com asfalto brasileiro, com gasolina brasileira. Que mais quer?
JECA - Um prato de feijão brasileiro, seu doutô!
(THÉO, 1960. In: LEMOS, Renato. "Uma história do Brasil através da caricatura". Rio de Janeiro: Bom Texto, Letras e Expressões,
2001.)

O texto e a charge representam, de formas diferentes, um dos principais dilemas do desenvolvimentismo


no governo Juscelino Kubitschek, durante a metade da década de 1950. A alternativa que melhor
apresenta esse dilema é:
a) os contrastes culturais e educacionais entre as elites paulistas e nortistas
b) a desigualdade política e ideológica entre as oligarquias nordestinas e sulistas
c) a defasagem histórica e tecnológica entre o setor petrolífero e o agroexportador
d) as disparidades econômicas e sociais entre os setores agrário e urbano-industrial
e) o aumento do poder econômico das classes C e D elevou o consumo no país.

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História

8. "Perdendo o terreno na luta mobilizatória, os golpistas militares e civis aceitaram uma solução de
compromisso aprovada no Congresso: a instauração do regime parlamentarista. Entre os dias 5 e 7 de
setembro, Jango retornou a Brasília, prestou juramento como presidente da República e iniciou um
governo extremamente tenso e instável."
(Edgard Luiz de Barros. "O Brasil de 1945 a 1964")

Esta "perda de terreno na luta mobilizatória", à qual o texto se refere, é:


a) ampla participação dos trabalhadores no comício da Central do Brasil, em apoio às medidas
nacionalistas propostas pelo presidente Jango;
b) denominada Rede da Legalidade, liderada por Leonel Brizola, com apoio de outros governadores e
do III Exército, pela posse constitucional de Jango;
c) ampla participação de diferentes setores sociais progressistas na Marcha de Família com Deus pela
Liberdade na defesa do parlamentarismo, como uma saída controlada para a posse de Jango;
d) articulação de Tancredo Neves com parlamentares, radicalizando-os contra os militares e civis
golpistas em prol da política proposta por Jango;
e) apoio e, simultaneamente, paralisação, por 72 horas, de trabalhadores da cidade e do campo pela
posse de Jango.

9. O período de João Goulart (1961-1964) foi marcado por grande instabilidade. Pode-se dizer que esse
governo viveu sobre o signo do golpe de Estado. Sobre o referido período, é correto afirmar que:
a) a emenda parlamentarista de 1961 aumentou o poder do presidente da república.
b) o sucesso do Plano Trienal no combate à inflação e na retomada do crescimento econômico
estabilizou a economia.
c) a constante maioria do governo no Congresso era garantida pela aliança entre o PTB e a UDN.
d) os grandes empresários liberaram recursos para a execução das reformas de base.
e) a proposta de reforma agrária, com emenda constitucional, provocou uma forte oposição dos
proprietários rurais ao governo.

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História

10. Observe a charge:

Charge de Lan, Jornal do Brasil, Junho de 1963. In: MOTTA, Rodrigo P. Sá. Jango e o golpe de 1964 na caricatura. Rio de
Janeiro: Zahar, 2006. P. 74

Considerando o contexto em que a charge foi veiculada e as informações por ela mostradas, é possível
relacioná-la ao fato de
a) o presidente colocar-se acima dos embates políticos, valendo-se de um amplo programa reformista
que agradava a todas as tendências políticas.
b) o radicalismo das esquerdas obrigar o presidente a buscar apoio nos setores militares, únicos
capazes de mantê-lo no poder.
c) o crescimento das reivindicações de trabalhadores rurais obrigar o presidente a aprofundar a reforma
agrária, a despeito da oposição conservadora.
d) a intensa pressão soviética sobre o Brasil colocar o presidente numa difícil situação, levando-o a
romper relações com os Estados Unidos.
e) a ambiguidade política do presidente enfraquecia seu poder, e colocava-o sob o risco de ser
derrubado tanto por forças de esquerda quanto pelas Forças Armadas.

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História

Gabarito

1. D
Com a Constituição de 1934, Vargas consegui estabelecer eleições indiretas que o manteriam mais quatro
anos no poder, consolidando as conquistas da chamada Revolução de 1930. Destaca-se que, apesar da
eleição ser indireta, Vargas já tinha entre deputados e senadores a maioria necessária para a vitória.

2. C
Com um discurso de valorização da nação acima de interesses particulares, o Estado Novo promoveu uma
política de conciliação entre as classes que valorizasse, por fim, a união e o desenvolvimento do país
tutelados pelo Estado.

3. C
O rádio é um importante veículo de propaganda política nesse contexto. Com o seu crescimento nos lares
brasileiros desde a década de 1920, durante o Estado Novo, muitas famílias, desde as mais ricas até as
mais pobres e atingidas pelo analfabetismo, já utilizavam o rádio como o principal meio de comunicação.

4. D
Dutra foi eleito pelo Partido Social Democrático (PSD) em coligação com o Partido Trabalhista Brasileiro
(PTB).

5. B
Essa política promoveu o acirramento do clima político que culminou no suicídio de Getúlio Vargas.

6. B
Para JK, os investimentos estrangeiros seriam fundamentais para o desenvolvimento econômico e por
esse motivo expressaria patriotismo.

7. D
A charge e o texto trazem críticas a desigualdade social – especialmente nas zonas agrárias – que o plano
de metas não pôde superar.

8. B
Enquanto setores militares tentaram impedir a posse de João Goulart, a Campanha da legalidade defendeu
a manutenção da ordem jurídica e a posse do então vice presidente.

9. E
A proposta da Reforma Agrária inseria-se na agenda das “Reformas de Base”, defendidas por Goulart.

10. E
As ambiguidades o afastavam tanto de setores das esquerdas (que reivindicavam medidas
revolucionárias), quanto da direita, que temia as suas medidas reformistas.

14
História

Ditadura Militar e Redemocratização

Resumo

Institucionalização do Golpe
No contexto de radicalização política do governo João Goulart, momento que crescia entre as esquerdas a
demanda pelas “Reformas de Base”, foi deflagrado, no dia 31 de março de 1964, um golpe militar que tiraria
João Goulart da presidência da República. O apoio de setores da população civil – como os empresários, as
grandes empresas e até mesmo setores da Igreja Católica – levam os historiadores a chamarem este episódio
de golpe “civil-militar”.
O golpe também teve apoio do governo norte-americano, que o considerava o caminho certo para afastar
uma possível “ameaça comunista” ao Brasil no contexto de Guerra Fria. É importante lembrar que Cuba
acabara de passar pela sua Revolução, ampliando o temor estadunidense de que os ideais de esquerdas se
espalhassem pela América.
Após o provisório governo do “Comando Supremo da Revolução”, Castelo Branco assumiu a presidência,
eleito de forma indireta. O governo ao longo da ditadura ocorreu através dos Atos Institucionais.
Pouco antes de deixar o governo, Castello Branco decretou a Lei de Segurança Nacional, segundo a qual
qualquer pessoa considerada desestabilizadora do regime instituído poderia ser alvo de severas punições.
O escolhido para suceder a Castelo Branco foi Costa e Silva (1967-69), ligado a linha dura. O novo presidente,
no entanto, teve que enfrentar a oposição dos setores civis ao regime, insatisfeitos com a permanência dos
militares no poder já por quatro anos. Em 1968 movimentos estouram por todo país, incentivados pela
chamada “contracultura” norte–americana, pelos movimentos estudantis de Paris e pela Primavera de Praga
na Checoslováquia. Os próprios políticos que apoiaram e legitimaram o golpe começaram a vê-lo com outros
olhos, pois suas garantias estavam limitadas.

AI – 1 (1964) – Comando O chefe do Executivo teria condições de apresentar emendas


Supremo da Revolução constitucionais ao Congresso e aprová-las por maioria simples,
suspender temporariamente os direitos políticos de qualquer cidadão
por dez anos e decretar estado de sítio.
AI – 2 (1964) – Castelo Branco Suprimia as eleições diretas para presidente, concedia à Justiça militar
competência para julgar civis que haviam cometido crimes contra a
segurança nacional e instituía o bipartidarismo: ARENA e MDB
AI – 3 (1966) – Castelo Branco Suprimia eleições diretas para governadores e prefeitos das capitais.
AI – 4 (1966) – Castelo Branco Convocava deputados e senadores para eleger o novo presidente e
elaborar uma nova Constituição. A Carta legitimou o Estado autoritário
e manteve o Poder Legislativo subordinado ao Executivo.
AI – 5 (1968) – Costa e Silva Legitimava o fechamento do Congresso Nacional, das assembleias
legislativas e das câmaras municipais. O ato permitia ao presidente o
poder de cassar os mandatos legislativos, executivos, federais,
estaduais e municipais, ou seja, concedia plenos poderes ao presidente
que podia, ainda, suspender os direitos políticos dos cidadãos, demitir,
remover, aposentar funcionários civis e militares.

1
História

Plenos poderes para demitir e remover juízes, decretar estado de sítio


sem restrições ao país, legislar por decreto e baixar outros atos
institucionais completares. O governo retirou o direito a habeas corpus
aos acusados de crimes contra a segurança nacional. Esses acusados
passaram a ser julgados por tribunais militares sem direito a recorrer.

Os anos de chumbo
No Brasil, eventos como a “Passeata dos cem mil” e a morte do estudante Edson Luís demonstram a tensão
que se construía entre a Ditadura e seus opositores. A resposta do Governo para essa intensificação nos atos
foi, primeiramente, a proibição de manifestações em ruas de todo o país pelo Ministro da Justiça, em 5 de
julho. Em seguida, em um ato ainda mais radical do Governo é decretado em dezembro de 1968, o Ato
Institucional Nº5 (AI-5).
Este é considerado um dos capítulos mais tristes da história republicana brasileira. Com Emílio Garrastazu
Médici (1969-74) na presidência, a tortura foi instituída contra aqueles que se opusessem ao regime. Muitos
morreram, desaparecem ou foram obrigados a partir para o exílio. A tortura se intensificava enquanto no plano
econômicos os militares ressaltavam os avanços do dito “milagre econômico”.
Assim, apesar das perseguições, prisões arbitrárias e torturas ocorrerem nos porões da ditadura, silenciando
opositores, o país passava uma imagem de tranquilidade e crescimento para a população. Com o “milagre
econômico” (que apesar do enriquecimento, gerou uma alta concentração de renda e aprofundou as
desigualdades) e a conquista da Copa do Mundo de 1970, o clima de euforia se intensificou, ajudando a criar
a falsa imagem de um país próspero e que se modernizava. Aproveitando o contexto, o regime construiu um
forte esquema publicitário, que apelava para o nacionalismo e para a marginalização dos opositores, lançando
campanhas com frases como “Brasil, ame-o ou deixe-o” e “Brasil Potência”.
O milagre econômico, que gerou um crescimento econômico exponencial durante o governo Médici e
contribuiu para a legitimidade da ditadura começou a dar sinais de esgotamento, provocado principalmente
pela crise do petróleo em 1973. Em meio ao fim do período de crescimento e com a queda real do PIB,
cresceram as insatisfações e questionamentos à ditadura militar. O mandato de Médici chegava ao fim e era
necessário que o próximo presidente fosse alguém capaz de lidar com essas inquietações.

Uma redemocratização lenta, gradual e segura

O general Geisel foi o escolhido para suceder o general Médici. Diante das críticas à crise econômica e às
próprias bases da ditadura militar brasileira, Geisel foi o escolhido para iniciar o processo de abertura política
lenta, gradual e segura. Esses foram os primeiros passos dados em direção a redemocratização do Brasil.
Com o fim do governo Geisel, Figueiredo foi o escolhido para terminar o processo de abertura política. Nesse
período, cresciam as pressões não só pela redemocratização, mas também pela Lei de Anistia.
Desde o início da ditadura militar, diversos cantores, escritores, políticos e estudantes foram perseguidos por
manifestarem oposição ao regime. Muitos acabaram assassinados e desaparecidos, mas alguns também
foram exilados, como Gilberto Gil e Caetano. Portanto, cresciam as demandas pelo retorno dessas pessoas.
Como já é de se imaginar, a Lei de Anistia também não foi uma tarefa simples, afinal, havia pressões de
militares por uma anistia que também os beneficiasse. Decidiu-se, então, por uma anistia que atingia tanto os
crimes realizados por militares e figuras próximas ao regime quanto os opositores da ditadura, exceto pelos
acusados de crimes de terrorismo e guerrilha armada.
Se hoje ainda temos debates em torno da Lei de Anistia (que manteve impune torturadores), é de se esperar
que logo após sua promulgação, em 1979, houvesse críticas. Grupos ligados a militares da linha dura ficaram
muito insatisfeitos com o retorno dos opositores exilados. Neste período, ocorreram diversos atentados

2
História

terroristas, como a carta-bomba enviada à OAB e o famoso atentado do Riocentro, no qual houve a tentativa
de explosão de duas bombas em um show de MPB em homenagem ao dia do trabalhador.
Com o processo de abertura política marcado pelo afrouxamento da censura, o fim do AI-5, a lei de anistia,
etc., faltava ainda o cumprimento de uma grande demanda da população: o retorno de eleições diretas para
presidente, como exigia a emenda Dante de Oliveira.
Apesar das manifestações exigindo eleições diretas, como o famoso movimento das Diretas Já!, a emenda
não foi aprovada. O presidente que sucedeu a Figueiredo, eleito através de eleições indiretas, foi Tancredo
Neves. Porém, a precoce morte de Tancredo fez com que seu vice, José Sarney, assumisse a presidência,
marcando o fim à ditadura militar brasileira.

Resistência e manifestações políticas


Muitas foram as formas de resistência à Ditadura Militar, seja através de recursos legais, buscando o respeito
a direitos básicos, criando expressões culturais críticas, até os movimentos armados, com guerrilhas urbanas
e rurais. Movimentos culturais como o Cinema Novo e o Tropicalismo realizaram duras críticas à política
brasileira e conviveram com a censura. Diversos protestos e enfrentamentos diretos entre estudantes e
militares também marcaram de sangue as ruas das grandes capitais. No campo político, destaca-se a
atividade de apenas dois partidos oficiais, o ARENA, que apoiava o governo, e o MDB, a oposição consentida.
Por fim, com atuações mais violentas, grupos guerrilheiros se espalharam pelo país e estimularam revoltas e
tentativas de derrubada do Governo Militar. Neste contexto, destacam-se grupos como o Movimento
Revolucionário 8 de outubro (MR-8), a Ação Libertadora Nacional (ALN), o Var-Palmares (Vanguarda Armada
Revolucionária Palmares), a VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), entre outras.

3
História

Exercícios

1. “Organizadas em oposição a João Goulart, as marchas da família se transformaram em forte apoio ao


Governo Militar, reunindo uma massa de civis, nas capitais e no interior do país.”
(REVISTA DE HISTÓRIA DA BIBLIOTECA NACIONAL. Ano 1, n. 8, fev./mar. de 2006. p. 60.)

Relacionando o fragmento acima ao golpe militar no Brasil, é correto afirmar:

a) As torturas e as perseguições políticas são matérias para ficção, pois o Brasil sempre foi um país
estável politicamente.
b) Havia receio dos setores mais progressistas do Brasil de que os norte-americanos invadissem o
país.
c) O medo, em relação ao comunismo, não existia no meio social, posto que o país, em especial suas
elites, sempre foi simpático às ideias comunistas.
d) Por ocasião do golpe houve um movimento civil conservador, inicialmente organizado em oposição
ao governo do presidente trabalhista João Goulart, manifestado nas Marchas da Família com Deus
pela Liberdade.
e) Não houve exílio de brasileiros, pois a Constituição de 1967 garantia a liberdade de expressão
política.

2. O Golpe de 1964 destituiu o presidente João Goulart e transmitiu o poder para uma Junta Militar, que
elegeu Humberto Castelo Branco como primeiro presidente militar do Brasil. Com o governo Castelo
Branco, o aparato repressor começou a ser implantado no país, e os primeiros casos de tortura e
censura começaram a ser registrados. Na questão partidária, o Brasil foi organizado com um modelo
de bipartidarismo. Os dois partidos que surgiram eram:
a) PSD e PMDB
b) Arena e MDB
c) PTB e Arena
d) PSD e PDS
e) MDB e PMDB

4
História

3. "Censura ao 'paralamas' traz tesoura de volta


Extinta oficialmente em 1985, a censura treina novos cortes nos tempos de abertura: o grupo Paralamas
do Sucesso foi proibido de cantar a música 'Luís Inácio' num show em Brasília".
(O GLOBO, 19-07-95)

O conteúdo da notícia, embora em situação e contexto diferentes, faz-nos lembrar a época em que a
censura foi aplicada com intensidade na ditadura militar, especialmente após 1968, quando a repressão
se tornou mais rigorosa com o AI-5, imposto num ambiente marcado por vários fatores, dentre eles o:
a) fim oficial do FGTS, o que irritou os trabalhadores pela perda dos valores depositados.
b) enfraquecimento da base política do governo no Congresso, com a recusa dos parlamentares em
permitir a perda da imunidade de um deputado para processo judicial.
c) apoio do chamado Tropicalismo, manifestação cultural de defesa da ditadura, principalmente por
meio da música.
d) movimento de revolta de Jacareacanga, no Pará, que contestava o regime, conseguindo, entre os
militares, cada vez maior número de adeptos.
e) apoio garantido pela compra pelo Brasil de um porta-aviões para ser incorporado à Marinha como
suporte aeronaval às medidas repressoras do governo.

4. Leia atentamente as alternativas abaixo.

I. No governo Médici, observamos o auge da ação dos instrumentos de repressão e tortura


instalados a partir de 1968. Os famosos “porões da ditadura” ganhavam o aval do Estado para
promover a tortura e o assassinato no interior de delegacias e presídios;
II. A repressão aos órgãos de imprensa foi intensificada, impossibilitando a denúncia das
arbitrariedades que se espalhavam pelo país. Ao mesmo tempo, no governo de Médici, foi
observado o uso massivo dos meios de comunicação para instituir uma visão positiva sobre o
Governo Militar;
III. A participação do Estado na economia ampliou-se significativamente com a criação de
aproximadamente trezentas empresas estatais entre os anos de 1974 e 1979. A expansão do setor
industrial, viabilizada por meio da expansão do crédito, a manutenção dos índices salariais e a
repressão política incitaram uma explosão consumista entre os setores médios da população.

Indique a alternativa correta abaixo:

a) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.


b) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas.
c) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas.
d) se todas as afirmativas estiverem corretas.
e) se todas as afirmativas estiverem incorretas.

5
História

5. O golpe militar em 1964 foi acompanhado por alterações na organização política do Brasil, como a
cassação de direitos políticos, o fechamento de partidos e a censura. A partir de 1969, iniciou-se um
período conhecido como “milagre” econômico brasileiro, em que predominaram os investimentos em
bens de consumo duráveis, a exportação de manufaturados e a abertura do mercado ao capital
estrangeiro.
Foi também característica desse modelo econômico:
a) a criação da Companhia Siderúrgica Nacional.
b) o investimento de capitais nas pequenas indústrias.
c) a redução dos salários dos trabalhadores menos qualificados.
d) a extinção do Sistema Financeiro de Habitação.
e) a criação da Sudene.

6. A Lei da Anistia, de 1979, teve como significado político a(o):


a) alteração na ordem constitucional para perpetuar os mecanismos de controle estatal.
b) regulamentação legal da violência praticada pelo Estado contra os opositores do governo.
c) engajamento da população na defesa das reformas de base propostas pelos trabalhadores e
estudantes.
d) desdobramento do processo de abertura política, marcado pelas lutas contra a limitação das
liberdades democráticas.
e) Houve uma satisfação generalizada de ambas as partes envolvidas, a partir da Lei de Anistia. Um
ciclo que se fechava de maneira justa.

7. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), disse nesta segunda-feira [30/5] que o
impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello foi apenas um acidente na história do Brasil.
Sarney minimizou o episódio em que Collor, que atualmente é senador, teve seus direitos políticos
cassados pelo Congresso Nacional. “Eu não posso censurar os historiadores que foram encarregados
de fazer a história. Mas acho que talvez esse episódio seja apenas um acidente que não devia ter
acontecido na história do Brasil”, disse o presidente do senado.
Correio Braziliense, 30/05/2011.

Sobre o episódio mencionado na notícia acima, pode-se dizer acertadamente que foi um
acontecimento:
a) de grande impacto na história recente do Brasil e teve efeitos negativos na trajetória política de
Fernando Collor, o que fez com que seus atuais aliados se empenhem em desmerecer este
episódio, tentando diminuir a importância que realmente teve.
b) nebuloso e pouco estudado pelos historiadores, que, em sua maioria, trataram de censurá-lo,
impedindo uma justa e equilibrada compreensão dos fatos que o envolvem.
c) acidental, na medida em que o impeachment de Fernando Collor foi considerado ilegal pelo
Supremo Tribunal Federal, o que, aliás, possibilitou seu posterior retorno à cena política nacional,
agora como senador.
d) menor na história política recente do Brasil, o que permite tomar a censura em torno dele,
promovida oficialmente pelo Senado Federal, como um episódio ainda menos significativo.
e) indesejado pela imensa maioria dos brasileiros, o que provocou uma onda de comoção popular e
permitiu o retorno triunfal de Fernando Collor à cena política, sendo candidato conduzido por mais
duas vezes ao segundo turno das eleições presidenciais.

6
História

8. São Paulo, 10 de janeiro de 1979.


Exmo. Sr. Presidente Ernesto Geisel.
Considerando as instruções dadas por V. S. de que sejam negados os passaportes aos senhores
Francisco Julião, Miguel Arraes, Leonel Brizola, Luis Prestes, Paulo Schilling, Gregório Bezerra, Márcio
Moreira Alves e Paulo Freire.
Considerando que, desde que nasci, me identifico plenamente com a pele, a cor dos cabelos, a cultura,
o sorriso, as aspirações, a história e o sangue destes oito senhores.
Considerando tudo isto, por imperativo de minha consciência, venho por meio desta devolver o
passaporte que, negado a eles, me foi concedido pelos órgãos competentes de seu governo.
Carta do cartunista Henrique de Souza Filho, conhecido como Henfil. In.: HENFIL. Cartas da mãe. Rio de Janeiro:
Codecri, 1981 (adaptado).

No referido contexto histórico, a manifestação do cartunista Henfil expressava uma crítica ao(à):
a) censura moral das produções culturais.
b) limite do processo de distensão política.
c) interferência militar de países estrangeiros.
d) representação social das agremiações partidárias.
e) impedimento de eleição das assembleias estaduais.

9. A democracia que eles pretendem é a democracia dos privilégios, a democracia da intolerância e do


ódio. A democracia que eles querem é para liquidar com a Petrobras, é a democracia dos monopólios,
nacionais e internacionais, a democracia que pudesse lutar contra o povo. Ainda ontem eu afirmava
que a democracia jamais poderia ser ameaçada pelo povo, quando o povo livremente vem para as
praças – as praças que são do povo. Para as ruas – que são do povo.
Disponível em: www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos/discurso-de-joao-goulart-nocomicio-da-central. Acesso
em: 29 out. 2015

Em um momento de radicalização política, a retórica no discurso do presidente João Goulart, proferido


no comício da Central do Brasil, buscava justificar a necessidade de:
a) conter a abertura econômica para conseguir a adesão das elites.
b) impedir a ingerência externa para garantir a conservação de direitos.
c) regulamentar os meios de comunicação para coibir os partidos de oposição.
d) aprovar os projetos reformistas para atender a mobilização de setores trabalhistas.
e) incrementar o processo de desestatização para diminuir a pressão da opinião pública.

7
História

10. A Operação Condor está diretamente vinculada às experiências históricas das ditaduras civil-militares
que se disseminaram pelo Cone Sul entre as décadas de 1960 e 1980. Depois do Brasil (e do Paraguai
de Stroessner), foi a vez da Argentina (1966), Bolívia (1966 e 1971), Uruguai e Chile (1973) e Argentina
(novamente, em 1976). Em todos os casos se instalaram ditaduras civil-militares (em menor ou maior
medida) com base na Doutrina de Segurança Nacional e tendo como principais características um
anticomunismo militante, a identificação do inimigo interno, a imposição do papel político das Forças
Armadas e a definição de fronteiras ideológicas.
PADRÓS, E. S. et al. Ditadura de Segurança Nacional no Rio Grande do Sul (1964-1985): história e memória. Porto
Alegre: Corag, 2009 (adaptado).

Levando-se em conta o contexto em que foi criada, a referida operação tinha como objetivo coordenar
a
a) modificação de limites territoriais.
b) sobrevivência de oficiais exilados.
c) interferência de potências mundiais.
d) repressão de ativistas oposicionistas.
e) implantação de governos nacionalistas.

8
História

Gabarito

1. D
Um movimento civil conservador, apoiado pela igreja católica, é promovido em apoio a intervenção militar.

2. B
MDB representa o partido submisso de oposição e a Arena representa o partido do governo. Pode-se
fazer uma Alusão ao bipartidarismo dos EUA, que atuou diretamente no golpe de 1964.

3. B
O governo, dentre outros fatores, toma esta atitude extrema, pois, vê-se perdendo força no congresso,
algo inimaginável para o regime.

4. D
Todas as afirmações estão corretas.

5. C
O milagre econômico veio atrelado ao arrocho salarial de trabalhadores menos qualificados (maioria) na
intenção de reduzir a inflação.

6. D
A Lei de Anistia foi um dos elementos que compuseram a chamada distensão “lenta, gradual e segura”
do fim da ditadura militar. A Lei de Anistia permitiu que os torturadores não fossem julgados e presos, bem
como permitiu a volta ao Brasil de opositores ao regime que haviam sido exilados do país.

7. A
Podemos considerar uma estratégia política o desmerecimento deste importante evento histórico. A
redução para um “acidente histórico” desmerece o evento, bem como as profundas análises dedicadas a
tal.

8. B
No ano de 1979 o Brasil vivia um processo de redemocratização lenta, gradual e segura, que, apesar dos
debates pela Lei da Anistia, ainda limitava o acesso aos direitos políticos de muitos acusados de crimes
contra o governo.

9. D
A base de apoio de João Goulart era o trabalhador, logo, os discursos e reformas propostas pelo
presidente visavam fortalecer essa base.

10. D
A Operação Condor tinha como objetivo a repressão de movimentos oposicionistas, principalmente de
esquerda, na América Latina. Contando com apoio do Brasil, do Chile, da Argentina, do Paraguai, do
Uruguai, da Bolívia e dos EUA, em uma aliança com a C.I.A.

9
História

O Século XIX

Resumo

Era Napoleôca e Revoluções Liberais


O governo de Napoleão Bonaparte foi responsável por consolidar os ideais burgueses implementados
durante a Revolução Francesa. Napoleão, além de consolidar os ideais burgueses na França, foi responsável
por sua expansão pela Europa, permitindo o fortalecimento das liberais que desencadeariam os movimentos
de 1820, 1830 e1848. O século XIX foi marcado, ainda, pelo fortalecimendo das ideais nacionalistas, como a
Unificação Italiana e Alemã.
Durante Império Napoleônico, Napoleão decretou o Bloqueio Continental, proibindo os países europeus
de comercializarem com a Inglaterra. Os países que o desobedeceram foram invadidos, entre eles podemos
citar Portugal e Espanha o que é, inclusive, importante para a compreensão do processo de Independência da
América Portuguesa e Espanhola. No caso português, a família real transferiu-se para colônia, pontapé inicial
para o nosso processo de indepedendência ocorrido em 1822.
Com a derrota da Napoelão, as principais nações que o combateram se reuniram no Congresso de Viena
para restaurar a situação geopolítica e ideológica da Europa. As Guerras Napoleônicas haviam transformado a
organização territorial e política dos países europeus. As tropas napoleônicas levavam consigo as teorias
liberais e as diretrizes econômicas, políticas e ideológicas burguesas construídas na França durante o período
revolucionário e isso era visto como uma ameaça pelos monarcas absolutistas.
Embora restaurasse o absolutismo em grande parte da Europa, Viena não conseguiu pôr fim no desejo
de libertação dos povos europeus e a europa passou por movimentos liberais ao longo do século XIX. O período
napoleônico e o iluminismo lançaram as bases para as rebeliões, elas se dividiam entre as reformistas e
republicanas, mas em todas estavam presentes a reclamação pelo direito de manifestação, liberdade de
imprensa e o direito ao voto. Havia, além disso, muitas discordâncias: muitos pediam o sufrágio universal e
eram chamados de radicais ou democratas, já os mais conservadores defendiam o voto censitário (por renda),
o que geralmente vinha por parte da alta burguesia. Os mais emblemáticos ocorrerem em 1848 e ficaram
conhecidos por “Primavera dos povos”, por mobilizarem também as classes operárias.
Vale lembrar que, nessa mesma conjuntura, ocorria a Segunda Revolução Industrial, inaugurando o
modelo de capitalismo monopolista, cenário em que a exploração opererária foi cada vez maior. É também
nesse contexto que surgem as primeiros doutrinas críticas ao capitalismo, como o Anarquismo, o Socialismo
Utópico e o Científico.
Enquanto a Revolução Industrial avançava, as principais potências europeias se lançaram na corrida
imperialista. O termo “Imperialismo” é utilizado para designar a política expansionista das principais nações
europeias, que tinha por objetivo a busca de mercado consumidor, de mão de obra barata e de matérias-primas

1
História

para o desenvolvimento das indústrias. Com ele, houve a ampliação das tensões na Europa, devido as
crescentes disputas territoriais.

Brasil: Independência e Império


A presença da corte no Brasil foi fundamental para a emancipação política brasileira, apesar da intenção
de D. João não ser a independência, a presença dos Bragança na colônia deu as condições necessárias para
que processo de emancipação se iniciasse. Com a chegada da corte, houve a abertura dos Portos às Nações
Amigas, garantindo o fim do monopólio comercial português. Nesse contexto também foram garantidas
vantagens alfendegárias a Inglaterra.
Em 1822, ocorreu a Independência do Brasil, o que pode ser associado as iniciativas recolonizadoras da
Revolução Liberal do Porto, ocorrida em Portugal. O Primeiro Reinado (1822-1831), período no qual D. Pedro I
esteve a frente do país, foi marcado pelo autoritarismo do imperador, com o fechamento da Constituinte de
1823, a outorga da Constituição de 1824 e a criação do poder moderador. O processo de independência não
modificou as estruturas do país, que se manteve agrário, escravista e adotou a renda para critério para o voto.
Em 1831, diante de uma crise política e econômica, D. Pedro reununciou e seu herdeiro – Pedro de
Alcântara - tinha apenas 5 anos. Se iniciava ali o Período Regencial, contexto em que o país viveu grante
instabilidade com a eclosão de revoltas em diversas partes do território. Como a Regência foi marcada por
maior autonômia das provínicias, alguns historiadores falam que o país viveu uma “experiência repúblicana”.
Em 1840, o golpe da maioridade colocou Pedro de Alcântara – agora D. Pedro II – a frente do Império
com apenas 14 anos de idade. Seu objetivo foi fundamentalmente recentralizar o poder, trazer estabilidade para
o país e evitar uma possível fragmentação territorial. Se iniciava o Segundo Reinado, um dos períodos que mais
caem nos vestibulares, onde é importante se destacar a hegemonia do café (inicialmente no Vale do Paraiba e
depois do Oeste Paulista); os surtos industriais, com o investimento de Mauá; o processo de abolição da
escravidão e a Guerra do Paraguai.
Sobre a questão abolicionista, é importanter ressaltarmos o protagonismo da sociedade civil, sobretudo
dos próprios escravos, na luta pela liberdade. O movimento ganhou muita força na segunda metade do século
XIX e foi determinante para a assinatura da Lei Áurea. Vale lembrar, além disso, que antes da abolição definitiva,
outras leis abolicionistas foi criadas, como a Eusébio de Queirós, a do Ventre Livre e a dos Sexagenários.
A Guerra do Paraguai foi, além disso, um dos grandes marcos do período, sendo fundamental para o
entedimento do fortalecimento do abolicionismo (já que muitos escravos foram para guerra), assim como para
a crise do Segundo Reinado. O conflito fortaleceu os militares, o que contribuiu para o isolamento de D. Pedro
II e a Proclamação da República em 1889.

2
História

Exercícios

1. Sobre o Período Napoleônico é correto afirmar que:


a) as campanhas napoleônicas apoiaram o movimento denominado Conjura dos Iguais e
disseminaram os ideais do proletariado revolucionário francês.
b) de uma maneira geral, pode ser apontado como o momento em que se consolidaram as instituições
burguesas na França.
c) Portugal, tradicional aliado da França, foi um dos primeiros países a aderir ao Bloqueio Continental
em troca da ajuda na transferência da família real para a colônia Brasil.
d) o império foi marcado pelos acordos de paz com a Inglaterra, que via na França uma aliada na
propaganda da mentalidade capitalista burguesa.
e) a ascensão do império de Bonaparte foi concretizada a partir dos acordos políticos na Península
Ibérica, evitando as lutas nacionalistas e oposicionistas.

2. Napoleão Bonaparte, para os franceses, foi:


“... o mais bem-sucedido governante de sua longa história. Triunfou gloriosamente no exterior, mas, em
termos nacionais, também estabeleceu ou restabeleceu o mecanismo das instituições francesas como
existem até hoje.”;
(HOBSBAWM, Eric J. A era das revoluções. 1789-1848. p.94).

“;Foi preciso esperar a consolidação napoleônica para haver um novo interesse pela indústria.”
(FALCON, Francisco e MOURA, Gerson. A formação do mundo contemporâneo. p 35).

Levando em consideração as medidas e as transformações do período napoleônico, assinale a


alternativa correta:
a) As principais reformas napoleônicas durante o Consulado foram: a institucionalização do Código
Civil em 1804, garantindo a liberdade individual, a igualdade perante a lei e o direito à propriedade
privada.
b) A França, no início do século XVIII, já era uma uma sociedade capitalista industrial, cujas forças
dinâmicas apontavam para um desenvolvimento industrial autêntico, o que foi interrompido com a
agitação revolucionária e só retomado com a Era Napoleônica.
c) As Guerras Napoleônicas na Europa desorganizaram a economia do continente e retardaram a
difusão das instituições impulsionadoras do capitalismo.
d) A Era Napoleônica fortaleceu os ideais aristocráticos do Antigo Regime colocando a França como
uma nação-moderna.
e) Napoleão aderiu ao militarismo prussiano para realizar sua expansão territórial. Sua principal derrota
se deu na Península Ibérica, ao enfrentar as poderosas esquadras portuguesas.

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História

3. "A superioridade da indústria inglesa, em 1840, não era desafiada por qualquer futuro imaginável. E esta
superioridade só teria a ganhar se as matérias-primas e os gêneros alimentícios fossem baratos. Isto
não era ilusão: a nação estava tão satisfeita com o que considerava um resultado de sua política que as
críticas foram quase silenciadas até a depressão da década de 80."
(Joseph A. Schumpeter, "HISTÓRIA DA ANÁLISE ECONÔMICA")

Desta exposição conclui-se por que razão a Inglaterra adotou decididamente, a partir de 1840, o:
a) isolacionismo em sua política externa.
b) intervencionismo estatal na economia.
c) capitalismo cristão contrário à concorrência.
d) agressivo militarismo nas conquistas de colônias ultramarinas.
e) livre-comércio no relacionamento entre as nações.

4. Leia o texto a seguir para responder ao que pede a questão.


Decreto das Cortes Portuguesas
“A 24 de abril de 1821, as Cortes de Lisboa declararam os governos provinciais independentes do Rio de
Janeiro, subordinando-os diretamente às Cortes. Antes mesmo que lá chegassem os deputados
brasileiros, já tratavam as Cortes, em 29 de setembro de 1821, de assuntos de sumo interesse para o
Brasil, decidindo transferir para Lisboa [...] o Conselho da Fazenda, a Junta de Comércio, a Casa de
Suplicação e várias outras repartições instaladas no país por d. João VI. Decretava-se a seguir, em 29 de
setembro, 1o e 18 de outubro a volta do príncipe regente, nomeando-se para cada província, na qualidade
do Poder Executivo, um governador-de-armas, independente das junta e destacando novos
COSTA, Emília Viotti da. Introdução do estudo da emancipação política do Brasil. In: MOTA, Carlos Guilherme (org.). Brasil em
perspectiva. São Paulo: Difel, 1976.

O texto acima se refere às deliberações das Cortes em Portugal, formada quando a família real
portuguesa estava no Brasil, que pretendiam eliminar várias ações de autonomia administrativa
implantadas por D. João VI na possessão portuguesa da América. Sobre o processo de Independência
do Brasil é INCORRETO afirmar que:
a) a primeira medida de autonomia econômica realizada por D. João VI foi a abertura dos portos às
nações amigas.
b) frente à pressão das Cortes, o príncipe regente D. Pedro I dirigiu-se a Portugal para prestar contas,
voltando para o Brasil somente após a independência.
c) a formação das Cortes obrigou D. João VI a retornar a Portugal, visto estar receoso de perder o
poder na metrópole.
d) as Cortes formadas em Portugal foram uma consequência da Revolução Liberal do Porto, de 1820.
e) D. Pedro I submeteu-se prontamente às ordens do Pai, voltando a Portugal e deixando o Brasil sob
o comando de seu filho.

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História

5. O Congresso de Viena, concluído em 1815, após a derrota de Napoleão Bonaparte, baseou-se em três
princípios políticos fundamentais. Assinale a opção que apresenta corretamente esses princípios:
a) Liberalismo, democracia e industrialismo.
b) Socialismo, totalitarismo e controle estatal.
c) Restauração, legitimidade e equilíbrio europeu.
d) Conservadorismo, tradicionalismo e positivismo.
e) Constitucionalismo, federalismo e republicanismo.

6. A invasão da Península Ibérica pelas forças de Napoleão Bonaparte levou a Coroa portuguesa, apoiada
pela Inglaterra, a deixar Lisboa e instalar-se no Rio de Janeiro. Tal decisão teve desdobramentos notáveis
para o Brasil. Entre eles:
a) a chegada ao Brasil do futuro líder da independência, a extinção do tráfico negreiro e a criação das
primeiras escolas primárias.
b) o surgimento das primeiras indústrias, muitas transformações arquitetônicas no Rio de Janeiro e a
primeira constituição do Brasil.
c) o fim dos privilégios mercantilistas portugueses, o nascimento das universidades e algumas
mudanças nas relações entre senhores e escravos.
d) a abertura dos portos brasileiros a outras nações, a assinatura de acordos comerciais favoráveis aos
ingleses e a instalação da Imprensa Régia.
e) a elevação do Brasil à categoria de Reino Unido, a abertura de estradas de ferro ligando o litoral
fluminense ao porto do Rio e a introdução do plantio do café.

7. A respeito da independência do Brasil, pode-se afirmar que:

a) consubstanciou os ideais propostos na Confederação do Equador.


b) instituiu a monarquia como forma de governo, a partir de amplo movimento popular.
c) propôs, a partir das idéias liberais das elites políticas, a extinção do tráfico de escravos, contrariando
os interesses da Inglaterra.
d) provocou, a partir da Constituição de 1824, profundas transformações na estruturas econômicas e
sociais do País.
e) implicou na adoção da forma monárquica de governo e preservou os interesses básicos dos
proprietários de terras e de escravos.

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História

8. ”A 3 de setembro de 1825, partimos do Rio de Janeiro. Um vento fresco ajudou-nos a vencer, em 24 horas,
a travessia de 70 léguas, até Santos, e isto significou dupla vantagem, porque a embarcação conduzia,
também, 65 negros novos, infeccionados por sarna da cabeça aos pés”;. Assim começa o mais vivo,
completo e bem documentado relato da famosa Expedição de Langsdorff, que na sua derradeira e longa
etapa, entre 1825 e 1829, percorreu o vasto e ainda bravio interior do Brasil, por via terrestre e fluvial - do
Tietê ao Amazonas. Seu autor é um jovem francês de 21 anos, Hercules Florence, no cargo de desenhista
topográfico. Encantado com as maravilhas das terras brasileiras e com seu povo hospitaleiro, Hercules
Florence permaneceu aqui, ao término da expedição, escolhendo a então Vila de São Carlos, como
Campinas foi conhecida até 1842, para viver o resto de sua vida.
Florence morreu em 27 de março de 1879 (...).”
(Revista: Scientific American Brasil, n. 7, São Paulo: Ediouro, 2002. p. 60)

O jovem francês partiu do Rio de Janeiro, em 1825, aventurou-se por várias regiões do Brasil, fixando
residência na Cidade de Campinas, até 1879. Considerando o triângulo percorrido pelo jovem - Rio de
Janeiro, Santos e Campinas - e os fatos históricos no período mencionado, pode-se afirmar que:
a) o Porto de Santos tornou-se conhecido, naquele contexto histórico, por ter sido o local escolhido
pelo governo brasileiro para o controle de toda a exportação do café, que era produzido tanto no
Vale do Paraíba como no Oeste Paulista.
b) o jovem francês partiu do Rio de Janeiro no momento em que a produção cafeeira no Vale do
Paraíba declinava, trazendo prejuízos incalculáveis aos fazendeiros que fizeram altos investimentos
com a compra de escravos.
c) Florence faleceu durante o período em que a cidade de Campinas registrava uma crise violenta da
economia cafeeira, recuperando-se apenas no final do século com a retomada do ciclo econômico
açucareiro.
d) o Porto de Santos teve um papel secundário no contexto de desenvolvimento econômico na
segunda metade do século XIX, pois o mesmo não atendia às normas de segurança determinadas
pelas exportadoras de café.
e) Florence esteve no Brasil durante o período da ascensão da produção cafeeira no Vale do Paraíba,
presenciando inclusive a crise na região e a ascensão desse produto na região do Oeste Paulista.

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História

9. O texto abaixo foi extraído de uma crônica de Machado de Assis e refere-se ao trabalho de um escravo.
“Um dia começou a guerra do Paraguai e durou cinco anos, João repicava e dobrava, dobrava e repicava
pelos mortos e pelas vitórias. Quando se decretou o ventre livre dos escravos, João é que repicou. Quando
se fez a abolição completa, quem repicou foi João. Um dia proclamou-se a república. João repicou por
ela, repicara pelo Império, se o Império retornasse.”
(MACHADO, Assis de. Crônica sobre a morte do escravo João. 1897)

A leitura do texto permite afirmar que o sineiro João:


a) por ser escravo tocava os sinos, às escondidas, quando ocorriam fatos ligados à Abolição
b) não poderia tocar os sinos pelo retorno do Império, visto que era escravo.
c) tocou os sinos pela República, proclamada pelos abolicionistas que vieram libertá-lo.
d) tocava os sinos quando ocorriam fatos marcantes porque era costume fazê-lo.
e) tocou os sinos pelo retorno do Império, comemorando a volta da Princesa Isabel.

10. Sobre o contexto histórico responsável pela proclamação da República NÃO se inclui:
a) a insatisfação dos setores escravocratas com o governo monárquico após a Lei Áurea.
b) a ascensão do exército após a Guerra do Paraguai, passando a exigir um papel na vida política do
país.
c) a perda de prestígio do governo imperial junto ao clero, após a questão religiosa.
d) a oposição de grupos médios urbanos e fazendeiros do oeste paulista, defensores de maior
autonomia administrativa.
e) o alto grau de consciência e participação das massas urbanas em todo o processo da proclamação
da República.

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História

Gabarito

1. B
Napoleão terminou de consolidar as instituições da revolução francesa, fundamentada em ideais
burgueses.

2. A
Com essas medidas, Napoleão rotomava princípios da Revolução Frencesa e objetivava proporcionar o
crescimento econômico da França.

3. E
Uma das principais características econômicas dentro da Revolução Industrial foi a promoção do livre-
comércio internacional, assim obtinha-se matérias-primas para o fortalecimento industrial.

4. B
D. Pedro I não foi a Portugal após o chamamento de seu Pai. Ao contrário disso, permaneceu no Brasil e
associado as elites, proclamou a independência.

5. C
Tendo caráter anti liberal, o Congresso de Viena defendeu fundamentalmente a restauração do cenário político,
econômico e social que vigorava na Europa antes da Revolução Francesa. De tal modo, os integrantes dessa
importante reunião deram apoio à reintegração das monarquias nacionais, à recuperação dos antigos limites
territoriais e à autoridade das nações metropolitanas sobre as suas colônias.

6. D
A instalação dessas mudanças foi primordial para o surgimento do estado brasileiro que necessitava de
infraestrutura.

7. E
A independência foi, sobretudo, uma articulação das elites, o que não promoveu grande transformações
sociais.

8. E
A independência e a prosperidade do café nos primeiros anos de império atraiu diversos imigrantes que
ajudaram a documentar a vida das pessoas comuns.

9. D
Segundo o enunciado, embora ocorressem mudanças políticas ou sociais, João, o sineiro, desempenhava
sempre a mesma tarefa de tocar o sino. Machado de Assis quis mostrar que a função daquele sujeito não
iria se modificar ou acompanhar as transformações da época.

10. E
Houve baixíssima participação popular no movimento de Proclamação da República, portanto, não é
possível falar em participação das massas.

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História

O Século XX

Resumo

A Grande Guerra e a Crise do Capitalismo Liberal


Um dos primeiros marcos do início do Seculo XX foi a Grande Guerra (1914-18), também conhecida como
Primeira Guerra Mundial. Esse conflito trouxe importantes consequências e alterou a ordem geopolítica
mundial, a partir da fragmentação dos grandes impérios e o surgimento de novos países. Apesar de ter eclodido
no início do século XX, suas raízes residem no século XIX. A Segunda Revolução Industrial contou com a
participação de países como os Estados Unidos, o Japão e a Alemanha, que passaram a concorrer com as
outras potências industrializadas por novos mercados, principalmente na África e na Ásia. Esse fenômeno ficou
conhecido como Imperialismo ou Neocolonialismo. As disputas por territórios decorrentes do Imperialismo
podem ser consideradas uma das causas para as tensões que levaram a Primeira Guerra Mundial. Podemos
dizer que o Imperialismo foi um dos principais fatores que motivaram a eclosão da Grande Guerra mas, no
entanto, não foi o único. É importante lembrar, além disso, que o panorama de tensões se constrói lentamente.

Fascismo
O fascismo surgiu no pós Primeira Guerra, contexto de crise do modelo capitalista liberal. Os regimes
fascistas tem como característica um governo autoritário e extremamente nacionalista. Considerado de
extrema- direita, o fascismo teve seu início na Itália e era extremamente hostil a qualquer tipo de governo de
esquerda, especialmente o socialismo soviético. O nacionalismo exacerbado, o militarismo e a liderança
carismática eram três de suas mais marcantes características. Mussolini era vinculado ao chamado Partido
Nacional Fascista e, em 1922, na marcha sobre Roma, foi nomeado primeiro ministro italiano, com o apoio de
diversos setores da sociedade da época. Dois anos depois, em 1924, se utilizou de manobras políticas para
tornar-se o único no poder na Itália, instaurando uma espécie de ditadura consentida.

Nazismo
O Nazismo é considerado uma vertente do fascismo. Hitler, nascido na Áustria, participou da Primeira
Guerra Mundial e foi reconhecido militarmente por sua bravura. Após o fim da guerra se filiou ao Partido dos
Trabalhadores Alemães, que viria a se tornar o Partido Nacional Socialista Alemão (ou Partido Nazista, como
ficou conhecido). Em 1921, tornou-se líder do partido e posteriormente foi nomeado chanceler, se utilizando do
partido para eliminar toda e qualquer oposição a ele. Em 1934, considerado como Führer do Terceiro Reich,
estava no controle de toda a Alemanha nazista, mantendo a posição de líder do Partido Nacional Socialista. O
nazismo tinha como particularidade as teorias antissemitas. Hitler defendia a superioridade da raça ariana e
realizou uma alarmante perseguição aos judeus.

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História

A crise de 1929
O fim da Primeira Guerra Mundial (1914-18) permitiu a ascensão dos Estados Unidos como uma grande
potência econômica. Durante os anos de 1920, os Estados Unidos passaram por um período de euforia:
cresciam às exportações para a Europa, ainda devastada pela guerra, bem como os empréstimos concedidos
para esta pudesse realizar sua reconstrução. Esse momento de prosperidade econômica gerou o “American
Way of Life” (estilo de vida americano), onde o consumo era amplamente estimulado e considerado um caminho
para atingir a felicidade.
Esse período de euforia foi interrompido pela crise de 1929, causada pela “quebra” da bolsa de valores
de Nova Iorque. Nesse contexto, milhares de investidores perderam, da noite para o dia, grandes somas de
dinheiro. A quebra na bolsa gerou, além disso, grande inflação e queda nas taxas de venda de produtos. A
diminuição das vendas de produtos industrializados, por sua vez, levou ao fechamento de inúmeras fábricas e
lojas, levando ao desemprego milhares de trabalhadores.
Para solucionar a crise, o “New Deal” foi elaborado. Considerado um conjunto de medidas econômicas
e sociais tomadas pelo governo Roosevelt, o acordo teve como princípio básico a intervenção do Estado na
economia. Ou seja, o Estados Unidos deixava de lado o liberalismo econômico que vigorou ao longo dos anos
de 1920.

Primeira República
Primeira República é o período da História do Brasil compreendido entre os anos de 1889 a 1930. Ela
pode ser dividida em dois períodos:

• República da Espada (1889 - 1894): quando o Brasil foi governado por dois militares - Marechal
Deodoro da Fonseca e Marechal Floriano Peixoto.
• República Oligárquica: começou em 1895 com Prudente de Moraes e só se encerrou com a
Revolução de 1930

Um dos eventos mais importantes dos primeiros de governo republicano, foi a promulgação da
Constituição de 1891. Ela estabeleceu o regime presidencialista, a abolição do poder moderador, o direito ao
voto a homens, com mais de 21 anos, que não fossem soldados rasos ou mendigos poderiam votar. Além de
instituir o voto aberto.
Nesse contexto, as práticas políticas estavam marcadas pelo coronelismo, com a manipulação do
processo eleitoral, associado a Política dos Governadores, que consistia na troca de favores do Governo Federal
com as oligarquias locais. Outra prática política desse momento no Brasil foi a Política do Café com Leite, que
permitiu que São Paulo e Minais Gerais, os dois maiores colégios eleitorais, se articulassem para ocupar a
presidência da República.
Na Primeira República, e economia se manteve essencialmente agroexportadora, baseada
principalmente no café, muito embora outros produtos, como a borracha, tenham ganhado destaque. O período
também foi marcado por movimentos populares, motivados pela insatisfação com o sistema político e social

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História

implementado. Podemos destacar a Revolta de Canudos, a Guerra de Contestado, o Movimento do Cangaço, a


Revolta da Vacina, a Revolta da Chibata e a Greve Geral de 1917.
Na década de 1920, a Primeira República deu os primeiros cidades de crise. O sistema foi criticado muito
pelos tenentes, por exemplo. Em 1930 ocorreu a Revolução de 1930, contexto em que Vargas chegou ao poder.

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História

Exercícios

1. O período que precedeu a Primeira Guerra Mundial ficou conhecido como Belle Époque (Bela Época),
pelo fato de:
a) apresentar uma profunda rejeição pela ciência e uma veneração pela arte.
b) apresentar um grande entusiasmo com o progresso tecnocientífico e a vida da sociedade industrial.
c) por ter sido um período de regresso à cultura clássica antiga, como foi o Renascimento.
d) por ter reagido à arte modernista, que desprezava a beleza clássica.
e) ser negativo a lógica capitalista, pautada no lucro e no crescimento dos monopólios industriais.

2. “A Grande Guerra de 1914 foi uma consequência da remobilização contemporânea dos anciens regimes
da Europa. Embora perdendo terreno para as forças do capitalismo industrial, as forças da antiga ordem
ainda estavam suficientemente dispostas e poderosas para resistir e retardar o curso da história, se
necessário recorrendo à violência. A Grande Guerra foi antes a expressão da decadência e queda da
antiga ordem, lutando para prolongar sua vida, que do explosivo crescimento do capitalismo industrial,
resolvido a impor a sua primazia. Por toda a Europa, a partir de 1917, as pressões de uma guerra
prolongada afinal abalaram e romperam os alicerces da velha ordem entrincheirada, que havia sido sua
incubadora. Mesmo assim, à exceção da Rússia, onde se desmoronou o antigo regime mais obstinado e
tradicional, após 1918 – 1919, as forças da permanência se recobraram o suficiente para agravar a crise
geral da Europa, promover o fascismo e contribuir para retomada da guerra total em 1939.”
(MAYER, A. A força da tradição: a persistência do Antigo Regime. São Paulo: Companhia das Letras, 1987. p. 13-14.)

De acordo com o texto, é correto afirmar que a Primeira Guerra Mundial:

a) teria sido resultado dos conflitos entre as forças da antiga ordem feudal e as da nova ordem
socialista, especialmente depois do triunfo da Revolução Russa.
b) resultou do confronto entre as forças da permanência e as forças de mudança, isto é, do escravismo
decadente e do capitalismo em ascensão.
c) foi consequência do triunfo da indústria sobre a manufatura, o que provocou uma concorrência em
nível mundial, levando ao choque das potências capitalistas imperialistas.
d) foi produto de um momento histórico específico em que as mudanças se processavam mais
lentamente do que fazem crer os historiadores que tratam a guerra como resultado do imperialismo.
e) engendrou o nazifascismo, pois a burguesia europeia, tendo apoiado os comunistas russos, criou o
terreno propício ao surgimento e à expansão dos regimes totalitários do final do século.

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História

3. ”Itália deseja a paz, mas não teme a guerra.


Justiça sem a força é uma palavra sem sentido.
Nós sonhamos com a Itália romana.”

Os três lemas acima foram amplamente divulgados durante o governo de Benito Mussolini (1922-1943)
e revelam características centrais do fascismo italiano:
a) a perseguição aos judeus, a liberdade de expressão e a valorização do direito romano.
b) o culto ao corpo, o pacifismo e a ânsia de voltar ao passado.
c) o nacionalismo, a valorização do espírito clássico e o materialismo.
d) a beligerância, o culto à ação e o esforço expansionista.
e) o revanchismo, a socialização da economia industrial e a perseguição aos estrangeiros.

4. O Após a Primeira Guerra Mundial, a febre de negócios baseada na especulação provocou a Crise de
1929. Identifique, nas alternativas a seguir, os principais fatos que a produziram.
a) Aparecimento de ideologias como o Fascismo e o Nazismo.
b) Superprodução de mercadorias e saturação dos mercados consumidores.
c) Retraimento do crédito e proibição das exportações.
d) Equilíbrio entre a agricultura e o comércio.
e) Má colheita e demanda ilimitada da indústria

5. A solução americana para a crise de 1929 caracteriza-se como:

a) o processo de busca de alternativas socialistas para a crise do capitalismo com a mudança de


regime político.
b) o resultado das pressões comunistas sobre o governo americano, que acaba assumindo, como
política, a eliminação dos interesses privados na economia.
c) o resultado da insatisfação da sociedade americana com relação aos princípios liberais assumidos
pelos partidos de esquerda que se vinculavam ao governo.
d) a introdução, na cultura americana, de valores europeus através da incorporação de tecnologia à
economia americana e de alternativas de seguridade total.
e) uma saída nacional que acentua o papel dirigente do Estado em determinados setores econômicos,
conhecida como New Deal.

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História

6. Completamente analfabeto, ou quase, sem assistência médica, não lendo jornais, nem revistas, nas quais
se limita a ver as figuras, o trabalhador rural, a não ser em casos esporádicos, tem o patrão na conta de
benfeitor. No plano político, ele luta com o “coronel” e pelo “coronel”. Aí estão os votos de cabresto, que
resultam, em grande parte, da nossa organização econômica rural.
LEAL, V. N. Coronelismo, enxada e voto. São Paulo: Alfa-Ômega, 1978 (adaptado).

O coronelismo, fenômeno político da Primeira República (1889-1930), tinha como uma de suas principais
características o controle do voto, o que limitava, portanto, o exercício da cidadania. Nesse período, esta
prática estava vinculada a uma estrutura social
a) igualitária, com um nível satisfatório de distribuição da renda.
b) estagnada, com uma relativa harmonia entre as classes.
c) tradicional, com a manutenção da escravidão nos engenhos como forma produtiva típica.
d) ditatorial, perturbada por um constante clima de opressão mantido pelo exército e polícia.
e) agrária, marcada pela concentração da terra e do poder político local e regional.

7. O governo Rodrigues Alves (1902-1906) foi responsável pelos processos de modernização e urbanização
da Capital Federal - Rio de Janeiro. Coube ao prefeito Pereira Passos a urbanização da cidade e ao Dr.
Oswaldo Cruz o saneamento, visando a combater principalmente a febre amarela, a peste bubônica e a
varíola. Essa política de urbanização e saneamento público, apesar de necessária e modernizante,
encontrou forte oposição junto à população pobre da cidade e à opinião pública porque:
a) mudava o perfil da cidade e acabava com os altos índices de mortalidade infantil entre a população
pobre.
b) transformava o centro da cidade em área exclusivamente comercial e financeira e acabava com os
infectos quiosques.
c) desabrigava milhares de famílias, em virtude da desapropriação de suas residências, e obrigava a
vacinação antivariólica.
d) provocava o surgimento de novos bairros que receberiam, desde o início, energia elétrica e
saneamento básico.
e) implantava uma política habitacional e de saúde para as novas áreas de expansão urbana, em
harmonia com o programa de ampliação dos transportes coletivos.

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História

8. É difícil encontrar um texto sobre a Proclamação da República no Brasil que não cite a afirmação de
Aristides Lobo, no Diário Popular de São Paulo, de que “o povo assistiu àquilo bestializado”. Essa versão
foi relida pelos enaltecedores da Revolução de 1930, que não descuidaram da forma republicana, mas
realçaram a exclusão social, o militarismo e o estrangeirismo da fórmula implantada em 1889. Isto
porque o Brasil brasileiro teria nascido em 1930.
MELLO, M. T. C. A república consentida: cultura democrática e científica no final do Império. Rio de Janeiro: FGV, 2007
(adaptado).

O texto defende que a consolidação de uma determinada memória sobre a Proclamação da República
no Brasil teve, na Revolução de 1930, um de seus momentos mais importantes. Os defensores da
Revolução de 1930 procuraram construir uma visão negativa para os eventos de 1889, porque esta era
uma maneira de:
a) valorizar as propostas políticas democráticas e liberais vitoriosas.
b) resgatar simbolicamente as figuras políticas ligadas à Monarquia.
c) criticar a política educacional adotada durante a República Velha.
d) legitimar a ordem política inaugurada com a chegada desse grupo ao poder.
e) destacar a ampla participação popular obtida no processo da Proclamação.

9. “Na manhã do dia seis


Canudos foi destruída
Com bombardeios e incêndios
Não ficou nada com vida
Dizem que o Conselheiro
Tinha morrido primeiro
Na Belo Monte Querida”
FRANÇA, A.Q. de; RINARÈ, R. do. Antônio Conselheiro e a Guerra de Canudos. Fortaleza; Tupynanquim, 2002, p. 32.

Em relação aos movimentos como o de Canudos, é correto afirmar que:

a) foram movimentos que se limitaram às regiões Norte e Nordeste do Brasil, marcadas pela presença
dos latifúndios.
b) foram movimentos sem grande repercussão, visto que se situavam no campo e a maior parte
dosvtrabalhadores do país encontrava-se nas cidades.
c) campo o domínio dos coronéis era absoluto, e esses movimentos sociais tiveram que se disfarçar
como um movimento de conteúdo religioso, para evitar a repressão.
d) foram movimentos nos quais se combinavam conteúdos religioso e social, pois questionavam o
poder das autoridades civis e religiosas.
e) foram movimentos de conteúdo exclusivamente religioso, marcados pelo fanatismo, reprimidos por
Pedro II e pelos republicanos que se esforçavam para construir um país civilizado

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História

10. “Façamos a revolução antes que o povo a faça.”


A frase, atribuída ao governador de Minas Gerais Antônio Carlos de Andrada, deixa entrever a ideologia
política da Revolução de 1930, promovida pelos interesses:
a) da burguesia cafeicultora de São Paulo, com vistas à valorização do café.
b) do operariado, com o objetivo de aprofundar a industrialização.
c) dos partidos de direita fascista, no intuito de estabelecer um Estado forte.
d) das oligarquias dissidentes, aliadas ao tenentismo pela reforma do Estado.
e) da burguesia industrial, na busca de uma política de livre iniciativa.

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História

Gabarito

1. B
Esse período chegou ao fim com a eclosão da Primeira Guerra, onde e tecnologia e o desenvolvimento
indústrias contribuíram para o grande número de mortes e feridos.

2. D
O Imperialismo também é uma das causas da guerra, mas, segundo o texto do autor, havia outros motivos
para a eclosão do conflito, ligados ao contexto histórico referente à ordem social e política que havia sido
formada. Não é possível reduzi-la a uma única motivação.

3. D
As frases de Mussolini reproduzidas no comando da questão referem-se ao projeto expansionista do
fascismo, embasado no nacionalismo (tomando como modelo a Roma Imperial e seu Mare Nostrum), na
ideia de que a Itália fora injustiçada em suas reivindicações territoriais, ao término da Primeira Guerra
Mundial, e na presunção de que poderia recorrer à guerra para “fazer justiça.

4. B
Essa superprodução teve efeitos no mercado financeiro, o que levou ao “crash” da bolsa de valores em
1929.

5. E
Com o New Deal o Estado norte americano passa a intervir em determinados setores da economia para
solucionar a crise.

6. E
Essa estrutura agrária vai permitir que os coronéis detenham poder e exerçam diversas práticas de
manipulação eleitoral

7. C
A Revolta foi motivada, deste modo, tanto pelas reformas urbanas de Pereira Passos, quanto pela
determinação da vacinação obrigatória conta a epidemia de varíola na cidade do Rio de Janeiro.

8. D
A legitimação do grupo que chegou ao poder em 1930 ocorreu como complementação da superação do
grupo que havia sido deposto, já que a elite latifundiária e cafeicultora havia mantido seu poder desde os
anos subsequentes à Proclamação da República até 1930.

9. D
A luta pelas melhorias das condições de vida encontrava na religião uma forma de expressão e de
organização. Nesses casos, eram guiados por algum líder religioso, que apontava as autoridades também
como responsáveis pela situação de miséria a que parte da população estava submetida.

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História

10. D
Em virtude das manifestações operárias e populares que ocorriam no Brasil na década de 1920, era uma
preocupação das elites que não estavam representadas no poder federal. O afastamento delas do controle
do Estado levou-as a aliarem-se a outros grupos descontentes, como os tenentes que lutavam por
mudanças na representação política brasileira.

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História

Século VIII

Resumo

O Século XVIII foi marcado por acontecimentos que transformaram a sociedade ocidental. Na Europa, as
ideais Iluministas puseram em questão o Antigo Regime. A contestação ao absolutismo monárquico, à
sociedade estamental e ao sistema colonial impulsionaram movimentos como a Independência das treze
colônias (que derem origem aos Estados Unidos) e a Revolução Francesa. Na Inglaterra, as indústrias davam
os primeiros passos, iniciando o processo que hoje chamamos de “Revolução Indústrial.
Em relação a América Portuguesa, o século XVIII também pode ser chamado de “O Século do Ouro”. A
mineração trouxe, nessa conjuntura, transformações a vida colonial, como o crescimento de vilas e cidades, a
ampliação do mercado interno, assim como o surgimento de novas atividades econômicas. Foi também no
século XVIII que eclodiram os primeiros movimentos de contestação ao domínio colonial português: as
conjurações mineira e baiana.

Revolução Indústrial: o pioneirismo inglês


O que chamamos de Revolução Industrial nos remete a uma série de avanços técnicos que permitiram
a invenção e a aplicação das máquinas a partir do no século XVIII, processo no qual a Inglaterra foi pioneira. O
pioneirismo inglês está associado sobretudo ao fortalecimento da burguesa nesse país (que detinha poder
político desde a Revolução Gloriosa), às grande reservas de ferro e carvão e a existência de uma grande
quantidade de indivíduos disponíveis ao trabalho fabril. É importante compreender, além disso, que a Revolução
Industrial transformou drasticamente a vida humana: houve o acelerado crescimento das cidades, e a mudança
na dinâmica social, com o surgimento do proletariado.

Iluminismo e Revolução Francesa


Podemos afirmar que o movimento Iluminista trouxe abalos definitivos à Europa. Suas ideias
inauguraram o Liberalismo político, a partir da crítica ao poder absoluto dos reis; e o liberalismo econômico,
com a defesa do livre mercado e a crítica ao Mercantilismo. O movimento também valorizou a ideia de que
todos os indivíduos nascem iguais, criticando privilégios de nascimento. A melhor palavra para sintetizar o
Iluminismo é razão, foi através dela que os filósofos pensaram o mundo no século XVIII. Ele vai influenciar
movimentos de contestação ao Antigo Regime, como a Revolução Francesa, além da Independência das 13
colônias, a Conjuração Mineira, entre outros.
Um dos grandes movimentos influenciados pelo Iluminismo foi, sem dúvidas, a Revolução Francesa.
Iniciada em 1789 com a queda da Bastilha, ela repercutiu em todo o Ocidenta A Revolução colocou fim ao
Antigo Regime francês e, devido às dimensões que esse processo revolucionário tomou, a maioria dos
historiadores considera que ele marcou o fim da Idade Moderna e o início a Idade Contemporânea

1
História

Na Revolução Francesa, a burguesia – influenciada pelas ideais Iluministas – derrubou a Monarquia


Absoluta de Luis XVI. O movimento foi emblemático por questionar os princípios que fundamentavam o modelo
de sociedade vigente até então. Dentro da própria Revolução, vieram à tona reivinficações de grupos não
burgueses, como os sans culottes, assim como da pequena burguesia Jacobina, que exigiam – entre outras
coisas – o voto universal masculino. Um dos documentos mais importantes da Revolução foi a Declaração dos
Direitos do Homem e do Cidadão, documento que instituía, na França, a ideia de igualdade perante lei, pondo
fim aos privilégios por nascimento.

Principais Filósofos Iluministas


• Montesquieu: Crítico do poder absoluto dos reis, defendia a teoria da tripartição dos poderes, ou seja, a
• divisão do Estado em três poderes: executivo, legislativo e judiciário.
• Voltaire: Fez críticas aos privilégios da nobreza e da Igreja, defendendo as liberdades individuais.
• Rousseau: Considerado o mais radical entre os Iluministas, criticava a sociedade burguesa, a propriedade
• privada e a soberania popular.
Além destes, Diderot e d’Alambert ficaram conhecidos por compilarem as teorias iluministas na Enciclopédia.
Esta foi fundamental para que as ideias do século das luzes alcançassem várias partes do mundo.

O Século XVIII na America Portuguesa


Desde sua chegada na América, os portugueses estavam em busca de metais preciosos, no entanto,
ampliação pela busca de metais em finais do século XVII está inserida no contexto da decadência da produção
açucareira, após a expulsão dos holandeses. O descobrimento de ouro impulsionou a vinda de inúmeros
imigrantes portugueses para o Brasil com o objetivo de explorar minas de ouro, o que gerou conflitos com os
bandeirantes. Esses conflitos entre bandeirantes e forasteiros ficou conhecido como Guerra dos Emboabas.
Foi a partir deste conflito que as instituições portuguesas estiveram mais presentes do que nunca na
colônia. Instituições, como a Intendência de Minas, foram criadas, assim como diversos impostos, como o
quinto, a capitação e a derrama.
Na região mineradora ocorreu, além disso, um processo de urbanização, o surgimento de vilas, a
ampliação do comércio, assim como a configuração social também passou por mudanças. Uma classe média
urbana surgia nas regiões mineiras, profissionais liberais, comerciantes, e pequenos mineradores compunham
esta sociedade. Os escravos permaneceram sendo utilizados para a extração do ouro, muito embora surgissem
novas funções, como os escravos de ganho. Se fizéssemos uma comparação, poderíamos dizer que a região
mineradora tinham maior mobilidade social em relação ao resto da colônia, mas importante lembrar que a
lógica escravista ainda existia.

2
História

Conjurações Mineira e Baiana


Inspirada na independência dos Estados Unidos, que também teve sua influência das concepções
Ilumistas, a Conjuração Mineira, ocorrida em 1789, foi motivada pela insatisfação com a derrama, imposto
criado por Marquês de Pombal na região aurífera, assim como a proibição do desenvolvimento de manufaturas
no Brasil, determinada pelo alvará de 1785.
O movimento teve forte participação das elites e entre os principas objetivos das revoltosos, eram: Obter
a independência da região em relação à Portugal; implantar uma República no Brasil; liberar e favorecer a
implantação de manufaturas no Brasil; criação de uma universidade pública em Vila Rica. No entanto, havia
uma divergência fundamental entre os inconfidentes, uma parte deles defendia o fim da escravidão, enquanto
outra temia a participação dos ex-escravos na política após a tomada do poder, assim o movimento não era
consistente nesse ponto.
A Conjuração foi delatada por Joaquim Silvério dos Reis ao governador da província, em troca do perdão
de suas dívidas com o governo. Os inconfidentes foram presos e condenados. Enquanto Tiradentes foi
enforcado e teve seu corpo esquartejado, os outros foram exilados na África.
A Conjuração Baiana de 1798 foi único um movimento emancipacionistas que contou com participação
das camadas mais pobres da sociedade. A participação de ex-escravos e escravos, além de pobres livres como
alfaiates e militares de baixa patente foi determinante para as ideias do movimento. As ideias do movimento
em alguma medidas eram parecidas com a dos mineiros, já que ambos os movimentos eram republicanos e
ocorrem no contexto em que as ideias Iluministas chegadam a América. No entanto, na Bahia os revoltosos
adotaram uma posicão em favor do abolicionismo, principal diferença entre os dois movimentos. Isso é
causado pelo perfil social dos participantes.
Um dos integrantes do movimento, o ferreiro José da Veiga, delatou o movimento para o governador. O
governo baiano organizou as forças militares para acabar com o movimento, antes que a revolta ocorresse.
Vários revoltosos foram preso, muitos foram expulsos do Brasil e porém quatro foram executados.

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História

Exercícios

1. Assinale a opção que apresenta considerações sobre a real importância da Revolução Industrial na vida
e na história do homem.
a) A Revolução Industrial foi um fenômeno puramente inglês, não provocando mudanças em outras
nações. Desse modo, a Inglaterra transformou-se numa potência hegemônica, desfrutando padrões
de vida inacessíveis ao resto do mundo.
b) Os novos recursos disponíveis após a Revolução Industrial não melhoraram as condições da vida
urbana. Diante dessa nova tecnologia, o homem preferiu voltar a viver no campo.
c) Novos recursos derivaram das mudanças produzidas pela Revolução Industrial do século XVIII, pois,
foi a partir de então, que as inovações tecnológicas passaram a ter aplicações na vida do homem,
promovendo, no entanto, situações que acentuaram as desigualdades sociais.
d) A Revolução Industrial estimulou o ideal socialista da propriedade privada, tornando a vida do homem
uma constante busca de riqueza e de igualdade social e política.
e) Mais luxo e conforto seriam dois resultados diretos da apropriação social das inovações
tecnológicas derivadas da Revolução Industrial e da ideia de progresso. A História, entretanto,
demonstrou que nem mesmo a burguesia industrial conseguiu tirar proveito dessas comodidades,
por serem incompatíveis com os valores liberais.

2. "Movimento intelectual portador de uma visão unitária do mundo e do homem, o Iluminismo, apesar das
diversidades de leituras que lhe são contemporâneas, conservou uma grande certeza quanto à
racionalidade do mundo e do homem." (Francisco Falcon - Iluminismo) O movimento Iluminista, no
século XVIII, representou a:
a) Crítica ao mecanismo, fundamentada nos dogmas do pensamento religioso católico.
b) Justificativa da dominação do homem pelo homem, representada nas práticas escravistas.
c) Defesa da teocracia pontifícia, frente aos abusos cometidos pela monarquia absoluta.
d) Afirmação das ideias do progresso e natureza, o que permitiu o avanço do conhecimento racional.
e) Subordinação ideológica do poder político civil às práticas e doutrinas da Igreja contra-reformista.

3. O Iluminismo foi uma filosofia nascida na Inglaterra e atingiu seu maior esplendor na França, no século
XVIII, tendo por representantes Voltaire, Montesquieu, Rousseau, etc. Uma das suas características foi a
seguinte:
a) Defender os ensinamentos das Igrejas Católica e Protestante.
b) Ensinar que o homem não é livre, mas marcado pelo determinismo geográfico.
c) Combater o absolutismo real e pregar o liberalismo político.
d) Pregar a censura para os espetáculos de circo e de teatro.
e) Recomendar a pena de morte como maneira de coibir a criminalidade.

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História

4. O homem nasce livre, e por toda a parte encontra-se a ferros. O que se crê senhor dos demais, não deixa
de ser mais escravo do que eles (...) A ordem social é um direito sagrado que serve de base a todos os
outros. Tal direito, no entanto, não se origina da natureza: funda-se, portanto, em convenções.”
J.J. Rousseau, Do contrato social. in: Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1978, p. 22.

A respeito da citação de Rousseau, é correto afirmar:


a) Aproxima-se do pensamento absolutista, que atribuía aos reis o direito divino de manter a ordem
social.
b) Filia-se ao pensamento cristão, por atribuir a todos os homens uma condição de submissão
semelhante à escravatura.
c) Filia-se ao pensamento abolicionista, por denunciar a escravidão praticada na América, ao longo do
século XIX.
d) Aproxima-se do pensamento anarquista, que estabelece que o Estado deve ser abolido e a
sociedade, governada por autogestão.
e) Aproxima-se do pensamento iluminista, ao conceber a ordem social como um direito sagrado que
deve garantir a liberdade e a autonomia dos homens.

5. Entre os séculos XVI e XVIII ocorreram diversas transformações culturais na Europa ocidental. Assinale
a seguir a opção que identifica corretamente uma dessas transformações:
a) o desenvolvimento do pensamento científico, nos séculos XVII e XVIII, que baseava-se do
antropocentrismo e no racionalismo.
b) o movimento reformista, no século XVI, caracterizou-se por uma unidade de pensamento e práticas
nos diversos países nos quais se difundiu.
c) a Contrarreforma, expressa no Concílio de Trento, entre 1545 e 1563, alterou os dogmas católicos a
partir de um enfoque humanista, que extinguiu os Tribunais da Santa Inquisição.
d) o Iluminismo, no século XVIII, baseando-se no racionalismo, criticou os fundamentos do poder da
Igreja, apoiando os princípios do poder monárquico absoluto.
e) o Liberalismo econômico, na segunda metade do século XVIII, criticava o sistema colonial,
defendendo a manutenção dos monopólios mercantilistas como geradores de riqueza

6. A exploração dos metais preciosos encontrados na América Portuguesa, no final do século XVII, trouxe
importantes consequências tanto para a colônia quanto para a metrópole. Entre elas,
a) o intervencionismo regulador metropolitano na região das Minas, o desaparecimento da produção
açucareira do Nordeste e a instalação do Tribunal da Inquisição na capitania.
b) a solução temporária de problemas financeiros em Portugal, alguma articulação entre áreas
distantes da colônia e o deslocamento de seu eixo administrativo para o centro-sul.
c) a separação e autonomia da capitania das Minas Gerais, a concessão do monopólio da extração dos
metais aos paulistas e a proliferação da profissão de ourives.
d) a proibição do ingresso de ordens religiosas em Minas Gerais, o enriquecimento generalizado da
população e o êxito no controle do contrabando.
e) o incentivo da Coroa à produção das artes, o afrouxamento do sistema de arrecadação de impostos
e a importação dos produtos para a subsistência

5
História

7. Sobre a fiscalização realizada pela Coroa portuguesa na zona mineradora de sua colônia brasileira são
feitas as seguintes afirmações:
I. A partir do momento em que os portugueses souberam da descoberta do ouro em terras brasileiras,
a necessidade de controle sobre a exploração das jazidas aumentou substancialmente.
II. A pressão exercida pelos portugueses junto aos mineradores motivou uma série de conflitos entre
os colonos e as autoridades metropolitanas. A escassez de metais e pedras foi sistematicamente
respondida com o enrijecimento da fiscalização lusitana.
III. Após a descoberta de ouro, a metrópole oficializou a criação da Intendência das Minas, órgão que
deveria administrar as regiões auríferas.

Assinale a alternativa:
a) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.
b) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas.
c) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas.
d) se todas as afirmativas estiverem corretas.
e) se nenhuma das afirmativas estiverem corretas.

8. Sobre a chamada Inconfidência Mineira, a historiadora Cristina Leminski afirmou:


Sem a derrama, o movimento esvaziava-se. Para a população em geral, se a derrama não fosse imposta,
não fazia grande diferença se Minas era ou não independente. O movimento era fundamentalmente
motivado por interesses, não por ideais. [...]. A prisão dos homens mais eminentes de Vila Rica provocou
[...] alvoroço na cidade [...] e o visconde de Barbacena foi obrigado a admitir que a tentativa de manter
sigilo sobre o processo era inútil.
LEMINSKI, Cristina. Tiradentes e a Conspiração de Mina Gerais. São Paulo: Scipione, 1994. p. 59-64.

O movimento do século XVIII abordado nesse fragmento textual relaciona-se com a:


a) pretensão das lideranças de Vila Rica, principais beneficiadas com a arrecadação tributária
portuguesa.
b) repercussão da Revolução Francesa no seio da elite intelectual colonial da região aurífera nas Minas
Gerais.
c) exploração tributária feita pela metrópole sobre os colonos portugueses, para aumentar a
arrecadação na região mineradora.
d) revolta desencadeada pela decisão da Coroa de instalar Casas de Fundição, com o propósito de
cobrar o quinto.
e) exploração tributária explorada pelos coronéis diante de seus subordinados.

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História

9. Com relação às consequências trazidas pelo desenvolvimento da mineração no Brasil, podemos apontar
corretamente:
a) A integração da região sul do Brasil à economia colonial através do tropeirismo.
b) O surgimento do movimento abolicionista por causa de um ambiente mais aberto formado nas
Minas Gerais.
c) O empobrecimento da região sudeste por causa da intensa exploração de suas terras.
d) A implantação da capital do Brasil em Salvador como forma de garantir o controle sobre o nordeste
e o sudeste.
e) O desenvolvimento da literatura romântica como manifestação cultural de uma época marcada pelo
espírito aventureiro em busca da liberdade

10. Em 1703, Portugal e Inglaterra assinaram um acordo comercial, o Tratado de Methuen que, segundo
Celso Furtado, (...) significou para Portugal renunciar a todo desenvolvimento manufatureiro e implicou
transferir para a Inglaterra o impulso dinâmico criado pela produção aurífera no Brasil. (...) Celso Furtado.
Formação Econômica do Brasil. São Paulo: Nacional, 1969. p. 38. Sobre o período da mineração do Brasil,
pode-se afirmar que:
a) Deslocou para a região do nordeste da colônia um contingente populacional, oriundo do reino e da
zona litorânea, motivado pela febre do ouro.
b) Permitiu a formação, em Vila Rica, de uma classe média urbana, que conspirou contra a Metrópole,
objetivando a construção de um Estado republicano, com a abolição imediata da escravidão.
c) Possibilitou, entre outros fatores, à Inglaterra, acumulação de capitais, que transformou o sistema
bancário inglês no mais importante centro financeiro da Europa.
d) Confirmou para os ingleses seus interesses mercantis sobre o continente americano, uma vez que
a Coroa Portuguesa permitiu a instalação de indústrias na colônia.
e) Resultou no crescimento urbano da colônia associado ao desenvolvimento do comércio externo,
que abastecia a região do ouro.

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História

Gabarito

1. C
O desenvolvimento tecnológico trouxe importantes inovações, no entanto, superexploração da classe
operária ampliou as desigualdades sociais.

2. D
Os conceitos iluministas eram guiados principalmente pela razão, perspectiva colocada em evidência
desde o renascimento.

3. C
A principal crítica dos Iluminista direcionava-se ao poder absoluto dos reis, devido a isso, defendia,
princípios do liberalismo político.

4. E
Rousseau foi um dos principais filósofos do Iluminismo. Defendia a criação de novas instituições de poder
decorrentes da vontade dos homens para garantir uma sociedade mais justa

5. A
O Renascimento e sequencialmente o Iluminismo deram direcionamento para tais pensamentos. Em sua
base, a razão, o pensamento consciente e longe de afirmações e conceitos religiosos eram a maneira mais
correta de manter a relação entre os seres humanos.

6. B
Portugal viu uma solução no ouro para que a Colônia voltasse a dar lucro. Logo, transferiu o eixo político-
econômico para o Sul/Sudeste e mudou as estratégicas político-econômicas a partir do Marquês de
Pombal.

7. D
Tais medidas permitiram maior controle da coroa portuguesa em relação as regiões mineradoras.

8. C
A derrama era cobrada dos colonos que tivessem impostos atrasados. Com ela, bens eram confiscados
para sanar a dívida.

9. A
O tropeirismo teve grande importância para a integração econômica das regiões do Brasil.

10. C
Com o Tratado de Panos e Vinhos ,Portugal comprava tecidos da Inglaterra e vendia vinhos para os
ingleses. Com o Tratado era vantajoso para a Inglaterra, havia um grande fluxo de capitais portugueses
para britânicos

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História

Séculos XVI e XVII (Brasil e Geral)

Resumo

A Europa, nos séculos XVI e XVII, vivia o que chamamos de Antigo Regime. A maioria dos Estados
Nacionais que foram se construindo ao longo da Idade Moderna adotaram como forma de organização política
o absolutismo monárquico. Esse sistema de governo se caracteriza pela concentração excessiva de poderes
nas mãos do rei. Do ponto de vista econômico, adotou-se o mercantilismo, conjunto de práticas em que o rei
detinha controle sobre a economia e objetivava acumular riquezas para o seu reino. Um dos princípios do
mercantilismo era o metalismo, também chamado de bulionismo, que quantificava a riqueza de acordo com a
quantidade de metais preciosos acumulados. Além disso, as práticas mercantilistas previam a manutenção da
balança comercial favorável, um caminho para que as riquezas não deixassem o reino.
Do ponto de vista social, a sociedade permaneceu estamental, ou seja, com baixíssima mobilidade social,
onde o primeiro (clero) e segundo (nobreza) estamento tinha sua posição determinada pelo nascimento. O
terceiro estamento era um grupo heterogêneo, composto pela burguesia, camponeses, trabalhadores urbanos,
enfim, todos os que não fossem nobres. Estes, a grande maioria da população, eram os únicos que pagam
impostos, ou seja, os privilégios feudais foram mantidos.
Nesse mesmo contexto, a Europa colhia os frutos da expansão marítima e comercial. O sistema colonial,
articulado ao mercantilismo, garantia que as colônias europeias na América gerassem riquezas ao velho do
mundo. No caso da América Portuguesa, é importante destacarmos os territórios onde hoje é o Brasil. Desde
os primeiros anos do século XVI a coroa portuguesa iniciou um processo de exploração do território através do
pau-brasil e, posteriormente, da cana de açúcar, o que integrava o extenso Império Colonial Português.

América Portuguesa
A produção de açúcar começou no mesmo instante que a ocupação efetiva do território colonial. O
primeiro engenho foi instalado em 1533 em São Vicente, por Martim Afonso de Souza. Essa atividade
econômica foi a principal da colônia até meados do século XVIII, com o descobrimento do ouro em Minas
Gerais. A formação da sociedade colonial dependeu muito desta atividade econômica. No litoral nordestino
surgiram as primeiras elites ligadas a terra, os senhores de engenho, que detinham latifúndios onde exerciam
um forte poder patriarcal sobre a parcela livre da população.
A formação da sociedade colonial dependeu muito desta atividade econômica, tendo em vista que era o
maior movimento de ocupação na colônia desde então. Surgiram, assim, as primeiras elites ligadas a terra, os
senhores de engenho que detinham latifúndios onde exerciam um forte poder patriarcal sobre a parcela livre da
população, já que a maioria dos serviços e bens produzidos nas vilas dependia da economia do engenho.
Inicialmente foi usada a mão de obra indígena em regime de escravidão, porém, a mortandade, a
resistência indígena, as guerras com os índios, as restrições da igreja à prática e principalmente o lucro do

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História

tráfico de escravos africanos motivaram a substituição pela mão de obra escrava africana. Com o
financiamento dos holandeses, a metrópole investiu na construção de engenhos assim como na liberação de
crédito para a construção de maquinário, compra de escravos etc. A economia açucareira também movimentou
as atividades secundárias como a pecuária para a movimentação dos moinhos de cana.
Do ponto de vista social, a sociedade colonial brasileira era um reflexo da própria estrutura econômica.
Assim, a sociedade do Nordeste açucareiro do século XVI, essencialmente ruralizada, era patriarcal, elitista,
escravista e marcada pela imobilidade social. Como se pode perceber, o homem branco, proprietário de terras
e escravos, tinha um papel de destaque social. Dentro de seus domínios, tinha o poder de decidir e interferir na
vida dos demais indivíduos. Em relação ao papel das mulheres, especialmente as da elite, cumpriam a função
de gerar filhos e educá-los, organizando e preservando o espaço privado, no caso as dependências da casa-
grande. Fora dos latifúndios, o senhor de engenho também tinha grande influência e nas vilas decidia os rumos
da política local, dominando as câmaras municipais. Nesta sociedade, além disso, os escravos estavam
inteiramente à disposição do senhor de engenho, o que era um indicador de seu poder e justamente por isso
falamos de uma sociedade escravocrata.

Invasões estrangeiras
Em 1555 ocorreu a primeira empreitada patrocinada pela coroa francesa com destino a Baía de
Guanabara. Nela, grupo de franceses huguenotes (protestantes), liderado por Villegaignon e Coligny, fundaram
uma colônia francesa na região do Rio de Janeiro, conhecida como França Antártica. Os grandes objetivos da
expedição era participar exploração mercantil de nossas riquezas, como o Pau-Brasil e dar abrigo aos
protestantes perseguidos, na França, pelo governo católico. Vale lembrar, além disso, que ela está ligada ao
Tratado de Tordesilhas, já que os reis da França não aceitavam a divisão do mundo entre espanhóis e
portugueses. Os franceses se aliaram índios locais, realizando contrabando de pau-brasil. Para facilitar esse
contato, procuraram conhecer e assimilar os seus hábitos, o que ajudou a realizar a aliança com os tupinambás,
indígenas que habitavam o litoral e que haviam se tornado inimigos dos portugueses, especialmente quando
estes passaram a escravizá-los, no início da colonização do Brasil. Eles aliaram-se aos nativos, por exemplo, na
Confederação dos Tamoios, ameaçando atacar as feitorias e os postos lusitanos do litoral. Para expulsar os
franceses do Rio de Janeiro, os portugueses enfrentaram muitas batalhas e a sua expulsão definitiva deu
origem a fundação da atual cidade do Rio de Janeiro.
Entre os anos de 1612 a 1615, os franceses tentaram se fixar na região onde atualmente é o Maranhão.
A origem do nome se relacionada a localização do território, que se encontra próximo da linha do Equador, antes
era denominada de linha Equinocial. O principal interesse na região era exploração das riquezas como as drogas
do sertão (especiarias) e a cana-de-açúcar.

2
História

Brasil Holandês
Com a União Ibérica (após o rei de Portugal desaparecer, o trono foi assumido pelo rei da Espanha, que
governou simultaneamente os dois reinos), Portugal passou a compartilhar os mesmos inimigos que a
Espanha, o que afetou as relações comerciais entre portugueses e holandeses, que eram os principais
compradores do açúcar produzido na América. Em 1630, a Holanda tomou a cidade de Olinda, e seguiu em
direção ao interior e para dominar a capitania de Pernambuco, retomando o comércio açucareiro depois de uma
forte resistência lusobrasileira. Depois de estabelecidos, os holandeses instalam um governo no local, liderado
pelo Conde Maurício de Nassau.
Nassau reestruturou a colônia depois da guerra, remontando engenhos destruídos e liberando crédito a
senhores luso brasileiros, principalmente de Olinda. Além disso, Nassau inovou a fabricação do açúcar,
modernizou a cidade com diversas construções (inclusive um observatório astronômico e um zoológico)
também incentivou a vinda de diversos botânicos e artistas para a colônia. Em 1654, após o fim da União Ibérica,
os portugueses conseguiram reaver a região com a ajuda dos ingleses. Após deixar o litoral nordestino, os
holandeses passaram a produzir açúcar nas Antilhas, concorrendo com o produzido na América portuguesa.
Esse fato é fundamental para compreendermos a crise da economia açucareira e crescente busca por metais
preciosos no território colonial.

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História

Exercícios

1. O poder dos reis tinha, na época do absolutismo, respaldo em ideias de filósofos, como Hobbes, e
fortalecia a centralização de suas ações colonizadoras no tempo das navegações. Os reis do
absolutismo:
a) encontraram apoio dos papas da Igreja Católica que concordavam, sem nenhum problema, com o
autoritarismo dos reis e a existência das riquezas vindas das colônias.
b) eram desfavoráveis ao crescimento político da burguesia, pois se aliavam com a nobreza latifundiária
e defensora dos princípios liberais.
c) dominaram na Europa moderna após a crise do feudalismo. Concentrando poderes em suas mãos,
economicamente adotaram princípios do mercantilismo.
d) fortaleceram as alianças políticas entre grupos da aristocracia europeia que queriam a
descentralização administrativa dos governos.
e) fizeram pactos com grupos da burguesia, embora fossem aliados da Igreja Católica e concordassem
com a teoria do ‘justo-preço’

2. Leia o fragmento
(...) entre os séculos XVII e XVIII ocorreram fatos na França que é preciso recordar. Entre 1660-1680, os
poderes comunais são desmantelados; as prerrogativas militares, judiciais e fiscais são revogadas; os
privilégios provinciais reduzidos. Durante a época do Cardeal Richelieu (1585-1642) aparece a expressão
“razão de Estado”: o Estado tem suas razões próprias, seus objetivos, seus motivos específicos. A
monarquia francesa é absoluta, ou pretende sê-lo. Sua autoridade legislativa e executiva e seus poderes
impositivos, quase ilimitados, de uma forma geral são aceitos em todo o país. No entanto... sempre há
um “no entanto”. Na prática, a monarquia está limitada pelas imunidades, então intocáveis, de que gozam
certas classes, corporações e indivíduos; e pela falta de uma fiscalização central dos amplos e
heterogêneos corpos de funcionários. Leon Pomer, O surgimento das nações.
Apud Adhemar Marques et al, História Moderna através de textos.

No contexto apresentado, entre as “imunidades de que gozam certas classes”, é correto considerar
a) os camponeses e os pequenos proprietários urbanos eram isentos do pagamento de impostos em
épocas de secas ou de guerras de grande porte.
b) a burguesia ligada às transações financeiras com os espaços coloniais franceses não estava sujeita
ao controle do Estado francês, pois atuava fora da Europa.
c) a nobreza das províncias mais distantes de Paris estava desobrigada de defender militarmente a
França em conflitos fora do território nacional.
d) os grandes banqueiros e comerciantes não precisavam pagar os impostos devido a uma tradição
relacionada à formação do Estado francês.
e) o privilégio da nobreza que não pagava tributos ao Estado francês, condição que contribuiu para o
agravamento das finanças do país na segunda metade do século XVIII.

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História

3.

Charge anônima. BURKE, P. A fabricação do rei. Rio de Janeiro: Zahar, 1994. (Foto: Enem)

Na França, o rei Luís XIV teve sua imagem fabricada por um conjunto de estratégias que visavam
sedimentar uma determinada noção de soberania. Neste sentido, a charge apresentada demonstra
a) a humanidade do rei, pois retrata um homem comum, sem os adornos próprios à vestimenta real.
b) a unidade entre o público e o privado, pois a figura do rei com a vestimenta real representa o público
e sem a vestimenta real, o privado.
c) o vínculo entre monarquia e povo, pois leva ao conhecimento do público a figura de um rei
despretensioso e distante do poder político.
d) o gosto estético refinado do rei, pois evidencia a elegância dos trajes reais em relação aos de outros
membros da corte.
e) a importância da vestimenta para a constituição simbólica do rei, pois o corpo político adornado
esconde os defeitos do corpo pessoal.

4. O texto abaixo é parte de um samba enredo.


Mas conta a história que em Veneza
O açúcar foi pra mesa da nobreza
Virou negócio no Brasil, trazido de além-mar (...)
E nesta terra, o que se planta dá
Gira o engenho prá sinhô, Bahia faz girar
E, em Pernambuco, o escravo vai cantar.
(Samba-enredo da Imperatriz Leopoldinense. “Canacaiana, cana-roxa, cana-fita, cana-preta, amarela, Pernambuco... quero vê
desce o suco, na pancada do ganzá”. Compositores: Guga, Tuninho Professor, Marquinho Lessa).

A alternativa que apresenta um aspecto da história do processo de trabalho, recuperado no texto, é:


a) lavoura canavieira, onde prevalecia a relação senhor-escravo; o que está claro no trecho “Gira o
engenho prá sinhô (...) o escravo vai cantar”.
b) engenho colonial produtor de aguardente e sustentado pelos barões do café, pois a letra da música
lembra: “O açúcar foi para a mesa da nobreza (...) Gira o engenho pra sinhô”.
c) fábricas de açúcar europeias que compravam a cana do Brasil para beneficiar em Veneza. Isso é
visível no trecho: “em Veneza o açúcar foi para a mesa da nobreza”.
d) fazenda produtora de açúcar em Pernambuco e Bahia durante o período Imperial, quando, como se
enfoca no samba, o açúcar virou um negócio no Brasil “trazido de além-mar”.
e) engenho de açúcar feudal, onde prevalecia a monocultura açucareira e a grande propriedade
sustentada pela riqueza da terra, como se vê no trecho: “E nesta terra, o que se planta dá”.

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História

5. “A safra começara. Era um período de intensa atividade, de idas e vindas: escravos partiam para os
canaviais, carros de boi rangendo sob o peso da cana cortada dirigiam-se para a moenda, barcos
chegavam ao posto carregados de cana ou lenha dos engenhos ribeirinhos ou do litoral da baía, caldeiras
ferviam sobre o fogo aceso dia e noite, escravos revezavam-se em turnos na moenda e na casa de purgar,
lavradores de cana apareciam para contratar o beneficiamento de sua produção. E, acompanhando tudo
isso o constante ruído da moenda a extrair da cana o líquido que custava tanto suor e sofrimento e que
se cristalizaria não só na doçura do açúcar, mas também em riqueza e poder”.
(Stuart Schwartz. Segredos internos: engenhos e escravos na sociedade colonial. São Paulo: Companhia das letras, 1988,
p.96).

Com base no texto e nos conhecimentos sobre a economia e a sociedade colonial brasileira, assinale a
alternativa correta.
a) O açúcar produzido na colônia era comercializado livremente pelos senhores de engenho, fato que
lhes garantia maior poder de barganha junto aos mercados internacionais.
b) A utilização em larga escala do trabalho escravo na produção do açúcar possibilitou aos senhores
de engenho o acúmulo de imensas fortunas e poder político, além de constituírem um indicativo de
prestígio social prestígio social.
c) A produção e fabrico do açúcar era uma atividade simples e não exigia qualquer tipo de mão-de-obra
especializada.
d) Devido a sua pouca aptidão para o trabalho, uma vez que os nativos eram preguiçosos, a mão-de-
obra indígena não foi utilizada nos engenhos de açúcar.
e) A cana de açúcar era produzida por pequenos proprietários e a maior parte de sua produção era
destinada ao mercado interno.

6. Leia o texto.
"Nassau chegou em 1637 e partiu em 1644, deixando a marca do administrador. Seu período é o mais
brilhante de presença estrangeira. Nassau renovou a administração (...) Foi relativamente tolerante com
os católicos, permitindo-lhes o livre exercício do culto. Como também com os judeus (depois dele não
houve a mesma tolerância, nem com os católicos e nem com os judeus - fato estranhável, pois a
Companhia das Índias contava muito com eles, como acionistas ou em postos eminentes). Pensou no
povo, dando-lhe diversões, melhorando as condições do porto e do núcleo urbano (...), fazendo museus
de arte, parques botânicos e zoológicos, observatórios astronômicos"
(Francisco lglésias)
Esse texto refere-se
a) à chegada e instalação dos puritanos ingleses na Nova Inglaterra, em busca de liberdade religiosa.
b) à invasão holandesa no Brasil, no período de União lbérica, e à fundação da Nova Holanda no
Nordeste açucareiro.
c) às invasões francesas no litoral fluminense e à instalação de uma sociedade cosmopolita no Rio de
Janeiro.
d) ao domínio flamengo nas Antilhas e à criação de uma sociedade moderna, influenciada pelo
Renascimento.
e) ao estabelecimento dos sefardins, expulsos na Guerra da Reconquista lbérica, nos Países Baixos e à
fundação da Companhia das Índias Ocidentais.

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História

7. São os portugueses que antes de quaisquer outros se ocuparão do assunto. Os espanhóis, embora
tivessem concorrido com eles nas primeiras viagens de exploração, abandonarão o campo em respeito
ao Tratado de Tordesilhas (1494) e à bula papal que dividira o mundo a se descobrir por linhas
imaginárias entre as coroas portuguesa e espanhola. O litoral brasileiro ficava na parte lusitana, e os
espanhóis respeitavam seus direitos. O mesmo não se deu com os franceses, cujo rei (Francisco I)
afirmaria desconhecer a cláusula do testamento de Adão que reservava o mundo unicamente a
portugueses e espanhóis. Assim eles virão também, e a concorrência só resolveria pelas armas".
(PRADO Jr, Caio. HISTÓRIA ECONÔMICA DO BRASIL. São Paulo, Brasiliense, 1967.)

Segundo o texto, é correto afirmar que


a) espanhóis e portugueses resolveriam a posse das terras da América pela força das armas.
b) a concorrência entre Portugal e Espanha serviu de pretexto para que o rei da França reservasse a si
o direito de atacar a Península Ibérica e resolver o impasse pela força das armas.
c) os franceses não reconheceram o Tratado de Tordesilhas e, por isso, não respeitaram a posse de
terras pertencentes a Portugal ou Espanha.
d) lançando mão da "cláusula de Adão", o rei da França fundamentava a tese de que o Papa tinha todo
o direito de dispor do mundo, uma vez que era descendente direto de Adão.
e) para os franceses, os espanhóis não respeitavam o litoral brasileiro e assolavam-no constantemente
porque não reconheciam, em nenhum documento, que Portugal detinha a posse das terras
brasileiras.

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História

8. Chegança
Sou Pataxó,
Sou Xavante e Carriri,
Ianonâmi, sou Tupi
Guarani, sou Carajá.
Sou Pancararu,
Carijó, Tupinajé,
Sou Potiguar, sou Caeté,
Ful-ni-ô, Tupinambá.
Eu atraquei num porto muito seguro,
Céu azul, paz e ar puro...
Botei as pernas pro ar.
Logo sonhei que estava no paraíso,
Onde nem era preciso dormir para se sonhar.
Mas de repente me acordei com a surpresa:
Uma esquadra portuguesa veio na praia atracar.
De grande-nau, Um branco de barba escura,
Vestindo uma armadura me apontou pra me pegar.
E assustado dei um pulo da rede,
Pressenti a fome, a sede,
Eu pensei: “vão me acabar”;.
Levantei-me de Borduna já na mão.
Ai, senti no coração,
O Brasil vai começar.
NÓBREGA, A; e FREIRE, W. CD Pernambuco falando para o mundo, 1998.

A letra da canção apresenta um tema recorrente na história da colonização brasileira, as relações de


poder entre portugueses e povos nativos, e representa uma crítica à ideia presente no chamado mito
a) da democracia racial, originado das relações cordiais estabelecidas entre portugueses e nativos no
período anterior ao início da colonização brasileira.
b) da cordialidade brasileira, advinda da forma como os povos nativos se associaram economicamente
aos portugueses, participando dos negócios coloniais açucareiros.
c) do brasileiro receptivo, oriundo da facilidade com que os nativos brasileiros aceitaram as regras
impostas pelo colonizador, o que garantiu o sucesso da colonização.
d) da natural miscigenação, resultante da forma como a metrópole incentivou a união entre colonos,
ex-escravas e nativas para acelerar o povoamento da colônia.
e) do encontro, que identifica a colonização portuguesa como pacífica em função das relações de troca
estabelecidas nos primeiros contatos entre portugueses e nativos.

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História

9. Torna-se claro que quem descobriu a África no Brasil, muito antes dos europeus, foram os próprios
africanos trazidos como escravos. E esta descoberta não se restringia apenas ao reino linguístico,
estendia- se também a outras áreas culturais, inclusive à da religião. Há razões para pensar que os
africanos, quando misturados e transportados ao Brasil, não demoraram em perceber a existência entre
si de elos culturais mais profundos.
(SLENES, R. Malungu, ngoma vem! África coberta e descoberta do Brasil. Revista USP. n. 12, dez./jan./fev. 1991-92 – Adaptado)

Com base no texto, ao favorecer o contato de indivíduos de diferentes partes da África, a experiência da
escravidão no Brasil tornou possível a
a) formação de uma identidade cultural afrobrasileira.
b) superação de aspectos culturais africanos por antigas tradições europeias.
c) reprodução de conflitos entre grupos étnicos africanos.
d) manutenção das características culturais específicas de cada etnia.
e) resistência à incorporação de elementos culturais indígenas.

10. Seguiam-se vinte criados custosamente vestidos e montados em soberbos cavalos; depois destes,
marchava o Embaixador do Rei do Congo magnificamente ornado de seda azul para anunciar ao Senado
que a vinda do Rei estava destinada para o dia dezesseis. Em resposta obteve repetidas vivas do povo
que concorreu alegre e admirado de tanta grandeza.
Coroação do Rei do Congo em Santo Amaro, Bahia apud DEL PRIORE, M. Festas e utopias no Brasil colonial. In: CATELLI JR, R.
Um olhar sobre as festas populares brasileiras. São Paulo: Brasiliense, 1994 (adaptado).

Originária dos tempos coloniais, a festa da Coroação do Rei do Congo evidencia um processo de
a) exclusão social.
b) imposição religiosa.
c) acomodação política.
d) supressão simbólica.
e) ressignificação cultural.

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História

Gabarito

1. C
O absolutismo foi a principal característica política das nações europeias durante a Idade Moderna,
caracterizado por forte centralização do poder e, nos Estados católicos, justificado como de origem divina.
Os monarcas também controlavam a economia, através do mercantilismo.

2. E
Na França do Antigo Regime, entre os séculos XV e XVIII, a monarquia absolutista reconhecia privilégios
de alguns grupos sociais. Entre esses, a nobreza tinha imunidade fiscal e uma justiça particular. Tais
privilégios são anulados com a Revolução Francesa. O fragmento utilizado como apoio para a questão
mostra como a monarquia absolutista não foi exatamente absolutista, pois havia limitações ao seu poder.

3. E
O estado se confundia com a própria pessoa do rei. Devido a isso, o soberano tendia a adornar-se assim
fortalecia a imagem do estado.

4. A
A mão de obra escrava foi a base da empresa açucareira ao longo do período colonial.

5. B
A utilização da escravidão promoveu o enriquecimento dos senhores de engenho. Além disso, possuir
escravos era um sinal de prestígio e poder na sociedade colonial.

6. B
As invasões holandesas ao nordeste estão diretamente relacionadas a União Ibérica, e as restrições do rei
espanhol às alianças comerciais entre holandeses e lusos.

7. C
De forma geral, os países que não participaram da divisão estipulada pelo Tratado de Tordesillhas não
respeitaram as suas determinações, o que pode ser percebido pelas diversas “invasões” aos territórios
considerados pertencentes a Portugal ou a Espanha.

8. E
É sabido que o “encontro” não pode ser caracterizado como amistoso e igualitário, uma vez que se
estabeleceu uma relação de dominação.

9. A
Tal particularidade foi possibilitada pelo contato de diversas culturas.

10. E
O Congado ou festa da Coroação do Rei do Congo é uma manifestação cultural que existe desde o período
colonial em várias partes do Brasil. Tal festa tinha uma grande participação de escravos que faziam uma
representação dos reinos existentes na África sincretizados com cultos religiosos católicos europeus. A

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História

congada contribuía para uma ressignificação cultural de tradições africanas, ou seja, misturavam-na a
tradições europeias para serem mais aceitas na sociedade branca escravista.

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