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PRÉ ENEM

2019
GEOGRAFIA
Geografia

Agentes geomorfológicos – Feijão com Arroz

Resumo

Estrutura geomorfológica
A macroestrutura geológica brasileira é formada por bacias sedimentares (64% do território), onde podem ser
encontrados petróleo e carvão mineral, e por escudo cristalino (36% do território), onde podem ser encontrados
minerais metálicos. O contínuo processo de transformação dessas macroestruturas pelos agentes externos
(erosão e intemperismo) é que modelou o relevo brasileiro.

Agentes endógenos (internos)


• Vulcanismo
Processo em que ocorre o extravasamento do magma por uma abertura na litosfera, formando uma estrutura
denominada vulcão, geralmente cônica e montanhosa. O magma, ao atingir a superfície, é denominado lava. A
maioria dos vulcões surge nos limites entre placas tectônicas. A liberação do magma pode ocorrer em forma
de derrame (extravasamento lento e gradual) ou erupção (extravasamento rápido e explosivo). O Círculo de
Fogo do Pacífico (anel de fogo) corresponde à borda da Placa do Pacífico, uma enorme área de contato entre
diferentes placas que registra o maior número de ocorrências vulcânicas e sísmicas.

Os Hotspots (pontos quentes) são uma exceção, pois correspondem a pontos de liberação de magma no
interior das placas tectônicas, formando um conjunto de ilhas vulcânicas.

Disponível em: http://4.bp.blogspot.com/-


f9fUdCQ9rlc/TuTIsi23AvI/AAAAAAAAAIs/XvxPkW3t0XM/s1600/Forma%25C3%25A7%25C3%25A3o+de+corais.jpg

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• Sismicismo
Os abalos sísmicos são comumente chamados de tremores de terra, terremotos (continente) ou maremotos
(assoalho oceânico). São decorrentes do alívio de tensão de uma falha tectônica ou do choque de placas. É
liberada uma enorme quantidade de energia em forma de ondas que, ao atingir a superfície, provoca grandes
tremores. Nesse sentido, é importante diferenciar o epicentro, local na superfície terrestre em que a energia é
liberada, do hipocentro, local no interior da litosfera onde ocorre a falha ou o choque e posterior liberação de
energia.

Esses abalos sísmicos podem ser medidos a partir de duas escalas. A escala Richter é uma medida quantitativa
que mede a magnitude (quantidade de energia liberada) dos terremotos. A escala Mercalli corresponde aos
efeitos destrutivos gerados pelos terremotos, que se diferenciam de acordo com o desenvolvimento
socioeconômico dos lugares. Dois terremotos igualmente altos na escala Richter podem ter valores diferentes
na escala Mercalli, decorrente do desenvolvimento de cada país.

Agentes exógenos (externos)


• Erosão
A erosão consiste no desgaste, transporte e deposição dos sedimentos. São tipos de erosão e respectivas
formas:
• Pluvial: Provocada pela precipitação e pode levar ao ravinamento do solo, evoluindo para uma voçoroca. É
agravada pela remoção da cobertura vegetal para ocupação ou atividade agrícola. Nas encostas, essa
erosão produz os movimentos de massa, podendo levar a grandes perdas materiais e humanas.

Disponível em: https://professorjamesonnig.files.wordpress.com/2012/10/vertente-para-o-blog.png?w=552&h=343

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• Fluvial: Provocada pela ação dos rios e leva à formação de vales e cânions.

Disponível em:
http://s2.glbimg.com/m2vzTbevwRvxjPMiSyId5FeFcb8=/620x465/s.glbimg.com/jo/g1/f/original/2016/02/23/canions.jpg

• Eólica: Provocada pela ação dos ventos e é comumente associada ao relevo em forma de taça.

Disponível em: https://encrypted-


tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSp0H1y3X7I0SQ7GSe9DOgDYvIqAx_8fJ2UjFfowh8H4ChG_XED

• Marinha: Provocada pelo mar, principalmente a ação das ondas. É denominada abrasão marinha e produz
formas características, como a falésia.

Disponível em: https://www.abc.net.au/news/image/2691092-3x2-940x627.jpg

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• Glacial ou nival: Provocada pela ação de geleiras, que conseguem carregar grandes massas. Formam
vales em forma de U, denominados fiordes. São grandes vales rochosos com paredões. Também
produzem as morainas e as estrias glaciares.

Disponível em: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9c/Glacier_svartisen_engabreen.JPG

• Intemperismo
O processo de intemperismo, também conhecido como meteorização, consiste na transformação das rochas
em fragmentos, sedimentos. O principal produto do intemperismo é o solo. Esse processo de formação dos
solos é denominado pedogênese. O intemperismo pode ser classificado em:
• Físico: Transformações que derivam de fenômenos físicos, tais como a temperatura e a pressão.
• Químico: Transformações que derivam de fenômenos químicos, tais como a hidrólise, acidificação e
oxidação. O principal agente é a água.
• Biológico: Transformações que derivam da ação de seres vivos e que frequentemente aparecem
associadas a um dos outros dois tipos de intemperismo. Alguns exemplos do intemperismo biológico
podem ser destacados, tais como a ação das minhocas, da decomposição de organismos e de raízes de
árvores.

Cabe destacar que, nas áreas mais secas, existe o predomínio do intemperismo físico, a exemplo do Sertão
Nordestino, e nas áreas mais úmidas, existe o predomínio do intemperismo químico, a exemplo das áreas
litorâneas e da Amazônia.

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Exercícios

1. O conceito de erosão apresenta definições mais amplas ou mais restritas. A mais abrangente envolve os
processos de denudação da superfície terrestre de forma geral, incluindo desde os processos de
intemperismo de todos os tipos até os de transporte e deposição de material. Outro conceito, mais
restrito, envolve apenas o deslocamento do material intemperizado, seja solo ou rocha, por agentes de
transporte como a água corrente, o vento, o gelo ou a gravidade, produzindo formas erosivas
características.
R. Fairbridge. The Encyclopedia of Geomorphology, 1968. Adaptado.

Exemplo de processo ao qual se aplica o conceito mais restrito de erosão é


a) a formação de rochas.
b) a oxidação de rochas.
c) a formação de sulcos no solo.
d) a formação de concreções no solo.
e) o vulcanismo da crosta.

2. Os processos geomorfológicos internos ou exógenos deixam sempre impressas, nas paisagens, as


marcas de sua atuação. Eles desenvolvem, inclusive, um conjunto de feições de relevo característico.
Esse fato reveste-se de uma particular importância, quando o pesquisador de áreas, como Biologia,
Geografia, Geologia etc, volta-se à análise de ambientes pretéritos. Com relação a esse assunto, observe,
atentamente, a fotografia reproduzida a seguir e assinale, com base nas evidências morfológicas, o
processo responsável pela elaboração da paisagem visualizada em primeiro plano.

a) Erosão eólica.
b) Erosão glacial.
c) Tectonismo ruptural.
d) Neotectonismo plástico.
e) Sedimentação fluvial.

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3. “Os processos fluviais, em um sentido mais amplo, compreendem o processo de erosão, transporte e
sedimentação. Em um rio, o volume de água é determinante no predomínio de um ou de outro
mecanismo da erosão".
Riccomini, C., Giannini, P. C. e Mancini, F. Rios e Processos aluviais. In. Decifrando a Terra. Teixeira, W. et al. São Paulo. Oficina
de Textos. 2001.

Em um rio, quando o volume e a velocidade da água aumentam de maneira considerável, a atividade


predominante que o curso fluvial tende a apresentar em seu leito é de
a) erosão linear e aprofundamento do vale.
b) acumulação de sedimentos e abertura do vale.
c) acumulação de sedimentos e alargamento da planície fluvial.
d) erosão lateral e aumento da alteração das rochas pelo intemperismo.
e) acumulação de sedimentos e erosão superficial do talvegue do rio.

4. O Rio Grande do Norte apresenta um elevado potencial turístico, principalmente em decorrência das
belezas de sua paisagem litorânea, destacando-se algumas formas do relevo cuja configuração está
associada a processos erosivos desencadeados pela ação de diferentes agentes.

Disponível em: < www.viagem.uol.com.br/ultnot/2011/08/29/nisia-floresta-tem-historia- gastronomia-e-belezas-naturais.jhtm


>. Acesso em: 29 ago. 2011.

Considerando os elementos da paisagem litorânea expostos na Figura, pode-se afirmar que esta
corresponde a uma
a) falésia, constituída pela deposição de areia paralelamente à costa, em decorrência da erosão eólica.
b) restinga, formada pela consolidação da areia de antigas praias, em decorrência da erosão marinha.
c) falésia, formada a partir de processos de erosão marinha, que originam paredões escarpados.
d) restinga, constituída a partir de processos de erosão eólica, que formam costas íngremes.
e) falésia, formada a parir de processos de erosão pluvial, que originam vales marinhos.

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5. As fortes chuvas que caíram desde a noite de domingo (28) deixaram várias ruas do Grande Recife
completamente alagadas, invadiram casas e derrubaram árvores. Técnicos e engenheiros da Defesa Civil
interditaram mais quatro casas da vizinhança por causa do risco de um novo deslizamento.
Adaptado de Disponível em: http/gl.globo.com. 29 de junho de 2015.

Ao considerar a influência da infiltração da água no solo e o escoamento superficial em topos e encostas,


é correto afirmar que
a) a maior infiltração e o menor escoamento superficial retardam o processo de intemperismo físico e
aceleram a erosão.
b) a menor infiltração e o menor escoamento superficial inibem a erosão e favorecem o intemperismo
químico.
c) a menor infiltração e o maior escoamento superficial aceleram o intemperismo físico e químico e
retardam o processo de erosão.
d) a infiltração e o escoamento superficial aceleram, respectivamente, os processos de intemperismo
químico e de erosão.
e) A menor infiltração e o maior escoamento superficial diminuem o processo erosivo nas encostas e
ajudam na estabilidade dos solos.

6.

De acordo com as figuras, a intensidade de intemperismo de grau muito fraco é característica de qual
tipo climático?
a) Tropical.
b) Litorâneo.
c) Equatorial.
d) Semiárido.
e) Subtropical.

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7. De repente, sente-se uma vibração que aumenta rapidamente; lustres balançam, objetos se movem
sozinhos e somos invadidos pela estranha sensação de medo do imprevisto. Segundos parecem horas,
poucos minutos são uma eternidade. Estamos sentindo os efeitos de um terremoto, um tipo de abalo
sísmico.
ASSAD, L. Os (não tão) imperceptíveis movimentos da Terra. ComCiência: Revista Eletrônica de Jornalismo Científico, no 117,
abr. 2010. Disponível em: http://comciencia.br. Acesso em: 2 mar. 2012.

O fenômeno físico descrito no texto afeta intensamente as populações que ocupam espaços próximos
às áreas de
a) alívio da tensão geológica.
b) desgaste da erosão superficial.
c) atuação do intemperismo químico.
d) formação de aquíferos profundos.
e) acúmulo de depósitos sedimentares.

8. Examine a figura a seguir:

A figura ilustra o processo de


a) processo de desertificação em ambientes temperados.
b) formação de terraço fluvial.
c) origem e evolução de solos.
d) efeito da poluição dos neossolos, em face das atividades agrícolas.
e) conjunto de horizontes de uma dobra geológica.

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9. “As cinzas do vulcão chileno Puyehue voltaram a atrapalhar o espaço aéreo argentino, obrigando as
companhias aéreas LAN Argentina, Aerolíneas Argentinas e Austral a cancelarem dezenas de voos
programados para decolar do aeroporto de Ezeiza, em Buenos Aires, nesta terça-feira (26). No Uruguai,
pelo menos 15 voos também foram cancelados devido às cinzas”.
(Disponível em: <http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/internacional/2011/07/26/cinzas-do-vulcao-chileno-voltam-a-
cancelar-voos-na-argentina.htm>. Acesso em: 31 ago. 2011.)

A questão envolvendo o vulcão chileno reacendeu a discussão sobre os riscos da região da Cordilheira
dos Andes, especialmente pela existência de vulcões e terremotos, que ocorrem em função de essa
região estar em área de choque de:
a) placas tectônicas.
b) massas de ar.
c) montanhas.
d) correntes marítimas.
e) rochas.

10. O arquipélago de Fernando de Noronha, as ilhas de Trindade e Martin Vaz e os rochedos São Pedro e São
Paulo são ilhas oceânicas brasileiras. Considerando que essas ilhas não guardam nenhuma relação com
o relevo continental, é correto dizer que sua origem está vinculada a:
a) soerguimento de blocos falhados
b) dobramentos terciários
c) vulcanismo submarino
d) ascenso do nível do mar
e) acumulação de corais

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Gabarito

1. C
A formação de sulcos na superfície está associada, principalmente, ao processo de erosão pluvial, podendo
evoluir para ravinas e voçorocas. Esse fenômeno consiste no transporte de sedimentos e partículas pela
água da chuva e, portanto, se aplica o conceito mais restrito de erosão, em que se visualizam formas
erosivas características.

2. A
O relevo em forma de taça, tal como ilustrado na figura, é um exemplo típico de formações resultantes da
erosão eólica, em que os ventos exercem uma força mais intensa na parte baixa da estrutura, removendo
as partículas ali existentes e originando o relevo da figura.

3. A
Quanto maior é a velocidade de um rio, maior é a capacidade das águas do rio de carregarem sedimentos
e maior é o aprofundamento do talvegue (parte mais profunda do leito do rio).

4. C
A abrasão marinha provocada pelas ondas no relevo litorâneo pode originar as falésias, que são paredões
escarpados resultantes do solapamento da sua base pela ação das ondas.

5. D
Quanto maior é a infiltração de água, maior é o contato com as partículas do solo e mais intenso é o
processo de intemperismo químico. À medida que maior for a declividade, maior será o escoamento
superficial e, assim, mais intenso será o processo erosivo.

6. D
O intemperismo (desagregação da rocha por processos físicos e químicos) é “muito fraco” no Sertão
Nordestino, onde prevalece o clima semiárido. A baixa pluviosidade (inferior a 600 mm anuais) proporciona
menor infiltração de água e menor intemperismo químico, produzindo solos mais rasos e menos
desenvolvidos.

7. A
O “alívio de tensão geológica" refere-se a um abalo sísmico ou terremoto, cuja origem dá-se em
profundidade (hipocentro). As ondas sísmicas atingem a superfície (epicentro) e se propagam, podendo
causar danos socioeconômicos.

8. C
A sequência de quadros da figura mostra a evolução de um perfil rochoso sofrendo intemperização e
formando os horizontes do solo.

9. A
O Chile localiza-se na zona de convergência (colisão ou choque) entre as placas tectônicas da América do
Sul e de Nazca (recoberta pelo Oceano Pacífico). Portanto, o país é bastante vulnerável a terremotos de alta
intensidade, tsunamis e vulcanismo ativo. Na Cordilheira dos Andes, a atividade vulcânica é frequente, como
foi o caso do Puyehue. Um dos impactos socioeconômicos mais graves do vulcanismo é a emissão de
grande quantidade de material piroclástico (cinzas, gases e vapor d'água), que pode interromper

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momentaneamente o tráfego aéreo. Foi o que aconteceu no Chile, Argentina, Uruguai e sul do Brasil, em
2011.

10. C
As ilhas citadas no texto são ilhas vulcânicas e estão relacionadas ao vulcanismo submarino de tempos
passados, durante o processo de separação do Brasil da África.

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Agentes geomorfológicos – Gourmet

Resumo

Estrutura geomorfológica
A macroestrutura geológica brasileira é formada por bacias sedimentares (64% do território), onde podem ser
encontrados petróleo e carvão mineral, e por escudo cristalino (36% do território), onde podem ser encontrados
minerais metálicos. O contínuo processo de transformação dessas macroestruturas pelos agentes externos
(erosão e intemperismo) é que modelou o relevo brasileiro.

Agentes endógenos (internos)


• Vulcanismo
Processo em que ocorre o extravasamento do magma por uma abertura na litosfera, formando uma estrutura
denominada vulcão, geralmente cônica e montanhosa. O magma, ao atingir a superfície, é denominado lava. A
maioria dos vulcões surge nos limites entre placas tectônicas. A liberação do magma pode ocorrer em forma
de derrame (extravasamento lento e gradual) ou erupção (extravasamento rápido e explosivo). O Círculo de
Fogo do Pacífico (anel de fogo) corresponde à borda da Placa do Pacífico, uma enorme área de contato entre
diferentes placas que registra o maior número de ocorrências vulcânicas e sísmicas.

Os Hotspots (pontos quentes) são uma exceção, pois correspondem a pontos de liberação de magma no
interior das placas tectônicas, formando um conjunto de ilhas vulcânicas.

Disponível em: http://4.bp.blogspot.com/-


f9fUdCQ9rlc/TuTIsi23AvI/AAAAAAAAAIs/XvxPkW3t0XM/s1600/Forma%25C3%25A7%25C3%25A3o+de+corais.jpg

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• Sismicismo
Os abalos sísmicos são comumente chamados de tremores de terra, terremotos (continente) ou maremotos
(assoalho oceânico). São decorrentes do alívio de tensão de uma falha tectônica ou do choque de placas. É
liberada uma enorme quantidade de energia em forma de ondas que, ao atingir a superfície, provoca grandes
tremores. Nesse sentido, é importante diferenciar o epicentro, local na superfície terrestre em que a energia é
liberada, do hipocentro, local no interior da litosfera onde ocorre a falha ou o choque e posterior liberação de
energia.

Esses abalos sísmicos podem ser medidos a partir de duas escalas. A escala Richter é uma medida quantitativa
que mede a magnitude (quantidade de energia liberada) dos terremotos. A escala Mercalli corresponde aos
efeitos destrutivos gerados pelos terremotos, que se diferenciam de acordo com o desenvolvimento
socioeconômico dos lugares. Dois terremotos igualmente altos na escala Richter podem ter valores diferentes
na escala Mercalli, decorrente do desenvolvimento de cada país.

Agentes exógenos (externos)


• Erosão
A erosão consiste no desgaste, transporte e deposição dos sedimentos. São tipos de erosão e respectivas
formas:
• Pluvial: Provocada pela precipitação e pode levar ao ravinamento do solo, evoluindo para uma voçoroca. É
agravada pela remoção da cobertura vegetal para ocupação ou atividade agrícola. Nas encostas, essa
erosão produz os movimentos de massa, podendo levar a grandes perdas materiais e humanas.

Disponível em: https://professorjamesonnig.files.wordpress.com/2012/10/vertente-para-o-blog.png?w=552&h=343

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• Fluvial: Provocada pela ação dos rios e leva à formação de vales e cânions.

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• Eólica: Provocada pela ação dos ventos e é comumente associada ao relevo em forma de taça.

Disponível em: https://encrypted-


tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSp0H1y3X7I0SQ7GSe9DOgDYvIqAx_8fJ2UjFfowh8H4ChG_XED

• Marinha: Provocada pelo mar, principalmente a ação das ondas. É denominada abrasão marinha e produz
formas características, como a falésia.

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• Glacial ou nival: Provocada pela ação de geleiras, que conseguem carregar grandes massas. Formam
vales em forma de U, denominados fiordes. São grandes vales rochosos com paredões. Também
produzem as morainas e as estrias glaciares.

Disponível em: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9c/Glacier_svartisen_engabreen.JPG

• Intemperismo
O processo de intemperismo, também conhecido como meteorização, consiste na transformação das rochas
em fragmentos, sedimentos. O principal produto do intemperismo é o solo. Esse processo de formação dos
solos é denominado pedogênese. O intemperismo pode ser classificado em:
• Físico: Transformações que derivam de fenômenos físicos, tais como a temperatura e a pressão.
• Químico: Transformações que derivam de fenômenos químicos, tais como a hidrólise, acidificação e
oxidação. O principal agente é a água.
• Biológico: Transformações que derivam da ação de seres vivos e que frequentemente aparecem
associadas a um dos outros dois tipos de intemperismo. Alguns exemplos do intemperismo biológico
podem ser destacados, tais como a ação das minhocas, da decomposição de organismos e de raízes de
árvores.

Cabe destacar que, nas áreas mais secas, existe o predomínio do intemperismo físico, a exemplo do Sertão
Nordestino, e nas áreas mais úmidas, existe o predomínio do intemperismo químico, a exemplo das áreas
litorâneas e da Amazônia.

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Exercícios

1. As rochas são desagregadas e decompostas e os materiais resultantes de sua ação, tais como seixos,
cascalhos, areias, siltes e argilas, são carregados e depois depositados e, também, substâncias
dissolvidas na água podem precipitar. Em virtude de sua atuação, quaisquer rochas, independentemente
de suas características, podem ficar destacadas no relevo.
BELLOMO, H. R. et al. (Org.). Rio Grande do Sul: aspectos da geografia. Porto Alegre: Martins Livreiro, 1997 (adaptado).

O texto refere-se à modelagem do relevo pelos processos naturais de


a) magmatismo e fusão.
b) vulcanismo e erupção.
c) intemperismo e erosão.
d) tectonismo e subducção.
e) metamorfismo e recristalização.

2. O terremoto de 8,8 na escala Richter que atingiu a costa oeste do Chile, em fevereiro, provocou mudanças
significativas no mapa da região. Segundo uma análise preliminar, toda a cidade de Concepción se
deslocou pelo menos três metros para a oeste, enquanto Santiago, mais próxima do local do evento,
deslocou-se quase 30 centímetros para a oeste-sudoeste. As cidades de Valparaíso, no Chile, e Mendoza,
na Argentina, também tiveram suas posições alteradas significativamente (13,4 centímetros e 8,8
centímetros, respectivamente).
Revista InfoGNSS, Curitiba, ano 6, n. 31,2010.

No texto, destaca-se um tipo de evento geológico frequente em determinadas partes da superfície


terrestre. Esses eventos estão concentrados em
a) áreas vulcânicas, onde o material magmático se eleva, formando cordilheiras.
b) faixas costeiras, onde o assoalho oceânico recebe sedimentos, provocando tsunamis.
c) estreitas faixas de intensidade sísmica, no contato das placas tectônicas, próximas a dobramentos
modernos.
d) escudos cristalinos, onde as rochas são submetidas aos processos de intemperismo, com
alterações bruscas de temperatura.
e) áreas de bacias sedimentares antigas, localizadas no centro das placas tectônicas, em regiões
conhecidas como pontos quentes.

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Geografia

3.

SUERTEGARAY, D. M. A. (Org.).Terra: feições ilustradas. Porto Alegre: EdUFRGS, 2003 (adaptado).

A imagem representa o resultado da erosão que ocorre em rochas nos leitos dos rios, que decorre do
processo natural de
a) fraturamento geológico, derivado da força dos agentes internos.
b) solapamento de camadas de argilas, transportadas pela correnteza.
c) movimento circular de seixos e areias, arrastados por águas turbilhonares.
d) decomposição das camadas sedimentares, resultante da alteração química.
e) assoreamento no fundo do rio, proporcionado pela chegada de material sedimentar.

6
Geografia

4.

LEINZ, V. Geologia geral. São Paulo: Editora Nacional, 1989 (adaptado).

A causa da formação do curso d'água encachoeirado, tal como ilustrado na imagem, é a


a) deposição de fragmentos rochosos.
b) circulação das águas em redemoinho.
c) quantidade de material sólido transportado.
d) escavação de caldeirões pelo turbilhonamento.
e) diferente resistência à erosão oferecida pelas rochas.

5. De repente, ouve-se uma explosão. Espanto! Num instante, todos estão na rua. Espetáculo alucinante, o
topo do Vesúvio havia se partido em dois. Uma coluna de fogo escapa dali. Logo depois é a agitação. Em
volta começa a desabar uma chuva de projéteis: pedras-pomes, lapili e, às vezes, pedaços de rochas —
fragmentos arrancados do topo da montanha e da tampa que obstruía a cratera.
GUERDAN, R. A tragédia de Pompeia. Disponível em: www2.uol.com.br. Acesso em: 24 out. 2015 (adaptado).

A destruição da cidade relatada no texto foi decorrente do seguinte fenômeno natural:


a) Atuação de epirogênese recente.
b) Emissão de material magmático.
c) Rebaixamento da superfície terrestre.
d) Decomposição de estruturas cristalinas.
e) Metamorfismo de horizontes sedimentares.

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6. A destruição, o transporte e a deposição de pequenos fragmentos rochosos dependem da direção e


intensidade com que este agente atua na superfície terrestre, sobretudo em regiões áridas e semiáridas,
com pouca presença de vegetação. É nesse ambiente que se verifica o constante trabalho de formação,
destruição e reconstrução de elevações de areia que recebem o nome de dunas.
LEINZ, V.; AMARAL, S. E. Geologia geral. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1995 (adaptado).

A modelagem do relevo apresentado relaciona-se ao processo de erosão decorrente da ação


a) glacial.
b) fluvial.
c) eólica.
d) pluvial.
e) marinha.

7. Um dos principais objetivos de se dar continuidade às pesquisas em erosão dos solos é o de procurar
resolver os problemas oriundos desse processo, que, em última análise, geram uma série de impactos
ambientais. Além disso, para a adoção de técnicas de conservação dos solos, é preciso conhecer como
a água executa seu trabalho de remoção, transporte e deposição de sedimentos. A erosão causa, quase
sempre, uma série de problemas ambientais, em nível local ou até mesmo em grandes áreas.
GUERRA, A. J. T. Processos erosivos nas encostas. In: GUERRA, A. J. T.; CUNHA, S. B. Geomorfologia: uma atualização de
bases e conceitos. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007 (adaptado).

A preservação do solo, principalmente em áreas de encostas, pode ser uma solução para evitar
catástrofes em função da intensidade de fluxo hídrico. A prática humana que segue no caminho contrário
a essa solução é
a) a aração.
b) o terraceamento.
c) o pousio.
d) a drenagem.
e) o desmatamento.

8
Geografia

8. Leia atentamente o seguinte enunciado:


“Os processos associados aos rios, denominados processos fluviais, enquadram-se, num sentido mais
amplo, no conjunto de processos aluviais, que compreendem a erosão, transporte e sedimentação em
leques aluviais, rios e leques deltaicos".
Riccomini, C., Giannini, P. C. e Mancini, F. Rios e Processos aluviais. In. Decifrando a Terra. Teixeira, W. et al. São Paulo. Oficina
de Textos. 2001.

Os leques aluviais, presentes em várias regiões de clima árido e úmido, constituem um importante tipo
de depósito, com grande importância econômica, uma vez que podem conter ouro e diamantes dentre
outros tipos de placer
.
Dentre as principais características desses sistemas, encontra-se
a) a tendência de apresentarem forte escoamento superficial e transporte de clastos de granulação
grossa resultante da desagregação mecânica das rochas.
b) a presença majoritária de sedimentos finos depositados durante o Cretáceo em ambientes
fluviomarinhos.
c) a ocorrência de camadas sub-horizontais de rochas cristalinas que recobrem um substrato com
dobras e falhas.
d) o conteúdo variável de detritos orgânicos em camadas empilhadas, compostas por sedimentos finos
como argilas siltosas.
e) A existência de depósito granulares de cascalho com camadas horizontais de rochas sedimentares
litificadas sobre enorme pressão.

9. Os produtos do intemperismo (rocha alterada e solo) mostram-se sujeitos a outros processos (erosão,
transporte, sedimentação) levando à denudação continental e aplainamento do relevo.
Adaptado de: http://professor.pucgoias.edu.br

Solos pouco evoluídos, delgados, com ausência de horizonte B, onde predominam de forma bastante
preservadas as características da rocha original, são conhecidos como
a) luvissolos.
b) argissolos.
c) neossolos.
d) planossolos.
e) nitossolos.

9
Geografia

10. Observe atentamente a figura a seguir:

Assinale o título que define corretamente essa sucessão de ilustrações de um importante fato geológico.
a) A Formação de Dobras na Crosta Terrestre
b) O Desenvolvimento de um Graben Tectônico
c) A Evolução dos Processos de Erosão Eólica em Ambiente Árido
d) A Gênese de Pedimentos Tectônicos
e) A Zona de Subducção de Placas Litosféricas

10
Geografia

Gabarito

1. C
O intemperismo físico (variação de temperatura) e químico (ação da água) é responsável pela
desagregação das rochas. A erosão consiste no desgaste da superfície com remoção de partículas
minerais (cascalho, argila, areia e silte) e matéria orgânica, com a ação de agentes exógenos, como a água
e o vento. Por vezes, a combinação desses processos leva à exposição de rochas na superfície, inclusive
os blocos chamados de matacões.

2. C
A propagação de ondas sísmicas tem sua origem em áreas de bordas de placas tectônicas, a exemplo da
localização do Chile na Cordilheira dos Andes.

3. C
A forma resultante da ação erosiva (tendo como agente as águas dos rios) aponta que o processo que a
originou foram sucessivos movimentos circulares, com a presença de sedimentos. Sendo assim, a única
opção que faz a descrição desses movimentos é a que fala sobre as águas turbilhonares com a presença
de seixos e areias.

4. E
Conforme a figura, a formação da cachoeira ocorre devido à erosão diferencial provocada pela água do rio
nas rochas. A queda d’água ocorre onde a rocha oferece maior resistência à erosão remontante.

5. B
O texto relata a explosão vulcânica do Vesúvio, cujo fenômeno é responsável pela ascensão do material
magmático em forma de fragmentos rochosos e lava vulcânica.

6. C
Em regiões áridas e semiáridas, com escassez de água, predomina o intemperismo físico (desagregação
das rochas pela variação de temperatura: dilatação e contração) e a erosão eólica (desgaste da superfície
com remoção de partículas minerais pelo vento). Esses processos levam à modelagem das formas de
relevo dessas regiões, como os inselbergs do semiárido do Sertão Nordestino, os cogumelos (formas
residuais) e as dunas nos desertos.

7. E
No clima equatorial, a elevada e constante pluviosidade retira os cátions de cálcio, potássio e magnésio e
concentra os cátions de hidrogênio e alumínio, criando a tendência de acidificação do solo. As alternativas
anteriores estão incorretas, pois, para haver a acidificação, os solos passam pelo processo de lixiviação
(lavagem), cuja pré-condição é a elevada pluviosidade, que não é encontrada em climas áridos,
intertropicais, polares ou temperados.

8. A
O leque aluvial, ou cone aluvial, é uma feição de relevo resultante do acúmulo de sedimentos com diversas
granulações transportados pelo intenso escoamento superficial da água. Apresenta inclinação suave, pois
localiza-se na base de uma vertente. Normalmente, apresenta a forma de “leque” devido às ramificações do
fluxo de água na deposição dos sedimentos.

11
Geografia

9. C
Os neossolos são caracterizados pela baixa profundidade e pequeno desenvolvimento e, dessa forma,
apresentam baixa retenção de água.

10. B
A sequência das ilustrações indica a formação de um graben, ou seja, uma fossa ou depressão de origem
tectônica.

12
Geografia

Clima e biomas do Brasil

Resumo

Climas do Brasil
Para entender o clima brasileiro, é necessário compreender as massas de ar que atuam no país.
Massa equatorial continental - mEc: Origina-se no Equador, por isso, é quente. Forma-se sobre o
continente, o que a faria ser seca, porém, na região, existe a Floresta Amazônica, que, devido à
evapotranspiração, faz com que essa massa seja úmida. É responsável por também provocar chuvas nas
Regiões Centro-Oeste e Sudeste. Esse processo de transporte de enorme quantidade de água na atmosfera é
denominado rios voadores. É responsável pelo clima equatorial, com elevados índices pluviométricos e
térmicos ao longo do ano, formando uma enorme zona de convergência de ventos.
Massa equatorial atlântica - mEa: Origina-se no Equador, por isso, é quente. Forma-se sobre o oceano e,
por isso, é úmida. Colabora para a formação dos ventos alísios no Nordeste.
Massa tropical continental - mTc: Origina-se no Trópico, por isso, é quente. Forma-se sobre o continente,
na depressão do Chaco, na Bolívia, Argentina e Paraguai, por isso, é seca. Sua atuação no território brasileiro é
o que caracteriza o clima tropical típico ou continental, com versão chuvoso e inverno seco.
Massa tropical atlântica - mTa: Origina-se no Trópico, por isso, é quente. Forma-se sobre o oceano e,
por isso, é úmida. Atua em todo o litoral brasileiro, caracterizando o clima tropical úmido ou litorâneo, que
apresenta maiores índices pluviométricos. Na área de atuação (Sudeste) dessa massa, ocorre a formação de
uma célula de alta pressão (anticiclone) que impede a chegada de umidade da mEc e do litoral, provocando
secas na região mais densamente ocupada do país.
Massa polar atlântica - mPa: Origina-se na região polar, por isso, é fria. Forma-se sobre o Oceano
Atlântico e, por isso, é úmida. É responsável pela neve no Sul e pelas diversas frentes frias que chegam no país.
Quando a frente fria penetra na Amazônia, origina o fenômeno da friagem. Sua influência forma o clima
subtropical, com chuvas bem distribuídas ao longo do ano e grande variação de amplitude térmica, o que
possibilita quatro estações do ano mais bem definidas.
É importante destacar que a variação altimétrica do território brasileiro, principalmente no litoral do
Sudeste, produz o clima tropical de altitude, caracterizado por uma estação chuvosa e outra seca, com grande
amplitude térmica.

1
Geografia

Vegetação brasileira
A distribuição da vegetação brasileira possui correlação direta com a distribuição climática. É impossível
estudar a primeira sem entender a segunda. Sobre a distribuição da vegetação, é possível fazer uma abordagem
apenas sobre os ecossistemas, no caso biomas, que a Biologia já faz. Para a Geografia, interessam muito mais
os domínios morfoclimáticos. Esses são caracterizados não só pela fitogeografia (distribuição da vegetação),
mas também pelo relevo e clima predominantes.

Disponível em: https://momentogeo.files.wordpress.com/2012/06/dominios-moforclimaticos1.jpg

Domínio Amazônico: Caracterizado pela Floresta Amazônica, com vegetação latifoliada, higrófila,
hidrófila, grande biodiversidade e três extratos de vegetação (mata de igapó, mata de várzea e mata de terra
firme). O clima é equatorial e o relevo é formado por terras baixas (Planície Amazônica) e planaltos residuais.
O principal impacto é o avanço da pecuária, que é responsável por 70% do desmatamento. A extração de
madeira e o avanço da soja, somados à atividade pecuária, caracterizam o avanço da fronteira agrícola sobre
esse domínio.
Domínio dos Mares de Morro: Atualmente, restam apenas 7% da Mata atlântica e, por isso, é o único
domínio que não carrega o nome da vegetação. A floresta tropical é caracterizada por vegetação latifoliada,
higrófila e está presente no litoral do país. O relevo é composto por uma imensidão de morros em formato de
meia laranja (mamelonar) e, por isso, seu nome. Estende-se do Rio Grande do Norte até o Rio Grande do Sul. O
principal impacto é a ocupação humana, atividade colonial e urbanização. É considerado um hotspot da
biodiversidade, isto é, área com enorme presença de vegetação endêmica e com menos de 70% da sua
cobertura original.
Domínio das Araucárias: Caracterizado por uma vegetação aciculifoliada, isto é, em forma de agulha,
adaptada ao clima subtropical. Característica do Sul do país, principalmente o estado do Paraná, onde a
Araucária é símbolo e parte da identidade do estado. O relevo predominante é de planaltos e serras. O principal
impacto é o desmatamento para a construção civil, indústria da celulose e moveleira.

2
Geografia

Domínio do Cerrado: Vegetação tropófila adaptada ao clima tropical típico, verão chuvoso e inverno
seco. Relevo de planaltos e chapadas. O principal impacto é o avanço do agronegócio (soja). É considerado a
caixa d’água do Brasil, com seu sistema de veredas (vegetação que cresce nas áreas úmidas do Cerrado e que
ajuda a represar a água). É o segundo domínio considerado um hotspot.
Domínio da Caatinga: Vegetação xerófila adaptada ao clima semiárido, como as cactáceas e arbustos
caducifólios e espinhosos. Podem armazenar água no caule e nas raízes. Geralmente, é associado a uma
vegetação esbranquiçada. É o único bioma típico do país, embora alguns pesquisadores o caracterizem como
Estepes. O relevo é marcado por inselbergs (morros residuais com entorno plano). O principal impacto é o
processo de desertificação e salinização dos solos.
Domínio das Pradarias: Também denominado Pampas ou Campos Sulinos, apresenta um relevo
formado por coxilhas (colina aplainada) cobertas por vegetação herbácea. O clima predominante é o
subtropical. O principal impacto é o avanço da atividade pecuária e o processo de arenização (perda de
fertilidade devido à formação de bancos de areia).
Por fim, o Pantanal, a Mata dos Cocais e o Agreste são considerados zonas de transição, ou ecótonos,
e possuem características mistas entre os domínios que estão localizados.

3
Geografia

Exercícios

1. “O que mais há na Terra é paisagem (…) Não faltam cores a esta paisagem (…)Tem épocas do ano em
que o chão é verde, outras, amarelo, e depois castanho ou negro.”
SARAMAGO, José. Levantando do chão. Caminho, Lisboa, 1979.

O Brasil apresenta a maior parte de suas terras na zona intertropical da Terra, o que resulta em climas
que não apresentam as quatro estações definidas. Foge a essa consideração apenas o clima:
a) equatorial
b) tropical de altitude
c) subtropical
d) temperado
e) tropical litorâneo

2. A convecção na Região Amazônica é um importante mecanismo da atmosfera tropical e sua variação,


em termos de intensidade e posição, tem um papel importante na determinação do tempo e do clima
dessa região. A nebulosidade e o regime de precipitação determinam o clima amazônico.
FISCH, G.; MARENGO, J. A.; NOBRE, C. A. “Uma revisão geral sobre o clima da Amazônia”. Acta Amazônica, v. 28, n. 2, 1993
(adaptado).

O mecanismo climático regional descrito está associado à característica do espaço físico de


a) resfriamento da umidade da superfície.
b) variação da amplitude de temperatura.
c) dispersão dos ventos contra-alísios.
d) existência de barreiras de relevo.
e) convergência de fluxos de ar.

3. A presunção de que a superfície das chapadas e chapadões representa uma velha peneplancíe é a
corroborada pelo fato de que ela é coberta por acumulações superficiais, tais como massas de areia,
camadas de cascalhos e seixos e pela ocorrência generalizada de concreções ferruginosas que formam
uma crosta laterítica, denominada “canga”.
WEIBEL, L. Disponível em: http://biblioteca.ibge.gov.br. Acesso em: 8 jul. 2015 (adaptado).

Qual tipo climático favorece o processo de alteração do solo descrito no texto?


a) Árido, com déficit hídrico.
b) Subtropical, com baixas temperaturas.
c) Temperado, com invernos frios e secos.
d) Tropical, com sazonalidade das chuvas.
e) Equatorial, com pluviosidade abundante.

4
Geografia

4. TEXTO I
Há mais de duas décadas, os cientistas e ambientalistas têm alertado para o fato de a água doce ser um
recurso escasso em nosso planeta. Desde o começo de 2014, o Sudeste do Brasil adquiriu uma clara
percepção dessa realidade em função da seca.

TEXTO II
Dinâmicas atmosféricas no Brasil
Elementos relevantes ao transporte de umidade na América do Sul a leste dos Andes pelos Jatos de
Baixos Níveis (JBN), Frentes Frias (FF) e transporte de umidade do Atlântico Sul, assim como a presença
da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), para um verão normal e para o verão seco de 2014. “A”
representa o centro da anomalia de alta pressão atmosférica.

MARENGO, J. A. et al. A seca e a crise hídrica de 2014-2015 em Sao Paulo. Revista USP, n. 106, 2015 (adaptado).

De acordo com as informações apresentadas, a seca de 2014, no Sudeste, teve como causa natural o(a)
a) constituição de frentes quentes barrando as chuvas convectivas.
b) formação de anticiclone impedindo a entrada de umidade.
c) presença de nebulosidade na região de cordilheira.
d) avanço de massas polares para o continente.
e) baixa pressão atmosférica no litoral.

5
Geografia

5.

Disponível em: http://globalwarmingart.com. Acesso em: 12 jul. 2015 (adaptado).

Qual característica do meio físico é condição necessária para a distribuição espacial do fenômeno
representado?
a) Cobertura vegetal com porte arbóreo.
b) Barreiras orográficas com altitudes elevadas.
c) Pressão atmosférica com diferença acentuada.
d) Superfície continental com refletividade intensa.
e) Correntes marinhas com direções convergentes.

6. Ao destruir uma paisagem de árvores de troncos retorcidos, folhas e arbustos ásperos sobre os solos
ácidos, não raro laterizados ou tomados pelas formas bizarras dos cupinzeiros, essa modernização
lineariza e aparentemente não permite que se questione a pretensão modernista de que a forma deve
seguir a função.
HAESBAERT, R. “Gaúchos” e baianos no “novo” Nordeste: entre a globalização econômica e a reinvenção das identidades
territoriais. In: CASTRO, I. E.; GOMES, P. C. C.; CORRÊA, R. L. (Org.). Brasil: questões atuais da reorganização do território. Rio de
Janeiro: Bertrand Brasil, 2008.

O processo descrito ocorre em uma área biogeográfica com predomínio de vegetação


a) tropófila e clima tropical.
b) xerófila e clima semiárido.
c) hidrófila e clima equatorial.
d) aciculifoliada e clima subtropical.
e) semidecídua e clima tropical úmido.

6
Geografia

7. No mês de fevereiro de 2015, foram detectados 42 quilômetros quadrados de desmatamento na


Amazônia Legal. Isso representa um aumento de 282% em relação a fevereiro de 2014. O desmatamento
acumulado no período de agosto de 2014 a fevereiro de 2015 atingiu 1 702 quilômetros quadrados.
Houve aumento de 215% do desmatamento em relação ao período anterior (agosto de 2013 a fevereiro
de 2014).
FONSECA, A.; SOUZA JR., C.; VERlSSIMO, A. Boletim do desmatamento da Amazônia Legal (fev. 2015). Belém: Imazon, 2015.

O dano ambiental relatado deriva de ações que promovem o(a)


a) instalação de projetos silvicultores.
b) especialização da indústria regional.
c) expansão de atividades exportadoras.
d) fortalecimento da agricultura familiar.
e) crescimento da integração lavoura-pecuária.

8. O bioma Cerrado foi considerado recentemente um dos 25 hotspots de biodiversidade do mundo,


segundo uma análise em escala mundial das regiões biogeográficas sobre áreas globais prioritárias para
conservação. O conceito de hotspot foi criado tendo em vista a escassez de recursos direcionados para
conservação, como objetivo de apresentar os chamados “pontos quentes", ou seja, locais para os quais
existe maior necessidade de direcionamento de esforços, buscando evitar a extinção de muitas espécies
que estão altamente ameaçadas por ações antrópicas.
PINTO, P.P.; DINIZ-FILHO, J. A. F. In: ALMEIDA, M. G. (Org.). Tantos cerrados: múltiplas abordagens sobre a biogeodiversidade e
singularidade cultural. Goiânia: Vieira. 2005 (adaptado).

A necessidade desse tipo de ação na área mencionada tem como causa a


a) intensificação da atividade turística.
b) implantação de parques ecológicos.
c) exploração dos recursos minerais.
d) elevação do extrativismo vegetal.
e) expansão da fronteira agrícola.

9. Determinado bioma brasileiro apresenta vegetação conhecida por perder as folhas e ficar apenas com
galhos esbranquiçados, ao passar por até nove meses de seca. As plantas podem acumular água no
caule e na raiz, além de apresentarem folhas pequenas, que em algumas espécies assumem a forma de
espinhos.
Qual região fitogeográfica brasileira apresenta plantas com essas características?
a) Cerrado.
b) Pantanal.
c) Caatinga.
d) Mata Atlântica.
e) Floresta Amazônica.

7
Geografia

10.

Disponível em: <http://www.ra-bugio.org.br>. Acesso em: 28 jul. 2010.

A imagem retrata a araucária, árvore que faz parte de um importante bioma brasileiro que, no entanto, já
foi bastante degradado pela ocupação humana. Uma das formas de intervenção humana relacionada à
degradação desse bioma foi
a) o avanço do extrativismo de minerais metálicos voltados para a exportação na região Sudeste.
b) a contínua ocupação agrícola intensiva de grãos na região Centro-Oeste do Brasil.
c) o processo de desmatamento motivado pela expansão da atividade canavieira no Nordeste brasileiro.
d) o avanço da indústria de papel e celulose a partir da exploração da madeira, extraída principalmente
no Sul do Brasil.
e) o adensamento do processo de favelização sobre áreas da Serra do Mar na região Sudeste.

8
Geografia

Gabarito

1. C
Entre os climas existentes no Brasil, o subtropical é aquele que foge a essa consideração. O clima
temperado não é encontrado no país.

2. E
A Amazônia está situada em área de baixa latitude e, portanto, de elevada média térmica, o que resulta em
uma área de convergência de fluxos de ar.

3. D
A descrição do texto indica a região do Planalto Central, com presença de solos lateríticos. Tal tipo de solo
é característico de clima tropical típico, com um período de chuva e outro, de seca. Tal variabilidade
determina a lixiviação e concentração, na superfície, de hidratos de ferro e alumínio, formando as cangas.

4. B
A formação de um anticiclone no litoral (centro de alta pressão), que é uma área de divergência de ventos,
impede o ingresso das massas úmidas, causando a seca no Sudeste.

5. C
Os ciclones tropicais se formam devido à diferença de pressão atmosférica.

6. A
A descrição feita pelo texto resume as características do Cerrado: clima tropical semiúmido, com verões e
invernos quentes, e chuvas concentradas no verão. É caracterizado pela vegetação tropófila, que se adapta
à intermitência da pluviosidade.

7. C
O desmatamento na Amazônia tem sido causado pela expansão do agronegócio, que é voltado para a
exportação.

8. E
O Cerrado é um bioma complexo, com grande biodiversidade. É um bioma de Savana, com estratos
herbáceo e arbustivo dominantes, além de árvores com troncos tortuosos. Esse bioma está sendo
devastado pelo avanço da agropecuária nos últimos anos.

9. C
A descrição corresponde à Caatinga, que possui vegetação decídua e xerófita. Tais características são
influenciadas pelo clima semiárido.

10. D
A Mata de Araucária foi devastada principalmente para a produção de celulose, móveis e construção civil
(casas).

9
Geografia

Impactos ambientais

Resumo

Movimento de massa: A remoção da vegetação das encostas para ocupação agrícola ou urbana diminui a
infiltração e aumenta o escoamento superficial, causando deslizamentos nessas áreas de elevada declividade.

Enchente: De forma bem similar ao impacto anterior, a impermeabilização do solo diminui as taxas de infiltração
do solo. Quando ocorre uma chuva, essa água rapidamente chega aos canais, aumentando o nível dos rios. A
canalização dos rios e o assoreamento agravam esse fenômeno, causando perdas materiais e humanas,
principalmente devido à ocupação das margens dos rios.

Lixo urbano: O surgimento de uma sociedade de consumo em massa possibilitada e exigida pelo Fordismo
aumentou drasticamente a quantidade de lixo gerado. Atualmente, a obsolescência programada, característica
do Toyotismo, agrava a geração de lixo, principalmente nos países desenvolvidos. O lixo produz chorume
(líquido que polui o solo e as águas), além de gases e outras substâncias tóxicas. Para resolver essa questão, é
necessário substituir os lixões (locais inadequados em que se deposita o lixo) por aterros sanitários (locais
preparados para receber o lixo), além de repensar nossa relação com o consumo.

Emissão de gases: A queima de combustíveis fósseis (transporte e indústria) é a principal razão para a maior
emissão de gases poluentes. Muitos desses gases agravam o efeito estufa, contribuindo, assim, para o
aquecimento global.

Disponível em: https://static.todamateria.com.br/upload/58/5b/585bea1f823ca-efeito-estufa.jpg

Chuva ácida: Ocorre devido à emissão de dióxido de enxofre (SO2) e dióxido de nitrogênio (NO2), que reagem
com o vapor d’água na atmosfera, aumentando a acidez da chuva. O principal impacto é a alteração do pH dos
corpos hídricos e ecossistemas. No meio urbano, pode corroer faixadas de prédios, estátuas e outros
monumentos.

1
Geografia

Disponível em: https://www.todoestudo.com.br/wp-content/uploads/2017/05/chuva-acida-1024x551.png

Ilha de calor: Corresponde ao aumento da temperatura média dos centros urbanos, quando comparada às
áreas periféricas menos urbanizadas. Decorre da poluição atmosférica, pavimentação das ruas e diminuição
das áreas verdes.

Disponível em: http://www.karlacunha.com.br/wp-content/uploads/2014/10/ilha-de-calor.jpg

Inversão térmica: Fenômeno no qual o ar mais frio e denso já se encontra próximo à superfície do solo,
rompendo a circulação atmosférica (vento). Com isso, a poluição emitida pela atividade humana tende a se
concentrar nessa camada, gerando um enorme “balão de ar poluído” nos centros urbanos. O principal impacto
são os problemas respiratórios.

2
Geografia

Disponível em: https://static.todamateria.com.br/upload/52/40/52405bd6336c6-inversao-termica-large.jpg

3
Geografia

Exercícios

1. O fenômeno de ilha de calor é o exemplo mais marcante da modificação das condições iniciais do clima
pelo processo de urbanização, caracterizado pela modificação do solo e pelo calor antropogênico, o qual
inclui todas as atividades humanas inerentes à sua vida na cidade.
BARBOSA, R. V. R. Áreas verdes e qualidade térmica em ambientes urbanos: estudo em microclimas em Maceió. São Paulo:
EdUSP, 2005.

O texto exemplifica uma importante alteração socioambiental, comum aos centros urbanos. A
maximização desse fenômeno ocorre
a) pela reconstrução dos leitos originais dos cursos d'água antes canalizados.
b) pela recomposição de áreas verdes nas áreas centrais dos centros urbanos.
c) pelo uso de materiais com alta capacidade de reflexão no topo dos edifícios.
d) pelo processo de impermeabilização do solo nas áreas centrais das cidades.
e) pela construção de vias expressas e gerenciamento de tráfego terrestre.

4
Geografia

2.

Os 225,8 km de água enlameada que cruzam a Floresta Amazônica anunciam a tragédia adiante:
megagarimpos ilegais encravados na Terra Indígena Munduruku e na Floresta Nacional do Crepori, no
sudoeste do Pará. Mas, ao contrário do rio Doce, a destruição do remoto rio das Tropas acontece de
forma oculta – menos para os índios. Cansados de esperar uma intervenção do Estado, guerreiros e
lideranças da etnia, incluindo o cacique geral, Arnaldo Kaba, organizaram uma expedição para expulsar
os garimpeiros não indígenas do local. Em seis lanchas, dezenas viajaram armados com flechas e
espingardas de caça, incluindo mulheres, crianças e idosos.
Adaptado de Folha de São Paulo, 04/02/2018.

A reportagem aborda conflitos que simbolizam as muitas diferenças culturais entre grupos na região
amazônica, como indígenas e garimpeiros, em especial no que diz respeito à relação com o ecossistema.

O uso da terra e de seus recursos nas sociedades indígenas é baseado no seguinte princípio:
a) estabilidade climática.
b) preservação ambiental.
c) hierarquização produtiva.
d) sustentabilidade comercial.
e) desconcentração fundiária.

5
Geografia

3. O Decreto Federal n. 7.390/2010, que regulamenta a Lei da Política Nacional sobre Mudança do Clima
(PNMC) no Brasil, projeta que as emissões nacionais de gases de efeito estufa (GEE) em 2020 serão de
3,236 milhões. Esse mesmo decreto define o compromisso nacional voluntário do Brasil em reduzir as
emissões de GEE projetadas para 2020 entre 38,6% e 38,9%.
BRASIL. Decreto n. 7.390, de 9 de dezembro de 2010. Disponível em: www.planalto.gov.br. Acesso em: 2 jun. 2014. (adaptado).

O cumprimento da meta mencionada está condicionada por


a) abdicar das usinas nucleares.
b) explorar reservas do pré-sal.
c) utilizar gás de xisto betuminoso.
d) investir em energias sustentáveis.
e) encarecer a produção de automóveis.

4.

Disponível em: http://img15.imageshack.us (adaptado).

A maior frequência na ocorrência do fenômeno atmosférico apresentado na figura relaciona-se a


a) concentrações urbano-industriais.
b) episódios de queimadas florestais.
c) atividades de extrativismo vegetal.
d) índices de pobreza elevados.
e) climas quentes e muito úmidos.

6
Geografia

5. Nas últimas décadas, descobriu-se que os volumosos e inadequados descartes de resíduos plásticos e
de outros materiais sintéticos, mesmo quando realizados nos continentes, podem resultar em
consideráveis depósitos em áreas distantes nos oceanos e mares, seja em seu fundo, na coluna d’água,
ou na sua superfície. Como consequência, ocorrem mudanças físicas, químicas e ecológicas nesses
oceanos e mares, em que alguns desses depósitos já atingem a escala planetária, como é o caso dos
materiais plásticos flutuantes representados na figura.
www.revistapesquisafapesp.br, maio de 2016.

DEPÓSITOS FLUTUANTES DE RESÍDUOS PLÁSTICOS NOS OCEANOS

Ocean Trash Map - National Geographic. www.news.nationalgeographic.com. Adaptado.

Os depósitos flutuantes representados na figura apresentam-se


a) com padrões concentrados na parte interna dos giros oceânicos do Pacífico norte e sul, locais de
menor atividade das grandes correntes marinhas.
b) com maior acumulação no litoral de ambos os hemisférios, devido à atuação de importantes
correntes marinhas nessas áreas.
c) mais volumosos no hemisfério norte, em função das menores temperaturas de suas águas, o que
faz aumentar a velocidade de correntes, como a do Peru e a do Japão.
d) com concentrações idênticas em ambos os hemisférios, devido à forte atuação de importantes
correntes marinhas que transitam do hemisfério norte ao sul.
e) mais concentrados e abundantes no hemisfério norte, devido à grande mobilidade de importantes
correntes marinhas, como a de Humboldt e a de Madagascar.

7
Geografia

6. O ganhador do Prêmio Nobel, Philip Fearnside, já alertava em estudos de 2004 que, como consequência
do desmatamento em grande escala, menos água da Amazônia seria transportada pelos ventos para o
Sudeste durante a temporada de chuvas, o que reduziria a água das chuvas de verão nos reservatórios
de São Paulo.
SERVA, L. Para ganhador do Prêmio Nobel, cheias no Norte e seca no Sudeste estão conectadas. Disponível em:
www1 .folha.uol.com.br. Acesso em: 10 nov. 2014.

O fator apresentado no texto para o agravamento da seca no Sudeste está identificado no(a)
a) redirecionamento dos ventos alísios.
b) redução do volume dos rios voadores.
c) deslocamento das massas de ar polares.
d) retenção da umidade na Cordilheira dos Andes.
e) alteração no gradiente de pressão entre as áreas.

7. No início da década de 1990, dois biólogos importantes, Redford e Robinson, produziram um modelo
largamente aceito de “produção sustentável” que previa quantos indivíduos de cada espécie poderiam
ser caçados de forma sustentável baseado nas suas taxas de reprodução. Os seringueiros do Alto Juruá
tinham um modelo diferente: a quem lhes afirmava que estavam caçando acima do sustentável (dentro
do modelo), eles diziam que não, que o nível da caça dependia da existência de áreas de refúgio em que
ninguém caçava. Ora, esse acabou sendo o modelo batizado de “fonte-ralo" proposto dez anos após o
primeiro por Novaro, Bodmer e o próprio Redford e que suplantou o modelo anterior.
CUNHA, M. C. Revista USP, n. 75, set.-nov. 2007.

No contexto da produção cientifica, a necessidade de reconstrução desse modelo, conforme exposto no


texto, foi determinada pelo confronto com um(a)
a) conclusão operacional obtida por lógica dedutiva.
b) visão de mundo marcada por preconceitos morais.
c) hábito social condicionado pela religiosidade popular.
d) conhecimento empírico apropriado pelo senso comum.
e) padrão de preservação construído por experimentação dirigida.

8
Geografia

8. O modelo de conservacionismo norte-americano espalhou-se rapidamente pelo mundo recriando a


dicotomia entre “povos” e “parques”. Como essa ideologia se expandiu, sobretudo para os países do
Terceiro Mundo, seu efeito foi devastador sobre as “populações tradicionais” de extrativistas, pescadores,
índios, cuja relação com a natureza é diferente da analisada pelos primeiros “ideólogos” dos parques
nacionais norte-americanos. É fundamental enfatizar que a transposição deste “modelo” de parques sem
moradores, vindo de países industrializados e de clima temperado, para países cujas florestas
remanescentes foram e continuam sendo, em grande parte, habitadas por populações tradicionais, está
na base não só de conflitos insuperáveis, mas de uma visão inadequada de áreas protegidas.
DIEGUES, A. C. O mito da natureza intocada. São Paulo: Hudtec; Nupaub-USP/CEC, 2008 (adaptado).

O modelo de preservação ambiental criticado no texto é considerado inadequado para o Brasil por
promover ações que
a) incentivam o comércio de produtos locais.
b) separam o homem do lugar de origem.
c) regulamentam as disputas fundiárias.
d) deslocam a diversidade biológica.
e) fomentam a atividade turística.

9.

Disponível em: www.bidogiasur.org. Acesso em: 4 jul. 2015 (adaptado).

A dinâmica hidrológica expressa no gráfico demonstra que o processo de urbanização promove a


a) redução do volume dos rios.
b) expansão do lençol freático.
c) diminuição do índice de chuvas.
d) retração do nível dos reservatórios.
e) ampliação do escoamento superficial.

9
Geografia

10. Em 1872, Robert Angus Smith criou o termo “chuva ácida”, descrevendo precipitações ácidas em
Manchester após a Revolução Industrial. Trata-se do acúmulo demasiado de dióxido de carbono e
enxofre na atmosfera que, ao reagirem com compostos dessa camada, formam gotículas de chuva ácida
e partículas de aerossóis. A chuva ácida não necessariamente ocorre no local poluidor, pois tais
poluentes, ao serem lançados na atmosfera, são levados pelos ventos, podendo provocar a reação em
regiões distantes. A água de forma pura apresenta pH 7, e, ao contatar agentes poluidores, reage
modificando seu pH para 5,6 e até menos que isso, o que provoca reações, deixando consequências.
Disponível em: http://www.brasilescola.com. Acesso em: 18 maio 2010 (adaptado).

O texto aponta para um fenômeno atmosférico causador de graves problemas ao meio ambiente: a
chuva ácida (pluviosidade com pH baixo). Esse fenômeno tem como consequência
a) a corrosão de metais, pinturas, monumentos históricos, destruição da cobertura vegetal e
acidificação dos lagos.
b) a diminuição do aquecimento global, já que esse tipo de chuva retira poluentes da atmosfera.
c) a destruição da fauna e da flora e redução de recursos hídricos, com o assoreamento dos rios.
d) as enchentes, que atrapalham a vida do cidadão urbano, corroendo, em curto prazo, automóveis e
fios de cobre da rede elétrica.
e) a degradação da terra nas regiões semiáridas, localizadas, em sua maioria, no Nordeste do nosso
país.

10
Geografia

Gabarito

1. D
A grande concentração de concreto e a extensa cobertura asfáltica das cidades elevam a temperatura dos
centros urbanos, originando uma área de baixa pressão.

2. B
Um rio pode ter diversas intenções de uso. A questão pede para associar o uso da terra para os indígenas
com um princípio. A conservação ambiental é inerente ao tipo de vida de alguns povos, que possuem um
sistema autossustentável de pouco impacto, quando comparado à forma de produção hegemônica.

3. D
O Brasil apresenta uma Política Nacional sobre Mudança do Clima aprovada pelo Congresso Nacional.
Portanto, o país se compromete a combater o aquecimento global e adaptar-se às possíveis mudanças
climáticas. Entre as propostas importantes, encontram-se o combate ao desmatamento em biomas como
a Amazônia e o incentivo às fontes de energia renováveis, como a eólica e a solar.

4. A
O mapa mostra as regiões mais industrializadas dos continentes. Nessas regiões, são maiores as emissões
de gases como óxidos de nitrogênio e de enxofre, responsáveis pela formação dos ácidos nítrico e sulfúrico,
que contribuem para a formação da “chuva ácida”.

5. A
Para acertar a questão, é preciso interpretar o mapa. Os padrões mais concentrados estão na parte interna
dos giros. A maior presença mostrada no mapa encontra-se no Oceano Pacífico norte e sul.

6. B
O desmatamento em larga escala na Amazônia reduz a evapotranspiração da floresta, que é responsável
por 50% da umidade do ar. A redução da umidade diminui a quantidade de vapor d’água transportada pela
Massa Equatorial Continental. A transferência de umidade da Amazônia para outras regiões, como o
Centro-Oeste e o Sudeste, ocorre através desses “rios voadores” compostos pela mEc.

7. D
A reconstrução do modelo ocorreu a partir da observação e checagem dos dados, portanto, do confronto
entre a concepção científica e o conhecimento empírico.

8. B
Alguns modelos de unidades de conservação que separam o homem do lugar acabam entrando em conflito
com a cultura dos povos tradicionais, como indígenas, caiçaras e quilombolas. Esses povos sempre usaram
os recursos naturais para sua sobrevivência e, assim, se faz necessário que o modelo de conservação
também incorpore essa questão.

9. E
A impermeabilização do solo das cidades impede ou dificulta a infiltração da água, resultando em aumento
do escoamento superficial.

11
Geografia

10. A
A produção industrial tem sido crescente desde o século XIX até hoje e, com isso, a atmosfera recebe
quantidades crescentes de gases do efeito estufa e resíduos industriais variados. A chuva ácida é um
exemplo desse tipo de poluição.

12
Geografia

Modelos produtivos e o trabalho

Resumo

Fordismo
O engenheiro norte-americano Frederick W. Taylor, visando a aumentar a eficiência produtiva, estudou tempos
e movimentos de operários e máquinas na linha de produção. Seus estudos ficaram conhecidos como
Taylorismo. Enquanto isso, Henry Ford desenvolvia sua linha de montagem, quando ouviu falar das ideias de
Taylor. Impressionado, Ford contratou o engenheiro para trabalhar na sua fábrica. O Fordismo nasce dessa
associação entre as ideias de Taylor e a prática de Ford.

São características do Fordismo:


• Linha de montagem: É a famosa esteira de produção retratada no filme Tempos Modernos.
• Trabalho especializado (repetitivo): É a pura aplicação das ideias de Taylor. Quanto menor fosse a tarefa
executada pelo trabalhador, mais eficiente ele poderia ser. Com o tempo, a tendência era se tornar um
especialista naquela tarefa.
• Padronização: A repetição das tarefas exigia uma padronização da produção.
• Mão de obra alienada: O trabalhador executava apenas uma tarefa e não conhecia todo o método de
produção, apenas a sua função.
• Produção concentrada: Espacialmente, a fábrica fordista era concentrada em um local, produzindo e
armazenando (estoques lotados) tudo no mesmo espaço.

Toyotismo
Modelo produtivo conhecido como sistema flexível ou pós-fordista, foi desenvolvido em uma fábrica de
automóveis da Toyota, no Japão. Surgiu como alternativa para o Fordismo, que enfrentava sua crise na década
de 1970.
São características do Toyotismo:

• Produtos pouco duráveis: A durabilidade foi um problema para o Fordismo. Nesse sentido, a lógica do Ciclo
de Obsolescência Programada, em que os produtos possuem uma data de “validade”, foi fundamental para
superar as limitações do consumo fordista.
• Diversificação: A produção diversificada, com muitas opções, buscando atender às características de cada
mercado, foi importantíssima para oferecer uma maior variedade de produtos.
• Just in time: Seguindo a lógica acima, produzir de acordo com a demanda e gosto do mercado permitiu
reduzir os estoques e a possibilidade de perdas produtivas.
• Mão de obra qualificada: Outra característica que possibilitava o amplo desenvolvimento desse modelo.
Com uma mão de obra altamente educada e qualificada, toda melhoria no processo produtivo poderia ser
mais rapidamente incorporada, ao mesmo tempo que esses trabalhadores contribuíam para esse progresso.

1
Geografia

A imagem a seguir nos permite observar o fluxo de produção nos modelos fordista e toyotista.

Diferença do fluxo de produção industrial fordista-taylorista e toyotista.

Mundo do trabalho
As transformações na estrutura produtiva repercutem no mundo do trabalho. Durante o Fordismo, a pressão
sindical possibilitava maiores ganhos para os trabalhadores, que repercutiam em maiores salários, benefícios
e melhores condições de trabalho. O Toyotismo inaugura uma nova lógica de maximização da lucratividade e
da produtividade. Com isso, o trabalhador também é afetado. A revolução nos transportes e comunicações
possibilitou à indústria buscar lugares com menor pressão sindical e, assim, leis trabalhistas menos rígidas, isto
é, uma mão de obra mais barata. O processo de terceirização é cada vez mais comum e diminui os custos de
operação. A guerra fiscal entre os lugares ampliou a prática de incentivos fiscais como uma forma de atrair as
empresas. Porém, é necessário oferecer também uma infraestrutura eficiente e uma mão de obra qualificada.

2
Geografia

Exercícios

1.

THAVES. Jornal do Brasil, 19 fev. 1997 (adaptado).

A forma de organização interna da indústria citada gera a seguinte consequência para a mão de obra
nela inserida:
a) Ampliação da jornada diária.
b) Melhoria da qualidade do trabalho.
c) Instabilidade nos cargos ocupados.
d) Eficiência na prevenção de acidentes.
e) Desconhecimento das etapas produtivas.

2.

Disponível em: http://ensino.univates.br. Acesso em: 11 maio 2013 (adaptado).

Na imagem, estão representados dois modelos de produção. A possibilidade de uma crise de


superprodução é distinta entre eles em função do seguinte fator:
a) Origem da matéria-prima.
b) Qualificação da mão de obra.
c) Velocidade de processamento.
d) Necessidade de armazenamento.
e) Amplitude do mercado consumidor.

3
Geografia

3. O cooperativismo de consumo não está morto, mas perdeu a batalha contra o grande capital comercial,
que é atacadista e varejista ao mesmo tempo. Em termos de preços e qualidade, o grande capital é
imbatível. Só que é impessoal, burocrático, não permite atentar para necessidades particulares. Suas
vantagens se dirigem a um público cujas preferências são pautadas pela publicidade nos meios de
comunicação.
(Paul Singer. Introdução à economia solidária, 2013. Adaptado.)

Um pressuposto das relações contemporâneas de consumo, coerente com a lógica do modo de


produção capitalista, é
a) a pluralidade na produção.
b) a diversidade dos indivíduos.
c) a generalização de tarefas.
d) a massificação da sociedade.
e) a pequena escala produtiva.

4. Os fatores locacionais da indústria passaram por grandes modificações, desde o século XVIII, alterando
as decisões estratégicas das empresas acerca da escolha do local mais rentável para seu
empreendimento.
O esquema abaixo apresenta alguns modelos de localização da siderurgia, considerando os fatores
locacionais mais importantes para esse tipo de indústria: minério de ferro, carvão mineral, mercado e
sucata.

TERRA. Lygia e outros. Conexões: estudos de geografia geral e do Brasil. São Paulo: Moderna. 2008.

No caso dos modelos C e D, as mudanças socioeconômicas que justificam as escolhas de novos locais
para instalação de usinas siderúrgicas nas últimas décadas são, respectivamente:
a) dispersão dos mercados consumidores – revalorização das economias de aglomeração
b) eliminação dos encargos com a mão de obra – generalização das redes de telecomunicação
c) diminuição dos preços das matérias-primas – substituição de fontes de energia tradicionais
d) redução dos custos com transporte – ampliação das práticas de sustentabilidade ambiental
e) ampliação dos custos de transporte – redução da necessidade de matéria-prima

4
Geografia

5. O capitalismo já conta com mais de dois séculos de história e, de acordo com alguns estudiosos, vive-se
hoje um modelo pós-fordista ou toyotista desse sistema econômico. Observe o anúncio publicitário:

Adaptado de Casa Cláudia, dezembro/2008

Uma estratégia própria do capitalismo pós-fordista presente neste anúncio é:


a) concentração de capital, viabilizando a automação fabril
b) terceirização da produção, massificando o consumo de bens
c) flexibilização da indústria, permitindo a produção por demanda
d) formação de estoque, aumentando a lucratividade das empresas
e) terciarização do trabalho, com a ampliação do setor de comércio

6. Cade abre processo contra 21 empresas e 59 executivos


O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão do Ministério da Justiça, instaurou
processo administrativo para investigar 21 empresas e 59 pessoas físicas em licitações públicas para
contratação de serviços de engenharia, construção e montagem industrial. Para o Cade, há evidências
de que os investigados teriam celebrado acordos para fixar preços, dividir mercado e ajustar condições,
vantagens ou abstenção em licitações.
Adaptado de O Globo, 23/12/2015

A prática empresarial investigada pelo Cade, ilegal no Brasil, é denominada:


a) cartel
b) holding
c) dumping
d) monopólio
e) oligopólio

5
Geografia

7. O processo de desconcentração industrial no estado de São Paulo, iniciado na década de 1970, alterou
profundamente seu mapa e território: a mancha metropolitana da capital se expandiu em direção ao Vale
do Paraíba, Sorocaba e às regiões de Campinas e Ribeirão Preto, conglomerados urbanos especializados
se formaram ao longo de uma densa malha rodoviária e as cidades médias assumiram a liderança do
mercado em seu entorno.
(Claudia Izique. Pesquisa FAPESP, julho de 2012.)

A transformação da indústria na metrópole de São Paulo pode ser entendida pela modificação do sistema
de produção, associada aos avanços em transporte e comunicação. As empresas que participaram
desse processo procuravam
a) conseguir mão de obra suficiente para suas atividades, já que na metrópole os trabalhadores não
aceitavam mais trabalhar nas fábricas.
b) adquirir matéria-prima para seus produtos, visto que os recursos naturais na metrópole haviam se
esgotado.
c) obter novos mercados, já que a influência dos produtos importados no centro da metrópole é muito
grande.
d) antecipar mercados, prevendo as futuras necessidades das cidades médias em expansão.
e) reduzir os custos da produção, sabendo que as novas cidades ofereciam incentivos fiscais, terrenos
e mão de obra mais baratos.

8. Base da formação, há 35 anos, do Polo Industrial de Camaçari, considerado o maior do gênero no


Hemisfério Sul, na região metropolitana de Salvador (BA), a indústria química e petroquímica pode estar
em via de extinção no local, onde seguidos fechamentos de fábricas do setor no polo ilustram a situação.
Apenas na última década, a Braskem – maior indústria do setor no local – fechou três de suas oito
unidades. Além dela, deixaram o polo ou reduziram bastante a atividade, nos últimos cinco anos, grandes
empresas internacionais, como Dow, DuPont, Air Products e Taminco, entre outras.
(www.estadao.com.br. Adaptado.)

Constituem motivos para a saída das indústrias do ramo químico e petroquímico do Polo Industrial de
Camaçari:
a) o fim dos incentivos fiscais, os elevados gastos com segurança e o aumento dos impostos.
b) as frágeis redes de transporte, a dificuldade de comunicação e a falta de matérias-primas.
c) a queda na demanda do consumo local, a baixa qualificação da mão de obra e o sucateamento dos
maquinários.
d) o término das concessões, a falta de manutenção das infraestruturas e o desmembramento dos
terrenos.
e) as plantas industriais rígidas, a logística precária e os elevados custos de produção.

6
Geografia

9. Existe uma concorrência global, forçando redefinições constantes de produtos, processos, mercados e
insumos econômicos, inclusive capital e informação.
CASTELLS, M. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 2011.

Nos últimos anos do século XX, o sistema industrial experimentou muitas modificações na forma de
produzir, que implicaram transformações em diferentes campos da vida social e econômica. A
redefinição produtiva e seu respectivo impacto territorial ocorrem no uso da
a) técnica fordista, com treinamento em altas tecnologias e difusão do capital pelo território.
b) linha de montagem, com capacitação da mão de obra em países centrais e aumento das
discrepâncias regionais.
c) robotização, com melhorias nas condições de trabalho e remuneração em empresas no Sudeste
asiático.
d) produção just in time, com territorialização das indústrias em países periféricos e manutenção das
bases de gestão nos países centrais.
e) fabricação em grandes lotes, com transferências financeiras de países centrais para países
periféricos e diminuição das diferenças territoriais.

10. O fenômeno da mobilidade populacional vem, desde as últimas décadas do século XX, apresentando
transformações significativas no seu comportamento, não só no Brasil como também em outras partes
do mundo. Esses novos processos se materializam, entre outros aspectos, na dimensão interna, pelo
redirecionamento dos fluxos migratórios para as cidades médias, em detrimento dos grandes centros
urbanos; pelos deslocamentos de curta duração e a distâncias menores; pelos movimentos pendulares,
que passam a assumir maior relevância nas estratégias de sobrevivência, não mais restritos aos grandes
aglomerados urbanos.
OLIVEIRA, L. A. P.; OLIVEIRA, A. T. R. Reflexões sobre os deslocamentos populacionais no Brasil. Rio de Janeiro: IBGE, 2011
(adaptada).

A redefinição dos fluxos migratórios internos no Brasil, no período apontado no texto, tem como causa a
intensificação do processo de
a) descapitalização do setor primário.
b) ampliação da economia informal.
c) tributação da área residencial citadina.
d) desconcentração da atividade industrial.
e) saturação da empregabilidade no setor terciário.

7
Geografia

Gabarito

1. E
A organização interna da indústria e do trabalho fordista/taylorista é caracterizada pela adoção da linha de
montagem, produção em massa, grandes estoques e especialização do trabalho. Um dos impactos da
divisão e especialização do trabalho é que o operário não conhece a totalidade ou o conjunto das etapas
produtivas.

2. D
Observando-se as duas imagens, é possível identificar que a diferença entre elas é a necessidade ou não
de estoque. No modelo 1, o armazenamento é originado pela produção em massa, característica do modelo
fordista-taylorista de produção, enquanto no modelo 2, a produção ocorre quando é requerida, eliminando,
assim, os estoques, característica essa que corresponde ao modelo toyotista de produção (just in time).

3. D
O capitalismo financeiro e monopolista impulsiona a formação de corporações que controlam várias
empresas, inclusive no ramo comercial, desde atacadistas até varejistas. O processo também favorece a
padronização e a massificação do consumo, restringindo o acesso à diversidade de produtos e alternativas
de consumo.

4. D
Existem vários motivos que influenciam a escolha locacional de uma indústria, sendo a proximidade da
matéria-prima, no caso das siderúrgicas, um elemento fundamental. Além da proximidade da matéria-prima
(ferro) e da fonte de energia (carvão), o mercado consumidor também é muito importante na circulação do
capital entre mão de obra, trabalho e venda. Nos modelos C e D, observa-se que a localização próxima
passa a não ser tão relevante, pela evolução das tecnologias de transporte e comunicação. O modelo D
amplia as práticas de sustentabilidade pela reciclagem de sucata para o aço, sendo o mercado consumidor
uma fonte de matéria-prima nesse caso.

5. C
A imagem evidencia uma das características do modelo produtivo toyotista, a produção sob demanda, isto
é, a produção de bens de acordo com a procura e os desejos dos consumidores, evitando, assim, o estoque
lotado e a padronização, características do Fordismo.

6. A
Cartel é um acordo entre empresas, com o objetivo de dividir o mercado e fixar preços, obtendo condições
e vantagens específicas.

7. E
A desconcentração industrial no Brasil iniciou-se a partir da década de 1970, acelerando durante as décadas
de 1990 e 2000. As empresas que participaram desse processo buscavam uma maior competitividade no
mercado, reduzindo seus custos de produção. Tais reduções eram possíveis a partir das vantagens
competitivas, como incentivos fiscais, mão de obra barata, facilidade de transportes e doação de terrenos,
negociados entre o poder público e as empresas.

8
Geografia

8. E
A existência de plantas industriais antigas e obsoletas, bem como a falta de competitividade das indústrias
do Polo de Camaçari são os principais motivos para o fechamento ou saída dessas unidades. Tal situação
tem levado as empresas a transferirem suas unidades fabris para outros países que ofereçam maiores
vantagens.

9. D
As empresas transnacionais deslocaram linhas de produção para países emergentes e subdesenvolvidos
para elevar sua lucratividade explorando incentivos fiscais, menor custo com mão de obra, matérias-primas
e energia a baixo custo, infraestrutura, facilidade para exportação, mercado consumidor interno em
crescimento. Com o avanço das tecnologias em telecomunicações e informática, foi possível manter
decisões importantes nos países onde se localizam as matrizes das empresas.

10. D
A mobilidade mencionada caracteriza o processo de desmetropolização, resultado, entre outros fatores, da
desconcentração industrial a partir da década de 1990.

9
Geografia

População (migração, crescimento e desafios)

Resumo

Transição demográfica e tendências populacionais

Disponível em: http://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2016/12/cresc.pop_.2.png

• Primeira fase: Crescimento vegetativo baixo, resultante das altas taxas de natalidade e mortalidade.
Nenhum país encontra-se nessa fase.

• Segunda fase: Crescimento vegetativo muito alto, devido à alta taxa de natalidade e à queda da taxa de
mortalidade. Período também denominado explosão demográfica ou “Baby boom”. Muitos países
africanos encontram-se nessa fase.

• Terceira fase: Crescimento vegetativo começa a retrair, devido à queda da taxa de natalidade e à
manutenção da baixa taxa de mortalidade. A maior parte dos países emergentes encontra-se nessa fase.

• Quarta fase: Crescimento vegetativo baixo, resultante das baixas taxas de natalidade e mortalidade. Fase
relacionada ao envelhecimento da população. A maioria dos países desenvolvidos encontra-se nessa fase.

• Quinta fase: A existência dessa fase não é consenso entre os pesquisadores. É, muitas vezes, associada
à quarta. Nela, o crescimento vegetativo é negativo, resultante da taxa de mortalidade ser maior que a de
natalidade, causando o encolhimento da população absoluta. Alemanha e Rússia são exemplos de países
que apresentaram redução da população absoluta em períodos recentes. Atenção para não considerar os
países em guerra como pertencentes a essa fase.

Mesmo que seja muito comum tentar associar uma data ou período a essas fases, é necessário um cuidado
maior. Como são associadas às dinâmicas demográficas dos países e eles transitam por essas fases em
períodos diferentes, não há, portanto, uma data certa para quando esses períodos ocorreram. Porém, pode-se
dizer que o fim da primeira fase ocorreu com a Revolução Industrial na Europa e, desde então, podem-se
observar essas diferentes fases nos países.

1
Geografia

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Migração
Migrante é todo aquele indivíduo que se desloca de um local para outro em busca de melhores condições de
vida. Emigrante refere-se ao indivíduo ou população que sai de uma área. Imigrante refere-se ao indivíduo ou
população que chega em uma área. O exemplo mais conhecido de migração mundial é a de latinos para os
Estados Unidos, destacando-se a migração ilegal através da fronteira México-Estados Unidos. Em alguns casos,
a realidade enfrentada pelos migrantes em seu novo local de residência é diferente do esperado, enfrentando a
exploração de mão de obra, o preconceito (xenofobia) e a ausência de direitos sociais.

Brasil e as migrações internacionais


Um dos maiores movimentos de emigração do Brasil é em direção ao Japão, principalmente após o milagre
econômico japonês. Esse crescimento criou oportunidade de trabalho, atraindo principalmente descendentes
de japoneses. No Japão, esses trabalhadores estrangeiros ocupam cargos pouco valorizados e são chamados
de dekasseguis. Estados Unidos e Portugal também são alguns outros destinos de brasileiros.

Os refugiados
É um tipo de migração forçada, em que o migrante deixa seu país para escapar da guerra e da perseguição
(política, econômica, étnica, religiosa). É um pouco diferente daquele migrante econômico, que busca melhores
empregos, salários, condição de vida. A questão principal é saber se a pessoa está sendo empurrada (refugiado)
para fora de seu país ou se está sendo atraída (migrante econômico) por outro país. A Convenção de Refugiados
de 1951, realizada pela ONU, define internacionalmente a questão dos refugiados. Eles possuem direitos, como
não serem enviados de volta aos países de origem. A Guerra da Síria é, hoje, a principal origem desses
refugiados, que migram, em sua grande maioria, para países vizinhos, como Turquia, Jordânia e Iraque.

2
Geografia

Exercícios

1. Os países industriais adotaram uma concepção diferente das relações familiares e do lugar da
fecundidade na vida familiar e social. A preocupação de garantir uma transmissão integral das vantagens
econômicas e sociais adquiridas tem como resultado uma ação voluntária de limitação do número de
nascimentos.
GEORGE, P. Panorama do mundo atual. São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1968 (adaptado).

Em meados do século XX, o fenômeno social descrito contribuiu para o processo europeu de
a) estabilização da pirâmide etária.
b) conclusão da transição demográfica.
c) contenção da entrada de imigrantes.
d) elevação do crescimento vegetativo.
e) formação de espaços superpovoados.

2. A imigração de muçulmanos para diferentes países do mundo tem gerado um fenômeno conhecido por
islamofobia, ou seja, sentimento de aversão aos fiéis ao islamismo. Esse sentimento de aversão é
legitimado
a) pelas resoluções da ONU, que oneram os países responsáveis pela ajuda humanitária.
b) pela velha ordem mundial, cuja origem se relaciona à Guerra Fria.
c) pela guerra ao terror, cuja origem remete à Doutrina Bush.
d) pelas leis trabalhistas arcaicas, que impedem o imigrante de trabalhar legalmente.
e) pelas cotas de imigração, cuja origem remonta ao Tratado de Roma.

3. Em cerca de quarenta anos, o Brasil passou da iminente ameaça de explosão demográfica para a
perspectiva de redução da população, caso continuem nascendo relativamente tão poucas crianças e
não haja um processo de imigração internacional que compense a diminuição dos nascimentos. Hoje a
população brasileira continua crescendo, mas em ritmo cada vez menor.
LÚCIO, C. et al. As mudanças da população brasileira. Le Monde Diplomatique Brasil. São Paulo, ano 6, n. 71, jun. 2013. p.26.

O atual padrão demográfico do Brasil apresenta como tendência a(o)

a) aceleração do crescimento vegetativo


b) progressão do envelhecimento
c) estagnação da emigração internacional
d) aumento da taxa de mortalidade infantil
e) elevação da taxa de fecundidade

3
Geografia

4. Ao longo do século XX, as características da população brasileira mudaram muito. Os gráficos mostram
as alterações na distribuição da população da cidade e do campo e na taxa de fecundidade (número de
filhos por mulher) no período entre 1940 e 2000.

(IBGE)
Comparando-se os dados dos gráficos, pode-se concluir que

a) o aumento relativo da população rural é acompanhado pela redução da taxa de fecundidade.


b) quando predominava a população rural, as mulheres tinham em média três vezes menos filhos do
que hoje.
c) a diminuição relativa da população rural coincide com o aumento do número de filhos por mulher.
d) quanto mais aumenta o número de pessoas morando em cidades, maior passa a ser a taxa de
fecundidade.
e) com a intensificação do processo de urbanização, o número de filhos por mulher tende a ser menor.

5. Composição da população Brasileira, por faixa de idade.

Disponível em: http://revistaepoca.globo.com. Acesso em: 30 jun. 2015.

A evolução da pirâmide etária apresentada indica a seguinte tendência:

a) Crescimento da faixa juvenil.


b) Aumento da expectativa de vida.
c) Elevação da taxa de fecundidade.
d) Predomínio da população masculina.
e) Expansão do índice de mortalidade.

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Geografia

6.
As pirâmides etárias brasileiras

O Globo, 25/04/2010

Nas duas últimas décadas, o governo federal vem propondo ações no sentido de oferecer uma resposta
às transformações na composição etária da população brasileira.

Essas ações têm seguido uma tendência que se manifesta mais diretamente na seguinte iniciativa:

a) revisão das bases da legislação sindical


b) alteração das regras da previdência social
c) expansão das verbas para o ensino fundamental
d) ampliação dos programas de prevenção sanitária
e) redução dos investimentos no ensino superior

5
Geografia

7. Observe o mapa abaixo:

THÉRY, Hervé; MELLO, Neli A. de. Atlas do Brasil: disparidades e dinâmicas do território. São Paulo: EDUSP/Imprensa Oficial,
2008.

Com base no mapa, é possível associar a macrorregião brasileira com maior proporção de migrantes à
presença da seguinte dinâmica socioespacial:
a) criação de área turística
b) formação de distrito industrial
c) ampliação de reserva ambiental
d) expansão da fronteira agropecuária
e) intensa variação climática

6
Geografia

8.

O atual presidente norte-americano defende uma política migratória que, segundo ele, irá reduzir os
patamares do desemprego no país. Considerando as informações dos mapas e as características
socioeconômicas dessa nação, existe fundamento para avaliar a eficácia dessa política como:
a) alta, dado o percentual significativo de ociosidade nas unidades industriais
b) baixa, dado o índice inexpressivo de estrangeiros nas populações regionais
c) reduzida, dado o nível baixo de qualificação das ocupações dos não nacionais
d) elevada, dado o perfil terciário predominante da economia das grandes cidades
e) eficiente, dado o nível alto de qualificação da mão de obra latino-americana

9. Analise o texto a seguir:


Atualmente, uma qualidade média de vida elevada, uma proteção social ainda bastante presente e a
generalização do controle dos nascimentos produziram um decréscimo brutal da natalidade, que não
garante mais a renovação das gerações. Os progressos da medicina e o acesso aos cuidados
favoreceram um prolongamento da duração de vida. Assim, o aumento da quantidade de pessoas idosas
na população total, população já envelhecida na Europa, sobretudo na França, acelerou-se no momento
em que começaram a envelhecer as gerações nascidas após a Segunda Guerra Mundial.
DURAND, M-F. et. al. Atlas da mundialização. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 35. Adaptado.

O agravamento dessa situação demográfica provoca a seguinte consequência direta:


a) Renovação nas estruturas da educação básica
b) Aumento da população economicamente ativa
c) Pressão sobre os mecanismos de proteção social
d) Extinção dos métodos de controle da natalidade
e) Aumento da mortalidade infantil

7
Geografia

10. Japão enfrentará “extinção populacional” em mil anos

*projeção. Fonte: Japan stats.br./AFP

Estudo divulgado mostrou que a população japonesa será reduzida a um terço de seus 127,7 milhões de
habitantes ao longo do próximo século. Projeções do governo mostram que a taxa de natalidade irá
atingir 1,35 criança por casal nos próximos 50 anos, bem abaixo da taxa de substituição da população.
Disponível em: http://m.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2012/05/1089766- -japao-enfrentara-extincao-populacional-em-mil-
anos.shtml. Acesso em: 15 out. 2017.

Com base em “relógio populacional”, pesquisadores japoneses mostram que a nação pode, teoricamente,
ser extinta, em um milênio, em razão de
a) precariedade da qualidade de vida do Japão.
b) escassez de recursos naturais do território.
c) envelhecimento da população do Japão.
d) manutenção das altas taxas de mortalidade absoluta.
e) manutenção de altas taxas de mortalidade infantil.

8
Geografia

Gabarito

1. B
A transição demográfica é uma teoria que explica que todos os países irão passar por diferentes fases, em
que os indicadores se comportam de determinada maneira. A última fase é caracterizada por uma baixa
natalidade e mortalidade, representando um pequeno crescimento vegetativo. A diminuição da natalidade
na Europa, pelo alto custo de vida e a vontade de transmitir o padrão econômico para gerações futuras,
iniciou o encaminhamento do continente para a última fase (IV) desse processo.

2. C
Desde o atentado às Torres Gêmeas, a perseguição ao mundo islâmico foi acentuada pela mídia e pelas
políticas de alguns governos ao redor do mundo, que contribuem para a estereotipagem e xenofobia.

3. B
No Brasil, verifica-se um progressivo número de idosos, decorrente da associação de dois processos: queda
da taxa de natalidade e aumento da expectativa de vida.

4. E
Ao se analisar o primeiro gráfico, percebe-se o contínuo crescimento da população relativa urbana, isto é, o
percentual da população que vive nas cidades. Concomitantemente, a participação relativa da população
rural começa a diminuir. Esse fenômeno pode ser traduzido como urbanização. Observa-se também que, a
partir da mesma década, há uma queda da taxa de fecundidade (número de filhos por mulher). Isso permite
concluir que, com a intensificação do processo de urbanização, o número de filhos por mulher tende a ser
menor.

5. B
Observando-se a dinâmica da pirâmide etária brasileira, verifica-se um aumento da expectativa de vida (topo
cresce em proporção), o que evidencia a elevação no percentual de idosos. Além disso, é possível observar
o aumento no percentual de adultos e da PEA (população economicamente ativa) e a diminuição no
percentual de jovens (encurtamento da base da pirâmide) devido à menor taxa de fecundidade e taxa de
natalidade.

6. B
As transformações na pirâmide etária brasileira, entre 1980 e 2010, indicam, de acordo com o gráfico, o
envelhecimento proporcional da população, visível no crescimento numérico de pessoas nas faixas
situadas entre 20 e 54 anos. Tal aspecto, somado ao aumento da expectativa de vida, ocasiona a
necessidade de redimensionar a política previdenciária, visando a contemplar a projeção do aumento de
pensões e aposentadorias e o equacionamento entre tempo de trabalho e arrecadação de contribuições
dessa natureza.

7. D
Os projetos de colonização e de mineração, desenvolvidos nas décadas de 1960/1970 pelo governo militar,
foram responsáveis pela ocupação da última fronteira agrícola do país, alavancando fortes correntes
migratórias que atenuaram a saturação da Região Centro-Sul. Aliadas a isso, a modernização da
agropecuária e a ampliação da agricultura comercial de exportação mantiveram os índices elevados de
imigração para o Centro-Oeste e Norte do país.

9
Geografia

8. C
Ao se comparar os mapas, é possível verificar que os imigrantes estão alocados em funções de baixa
qualificação (como trabalhadores agrícolas, empregados domésticos e de construção, entre outros),
postos que, se vagos, não seriam ocupados pelos nativos.

9. C
Se a tendência demográfica é a diminuição da natalidade, com o tempo, ocorre a redução da população
economicamente ativa e um aumento da população dependente dessa PEA, o que pressiona as políticas
ligadas à distribuição da previdência.

10. C
Quando ocorre o aumento da expectativa de vida e, ao mesmo tempo, uma redução considerável na
natalidade, a redução da população total tende a ocorrer.

10
Geografia

Relação campo x cidade

Resumo

Compreender a relação campo-cidade é permite ampliar nossa visão sobre o processo de


industrialização, urbanização, Revolução Verde e, essencialmente, entender a evolução do espaço geográfico
brasileiro. No período pré-industrial, dependia-se dos recursos naturais. Era no campo (meio rural) que estavam
os principais postos de trabalho e pouquíssimas cidades (meio urbano) conseguiam sustentar muitos
habitantes. As relações de poder mostravam um domínio do campo sobre a cidade.
A Revolução Industrial é o grande marco da relação campo x cidade, pois, pela primeira vez, o maior
número de empregos estava na cidade, e não no campo. O meio urbano é, agora, o principal centro econômico
e passa a ser o grande destino da população. Observa-se aqui o fenômeno denominado êxodo rural (migração
em massa do campo para a cidade) e, com isso, começam a surgir as primeiras sociedades urbano-industriais.
O Brasil foi, por um bom tempo, conhecido pela sua vocação agrícola (até 1930, a economia do país era
primordialmente agroexportadora). Não que essa atividade tenha deixado de ser importante para a economia
do país, mas o processo de industrialização iniciado por Getúlio Vargas na década de 1930 começou a
transformar as relações campo x cidade. A década de 1950 marca o surgimento de um Brasil urbano (51% das
pessoas ou mais moravam nas cidades).
A grande concentração fundiária do campo brasileiro (herança do Brasil colônia) logo repercutiu no
intenso êxodo rural. Isso fez com que o processo de urbanização brasileira ocorresse de forma muito
acelerada, dificultando o planejamento urbano e repercutindo em diversos problemas, como a favelização, o
trânsito caótico, a violência e a segregação socioespacial. Problemas esses diretamente relacionados ao
inchaço urbano, fenômeno denominado macrocefalia urbana.
É importante perceber que o campo influencia a cidade e vice-versa. Hoje, observa-se que as atividades
do campo estão cada vez mais dependentes do processo industrial e do desenvolvimento de novas tecnologias.
Nesse sentido, uma crise econômica urbana afeta, também, o campo. Entender essa inter-relação é
fundamental para discutirmos o espaço brasileiro.

1
Geografia

Exercícios

1. Ao longo dos últimos 500 anos, o Brasil viu suas fronteiras do litoral expandirem-se para o interior. É
apenas lógico que a Amazônia tenha sido a última fronteira a ser conquistada e submetida aos ditames
da agricultura, pecuária, lavoura e silvicultura. A incorporação recente das áreas amazônicas à
exploração capitalista tem resultado em implicações problemáticas, dentre elas a destruição do rico
patrimônio natural da região.
NITSCH, M. O futuro da Amazônia: questões críticas, cenários críticos. Estudos Avançados, n. 46, dez. 2002.

Na situação descrita, a destruição do patrimônio natural dessa área destacada é explicada pelo(a)
a) distribuição da população ribeirinha.
b) patenteamento das espécies nativas.
c) expansão do transporte hidroviário.
d) desenvolvimento do agronegócio.
e) aumento da atividade turística.

2.

Adaptado de BOMBARDI, L. M. Geografia do uso de agrotóxicos no Brasil e conexões com a União Europeia. São Paulo:
FFLCH/USP, 2017.

Uma característica econômica comum aos quatro cultivos brasileiros nos quais os agrotóxicos são mais
utilizados é a expressiva:
a) relevância na pauta de exportação.
b) participação na absorção de mão de obra.
c) centralidade na alimentação da população.
d) influência na desconcentração da propriedade.
e) relevância no abastecimento urbano nacional.

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Geografia

3. Atualmente não se pode identificar o espaço rural apenas com a agropecuária, pois no campo não há
somente essa atividade, embora ela possa ser a mais importante na maioria das regiões situadas no
interior do país. Não é procedente se pensar no campo dissociado das cidades.
HESPANHOL, A. N. O desenvolvimento do campo no Brasil. In: FERNANDES, B. M.; MARQUES, M. I. M.; SUZUKI, J. C. (Org.).
Geografia agrária: teoria e poder. São Paulo: Expressão Popular, 2007 (adaptado).

A realidade contemporânea do espaço rural descrita no texto deriva do processo de expansão


a) de áreas cultivadas.
b) do setor de serviços.
c) da proporção de idosos.
d) de regiões metropolitanas.
e) da mecanização produtiva.

4. Está cada vez mais difícil delimitar o que é rural e o que é urbano. Pode-se dizer que o rural hoje só pode
ser entendido como um continuum do urbano do ponto de vista espacial; e do ponto de vista da
organização da atividade econômica, as cidades não podem mais ser identificadas apenas com a
atividade industrial, nem os campos com a agricultura e a pecuária.
SILVA, J. G. O novo rural brasileiro. Nova Economia, n. 7, maio 1997.

As articulações espaciais tratadas no texto resultam do(a)


a) aumento da geração de riquezas nas propriedades agrícolas.
b) crescimento da oferta de empregos nas áreas cultiváveis.
c) integração dos diferentes lugares nas cadeias produtivas.
d) redução das desigualdades sociais nas regiões agrárias.
e) ocorrência de crises financeiras nos grandes centros.

5. O processo de concentração urbana no Brasil em determinados locais teve momentos de maior


intensidade e, ao que tudo indica, atualmente passa por uma desaceleração do ritmo de crescimento
populacional nos grandes centros urbanos.
BAENINGER, R. Cidades e metrópoles: a desaceleração no crescimento populacional e novos arranjos regionais. Disponível em:
www.sociologia.com.br. Acesso em: 12 dez. 2012 (adaptado).

Uma causa para o processo socioespacial mencionado no texto é o(a)


a) carência de matérias-primas.
b) degradação da rede rodoviária.
c) aumento do crescimento vegetativo.
d) centralização do poder político.
e) realocação da atividade industrial.

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Geografia

6.

A história da Maré começa nos anos 40. No final dessa década, já havia palafitas – barracos de madeira
sobre a lama e a água. Surgem as comunidades da Baixa do Sapateiro, Parque Maré e Morro do Timbau
– este em terra firme. A construção da avenida Brasil, concluída em 1946, foi determinante para a
ocupação da área, que prosseguiu pela década de 50. Nos anos 60, um novo fluxo de ocupação teve
início, quando moradores da Praia do Pinto, Morro da Formiga, Favela do Esqueleto e desabrigados das
margens do rio Faria-Timbó foram transferidos para moradias “provisórias” construídas na Maré. O início
dos anos 80, quando a Maré das palafitas era símbolo da miséria nacional, marca a primeira grande
intervenção do governo federal: o Projeto Rio, que previa o aterramento e a transferência dos moradores
das palafitas para construções pré-fabricadas. Em 1988, foi criada a 30ª Região Administrativa (R.A.),
abarcando a área da Maré. A primeira R.A. da cidade a se instalar numa favela marcou seu
reconhecimento como um bairro.
Adaptado de museudamare.org.br.

Composta hoje por 16 comunidades, a Maré é o maior complexo de favelas do Rio de Janeiro. Sua
história, em parte, está relacionada com as transformações na cidade entre meados do século XX e o
momento atual.

Considerando tais transformações, a análise das fotos e do texto permite concluir que a história da Maré
é marcada pelo seguinte processo urbano:
a) estabilização das políticas públicas em regiões insalubres.
b) integração das vias de transporte em logradouros periféricos.
c) expansão de habitações populares em espaços desvalorizados.
d) manutenção de obras de recuperação em ambientes degradados.
e) chegada da modernização urbana em espaços periféricos.

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Geografia

7.

Elaborado com base em: IBGE. Dados históricos dos censos: população residente por situação do domicílio e por sexo: 1940-
1996. IBGE. Censo Demográfico 2010. Disponível em: <vww.censo2010.ibge.gov.br/sinopse/index.php?dados=8> Acesso em:
28 jul. 2017.
O gráfico acima representa a evolução no Brasil da:
a) população masculina e feminina.
b) taxas de natalidade e mortalidade.
c) emigração e imigração.
d) população rural e urbana.
e) distribuição e concentração de renda.

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Geografia

8. Analise a imagem de satélite.

(wvw.oesteverdesp.blogspot.com.br. Adaptado.)

Caracteriza um instrumento de gestão e de ordenamento territorial, legalmente definido pelo Sistema


Nacional de Unidades de Conservação da Natureza com o objetivo de garantir a integridade dos
processos ecológicos nas áreas de ligação entre unidades de conservação. É uma estratégia
fundamental para evitar os prejuízos ecológicos proporcionados pelo isolamento das áreas naturais
protegidas em meio à malha urbana e rural.
(www.icmbio.gov.br. Adaptado.)

O detalhe da imagem e o excerto destacam a união de


a) núcleos de frente pioneira, que sugerem a expansão da mancha urbana.
b) zonas de investimento especulativo, que permitem a exploração dos recursos.
c) fragmentos florestais, que permitem o fluxo gênico entre si.
d) áreas agricultáveis, que atendem à demanda industrial metropolitana.
e) terras ociosas, que auxiliam a manutenção de populações tradicionais.

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Geografia

9. Apesar do aumento da produção no campo e da integração entre a indústria e a agricultura, parte da


população da América do Sul ainda sofre com a subalimentação, o que gera conflitos pela posse de terra
que podem ser verificados em várias áreas e que frequentemente chegam a provocar mortes.
Sobre a Estrutura Fundiária Brasileira, assinale a alternativa correta.

a) As pequenas propriedades rurais são em maior número e ocupam mais da metade das terras do
território brasileiro.
b) A maior parte dos latifúndios está situada em áreas de expansão das fronteiras agrícolas, pecuárias
e de exploração mineral.
c) A média propriedade rural é numericamente predominante na Região Sul, nomeadamente nos
Estados do Paraná e de Santa Catarina.
d) A Sub-região do Nordeste, o Agreste, é caracterizada pela predominância quantitativa das médias e
grandes propriedades rurais.
e) Os menores latifúndios se encontram concentrados na região do sul, onde a agricultura familiar
prevalece em relação ao agronegócio, e tem o importante papel de abastecimento urbano.

10. A agricultura ecológica e a produção orgânica de alimentos estão ganhando relevância em diferentes
partes do mundo. No campo brasileiro, também acontece o mesmo. Impulsionado especialmente pela
expansão da demanda de alimentos saudáveis, o setor cresce a cada ano, embora permaneça
relativamente marginalizado na agenda de prioridades da política agrícola praticada no país.
AQUINO. J. R.; GAZOLLA. M.; SCHNEIDER. S. In: SAMBUICHI. R. H. R. et al. (Org.). A política nacional de agroecologia e
produção orgânica no Brasil: uma trajetória de luta pelo desenvolvimento rural sustentável. Brasília: Ipea. 2017 (adaptado).

Que tipo de intervenção do poder público no espaço rural é capaz de reduzir a marginalização produtiva
apresentada no texto?
a) Subsidiar os cultivos de base familiar.
b) Favorecer as práticas de fertilização química.
c) Restringir o emprego de maquinário moderno.
d) Controlar a expansão de sistemas de irrigação.
e) Regulamentar o uso de sementes selecionadas.

7
Geografia

Gabarito

1. D
A principal causa da devastação da Amazônia nos últimos anos é a expansão do agronegócio,
principalmente a pecuária bovina, mas também a produção de soja para exportação. A expansão da
fronteira agrícola foi concomitante ao crescimento do fluxo migratório para a Amazônia.

2. A
O cultivo desses gêneros agrícolas em questão ocorre principalmente para exportação, sendo a economia
do Brasil muito dependente da agroexportação. O abastecimento das cidades ocorre principalmente por
pequenos proprietários.

3. B
O espaço rural apresenta diferentes características e atividades econômicas além da agropecuária. Existem
algumas indústrias localizadas no campo, a exemplo da produção de celulose que utiliza a silvicultura
(reflorestamento comercial) e a mineração. Também desenvolvem-se no campo algumas atividades
comerciais e de serviços, a exemplo do turismo. Áreas rurais também apresentam unidades de
conservação ambiental e terras indígenas.

4. C
As atividades econômicas se tornaram cada vez mais complexas ao longo do tempo e aprofundaram a
interdependência entre os lugares, entre o meio rural e o meio urbano, com o auxílio da difusão das redes
de transportes, telecomunicações e informática. Na atualidade, amplas parcelas do meio rural integram
produção primária com indústrias e setor terciário (serviços e comércio). É cada vez mais comum se
observarem indústrias no campo, produção de celulose de eucalipto (ES, BA, SP, MG e PR), suco de laranja
(SP), açúcar e etanol (SP, MS e PE).

5. E
No Brasil, o processo de urbanização no século XX foi estimulado pela industrialização, o que provocou o
surgimento de metrópoles e grandes regiões metropolitanas, como São Paulo. Porém, nas últimas décadas,
o ritmo de crescimento das grandes cidades foi reduzido. Um dos fatores que explicam o fenômeno é a
descentralização da indústria para pequenas e médias cidades do interior dos estados, atraídas por
incentivos fiscais, transportes modernos e mão de obra barata. Assim, cidades de porte médio apresentam
um ritmo de crescimento mais elevado.

6. C
As fotos e o texto indicam que a evolução do bairro da Maré ocorreu como repositório da população
excluída do processo de urbanização da cidade.

7. D
Os gráficos representam a evolução da população rural e urbana do Brasil entre 1940 e 2010. A população
urbana aumentou de 31% para 84%, refletindo o processo de urbanização causado pela industrialização,
expansão do setor terciário (comércio, serviços e bancos) e êxodo rural (associado à pobreza rural,
concentração fundiária e insuficiência de reforma agrária).

8
Geografia

8. C
Muitos ecossistemas estão bastante impactados pelas atividades socioeconômicas, como a urbanização,
a indústria e a agropecuária. Biomas importantes como a Mata Atlântica foram devastados. Assim, é
importante que o planejamento governamental, a gestão das unidades de conservação e os planos
diretores municipais (uso, ocupação e zoneamento) permitam a conservação dos fragmentos. Os
corredores são importantes para estimular o deslocamento, a reprodução e o intercâmbio de material
genético de populações de várias espécies, o que é vital para a preservação da biodiversidade em médio e
longo prazo.

9. B
Os grandes latifúndios estão associados à presença do agronegócio que se expande por meio da
monocultura, que demanda grandes pedaços de terra para sua reprodução.

10. A
A agricultura familiar é responsável pela produção ecológica e orgânica dos alimentos e, portanto, subsidiá-
la resultará em maior expressão da produção no mercado nacional.

9
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