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Livro Eletrônico

Aula 16

Direito Administrativo e Ética no Serviço Púb. (Item 5) p/ TJDFT (Analista Jud - Área Jud
e Oficial)

Professores: Erick Alves, Time Erick Alves

70553149768 - ADAIR DE ALMEIDA COUTO


Direito Administrativo para TJDFT
AJAJOF
Teoria e exercícios comentados
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AULA 16

Olá pessoal!

Nosso objetivo nesta aula é estudar uma importante norma, a


Lei 8.429/1992, a conhecida Lei de Improbidade Administrativa.

Para tanto, seguiremos o seguinte sumário:

SUMÁRIO

Lei de improbidade administrativa ............................................................................................................................ 3


Natureza das sanções ........................................................................................................................................................ 3
Abrangência........................................................................................................................................................................... 7
Declaração de bens .......................................................................................................................................................... 12
Procedimento administrativo e processo judicial .............................................................................................. 13
Prescrição ............................................................................................................................................................................ 17
Atos de improbidade administrativa e respectivas sanções ..................................................................... 19
Atos de improbidade que importam Enriquecimento Ilícito ......................................................................... 20
Atos de improbidade que causam Prejuízo ao Erário ....................................................................................... 21
Atos decorrentes de concessão ou aplicação indevida de benefício financeiro ou tributário ......... 24
Atos que atentam contra os princípios da Administração Pública .............................................................. 25
Questões de prova.............................................................................................................................................................. 29
RESUMÃO DA AULA ........................................................................................................................................................... 66
Jurisprudência ..................................................................................................................................................................... 68
Questões comentadas na Aula..................................................................................................................................... 72
Gabarito ................................................................................................................................................................................... 85

Para um melhor aproveitamento, recomendo acompanhar a aula com a


Lei 8.429/1992 em mãos, ok?

Aos estudos!

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LEI DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA

A Lei 8.429/1992 dispõe sobre as sanções aplicáveis ao


agente público, servidor ou não, em razão de atos de improbidade
praticados contra a Administração Pública.
Geralmente, associa-se o conceito de improbidade ao de moralidade.
Em verdade, para os fins de aplicação da lei, o conceito de improbidade é
mais amplo, pois abrange não só atos desonestos ou imorais, praticados
com ofensa aos princípios da Administração Pública, mas também atos
ilegais em sentido estrito, ou seja, praticados com ofensa às regras
positivadas em leis, normas e regulamentos. Além disso, ato de
improbidade pode referir-se não apenas a um ato administrativo, no
sentido jurídico do termo, mas também a uma conduta ou mesmo a uma
omissão.

NATUREZA DAS SANÇÕES

A punição para atos de improbidade administrativa está prevista na


própria Constituição Federal, em seu art. 37, §4º:

§4º - Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos


direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o
ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo
da ação penal cabível.

Nesse sentido, a Lei de Improbidade institui as sanções previstas na


Constituição (quais sejam, suspensão dos direitos políticos, perda da função
pública, indisponibilidade dos bens e ressarcimento ao erário) e,
adicionalmente, relaciona outras tantas.
Detalhe é que, a rigor, nem todas as consequências estabelecidas pela
Lei 8.429/1992 são penalidades. Por exemplo, a indisponibilidade de bens,
como veremos adiante, é uma medida de natureza cautelar cuja finalidade
não é punir alguém, e sim evitar que a pessoa se desfaça de seus bens a fim
de frustrar uma eventual execução judicial.
Embora o ato de improbidade seja considerado um ilícito de ordem civil
(e não de ordem penal), as sanções previstas na Lei 8.429/92 para
penalizar a sua prática são de natureza administrativa, civil e política.
Vejamos (art. 12):

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Perda da função pública


Administrativa Proibição de contratar com o Poder Público
Proibição de receber benefícios fiscais ou creditícios

Perda dos bens e valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio


Civil Ressarcimento ao erário
Multa civil

Política Suspensão dos direitos políticos

Perceba que a Lei de Improbidade não institui sanções penais. O ato


de improbidade, em si, não constitui crime. Contudo, pode corresponder
também, mas não necessariamente, a um crime definido em lei. Nesse
caso, além das penalidades previstas na Lei 8.429/92, o agente também
responderá na esfera penal, estando sujeito às penas nela cominadas.
Ademais, um ato de improbidade pode corresponder, igualmente, a uma
infração disciplinar administrativa, hipótese na qual os respectivos processos
(o de improbidade, o disciplinar e o penal, se for o caso), correrão
independentemente um do outro.
Havendo a cumulação de instâncias, aplicam-se as mesmas regras já
estudadas, ou seja, a regra geral é a independência entre as instâncias
(o resultado da ação de improbidade não influencia o resultado da ação
penal ou da administrativa, e vice-versa); porém, a esfera penal (somente
ela) pode interferir nas demais instâncias, nos casos em que houver
condenação criminal (também acarreta a condenação nas esferas cível e
administrativa) ou absolvição penal por inexistência do fato ou ausência de
autoria (também acarreta a absolvição nas demais esferas).
No que se refere a crimes e sanções penais, a Lei de Improbidade
apenas tipifica a “representação por ato de improbidade contra agente
público ou terceiro beneficiário, quando o autor da denúncia o sabe
inocente”. Ou seja, nessa hipótese, o autor do crime é a pessoa que
oferece denúncia sobre improbidade administrativa sabidamente
infundada, e não o agente público que pratica ato de improbidade. O
denunciante está sujeito a detenção de 6 a 10 meses e multa, bem como

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a ter de indenizar o denunciado pelos danos materiais, morais ou à imagem
que houver provocado (art. 19).
As penalidades previstas na Lei de Improbidade são aplicadas
independentemente de outras sanções penais, civis e administrativas
previstas na legislação específica. Assim, um agente público penalizado pelo
Tribunal de Contas por ter causado prejuízo ao erário também pode ser
punido pelo mesmo motivo no Judiciário, com fulcro na Lei de Improbidade
Administrativa. O mesmo vale, como já assinalado, para eventuais
cominações na esfera penal ou, ainda, na esfera administrativa, conforme
previsto na legislação do funcionalismo público de cada ente da federação.
Ademais, a aplicação das sanções, em qualquer hipótese, independe
(art. 21):
 Da efetiva ocorrência de dano ao patrimônio público, salvo quanto à pena de
ressarcimento ao erário;
 Da aprovação ou rejeição das contas pelo órgão de controle interno ou
pelo Tribunal de Contas.

Por outro lado, o enquadramento na Lei de Improbidade Administrativa


exige dolo ou culpa, ou seja, deve-se avaliar o elemento subjetivo da
conduta do agente. Assim, por exemplo, o descumprimento de uma lei não
pode ser classificado como ato de improbidade sem antes ser avaliada a
intenção do transgressor e concluir-se pela presença de comportamento
doloso ou culposo.
Na verdade, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) possui jurisprudência
consolidada no sentido de que “para que seja reconhecida a tipificação da
conduta do réu como incurso nas previsões da Lei de Improbidade
Administrativa, é necessária a demonstração do elemento subjetivo,
consubstanciado pelo dolo para os tipos previstos nos artigos 9º e 11 e, ao
menos, pela culpa, nas hipóteses do artigo 10”1.
Portanto, exige-se dolo para os atos dos artigos 9º (enriquecimento
ilícito), 10-A (concessão ou aplicação indevida de benefício tributário ou
financeiro), 11 (violação dos princípios da Administração Pública), e dolo
ou culpa para os do artigo 10 (prejuízo ao erário). Estudaremos esses
artigos daqui a pouco.

1 AgRg no AREsp 20.747/SP, Rel. Min. Benedito Gonçalves.

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 A aplicação das sanções da Lei de Improbidade exige:

Dolo ou
Dolo
culpa
Enriquecimento ilícito Prejuízo ao erário
(art. 9º) (art. 10)

Violação dos princípios


da Administração Pública
(art. 11)

Concessão indevida de
benefício tributário ou
financeiro (art. 10-A)

Por fim, ressalte-se que o sucessor daquele que causar lesão ao


patrimônio público ou se enriquecer ilicitamente também está sujeito às
cominações de natureza patrimonial da Lei de Improbidade (ex:
ressarcimento ao erário), até o limite do valor da herança (art. 8º).

1. (Cespe – TCE/ES – Procurador 2009) Os atos de improbidade administrativa,


além de infrações administrativas que podem levar à perda do cargo público,
correspondem, necessariamente, às infrações penais que tutelam as finanças do
Estado.
Comentário: Primeiramente, é preciso lembrar que as medidas punitivas
previstas na Lei 8.429/92 são de natureza política, administrativa e civil. A Lei
não prevê sanções de índole penal. Aliás, a própria norma constitucional (art. 37,
§4º) é enfática nesse ponto: “sem prejuízo da ação penal cabível”. No entanto, as
condutas dos agentes públicos que configuram ato de improbidade
administrativa amoldam-se, quase sempre, a figuras penais específicas,
previstas na legislação penal. A questão em comento erra ao afirmar que os atos
de improbidade correspondem necessariamente às infrações penais que tutelam
as finanças do Estado. Na verdade, podem corresponder, mas não
necessariamente correspondem. A persecução dessas figuras penais dá-se na
esfera criminal, independentemente da aplicação, ou não, em relação ao fato que
simultaneamente configura ato de improbidade e crime, das sanções previstas
na Lei 8.429/92.
Gabarito: Errado

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2. (Cespe – Suframa 2014) A ação de improbidade que vise ressarcir


integralmente o patrimônio público da lesão ocorrida poderá importar na
indisponibilidade dos bens do servidor que praticou o ato de forma dolosa. No entanto,
caso o ato tenha sido praticado de forma culposa, o servidor não poderá responder
patrimonialmente, uma vez que estará configurada a culpa in eligendo da
administração pública, a contratante.
Comentário: No caso de ato de improbidade que tenha provocado prejuízo
ao erário, a responsabilização do agente pode ocorrer se ele tiver agido com
dolo ou culpa, daí o erro. Por outro lado, nas hipóteses de enriquecimento ilícito,
concessão de benefício tributário indevido e de violação dos princípios da
Administração Pública, a responsabilização por improbidade administrativa só
existe em caso de dolo, mas não de culpa.
Gabarito: Errado

3. (Cespe – TCDF 2014) O herdeiro de deputado distrital que tenha, no exercício


do mandato, ocasionado lesão ao patrimônio público e enriquecido ilicitamente está
sujeito às cominações da Lei de Improbidade Administrativa, mas somente até o limite
do valor da herança recebida.
Comentário: Os sucessores se sujeitam às cominações de natureza
patrimonial da Lei de Improbidade Administrativa, a exemplo do ressarcimento
ao erário e da perda dos bens e valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio.
Detalhe é que a responsabilidade dos sucessores se limita ao valor da herança
recebida.
Gabarito: Certo

ABRANGÊNCIA

A Lei de Improbidade Administrativa alcança a Administração direta e


indireta de qualquer dos Poderes, em todos os entes da Federação
(União, Estados, Municípios), ou seja, trata-se de uma lei de caráter
nacional.
Como visto, a Lei estabelece sanções para os agentes públicos que
praticarem atos de improbidade administrativa. Tais agentes são
considerados os sujeitos ativos dos atos de improbidade administrativa,
exatamente por serem as pessoas que podem praticar tais atos.
Para os efeitos da Lei, considera-se agente público todo aquele que
exerce mandato, cargo, emprego ou função na Administração Pública, ainda
que transitoriamente ou sem remuneração, por qualquer forma de
investidura, inclusive eleição.

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O conceito é bastante amplo, podendo-se dizer que qualquer sujeito
que exerça uma função estatal deve ser considerado agente público para os
fins da Lei de Improbidade, compreendendo não apenas os servidores
estatais (titulares de cargos públicos efetivos ou em comissão e empregados
públicos), mas ainda os agentes políticos e mesmo particulares em
colaboração com o Estado.
Portanto, para os fins da Lei de Improbidade, “agente público” é gênero
no qual se encontram as seguintes espécies:
 Agentes políticos 2 : são os titulares de cargos estruturais à organização
política do país; o vínculo que entretêm com o Estado é de natureza política,
isto é, não profissional; submetem-se ao regime estatutário definido
primordialmente pela própria Constituição. São exemplos: Chefes do
Executivo, Ministros e Secretários, Senadores, Deputados e Vereadores;

 Agentes estatais: são tanto os servidores públicos quanto os empregados


públicos; o vínculo que possuem com o Estado possui natureza profissional;

 Particulares em colaboração com o Poder Público: são todos os que


firmam com o Estado um vínculo jurídico, pouco importa se por breve tempo
ou em situação de estabilidade. São exemplos os requisitados a exercerem
alguma atividade pública, tal como os mesários e os convocados ao serviço
militar, além de notários, tabeliães e registradores.

Mas a lei vai além, e aplica-se, no que couber, ao terceiro que, mesmo
não sendo agente público, induza ou concorra para a prática de ato de
improbidade ou dele se beneficie sob qualquer forma, direta ou indireta.
Assim, não é preciso ser servidor público ou ter algum vínculo jurídico
com o Estado para enquadrar-se nas hipóteses da Lei de Improbidade.
Ademais, o terceiro não precisa necessariamente obter vantagem pessoal
para estar sujeito à Lei: basta que induza ou concorra para a prática de
ato de improbidade. São exemplos as pessoas representantes de empresas
privadas que atuam em conluio com agente público para fraudar licitação.
Importante ressaltar que o terceiro apenas se submete à Lei de
Improbidade se algum agente público também estiver envolvido no ato, vale
dizer, a pessoa sem vínculo com o Poder Público jamais pode praticar um
ato de improbidade isoladamente. Com efeito, a Lei 8.429/92 só prevê as

2Em 2007, na Rcl 2.138, o STF decidiu que a Lei de Improbidade não se aplica aos agentes políticos sujeitos
ao regime de crime de responsabilidade, quais sejam, Presidente da República, Ministros de Estado,
Procurador-Geral da República, Ministros do STF, Governadores e Secretários de Estado. A Lei se aplicaria
apenas aos agentes políticos não sujeitos a esse regime, a exemplo dos parlamentares de um modo geral e dos
prefeitos. Esse entendimento, contudo, tem sido superado pela jurisprudência mais atual, especialmente do
STJ, que vem admitindo a sujeição de todos os agentes políticos à Lei 8.429/92, conforme veremos adiante.

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seguintes hipóteses em que o terceiro poderá ser responsabilizado por
improbidade administrativa3:
 A pessoa induz um agente público a praticar ato de improbidade;

 Ela pratica um ato de improbidade junto com um agente público, isto é,


concorre para a prática do ato;
 Ela se beneficia de um ato de improbidade praticado por um agente público.

É claro que, se o terceiro prejudicar o patrimônio público isoladamente,


estará sujeito às sanções civis e penais cabíveis, mas não poderá ser
penalizado com base na Lei de Improbidade Administrativa.

Agente público, ainda que transitoriamente ou sem


remuneração. Inclui agentes políticos
Sujeitos ativos dos atos
de improbidade
Terceiro que induza ou concorra para a prática de ato de
improbidade (deve haver participação de agente público)

Questão extremamente controversa na doutrina e na


jurisprudência diz respeito à aplicação da Lei de
Improbidade Administrativa aos agentes políticos.
A dúvida consiste em saber se o regime próprio de responsabilidade a que se
submetem alguns agentes políticos (Presidente da República; Ministros de Estado;
Procurador-Geral da República; Ministros do STF; Governadores; Secretários de
Estado), regido Lei 1.079/1950 (Lei dos Crimes de Responsabilidade), teria o condão de
afastar a Lei de Improbidade. Afinal, são regimes de responsabilidade bastante
parecidos, o que poderia resultar num bis in idem.
Outro aspecto duvidoso reside no foro competente para processar e julgar ações
de improbidade envolvendo agentes políticos que possuem foro privilegiado nas ações
penais comuns e nos crimes de responsabilidade (ex: Presidente da República, Vice-
Presidente, Ministros de Estado, membros do Congresso Nacional, Procurador-Geral da
República, membros de Tribunais Superiores, do TCU, chefes de missão diplomática
permanente). Enfim, o foro privilegiado também seria ou não aplicável às ações de
improbidade que, normalmente, são instauradas perante o juízo de primeiro grau?

3 Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo (2014, p. 961).

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Na jurisprudência, o tema não é pacífico.


Não obstante, encontram-se decisões recentes do STF e do STJ no sentido de que
a Lei de Improbidade Administrativa aplica-se sim aos agentes políticos e que a
respectiva ação deve ser processada e julgada perante o juízo de primeiro grau. Pode-
se dizer que essa posição vem prevalecendo, embora ainda não esteja consolidada.
Para resumir o assunto, segue uma síntese das posições jurisprudenciais ora
existentes4. As ementas das decisões citadas se encontram no final da aula:
1) Não existe foro por prerrogativa de função em ações de improbidade
administrativa (posição majoritária do STF e do STJ, que vem sendo adotada na maioria
das questões de prova) (STJ: Rcl 12.514/MT; STF: RE 444.042/SP; RE 590.136/MT)
2) O STJ entende que os prefeitos podem responder por improbidade
administrativa e também pelos crimes de responsabilidade do Decreto-Lei 201/67. A
ação de improbidade administrativa contra os prefeitos será julgada em 1ª instância
(REsp 1.066.772/MS).
3) O STJ já decidiu que os agentes políticos se submetem à Lei de Improbidade
Administrativa, com exceção do Presidente da República. Para o STJ, é possível que os
agentes políticos respondam pelos crimes de responsabilidade da Lei 1.079/50 e
também por improbidade administrativa (Rcl 2.790/SC).
4) Para o STJ, a ação de improbidade administrativa deve ser processada e julgada
em 1ª instância, ainda que tenha sido proposta contra agente político que tenha foro
privilegiado no âmbito penal e nos crimes de responsabilidade (Rcl 12.514/MT)
5) O STF já decidiu, em 2007, que os agentes políticos sujeitos aos crimes de
responsabilidade da Lei 1.079/50 não respondem por improbidade administrativa
(Rcl 2.138/DF). Existe uma grande probabilidade de que a atual composição da Corte
modifique esse entendimento.
6) O STF já decidiu, em 2008, que a competência para julgar ação de improbidade
administrativa proposta contra Ministro do STF é do próprio STF (Pet 3.211/DF QO).
Enfim, para a prova, é importante guardar o entendimento que vem prevalecendo
atualmente (item 1 acima), mas também saber que existem os demais, pois podem ser
cobrados. As bancas, em geral, não têm utilizado um entendimento uniforme,
conforme veremos nas questões comentadas.

4 Síntese adaptada do site www.dizerodireito.com.br

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Os agentes públicos e os terceiros sujeitam-se às sanções previstas na
lei pela prática de atos de improbidade contra o patrimônio dos órgãos e
entidades indicados no art. 1º, abrangendo “a administração direta,
indireta ou fundacional de qualquer dos Poderes da União, dos Estados,
do Distrito Federal, dos Municípios, de Território, de empresa
incorporada ao patrimônio público”.
Dessa forma, estará sujeito à Lei 8.429/92 o agente público que
praticar ato de improbidade, por exemplo, contra o patrimônio de uma
autarquia municipal, de um Tribunal do Judiciário Estadual ou de uma
empresa pública federal.
Ademais, serão punidos na forma da lei os atos de improbidade
praticados contra entidade privada da qual o erário participe com mais de
50% do patrimônio ou da receita anual. Se a participação de dinheiro
público no patrimônio ou receita da empresa privada for menor que 50% ou,
ainda, se a empresa receber subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou
creditício, de órgão público, a Lei de Improbidade também é aplicável;
porém, nesses casos, a sanção patrimonial limita-se à repercussão do ilícito
sobre a contribuição dos cofres públicos. O que ultrapassar esse montante, a
entidade terá de pleitear por outra via que não a ação civil pública de que
trata a Lei de Improbidade Administrativa (art. 1º, parágrafo único).
Os órgãos e entidades que podem ser vítimas dos atos de improbidade
são os sujeitos passivos desses atos. Vamos resumi-los a seguir:

Administração direta e indireta, de todos os


Poderes e entes da Federação

Empresa incorporada ao patrimônio público

Entidade privada da qual o erário participe com


Sujeitos passivos dos mais de 50% do patrimônio ou da receita anual
atos de improbidade

Entidade privada da qual o erário participe com menos


de 50% do patrimônio ou da receita anual (sanção limita-
se à contribuição do Poder Público)

Entidade privada que receba subvenção, benefício ou


incentivo, fiscal ou creditício, de órgão público (sanção
limita-se à contribuição do Poder Público)

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4. (Cespe – TCU 2008) Sílvio, empresário, concorreu para a prática de ato de


improbidade, enriquecendo ilicitamente. Nesse caso, mesmo não sendo agente
público, será atingido pelas disposições da Lei de Improbidade. Assim, após sua
morte, seus sucessores estarão sujeitos às cominações da Lei de Improbidade até o
limite do valor da herança.
Comentário: As disposições da Lei de Improbidade Administrativa são
aplicáveis, no que couber, a todo aquele que, mesmo não sendo agente público,
induza ou concorra para a prática de ato de improbidade ou dele se beneficie
sob qualquer forma direta ou indireta (art. 3º). Perceba que, necessariamente,
deve haver participação de agente público para que o particular possa ser
condenado por ato de improbidade (“induza” ou “concorra”). Se a
responsabilidade pela conduta for exclusivamente do particular, a reparação do
dano deve ser enquadrada em outra lei. Na situação apresentada pelo quesito, o
empresário concorreu, isto é, contribuiu com agente público para a prática de
ato de improbidade, enriquecendo ilicitamente. Portanto, será sim atingido pela
Lei 8.429/1992. Além disso, é certo que seus sucessores estarão sujeitos às
cominações previstas na referida Lei, até o limite da herança, nos termos do
art. 8º. Cabe lembrar que a responsabilidade dos sucessores restringe-se às
cominações com natureza de indenização para recompor o patrimônio público
lesado, ou seja, ressarcimento do dano e restituição dos bens ou valores que
resultaram no enriquecimento ilícito. Ademais, a responsabilidade limita-se ao
valor da herança. Jamais os sucessores responderiam por uma sanção de
natureza pessoal, como a multa por exemplo.
Gabarito: Certo

DECLARAÇÃO DE BENS

Segundo a Lei de Improbidade, para que o agente público tome posse


ou entre em exercício, deve obrigatoriamente entregar declaração dos
bens e valores que compõem o seu patrimônio privado, compreendendo,
inclusive, os valores patrimoniais do cônjuge, dos filhos e de outras pessoas
que vivam sob sua dependência econômica. Tal declaração poderá ser
substituída por cópia da declaração anual de bens apresentada à Receita
Federal (art. 13).
A declaração de bens permanecerá arquivada no serviço de pessoal
competente, devendo ser atualizada anualmente. Além disso, deve ser

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atualizada na data em que o agente público deixar o exercício do mandato,
cargo, emprego ou função.
A Lei confere grande importância à necessidade de entrega da
declaração de bens. Com efeito, o agente público que se recusar a prestar a
declaração, dentro do prazo determinado, ou que a prestar falsa, será
punido com a pena de demissão, a bem do serviço público, sem prejuízo
de outras sanções cabíveis.

PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO E PROCESSO JUDICIAL

De pronto, vale destacar que as sanções previstas na Lei de


Improbidade são processadas, julgadas e aplicadas pelo Poder Judiciário,
mediante sentença judicial, após o devido procedimento administrativo
de apuração e a respectiva denúncia oferecida pelo Ministério Público ou
pela pessoa jurídica interessada.
A Lei 8.429/92 permite que qualquer pessoa represente à
autoridade administrativa competente para que seja instaurado
procedimento destinado a apurar prática de ato de improbidade (art. 14).
Ou seja, caso qualquer pessoa tenha conhecimento da prática de algum ato
de improbidade poderá comunicar o fato à autoridade administrativa
competente para apurar o caso. Perceba que, nesse primeiro momento, a
representação é feita no âmbito administrativo, e não no judicial. Caso a
autoridade administrativa competente rejeite a representação (por exemplo,
por não conter a qualificação do representante ou a indicação de provas),
não há impedimento para a pessoa represente diretamente ao Ministério
Público (art. 14, §2º).
Atendidos os requisitos da representação, a autoridade determinará a
imediata apuração dos fatos mediante procedimento administrativo,
dando conhecimento ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas.
Esses órgãos podem requerer a designação de representante para
acompanhar o procedimento administrativo, uma vez que o deslinde da
apuração poderá motivar a adoção de alguma providência no âmbito das
respectivas competências. Por exemplo, o Tribunal de Contas, ao
acompanhar o processo administrativo, poderá colher subsídios para julgar
as contas do agente investigado. Porém, frise-se, não poderá interferir de
forma alguma na realização do procedimento a cargo da Administração
(art. 15).
Havendo fundados indícios de que o ato de improbidade tenha
causado lesão ao patrimônio público ou ensejado enriquecimento ilícito, a

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comissão responsável pelo procedimento administrativo representará ao
Ministério Público ou à procuradoria do órgão ou entidade em que
esteja tramitando o processo administrativo para que requeira ao juízo
competente a decretação cautelar do sequestro dos bens do agente ou
terceiro que tenha enriquecido ilicitamente ou causado dano ao patrimônio
público (art. 16).
Além do sequestro dos bens, o pedido cautelar poderá incluir a
investigação, o exame e o bloqueio de bens, contas bancárias e
aplicações financeiras mantidas pelo indiciado no exterior, nos termos da
lei e dos tratados internacionais (art. 16, §2º).
A indisponibilidade deve recair sobre bens que assegurem o integral
ressarcimento do dano, ou sobre o acréscimo patrimonial resultante do
enriquecimento ilícito.
Após a conclusão do procedimento administrativo, deverá ser proposta
a ação judicial de improbidade administrativa. Essa ação – considerada
pela doutrina e pela jurisprudência uma espécie de ação civil pública –
seguirá o rito ordinário, podendo ser proposta pelo Ministério Público ou
diretamente pela pessoa jurídica interessada (isto é, a pessoa jurídica
contra a qual o ato de improbidade tenha sido praticado, o sujeito passivo
dos atos de improbidade), por intermédio de sua procuradoria (art. 17).
Caso tenha sido efetivada medida cautelar, o prazo para ajuizamento da
ação principal é de 30 dias, contados da efetivação da medida cautelar.
No âmbito da ação de improbidade administrativa é vedada a
transação, acordo ou conciliação. E, quando for o caso, a Fazenda
Pública promoverá as ações civis necessárias à complementação do
ressarcimento do patrimônio público (art. 17, §§1º e 2º).
Uma vez proposta a ação perante o Judiciário, o juiz competente
ordenará a notificação das partes para apresentação de provas e
contestações, bem como os depoimentos ou inquirições necessários à
instrução do feito. Em qualquer fase, reconhecida a inadequação da ação de
improbidade, o juiz extinguirá o processo sem julgamento do mérito.
O Ministério Público, de ofício, a requerimento de autoridade
administrativa ou mediante representação efetuada por qualquer
pessoa, poderá requisitar a instauração de inquérito policial ou
procedimento administrativo para apurar qualquer ilícito previsto na Lei de
Improbidade. Perceba que o Ministério Público pode atuar de ofício, ou seja,
não depende de qualquer provocação para atuar visando a apurar a prática
de ato de improbidade administrativa.

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Se não intervir no processo como parte, ou seja, se a ação for proposta
pela pessoa jurídica interessada, o Ministério Público deve atuar,
obrigatoriamente, como fiscal da lei, sob pena de nulidade (art. 17,
§4º).
Na fixação das penas previstas na Lei, o juiz deve levar em conta a
extensão do dano causado, assim como o proveito patrimonial obtido
pelo agente (art. 12). Comentando esse dispositivo, Maria Sylvia Di Pietro
assinala que “a expressão extensão do dano causado tem que ser entendida
em sentido amplo, de modo que abranja não só o dano ao erário, ao
patrimônio público em sentido econômico, mas também ao patrimônio moral
do Estado e da sociedade”.
A sentença que julgar procedente a ação civil de reparação de dano
ou que decretar a perda dos bens havidos ilicitamente determinará o
pagamento ou a reversão dos bens, conforme o caso, em favor da pessoa
jurídica prejudicada pelo ilícito (art. 18). Por exemplo, se o ato de
improbidade tiver causado dano ao patrimônio de uma sociedade de
economia mista, a sentença condenatória deverá determinar que o agente
responsável efetue o ressarcimento do valor correspondente ao dano
diretamente à entidade; já se o dano tiver sido causado a um órgão da
administração direta, o pagamento deverá ser efetivado em favor do
Tesouro Nacional.
A perda da função pública e a suspensão dos direitos políticos só
se efetivam com o trânsito em julgado da sentença condenatória (art. 20).
Todavia, a autoridade judicial ou administrativa competente poderá
determinar o afastamento do agente público do exercício do cargo,
emprego ou função, sem prejuízo da remuneração, quando a medida se fizer
necessária à instrução processual. Tal afastamento, diferentemente da perda
da função pública e da suspensão dos direitos políticos, tem natureza de
medida cautelar (não é uma sanção), a ser adotada quando a permanência
do agente no cargo puder comprometer a eficácia das apurações.

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5. (Cespe – TCE/BA – Procurador 2010) A comprovação da improbidade


administrativa, que poderá ser declarada tanto pela via judicial quanto por processo
administrativo, gera a perda dos direitos políticos, que somente poderão ser
readquiridos por meio de ação rescisória.
Comentário: A comprovação da improbidade administrativa somente ocorre
com a sentença judicial que julgar procedente a respectiva ação civil pública e
aplicar as devidas penalidades. Portanto, não poderá ser declarada por processo
administrativo, daí o erro. Em especial, a suspensão (e não a perda) dos direitos
políticos só se efetiva com o trânsito em julgado da sentença condenatória
(art. 20), ou seja, depois de esgotadas todas as possibilidades recursais.
Gabarito: Errado

6. (Cespe – TCU 2009) Caio, servidor público federal estável há mais de 10 anos,
ocupante do cargo de analista judiciário de determinado tribunal, está sendo acusado
pelo Ministério Público Federal de ter praticado ato de improbidade administrativa, nos
termos da Lei n.º 8.429/1992. O referido tribunal, para apurar a prática de ilícito
administrativo, resolveu instaurar processo disciplinar. Acerca dessa situação
hipotética e do que dispõe a Lei n.º 8.112/1990, julgue o item seguinte: no caso
narrado, a autoridade instauradora do processo disciplinar, como medida cautelar e a
fim de evitar qualquer influência na apuração da irregularidade, poderá determinar o
afastamento preventivo de Caio do exercício do cargo, pelo prazo improrrogável de
sessenta dias, não recebendo este, nesse período, qualquer remuneração dos cofres
públicos.
Comentário: O item está errado, pois nos termos da Lei 8.429/92 (art. 20,
parágrafo único), a “autoridade judicial ou administrativa competente poderá
determinar o afastamento do agente público do exercício do cargo, emprego ou
função, sem prejuízo da remuneração, quando a medida se fizer necessária à
instrução processual.” Assim, Caio poderia ser afastado do cargo, mas não
poderia deixar de receber sua remuneração.
Gabarito: Errado

7. (Cespe – TRF 3ª Região – Juiz Substituto 2011) Em havendo fundados indícios


de responsabilidade pela prática de ato de improbidade, a comissão processante
designada pela autoridade administrativa competente pode, de ofício, decretar o
sequestro dos bens do agente público ou terceiro que tenha causado dano ao
patrimônio público.
Comentário: O quesito está errado, pois, nos termos do art. 16 da
Lei 8.429/92, “havendo fundados indícios de responsabilidade, a comissão

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representará ao Ministério Público ou à procuradoria do órgão para que requeira
ao juízo competente a decretação do seqüestro dos bens do agente ou terceiro
que tenha enriquecido ilicitamente ou causado dano ao patrimônio público.” Ou
seja, a comissão não pode decretar a indisponibilidade de bens de ofício, mas
deve representar ao MP ou à procuradoria do órgão para tanto.
Gabarito: Errado

8. (Cespe – MDIC 2014) Se, após uma operação da Polícia Federal, empreendida
para desarticular uma quadrilha que agia em órgãos públicos, o Ministério Público
Federal ajuizar ação de improbidade administrativa contra determinado servidor,
devido a irregularidades cometidas no exercício da sua função, mesmo que esse
servidor colabore com as investigações, será vedado o acordo ou a transação judicial.
Comentário: Nas ações por improbidade administrativa é vedada a
transação, acordo ou conciliação (Lei 8.429/92, art. 17, §1º).
Gabarito: Certo

PRESCRIÇÃO

As ações destinadas à aplicação das sanções previstas na Lei de


Improbidade prescrevem em cinco anos após o término do exercício de
mandato, de cargo em comissão ou de função de confiança.
Nos casos de exercício de cargo efetivo ou emprego, aplica-se o
prazo prescricional previsto em lei específica para faltas disciplinares
puníveis com demissão a bem do serviço público.
Caso o agente público exerça, cumulativamente, cargo efetivo e cargo
comissionado, há de prevalecer o primeiro (cargo efetivo), para fins de
contagem prescricional5.
No caso de ato de improbidade praticado contra o patrimônio de
entidade privada que receba subvenção, benefício ou incentivo, fiscal
ou creditício, de órgão público, bem como daquelas para cuja criação ou
custeio o erário concorra com menos de 50% do patrimônio ou da receita
anual, o prazo de prescrição é de cinco anos, contados da data da
apresentação à administração pública da prestação de contas final pelas
entidades.
Lembrando, porém, que as ações civis de ressarcimento ao erário
são imprescritíveis (CF, art. 37, §5º). Portanto, os prazos acima se
aplicam somente às demais penalidades, e não ao ressarcimento do dano.

5 Resp 200801124618, de 18/9/2009.

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Em fevereiro de 2016, sob a sistemática de repercussão geral (RE 669.069), o STF


fixou a tese de que é prescritível a ação de reparação de danos à Fazenda Pública
decorrente de ilícito civil.
No caso, a União pretendia obter o ressarcimento de um dano ao erário causado por
particular, culpado num acidente de trânsito que danificou veículo oficial. O Supremo
entendeu que a pretensão ressarcitória da União se sujeitava ao prazo prescricional de
5 anos, não se aplicando, portanto, a imprescritibilidade prevista no art. 37, §5º da CF.
Na decisão, o Relator salientou que a ressalva contida na parte final do §5º do art. 37
da CF, que remete à lei a fixação de prazos de prescrição para ilícitos praticados por
qualquer agente que causem prejuízos ao erário, mas excetua respectivas ações de
ressarcimento, deve ser entendida de forma estrita, ou seja, ela não
tornaria imprescritível toda e qualquer ação de ressarcimento movida pelo erário.
- Cuidado. A tese acima fixada não vale para improbidade administrativa!
A conclusão do Supremo no RE 669.069 não vale para ressarcimentos decorrentes de
improbidade administrativa. Até que o STF se manifeste especificamente sobre a
matéria, as ações de ressarcimento decorrentes de ato de improbidade administrativa
permanecem imprescritíveis por força do art. 37, §5º da CF.

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ATOS DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA E RESP ECTIVAS SANÇÕES

Segundo a Lei 8.429/1992, atos de improbidade administrativa são atos


que:

 Importam enriquecimento ilícito (art. 9º).


 Causam prejuízo ao erário (art. 10).
 Decorrentes de concessão ou aplicação indevida de benefício
financeiro ou tributário (art. 10-A).
 Atentam contra os princípios da Administração Pública (art. 11).

A lista de atos de improbidade f apresentada nos incisos de cada


dispositivo acima não é taxativa, mas meramente exemplificativa (veja a
palavra “notadamente” nos respectivos caput), exceto em relação aos atos
decorrentes de concessão ou aplicação indevida de benefício financeiro ou
tributário, para os quais a lei apresenta uma lista taxativa.
Ademais, o mesmo ato pode ser enquadrado em mais de uma das
hipóteses apresentadas. Nesse caso, aplicam-se as sanções previstas para a
infração mais grave.
Vale observar que as sanções utilizadas para punir atos que importam
enriquecimento ilícito são mais pesadas que as aplicáveis aos atos que
causam prejuízo ao erário e aos decorrentes de concessão ou aplicação
indevida de benefício financeiro ou tributário, as quais, por sua vez, são
mais pesadas que as aplicáveis aos atos que atentam contra os princípios da
Administração Pública. Assim, a Lei estabelece uma hierarquia entre os atos
de improbidade, punindo com mais rigor aqueles que considera mais graves.
Vamos ver a definição de cada modalidade e as respectivas sanções
previstas na Lei.

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ATOS DE IMPROBIDADE QUE IMPORTAM ENRIQUECIMENTO ILÍCITO

Constitui ato de improbidade administrativa importando


enriquecimento ilícito auferir qualquer tipo de vantagem patrimonial
indevida, direta ou indireta, em razão do exercício de cargo, mandato,
função, emprego ou atividade pública (art. 9º).
Enquadra-se nessa categoria, por exemplo, o agente público que,
notadamente (incisos do art. 9º):

 Receber, para si ou para outrem, gratificações financeiras ou presentes de pessoa


que tenha interesse em sua atividade;
 Perceber vantagem econômica para bfacilitar a aquisição ou alienação de bens pela
Administração Pública fora das condições de mercado;
 Utilizar em proveito próprio, como em obra ou serviço particular, material
pertencente a entidade pública ou o trabalho de servidores públicos;
 Receber vantagem econômica para tolerar a prática de qualquer atividade ilícita,
como jogos de azar e narcotráfico;
 Adquirir, para si ou para outrem, bens de qualquer natureza cujo valor seja
desproporcional à evolução do seu patrimônio ou à sua renda;
 Exercer atividade de consultoria para pessoa física ou jurídica que possua interesse
suscetível de ser atingido por suas atribuições como agente público;
 Perceber vantagem econômica para intermediar a liberação de verba pública;
 Receber vantagem econômica para omitir ato de ofício, providência ou declaração
a que esteja obrigado.

Repare que, nessas situações, o ato de improbidade se caracteriza pelo


recebimento de vantagens pessoais por parte do agente público, que
aumenta seu patrimônio particular à custa do patrimônio público ou das
prerrogativas do seu cargo. Engloba, assim, situações em que
não necessariamente ocorre prejuízo ao erário, a exemplo do exercício de
consultoria para pessoas ou empresas que tenham interesse nas atribuições
públicas do agente, hipótese que pode engordar o patrimônio do servidor,
mas não necessariamente causar dano ao patrimônio público.
Outro detalhe é que as hipóteses previstas nos incisos do art. 9º, em
regra, visualizam o enriquecimento ilícito do próprio agente público, exceto

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nos incisos I e VII, que incluem a vantagem indevida ou aquisição de
patrimônio “para outrem”.
O agente público responsável pelo ato de improbidade que importe
enriquecimento ilícito está sujeito às seguintes cominações (art. 12, I):

 Perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio;


 Ressarcimento integral do dano, quando houver;
 Perda da função pública;
 Suspensão dos direitos políticos de oito a dez anos;
 Pagamento de multa civil de até três vezes o valor do acréscimo patrimonial;
b
 Proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos
fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa
jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de dez anos.

Tanto nessa, como nas demais categorias de atos de improbidade, as


penalidades podem ser aplicadas isolada ou cumulativamente, de acordo
com a gravidade do fato.

ATOS DE IMPROBIDADE QUE CAUSAM PREJUÍZO AO ERÁRIO

Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário


qualquer ação ou omissão, dolosa ou culposa, que enseje perda
patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens
ou haveres de órgão ou entidade pública.
Enquadra-se nessa categoria, por exemplo, o agente público que,
notadamente (incisos do art. 10):

 Facilitar ou concorrer, de qualquer forma, para a incorporação ao patrimônio


particular de pessoa física ou jurídica de bens ou dinheiro público;
 Permitir ou concorrer para que pessoa física ou jurídica privada utilize bens ou
dinheiro público sem observar as devidas formalidades legais;
 Doar bens ou dinheiro público a pessoa física ou jurídica ou a ente
despersonalizado, ainda que de fins educativos ou assistenciais, bem como
conceder benefício administrativo ou fiscal, sem a observância das devidas
formalidades legais;
 Permitir ou facilitar a aquisição ou alienação de bens pela Administração Pública

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fora das condições de mercado;


 Realizar operação financeira sem observância das normas legais e regulamentares
ou aceitar garantia insuficiente ou inidônea;
 Frustrar a licitude de processo licitatório ou de processo seletivo para celebração
de parcerias com entidades sem fins lucrativos, ou dispensá-los indevidamente;
 Agir de forma negligente na arrecadação de tributo ou renda, bem como no que
diz respeito à conservação do patrimônio público;
 Liberar verba pública sem a estrita observância das normas pertinentes ou influir
de qualquer forma para a sua aplicação irregular;
1
 Permitir, facilitar ou concorrer para que terceiro se enriqueça ilicitamente;
 Permitir que se utilize, em obra ou serviço particular, material pertencente a
entidade pública, bem como o trabalho de servidores públicos.

Nesses casos, o agente público não necessariamente aufere vantagens


econômicas pessoais, mas causa prejuízo ao erário.
Registra-se controvérsia doutrinária sobre o conceito de lesão ao erário
previsto no art. 10, caput. Uma corrente da doutrina afasta a interpretação
literal da norma que se refere a “lesão ao erário que enseje perda
patrimonial” para reclamar uma interpretação sistemática, no sentido de que
o dispositivo alcança qualquer lesão causada ao patrimônio público,
englobando não apenas o Tesouro Nacional e os bens públicos, mas também
o patrimônio ambiental, histórico, artístico, estético, turístico etc. Outra
corrente restringe o alcance de patrimônio público para situá-lo apenas no
plano do conceito de erário, considerando a dimensão econômico-financeira
dos entes públicos protegidos.
O STJ possui jurisprudência consolidada que se alinha à segunda
corrente, com o entendimento de que “o ato de improbidade administrativa
previsto no art. 10 da Lei nº 8.429/92 exige a comprovação do dano ao
erário”6. Requer-se, assim, a existência de prejuízo patrimonial efetivo, e
não apenas presumido, o que se confirma pela necessidade de
ressarcimento integral do dano prevista no art. 12, II para o caso do art. 10.
O agente responsável pelo ato de improbidade que cause prejuízo ao
erário está sujeito às seguintes cominações (art. 12, II):

6 REsp 1151884/SC, Rel. Min. Castro Meira.

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 Ressarcimento integral do dano;


 Perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, se concorrer esta
circunstância;
 Perda da função pública;
 Suspensão dos direitos políticos de cinco a oito anos;
 Pagamento de multa civil de até duas vezes o valor do dano;
 Proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos
fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa
jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de cinco anos.
7

Lembrando que as penalidades podem ser aplicadas isolada ou


cumulativamente, de acordo com a gravidade do fato.

9. (Cespe – ICMBio 2014) Considere que um servidor doe para uma biblioteca
comunitária uma série de livros da repartição pública na qual ele trabalha. Nesse caso,
mesmo sem observar as formalidades legais, o servidor não incorre em improbidade
administrativa uma vez que os livros destinam-se a fins educativos e assistenciais.
Comentário: A assertiva está errada, pois, segundo o art. 10, inciso III da Lei
8.429/92, constitui ato de improbidade administrativa que causa prejuízo ao
erário “doar à pessoa física ou jurídica bem como ao ente despersonalizado,
ainda que de fins educativos ou assistências, bens, rendas, verbas ou valores
do patrimônio de qualquer das entidades mencionadas no art. 1º desta lei, sem
observância das formalidades legais e regulamentares aplicáveis à espécie”.
Gabarito: Errado

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ATOS DECORRENTES DE CONCESSÃO OU APLICAÇÃO INDEVIDA DE BENEFÍCIO
FINANCEIRO OU TRIBUTÁRIO

Em 30/12/2016, a Lei Complementar 157/2016 alterou a


Lei 8.429/92 para instituir essa nova categoria de atos de improbidade
administrativa.
Constitui ato de improbidade administrativa decorrente de concessão ou
aplicação indevida de benefício financeiro ou tributário qualquer ação ou
omissão para conceder, aplicar ou manter benefício financeiro ou
tributário contrário ao que dispõem o caput e o §1º do art. 8º-A
da Lei Complementar nº 116, de 31 de julho de 2003.
Note que, diferentemente das demais categorias de atos de
improbidade, nesta a lei apresenta uma lista taxativa de condutas capazes
de caracterizar a transgressão.
Tais condutas (comissivas ou omissivas), basicamente, consistem no
descumprimento das regras para concessão de benefícios tributários e
financeiros dispostas na LC 116/2003, relativamente ao Imposto Sobre
Serviços de Qualquer Natureza (ISS), de competência dos Municípios e
do Distrito Federal.
Os dispositivos da referida lei cuja inobservância pode caracterizar a
prática de ato de improbidade são os seguintes:
Art. 8o-A. A alíquota mínima do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza é de
2% (dois por cento). (Incluído pela Lei Complementar nº 157, de 2016)

§ 1o O imposto não será objeto de concessão de isenções, incentivos ou


benefícios tributários ou financeiros, inclusive de redução de base de cálculo ou de
crédito presumido ou outorgado, ou sob qualquer outra forma que resulte, direta ou
indiretamente, em carga tributária menor que a decorrente da aplicação da
alíquota mínima estabelecida no caput, exceto para os serviços a que se referem os
subitens 7.02, 7.05 e 16.017 da lista anexa a esta Lei Complementar. (Incluído pela
Lei Complementar nº 157, de 2016)

7 Os serviços que são exceção à alíquota mínima são os seguintes:


7.02 Execução, por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, hidráulica
ou elétrica e de outras obras semelhantes, inclusive sondagem, perfuração de poços, escavação, drenagem e
irrigação, terraplanagem, pavimentação, concretagem e a instalação e montagem de produtos, peças e
equipamentos (exceto o fornecimento de mercadorias produzidas pelo prestador de serviços fora do local da
prestação dos serviços, que fica sujeito ao ICMS).
7.05 Reparação, conservação e reforma de edifícios, estradas, pontes, portos e congêneres (exceto o
fornecimento de mercadorias produzidas pelo prestador dos serviços, fora do local da prestação dos serviços,
que fica sujeito ao ICMS).
16.01 - Serviços de transporte coletivo municipal rodoviário, metroviário, ferroviário e aquaviário de
passageiros.

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Portanto, o agente público que conceder, aplicar ou manter benefício
financeiro ou tributário relativo ao ISS de forma contrária ao que dispõe os
dispositivos acima estará praticando um ato de improbidade administrativa.
O agente responsável pelo ato de improbidade decorrente de concessão
ou aplicação indevida de benefício financeiro ou tributário está sujeito às
seguintes cominações (art. 12, IV):

 Perda da função pública;


 Suspensão dos direitos políticos de cinco a oito anos;
 Pagamento de multa civil de até três vezes o valor do benefício financeiro ou
tributário concedido.

Como nos demais casos, as penalidades podem ser aplicadas isolada


ou cumulativamente, de acordo com a gravidade do fato.

ATOS QUE ATENTAM CONTRA OS PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os


princípios da Administração Pública qualquer ação ou omissão que viole os
deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade e lealdade às
instituições.
Embora a lei mencione expressamente apenas os princípios da
honestidade, imparcialidade, legalidade e lealdade, constitui ato de
improbidade a violação a qualquer princípio da Administração Pública,
como eficiência, motivação, publicidade, interesse público, razoabilidade etc.
Enquadra-se nessa categoria, por exemplo, o agente público que,
notadamente (incisos do art. 11):

 Praticar ato visando fim proibido em lei ou diverso daquele previsto na regra de
competência;
 Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício;
 Revelar informação sigilosa de que tem ciência em razão das suas atribuições;
 Negar publicidade aos atos oficiais;
 Frustrar a licitude de concurso público;
 Deixar de prestar contas quando esteja obrigado a fazê-lo;
 Revelar ou permitir que chegue ao conhecimento de terceiro, antes da respectiva

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divulgação oficial, teor de medida política ou econômica capaz de afetar o preço de


mercadoria, bem ou serviço.
 Descumprir as normas relativas à celebração, fiscalização e aprovação de contas de
parcerias firmadas pela administração pública com entidades privadas.
 Deixar de cumprir a exigência de requisitos de acessibilidade previstos na
legislação.
 Transferir recurso a entidade privada, em razão da prestação de serviços na área
de saúde sem a prévia celebração de contrato, convênio ou instrumento
congênere, nos termos do parágrafo único do art. 24 da Lei nº 8.080, de 19 de
setembro de 19908.

O agente responsável pelo ato de improbidade que atente contra os


princípios da Administração Pública pode sofrer as seguintes cominações
(art. 12, III):

 Ressarcimento integral do dano, se houver;


 Perda da função pública;
 Suspensão dos direitos políticos de três a cinco anos;
 Pagamento de multa civil de até cem vezes o valor da remuneração percebida pelo
agente;
 Proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos
fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa
jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de três anos.

Aqui também as penalidades podem ser aplicadas isolada ou


cumulativamente, de acordo com a gravidade do fato.

8Art. 24. Quando as suas disponibilidades forem insuficientes para garantir a cobertura assistencial à
população de uma determinada área, o Sistema Único de Saúde (SUS) poderá recorrer aos serviços ofertados
pela iniciativa privada.
Parágrafo único. A participação complementar dos serviços privados será formalizada mediante contrato ou
convênio, observadas, a respeito, as normas de direito público.

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Vale prestar atenção na base de cálculo da multa civil


prevista na Lei de Improbidade.
Na hipótese de ato que importe enriquecimento ilícito, a
multa é calculada sobre o valor do acréscimo patrimonial (até 3x); no caso de ato que
resulte em prejuízo ao erário, calcula-se a multa sobre o valor do dano (até 2x); para
os atos decorrentes de concessão de benefício tributário ou financeiro indevido de ISS,
a base de cálculo é o valor do benefício concedido (até 3x); já na hipótese de ato que
atente contra os princípios da Administração Pública, a multa é calculada sobre o
valor da remuneração percebida pelo agente (até 100x).

10. (Cespe – TCE/BA – Procurador 2010) Atos de improbidade administrativa são


os que geram enriquecimento ilícito ao agente público ou causam prejuízo material à
administração pública. Quem pratica esses atos pode ser punido com sanções de
natureza civil e política — mas não penal — como o ressarcimento ao erário, a
indisponibilidade dos bens e a perda da função pública.
Comentário: Atos de improbidade não são apenas os que geram
enriquecimento ilícito (art. 9º) ou que causam prejuízo material à Administração
(art. 10); compreendem também os que atentam contra os princípios da
Administração Pública (art. 11), daí o primeiro erro do quesito. Quem pratica
atos de improbidade não está sujeito a sanção de natureza penal, mas pode ser
punido com sanções de natureza civil e política, mas faltou mencionar as
sanções de natureza administrativa, como a perda da função pública, daí o
segundo erro do quesito.
Gabarito: Errado

11. (Cespe – TCE/BA – Procurador 2010) A configuração do ato de improbidade


que viola princípios administrativos independe da ocorrência de dano ou lesão ao
erário público.
Comentário: O item está correto, nos termos do art. 21 da Lei 8.429/92:
Art. 21. A aplicação das sanções previstas nesta lei independe:
I - da efetiva ocorrência de dano ao patrimônio público, salvo quanto à pena de
ressarcimento;
II - da aprovação ou rejeição das contas pelo órgão de controle interno ou pelo Tribunal
ou Conselho de Contas.

Por óbvio, o inciso I acima se refere apenas aos atos de improbidade que

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importam enriquecimento ilícito e aos que atentam contra os princípios da
Administração Pública, vez que os que causam prejuízo ao erário, por definição,
requerem a ocorrência de dano ou lesão ao patrimônio público. Já os dois
primeiros podem se consumar sem que deles resultem qualquer prejuízo
material para o patrimônio público.
Ademais, perceba que a aplicação da pena de ressarcimento é prevista para
as três categorias de atos de improbidade, porém só é aplicável nos casos
concretos em que ocorrer dano efetivo ao erário.
Gabarito: Certo

12. (Cespe – TCDF 2012) De acordo com a referida lei [de improbidade
administrativa], a aplicação da pena de ressarcimento aos cofres públicos independe
da efetiva ocorrência de dano ao patrimônio público.
Comentário: O quesito está errado, pois a pena de ressarcimento aos
cofres públicos apenas pode ser aplicada quando houver dano ao erário, nos
termos do art. 12 da Lei 8.429/92:
Art. 12. Independentemente das sanções penais, civis e administrativas previstas na
legislação específica, está o responsável pelo ato de improbidade sujeito às
seguintes cominações, que podem ser aplicadas isolada ou cumulativamente, de
acordo com a gravidade do fato:
I - na hipótese do art. 9° [enriquecimento ilícito], perda dos bens ou valores acrescidos
ilicitamente ao patrimônio, ressarcimento integral do dano, quando houver, perda da
função pública, suspensão dos direitos políticos de oito a dez anos, pagamento de multa
civil de até três vezes o valor do acréscimo patrimonial e proibição de contratar com o
Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou
indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário,
pelo prazo de dez anos;
II - na hipótese do art. 10 [prejuízo ao erário], ressarcimento integral do dano, perda
dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, se concorrer esta
circunstância, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de cinco a oito
anos, pagamento de multa civil de até duas vezes o valor do dano e proibição de
contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios,
direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio
majoritário, pelo prazo de cinco anos;
III - na hipótese do art. 11 [ofensa aos princípios da Administração Pública],
ressarcimento integral do dano, se houver, perda da função pública, suspensão dos
direitos políticos de três a cinco anos, pagamento de multa civil de até cem vezes o valor
da remuneração percebida pelo agente e proibição de contratar com o Poder Público ou
receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que
por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de três anos.
Gabarito: Errado
*****

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Enfim, chegamos ao final da parte teórica. Para consolidar, vamos
resolver mais algumas questões!

QUESTÕES DE PROVA

13. (Cespe – TCE/PE 2017) A respeito de princípios da administração pública, ato


administrativo, poderes da administração, improbidade administrativa e regime jurídico
dos funcionários públicos civis do estado de Pernambuco, julgue o item a seguir.
Fundamenta-se no periculum in mora implícito a decretação da indisponibilidade de
bens quando estiverem presentes fortes indícios da prática de ato ímprobo.
Comentários: A indisponibilidade de bens do indiciado por ato de
improbidade administrativa é medida cautelar prevista na Lei 8.429/92, nos
seguintes termos:
Art. 7° Quando o ato de improbidade causar lesão ao patrimônio público ou
ensejar enriquecimento ilícito, caberá a autoridade administrativa responsável pelo
inquérito representar ao Ministério Público, para a indisponibilidade dos bens do
indiciado.
Parágrafo único. A indisponibilidade a que se refere o caput deste artigo
recairá sobre bens que assegurem o integral ressarcimento do dano, ou sobre o
acréscimo patrimonial resultante do enriquecimento ilícito.
A adoção de medidas cautelares em geral – e não apenas da Lei 8.429/92 –
está fundada em dois requisitos: o fumus boni juris, que é a existência de
indícios de que o direito pleiteado realmente existe, e o periculum in mora,
relacionado à possibilidade de a demora da decisão judicial definitiva causar um
dano grave ou de difícil reparação ao bem tutelado.
No enunciado, a existência do fumus boni juris é demonstrada no seguinte
trecho: “(...) fortes indícios da prática de ato ímprobo.”
Contudo, em relação ao periculum in mora, a jurisprudência do STJ
considera desnecessário demonstrar o risco de dano irreparável para que se
possa decretar a indisponibilidade dos bens nas ações de improbidade
administrativa.
Para aquela Corte Superior, a medida cautelar de indisponibilidade de bens,
prevista no art. 7º da Lei de improbidade administrativa, pode ser decretada
mesmo que o requerido não esteja dilapidando seu patrimônio, ou na iminência
de fazê-lo, tendo em vista que o periculum in mora encontra-se implícito na lei.
Assim, para que a indisponibilidade seja decretada basta que estejam presentes
fortes indícios da prática de atos de improbidade administrativa.9
Gabarito: Certa

9 REsp 1.366.721-BA

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14. (Cespe – TCE/PE 2017) João, aprovado em concurso público para auditor de
controle externo no tribunal de contas de seu estado, foi lotado em sua cidade natal. Ao
ter ciência desse fato, o prefeito do município, amigo da família de João, resolveu
presenteá-lo com um veículo, a fim de facilitar a sua locomoção até o local de trabalho.
João aceitou o presente.
Com referência a essa situação hipotética, julgue o item que se segue, à luz do
disposto na Lei n.º 8.429/1992.
Caso seja condenado por improbidade administrativa, João estará sujeito a pagar multa
de, no mínimo, quatro vezes o valor do veículo que recebeu de presente.
Comentários: A situação descrita enquadra-se como ato de improbidade
administrativa que importa enriquecimento ilícito, segundo o seguinte
dispositivo:
Art. 9° Constitui ato de improbidade administrativa importando enriquecimento ilícito
auferir qualquer tipo de vantagem patrimonial indevida em razão do exercício de cargo,
mandato, função, emprego ou atividade nas entidades mencionadas no art. 1° de sta lei, e
notadamente:
I - receber, para si ou para outrem, dinheiro, bem móvel ou imóvel, ou qualquer outra
vantagem econômica, direta ou indireta, a título de comissão, percentagem, gratificação
ou presente de quem tenha interesse, direto ou indireto, que possa ser atingido ou
amparado por ação ou omissão decorrente das atribuições do agente público;
E a pena para atos de improbidade dessa categoria é a seguinte:
Art. 12. (...)
I - na hipótese do art. 9°, perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao
patrimônio, ressarcimento integral do dano, quando houver, perda da função pública,
suspensão dos direitos políticos de oito a dez anos, pagamento de multa civil de até
três vezes o valor do acréscimo patrimonial e proibição de contratar com o Poder Público
ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda
que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de dez
anos;
O erro do enunciado, portanto, está na informação de multa de pelo menos
quatro vezes o valor acrescido ao patrimônio (o veículo). Isso porque o valor é
máximo (e não mínimo), e a multa é de três vezes (e não quatro).
Gabarito: Errada

15. (Cespe – TCE/PE 2017) João, aprovado em concurso público para auditor de
controle externo no tribunal de contas de seu estado, foi lotado em sua cidade natal. Ao
ter ciência desse fato, o prefeito do município, amigo da família de João, resolveu
presenteá-lo com um veículo, a fim de facilitar a sua locomoção até o local de trabalho.
João aceitou o presente.

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Com referência a essa situação hipotética, julgue o item que se segue, à luz do
disposto na Lei n.º 8.429/1992.
João cometeu ato de improbidade administrativa que importou enriquecimento ilícito.
Comentários: João cometeu ato de improbidade que importou
enriquecimento ilícito em função do seguinte dispositivo:
Art. 9° Constitui ato de improbidade administrativa importando enriquecimento ilícito
auferir qualquer tipo de vantagem patrimonial indevida em razão do exercício de cargo,
mandato, função, emprego ou atividade nas entidades mencionadas no art. 1° de sta lei, e
notadamente:
I - receber, para si ou para outrem, dinheiro, bem móvel ou imóvel, ou qualquer outra
vantagem econômica, direta ou indireta, a título de comissão, percentagem, gratificação
ou presente de quem tenha interesse, direto ou indireto, que possa ser atingido ou
amparado por ação ou omissão decorrente das atribuições do agente público;

Gabarito: Certa

16. (Cespe – TCE/PE 2017) À luz da Lei n.º 8.429/1992 — Lei de Improbidade
Administrativa —, julgue o próximo item.
A aplicação de sanções por atos de improbidade administrativa que causem prejuízo
ao erário depende da aprovação das contas pelo tribunal ou conselho de contas.
Comentários: De forma diversa, a Lei 8.429/92 prevê o seguinte:
Art. 21. A aplicação das sanções previstas nesta lei independe:
I - da efetiva ocorrência de dano ao patrimônio público, salvo quanto à pena de
ressarcimento;
II - da aprovação ou rejeição das contas pelo órgão de controle interno ou pelo
Tribunal ou Conselho de Contas.

Gabarito: Errada

17. (Cespe – TCE/PE 2017) A respeito de serviços públicos, processo administrativo,


controle externo, licitações e concessões, julgue o item a seguir.
Como as decisões do órgão de controle externo têm natureza prejudicial ao juízo não
especializado, a aprovação das contas do agente público por tal órgão impede a
aplicação das sanções previstas na Lei de Improbidade Administrativa.
Comentários: A previsão da Lei de improbidade administrativa é justamente
oposta, estabelecendo que a aplicação de suas penas independe da “aprovação
ou rejeição das contas pelos órgãos de controle interno ou pelo Tribunal ou
Conselho de Contas” (Art. 21, II).
Gabarito: Errada

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18. (Cespe – SERES/PE 2017) João, Pedro e Lucas são servidores públicos
estaduais. No exercício de suas atribuições, João facilitou o enriquecimento ilícito de
terceiro, Pedro indevidamente deixou de praticar ato de ofício e Lucas recebeu
vantagem econômica para intermediar a liberação de verba pública. Os três servidores
agiram culposamente.
De acordo com a Lei n.º 8.429/1992, nessa situação hipotética foi praticado ato de
improbidade administrativa somente por
a) Pedro.
b) João.
c) João e Lucas.
d) Pedro e Lucas.
e) Lucas.
Comentários: Para resolver a questão, é necessário saber que:
1º) a Lei 8.429/92 possui quatro categorias de ato de improbidade
administrativa, quais sejam: i) que importam enriquecimento ilícito (Art. 9º); ii)
que causam prejuízo ao Erário (Art. 10); iii) decorrentes de concessão ou
aplicação indevida de benefício financeiro ou tributário (Art. 10-A); iv) que
atentam contra os princípios da Administração Pública (Art. 11);
2º) apenas o caso enquadrado no artigo 10 (prejuízo ao erário) admite a
forma culposa. Nos demais, apenas com dolo tem-se caracterizado o ato de
improbidade administrativa;
3º) cada uma das situações apresentadas tem equivalência com algum
desses grupos. No caso,
- João:
Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário
qualquer ação ou omissão, dolosa ou culposa, que enseje perda patrimonial, desvio,
apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres das entidades
referidas no art. 1º desta lei, e notadamente:
XII - permitir, facilitar ou concorrer para que terceiro se enriqueça ilicitamente;

- Pedro:
Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os
princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de
honestidade, imparcialidade, legalidade, e lealdade às instituições, e notadamente:
II - retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício;
- Lucas:

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Art. 9° Constitui ato de improbidade administrativa importando enriquecimento
ilícito auferir qualquer tipo de vantagem patrimonial indevida em razão do exercício de
cargo, mandato, função, emprego ou atividade nas entidades mencionadas no art. 1°
desta lei, e notadamente:
IX - perceber vantagem econômica para intermediar a liberação ou aplicação de
verba pública de qualquer natureza;
Logo, apenas João cometeu ato de improbidade administrativa.
Gabarito: alternativa “b”

19. (Cespe – TRE/BA 2017) No que concerne à improbidade administrativa, julgue os


seguintes itens, à luz da Lei n.º 8.429/1992.
I É possível conduta omissiva culposa configurar ato de improbidade administrativa que
cause lesão ao erário.
II As hipóteses de improbidade administrativa previstas na Lei de Improbidade são
taxativas.
III Em ação de improbidade, é inadmissível transação, acordo ou conciliação.
IV Aplica-se aos atos de improbidade administrativa o princípio da insignificância.
Estão certos apenas os itens
a) I e II.
b) I e III.
c) II e III.
d) III e IV.
e) I, II e IV.
Comentários:
I – CERTA. Sim, é possível conduta omissiva culposa configurar ato de
improbidade administrativa na modalidade lesão ao erário, conforme a seguinte
passagem:
Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário
qualquer ação ou omissão, dolosa ou culposa, que enseje perda patrimonial, desvio,
apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres das entidades
referidas no art. 1º desta lei, e notadamente:
II – ERRADA. A Lei 8.429/92 possui quatro categorias de ato de improbidade
administrativa, quais sejam: i) que importam enriquecimento ilícito (Art. 9º); ii)
que causam prejuízo ao Erário (Art. 10); iii) decorrentes de concessão ou
aplicação indevida de benefício financeiro ou tributário (Art. 10-A); iv) que
atentam contra os princípios da Administração Pública (Art. 11). Com exceção do
Art. 10-A, que tem situação única, todos os demais apresentam rol apenas

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exemplificativo. Dessa forma, outras situações não enumeradas podem também
configurar ato de improbidade administrativa.
III – CERTA. A Lei 8.429/92 veda expressamente a transação, acordo ou
conciliação nas ações de improbidade administrativa (Art. 17, § 1º). Esse
dispositivo chegou a ser revogado pela MP 703/2015, que cuidava dos acordos
de leniência, mas como ela não foi convertida em lei dentro prazo Constitucional,
perdeu a sua vigência, e o referido dispositivo da Lei 8.429/92 voltou a vigorar.
IV – ERRADA. A corrente majoritária, na doutrina e na jurisprudência,
considera que o princípio da insignificância ou da bagatela não se aplica aos
atos de improbidade administrativa, sob a alegação de que não existem ofensas
ínfimas à Administração Pública.
Apesar disso, há autores e decisões judiciais pontuais que, em sentido
oposto, defendem a sua aplicação, sob o argumento de que, dada a gravidade
das sanções previstas na Lei 8.429/92, haveria desproporção entre a conduta e a
suas consequências.
Em todo caso, a banca, como visto, segue a corrente majoritária.
Gabarito: alternativa “b”

20. (Cespe – TRE/BA 2017) De acordo com a Lei n.º 8.429/1992 — Lei de
Improbidade Administrativa —, servidor público que, utilizando-se do cargo que ocupa,
facilitar o enriquecimento ilícito de terceiros, causando prejuízo ao erário, estará sujeito
à pena de
a) proibição do recebimento de qualquer benefício até o total ressarcimento do dano.
b) perda dos valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio.
c) suspensão da função pública.
d) suspensão dos direitos políticos até o integral ressarcimento do dano ao erário.
e) pagamento de multa civil, cujo valor deve ser equivalente ao valor do dano causado.
Comentários: A situação descrita está prevista no seguinte dispositivo da
Lei 8.429/92:
Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário
qualquer ação ou omissão, dolosa ou culposa, que enseje perda patrimonial, desvio,
apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres das entidades
referidas no art. 1º desta lei, e notadamente:
I - facilitar ou concorrer por qualquer forma para a incorporação ao patrimônio
particular, de pessoa física ou jurídica, de bens, rendas, verbas ou valores integrantes
do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. 1º desta lei;
Já quanto às penas, temos as seguintes disposições:
Art. 12(...)

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II - na hipótese do art. 10, ressarcimento integral do dano, perda dos bens ou
valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, se concorrer esta circunstância, perda da
função pública, suspensão dos direitos políticos de cinco a oito anos, pagamento de
multa civil de até duas vezes o valor do dano e proibição de contratar com o Poder
Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou
indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário,
pelo prazo de cinco anos;
Passemos às alternativas:
a) ERRADA. O prazo de proibição de recebimento de benefícios tem o prazo
de cinco anos, e não “até o total ressarcimento do dano”.
b) CERTA. A perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao
patrimônio é efetivamente uma das penas do Art. 12, II.
==fbb17==

Entretanto, o enunciado traz alguma imprecisão, pois i) não informou que o


servidor também tenha enriquecido ilicitamente, mas só o terceiro; e ii) pediu que
indicasse a pena aplicável ao servidor, e não ao terceiro beneficiado. Isso torna o
gabarito questionável, pois, se não houve acréscimo patrimonial ilícito, não há
como aplicar a pena ao servidor. De qualquer forma, era a única alternativa que
se aproximava da previsão legal.
c) ERRADA. Pode ocasionar a perda (e não a suspensão) da função pública.
d) ERRADA. A suspensão dos direitos políticos pode dar-se de cinco a oito
anos, e não até o integral ressarcimento do dano ao erário.
e) ERRADA. A multa civil não se limita ao valor do dano, podendo alcançar
até duas vezes esse montante.
Gabarito: alternativa “b”

21. (Cespe – MPE/RR 2017) Após a captura em flagrante de um homem, policiais o


detiveram na delegacia, onde o torturaram na tentativa de obter dele a confissão da
prática de determinado crime. O MP ajuizou ação de improbidade administrativa contra
esses policiais.
Nessa situação hipotética, conforme o entendimento do STJ, a conduta dos policiais
a) não configurou ato de improbidade administrativa, que se caracteriza como ato
imoral com feição de corrupção de natureza econômica, conduta inexistente no tipo
penal de tortura.
b) configurou ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da
administração pública.
c) configurou ato de improbidade administrativa, pois a tortura é expressamente
prevista no rol de condutas ímprobas na Lei de Improbidade Administrativa.

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d) não configurou ato de improbidade administrativa, que pressupõe lesão direta à
própria administração, e não a terceiros.
Comentários: Apesar de não constar do rol exemplificativo da Lei 8.429/92, o
STJ considera a tortura como ato de improbidade administrativa que atenta
contra os princípios da administração pública:
Informativo 577: A tortura de preso custodiado em delegacia praticada por policial
constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da
administração pública.
Gabarito: alternativa “b”

22. (Cespe – Prefeitura de Belo Horizonte/MG 2017) De acordo com o disposto na


Lei de Improbidade Administrativa — Lei n.º 8.429/1992 —, assinale a opção correta.
a) A efetivação da perda da função pública, penalidade prevista na lei em apreço,
independe do trânsito em julgado da sentença condenatória.
b) A configuração dos atos de improbidade administrativa que importem em
enriquecimento ilícito, causem prejuízo ao erário ou atentem contra os princípios da
administração pública depende da existência do dolo do agente.
c) O sucessor do agente que causou lesão ao patrimônio público ou que enriqueceu
ilicitamente responderá às cominações da lei em questão até o limite do valor da sua
herança.
d) O responsável por ato de improbidade está sujeito, na hipótese de cometimento de
ato que implique enriquecimento ilícito, à perda dos bens ou dos valores acrescidos
ilicitamente ao seu patrimônio, ao ressarcimento integral do dano e à perda dos direitos
políticos.
Comentários:
a) ERRADA. De forma diversa, a Lei 8.429/92 prevê:
Art. 20. A perda da função pública e a suspensão dos direitos políticos só se
efetivam com o trânsito em julgado da sentença condenatória.

b) ERRADA. Para resolver a questão, é necessário saber que:


1º) a Lei 8.429/92 possui quatro categorias de ato de improbidade
administrativa, quais sejam: i) que importam enriquecimento ilícito (Art. 9º); ii)
que causam prejuízo ao Erário (Art. 10); iii) decorrentes de concessão ou
aplicação indevida de benefício financeiro ou tributário (Art. 10-A); iv) que
atentam contra os princípios da Administração Pública (Art. 11);
2º) apenas os casos enquadrados no artigos 10 (prejuízo ao erário) admite a
forma culposa (além da dolosa). Nos demais, apenas com dolo tem-se
caracterizado o ato de improbidade administrativa.

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Logo, a alternativa está errada porque afirma que é indispensável o dolo
para a configuração de ato de improbidade administrativa que implique prejuízo
ao erário, já que esta categoria também admite a forma culposa.
c) CERTA. Em conformidade com a Lei 8.429/92,
Art. 8° O sucessor daquele que causar lesão ao patrimônio público ou se
enriquecer ilicitamente está sujeito às cominações desta lei até o limite do valor da
herança.
d) ERRADA. As penas ato de improbidade que implique enriquecimento
ilícito são as seguintes:
Art. 12 (...)
I - na hipótese do art. 9°, perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao
patrimônio, ressarcimento integral do dano, quando houver, perda da função pública,
suspensão dos direitos políticos de oito a dez anos, pagamento de multa civil de até
três vezes o valor do acréscimo patrimonial e proibição de contratar com o Poder Público
ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda
que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de dez
anos;
Logo, a alternativa está errada porque alude a perda dos direitos políticos,
quando o correto é a sua suspensão.
Gabarito: alternativa “c”

23. (Cespe – Prefeitura de Fortaleza/CE 2017) Um servidor da Procuradoria-Geral


do Município de Fortaleza, ocupante exclusivamente de cargo em comissão, foi preso
em flagrante, em operação da Polícia Federal, por fraudar licitação para favorecer
determinada empresa.
Com referência a essa situação hipotética, julgue o item subsequente tendo como
fundamento o controle da administração pública e as disposições da Lei de
Improbidade Administrativa e da Lei Municipal n.º 6.794/1990, que dispõe sobre o
Estatuto dos Servidores do Município de Fortaleza.
Mesmo que o servidor mencionado colabore com as investigações e ressarça o erário,
não poderá haver acordo ou transação judicial em sede de ação de improbidade
administrativa.
Comentários: A Lei 8.429/92 veda expressamente a transação, acordo ou
conciliação nas ações de improbidade administrativa (Art. 17, § 1º). Esse
dispositivo chegou a ser revogado pela MP 703/2015, que cuidava dos acordos
de leniência, mas como ela não foi convertida em lei dentro prazo Constitucional,
perdeu a sua vigência, e o referido dispositivo da Lei 8.429/92 voltou a vigorar.
Gabarito: Certa

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24. (Cespe – Prefeitura de Fortaleza/CE 2017) Um servidor da Procuradoria-Geral
do Município de Fortaleza, ocupante exclusivamente de cargo em comissão, foi preso
em flagrante, em operação da Polícia Federal, por fraudar licitação para favorecer
determinada empresa.
Com referência a essa situação hipotética, julgue o item subsequente tendo como
fundamento o controle da administração pública e as disposições da Lei de
Improbidade Administrativa e da Lei Municipal n.º 6.794/1990, que dispõe sobre o
Estatuto dos Servidores do Município de Fortaleza.
Segundo o entendimento do STJ, caso o referido servidor faleça durante a ação de
improbidade administrativa, a obrigação de reparar o erário será imediatamente extinta,
dado o caráter personalíssimo desse tipo de sanção.
Comentários: Ainda que ocupante de cargo em comissão, vale a seguinte
regra da Lei 8.429/92:
Art. 8° O sucessor daquele que causar lesão ao patrimônio público ou se
enriquecer ilicitamente está sujeito às cominações desta lei até o limite do valor da
herança.

No âmbito federal, a regra também se repete na Lei 8.112/90, nos seguintes


termos:
Art. 122. A responsabilidade civil decorre de ato omissivo ou comissivo, doloso ou
culposo, que resulte em prejuízo ao erário ou a terceiros.
§ 3º A obrigação de reparar o dano estende-se aos sucessores e contra eles será
executada, até o limite do valor da herança recebida.

E a jurisprudência do STJ está alinhada com essas regras. Como exemplo,


tem-se a seguinte decisão;
ADMINISTRATIVO. IMPROBIDADE. FALECIMENTO DO RÉU NO CURSO DA AÇÃO.
HABILITAÇÃO DOS HERDEIROS. POSSIBILIDADE.
1. Nas ações de improbidade administrativa fundadas nos arts. 9º e/ou 10 da Lei n.
8.429/1992, os sucessores do réu, falecido no curso do processo, estão legitimados a
prosseguir no polo passivo da demanda, nos limites da herança, para fins de
ressarcimento ao erário. Precedentes.
2. O art. 8º da Lei de Improbidade Administrativa, norteador da matéria, não
contém ressalvas acerca do momento do óbito como requisito para a sua
aplicação.
3. Somente com o trânsito em julgado da demanda principal é que virá à lume se os
herdeiros terão de reembolsar o erário ou não, ocasião em que deverão estar habilitados
no processo.
4. Agravo interno desprovido.
(AgInt no AREsp 890.797/RN, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA,
julgado em 06/12/2016, DJe 07/02/2017)

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Gabarito: Errada

25. (Cespe – Prefeitura de Fortaleza/CE 2017) Um servidor da Procuradoria-Geral


do Município de Fortaleza, ocupante exclusivamente de cargo em comissão, foi preso
em flagrante, em operação da Polícia Federal, por fraudar licitação para favorecer
determinada empresa.
Com referência a essa situação hipotética, julgue o item subsequente tendo como
fundamento o controle da administração pública e as disposições da Lei de
Improbidade Administrativa e da Lei Municipal n.º 6.794/1990, que dispõe sobre o
Estatuto dos Servidores do Município de Fortaleza.
Nesse caso, a sentença criminal absolutória transitada em julgado que negar a autoria
vinculará, necessariamente, a esfera administrativa.
Comentários: Como regra, as esferas administrativa e judicial são
independentes entre si, admitindo-se, portanto, que o mesmo fato leve à
aplicação de sanção em uma delas e, concomitantemente, à absolvição na outra.
Entretanto, quando se trate de absolvição criminal que negue a existência do fato
ou a sua autoria, a esfera administrativa fica vinculada à judicial. Nesse sentido, a
Lei 8.112/90 estabelece:
Art. 125. As sanções civis, penais e administrativas poderão cumular-se, sendo
independentes entre si.
Art. 126. A responsabilidade administrativa do servidor será afastada no caso de
absolvição criminal que negue a existência do fato ou a sua autoria.

Na mesma linha, o referido Estatuto do Servidor do Município de Fortaleza


(Lei 6.794/90):
Art. 174 – A responsabilidade civil ou administrativa do servidor será afastada no
caso de absolvição criminal que neguem a existência do fato ou sua autoria.
E essa mesma lógica se repete também em relação à esfera civil, conforme a
seguinte passagem do Código Civil:
Art. 935. A responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo
questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando
estas questões se acharem decididas no juízo criminal.

Gabarito: Certa

26. (Cespe – Prefeitura de Fortaleza/CE 2017) A respeito de bens públicos e


responsabilidade civil do Estado, julgue o próximo item.
Se, após um inquérito civil público, o MP ajuizar ação de improbidade contra agente
público por ofensa ao princípio constitucional da publicidade, o agente público
responderá objetivamente pelos atos praticados, conforme o entendimento do STJ.

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Comentários: A responsabilidade objetiva dispensa, por sua natureza, a
necessidade de comprovação de culpa, bastando demonstrar que houve
determinada atuação do agente e que há nexo de causalidade com algum
resultado observado. Entretanto, nos atos de improbidade administrativa, é
necessário que se demonstre, no mínimo, culpa do agente (em sentido estrito).
Em alguns casos, como nos atos de improbidade que atentam contra os
princípios da Administração Pública, nem a culpa sozinha é suficiente para a sua
configuração, exigindo-se, portanto, a presença de dolo.
E o STJ não apresenta jurisprudência que contrarie esses preceitos. De
forma diversa, tem muitas decisões que confirmam a tese10.
Gabarito: Errada

27. (Cespe – TRE/PE 2017) Considerando, por mera hipótese, que Sérgio seja
servidor público da autarquia X e que, no desempenho de atividades do seu cargo,
pratique ato de improbidade administrativa, assinale a opção correta.
a) Se o ato em questão atentar contra os princípios da administração pública, Sérgio
responderá tanto por ação quanto por omissão, tenha ele agido de forma dolosa ou
culposa.
b) Qualquer pessoa terá legitimidade para, perante a autoridade administrativa
competente, apresentar representação solicitando a instauração de investigação para
apurar a prática do ato de improbidade.
c) Caso o referido ato cause lesão ao erário, Sérgio poderá ter os direitos políticos
suspensos de oito a dez anos.
d) Sérgio somente sofrerá as sanções previstas em lei se houver efetiva ocorrência de
dano ao patrimônio público.
e) A ação de improbidade contra Sérgio somente poderá ser proposta pela pessoa
jurídica lesada, ou seja, a autarquia X.
Comentários:
a) ERRADA. Apesar de atos de improbidade que atentem contra os
princípios da administração pública poderem decorrer de omissão, é necessário
que exista dolo para que se configurem. Logo, não existe na forma culposa.
b) CERTA. Em conformidade com a Lei 8.429/92,
Art. 14. Qualquer pessoa poderá representar à autoridade administrativa
competente para que seja instaurada investigação destinada a apurar a prática de
ato de improbidade.

10 REsp 1660398 / PE; REsp 1653033 / PR; REsp 1560645 / RN; REsp 1344199 / PR

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c) ERRADA. A suspensão dos direitos políticos pode se dar de cinco a oito
anos, e não de oito a dez anos, conforme a seguinte previsão:
Art. 12(...)
II - na hipótese do art. 10, ressarcimento integral do dano, perda dos bens ou
valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, se concorrer esta circunstância, perda da
função pública, suspensão dos direitos políticos de cinco a oito anos, pagamento de
multa civil de até duas vezes o valor do dano e proibição de contratar com o Poder
Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou
indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário,
pelo prazo de cinco anos;
d) ERRADA. Apenas nos atos classificados no artigo 10 da norma se exige o
efetivo dano ao patrimônio público. Nas demais categorias (enriquecimento ilícito
e atentado contra princípios), não há exigência de dano.
Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário qualquer
ação ou omissão, dolosa ou culposa, que enseje perda patrimonial, desvio, apropriação,
malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres das entidades referidas no art. 1º
desta lei, e notadamente:
e) ERRADA. A ação tanto poderá ser proposta pelo Ministério Público
quanto pela pessoa jurídica interessada (no caso, a Autarquia X), conforme Art.
17 da Lei 8.429/92.
Gabarito: alternativa “b”

28. (Cespe – TRE/PE 2017) Um empresário, proprietário de determinada empresa


que firmou contrato com o poder público, contribuiu para a prática de ato de
improbidade administrativa levado a efeito por servidor público de determinado órgão
estatal.
Nessa situação hipotética,
a) o servidor público só estará sujeito ao disposto na Lei de Improbidade Administrativa
se pertencer a órgão da administração direta.
b) o empresário só estará sujeito às disposições da Lei de Improbidade Administrativa
se o ato de improbidade lhe tiver beneficiado.
c) o servidor só estará sujeito às disposições da Lei de Improbidade Administrativa se
tiver sido nomeado para o cargo mediante concurso público.
d) o servidor estará sujeito às disposições da Lei de Improbidade Administrativa ainda
que exerça suas funções de forma transitória.
e) o empresário, por não ser agente público, não estará sujeito ao disposto na Lei de
Improbidade Administrativa.
Comentários:

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a) ERRADA. A Lei de improbidade não só alcança a administração indireta
como ainda tem alcance muito mais amplo, conforme a seguinte passagem:
Art. 1° Os atos de improbidade praticados por qualquer agente público, servidor ou não,
contra a administração direta, indireta ou fundacional de qualquer dos Poderes da União,
dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios, de Território, de empresa incorporada
ao patrimônio público ou de entidade para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido
ou concorra com mais de cinqüenta por cento do patrimônio ou da receita anual, serão
punidos na forma desta lei.
Parágrafo único. Estão também sujeitos às penalidades desta lei os atos de
improbidade praticados contra o patrimônio de entidade que receba subvenção, benefício
ou incentivo, fiscal ou creditício, de órgão público bem como daquelas para cuja criação
ou custeio o erário haja concorrido ou concorra com menos de cinqüenta por cento do
patrimônio ou da receita anual, limitando-se, nestes casos, a sanção patrimonial à
repercussão do ilícito sobre a contribuição dos cofres públicos.
Art. 2° Reputa-se agente público, para os efeitos desta lei, todo aquele que
exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação,
designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato,
cargo, emprego ou função nas entidades mencionadas no artigo anterior.
b) ERRADA. Não é necessário que haja benefício do empresário, sendo
suficiente que concorra ou induza para a prática de ato de improbidade
administrativa (Art. 3º).
c) ERRADA. Conforme trecho colacionado à alternativa “a”, o escopo não se
limita aos servidores efetivo, alcançando quem exerce, até mesmo
transitoriamente ou sem remuneração, a qualquer título, mandato, cargo,
emprego ou função nas entidades que enumera.
d) CERTA. Conforme alternativas “a” e “c”.
e) ERRADA. Os empresários também são alcançados pelo seguinte
dispositivo da Lei 8.429/92:
Art. 3° As disposições desta lei são aplicáveis, no que couber, àquele que, mesmo não
sendo agente público, induza ou concorra para a prática do ato de improbidade ou dele
se beneficie sob qualquer forma direta ou indireta.
Gabarito: alternativa “d”

29. (Cespe – TRE/PE 2017) Um empregado de determinada sociedade de economia


mista permitiu que terceiro enriquecesse ilicitamente, em detrimento do patrimônio
público, embora não tenha facilitado a prática do ato que resultou no enriquecimento do
terceiro nem tenha concorrido para a sua prática.
Nessa situação, o empregado
a) cometeu ato de improbidade administrativa que importa em enriquecimento ilícito.
b) cometeu ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário.

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c) não cometeu ato de improbidade administrativa, pois empregados de sociedade de
economia mista não estão sujeitos às cominações da Lei de Improbidade
Administrativa.
d) não cometeu ato de improbidade, pois o ato de permitir o enriquecimento ilícito de
terceiro não está expressamente configurado como improbidade administrativa no
ordenamento jurídico brasileiro.
e) não cometeu ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da
administração pública, pois agiu mediante omissão culposa.
Comentários:
a) ERRADA. A situação descrita está prevista como ato de improbidade
administrativa que causa lesão ao erário, e não enriquecimento ilícito, conforme
a seguinte passagem:
Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário
qualquer ação ou omissão, dolosa ou culposa, que enseje perda patrimonial, desvio,
apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres das entidades
referidas no art. 1º desta lei, e notadamente:
XII - permitir, facilitar ou concorrer para que terceiro se enriqueça ilicitamente;;

Perceba que: i) o ato tem três núcleos possíveis (permitir, facilitar ou


concorrer); ii) o enunciado da questão dispensou dois deles (facilitar ou
concorrer); e iii) informou a ocorrência do terceiro (permitir).
b) CERTA. Conforme alternativa “a”.
c) ERRADA. Os empregados das sociedades de economia mista também
estão sujeitos às disposições da Lei 8.429/92 (Art. 1º).
d) ERRADA. Conforme alternativa “a”.
e) ERRADA. Apesar de tipificado como ato de improbidade que causa lesão
ao erário, também há ofensa a princípio que rege a Administração Pública (da
eficiência). Contudo, as sanções da norma aplicáveis são aquelas associadas
aos atos que causam lesão ao erário.
Gabarito: alternativa “b”

30. (Cespe – PC/GO 2017) Se uma pessoa, maior e capaz, representar contra um
delegado de polícia por ato de improbidade sabendo que ele é inocente, a sua conduta
poderá ser considerada, conforme o disposto na Lei n.º 8.429/1992,
a) crime, estando essa pessoa sujeita a detenção e multa.
b) ilícito administrativo, por atipicidade penal da conduta.
c) contravenção penal.
d) crime, estando essa pessoa sujeita apenas a multa.

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e) crime, estando essa pessoa sujeita a reclusão e multa.
Comentários: Embora a Lei 8.429/92 trate de ilícitos civis (e não penais), há
específica disposição de caráter penal, associada apenas ao denunciante de má-
fé. Trata-se do seguinte trecho:
Art. 19. Constitui crime a representação por ato de improbidade contra agente
público ou terceiro beneficiário, quando o autor da denúncia o sabe inocente.
Pena: detenção de seis a dez meses e multa.
Parágrafo único. Além da sanção penal, o denunciante está sujeito a indenizar o
denunciado pelos danos materiais, morais ou à imagem que houver provocado.
Gabarito: alternativa “a”

31. (Cespe – PC/GO 2017) Em relação à improbidade administrativa, assinale a


opção correta.
a) A ação de improbidade administrativa apresenta prazo de proposição decenal,
qualquer que seja a tipicidade do ilícito praticado pelo agente público.
b) Se servidor público estável for condenado em ação de improbidade administrativa
por uso de maquinário da administração em seu sítio particular, poderá ser-lhe aplicada
pena de suspensão dos direitos políticos por período de cinco a oito anos.
c) O particular que praticar ato que enseje desvio de verbas públicas, sozinho ou em
conluio com agente público, responderá, nos termos da Lei de Improbidade
Administrativa, desde que tenha obtido alguma vantagem pessoal.
d) Enriquecimento ilícito configura ato de improbidade administrativa se o autor auferir
vantagem patrimonial indevida em razão do cargo, mandato, função, emprego ou
atividade, mesmo que de forma culposa.
e) Caso um servidor público federal estável, de forma deliberada, sem justificativa e
reiterada, deixar de praticar ato de ofício, poderá ser-lhe aplicada multa civil de até cem
vezes o valor da sua remuneração, conforme a gravidade do fato.
Comentários:
a) ERRADA. Em realidade, a proposição de ações obedece à seguinte regra:
Art. 23. As ações destinadas a levar a efeitos as sanções previstas nesta lei podem
ser propostas:
I - até cinco anos após o término do exercício de mandato, de cargo em comissão
ou de função de confiança;
II - dentro do prazo prescricional previsto em lei específica para faltas
disciplinares puníveis com demissão a bem do serviço público, nos casos de
exercício de cargo efetivo ou emprego.
III - até cinco anos da data da apresentação à administração pública da prestação
de contas final pelas entidades referidas no parágrafo único do art. 1º desta Lei.

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b) ERRADA. A situação descrita está de acordo com a seguinte passagem,
que trata de ato de improbidade que importa enriquecimento ilícito e tem a
seguinte pena:
Art. 9° Constitui ato de improbidade administrativa importando enriquecimento
ilícito auferir qualquer tipo de vantagem patrimonial indevida em razão do exercício de
cargo, mandato, função, emprego ou atividade nas entidades mencionadas no art. 1°
desta lei, e notadamente:
IV - utilizar, em obra ou serviço particular, veículos, máquinas, equipamentos ou
material de qualquer natureza, de propriedade ou à disposição de qualquer das entidades
mencionadas no art. 1° desta lei, bem como o trabalho de servidores públicos,
empregados ou terceiros contratados por essas entidades;
Art. 12. Independentemente das sanções penais, civis e administrativas previstas
na legislação específica, está o responsável pelo ato de improbidade sujeito às
seguintes cominações, que podem ser aplicadas isolada ou cumulativamente, de
acordo com a gravidade do fato:
I - na hipótese do art. 9°, perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao
patrimônio, ressarcimento integral do dano, quando houver, perda da função pública,
suspensão dos direitos políticos de oito a dez anos, pagamento de multa civil de até
três vezes o valor do acréscimo patrimonial e proibição de contratar com o Poder Público
ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda
que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de dez
anos;

O erro da alternativa, portanto, está na afirmação de que o ato pode ensejar


a suspensão dos direitos políticos de cinco a oito anos, pois o certo é de oito a
dez anos.
c) ERRADA. O primeiro erro está na afirmação de que a improbidade
administrativa pode ser atribuída diretamente ao particular sem a participação de
um agente público. Nesse sentido, o STJ assim se pronunciou:
DIREITO ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE IMPROBIDADE
ADMINISTRATIVA AJUIZADA APENAS EM FACE DE PARTICULAR.
Não é possível o ajuizamento de ação de improbidade administrativa
exclusivamente em face de particular, sem a concomitante presença de agente
público no polo passivo da demanda. De início, ressalta-se que os particulares estão
sujeitos aos ditames da Lei 8.429/1992 (LIA), não sendo, portanto, o conceito de sujeito
ativo do ato de improbidade restrito aos agentes públicos. Entretanto, analisando-se o art.
3º da LIA, observa-se que o particular será incurso nas sanções decorrentes do ato
ímprobo nas seguintes circunstâncias: a) induzir, ou seja, incutir no agente público o
estado mental tendente à prática do ilícito; b) concorrer juntamente com o agente público
para a prática do ato; e c) quando se beneficiar, direta ou indiretamente do ato ilícito
praticado pelo agente público. Diante disso, é inviável o manejo da ação civil de
improbidade exclusivamente contra o particular. Precedentes citados: REsp 896.044-PA,

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Segunda Turma, DJe 19/4/2011; REsp 1.181.300-PA, Segunda Turma, DJe 24/9/2010.
REsp 1.171.017-PA, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 25/2/2014

Além disso, a Lei 8.429/92 não exige que o particular efetivamente se


beneficie do ato de improbidade administrativa, bastando que o induza ou
concorra para ele, de acordo com o seguinte dispositivo:
Art. 3° As disposições desta lei são aplicáveis, no que couber, àquele que, mesmo
não sendo agente público, induza ou concorra para a prática do ato de improbidade ou
dele se beneficie sob qualquer forma direta ou indireta.
d) ERRADA. Para a configuração de ato de improbidade administrativa que
importe enriquecimento ilícito é indispensável a presença de dolo. Logo, a culpa
não é suficiente. Tem que haver vontade dirigida do agente.
e) CERTA. Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício é
classificado como ato de improbidade administrativa que atenta contra os
princípios da Administração Pública (Art. 11, II), que tem as seguintes penas:
Art. 12 (...)
III - na hipótese do art. 11, ressarcimento integral do dano, se houver, perda da função
pública, suspensão dos direitos políticos de três a cinco anos, pagamento de multa civil de
até cem vezes o valor da remuneração percebida pelo agente e proibição de contratar com
o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou
indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo
prazo de três anos.
Gabarito: alternativa “e”

32. (Cespe – SEDF 2017) O prefeito de determinado município utilizou recursos do


Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos
Profissionais da Educação (FUNDEB) para pagamento de professores e para a compra
de medicamentos e insumos hospitalares destinados à assistência médico-
odontológica das crianças em idade escolar do município.
Mauro, chefe do setor de aquisições da prefeitura, propositalmente permitia que o
estoque de medicamentos e insumos hospitalares chegasse a zero para justificar
situação emergencial e dispensar indevidamente a licitação, adquirindo os produtos, a
preços superfaturados, da empresa Y, pertencente a sua sobrinha, que desconhecia o
esquema fraudulento.
A respeito da situação hipotética apresentada e de aspectos legais e doutrinários a ela
relacionados, julgue o item a seguir.
A conduta de Mauro constitui ato de improbidade administrativa.
Comentários: A conduta de Mauro constitui ato de improbidade
administrativa que causa prejuízo ao erário, segundo o seguinte exemplo da Lei
8.429/92:

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Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário
qualquer ação ou omissão, dolosa ou culposa, que enseje perda patrimonial, desvio,
apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres das entidades
referidas no art. 1º desta lei, e notadamente:
XII - permitir, facilitar ou concorrer para que terceiro se enriqueça ilicitamente;

Já a sua sobrinha não cometeu nenhuma conduta prevista na referida Lei


porque os atos de improbidade, para sua consumação, exigem, no mínimo, a
presença de culpa. E, em alguns casos, só se admite a conduta dolosa (que
importem enriquecimento ilícito e que atentem contra os princípios).
Gabarito: Certa

33. (Cespe – Auditor TCE PR 2016) Um funcionário da prefeitura de determinado


município, encarregado de supervisionar as obras de reforma de um posto de saúde
municipal, determinou que os empregados que trabalhavam na obra construíssem uma
piscina em um sítio de sua propriedade. Na construção dessa piscina, foram utilizadas
máquinas, veículos e equipamentos da prefeitura, os quais, todavia, foram devolvidos
sem qualquer tipo de dano. O caso foi objeto de apuração pelo TCE. Encerrada a
tomada de contas, o tribunal concluiu pela inexistência de provas de dano aos cofres
públicos, mas apontou haver provas de que o fato teria gerado um acréscimo
patrimonial indevido em proveito do servidor. Segundo a Lei de Improbidade
Administrativa, no caso hipotético narrado, considerando haver provas suficientes para
a caracterização da prática de ato de improbidade, a conduta do servidor seria passível
de aplicação da(s) penalidade(s) de
A) multa civil no valor de até dez salários mínimos.
B) perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio; suspensão do
exercício da função pública por até seis meses; e pagamento de multa civil de até cem
vezes a remuneração do servidor.
C) perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio; suspensão do
exercício da função pública pelo prazo de até oito anos; pagamento de multa civil de
até duas vezes o valor do acréscimo patrimonial; e proibição de contratar com o poder
público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios pelo prazo de cinco
anos.
D) perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio; perda da função
pública; suspensão dos direitos políticos de oito a dez anos; pagamento de multa civil
de até três vezes o valor do acréscimo patrimonial; e proibição de contratar com o
poder público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios pelo prazo de
dez anos.
E) advertência apenas, uma vez que não houve dano.

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Comentário: A conduta do servidor pode ser caracterizada como ato de
improbidade administrativa que importa enriquecimento ilícito, sujeito às
seguintes sanções (Lei 8.429/1992, art. 12, I):
 Perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio;
 Ressarcimento integral do dano, quando houver;
 Perda da função pública;
 Suspensão dos direitos políticos de oito a dez anos;
 Pagamento de multa civil de até três vezes o valor do acréscimo
patrimonial;
 Proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou
incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por
intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de
dez anos.
Gabarito: alternativa “d”

34. (Cespe – TCE/AC 2009) Em relação à improbidade administrativa, assinale a


opção correta.
a) A rejeição de representação de improbidade realizada por uma autoridade
administrativa impede um particular de requerê-la pelos mesmos fatos ao MP.
b) Uma vez recebida a ação de improbidade proposta contra um indivíduo e
determinada sua citação, ele pode apelar ao tribunal para tentar reformar a decisão.
c) É legal a conduta de um indivíduo que, arrependido de ter praticado ato de
improbidade, procure o promotor de justiça da cidade para dispor-se a transação em
que seja proposta à autoridade a recomposição do dano como forma de evitar o
prosseguimento da ação que já fora proposta e, por consequência, a aplicação de
pena.
d) Ação de improbidade proposta contra ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)
será neste processada e julgada.
e) Considere a seguinte situação hipotética. Francisco ocupava exclusivamente cargo
comissionado em tribunal de justiça e foi responsável pela licitação da obra de reforma
do fórum da capital ocorrida no período de 30/6/2003 a 12/9/2003. Em 30/6/2004, ele
foi exonerado do cargo. Após regular processo administrativo, foi constatada a prática
de ato de improbidade, razão pela qual, em fevereiro de 2009, foi ajuizada ação de
improbidade contra Francisco. Nessa situação, está prescrita a aplicação da pena por
ato de improbidade.
Comentário: Vamos analisar cada alternativa à luz da Lei 8.429/1992:

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a) Errada, pois a rejeição não impede a representação ao Ministério Público
(art. 14, §2º);
b) Errada, pois da decisão que receber a petição inicial caberá agravo de
instrumento, e não apelação, que é outra espécie de recurso (art. 17, §10):
Art. 17. A ação principal, que terá o rito ordinário, será proposta pelo Ministério Público
ou pela pessoa jurídica interessada, dentro de trinta dias da efetivação da medida
cautelar.
(...)
§ 10. Da decisão que receber a petição inicial, caberá agravo de instrumento.

c) Errada, pois nas ações de improbidade é vedada a transação, acordo ou


conciliação (art. 17, §1º).
d) Certa, nesta questão a banca adotou o entendimento manifestado pelo
STF na Pet 3.211/DF, de 13/3/2008, segundo o qual compete ao Supremo Tribunal
Federal julgar ação de improbidade contra seus membros, existindo foro por
prerrogativa neste caso.
e) Errada. A Lei assim dispõe sobre prescrição:
Art. 23. As ações destinadas a levar a efeitos as sanções previstas nesta lei podem ser
propostas:
I - até cinco anos após o término do exercício de mandato, de cargo em comissão
ou de função de confiança;
II - dentro do prazo prescricional previsto em lei específica para faltas disciplinares
puníveis com demissão a bem do serviço público, nos casos de exercício de cargo
efetivo ou emprego.
Na situação em apreço, Francisco deixou o cargo comissionado em
30/6/2004, data em que inicia a contagem do prazo para prescrição, de 5 anos.
Assim, a aplicação da pena por ato de improbidade prescreveu somente em
30/6/2009, ou seja, em fevereiro de 2009 a prescrição ainda não havia ocorrido.
Gabarito: alternativa “d”

35. (Cespe – MPTCE/PB 2014) Com relação à ação de improbidade administrativa e


à ação civil pública, assinale a opção correta.
a) Inexiste foro por prerrogativa nas ações de improbidade administrativa, de modo que
essas ações deverão ser processadas perante o juízo de primeira instância, mesmo
quando ajuizadas contra ministro do STF.
b) O particular que induza ou concorra para a prática do ato de improbidade ou dele se
beneficie, direta ou indiretamente, pode figurar, sozinho, no polo passivo de ação de
improbidade administrativa.

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c) Ainda que a lei de ação civil preveja a legitimidade do MP para a proposição de ação
principal e de ação cautelar, esse órgão não tem legitimidade para promover ação civil
pública cuja causa de pedir seja a ilegalidade de reajustes de mensalidades escolares.
d) Tanto a ação civil pública quanto a ação de improbidade administrativa pressupõem
a impossibilidade de transação.
e) A aplicação das sanções previstas na lei de improbidade prescinde da efetiva
ocorrência do dano ao patrimônio público, salvo quanto à pena de ressarcimento, e da
aprovação ou rejeição das contas pelo tribunal ou conselho de contas.
Comentário:
a) ERRADA. Nesta questão, a banca adotou o entendimento mais antigo do
STF, manifestado na Pet 3.211/DF, de 13/3/2008, segundo o qual compete ao
Supremo Tribunal Federal julgar ação de improbidade contra seus membros, ou
seja, neste caso específico, existe foro por prerrogativa nas ações de
improbidade administrativa.
b) ERRADA. Embora um particular (isto é, uma pessoa que não seja agente
público) possa ser sujeito ativo de ato de improbidade (e, portanto, figurar no
polo passivo da ação judicial, como acusado), ele não tem como praticar o ato
sozinho, isoladamente, sem o concurso de algum agente público. Com efeito, a
Lei 8.429/92 só prevê as seguintes hipóteses: (i) a pessoa induz um agente
público a praticar um ato de improbidade; (ii) ela pratica um ato de improbidade
junto com um agente público, ou seja, concorre para a prática do ato; (iii) ela se
beneficia de um ato de improbidade praticado por um agente público.
c) ERRADA. Este item sai um pouco do foco da nossa aula. O erro é que
está em desconformidade com a Súmula 643 do STF, que prevê:
O Ministério Público tem legitimidade para promover ação civil pública cujo fundamento
seja a ilegalidade de reajuste de mensalidades escolares.
d) ERRADA. Não há vedação de acordos ou transações no âmbito de ações
civis públicas em geral, a não ser que a ação civil pública seja por improbidade
administrativa.
e) CERTA, nos exatos termos do art. 21 da Lei 8.429/92:
Art. 21. A aplicação das sanções previstas nesta lei independe:
I - da efetiva ocorrência de dano ao patrimônio público, salvo quanto à pena de
ressarcimento;
II - da aprovação ou rejeição das contas pelo órgão de controle interno ou pelo Tribunal
ou Conselho de Contas.
Gabarito: alternativa “e”

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36. (Cespe – TCE/ES – Procurador 2009) Acerca da improbidade administrativa,
assinale a opção correta.
a) Suponha que um conselheiro do TC do estado X seja réu em ação civil pública por
improbidade administrativa. Nessa situação, a referida ação civil pública deverá ser
processada e julgada originariamente pelo respectivo tribunal de justiça, se assim
previr a constituição estadual.
b) Suponha que Gustavo, que não é servidor público, seja coréu em uma ação civil
pública que apure ato de improbidade administrativa. Nessa situação, conforme
entendimento do STJ, como a lei não prevê prazo de prescrição para aqueles que não
ocupam cargo ou função pública, a ação será considerada imprescritível.
c) De acordo com a lei de regência, não há previsão legal para que o TCU venha a
designar um representante para acompanhar procedimento administrativo que vise
apurar fatos que possam fundamentar uma tomada de contas especial.
d) Servidor público estadual que, notificado para apresentar a declaração anual de
bens, recusar-se-á apresentá-la, dentro do prazo especificado, será punido com a pena
de demissão, conforme previsto na lei de regência.
e) Pessoas jurídicas de direito público, mesmo que interessadas, não têm legitimidade
ativa para propor ação civil pública de improbidade administrativa.
Comentário: Vamos analisar cada alternativa:
(a) Errada, pois não existe foro privilegiado para o julgamento de ação civil
pública por improbidade administrativa. Conforme entendimento do STF, as
ações de improbidade administrativa devem ser processadas perante o juiz
federal ou estadual de primeiro grau do local do dano ou da prática de ato de
improbidade, ainda que o sujeito passivo seja um agente político com
prerrogativa de foro na esfera criminal (ver ADI 2.797);
(b) Errada, pois segundo a jurisprudência do STJ, a prescrição prevista na
Lei de Improbidade Administrativa aplica-se aos particulares. Por esse
entendimento, se alguém estranho ao serviço público praticar um ato de
improbidade em concurso com servidor público, ficará sujeito ao mesmo regime
prescricional do servidor. Veja essa decisão:
AÇÃO CIVIL PÚBLICA. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. PRESCRIÇÃO. APLICAÇÃO
AOS PARTICULARES.
III - Quando um terceiro, não servidor, pratica ato de improbidade administrativa, se lhe
aplicam os prazos prescricionais incidentes aos demais demandados ocupantes de
cargos públicos. Precedente: REsp nº 965.340/AM, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de
08.10.2007 (STJ – REsp 1087855/PR).
(c) Errada, pois há previsão na Lei de Improbidade Administrativa:

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Art. 15. A comissão processante dará conhecimento ao Ministério Público e ao Tribunal
ou Conselho de Contas da existência de procedimento administrativo para apurar a
prática de ato de improbidade.
Parágrafo único. O Ministério Público ou Tribunal ou Conselho de Contas poderá, a
requerimento, designar representante para acompanhar o procedimento administrativo.
A finalidade do representante é acompanhar o procedimento administrativo
para verificar se existe alguma ocorrência que justifique a atuação do Tribunal de
Contas, no âmbito de suas competências, a exemplo de uma situação
determinante para a instauração de tomada de contas especial.
(d) Certa, nos termos do art. 13, §3º da Lei 8.429/92:
Art. 13. A posse e o exercício de agente público ficam condicionados à apresentação de
declaração dos bens e valores que compõem o seu patrimônio privado, a fim de ser
arquivada no serviço de pessoal competente.
§ 3º Será punido com a pena de demissão, a bem do serviço público, sem prejuízo de
outras sanções cabíveis, o agente público que se recusar a prestar declaração dos bens,
dentro do prazo determinado, ou que a prestar falsa.
(e) Errada, pois, nos termos do art. 17 da Lei 8.429/92, a ação civil pública
de improbidade administrativa será proposta pelo Ministério Público ou pela
pessoa jurídica interessada, sendo esta última representada por todas as
entidades públicas elencadas no art. 1º da Lei, quais sejam:
 Administração direta, indireta ou fundacional de qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal, dos Municípios, de Território;
 Empresa incorporada ao patrimônio público;
 Entidade para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra com mais de
50% do patrimônio ou da receita anual;
 Entidade que receba subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou creditício, de órgão
público;
Gabarito: alternativa “d”

37. (Cespe – MP/ES – Promotor de Justiça 2010) Com referência à improbidade


administrativa, tendo em vista o disposto na Lei n.º 8.429/1992, assinale a opção
correta.
a) A aplicação das sanções previstas na Lei de Improbidade depende da efetiva
ocorrência de dano ao patrimônio público.
b) A ação de improbidade, quando proposta pelo MP, há que ser obrigatoriamente
precedida de inquérito civil público.
c) As ações de improbidade devem ser propostas no prazo de cinco anos, contados da
prática do ilícito que enseje sua propositura.

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d) A autoridade judicial ou administrativa competente poderá determinar o afastamento
do agente público do exercício do cargo, emprego ou função, sem prejuízo da
remuneração, quando a medida se fizer necessária à instrução processual.
e) Não sendo a ação de improbidade proposta pelo MP, terá ele a opção de atuar, ou
não, no processo, a critério de seu representante.
Comentário: Vamos analisar cada alternativa, à luz da Lei 8.429/92:
(a) Errada, pois a aplicação das sanções previstas na Lei de Improbidade
independe da efetiva ocorrência de dano ao patrimônio público (art. 21, I).
(b) Errada, pois a Lei de Improbidade não prevê tal obrigatoriedade. A Lei
dispõe, contudo, que o MP, de ofício, a requerimento de autoridade
administrativa ou mediante representação formulada por qualquer pessoa,
poderá requisitar a instauração de inquérito policial ou procedimento
administrativo (art. 22).
(c) Errada, pois o prazo prescricional previsto na Lei de Improbidade é de
cinco anos contados após o término do exercício de mandato, de cargo em
comissão ou de função de confiança. Nos casos de exercício de cargo efetivo ou
emprego, o prazo prescricional é o previsto em lei específica para faltas
disciplinares puníveis com demissão a bem do serviço público (art. 23).
(d) Certa, nos exatos termos do art. 20, parágrafo único da Lei 8.429/92.
Perceba que o afastamento cautelar pode ser determinado tanto pela autoridade
administrativa quanto pela judicial. Ademais, o afastamento ocorre sem prejuízo
da remuneração do agente.
(e) Errada, pois se ação de improbidade não for proposta pelo MP, este
obrigatoriamente terá de atuar como fiscal da lei, sob pena de nulidade (art. 17,
§4º).
Gabarito: alternativa “d”

38. (Cespe – TJDFT 2014) A respeito da improbidade administrativa, assinale a


opção correta.
a) Constitui ato de improbidade exercer atividade de consultoria para pessoa física que
tenha interesse que possa ser amparado por ação ou omissão decorrente das
atribuições do agente público, durante a atividade.
b) A declaração de bens deve ser apresentada tão somente por ocasião da posse e na
data em que o agente público deixar o exercício do mandato, cargo, emprego ou
função pública.
c) Para a caraterização de ato de improbidade administrativa, dele deve decorrer lesão
ao erário ou vantagem pessoal ao agente.

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d) O administrador público que atrasa a entrega das contas públicas pratica ato de
improbidade, independentemente da existência de dolo na espécie.
e) O sucessor daquele que causar lesão ao patrimônio público estará sujeito, até o
limite da lesão, às cominações da Lei de Improbidade Administrativa.
Comentários: Vamos analisar cada alternativa:
a) CERTA. Tal conduta constitui ato de improbidade administrativa que
importa enriquecimento ilícito, nos termos do art. 9º, VIII da Lei 8.429/92:
Art. 9° Constitui ato de improbidade administrativa importando enriquecimento i lícito
auferir qualquer tipo de vantagem patrimonial indevida em razão do exercício de cargo,
mandato, função, emprego ou atividade nas entidades mencionadas no art. 1° dest a lei, e
notadamente:
(...)
VIII - aceitar emprego, comissão ou exercer atividade de consultoria ou
assessoramento para pessoa física ou jurídica que tenha interesse suscetível de
ser atingido ou amparado por ação ou omissão decorrente das atribuições do
agente público, durante a atividade;

b) ERRADA. Além de ser apresentada por ocasião da posse e na data em


que o agente público deixar o exercício do mandato, cargo, emprego ou função
pública, a declaração de bens também deverá ser atualizada anualmente, nos
termos do art. 13, §2º da Lei 8.429/92:
Art. 13. A posse e o exercício de agente público ficam condicionados à apresentação de
declaração dos bens e valores que compõem o seu patrimônio privado, a fim de ser
arquivada no serviço de pessoal competente.
§ 2º A declaração de bens será anualmente atualizada e na data em que o agente
público deixar o exercício do mandato, cargo, emprego ou função.
c) ERRADA. A caraterização de ato de improbidade administrativa
independe da efetiva ocorrência de lesão ao erário ou de obtenção de vantagem
pessoal por parte do agente. Basta, por exemplo, que haja violação a algum
princípio da Administração Pública.
d) ERRADA. O administrador público que deixa de prestar contas quando
está obrigado a fazê-lo pratica ato de improbidade que atenta contra os
princípios da Administração Pública, nos termos do art. 11, VI da Lei 8.429/92:
Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da
administração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade,
imparcialidade, legalidade, e lealdade às instituições, e notadamente:
(...)
VI - deixar de prestar contas quando esteja obrigado a fazê-lo;

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Porém, para a caracterização do ato de improbidade, é necessária a
comprovação do dolo (intenção) do agente.
e) ERRADA. Nos termos do art. 8º da Lei 8.429/92, o sucessor daquele que
causar lesão ao patrimônio público estará sujeito às cominações da Lei de
Improbidade Administrativa até o limite da herança, e não até o limite da lesão.
Gabarito: alternativa “a”

39. (Cespe – MPE/AC 2014) A respeito da ação de improbidade administrativa,


assinale a opção correta.
a) Não cabe ação civil pública por improbidade administrativa, para fins exclusivos de
ressarcimento ao erário, nos casos em que se reconheça a prescrição da ação quanto
às demais sanções previstas na lei que trata da improbidade administrativa.
b) Veda-se ao magistrado rejeitar de plano a ação de improbidade administrativa, ainda
que convencido da inexistência do ato de improbidade.
c) A simples ausência de prestação de contas no prazo em que deveria ser
apresentada configura ato de improbidade administrativa, visto que dissociada do
elemento subjetivo da conduta do agente.
d) A ação de ressarcimento dos prejuízos causados ao erário é imprescritível, ainda
que cumulada com a ação de improbidade administrativa.
e) Nas ações de improbidade administrativa, é necessária a prova concreta de
periculum in mora para a declaração de indisponibilidade dos bens.
Comentário:
a) ERRADA. As ações de ressarcimento ao erário são imprescritíveis.
Portanto, ainda que se reconheça a prescrição quanto às demais sanções (cujos
prazos são previstos na Lei 8.429/92 – 5 anos após o término do mandato ou o
prazo aplicável para faltas puníveis com demissão), poderá ser proposta ação de
improbidade com o fim de obter o ressarcimento ao erário.
b) ERRADA. O magistrado pode sim rejeitar o prosseguimento da ação caso
esteja convencido da inexistência do ato de improbidade. É o que permitem os
§§8º e 11 do art. 17 da Lei 8.429/92:
§ 8o Recebida a manifestação, o juiz, no prazo de trinta dias, em decisão fundamentada,
rejeitará a ação, se convencido da inexistência do ato de improbidade, da improcedência
da ação ou da inadequação da via eleita.
§ 11. Em qualquer fase do processo, reconhecida a inadequação da ação de
improbidade, o juiz extinguirá o processo sem julgamento do mérito

c) ERRADA. A falta de prestação de contas constitui ato de improbidade


administrativa que atenta contra os princípios da Administração Pública (art. 11,
VI); porém, a caracterização do ato de improbidade não está dissociada do

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elemento subjetivo da conduta do agente, pois depende da comprovação de
dolo.
d) CERTA. Valem os mesmos comentários da alternativa “a”. Os prazos
prescricionais previstos na Lei 8.429/92 não se aplicam para as ações que visam
o ressarcimento ao erário.
e) ERRADA. Segundo a jurisprudência do STJ, não é necessário demonstrar
o risco de dano irreparável para que se possa decretar a indisponibilidade dos
bens nas ações de improbidade administrativa. Para aquele Tribunal Superior, o
periculum in mora é presumido em lei, em razão da gravidade do ato e da
necessidade de garantir o ressarcimento do patrimônio público em caso de
condenação, não sendo necessária a demonstração do risco de dano irreparável
para se conceder a medida cautelar.
Gabarito: alternativa “d”

40. (Cespe – MPE/AC 2014) No que se refere à Lei de Improbidade Administrativa,


assinale a opção correta.
a) Para os efeitos dessa lei, aquele que exerce, ainda que transitoriamente, desde que
de forma remunerada, mandato, cargo, emprego ou função na administração direta é
considerado agente público.
b) De acordo com entendimento pacificado no STJ, os agentes políticos submetem-se
aos preceitos dessa lei.
c) Consoante jurisprudência do STJ, é vedada a cumulação de pedidos condenatório e
ressarcitório em sede de ação por improbidade administrativa.
d) Para os efeitos dessa lei, não se reputa agente público aquele que exerça, por
contratação, emprego em entidade para cuja criação o erário haja concorrido com mais
de cinquenta por cento do patrimônio ou da receita anual.
e) Segundo entendimento do STJ, seria compatível com a CF eventual preceito
normativo infraconstitucional que impusesse imunidade aos agentes políticos no que se
refere à aplicação dos preceitos da referida lei.
Comentário:
a) ERRADA. Para os efeitos da Lei de Improbidade Administrativa, o agente
não precisa atuar de forma remunerada.
b) CERTA. De fato, a jurisprudência atual do STJ entende que os agentes
políticos se submetem aos preceitos da Lei 8.429/92. Por exemplo, na ementa do
AREsp 532.658/CE, de 2/9/2014, consta: “o Superior Tribunal de Justiça já
sedimentou o entendimento de que a Lei n. 8.429/1992 se aplica aos agentes
políticos”.

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c) ERRADA. As penas previstas na Lei 8.429/92, tanto as de caráter
ressarcitório (ex: ressarcimento ao erário) como as de caráter condenatório (ex:
multa, suspensão dos direitos políticos), podem ser aplicadas conjuntamente
(art. 12, caput da Lei 8.429/92). Aliás, essa é a jurisprudência do STJ:
PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. ATO DE IMPROBIDADE. AÇÃO PRESCRITA
QUANTO AOS PEDIDOS CONDENATÓRIOS (ART. 23, II, DA LEI N.º 8.429/92).
PROSSEGUIMENTO DA DEMANDA QUANTO AO PLEITO RESSARCITÓRIO.
IMPRESCRITIBILIDADE.
1. O ressarcimento do dano ao erário, posto imprescritível, deve ser tutelado quando veiculada
referida pretensão na inicial da demanda, nos próprios autos da ação de improbidade
administrativa ainda que considerado prescrito o pedido relativo às demais sanções previstas na
Lei de Improbidade.
2. O Ministério Público ostenta legitimidade ad causam para a propositura de ação civil pública
objetivando o ressarcimento de danos ao erário, decorrentes de atos de improbidade, ainda que
praticados antes da vigência da Constituição Federal de 1988, em razão das disposições
encartadas na Lei 7.347/85. Precedentes do STJ (...)
3. A aplicação das sanções previstas no art. 12 e incisos da Lei 8.429/92 se submetem ao prazo
prescricional de 05 (cinco) anos, exceto a reparação do dano ao erário, em razão da
imprescritibilidade da pretensão ressarcitória (art. 37, § 5º, da Constituição Federal de 1988).
Precedentes do STJ (...)
4. Consectariamente, uma vez autorizada a cumulação de pedidos condenatório e
ressarcitório em sede de ação por improbidade administrativa, a rejeição de um dos pedidos,
in casu, o condenatório, porquanto considerada prescrita a demanda (art. 23, I, da Lei n.º
8.429/92), não obsta o prosseguimento da demanda quanto ao pedido ressarcitório em razão de
sua imprescritibilidade.
5. Recurso especial do Ministério Público Federal provido para determinar o prosseguimento da
ação civil pública por ato de improbidade no que se refere ao pleito de ressarcimento de danos ao
erário, posto imprescritível.

d) ERRADA. Tal pessoa é sim considerada agente público para fins da Lei
de Improbidade Administrativa. Afinal, “entidade para cuja criação o erário haja
concorrido com mais de cinquenta por cento do patrimônio ou da receita anual”
é um sujeito passivo dos atos de improbidade, nos termos do art. 1º da Lei
8.429/92; e, como sujeito ativo, a lei coloca qualquer pessoa que exerça emprego
nas entidades consideradas sujeitos passivos, ainda que transitoriamente e sem
remuneração, nos termos do art. 2º da Lei 8.429/92:
Art. 1° Os atos de improbidade praticados por qualquer agente público, servidor ou n ão,
contra a administração direta, indireta ou fundacional de qualquer dos Poderes da União,
dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios, de Território, de empresa incorporada
ao patrimônio público ou de entidade para cuja criação ou custeio o erário haja
concorrido ou concorra com mais de cinqüenta por cento do patrimônio ou da
receita anual, serão punidos na forma desta lei.
(...)

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Art. 2° Reputa-se agente público, para os efeitos desta lei, todo aquele que exer ce, ainda
que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação,
contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego
ou função nas entidades mencionadas no artigo anterior.

e) ERRADA. Como exemplo, cita-se a decisão do STJ na Rcl 2.790/SC


(2/12/2009):
(...) Excetuada a hipótese de atos de improbidade praticados pelo Presidente da
República (art. 85, V), cujo julgamento se dá em regime especial pelo Senado Federal
(art. 86), não há norma constitucional alguma que imunize os agentes políticos, sujeitos a
crime de responsabilidade, de qualquer das sanções por ato de improbidade previstas no
art. 37, § 4.º. Seria incompatível com a Constituição eventual preceito normativo
infraconstitucional que impusesse imunidade dessa natureza.
Gabarito: alternativa “b”

41. (Cespe – TJ/CE 2014) A propósito da improbidade administrativa, assinale a


opção correta.
a) Constitui ato de improbidade administrativa que importa enriquecimento ilícito a
realização de operação financeira sem observância das normas legais e
regulamentares.
b) Na hipótese de condenação de agente público pela prática de ato de improbidade
administrativa que atente contra os princípios da administração pública, está o
responsável sujeito, entre outras cominações, à suspensão da função pública, pelo
prazo de três a cinco anos.
c) Qualquer pessoa possui legitimidade para representar à autoridade administrativa
competente, de maneira a ser instaurada investigação para apurar a prática de ato de
improbidade administrativa.
d) Para os efeitos da Lei de improbidade administrativa, é considerado agente público
aquele que exerce, ainda que transitoriamente, mandato em entidade da administração
indireta do Poder Executivo estadual, excluído aquele que exerce, sem remuneração,
função na mencionada entidade.
e) O ressarcimento do dano é obrigatoriamente integral na hipótese da ocorrência de
lesão ao patrimônio público por ação ou omissão dolosa do agente ou de terceiro; na
hipótese de conduta culposa, é admissível o ressarcimento parcial.
Comentário:
a) ERRADA. Nos termos do art. 10, VI da Lei 8.429/92, realizar operação
financeira sem observância das normas legais e regulamentares constitui ato de
improbidade administrativa que causa prejuízo ao erário, e não que importa
enriquecimento ilícito.

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b) ERRADA. Na hipótese de condenação de agente público pela prática de
ato de improbidade administrativa que atente contra os princípios da
administração pública, está o responsável sujeito, entre outras cominações, à
suspensão dos direitos políticos (e não da função pública), pelo prazo de três a
cinco anos (art. 12, III).
c) CERTA, nos termos do art. 14 da Lei 8.429/92:
Art. 14. Qualquer pessoa poderá representar à autoridade administrativa competente
para que seja instaurada investigação destinada a apurar a prática de ato de
improbidade.

d) ERRADA. A Lei também inclui aquele que exerce função sem


remuneração.
e) ERRADA. Tanto no caso de conduta culposa ou dolosa, o ressarcimento
ao erário deve ser sempre integral.
Gabarito: alternativa “c”

42. (Cespe – TCDF 2014) Servidor público que omitir ou negar a publicidade de
qualquer ato oficial incorre em improbidade administrativa.
Comentário: Segundo o art. 11, inciso IV da Lei 8.429/92, constitui ato de
improbidade administrativa que atenta contra os princípios da Administração
Pública (no caso, o princípio da publicidade), “negar publicidade aos atos
oficiais”. Não obstante, o quesito está errado, pois fala em “qualquer” ato oficial
e, como é sabido, os documentos sigilosos devem ter a publicidade resguardada
pelo agente público. Em outras palavras, negar a publicidade a documentos
sigilosos não constitui ato de improbidade administrativa.
Gabarito: Errado

43. (Cespe – TCDF 2014) Considere que José tenha representado contra um
servidor público por ato de improbidade mesmo sabendo ser ele inocente. Nesse caso,
além da sanção penal, José estará sujeito a indenizar o referido servidor pelos danos
materiais, morais ou à imagem que houver provocado.
Comentário: O quesito está correto, nos termos do art. 19 da Lei 8.429/92:
Art. 19. Constitui crime a representação por ato de improbidade contra agente
público ou terceiro beneficiário, quando o autor da denúncia o sabe inocente.
Pena: detenção de seis a dez meses e multa.
Parágrafo único. Além da sanção penal, o denunciante está sujeito a indenizar o
denunciado pelos danos materiais, morais ou à imagem que houver provocado.
Gabarito: Certo

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44. (Cespe – TCE/AC – 2009) O Poder Judiciário, quando atua em caso que envolva
improbidade administrativa, possui a competência para requerer inspeção e auditoria
aos tribunais de contas, responsáveis pela verificação da legalidade da gestão
governamental.
Comentário: A questão está errada, pois os Tribunais Contas apenas
realizam auditoria ou inspeção por iniciativa própria ou por solicitação do Poder
Legislativo. Assim, o Poder Judiciário, mesmo quando atua em caso que envolva
improbidade administrativa, não possui competência para requerer que os TCs
realizem fiscalização.
Gabarito: Errado

45. (Cespe – TCDF 2002) Considere a seguinte situação hipotética. O presidente da


comissão de licitação de uma autarquia do DF devassou o sigilo das propostas,
substituindo a que fora apresentada pela empresa X, de modo que esta veio a vencer o
certame. Subsequentemente, o servidor que auxiliara o presidente da comissão, não
tendo obtido a vantagem que lhe fora prometida, denunciou a irregularidade à chefia do
órgão. Nessa situação, na condenação pela prática criminosa, o juiz poderá impor ao
presidente da comissão de licitação a pena restritiva de direito de perda do cargo
público.
Comentário: O presidente da comissão de licitação que frustra a licitude de
processo licitatório - no caso, devassando o sigilo das propostas - pratica ato de
improbidade administrativa, estando sujeito às sanções da Lei 8.429/92, dentre
elas, a perda da função pública (art. 10, VIII e art. 12, II). O erro do quesito é que
tal prática, quando punida com a perda do cargo público, não constitui prática
criminosa, mas sim ato de improbidade administrativa.
Gabarito: Errado

46. (Cespe – TCDF 2002) A aplicação das sanções definidas em lei para a prática de
ato de improbidade, consistente na realização de despesa não autorizada na lei
orçamentária, está condicionada à apuração de efetiva ocorrência de dano ao
patrimônio público e à rejeição das contas pelo TCDF — isto na hipótese de o gestor
estar sujeito à apresentação de contas e ao respectivo julgamento destas por aquela
Corte.
Comentário: A realização de despesa não autorizada na lei orçamentária
enquadra-se na categoria de atos de improbidade administrativa que causam
prejuízo ao erário (art. 10, IX). Porém, a aplicação das sanções definidas na Lei de
Improbidade independe da efetiva ocorrência de dano ao patrimônio público
(salvo quanto à pena de ressarcimento), assim como da aprovação ou rejeição
das contas pelo Tribunal de Contas (art. 21, I e II), daí o erro do quesito.
Gabarito: Errado

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47. (Cespe – TRF 1ª Região – Juiz 2011) Quando for exarada decisão do tribunal de
contas reconhecendo a legitimidade do ato administrativo, este não poderá ser objeto
de impugnação em ação de improbidade, restando inviabilizado, em tal hipótese, o
controle do Poder Judiciário.
Comentário: O quesito está errado, pois a aplicação, pelo Poder Judiciário,
das sanções definidas na Lei de Improbidade independe da aprovação ou
rejeição das contas pelo Tribunal de Contas (art. 21, II).
Gabarito: Errado

48. (Cespe – TCDF 2012) Durante a instrução processual, o agente público poderá
ser afastado do seu cargo mediante determinação de autoridade administrativa
competente.
Comentário: O quesito está correto, nos termos do art. 20, parágrafo único
da Lei 8.429/92:
Art. 20 (...)
Parágrafo único. A autoridade judicial ou administrativa competente poderá
determinar o afastamento do agente público do exercício do cargo, emprego ou
função, sem prejuízo da remuneração, quando a medida se fizer necessária à instrução
processual.
Gabarito: Certo

49. (Cespe – TCDF 2012) Apenas a autoridade administrativa competente poderá


instaurar investigação destinada a apurar a prática de ato de improbidade, sendo
vedada a representação da autoridade para que ocorra a instauração da investigação.
Comentário: O quesito está errado. Segundo o art. 14 da Lei 8.429/92,
“qualquer pessoa poderá representar à autoridade administrativa competente
para que seja instaurada investigação destinada a apurar a prática de ato de
improbidade.” Ademais, de acordo com o art. 22 da Lei, o Ministério Público
também poderá requisitar a instauração de inquérito policial ou procedimento
administrativo para apurar a prática de ato de improbidade. Portanto, não é
vedada a representação para que ocorra a investigação, daí o erro.
Gabarito: Errado

50. (ESAF – STN 2013) Determinado reitor de uma Universidade Federal laborou na
assinatura de contrato que posteriormente foi considerado pelo Ministério Público
Federal como o início de um esquema delituoso.
Em ação judicial específica, foi deferida a indisponibilidade dos bens do referido reitor.
Acerca do caso concreto acima narrado, e tendo em mente a jurisprudência do STJ a
respeito do tema, analise as assertivas abaixo classificando-as como verdadeiras(V) ou
falsas(F). Ao final, assinale a opção que contenha a sequência correta.

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( ) A medida constritiva de indisponibilidade de bens pela Lei n. 8.429/92 deve
observar, no mínimo, a data de vigência da referida Lei.
( ) A decretação de indisponibilidade de bens em decorrência da apuração de atos de
improbidade administrativa deve limitar-se aos bens necessários ao ressarcimento
integral do dano, somente sendo passíveis de constrição os bens adquiridos
posteriormente ao fato ímprobo.
( ) A possibilidade de indisponibilidade de bens está condicionada à prévia
manifestação dos réus.
( ) A natureza jurídica da indisponibilidade de bens prevista na Lei de Improbidade
Administrativa é manifestamente acautelatória, pois visa assegurar o resultado prático
de eventual ressarcimento ao erário causado pelo ato ímprobo.
a) F, F, V, V
b) V, V, F, V
c) F, F, V, F
d) V, V, V, F
e) F, F, F, V
Comentário: Vamos analisar cada item:
I) FALSO. Para o STJ, a medida constritiva de indisponibilidade de bens
recai sobre os bens necessários ao ressarcimento integral do dano, ainda que
adquiridos anteriormente ao ato de improbidade ou até mesmo antes do início da
vigência da Lei 8.429/1992. Foi o decidido no RE 1.191.497/RS, de 20/11/2012:
ADMINISTRATIVO. IMPROBIDADE. MEDIDA CAUTELAR. REQUISITOS. SÚMULA
7/STJ. INDISPONIBILIDADE DE BENS ADQUIRIDOS ANTES DA SUPOSTA PRÁTICA
DE ATO ÍMPROBO. POSSIBILIDADE. ALEGAÇÃO DE FATO NOVO EM AGRAVO
REGIMENTAL. NÃO CABIMENTO. FATO INSUFICIENTE PARA AUTORIZAR A
REVISÃO DO JULGADO.
(...)
2. A decretação de indisponibilidade de bens em decorrência da apuração de atos
de improbidade administrativa deve observar o teor do art. 7º, parágrafo único, da
Lei n. 8.429/92, limitando-se a constrição aos bens necessários ao ressarcimento
integral do dano, ainda que adquiridos anteriormente ao suposto ato de
improbidade, ou até mesmo ao início da vigência da referida lei.

II) FALSO. Como visto acima, para o STJ, a medida constritiva de


indisponibilidade de bens recai sobre os bens necessários ao ressarcimento
integral do dano, ainda que adquiridos anteriormente ao ato de improbidade.
III) FALSO. A decretação da indisponibilidade de bens não está
condicionada à prévia manifestação dos réus, já que se trata de medida de
natureza cautelar, e não de uma sanção.

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IV) VERDADEIRO. Como dito, a indisponibilidade de bens não é uma
sanção, e sim uma medida de natureza cautelar, que visa a assegurar um
eventual processo de execução judicial, evitando que o agente causador do ato
ímprobo frustre o procedimento se desfazendo do seu patrimônio.
Gabarito: alternativa “e”

51. (ESAF – MTur 2014) No que concerne à interpretação de disposições


constitucionais e legais que tratam de improbidade administrativa, assinale a opção
correta.
a) Segundo a jurisprudência mais recente do Superior Tribunal de Justiça, as sanções
previstas pela Lei de Improbidade Administrativa podem ser aplicadas retroativamente,
para alcançar fatos anteriores à sua vigência.
b) Consoante mandamento constitucional, os atos de improbidade administrativa
importarão a cassação dos direitos políticos, a perda da função pública, a
indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas
em lei, sem prejuízo da ação penal cabível.
c) Conforme disposição contida na Lei de Improbidade Administrativa, reputa-se agente
público, para os efeitos da aludida norma, todo aquele que exerce, ainda que
transitoriamente, mas apenas de forma remunerada, mandato, cargo, emprego ou
função nas entidades públicas mencionadas na referida lei.
d) O sucessor daquele que causar lesão ao patrimônio público ou se enriquecer
ilicitamente não está sujeito às cominações da Lei de Improbidade Administrativa.
e) A aplicação das sanções previstas na Lei de Improbidade Administrativa independe
da aprovação ou rejeição das contas pelo órgão de controle interno ou pelo Tribunal ou
Conselho de Contas.
Comentário: Vamos analisar cada alternativa:
a) ERRADA. No RE 1.129.121/GO, de 15/3/2013, o STJ entendeu que a Lei de
Improbidade não pode alcançar fatos anteriores à sua vigência:
ADMINISTRATIVO. LEI DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. APLICAÇÃO
RETROATIVA A FATOS POSTERIORES À EDIÇÃO DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE
1988. IMPOSSIBILIDADE.
1. A Lei de Improbidade Administrativa não pode ser aplicada retroativamente para
alcançar fatos anteriores a sua vigência, ainda que ocorridos após a edição da
Constituição Federal de 1988.
2. A observância da garantia constitucional da irretroatividade da lei mais gravosa, esteio
da segurança jurídica e das garantias do cidadão, não impede a reparação do dano ao
erário, tendo em vista que, de há muito, o princípio da responsabilidade subjetiva se acha
incrustado em nosso sistema jurídico.

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b) ERRADA. Nos termos do art. 37, §4º da CF, os atos de improbidade
administrativa importarão na suspensão (e não na cassação dos direitos
políticos), daí o erro. Frise-se que, a teor do art. 15 da CF, é vedada a “cassação”
dos direitos políticos, podendo haver apenas “perda” ou “suspensão” nos casos
de: (i) cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado;
(ii) incapacidade civil absoluta; (iii) condenação criminal transitada em julgado,
enquanto durarem seus efeitos; (iv) recusa de cumprir obrigação a todos imposta
ou prestação alternativa, nos termos do art. 5º, VIII; (v) improbidade
administrativa, nos termos do art. 37, § 4º.
Art. 37 (...)
§ 4º - Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos
políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao
erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível.
c) ERRADA. Para os fins da Lei de Improbidade Administrativa, reputa-se
agente público também aquele que exerce, sem remuneração, mandato, cargo,
emprego ou função por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer
outra forma de investidura ou vínculo nas entidades que são consideradas
sujeitos passivos dos atos de improbidade.
Art. 2° Reputa-se agente público, para os efeitos desta lei, todo aquele que exer ce, ainda
que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação,
contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego
ou função nas entidades mencionadas no artigo anterior.
d) ERRADA. Nos termos do art. 8º da Lei 8.429/92, o sucessor daquele que
causar lesão ao patrimônio público ou se enriquecer ilicitamente está sujeito às
cominações da referida lei, relativas ao ressarcimento ao erário, até o limite do
valor da herança.
e) CERTA, nos termos do art. 21 da Lei 8.429/92:
Art. 21. A aplicação das sanções previstas nesta lei independe:
I - da efetiva ocorrência de dano ao patrimônio público, salvo quanto à pena de
ressarcimento;
II - da aprovação ou rejeição das contas pelo órgão de controle interno ou pelo
Tribunal ou Conselho de Contas.
Gabarito: alternativa “e”

52. (Cespe – DPU 2015) O rol de condutas tipificadas como atos de improbidade
administrativa constante na Lei de Improbidade (Lei n.º 8.429/1992) é taxativo.
Comentário: O rol de condutas tipificadas como atos de improbidade
administrativa constante na Lei de Improbidade não é taxativo, mas meramente
exemplificativo. Observe a palavra “notadamente” no caput dos artigos 9º, 10 e

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11 da Lei 8.429/92, dispositivos que listam hipóteses de atos de improbidade que
importam enriquecimento ilícito, causam prejuízo ao erário e atentam contra os
princípios da Administração Pública.
Gabarito: Errada
*****

É isso pessoal. Ficamos por aqui. Qualquer dúvida, poste lá no fórum,


ok?

Bons estudos!

Erick Alves

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RESUMÃO DA AULA

 LEI DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA:

 Agente público, ainda que transitoriamente ou sem remuneração. Inclui agentes políticos.
Sujeitos
 Terceiro, que induza ou concorra para a prática de ato de improbidade (deve haver
ativos
participação de agente público).

 Administração direta, indireta ou fundacional;


 Empresa incorporada ao patrimônio público;
 Entidade privada da qual o erário participe com mais de 50% do patrimônio ou da receita
Sujeitos anual;
passivos  Entidade privada da qual o erário participe com menos de 50% do patrimônio ou da
receita anual (sanção limita-se à contribuição do poder público).
 Empresa privada que receba subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou creditício, de
órgão público (sanção limita-se à contribuição do poder público).

 Sanções:
 Natureza administrativa, civil e política.
o Administrativa: perda da função pública, proibição de contratar com o Poder Público;
o Civil: indisponibilidade de bens, ressarcimento ao erário, multa civil;
o Política: suspensão dos direitos políticos.

 NÃO PREVÊ SANÇÕES PENAIS (exceto àquele que apresenta denúncia sabidamente infundada).
 Independe da ocorrência de dano ao erário (exceto quanto à pena de ressarcimento) ou da aprovação ou
rejeição das contas pelo Tribunal de Contas.
 Exige comprovação de dolo (enriquecimento ilícito e violação dos princípios) e dolo ou culpa (prejuízo ao
erário).

 Declaração de bens: obrigatória para a posse ou exercício. Quem deixar de entregar ou falsificar fica sujeito
à pena de demissão, a bem do serviço público, sem prejuízo de outras sanções cabíveis.

 Procedimento administrativo e processo judicial:


 Qualquer pessoa pode representar à autoridade administrativa competente ou ao MP;
 Tribunal de Contas e MP podem indicar representante para acompanhar a apuração administrativa;
 Pode ser decretada medida cautelar de sequestro dos bens;
 A autoridade judicial ou administrativa pode determinar o afastamento do agente público do exercício
do cargo, sem prejuízo da remuneração, quando a medida se fizer necessária à instrução processual.
 A perda da função pública e a suspensão dos direitos políticos só se efetivam com o trânsito em julgado
da sentença condenatória.

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 Prescrição:
 Cinco anos após o término do exercício de mandato, de cargo em comissão ou de função de confiança.
 Nos casos de exercício de cargo efetivo ou emprego, aplica-se o prazo prescricional previsto em lei
específica para faltas disciplinares puníveis com demissão a bem do serviço público.
 Cinco anos contados da data da prestação de contas, no caso de entidades privadas beneficiárias de
recursos públicos ou de cujo patrimônio ou receita anual o Poder Público contribua com menos de 50%.
 Ações civis de ressarcimento ao erário, decorrentes de atos de improbidade, são imprescritíveis.

 Que importam enriquecimento ilícito: auferir qualquer tipo de vantagem patrimonial


indevida, direta ou indireta, em razão do exercício de cargo, mandato, função, emprego ou
atividade pública. Exemplos:
o Receber propina; utilizar bem ou servidor público em proveito próprio; adquirir bens
em valor desproporcional à própria renda.

 Que causam prejuízo ao erário: qualquer ação ou omissão, dolosa ou culposa, que enseje
perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens ou
haveres de órgão ou entidade pública. Exemplos:
Atos de o Permitir ou concorrer que se utilize bens ou dinheiro público sem observar a lei;
improbidade aquisição de bens pela Adm. Pública fora das condições de mercado; frustrar a licitude
administrativa de licitação; realizar despesa pública de forma irregular.

 Decorrentes de concessão ou aplicação indevida de benefício tributário ou financeiro:


qualquer ação ou omissão para conceder, aplicar ou manter benefício financeiro ou
tributário contrário ao que dispõe a legislação do ISS (alíquota mínima de 2%).

 Que atentam contra os princípios da Administração Pública: qualquer ação ou omissão que
viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade e lealdade às instituições, bem
como outros princípios da Adm. Pública. Exemplos:
o Praticar ato visando fim proibido ou diverso daquele previsto em lei; revelar
informação sigilosa; deixar de prestar contas; frustrar a licitude de concurso público.

 Sanções pela prática de ato de improbidade administrativa

Enriquecimento Prejuízo ao Benefício ISS


Lesão a princípios
ilícito erário indevido

Ressarcimento ao erário Aplicável Aplicável - Aplicável

Perda da função pública Aplicável Aplicável Aplicável Aplicável

Suspensão dos direitos


De 8 a 10 anos De 5 a 8 anos De 5 a 8 anos De 3 a 5 anos
políticos

Perda dos bens


Deve ser aplicada Pode ser aplicada - -
acrescidos ilicitamente

Até 3x o valor do Até 100x o valor da


Até 2x o valor do Até 3x o valor do
Multa civil acréscimo remuneração
dano benefício
patrimonial recebida pelo agente

Proibição de contratar
com o Poder Público ou
Por 10 anos Por 5 anos - Por 3 anos
receber benefícios
fiscais

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JURISPRUDÊNCIA

STJ – Rcl 12.514 / MT (16/9/2013)


PROCESSO CIVIL. COMPETÊNCIA. AÇÃO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. A
ação de improbidade administrativa deve ser processada e julgada nas
instâncias ordinárias, ainda que proposta contra agente político que tenha
foro privilegiado no âmbito penal e nos crimes de responsabilidade.
Agravo regimental desprovido.
STJ – AREsp 532.658/CE (2/9/2014)
PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AÇÃO DE IMPROBIDADE
ADMINISTRATIVA. PRELIMINAR. INÉPCIA DA INICIAL. INAPLICABILIDADE DA LEI
8.429/92 A AGENTES POLÍTICOS. REJEITADA. COMPROVAÇÃO DE
IRREGULARIDADES NA APLICAÇÃO DE RECURSOS FEDERAIS. APLICAÇÃO DAS
PENAS DO ART. 12, II, DA LEI DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA.
PROPORCIONALIDADE. RAZOABILIDADE. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA 7/STJ.
1. O Superior Tribunal de Justiça já sedimentou o entendimento de que a
Lei n. 8.429/1992 se aplica aos agentes políticos. Nesse sentido, vide: Rcl
2790/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Corte Especial, DJe 4/3/2010 (...)

STF – RE 444.042/SP (25/9/2012)


EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO.
CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO JUÍZO DE PRIMEIRO GRAU PARA
JULGAMENTO DE AÇÃO CIVIL PÚBLICA CONTRA PREFEITO MUNICIPAL POR
ATO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. DECLARAÇÃO DE
INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI N. 10.628/2002. ACÓRDÃO RECORRIDO EM
HARMONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. AGRAVO
REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO..

STF – RE 590.136/MT (2/4/2013)


EMENTA Agravo regimental no agravo de instrumento. Improbidade
administrativa. Prerrogativa de foro. Inexistência. Precedentes. 1.
Inexiste foro por prerrogativa de função nas ações de improbidade
administrativa. 2. Agravo regimental não provido.

STJ – RE 1.066.772/MS (25/8/2009)


ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO CIVIL
PÚBLICA POR ATOS DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. PREFEITO. APLICAÇÃO
DA LEI N. 8.429/92 E DO DECRETO N. 201/67 DE FORMA CONCOMITANTE. ATO
IMPROBO QUE TAMBÉM PODE CONFIGURAR CRIME FUNCIONAL. INEXISTÊNCIA DE
BIS IN IDEM. JUÍZO SINGULAR CÍVEL E TRIBUNAL DE JUSTIÇA. INAPLICABILIDADE
DO PRECEDENTE DO STF (RECLAMAÇÃO N. 2.138/RJ) IN CASU (...) 4. A Lei n.

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8.492/92, em seu art. 12, estabelece que "Independentemente das sanções penais,
civis e administrativas, previstas na legislação específica, está o responsável pelo
ato de improbidade sujeito" [...] a penas como suspensão dos direitos políticos,
perda da função pública, indisponibilidade de bens e obrigação de ressarcir o erário
e denota que o ato improbo pode adentrar na seara criminal a resultar reprimenda
dessa natureza. 5. O bis in idem não está configurado, pois a sanção
criminal, subjacente ao art. 1º do Decreto-Lei n. 201/67, não repercute na
órbita das sanções civis e políticas relativas à Lei de Improbidade
Administrativa, de modo que são independentes entre si e demandam o
ajuizamento de ações cuja competência é distinta, seja em decorrência da
matéria (criminal e civil), seja por conta do grau de hierarquia (Tribunal de
Justiça e juízo singular) (...)7. Deveras, o julgado do STF em comento trata da
responsabilidade especial de agentes políticos, definida na Lei n. 1.079/50, mas faz
referência exclusiva aos Ministros de Estado e a competência para processá-los pela
prática de crimes de responsabilidade. Ademais, prefeito não está elencado no
rol das autoridades que o referido diploma designa como agentes políticos.

STJ – Rcl 2.790/SC (2/12/2009)


(...) Excetuada a hipótese de atos de improbidade praticados pelo
Presidente da República (art. 85, V), cujo julgamento se dá em regime
especial pelo Senado Federal (art. 86), não há norma constitucional
alguma que imunize os agentes políticos, sujeitos a crime de
responsabilidade, de qualquer das sanções por ato de improbidade
previstas no art. 37, § 4.º. Seria incompatível com a Constituição eventual
preceito normativo infraconstitucional que impusesse imunidade dessa natureza.

STF – Rcl 2.138/DF (13/6/2007)


EMENTA: RECLAMAÇÃO. USURPAÇÃO DA COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL
FEDERAL. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. CRIME DE RESPONSABILIDADE.
AGENTES POLÍTICOS. I. PRELIMINARES. QUESTÕES DE ORDEM. (...) II. MÉRITO.
II.1.Improbidade administrativa. Crimes de responsabilidade. Os atos de
improbidade administrativa são tipificados como crime de responsabilidade na Lei
n° 1.079/1950, delito de caráter político-administrativo. II.2.Distinção entre os
regimes de responsabilização político-administrativa. O sistema
constitucional brasileiro distingue o regime de responsabilidade dos
agentes políticos dos demais agentes públicos. A Constituição não admite a
concorrência entre dois regimes de responsabilidade político-
administrativa para os agentes políticos: o previsto no art. 37, § 4º
(regulado pela Lei n° 8.429/1992) e o regime fixado no art. 102, I, "c",
(disciplinado pela Lei n° 1.079/1950). Se a competência para processar e
julgar a ação de improbidade (CF, art. 37, § 4º) pudesse abranger também
atos praticados pelos agentes políticos, submetidos a regime de
responsabilidade especial, ter-se-ia uma interpretação ab-rogante do

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disposto no art. 102, I, "c", da Constituição. II.3.Regime especial. Ministros de
Estado. Os Ministros de Estado, por estarem regidos por normas especiais
de responsabilidade (CF, art. 102, I, "c"; Lei n° 1.079/1950), não se
submetem ao modelo de competência previsto no regime comum da Lei de
Improbidade Administrativa (Lei n° 8.429/1992). II.4.Crimes de
responsabilidade. Competência do Supremo Tribunal Federal. Compete
exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal processar e julgar os delitos político-
administrativos, na hipótese do art. 102, I, "c", da Constituição. Somente o STF
pode processar e julgar Ministro de Estado no caso de crime de
responsabilidade e, assim, eventualmente, determinar a perda do cargo ou
a suspensão de direitos políticos. II.5.Ação de improbidade administrativa.
Ministro de Estado que teve decretada a suspensão de seus direitos políticos pelo
prazo de 8 anos e a perda da função pública por sentença do Juízo da 14ª Vara da
Justiça Federal - Seção Judiciária do Distrito Federal. Incompetência dos juízos de
primeira instância para processar e julgar ação civil de improbidade administrativa
ajuizada contra agente político que possui prerrogativa de foro perante o Supremo
Tribunal Federal, por crime de responsabilidade, conforme o art. 102, I, "c", da
Constituição. III. RECLAMAÇÃO JULGADA PROCEDENTE.

STJ – 1.314.377/RJ (27/8/2013)


(...) 2. A controvérsia sobre a aplicabilidade da Lei 8.429/92 aos agentes
políticos foi superada, no julgamento da Rcl 2.790/SC, pelo STJ, quando
entendeu que "não há norma constitucional alguma que imunize os
agentes políticos, sujeitos a crime de responsabilidade, de qualquer das
sanções por ato de improbidade previstas no art. 37, § 4.º. Seria
incompatível com a Constituição eventual preceito normativo
infraconstitucional que impusesse imunidade dessa natureza" (Rel. Min.
Teori Zavascki).
3. É inadequada a incidência no caso dos autos do precedente firmado na Rcl
2.138/STF, Min. Gilmar Mendes, pois a ratio decidendi daquele julgamento estava
em evitar o chamado duplo regime sancionatório, tendo em vista que, naquela
hipótese, o processo voltava-se contra Ministro de Estado cujos crimes de
responsabilidade se sujeitam ao regime especial de que trata o art. 52 da
Constituição.

4. O art. 12 da Lei 8.429/92 prevê inúmeras sanções que em nada coincidem com a
única penalidade imposta no art. 7º do DL 201/67 - cassação de mandato -, de
modo que não há risco de duplicidade sancionatória dos vereadores.
Precedentes do STF.
5. Assentada a aplicabilidade da Lei 8.429/92 aos atos praticados pelos
legisladores municipais, consequentemente, tem-se como perfeita a relação de
pertinência subjetiva evidenciada pela ação de improbidade que busca
responsabilizar aqueles agentes políticos pelo recebimento ilegal de subsídios no

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período compreendido entre os anos de 1997 e 2000, mostrando-se impertinente a
extinção do feito por ilegitimidade de parte passiva. Violação do art. 267, VI, do
CPC.

STF – Pet 3.211/DF (13/3/2008)


EMENTA Questão de ordem. Ação civil pública. Ato de improbidade administrativa.
Ministro do Supremo Tribunal Federal. Impossibilidade. Competência da Corte para
processar e julgar seus membros apenas nas infrações penais comuns. 1. Compete
ao Supremo Tribunal Federal julgar ação de improbidade contra seus
membros. 2. Arquivamento da ação quanto ao Ministro da Suprema Corte e
remessa dos autos ao Juízo de 1º grau de jurisdição no tocante aos demais.

STJ – REsp 1.151.884/SC (15/5/2012)


ADMINISTRATIVO. ATO DE IMPROBIDADE. AQUISIÇÃO DE CAMINHÃO PELA
PREFEITURA. PAGAMENTO EFETUADO. VEÍCULO ALIENADO FIDUCIARIAMENTE E
PENHORADO. REGISTRO EM NOME DO MUNICÍPIO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 10 DA
LEI 8.429/92. OCORRÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO. CULPA DA EX-PREFEITA.
NEGLIGÊNCIA. RECURSO NÃO PROVIDO.

1. A ação civil pública foi proposta pelo Ministério Público do Estado de Santa
Catarina em face da ex-Prefeita do Município de Bocaina do Sul, por supostos atos
de improbidade administrativa, decorrentes de irregularidades em procedimentos
licitatórios.

2. A conduta reconhecida como ímproba decorre da aquisição de um caminhão de


carga pela prefeitura, no valor de R$ 66.000,00, que, contudo, estava alienado
fiduciariamente à OMNI Local S/A., e, ainda, penhorado pelo Banco do Brasil,
impossibilitando o respectivo registro em nome do município.

3. O ato de improbidade administrativa previsto no art. 10 da Lei nº


8.429/92 exige a comprovação do dano ao erário e a existência de dolo ou
culpa do agente. Precedente: EREsp 479.812/SP, Rel. Min. Teori Albino Zavascki,
DJe 27.09.10.
4. O acórdão recorrido considerou evidenciada a atuação negligente da gestora
pública, ao autorizar o pagamento de um bem sem avaliar a existência de
gravames que impossibilitaram a transferência da propriedade. Nesse contexto,
tem-se que a prefeita municipal descumpriu com o dever de zelo com a coisa
pública, pois efetuou a despesa sem tomar a mínima cautela de aferir que o
automóvel estava alienado fiduciariamente, bem como penhorado à instituição
financeira. Por outro lado, o dano ao erário está caracterizado pela impossibilidade
de se transferir o bem para o patrimônio municipal. In casu, estão presentes os
elementos necessários à configuração do ato de improbidade.
5. Recurso especial não provido.

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QUESTÕES COMENTADAS NA AULA

1. (Cespe – TCE/ES – Procurador 2009) Os atos de improbidade administrativa, além de


infrações administrativas que podem levar à perda do cargo público, correspondem,
necessariamente, às infrações penais que tutelam as finanças do Estado.

2. (Cespe – Suframa 2014) A ação de improbidade que vise ressarcir integralmente o


patrimônio público da lesão ocorrida poderá importar na indisponibilidade dos bens do servidor
que praticou o ato de forma dolosa. No entanto, caso o ato tenha sido praticado de forma
culposa, o servidor não poderá responder patrimonialmente, uma vez que estará configurada a
culpa in eligendo da administração pública, a contratante.

3. (Cespe – TCDF 2014) O herdeiro de deputado distrital que tenha, no exercício do


mandato, ocasionado lesão ao patrimônio público e enriquecido ilicitamente está sujeito às
cominações da Lei de Improbidade Administrativa, mas somente até o limite do valor da
herança recebida.

4. (Cespe – TCU 2008) Sílvio, empresário, concorreu para a prática de ato de improbidade,
enriquecendo ilicitamente. Nesse caso, mesmo não sendo agente público, será atingido pelas
disposições da Lei de Improbidade. Assim, após sua morte, seus sucessores estarão sujeitos
às cominações da Lei de Improbidade até o limite do valor da herança.

5. (Cespe – TCE/BA – Procurador 2010) A comprovação da improbidade administrativa,


que poderá ser declarada tanto pela via judicial quanto por processo administrativo, gera a
perda dos direitos políticos, que somente poderão ser readquiridos por meio de ação rescisória.

6. (Cespe – TCU 2009) Caio, servidor público federal estável há mais de 10 anos, ocupante
do cargo de analista judiciário de determinado tribunal, está sendo acusado pelo Ministério
Público Federal de ter praticado ato de improbidade administrativa, nos termos da Lei n.º
8.429/1990. O referido tribunal, para apurar a prática de ilícito administrativo, resolveu instaurar
processo disciplinar. Acerca dessa situação hipotética e do que dispõe a Lei n.º 8.112/1990,
julgue o item seguinte: no caso narrado, a autoridade instauradora do processo disciplinar,
como medida cautelar e a fim de evitar qualquer influência na apuração da irregularidade,
poderá determinar o afastamento preventivo de Caio do exercício do cargo, pelo prazo
improrrogável de sessenta dias, não recebendo este, nesse período, qualquer remuneração
dos cofres públicos.

7. (Cespe – TRF 3ª Região – Juiz Substituto 2011) Em havendo fundados indícios de


responsabilidade pela prática de ato de improbidade, a comissão processante designada pela
autoridade administrativa competente pode, de ofício, decretar o sequestro dos bens do agente
público ou terceiro que tenha causado dano ao patrimônio público.

8. (Cespe – MDIC 2014) Se, após uma operação da Polícia Federal, empreendida para
desarticular uma quadrilha que agia em órgãos públicos, o Ministério Público Federal ajuizar
ação de improbidade administrativa contra determinado servidor, devido a irregularidades
cometidas no exercício da sua função, mesmo que esse servidor colabore com as
investigações, será vedado o acordo ou a transação judicial.

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9. (Cespe – ICMBio 2014) Considere que um servidor doe para uma biblioteca comunitária
uma série de livros da repartição pública na qual ele trabalha. Nesse caso, mesmo sem
observar as formalidades legais, o servidor não incorre em improbidade administrativa uma vez
que os livros destinam-se a fins educativos e assistenciais.

10. (Cespe – TCE/BA – Procurador 2010) Atos de improbidade administrativa são os que
geram enriquecimento ilícito ao agente público ou causam prejuízo material à administração
pública. Quem pratica esses atos pode ser punido com sanções de natureza civil e política —
mas não penal — como o ressarcimento ao erário, a indisponibilidade dos bens e a perda da
função pública.

11. (Cespe – TCE/BA – Procurador 2010) A configuração do ato de improbidade que viola
princípios administrativos independe da ocorrência de dano ou lesão ao erário público.

12. (Cespe – TCDF 2012) De acordo com a referida lei [de improbidade administrativa], a
aplicação da pena de ressarcimento aos cofres públicos independe da efetiva ocorrência de
dano ao patrimônio público.

13. (Cespe – TCE/PE 2017) A respeito de princípios da administração pública, ato


administrativo, poderes da administração, improbidade administrativa e regime jurídico dos
funcionários públicos civis do estado de Pernambuco, julgue o item a seguir.
Fundamenta-se no periculum in mora implícito a decretação da indisponibilidade de bens
quando estiverem presentes fortes indícios da prática de ato ímprobo.

14. (Cespe – TCE/PE 2017) João, aprovado em concurso público para auditor de controle
externo no tribunal de contas de seu estado, foi lotado em sua cidade natal. Ao ter ciência
desse fato, o prefeito do município, amigo da família de João, resolveu presenteá-lo com um
veículo, a fim de facilitar a sua locomoção até o local de trabalho. João aceitou o presente.
Com referência a essa situação hipotética, julgue o item que se segue, à luz do disposto na Lei
n.º 8.429/1992.
Caso seja condenado por improbidade administrativa, João estará sujeito a pagar multa de, no
mínimo, quatro vezes o valor do veículo que recebeu de presente.

15. (Cespe – TCE/PE 2017) João, aprovado em concurso público para auditor de controle
externo no tribunal de contas de seu estado, foi lotado em sua cidade natal. Ao ter ciência
desse fato, o prefeito do município, amigo da família de João, resolveu presenteá-lo com um
veículo, a fim de facilitar a sua locomoção até o local de trabalho. João aceitou o presente.
Com referência a essa situação hipotética, julgue o item que se segue, à luz do disposto na Lei
n.º 8.429/1992.
João cometeu ato de improbidade administrativa que importou enriquecimento ilícito.

16. (Cespe – TCE/PE 2017) À luz da Lei n.º 8.429/1992 — Lei de Improbidade
Administrativa —, julgue o próximo item.
A aplicação de sanções por atos de improbidade administrativa que causem prejuízo ao erário
depende da aprovação das contas pelo tribunal ou conselho de contas.

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17. (Cespe – TCE/PE 2017) A respeito de serviços públicos, processo administrativo,
controle externo, licitações e concessões, julgue o item a seguir.
Como as decisões do órgão de controle externo têm natureza prejudicial ao juízo não
especializado, a aprovação das contas do agente público por tal órgão impede a aplicação das
sanções previstas na Lei de Improbidade Administrativa.

18. (Cespe – SERES/PE 2017) João, Pedro e Lucas são servidores públicos estaduais. No
exercício de suas atribuições, João facilitou o enriquecimento ilícito de terceiro, Pedro
indevidamente deixou de praticar ato de ofício e Lucas recebeu vantagem econômica para
intermediar a liberação de verba pública. Os três servidores agiram culposamente.
De acordo com a Lei n.º 8.429/1992, nessa situação hipotética foi praticado ato de improbidade
administrativa somente por
a) Pedro.
b) João.
c) João e Lucas.
d) Pedro e Lucas.
e) Lucas.

19. (Cespe – TRE/BA 2017) No que concerne à improbidade administrativa, julgue os


seguintes itens, à luz da Lei n.º 8.429/1992.
I É possível conduta omissiva culposa configurar ato de improbidade administrativa que cause
lesão ao erário.
II As hipóteses de improbidade administrativa previstas na Lei de Improbidade são taxativas.
III Em ação de improbidade, é inadmissível transação, acordo ou conciliação.
IV Aplica-se aos atos de improbidade administrativa o princípio da insignificância.
Estão certos apenas os itens
a) I e II.
b) I e III.
c) II e III.
d) III e IV.
e) I, II e IV.

20. (Cespe – TRE/BA 2017) De acordo com a Lei n.º 8.429/1992 — Lei de Improbidade
Administrativa —, servidor público que, utilizando-se do cargo que ocupa, facilitar o
enriquecimento ilícito de terceiros, causando prejuízo ao erário, estará sujeito à pena de
a) proibição do recebimento de qualquer benefício até o total ressarcimento do dano.
b) perda dos valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio.
c) suspensão da função pública.

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d) suspensão dos direitos políticos até o integral ressarcimento do dano ao erário.
e) pagamento de multa civil, cujo valor deve ser equivalente ao valor do dano causado.

21. (Cespe – MPE/RR 2017) Após a captura em flagrante de um homem, policiais o


detiveram na delegacia, onde o torturaram na tentativa de obter dele a confissão da prática de
determinado crime. O MP ajuizou ação de improbidade administrativa contra esses policiais.
Nessa situação hipotética, conforme o entendimento do STJ, a conduta dos policiais
a) não configurou ato de improbidade administrativa, que se caracteriza como ato imoral com
feição de corrupção de natureza econômica, conduta inexistente no tipo penal de tortura.
b) configurou ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da
administração pública.
c) configurou ato de improbidade administrativa, pois a tortura é expressamente prevista no rol
de condutas ímprobas na Lei de Improbidade Administrativa.
d) não configurou ato de improbidade administrativa, que pressupõe lesão direta à própria
administração, e não a terceiros.

22. (Cespe – Prefeitura de Belo Horizonte/MG 2017) De acordo com o disposto na Lei de
Improbidade Administrativa — Lei n.º 8.429/1992 —, assinale a opção correta.
a) A efetivação da perda da função pública, penalidade prevista na lei em apreço, independe
do trânsito em julgado da sentença condenatória.
b) A configuração dos atos de improbidade administrativa que importem em enriquecimento
ilícito, causem prejuízo ao erário ou atentem contra os princípios da administração pública
depende da existência do dolo do agente.
c) O sucessor do agente que causou lesão ao patrimônio público ou que enriqueceu
ilicitamente responderá às cominações da lei em questão até o limite do valor da sua herança.
d) O responsável por ato de improbidade está sujeito, na hipótese de cometimento de ato que
implique enriquecimento ilícito, à perda dos bens ou dos valores acrescidos ilicitamente ao seu
patrimônio, ao ressarcimento integral do dano e à perda dos direitos políticos.

23. (Cespe – Prefeitura de Fortaleza/CE 2017) Um servidor da Procuradoria-Geral do


Município de Fortaleza, ocupante exclusivamente de cargo em comissão, foi preso em
flagrante, em operação da Polícia Federal, por fraudar licitação para favorecer determinada
empresa.
Com referência a essa situação hipotética, julgue o item subsequente tendo como fundamento
o controle da administração pública e as disposições da Lei de Improbidade Administrativa e da
Lei Municipal n.º 6.794/1990, que dispõe sobre o Estatuto dos Servidores do Município de
Fortaleza.
Mesmo que o servidor mencionado colabore com as investigações e ressarça o erário, não
poderá haver acordo ou transação judicial em sede de ação de improbidade administrativa.

24. (Cespe – Prefeitura de Fortaleza/CE 2017) Um servidor da Procuradoria-Geral do


Município de Fortaleza, ocupante exclusivamente de cargo em comissão, foi preso em

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flagrante, em operação da Polícia Federal, por fraudar licitação para favorecer determinada
empresa.
Com referência a essa situação hipotética, julgue o item subsequente tendo como fundamento
o controle da administração pública e as disposições da Lei de Improbidade Administrativa e da
Lei Municipal n.º 6.794/1990, que dispõe sobre o Estatuto dos Servidores do Município de
Fortaleza.
Segundo o entendimento do STJ, caso o referido servidor faleça durante a ação de
improbidade administrativa, a obrigação de reparar o erário será imediatamente extinta, dado o
caráter personalíssimo desse tipo de sanção.

25. (Cespe – Prefeitura de Fortaleza/CE 2017) Um servidor da Procuradoria-Geral do


Município de Fortaleza, ocupante exclusivamente de cargo em comissão, foi preso em
flagrante, em operação da Polícia Federal, por fraudar licitação para favorecer determinada
empresa.
Com referência a essa situação hipotética, julgue o item subsequente tendo como fundamento
o controle da administração pública e as disposições da Lei de Improbidade Administrativa e da
Lei Municipal n.º 6.794/1990, que dispõe sobre o Estatuto dos Servidores do Município de
Fortaleza.
Nesse caso, a sentença criminal absolutória transitada em julgado que negar a autoria
vinculará, necessariamente, a esfera administrativa.

26. (Cespe – Prefeitura de Fortaleza/CE 2017) A respeito de bens públicos e


responsabilidade civil do Estado, julgue o próximo item.
Se, após um inquérito civil público, o MP ajuizar ação de improbidade contra agente público por
ofensa ao princípio constitucional da publicidade, o agente público responderá objetivamente
pelos atos praticados, conforme o entendimento do STJ.

27. (Cespe – TRE/PE 2017) Considerando, por mera hipótese, que Sérgio seja servidor
público da autarquia X e que, no desempenho de atividades do seu cargo, pratique ato de
improbidade administrativa, assinale a opção correta.
a) Se o ato em questão atentar contra os princípios da administração pública, Sérgio
responderá tanto por ação quanto por omissão, tenha ele agido de forma dolosa ou culposa.
b) Qualquer pessoa terá legitimidade para, perante a autoridade administrativa competente,
apresentar representação solicitando a instauração de investigação para apurar a prática do
ato de improbidade.
c) Caso o referido ato cause lesão ao erário, Sérgio poderá ter os direitos políticos suspensos
de oito a dez anos.
d) Sérgio somente sofrerá as sanções previstas em lei se houver efetiva ocorrência de dano ao
patrimônio público.
e) A ação de improbidade contra Sérgio somente poderá ser proposta pela pessoa jurídica
lesada, ou seja, a autarquia X.

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28. (Cespe – TRE/PE 2017) Um empresário, proprietário de determinada empresa que
firmou contrato com o poder público, contribuiu para a prática de ato de improbidade
administrativa levado a efeito por servidor público de determinado órgão estatal.
Nessa situação hipotética,
a) o servidor público só estará sujeito ao disposto na Lei de Improbidade Administrativa se
pertencer a órgão da administração direta.
b) o empresário só estará sujeito às disposições da Lei de Improbidade Administrativa se o ato
de improbidade lhe tiver beneficiado.
c) o servidor só estará sujeito às disposições da Lei de Improbidade Administrativa se tiver sido
nomeado para o cargo mediante concurso público.
d) o servidor estará sujeito às disposições da Lei de Improbidade Administrativa ainda que
exerça suas funções de forma transitória.
e) o empresário, por não ser agente público, não estará sujeito ao disposto na Lei de
Improbidade Administrativa.

29. (Cespe – TRE/PE 2017) Um empregado de determinada sociedade de economia mista


permitiu que terceiro enriquecesse ilicitamente, em detrimento do patrimônio público, embora
não tenha facilitado a prática do ato que resultou no enriquecimento do terceiro nem tenha
concorrido para a sua prática.
Nessa situação, o empregado
a) cometeu ato de improbidade administrativa que importa em enriquecimento ilícito.
b) cometeu ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário.
c) não cometeu ato de improbidade administrativa, pois empregados de sociedade de
economia mista não estão sujeitos às cominações da Lei de Improbidade Administrativa.
d) não cometeu ato de improbidade, pois o ato de permitir o enriquecimento ilícito de terceiro
não está expressamente configurado como improbidade administrativa no ordenamento jurídico
brasileiro.
e) não cometeu ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da
administração pública, pois agiu mediante omissão culposa.

30. (Cespe – PC/GO 2017) Se uma pessoa, maior e capaz, representar contra um delegado
de polícia por ato de improbidade sabendo que ele é inocente, a sua conduta poderá ser
considerada, conforme o disposto na Lei n.º 8.429/1992,
a) crime, estando essa pessoa sujeita a detenção e multa.
b) ilícito administrativo, por atipicidade penal da conduta.
c) contravenção penal.
d) crime, estando essa pessoa sujeita apenas a multa.
e) crime, estando essa pessoa sujeita a reclusão e multa.

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31. (Cespe – PC/GO 2017) Em relação à improbidade administrativa, assinale a opção
correta.
a) A ação de improbidade administrativa apresenta prazo de proposição decenal, qualquer que
seja a tipicidade do ilícito praticado pelo agente público.
b) Se servidor público estável for condenado em ação de improbidade administrativa por uso
de maquinário da administração em seu sítio particular, poderá ser-lhe aplicada pena de
suspensão dos direitos políticos por período de cinco a oito anos.
c) O particular que praticar ato que enseje desvio de verbas públicas, sozinho ou em conluio
com agente público, responderá, nos termos da Lei de Improbidade Administrativa, desde que
tenha obtido alguma vantagem pessoal.
d) Enriquecimento ilícito configura ato de improbidade administrativa se o autor auferir
vantagem patrimonial indevida em razão do cargo, mandato, função, emprego ou atividade,
mesmo que de forma culposa.
e) Caso um servidor público federal estável, de forma deliberada, sem justificativa e reiterada,
deixar de praticar ato de ofício, poderá ser-lhe aplicada multa civil de até cem vezes o valor da
sua remuneração, conforme a gravidade do fato.

32. (Cespe – SEDF 2017) O prefeito de determinado município utilizou recursos do Fundo de
Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da
Educação (FUNDEB) para pagamento de professores e para a compra de medicamentos e
insumos hospitalares destinados à assistência médico-odontológica das crianças em idade
escolar do município.
Mauro, chefe do setor de aquisições da prefeitura, propositalmente permitia que o estoque de
medicamentos e insumos hospitalares chegasse a zero para justificar situação emergencial e
dispensar indevidamente a licitação, adquirindo os produtos, a preços superfaturados, da
empresa Y, pertencente a sua sobrinha, que desconhecia o esquema fraudulento.
A respeito da situação hipotética apresentada e de aspectos legais e doutrinários a ela
relacionados, julgue o item a seguir.
A conduta de Mauro constitui ato de improbidade administrativa.

33. (Cespe – Auditor TCE PR 2016) Um funcionário da prefeitura de determinado município,


encarregado de supervisionar as obras de reforma de um posto de saúde municipal,
determinou que os empregados que trabalhavam na obra construíssem uma piscina em um
sítio de sua propriedade. Na construção dessa piscina, foram utilizadas máquinas, veículos e
equipamentos da prefeitura, os quais, todavia, foram devolvidos sem qualquer tipo de dano. O
caso foi objeto de apuração pelo TCE. Encerrada a tomada de contas, o tribunal concluiu pela
inexistência de provas de dano aos cofres públicos, mas apontou haver provas de que o fato
teria gerado um acréscimo patrimonial indevido em proveito do servidor. Segundo a Lei de
Improbidade Administrativa, no caso hipotético narrado, considerando haver provas suficientes
para a caracterização da prática de ato de improbidade, a conduta do servidor seria passível de
aplicação da(s) penalidade(s) de
A) multa civil no valor de até dez salários mínimos.

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B) perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio; suspensão do exercício da
função pública por até seis meses; e pagamento de multa civil de até cem vezes a
remuneração do servidor.
C) perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio; suspensão do exercício da
função pública pelo prazo de até oito anos; pagamento de multa civil de até duas vezes o valor
do acréscimo patrimonial; e proibição de contratar com o poder público ou receber benefícios
ou incentivos fiscais ou creditícios pelo prazo de cinco anos.
D) perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio; perda da função pública;
suspensão dos direitos políticos de oito a dez anos; pagamento de multa civil de até três vezes
o valor do acréscimo patrimonial; e proibição de contratar com o poder público ou receber
benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios pelo prazo de dez anos.
E) advertência apenas, uma vez que não houve dano.

34. (Cespe – TCE/AC 2009) Em relação à improbidade administrativa, assinale a opção


correta.
a) A rejeição de representação de improbidade realizada por uma autoridade administrativa
impede um particular de requerê-la pelos mesmos fatos ao MP.
b) Uma vez recebida a ação de improbidade proposta contra um indivíduo e determinada sua
citação, ele pode apelar ao tribunal para tentar reformar a decisão.
c) É legal a conduta de um indivíduo que, arrependido de ter praticado ato de improbidade,
procure o promotor de justiça da cidade para dispor-se a transação em que seja proposta à
autoridade a recomposição do dano como forma de evitar o prosseguimento da ação que já
fora proposta e, por consequência, a aplicação de pena.
d) Ação de improbidade proposta contra ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) será
neste processada e julgada.
e) Considere a seguinte situação hipotética. Francisco ocupava exclusivamente cargo
comissionado em tribunal de justiça e foi responsável pela licitação da obra de reforma do
fórum da capital ocorrida no período de 30/6/2003 a 12/9/2003. Em 30/6/2004, ele foi
exonerado do cargo. Após regular processo administrativo, foi constatada a prática de ato de
improbidade, razão pela qual, em fevereiro de 2009, foi ajuizada ação de improbidade contra
Francisco. Nessa situação, está prescrita a aplicação da pena por ato de improbidade.

35. (Cespe – MPTCE/PB 2014) Com relação à ação de improbidade administrativa e à ação
civil pública, assinale a opção correta.
a) Inexiste foro por prerrogativa nas ações de improbidade administrativa, de modo que essas
ações deverão ser processadas perante o juízo de primeira instância, mesmo quando
ajuizadas contra ministro do STF.
b) O particular que induza ou concorra para a prática do ato de improbidade ou dele se
beneficie, direta ou indiretamente, pode figurar, sozinho, no polo passivo de ação de
improbidade administrativa.

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c) Ainda que a lei de ação civil preveja a legitimidade do MP para a proposição de ação
principal e de ação cautelar, esse órgão não tem legitimidade para promover ação civil pública
cuja causa de pedir seja a ilegalidade de reajustes de mensalidades escolares.
d) Tanto a ação civil pública quanto a ação de improbidade administrativa pressupõem a
impossibilidade de transação.
e) A aplicação das sanções previstas na lei de improbidade prescinde da efetiva ocorrência do
dano ao patrimônio público, salvo quanto à pena de ressarcimento, e da aprovação ou rejeição
das contas pelo tribunal ou conselho de contas.

36. (Cespe – TCE/ES – Procurador 2009) Acerca da improbidade administrativa, assinale a


opção correta.
a) Suponha que um conselheiro do TC do estado X seja réu em ação civil pública por
improbidade administrativa. Nessa situação, a referida ação civil pública deverá ser processada
e julgada originariamente pelo respectivo tribunal de justiça, se assim previr a constituição
estadual.
b) Suponha que Gustavo, que não é servidor público, seja coréu em uma ação civil pública que
apure ato de improbidade administrativa. Nessa situação, conforme entendimento do STJ,
como a lei não prevê prazo de prescrição para aqueles que não ocupam cargo ou função
pública, a ação será considerada imprescritível.
c) De acordo com a lei de regência, não há previsão legal para que o TCU venha a designar
um representante para acompanhar procedimento administrativo que vise apurar fatos que
possam fundamentar uma tomada de contas especial.
d) Servidor público estadual que, notificado para apresentar a declaração anual de bens,
recusar-se-á apresentá-la, dentro do prazo especificado, será punido com a pena de demissão,
conforme previsto na lei de regência.
e) Pessoas jurídicas de direito público, mesmo que interessadas, não têm legitimidade ativa
para propor ação civil pública de improbidade administrativa.

37. (Cespe – MP/ES – Promotor de Justiça 2010) Com referência à improbidade


administrativa, tendo em vista o disposto na Lei n.º 8.429/1992, assinale a opção correta.
a) A aplicação das sanções previstas na Lei de Improbidade depende da efetiva ocorrência de
dano ao patrimônio público.
b) A ação de improbidade, quando proposta pelo MP, há que ser obrigatoriamente precedida
de inquérito civil público.
c) As ações de improbidade devem ser propostas no prazo de cinco anos, contados da prática
do ilícito que enseje sua propositura.
d) A autoridade judicial ou administrativa competente poderá determinar o afastamento do
agente público do exercício do cargo, emprego ou função, sem prejuízo da remuneração,
quando a medida se fizer necessária à instrução processual.
e) Não sendo a ação de improbidade proposta pelo MP, terá ele a opção de atuar, ou não, no
processo, a critério de seu representante.

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38. (Cespe – TJDFT 2014) A respeito da improbidade administrativa, assinale a opção
correta.
a) Constitui ato de improbidade exercer atividade de consultoria para pessoa física que tenha
interesse que possa ser amparado por ação ou omissão decorrente das atribuições do agente
público, durante a atividade.
b) A declaração de bens deve ser apresentada tão somente por ocasião da posse e na data em
que o agente público deixar o exercício do mandato, cargo, emprego ou função pública.
c) Para a caraterização de ato de improbidade administrativa, dele deve decorrer lesão ao
erário ou vantagem pessoal ao agente.
d) O administrador público que atrasa a entrega das contas públicas pratica ato de
improbidade, independentemente da existência de dolo na espécie.
e) O sucessor daquele que causar lesão ao patrimônio público estará sujeito, até o limite da
lesão, às cominações da Lei de Improbidade Administrativa.

39. (Cespe – MPE/AC 2014) A respeito da ação de improbidade administrativa, assinale a


opção correta.
a) Não cabe ação civil pública por improbidade administrativa, para fins exclusivos de
ressarcimento ao erário, nos casos em que se reconheça a prescrição da ação quanto às
demais sanções previstas na lei que trata da improbidade administrativa.
b) Veda-se ao magistrado rejeitar de plano a ação de improbidade administrativa, ainda que
convencido da inexistência do ato de improbidade.
c) A simples ausência de prestação de contas no prazo em que deveria ser apresentada
configura ato de improbidade administrativa, visto que dissociada do elemento subjetivo da
conduta do agente.
d) A ação de ressarcimento dos prejuízos causados ao erário é imprescritível, ainda que
cumulada com a ação de improbidade administrativa.
e) Nas ações de improbidade administrativa, é necessária a prova concreta de periculum in
mora para a declaração de indisponibilidade dos bens.

40. (Cespe – MPE/AC 2014) No que se refere à Lei de Improbidade Administrativa, assinale
a opção correta.
a) Para os efeitos dessa lei, aquele que exerce, ainda que transitoriamente, desde que de
forma remunerada, mandato, cargo, emprego ou função na administração direta é considerado
agente público.
b) De acordo com entendimento pacificado no STJ, os agentes políticos submetem-se aos
preceitos dessa lei.
c) Consoante jurisprudência do STJ, é vedada a cumulação de pedidos condenatório e
ressarcitório em sede de ação por improbidade administrativa.
d) Para os efeitos dessa lei, não se reputa agente público aquele que exerça, por contratação,
emprego em entidade para cuja criação o erário haja concorrido com mais de cinquenta por
cento do patrimônio ou da receita anual.

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e) Segundo entendimento do STJ, seria compatível com a CF eventual preceito normativo
infraconstitucional que impusesse imunidade aos agentes políticos no que se refere à aplicação
dos preceitos da referida lei.

41. (Cespe – TJ/CE 2014) A propósito da improbidade administrativa, assinale a opção


correta.
a) Constitui ato de improbidade administrativa que importa enriquecimento ilícito a realização
de operação financeira sem observância das normas legais e regulamentares.
b) Na hipótese de condenação de agente público pela prática de ato de improbidade
administrativa que atente contra os princípios da administração pública, está o responsável
sujeito, entre outras cominações, à suspensão da função pública, pelo prazo de três a cinco
anos.
c) Qualquer pessoa possui legitimidade para representar à autoridade administrativa
competente, de maneira a ser instaurada investigação para apurar a prática de ato de
improbidade administrativa.
d) Para os efeitos da Lei de improbidade administrativa, é considerado agente público aquele
que exerce, ainda que transitoriamente, mandato em entidade da administração indireta do
Poder Executivo estadual, excluído aquele que exerce, sem remuneração, função na
mencionada entidade.
e) O ressarcimento do dano é obrigatoriamente integral na hipótese da ocorrência de lesão ao
patrimônio público por ação ou omissão dolosa do agente ou de terceiro; na hipótese de
conduta culposa, é admissível o ressarcimento parcial.

42. (Cespe – TCDF 2014) Servidor público que omitir ou negar a publicidade de qualquer ato
oficial incorre em improbidade administrativa.

43. (Cespe – TCDF 2014) Considere que José tenha representado contra um servidor
público por ato de improbidade mesmo sabendo ser ele inocente. Nesse caso, além da sanção
penal, José estará sujeito a indenizar o referido servidor pelos danos materiais, morais ou à
imagem que houver provocado.

44. (Cespe – TCE/AC – 2009) O Poder Judiciário, quando atua em caso que envolva
improbidade administrativa, possui a competência para requerer inspeção e auditoria aos
tribunais de contas, responsáveis pela verificação da legalidade da gestão governamental.

45. (Cespe – TCDF 2002) Considere a seguinte situação hipotética. O presidente da


comissão de licitação de uma autarquia do DF devassou o sigilo das propostas, substituindo a
que fora apresentada pela empresa X, de modo que esta veio a vencer o certame.
Subsequentemente, o servidor que auxiliara o presidente da comissão, não tendo obtido a
vantagem que lhe fora prometida, denunciou a irregularidade à chefia do órgão. Nessa
situação, na condenação pela prática criminosa, o juiz poderá impor ao presidente da comissão
de licitação a pena restritiva de direito de perda do cargo público.

46. (Cespe – TCDF 2002) A aplicação das sanções definidas em lei para a prática de ato de
improbidade, consistente na realização de despesa não autorizada na lei orçamentária, está

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condicionada à apuração de efetiva ocorrência de dano ao patrimônio público e à rejeição das
contas pelo TCDF — isto na hipótese de o gestor estar sujeito à apresentação de contas e ao
respectivo julgamento destas por aquela Corte.

47. (Cespe – TRF 1ª Região – Juiz 2011) Quando for exarada decisão do tribunal de contas
reconhecendo a legitimidade do ato administrativo, este não poderá ser objeto de impugnação
em ação de improbidade, restando inviabilizado, em tal hipótese, o controle do Poder
Judiciário.

48. (Cespe – TCDF 2012) Durante a instrução processual, o agente público poderá ser
afastado do seu cargo mediante determinação de autoridade administrativa competente.

49. (Cespe – TCDF 2012) Apenas a autoridade administrativa competente poderá instaurar
investigação destinada a apurar a prática de ato de improbidade, sendo vedada a
representação da autoridade para que ocorra a instauração da investigação.

50. (ESAF – STN 2013) Determinado reitor de uma Universidade Federal laborou na
assinatura de contrato que posteriormente foi considerado pelo Ministério Público Federal
como o início de um esquema delituoso.
Em ação judicial específica, foi deferida a indisponibilidade dos bens do referido reitor.
Acerca do caso concreto acima narrado, e tendo em mente a jurisprudência do STJ a respeito
do tema, analise as assertivas abaixo classificando-as como verdadeiras(V) ou falsas(F). Ao
final, assinale a opção que contenha a sequência correta.
( ) A medida constritiva de indisponibilidade de bens pela Lei n. 8.429/92 deve observar, no
mínimo, a data de vigência da referida Lei.
( ) A decretação de indisponibilidade de bens em decorrência da apuração de atos de
improbidade administrativa deve limitar-se aos bens necessários ao ressarcimento integral do
dano, somente sendo passíveis de constrição os bens adquiridos posteriormente ao fato
ímprobo.
( ) A possibilidade de indisponibilidade de bens está condicionada à prévia manifestação dos
réus.
( ) A natureza jurídica da indisponibilidade de bens prevista na Lei de Improbidade
Administrativa é manifestamente acautelatória, pois visa assegurar o resultado prático de
eventual ressarcimento ao erário causado pelo ato ímprobo.
a) F, F, V, V
b) V, V, F, V
c) F, F, V, F
d) V, V, V, F
e) F, F, F, V

51. (ESAF – MTur 2014) No que concerne à interpretação de disposições constitucionais e


legais que tratam de improbidade administrativa, assinale a opção correta.

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a) Segundo a jurisprudência mais recente do Superior Tribunal de Justiça, as sanções
previstas pela Lei de Improbidade Administrativa podem ser aplicadas retroativamente, para
alcançar fatos anteriores à sua vigência.
b) Consoante mandamento constitucional, os atos de improbidade administrativa importarão a
cassação dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o
ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal
cabível.
c) Conforme disposição contida na Lei de Improbidade Administrativa, reputa-se agente
público, para os efeitos da aludida norma, todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente,
mas apenas de forma remunerada, mandato, cargo, emprego ou função nas entidades públicas
mencionadas na referida lei.
d) O sucessor daquele que causar lesão ao patrimônio público ou se enriquecer ilicitamente
não está sujeito às cominações da Lei de Improbidade Administrativa.
e) A aplicação das sanções previstas na Lei de Improbidade Administrativa independe da
aprovação ou rejeição das contas pelo órgão de controle interno ou pelo Tribunal ou Conselho
de Contas.

52. (Cespe – DPU 2015) O rol de condutas tipificadas como atos de improbidade
administrativa constante na Lei de Improbidade (Lei n.º 8.429/1992) é taxativo.
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GABARITO

2) E 3) C 4) C 5) E
1) E
7) E 8) C 9) E 10) E
6) E
12) E 13) C 14) E 15) C
11) C
17) E 18) b 19) b 20) b
16) E
22) c 23) C 24) E 25) C
21) b
27) b 28) d 29) b 30) a
26) E
32) C 33) d 34) d 35) e
31) e
37) d 38) a 39) d 40) b
36) d
42) E 43) C 44) E 45) E
41) c
47) E 48) C 49) E 50) e
46) E
52) E
51) e

(61) 99322 8021


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Referências:
Alexandrino, M. Paulo, V. Direito Administrativo. 22ª ed. Rio de Janeiro: Método, 2014.
Di Pietro, M. S. Z. Direito Administrativo. 20ª ed. São Paulo: Editora Atlas, 2007.
Gajardoni, F. F. Cruz, L. P. F. et al. Comentários à lei de improbidade administrativa. São
Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2010.
Meirelles, H. L. Direito administrativo brasileiro. 35 ed. São Paulo: Malheiros, 2009.

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Pazzaglini Filho, M. Lei de improbidade administrativa comentada. 2ª ed. São Paulo:
Editora Atlas, 2005.

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