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CONHECIMENTOS

PEDAGÓGICOS E
METODOLÓGICOS

TEORIA, LEGISLAÇÕES
130 QUESTÕES DE PROVAS DA FUNRIO
166 QUESTÕES DE PROVAS DE OUTRAS INSTITUIÇÕES

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SUMÁRIO
1. FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO ............................................................................................................ 05
Questões de Provas da FUNRIO e de Outras Instituições.................................................................................................... 17

2. A FUNÇÃO SOCIAL DA ESCOLA. RELAÇÕES SOCIOECONÔMICAS E POLÍTICO-CULTURAIS DA


EDUCAÇÃO ............................................................................................................................................... 20
Questões de Provas da FUNRIO e de Outras Instituições.................................................................................................... 23

3. LEI Nº 9.394/96 – LEI DE DIRETRIZES E BASE DA EDUCAÇÃO NACIONAL ....................................... 25


Questões de Provas da FUNRIO e de Outras Instituições.................................................................................................... 42

4. CONCEPÇÕES E TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS CONTEMPORÂNEAS .............................................. 47


Questões de Provas da FUNRIO e de Outras Instituições.................................................................................................... 57

5. PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM: papel do educador, do educando, da sociedade ............................ 62


Questões de Provas da FUNRIO e de Outras Instituições.................................................................................................... 64

6. CURRÍCULO: planejamento, seleção e organização dos conteúdos ................................................................ 66


Questões de Provas da FUNRIO e de Outras Instituições.................................................................................................... 67

7. AVALIAÇÃO .............................................................................................................................................. 69
Questões de Provas da FUNRIO e de Outras Instituições.................................................................................................... 72

8. DIDÁTICA E ORGANIZAÇÃO DO ENSINO .............................................................................................. 75


Questões de Provas da FUNRIO e de Outras Instituições.................................................................................................... 77

9. PLANEJAMENTO: a realidade escolar; o planejamento e o projeto pedagógico da escola ................................ 78


Questões de Provas da FUNRIO e de Outras Instituições.................................................................................................... 81

10. SABERES ESCOLARES, PROCESSOS METODOLÓGICOS E AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM .... 86


Questões de Provas da FUNRIO e de Outras Instituições.................................................................................................... 88

11. NOVAS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO E SUA CONTRIBUIÇÃO COM A


PRÁTICA PEDAGÓGICA .......................................................................................................................... 90
Questões de Provas da FUNRIO e de Outras Instituições.................................................................................................... 94

12. DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS PARA A EDUCAÇÃO BÁSICA ......................................... 96


Questões de Provas da FUNRIO e de Outras Instituições.................................................................................................. 142

13. BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR ............................................................................................ 145


Questões de Provas de Outras Instituições ........................................................................................................................ 151

14. EDUCAÇÃO E DIREITOS HUMANOS, DEMOCRACIA E CIDADANIA ................................................. 153


Questões de Provas da FUNRIO e de Outras Instituições.................................................................................................. 156

15. PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS – 2007 .............................................. 158


Questões de Provas de Outras Instituições ........................................................................................................................ 179
16. LEI Nº 8.069/90 – ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE .................................................... 180
Questões de Provas da FUNRIO e de Outras Instituições.................................................................................................. 219

17. INCLUSÃO EDUCACIONAL E RESPEITO À DIVERSIDADE ................................................................ 222


Questões de Provas de Outras Instituições ........................................................................................................................ 224

18. LEI Nº 10.639/03 – HISTÓRIA E CULTURA AFRO BRASILEIRA E AFRICANA ................................... 225
Questões de Provas da FUNRIO e de Outras Instituições.................................................................................................. 225

19. EDUCAÇÃO INCLUSIVA ........................................................................................................................ 227


Questões de Provas da FUNRIO e de Outras Instituições.................................................................................................. 229

20. LEI Nº 13.415, DE 16 DE FEVEREIRO DE 2017 ..................................................................................... 231


Questões de Provas da FUNRIO e de Outras Instituições.................................................................................................. 234

21. O CONHECIMENTO CIENTÍFICO E A QUESTÃO DA VERDADE ......................................................... 235


Questões de Provas de Outras Instituições ........................................................................................................................ 236

22. PROCESSOS INDUTIVOS E DEDUTIVOS NA PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO ............................. 237


Questão de Prova de Outra Instituição ................................................................................................................................ 238

23. PESQUISA BÁSICA E APLICADA ......................................................................................................... 239


Questões de Provas de Outras Instituições ........................................................................................................................ 244

24. CARACTERÍSTICAS E DELIMITAÇÕES DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO ...................................... 245


Questões de Provas da FUNRIO e de Outras Instituições.................................................................................................. 246

25. ASPECTOS FUNDAMENTAIS DA INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA: referencial teórico como ponto de partida;
delimitação do problema e objetivos; papel das hipóteses; variáveis, indicadores de variáveis e qualidade dos
indicadores; população e amostras. FATOS, DESCRIÇÃO, LEIS, TEORIAS, CLASSIFICAÇÃO DA CIÊNCIA.
MODELOS DE ESTUDO. FUNDAMENTOS TÉCNICOS E CIENTÍFICOS DA ABORDAGEM CIENTÍFICA
PARA A SOLUÇÃO DE PROBLEMAS NA ÁREA DA EDUCAÇÃO ...................................................... 249
Questões de Provas da FUNRIO e de Outras Instituições.................................................................................................. 254

26. ANÁLISE DAS RELAÇÕES ENTRE PESQUISA EM EDUCAÇÃO E AS PRÁTICAS EDUCATIVAS E


ENFOQUES DA PESQUISA EM EDUCAÇÃO. COMPREENSÃO DAS TENDÊNCIAS METODOLÓGICAS
PARA A CIÊNCIA, LEVANDO-SE EM CONSIDERAÇÃO O ATUAL MOMENTO HISTÓRICO ............. 258
Questões de Provas da FUNRIO e de Outras Instituições.................................................................................................. 261

SIMULADO .......................................................................................................................................... 263


GABARITOS........................................................................................................................................ 269
CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS E METODOLÓGICOS
Teoria, Legislações e Questões da FUNRIO e de Outras Instituições por Assuntos com Gabaritos

CONHECIMENTOS
PEDAGÓGICOS E METODOLÓGICOS
1 FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO
1 – A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO, TOMANDO COMO EDUCAÇÃO NA IDADE MÉDIA
FUNDAMENTO PARA COMPREENSÃO DO PROCESSO Podemos reconhecer traços da tradição espartana na
EDUCACIONAL O CONTEXTO HISTÓRICO educação medieval. Os estudantes eram formados de
acordo com o pensamento conservador da época e a
O processo de educação do homem foi fundamental para educação desenvolvida em consonância com os rígidos
o desenvolvimento dos grupos sociais e de suas respectivas dogmas da Igreja Católica. Cabe ressaltar que até o século
sociedades, razão pela qual o conhecimento de sua histó- XVII os valores morais e até mesmo os ofícios responsáveis
pela garantia da subsistência eram transmitidos em grande
ria e experiências passadas é essencial para a compreen-
parte dentro dos próprios círculos familiares, sendo que es-
são dos rumos tomados pela educação no presente.
ses valores e códigos de conduta eram profundamente in-
fluenciados pelo pensamento religioso. Em contrapartida,
EDUCAÇÃO NA ANTIGUIDADE com as Reformas Religiosas e o Renascimento inicia-se uma
nova era para o Ocidente e é marcada pelo ressurgimento
Tomando a herança cultural deixada pela antiguidade como dos ideais atenienses nos discursos sobre os objetivos da Edu-
a fonte principal sobre a qual a civilização ocidental se er- cação. O conhecimento era tipo como um corpo sagrado,
gueu, o legado deixado pelas principais cidades estados essa matriz de pensamento permaneceu dominante e foi
da Grécia Antiga – Esparta e Atenas – constitui-se como grande responsável pela concepção do papel da educa-
princípio de organização social e educativa que serviu de ção desde o desaparecimento do Antigo Regime até a cons-
modelo para diversas sociedades no decorrer dos séculos. tituição dos Estados Nacionais: o conhecimento passa a ser
organizado para ser transmitido pela escola, através da au-
Reconhecida por seu poder militar e caráter guerreiro, o
toridade do professor enquanto sujeito detentor do saber e
modelo de educação espartano baseava-se na disciplina
mantenedor da ordem e da disciplina.
rígida, no autoritarismo, no ensino de artes militares e códi-
gos de conduta, no estímulo da competitividade entre os
EDUCAÇÃO MODERNA
alunos e nas exigências extremas de desempenho. Por ou-
tro lado, Atenas tinha no logos (conhecimento) seu ideal Foi esse modelo de educação escolar centrado na figura
educativo mais importante. O exercício da palavra, assim do professor como transmissor do conhecimento que se ex-
como a retórica e a polêmica, era valorizado em função pandiu ao longo dos séculos XVIII e XIX, impulsionado pela
da prática da democracia entre iguais. Como herança da Revolução Industrial e a consequente urbanização e aumento
educação ateniense surgiram os sofistas, considerados mes- demográfico. Além disso, o fortalecimento e expansão de re-
gimes democráticos influenciou a reivindicação pelo acesso
tres da retórica e da oratória, eles ensinavam a arte das pa-
a escola enquanto direito do cidadão e à educação passa
lavras para que seus alunos fossem capazes de construir ar- a ser atribuída a tarefa de formar cidadãos, cientes de di-
gumentos vitoriosos na arena política. Fruto da mesma ma- reitos e deveres e capazes de exercê-los perante a socie-
triz intelectual, porém em oposição ao pensamento sofista, dade.
o filósofo Sócrates propunha ensinar a pensar – mais do que A partir de meados do século XIX, portanto, o modelo hie-
ensinar a falar - através de perguntas cujas respostas depen- rarquizado e autoritário de educação que caracterizou as
diam de uma análise lógica e não simplesmente da mera instituições escolares até então passou a ser questionado
por educadores como Maria Montessori, na Europa, e John
retórica. Apesar de concepções opostas, tanto o pensa-
Dewey, nos Estados Unidos. Impulsionados pelo desenvolvi-
mento sofista como o pensamento socrático contribuíram mento dos estudos de psicologia sobre aprendizagem e de-
para a educação contemporânea através da valorização senvolvimento humano, e com críticas a pedagogia tradi-
da experiência e do conhecimento prévio do aluno en- cional e a forma como os conteúdos curriculares eram im-
quanto estratégias que se tornaram muito relevantes para postos aos alunos, esses e outros educadores passaram a
o sucesso na aprendizagem do aluno na contemporanei- reivindicar a participação ativa dos alunos no processo de
aprendizagem. Desta forma e como mencionado anterior-
dade.
mente, essas propostas resgataram princípios atenienses de
educação ao valorizar a experiência anterior do aluno e
seus conhecimentos prévios à aprendizagem escolar.

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CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS E METODOLÓGICOS
Teoria, Legislações e Questões da FUNRIO e de Outras Instituições por Assuntos com Gabaritos

Em função dessa trajetória histórica, cabe salientar que a 2 – OS FATORES QUE CONTRIBUÍRAM PARA O DESEN-
Educação não atendeu sempre aos mesmos tipos de obje- VOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA, A PARTIR
tivos e toda a sua análise requer, antes de tudo, um intenso
DA CHEGADA DOS JESUÍTAS ATÉ A CONTEMPORANEI-
esforço de reflexão e contextualização. Através deste cami-
nho pode-se melhor compreender métodos e teorias edu-
DADE, ENFATIZANDO A ORGANIZAÇÃO DO ENSINO E
cacionais, pois observamos traços presentes nas práticas SUAS RELAÇÕES COM O CONTEXTO SÓCIO-POLÍTICO
educativas atuais que remetem a herança deixada pelos E ECONÔMICO DE CADA ÉPOCA
modelos educativos analisados até aqui. Se, de um lado,
está o valor da disciplina e do conhecimento a ser transmi- Compreender a trajetória da Educação é uma parte essen-
cial da formação dos docentes. Por isso, Dermeval Saviani,
tido pela escola; e, de outro lado, a ideia de que o conhe-
professor emérito da Universidade Estadual de Campinas
cimento é construído e consequentemente ninguém ensina
(Unicamp), sugere que essa área do conhecimento seja o
nada a ninguém de forma definitiva; é importante a cons-
eixo da organização dos conteúdos curriculares de Peda-
tatação de que essas correntes de pensamento não se ex- gogia. "De um curso assim estruturado se espera que forme
cluem, uma vez que nos dias atuais é necessário conciliar o pedagogos com uma aguda consciência da realidade em
valor do conhecimento ao valor do engajamento dos alu- que vão atuar", diz.
nos como estratégia para sanar as exigências de um mundo "Uma educação focada exclusivamente na catequização.
em contínuo desenvolvimento e marcado pelo fluxo cons- Foi assim que nasceu o embrião do ensino no Brasil, em 1549,
tante de informação disponível a uma ampla gama de pes- quando os primeiros jesuítas desembarcaram na Bahia. A
soas situadas em diferentes regiões do mundo. educação pensada pela Igreja Católica - que mantinha uma
Como salienta Moacir Gadotti, o conhecimento tem pre- relação estreita com o governo português - tinha como ob-
sença garantida em qualquer projeção que se faça sobre jetivo converter a alma do índio brasileiro à fé cristã. Havia
uma divisão clara de ensino: as aulas lecionadas para os
o futuro; contudo, os sistemas educacionais ainda não con-
índios ocorriam em escolas improvisadas, construídas pelos
seguiram avaliar de maneira satisfatória o impacto das tec-
próprios indígenas, nas chamadas missões; já os filhos dos
nologias da informação sobre a Educação. Logo, será pre-
colonos recebiam o conhecimento nos colégios, locais mais
ciso trabalhar em dois tempos: o tempo do passado e o estruturados por conta do investimento mais pesado."
tempo do futuro. Fazendo de tudo para superar as condi-
As primeiras salas de aula em nossa terra foram criadas pe-
ções de atraso e, ao mesmo tempo, criando condições los jesuítas para evangelizar os índios.
para aproveitar as novas possibilidades que surgem através
Os padres começaram a catequizar os índios logo que de-
desses novos espaços de conhecimento. sembarcaram no Brasil.
Inicialmente, os curumins (filhos dos índios) e órfãos portu-
BIBLIOGRAFIA:
gueses. Mais tarde, os filhos dos proprietários das fazendas
ALVES, Luís Alberto Marques. História da Educação. Facul- de gado e dos engenhos de cana-de-açúcar e também
dos escravos. Em todos os casos, apenas meninos. Esses fo-
dade de Letras da Universidade do Porto, 2012. Disponível
ram os primeiros alunos da Educação formal (e letrada)
em: http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/10021.pdf
brasileira. E os padres jesuítas, os primeiros professores. De
AMADO, Casimiro Manuel Martins. História da Pedagogia e 1549, quando o padre Manuel da Nóbrega (1517-1570)
da Educação. Universidade de Évora, 2007. Disponível em: chegou ao nosso território na caravela do governador-ge-
http://home.dpe.uevora.pt/~casimiro/HPE-%20Guiao%20- ral Tomé de Sousa (1503-1579), até 1759, quando Sebastião
%20tudo.pdf José de Carvalho e Melo (1699-1782), o marquês de Pom-
bal, expulsou a Companhia de Jesus, a catequização e o
GADOTTI, Moacir. Perspectivas Atuais da Educação. Revista ensino se misturaram.
São Paulo Perspectiva. Vol.14, nº.2. São Paulo,2000. Dispo- Franciscanos e outras ordens religiosas chegaram a realizar
nível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_art- algumas tentativas pontuais de ensino, como lembra Der-
text&pid=S0102-88392000000200002. meval Saviani em História das Ideias Pedagógicas no Brasil
(498 págs., Ed. Autores Associados, tel. 19/3289-5930, 89 re-
As Competências do Professor ao Longo da História. Curso
ais), mas foram os jesuítas que lograram a constituição de
Específico de Formação aos Ingressantes nas Classes Do-
uma rede educacional. Os primeiros passos foram dados
centes do Quadro do Magistério. Secretaria de Estado da nas casas de bê-á-bá (ou confrarias de meninos). "Logo
Educação de São Paulo, 2017. após o desembarque, os jesuítas iniciaram a conversão dos
índios ao cristianismo ensinando os rudimentos do ler e es-
Leia mais em: crever, numa concepção evangelizadora que se materiali-
https://www.infoescola.com/pedagogia/historia-da-educacao/ zaria, depois, nos famosos catecismos bilíngues, em tupi e
português", escrevem Amarilio Ferreira Jr. e Marisa Bittar, do-
centes da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), no
artigo A Gênese das Instituições Escolares no Brasil.

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CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS E METODOLÓGICOS
Teoria, Legislações e Questões da FUNRIO e de Outras Instituições por Assuntos com Gabaritos

O objetivo principal era catequizar - afinal, a Igreja Católica José de Anchieta


se sentia ameaçada pela Reforma Protestante -, mas para Centenas de regras documentadas
isso todos precisavam saber ler. "As letras e a doutrina esta-
A atuação dos jesuítas no ensino não foi exclusividade do
vam imbricadas na cultura europeia medieval vigente
Brasil. Eles também abriram colégios na Europa, na Ásia e
ainda nos séculos 16 e 17. E a gramática portuguesa tam-
em outros países da América. Diante disso, a ordem quis re-
bém vinha carregada de orações e pensamentos religio- gulamentar sua ação educativa e o fez com o Ratio Studio-
sos", explica José Maria de Paiva, da Universidade Meto- rum, promulgado em 1599, com mais de 400 regras. O do-
dista de Piracicaba (Unimep). cumento reafirma pontos de estatutos anteriores e dá a di-
Nas casas de bê-á-bá, moravam os padres e meninos ór- mensão da integração entre religião e Educação.
fãos trazidos de Portugal. Esses pequenos estudantes ajuda- Um bom exemplo é a regra número 34, apresentada por
vam a despertar a atenção das crianças indígenas. As au- Norberto Dallabrida, professor da Universidade do Estado de
las eram bilíngues (em português e tupi, considerada a lín- Santa Catarina (Udesc), no artigo Moldar a Alma Plástica
gua predominante no litoral, onde a ocupação brasileira da Juventude: a Ratio Studiorum e a Manufatura de Sujeitos
começou) e o ensino dos dogmas católicos era seguido de Letrados e Católicos. Ela trata da seleção dos livros: "Tome
todo o cuidado, e considere este ponto como da maior im-
perto pela desvalorização dos mitos indígenas. Segundo re-
portância, que de modo algum se sirvam os nossos, nas au-
lato do padre José de Anchieta (1534-1597) a Inácio de Lo-
las, de livros de poetas ou outros que possam ser prejudiciais
yola (1491-1556), fundador da Companhia de Jesus, os ín- à honestidade e aos bons costumes, enquanto não forem
dios entregavam seus filhos "de boa vontade" para serem expurgados dos fatos e palavras inconvenientes; e se de
ensinados e, ao retornar para o convívio com seus pais, as todo não puderem ser expurgados (...) é preferível que não
crianças colaboravam para disseminar o ideário católico leiam para que a natureza do conteúdo não ofenda a pu-
entre os adultos. reza da alma".
Não havia uma formação específica para que um padre Com as novas determinações e necessidades da Compa-
se tornasse professor. "Bastava saber ler e escrever, mas nhia, as casas de bê-á-bá foram dando lugar aos colégios,
principalmente conhecer as Sagradas Escrituras, já que a e a Educação passou a ser iniciada com conteúdos que
escola era quase um sinônimo de sacristia e estudar signifi- hoje seriam equivalentes ao Ensino Médio. A alfabetização
era necessária para acompanhar esses estudos. E o foco
cava se tornar um bom cristão", comenta Marisa. O método
do ensino mudou dos curumins para os filhos de colonos.
consistia em ouvir e repetir o que os sacerdotes ensinavam.
"Os filhos dos escravos também eram alfabetizados para se-
"Quanto mais fiel aos ensinamentos, melhor", complementa
rem convertidos", diz Ferreira Jr.
Ferreira Jr.
Outro expoente dessa ordem religiosa, o padre Antônio Vi-
Outro marco da didática da época era o uso do teatro e eira (1608-1697) teve uma intensa produção de sermões
da poesia para ensinar. "Anchieta inspirou-se nos usos e cos- voltados para os negros trazidos da África para o Brasil. "O
tumes indígenas, utilizando-se das músicas, das danças e jesuíta visava inculcar na mente dos escravos a concepção
dos cantos usados em suas festas cerimoniais em seus autos. cristã de mundo, buscando a sua adesão e obediência a
Para atingir os objetivos de catequizar e educar, os cânticos esses valores", resumem Ferreira Jr. e Marisa.
e as poesias eram traduzidos e adaptados", contam as pes-
quisadoras Yara Kassab, Inez Garbuio Peralta e Vera Cecília EDUCAÇÃO NO BRASIL COLÔNIA
Machline no artigo O Lúdico Na Festa de São Lourenço de
José de Anchieta. Nas cenas, os hábitos dos nativos eram Os jesuítas lideraram as primeiras experiências de ensino no
adaptados para uma vida considerada mais cristã e costu- Brasil entre os séculos 16 e 18, mas foram expulsos de Portu-
mes como a nudez e a bigamia eram criticados. "O jesuíta gal e da colônia em 1759. Responsável por essa determina-
percebe que o teatro podia ser uma estratégia pedagó- ção, Sebastião José de Carvalho e Melo (1699-1782), o mar-
gica promissora e um instrumento de comunicação com os quês de Pombal, iniciou uma reforma da Educação com o
índios para transmissão da doutrina católica, dos valores objetivo de modernizar o reino de dom José I (1714-1777).
morais e culturais europeus ocidentais, bem como a propa- Para substituir os padres, ele criou as aulas régias, mas os
efeitos concretos só foram sentidos alguns anos depois.
gação da Língua Portuguesa", completam.
Em 1760, foi realizado o primeiro concurso para professores
Saviani lembra que Anchieta (leia a frase do padre abaixo)
públicos (ou régios), em Recife, mas as nomeações demo-
era um "hábil conhecedor de línguas". Além do espanhol,
raram e o início oficial das aulas só ocorreu em 1774, no Rio
seu idioma nativo, ele sabia português e latim e, após sua de Janeiro. Diante disso, quem tinha condições recorria a
chegada ao Brasil, aprendeu rapidamente a chamada "lín- professores particulares.
gua geral" dos indígenas. Foi responsável por elaborar uma Depois que o ensino engrenou, a etapa inicial, chamada
gramática do tupi, que facilitou muito o trabalho de evan- de "estudos menores", era formada pelas aulas de ler, escre-
gelização. ver, contar e humanidades (gramática latina, grego etc.).
"(...) o principal cuidado que temos deles (os índios) está em Era a primeira vez que a Educação era responsabilidade
estatal e objetivava ser laica, mas o catolicismo ainda con-
lhes declararmos os rudimentos da fé, sem descuidar o en-
tinuava muito presente. Para se tornar professor, não havia
sino das letras; estimam-no tanto que, se não fosse esta uma formação específica. Por isso, eram selecionados os
atração, talvez nem os pudéssemos levar a mais nada." que tinham alguma instrução, muitas vezes padres.

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CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS E METODOLÓGICOS
Teoria, Legislações e Questões da FUNRIO e de Outras Instituições por Assuntos com Gabaritos

Tereza Fachada Levy Cardoso, doutora em História e do- única instituição poderia alfabetizar mil alunos ao mesmo
cente do Centro de Educação Tecnológica Celso Suckow tempo." Castanha enfatiza que esse método foi aplicado
da Fonseca (Cefet), no Rio de Janeiro, conta que os profes- aqui porque era o que havia de mais moderno na Europa,
sores ganhavam um título de nobreza, que dava direito a mas não deu certo porque muitas famílias não viam a ne-
alguns benefícios, como a isenção de certos impostos. Mas cessidade de colocar os filhos na escola. "A Inglaterra tinha
a atividade era penosa e nem sempre compensadora. As
uma população escolar considerável, mas no Brasil as tur-
aulas régias aconteciam na casa dos educadores, previa-
mas eram pequenas, e isso descaracterizava o método."
mente liberadas pelos inspetores. Eram frequentes as solici-
tações por melhores salários, especialmente porque havia Linha do tempo
muita diferença entre o que era pago dependendo do ní- 1760 É realizado o primeiro concurso para professores públi-
vel em que o educador atuava. cos.
As orientações de Pombal valeram até a morte de dom
1808 A vinda da família real para o Brasil incentiva a cultura
José I, em 1777. Quando dona Maria I (1734-1816) assumiu
no país.
o trono, demitiu o marquês. Apesar da mudança política,
no início não houve uma ruptura no sistema de ensino. As 1822 Dom Pedro I (1798-1834) assume o trono após a inde-
aulas deixaram de ser denominadas régias e passaram a pendência.
ser chamadas de públicas, mas só o nome mudou. 1834 As províncias passam a definir as regras educacionais.
Dona Maria I reinou até 1792, quando seu filho dom João VI
1889 A República é decretada e surge um novo modelo de
(1767-1826) assumiu o poder. A vinda da família real para o
escola.
Brasil, em 1808, impulsionou o desenvolvimento cultural. Logo
surgiram a Imprensa Régia e alguns jornais impressos, o Jar- Exemplo de moral e bons costumes
dim Botânico do Rio de Janeiro e o Museu Real. Enquanto Quem desejava ser professor no período imperial tinha de
isso, as ideias que levariam à independência já se alastra- atender a muitas exigências. Os conteúdos cobrados nos
vam pelo país e ela se tornou real em 1822.
concursos públicos eram tantos que em alguns momentos
"A civilização é obra da escola e a escola é obra do profes- foi difícil encontrar quem passasse nas provas. Diante disso,
sor. Se quereis elevar a escola e a civilização, começai por o Estado foi obrigado a aceitar docentes sem habilitação,
elevar o professor à altura da sua missão e lhe dar nas van-
que recebiam um salário menor.
tagens do seu ofício a coragem, o gosto, a energia e a
força que ele demanda." Apesar do rigor na seleção, as primeiras escolas normais vol-
tadas à formação dos docentes surgiram a partir de 1835
EDUCAÇÃO NO BRASIL IMPERIAL (leia a questão de concurso abaixo). E apenas em 1860 as
leis começaram a prever vantagens para quem passava
A Constituição de 1824 estabeleceu que a Educação de- por essas instituições. Mesmo assim, a formação em si não
veria ser gratuita para todos os cidadãos. Para cumprir essa era o principal requisito. "O foco estava no caráter do pro-
determinação, deputados e senadores aprovaram uma lei fessor. Ele tinha de ser um exemplo dos valores morais e re-
em 15 de outubro de 1827 que marcou o Dia do Professor e ligiosos e de respeito à ordem", avalia Castanha.
indicou que fossem criadas escolas de primeiras letras em Após passar pelo rigoroso processo de contratação, o edu-
todas as cidades e vilas. Na prática, o ensino permaneceu cador poderia conquistar o direito vitalício ao cargo. Mas a
sem mudanças estruturais até 1834. Nessa data, um ato adi- remuneração era baixíssima e continuava sendo fonte de
cional alterou a Constituição e deu poder para cada pro- reclamação. No artigo Os Professores e Seu Papel na Soci-
víncia, entre outros aspectos, definir as regras educacionais edade Imperial, Castanha e Marisa Bittar, professora da Uni-
em seu território. "Elas começaram a criar escolas, mas as versidade Federal de São Carlos (Ufscar), resgatam uma
diretrizes educacionais eram muito semelhantes", afirma análise de Antônio de Almeida Oliveira (1843-1887), que foi
André Paulo Castanha, professor de História da Educação deputado federal e presidente da província de Santa Ca-
da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e tarina, sobre a importância da valorização desse profissio-
pesquisador do período. "Os presidentes das províncias eram nal.
nomeados pelo imperador. Vários circularam por mais de
Na segunda metade do século 19, várias reformas tentaram
uma região. Então, as medidas eram adotadas em um lu-
dar um rumo mais profícuo para a Educação. Outros méto-
gar e, depois, levadas para outros."
dos foram utilizados, como o simultâneo, em que o professor
Como parte do esforço de criar mais escolas, o Colégio Pe- se dirige a grupos de alunos reunidos pelo tema a ser estu-
dro II foi fundado em 1837, no Rio de Janeiro, para ser um dado, e o intuitivo, que propunha o uso dos cinco sentidos
modelo para o ensino secundário. E para quem iniciava os para o aprendizado. A reforma instituída na corte em 1854
estudos havia as escolas de primeiras letras. Nelas, as aulas estabeleceu que aos 5 anos as crianças poderiam ingressar
abordavam temas como a leitura, a escrita e as operações na escola, mas isso não era seguido. Como resultado, ado-
matemáticas e adotavam o método mútuo ou lancasteri- lescentes de até 15 anos chegavam para as primeiras aulas
ano, criado na Inglaterra e muito usado por aqui na pri- e o docente tinha de lidar com isso. "Era comum que quando
meira metade do século 19. Diana Vidal, professora da Uni- a criança aprendesse a ler e escrever os pais a tirassem da
versidade de São Paulo (USP), lembra que ele foi inspirado escola, porque, naquele contexto de um país ainda exces-
no sistema fabril. Cada docente tinha vários monitores - es- sivamente agrário e escravocrata, a Educação não era
tudantes mais experientes que instruíam os demais. "Uma uma necessidade de fato", completa o pesquisador.

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CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS E METODOLÓGICOS
Teoria, Legislações e Questões da FUNRIO e de Outras Instituições por Assuntos com Gabaritos

Mesmo com tantas iniciativas e várias mudanças, o desejo Anísio Teixeira


de ampliar o nível de instrução da população não foi bem- Diferentes concepções de ensino
sucedido durante o Império. Maria Lúcia de Arruda Aranha
As ideias positivistas ganharam força com a reforma de 1890,
apresenta no livro História da Educação (256 págs., Ed. Mo-
organizada por Benjamin Constant (1833-1891). Adepto das
derna, tel. 0800-7707-653, 65,90 reais) alguns indicadores desse
teses do filósofo francês Auguste Comte (1798-1857), ele foi
fracasso: em 1867, só cerca de 10% da população em idade
nomeado chefe do Ministério da Instrução Pública, Correios
escolar estava matriculada e, em 1890, no início da Repú-
e Telégrafos - primeiro órgão desse nível a se ocupar da
blica, a taxa de analfabetismo chegava a 67,2%.
Educação. Propôs mudanças nos ensinos primário (de 7 a
À época, o político e escritor Rui Barbosa (1849-1923) se de- 13 anos) e secundário (de 13 a 15 anos) do Distrito Federal,
bruçou sobre esses e outros números e produziu pareceres priorizando disciplinas científicas como Matemática e Física,
em que concluía que "somos um povo de analfabetos, e em detrimentos das humanas - que eram o foco das esco-
que a massa deles, se decresce, é numa proporção deses- las de primeiras letras, criadas no Império.
peradoramente lenta", como Najla Mehanna Mormul e Ma-
A resistência da elite e da Igreja católica impediram que o
ria Cristina Gomes Machado apresentam no artigo Rui Bar-
projeto de Constant avançasse, mas ele abriu espaço para
bosa e a Educação Brasileira - Os Pareceres de 1882. A ava-
outras propostas. A que alcançou maior êxito foi a reforma
liação negativa ocorreu no momento em que o país pas-
paulista, implementada de 1892 a 1896. Ela tinha como base
sava por grandes transformações, como a abolição da es-
a criação dos grupos escolares. Como relata Dermeval Sa-
cravatura. O processo para a proclamação da República
viani no livro História das Ideias Pedagógicas no Brasil (489
ganhava força e com ele chegaria a discussão de um mo-
págs., Ed. Autores Associados, tel. 19/3289-5930, 89 reais), esse
delo de escola mais parecido com o que existe atualmente.
modelo - que foi replicado na maioria dos estados - reunia
EDUCAÇÃO NO BRASIL REPUBLICANO em um mesmo espaço as antigas escolas de primeiras le-
tras. O ensino passou a ser organizado em séries e os estu-
Em anos atribulados, surgem os grupos escolares e ganham dantes foram divididos por faixa etária.
força os ideais escolanovistas Tornou-se necessário formar mais professores. A intenção do
Com a Proclamação da República, o Brasil adotou o fede- governo paulista era abrir quatro novas Escolas Normais,
ralismo e o poder, até então centralizado no imperador, foi mas só a da capital saiu do papel no início da República.
dividido entre o presidente e os governos estaduais. O perí- Paralelamente, foi criada uma solução rápida, mas de qua-
odo foi marcado pelo desenvolvimento da indústria, pela lidade inferior: as escolas complementares. Foi preciso, tam-
reestruturação da força de trabalho - não mais escrava -, bém, estruturar a administração da Educação e formular
pelas greves operárias e pela Semana de Arte Moderna. No diretrizes e normas. "Isso gerou novas relações de poder dentro
mundo, aconteceu a Revolução Russa, a Primeira Guerra das escolas e, a partir de 1894, surge o cargo de diretor es-
Mundial e a queda da bolsa de Nova York. Essas transfor- colar", registra Jorge Uilson Clark, no artigo A Primeira Repú-
mações tiveram ecos na Educação. A ideia do ensino como blica, as Escolas Graduadas e o Ideário do Iluminismo Repu-
direito público se fortaleceu e surgiram modelos que se per- blicano: 1889-1930. A direção era reservada aos homens. Já
petuaram. as vagas de professores da Educação primária eram am-
plamente preenchidas por mulheres. Rosa Fátima de Souza,
No Brasil, com a Constituição de 1891, a União ficou respon-
da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho"
sável apenas pela Educação no Distrito Federal (então, o
(Unesp), destaca que era um trabalho socialmente aceito
Rio de Janeiro). "Os estados mais ricos assumem direta-
e elas concordavam em ganhar salários baixos, pouco atra-
mente a responsabilidade pela oferta de ensino e os mais
entes ao público masculino.
pobres repassam-na para seus municípios, ainda mais po-
bres", comenta Romualdo Portela no livro Educação e Fe- Na base pedagógica da reforma paulista estavam princí-
deralismo no Brasil: Combater as Desigualdades e Garantir pios como a simplicidade, a progressividade, a memoriza-
a Diversidade. ção e a autoridade, fundamentada no poder do professor
e em prêmios e castigos aos estudantes. Rosa complementa
Diante da fragmentação organizativa e da falta de uma
que os docentes eram bastante pressionados pelo estado.
orientação nacional, surgiram diversas propostas de reforma.
"Notamos uma preocupação nos relatos de professores da
Elas eram calcadas em diferentes ideais que passaram a
época em cumprir o programa. O aluno que repetia trazia
disputar espaço. Os embates principais foram entre o posi-
um gasto extra que preocupava a escola", ela diz. A Educa-
tivismo e o escolanovismo, mas também estavam presentes
ção, então, tinha um viés excludente, já que quem era re-
os ideais católicos e o anarquismo.
provado (cerca de 50%) acabava deixando de estudar.
"Não pode ser uma escola de tempo parcial, nem uma es-
"A exclusão também se dava em função da localização geo-
cola somente de letras, nem uma escola de iniciação inte- gráfica e do número de unidades escolares", explica Vera
lectual, mas uma escola sobretudo prática, de iniciação ao Lúcia Gaspar da Silva, da Universidade do Estado de Santa
trabalho, de formação de hábitos de pensar, hábitos de fa- Catarina (Udesc). Embora grande parte da população es-
zer, hábitos de trabalhar e hábitos de conviver e participar tivesse no campo, os grupos eram construídos nas cidades.
em uma sociedade democrática, cujo soberano é o pró- Nas áreas rurais, havia apenas escolas isoladas, com uma
prio cidadão." sala e alunos de diferentes idades.

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CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS E METODOLÓGICOS
Teoria, Legislações e Questões da FUNRIO e de Outras Instituições por Assuntos com Gabaritos

Linha do tempo EDUCAÇÃO NA ERA VARGAS


1891 É proclamada a Constituição e a Educação fica a
As propostas da Escola Nova e de Paulo Freire ganham
cargo de estados e municípios.
força, mas não chegam às salas de aulas. Anísio Teixeira foi
1892 A reforma paulista propõe os grupos escolares, com a um dos defensores dos ideais da Escola Nova
divisão dos alunos em séries.
A defesa da Educação pública, gratuita e laica ganhou
1914 Começa a Primeira Guerra Mundial, que segue até força no país em 1932, com o Manifesto dos Pioneiros da
1918. Educação Nova que combatiam a escola restrita à elite e
ligada à religião. Os anseios se justificavam. Afinal, em 1920
1920 Ocorre a Reforma Sampaio Dória, em São Paulo, se- o analfabetismo atingia 80%. "O principal mérito do mani-
guida por outras sete. festo foi trazer à tona o debate sobre a escola para toda a
1930 A revolução e um golpe de estado levam Vargas ao população independentemente da classe social", diz Maria
Cristina Gomes Machado, da Universidade Estadual de Ma-
poder.
ringá (UEM).
Esforços para democratizar Nessa mesma época, a crise de 1929, gerada pela queda
A ideia de uma Educação para todos só ganhou força na da Bolsa de Nova York, desencadeou o desgaste da eco-
década de 1920. Nesse período, se destacaram os pioneiros nomia cafeeira e, também, do revezamento entre Minas
da Escola Nova - Anísio Teixeira (1900-1971), Fernando de Gerais e São Paulo no poder. Fortalecido por isso, o movi-
mento revolucionário conseguiu derrubar a República Ve-
Azevedo (1894-1974), Lourenço Filho (1897-1970) e outros -,
lha e, em 1930, Getúlio Vargas (1882-1954) se tornou chefe
que defendiam a escola pública e laica, igualitária e sem
do governo provisório.
privilégios.
No mesmo ano, foi criado o Ministério da Educação e Sa-
O estopim das mudanças foi a Reforma Sampaio Dória, em úde Pública, ocupado por Francisco Campos (1891-1968).
São Paulo, em 1920, que leva o nome do então diretor-ge- Embora influenciado pelo manifesto, o novo ministro era
ral da Instrução Pública do estado, Antonio de Sampaio Dó- católico e antiliberal. Assim, colaborou para o retorno do
ria (1883-1964). Preocupado com o fato de metade da po- Ensino Religioso ao currículo. Além da presença na escola
pulação de 7 a 12 anos estar fora da escola e com um pública, a religião exercia influência no ensino privado, pois
baixo orçamento, ele propôs uma etapa inicial de dois anos as igrejas, principalmente a católica, eram proprietárias de
(equivalente ao começo do Ensino Fundamental atual), muitas instituições e recebiam subvenção do governo. Os
gratuita e obrigatória. escolanovistas eram contra isso e os dois grupos protagoni-
zaram intensos debates. O governo tendia ora para um
O projeto foi engavetado rapidamente, mas abriu espaço
lado, ora para outro, e a Constituição de 1934 é um exem-
para ações estruturais em vários estados. Em um período de
plo disso. Ela contrariou o princípio da escola laica ao definir
seis anos, educadores lideraram reformas no Ceará, no Pa-
que o ensino fosse ministrado segundo a orientação religi-
raná, no Rio Grande do Norte, na Bahia, em Minas Gerais,
osa dos estudantes, mas definiu que a Educação era direito
no Distrito Federal e em Pernambuco. Segundo Saviani, elas
de todos e dever do poder público.
alteraram a instrução pública em aspectos como a ampli-
ação da rede de escolas e a reformulação curricular. Enquanto isso, as doutrinas totalitaristas se expandiam na
Europa e, inspirado por elas, Vargas instituiu o Estado Novo
Paralelamente, a corrente anarquista conquistou espaço e
(1937-1945). "A nova ideologia proclamava a importância
passou a influenciar a Educação. Foram fundadas escolas da escola como via de reconstrução da sociedade brasi-
operárias em quase todos os estados, geridas pela comuni- leira", esclarece Silvia Helena Andrade de Brito no artigo A
dade. Tendo como base a Pedagogia libertária e as ideias Educação no Projeto Nacionalista do Primeiro Governo Var-
do espanhol Francisco Ferrer y Guardia (1859-1909), as insti- gas (1930-1945).
tuições fugiam do dogmatismo e fundamentavam o currí- Para atender a esse anseio, as Leis Orgânicas do Ensino fo-
culo na ciência, como descreve Angela Maria Souza Mar- ram promulgadas a partir de 1942. O ginásio, equivalente
tins, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro ao segundo ciclo do Ensino Fundamental de hoje, passou a
(Unirio), no artigo A Educação Libertária na Primeira Repú- ter quatro anos e o colegial - o atual Ensino Médio - três. Foi
blica. criado o curso supletivo de dois anos para a população
Incomodada com a perda de espaço, a Igreja católica adulta. E a rede pública foi organizada em escolas com
também orquestrou uma reação, pressionou os governos uma, duas a quatro e cinco ou mais classes, além da escola
para o restabelecimento do ensino religioso, publicou livros supletiva.
didáticos e artigos em revistas e jornais e continuou a atuar "Na visão bancária da Educação, o 'saber' é uma doação
na formação de professores. Da mesma maneira, as elites dos que se julgam sábios aos que julgam nada saber. (...) O
tentavam reconquistar seu poder. De outro lado, os escola- educador, que aliena a ignorância, se mantém em posi-
novistas cresciam cada vez mais e se preparavam para a ções fixas, invariáveis. Será sempre o que sabe, enquanto
publicação do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, os educandos serão sempre os que não sabem. A rigidez
em 1932, já no governo de Getúlio Vargas (1882-1945). dessas posições nega a Educação e o conhecimento
como processos de busca."

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CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS E METODOLÓGICOS
Teoria, Legislações e Questões da FUNRIO e de Outras Instituições por Assuntos com Gabaritos

Paulo Freire Nos anos 1950 e 1960, a política se caracterizou pelo popu-
lismo, com presidentes como o próprio Vargas, eleito para
Separação por gêneros o período de 1951 a 1954, e Juscelino Kubitschek (1902-1976),
Em 1939, o primeiro curso de Pedagogia do país foi criado de 1956 a 1961. Surgiram aí movimentos de Educação po-
na Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC- pular, com iniciativas que até hoje estão vivas, como as pro-
Campinas). Num primeiro momento, porém, os professores postas de Paulo Freire (1921-1997). As primeiras experiências
do educador ocorreram em 1962, em Angicos, a 171 quilô-
continuaram a se formar nas escolas normais. Nelas, o cur-
metros de Natal, quando 300 trabalhadores rurais foram al-
rículo era pouco específico, com disciplinas como Higiene fabetizados em 45 dias. Freire considerava as cartilhas inca-
e Trabalhos Manuais. Maria Cristina conta que, em geral, as pazes de atender às necessidades dos alunos. Para ele, na
mulheres - maioria entre os que atuavam nos anos iniciais - sociedade de classes, os privilégios de uns impedem a mai-
trabalhavam meio período e muitas abandonavam a ativi- oria de usufruir de certos bens, como a Educação, que de-
veria instigar a reflexão sobre a própria condição social.
dade quando se casavam. Já o ginásio e o colegial conta-
vam com mais professores do sexo masculino formados em Esse período também foi fértil em manifestações culturais
como o cinema novo e a bossa nova. Foram anos rechea-
outras áreas, como Filosofia e Direito. A separação de gê-
dos de boas ideias, mas nas salas de aula não houve gran-
neros também acontecia entre os alunos. Se até o final do des avanços. E, em 1964, iniciativas como as de Freire es-
primário aceitavam-se turmas mistas, para os estudantes moreceram totalmente com o golpe militar. O Brasil passou
mais velhos a recomendação era organizar classes separa- a viver momentos de repressão.
das.
EDUCAÇÃO NA DITADURA
Dos estudantes, exigia-se um comportamento exemplar. A
vigilância era grande e a expulsão, possível e grave, já que O regime militar se apoiou nos ideais tecnicistas e fez do en-
não havia vagas para todos. Maria Cristina destaca que a sino uma ferramenta de controle
retidão chegava às disciplinas do currículo. "A Educação
As propostas de uma Educação mais democrática foram
Física, por exemplo, servia como preparo para o trabalho e abandonadas com o início do regime militar, em 1964. Paulo
para o serviço militar, com exercícios como marcha e poli- Freire (1921-1997) foi exilado no Chile e a Escola Nova dei-
chinelo." xou de ser considerada para as políticas públicas. O novo
governo manteve a preocupação com a industrialização
Linha do tempo crescente e o foco em formar um povo capaz de executar
1932 O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova defende tarefas, mas não necessariamente de pensar sobre elas.
a Educação gratuita e laica. No primeiro ano de mandato do marechal Humberto de
1937 Inspirado pelo totalitarismo europeu, Vargas inicia o Es- Alencar Castello Branco (1900- 1967), um simpósio do Insti-
tado Novo, que segue até 1945. tuto de Pesquisas e Estudos Sociais (Ipes), ligado à direita
governista, deu indicações claras do rumo que se queria
1946 A nova Constituição define que a União legisle sobre a tomar. Dermeval Saviani conta no livro História das Ideias
Educação. Pedagógicas no Brasil (498 págs., Ed. Autores Associados)
1962 Paulo Freire alfabetiza 300 agricultores em 45 dias no que a meta do evento era a elaboração de um plano de
estado de Pernambuco. Educação com a escola primária voltada para uma ativi-
dade prática e o 2º grau técnico que preparasse o estu-
1964 O golpe militar instaura a ditadura e anos de forte re-
dante para o mercado. Também foram assinados acordos
pressão. entre os governos brasileiro e norte-americano que vinham
Fonte História da Educação (Maria Lúcia de Arruda Aranha, 256 págs., ed. Moderna) sendo discutidos há alguns anos e previam a vinda de téc-
nicos para treinar professores. "As ações visavam transfor-
Breve democracia mar o Brasil em uma potência econômica mundial", explica
Com o fim do Estado Novo, o país ganhou outra Constitui- Amarilio Ferreira Jr., da Universidade Federal de São Carlos
ção. O texto atribuiu à União a função de legislar sobre as (Ufscar)
bases da Educação, o que antes ocorria de maneira frag- Na Educação de adultos, as ideias de Freire deram lugar a
mentada. Em 1948, o ministro Clemente Mariani (1900-1981) um modelo assistencialista por meio do Movimento Brasi-
apresentou o anteprojeto da Lei de Diretrizes e Bases da leiro de Alfabetização (Mobral). A leitura passou a ser tra-
tada como uma habilidade instrumental, sem contextuali-
Educação Nacional (LDBEN), o que gerou novos conflitos
zação. Os alunos aprendiam palavras acompanhadas de
entre os escolanovistas e a Igreja Católica. "Além da manu-
imagens, faziam a divisão silábica e, por último, trabalha-
tenção do Ensino Religioso, estava em jogo qual desses gru- vam com frases e textos. Também eram estudados os cál-
pos era mais capacitado para atuar em espaços de deci- culos matemáticos, a escrita e hábitos para a melhoria da
são", diz Marcus Levy Bencostta, da Universidade Federal qualidade de vida. De acordo com o livro História da Edu-
do Paraná (UFPR). Por causa desse debate acirrado, a cação, de Maria Lúcia de Arruda Aranha (256 págs., Ed
Moderna), em 1970, 33% das pessoas com mais de 15 anos
LDBEN foi aprovada 13 anos depois, permitindo a plurali-
eram analfabetas e, dois anos depois, a taxa caiu para
dade dos currículos e estabelecendo que o Estado destina- 28,51%. No entanto, a autora ressalta que por causa do mé-
ria recursos a entidades privadas. todo usado muitos alunos mal desenhavam o nome.

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CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS E METODOLÓGICOS
Teoria, Legislações e Questões da FUNRIO e de Outras Instituições por Assuntos com Gabaritos

Paralelamente a isso, o Brasil vivia um momento crítico no A lei ainda estabeleceu a inclusão da disciplina de Estudos
ensino universitário. A oferta não acompanhava o cresci- Sociais, com conteúdos que seriam de História e Geografia,
mento da demanda e a revolta pela falta de vagas ga- nos anos iniciais do 1º grau. Os professores polivalentes que
nhou força com as notícias das manifestações ocorridas na atuavam nesse segmento, passaram a ser formados no Ma-
França, em maio de 1968, e gerou a chamada "crise dos gistério, com nível de 2º grau, e as escolas normais foram
excedentes". O governo federal assumiu, então, uma pos- extintas. Para lecionar para os outros anos, era necessário
tura mais invasiva. A União Nacional dos Estudantes (UNE) cursar uma licenciatura em programas de curta ou longa
foi considerada ilegal e qualquer tentativa de se organizar duração. "A ideia era transformar o pedagogo em um téc-
politicamente era vista como atividade subversiva a ser re- nico em Educação de acordo com a política tecnocrata
primida. do governo", explica José Willington Germano, docente da
"Agora, vossa excelência [presidente Médici] não proporá Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Os
ao Congresso Nacional apenas mais uma reforma, mas a concursos públicos eram poucos e não havia professores
própria reforma que implica abandonar o ensino verbalís- suficientes para atender a todas as vagas que vinham sendo
tico e academizante, para partir, vigorosamente, para um criadas com a construção de escolas e a oferta de aulas
sistema educativo de 1º e 2º graus voltado para as necessi- pela manhã, à tarde e à noite. Então, quando não havia
dades do desenvolvimento." profissionais habilitados suficientes era permitido contratar
outros temporariamente.
Jarbas Passarinho
Apesar do recurso do salário-educação criado em 1964 e
Endurecimento do regime revisto em 1975, pelo qual as empresas pagavam imposto
No fim de 1968, o general Arthur da Costa e Silva (1902-1969), relativo aos filhos de funcionários em idade escolar, os in-
na presidência, promulgou o Ato Institucional nº 5 (AI-5), vestimentos na área decresceram ao longo do regime. No
que deu a ele poderes de legislativo e executivo e permitiu estado de São Paulo, por exemplo, de 8,7 salários mínimos,
o confisco dos bens de quem fosse incriminado por corrup- os docentes passaram a receber 5,7 salários, em 1979, se-
ção . E, no ano seguinte, o Decreto-lei nº 477 determinou gundo o livro Educação, Estado e Democracia (Luiz Antô-
que "comete infração disciplinar o professor, aluno, funcio- nio Cunha, 495 págs., Ed. Cortez, tel. 11/3864-0111, 56 reais).
nário ou empregado de estabelecimento de ensino pú- Assim, muitos educadores e alunos migraram para escolas
blico ou particular que pratique atos destinados à organi- privadas.
zação de movimentos subversivos, passeatas, desfiles ou
comícios não autorizados". Muitos estudantes e docentes
Linha do tempo
foram presos e torturados por aderirem à oposição ao go- 1968 O AI-5 é assinado e aumenta a repressão a atos públi-
verno. cos.

O incentivo ao patriotismo era uma marca forte nas escolas 1969 A disciplina de Educação Moral e Cívica se torna obri-
públicas. Uma vez por semana, meninos e meninas se posi- gatória em todas as etapas
cionavam com a mão direita no peito, observavam a ban- 1970 O Mobral é implementado com foco na alfabetização
deira ser hasteada e cantavam o Hino Nacional. Um desejo de adultos.
desde o início do regime, a disciplina de Educação Moral e 1975 Começa o processo de transição do regime para a
Cívica (EMC) foi tornada obrigatória em 1969. A maior parte democracia.
dos que a lecionaram era militar ou religioso e lia na aula 1985 Tancredo Neves é eleito e morre antes de assumir.
cartilhas com temas como cidadania, patriotismo, família e
Mobilização e abertura
religião. Mas alguns conseguiam burlar o controle e introdu-
A esse cenário se somou a crise do petróleo, em 1973, que
zir conteúdos diferenciados.
acabou com o chamado milagre econômico, época em
Em julho de 1971, o ministro da Educação e Cultura Jarbas que o produto interno bruto (PIB) do país aumentava cerca
Passarinho (leia a frase dele na primeira página) oficializou de 10% ao ano. A militância política ficou mais forte e as
o vestibular classificatório nas universidades, algo que se pessoas começaram a reivindicar a volta da democracia.
mantem até hoje. No mês seguinte, foi aprovada a Lei nº Diante do fortalecimento da oposição democrática, o ge-
5.692 que determinava a organização do ensino em 1º e 2º neral Ernesto Geisel (1908-1996) iniciou em seu governo o
graus em vez de primário, ginásio e colegial. A obrigatorie- processo de abertura lenta e gradual que acarretou mu-
danças educacionais. O ensino de 1º grau foi municipali-
dade escolar foi ampliada até os 14 anos de idade e o
zado, numa tentativa de descentralizar e democratizar o
exame de admissão necessário para entrar no ginásio foi sistema. Em 1979, o Ministério da Educação e Cultura foi as-
extinto. Para garantir a boa receptividade da legislação, sumido por um professor universitário pouco identificado com
docentes tidos como carismáticos foram convocados para o regime, Eduardo Portella, outro indício de que as coisas
a divulgarem. Francisco Beltramni, então professor de Geo- estavam mudando. E João Figueiredo (1918-1999), último
grafia, foi um deles. "No treinamento, eles nos falavam da presidente militar, intensificou o processo de abertura, revo-
gou a obrigatoriedade de o 2º grau ser profissionalizante e
maravilha que a lei seria e orientavam que não permitísse-
criou programas específicos para o ensino voltados à po-
mos discussões se alguém quisesse questionar aspectos pulação de baixa renda, que geraram pouca mudança na
como as condições de trabalho", lembra. prática.

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CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS E METODOLÓGICOS
Teoria, Legislações e Questões da FUNRIO e de Outras Instituições por Assuntos com Gabaritos

Três anos depois, se encerrou a ditadura militar no Brasil. da Educação Básica", lembra Maria Helena Câmara Bas-
Tancredo Neves (1910-1985) ganhou a eleição indireta, mas tos, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do
morreu antes da posse e seu vice, José Sarney, se tornou o Sul (PUC-RS). Para financiar os novos projetos, foi criado o
primeiro presidente da chamada Nova República. Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fun-
damental e de Valorização do Magistério (Fundef). O 1º e
EDUCAÇÃO PÓS-DITADURA: QUALIDADE PARA TODOS o 2º graus se tornaram Ensino Fundamental e Médio e a re-
comendação para os estudantes com necessidades espe-
Universalização do ensino, avaliações externas e piso para ciais passou a ser a de que fossem atendidos preferencial-
professores no período democrático mente na rede regular.
FHC emendou um segundo mandato e o ministro Souza in-
Com o fim da ditadura militar, vários aspectos da política
cluiu o Brasil no Programa Internacional de Avaliação de
nacional foram repensados, e entre eles estava a Educa-
Alunos (Pisa). Foi um passo importante para ter uma medida
ção. Nos primeiros três anos da Nova República, o foco es-
de como estava a Educação nacional, embora o país te-
teve na elaboração da Constituição. Pensando nela, os
nha ficado em último lugar no ano de estreia. Na mesma
participantes da 4ª Conferência Brasileira de Educação, re-
época, criou-se o Exame Nacional de Ensino Médio (Enem),
alizada pela Associação Nacional de Pós-Graduação e
com resultados por escola e por aluno, que em 2009 passa-
Pesquisa em Educação (Anped), a Associação Nacional
riam a ser considerados até em substituição ao vestibular
de Educação (Ande) e o Centro de Estudos Educação e
para o Ensino Superior. Os Parâmetros Curriculares Nacio-
Sociedade (Cedes), em Goiânia, em 1986, finalizaram o
nais (PCN) e o Referencial Curricular Nacional para a Edu-
evento com uma lista de propostas que incluía a efetiva-
cação Infantil (RCNEI) também nasceram nesse período.
ção do direito de todos os cidadãos ao ensino e o dever do
Para construí-los, foram reunidos profissionais que tinham re-
Estado em garanti-lo.
ferências em boas práticas de sala de aula e diversos espe-
Em 5 de outubro de 1988, a nova Constituição Federal foi cialistas. "Depois da LDB, o Conselho Nacional de Educa-
finalmente aprovada. Entre as principais conquistas, estava ção (CNE) estabeleceu as Diretrizes Curriculares Nacionais
o reconhecimento da Educação como direito subjetivo de que deveriam ser traduzidas nos estados e municípios, mas
todos, uma evolução do que os escolanovistas haviam pro- isso não aconteceu. A contradição é que, mesmo elas não
pagado durante a Era Vargas. "Isso significa que qualquer sendo contempladas na formação docente e nas escolas,
um que queira estudar, mesmo se estiver fora da idade obri- são cobradas nas avaliações externas", comenta Cury.
gatória, deve ter a vaga garantida", explica Carlos Roberto
Em 2001, foi aprovado o Plano Nacional de Educação (PNE),
Jamil Cury, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
previsto na Constituição e válido por dez anos. Ele estipu-
A legislação tornou urgente a tomada de providências como
lava metas para aumentar o nível de escolaridade dos bra-
a abertura de mais escolas e a formação de docentes, o
sileiros e garantir o acesso à Educação, mas não teve êxito
que acarretou a necessidade de investimentos. Para isso, a
na maioria delas. Um dos motivos apontados por especia-
lei indicava a aplicação na área de no mínimo 18% da re-
listas é o veto do governo ao investimento de 7% do Produto
ceita dos impostos pela União e 25% pelos estados e muni-
Interno Bruto (PIB) na área. Apesar disso, houve ganhos. "O
cípios.
documento previa que até 2007 os profissionais da Educa-
Dois anos depois, durante a Conferência Mundial sobre Edu- ção Infantil fossem formados em nível superior, admitindo o
cação para Todos em Jomtien, na Tailândia, foi aprovada nível médio como ação emergencial. Isso reforça um olhar
uma declaração internacional que levava o nome do evento profissional pedagógico para essa etapa", lembra Gisela
e propunha ações para os dez anos seguintes com vistas à Wajskop, consultora de Educação Infantil e de formação
universalização do ensino nos países signatários. Por aqui, de professores. Outra conquista foi a determinação de que
Fernando Collor de Mello assumiu a presidência e criou o o Ensino Fundamental fosse ampliado para nove anos, o
Programa Nacional de Alfabetização e Cidadania (Pnac) que vem se concretizando desde então.
em substituição à Fundação Educar - versão democrática
Dois anos depois, Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a presi-
para o Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral) -,
dência e levou Cristovam Buarque para o Ministério da Edu-
instituída cinco anos antes por José Sarney. Mas a iniciativa
cação (MEC). No lugar da Alfabetização Solidária, criada
de Collor durou apenas um ano.
por FHC em 1997, foi lançado o Brasil Alfabetizado para o
"A coisa mais simples que tem é criar boas escolas (...) para combate ao analfabetismo. O esforço contínuo levou à di-
que cada criança tenha diante dela uma professora capa- minuição da taxa de analfabetismo de quem tem 15 anos
citada para alfabetizá-la." ou mais, mas em 2012 a queda progressiva foi interrompida
Darcy Ribeiro e as razões ainda estão sendo analisadas por especialistas.

Novas leis para a Educação Linha do tempo


Várias regulamentações surgiram no governo de Fernando 1988 A nova Constituição Federal é promulgada com aten-
Henrique Cardoso (FHC), que assumiu a presidência em ção à Educação.
1995 com Paulo Renato Souza (1945-2011) como ministro da 1990 Declaração Mundial sobre Educação para Todos é
Educação. Já no segundo ano de mandato, após intensos aprovada na Tailândia.
debates, foi promulgada a Lei de Diretrizes e Bases da Edu-
1996 A LDB indica que docentes tenham formação em nível
cação Nacional (LDB), com relatoria do senador Darcy Ri-
superior.
beiro (1922-1997). "A nova lei reforçou aspectos importantes
da Constituição como a municipalização do Ensino Funda- 2001 Entra em vigor o PNE, com metas para a universaliza-
mental, estipulou a formação do docente em nível superior ção do ensino.
e colocou a Educação Infantil na posição de etapa inicial 2010 É aprovado o piso salarial nacional para os docentes.

13
CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS E METODOLÓGICOS
Teoria, Legislações e Questões da FUNRIO e de Outras Instituições por Assuntos com Gabaritos

Expansão de investimentos sobre a situação em que se encontram o ensino e a apren-


dizagem na atualidade.
Outro exame nacional foi criado em 2005. Alunos de 4ª e 8ª
séries (5º e 9º anos) passaram a ser avaliados na Prova Brasil. Mescla entre as tendências pedagógicas
Com o desafio de ampliar o acesso à escola e melhorar os Atualmente, percebe-se nas escolas brasileiras de Ensino
índices nas avaliações, viu-se a necessidade de ampliar os Fundamental e Médio, bem como no Ensino Superior, a in-
recursos da área e alcançar todas as etapas. Assim, o Fun- fluência persistente das tendências tradicionais - escolano-
def se tornou Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da vista e tecnicista - permeando a ação dos professores no
Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Edu- ensino-aprendizagem . Tantas décadas se passaram e elas
cação (Fundeb) em 2007. permanecem fortes em muitos estabelecimentos de ensino,
Outra estratégia presente nesse período foi a das escolas norteando a prática de grande parte dos professores.
de tempo integral. As primeiras iniciativas foram lideradas Em um artigo publicado em 1981, Saviani descreveu com
por Darcy Ribeiro (leia a frase dele na primeira página) no muita propriedade certas confusões que se emaranham na
Rio de Janeiro e José Aristodemo Pinotti (1934-2009) em São cabeça de professores [...]. Ele escreveu: "Os professores
Paulo, na década de 1980. Mas, passado o ânimo inicial, têm na cabeça o movimento e os princípios da escola
elas ficaram restritas a poucas unidades. Assim, em 2007, o nova. A realidade, porém, não oferece aos professores
MEC criou o Mais Educação, que custeou o aumento da condições para instaurar a escola nova, porque a reali-
carga horária em 49 mil escolas. dade em que atuam é tradicional" [...]. A essa contradição
Em 2009, a Emenda Constitucional nº 59 determinou a am- se acrescenta uma outra [...], o professor se vê pressionado
pliação da obrigatoriedade escolar para 4 a 17 anos até pela pedagogia oficial que prega a racionalidade e a pro-
2016. O assunto foi reforçado pela Lei nº 12.796 em 2013. O dutividade do sistema e do seu trabalho, isto é, ênfase nos
piso salarial nacional de 950 reais para os docentes foi apro- meios (tecnicismo) [...] (LIBÂNEO, 1989, p. 20).
vado em 2010, com a proposta de que um terço da jornada A medida em que as Unidades Escolares produzirem um
fosse dedicada a formação e planejamento. Nesse mesmo projeto político-pedagógico onde estejam claras as con-
ano, o ministro Fernando Haddad encaminhou uma nova cepções de mundo, sociedade, homem e escola en-
versão do PNE para o Congresso. Dilma Rousseff se tornou quanto totalidade, o trabalho educacional e o ato educa-
presidente em 2011 e o documento segue em discussão até tivo que ocorre em cada sala de aula terão um novo curso,
hoje. uma trajetória fundamentada em condições filosóficas e
Além de todas as mudanças políticas que interferiram na metodológicas que darão subsídios à concretização das
sala de aula, essas décadas incluíram uma grande revolu- necessidades objetivas do processo educacional. A partir
ção tecnológica, marcada pelo desenvolvimento da inter- do momento em que cada Unidade Escolar produzir o seu
net, que transformou as relações sociais e, claro, o ensino. projeto pedagógico, fundamentado nos encaminhamen-
Embora 70 mil escolas de Ensino Fundamental ainda não ti- tos e concepções da Proposta Curricular, estas estarão ha-
vessem computador em 2010, essa máquina está na vida bilitadas a produzir aquilo que hoje ainda é um sonho: o res-
de alunos e professores, mudando a maneira como têm gate da credibilidade e qualidade da escola pública.
acesso à informação e ao conhecimento. Os últimos dois É importante registrar, portanto, que o pensar a educação
governos distribuíram laboratórios de informática, laptops numa ótica histórico-cultural, no Brasil, nas últimas décadas,
para alunos e tablets para docentes. Apesar disso, a reali- está fortemente marcado pela compreensão da ligação
dade ainda é plural. Há salas rurais multisseriadas, classes da educação com a política e da consequente importân-
informatizadas, escolas bilíngues, projetos pedagógicos tra- cia da educação das camadas populares como um dos
dicionais e propostas de inspiração democrática. Diante de caminhos para a criação de uma nova hegemonia, ligada
tamanha diversidade, o novo PNE e a definição de um cur- aos seus interesses.
rículo nacional são algumas das questões urgentes para
A pedagogia liberal sustenta a ideia de que a escola tem
garantir que todos que vivem a história de hoje sigam no
por função preparar os indivíduos para o desempenho de
mesmo rumo, com vistas à melhoria da Educação.
papéis sociais, de acordo com as aptidões individuais [...].
A ênfase no aspecto cultural esconde a realidade das dife-
3 – AS TEORIAS EDUCACIONAIS QUE ORIENTARAM O renças de classes, pois, embora difundida a ideia de igual-
PROCESSO EDUCACIONAL DO BRASIL dade de oportunidades, não leva em conta a desigual-
dade de condições (LIBÂNEO, 1989, P. 21-22).
O professor necessita conhecer as tendências que influen- No que tange à elaboração de uma pedagogia liberal, é
ciaram o ensino e a aprendizagem ao longo da história, oportuno abrir um breve espaço para algumas considera-
para poder entender a situação da educação no contexto ções sobre o pensamento liberal burguês (século XVIII).
atual e refletir sobre sua atuação pedagógica com o obje-
tivo de otimizá-la.
A pedagogia liberal
O pensamento liberal burguês do século XVIII tem como ex-
Ao analisar as tendências pedagógicas que influenciaram
poente principal Rousseau (1712-1778). Na sua visão, a edu-
e continuam influenciando o ensino-aprendizagem, tere-
cação começa pelo desenvolvimento das sensações e dos
mos condições de escolher qual a prática educativa mais pensamentos, da valorização da espontaneidade e das ex-
adequada como caminho a seguir neste novo milênio. periências. Logo, a educação das crianças fica por conta
Muito já se escreveu sobre as tendências pedagógicas re- do "desenvolvimento natural". Em uma de suas principais
lacionadas à nossa prática em sala de aula, portanto, neste obras, o Discurso sobre a origem da desigualdade entre os
estudo não é intenção discuti-las aprofundadamente, mas homens, tornou-se célebre como defensor da pequena
sim retomá-las como base para a compreensão e reflexão burguesia. Como diz COTRIM (1987, p. 179).

14
CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS E METODOLÓGICOS
Teoria, Legislações e Questões da FUNRIO e de Outras Instituições por Assuntos com Gabaritos

Rousseau glorificou os valores da vida natural e atacou a A Escola Nova tem seus objetivos concentrados no aluno.
corrupção, a avareza e os vícios da sociedade civilizada. Os educadores que adotam essa concepção acreditam em
Fez inúmeros elogios à liberdade que desfrutava o selva- uma sociedade mais justa e igualitária, na qual caberia à
gem, na pureza do seu estado natural, contrapondo-a à educação adaptar os estudantes ao seu ambiente social.
falsidade e aos artifícios do homem civilizado [...]. "Do ponto de vista da Escola Nova, os conhecimentos já
A pedagogia liberal tradicional obtidos pela ciência e acumulados pela humanidade não
precisariam ser transmitidos aos alunos, pois acreditava-se
A tendência tradicional é marcada pela concepção do
que, passando por esses métodos, eles seriam naturalmente
homem em sua essência. Sua finalidade de vida é dar ex-
encontrados e organizados" (FUSARI e FERRAZ, 1992, p. 28).
pressão à sua própria natureza. A pedagogia tradicional
preocupa-se com a universalização do conhecimento. O No tocante às teorias e práticas estéticas, a pedagogia es-
treino intensivo, a repetição e a memorização são as formas colanovista rompe com as "cópias de modelos", e parte
pelas quais o professor, elemento principal desse processo, para a criatividade e a livre-expressão. A estética moderna
transmite o acervo de informações aos seus alunos. Estes privilegia a inspiração e a sensibilidade, acentuando o res-
são agentes passivos aos quais não é permitida nenhuma peito à individualidade do aluno.
forma de manifestação. Os conteúdos são verdades abso- Na década de 60, com a redemocratização, após a dita-
lutas, dissociadas da vivência dos alunos e de sua realidade dura Vargas, tenta-se recuperar algumas características da
social. Escola Nova, que infelizmente não retoma seu enfoque ver-
Os métodos baseiam-se tanto na exposição verbal como dadeiro e original, pois interesses políticos desvirtuam sua
na demonstração dos conteúdos, que são apresentados proposta inicial. Mesmo assim, essa década caracteriza-se
de forma linear e numa progressão lógica, sem levar em pelas tentativas de mudanças nas áreas social, educacio-
consideração as características próprias dos alunos, muitas nal e cultural.
vezes encarados como adultos em miniatura. O professor é A pedagogia liberal tecnicista
detentor do saber e deve avaliar o seu aluno através de
A Pedagogia Liberal Tecnicista aparece nos Estados Unidos
provas escritas, orais, exercícios e trabalhos de casa. Esse
na segunda metade do século XX e é introduzida no Brasil
tipo de avaliação geralmente vem regado de um esforço
entre 1960 e 1970. Nessa concepção, o homem é conside-
negativo, com ameaças, punições e até mesmo redução
rado um produto do meio. É uma consequência das forças
de notas em função do comportamento do aluno durante
existentes em seu ambiente. A consciência do homem é
as aulas.
formada nas relações acidentais que ele estabelece com
Ao refletir sobre a pedagogia tradicional, percebe-se que o meio ou controlada cientificamente através da educação.
ela continua forte e persistente na grande maioria das es-
colas e universidades. A educação atua, assim, no aperfeiçoamento da ordem
social vigente (o sistema capitalista), articulando-se direta-
A pedagogia liberal renovada mente com o sistema produtivo; para tanto emprega a ci-
Parafraseando LIBÂNEO, a tendência renovada manifesta- ência da mudança de comportamento, ou seja, a tecno-
se por meio de duas versões: logia comportamental. Seu interesse imediato é o de pro-
" renovada progressista ou programática, que tem em Aní- duzir indivíduos "competentes para o mercado de trabalho,
sio Teixeira seu principal expoente; transmitindo, eficientemente, informações precisas, objeti-
" renovada não-diretiva, com Carl Roger como elemento vas e rápidas" (LÍBANO, 1989, p. 290).
de destaque, o qual enfatiza também a igualdade e o sen- A prática escolar nessa pedagogia tem como função es-
timento de cultura como desenvolvimento de aptidões in- pecial adequar o sistema educacional com a proposta
dividuais. econômica e política do regime militar, preparando, dessa
Na concepção renovada progressista, cabe à escola ade- forma, mão-de-obra para ser aproveitada pelo mercado
quar as necessidades do indivíduo ao meio social em que de trabalho.
está inserido, tornando-se mais próxima da vida. Já a con- Não se pode esquecer que é no início dessa década que
cepção renovada não-diretiva relega à escola o papel de a disciplina de Educação Artística torna-se obrigatória, a
formar atitudes e, para isso, esta deve estar mais preocu- partir da Lei de Diretrizes e Bases 5692/71, que centra o en-
pada com os aspectos psicológicos do que com os aspec- sino da arte em técnicas e habilidades. A fragmentação no
tos pedagógicos ou sociais. ensino da arte, se dá em virtude do caráter tecnicista da
lei.
A pedagogia renovada é conhecida também como Peda-
gogia Nova, Escolanovismo ou ainda Escola Nova. A neces- A pedagogia progressista
sidade de democratizar a sociedade fez com que o movi- A tendência progressista é resultado da inquietação de
mento da Escola Nova acontecesse paralelamente à pe- muitos educadores que, a partir da década de 60, manifes-
dagogia tradicional, buscando reformas educacionais ur- tam suas angústias em relação ao rumo que vem tomando
a educação. Suas discussões e questionamentos dirigem-se
gentes, emergindo da própria população a necessidade
à educação, com ênfase na escola pública, no que diz res-
de uma consciência nacional.
peito à real contribuição desta para a sociedade.
"Por educação nova entendemos a corrente que trata de
Essas discussões têm contribuído para mobilizar novas pro-
mudar o rumo da educação tradicional, intelectualista e li- postas pedagógicas que apontam para uma educação
vresca, dando-lhe sentido vivo e ativo. Por isso se deu tam- conscientizadora do povo e para um redimensionamento
bém a esse movimento o nome de `escola ativa´" (LUZURI- histórico do trabalho escolar público, democrático e de
AGA, 1980, p. 227). toda a população (FUSARI e FERRAZ, 1992, p. 40).

15
CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS E METODOLÓGICOS
Teoria, Legislações e Questões da FUNRIO e de Outras Instituições por Assuntos com Gabaritos

Segundo LIBÂNEO, o termo progressista é tomado empres- Pedagogia progressista libertária


tado de Snyders e utilizado nesses estudos para:
A pedagogia progressista libertária valoriza a experiência
Designar as tendências que, partindo de uma análise crí- de autogestão, autonomia e não-diretividade. Pode-se di-
tica das realidades sociais, sustentam implicitamente as fi- zer que a pedagogia libertária tem em comum com a pe-
nalidades sociopolíticas da educação. Evidente que a pe-
dagogia libertadora "a valorização da experiência vivida
dagogia não tem como institucionalizar-se numa socie-
como base da relação educativa e a ideia de autogestão
dade capitalista; daí ser ela um instrumento de luta dos pro-
fessores ao lado de outras práticas sociais (1989, p. 32). pedagógica" (LUCKESI, 1993, p. 64). Nessa concepção, a
ideia de conhecimento não é a investigação cognitiva do
Como já foi mencionado no início deste artigo, a pedago-
real, mas, sim, a descoberta de respostas relacionadas às
gia progressista apresenta-se por meio das tendências liber-
exigências da vida social. Essa tendência acredita na liber-
tadora, libertária e a crítico-social dos conteúdos. Nessas con-
dade total; por isso dá mais importância ao processo de
cepções, a escola deve ser vista como o ambiente onde
aprendizagem grupal do que aos conteúdos de ensino.
acontecem:
Pode-se afirmar que a pedagogia libertária "abrange quase
[...] conflitos, interesses sociais contraditórios, lutas de poder,
todas as tendências anti-autoritárias em educação, como
e no qual é possível criar-se um discurso crítico capaz de
desvelar esta realidade, seus condicionamentos sócio-econô- a psicanalítica, a anarquista, a dos sociólogos e também a
micos e as condições necessárias à sua superação. Neste dos professores progressistas" (LIBÂNEO, 1989, p. 39). Em re-
contexto, torna-se imprescindível a discussão sobre a cul- sumo, o professor assume a função de conselheiro e, muitas
tura popular versus cultura erudita, enfim, passa-se neces- vezes, também a de instrutor-monitor.
sariamente a discutir a problemática da democratização Pedagogia progressista "crítico-social dos conteúdos"
da cultura (FOERSTE, 1996, p. 43).
Essa tendência também é conhecida por pedagogia histó-
É oportuno mencionar que existia, no Brasil dos anos 60 a 64,
rico-crítica. Surgiu no início da década de 80 e difere das
uma grande movimentação em torno da promoção da cul-
duas progressistas anteriores pela ênfase que dá aos con-
tura popular, que por meio do nacionalismo procurava res-
gatar a verdadeira cultura não-dominante, a cultura do povo. teúdos, confrontando-os com a realidade social. Sua tarefa
principal centra-se na difusão dos conteúdos, que não são
Entre a efervescência ideológica dos primeiros quatro anos
abstratos, mas concretos. A ênfase dada ao conteúdo pro-
da década de 60, cresceram organizações que trabalha-
ram com a promoção da cultura popular, a educação po- voca polêmica por parte de alguns educadores preocupa-
pular, a desanalfabetização e a conscientização da popu- dos com tais questões.
lação sobre a realidade dos problemas nacionais. Os cen- Nesse sentido, cabe ao professor escolher conteúdos mais
tros Populares de Cultura (CPCs), os Movimentos de Cultura significativos para o aluno, os quais passam a contribuir na
Popular (MCPs) e o Movimento de Educação de Base (MEB) sua formação profissional. Tudo isso visando à inserção do
foram os grandes protagonistas das ações de várias ten- aluno no contexto social. Na realidade, não basta que os
dências e grupos de esquerda preocupados com a proble- conteúdos sejam bem ensinados, é preciso que tenham sig-
mática cultural das classes trabalhadoras. (GHIARDELLI, 1994, nificação humana e social.
p. 120-121).
Considerações finais
É nesse contexto e mediante esses movimentos que surge a
Mediante a reflexão sobre as tendências pedagógicas que
pedagogia libertadora. Entre outras, surge também a liber-
tária e a crítico-social dos conteúdos. influenciaram e continuam influenciando o ensino-aprendi-
zagem da arte, espera-se que o estudo abordado neste ar-
Tendência progressista libertadora tigo possa ajudar os professores de arte a entenderem-se
Essa tendência tem sua origem ligada diretamente com o como sujeitos do processo histórico, pois, ao mesmo tempo
método de alfabetização de Paulo Freire. Nessa concep- que fazem a história, são determinados por ela. Devem per-
ção, o homem é considerado um ser situado num mundo ceber que para interferir e transformar o presente é neces-
material, concreto, econômico, social e ideologicamente
sário conhecer e entender o passado. A compreensão da
determinado. Sendo assim, resta-lhe transformar essa situa-
história lhes possibilitará uma ação transformadora no pro-
ção. A busca do conhecimento é imprescindível, é uma ati-
vidade inseparável da prática social, e não deve se basear cesso ensino-aprendizagem da arte, e lhes dará subsídio
no acúmulo de informações mas, sim, numa reelaboração para repensar as relações sociais existentes nas instituições,
mental que deve surgir em forma de ação, sobre o mundo tanto de Educação Infantil e Fundamental como de Ensino
social. Médio e Superior.
Assim, a escola deve ser valorizada como instrumento de Contudo, não se pode negar que ainda é grande o número
luta das camadas populares, propiciando o acesso ao sa- de professores que desconhecem essa caminhada histó-
ber historicamente acumulado pela humanidade, porém rica e, consequentemente, são alienados de sua função so-
reavaliando a realidade social na qual o aluno está inse- cial enquanto educadores, terminando sem saber que tipo
rido. A educação se relaciona dialeticamente com a soci- de sociedade e de cidadão querem preparar para o fu-
edade, podendo constituir-se em um importante instrumento turo. Sendo assim, fica difícil mudar as concepções de en-
no processo de transformação da mesma. Sua principal
sino e aprendizagem da arte, que continuam presentes de
função é elevar o nível de consciência do educando a res-
forma mesclada na sociedade, provocando um emara-
peito da realidade que o cerca, a fim de torná-lo capaz
para atuar no sentido de buscar sua emancipação econô- nhado de posturas e uma grande confusão tanto na ca-
mica, política, social e cultural. beça dos alunos como na dos próprios professores.

16
CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS E METODOLÓGICOS
Teoria, Legislações e Questões da FUNRIO e de Outras Instituições por Assuntos com Gabaritos

O estudo das tendências pedagógicas poderá proporcio- COTRIM, Gilberto. Fundamentos da filosofia: para uma ge-
nar aos professores o entendimento da dimensão política ração consciente. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 1987.
que existe nas pedagogias que se adotam nas escolas e
universidades, pois sua atuação em sala de aula é o resul- Leia mais em:
tado dessas opções. Não existe postura pedagógica neu-
https://www.gazetadopovo.com.br/educacao/a-historia-da-educacao-no-
tra, todas estão comprometidas com uma ou outra ideolo-
gia, a dominante ou a do dominado. Portanto, cabe aos brasil-uma-longa-jornada-rumo-a-universalizacao-84npci-
professores permanecerem vigilantes e atentos, para que hyra8yzs2j8nnqn8d91/
saibam escolher corretamente e não terminem sem saber https://novaescola.org.br/conteudo/3433/ensino-com-catecismo
a serviço de quem querem estar desenvolvendo o ensino e
https://www.infoescola.com/pedagogia/historia-da-educacao/
a aprendizagem.
https://novaescola.org.br/conteudo/3442/mestres-quase-nobres
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS https://novaescola.org.br/conteudo/3444/primeira-republica-um-periodo-
de-reformas
BARBOSA, Ana Mae. Recorte e colagem: influência de John
https://novaescola.org.br/conteudo/3434/era-vargas-profusao-de-ideias
Dewey no ensino da arte no Brasil. 2. ed. São Paulo: Cortez,
1989. https://novaescola.org.br/conteudo/3431/ditadura-militar-aulas-para-o-tra-
_____. Teoria e prática da educação artística. 3. ed. São balho
Paulo: Cultrix, 1986. https://novaescola.org.br/conteudo/3432/educacao-pos-ditadura-quali-
BRINHOSA, Mário César. Histórico da proposta. In: ESTADO dade-para-todos
DE SANTA CATARINA. Secretaria de Estado da Educação. http://artenaescola.org.br/sala-de-leitura/artigos/artigo.php?id=69329
Proposta Curricular. Florianópolis, Coordenadoria de Ensino, (Adaptado )
1991.

QUESTÕES DE PROVAS DA FUNRIO E DE OUTRAS INSTITUIÇÕES


1. [Téc.-Adm. Educ.-(Téc. Assuntos Educ.)-(Classe E)-(NS)-(M)- d) ensino superior.
(C1)-IFPA/2016-FUNRIO].(Q.42) Nilo Peçanha, então presidente e) educação profissional.
do Brasil, assina em 23 de setembro de 1909, o Decreto nº
7.566, criando, inicialmente em diferentes unidades federa-
tivas, sob a jurisdição do Ministério dos Negócios da Agricul- 4. [Téc.-Adm. Educ.-(Téc. Assuntos Educ.)-(Classe E)-(NS)-(M)-
tura, Indústria e Comércio, dezenove “Escolas de Aprendi- (C1)-IF Baiano/2016-FUNRIO].(Q.68) Para muitos autores os
zes Artífices”, destinadas ao ensino primórdios da Educação Profissional no Brasil denotam sua
criação para atender crianças, jovens e adultos que viviam
a) técnico, médio e privado. à margem da sociedade. As primeiras escolas que constitu-
b) profissional, secundário e laico. íram a Rede Federal de Educação Profissional tinham a fun-
c) profissional, primário e gratuito.
ção de instruir tais indivíduos através do ensino de um ofício
d) técnico, secundário e privado.
ou profissão. Portanto, a dualidade das classes sociais refle-
e) profissional, ginasial e gratuito.
tia-se na educação escolar cujos filhos dos trabalhadores
2. [Téc.-Adm. Educ.-(Pedagogo)-(Classe E)-(NS)-(M)-(C1)- livres eram destinados à aprendizagem dos ofícios manuais,
IF Baiano/2016-FUNRIO].(Q.53) Em 1932 foi publicado o Ma- e os filhos das elites para as funções de mando e os estudos
nifesto dos Pioneiros da Educação Nova liderado por Fer- superiores.
nando de Azevedo. Tal Manifesto se caracterizou funda-
mentalmente pela defesa da (o) binômio abaixo:
Esse processo é legitimado no primeiro governo Vargas, no
a) Educação pública – ensino eclesiástico. auge do poder do Estado Novo, nos anos 1940, cujas Leis
b) Sistema dualista – ensino público. Orgânicas do Ensino Industrial e do Ensino Secundário e a
c) Escola particular – educação elitista. criação do Senai, em 1942, determinam a não equivalên-
d) Escola básica – educação gratuita. cia entre os cursos propedêuticos e os técnicos.
e) Ensino obrigatório – ensino religioso.
Essa dualidade associou os currículos enciclopédicos dos
3. [Téc.-Adm. Educ.-(Téc. Assuntos Educ.)-(Classe E)-(NS)-
cursos propedêuticos à (ao)
(M)-(C1)-IF Baiano/2016-FUNRIO].(Q.59) Sob o discurso de
uma escola única para ricos e pobres, a Lei nº 5.692, de
1971, tornou obrigatória a profissionalização dos estudantes a) mundo do trabalho.
do(a) b) formação geral.
c) ensino profissionalizante.
a) educação básica. d) treinamento para o vestibular.
b) ensino de 2º grau. e) educação politécnica.
c) ensino fundamental.

17
CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS E METODOLÓGICOS
Teoria, Legislações e Questões da FUNRIO e de Outras Instituições por Assuntos com Gabaritos

5. [Téc.-Adm. Educ.-(Pedagogo)-(Classe E)-(NS)-(M)-(C1)- d) defesa da reordenação do processo educativo tornando-


IF Baiano/2016-FUNRIO].(Q.54) o objetivo e operacional à semelhança do trabalho fabril.
e) passa a ser vista de forma tecnicista, ou seja, com fartura
Acorda Amor de avaliações subjetivas e coletivistas para todos os estu-
Chico Buarque dantes.

“Acorda amor 7. [Professor-(Matemática)-(NS)-(C1)-SEDUC-RO/2008-FUNRIO].


Eu tive um pesadelo agora: (Q.29) Tomemos o conceito de filosofia como uma reflexão
Sonhei que tinha gente lá fora, radical, rigorosa e de conjunto, sobre os problemas propos-
Batendo no portão, tos e existentes, sendo inevitável que entre eles estejam pre-
Que aflição (...)” sentes os problemas educacionais. E se fizermos o mesmo
com o da educação, veremos que esse segundo está es-
Sabemos que ainda está em construção e, por vezes, a ser treitamente interligado a um típico "quefazer" humano, ca-
construída Uma escola-expressão, Da vida, sem restrição ....
racterizado fundamentalmente por uma preocupação, por
Ainda está por ser construída ou ainda está em construção
uma finalidade a ser atingida.
uma pedagogia viva que reflita a vida de cada um.

Sendo assim, podemos afirmar que a escola brasileira ainda Como nos fala Luckesi (1999), sabemos que a educação,
carrega em pleno século XXI uma herança baseada nas dentro de uma sociedade, não se manifesta como um fim
características de sua sociedade e sua história. Portanto, em si mesmo, mas sim como um instrumento de manuten-
baseado nisso, podemos afirmar que: ção ou transformação social.

a) o peso da exclusão social ainda permanece na escola Logo, a educação para se desenvolver dentro dos princí-
brasileira principalmente no acesso da maioria à Educação pios filosóficos necessita de:
Básica.
b) as políticas afirmativas não mudaram em nada o painel
a) ideologia e prescrição de ações didáticas.
de exclusão da Educação Básica brasileira.
b) bases conceituais e pressupostos políticos.
c) as práticas escolares inclusivas têm colaborado para a
padronização cultural de todos os segmentos escolares. c) bases conceituais e prognósticas para fundamentá-la.
d) os conteúdos e práticas pedagógicas difundidas na es- d) pressupostos de conceitos que fundamentem e orientem
cola brasileira representam a diversidade cultural de nosso os seus caminhos.
país. e) ideologia e pressupostos políticos.
e) os preconceitos e discriminações ainda são entraves às
aprendizagens de crianças e jovens brasileiros. 8. [Professor-(Pedagogo)-(NS)-SEDUC-AM/2018-Inst. Acesso].
(Q.34) No âmbito das finalidades da Educação brasileira, a
6. [Téc.-Adm. Educ.-(Pedagogo)-(Classe E)-(NS)-(M)-(C1)- família e o Estado apresentam-se como processo formativo
IF Baiano/2016-FUNRIO].(Q.69) mais amplo, através da formação da pessoa, do cidadão
e do trabalhador.
Acorda Amor
Chico Buarque Fonte: MARTINS, A. M. S.. Fundamentos da educação 2.
v.1. 2.ed. Rio de Janeiro: Fundação CECIERJ, 2008.

“Acorda amor
Segundo os princípios previstos na LDBEN:
Eu tive um pesadelo agora:
Sonhei que tinha gente lá fora,
Batendo no portão, I. Deverá ocorrer a vinculação entre a educação escolar,
Que aflição (...)” o trabalho e as práticas sociais;
II. Não está previsto a valorização da experiência extra-es-
A música “Acorda Amor”, de Chico Buarque de Holanda, colar como princípio da educação;
demonstra o clima de censura e repressão após o Golpe de
1964. III. As instituições públicas e privadas poderão coexistir para
garantir a ministração do ensino;
É um dos efeitos do Golpe Militar de 64 na Educação brasi- IV. O ensino será ministrado garantindo a diversidade ét-
leira a (o) nico-racial.

a) manutenção das mesmas disciplinas já que a organiza- São afirmativas corretas:


ção escolar perpetuava-se na sociedade capitalista con-
temporânea.
a) I, III e IV.
b) difusão do princípio da diversidade científica, da eficiên-
b) III, IV.
cia e da produtividade também no ensino mirando-se na
dimensão política. c) II, IV.
c) valorização no sistema de ensino da organização racio- d) I, II, III.
nal dos meios, ocupando o professor e aluno posição prio- e) I,I I.
ritária.

18
CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS E METODOLÓGICOS
Teoria, Legislações e Questões da FUNRIO e de Outras Instituições por Assuntos com Gabaritos

9. [Professor-(Biologia)-(C1)-(NA)-(NS)-(M)-(T1)-SEDUC-PA/2018- 11. [Professor-(Metodologia)-(NS)-(T1)-(B)-SEDUC-AM/2014-


Consulplan].(Q.17) No Brasil, especialmente a partir da dé- FGV].(Q.12) Com relação às ações realizadas na educa-
cada de 1980, inúmeras pesquisas lançam o olhar sobre o ção brasileira no período de 1964 a 1985, analise as afirma-
interior da escola, mostrando, na contradição e fragmen- tivas a seguir.
tação do cotidiano escolar, as práticas e os processos que
constroem, no dia a dia da rotina escolar, o significado so- I. Expansão do número de vagas do ensino fundamental,
cial e político da escola brasileira. Sobre as consequências eliminando o analfabetismo e atingindo a universalização.
positivas trazidas pelas pesquisas sobre o cotidiano escolar, II. Investimentos na diminuição dos índices de analfabe-
analise. tismo de adultos, especialmente com a implementação do
Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL).
I. O reconhecimento da existência de um saber da experi-
III. Institucionalização do ensino profissionalizante no 2º grau
ência, construído pelos professores na e pela própria prá-
somente para as escolas públicas.
tica e consequentemente o reconhecimento de que a es-
cola é local privilegiado para formação de professores.
Assinale:
II. Desenvolvimento de nova abordagem entre a teoria e a
prática pedagógica nos processos formativos. a) se somente a afirmativa I estiver correta.
III. A confirmação de que a escola, como organização so- b) se somente a afirmativa II estiver correta.
cial, precisa ser vista como um local de aprendizagem para c) se somente a afirmativa III estiver correta.
alunos e professores. d) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.
IV. Confirmar o modelo clássico de formação e construir e) se todas as afirmativas estiverem corretas.
uma nova perspectiva na área de formação continuada
de professores. 12. [Professor-(Metodologia)-(NS)-(T1)-(B)-SEDUC-AM/2014-
FGV].(Q.15) Relacione os períodos históricos aos respectivos
Estão corretas apenas as afirmativas aspectos educacionais.

a) I, II e III. 1. Período Colonial


b) I, II e IV. 2. Período Monárquico
c) I, III e IV. 3. Período Republicano
d) II, III e IV.
( ) Numerosas escolas superiores foram criadas, mas a
10. [Professor-(Matemática)-(NS)-(T1)-(B)-(M)-SEE-PB/2016- educação não era objeto de preocupação do go-
FGV].(Q.15) Sobre os Fundamentos da Educação, analise verno.
as afirmativas a seguir.
( ) Numerosos colégios foram fundados pelos jesuítas por
todo o país.
I. A educação é um verdadeiro mosaico de conhecimen-
tos oriundos de diversas áreas que lhe fornecem as bases ( ) Numerosas reformas educacionais impulsionaram a for-
conceituais, os pressupostos filosóficos e os conteúdos ide- mação de um sistema público de ensino.
ológicos.
Assinale a opção que apresenta a relação correta, de
II. A educação é um campo do conhecimento humano
cima para baixo.
composto por saberes inéditos, oriundos do seu próprio
campo de conhecimento.
a) 1 – 2 – 3
III. A educação, como fenômeno social, não se esgota no b) 3 – 2 – 1
estudo de uma única ciência e, como fenômeno múltiplo, c) 3 – 1 – 2
requer a pluralidade de enfoques. d) 2 – 3 – 1
e) 2 – 1 – 3
Está correto o que se afirma em

a) I, apenas.
b) II, apenas.
c) I e III, apenas.
d) II e III, apenas.
e) I, II e IIII.

19
CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS E METODOLÓGICOS
Teoria, Legislações e Questões da FUNRIO e de Outras Instituições por Assuntos com Gabaritos

GABARITOS (296 QUESTÕES)

1 FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
C D B B E D D A A C B E

A FUNÇÃO SOCIAL DA ESCOLA.


2
RELAÇÕES SOCIOECONÔMICAS E POLÍTICO-CULTURAIS DA EDUCAÇÃO.
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
B C B C C E B E E C

3 LEI Nº 9.394/96 – LEI DE DIRETRIZES E BASE DA EDUCAÇÃO NACIONAL


1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24
D B B D E B A C A C D D A E D D D A D B E D B B
25 26 27 28
A D D E

4 CONCEPÇÕES E TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS CONTEMPORÂNEAS


1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23
D D D B C B D B C E C A B D A D C B B A A C D

5 PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM:
papel do educador, do educando, da sociedade

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
A B D C C A A E E D

6 CURRÍCULO:
planejamento, seleção e organização dos conteúdos

1 2 3 4 5 6 7 8 9
C B E B B B B D B

7 AVALIAÇÃO
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16
B C C D C A C A D A D E D A C B

269
CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS E METODOLÓGICOS
Teoria, Legislações e Questões da FUNRIO e de Outras Instituições por Assuntos com Gabaritos

8 DIDÁTICA E ORGANIZAÇÃO DO ENSINO


1 2 3 4 5 6 7
A B E D B E E

9 PLANEJAMENTO:
a realidade escolar; o planejamento e o projeto pedagógico da escola.

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24
E A B C A D E E E D D B B C B D D C E B D D E A
25 26
E D

SABERES ESCOLARES, PROCESSOS METODOLÓGICOS E AVALIAÇÃO DA


10
APRENDIZAGEM
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13
B B B A D C B B A A D D D

NOVAS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO E SUA


11
CONTRIBUIÇÃO COM A PRÁTICA PEDAGÓGICA
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11
D A B C E D C A B C A

12 DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS PARA A EDUCAÇÃO BÁSICA


1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14
A D D C A E A A B A D A B C

13 BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR


1 2 3 4 5
E E E D B

14 EDUCAÇÃO E DIREITOS HUMANOS, DEMOCRACIA E CIDADANIA


1 2 3 4 5 6
C A C C D C

270
CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS E METODOLÓGICOS
Teoria, Legislações e Questões da FUNRIO e de Outras Instituições por Assuntos com Gabaritos

15 PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS – 2007


1 2 3
B E A

16 LEI Nº 8.069/90 – ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE


1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14
A A C D E B C B A D E B D C

17 INCLUSÃO EDUCACIONAL E RESPEITO À DIVERSIDADE


1 2 3 4 5
B B C E B

18 LEI Nº 10.639/03 – HISTÓRIA E CULTURA AFRO BRASILEIRA E AFRICANA


1 2 3 4 5
B E C D B

19 EDUCAÇÃO INCLUSIVA
1 2 3 4 5 6 7 8
C A E A D D C A

20 LEI Nº 13.415, DE 16 DE FEVEREIRO DE 2017


1 2
D B

21 O CONHECIMENTO CIENTÍFICO E A QUESTÃO DA VERDADE


1 2 3 4
A D E A

22 PROCESSOS INDUTIVOS E DEDUTIVOS NA PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO


1
C

271
CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS E METODOLÓGICOS
Teoria, Legislações e Questões da FUNRIO e de Outras Instituições por Assuntos com Gabaritos

23 PESQUISA BÁSICA E APLICADA


1 2 3 4 5
C A A E D

24 CARACTERÍSTICAS E DELIMITAÇÕES DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO


1 2 3 4 5 6 7 8
A B A B C C E D

ASPECTOS FUNDAMENTAIS DA INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA:


referencial teórico como ponto de partida; delimitação do problema e objetivos; papel das hipóteses;
variáveis, indicadores de variáveis e qualidade dos indicadores; população e amostras.

25 FATOS, DESCRIÇÃO, LEIS, TEORIAS, CLASSIFICAÇÃO DA CIÊNCIA E


MODELOS DE ESTUDO. FUNDAMENTOS TÉCNICOS E CIENTÍFICOS DA
ABORDAGEM CIENTÍFICA PARA A SOLUÇÃO DE PROBLEMAS NA ÁREA DA
EDUCAÇÃO.

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16
D D B E D B B E A D A B C A E E

ANÁLISE DAS RELAÇÕES ENTRE PESQUISA EM EDUCAÇÃO E AS


PRÁTICAS EDUCATIVAS E ENFOQUES DA PESQUISA EM EDUCAÇÃO.
26
COMPREENSÃO DAS TENDÊNCIAS METODOLÓGICAS PARA A CIÊNCIA,
LEVANDO-SE EM CONSIDERAÇÃO O ATUAL MOMENTO HISTÓRICO.

1 2 3 4 5 6 7 8
B B A C E B B E

SIMULADO
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24
C C C C A B B C B A D B E D B B E D A E D E B C
25 26 27
D B C

272

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