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UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS

PROGRAMA INTERDISCIPLINAR EM PERFORMANCES CULTURAIS


Disciplina: Teorias e Práticas da Performance
Professor: Robson Corrêa de Camargo
Aluna: Dayse de Jesus Rocha

Temas ou Teorias? O estatuto das noções de ritual e de performance

Como bem fala Jean Langdon (LANGDON, 1996) o performer, aquele que
orienta os momentos performáticos, estabelece para com a plateia certa hierarquia
segundo uma ordem pela qual a comunicação se estabelece. Essa hierarquia é
totalmente diferente das regras formais de comportamento outrora conhecidas.

Neste texto a antropóloga Mariza Peirano é convidada por Langdon a participar


de uma mesa redonda onde estabelecerá uma discussão sobre rituais e
performances. Articula os saberes da antropologia e da história social na formulação
de um paradigma que assume novas formas de pesquisa no universo acadêmico. A
proposta que Peirano traz é a de estudar os rituais desde que seus representantes
inauguraram a começar por Durkheim quando assume um especial significado teórico
e, menos óbvio, político, quando transplantado dos estudos clássicos para o mundo
moderno. Nessa transposição, o foco antes direcionado para um tipo de fenômeno
considerado não rotineiro e específico, geralmente de cunho religioso, amplia-se e
passa a dar lugar a uma abordagem que privilegia eventos que, mantendo o
reconhecimento que lhes é dado socialmente como fenômenos especiais, diferem dos
rituais clássicos nos elementos de caráter probabilístico que lhes são próprios.

Peirano, traz o questionamento do significado de performance, sobretudo, a


antropologia da performance. Os estudos sobre a antropologia acerca de eventos
performáticos em muito nos ajudam a entender um novo contexto sociocultural de uma
sociedade emergente. As questões propostas por tal abordagem teórica buscam
entender uma nova lógica, marcada agora pela evidenciação das dicotomias sociais,
pelas contradições e pelas novas formas de relações, específicas de uma nova ordem
paradigmática. A performance apresenta-se com uma quebra de paradigmas, pois
nunca é somente uma definição ou um conceito isolado. Nesse viés Vitor Turner
reitera que as contradições podem ser vistas do lado de fora da estrutura social,
através destas observações fica perceptível o motivo de não rotulação do que é
performance. De fato, a antropologia e a performance, se apoião no sentido de
liminaridade e reinterpretação dos contextos performáticos.

A antropologia da performance traz uma perspectiva que busca a compreensão


de dicotomias sociais, nas contradições e nas novas formas de relações, específicas
de um mundo fragmentado. Os estudos sobre performances surgem então como um
método de pesquisa dessa realidade que em muito nos apresenta como avessa e
conflituosa. Peirano esclarece que na contemporaneidade os estudos sociais
passaram a considerar as transformações dentro das estruturas das sociedades.
Considera-se agora o papel de atores sociais, que são capazes de conduzir a
alterações nas relações estabelecidas.

Desta forma, os estudos sobre os rituais ganham mais espaços, bem como,
suas teorias se relacionam cada vez mais com os antropólogos e os etnográficos. A
ligação que Peirano faz sobre e performances soa bastante interessante, pois diz ser
uma forma de privilegio de um fazer, de um agir, onde admite-se que o imponderável
e a mudança se faz possível através da linguagem na sociedade. Isto tudo levando
em consideração o intelecto e o pragmático. Sua reflexão sobre os extremismos de
pensamentos e julgamentos são comportamentos que a antropologia encara como
um ponto de reflexão sobre fenômenos sociais, onde o conhecimento pode
predominar com referências da cultura e da linguagem.

REFERENCIA BIBLIOGRAFICA

DUARTE, Alexandre Ambiel Barros. ANTROPOLOGIA DA PERFORMANCE: A


LIMINARIDADE E AS CONTRADIÇÕES DO SOCIAL.
http://www.uel.br/eventos/sepech/sumarios/temas/antropologia_da_performance_a_l
iminaridade_e_as_contradicoes_do_social.pdf
LANGDON, Jean. “Performance e preocupações pós modernas em antropologia”. In:
TEIXEIRA, João Gabriel L. C. (org). Performáticos, performance e Sociedade. Brasília:
Editora Universidade de Brasília, 1996. p. 23-29. ISBN 85-230
PEIRANO, M. Temas ou Teorias? O estatuto das noções de ritual e de Performance. In:
Série Antropologia, 398. Brasília: EDUNB, 2006.