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AGRUPAMENTO DE ESCOLAS JOSÉ BELCHIOR VIEGAS

(Sede: Escola Secundária José Belchior Viegas)

Português – 12.º Ano Turma A – Cursos Científico-Humanísticos – Ano letivo 2019/2020


2.º Teste globalizante de avaliação

Grupos e Cotações Domínios Classificação


Grupo I – 104 pontos Educação Literária
Grupo II – 32 pontos Leitura
Grupo II – 24 pontos Gramática
Grupo III – 40 pontos Escrita
Classificação Final: ______________________________________ Prof. _________________________

GRUPO I

Apresente as suas respostas de forma bem estruturada.

EDUCAÇÃO LITERÁRIA

PARTE A

Leia o poema XXII, de O Guardador de Rebanhos.

Como quem num dia de Verão abre a porta de casa


E espreita para o calor dos campos com a cara toda,
Às vezes, de repente, bate-me a Natureza de chapa
Na cara dos meus sentidos,
5 E eu fico confuso, perturbado, querendo perceber
Não sei bem como nem o quê...

Mas quem me mandou a mim querer perceber?


Quem me disse que havia que perceber?

Quando o Verão me passa pela cara


10 A mão leve e quente da sua brisa,
Só tenho que sentir agrado porque é brisa
Ou que sentir desagrado porque é quente,
E de qualquer maneira que eu o sinta,
Assim, porque assim o sinto, é que é meu dever senti-lo...

Fernando Pessoa, Poesia de Alberto Caeiro, Fernando Cabral Martins (Dir.),


Lisboa: Assírio & Alvim, 2014, p. 22.

1. Caracterize a perceção que o sujeito poético tem da Natureza, a partir da leitura dos quatro primeiros
versos do poema.

2. Explicite a relevância das perguntas presentes na segunda estrofe.

3. Indique dois valores expressivos da personificação presente nos versos 9 e 10.

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PARTE B

Leia o texto. Se necessário, consulte as notas.

CENA III
(MADALENA, TELMO, MARIA)
MARIA
(Entrando com umas flores na mão, encontra-se com Telmo, e o faz tornar para a cena)
5 - Bonito! Eu há mais de meia hora no eirado passeando - e sentada a olhar para o rio a ver as
faluas e os bergantins1 que andam para baixo e para cima - e já aborrecida de esperar… e o
senhor Telmo aqui posto a conversar com a minha mãe, sem se importar de mim. Que é do
romance que me prometestes? Não é o da batalha, não é o que diz:
“Postos estão, frente a frente,
10 os dois valorosos campos;”
é o outro, é o da ilha encoberta onde está el-rei D. Sebastião, que não morreu e que há-de
vir, um dia de névoa muito cerrada…2 Que ele não morreu; não é assim, minha mãe?
MADALENA
- Minha querida filha, tu dizes coisas! Pois não tens ouvido a teu tio Frei Jorge e a teu tio Lopo
15 de Sousa, contar tantas vezes como aquilo foi? O povo, coitado, imagina essas quimeras para
se consolar na desgraça.
MARIA
- Voz do povo, voz de Deus, minha senhora mãe: eles que andam tão crentes nisto, alguma
cousa há de ser. Mas ora o que me dá que pensar é ver que, tirado aqui o meu bom Telmo
20 (chega-se toda para ele, acarinhando-o), ninguém nesta casa gosta de ouvir falar em que
escapasse o nosso bravo rei, o nosso santo rei D. Sebastião. Meu pai, que é tão bom
português, que não pode sofrer estes castelhanos, e que até, às vezes, dizem que é de mais
o que ele faz e o que ele fala… em ouvindo duvidar da morte do meu querido rei D.
Sebastião… ninguém tal há de dizer, mas põe-se logo outro, muda de semblante, fica
25 pensativo e carrancudo; parece que o vinha afrontar, se voltasse, o pobre do rei. Ó minha
mãe, pois ele não é por D. Filipe; não é, não?
MADALENA
- Minha querida Maria, que tu hás de estar sempre a imaginar nessas coisas que são tão
pouco para a tua idade! Isso é o que nos aflige, a teu pai e a mim; queria-te ver mais alegre,
30 folgar3 mais, e com coisas menos…
MARIA
- Então, minha mãe, então! Veem, veem?… também minha mãe não gosta. Oh! essa ainda é
pior, que se aflige, chora… ela aí está a chorar… (Vai-se abraçar com a mãe, que chora.)
Minha querida mãe, ora pois então! Vai-te embora, Telmo, vai-te; não quero mais falar, nem
35 ouvir falar de tal batalha, nem de tais histórias, nem de coisa nenhuma dessas. Minha querida
mãe!
TELMO
- E é assim; não se fala mais nisso, e eu vou-me embora. (À parte, indo-se depois de lhe tomar
as mãos.) Que febre que ela tem hoje, meu Deus! queimam-lhe as mãos… e aquelas rosetas
40 nas faces… Se o perceberá a pobre da mãe!

Almeida Garrett, Frei Luís de Sousa, Organização e notas de Ana M. Coutinho e Castro,
Porto: Areal Editores, 2004.
Notas:
1
faluas e bergantins são embarcações pequenas; 2 o sebastianismo já criou as suas raízes; 3 brincar, distrair-se;
4
marcas avermelhadas no rosto, típicas da turberculose.

4.  Apresente a perspetiva de Maria sobre a figura de D. Sebastião e aponte os dois argumentos
usados por D. Madalena que se contrapõem às afirmações da filha.

5. Refira três traços caracterizadores do perfil psicológico de Maria, evidenciados nesta cena.

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6.  Complete as afirmações abaixo apresentadas, selecionando da tabela a opção adequada a cada
espaço.

Neste texto podemos encontrar várias marcas do texto dramático, nomeadamente, a presença das
falas entre as personagens, que se denomina de _ a)____; as didascálias ocorrem, por exemplo,
em ____ b) ____.

a) b)
1. citações 1. «- Minha querida filha, tu dizes coisas!» (l. 14)
2. texto secundário 2. «(Vai-se abraçar com a mãe, que chora.)» (l. 33)
3. apartes 3. «o que ele faz e o que ele fala… » (l. 23)
4. texto principal 4. «Postos estão, frente a frente, / os dois valorosos campos;» (ll. 9-10)

PARTE C

7. No universo pessoano, Ricardo Reis é considerado o poeta «clássico».

Escreva uma breve exposição sobre o classicismo na poesia deste heterónimo.

A sua exposição deve respeitar as orientações seguintes:


•  uma introdução ao tema;
•  um desenvolvimento no qual refira duas características temáticas que permitam considerar
este heterónimo como um poeta «clássico», fundamentando as ideias apresentadas em, pelo
menos, um exemplo significativo de cada uma dessas características;
•  uma conclusão adequada ao desenvolvimento do tema.

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GRUPO II

Nas respostas aos itens de escolha múltipla, selecione a opção correta.


Escreva, na folha de respostas, o número do item e a letra que identifica a opção escolhida.

LEITURA | GRAMÁTICA

Leia o texto seguinte.

Portugal – sobretudo Lisboa, mas não só Lisboa – parece, neste momento, cavalgar uma
onda alta no setor do turismo. Os estrangeiros estão a «descobrir» que Lisboa é uma bela e
atraente cidade e que Portugal e os portugueses são um destino turístico especialmente
aprazível e amistoso. Julgo que teríamos a obrigação, que até seria vantajosa, de alargar o
5 nosso conceito de turismo para áreas que transcendem a boa culinária, o bom vinho, o bom sol,
algum fado e o bom feitio dos lusíadas. Há todo um setor – o turismo cultural – que conviria ser
profundamente trabalhado, cavalgando esta onda de simpatia de que Portugal, de momento,
desfruta.
O valor do turismo cultural – com circuitos turísticos organizados tematicamente e
10 envolvendo, por exemplo, a Lisboa de Fernando Pessoa ou de Eça de Queirós ou a Trás-os-
Montes de Miguel Torga ou de Teixeira de Pascoaes, entre muitos outros que não custa muito
congeminar – é incontestável. Este turismo cultural visa uma fatia especial de turistas: é um
turismo que fixa mais profundamente o turista à nossa terra e à nossa cultura e o torna,
eventualmente, um frequentador mais assíduo e persistente do nosso país. A este turista, seria
15 propiciada sempre a aquisição, na sua língua, de obras literárias ou de outra natureza, para as
quais se sentiria seduzido pelo próprio interesse que encontra nos sítios, nos monumentos, nas
pessoas. E nem seria muito de admirar que esta espécie de conquistado novo amigo da nossa
terra e da nossa cultura acabasse por desejar aprender a nossa língua, não só para melhor
comunicação, mas também para um contacto mais direto – sem o intermediário da tradução –
20 e mais eficaz com a nossa literatura e cultura.
Há hoje, em Portugal, alguns bons especialistas em turismo cultural e não seria difícil aos
nossos serviços de turismo, com o apoio de tais especialistas, organizar bons e apelativos
circuitos culturais que vendessem aos turistas interessados. Seria um bom e duradouro
investimento e a captação de amigos permanentes de Portugal.
25 [...] Falámos atrás na propiciação de traduções de obras de bons autores portugueses,
destinadas aos utentes dos circuitos culturais centrados na figura dos autores traduzidos. É uma
primeira aproximação à nossa literatura, esta que se faz por intermédio de traduções. Mas não
chega a ser muito satisfatória. Nenhuma obra traduzida – sobretudo se for de um grande escritor
– dá nunca medida justa do talento ou do génio desse escritor. Fernando Pessoa traduzido não
30 é Fernando Pessoa: é apenas uma pálida alusão ao grande poeta. Eça de Queirós traduzido
perde grande parte do fulgor, da picante maldade, da mordedura do estilo, que se patenteiam
nos seus romances admiráveis.
[...] Enquanto não trouxermos o estrangeiro até à nossa língua, teremos ficado apenas a
meio do caminho. Vender a nossa literatura em tradução é apenas a primeira metade da tarefa
35 que nos incumbe. Os nossos grandes escritores são para serem lidos em toda a força da sua
própria língua. Dá-los traduzidos é propiciar apenas uma sombra do que são. O picante de Eça,
as sinestesias e metáforas de Sá-Carneiro, a malícia peculiaríssima de O’Neill não são
ofertáveis em pálidas versões que pouco mais serão do que contrafações.
No dia em que pudermos oferecer percursos culturais fortes, apoiados em obras aliciantes
40 que o turista estrangeiro possa manusear na sua frescura original, estaremos a percorrer um
bom e seguro caminho. Não se fará em dias, em meses, em poucos anos. Será uma longa
conquista. Mas é o caminho.

Eugénio Lisboa, «Promover a literatura portuguesa»,


Jornal de Letras Artes e Ideias, de 11 a 24 de abril de 2018, p. 33.

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AGRUPAMENTO DE ESCOLAS JOSÉ BELCHIOR VIEGAS
(Sede: Escola Secundária José Belchior Viegas)

1. O turismo cultural, tal como o autor o idealiza no texto, teria a vantagem de

(A) controlar a excessiva criação de circuitos organizados tematicamente.


(B) se destinar a um grupo de turistas particularmente diversificado.
(C) reduzir a quantidade de traduções de obras de autores consagrados.
(D) propiciar o enraizamento dos turistas através do conhecimento da língua.

2. Segundo o autor, a leitura de obras de escritores portugueses na língua original

(A) permite a compreensão das subtilezas linguísticas e de peculiaridades do estilo dos autores.
(B) estimula o interesse pela cultura, pela história, pelos lugares e pelas gentes do nosso país.
(C) facilita uma ampla divulgação da produção literária de grandes vultos da literatura nacional.
(D) constitui uma primeira aproximação à literatura nacional por parte dos turistas estrangeiros.

3. O recurso, em simultâneo, às expressões «pálidas versões» e «contrafações» (linha 38) para


caracterizar as traduções enfatiza a ideia de

(A) imitação.
(B) empobrecimento.
(C) falsificação.
(D) plágio.

4. No contexto em que ocorre, o uso da forma verbal «seria» (linha 21) contribui para exprimir
uma

(A) condição.
(B) suposição.
(C) convicção.
(D) dúvida.

5. Em «esta onda de simpatia de que Portugal, de momento, desfruta» (linhas 7 e 8) e em


«Nenhuma obra traduzida [...] dá nunca medida justa do talento ou do génio desse escritor.»
(linhas 28 e 29) está presente um valor aspetual

(A) genérico, no primeiro caso, e imperfetivo, no segundo caso.


(B) imperfetivo, no primeiro caso, e genérico, no segundo caso.
(C) perfetivo, no primeiro caso, e genérico, no segundo caso.
(D) genérico, no primeiro caso, e perfetivo, no segundo caso.

6. Identifique as funções sintáticas desempenhadas pelas expressões:

a) «que teríamos a obrigação» (linha 4);


b) «de amigos permanentes de Portugal» (linha 24).

7. Classifique a oração introduzida por «que», na linha 35.

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GRUPO III

ESCRITA

Viajar, na atualidade, pode ser perigoso, mas é também fonte de conhecimento e de prazer.

Num texto bem estruturado, com um mínimo de duzentas e um máximo de trezentas e


cinquenta palavras, defenda um ponto de vista pessoal sobre a ideia exposta.

No seu texto:
– explicite, de forma clara e pertinente, o seu ponto de vista, fundamentando-o em dois
argumentos, cada um deles ilustrado com um exemplo significativo;
– utilize um discurso valorativo (juízo de valor explícito ou implícito).

Observações:
1. Para efeitos de contagem, considera-se uma palavra qualquer sequência delimitada por espaços em branco, mesmo
quando esta integre elementos ligados por hífen (ex.: /dir-se-ia/). Qualquer número conta como uma única palavra,
independentemente dos algarismos que o constituam (ex.: /2019/).

2. Relativamente ao desvio dos limites de extensão indicados – um mínimo de duzentas e um máximo de trezentas
e cinquenta palavras –, há que atender ao seguinte:
 um desvio dos limites de extensão indicados implica uma desvalorização parcial (até 5 pontos) do texto produzido;
 um texto com extensão inferior a oitenta palavras é classificado com zero pontos.

FIM

COTAÇÕES
Item
Grupo
Cotação (em pontos)
1. 2. 3. 4. 5. 6. 7.
I
16 16 16 16 16 8 16 104
1. 2. 3. 4. 5. 6. 7.
II
8 8 8 8 8 8 8 56

III Item único


40
TOTAL 200

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