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Princípios gerais da pedagogia do Padre José Kentenich

Normalmente os carismas – dons do Espírito Santo recebidos para o benefício de todos – são
respostas do céu aos problemas de uma época. O P. Kentenich foi capacitado pelo Espírito de Deus
para ser um instrumento na solução dos graves problemas da humanidade neste século e nos
futuros.
Se queremos descobrir a riqueza desse carisma que liga o Fundador e a fundação, devemos então
dar um passo mais. E esse passo consiste em observar as suas referências essenciais ao tempo
atual e futuro.

Isto supõe fazer uma afirmação central: a maior necessidade do nosso tempo é a educação. Tal
afirmação não é evidente nem é partilhada por todos. Muitos pensam que a chave para a solução
dos problemas contemporâneos é uma nova ordem económica. Outros fazem depender toda a
mudança das estruturas políticas. Existem alguns que acreditam que tudo se decidirá segundo a
solução que aconteça à tensão ideológica e bélica entre Este e Oeste; e por último, existem os que
vêm uma maior necessidade na diminuição das diferenças de desenvolvimento entre o hemisfério
Norte e Sul.

O P. Kentenich afirma que nos encontramos numa época de mudança e que é preciso superar o
fenómeno da desintegração do homem em si mesmo (desintegração do intelecto, da vontade, do
coração) e a desintegração do homem e suas relações (o homem coletivista, individualista, vitalista,
economicista e esteticista).

Se a sua capacidade de psicólogo permitiu ao fundador de Schoenstatt a captação de processos


psicológicos, tanto pessoais como comunitários, a sua capacidade de filósofo e teólogo levou-o a
confrontá-las com as verdades últimas sobre o homem e o mundo, e a encontrar ali os critérios
válidos de discernimento entre o querido por Deus e aquilo que atenta contra Ele e contra o próprio
homem.

A pedagogia de Schoenstatt surgiu como uma síntese entre teoria e prática. Partindo da existência
concreta dos homens e da sociedade, o P. Kentenich procurou a verdade final dos desígnios de
Deus para logo voltar à vida concreta do homem e ajudá-lo a realizar os ditos desígnios com
liberdade e originalidade.

Esta síntese entre teoria e prática, entre encontro com a realidade do homem concreto e a
penetração na verdade divina sobre o homem e a sua história; este manter a tensão entre ambos
os polos e respeitar os seus requisitos próprios, é decisivo para impedir voltar as costas ao carisma
pedagógico do Fundador.

Há que mostrar os caminhos concretos que unam amor humano e divino, compromisso temporal e
compromisso cristão, amor às coisas e sentido de transcendência: deve desenvolver-se uma
pedagogia que eduque para a harmonia entre vinculação profunda e cálida a Deus e vinculação
profunda e cálida aos homens às coisas, ao trabalho e ao mundo. É este o compromisso
fundamental da Igreja nos tempos atuais e futuros. Se não o conseguir levar a cabo com êxito,
verá fechados os acessos a um homem e a uma cultura voltados para a ciência e a técnica,
fascinados pelos seus sucessos e por sua vez receosos dos perigos que foram criados.

Nesta proposta pedagógica não encontraremos soluções pré-fabricadas, receitas mágicas ou


respostas ‘em pastilhas concentradas’ para solucionar qualquer problema, mas sim critérios
orientadores. Nalguns campos existem experiências realizadas com bastante sucesso; noutros
apenas se iniciam alguns testes e finalmente há setores onde está muito por fazer.

Corresponde então ter uma atitude de criatividade e responsabilidade perante o que foi recebido.
Schoenstatt possui uma acentuada orientação pedagógica. O seu Fundador é, antes de mais, um
forjador profético de homens, cuja missão histórica consistiu em dar impulso à psicologia e
pedagogia das causas segundas. Se queremos assumir com fidelidade criadora esta preciosa
herança, é muito importante conhecer inteiramente o modelo fundamental da sua proposta.

“Pedagogia é o serviço desinteressado à vida alheia.


O educador é a pessoa chamada a servir a vida do outro, de alguém que necessita dessa ajuda
para ser ele mesmo e formar a sua vida com plenitude.” PK
As 5 Estrelas da Pedagogia de Schoenstatt

Pedagogia do ideal
É a pedagogia que se fundamenta na realidade de que cada indivíduo é chamado a ser ele próprio,
na fidelidade em si e na “ordem do ser”, cada um tem o direito e dever de procurar a sua realização
pessoal. Nesse sentido, a crise de identidade das pessoas, onde se valoriza o “ter” e o “parecer”
faz-nos distanciar do “ser”.
Assim, a procura pelo ser não diz respeito somente a uma ideia pessoal, mas o PK enfatizou o
significado social que isso problematiza. Neste sentido, sua luta foi contra a massificação e
mecanização do homem, que separa Deus da vida e razão da fé. O homem deve lutar pela sua
liberdade, que se conquista a partir do respeito à identidade individual, cultivada
pela autoeducação.

A pedagogia do ideal está orientada à capacidade que tem o ser humano de intervir
responsavelmente na sua comunidade, contribuindo com o melhor de si mesmo e realizando em
plenitude o projeto de sua própria vocação humana e cristã.

Todo o homem e mulher está criado à imagem e semelhança de Deus. Esta criação não ocorre “em
série” mas sim por um ato livre e soberano de Deus, que faz de cada filho seu um ser único e
irrepetível. A tarefa da multiplicação desses talentos, que constituem a sua originalidade mais
própria, está confiada à sua liberdade.
A pedagogia do ideal fundamenta-se na realidade, de que cada indivíduo, criado à imagem e
semelhança de Deus, é chamado a ser ele próprio, na fidelidade em si e na “ordem do ser”. Como
ser inacabado, cada um é um projeto original, dotado de um determinado número de talentos, e
chamado desde o princípio, a ser algo mais; cada um tem o direito e dever de procurar a sua
realização pessoal.
O impulso básico é o amor porque Deus é amor e porque o homem está feito à imagem e
semelhança de Deus. Todo o ideal é então a forma mais pessoal de amar. Pedagogia do ideal é
reconhecer esta forma original de amar, inscrita no interior próprio de cada homem, e desenvolvê-
la até à sua plenitude.
Dada a liberdade individual e os múltiplos condicionalismos socais, culturais e económicos, essa
busca pode ver-se favorecida ou verdadeiramente dificultada. Por influência de decisões livres ou
pelo peso dos condicionalismos ambientais, o homem pode afastar-se da ordem querida por Deus.
A massificação e mecanização do homem, que separa Deus da vida e razão da fé, foi para o P.
Kentenich motivo de preocupação. O homem deve lutar pela sua liberdade, conquistada a partir do
respeito à identidade individual, cultivada pela autoeducação.
A pedagogia do ideal orienta-se, no sentido de superar esta despersonalização reinante: é uma
pedagogia anti-massificação; positivamente, de defesa e promoção da personalidade.
Na pedagogia do ideal a ajuda do educador consistirá na colaboração para que, em liberdade, o
educando conheça, assuma e realize em plenitude o projeto da sua própria vocação humana e
cristã, e que se sinta chamado a intervir responsavelmente na sua comunidade.

Pedagogia dos vínculos


Para se tornar em “si mesmo”, o homem invariavelmente precisa do outro, seja isso pessoas,
coisas, lugares ou Deus.
Pode-se compreender que o vínculo é “atar-se a um laço estável e seguro”, ou seja, que pressupõe
uma relação aprofundada de afeto. Esta relação pode ser com pessoas (o ‘eu’ e ‘você’), ideias (uma
força propulsora), lugares (o ambiente físico fala) e Deus, formando o organismo de vinculações
natural e sobrenatural. Aqui reside uma diferença dos homens aos outros seres vivos: só nós
conseguimos desenvolver os vínculos, pois somos os únicos capazes de amar! Aqui está um ponto
chave para sermos realmente vinculados.
Um dos traços que mais se destacam em Schoenstatt é a sua atualidade. Uma das preocupações
do P. Kentenich, era referente à ruptura de vínculos que o homem moderno tem vivenciado. A nova
maneira de se relacionar com a família e os impulsos tecnológicos têm nos distanciado do outro.
Do mesmo modo, os sistemas políticos foram ambos criticados por P. Kentenich. O liberalismo com
uma demasiada competitividade tem nos aprisionado nas propriedades privadas. Do mesmo modo,
o marxismo, que afirmou a igualdade social, vem disso um meio para criar um estado totalitário e
que negasse o indivíduo e sua dignidade.

Esta pedagogia procura criar todas as condições para que o educando, em liberdade, e de forma
criativa, crie vínculos profundos. As atitudes que surgem destes vínculos despertarão no aluno o
apelo pela conquista dos mais altos ideais e marcarão a visão que terá da sociedade e do mundo.
É a pedagogia que propicia as relações dos alunos entre si, com os seus educadores, com a sua
realidade e com o Deus da vida, estabelecendo vínculos sadios e profundos que serão a base para
o desenvolvimento harmônico da pessoa.
As atitudes que surgem destes vínculos despertarão no aluno o anelo pela conquista dos mais altos
ideais e marcarão a visão que terá da sociedade e do mundo.

Pedagogia da Aliança
Dento de todos os vínculos, o P. Kentenich destaca a prioridade do vínculo com Deus. Porque o
encontro com Deus é o encontro primário e essencial para a plena realização do homem; é o eixo
orientador de todo o organismo de vinculações, tanto no pessoal como no social.
Libertar o ser humano dos ‘humanismos fechados’ (João Paulo II) para o abrir à dimensão
transcendente da vida, é o enorme desafio que se coloca à pedagogia cristã deste tempo.
O P. Kentenich afirma a necessidade de a colocar como uma pedagogia de Aliança porque nela
radica o grande gesto de Deus para connosco.
Na plenitude dos tempos, Deus enviou a este mundo o Seu próprio Filho, o qual encarnou pela obra
do Espírito Santo no seio de Maria.
A vida e verdade de Cristo encontram em Maria a sua concretização mais alta e perfeita.
Modeladora porque Deus deu-lhe poder para atuar no coração dos homens e dos povos. O seu
exemplo de vida possui eficácia transformadora. Seria errado considerá-la um mero exemplo
estético, como se fosse uma espécie de espelho frio e distante que reflete as virtudes cristãs. Ela
cria em nós aqueles valores que mostra como modelo.
A pedagogia de Aliança torna-se forte pela pedagogia mariana. O carisma de Maria – carisma
feminino e maternal – é precisamente esse: aproximar vitalmente as pessoas da Trindade, oferecer
familiaridade com o mundo sobrenatural, fazer da Igreja um lar para o homem.
A pedagogia da Aliança procura servir a vida do educando de tal modo que este se possa abrir às
dimensões da vocação cristã e desenvolvê-las com harmonia e plenitude.

Pedagogia da confiança
É a pedagogia que, baseada no respeito ao ser único e original que é cada educando e aos seus
processos de crescimento, desenvolve em plenitude todos os âmbitos de sua personalidade
(intelectual, afetivo, físico, social, artístico e espiritual).
Ainda que necessitemos do divino, no catolicismo o homem também tem um papel importante. Por
isso, toda pessoa para se desenvolver necessita de um ambiente onde as pessoas confiem nela e
demonstrem isso. O respeito também é visto como ponto fundamental, pois implica uma atitude
de profunda valorização da pessoa; assombro perante os seus talentos e capacidades; interesse
por promover todas as suas coisas positivas; aceitação serena das suas facetas negativas e defesa
da sua fama e dignidade. É renúncia a todo tipo de dominação e concretização do serviço
desinteressado à vida. Schoenstatt diz que o respeito exige uma profunda valorização da
personalidade do outro; e como inimigo: dos muitos que há, o perigo do educador que aplica
conforme moldes pré-estabelecidos. Há também inúmeros benefícios, mas podemos nos deter na
importância da reciprocidade. Se trato bem meu educando, este também me tratará. Há um
processo de confiança entre um e outro. Segundo o PK, cada pessoa leva um céu, uma esperança
consigo e, sendo assim, é importante reverência e respeito, cuidado e tratamento nobre.
O ambiente educativo - deve se diferenciar pelo espírito de família, pelo clima de alegria, pela
capacidade de acolher e pelo diálogo - despertará as forças motivacionais do aluno, fomentando a
criatividade e a responsabilidade pelo trabalho bem feito. O respeito exige que o motivo central de
toda a ação pedagógica seja o original. Pode ser que o bem do educando necessite precisamente
de uma repreensão ou de um castigo, e neste caso é algo justificado e fecundo. Mas deixa de ser
sinal de amor respeitoso quando é fruto da necessidade de um desabafo nervoso do educador, do
seu próprio mal estar ou da sua falta de controle.

Pedagogia do Movimento
O P. Kentenich está consciente dos valores que representa o ideal cristão e schoenstattiano, mas
antes de apresentar esses ideais, procura conhecer os interesses que estão vivos nas pessoas e no
grupo como tal. Quer dizer, entende que não se deve partir de si mesmo, mas das pessoas a quem
está chamado a servir. Como Educador, deve interrogar-se primeiro sobre a capacidade do grupo
e das pessoas que o compõem para compreender os ideais e valores e qual o interesse que existe
por eles.

A vida está em constante movimento e, como sempre enfatiza o PK na sua pedagogia, é


necessário acompanhar a vida das pessoas para que a pedagogia possa ser de fato um serviço à
vida.

Guiado pela fé prática na Divina Providência e por uma atitude básica de respeito, preocupa-se em
descobrir os interesses que movem as pessoas e o grupo. Para isso é preciso que os conheça, que
lhes esteja afeiçoado, porque aqui, mais do que o estudo reflexivo, servir-lhe-á o conhecimento
que vem do amor ou da vinculação pessoal aos seus.

Conhecê-los significa que já estabeleceu uma relação com eles; que captou os seus «pontos de
contacto», que entrou no seu mundo, naquilo que eles fazem, no que atrai os seus gostos e
interesses, etc.

pedagogia de movimento é uma pedagogia primeiramente psicológica e não lógica ou objectiva. É


uma pedagogia de adaptação, que procede não dos interesses do próprio dirigente do grupo, mas
que ausculta, atende e considera primeiramente os interesses das pessoas que lhe foram confiadas.

A pedagogia do movimento conduz através de correntes de vida, daquilo que está “vivo” nas
pessoas e no grupo, ajudando a orientar para o ideal.

Pedagogia da liberdade
É a pedagogia que partindo da dignidade de cada ser humano, desenvolve nele sua capacidade
para decidir-se pelo amor, pelo bem, pela verdade e beleza e assumir o compromisso de fazer
efetivo o decidido.

A proposta pedagógica de Schoenstatt concretiza-se em conceitos pedagógicos para a educação. A


sistematização destes eixos pedagógicos descreve um processo vital, portanto trata-se de aspetos
de um todo. Diferenciamos ao descrevê-los para uma melhor análise e compreensão de realidades
que estão vitalmente entrelaçadas e que se complementam.
É importante realçar que aqueles que aderem livremente a este carisma o devem fazer guardando
uma fidelidade criadora à mensagem recebida. Mensagem que não deve ser considerada
propriedade privada nem privilégio pessoal, mas ser oferecida a todos como contribuição à
renovação da igreja e da sociedade.

1. Pedagogia do Ideal
Ideal não pressupõe algo moldado em que se deve “encaixar” o educador ou o educando. PK afirma que o
homem é um desejo encarnado de Deus, mas ainda inacabado e é convidado a ser mais, mas isso
depende do talento de cada ser humano. De fato, a Pedagogia do Ideal consiste que cada ser perceba a
forma original de amor, que é Cristo, e que nós somos sua imagem e semelhança, ou seja, nosso grande
impulso seria amar como Jesus o fez.
Tal pedagogia se fundamenta na realidade de que cada indivíduo é chamado a ser ele próprio, na fidelidade
em si e na “ordem do ser”, cada um tem o direito e dever de buscar sua realização pessoal. Nesse sentido,
a crise de identidade das pessoas, onde se valoriza o “ter” e o “aparecer” faz-nos distanciarmos do “ser”.
Assim, a busca pelo ser não diz respeito somente a uma ideia pessoal, mas o Pai Fundador enfatizou o
significado social que isso problematiza. Neste sentido, sua luta foi contra a massificação e mecanização
do homem, que separa Deus da vida e razão da fé. O homem deve lutar por sua liberdade, que se conquista
a partir do respeito à identidade individual, cultivada pela autoeducação.
2. Pedagogia das Vinculações
Antes de tudo, é importante saber que o processo de personalização do homem se dá pela
aculturação (assimilação das realidades) do mundo com que se relaciona. Para se tornar si mesmo, o
homem invariavelmente precisa do outro, seja isso pessoas, coisas ou Deus.
Pode-se compreender então que o vínculo é “atar-se a um laço estável e seguro”, ou seja, vínculo aqui
pressupõe uma relação aprofundada de afeto. Como dito antes, esta relação pode ser com pessoas (o ‘eu’
e ‘você’), ideias (uma força propulsora), lugares (o ambiente físico fala) e Deus, formando o organismo
de vinculações natural e sobrenatural. Aqui reside uma diferença dos homens aos outros seres vivos: só
nós conseguimos desenvolver os vínculos, pois somos os únicos capazes de amar! Aqui está um ponto
chave para sermos realmente vinculados.
Um dos traços que mais se destacam em Schoenstatt é a sua atualidade. Aqui se pode perceber, pois uma
das preocupações do Pai Fundador, já no Documento de Pré-Fundação de 1912, era referente à ruptura
de vínculos que o homem moderno tem vivenciado. A nova maneira de se relacionar com a família e os
impulsos tecnológicos têm nos distanciado do outro. Do mesmo modo, os sistemas políticos foram ambos
criticados por PK. O liberalismo com uma demasiada competitividade tem nos aprisionado nas
propriedades privadas. Do mesmo modo, o marxismo, que afirmou a igualdade social, vem disso um meio
para criar um estado totalitário e que negasse o indivíduo e sua dignidade.
3. Pedagogia da Aliança
A pedagogia em questão dá um enfoque nos vínculos sobrenaturais. Pode-se perceber uma relação entre
as pedagogias das vinculações e da aliança, sendo que esta se aprofunda vinculação a Deus.
Para o PK esse encontro com Deus é fundamental para a plenitude da pessoa e, sem isso, todos os outros
vínculos fica em perigo. Segundo o Pai Fundador, “humanidade sem religiosidade é bestialidade”. Neste
sentido, fica uma crítica ao mundo separado de Deus, cujos tempos atuais tem se evidenciado, em especial
pelo desenvolvimento das ciências, que têm explicado muitas coisas, antes atribuídas ao transcendental.
É na Pedagogia da Aliança que se enraíza o gesto de confiança e faz realizarmos um pacto com Deus.
Aqui, há uma construção de um Deus da vida, que se revela na história e por isso podemos manter com
Ele um diálogo. Na plenitude divina, Deus nos envia Cristo – através de Maria – para que pudéssemos nos
incorporar à Sua Pessoa e Missão.
Além da Aliança com o Deus da vida, como dito anteriormente, a Aliança por meio de Maria também é
fundamental e muito característico em Schoenstatt. PK responde o porquê Maria: “Por desígnio divino, o
grande meio é Maria. Ela foi colocada como modelo e modeladora de homens e comunidades aliadas com
Deus”. É importante termos Maria como exemplo, pois ela sendo ser humano, incorporou Cristo em sua
vida de modo particular; Maria gera valores no homem.
A Pedagogia da Aliança se fortalece na pedagogia mariana, pois tal carisma aproxima vitalmente as
pessoas da Trindade, familiariza-as com o mundo sobrenatural, fazendo da Igreja um lar para os
seres humanos. Sendo assim, a lei fundamental de tal pedagogia é a vinculação à atitude mariana.
4. Pedagogia da Confiança
Ainda que necessitemos do divino, no catolicismo o homem também tem um papel importante. Por isso,
toda pessoa para se desenvolver necessita de um ambiente onde pessoas confiem nela e demonstrem
isso. A atitude de respeito também é vista como ponto fundamental, pois é visto pela pedagogia de
Schoenstatt como um fundamento do amor. É renúncia a todo tipo de dominação e concretização do
serviço desinteressado à vida. Schoenstatt diz que o respeito exige uma profunda valorização da
personalidade do outro; e como inimigo: dos muitos que há, o perigo do educador que aplica conforme
moldes pré-estabelecidos. Há também inúmeros benefícios, mas podemos nos deter na importância
da reciprocidade. Se trato bem meu educando, este também me tratará. Há um processo de confiança
entre um e outro. Segundo o PK, cada pessoa leva um céu, uma esperança consigo e, sendo assim, é
importante reverência e respeito, cuidado e tratamento nobre.
5. Pedagogia de Movimento (voltado ao processo educativo)
A vida está em constante movimento e, como sempre enfatiza o PK na sua pedagogia, é
necessário acompanhar a vida das pessoas para que a pedagogia possa ser de fato um serviço à vida.
Ao contrário disso, teríamos uma pedagogia estática e para isso o educador necessita ter flexibilidade e
capacidade de adaptação às novas situações.
Um dos principais pontos refere-se à lei da adaptação levando em conta que a necessidade de adaptação
à perspectiva de interesse do educando para que os estímulos emitidos possam ser bem assimilados. Ou
seja, é importante que o ensinamento esteja vinculado ao processo de vida da pessoa a qual se
ensina/educa. É necessária uma sensibilidade ao ser humano atual.
Para entrar em sintonia com a pessoa e seus interesses, o Pai Fundador pensou em duas “artes” para que
isso fosse realizado: a “arte de escutar” e a “arte de ajudar o outro a abrir-se”.
Outro ponto de destaque desta pedagogia são as correntes de vida. Servem para mobilizar as pessoas
que comungam um mesmo valor. Isso se dá pela importância de criar umaatmosfera propícia para ser
realizado o processo educativo. A corrente de vida é um processo comunitário e de livre adesão a um modo
comum de pensar e amar.
REFERENCIAL TEÓRICO:
PONTES, Pe. José; STRADA, Pe. Angel. PROPOSTA PEDAGÓGICA DE SCHOENSTATT: Rumo ao 3º
milênio. 2ª ed. São Paulo: Editora C.I, 1998.