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A Evolução dos Sistemas Supervisórios

Autor: Rogério Zampronha

O objetivo deste artigo é mostrar as tendências mais importantes para as gerações


atuais e as novas gerações de softwares de supervisão, através de uma análise
histórica de sua evolução e da estratégia dos principais fornecedores desse mercado.

Os Sistemas Supervisórios atualmente utilizados pouco se parecem com as primeiras


versões desse tipo de sistema, que foram lançadas a pouco mais de 20 anos. A bem
da verdade, quando os mesmos foram lançados, não se podia imaginar que os
Supervisórios fossem abraçar tantas funcionalidades e responsabilidades dentro de
um projeto de automação, e nem que se tornassem uma base de dados fundamental
para importantes tomadas de decisão (e não somente de operação da planta). A
perspectiva histórica da evolução dos sistemas supervisórios é conseqüência das
mudanças ocorridas em:

a) Evolução tecnológica e poder computacional, que trouxe grande capacidade de


processamento (aliada a baixo custo) aos computadores e sistemas atualmente
utilizados;

b) Evolução dos processos e práticas de gestão, que demandam constantemente


informações da planta em tempos curtos (Six-Sigma, TQM, BSC, outros);

c) Acirramento da concorrência entre empresas (clientes finais), o que traz a


necessidade da busca incessante por aumento de eficiência (onde a automação
guarda um lugar de destaque);

d) Consolidação da indústria de softwares supervisórios, através da aquisição das


empresas desenvolvedoras de mais destaque por grandes grupos fornecedores de
instrumentos e CLPs (Controladores Lógico Programáveis). A análise histórica
também representa um importante exercício para se avaliar as próximas tendências
para os sistemas supervisórios.

EVOLUÇÃO HISTÓRICA

O uso de sistemas supervisórios teve início no começo dos anos 80. Nesta época, o
PC ainda era provido de pouco poder computacional, e outras plataformas de
hardware ocupavam o espaço em projetos de automação. Controladores dedicados e
ini-computadores eram comumente encontrados, mas apenas em projetos mais
sofisticados – principalmente em sistemas de Energia e Petróleo - já que o custo
destas plataformas inviabilizava sua adoção em larga escala ou em projetos de menor
porte.

Com a evolução do PC e da conseqüente redução de custos observada em função do


aumento do volume de produção desses componentes, começam a ser lançados os
primeiros softwares conhecidos como SCADA (Supervisory Control And Data
Acquisition), ou Supervisórios. Obviamente esta evolução motivou o surgimento de
diversas empresas desenvolvedoras de softwares SCADA, sendo que em 1992 mais
de 120 diferentes fornecedores disputavam um mercado ainda emergente. Dentro
desta mesma tendência, diferentes sistemas operacionais surgiram com propósitos e
características distintas, e até o advento do Windows NT não houve uma
convergência de desenvolvedores para uma plataforma única de sistemas
operacionais. DOS, OS/2, Unix, QNX, Windows, VMS eram alguns dos sistemas
operacionais encontrados, e a disputa entre supervisórios concorrentes também
incluía a escolha do Sistema Operacional. As terminologias e os módulos
apresentados em cada supervisório ainda eram distintos, o que dificultava
sobremaneira a adoção de uma ferramenta única como padrão. Algumas empresas
pioneiras marcaram época na década de 80, como a Heuristics e seu software Onspec
– talvez o primeiro produto para a plataforma PC com projeção de mercado. A década
de 80 teve também uma forte influência, no Brasil, da reserva de mercado e da SEI –
Secretaria Especial de Informática, que limitava a importação de hardwares e
softwares com o objetivo de estimular a geração de tecnologia nacional. Tal reserva,
se por um lado trouxe um considerável atraso tecnológico às empresas brasileiras,
gerou o surgimento dos primeiros sistemas de supervisão e controle de processos,
fomentados principalmente por empresas como a Cia. Vale do Rio Doce – na época,
estatal. Os produtos Pautom (da Paulo Abib Engenharia) e o Autovale (versão
modificada para a CVRD), desenvolvidos em uma plataforma nacionalizada do
sistema operacional QNX, foram possivelmente os embriões da produção nacional de
softwares de supervisão.

Diversas empresas internacionais lançaram, em meados dos anos 80, suas primeiras
versões de softwares SCADA – além da Heuristics, empresas como Intellution (The
Fix), PC Soft (Wizcon), Iconics (Genesis), US Data (Factory Link) e CI Technologies
(Citect) tiveram destaque nesse período. Os mais diversos sistemas operacionais
foram utilizados como plataforma, sendo que a US Data buscou desenvolver uma
versão de seu software como multi-plataforma para DOS, VMS e OS/2; a PC Soft
tinha suas versões de Wizcon para OS/2 e DOS; a Intellution, para DOS e em um
determinado momento chegou a lançar uma versão também em OS/2; e a Iconics,
sempre em DOS. Outros softwares de “nicho” também apresentaram alguma
participação de mercado, como o RealFlex (QNX) ou Paragon, mas com participação
de mercado bastante reduzida.

Como mencionado acima, a convergência de plataformas se deu após o “Fator


Microsoft”. A Microsoft se tornou realmente uma força dominante em Sistemas
Operacionais para Desktops, e lançou uma versão específica que impulsionou as
aplicações industriais em seu ambiente: O Windows NT. Esse sistema operacional
superou algumas limitações importantes existentes no Windows 3.1, mas já
largamente utilizadas em outros sistemas operacionais como OS/2 (da IBM), QNX ou
UNIX, como o ambiente multitarefa (essencial para o bom desempenho dos sistemas
supervisórios). Com esse movimento, a IBM decidiu – alguns anos depois –
interromper o desenvolvimento do OS/2, o UNIX teve seu espaço garantido no
mundo de TI (mas não no chão-de-fábrica), o QNX se tornou um sistema operacional
de “nicho”, e a Microsoft foi a vencedora desse mercado.

Reconhecendo esta realidade, a grande maioria das empresas desenvolvedoras de


softwares supervisórios migrou para a plataforma Windows e para padrões Microsoft.
Ao mesmo tempo, os clientes foram requerendo funções similares nos produtos,
resultando em uma convergência nos padrões e módulos. A consolidação da indústria
de softwares supervisórios passa a ser inevitável, e dos 120 fornecedores
mencionados anteriormente, passam a restar não mais que 15 empresas globais no
mercado – em um período de apenas 10 anos. A Wonderware (In Touch), sendo a
pioneira em supervisórios em plataforma Windows, se beneficiou desse momento e
conseguiu um importante market share. Duas empresas nacionais desenvolvedoras
de supervisórios também surgiram no final dos anos 80 e início dos anos 90, e
merecem destaque – a Elipse e a Indusoft.

Por outro lado, os principais fabricantes de hardware, como Siemens (Coros),


Rockwell (Sis900) e GE, mantinham plataformas de supervisão com poucos recursos,
não enxergando ainda o diferencial competitivo que uma plataforma robusta de
SCADA poderia trazer à sua oferta aos clientes.

Após o advento do “Bug do Milênio”, onde a grande maioria dos clientes finais
aproveitou o momento não somente para remover os riscos que a passagem do
milênio representava, mas também para atualizar o seu parque tecnológico, o
mercado consumidor de sistemas supervisórios passou por um momento de
crescimento vegetativo, obrigando as empresas fornecedoras a buscarem outras
formas de tecnologia que, ao mesmo tempo, apresentassem nova perspectiva de
crescimento acelerado e utilizassem a infra-estrutura dos atuais sistemas
supervisórios.

Mais uma vez houve uma profusão de novos caminhos – alguns fornecedores
utilizaram a Internet como alavanca de crescimento e novas tecnologias; outros
seguiram o caminho do desenvolvimento de uma camada de gerenciamento de
informações industriais; um outro grupo partiu para a migração dos sistemas
supervisórios para plataformas portáteis (baseadas em Windows CE,
primordialmente); e um quarto grupo optou pelo desenvolvimento de ferramentas de
otimização de processos e controles avançados, também utilizando a infra-estrutura
dos supervisórios. Esta diferenciação criou outras categorias de softwares que,
embora relacionados diretamente aos sistemas supervisórios, traziam diferentes
propostas de valor aos clientes. É uma clara tentativa de diferenciação, disputada até
os dias de hoje.

Estrategicamente, os fabricantes de hardware enxergaram nos últimos seis anos que


o supervisório poderia se tornar não somente uma plataforma de diferenciação, mas
também agregar mais valor à sua solução e permitir o chamado “One Stop Shopping”
– ou seja, a mesma empresa fornece todos os componentes (ou a parte mais
relevante) de um sistema de automação, afastando ameaças de concorrentes e
mantendo uma posição primordial dentro dos clientes. Tais empresas ou investiram
na formação de um grupo desenvolvedor de softwares que pudessem competir com
as empresas independentes ou compraram tais empresas. Algumas das empresas de
hardware que adquiriram companhias fornecedoras de supervisórios foram a GE,
Rockwell, Foxboro, Emerson, Elutions e Schneider.

A evolução das empresas de supervisórios pode ser sumarizada como o Quadro 1.

Quadro 1

EVOLUÇÃO DAS FUNCIONALIDADES

Como mencionado anteriormente, os supervisórios, como são vendidos hoje, pouco


lembram as primeiras versões lançadas nos anos 80. Isso por que todos os aspectos
tecnológicos evoluíram consideravelmente, em um curto espaço de tempo (quem tem
mais de 40 anos de idade há de se lembrar com bom humor dos disquetes de 8
polegadas, ou de um Apple II com 64 Kbytes de RAM).

Genericamente, os supervisórios são estruturados ao redor de um núcleo (kernel)


que coordena a aquisição de dados dos Controladores Programáveis, Instrumentos e
Medidores através de elementos conhecidos como drivers de comunicação (processo
este simplificado com o advento do OPC). O mesmo kernel se encarrega de distribuir
esses dados aos módulos gráficos (como telas gráficas, gráficos de tendência,
alarmes, entre outros) e registro histórico (banco de dados). É claro que cada
software tem sua forma de gerenciar internamente o tráfego de informações entre os
módulos, mas esta é uma arquitetura comumente encontrada nos produtos.

Como conseqüência da mesma evolução tecnológica, os supervisórios ampliaram


seus recursos como listado em alguns exemplos abaixo:

- Desempenho / Capacidade: Os produtos que originalmente suportavam o


endereçamento de poucas variáveis de controle (tags), agora suportam milhares de
variáveis, sendo que alguns projetos documentados com arquitetura em rede chegam
a mais de 400.000 tags;

- Conectividade / Redundância: Os supervisórios passaram de estações de operação


isoladas para suportar arquiteturas complexas em rede, adicionando segurança
(redundância em alguns dos produtos existentes) e escalabilidade;

- Facilidade de Uso: A interface ao usuário (GUI) trouxe todos os benefícios que o


ambiente Windows disponibilizou, tanto referente à ferramentas de desenho quando
a definição de bancos de dados. Mais que isso, a integração entre os supervisórios e
os controladores programáveis deu um importante salto a partir do momento que as
bases de dados de ambos ambientes podem ser integradas, facilitando sobremaneira
o desenvolvimento e manutenção dos aplicativos;

- Integração com outros ambientes – Antes uma ferramenta isolada, os supervisórios


paulatinamente se transformaram em um ambiente aberto e de fácil conexão com
outros sistemas, sejam eles de chão-de-fábrica, qualidade, manutenção ou
transacionais (ERP);

- Uso da WEB – O uso da WEB está também presente nos supervisórios, de várias
formas – desde a simples utilização de estações WEB para monitoração de processos,
até o uso da internet para manutenção e monitoramento remotos de aplicações e
processos.

Nos últimos 4 ou 5 anos novas funcionalidades foram lançadas, principalmente para


facilitar a configuração dos sistemas e a conectividade dos mesmos – mas não foram
implementações “revolucionárias”, como o advento do Windows. Parte importante do
investimento dos fornecedores de supervisórios se deu no desenvolvimento de
ferramentas COMPLEMENTARES aos supervisórios, que se aproveitam de sua
capacidade de comunicação e gerenciamento de dados para trazer aos clientes
soluções de maior valor agregado. É curioso ver que os supervisórios estão se
tornando plataformas robustas, para o desenvolvimento de uma nova camada de
aplicativos – e, neste ponto, novamente os fabricantes divergem em suas estratégias,
trazendo um leque excepcional de novas oportunidades.

Embora a evolução pareça peculiar, ela mais uma vez repete o “ciclo de vida” de um
mercado de tecnologia. Tal ciclo foi descrito por Dr. Paul Strebel, como apresentado
no Gráfico 1.

Ref: Focused Energy, por Dr. Paul Strebel, editado por IMD – Institute for
Management Development. Gráfico 1

O mercado de supervisórios passou por todos os estágios descritos no Gráfico 1 –


desde o início, quando surgiram os fornecedores iniciais (Pioneering), até o momento
atual, onde se encontra em novo ponto de “divergência”, no qual alguns dos
diferentes caminhos que estão sendo adotados são listados no próximo tópico. Pode
ser visto no Gráfico 1 que o momento atual é o último listado, onde é indicado que
surgem Novos Competidores, Novos Segmentos e Novas Tecnologias, possivelmente
redefinindo como o mercado – e seus produtos – vai se apresentar nos próximos
anos.

Normalmente, é nos pontos de divergência (Divergent Breakpoint) que surgem as


grandes inovações tecnológicas e, o que é mais interessante, tais inovações tendem a
surgir em empresas que não são líderes de mercado ou mesmo que venham de
outros segmentos. Em longo prazo, as grandes empresas acabam por lançar soluções
similares, em geral adquirindo as empresas que foram as lançadoras das tecnologias
divergentes.

NOVAS ESTRATÉGIAS E DIREÇÕES


De forma distinta ao ambiente dos anos 80/90, os novos desenvolvimentos das
empresas de sistemas de supervisão estão não só ligados à disponibilização de novas
tecnologias e requisitos dos usuários, mas também às estratégias de suas empresas
controladoras.

Além disso, mais uma vez as conseqüências dos investimentos realizados em


Tecnologia da Informação durante o “bug do milênio” também estão direcionando os
atuais investimentos. Isso por que as grandes empresas investiram maciçamente na
implementação de ERPs com o objetivo de solucionar todas as questões
“transacionais” da corporação e tais investimentos absorveram boa parte de sua
capacidade em adotar outras tecnologias de gestão. Com a consolidação dos ERPs em
suas operações e a constatação de que os mesmos não resolvem vários problemas de
gestão, e em particular os relacionados à Gestão de Manufatura, volta-se a ter
interesse em ferramentas específicas para esse tipo de processo.

Algumas vertentes de desenvolvimentos são listadas abaixo:

a) Gerenciamento de Informações O foco do mercado de Gerenciamento de


Informações é transformar a massa de dados existente no chão-de-fábrica em
informações valiosas para a tomada de decisão, desde Gerentes e Diretores de
operações (MES) até Supervisores e Engenheiros de Processo (PIMS) – embora esta
seja uma fronteira tênue.

a.1) PIMS - Plant Information Management System

Com o sucesso obtido por empresas independentes no desenvolvimento de softwares


historiadores (PIMS), alguns fornecedores de sistemas SCADA também buscaram
brigar por esse mercado lançando seus produtos desenvolvidos internamente ou
através de aquisições – surgindo uma nova leva de produtos. Entretanto, o mercado
de PIMS está muito ligado a Processos Contínuos de manufatura, onde
tradicionalmente outras empresas fornecem sistemas completos de controle (SDCDs)
– e cada uma destas empresas também conta com seu próprio PIMS, gerando assim
um leque grande de opções para os clientes finais. É um mercado ainda em grande
expansão, mas já bastante maduro.

a.2) MES – Manufacturing Execution Systems


Não é objetivo deste documento discutir a conceituação de MES, mas embora a
mesma seja de alguma forma normatizada pela ISA, ainda há grandes discussões
sobre a abrangência e o foco dos projetos de MES.

De qualquer forma os primeiros projetos de MES foram baseados no desenvolvimento


de soluções “sob medida” para cada processo, embora softwares prontos e
configuráveis começassem a surgir no mercado – principalmente no ambiente de
manufatura discreta.

Hoje um cliente pode buscar diversas soluções de MES baseadas em ferramentas


configuráveis, mas terá certa dificuldades em equalizar as soluções concorrentes, já
que as mesmas diferem bastante em termos de funcionalidades, mercado alvo,
estratégia e complexidade. Algumas empresas elegeram esse mercado como
prioritário, e outras como complementar, sendo esta a razão de algumas das
diferenças encontradas.

É importante reiterar que há uma organização internacional chamada MESA


(www.mesa.org), que em 1997 publicou o primeiro paper definindo as
funcionalidades gerais e o escopo de uma solução de MES. Em função da necessidade
de conectividade com o chão-de-fábrica, a ISA publicou a ISA-95, que também define
as fronteiras e escopo de projetos/ferramentas de MES.

b) Portabilidade

Outras empresas optaram por focar seu negócio na portabilidade de seus


supervisórios, focando o mercado de OEM (Original Equipment Manufacturer). O
mercado de Interfaces Homem Máquina (IHM) consome uma larga quantidade de
“supervisórios” mais simples, incorporados ao equipamento. A Indusoft, por exemplo,
tem se destacado nesse mercado e fornecido para diversos fabricantes de IHM. Mas
esta é apenas uma parte do mercado; diversos dispositivos e “appliances” são
potenciais consumidoras desta versão de “supervisórios”, fazendo com que o
potencial de fornecimento seja muito grande. Ao contrário do item (a) acima, o foco
desse caminho estratégico não é trazer mais valor às informações do chão–de-
fábrica, e sim dotar diversos dispositivos simples de muito mais capacidade e
inteligência.

c) Otimização / Reconciliação de dados


A otimização de processos (principalmente em processos contínuos ou
semicontínuos), com o uso de modelos heurísticos ou de otimização pura, ainda é
restrita a empresas especializadas embora os principais fornecedores de SDCDs já
contem com ferramentas desse tipo. A Pavillion foi uma das pioneiras dessa classe de
sistema, com bastante sucesso. Outras empresas de softwares estatísticos, como
SAS, também transitam nesse mercado, mas sem um foco tão determinado.

Ainda não há um movimento importante dos fornecedores de supervisórios nesse


mercado, apenas iniciativas marginais – mais uma vez, em função do foco estratégico
destas empresas. Mas pelas características dos supervisórios, tecnicamente é
relativamente simples adicionar uma camada de otimização sobre as ferramentas
atuais – o que leva a crer que em algum momento próximo poderemos observar o
surgimento de algumas ferramentas desse tipo.

d) Business Inteligence, Data Mining

Talvez por ser o mercado de automação um ambiente muito conservador (até em


função das necessidades de segurança operacional que cercam um projeto), as
iniciativas de BI e Data Mining ainda são tímidas – embora, na opinião deste autor,
representem uma grande oportunidade de negócios e valor para os clientes.

Uma planta industrial é um ambiente bastante complexo, onde as relações de causa e


efeito entre as variáveis são conhecidas – mas não completamente mapeadas. A
análise de correlações entre variáveis de processo, problemas de paradas e
qualidade, programação de produção e eficiência, ainda é tratada de forma
segmentada com processos de gestão distintos.

O uso dos softwares de PIMS representa um importante passo no desenvolvimento


de ferramentas estatísticas que, da mesma forma que os sistemas de BI, encontrem
correlação entre problemas da planta e indiquem ações de melhoria de eficiência. Em
uma planta de uso intensivo de capital, 1% de aumento de eficiência representa
centenas de milhares de reais em ganhos.

e) Integração de plataformas de hardware e software

Um dos maiores custos de um projeto de automação é formado pelos serviços


necessários para implementá-los. È natural que algumas empresas – principalmente
aquelas fornecedoras de Hardwares (como CLPs) e Supervisórios – invistam na
criação de uma plataforma integrada de configuração, supervisão e gestão. Assim
surgiram vários produtos integrados, que compartilham a base de dados entre os
controladores programáveis e os supervisórios, bem como o ambiente de
configuração e supervisão, fazendo com que o custo do desenvolvimento de projetos
(e sua conseqüente manutenção) seja reduzido.

f) “Best of Breed”

A contra-partida do item (e) acima é que uma nova geração de produtos


especializados em nichos (de mercado ou soluções) vai surgir. São os produtos
chamados “Best of Breed” ou “Best in Class”, que se por um lado não fazem parte de
uma solução integrada, por outro oferecem benefícios similares se aproveitando dos
avanços das tecnologias de conectividade hoje em curso e trazendo características
peculiares a certos processos, que os faz apresentar desempenho ou qualidade
superiores nos nichos em que se propõem a atuar. Isso envolve não somente os
supervisórios, mas também outros produtos construídos ao redor do mesmo, e
listados neste artigo.

CONCLUSÃO

Claramente o grande beneficiado por toda esta evolução tecnológica e estratégica é o


cliente. O leque de opções é grande, a facilidade no desenvolvimento de projetos
aumentou, o custo diminuiu, e a nova geração de desenvolvimentos vai trazer ainda
mais valor às soluções.

O usuário deve sempre ficar atento ao fato de que 50% do sucesso de um projeto
devem-se às ferramentas que ele escolheu, e os outros 50% da qualidade de serviços
de implementação que ele contratou. Há muito tempo que isso é de conhecimento
geral, mas a partir do momento em que se implementa soluções que trazem maior
valor ao negócio do cliente e elementos que facilitem sua tomada de decisão, a
análise do “negócio” e o impacto financeiro destas implementações se reveste de
uma importância ainda pouco considerada. Uma nova leva de profissionais
especializados em traduzir as necessidades estratégicas do cliente em projetos de
automação e informação começa a surgir, agregando conhecimentos como eletrônica,
software, automação e gestão de negócios.

A despeito de todos os problemas que o Brasil vive, existe algo para nos orgulhar
além da qualidade de nosso futebol: o profissional brasileiro é muito mais aberto a
novas tecnologias que profissionais de outras nacionalidades, o que nos permite dizer
que podemos – por que não? – liderar a nova onde de aumento de eficiência em
manufatura.

NOTAS DO AUTOR

1. O artigo não teve a preocupação em manter um registro histórico apurado dos


eventos citados.

2. O fato de alguns produtos importantes do mercado não terem sido citados não
desmerece de forma alguma sua qualidade e importância, e não é objetivo do artigo
promover qualquer produto.

3. Agradecimentos especiais ao Engenheiro André Marino (SoftBrasil), que contribuiu


na análise do texto e sugeriu tópicos importantes; ao Engenheiro. Luiz Egreja
(Rockwell), que auxiliou no registro de fatos da evolução histórica; e ao Engenheiro
Constantino Seixas (Atan), que trouxe os elementos do desenvolvimento das
soluções pioneiras de automação no Brasil.

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